25 de out de 2008

"Aladdin Sane": rock and roll de luxo

sábado, outubro 25, 2008

Por Emílio Pacheco
Blog do Emílio Pacheco

De vez em quando aparece alguém na Internet pedindo sugestão de disco para conhecer o trabalho de David Bowie. Não é fácil dar uma resposta porque, na verdade, existem muitos David Bowies. Nenhum artista conseguiu explorar estilos tão diferentes como ele. É difícil acreditar que o glam rocker com influência de Rolling Stones, Lou Reed, T. Rex e Iggy Pop de 72/73 é o mesmo cantor de voz empostada imitando o som dos negros americanos em 1974. Que por sua vez é o mesmo compositor experimental com influência de Brian Eno, Neu e Kraftwerk de 1977. Tem também o roqueiro "new wave" de 1980 e, claro, o ídolo pop de 83-87, que por muito tempo foi o preferido dos brasileiros (aí se incluindo a trilha sonora do filme "Labirinto"). São só exemplos. Bowie nunca parou de ousar e surpreender.

Pois bem: embora eu aprecie todas as fases de sua carreira, o "meu" David Bowie preferido é o de 71 a 74. Existe uma coletânea chamada "The Best of David Bowie 1969-1974" que inclui somente o filé mignon desse período. É raro aparecer uma compilação contendo justamente as faixas que eu escolheria, mas é o caso dessa. De qualquer forma, gostaria de destacar o LP que me tornou fã dele. Eu tinha 12 anos e vinha acompanhando as matérias sobre David Bowie na revista Pop em 1973. O visual daquele cantor me deixava intrigado. Parecia um super-herói alienígena. Quando um tio meu quis me dar um LP no meu aniversário de 13 anos, pedi "o último de David Bowie" sem ter nem idéia do que viria. Arrisquei. Veio "Aladdin Sane". Bingo! Nos anos 50, a unanimidade era Elvis Presley. Nos anos 60, todos gostavam dos Beatles. Pois nos anos 70, cada um teve o "seu" ídolo na música. Eu acabara de encontrar o meu.

Em geral, o álbum que é considerado o grande clássico do David Bowie dessa época é o anterior, "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spíders From Mars". Sem dúvida é um disco extraordinário, rock de garagem da melhor estirpe, urgente, cortante, com algumas baladas como contraponto. Mas "Aladdin Sane" é uma versão de luxo de Ziggy. Bowie, pela primeira vez, entrou no estúdio já como um astro, com direito a um supertime de músicos de apoio. Além da banda Spiders From Mars que já o acompanhava – Mick Ronson na guitarra, Trevor Bolder no baixo e Woody Woodmansey na bateria – veio, entre outros, o pianista Mike Garson, para dar um toque de sofisticação. O resultado foi uma obra-prima de finesse e rock and roll. Eu há muito tempo já decidi que "Ziggy Stardust" e "Aladdin Sane" são meus dois discos preferidos de Bowie, empatados em primeiro lugar.

O disco abre com "Watch That Man", um rock com influência direta de "Brown Sugar", dos Rolling Stones (Bowie voltaria a beber das mesmas águas na instrumental "Speed of Life" do álbum "Low" em 1977). A mixagem coloca a voz de Bowie no mesmo nível dos instrumentos, outra característica copiada dos Stones. O produtor Ken Scott explicou ao biógrafo David Buckley que chegou a fazer uma segunda mixagem realçando mais o vocal, mas preferiu a primeira. Destaque também para as cantoras que fazem o backing, entre elas Linda Lewis.

A seguir vem a faixa título. Existe um
bootleg com gravação da platéia em que "Aladdin Sane" é tocada somente na guitarra, lembrando "Honky Tonk Women" dos Rolling Stones e também "Cocaine" na versão de Eric Clapton (que ainda não tinha sido gravada). Provavelmente era essa a idéia de Bowie ao compor a música. Mas nas mãos do pianista Mike Garson, a música se transformou numa jóia rara de leveza, num clima onírico. Esta é, sem dúvida, uma das melhores gravações da obra de David Bowie O solo de piano tornou-se um clássico – Mike Garson afirma que já foi perguntado sobre ele mais do que sobre todo o resto de seu trabalho, sozinho ou acompanhando outros músicos. Quem ouvir a hoje rara edição em vinil lançada no Brasil em 1973 pela RCA vai notar que estão faltando as notas finais de piano. A falha é compreensível, pois realmente parece que a música termina. Eu próprio só notei esse detalhe quando ouvi a edição importada anos depois.

Outro belo momento do disco é a faixa seguinte, "Drive In Saturday". Sua estrutura básica em ritmo ternário não difere muito de "Rock and Roll Suicide", do disco anterior. Mas o sintetizador e as vozes de apoio lhe conferem um toque majestoso e imponente. Existe uma edição especial do álbum com um CD bônus em que Bowie canta esta composição em versão acústica. Mas a gravação original é imbatível.

"Panic in Detroit" tem uma batida de influência africana complementada pela guitarra de Mick Ronson. Uma das vocalistas ganha mais destaque, provavelmente Linda Lewis. Em 1974, a introdução desta faixa foi usada no programa humorístico "Satiricom", da Rede Globo, enquanto um dublê de Alice Cooper aparecia dançando.

O lado A do vinil encerra com um dos melhores rocks do disco e de Bowie: "Cracked Actor". Por muito tempo eu me perguntei como esse petardo marcado por uma guitarra distorcida não havia sido lançado em single. Até que vim a entender a letra: em países de língua inglesa, o refrão
"suck, baby, suck, give me your head" jamais poderia tocar no rádio! Já a frase "forget that I'm 50 cause you just got paid" ("esqueça que tenho 50 anos, pois você acabou de ser pago") viria a assombrar David Bowie em 1997, por razões óbvias.


"Time" é uma bonita balada, mas a gravação parece crua demais. Quase não há vocais de reforço, somente o piano, baixo, bateria e guitarra solo. A versão ao vivo de 1987 aproveitaria melhor o potencial da música, com um arranjo mais denso.

"The Prettiest Star" é uma regravação, embora pouquíssimos fãs conhecessem o original, na época. Bowie a compôs para sua então esposa Angie quando ainda namoravam. A primeira versão saiu em single em 1970 num arranjo bem mais suave, com Marc Bolan na guitarra. Aqui a música ganha vocais "do-wop" e uma levada mais sacudida, quebrando um pouco o clima de romantismo.

A influência dos Rolling Stones é confirmada numa cover de "Let's Spend The Night Together". Bowie e sua banda parecem estar se divertindo bastante com esse arranjo acelerado e carregado de sintetizadores. Essa foi a única faixa do LP a ser lançada em compacto no Brasil, com "Lady Grinning Soul" do lado B.

