21 de nov de 2008

David Lebón, a estréia de um gigante do rock portenho

sexta-feira, novembro 21, 2008

Por Marco Antonio Gonçalves
Colecionador
Collector´s Room

Sou um bolha fissurado no rock portenho. A sonoridade dos bons tempos, grandes músicos, toda a poética dos hermanos, versos socando o estômago da ditadura e o velho e bom rock’n’roll no sangue. Sofro desse mal desde a descoberta dos primeiros discos do Pappo’s Blues no início da década de 8o. Acho que não tem cura ...

Há alguns meses achei este David Lebón de 1973, primeiro álbum solo deste versátil músico argentino e que esteve diretamente ligado aos primórdios da cena roqueira em seu país. Multiinstrumentista e cantor, contribuiu com seu talento em algumas das mais consagradas bandas do rock portenho: tocou baixo no Pappo’s Blues e Pescado Rabioso; bateria no Color Humano; teclados no Espiritu; e guitarra no La Pesada, Serú Giran, Sui Generis e Polifemo, só pra citar alguns dos projetos em que esteve envolvido.

Nesta estréia como solista, dá pra dizer, com o perdão do termo, que Lebón quebrou o cabaço em grande estilo, mandando ver num grande disco de rock e blues. Tocando vários instrumentos em quase todas as faixas, o anfitrião Lebón recebe a visita de alguns dos ícones locais como Alejandro Medina (baixo), Charly Garcia (teclados), Black Amaya (bateria), Pedro Aznar (baixo), Isa Portugheis (bateria), e também de Norbert “Pappo” Napolitano, que intitulou os temas compostos por Lebón e Liliana Lagardé e, segundo lenda, ainda tocou piano no rock “Treinta y Dos Macetas". Coisa de camarada argentino.


O disco abre com a acústica “Hombre de Mala Sangre”, uma de suas mais conhecidas canções, com bela melodia e interpretação vocal primorosa. Segue com a instrumental “Envases de Todo”, onde baixo e batera criam os atalhos para uma guitarra nervosa cuspir efeitos e timbres sujos num blues rock da pesada . Mantém a pegada blues na acachapante “Dos Edificios Dorados”, com belo solo de guitarra e um feeling de arrepiar a alma.

A balada “Tema para Luis” se destaca pelo piano e vocal emocionantes e foi escrita para Luis Alberto Spinetta quando Lebón deixou o grupo Pescado Rabioso, partindo em busca de novas perspectivas musicais. A clássica “Casa de Arañas” é uma de suas melhores composições, sendo conduzida por viciantes batidas de violão e vocal tranqüilamente sereno. A
blueseira segue pecaminosa em “Copado por El Diablo”, desta vez com os solos de guitarra a cargo de Walter Malosetti. Divino é o mínimo, infernal é o máximo!

Hermanos, que belo disco! Se não fui neguinho, devo ter sido então argentino na outra encarnação. Dá-lhe River!!!


Começando a coleção: Thin Lizzy

sexta-feira, novembro 21, 2008

Ricardo Seelig
Colecionador

Quer conhecer uma banda, mas não sabe por qual disco começar?  Nós ajudamos você. Os nossos colaboradores, todos colecionadores selvagens, vão dar dicas preciosas sobre os TRÊS álbuns fundamentais dos mais variados grupos, aqueles que são indicados para quem quer começar uma coleção, e que resumem tudo de melhor que o artista fez em sua carreira.

Pra começar, o estupendo grupo irlandês Thin Lizzy.


Jailbreak (1976)

O disco mais conhecido dos caras. Aqui estão as melhores, e mais famosas, canções da banda. "The Boys Are Back in Town", "Jailbreak", "Cowboy", ... um clássico atrás do outro.


Black Rose - A Rock Legend (1979)

Me perdoem os fãs da fase mais metal do grupo nos anos oitenta, mas para mim esse é oúltimo grande trabalho do Thin Lizzy. Com a participação de Gary Moore na guitarra, o álbum é sensacional, repleto de solos antológicos, como o da faixa-título.


