4 de dez de 2008

Roadie Crew #119

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Nova edição da excelente revista Roadie Crew nas bancas. Dessa vez a capa traz o clássico grupo inglês Jethro Tull, com uma entrevista com Mr Ian Anderson.

Além disso, entrevistas com Queensrÿche, Cradle of Filth, Izzy Stradlin, Ministry, Mike Patton, Ação Direta, Insaintification, Mortaes, Inmoria, Gypsy Rose e Keep Of Kalessin; a primeira parte do Background do Centúrias; Blind Ear com Zoltán Farkas, do Ektomorf; Roadie Profile com Paulo Xisto, do Sepultura; Eternal Idols para André Boragina, do Fates Propechy; Roadie Collection do Exodus; poster do clássico álbum "Rust in Peace", do Megadeth; Hidden Tracks do Inox; Live Evils para Carcass, Cataratas Underground Festival, Desaster, Judas Priest, Mayhem, Mötley Crüe, Nightwish, Paradise Lost e Symphony X; ClassiCrew para os álbuns "Heaven Tonight" do Cheap Trick e "Seventh Son of a Seventh Son" do Iron Maiden; ClassiCover com o Angra, para a versão de "Wuthering Heights" de Kate Bush; e as demais seções tradicionais da revista.


Fiquei surpreso com a capa para o Jethro, não imaginava isso. Na minha opinião um ponto muito positivo, semelhante à capa dada ao Yes há algum tempo atrás. Mas, na verdade, para mim o maior destaque dessa nova edição é a quantidade de matérias dedicadas a grupos nacionais que fizeram história na música pesada do nosso país, como Centúrias, Sepultura, Fates Prophecy, Angra e Inox.

Ainda não li a revista, mas já deu pra sentir que o Batalha, o Sarkis e toda a turma do Roadie Crew mantiveram o alto nível de sempre.

E você, o que achou dessa edição?

Ray Charles, um gênio no Brasil

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Por Fábio Pires
Colecionador e Pesquisador Musical
Música como Arte

Para quem gosta de boa música, principalmente se essa vier de um pianista cego chamado Ray Charles, segue aqui uma pequena lista com algumas dicas de boas apresentações em DVD. Se você quiser presentear alguém nesse Natal (
nota do editor: nem que seja você mesmo), vai a apresentação do mestre do rhythm & blues em nosso país.

"Ô-Genio: Ray Charles Live in Brazil, 1963", traz um belo show do mestre do r&b. Numa apresentação bem direta ao público brasileiro em São Paulo, o mestre revela seu talento como pianista. Eficaz e sempre carismático, Ray Charles provava porque já era um dos grandes da fase pré-Beatles, com sua enorme influência também naquilo que viria a ser a Invasão Britânica em seu país de origem. 

Com a transmissão da TV brasileira (incluindo comercias da época), as canções de Charles revelavam-se à nós de uma forma bem simples e sem a pompa de uma transmissão norte-americana, por exemplo. São dois shows com composições que vão desde "You Are My Sunshine" (aquela mesmo), "You Don't Know Me", "I Can't Stop Loving You" e a grande "Hallelujah I Love Her So". 

Digo aqui que é uma apresentação única em território brasileiro, de qualidade altíssima, no auge da carreira do mestre. Imperdível!

"Judgement Night": quando a trilha é mais importante que o filme

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Por Marcello Vieira
Colecionador
Collector´s Room

Parece que foi ontem, mas já se passaram quinze anos que uma trilha sonora agitou o panorama musical americano. "Judgement Night" é a trilha em questão. Dando seqüência ao flerte entre o rock e o rap, iniciado com o Aerosmith e Run DMC em "Walk This Way", seguido pelo Beastie Boys com a participação de Kerry King (Slayer) em "No Sleep ´Till Brooklin", e posteriormente tendo o Anthrax junto ao Public Enemy em "Bring the Noise", a trilha sonora de "Judgement Night" foi lançada para definitivamente derrubar as barreiras ainda existentes entre estes dois estilos. 

A idéia básica era reunir em cada uma de suas dez faixas (onze no CD) uma banda de rock com um grupo de rap, criando um clima urbano e tenso, que daria ênfase às inúmeras cenas de violência mostradas no decorrer da história. Na verdade, o filme "Judgement Night", aqui lançado sob o nome “Uma Jogada do Destino”, passou meio que desapercebido pelos cinemas, porém sua revolucionária trilha sonora, com nomes como Slayer, Faith No More, Ice-T, Helmet, House of Pain, Sonic Youth e Cypress Hill, jamais poderia passar batida.

