Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room
Ian Astbury e Billy Duffy são os responsáveis por um dos melhores discos lançados durante os anos oitenta. Terceiro álbum do Cult, Electric é um registro único na carreira dos londrinos, apresentando em suas onze faixas um hard rock vigoroso, direto e repleto de energia, que bebe no melhor que o estilo produziu na década anterior.
Ao lado de Astbury e Duffy estavam o baixista Jamie Stewart e o baterista Les Warner. O quarteto juntou forças ao produtor Rick Rubin para transformar a anterior sonoridade da banda, um rock com influência gótica e uma bem-vinda dose de peso, em um arregaço regado a inspirados riffs de guitarra e interpretações vocais antológicas.
Billy Duffy estava possuído em Electric. O guitarrista louro pegou para si o posto de legítimo herdeiro da nobre linhagem de riffmakers do rock, que inclui nomes lendários como Angus Young, Jimmy Page, Tony Iommi e Rick Davies, e, banhado de luz e inspiração, pariu uma sequência sensacional de notas que colocam Electric na categoria daqueles discos onde a guitarra, mais do que qualquer outro instrumento, é a espinha dorsal, a alma e o sangue que escorre pelos sulcos.
As cinco primeiras faixas não deixam espaço para o ouvinte respirar. O Cult entrega um dos melhores lados A da década de oitenta, jogando o ouvinte contra a parede com o ataque frontal e selvagem de "Wild Flower", "Peace Dog", "Lil´ Devil", "Aphrodisiac Jacket" e "Electric Ocean", todas devidamente abençoadas por riffs faiscantes que brotam como água da guitarra de Billy Duffy. As duas primeiras são pedradas hard certeiras, influenciadas claramente pelo AC/DC. Já "Lil´ Devil" coloca um certo groove na jogada, e era essa faixa que, do alto dos meus dezesseis, dezessete anos, eu tocava feito louco nas festinhas particulares que minha turma de amigos promovia no interior do Rio Grande do Sul - bons tempos aqueles.
Entretanto, foi o riff de "Aphrodisiac Jacket" que me fez comprar o disco, pois foi ouvindo essa canção que me vi obstinado atrás do LP. Mais cadenciada, ela exemplifica a inspiração absurda do Cult em Electric, cativando qualquer pessoa que tenha o rock correndo nas veias e, ao mesmo tempo, honrando os grandes nomes que foram fundamentais para o surgimento e desenvolvimento do hard rock, como Cream, Jimi Hendrix Experience, Led Zeppelin, Mountain, Grand Funk Railroad e inúmeros outros.
O lado B, apesar de não ser tão iluminado quanto o primeiro, possui as duas faixas mais conhecidas de Electric: "Love Removal Machine" e o cover de "Born to Be Wild", do Steppenwolf. A primeira tocou feito louco nas rádios desde o momento em que o play foi lançado, e é uma das trilhas mais marcantes das lembranças de um tempo de descobertas, onde éramos felizes sem ao menos saber. E, em um disco cujas composições nos transmitem sensações sublimes, sendo uma das mais fortes a liberdade, a escolha da clássica "Born to Be Wild" como releitura não poderia ser mais apropriada. Aliás, o peso que o Cult imprimiu transformou a sua versão em uma das preferidas entre as milhares de interpretações que "Born to Be Wild" já ganhou - inúmeras delas, diga-se de passagem, pra lá de dispensáveis.
Quando um disco nos faz sentir certas coisas, é preciso abrir os olhos e ouvi-lo com atenção. Electric nos faz primeiro aumentar o volume do som; em seguida já estamos empunhando nossa Les Paul e tocando air guitar alucinadamente; quando vemos, cantamos os solos das faixas a plenos pulmões - "Wild Flower" e "Love Removal Machine" que o digam; por fim, quando o CD acaba já estamos ouvindo-o novamente.
Enfim, Electric é um discaço de rock, daqueles que cativam novos adeptos e fazem rockers veteranos como eu se apaixonarem, de novo e mais uma vez, pelo gênero que os viu crescer. Agora, chega de papo que que a minha Les Paul já está apitando aqui do lado ...

