22 de dez de 2008

Castiga! - Roy Buchanan, o melhor guitarrista desconhecido da história

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Por Marco Antonio Gonçalves
Sinister Salad Musikal

Trafegando pelas vias do blues, ando gastando a agulha da
pick-up nos LPs de Roy Buchanan. Tido como “o melhor guitarrista desconhecido do mundo” e eleito pelas revistas Guitar Player e Rolling Stone como um dos cem melhores guitarristas da história, este músico americano continua me impressionando a cada nova audição. Do fundo de minha coleção de discos, diria sem medo de errar: Buchanan foi um dos grandes heróis do blues em todos os tempos. Quem não conhece, não sabe o que está perdendo. 

Figura fácil no circuito musical da época, Buchanan percorreu os Estados Unidos e o Canadá, tocando com vários músicos e grupos desconhecidos no final dos anos 50 e por toda a década de 60. No início dos anos setenta gravou dois discos com o Snakestretchers, assumindo o papel de
band leader da trupe.

Combinando estilo e técnica singulares a um
feeling de arrepiar, acabou conquistando fãs famosos como John Lennon, Eric Clapton e Jeff Beck. Mick Jagger, inclusive, o convidou para ingressar nos Rolling Stones, em substituição ao guitarista Brian Jones, demitido da banda em junho de 1969 (um mês depois, Jones foi encontrado morto, boiando na piscina de sua casa). Buchanan negou o pedido, preferindo a liberdade artística e a distância da fama. Assim era Buchanan.


Em 1972, depois de ser homenageado com um documentário na TV, firmou contrato com a Polydor e lançou-se como artista solo, gravando pela companhia cinco discos memoráveis e pra lá de recomendados. Sua estréia na gravadora veio com um disco homônimo que contava com o entrosamento e a camaradagem dos parceiros da antiga banda: Ned Davis (bateria), Dick Heintze (piano/orgão), Teddy Irwin (guitarra rítmica), Chuck Tilley (vocal) e Pete Van Allen (baixo). Buchanan simplesmente abusa de sua Fender Telecaster, impondo uma combinação explosiva de blues, rock e r&b. Divino maravilhoso!

“Sweet Dreams”, “Cajun”, “John’s Blues” e “Pete’s Blue” são faixas instrumentais de arregaçar a alma. A veia country também está presente nas canções “I Am Lonesome Fugitive”, “Haunted House” e na versão do clássico “Hey, Good Lookin”, de Hank Williams, todas interpretadas por Chuck Tilley. Mas é na faixa “The Messiah Will Come Again” (com vocal do próprio Buchanan) que dá para entender por que o descreviam como um guitarrista que fazia sua guitarra chorar. Fantástico!


Se o primeiro é excelente, este "Second Album" então nem se fala. Gravado em 1973, trazia pequenas alterações no
line-up do álbum anterior, como a entrada de Don Payne substituindo Pete Van Allen nas linhas de baixo e Jerry Mercer nas baquetas no lugar de Ned Davis (que só colabora na emotiva “She Once Lived Here”). Mais uma seleção de faixas instrumentais e solos sensacionais, comprovando quem é o mestre da Telecaster.

“Filthy Teddy”, “I Won’t Tell You No Lies” (com belo trabalho de teclados de Dick Heintze) e “Tribute to Elmore James” são as provas definitivas que tocar com sentimento era uma de suas fortes qualidades. Outra boa pedida fica por conta da clássica “Treat Her Right”, de Roy Head, abrindo o lado B do vinil, numa versão fulminante para botar fogo nas festividades.

Mas os destaques ficam por conta das intensas “After Hours” e “Five String Blues”, com Buchanan injetando timbres agudos ensandecidos e descarregando aqueles efeitos característicos de sua companheira de seis cordas. Uma dica é escutar estas duas faixas com a mão segurando o queixo. Pirotecnia pura a serviço dos bons sons!


Encerrando minha conexão auditiva em alguns de seus discos, destaco também seu terceiro trabalho solo, lançado em 1974. "That’s What I Am Here For" é um registro mais roqueiro e com uma pegada mais nervosa que os anteriores. Acompanhado por Dick Heintze (teclados), Billy Price (vocal), John Harrison (baixo) e Robbie Magruder (bateria), mostra um Buchanan na ponta dos cascos, mantendo suas características marcantes: riffs precisos, grandes agudos nos solos e muitos harmônicos.

Curioso que ao contrário dos anteriores, este álbum traz apenas uma faixa instrumental (a bela “Nephesh”). De resto só sonzeira, solos raivosos e timbres berrantes extraídos de sua amiga Telecaster. Aumente o volume em “My Baby Says She’s Gonna Leave Me”, “Rodney’s Song” ou “That’s What I Am Here For” e mande seus auto-falantes para o inferno.