Vagabonds Of The Western World (1973)

Pra mim, esse foi o primeiro grande álbum do Thin Lizzy. O estilo ainda estava sendo definido, mas já podia ser sentido em clássicos como a faixa-título, "The Rocker", "Little Girl in Bloom" e "Whiskey in the Jar".


Tem que ter: Lou Reed - Rock'n'Roll Animal (1974)

sexta-feira, novembro 21, 2008

Por Carlos Thomaz Albornoz
Colecionador
Collector´s Room

Lançamento: Fevereiro de 1974
Gênero: Glam Rock
Gravadora: RCA Victor
Cat# AFL1-0472

Uma das mais fumegantes duplas de guitarristas dos anos 70, Steve Hunter e Dick Wagner, soltando a franga nas músicas de Lou Reed e do cultuado Velvet Underground, sendo ao mesmo tempo uma ótima apresentação deste material a quem não conhece e uma demonstração do quanto eles estavam travados nos discos de Alice Cooper, principalmente em "The Alice Cooper Show", de 1977. 

Lou canta melhor do que nunca, talvez por poder se concentrar em seus vocais sem ter uma guitarra em suas mãos para distraí-lo. "Rock'n'roll Animal" saiu um pouco antes, depois veio "Live" (1975) para fazer os ouvintes morrerem de inveja de quem assistit aquela ótima banda ao vivo. Ecos de progressivo e jazz rock ecoam nas evoluções (solos longos, improvisações) da banda. 

Sensacional.


Faixas:
1 - Intro / Sweet Jane - 7:55
2 - Heroin - 13:11
3 - White Light/White Heat - 5:15
4 - Lady Day - 4:00
5 - Rock 'n' Roll - 10:17


20 de nov de 2008

20a Feira do Vinil de Floripa (SC)

quinta-feira, novembro 20, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Mais uma edição da tradicional Feira do Vinil de Florianópolis. Dessa vez o encontro ocorre no dia 06 de dezembro, no Taliesyn Bar. A entrada é gratuita, e você ainda confere um show com a banda Crazy Feelin´s.

Pra quem não sabe, na feira do vinil você encontra inúmeros colecionadores e lojistas vendendo e comprando itens a preços especiais. Esses eventos são ótimas oportunidades para encontrar raridades e fazer novos amigos.

Quem souber de eventos similares, por favor nos avise que divulgaremos aqui no blog com o maior prazer.


Tem que ter: Social Distortion - White Light, White Heat, White Trash (1996)

quinta-feira, novembro 20, 2008

Começa aqui mais uma sessão da Collector´s. Nela, vamos listar discos obrigatórios em qualquer coleção que se preze, trabalhos do mais alto nível e que às vezes passam batido por alguns ouvintes. Pra começar, os textos aqui publicados serão os postados no tópico do mesmo nome em nossa comunidade no orkut.

Por Rodrigo Gomes Borges
Colecionador
Collector´s Room

Lançamento: 17 de setembro de 1996
Gênero: Punk Rock
Gravadora: Epic
Cat# BK 64380


Vou falar da obra-prima do Social Distortion, “White Light, White Heat, White Trash”, lançada em 1996. Tomei conhecimento desse disco por um clip da música “I Was Wrong” que passava direto no saudoso programa Gás Total nas tardes da MTV (lembram-se quando a MTV era boa?). 

A primeira coisa que me chamou a atenção foi que, na época, quem tocava bateria no grupo era o Chuck Biscuits, ex-Danzig. Mas esse detalhe ficou muito pequeno diante da genialidade desse disco. 

O Social Distortion sempre teve muita influência de country no seu som, muita mesmo, mas nesse álbum essas influências não disseram presente, e o que se ouve aqui é um punk maduro, arrastado, triste e com letras profundas. Letras falando de amor sim, mas nunca soando piegas. Só alguém que já morreu não se emociona com músicas como “Dear Lover”, “Through His Eyes” e “Untittled”. “Don´t Drag Me Down” é mais rápida, destoando um pouco do resto do disco. Baita música, que começa apenas com o baixo e a bateria para depois a guitarra entrar rasgando tudo e também tem uma letra de foder. Aliás, eu poderia ficar citando alguns trechos aqui pra ilustrar melhor esse comentário, mas com certeza faria injustiça se não citasse TODAS as letras de TODAS as músicas, já que o disco é perfeito liricamente. 