"The Jean Genie" nasceu de um riff criado por Mick Ronson durante a turnê americana de David Bowie em 1973. Ele havia acabado de comprar uma guitarra nova e, dentro do ônibus, estreava o brinquedo improvisando um blues:
"We're going bus, bus bussing, going bus, bus, bussing" e todos cantavam juntos. Por muito menos, John Lennon e Carlos Alomar ganhariam créditos de co-autoria por "Fame" em 1974, inaugurando uma fase mais generosa de Bowie no reconhecimento a seus parceiros. Aqui, Bowie aparece como único autor. Até 1973, era raríssimo alguém assinar alguma música com ele (John Hutchinson diz ter ajudado a compor "Space Oddity" em 1969, mas também não foi creditado). Essa não é nem de longe a melhor faixa do disco, mas por ter sido gravada primeiro, saiu em single antes do LP e tornou-se a "música de trabalho" do álbum. Inclusive, ganhou um clip promocional dirigido por Mick Rock que, na minha opinião, é o melhor de Bowie. Confiram.

O LP fecha com outro grande momento do pianista Mike Garson: a já citada "Lady Grinning Soul", uma linda balada em homenagem a Claudia Linnear, que também inspirou "Brown Sugar" dos Rolling Stones. Curiosamente, Bowie nunca a cantou ao vivo, mas recentemente a incluiu na coletânea "iSelect", um CD com músicas escolhidas e comentadas pessoalmente por ele.

Como se a sofisticação do conteúdo não fosse o bastante, também a capa tornou-se uma obra à parte, inclusive com custo encarecido pelo uso da cor prata. O líquido que escorre no ombro de Bowie já suscitou interpretações bem sugestivas. A maquiagem do raio foi copiada do símbolo da Panasonic e desenhada pelo maquiador Pierre Laroche, sob orientação de Bowie. Esse é o visual mais lembrado e imitado pelos fãs – é difícil não aparecer alguém pintado como "Aladdin Sane" nas platéias de seus shows pelo mundo – mas o próprio Bowie nunca o usou uma vez sequer no palco. Somente na sessão de fotos e nada mais.


Ten - Babylon (2000)

sábado, outubro 25, 2008

Por Gustavo Guideroli
Collector´s Room

O Ten é uma daquelas bandas que mereciam ter bem mais sucesso do que efetivamente obtiveram. Com o álbum "Babylon" p grupo inglês deu um grande passo em sua carreia, conseguindo grande sucesso na Europa e, principalmente, no Japão, onde tem um público fiel e apaixonado.

"Babylon" foi todo composto e produzido pelo vocalista Gary Hughes. Sua bela mistura de AOR, hard rock e heavy metal em composições inspiradas, faz deste um álbum imperdível para os apreciadores de músicas de qualidade, muito bem executadas por músicos experientes.

A abertura é com "The Stranger", inspiradíssima e de cara a minha favorita, uma composição muito marcante. A faixa seguinte, "Barricade", lembra aquele hard rock mais clean do final dos anos oitenta, começo dos noventa. "Give in This Time" e "Love Became the Law" são baladas que poderiam tocar em qualquer rádio FM, isso se as rádios ainda tocassem bandas de qualidade e não porcarias, como é o caso de 99% delas!

"The Heat" traz de volta o lado hard rock da banda. "Silent Rain" é uma balada que poderia estar em qualquer álbum do Journey. "Timeless" tem um riff muito pesado e lembra - MUITO - "Ariel", do Rainbow, grupo que deve ser uma das maiores influências dos músicos do Ten. Aliás, quem fez uma grande diferença para o trabalho ser tão bom foi o tecladista convidado, nada mais nada menos do que Don Airey ...

Na seqüência temos "Black Hearted Woman", com aquele refrão que nunca sai da cabeça. "Thunder in Heaven" possui teclados e guitarras muito marcantes (dá-lhe Rainbow), e é outra das minhas preferidas. E tudo termina com "Valentine", uma música calma, com piano, que vai se tornando mais dramática conforme as guitarras vão entrando.

É difícil comentar sobre destaques individuais, então, o destaque é para a banda inteira. Ao líder Gary Hughes, pelas grandes composições e vocais ; a Vinny Burns e John Halliwell pelo bom gosto no trabalho das guitarras; a Steve McKenna e Greg Morgan, respectivamente baixista e baterista, que fizeram um trabalho à altura do disco; e, claro, a Don Airey, em ótima forma e fazendo a diferença.

Vale a pena destacar também a capa feita por Luis Royo, ótimo pano de fundo para o som do grupo e para a história contada nas letras.

Indicado para pessoas que apreciam os estilos descritos, e também para fãs de Journey, Europe e Rainbow fase anos 80. Não perca tempo e corra atrás deste grande disco, que foi lançado no Brasil no começo desta década pela Hellion Records, o que facilitou muito sua aquisição .

Line-up:
Gary Hughes – Vocal
Vinny Burns – Guitarra
John Halliwell – Guitarra
Steve McKenna – Baixo
Greg Morgan – Bateria
Don Airey – Teclados (participação especial)

Faixas:
1. The Stranger - 7:20
2. Barricade - 5:22
3. Give in This Time - 5:24
4. Love Became the Law - 4:41
5. The Heat - 5:41
6. Silent Rain - 6:27
7. Timeless - 4:54
8. Black Hearted Woman - 5:35
9. Thunder in Heaven - 6:58
10. Valentine - 6:14

O colecionador e sua grande paixão: os discos

sábado, outubro 25, 2008

Por Fábio Pires
Colecionador
Collectors' Room


Nesse meio da música muitos nascem para tocar instrumentos, alguns para cantar, muitos para dirigir artistas, muitos para escrever letras de música, outros para o talento jornalístico sobre escrever sobre bandas e artistas, e outros para comprar e se deliciar com discos ou CDs. No meu caso, até toco um instrumento, mesmo que seja bem pouco, mas voltei-me para a fina arte da coleção, de achar o dito "raro", de se torturar quando se vai à uma loja de discos mais antigos, seja de rock, blues ou jazz. 

O mundo do chamado colecionador de discos é ilimitado, recheado de oportunidades, muitas vezes caras e cansativas. Vai-se atrás de um álbum ou fica-se anos atrás daquele mais raro. No meu caso, não costumo "me roer por dentro" por um disco não encontrado, jogo a informação em meu banco de dados no computador (ferramenta rápida e eficiente nesse meio, quem diria) e espero um momento oportuno para encontrá-lo numa revista ou até através de um relançamento inesperado nos sebos ou lojas da vida, em algum canto sujo do centro de São Paulo (essa cidade está um pouco melhor cuidada, mas falta muito ainda para que seja considerada asseada).