Em “Roy’s Bluz” (única faixa com vocal de Buchanan) e “Please Don’t Turn Me Away” tudo parece se acalmar até que Buchanan intervém com nova saraivada de solos ensurdecedores e efeitos estratosféricos. Discaço que ainda traz versão de “Hey Joe”, dedicada a Jimi Hendrix e tocada com estilo peculiar, criando texturas sonoras de rara beleza. É a assinatura Buchanan de qualidade.


Além destes três discos obrigatórios, Buchanan gravou outros dois pela Polydor e mais três pela Atlantic Records antes de dar uma trégua de quatro anos na carreira, reivindicando maior liberdade em suas criações. Em 1985 assinou com a Alligator Records, alcançando a alforria que pleiteava há anos, e gravou mais uma leva de grandes discos pela companhia. “When a Guitar Play the Blues”, de 1985, é altamente recomendado. Qualquer hora falo mais deste disco.

Reza a lenda que Jeff Beck parou de tocar com a Telecaster depois de ouvir Roy Buchanan. Se é verdade ou não, o certo é que sua admiração por Buchanan era notória, tanto que “Cause We’ve Ended As Lovers”, do revolucionário álbum "Blow by Blow", é dedicada a ele. Nesta faixa, Beck bate continência ao guitarrista americano usando uma técnica criada por ele: dar um
bend enquanto o volume da guitarra esta baixo e ir aumentando depois. Mestre!

Sua morte sinistra ainda é um poço de mistério. Depois de ser preso embriagado após uma discussão familiar, foi encontrado morto em sua cela na manhã seguinte, enforcado em sua própria camisa. Apesar dos fatos evidenciarem suicídio, muitos ainda não acreditam nessa tese. Era 14 de agosto de 1988 e, aos 48 anos de idade, acabava tragicamente a trajetória do “melhor guitarrista desconhecido” da história.

12 de dez de 2008

Pioneiros do Metal Nacional: Eduardo de Souza Bonadia

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Batemos um longo papo com Eduardo de Souza Bonadia, um dos desbravadores do heavy metal em nosso país, co-fundador da revista Rock Brigade e hoje editor da Stryke Magazine. Bonadia contou histórias do começo da Brigade e de como era a cena nacional nos anos oitenta, além de nos mostrar a sua coleção.

A entrevista ficou sensacional, espero que curtam!


Collector´s Room - Bonadia, você se considera um colecionador de discos? Tem quantos na sua casa?

Eduardo de Souza Bonadia - Sim, com certeza. Desde os anos setenta (mais precisamente 1973) eu coleciono. Cheguei a ter mais de 2.000 LPs, mas com o advento do CD fiquei com uns 20 que espero agora sejam substituídos por CDs. Tenho bem mais de 2.000 CDs e mais de 400 DVDs, e aumentando ...

Você guarda algumas demos ou material da época em que começou a trabalhar com jornalismo musical?

Infelizmente não, ficaram todas as demos na redação da Rock Bridade, e por estupidez de quem ficou por lá foram utilizadas para gravação de LPs (!!!), perdendo-se assim um tesouro incalculável. Tanto material antigo raríssimo, de qualidade, literalmente jogado fora!!! Não faria isso nunca!!! 

Você foi um dos fundadores da Rock Brigade. Como surgiu a idéia da revista?

Comecei a trocar correspondência com várias pessoas através de um anúncio colocado na saudosa revista Somtrês, e entre estas pessoas estava o Antônio D. Pirani (Toninho), além de outros não menos importantes que foram o embrião da Rock Brigade. Comecei, especialmente com o Toninho,  a trocar correspondência mais a fundo no aspecto musical. Ficamos muito amigos, emprestávamos LPs um para o outro constantemente - ele me passava mais material dos anos 60 e 70, e eu emprestava anos 70 e algumas coisas mais pesadas que ele não conhecia bem (Motorhead, Girlschool, etc). 

Com o tempo, e como ele recebia na época a excelente revista britânica Kerrang - que começava a falar muito do "novo" movimento NWOBHM - New Wave Of British Heavy Metal - e tempos depois, no início dos anos oitenta, um zine norte americano chamado KAM, que foi a base de informação para nós no início. 

Assim como os outros componentes do staff, éramos amigos de correspondência ou até mesmo amigos de bairro que alimentavam o amor pela música pesada.

Quem deu o nome da publicação, baseado, é claro, na música do Def Leppard, foi o Ricardo H. Oyama, que na época tornou-se um grande fã do então quase desconhecido Iron Maiden!!!

Quando a revista surgiu, não havia essa facilidade ao acesso de informações que temos hoje. De onde vocês pegavam as informações para produzir as matérias daquelas primeiras edições da Brigade?

Não existia nada, era tudo feito na base da raça, do amor pelo metal (a música, não o dinheiro). Bem no início as fontes de informação eram realmente as mencionadas, Kerrang e KAM, mas com o tempo tornei-me o "relações públicas internacionais" e os contatos eram feitos por mim diretamente com as bandas, gravadoras, etc, e as matérias eram fresquinhas. 

