13 de fev de 2009

Sexy Cover Arts#6

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cinco capas, você escolhe uma e diz qual a sua preferida nos comentários. A imagem que está ali em cima é a capa da coletânea "From Latin  ... To Jazz Dance , Vol 1 (Rare Groove)", de 2003.

Roxy Music - Country Life (1974)

Buzz King - I Shave My Pussy (2002)

Kid Loco - Jesus Life for Children Under 12 Inches (1999)

Sugar Ray - Lemonade and Brownies (1995)


Rainbow - Down to Earth (1979)

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Por Gustavo Guideroli
Colecionador
Collector´s Room

No fim dos anos 70 Ritchie Blackmore não estava mais satisfeito com os rumos do Rainbow. Sua meta era deixar o som do grupomais comercial. Para isso, fez uma “limpeza” na banda trocando vários músicos, com exceção de Cozy Powel, que continuava na bateria, e, óbvio, ele, Blackmore na guitarra.

Nos teclados, David Stone deu lugar para Don Airey; no lugar de Bob Daisley quem assume o baixo é nada mais que Roger Glover, ex- companheiro de Ritchie no Deep Purple; e nos vocais, a lenda Ronnie James Dio foi substituído por Graham Bonnet, um grande cantor, mas até então um desconhecido para a maioria dos fãs do Rainbow.

Com esse time foi lançado em 1979 “Down to Earth”, um álbum que dividiu opiniões. De um lado fãs que não aceitavam a banda sem Dio, e do outro aqueles que aceitaram a mudança e fizeram do álbum um sucesso comercial, como era o sonho de Ritchie Blackmore.

O disco teve participação importantíssima de Roger Glover, que além de ser co-autor de sete das oito faixas (uma era cover), também foi o produtor .

Ao invés de músicas épicas como nos primeiros discos , agora as faixas eram mais diretas e com uma veia mais rock and roll. Isso pode ser conferido em composições como “All Night Long” e “Lost in Hollywood”. Para os fãs mais tradicionais, “Eyes of the World” lembra os velhos tempos com Dio. Porém, o maior sucesso do álbum está no cover de “Since You Been Gone”, de autoria do
hitmaker Russ Ballard. Uma faixa acessível e de grande sucesso, que garantiu a entrada do Rainbow nas rádios.

O que chamava muito a atenção para Graham Bonnet era sua presença sempre com óculos escuros, cabelos curtos e paletó. Bem diferente do que os fãs dos anos 70 estavam acostumados a ver em outros grupos. E se sua aparência era de um cara comportado, no palco o bicho pegava, com Bonnet detonando em uma performance totalmente rocker!

Com a grande repercussão de “Down to Earth”, o Rainbow foi convidado para ser
headliner da primeira edição do festival Castle Donnington Monsters of Rock, em 1980.

A banda mostrou a que veio, com um grande show e demonstrando fazer jus ao posto de atração máxima do festival. Pouco tempo depois foi lançado um disco comemorativo do festival, com músicas dos grupos participantes. O Rainbow entrou com "Stargazer" e "All Night Long",  as duas faixas ao vivo.

É uma pena que essa formação tenha durado tão pouco, porque poderia ter feito outros álbuns tão bons quanto este.

Quem sabe Blackmore não sente saudades da guitarra e volta com a banda, afinal, dependendo do seu humor, tudo pode acontecer!

Tracks:
1. All Night Long - 3:53
2. Eyes of the World - 6:43
3. No Time to Lose - 3:45
4. Makin' Love - 4:38
5. Since You Been Gone - 3:20
6. Love's No Friend - 4:55
7. Danger Zone - 4:32
8. Lost in Hollywood - 4:51

12 de fev de 2009

Capas Gêmeas: Aphrodite´s Child - 666 (1972)

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

O clássico "666", lançado pelo grupo grego Aphrodite´s Child em 1972, é um dos grandes álbuns da história do rock progressivo. Complexo, mas mesmo assim cativante, o disco é audição obrigatória para qualquer pessoa que goste de música.

Sua capa, um exercício de minimalismo, contém apenas o nome da banda, algumas informações e, em grande destaque, o título do álbum, centralizado dentro de um box preto, contrastando com o vermelho vivo predominante. Uma escolha proposital da banda, fazendo com que o provocativo "666" pule para fora, chamando a atenção de todos.


O artista texano Proscriptor homenageou - não sei se de forma intencional ou não - o Aphrodite´s Child na capa de seu último disco, chamado "726", lançado em 2008. A idéia é praticamente a mesma, com o uso do mesmo jogo de cores para dar destaque para o título do trabalho.

Mais um exemplo de que as grandes idéias não morrem, são apenas recicladas e embaladas novamente para as gerações mais jovens.

11 de fev de 2009

Classic Tracks: Moody Blues - Nights in White Satin (1967)

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

"Nights in White Satin" encerra o álbum "Days of Future Passed", lançado em 1967 pelos ingleses do Moody Blues. Composta por Justin Hayward em 1965, quando o vocalista e guitarrista dos Blues tinha apenas 19 anos de idade, teve sua inspiração em um jogo de lençóis que Justin ganhou de presente um amigo, lençóis esses que embalariam suas "noites em cetim branco". A letra fala de uma história de amor sem final feliz, o que levou muitos fãs à conclusão de que ela teria sido inspirada em uma história real vivida por Hayward. 

Mas a grande força e magia de "Nights in White Satin" está na perfeita união do pop psicodélico do Moody Blues às passagens clássicas executadas pela The London Festival Orchestra, conduzida pelo maestro Peter Knight, que agregam grandiosidade, melancolia e doses imensas de sentimento à letra de Hayward, transformando a audição de "Nights in White Satin" em uma dolorosa, intensa e única experiência.

O single com "Nights in White Satin" no lado A e a inédita "Cities" no lado B chegou às lojas britânicas em 10 de novembro de 1967, um dia antes do lançamento oficial de "Days of Future Passed". Lançado pela Deram (Cat# DM 161), o compacto trazia uma versão editada da canção, com apenas 3:49 de duração, ao contrário da orgásmica versão original presente no álbum, com quase oito minutos. Mas, ao contrário do que ocorreu na Inglaterra, "Nights in White Satin" fez enorme sucesso na França, liderando as paradas daquele país por várias semanas consecutivas. 