A trilha, faixa a faixa:

1. Helmet e House of Pain - Just Another Victim: a primeira parte prevalece com os pesados riffs de guitarra do Helmet direcionando a música, que num segundo momento dá uma virada onde o hip-hop do House of Pain ganha espaço para finalizar a faixa

2.
Teenage Fanclub e De La Soul - Fallin´: faixa mais acessível do disco, "Fallin´" é um dos poucos momentos relax do álbum, onde o som suave e singelo do Teenage Fanclub casou perfeitamente bem ao swing do De La Soul

3.
Living Colour e Run D.M.C - Me, Myself & My Microphone: mais uma vez o Run D.M.C. junta forças com uma banda de rock. A bola da vez agora é o Living Colour, que originalmente já traz muitas influências de black music em seu som. Ao escutar a faixa em questão podemos jurar tratar-se de uma única banda tocando, tamanha a integração conseguida entre ambas

4.
Biohazard e Onyx - Judgement Night: a união entre Biohazard e Onyx resultou na faixa-título, onde batidas quebradas e vocais nervosos são a tônica da música

5.
Slayer e Ice-T - Disorder: grande destaque do álbum e também a faixa mais pesada e rápida, "Disorder" é na verdade uma compilação de algumas músicas do Exploited. Aqui o rapper Ice-T, que já mostrava uma aproximação com o metal em seu recém criado Body Count, foi acompanhado pelo ritmo insano do Slayer

6.
Faith No More e Boo-Yaa Tribe - Another Body Murdered: melodias típicas do Faith No More se unem aos vocais rapeados dos “gigantes” irmãos do Boo Yaa Tribe

7.
Sonic Youth e Cypress Hill - I Love You Mary Jane: o instrumental cadenciado e experimental dessa faixa se encaixa perfeitamente bem a uma alternância de vozes minimalistas e os vocais típicos do Cypress Hill

8.
Mudhoney e Sir Mix-A-Lot - Freak Momma: Mudhoney e o rapper também originário de Seattle, Sir Mix-A-Lot, proporcionam o momento mais descontraído do disco, onde há um clima festivo recheado de guitarras estilo surf music

9. Dinosaur Jr e Del The Funky Homosapien - Missing Link: faixa onde predomina o rock alternativo do Dinosaur Jr com leves intervenções do Del The Funky

10.
Therapy e Fatal - Come and Die: o peso volta nesta faixa que é de certo modo repetitiva. Sem grandes atrativos

11. Pearl Jam e Cypress Hill - Real Thing: aparece apenas na versão em CD do álbum. É uma música que não tem absolutamente nada de Pearl Jam. As características do Cypress Hill prevalecem no decorrer da faixa



O Fantástico Mundo dos Instrumentos: O EBow

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Por Flávio Ottoni
Colecionador

Lembro-me do solo final da música "Casa" de Lulu Santos. A guitarra tem um timbre diferente, passando a impressão que se adicionou um outro instrumento ao seu som característico (talvez um violino). Mas qual é o recurso utilizado para se chegar a esse som encorpado, mesclado e diferente?

É o EBow (Electronic Bow ou Energy Bow), um arco manual elétrico movido à bateria que confere ao som da guitarra (principalmente) sons característicos de violino, flauta e outros instrumentos. Eletrônico porque gera um campo eletromagnético que vibra as cordas do instrumento, e assim produz um som que lembra o uso de um arco em suas cordas. Ele emite uma luz azul para orientar o instrumentista no posicionamento das cordas. 


O EBow foi inventado por Greg Heet em 1969. Sua capacidade em produzir arpejos com sons mais diferenciados, únicos e densos fez com que esse aparelho fosse muito utilizado nos anos setenta (em larga escala no rock progressivo) e nas décadas seguintes. Hoje em dia, muitos músicos se utilizam desse recurso.

Bill Nelson (compositor e guitarrista) foi um dos pioneiros no uso do
EBow, apresentando a novidade para o escocês Stuat Adamson (líder das bandas The Skids e Big Country). O líder do Big Country utilizou massivamente esse aparelho nas texturas sonoras da banda, que fazia um som pop misturado com influências celtas e partes instrumentais densas (guiadas por gaita de foles e outros instrumentos típicos). 