Onde ficava e como era a redação da Brigade naqueles primeiros tempos?

O endereço de correspondência no início era a minha casa (no Cambuci). Inclusive os leitores eram tratados como sócios, com carteirinha e tudo o mais, e a Rock Brigade era um fã-clube de heavy metal, mas as reuniões do staff eram feitas na casa do Toninho (em Santa Cecília) semanalmente. Somente em 1986/87 (não me lembro bem a época) a sede passou a ser na Avenida Paulista, no Conjunto Nacional (chique não??! risos)

Como era impressa a revista naqueles primeiros dias?

Era "xerocopiada" e grampeada toscamente, tudo feito na escuridão da madrugada pela namorada do Toninho, na empresa aonde ambos trabalhavam. Devem ter dado um prejuízo legal para a empresa com isso (risos). 

A Rock Brigade tinha uma postura super radical, que era exemplificada pelos adjetivos criados para classificar os grupos metálicos e a escolha em escrever os nomes daa bandas que não eram do metal de uma forma propositalmente incorreta. Quem teve essa idéia e como ela era recebida pelos fãs?

Nada foi feito artificialmente, era tudo feito de coração, era o verdadeiro feeling, sentimento de quem estava escrevendo, e no geral a idéia era muito bem recebida entre os leitores. Todos realmente amavam as bandas, os álbuns, ou odiavam mesmo, havia um radicalismo, mas era uma coisa mais saudável, não esta estupidez atual. Mas hoje em dia eu não falaria mal de vários artistas que eu malhei na época. Amadureci (risos).


Vocês enviavam a revista para fora do Brasil? Como era o intercâmbio com a galera do exterior?

Sim, esta era minha responsabilidade também. O Toninho ficava doido com o dinheiro que gastávamos com o envio das revistas para o exterior (risos), mas se não fosse isso a Rock Brigade não teria chegado ao patamar de ser uma grande e respeitada publicação, conhecida entre muitos no exterior. Era muito legal. Graças à isso eu fiquei muito amigo de muitas pessoas de bandas, da mídia, de gravadoras, e os agradecimentos à Rock Brigade naquela época encontram-se em antigos álbuns de artistas como Helloween, Artillery, Celtic Frost, Running Wild, Flotsam & Jetsam, Cirith Ungol, e muitos outros. 

Tem alguma curiosidade ou história dos anos oitenta, quando o metal começou a se popularizar aqui no Brasil, que você poderia dividir com a gente?

Realmente não me lembro muito bem, mas o que lembro é que algumas pessoas não acreditavam na gente, não valorizavam o que estávamos fazendo, não davam bola. Uma pessoa que admiro e que também foi um desbravador é o Walcir Chalas, da Woodstock Discos. Ele chegou a amassar na minha frente uma filipeta de divulgação da Rock Brigade, isso em 1981, ainda lembro muito bem disso (risos). 

Pra você, qual foi a importância da Rock Brigade para a cena metálica brasileira?

De suma importância em muitos sentidos. Nós não traduzíamos outras publicações inteiras para nacionalizá-las. Trouxemos e divulgamos aos leitores muitas novas e ótimas bandas (inclusive Metallica, Manowar, etc), até então desconhecidos ou conhecidos apenas por quem tinha dinheiro para comprar LPs importados caríssimos. Demos a cara pra bater, e tem muita gente seguindo os passos e copiando a forma que escrevíamos na época.

Uma das principais críticas dos leitores durante os anos noventa foi a maior abertura que a Brigade começou a ter, publicando matérias não só de grupos de metal, mas também de punk, hardcore e grunge. Qual a sua opinião sobre isso?

O princípio do fim. Pra mim foi um período negro, abominava e abomino essa abertura. 

Você sabe quem tem os arquivos originais das primeiras edições da Brigade?

Talvez o Toninho, não sei.

Quando e porque você deixou a Rock Brigade?

Acho que em 1987. Prefiro não falar a respeito, mas nunca me arrependi.


Você mantém contato com a galera que produzia a revista em seus primeiros anos? Sabe o que cada um deles está fazendo?

Só com o Toninho, o restante do pessoal sumiu. Tres grandes amigos da época, o Ricardo Oyama, o Adrian Gomes e o Berrah de Alencar sumiram!  Wilson D. LÚcio foi expulso ainda na minha época e não quero vÊ-lo nem pintado de azul. Os irmãos Slemer (grandes pessoas e que tiveram papel importantíssimo no início da revista) tive algum contato graças ao Orkut, mas sumiram também.

Você continuou acompanhando a Rock Brigade ao longo dos anos, mesmo depois de se afastar da revista?

Sim, até hpje, mas sem nenhuma paixão. Nem acompanho todas as edições, não me interesso mais, apenas uma leitura a mais "de vez em nunca".