Como curiosidade, eles fizeram um cover para “Under My Thumb” dos Rolling Stones, que ficou como faixa escondida (como se ninguém descobrisse essas faixas escondidas que lançam). 

Um dos melhores discos que escutei na vida. Recomendo que todo mundo dê uma chance a esse álbum.


19 de nov de 2008

Paul Stanley – One Live Kiss

quarta-feira, novembro 19, 2008

Por Rafael Carnovale
Colecionador e Crítico Musical
Collector´s Room
Whiplash

Nota: 8

Site oficial:
http://www.paulstanley.com

Paul Stanley (aka Stanley Harvey Eisen) é a voz do Kiss. O carisma em forma de ser humano, o cara que fala com a platéia, e mais importante, talvez o único ser do universo que seja capaz de mandar Gene Simmons tomar no meio do cu e ser respeitado. Só isso já bastaria para qualificá-lo como um dos maiores
frontmen do rock de ontem e hoje.

Mas o cara é música pura, e aproveitando um hiato do Kiss desde 1998 ele lançou em 2006 seu segundo álbum solo (e o primeiro de cara "limpa", já que "Paul Stanley" de 1978 foi lançado junto com os demais discos solos dos membros do Kiss), o bom "Live to Win". Não bastasse essa ousadia, Paul saiu em turnê por pequenos clubes norte-americanos, e sua performance no House Of Blues (Chicago) foi registrada neste DVD, que só agora chega a nossas mãos, com o atraso explicado obviamente pela turnê "Alive 35" do Kiss, sua banda principal.

Cercado por uma banda competente e talentosa, Paul destila 20 músicas que abrangem desde os primeiros anos do Kiss até a sua carreira solo. Desde "Live to Win", passando por clássicos dos anos 70 como "Detroit Rock City", o mega-hit "Love Gun", "Got to Choose","Do You Love Me", "Strutter", "I Want You" e "Magic Touch" (pérola de "Dynasty" que nunca foi tocada ao vivo), Paul e banda arrebentam numa casa pequena, mas aconchegante, para um público agitado e excitado em ver um show matador.

Paul está mais contido do que o costume, mas mesmo assim mantém seu carisma intacto, seja fazendo piadas, anunciando sua banda (notem os comentários sobre o guitarrista brazuca Rafael Moreira) ou até mesmo explicando que o show seria composto por músicas que ele ama.

Quem curte o primeiro álbum solo de Paul Stanley também sairá satisfeito ao ver faixas como "Goodbye" (que fecha o show), "Tonight You Belong to Me", "Move On" e "Wouldn´t You Lie to Know Me?". Já os que preferem o Kiss dos anos 80 poderão curtir "Hide Your Heart" (um dos destaques do show), a balada "I Still Love You", a clássica move montanhas "Lick It Up", além da obscura "A Million to One", do mesmo CD. De "Live to Win" Paul executa "Lift", "Everytime I See You Around" (a irmã de "Forever") e a alternativa "Lift". A banda que acompanha Paul mostra-se entrosada e cheia de habilidade, com destaque para o baterista Nate Morton e o brazuca Rafael Moreira, responsável pelas guitarras solo.

Com tantos elogios você pode estar se perguntando por que esse DVD levou apenas nota 8. A explicação é simples: embora o áudio e vídeo estejam ótimos, a edição sofre com os cortes velozes e abruptos de câmeras. Mal você vê uma imagem e já passam três ou quatro pela tela. Para quem gosta de aproveitar os shows tal fato é horrível. Sem contar que não há sequer nenhum extra, pecado digno de tortura numa época em que o DVD pode conter até oito horas de material. Não posso acreditar que a mesma pessoa que esteve envolvida nos sensacionais "Kissology" possa ter deixado este DVD sem sequer um making of ou um extra de bastidores. Bola fora e dois pontos a menos na nota!

No frigir dos ovos Paul mostra que, se depender somente de sua capacidade como músico, o Kiss ainda tem muito a dizer e mostrar, e se não depender dele, sua carreira solo segura muito bem as pontas.

Obrigatório!