Curiosamente, nos Estados Unidos a gravadora preferiu dar destaque para outra composição de "Days of Future Passed", lançando "Tuesday Afternoon" como single em julho de 1968. Apenas em 1972 "Nights in White Satin" foi lançada como single no mercado norte-americano, contando com uma nova edição (agora a faixa tinha 4:26 de duração) e o resultado foi avassalador, com o compacto chegando ao segundo posto do "Hot 100" da Billboard. Essa recepção levou ao relançamento do single no mercado inglês, onde a nova versão chegou à nona colocação nos charts.

Em meados dos anos 1990 a conceituada revista inglesa Record Collector publicou uma matéria que afirmava que a canção não havia sido escrita por Justin Hayward em sua totalidade. Segundo o texto, o empresário dos Moddy Blues havia comprado os direitos de uma composição original do grupo italiano The Jellyroll, na qual "Nights in White Satin" teria sido, digamos, "inspirada". Essa teoria surgiu a partir da descoberta de um single dos italianos que trazia a inscrição "This is the original version of ´Nights In White Satin´" em seu selo.

Independente disso, o fato é que "Nights in White Satin" é uma das maiores obras da música pop do século XX, e pode ser considerada uma das pioneiras na fusão do rock com a música clássica.

Castiga! - Bem-vindos ao planeta Gong

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Por Marco Antonio Gonçalves
Colecionador

É chegada a hora de adentrar a nave espacial e partir rumo ao misterioso planeta Gong. Combo anárquico formado em 1968 pelo guitarrista e vocalista australiano Daevid Allen - figura vital na concepção do que ficou conhecido no rock progressivo como Canterbury Sound. Além do Gong, outras bandas fantásticas fazem parte deste cenário, como Wilde Flowers, Caravan, National Health, Camel, Hatfield and the North, Matching Mole, Egg, Khan e Soft Machine.

A mitologia Gong começa a tomar contornos em outubro de 1967, época em que Allen ainda integrava o embrionário Soft Machine e que até então havia lançado apenas um compacto. Ao retornar com o grupo britânico de uma apresentação em Saint Tropez, Allen teve negado seu visto de entrada na Inglaterra por ter trabalhado de forma ilegal no país. Forçado a permanecer na França e residindo numa casa flutuante em Paris, o músico começou a maquinar a saga do planeta Gong ao lado da jornalista, poetisa e companheira Gilli Smyth.

Em meio a um estilo de vida comunitário e de mentalidade hippie, Allen encontrou na cidade-luz o habitat natural para encaixar as peças do seu quebra-cabeça e construir um veículo capaz de difundir o seu ideal revolucionário e anárquico no formato “insanidades musicais” … Gong! 

O resto é história! Grandes álbuns, capas sensacionais, muitas formações, trocentas ramificações. Um grupo multicultural que influenciou toda uma geração de rock espacial com sua mescla de progressivo, psicodelia, jazz, dadaísmo e improvisação. Escutar seus discos me faz sentir um autêntico Zero, the Hero - um viajante terráqueo que se perde no espaço e encontra o Planeta Gong. É hora de decolar!


Neste instante, escuto o álbum "You", lançado em 1974 pela Virgin Records e marcado pela despedida (temporária, é verdade) do lunático Daevid Allen do planeta Gong - o planeta verde-transparente ignorado pelos astronautas e habitado por seres estranhos e seus instrumentos e objetos surreais. "You" é o terceiro álbum da trilogia Radio Gnome Invisible (sendo o primeiro o LP "The Flying Teapot" e o segundo o disco "Angel’s Egg"), todos focados na mitologia criada por Allen e Smyth acerca de “Radio Gnomes”, “Crystal Machines”, “Octave Doctors”, “Pothead Pixies” ou “Zero the Hero”.

Considerado por muitos como a obra-prima do Gong, "You" mantém a bizarrice literária e o humor
nonsense da trupe, mas com um desempenho maior na parte instrumental e produção mais caprichada que os outros dois discos da trilogia. Uma viagem musical onde os tripulantes são Daevid Allen (guitarra e vocal), Steve Hillage (guitarra), Tim Blake (teclados), Didier Malherbe (teclados, flauta, saxofone, vocal), Gilli Smyth (vocais), Mike Howelett (baixo), Pierre Moerlen (bateria e percussão), Mireille Bauer (percussão) e you (sim, você mesmo) como convidado espacial.

O disco abre com o mantra “Thoughts for Naught”, passa pela cômica “APH.P.’s Advice” e chega a “Magick Mother Invocation”, que serve de introdução para a entrada em outra dimensão: “Mater Builder”. Daí então, será possível acompanhar um Steve Hillage solando de forma insana a sua guitarra, Didier Malherbe mandando ver nos trabalhos de flauta e sax, Tim Blake viajando em sintetizadores e teclados ultradimensionais, Mike Howelett comandando um baixo alucinado e Pierre Moerlen arrebentando com suas peripécias na batera. Inclua aí vocais dementes por todos os lados, contrastando com a audição de pássaros imaginários que sobrevoam o experimentalismo caótico deste novo mundo.

Um passo mais e “A Sprinkling of Clouds” te joga em pleno espaço sideral. Tome cuidado e se agarre a cada instrumento que vai surgindo na música e tente voltar à Terra. Primeiro teclado, depois sintetizadores, seguidos por baixo, bateria, guitarra, sax, flauta e … surpresa: você caiu numa armadilha instrumental nervosa e inquietante. ”Perfect Mystery” é sua válvula de escape. Tempo suficiente para recarregar as baterias, respirar estrelas e partir para um novo itinerário intergalático.