A Rock Brigade passou por uma grande turbulência nos últimos anos, quase fechando as portas. O que você sentiu quando viu a revista que fez nascer quase chegar ao seu fim?

Sinceramente não senti nada. A Rock Brigade é apenas um reflexo pálido do que já foi! Naquela época era tudo feito com o coração, hojw é feito pelo dinheiro. Os anos oitenta foram áureos para a publicação, depois o espírito se perdeu. 


Após sair da Brigade você fundou a Strike. Conta pra gente como surgiu essa idéia e um pouco da história da revista.

A idéia da Strike, hoje Stryke, era e é seguir uma linha não tendenciosa, sem pretensão comercial descarada, honesta até os ossos, focalizando somente os estilos que os componentes do staff realmente gostam, sem ter o rabo preso, sem puxação de saco com gravadora, banda, etc. Honestidade acima de tudo.

A idéia surgiu em 1995 juntamente com um ex-amigo e ex-proprietário de loja na Galeria do Rock, mas ele me deixou na mão logo depois da primeira edição, aí segurei as pontas sozinho até a sétima edição, e em 1999 a Strike passou a ser virtual (www.strikemet.comwww.myspace.com/strikemg).

Quais os pontos positivos e negativos em ter uma publicação musical segmentada no Brasil?

Não dá pra agradar a todo o mundo ao mesmo tempo. Brasileiro não gosta de ler, há muita competição não saudável. O pessoal continua a ser radical, mas de uma forma muito radical, estúpida e violenta, lembrando-me muito torcidas de futebol. As gravadoras querem te comprar de qualquer jeito pra que você fale bem de seus artistas, isso sem falar na dificuldade para se conseguir anunciantes ...

As revistas de música sobreviverão por muito tempo ou elas estão com os dias contados?

Sobreviverão. O acesso à internet ainda não é acessível a todos e muitas pessoas gostam de uma boa e velha revista impressa - eu mesmo sou um destes.

Eu também. Você, o André Cagni, o Antônio Pirani, o Leopoldo Rey, o Walcyr Chalas e inímeros outros que eu não vou lembrar agora – o que é uma injustiça, diga-se de passagem – foram uma espécie de professores para toda uma geração de consumidores de mísica, que liam seus textos e críticas e as seguiam quase reliogiosamente. Você tem noção do tamanho da influência daquele trabalho desenvolvido naqueles primeiros anos na formação musical de um monte de gente? E como você se sente sobre isso?

É muito legal ler resenhas, matérias em publicações e vê-las repletas de citações e vícios de linguagem que você ajudou na criação. Não só isso, mas muita gente curte X estilo ou X banda(s) porque através de resenhas a fizemos conhecida. Muita gente já me falou isso. Gostaria somente que todos nós, mídia, bandas, etc, que ajudaram neste desbravamento, fossem mais conhecidos e divulgados de alguma forma entre a garotada de hoje. O legal é que toda esta gente faz parte da história do metal e do rock brasileiros.

Você tem saudades de algo da cena metálica brasileira dos anos oitenta? 

De tudo. Das bandas, da sonoridade, da originalidade e da união da cena nacional (quanta coisa boa!!), dos meus cabelos longos (risos) e aí vai.


O que mudou na sua relação com a música nesses mais de vinte anos de envolvimento tão intenso com ela?

Sou muito cauteloso e desconfiado no que tange ao que a mídia especializada costuma dizer que é "a banda do momento". Não confio em resenhas de CDs de revistas, se tenho que comprar, compro pra ouvir, nada como o MySpace. Não gosto de nada que soe moderno, não gosto de misturas, não gosto de som extremo, de cara de mau (risos).

Quando você olha para trás, do que se arrepende e do que tem mais orgulho?

Do que me arrependo?  De não ter cuidado melhor dos meus cabelos (risos). Brincadeira!  De nada, sinceramente. De não ter tido algumas atitudes mais profissionais em alguns assuntos do passado. Orgulho: de fazer parte da história da cena metal/rock do Brasil e do mundo.

Você ainda ouve heavy metal?

Siiiiiiiiiimmm, e muito. Minha esposa fica doida (risos). Somente 10% da minha coleção é de rock progressivo, classic rock, hard rock, melodic rock, o restante é tudo som bate cabeça!!! Agora mesmo estou ouvindo!!!  Estou com 46 anos de idade e vou morrer ouvindo metal!!!


Bonadia, você já pensou em escrever um livro contando todas as histórias que viveu e presenciou em toda a sua carreira?

Sim, gostaria, até comecei a fazer isso num link da Stryke, mas meu webmaster perdeu o texto e aí desanimei, mas já tem gente boa fazendo isso e minha participação já foi gravada (www.brasilheavymetal.com). Quem sabe mais tarde, contando com alguém que possa mesmo compor o texto.