Formação:
Paul Stanley – Guitarras e Vocais
Rafael Moreira – Guitarras
Jim Mc Gorman – Guitarras
Sascha – Baixo
Nate Morton – Bateria
Paul Mirkovich – Teclados

Faixas:
Intro
Live To Win
Hide Your Heart
A Million To One
Got To Choose
Move On
Bulletproof
Tonight You Belong To Me
Lick It Up
Wouldn´t You Lie To Know Me?
Magic Touch
I Still Love You
Strutter
Every Time I See You Around
Do You Love Me?
I Want You
Love Gun
Lift
Detroit Rock City
Good Bye
End Credits

2008 – Universal (IMPORTADO)

Rafael Carnovale resenha "Black Ice" do AC/DC com exclusividade para a Collector´s

quarta-feira, novembro 19, 2008

Eu admiro muito o trabalho do Rafael Carnovale. Somos colegas de Whiplash há anos, e nossas opiniões são parecidas sobre vários assuntos. Vai ver esse seja o motivo de sermos, ele e eu, tão odiados pelos frequentadores dos fóruns do Whip, que não cansam de usar a criatividade para criar elogios para nós, mas isso é assunto para outro dia.

O novo disco do AC/DC, "Black Ice", animou os fãs da banda em todo o mundo, e nada melhor do que um cara como o Carnovale, com um senso crítico apurado e dono de um texto repleto de personalidade, para escrever sobre o álbum. E mais: essa resenha é exclusiva aqui da Collector´s. 

Por Rafael Carnovale
Colecionador e Crítico Musical
Whiplash

Nota: 8

O melhor trabalho desde "Back in Black"? Definitivamente não é ...

A melhor coisa desde "For Those About to Rock ... We Salute You"? Não é mesmo ...

Quando muito este CD é superior a "Ballbreaker" e "Stiff Upper Lip".

Então fica a pergunta: o que faz este trabalho novo do AC/DC (o primeiro em oito anos) ser tão legal e tão comemorado pelos fãs?  Vamos responder juntamente com um breve comentário sobre este CD.Primeiramente devemos dizer que este hiato de oito anos fez com que os irmãos Young trouxessem pelo menos quinze músicas para o trabalho, e a maioria bem acima da média. Duvida? Escute a abertura com "Rock and Roll Train": guitarras explodindo com vigor, o vocal de Brian Johnson ecoando com gosto e alegria e uma cozinha competentíssima. 

Logo depois somos brindados com dois petardos focados no blues: "Skies on Fire" e "Big Jack". Este é o AC/DC tentando soar como se estivéssemos em 1978. Mas como já passamos do novo milênio sobra espaço para duas cacetadas: a mágica "Anything Goes" e a ótima "War Machine", candidatas ao seleto grupo de músicas do AC/DC que você deve ouvir antes de morrer (curiosidade: nos anos 90 só "Thunderstruck" e "Hard as a Rock" obtiveram esse privilégio).

O grande problema de "Black Ice" é o excesso de faixas. Apesar de boas, em alguns momentos sua audição soa como se Angus e Malcolm Young estivessem compondo sem pelo menos uma seleção mais apurada. Isto faz com que "Smash ´N Grab", "Wheels", "Decibel" e "Money Made" sejam apenas razoáveis, ocupando espaço desnecessariamente. Mas o AC/DC ainda é aquela banda que faz abrir sorrisos, e a lenta "Rock and Roll Dream" e a rockeira "Rocking All the Way" compensam todo o tempo perdido com uma banda inspirada, que detona nossos ouvidos e faz com que a audição deste trabalho seja altamente prazerosa.

Some a tudo isso a ótima fase do vocalista Brian Johnson, a cozinha simples, mas correta, precisa e certeira de Cliff Williams e Phil Rudd e a produção redondinha de Brendan O´Brien como pontos positivos, e o resultado é um trabalho acima da média, com mais acertos do que erros, e isso em se tratando de uma banda com mais de trinta anos de carreira é algo para se louvar.