Outro guitarrista que utiliza essa máquina é Steve Hackett, cujo melhor exemplo de utilização está na melodia viajante e hipnótica de "Carpet Crawlers" do álbum "The Lamb Lies Down on Broadway", do Genesis. Donald "Burk Dharma" Roeser do Blue Oyster Cult utiliza o EBow para enriquecer o som épico e pesado dessa banda conhecida pelas suas letras de sci-fi

Voltando à Grã-Bretanha, o guitarrista The Edge, do U2, usou muito o aparelho no sensacional disco "The Unforgettable Fire", que é um clássico da banda com seus temas épicos, climáticos e líricos produzidos por Brian Eno, e também na introdução da canção "With or Without You", do disco "The Joshua Tree". Continuando no pop, o R.E.M. utilizou o EBow em várias de suas canções, homenageando o dito cujo em uma delas: "E-bow the Letter". 


No rock progressivo, essa maquininha foi utilizada por inúmeros grupos e teve um dos usos mais belos e criativos no álbum "The Sentinel", da banda escocesa Pallas, para enriquecer musicalmente a épica história de Atlantis sendo destruída por uma guerra (uma fábula para aquela época de Guerra Fria).

Apesar do
EBow ser mais eficiente quando utilizado na guitarra, ele pode ser também usado no violão acústico, mesmo com as limitações de espaço e densidade das cordas. Um bom exemplo foi o uso desse aparelho pelo Pink Floyd na canção "Take it back", do álbum "The Division Bell",  imprimindo um tom rico de flauta e clarinete.
Baixos com cordas mais finas podem também se valer do
EBow.

Esse aparelho também já foi utilizado por músicos de jazz e de músicas experimentais e eletrônicas, como John Cage, Terje Rypdal
(foto abaixo) e outros.

3 de dez de 2008

Tem que ter: Cólera - Pela Paz em Todo Mundo (1985)

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Por Marcello Vieira
Colecionador
Collector´s Room

Um disco de clássicos do punk rock nacional. Esta é a melhor forma de definir "Pela Paz em Todo Mundo".

Gravado em 85, após a banda ter participado de importantes coletâneas como "Grito Suburbano", "O Começo do Fim do Mundo" e "Sub", e ter sua estréia individual em "Tente Mudar o Amanhã" (1984), "Pela Paz em Todo Mundo" logo se tornou um disco fundamental para o
underground brasileiro. Guitarras nervosas, acompanhadas de uma cozinha rápida e precisa, casam perfeitamente com o principal atrativo do disco: as letras de cunho pacifista e realistas que o Cólera sabe escrever como poucos. 

Lançado originalmente pela gravadora Ataque Frontal, o álbum chegou às lojas com um belo e cuidadoso encarte, onde, além das letras originais em português, também houve a iniciativa de publicá-las em inglês, juntamente com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e um conscientizador texto sobre o século XX. Destacar músicas é impossível, tamanha a homogeneidade existente entre elas, que logo tornaram-se clássicos indiscutíveis para o estilo.

Vale lembrar que como consequência de "Pela Paz em Todo Mundo" o Cólera acabou sendo a primeira banda
underground brasileira a fazer uma turnê pela Europa, realizando 56 shows em dez países num período de cinco meses.


Faixas:
1. Medo
2. Funcionários
3. Somos Vivos
4. Alternar
5. Multidões
6. Direitos Humanos
7. Guerrear
8. Vivo na Cidade
9. Humanidade
10. Alucinado
11. Continência
12. Não Fome!
13. Adolescente
14. Em Setembro
15. Senhor Dirigente
16. Dê o Fora
17. Vida Desgraçada


2 de dez de 2008

B.B. King ganha museu sobre sua carreira

terça-feira, dezembro 02, 2008

Ricardo Seelig
Colecionador

O lendário Riley B. King, conhecido em todo o mundo como B.B. King, agora tem um museu dedicado a sua carreira. 

O projeto nasceu de uma idéia do próprio músico, que comprou alguns lotes de terra em Indianola, no estado do Mississipi, e decidiu construir uma casa que se transformaria em uma espécie de museu após a sua morte.


Acontece que os amigos mais chegados de B.B. sugeriram que ele colocasse o projeto em andamento imediatamente, para que o museu contasse a sua história com ele ainda por perto. Assim nasceu o B.B. King Museum and Delta Interpretive Center, que traz instrumentos, discos, objetos pessoais da vida do mítico vocalista e guitarrista, um dos músicos mais conhecidos e influentes da história do blues. 