A originalidade do material também merece um destaque de minha parte: por ser politicamente correto, não adquiro material em Mp3 de vendedores de esquinas (os camelôs), pois prefiro respeitar o trabalho de artistas e de pessoas que, de uma certa forma, têm suas vidas ligadas à música e dão seu suor para um trabalho em prol da arte. Não discuto aqui o papel das gravadoras, creio que seja assunto para um outro texto, mas creio numa reformulação mais justa para os artistas, pois estes incontestavelmente são explorados pelos notórios capitalistas desses meios de lucro fácil, pelo menos até agora.

Nessa grande aventura que começou há muito tempo, nos deparamos com discos desejados escondidos nos lugares mais inesperados: lojas pequenas, simples e muitas vezes em atrativos. Os sites também ajudam, mas nem tanto como se estivéssemos em uma loja de discos. Olhar, analisar e buscar informações com vendedores é muito diferente do acesso virtual na internet, mesmo assim pode-se encontrar grandes oportunidades em sites mundo afora.

24 de out de 2008

Os novos ouvintes de música vs o prazer de colecionar discos

sexta-feira, outubro 24, 2008

Por Thalles Breno
Colecionador
Collector´s Room

Três momentos me chamaram a atenção nas últimas semanas para o mesmo assunto: a paixão dos colecionadores de discos pela música.

O primeiro foi quando recebi semana passada o álbum "Vile" dos carniceiros do Cannibal Corpse e ao abrir descobri que a capa censurada estava apenas no 
slipcase. O encarte, para minha grata surpresa, trazia a capa original. 

Outro episódio foi quando estava lendo a coluna "Stay Heavy Report", assinada por Vinícius Neves e Cíntia Diniz, que consta na edição #117 da revista Roadie Crew. A matéria aborda capas de trabalhos de heavy metal em geral que foram censuradas e, como exemplo, traz "Virgin Killer" e "Street Survivors", respectivamente do Scorpions e do Lynyrd Skynyrd. Lá é feito um relato bem interessante explicando os motivos de tais capas terem sido censuradas. 

Um outro fato foi quando ao voltar de uma loja de CDs, feliz da vida por ter adquirido novos itens para a coleção, conversava com um colega acerca de MP3, pen drives e afins. Ele comentava o quanto tinham sido boas essas invenções, pois a praticidade é muito grande, dentre outras vantagens. Até aí tudo bem, mas quando ele mencionou que tais modernidades (sem querer ser demasiadamente nostálgico) eram melhores que o CD em si tivemos de discordar por razões mais do que óbvias para qualquer colecionador de discos que se preze.


No dia seguinte era feriado aqui onde moro e aproveitei para dar uma reorganizada na minha coleção. Tirei tudo da estante, limpei, coloquei de novo, guardando os novos itens em seus devidos lugares, observei algumas capas ... tudo isso ao som do bom e velho Iron Maiden. Foi uma manhã quase toda nisso, e depois de terminado fiquei admirando o acervo, vendo quais itens ainda faltavam, quais seriam as possíveis novas aquisições, e então lembrei do assunto MP3 e os outros fatos já mencionados no início desse texto e me perguntei o que essa galera que vive dando cliques em links para fazer downloads de discos está perdendo ao tratar a música apenas como algo virtual, sem ter em mãos um trabalho original. Parecem simplesmente ignorar o fato de existir uma obra visual que, principalmente no rock e metal, é tão importante e na grande maioria das vezes intimamente ligada ao conceito do álbum.

Muitos desses não conhecem capas de discos, nomes de músicas, qual a formação que gravou aquele trabalho, quem foi o produtor, em qual estúdio foi gravado, quais as pessoas e bandas mencionadas na lista de agradecimentos, se no show do ano tal o guitarrista
x ainda estava no grupo, onde fica tal teatro que tal banda gravou aquele show para lançar em DVD. Isso é a história da música e não pode ser simplesmente ignorada. 

É bastante comum nas rodas de conversa entre os “downloaders" (chamemos assim) muitos deles orgulhosos, ostentando a proeza de terem em seu acervo discografias e discografias de vários e vários grupos do cenário mundial. Mas será que conhecem todos os arquivos que possuem?  Com a velocidade em que a informação em nossos dias alcança, fica praticamente impossível assimilar todos esses trabalhos a ponto de se ter uma visão crítica de cada um. Ouve-se o arquivo uma vez e já se passa para outro, pois ainda existe uma pilha de DVDs lotados de MP3 para escutar. Ouvir uma vez apenas e pronto?  E trabalhos mais intrincados como das bandas de rock progressivo?  


Lembro-me de um tempo não muito distante quando a moda aqui era gravar fitas K7 com o maior número de músicas de grupos diferentes possíveis, para que depois se pudesse dizer de cabeça erguida: “tenho 327 bandas gravadas na minha coleção”. Essa galera nunca ouviu um álbum completo na vida, talvez. E onde fica a música nessa história toda?  Recebe seu devido valor?  Ou vira mais uma imagem no álbum de figurinhas desse pessoal? 

É verdade que o MP3 tem sua importância, afinal é extremamente útilo quando existe alguma dúvida quanto ao som de alguma banda nova que se ouve falar, ou para ter certeza de que o álbum novo de determinado grupo está legal. O MP3 é um teste para você decidir se compra ou não, e é útil para ouvir no seu iPod em academias, caminhadas, viagens, no carro e em tantas outras situações. Mas ficar sempre usando esse formato de baixa qualidade (sim, pois o MP3 não tem a mesma qualidade do CD, isso para não mencionar o disco de vinil, que, aliás, ainda que timidamente, está voltando a ter seu lugar de forma mais presente, ainda que nunca o tenha perdido), sequer imaginar como é a capa de tal álbum, que relação a mesma tem com o trabalho, é frustrante, fazendo passar batido detalhes que só um disco original traz de forma satisfatória.

A pergunta que surge é: que geração de fãs está se formando hoje?  Seriam chamados de apreciadores de música?  E nem adianta usar a justificativa de que só a música basta, pois é um argumento deveras pobre, ou um enólogo despreza a garrafa, o rótulo e a rolha de um bom vinho?

Vou para casa ouvir meu CD original do Testament, "The Formation of Damnation".


Foghat - Live (1977)

sexta-feira, outubro 24, 2008

Por Ben Ami Scopinho
Whiplash
Marca de Caim

O Foghat é mais uma das grandes bandas setentistas que muita gente desconhece. Apesar do visual do quarteto ser típico daqueles fazendeiros texanos bigodudos saídos desses filmes enlatados do velho-oeste norte-americano, os caras são ingleses, sendo que Dave Peverett e Roger Earl fizeram parte do famoso Savoy Brown. Depois de formado o Foghat, que foi ignorado em terras inglesas, os caras se mudaram em definitivo para os EUA, fazendo bastante barulho por lá.