Faixas:
1. Rock N Roll Train - 4:22
2. Skies on Fire - 3:34
3. Big Jack - 3:57
4. Anything Goes - 3:22
5. War Machine - 3:10
6. Smash N Grab - 4:06
7. Spoilin' for a Fight - 3:17
8. Wheels - 3:28
9. Decibel - 3:34
10. Stormy May Day - 3:10
11. She Likes Rock N Roll - 3:53
12. Money Made - 4:15
13. Rock N Roll Dream - 4:41
14. Rocking all the Way - 3:22
15. Black Ice - 3:25


Saindo da Sarjeta: A Autobiografia de Charles Mingus

quarta-feira, novembro 19, 2008

Por Fábio Pires
Colecionador e Pesquisador Musical
Collector´s Room
Música como Arte

A obra de Charles Mingus (1924-1979) e sua vida de músico de jazz é relatada nesse ótimo livro da Jorge Zahar Editora, traduzida por Roberto Muggiati. 

Mingus, desde sua vida sofrida na infância até os conflitos existenciais na vida adulta, expõe suas mazelas e suas dores nessa obra escrita por ele próprio. Numa infância de traumas em Los Angeles o artista narra desde suas aventuras amorosas, ainda criança, até sua auto-internação em Nova Iorque. 

Um dos contrabaixistas mais famosos da história do jazz, senão o mais, Mingus tocou com figuras como Louis Armstrong, Duke Ellington, Charlie Parker e Miles Davis. Ficou mais notório tocando com músicos bem menos famosos, mas que o ajudaram à expor seu talento no nobre segmento da música jazz. 


Ler essa obra não foi fácil. Dolorida, amarga, tenebrosa em certos momentos. Mingus buscou na psicanálise a solução de seus problemas de vida. Morreu de atrofia, quase dez anos depois de publicá-la, colaborando ainda mais com as tragédias de vida de músicos de jazz, que parecem tão comuns.

Recomendo a leitura aos bons amantes da música.


18 de nov de 2008

Discos raros e obscuros do hard rock setentista

terça-feira, novembro 18, 2008

Ricardo Seelig
Colecionador

Com todo colecionador, gosto de ir fundo na carreira de grupos e estilos que gosto. Isso envolve curiosidade e pesquisa constante, o que, na boa, é um imenso prazer.

Dito isso, quero dividir com vocês um de meus projetos pessoais. O blog Why Dontcha, onde disponibilizo discos para download, nasceu da minha busca por obscuridades do hard setentista. Discos que eu encontrava e que nunca havia ouvido falar, colocava lá para dividir com mais ouvintes.


Para encontrar esses grupos, o site Rate Your Music foi fundamental. Ele foi um ferramenta essencial na busca de bandas perdidas nas sombras da década de 70, muitas delas com apenas um único, e raríssimo, álbum lançado. 

Essa pesquisa foi ficando cada vez mais séria e profunda, e resolvi publicá-la no próprio RYM. Criei algumas regras: apenas um disco para cada grupo, e todo o álbum que entrava precisava ter um review com informações a respeito do conjunto. 


O resultado são 430 discos listados, de 430 grupos diferentes, todos devidamente resenhados, seja por eu mesmo ou por outros usuários do RYM. Estou disponibilizando esse trabalho aqui no blog porque ele é um ótimo guia para quem busca raridades do hard rock 70. 

Essa pesquisa não tem um final definido, continuarei procurando e listando álbuns obscuros daquela década, e conto com cada um de vocês para que esse trabalho esteja cada vez mais completo.

Então, cliquem aqui e divirtam-se com esse passatempo que me deu muito prazer e proporcionou descobertas sonoras maravilhosas.




Discografia Comentada: Mountain

terça-feira, novembro 18, 2008

Nosso colaborador Bento Araújo, editor da poeira Zine e um dos maiores especialistas em rock clássico do Brasil, destrincha a discografia de um dos mais importantes e influentes grupos da história do hard rock, o Mountain. Liderado pelo lendário vocalista e guitarrista Leslie West, o Mountain foi um dos primeiros power trios do rock, e sua importância e relevância para o gênero está no mesmo patamar de nomes mais festejados como o Cream, por exemplo. Só por aí já dá pra sentir do que estamos falando, não é mesmo?

Então pegue a sua caneta, anote as dicas e vá agora mesmo atrás desses discos. Uma coisa é certa: você não vai se arrepender!!!