Além disso, o museu, que consumiu 15 milhões de dólares para ser construído, contará com um estúdio interativo da Gibson, um centro de educação e um teatro com capacidade para cinquenta pessoas, com telões de alta definição onde serão mostradas mais de 100 horas de imagens raras de B.B. King. A expectativa é que aproximadamente 40 mil pessoas visitem o museu todos os anos.

Muito interessante. De nada adiante homenagear um músico depois de sua morte, a reverência deve ser feita em vida, como está sendo feito com B.B. King.


Entrevista exclusiva: Jefferson Gonçalves - Talentoso gaitista produz blues com sotaque brasileiro

terça-feira, dezembro 02, 2008

Por Ugo Medeiros
Colecionador e Jornalista

Destaque nos festivais de blues e jazz pelo Brasil, Jefferson Gonçalves mostra que é possível rechear as blue notes com pitadas tipicamente brasileiras. Influenciado por nomes como Luis Gonzaga e Cabaçais, o gaitista esbanja talento em seus três trabalhos solo. O último CD, "Ar Puro" (Blues Time Records), lançado neste ano, é uma aula de ritmo aos amantes de música.

Se você ainda não conhece Jefferson Gonçalves, eis uma grande dica. Sem sombra de dúvidas o bluesman pode ser colocado na lista dos grandes músicos tupiniquins.

Ugo Medeiros – Você sempre tocou gaita?

Jefferson Gonçalves – Eu só sei tocar gaita. Gosto de outros instrumentos de sopro, como flauta e pife, mas apenas toco gaita.

Quando começou esta atração pela gaita?

Sempre gostei desde novo. Escutava Bob Dylan, Neil Young e Jethro Tull. Sempre fui ligado ao rock and roll, ao folk e até à música nordestina (gostava muito de Cabaçal). Mas quando tive coragem de comprar o meu primeiro instrumento, foi a gaita. Comecei a tocar aos 20 anos, mas gosto de música desde os meus 10 anos de idade.

O Charles Musselwhite é uma grande influência na sua formação musical?

Eu gosto da sua música, mas não é a minha influência como gaitista. Já escutei muito o trabalho dele, mas eu não tenho muito do estilo do Musselwhite. As minhas maiores influências na gaita diatônica foram Little Walter e Sonny Terry, e na cromática Toots Thielemans e Maurício Einhorn, além de muita coisa de bandas de pífano.

Você fez parte de uma banda que fez história no Rio de Janeiro, o Baseado em Blues. Como você analisa sua participação nessa banda?

O Baseado em Blues foi a minha primeira banda. Na época eu tinha acabado de terminar minhas aulas com o Flávio Guimarães e o Zé da Gaita. Eu arrumei um show para o Zé, então ele me mandou formar uma banda e abrir a apresentação. Assim nasceu o Baseado em Blues. Ficamos 14 anos na estrada rodando o Brasil. Eu era muito inexperiente e fui aprendendo no palco; a banda aprendia junto a como se portar. Aprendemos muito. Foi o grupo que me colocou no mundo da música. Se não fosse pela banda, não estaria dando esta entrevista. Graças ao Baseado em Blues estou no mercado. Infelizmente o grupo acabou porque abriu o mercado para cada um fazer seus trabalhos solos ...


Atualmente a sua carreira solo toma novas vertentes, um som com influências nordestinas, sonoridades regionais. De onde vem isso?

Esta influência veio desde novo. Se você for ver minha discografia, eu tenho de música clássica à blues, música nordestina, banda de pau e corda, banda de pife, etc. Gosto de estudar o ritmo. Sempre procurei tocar gaita percussivamente. A música brasileira, principalmente a nordestina, é uma das mais ricas ritmicamente. Encaixa muito dentro da gaita; é possível pegar muita coisa de sanfona e pife e transportar pra gaita. Comecei a ver uma ligação. Acho que essa mistura está dando certo.

Você tem um projeto paralelo com o Big Joe Manfra, o Blues Etc. Comente.

Gravamos um CD, viajamos quase todo o Brasil. Começamos tocando em bar, de brincadeira. Acabou dando certo e gravamos um disco. O próximo álbum será ligado ao blues mais tradicional, mais acústico.

Você fez uma tour com o Big Gilson na Europa. O estrangeiro está começando a respeitar os bluesmen brasileiros?

