
(Celso Pucci, Bizz#170, setembro de 1999)
Gordon Gano (voz/guitarra/violão), Brian Ritchie (baixo elétrico, acústico e vocais) e Victor DeLorenzo (bateria/ vocais) se inscrevem na tradição dos grandes power trios do rock. Começaram a tocar juntos em botecos de sua cidade natal, Milwaukee, nos cafundós de Wisconsin.
Testemunha de um destes shows - todos acústicos -, James Honeyman-Scott, guitarrista dos Pretenders (morto em 1982) se surpreendeu com o som de Gano e companhia, convidando-os para abrir os concertos da turnê americana da banda de Chrissie Hynde. Foi o bastante para que os Violent Femmes se projetassem: assinaram com o selo independente Slash em 1982 e, um ano depois, lançavam este álbum de estréia, produzido por Mark Van Hecke.
Rústico, cru, mas sempre com frases inspiradas de guitarra/violão, o som da banda se escorava numa cozinha pesada, em que interagiam o baixo frontal de Ritchie e as batidas eficientes de DeLorenzo. A mistura de folk tradicional (especialmente pelo uso ostensivo de instrumentos acústicos) com a pauleira das levadas frenéticas criou alguma coisa que poderia ser definido como country punk. E, além dos instrumentos originais de cada um dos integrantes, Gordon e Brian também se arriscavam com sucesso por incursões pelo violino ("Good Feeling") e pelo xilofone ("Gone Daddy Gone"), respectivamente.
Já as músicas escritas por Gano formavam um capítulo à parte: com uma revolta latente expressa nas letras, elas ressaltavam este conteúdo por meio de arranjos predominantemente acústicos, em pérolas como a abertura com "Blister in the Sun", "To the Kill" (um perfeito espelho da violência do cotidiano) e “Add it Up”(esta última, por sinal, um hino à inquietação juvenil). Tudo isso sapecado por vocais que lembravam o Lou Reed da fase Transformer (disco de 1972).
Os discos posteriores comprovaram a criatividade do grupo, apesar de não contar com a mesma energia bruta. Com projetos mais sofisticados, os Violent Femmes trabalharam com o ex-Talking Heads Jerry Harrison (em The Blind Leading the Naked, de 1986), com o produtor/tecladista Michael Beihom - no disco Why Do the Birds Sing? (1991), em que regravaram "Do You Really Want to Hurt Me?", hit do Culture Club - e desde o CD New Times (1994), substituíram DeLorenzo pelo baterista Guv Hoffman (ex-BoDeans).
As "fêmeas" nunca mais chegaram a ser tão violentas quanto em sua estréia.

Faixas:
A1 Blister in the Sun 2:24
A2 Kiss Off 2:55
A3 Please Do Not Go 4:14
A4 Add It Up 4:42
A5 Confessions 5:31
A1 Blister in the Sun 2:24
A2 Kiss Off 2:55
A3 Please Do Not Go 4:14
A4 Add It Up 4:42
A5 Confessions 5:31
B1 Prove My Love 2:38
B2 Promise 2:48
B3 To the Kill 4:06
B4 Gone Daddy Gone 3:05
B5 Good Feeling 3:51
B2 Promise 2:48
B3 To the Kill 4:06
B4 Gone Daddy Gone 3:05
B5 Good Feeling 3:51



1 comentários:
um disco fantástico e Gordon Gano é uma das figuras mais peculiares. vale muito a pena ouvir tb a coletânea Add It Up (1981-1993)
com os clássicos Dance Motherfucker Dance” e “Old Mother Reagan” e “Gimme the Car”.
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