Na sua opinião, quais grupos brasileiros tiveram uma grande influência e importância na história da música pesada mundial?

Não é minha praia, mas primeiramente o Sepultura, por ser o desbravador em termos de divulgação no exterior, mas com importância menor sei que a cena extrema mineira influenciou muita gente lá fora; Viper e Angra; muita gente com os quais troquei LPs na Europa e nos Estados Unidos amavam bandas como Centúrias, Harppia, Vulcano, etc.

Eduardo, e o futuro? Quais são os seus planos?

Como nunca vivi de música e nem pretendo (sou funcionário público), a música é um grande amor. Pretendo continuar com a Stryke enquanto tiver saúde, inspiração pra escrever e pessoas/amigos no staff pra me ajudarem, e muito, na tarefa.


Em algum momento você chegou a sentir ultrapassado, com medo de não conseguir acompanhar o que as novas gerações de fãs de música consomem?

Não, de maneira alguma. Não acompanho as modas, elas não me incomodam, sei que num momento elas vão embora. Estou nessa desde 1973 e já vi e presenciei muito coisa.

Qual o futuro da música? Ainda compraremos discos ou tudo será virtual daqui pra frente?

Voltar às raízes, como já tem acontecido na Europa. Heavy metal puro e simples, sem vocais eruditos, misturebas, afinações baixas, arrghhh. Espero que os CDs resistam ao tempo. Pelo numero de CDs que recebo pela Stryke tenho certeza que ainda vão ter longa vida. Abomino esta história de baixar músicas.

Bonadia, muito obrigado pelo papo e pela disposição, um grande abraço e sucesso.

Eu que tenho que agradecer. Valeu e tudo de bom. Pessoal, acompanhem a Stryke, e bandas/gravadoras enviem-nos material. Estamos aqui para divulgar.


Discografia Comentada: Grand Funk Railroad

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Nosso especialista em classic rock, o editor da Poeira Zine, Bento Araújo, faz mais um serviço de utilidade pública, destrinchando a discografia do Grand Funk Railroad, um dos mais importantes e influentes power trios da história.

O grupo formado por Mark Farner (vocal e guitarra), Mel Schacher (baixo) e Don Brewer (vocal e bateria) viveu seus melhores momentos na primeira metade dos anos setenta, teve uma época de vacas magras durante a década de oitenta e voltou a lançar discos excelentes nos últimos anos, onde passou a contar com novos integrantes, entre eles o guitarrista Bruce Kullick, ex-Kiss e Union.

Por Bento Araújo
Jornalista


On Time (1969) ****1/2 

Não é exagero dizer que essa é uma das maiores estréias do rock. O disco foi gravado em apenas três dias e todas as faixas foram compostas por Mark Farner. Tudo começava com"Are You Ready", mostrando os poderosos vocais de Mark e Don. Essa se tornaria a música de abertura de todos os shows nessa fase. "Time Machine" se transformou no primeiro single, e trazia uma irresistível levada blues. "T.N.U.C.", com seus quase nove minutos de duração, é uma verdadeira orgia rítmica, devido ao histórico solo de bateria executado por Don Brewer. "Heartbreaker" foi o segundo single, e até hoje é presença obrigatória nos concertos do grupo. A influência psicodélica pode ser sentida na introdução de "Into the Sun". 

Curiosidade: o capricho do produtor/empresário Terry Knight era tamanho que mais de 30.000 cópias do disco foram destruídas pela gravadora Capitol, pois o mesmo não tinha gostado da arte original da capa!

Grand Funk (1969) *****

O popular "vermelhão" mostrava o verdadeiro estilo Grand Funk. Foi com esse disco que o trio achou a sua própria e peculiar sonoridade. Sem grana, o grupo não podia queimar muitas horas de estúdio e as músicas foram gravadas na maioria das vezes no primeiro take. Tudo é maravilhosamente tosco; o timbre de baixo conseguido por Mel Schacher é algo a ser estudado por físicos. A produção de Terry Knight é um verdadeiro tapa na cara, como em "Paranoid", onde todo o som cavernoso do trio se transforma num irresistível groove pesadíssimo. Faixas como "Please Don't Worry" e "Mr. Limousine Driver" fazem qualquer velhinha com reumatismo sair chacoalhando o esqueleto! Já "Inside Looking Out" é um caso a parte, umas das melhores atuações já registradas pela banda. Se você quiser manter seus falantes intactos, passe longe desse álbum!

Closer to Home (1970) **** 

Ainda 100% Grand Funk Railroad, o terceiro disco do trio trazia todos os elementos necessários para qualquer fã fazer a festa. Muito peso e groove são os destaques do álbum, que é um pouco mais sofisticado que o anterior. "Aimless Lady" tinha uma mortífera linha de baixo; "Mean Mistreater" traz Mark numa confidencial e emotiva interpretação no piano; "Hooked on Love" com vocais soul a granel; e o épico desfecho com "I'm Your Captain/Closer to Home", onde o peso do trio contrasta com suaves e belos arranjos de orquestra, transformando a canção num verdadeiro hino dos anos 70!