Não apenas os músicos de blues, mas de todos os estilos!  Música instrumental logo é associada ao Naná Vasconcelos, Hamilton de Holanda ou Carlos Malta. No mundo da gaita todos falam do Maurício Einhorn. Eles conhecem o Fernando Noronha!  A nossa música não deixa nada a desejar. Temos uma vantagem: o swing e a rítmica. Eles acham legal que a gente não toque aquele blues tradicional. É impossível, temos que tocar da nossa forma, com um toque de swing. Fomos muito bem recebidos. Foi a minha primeira tour pela Europa, gostei muito.


Você faz uma análise positiva ou negativa do cenário de blues brasileiro atual?

O blues, assim como a música instrumental, nunca vai acabar, está sempre resistindo. No Brasil teve altos e baixos desde que eu comecei a tocar. Teve época em que o Rio de Janeiro tinha um forte circuito de blues no Circo Voador. Agora parou um pouco. Há muitos festivais pelo Brasil afora, como o de Rio das Ostras e Guaramiranga. A agenda de blues e instrumental está sempre lotada. Às vezes temos que nos adaptar: viajar com a banda completa, ou tocar em trio ou sozinho mesmo. São poucas as bandas que se mantém, como o Blues Etílicos. É muito difícil manter a formação original. O custo é alto, o que acaba nos obrigando a adequar às exigências do mercado. Mas o blues nunca acabará. Ao contrário, está sempre se renovando, aparecendo caras novas. O festival de Rio das Ostras comprova: está em sua quinta edição, cada vez maior e melhor.

A criação da Blues Time é uma esperança ao blues brasileiro?

É mais um selo que agora está sendo distribuído pela Tratore. Fico feliz, pois está tendo boa aceitação. É uma luta diária, vencendo um leão a cada dia. Um selo pequeno, mas que dá valor ao blues.

Há algumas semanas entrevistei o Celso Blues Boy. Perguntei quem seria o nome de maior destaque da nova geração. Não hesitou em responder que era você. Como sente-se ao escutar isso do mestre do blues brasileiro?

Temos uma relação de amizade muito forte. A primeira vez que toquei no Circo Voador foi na banda dele. O engraçado é que ele não gosta de gaitista, mas gosta de como me encaixo no trabalho dele. Vai ver porque eu também sou vascaíno (risos). É claro que fico lisongeado. Ligarei para ele e agradecerei (risos).



1 de dez de 2008

Entrevista exclusiva: Renato Tribuzy fala sobre o futuro e conta detalhes e curiosidades sobre "Execution"

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Lançado em 2005, "Execution" pode ser considerado, sem exageros, um dos grandes álbuns da história do heavy metal nacional, tanto pela qualidade de suas composições quanto pelas inacreditáveis participações especiais que seu mentor, Renato Tribuzy, conseguiu reunir. 

Bruce Dickinson, Michael Kiske, Kiko Loureiro, Ralf Scheepers, Mat Sinner, Roland Grapow, Roy Z, enfim, o disco traz um verdadeiro dream team do heavy metal mundial, e levou o nome de jovem e talentoso músico carioca a ser destaque em todo o mundo.

Batemos um longo papo com Renato sobre as curiosidades da produção de um projeto como "Execution", sua carreira como músico e produtor e os preparativos sobre o novo álbum do Tribuzy, que deve chegar às lojas em 2009.

Confira!


Renato, passados três anos do lançamento de "Execution", que avaliação você faz do álbum?

Renato Tribuzy: Posso dizer que ele conseguiu atingir tudo que eu esperava. Vejo pessoas de vários países comentando o valor e a importância deste álbum, e isso foi um reflexo bem claro na quantidade de cópias que ele vendeu no mundo todo, então acredito que atingi meu objetivo. O "Execution" foi um trabalho que me possibilitou conhecer grandes ídolos e que hoje são grandes amigos, me abriu muitas portas, passou mensagens de protesto mas de uma forma positiva. Foi um enorme sucesso de vendas e, mais importante, não soa datado, ele sempre será o "Execution", mesmo daqui a alguns anos. Definitivamente é um álbum o qual vou me orgulhar para o resto da vida.

A participação de vários nomes do heavy metal mundial abriu muitas portas no exterior para você e sua banda?

