04/06/2009

Discoteca Básica Bizz#094: Kiss - Destroyer (1976)


(André Barcinski, Bizz#094, maio de 1993)


Você já imaginou como seria o mundo sem o Kiss? Reflita durante um momento. Pense nos dinossauros progressivos dos anos setenta, tipo Emerson, Lake & Palmer e Yes, querendo destruir o bom humor da raça humana. Pense em quantos caras compraram uma guitarra depois de ver e ouvir Ace Frehley. Pense em quantas festanças já não foram embaladas por "Rock and Roll All Nite". A conclusão não poderia ser outra: Ace, Gene Simmons (baixo), Paul Stanley (vocal/guitarra) e Peter Criss (bateria) salvaram o rock and roll.

O quarteto botou demência onde só havia pretensão e virtuosismo assexuado, por isso lhe somos eternamente gratos. David Bowie, Marc Bolan e os New York Dolls já haviam jogado purpurina nos anos setenta, mas nenhum deles atingiu tanta gente quanto o Kiss. Mas até hoje este planeta ingrato despreza os quatro mascarados de Nova York. Você já viu Hotter Than Hell, Destroyer Rock And Roll Over em alguma lista dos melhores álbuns da história?

As pessoas sérias não gostam do Kiss porque o grupo é uma mancha na imaculada história dos heróis do rock. Gene & companhia não estavam a fim de protestar contra nada, pouco ligavam para a guerra do Vietnã ou para a miséria do mundo. Só queriam mesmo se dar bem com as mulheres, encher o bolso de grana e se divertir com o rock. E conseguiram!

Muitos acusam o Kiss de ser palhaço demais para ser levado a sério, mas se esquecem de que Little Richard tocava fogo no piano nos anos cinquenta e que James Brown tirava a camisa para mostrar os músculos para as fãs. Isso é rock'n'roll, uma palhaçada sem fim. O que o Kiss fez foi pegar esse lado clown e adicionar-lhe o toque épico que faltava. Gene, Paul, Ace e Peter sacaram que não era suficiente tocar rock; era necessário "encenar" rock. Para embalar esse teatro gigante, só mesmo um som de arena, básico ao extremo. Músicas que colassem na memória, refrãos fáceis.

E foi aí que Gene Simmons e Paul Stanley se revelaram verdadeiros gênios do pop. Disco após disco, a banda foi se aprimorando até chegar ao ápice: o monumental Destroyer. O começo do álbum é glorioso: "Detroit Rock City", "King of the Night Time World" e "God of Thunder", dez minutos de tirar o fôlego. O baladão "Beth" e "Do You Love Me" se destacam no meio de outras preciosidades. É um disco que se ouve da primeira à última faixa sem tirar o sorriso da boca. Nota dez!

A influência de
Destroyer não pode ser medida. Todo ser humano que faz som pesado deve um pouco ao Kiss. Bandas tão diferentes quanto Anthrax, Venom e Nirvana são capazes de se ajoelhar à simples menção do nome de Gene Simmons. Até o Manowar chegou a copiar a capa de Destroyer no álbum Fighting the World.

O Kiss deixou uma lição: a de que é preciso levar a vida na brincadeira e que muita seriedade cansa a beleza. Felizmente, milhões aprenderam o dever de casa.

Quando você vir alguém na rua com uma camiseta da banda, pode cumprimentar que é gente fina.


Faixas:
A1. Detroit Rock City - 5:30
A2. King of the Night Time World - 3:15
A3. God of Thunder - 4:20
A4. Great Expectations - 4:20

B1. Flaming Youth - 2:55
B2. Sweet Pain - 3:20
B3. Shout It Out Loud - 2:50
B4. Beth - 2:45
B5. Do You Love Me - 3:33
B6. [untitled] - 1:25


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