Live Album (1970) ***1/2

Toda energia e força que era um show do Grand Funk transportada para o vinil. Apesar da gravação não ser lá essas coisas, o disco é muito empolgante. Na abertura de "Are You Ready", a galera grita tanto que fica até difícil de ouvir os instrumentos!  Em "Into the Sun"o público enlouquece com a performance de Mark, e na certeira "T.N.U.C." é a vez de Don deixar todos boquiabertos com seu monstruoso solo de bateria. 

O mais legal é que o vigor e a intensidade dos músicos é tanta que durante a execução de alguns temas é possível ouvir pequenos gemidos e a respiração acelerada dos mesmos diante do esforço demonstrado. "Mark Says Alright" é a única composição inédita do disco, apenas uma jam onde Don guia quando o baixo e a guitarra devem entrar. 

Alguns fãs juram de pé juntos que na mixagem Terry Knight aumentou o barulho da platéia, transformando o disco num imenso gol do fantástico.

Survival (1971) **** 

Apesar do som continuar mais pesado do que nunca, a produção aqui é mais polida e suave. Basta checar "All You've Got is Money", onde a bateria soa bem soft. Generosas doses de reverb e eco são usadas durante o disco, que foi um grande passo para a banda em vários aspectos, como produção, temas das letras e performance no estúdio. Outros destaques são as regravações de "Gimme Shelter" e "Feelin' Alright", que se encaixaram perfeitamente no estilo da banda, e a gospel "I Can Feel Him in the Morning". 

Terry Knight era um grande fã dos Beatles, e isso refletiu em cheio no disco. Ele obrigou Don Brewer a gravar com toalhas sobre as peles da bateria, fazendo com que a mesma soasse mais abafada e suave, assim como a de Ringo Starr!  E quanto à parte gráfica, a primeira prensagem norte americana do vinil vinha com fotos individuais dos integrantes do grupo, idênticas as do "White Album" do Fab Four.

E Pluribus Funk (1971) ***** 

A maioria dos fãs do grupo foram iniciados com o "disco da moeda", que pode ser considerado o melhor por vários motivos. Uma rápida audição já demonstra não ser tão somente mais um disco do Grand Funk. O auge dos caras é evidente. "I Come Tumblim'" chega a emocionar, com o baixo e a bateria duelando como gato e rato. "People Let's Stop the War", com sua letra contra a guerra do Vietnam, levanta até defunto, e a faixa de abertura, "Footsompin' Music", se tornou não só o maior hit deles até então, como substituiu merecidamente "Are You Ready" como música de abertura nos concertos do trio. 

Já "Loneliness" é um caso a parte. Angustiante e bela, a composição cresce até se transformar numa perfeita junção de rock pesado com arranjos de orquestra. Jon Lord, tecladista do Deep Purple e uma sumidade no assunto, jurou essa ter sido a mais bem sucedida tentativa de se unir o rock com uma orquestra! 

Mark Farner, que usou uma guitarra comprada de Steve Marriot, do Humble Pie, para gravar o disco, mais uma vez compôs sozinho todo o material, criando talvez o seu mais pessoal registro com a banda. Talvez por estarem podados por Terry no disco anterior, nesse aqui a sensação é de que todos integrantes estão prestes a explodir, tocando como nunca, com muita vontade e animação. 

Muito mais bacana é a edição em vinil, que traz o disco embalado numa moeda prateada, estampada com o rosto do trio.

Mark, Don & Mel 1969-1971 (1972) *** 

Interessante compilação lançada meramente por dívidas contratuais, que compreende toda a primeira fase do trio. Foi o sétimo álbum da banda a ganhar disco de ouro, e a edição original trazia no encarte, além de muitas fotos, artigos e resenhas de revistas especializadas da época sentando o pau no trio! Nunca mereceu uma edição em CD, e pode ser considerado apenas um fetiche de colecionadores, pois existem compilações mais atraentes no mercado.

Phoenix (1972) ***1/2

O temido "disco de transição", onde tudo soa diferente. Sem a batuta de Terry Knight, o grupo pareceu meio confuso ao entrar em estúdio. Foi o primeiro álbum onde a própria banda resolveu assumir os botões e se auto-produzir. O resultado foi um tanto assustador para os ardorosos fãs da época. O tecladista Craig Frost aparece como convidado, e logo na faixa instrumental que abre o disco, "Flight of the Phoenix", já dá pra sentir a diferença do som com o emaranhado de teclados de Craig e Mark. Don Brewer também tem uma participação mais atuante no álbum, onde canta "She Got to Move Me" e "Gotta Find Me a Better Day". Mas o melhor estava guardado paro o final - "Rock N' Roll Soul" é Grand Funk em estado bruto - peso e swing em doses cavalares.