Por Bento Araújo
Jornalista e Editor da poeira Zine


Leslie West - Mountain (1969) ****

O primeiro disco solo de Leslie West até hoje é considerado por muitos fãs como o primeiro disco do Mountain. O próprio grupo coloca em seu site oficial esse álbum como sendo seu primeiro registro. Já o conceituado site All Music Guide não considera esse disco na discografia da banda, já que o grupo foi batizado de Mountain somente após esse lançamento. Discussões à parte, é impossível começar a comentar a discografia do Mountain e não falar desse álbum.

"Blood of the Sun" e "Dreams of Milk & Honey" são hinos do rock pesado, mostrando que a escola do Cream daria muito o que falar na década que estava surgindo. West já se mostrava um fenômeno de timbre inigualável durante todo o álbum. A sutileza e musicalidade de Felix Pappalardi aparece em temas magistrais como "Long Red", "Because You Are My Friend" (essa, na verdade, uma antiga composição acústica de West) e "Storyteller Man" (influência certa para os Faces). 

"Blind Man" é blues como o Cream fazia, "This Wheel's On Fire" é uma versão atordoada para o clássico de Bob Dylan e Rick Danko, "Look to the Wind" trazia as características orquestrações de Pappalardi e "Southbound Train" é a famosa música que o Mountain imortalizou em Woodstock.


Climbing (1970) *****

Sem dúvida nenhuma o melhor disco do Mountain. Agora como uma banda de verdade, o grupo liderado por Leslie West e Felix Pappalardi vinha com um álbum perfeito, trazendo nove canções que se tornaram "cartilha" para quem quisesse se aventurar no rock pesado dali pra frente. O que dizer de um disco que abre com "Mississipi Queen", um dos clássicos da história do rock? O mínimo que pode se fazer é o ouvir o disco no volume máximo, como recomendava a banda na contracapa do LP: "this record was made to be played loud".

"Theme for an Imaginary Western" recebe uma interpretação emocionada de Pappalardi. A composição de Jack Bruce e Pete Brown se tornou um marco na carreira do grupo, pois era uma espécie de apadrinhamento do Cream, uma carta branca aprovando o Mountain para beber à vontade nas influências do grupo inglês. Era a retribuição de Bruce e Brown ao amigo Pappalardi, que tanto tinha trabalhado pelo Cream. Falando neles, "The Laird" é claramente influência direta do trio inglês.

"Never in My Life" e "Sittin' on a Rainbow" têm riffs cavalares de West dobrados pelo baixo de Pappalardi, o que oferece um peso extra nas composições, que já eram fortes por natureza. "Silver Paper" é uma pequena obra-prima misturando psicodelia e peso com uma letra totalmente hipponga. "For Yasgur's Farm" é uma das mais belas homenagens a Woodstock feita por uma banda que lá tocou (Joni Mitchell fez também sua homenagem, mas não tocou lá ...)

A guitarra de West tem em Climbing seu ápice. Um som único, como o da faixa instrumental "To My Friend" e no encerramento com "Boys in the Band".


Nantucket Sleighride (1971) ****1/2

Vindo no mesmo pique de "Climbing", o Mountain registrou outro clássico do hard setentista em "Nantucket Sleighride". Gail Collins, esposa de Felix Pappalardi, surge como figura de suma importância para a banda, cuidando de toda a parte gráfica e também das letras.

Novamente o Mountain desfila com categoria temas pesados como "Don't Look Around", "You Can't Get Away", "The Animal Trainer and the Toad", "Travellin' in the Dark", e impressiona também nas nuances mais sutis, como em "Tired Angels" (uma homenagem a Hendrix, falecido no ano anterior) e "My Lady" (faixa mostrando reminescências do período folk de Pappalardi no Village de NY). Um dos melhores momentos do grupo está na dobradinha "Taunta (Sammy's Tune)"/ "Nantucket Sleighride", um épico contando um pouco da história da América que mostra toda a genialidade da dupla Pappalardi e West.