Claro, isso já era esperado, mas o que eu não esperava foi o que veio após o lançamento do álbum. Todas as entrevistas para Alemanha, Rússia, USA, Japão e assim por diante citavam o fato das participações, mas ressaltavam o fato do disco ser tão bom que, segundo eles, não precisava das participações (risos). Isso para mim era muito legal, mas o importante foi que eu não convidei todo esse pessoal por convidar, eu simplesmente consegui realizar um sonho de moleque, então para mim o "Execution" jamais teria sido o "Execution" sem essas participações, pois o fato de ter toda essa galera no trabalho transformou esse disco, para mim, em muito mais do que simplesmente um álbum e sim na realização do sonho de um moleque que amava heavy metal e que tinha uma banda.

Em que países o disco conseguiu mais destaque, tanto em vendas quanto em repercussão com a mídia especializada e os fãs?

Que eu me lembre bem, os países onde o álbum entrou entre os mais vendidos logo após o lançamento foram Espanha, Alemanha, Brasil, Argentina, Japão e Rússia - esses foram sucesso imediato. Depois o disco cresceu muito em outros países, como USA, Itália, Inglaterra, Portugal, entre outros.

Em lugares como a Rússia, por exemplo, as prensagens esgotavam em semanas. Já devemos estar na vigésima prensagem por lá (risos). O sucesso foi tamanho que cheguei a ter uma página minha na maior revista do país, entrevistando músicos e bandas. No Japão entramos como segundo álbum mais vendido na semana do lançamento, e ficamos nessa colocação por quase um mês inteiro. 

Foi maravilhoso ver a reação do mundo diante do álbum, foi surpreendente e gratificante.

Qual você acha que foi a importância de um álbum como o "Execution" para o heavy metal brasileiro?

Hummm ... Não sei, acho que qualquer coisa que eu fale sobre isso soaria pretensiosa (risos). Acho que o tempo dirá a importância do álbum, mas acho que para uma coisa ele já serviu: mostrar que diferenças territoriais entre a  América do Sul, Europa e Estados Unidos não são barreiras quando queremos muito atingir um objetivo. Esse disco é a prova gravada e concreta disso.

Deve ser muito gratificante sonhar com algo que todos julgam impossível e ver esse sonho virar realidade. O que você sentiu quando começou a receber respostas positivas dos músicos para a gravação do "Execution"?

É mais do que gratificante, é inacreditável (risos). Bom, o que eu senti é um pouco indescritível, posso falar que por várias vezes fiquei sem dormir, compondo para tentar chegar ao resultado mais perfeito possível, pois eu escrevia uma música e quando a pessoa que eu convidei para aquela faixa aceitava o meu convite eu passava dias revendo detalhe a detalhe da música antes de resolver fazer a versão final e mandar para pessoa em questão.


Como você conta no DVD "Execution Live Reunion", a negociação com Bruce Dickinson foi a mais demorada de todas. Qual foi a sua sensação quando recebeu a comprovação final de que ele, enfim, participaria do projeto?

Cara ... Sem palavras!  Eu sei que quando escutei a "Beast in the Light" na voz dele, minha reação foi ter um nó na garganta, eu posso dizer que quase chorei (risos). Era o cara que eu passei a vida escutando os álbuns e assistindo aos shows, e lá estava a minha música com ele cantando. Isso era ...  nossa, sem palavras!  

Lembro-me que quando eu fui à Londres para divulgar o "Execution" lá, eu e Bruce fomos a um bar, ficamos conversando por horas, mas uma das coisas que mais me marcou foi ele me perguntar: “Então, escutou a ´Beast in the Light` mixada? Gostou? Se não tiver gostado eu posso refazer” (risos). Eu pensei: "Pô, como eu não gostaria? Ele deve estar brincando (risos). Minha resposta foi: "Eu adorei (risos)". 

E foi engraçado porque ele fez uma pequena menção a isso no DVD. Durante o making of ele fala "eu mandei a música para o Renato, ele mixou e adorou” (risos).

O que você sentiu ao olhar para os lados, nos shows do "Execution" aqui no Brasil, e se ver cercado por vários mitos do heavy metal mundial, que estavam em um show seu, cantando músicas escritas por você?

Nem me lembro na verdade (risos). Era meu primeiro DVD, no Credicard Hall, toda a mídia do país com os olhos lá, pois era um fato inédito um show como aquele. Simplesmente cantei, não me lembro o que senti (risos). Eu estava muito feliz, e hoje quando vejo o DVD percebo nitidamente que eu não parava de correr e pular um minuto durante o show, nem mesmo quando os convidados estavam cantando(risos). Então isso é uma coisa que posso afirmar que senti, muita felicidade.

O que você pode nos contar sobre os preparativos do novo álbum do Tribuzy?