We're an American Band (1973) ****1/2 

Altamente recomendável, o disco foi produzido pelo gênio pop Todd Rundgreen e continha o maior hit do grupo, "We're an American Band". Don Brewer veio numa crescente ascendência que culminou nessa explosiva faixa-título, que se tornou um verdadeiro hino de celebração ao estilo de vida roqueiro. Pela primeira vez a crítica se rendia ao som do grupo, que agora se tornara um quarteto, com Craig Frost sendo promovido a titular. 

"Creepin" mostrava uma maturidade nunca imaginada antes, carregada de clima e muito feeling. "Walk Like a Man", "Black Licorace" e "Stop Looking Back" também traziam os vocais de Don, num álbum onde, pela primeira vez, ele brilhava mais do que Mark. Já a balada "The Railroad" é um dos melhores momentos do grupo, uma definitiva e imortal interpretação de Mark, com direito a uma simulação de uma locomotiva a todo vapor no final da faixa! 

Foi o disco que deu status de super grupo ao GFR, sendo agora uma unanimidade entre crítica e público. Alguns fãs mais antigos acusavam a banda de estarem fazendo um som muito comercial, mas para cada fã radical que o grupo perdia eles ganhavam outros dez em troca! 

Coisa fina: as primeiras 100.000 cópias do LP foram prensadas em vinil amarelo!

Shinin' On (1974) ***

Apostando na boa fase, o GFR tentou repetir o sucesso do disco anterior chamando Todd novamente para a produção. Infelizmente esse aqui não tem o mesmo pique. As três primeiras faixas são ótimas; "Shinin' On", um arrasa quarteirão com um balanço irresistível e vocais poderosos de Don; "To Get Back In", uma pérola pop muito bem conduzida por Mark e todo um quarteto de metais; e a regravação de "The Locomotion" se tornou outro fenomenal hit da banda. Toda essa boa impressão vai por água baixo quando se parte para o lado B, onde o grupo soa pela primeira vez com uma leve falta de inspiração. Ponto para a edição em vinil, que trazia um chocante visual tridimensional, incluindo pôster, óculos 3D e tudo mais!

All the Girls in the World Beware!!! (1974) **1/2

Sem parar nem pra respirar o grupo lança mais um disco ainda em 1974, apostando mais uma vez nos clichês pops dos dois álbuns anteriores. O peso de antigamente não existe mais, e muitos metais e soul são as principais características da banda agora. A idéia de regravar "Some Kind of Wonderful" surgiu de uma brincadeira que a banda fazia na limusine após os shows. "Bad Time" é o que o disco tem de melhor, bem no estilo pop de Mark, com um refrão pra lá de chicletudo. E a melancólica "Memories" também surpreende num vertiginoso álbum, recheado de altos e baixos.

Caught in the Act (1975) ****

Gravado durante a extensa tour de 1975, pode ser considerado o melhor registro ao vivo da banda, já que pelo menos em qualidade sonora esse aqui dá de dez no "Live Album" de 1970. Excitante, poderoso e intenso, o disco mostrava uma banda pra lá de azeitada, tamanha a garra e o entrosamento mostrado. A abertura não poderia ser mais perfeita do que "Footstompin' Music", onde Brewer marca o andamento com porradas e berros enlouquecidos! "Rock N' Roll Soul", "Heartbreaker" e "The Railroad" também aparecem em versões memoráveis. A encore é apoteótica, com "Inside Lookin' Out" e "Gimme Shelter". 

A parte gráfica foi imensamente prejudicada, pois as centenas de pequeninas fotos são impossíveis de se enxergar no minúsculo encarte do CD.

Born To Die (1976) **

Fruto de dívidas contratuais com a Capitol, o disco refletia todo o cansaço e stress vividos pelo GFR. A gravação foi tão traumática que a banda teve suas atividades encerradas durante as sessões, e os membros, em comum acordo, decidiram tornar pública essa decisão somente após o lançamento do disco, daí a inspiração para o título do álbum. A capa, de muito mau gosto por sinal, mostrava cada integrante num caixão diferente. Quanto à parte musical, muita pouca coisa se destaca, apenas "Sally", com uma legal introdução de gaita, "Talk to the People" que tinha até solo de sax e a emotiva e melancólica faixa-título.

Good Singin' Good Playin' (1976) **** 

Produzido por ninguém menos do que Frank Zappa, e gravado praticamente live in studio, o disco foi uma despedida muito mais pra cima do que "Born to Die". A abertura tinha uma verdadeira pérola power-pop, a genial "Just Couldn´t Wait". Mark voltava a assumir o comando, compondo a maioria dos temas do álbum. Isso mostrava um Grand Funk redondo no que se tratava em fazer um belo e simples disco pop. Os temas políticos também estão de volta, como em "1976" e "Don't Let 'Em Take Your Gun". A influência de Zappa pode ser sentida em "Out to Get You", onde ele sola freneticamente e arranja todos os vocais, fazendo com que ela pudesse facilmente figurar num "Zoot Allures". 