“The Isle of Everywhere” traz sussuros e ecos de Gilly Smyth que nos remetem à órbita psicodélica. E dá-lhe baixão pulsante e suingado, improvisos chapantes de sax e a guitarra marcante de Steve Hillage. Para encerrar, “You Never Blow Yr Trip Forever” lhe conduz para a porta de saída deste mundo pacífico, mas ao mesmo tempo fantástico e assustador. Siga a voz débil de Allen, mergulhe profundamente na sonoridade que mistura flauta, teclados, baixo e bateria e aterrize finalmente no topo de um LSD. Calma, você já chegou em solo terrestre. Basta agora disseminar seus ensinamentos místicos e preparar o terreno para novas aventuras musicais. Boa sorte!


Quanto à discografia da banda, dá pra fazer uma coleção de respeito. Desde a estréia em 1969 com "Magick Brother, Mystick Sister" (lançado pelo selo BGY e creditado a Daevid Allen e Gilli Smyth), até o último gravado em estúdio ("I Am Your Egg", de 2003), são mais de 30 álbuns, contando os discos ao vivo. 

Em relação às constantes mudanças de formação, inevitavelmente outras agremiações foram surgindo a partir do Gong. Só para se ter uma idéia, além dos trabalhos solo de Daevid Allen e Steve Hillage, o universo Gong conta com diversas ramificações criadas por ex-integrantes e seguidores de sua mitologia: Mother Gong, Planet Gong, Pierre Moerlen’s Gong, Gongzilla, Gongmaison, New York Gong, Gong Matrices e por aí vai. Essa árvore genealógica musical ficou conhecida como a Gong Global Family.

Em 1992, Allen e Didier Malherbe reformaram o Gong e lançaram o disco "Shapeshifter", que segundo consta, é a quarta parte da série
Radio Gnome Invisible. Em 2000, uma quinta parte foi lançada: "Zero To Infinity", trazendo participações de Gilli Smyth e de Mike Howlett, baixista da formação original. Nesse retorno do Gong dá para perceber influências da música eletrônica e também da música indiana em sua estrutura sonora. Uma das mais recentes ramificações do Gong é o Acid Mothers Gong, uma união de Allen com o grupo japonês de música eletrônica e psicodélica Acid Mothers Temple.

Só para constar, em novembro de 2007 Allen realizou uma série de apresentações no Brasil com algumas das ramificações do Gong, sendo uma delas o combo Daevid Allen & Gong Global Family. A formação era composta por Daevid Allen (vocal e guitarra), Josh Pollock (guitarra, megafone e percussão), Fred Barley (bateria e percussão), Fabio Golfetti (guitarra), Gabriel Costa (baixo) e Marcelo Ringel (flauta e saxofone). Os concertos em São Paulo ocorreram no Teatro Popular do Sesi. É claro que eu estava lá, firme e forte! O ingresso custou míseros três reais (acreditem!) e posso dizer que foram os três reais mais bem investidos da minha vida. 

In memoriam ad eternum!!

Variantes - Variantes (2008)

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Why Dontcha

Cotação: ***1/2

Gosta de Cachorro Grande, principalmente do primeiro disco? 

Então não se deixe enganar pela capa equivocada (sim, porque ao ver a ilustração você provavelmente pensará em inúmeros estilos musicais, menos naquele que o CD contém) e vá atrás desta estréia do grupo catarinense Variantes. O som é semelhante ao dos gaúchos, só que com uma vantagem: consegue unir o punch e a energia da Cachorro Grande com refrões ainda mais pops, totalmente assobiáveis, feitos sob medida para cantar junto. E com um detalhe: o vocalista Gustavo Faccio canta, e não berra como o Beto Bruno da Cachorro.

Destaque para faixas como "Descontrole", "Sessão Remember", "O Moderno é o 50tão" - espécie de manisfesto e filosofia de vida da banda (não por acaso era o título do primeiro EP dos caras), que consegue unir a sua paixão pelo rock daquela década com os recursos técnicos e tecnológicos disponíveis atualmente, fazendo com que a sua música soe como um tributo aos primórdios do rock devidamente embalado por letras que contam histórias que só poderiam acontecer nos nossos dias -, "Ninguém pra Conversar" (uma das mais fortes do CD, prontinha pra estourar nas rádios) e a ótima "Canção pra Ela".

O trio, formado por Gustavo Faccio (vocal e baixo), Willian Nascimento (guitarra) e André Baga (bateria) soa coeso e entrosado, com destaque para o vocal agressivo de Faccio e para a guitarra de William, que despeja riffs cujas origens, em alguns momentos, apontam para os estúdios da lendária Sun Records (berço dos primeiros ícones do rock and roll, como Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Carl Perkins e Ike Turner) enquanto em outros parecem nascidos na cena londrina de meados dos anos sessenta, que viu surgir os primeiros discos dos Beatles e, principalmente, dos Rolling Stones e dos Kinks.

Aliás, um dos maiores acertos dos Variantes está justamente na opção pelo "sujo", mantendo no disco a sonoridade mais crua que sempre caracterizou os shows da banda, fazendo com que o trabalho soe autêntico e repleto de personalidade, ao contrário de alguns grupos que, sedentos em lançar seu primeiro disco, abrem demais as pernas para as gravadoras e produtores e acabam registrando um material que não tem nada a ver com a sua identidade.

"Variantes" é um ótimo álbum, que transborda faixas inspiradas, donas de um gigantesco potencial radiofônico. Qualquer pessoa, ao ouvir o disco, perceberá que a banda está pronta para estourar. Só falta um empurrãozinho, um passo, e tomara que ele seja dado com este disco de estréia.

Você gosta de música? Então vá atrás deste CD, porque não tem como não gostar.

Faixas:
1. Descontrole - 2:34
2. Sessão Remember - 2:57
3. Quanto Você Bebe? - 2:42
4. O Moderno é o 50tão - 3:22
5. Ninguém pra Conversar - 2:41
6. Jorge e a Repressão 70 - 2:49
7. Fulano de Tal - 2:36
8. Corrente - 4:09
9. Caminho de um Louco - 2:42
10. Música pra Ela - 2:40
11. E Agora! - 2:23
12. Solução aos seus Pés - 2:13
13. Do Mod ao Rock (O Final Nunca Vai Chegar) - 2:38
14. Latinha Errada - 3:31

Para conhecer mais sobre a banda, acesse o My Space do grupo.