"Foghat Live” é o sétimo álbum e o primeiro registro ao vivo do grupo. O trabalho foi produzido por Nick Jameson e capturou a banda na melhor fase de sua carreira. Contanto somente com voz, duas guitarras, baixo e bateria, o grupo é um rolo-compressor de energia, esbanjando criatividade em suas composições e muita competência na hora de tocar.

Lembrando que na década de 70 ainda não existiam os hoje famosos
overdubs (correções em estúdios de falhas na gravação original), recurso que atualmente muitas bandinhas e até mesmo feras consagradas por aí usam para suprir sua deficiência ao vivo (alguém aí já escutou o “Ressurrection Live” do Halford? Pois é ...). Naquela época os músicos realmente tinham que tocar na raça, e é o que Foghat fez, e muito bem feito, nesse seu trabalho, que chegou a ganhar platina dupla pelas vendagens na época. O único ponto fraco desse álbum é sua quantidade de músicas: somente seis faixas, todas clássicas, sendo que duas são covers.

O álbum começa com o sucesso “Fool for the City”, com o vozeirão de Dave Peverett mandando muito bem e ótimos solos de Rod Price, principalmente no final da música, bem longo, contagiante e com muito feeling. Aliás, o que esse Rod sola é brincadeira. Mesmo após mais de vinte anos seu trabalho na guitarra ainda mantém um frescor e tanto. Em todas as músicas do disco ele se sai muito bem, com a cozinha correndo atrás. 

Segue-se “Home in my Hand”, entre assovios e muita agitação da platéia. A terceira é “I Just Want to Make Love to You”, um cover de Willie Dixon que acabou saindo bem mais pesado que o blues original. Já “Road Fever” é um verdadeiro arrasa-quarteirão com pitadas de blues, com os solos mais animais de Dave e Rod no disco, inclusive com slide guitar. 

Em "Honey Hush" o Foghat novamente transforma blues em puro peso, com muitos solos e animação da platéia. Pobre baixista e baterista, os caras devem ter se acabado nesta canção para acompanhar as guitarras ... E o disco termina em grande estilo com “Slow Ride”, um verdadeiro registro de uma apresentação animada e com muita participação do público.

Nos lançamentos seguintes o Foghat começou a se render a um som mais comercial, colocando no mercado álbuns bem aquém de seus antecessores e, como sempre acontece, caindo em descrédito com os fãs. 

Para encerrar, um último toque: se vocês apreciam “Made in Japan” do Deep Purple, "Tokio Tapes" do Scorpions ou “Live 73” do Uriah Heep, que são considerados por muitos como sendo a nata dos discos ao vivo setentistas, escutem esse "Foghat Live", pois provavelmente alguns irão mudar de idéia após ouvir esse disco.

Faixas:
1. Fool for the City - 5:28
2. Home in My Hand - 4:56
3. I Just Want to Make Love to You - 8:46
4. Road Fever - 5:29
5. Honey Hush - 5:38
6. Slow Ride - 8:20


Sexy Cover Arts#3

sexta-feira, outubro 24, 2008
Por Ricardo Seelig
Colecionador
Why Dontcha

Nessa edição de Sexy Cover Arts temos, ao invés de capas de bandas, três coletâneas lançadas de 2000 pra cá. A primeira dá uma geral na Bossa Nova, a segunda é dedicada às trilhas de programas de televisão norte-americanos e a terceira contém o melhor da música feita para o cinema adulto na década de 1970. Divirta-se!

Mondo Bossa Vol 2: Una Outra Vez (2003)


Cinemaphonic: Electro Soul (2000)


Deep Note: Music of 1970's Adult Cinema (2002)


Indique a sua preferida nos comentários.

23 de out de 2008

Eumir Deodato: dois discos que irão virar a sua cabeça

quinta-feira, outubro 23, 2008

Por Marco Antonio Gonçalves
Colecionador
Sinister Salad Musikal

Olha, cada dia mais me convenço que vai acabar a vida no planeta Terra e ainda não terei achado um disco ruim de Eumir Deodato … sério mesmo! E pensar que tem gente que não gosta desse tipo de som. Só vou falar uma coisa: “Deodato é do caralho!”

Pianista, produtor e arranjador de primeira linha, sua versatilidade pode ser comprovada em trabalhos com músicos do porte de Marcos Valle, Wilson Simonal, Tom Jobim, Elis Regina, Astrud Gilberto, João Donato e Walter Wanderley, só para ficar em alguns nomes nacionais. Seu trabalho com o grupo Os Catedráticos - trazendo arranjos originais para clássicos do samba, da bossa e do jazz - também é brilhante e vale a pena ser descoberto. Entre os seus feitos, o fato de ser considerado o responsável por lançar Milton Nascimento no cenário musical, quando, em 1967, selecionou três composições do músico mineiro para serem apresentadas na segunda edição do Festival Internacional da Canção.

Ainda em 67, a convite do violonista Luiz Bonfá, se mandou para os Estados Unidos, onde tornou evidente sua performance na área musical. Contratado pela CTI Records, fincou residência em solo americano e, com o passar dos ponteiros, tornou-se figurinha fácil em gravações de artistas renomados como Aretha Fraklin, Frank Sinatra, Wes Montgomery ou Stanley Turrentine, e também em combos do naipe do Kool and the Gang e do Earth Wind & Fire. Como produtor trabalhou em mais de 500 discos de diversos artistas e bandas e ainda participou de várias trilhas sonoras de Hollywood.


Mas podemos dizer que seu prestígio tomou dimensões lunares no ano de 1972, quando o mega sucesso lhe bateu de frente com o lançamento do álbum "Prelude". Cercado de grandes músicos - John Tropea e Jay Berliner nas guitarras, Ron Carter e Stanley Clarke se revezando nas linhas de baixo, Billy Cobham nas baquetas, Airto Moreira e Ray Barreto na base percussiva, entre outros – e produzido pelo lendário Creed Taylor (fundador da CTI), o LP expande uma textura sonora rica, amparada por arranjos funkeados e muitos instrumentos de cordas e de sopro sobrecarregando o aparato groove.

O destaque está na versão funkeada de “Also Sprach Zarathustra", tema do compositor e maestro alemão Richard Strauss, imortalizado por Stanley Kubrick no filme "2001 – Uma Odisséia no Espaço". Por conta deste petardo, o disco atingiu a monstruosa marca de 5 milhões de cópias vendidas, impulsionando a carrreira de Deodato no exterior e o figurando com destaque no rol dos grandes nomes do jazz fusion da época.

Mas a qualidade do disco não pára por aí. Conta com outra releitura clássica, a faixa “Prelude to Afternoon of a Faun” do músico e compositor francês Claude Debussy, numa levada pra lá de original. Mais quatro faixas completam o disco (“Spirit Of Summer”, “Carly & Carole”, “September 13” e “Baubles, Bangles and Beads”), mostrando o grau de maturidade alcançado pelo instrumentista carioca, conduzindo com competência uma verdadeira orquestra imperial.