Ian Astbury e Billy Duffy são os responsáveis por um dos melhores discos lançados durante os anos oitenta. Terceiro álbum do Cult, Electric é um registro único na carreira dos londrinos, apresentando em suas onze faixas um hard rock vigoroso, direto e repleto de energia, que bebe no melhor que o estilo produziu na década anterior.
Ao lado de Astbury e Duffy estavam o baixista Jamie Stewart e o baterista Les Warner. O quarteto juntou forças ao produtor Rick Rubin para transformar a anterior sonoridade da banda, um rock com influência gótica e uma bem-vinda dose de peso, em um arregaço regado a inspirados riffs de guitarra e interpretações vocais antológicas.
Billy Duffy estava possuído em Electric. O guitarrista louro pegou para si o posto de legítimo herdeiro da nobre linhagem de riffmakers do rock, que inclui nomes lendários como Angus Young, Jimmy Page, Tony Iommi e Rick Davies, e, banhado de luz e inspiração, pariu uma sequência sensacional de notas que colocam Electric na categoria daqueles discos onde a guitarra, mais do que qualquer outro instrumento, é a espinha dorsal, a alma e o sangue que escorre pelos sulcos.
As cinco primeiras faixas não deixam espaço para o ouvinte respirar. O Cult entrega um dos melhores lados A da década de oitenta, jogando o ouvinte contra a parede com o ataque frontal e selvagem de "Wild Flower", "Peace Dog", "Lil´ Devil", "Aphrodisiac Jacket" e "Electric Ocean", todas devidamente abençoadas por riffs faiscantes que brotam como água da guitarra de Billy Duffy. As duas primeiras são pedradas hard certeiras, influenciadas claramente pelo AC/DC. Já "Lil´ Devil" coloca um certo groove na jogada, e era essa faixa que, do alto dos meus dezesseis, dezessete anos, eu tocava feito louco nas festinhas particulares que minha turma de amigos promovia no interior do Rio Grande do Sul - bons tempos aqueles.
Entretanto, foi o riff de "Aphrodisiac Jacket" que me fez comprar o disco, pois foi ouvindo essa canção que me vi obstinado atrás do LP. Mais cadenciada, ela exemplifica a inspiração absurda do Cult em Electric, cativando qualquer pessoa que tenha o rock correndo nas veias e, ao mesmo tempo, honrando os grandes nomes que foram fundamentais para o surgimento e desenvolvimento do hard rock, como Cream, Jimi Hendrix Experience, Led Zeppelin, Mountain, Grand Funk Railroad e inúmeros outros.
O lado B, apesar de não ser tão iluminado quanto o primeiro, possui as duas faixas mais conhecidas de Electric: "Love Removal Machine" e o cover de "Born to Be Wild", do Steppenwolf. A primeira tocou feito louco nas rádios desde o momento em que o play foi lançado, e é uma das trilhas mais marcantes das lembranças de um tempo de descobertas, onde éramos felizes sem ao menos saber. E, em um disco cujas composições nos transmitem sensações sublimes, sendo uma das mais fortes a liberdade, a escolha da clássica "Born to Be Wild" como releitura não poderia ser mais apropriada. Aliás, o peso que o Cult imprimiu transformou a sua versão em uma das preferidas entre as milhares de interpretações que "Born to Be Wild" já ganhou - inúmeras delas, diga-se de passagem, pra lá de dispensáveis.
Quando um disco nos faz sentir certas coisas, é preciso abrir os olhos e ouvi-lo com atenção. Electric nos faz primeiro aumentar o volume do som; em seguida já estamos empunhando nossa Les Paul e tocando air guitar alucinadamente; quando vemos, cantamos os solos das faixas a plenos pulmões - "Wild Flower" e "Love Removal Machine" que o digam; por fim, quando o CD acaba já estamos ouvindo-o novamente.
Enfim, Electric é um discaço de rock, daqueles que cativam novos adeptos e fazem rockers veteranos como eu se apaixonarem, de novo e mais uma vez, pelo gênero que os viu crescer. Agora, chega de papo que que a minha Les Paul já está apitando aqui do lado ...

Faixas:
A1. Wild Flower - 3:37
A2. Peace Dog - 3:34
A3. Lil´ Devil - 2:44
A4. Aphrodisiac Jacket - 4:11
A5. Electric Ocean - 2:49
A6. Bad Fun - 3:37
B1. King Contrary Man - 3:12
B2. Love Removal Machine - 4:17
B3. Born to Be Wild - 3:55
B4. Outlaw - 2:52
B5. Memphis Hip Shake - 3:59
A1. Wild Flower - 3:37
A2. Peace Dog - 3:34
A3. Lil´ Devil - 2:44
A4. Aphrodisiac Jacket - 4:11
A5. Electric Ocean - 2:49
A6. Bad Fun - 3:37
B1. King Contrary Man - 3:12
B2. Love Removal Machine - 4:17
B3. Born to Be Wild - 3:55
B4. Outlaw - 2:52
B5. Memphis Hip Shake - 3:59




3 comentários:
Muito tri!!!
Sua resenha sobre o Electric ficou sensacional...parabens !!! Tenho uma pagina com o maior acervo de fotos e informacoes sobre o THE CULT da internet e espero que vcs gostem de dar uma olhada e me ajude na divulgacao ok
aqui vai o endereco ,Abraco e divirtam-se :
http://thecultbiografia.blogspot.com/2009/07/cult-biografia-extra-oficial.html
Cara, obrigado pelo comentário e parabéns pelo blog - já está adicionado aos favoritos!
Abraço.
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