Marcos Bragatto: Poeira Zine faz jornalismo rock como ele deve ser

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Publico abaixo excelente texto escrito pelo jornalista Marcos Bragatto sobre a Poeira Zine, na minha opinião a melhor revista de música do Brasil, e que eu tenho a honra de colaborar a cada edição:

Meus amigos, recordar é viver. Foi pensando assim que, ao receber um e-mail de divulgação lançando uma nova edição do Poeira Zine, fiquei embasbacado ao ver, estampado na capa, o excepcional Gov’t Mule. Não sei se o nome lhes é familiar, caros leitores. Mas a mim, sim. Acontece que, por conta do destino, me vi separado do grupo que descobri pelas andanças do rock, tocando ao vivo, em pleno Canecão, a casa da música popular brasileira, no longínquo ano de 1996. Disse que me vi separado e repito: nunca mais tinha ouvido falar dessa extraordinária banda cujas fotos do show ainda estão aqui nos meus alfarrábios. Ou, por outra, só li uma nota quando o baixista original faleceu, em 2002. Pensei que, depois disso, o Gov’t Mule tinha ido para o saco. Pois não foi.

Falei do Poeira Zine e não sei se vocês o conhecem. Tem nome de zine, mas é, na verdade, uma revista. Digo isso porque as matérias são escritas, diagramadas, impressas em gráfica e encadernadas, em
off-set, com capa em papel couchê e tudo. Por isso chamo de revista, embora seja batizado como zine. Curioso que, na década de 90, a Rock Press tinha mais ou menos o mesmo formato e era uma revista, embora muito chamassem a publicação (às vezes com conotação pejorativa) de zine. Isso, hoje, já não tem a menor importância. A Rock Press, como boa parte das publicações impressas, virou site, e o Poeira Zine reina.

Conheci o Poeira Zine há uns dois anos, quando o editor Bento Araújo gentilmente me enviou um exemplar, com o The Who na capa. Na época eu era um dos colaboradores da extinta Bizz, e a revista vivia uma crise de capa. Aliás, um dos motivos de a nova Bizz ter fracassado certamente foi a falta de habilidade na escolha das capas de cada edição, mas isso é outra história. Ocorre que um subeditor da revista me disse, na época, que o The Who, lançando um álbum de inéditas depois de setecentos anos, só não foi capa porque eles não teriam conseguido uma entrevista com a banda. Eis que, ao abrir o Poeira Zine, estava lá um entrevistão com ninguém menos que Pete Townshend, o dono da boca. Ponto para Bento Araújo, que, do quarto de sua casa, furou a Editora Abril.

Dessa vez, quando pedi para comprar a tal edição do Poeira com o Gov’t Mule na capa, Bento fez questão de me enviar, gratuitamente, logo dois exemplares, esse e o anterior, com uma geral na cena pré-punk de Chicago. Com mais atenção, verifiquei que Bento é quem faz praticamente tudo na revista (pra mim é – repito - revista), inclusive diagramação. Li também, no editorial, praticamente um pedido de desculpas pelo fato de a matéria de capa ser com uma banda “nova”, isto é, criada nos anos 90, quando a publicação foi criada para só mostrar os clássicos das antigas pra valer. Ou, nas palavras de Bento, “
trazer de volta o espírito do jornalismo ‘rocker’ dos anos 70”. E olha que ele próprio, Bento Araújo, nasceu em 1976! É mole?

Este velho homem da imprensa rock que vos escreve deve confessar que não acompanhou a imprensa que o editor citou no editorial. Mas, depois de ler, por questões pessoais, a matéria de capa e quase toda a edição 21 de cabo a rabo, entendi o que ele quis dizer. Que informação legal se lê em revista especializada, com matérias multi-ganchos grandes e cheias de boxes explicativos – na do Gov’t Mule foram 12 páginas, quatro boxes e duas entrevistas exclusivas. Sim, eu sei que boa parte do conteúdo impresso naquelas páginas – sobretudo o biográfico – seguramente pode ser encontrado na internet, e eu próprio já teria acesso a ele se tivesse me disposto a procurar com um pá de cliques. Acontece que assim não é legal. Legal é ver a revista, como vi num e-mail, adquirir e ler. Eu mesmo poderia, ao saber que o Gov’t Mule estava vivo, ter procurado e encontrado notícias na web e saber de tudo antes de o correio chegar aqui na portaria do prédio. Preferi, no entanto, a versão impressa em revista – com um bom texto, diga-se – porque é assim que deve ser.

Falei de matéria legais como a do Gov’t Mule, publicada no Poeira Zine, justamente pra fazer a conexão que esbocei ali em cima, com a Rock Press. Porque eu mesmo fiz matérias desse tipo para a finada publicação. Lembro de algumas, com Black Sabbath, Korn, Raimundos e The Police. Na época, fui advertido pelo meu amigo, o inefável Dr Rodivaldo Traça, que chamou a empreitada de “jornalismo Google”. Como se tudo fosse copiado da internet para o papel. Ora, meus amigos, tanto eu como o Bento Araújo, a música e o rock em si, antecedemos à internet em muitos anos, e uma coisa é o pensamento humano; outra é uma ferramenta cibernética somente útil nas mãos de gente como a gente - humanos.

Quando digo que jornalismo rock deve ser impresso, não me refiro apenas ao classic rock desempoeirado pelo Poeira Zine, mas de todo o rock. Pensem bem. Se o Bento acha o Gov’t Mule novo, não é exagero dizer que o Oasis é um medalhão. Ou o que Police acabou de renascer das cinzas como um dinossauro, assim como o Pixies um ano antes. Todas essas bandas, só citadas a título de ilustração, poderiam ganhar matérias bem elaboradas como a do Gov’t Mule numa publicação de rock impressa. O que o Bento chama de “
espírito do jornalismo ‘rocker’ dos anos 70” nada mais é do que como o jornalismo rock deve ser. Vejam: não é o rock que deve se adaptar à internet; esta é que tem que se enquadrar ao rock.