O disco acabou sendo premiado pelas revistas “Billboard”, “Cashbox”, “Playboy” e “Record World”, além de ter recebido um Grammy na categoria “Melhor Performance Instrumental Pop/Rock”.


Outra pérola é "Deodato 2", de 1973, sucessor de seu maior trunfo discográfico. Se não fez o mesmo sucesso que o anterior - li não me recordo onde que esse álbum quase levou a CTI Records à bancarrota – com certeza não foi por falta de qualidade musical.

Produzido novamente pelo visionário Creed Taylor, traz Deodato com o prestígio em alta, esmerilhando nos teclados, acompanhado por uma seleção de craques de primeiríssima grandeza. Músicos, inclusive, que já haviam colaborado no premiado "Prelude" como Stanley Clarke (baixo), Billy Cobham (batera), John Tropea (guitarra), Garnett Brown (trombone), Marvin Stamm (trompete) e Hubert Laws (flauta), dentre outros como Rick Marotta (bateria), John Giulino (baixo) e Joe Temperley (sax), num combo com mais de 30 integrantes. Tá bom ou quer mais?

A bolacha abre com uma versão inspirada para o clássico dos Moody Blues, “Nights in White Satin”, num instrumental dominado por uma seção rítmica impecável e orquestrações por todos os lados. Tem lá o seu climão sinfônico e intimista na adaptação de “Pavane For A Dead Princess”, de Ravel, mas os arranjos descambam mesmo para a pancadaria ultra suingada. São os casos de “Skyscrapers” (que traz bela intervenção de John Tropea na guitarra e metaleira nervosa no seu encalço), “Rhapsody in Blue” (outra obra clássica com assinatura de Gershwin) e a predileta e explosiva “Super Strut”, composta por Deodato e que faria até mesmo uma múmia paralítica sair se requebrando de dentro do seu sarcófago.

O formato digital ainda traz três faixas bônus (“Latin Flute”, “Vênus” e “Do It Again”), uma espécie de guloseima extra para deleite dos fãs. Fiquei com água na boca … Grande Deodato!

Box: AC/DC - Bonfire (1997)

quinta-feira, outubro 23, 2008

Por Jaisson Limeira
Colecionador

O AC/DC, uma das bandas mais completas e regulares de todos os tempos, não poderia deixar passar em branco um box em sua discografia. Intitulada "Bonfire", a caixa foi lançada originalmente em 18 de novembro de 1997, em uma embalagem super luxuoso e que enche os olhos.

Dedicado ao grande vocalista Bon Scott, que acabou falecendo de modo insano após mais uma de suas bebedeiras homéricas, "Bonfire" está recheado de grandes jóias de uma fase histórica da banda dos irmãos Young.

São três CDs, entre eles uma edição dupla de "Let There Be Rock: Live In Paris", que serviu para a trilha sonora do filme homônimo, lançado pelo AC/DC no final da década de 1970. Há também um disco chamado "Live From the Atlantic Studios", que traz uma grande performance do vocalista em sua melhor fase, detonando em grandes clássicos do grupo como “The Jack” e “Whole Lotta Rosie”,  e, por último, "Volts", disco que possui versões originais de álbuns e algumas versões ao vivo.


A caixa, cuja capa toda preta traz Bon Scott com Angus Young tocando guitarra em cima de seus ombros, além de possuir os CDs citados contém também itens muito curiosos e raros, entre eles um livro de 48 páginas com informações sobre o grupo, abrangendo toda a carreira do AC/DC, mas com mais destaque para o período em que Scott fazia parte do conjunto. 

O boxset inclui também petiscos que deixam qualquer fã louco. Vamos a eles: um poster com mais de meio metro de comprimento com a capa de "Bonfire"; um adesivo com a logo da banda; e aqueles que, na minha opinião, são os mais legais - uma palheta oficial preta, uma tatuagem temporária e, por último, um LINDO abridor de garrafas personalizado (mas, pot favor, não sigam o exemplo do Bon Scott).

A caixa foi reeditada em 2003, mas perdeu um pouco de sua idéia original. O boxset foi embalado em uma grande embalagem digipack, semelhante a uma longbox, trazendo em seu conteúdo o "Back In Black" em versão remasterizada. 

Recomendo esse box para todos os fãs assíduos dessa maravilhosa banda. A versão original é um pouco difícil de ser encontrada hoje em dia, mas caso não a encontre a segunda é uma grande edição também, e está disponível em qualquer boa loja por cerca de 45 dólares..

Um item obrigatório em qualquer coleção.


AC/DC - Bonfire
5 CDs, 1 Livro de 48 páginas, um poster, um adesivo e um abridor de garrafa
Atlantic Records
Cat# 62119-2


CD 1 
Live From the Atlantic Studios
1. Live Wire - 5:46
2. Problem Child - 4:24
3. High Voltage - 5:40
4. Hell Ain't a Bad Place to Be - 3:57
5. Dog Eat Dog - 4:13
6. The Jack - 8:02
7. Whole Lotta Rosie - 5:08
8. Rocker - 5:57

CD 2 
Let There Be Rock - The Movie - Live in Paris (Part One)
1. Live Wire - 5:56
2. Shot Down in Flames - 3:16
3. Hell Ain't a Bad Place to Be - 4:02
4. Sin City - 5:01
5. Walk All Over You - 4:36
6. Bad Boy Boogie - 12:57

CD 3 
Let There Be Rock - The Movie - Live in Paris (Part Two)
1. The Jack - 5:25
2. Highway to Hell - 3:12
3. Girls Got Rhythm - 3:10
4. High Voltage - 6:17
5. Whole Lotta Rosie - 4:39
6. Rocker - 9:10
7. T.N.T. - 4:11
8. Let There Be Rock - 7:10

CD 4 
Volts
1. Dirty Eyes - 3:20
2. Touch Too much - 6:35
3. If You Want Blood You've Got It - 4:24
4. Back Seat Confidential - 5:21
5. Get It Hot - 4:11
6. Sin City - 4:51
7. She's Got Balls - 7:58
8. School Days - 5:05
9. It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll) - 5:10
10. Ride On - 5:47

CD 5
Back in Black
1. Hells Bells - 5:09
2. Shoot to Thrill - 5:14
3. What Do You Do for Money Honey - 3:33
4. Givin' the Dog a Bone - 3:30
5. Let Me Put My Love Into You - 4:12
6. Back in Black - 4:13
7. You Shook Me All Night Long - 3:28
8. Have a Drink on Me - 3:57
9. Shake a Leg - 4:03
10. Rock and Roll Ain't Noise Pollution - 4:12




Punch Cover Arts: a arte da violência

quinta-feira, outubro 23, 2008

Por Marcelo Hissa
Colecionador

A violência chegou para ficar, acostume-se!! Assista TV, leia o jornal, escute o rádio, navegue na internet. Você irá deparar-se com manifestações dessa primitiva força humana com muito mais freqüência do que gostaria (e minha coleção de CDs não me deixa mentir).