Dessa vez, ponto para a edição digital, que traz uma faixa a mais que o vinil; "Rubberneck", uma preciosa sobra não aproveitada na versão original, talvez pela gritante semelhança com as composições de Zappa. 

Atenção: esse álbum foi lançado em CD remaster em 1999 pela MCA/Universal, portanto está fora desse novo pacote de relançamentos promovido pela Capitol/EMI.

Grand Funk Lives (1981) ** 

Disco que marcou a primeira volta do GFR, agora com Dennis Bellinger no baixo. De gravadora nova (Warner) e sem muita direção, a banda atira para todos os lados e acerta poucos alvos, como "Queen Bee", que já havia aparecido na trilha do desenho "Heavy Metal". "Good Times" chegou a fazer um pequeno sucesso nas rádios roqueiras aqui do Brasil, e "We Got to Get Out of This Place" mostrava que os Animals ainda eram a banda preferida dos rapazes. Curiosidade: o disco estourou na Venezuela!  As vendas foram tão altas, que a banda foi forçada a se apresentar duas noites em Caracas, na tour de 1982.

What's Funk (1983) * 

Ainda empolgado com a volta, o grupo lança "What's Funk" mergulhado nos anos oitenta, com baterias eletrônicas, sintetizadores e tudo mais; basta checar a cafona introdução de "I'm So True". De bom, o disco tinha apenas uma legal releitura de "It's a Man's Man's World" de James Brown, e a balada "Borderline". Comercialmente, basta dizer que o disco rendeu ao grupo um belo pé na bunda da gravadora Warner.

Bosnia (1997) ****

A verdadeira grande volta do Grand Funk Railroad!  Mark, Don e Mel se juntam pela primeira vez em vinte anos e lançam esse genial álbum duplo ao vivo. Dividido em duas partes distintas, o disco trazia também a participação especial de Peter Frampton. 

No disco 1 é o puro som tradicional do GFR como um trio, muito peso e energia já tradicionais nas antigas apresentações do grupo. O medley "Paranoid/Sin's a Good Man's Brother/Mr. Limousine Driver" é de matar qualquer fã do coração! 

No disco 2 a banda é acompanhada de uma orquestra completa e um quarteto de metais. "Mean Mistreater", "Bad Time" e principalmente "Loneliness", que parecia simplesmente impossível de ser recriada ao vivo, são os destaques.

Thirty Years of Funk 69-99 (1999) ***** 

Genial box lançado para comemorar os 30 anos da banda. Contém onze faixas inéditas, sendo que três delas gravadas especialmente para a ocasião. Tem também a primeira demo do "The Pack" (3 faixas), sobras dos álbuns "Survival", "We're An American Band" e "Shinin On" e supimpas versões ao vivo de "Inside Lookin' Out" e "We've Got to Get Out of This Place". Tudo remasterizado e colocado numa atraente embalagem, que acompanha um libreto recheado de fotos e informações preciosas.

Live the 1971 Tour (2002) ****

A desculpa usada para o lançamento desse disco não podia ser melhor. Algum alucinado "achou" os rolos originais com gravações do lendário show do Shea Stadium em 1971, e a banda finalmente teve a iluminada idéia de transformar isso em disco. Fora o show do Shea, o disco tem também registros de shows no Cobo Hall de Detroit e no Syndrome de Chicago. 

As performances eram inacreditáveis, e a energia dos caras "salta" do CD. Exemplo disso é a proto-versão de "Footstompin' Music", diferente da que saiu posteriormente no "E Pluribus Funk". Extraído do Shea Stadium, é genial o medley com "Closer to Home/Hooked on Love/Get It Together". "T.N.U.C." tem quase 18 minutos de duração, com um solo pra lá de primata (no melhor sentido da palavra) de Don Brewer. Mark dedica "Inside Lookin' Out" a todos que fumavam maconha no recinto, e antes que você venha com palhaçada dizendo que os caras são os pais do Planet Hemp, fique sabendo que eles faziam campanhas anti-drogas pesadas em plenos chapados seventies.

Trunk of Funk - 4 CDs Box Set (2002) *****

Coisa de louco: um baú com os quatro primeiros álbuns da banda, todos remasterizados e com faixas extras. Só de sacanagem, vem com espaço para guardar os outros oito títulos restantes. A embalagem é de primeira; a edição vem com uma palheta, um óculos 3D (igual ao do "Shinin' On" em LP) e um adesivo. Para atiçar mais ainda, o box é numerado. Apenas 10.000 cópias foram confeccionadas para o mundo inteiro. A importância de cada um desses relançamentos em separado já foi listada acima, imaginem só os quatro discos juntos então! É um desbunde!

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