É de se salientar, entretanto, que enquanto publicações impressas de renome em todo o mundo, como o semanário New Musical Express, ícone da modernidade, agonizam e priorizam as versões virtuais, lá fora, na mesma Inglaterra, a revista Classic Rock completa dez anos e vai muito bem, obrigado. Está até distribuindo estatuetas para ícones do gênero, numa premiação anual que na edição de 2008 transformou Ozzy Osbourne oficialmente em lenda viva do rock. Numa visão intra-muros, aqui no Brasil, afora a “bancada pela fama” Rolling Stone, todas as outras publicações impressas sucumbiram à internet, exceto o grande Poeira Zine e a Roadie Crew, que nasceu metal e vem adaptando o conteúdo para – advinhem – o classic rock. Seria essa uma tendência? O tempo dirá.

Como sempre digo, é tanta coisa no menu que eu não sei o que comer. Queria falar de Gov’t Mule e de imprensa rock de verdade. Que o Poeira Zine é um espetáculo e que o rock antecede à internet. Pois acabei falando mais ou menos um pouco de tudo, porque, como diz o cancioneiro, não tenho tempo a perder. Preciso ler a matéria sobre o California Jam e começar baixar logo os discos e shows do Gov’t Mule que o Poeira indicou!

Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!

10 de fev de 2009

Hardão 70: Dust, direto das catacumbas

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Por Marcos A. M. Cruz
Colecionador e Editor do Whiplash! Rock e Heavy Metal

Final de 1973. Durante uma apresentação do Kiss perante executivos da gravadora Casablanca, Gene Simmons começa a fazer caretas e colocar a língua para fora, num gesto que passaria para a posteridade como marca registrada do baixista. Um dos presentes não consegue segurar um sorriso, e mais tarde, Simmons admite ter-lhe roubado a perfomance, que vira algum tempo antes, por ocasião de um show do Dust, banda cujo guitarrista se tratava do agora produtor Richie Wise.

Uns tempos atrás estava eu na sala de aula batendo papo com meus pupilos (nas horas vagas sou professor) sobre trivialidades em geral, quando a conversa descambou para a questão do sucesso profissional, coisa que os interessa bastante, a grande maioria adolescentes e pós, que estão adentrando o mercado de trabalho, até que, num certo momento, uma aluna fez a seguinte afirmação, em tom de dúvida:

"Então, pelo que o senhor diz, basta ser competente no que se faz para se obter sucesso?"

Ia responder que sim, mas de repente me veio à mente a trajetória de várias bandas que tentaram, em vão, alçar seu lugar ao sol, muitas não conseguindo sequer aqueles propalados quinze minutos de fama andywarholnianos.

Fillmore East, início de 1968. Dois jovens na casa dos quinze anos, Kenny Aaronson e Richie Wise, se deliciam durante uma apresentação do Jimi Hendrix Experience, onde ao final o guitarrista destrói seu instrumento, jogando alguns pedaços para a platéia.

Após uma luta encarniçada, Richie consegue ficar com os captadores, troféu que adaptaria em sua guitarra e carregaria por toda sua carreira como músico, que até então estava apenas engatinhando, pois ele fazia parte de uma turma de jovens que havia na época no Brooklin, local onde morava, que tocavam em várias bandas adolescentes dedicadas a coverizar Beatles, Stones e, como era de se esperar, muito soul e funk.

Pouco tempo depois ele viria a conhecer Kenny Kerner, com o qual acabaria por estabelecer uma parceria que viria a se mostrar eficaz e duradoura, inicialmente como compositores, mais tarde como produtores.

Enquanto isto, no mesmo Brooklin, morava aquele seu amigo Kenny Aaronson, cuja paixão pela música veio através de seu irmão mais velho, que tocava bateria, instrumento que adotaria inicialmente, até que aos catorze anos de idade ele se depara com um baixo numa vitrine de uma loja e surge uma paixão à primeira vista.

Nova York, 1969. Um baterista de apenas treze anos de idade começa a se destacar pelo seu estilo veloz e pesado de tocar, inspirado principalmente por Keith Moon e Mitch Mitchell. Não tardou para despertar a atenção de Richie, que lhe propõe montar uma banda para tocar covers do The Who e Jimi Hendrix, duas de suas três grandes paixões (a outra eram os Beatles).

Durante um bom tempo prosseguem tocando nos bares e colégios da região, tendo passado diversos instrumentistas pelo baixo, até que em meados daquele ano estava na platéia o velho amigo de Richie, o baixista Kenny Aaronson, que horas mais tarde receberia um convite para se integrar ao grupo, já batizado de Dust.

Nisto, já em 1971, entra na história Neil Bogart, executivo da Kama Sutra (subsidiária da Buddah Records), que chegou até a banda através de Domenic Facilia, que estava empresariando os garotos. Acontece que Bogart estava interessado em expandir seus horizontes financeiros, investindo em grupos que tivessem uma sonoridade mais pesada, pois o grande filão que movimentava a Kama Sutra, que eram as bandas bubblegum (Ohio Express, 1910 Fruitgum Company e outros), não estava mais rendendo tanto quanto antes (por causa desta fama da gravadora é que algumas pessoas pensam erroneamente que o Dust faz parte do gênero).


Bogart oferece um contrato para o grupo, que imediatamente grava no Bell Sound Studio seu primeiro álbum, lançado em meados daquele mesmo ano, tendo sido precedido por um single com a canção "Stone Woman" em ambos lados (o lado A trazia a versão mono, e o B a versão estéreo).

Embora não fosse exatamente um sucesso de vendas, o álbum lhes garante uma certa credibilidade, que lhes renderia a única turnê que fariam fora da cidade de Nova York, abrindo alguns shows para Alice Cooper.

Ainda no final do ano sai mais um single, novamente trazendo a mesma canção em ambos os lados em sua versão mono/estéreo: desta vez a escolhida foi "Love Me Hard", porém numa versão diferente da editada no álbum (este
outtake pode ser encontrado na edição em CD da gravadora One Way, ao contrário do lançamento da Repertoire Records, que traz somente as faixas do álbum original).


E, no início de 1972, os garotos entram novamente no mesmo estúdio para registrar seu segundo e derradeiro trabalho, "Hard Attack", lançado pouco tempo depois, trazendo na capa uma belíssima ilustração de Frank Frazetta, famoso cartunista novaiorquino que galgou sucesso tardio aqui no Brasil com uma das encarnações da saga "Conan, O Bárbaro".