Apesar de não ser um grande fã dos acordos estabelecidos por meio de bíceps e tríceps, é sempre bonito ver um punho cerrado atingir a face alheia, desde que numa capa de disco.

Abaixo alguns discos que são, literalmente, um soco na cara!

Anthrax – Fistful of Metal (1984)


Pantera – Vulgar Display of Power (1992)


Alice in Chains – Greatest Hits (2001)


Mad Dragzter – Killing The Devil Inside (2006)


22 de out de 2008

Ronnie Von - Ronnie Von (1968)

quarta-feira, outubro 22, 2008

Conheci o Eduardo através do excelente site Rate Your Music. Natural de Braga, em Portugal, e profundo conhecedor de música das mais variadas épocas e estilos, o que chama a atenção nos seus textos é o fato de ele vir de outra escola musical, ter um background diferente do nosso, que crescemos aqui no Brasil. Isso faz com que suas análises tragam sempre algo novo, um olhar diferente sobre aquilo que, muitas vezes, estamos tão acostumados a ver que já virou paisagem para nós. 

Por Eduardo F.
Colecionador
Georden

Será que mais alguém nota que os discos brasileiros dos anos 60 e 70 têm um som característico? Isso tem a ver com os estúdios, certamente. Não, não estou falando do conteúdo musical. Refiro-me ao som que se ouve nesses discos.

Ao ouvir este álbum fiquei fascinado com os arranjos, por vezes malucos, muito orquestrais, que chegam a lembrar aquelas incursões dos Beatles fase 1966/1967. Ouçam só a beleza de "Espelhos Quebrados", com aquela orquestra e aqueles violinos. Lembra um pouco a "Eleanor Rigby". Lindo!

Profundamente brasileiro, mas não tradicional, só com aqueles traços que tipicamente lhe associamos. Nas percussões, sobretudo. Mas também no órgão, que, para mim, pelo efeito de conjunto, me faz parecer que só poderia ter suas notas nascidas da cabeça de um músico do Brasil. Nos sopros, claro, e um pouco por todas as melodias deste disco, desta pérola perdida. Muito dançável, agradável, engraçado até. Como no spot publicitário com que inicia "Sílvia: 20 Horas, Domingo", ou na experiência de laboratório, enigmática, que é "Mil Novecentos e Além".

Acho que já é a segunda vez que ouço num disco brasileiro alguém telefonando e colocando essa ato na música. . O que vai ao encontro da minha idéia de este povo é muito sociável, com um forte componente humano.

Imagino como seriam os prédios nos anos 60, e me vêm à memória aquelas imagens em tom sépia e casas com uma vista para várias partes da cidade. E o futebol, se calhar sempre presente, no pequeno radinho de pilha pousado no muro das escadas, na entrada das casas. 

Sei lá, quando um disco nos põe a imaginar coisas acho que isso significa que gostamos dele.
Só uma última nota: aquele baixo elétrico espetacular, por exemplo na canção "Anarquia". Ou aquele piano barroco de "Esperança de Cantar".

Um disco para emparelhar com os outros, primeiro, da época e, depois, da proveniência. 

Faixas:
1. Meu Novo Cantar - 3:06
2. Chega de Tudo - 2:32
3. Espelhos Quebrados - 2:33
4. Sílvia: 20 Horas, Domingo - 3:26
5. Menina de Tranças - 2:34
6, Nada de Novo / Lábios que Beijei - 1:36
7. Esperança de Cantar - 3:29
8. Anarquia - 4:04
9. Mil Novecentos e Além - 3:05
10. Tristeza num Dia Alegre - 3:53
11. Contudo, Todavia - 1:58
12. Canto de Despedida - 2:22



On the Road: Dave Matthews Band - US Tour 2008 - Parte Final

quarta-feira, outubro 22, 2008

Por Rodrigo Simas
DMBrasil

Depois da difícil noite anterior, nosso ânimo para o dia seguinte não era dos melhores. A programação era sair, comer alguma coisa e chegar o mais cedo possível no Staples Center, dar uma relaxada no lounge (local onde convidados da banda tem comida e bebida de graça), comprar o poster do dia e esperar o show começar. Era a primeira apresentação sem Leroi Moore e tudo era muito recente para não pensar nisso o tempo todo.

A chegada foi tranquila. Retiramos nossos ingressos e fomos ver onde estávamos sentados dessa vez. Chão ... teoricamente um lugar melhor do que o da noite anterior, mas a visão era definitivamente pior, já que o palco era um pouco baixo. Com o poster na mão, fomos para o lounge, tomamos algumas cervejas e decidimos passar no backstage para dar oi a todos.

Falamos com Rashawn, Tim passou algumas vez sem nenhum contato e Stefan estava jantando. Quando estávamos quase indo embora, encontramos Dave. Conversamos sobre Roi e sobre a dor da perda que todos estavam sentindo – disse que provavelmente vai usar as partes já gravadas pelo saxofonista no novo CD da Dave Matthews Band. Lhe desejamos um bom show e fomos direto para nossas cadeiras, sabendo que ia ser difícil assistir a tudo mais uma vez.


A banda novamente se superou. O começo foi emocionante com "Seek Up" e "Warehouse". Além delas, "Rapunzel", "Jimi Thing", "#41" e "Crush "marcaram uma apresentação memorável. Dave ainda mencionou Leroi, dizendo o quanto ele odiava a música "Old Dirt Hill", antes de tocá-la. O bis, com "Sledgehammer" e "Stay" encerrou a noite com um particular clima alegre – mostrando que a Dave Matthews Band tinha realmente decidido homenagear o amigo da melhor maneira possível: tocando.

Mochilas arrumadas, a última parada da viagem era em Chula Vista, bem perto de San Diego, também na Califórnia. Depois de horas viajando de carro começamos a ver placas avisando que estávamos nos aproximando do México. Nossa saída (que chegamos a errar e ter que voltar de ré) era exatamente a última antes de chegar na fronteira com o país vizinho. Fomos avisados: sair é fácil, o difícil é voltar – era melhor não perdermos de nenhuma maneira essa saída.

Um calor infernal em Chula Vista. Dirigimos para o local do show, o Cricket Wireless Amphitheatre, que ficava literalmente no meio do nada. O lugar era lindo. De todos os anfiteatros que já fui nos Estados Unidos esse foi de longe o mais belo. A natureza ao redor ajuda bastante, mas o anfiteatro em si já é bastante bonito, com as cadeiras montadas subindo a colina e sem a cobertura usual. O público fica totalmente descoberto. Chegamos a tempo de ver o final da passagem de som, que é sempre uma hora especial, já que a banda prepara e ensaia os últimos detalhes do show nesse momento. Nos avisaram no hotel que a noite ficaria muito frio e fomos preparados para isso – mas muito antes de anoitecer a temperatura começou a cair radicalmente.