Flowers of Evil (1971) ***1/2

Álbum que marca o final do período mais criativo da banda em estúdio, mostrando que dali pra frente as apresentações ao vivo seriam prioridade e palco das mais malucas improvisações possíveis.O lado de estúdio traz temas como o rock empolgante da faixa título, a tristeza e melancolia instrumental de "King's Chorale", a levada irresistivelmente pesada de "Crossroader" e o clima erudito de "Pride and Passion". Na parte ao vivo o destaque é o "Dream Sequence", um medley de 25 minutos com muitos improvisos e uma versão matadora de "Mississipi Queen". Tudo devidamente registrado no fechamento do lendário Fillmore East.


Live - The Road Goes Ever On (1972) ****

Lançamento póstumo, realizado quando a banda encerrou suas atividades pela primeira vez em 1972. Apenas quatro faixas aparecem: "Long Red", "Waiting to Take You Away" (composição inédita da banda), "Crossroader" e uma versão de 17 minutos para "Nantucket Sleighride" que tomava todo o lado B do vinil.


Twin Peaks (1974) ***1/2

Mais um ao vivo, registro que marcou a volta da banda em 1973. A tour japonesa merecia um souvenir à altura da histeria dos fãs locais, e então foi lançado esse álbum gravado no Koseinenkin Hall em Osaka.O vinil duplo trazia versões interessantes para clássicos como "Never in My Life", "Mississipi Queen", "Silver Paper" e "Theme for an Imaginary Western". Nos improvisos o Mountain se supera e registra uma versão de 32 minutos (!) para a épica "Nantucket Sleighride". No vinil a faixa era dividida em duas partes, que tomavam os dois lados de um disco. Infelizmente a voz de Felix Pappalardi já não mostrava a mesma garra dos primeiros dias, tudo isso somado ainda a ausência significativa de Corky Laing, que não pôde fazer essa tour pelo Japão devido a problemas de saúde.


Avalanche (1974) ****

Depois de dois discos ao vivo o Mountain estava louco para voltar às gravações em estúdio. "Avalanche" é uma tentativa de retorno aos dias inspirados de "Climbing". Mais voltado para a guitarra de Leslie West, o rock rola solto com as versões de "Whole Lotta Shakin' Goig On" e "Satisfaction". Pappalardi voltava afiado e compondo muito, como em "Sister Justice", "Swamp Boy" (e sua introdução bacana), "Thumbsucker" e "Last of the Sunshine Days". "Alisan" era mais uma bela peça instrumental de West, nos moldes de "To My Friend" que aparecia em "Climbing". "You Better Believe It" mostra o quanto faz diferença ter Corky Laing de novo na bateria e "I Love to See You Fly" tem algo de Led Zeppelin.


Go For Your Life (1985) **

Contando com Mark Clarke (ex-Tempest e Uriah Heep) no baixo, o Mountain mostrou estar meio perdido após a morte trágica de Felix Pappalardi. Temas sem inspiração como "Hard Times" (que mereceu um clipe medonho na época), "Spark" e "Bardot Damage" mostravam que o grupo queria soar como um ZZ Top ou um Kiss, bandas de sucesso nos anos 70 e que continuaram vendendo muitos discos nos 80, o que não foi o caso do Mountain. Títulos como "She Loves Her Rock (And She Loves It Hard)", "I Love Young Girls" e "Makin' It in Your Car" falam por si mesmo e demonstram os interesses do pessoal na época ...


Over The Top (1995) *****

Coletânea dupla com muito material clássico da primeira fase do Mountain. Os discos "Climbing" e "Nantucket Sleighride" aparecem quase na íntegra, mas o bacana é uma versão inédita, registrada ao vivo, para "Stormy Monday" com quase 20 minutos de duração. De quebra a coletânea traz duas faixas inéditas contando com Noel Redding no baixo: "Talking to the Angels" e "Solution".


Man's World (1996) ***

Como não rolou a volta com Noel Redding o jeito foi convocar Mark Clarke de volta para encarar agora a década de noventa. Bem superior ao Mountain dos anos 80, essa versão mostrava estar de bem com a vida em músicas como "In Your Face", "Noboddy Gonna Steal My Thunder", "Man's World" (uma versão para "It's a Man's Man's World" de James Brown, também regravada pelo Grand Funk Railroad nos anos oitenta) e "I Look".