Porém, apesar de todo este esmero na parte gráfica e na produção (impecável, diga-se de passagem), mais uma vez o disco não alcança boas vendas, e as poucas chances de excursionar fora da cidade eram sabotadas por Marc, que na época contava com apenas 16 anos de idade e não podia largar a escola (era estudante secundário). E Richie Wise, ao que parece, estava um tanto quanto desencantado com a função de músico, passando a se interessar mais em atuar nos bastidores.

Provavelmente estes foram os motivos que levaram a banda a encerrar atividades em meados daquele mesmo ano.

Todos os integrantes do Dust construiriam uma carreira de sucesso dentro do meio musical; Richie Wise, que abandonaria a guitarra logo após sair do grupo (só viria a tocar muito esporadicamente em algumas sessões de estúdio) se torna um renomado produtor ao lado de seu amigo Kenny Kerner, tendo a dupla produzido, entre outros, discos de nomes como Badfinger, Glady´s Knights & The Pips e seu maior sucesso comercial, o Kiss,, que se tornou o carro-chefe da gravadora Casablanca Records, fundada por Neil Bogart assim que saiu da Kama Sutra.

Kenny Aaronson, que logo em seguida ingressaria no Stories, com quem grava seu maior sucesso comercial ("Brother Louie"), constrói uma gigantesca folha corrida, tendo trabalhado com Rick Derringer, Foghat, Blue Öyster Cult, Bob Dylan, Leslie West, Joan Jett e muitos, muitos outros.

Já Marc Bell se constitui num caso pitoresco: logo após o fim do grupo ele vai para o Estus, quarteto americano que deixa apenas um disco gravado em 1973, tendo no ano seguinte atuado na banda do bluesman Dave Bromberg, que registra um álbum naquele mesmo ano juntamente com Johnny Shines (lançado somente em 1992), e em 1976 se junta ao Richard Hell & The Voivoids. Porém, a fama viria mesmo em 1978, quando ingressa no Ramones e muda seu nome artístico para Marky Ramone.

Durante muitos anos pensei que se tratava de uma lenda a associação entre o baterista do Dust e o do Ramones, até ler numa entrevista a confirmação dele que de fato se trata da mesma pessoa. O motivo? Bem, compare as viradas e a pegada da primeira banda com a segunda, e depois me diga se parece ser o mesmo instrumentista.

Interessante notar que o grupo era incendiário não apenas em estúdio, como pode ser constatado na única gravação ao vivo existente (até onde eu sei), registrando pouco mais de quarenta minutos de uma apresentação no Brooklyn em 19/11/1971, mas que infelizmente conta com uma qualidade sonora abismalmente péssima.

Outro detalhe é que eles apresentam neste show três músicas inéditas, o que pode ser um indicativo que de fato eles deixaram material de sobra para um terceiro álbum, tal qual se comenta. Se for verdade, esperamos que algum dia isto venha à tona.

Uma pergunta que sempre pairou no ar em relação ao Dust é: por qual motivo eles não fizeram sucesso?  É indiscutível a qualidade dos seus dois únicos álbuns, tanto na parte das composições quanto na produção, além da competência técnica dos músicos, que formaram o que poderia vir a ser dos maiores power trios da história do rock. Apenas duas faixas - "Love Me Hard" e "Suicide" - já valem a aquisição de ambos.

Talvez a resposta resida no fato deles terem vindo na hora certa, mas no local errado, pois o tipo de som que faziam era mais próximo ao das bandas inglesas da época, ao contrário do que rolava em Nova York.

"Pense da seguinte forma: o sucesso profissional não depende só da ascenção financeira ou até mesmo do reconhecimento de terceiros, muitas vezes o que vale é estar de bem consigo mesmo, e nada melhor para isto do que se entregar ao que se faz de coração e alma, deixando de lado a ânsia por resultados imediatos, pois eles podem tardar mas um dia chegam, e se por acaso não vierem, paciência!"

Talvez a minha resposta tenha sido um tanto quanto piegas ou mesmo confusa, porém foi o que me veio na hora. Não sei se minha aluna entendeu meu ponto de vista (tampouco o leitor). Fazer o quê, há pessoas muitíssimo mais competentes que eu que não conseguiram seu lugar ao sol.

Mas eu continuo tentando, um dia chego lá. E se não chegar, pelo menos estou de bem comigo mesmo, isto é o que importa. O resto
"is dust in the wind" ...

9 de fev de 2009

Classic Tracks: Fleetwood Mac - The Green Manalishi (With the Two Prong Crown) (1970)

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Por Flávio Ottoni
Colecionador
Collector´s Room

"Embarquei numa viagem e nunca mais voltei" - Peter Green

Antes de deixar o Fleetwood Mac em 1970, o guitarrista e membro fundador Peter Green escreveu uma música que, segundo ele, representava metaforicamente o dinheiro e o mal que ele traz. A fonte para tal inspiração veio de um sonho muito intenso e vívido, no qual aparecia um cachorro verde que latia intensamente para ele. O estranho é que, segundo o músico, esse cachorro havia, na realidade, morrido há muito tempo. Durante o sonho, o próprio Green sentia que estava desencarnado de seu corpo, tentando fortemente sair desse estado etéreo ao observar que seu corpo jazia na cama. Depois de algum tempo, no sonho, ele finalmente sente que não está mais desprendido de seu corpo, voltando à condição normal. Quando acorda, amedrontado, observa o quarto completamente escuro, e então surge a ideia de compor a música. Na verdade, esse pesadelo (
bad trip) foi gerado pelo consumo de uma espécie de droga da família da LSD chamada "Green Manalishi", que atua diretamente no cérebro, alterando, profundamente, as percepções sensoriais.