Eu já estou com umas dezoito faixas prontas. Logicamente não pretendo lançar todas elas de uma vez (risos), mas estou agora garimpando o material e escolhendo quais vão estar no próximo álbum. Comecei a trabalhar na pré-produção já, e posso afirmar que esse disco será fantástico.

O novo trabalho seguirá a mesma linha power metal de "Execution", ou teremos alguma mudança no som da banda?

Ele está seguindo uma linha muito interessante na verdade, algumas faixas fazem músicas como "Execution" e "Aggressive" soarem como baladas (risos), mas ao mesmo tempo ele está seguindo uma identidade parecida com as composições que fiz no "Execution". É um disco muito particular e único, tenho certeza que todos que gostam do grupo vão amar.


A banda que o acompanhará nesse novo álbum será a mesma de "Execution", ou temos novidades?

Eu recebi um convite de alguns músicos famosos internacionais (que não posso citar) para montar uma banda, mas o projeto deu uma parada por causa de nossas agendas, então quem sabe? Mas até o momento minha banda será a mesma ainda, pois são músicos maravilhosos e extremamente competentes.

Alguma participação especial em vista?

Não, eu não quero que o Tribuzy fique parecendo um projeto, ou para que eu lance um álbum seja obrigatório ter participações. O "Execution" foi um trabalho único, e se virar rotina ter vários convidados em todos os discos que eu fizer o "Execution" perde seu valor. Como falei antes, fiz aquilo para realizar um sonho de moleque, agora o próximo passo desse sonho é seguir meu próprio caminho.

Você tem trabalhado bastante como produtor musical em paralelo a sua carreira como o Tribuzy. Quais são as principais diferenças entre as duas atividades, e quais aspectos delas mais te atraem?

Na verdade eu sempre trabalhei como produtor, só que sempre fiz isso mais focado no meu próprio trabalho. Se você pegar o encarte do "Execution" vai ver lá a frase “produced by Renato Tribuzy”, o mesmo com o álbum ao vivo e o DVD.

Eu tive muita sorte em trabalhar com o Roy Z durante quase toda a minha carreira, nos tornamos grandes amigos e ele me ensinou muita coisa.

A diferença maior entre trabalhar com o Tribuzy e como produtor de outros grupos é sempre lembrar que estou construindo uma carreira ali. Com o Tribuzy já temos meio caminho andado, contratos no mundo todo e coisas assim. Com bandas novas, que confiam em você para produzir o álbum e guiá-los por esse caminho, é totalmente diferente. Uma das coisas mais importantes que um produtor deve ter é conhecimento do mercado musical internacional, pois só assim você vai conseguir levar a banda para o caminho certo, respeitando o estilo deles e lapidando de uma forma que será certo que eles vão conseguir contratos internacionais.

No momento acabei de fazer o primeiro álbum do Reckoning. O disco vai sair no ano que vem e está matador, mas posso citá-los como exemplo do que mencionei acima. Assim que nós acabamos de mixar o álbum eu entrei em contato com as minhas gravadoras no mundo todo e mandei umas três faixas por e-mail para eles. No dia seguinte já tínhamos várias propostas para o lançamento, que vai rolar em 2009. Isso sim é gratificante, ver que você conseguiu, junto com o grupo, montar uma nova carreira e dar ao mundo mais uma nova grande banda. Agora estou produzindo o segundo do Dreadnox, e está ficando fantástico também.


Como você avalia o espaço que a música pesada tem no Brasil, atualmente? Estamos vivendo uma realidade melhor ou pior que em tempos anteriores?

Melhor. Temos mais qualidade, mais músicos, mais público, mais revistas, mais gravadoras, mais websites ... Sem sombra de dúvidas está 100% melhor. Quando eu comecei praticamente não tínhamos nada aqui (risos).

A sua relação com Kiko Loureiro é bem próxima e já vem de anos. Já que o Angra anda parado há tempos e não dá sinais de quando irá voltar à ativa, vocês dois não chegaram a conversar sobre a possibilidade de desenvolver algo relacionado ao heavy metal juntos?

Várias vezes (risos), mas ele agora está fazendo o novo álbum instrumental dele.

Como você vê o Brasil no cenário mundial da música pesada? O que temos de bom, único, e em quais aspectos ainda precisamos aprender e evoluir?

Temos uma gana indescritível que outros países não tem, pois para fazermos metal no Brasil temos que amar o que fazemos, pois é muito difícil por se tratar de uma música que sofre um enorme preconceito por aqui.