Mystic Fire (2002) ***

O Mountain do século XXI vem com Ritchie Scarlett no baixo e mostra um peso extra em todas as composições, principalmente na releitura para o clássico "Nantucket Sleighride". O disco abre com a pesada "Immortal", trazendo vocais quase guturais de Leslie. Na seqüência a faixa-título, a melhor do disco por sinal. A regravação de "Fever" (aquela que ficou famosa com o rei Elvis) é bem interessante, e, convenhamos, é engraçado imaginar Leslie dando uma de sexy com todo aquele tamanho!


Nota do editor: o Mountain lançou ainda o álbum "Masters of War" (***1/2) em 2007, que manteve a chama da banda viva. 


Aos interessados por raridades setentistas, o grupo está disponibilizando uma série de shows em uma séria chamada "Official Live Mountain Bootleg Series". Já são mais de uma dezena de apresentações, a maioria da primeira metade dos anos setenta. Entre os CDs, os melhores até agora são o "Volume 6: Capitol Theater, Passaic, New Jersey, 28 December 1974", o "Volume 7: Woodstock Festival / New Canaan H.S. 1969" e o "Volume 14: New Year Concert 1971".


E, fechando com chave de ouro, em 2008 foi lançado um box com oito discos, indo de "Mountain" até "Avalanche", que é recomendadíssimo para quem quer ter o melhor desse sensacional grupo.




17 de nov de 2008

Vídeos de lojas de discos: Big Papa Records - São Paulo

segunda-feira, novembro 17, 2008



Ricardo Seelig
Colecionador

Estreando mais uma sessão aqui na Collector´s. Como o nome já entrega, vamos mostrar vídeos de lojas de discos ao redor do mundo. Não, eu não viajei o planeta com uma câmera embaixo do braço e visitei todas as lojas. Confesso que seria uma jornada inesquecível, mas infelizmente ainda não fiz isso.

Os vídeo que vamos mostrar aqui foram garimpados por mim no YouTube. Confesso que não passo um dia sem pesquisar alguma coisa relativa à música, e por isso acabo montando um acervo de materiais que julgo interessantes. Alguns deles são esses vídeos que vou disponibilizar aqui.

Começamos com uma das lojas mais legais de São Paulo, e que abriu há relativamente pouco tempo. A Big Papa Records é comandada por um cubano que vivia em Miami, o Señor Carlos Suarez, e sua esposa Katia. Especializada em vinis importados, toda sexta-feira a loja promove animados happy hours com a presença frequente do bluesman André Christovam fazendo um pocket show acompanhado de amigos. Além de boa música, esses encontros são marcados também por promoções do Big Papa, com vinis quentinhos que acabaram de chegar em promoções especiais.

Tá dada a dica. Anote o endereço e visite a Big Papa que o prazer será garantido:

Big Papa Records
Rua Sete de Abril, 154
Galeria Nova Barão
Rua Alta - Loja 30
Centro - São Paulo
Tel.: (11) 3237-0176
e-mail: bigpaparecords@aol.com


Iron Maiden de volta ao Brasil em março de 2009

segunda-feira, novembro 17, 2008

Ricardo Seelig
Colecionador

O site oficial do Iron Maiden anunciou que o braço final da "Somewhere Back in Time World Tour" passará novamente pela América do Sul em março de 2009. Ainda não foram confirmadas datas nem locais dos shows, mas certamente o grupo voltará ao Brasil, afinal somos um dos maiores mercados para a banda em todo o mundo.

Ao que parece, dessa vez a Donzela trará o show completo, com toda a produção apresentada na Europa, além de incluir no set list alguns sons tocados na tour do DVD "The Early Days", focada apenas nos quatro primeiros discos ("Iron Maiden", "Killers", "The Number of the Beast" e "Piece of Mind").

Fui ao show em Curitiba em março de 2008 e foi um dos melhores momentos da minha vida. Foi a primeira vez que vi o Maiden ao vivo, e foi inesquecível. Se essa tour se confirmar, tentarei ir novamente, porque vale muito a pena.

Quem souber de mais informações, por favor poste nos comentários e nos avise.

Abração, e up the irons!!!


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