A intensidade instrumental de "The Green Manalishi (with the Two Prong Crown)" - um hard rock folk soturno e psicodélico com andamento de balada - e sua letra destilando desesperança e tristeza refletem o quadro de agonia e descontrole em que o líder do Fleetwood Mac se encontrava, com um comportamento esquizofrênico reforçado por anos de consumo de drogas pesadas. Essa bela e intensa composição alcançou o décimo lugar das paradas britânicas, sendo o lado A do single com o mesmo nome. O lado B é preenchido pela instrumental "World in Harmony", escrita por Green e Danny Kirwan.

Foram feitos vários covers dessa faixa (Therion, Corrosion of Conformity, Nirvana, ...), porém o mais conhecido foi concebido pelo Judas Priest, que executou uma versão hard rock com marcantes riffs de guitarra e a voz possante e cortante de Rob Halford, culminando com o seu grito no final (que traduz bem o clima de agonia da canção). Esse versão se tornou uma das faixas mais importantes e tocadas pela banda, estando sempre presente em todos os set lists de seus shows. Originalmente, foi lançada no álbum "Hell Bent for Leather", e aparece também no ao vivo "Unleashed in the East". Uma regravação com a voz de Tim "Ripper" Owens saiu como bônus do álbum "Demolition".

Voltando ao líder do Fleetwood Mac, pouco antes de escrever "The Green Manalishi ..." Peter Green alertou os integrantes da banda que havia tido uma visão na qual observava um anjo segurando uma criança desnutrida de Biafra, na África. Segundo Green, essa visão era uma iluminação, um chamado para romper com o sistema de vida capitalista que estava destruindo o planeta e a humanidade, com a ganância e a insensibilidade dos indivíduos. Assim, propôs que os integrantes do grupo se envolvessem em projetos de caridade para combater a fome e doassem grande parte do dinheiro que possuíam para esse trabalho de ajuda. 

Inicialmente John McVie aceitou a proposta, mas ao observar que a ideia fora concebida por uma pessoa sob influência de drogas e, portanto, alterada, acabou no final por negá-la. Mick Fleetwood recusou desde o início. Com a recusa, Peter Green escreveu "The Green Manalishi ...", que segundo ele representa todo o mal ocasionado pelo dinheiro, e saiu do conjunto: "Quero mudar minha vida inteira porque não quero mais fazer parte desse mundo condicionado, e por isso estou dando o fora", disse. 

Reza a lenda que logo depois que saiu do grupo Green raspou o cabelo, doou tudo o que tinha e foi viver como um mendigo em Londres. O que realmente se sabe é que após a saída do Fleetwood Mac Green passou grande parte das décadas seguintes recluso para se tratar do vício em drogas e da esquizofrênia. Nesse meio tempo alternou inúmeras vezes momentos de convalescência com períodos de recaída. Nos períodos de sobriedade gravou alguns discos, fez shows esporádicos, tocou como convidado em álbuns de diversos artistas (inclusive do próprio Fleetwood Mac) e trabalhou em alguns bicos (coveiro, assistente hospitalar). Mas foi apenas em 1995 que ocorreu um novo retorno de Green ao cenário musical, com a formação de uma nova banda ,The Splinter Group, que lançou nove discos e foi dissolvida em 2004, após a saída de Peter Green.

Em 1998 Peter foi homenageado e passou a integrar o
The British Blues All Stars. Atualmente, Green está sendo assessorado por uma agência governamental britânica, que ajuda a administrar as finanças de pessoas com problemas mentais. Além disso, está tomando remédios fortes para tratar as suas disfunções, o que ocasiona, segundo ele, problemas de concentração e falta de ânimo para tocar.

Já o grupo que fundou se tornou um dos mais populares e poderosos do planeta na década de 1970, tocando até para a rainha da Inglaterra em pleno Palácio de Buckingham.

Letra:

Now, when the day goes to sleep and the full moon looks
The night is so black that the darkness cooks
Don't you come creepin' around - makin' me do things I don't want to

Can't believe that you need my love so bad
Come sneakin' around tryin' to drive me mad
Bustin' in on my dreams - making me see things I don't wanna see

'Cause you're the Green Manalishi with the two-pronged crown
All my tryin' is up - all your bringin' is down
Just taking my love then slippin' away
Leavin' me here just tryin' to keep from following you



O Jazz e Sua Formação - Parte 5

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Por Fábio Pires
Pesquisador e Colecionador
Isto é Jazz

Basicamente encerrando nossas pesquisas sobre a origem do estilo, ficamos com a última parte sobre a formação do jazz (seus artistas e suas vertentes), que se estende até hoje numa transformação cíclica e constante, como qualquer estilo musical ou artístico que não fica imune às influências do mundo externo.

O chamado swing (balanço da música e presente em outros estilos do jazz) veio com as transformações tecnológicas e sociais nos anos 20 nos EUA. Chicago cedera espaço à Nova York e Kansas City, que adotaram o ritmo para si próprias e incorporaram suas características. O jazz participou do crescimento da música e sua massificação nos discos de vitrola, o surgimento do som no cinema (o incrível Al Jonson e seu filme "Cantor de Jazz"), o surgimento de uma classe dos novos ricos (consumidores dos musicais e espetáculos). 

O swing tem sua origem nas pequenas ou grandes orquestras de saxofones, trompetes e trombones. Ele está presente na música jazz e é também um estilo próprio. Nele havia a figura do arranjador, bem como os solistas excepcionais, como Benny Goodman, Coleman Hawkins, Roy Eldrige, Harry James, Rex Stewart e outros.


O grande maestro Duke Ellington em 1932 fez a canção "It Don't Mean a Thing If It Ain't Got that Swing", sendo a primeira vez que a palavra "swing" foi utilizada nesse contexto. Tornando-se uma música de consumo principalmente em 1935 com Benny Goodman, dez anos antes a primeira big band real de Fletcher Henderson já existia, mas sem o grande reconhecimento das que surgiriam depois. Henderson surgiu em 1923 e contava com os grandes Louis Armstrong (trumpete), Coleman Hawkins e Benny Carter (ambos no saxofone). 


Em Kansas City, inspirado nos arranjos de Henderson, surgia o bandleader William "Count" Basie. A parceria entre Benny Goodman e Henderson renderam à Goodman o título de "Rei do Swing". Goodman foi o primeiro a lotar o Carnegie Hall de Nova Iorque em 1938 com uma apresentação de jazz, já que o famoso teatro recebia apenas composições de música erudita e peças clássicas. 