Era o dia de dizer tchau e fomos direto para o ônibus do Carter para dar um abraço e “até mês que vem” (só pensar nisso era uma sensação boa). Chegando lá fomos – como sempre – muito bem recebidos. Daryl (o segurança) estava vendo TV e Tim estava no corredor arrumando suas malas. Conversamos bastante, Carter falou mais um pouco sobre LeRoi e contou que ele começou tocando teclado, quando os dois eram ainda crianças. No meio da conversa Dave Matthews entrou para fechar o set list. Já adiantou que ia rolar "Sugar Will" (foi tocada na passagem de som), mas preferimos ficar com a surpresa do restante. Depois de mais um tempo conversando (e eles dizendo que também não acham nada demais de Los Angeles), era hora de ir para nossos lugares. Na saída do ônibus, Daryl perguntou se queríamos assistir uma parte do show do palco. Lógico que sim!  Combinamos quando e fomos embora.

Mais uma vez a abertura foi com "Bartender". Sempre um bom começo. Durante o show (quase sempre acontece, mas dessa vez foi demais) muitas pessoas jogaram cigarros de maconha no palco. Dave sempre pega e mostra para a platéia. Uma hora, com uns cinco baseados na mão, disse no microfone "you are trying to make me high" ("vocês estão tentando me deixar doidão"). Até que tacaram um tijolo de maconha: Dave pegou e levou diretamente para Jeff Coffin, que ria sem parar.

"Don’t Drink The Water", "Crush" e "Lover Lay Down" foram alguns dos destaques, mas o melhor ainda estava por vir: Daryl apareceu e nos levou para o palco, onde assistimos seis músicas usando o fone de retorno da banda – onde você ouve inclusive a conversa deles entre as canções. Sensacional!   Dave acenou algumas vezes e alterou na hora o set list, encaixando "Ants Marching" entre "Everyday" e "The Dreaming Tree". Não tinha como acabar melhor. Foi uma sensação indescritível ficar um tempo no palco, vendo o show por um ângulo completamente diferente e ainda ouvir o próprio retorno da banda.

A apresentação acabou e corremos para o backstage para pegar o grupo antes de entrarem em seus respectivos ônibus. Nos despedimos de todos prometendo nos encontrar em um mês em São Paulo, para o segundo show da Turnê Sul Americana – eles se mostraram felizes por voltar para o Brasil, já que o próprio Leroi Moore adorava o país e era o mais empolgado para tocar por aqui. Saímos com a certeza que voltaremos em 2009 e com a promessa de grandes emoções por aqui.



Bootlegs raríssimos do Queen à venda

quarta-feira, outubro 22, 2008

Por Ricardo Seelig

Atenção fãs do Queen: o Henrique Seligman, um dos maiores colecionadores do grupo de Freddie Mercury e Brian May aqui no Brasil, e também no mundo (para conhecer a fundo a coleção do Henrique
leia essa entrevista que fiz com ele para o Whiplash), está vendendo alguns itens do seu acervo. São bootlegs raríssimos, fora de catálogo, alguns em edições limitadas, disputadíssimos por fãs ao redor do planeta.

Os discos disponíveis podem ser conferidos na página da Queenland, site do nosso amigo Henrique. O legal é que são itens de colecionador, em perfeito estado, e por preços acessíveis. .

Uma ótima oportunidade para quem busca material de uma das mais importantes e influentes bandas da história do rock.


Abaixo seguem informações importantes passadas pelo Henrique sobre esses itens:

Somente fornecemos material não lançado oficialmente (livre de direitos autorais), para colecionadores. Todos os CDs e DVDs exibidos com artwork nas listagens acima são fornecidos em estojos com as capas (e labels, no caso dos Remasters de audio). Remasters são CDs cujas gravações foram restauradas digitalmente (remoção de clicks, correção de pitch quando necessário, reposicionamento de pontos de separação de faixas, etc).

Todos os CDs são provenientes de gravações 100% lossless (em outras palavras, nada extraído de áudio que sofreu compressão mp3), e de fontes da mais baixa geração possível (masters, em muitos casos), cujos upgrades têm sido continuamente monitorados durante mais de 30 anos (sim, muito antes da internet!).

Os preços em reais de todos os CDs e DVDs disponíveis estão indicados respectivas descrições.

Frete para qualquer lugar do Brasil:

Até 4 itens R$ 6
Acima de 4 itens Grátis *
10 ou mais itens Grátis * + brinde surpresa
* Via PAC. Envio via Sedex por conta do comprador.

Forma de pagamento: Depósito bancário

Para fazer sua encomenda, informe-nos, através do email abaixo, os códigos dos itens que lhe interessam, conforme listados no site. Você receberá a confirmação do valor total, assim como os dados completos para pagamento. Após o depósito, basta informar o NSU (número seqüencial únco) da transferência e o endereço para envio.

Nota do editor: não usamos esse site para venda de itens. Abrimos uma exceção para o Henrique, que explicou suas razões ao editor do site. 


Box: Creedence Clearwater Revival - Creedence Clearwater Revival Box Set (2001)

quarta-feira, outubro 22, 2008

Por Ricardo Seelig

O Creedence Clearwater Revival possui uma sequência de discos das mais espetaculares que eu conheço. Entre a estréia com o nome da banda, lançada em 05 de julho de 1968, e seu quinto álbum, "Cosmo´s Factory", que chegou às lojas em 25 de julho de 1970, a banda liderada por John Fogerty entrou a pontapés no Olimpo do rock, registrando clássicos como "Suzie Q", "Proud Mary", "Green River" e inúmeros outros.

Esse período está devidamente coberto por este soberbo box lançado pela Fantasy em 2001. Ainda em catálogo, a caixa contém seis discos, todos devidamente remasterizados, que trazem não apenas a nata do que o Creedence gravou em sua breve carreira, mas também material do grupo pré-CCR, o The Golliwogs.

A embalagem imita uma textura de madeira, apropriadíssima para o rock rural dos irmãos Fogerty, e cada disco é dedicado a um período da carreira do grupo. Recomendo a audição dos CDs em ordem, começando no 1 e terminando no 6, pois assim você terá uma ampla visão cronológica sobre tudo de bom que John Fogerty, Tom Fogerty, Stu Cook e Doug Clifford gravaram.

Para os interessados, o box pode ser encontrado facilmente em lojas especializadas, e por um preço bem convidativo: cerca de 60 dólares. Ou seja, mãos à obra.