Qual você acha que é a sua melhor qualidade, e o seu maior defeito, como músico?

Minha maior qualidade? Humm, acho que foi o que falei relacionado à produção. Eu não sou apenas um cantor, eu conheço muito bem o mercado internacional, então hoje posso fazer vários trabalhos dentro do meio musical e artístico que não me limitam só a cantar. Por exemplo: vários dos artistas, nacionais e internacionais, que lançam CDs no Brasil hoje, me procuram para negociar os álbuns deles com as gravadoras que eu conheço no mundo todo. Posso citar o Pyramaze (o novo álbum que vai sair aqui ainda), Rob Halford, Cage, Soulspell, entre muitos outros. Trabalho com produção, empresariamento e muitas outras coisas. 

Fui convidado para fazer a produção musical de uma peça de teatro que vai estrear ano que vem aqui no Rio, e já estou trabalhando nisso. Fui convidado meses atrás para ser empresário do grupo Hermes e Renato da MTV, e já estou trabalhando com eles também, e com muito gosto, pois sempre fui um grande fã dos caras. Então, o fato de não me limitar só a cantar acho que é minha maior qualidade. Não como músico, mas como artista em si.

Meu maior defeito? Putz, aí é foda, vão ser trezentas páginas (risos). Mas como músico acho que posso falar que é o fato de não respeitar meus limites. Eu sempre escrevo músicas que me levam ao extremo que minha voz agüenta, e não adianta, eu não consigo escrever diferente (risos). Acho que meu maior defeito como músico é não respeitar meus limites como cantor.

Qual é o seu maior ídolo na música?

Complicado. Eu gosto de muitos artistas, mas acredito que posso citar o Bruce e o Kiske como minhas maiores influências. Se fosse citar qual o meu maior ídolo, como na pergunta, eu deveria falar Bruce Kiske ou Michael Dickinson, para citar os dois (risos).

Além de músico, você se considera também um colecionador de música?

Com certeza. Como trabalho 100% com arte, 24 horas por dia, eu tenho muitas coisas aqui, desde CDs de metal à trilha sonoras de filmes ou musicais.

Quantos discos você tem em casa?

Putz, você me pegou agora (risos). Sei lá, uns dois armários lotados, nunca contei. Fico devendo essa.


Uma coisa que me agrada bastante em seus vocais, e que ficou escancarado tanto no CD quanto no DVD ao vivo, é quando você deixa um pouco de lado os timbres mais agudos e canta em tons mais agressivos. Acho que isso agrega ao tipo de som que você faz. Você pensa em gravar alguma coisa explorando esse aspecto de sua voz?

Eu encaro minhas linhas de canto de uma forma bem particular. Eu interpreto conforme a letra. Em "Absolution", por exemplo, eu uso essa região mais grave e rasgada da minha voz, pois meu personagem na canção pede isso. Ele é um cara mais obscuro, amargurado e prestes a morrer, então não tinha razão nenhuma para estar cantando contente (risos). Em "Forgotten Time" uso a região mais aguda a música toda, pois nessa canção o personagem trabalha em uma interpretação completamente diferente. Ele tirou do seu caminho todos aqueles que queriam prejudicá-lo, e estava entrando em uma nova fase da vida, cheio de esperança e confiança, por isso eu interpreto ele mais agudo e com notas mais prolongadas.

O álbum novo está caminhando para um lado mais dark, acredito que as letras serão mais darks também, então acabarei usando mais a região rasgada da voz, mas vamos ver.

Você começou como um simples fã de metal, trabalhou em lojas de discos, e hoje é um músico respeitado em todo o Brasil e até no mundo. O que você sente quando olha para trás e vê tudo o que já conquistou?

Um alívio danado por nunca ter desistido. Muitas pessoas falavam que não aconteceria, que tudo daria errado. Lutei contra tudo e todos e hoje estou fazendo o que amo. Acho que o "Execution" foi um álbum que, mais do que tudo, mostra que ninguém, além de você mesmo, sabe o que é bom para você, e ninguém além de você mesmo pode te convencer a desistir ou parar antes de atingir aquilo que você sempre sonhou.

Cara, muito obrigado pelo papo, esse espaço é seu.

Eu que agradeço, foi uma ótima entrevista. E agradeço também a todos que estão sempre conosco, apoiando e cobrando o novo álbum (risos). Ele está vindo e nos veremos em breve na estrada, durante a nova tour. Um abraço e tudo de bom.




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