O swing fez com que, através da obediência aos arranjos, muitos grandes músicos apenas tivessem uma performance razoável, igualando-se aos inferiores tecnicamente. O jazz começava a se diferenciar entre orquestras de músicos brancos (intelectualizados) e de negros (voltados às raízes de New Orleans e Chicago). O swing agora misturava-se à característica musical dos brancos. O aspecto romântico em suas canções o tornava mais mainstream, causando uma desaprovação dos jazzófilos (partidários das bandas negras). O jazz estava partindo para lugares diferentes, pelo menos nesse momento. O swing caiu em popularidade com a chegada do bebop nos anos 40, mas nunca saindo de cena. Ele apenas se modernizou na década de oitenta com o nome de New Swing Age. Solistas dessa época se destacaram, como o saxofonista tenor Scott Hamilton, o trompetista Warren Vaché e o guitarrista Cal Collins.

É dito que o swing foi um elo de ligação entre o jazz tradicional e o jazz moderno. Músicos como Lester Young, Johnny Hodges, Coleman Hawkins, o grande Charlie Parker, Lionel Hampton e muitos outros formaram a passagem da entrada do bebop e dos quintetos, sextetos e muitos outros combos a partir da década de 40. Se você se interessar pelo jazz pode escolher pelo tradicional ou pelo bebop, que apresentou tantos outros músicos de renome que desde a década de 60 se destacam na música popular.

* Ajudou-me nesta pesquisa a obra "Jazz: das Raízes ao Pós-Bop", de Augusto Pellegrini.

8 de fev de 2009

ChrisGoesRock e os blogs de download

domingo, fevereiro 08, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Quem procura raridades na internet essa semana levou um susto: o blog do ChrisGoesRock foi retirado do ar pelo Blogspot, em uma atitude fascista, estúpida e covarde. O nosso amigo Chris já recolocou o site em outro endereço, mas o que aconteceu merece alguns comentários a respeito das políticas adotadas pela indústria da música, que não consegue se adaptar, de maneira alguma, aos novos tempos.

Em primeiro lugar, quem conhece o blog do Chris sabe que ele é muito diferente dos sites de download dedicados a postar os últimos lançamentos. O trabalho do Chris é um trabalho de alguém apaixonado pela música, que mergulha fundo nos porões das décadas de 50, 60 e 70, buscando e divulgando artistas pouquíssimos conhecidos até mesmo pelos colecionadores mais dedicados. Artistas que, quando estavam na ativa, pouquíssimo ou nenhum apoio e divulgação receberam por parte das gravadoras, que agora agem para tirar o site do ar. Supremo contracenso esse.

O que é disponibilizado no blog está muito longe do mainstream, além de não se tratar de lançamentos recentes. Então, porque fazer isso com o site?  O blog do ChrisGoesRock é muito mais uma espécie de museu da música, focado em obscuridades pouco conhecidas, que presta um serviço imenso não só aos grupos que divulga, mas também à nós, amantes da música, que entramos em contato com grupos fantásticos que não conheceríamos por outra fonte. E, como todos nós sabemos, menos a indústria, ao gostarmos de alguns desses artistas que encontramos no blog, evidentemente vamos atrás dos álbuns originais, afinal é isso que nos diferencia dos ouvintes comuns da música.

Mas não. As companhias fonográficas, na sua estupidez, ganância e falta da conhecimento sobre os seus consumidores, tem que ir lá e pressionar o Blogspot para tirar o site do ar, um site que faz aquilo que elas não fizeram quando tiveram esses artistas sob contrato: divulga e leva o som desses grupos a ouvintes em todo o mundo.

Os blogs de download com o perfil semelhante ao do Chris (e existem aos montes pela rede, apesar do nosso amigo sueco superar todos eles - um dia ainda o entrevisto aqui para o site) tornaram-se uma poderosa ferramenta a serviço da música nos tempos atuais. Só não enxerga isso quem tem olhos apenas para o próprio umbigo. Não adianta nos tirar do ar. A gente volta. Sempre. De novo e mais uma vez.

Pra fechar esse post, leiam abaixo o email que a RIAA, agência reguladora dos direitos autorais nos EUA, envia para os autores dos sites quando uma das postagens fere, segundo o seu entendimento, as regras do jogo:

Blogger has been notified, according to the terms of the Digital Millennium Copyright Act (DMCA), that certain content in your blog infringes upon the copyrights of others. The URL(s) of the allegedly infringing post(s) may be found at the end of this message.

The notice that we received from the International Federation of the Phonographic Industry (IFPI) and the record companies it represents, with any personally identifying information removed, will be posted online by a service called Chilling Effects at http://www.chillingeffects.org. We do this in accordance with the Digital Millennium Copyright Act (DMCA). Please note that it may take Chilling Effects up to several weeks to post the notice online at the link provided.

The IFPI is a trade association that represents over 1,400 major and independent record companies in the US and internationally who create, manufacture and distribute sound recordings (the "IFPI Represented Companies").

The DMCA is a United States copyright law that provides guidelines for online service provider liability in case of copyright infringement. We are in the process of removing from our servers the links that allegedly infringe upon the copyrights of others. If we did not do so, we would be subject to a claim of copyright infringement, regardless of its merits. See http://www.educause.edu/Browse/645?PARENT_ID=254 for more information about the DMCA, and see http://www.google.com/dmca.html for the process that Blogger requires in order to make a DMCA complaint.

Blogger can reinstate these posts upon receipt of a counter notification pursuant to sections 512(g)(2) and 3) of the DMCA. For more information about the requirements of a counter notification and a link to a sample counter notification, see http://www.google.com/dmca.html#counter.

Please note that repeated violations to our Terms of Service may result in further remedial action taken against your Blogger account. If you have legal questions about this notification, you should retain your own legal counsel. If you have any other questions about this notification, please let us know.

Sincerely,

The Blogger Team

Affected URLs:

http://whydontcha.blogspot.com/2008/11/socrates-drank-conium-on-wings-1973.html


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