Creedence Clearwater Revival - Creedence Clearwater Revival Box
6 CDs, 1 Livreto com a história da banda
Fantasy Records
Cat# 6CCRCD-4434-2

CD 1
1. Come on Baby
2. Oh My Love
3. Have You Ever Been Lonely
4. Bonita
5. The Golliwogs: Don't Tell Me No Lies
6. Little Girl (Does Your Momma Know)
7. Where You Been ! You Came Walking
8. You Can't Be True (first version)
9. You Got Nothin' on Me
10. I Only Met You Just an Hour Ago
11. Brown-Eyed Girl
12. You Better Be Careful
13. Fight Fire
14. Fragile Child
15. She Was Mine
16. Gonna Hang Around
17. Try Try Try
18. Instrumental #1
19. Little Tina
20. Walking on the Water
21. You Better Get It Before It Gets You
22. Tell Me
23. You Can't Be True (second version)
24. Action USA (promotional spot)

CD 2
1. Call It Pretending
2. I Put a Spell on You
3. The Working Man
4. Susie Q
5. Ninety-Nine and a Half
6. Get Down Woman
7. Porterville
8. Gloomy
9. Walk on the Water
10. Born on the Bayou
11. Bootleg
12. Graveyard Train
13. Good Golly Miss Molly
14. Penthouse Pauper
15. Proud Mary
16. Keep on Chooglin'

CD 3
1. Green River
2. Commotion
3. Tombstone Shadow
4. Wrote a Song for Everyone
5. Bad Moon Rising
6. Lodi
7. Cross-Tie Walker
8. Sinister Purpose
9. The Night Time Is the Right Time
10. Down on the Corner
11. It Came Out of the Sky
12. Cotton Fields
13. Poorboy Shuffle
14. Feelin' Blue
15. Fortunate Son
16. Don't Look Now (It Ain't You or Me)
17. The Midnight Special
18. Side of the Road
19. Effigy

CD 4
1. Ramble Tamble
2. Before You Accuse Me
3. Travelin' Band
4. Ooby Dooby
5. Lookin' Out My Back Door
6. Run Through the Jungle
7. Up Around the Bend
8. My Baby Left Me
9. Who'll Stop the Rain
10. I Heard It Through the Grapevine
11. Long As I Can See the Light
12. Pagan Baby
13. Sailor's Lament
14. Chameleon
15. Have You Ever Seen the Rain?
16. (Wish I Could) Hideaway
17. Born to Move
18. Hey Tonight
19. It's Just a Thought

CD 5
1. Molina
2. Rude Awakening #2
3. 45 Revolutions Per Minute (Part 1)
4. 45 Revolutions Per Minute (Part 2)
5. Lookin' for a Reason
6. Take It Like a Friend
7. Need Someone to Hold
8. Tearin' Up the Country
9. Someday Never Comes
10. What Are You Gonna Do
11. Sail Away
12. Hello Mary Lou
13. Door to Door
14. Sweet Hitch-Hiker
15. Born on the Bayou
16. Green River
17. Tombstone Shadow
18. Don't Look Now (It Ain't You or Me)
19. Travelin' Band
20. Who'll Stop the Rain
21. Bad Moon Rising
22. Proud Mary
23. Fortunate Son
24. Commotion

CD 6
1. The Midnight Special
2. The Night Time Is the Right Time
3. Down on the Corner
4. Keep on Chooglin'
5. Born on the Bayou
6. Green River/Susie Q
7. It Came Out of the Sky
8. Door to Door
9. Travelin' Band
10. Fortunate Son
11. Commotion
12. Lodi
13. Bad Moon Rising
14. Proud Mary
15. Up Around the Bend
16. Hey Tonight
17. Sweet Hitch-Hiker
18. Keep on Chooglin'


Memória: Os Beatles em gibi

quarta-feira, outubro 22, 2008


Por Emílio Pacheco
Blog do Emílio Pacheco

Meu primeiro contato com a história dos Beatles foi através de um gibi lançado em 1966 pela editora O Cruzeiro, a mesma que publicava Bolinha, Luluzinha, Manda Chuva e outros de saudosa memória. Na verdade, a revista foi comprada por um amigo da família que fazia faculdade em Porto Alegre e ficava hospedado em nossa casa. Ele viria a falecer pouco depois da formatura, num acidente, logo no começo de minha redescoberta dos Beatles. Ele era fã dos Bee Gees também e nem chegou a conhecer a fase disco music do grupo. Herdei dele o raríssimo LP "Massachussets", dos Bee Gees, com lista de faixas compilada especialmente para o Brasil. Às vezes fico pensando em quantas conversas ainda viríamos a ter sobre música se ele não tivesse partido tão cedo.

Essa história em quadrinhos foi publicada nos Estados Unidos pela editora Dell. Vi o gibi original para vender em Nova York em 1990 por 50 dólares, na loja It's Only Rock and Roll, do Village. Esse que aparece acima não é o que eu tinha. Aquele ficou sem capa com o tempo, depois extraviou-se. Consegui outro pela Estante Virtual a preço bem acessível. Os desenhos são de Joe Sinnot, mais conhecido por seu trabalho com o Thor e outros personagens da Marvel. Quanto ao enredo, é obvio que algumas passagens foram romanceadas. Hoje todos sabem que John Lennon só casou porque sua namorada, Cynthia, estava grávida. Já o gibi conta uma história bem mais romântica. 

Vejam aqui John em Hamburgo, com saudade da namorada:


Já o casamento é ainda mais fantasioso. John e Cynthia aparecem na igreja:


A cena verdadeira foi desenhada pela própria Cynthia e publicada em seus dois livros, "A Twist of Lennon" e "John". A cerimônia foi num cartório, apenas com os padrinhos, além de Paul e George. Do lado de fora, o ruído de uma britadeira abafava os votos do casal:


Alguns episódios contados no gibi não vi confirmados nos diversos livros que já li sobre os Beatles. Por exemplo: em um dos shows o grupo teria deixado "Twist and Shout" tocando enquanto os quatro fugiam com barbas postiças. Na apresentação seguinte, George Harrison teria esquecido de tirar a barba ao entrar no palco. A partir de então, todos os jovens de barba se tornaram suspeitos de ser Beatles disfarçados. 

A saída de Pete Best não é explicada. Simplesmente Ringo surge em seu lugar na hora de gravar "Love Me Do". E a música informada como constando no lado B do compacto é "Please Please Me" (quando na verdade foi "P.S. I Love You"). 

Na época, essa era a versão da biografia dos Beatles que se divulgava na maioria das revistas teen. Brian Epstein é um dos personagens principais da história, mas George Martin não aparece. 

Eu tenho curiosidade de ler outro gibi dos Beatles que foi publicado nos anos 70 pela Marvel. Esse, que eu saiba, não teve tradução no Brasil.


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