20 de mar de 2009

Música Pesada para Tempos Duros

sexta-feira, março 20, 2009

Por Sérgio Martins
Jornalista
Texto publicado originalmente no site da Revista Veja

Com turnês lucrativas e discos nas paradas, as bandas de heavy metal compõem a trilha sonora da crise econômica. E não será a primeira vez que isso acontece.


Vocalista do sexteto inglês Iron Maiden – que desembarca nesta semana no Brasil para apresentações em várias capitais –, Bruce Dickinson encontrou uma definição hiperbólica para seu gênero musical. "O heavy metal é a ópera da classe operária", disse ele em entrevista a VEJA. Nem todo fã do rock pesado será um proletário. Mas esse é, sim, um público predominantemente masculino e de classe média baixa, sempre duramente atingido pelas crises econômicas. Com suas guitarras e sua gritaria, o heavy metal é o meio perfeito para essa turma ventilar frustrações. O gênero parece florescer com mais vigor em tempos difíceis. A nova onda do heavy metal britânico, na qual despontaram Def Leppard e Iron Maiden, surgiu no caos econômico-sindical da Inglaterra do fim dos anos setenta – que eclodiu com mais estrondo ainda no punk. E o auge do chamado "hair metal" – o hard rock xaroposo de bandas como Mötley Crüe – coincide mais ou menos com uma grande queda da bolsa americana, em 1987. A crise mundial detonada pela implosão do crédito americano pode estar impulsionando um revival metaleiro.

O show que o Iron Maiden traz agora para o Brasil esteve entre as cinquenta turnês recentes mais lucrativas dos Estados Unidos – nas quais se incluem outras bandas pesadas, como Kiss e Bon Jovi. Comercializado apenas na rede popular Wal-Mart,
Black Ice, da banda australiana AC/DC, tornou-se um dos CDs mais vendidos no mercado americano em 2008 – e o segundo do mundo. O Metallica também vem frequentando as paradas com Death Magnetic. Haverá outras razões para o renascimento metaleiro – como o jogo Guitar Hero, que popularizou o rock pesado entre as novas gerações –, mas a crise talvez seja o fator determinante.


Quase toda a crise econômica do século XX teve sua trilha musical. O suingue das
big bands animou os anos tristes da Grande Depressão, e a disco music amainou as angústias causadas pela alta do petróleo e pela inflação na década de setenta. Na aparência, são gêneros muito diferentes – a discoteca, que teve origem em boates gays de Nova York, parece representar o oposto da masculinidade ostensiva de um show de metal. Mas há um ponto em comum: são músicas de grande apelo corporal. Houve várias danças frenéticas para acompanhar o suingue – caso do jitterbug, com seus tremeliques nervosos. As coreografias da disco ficaram famosas na interpretação de John Travolta (cujo personagem em Os Embalos de Sábado à Noite conhecia a dureza de perto). E o metal, embora não convide à dança, pede vigorosas sacudidas de cabeça. A música tem sua clara função catártica: quanto mais o corpo balança, menos sente o aperto econômico.

Os metaleiros contam com uma forte identidade de grupo, que proporciona abrigo em tempos de arrocho. O comportamento tribal, a indumentária de couro e rebites e os dedos erguidos para lembrar os chifres do "senhor das trevas" não contribuem para sua reputação. Mas Bruce Dickinson protesta:
"Os fãs de rock pesado não são burros nem violentos. Isso é um estereótipo". A associação entre o metal e a violência é, de fato, equivocada – os fãs de metal raramente brigam em shows. Suas caras de mau disfarçam uma índole em geral pacífica. É a crise que é mesmo o capeta.

Martin Popoff - Gettin´ Tighter: Deep Purple ´68-´76

sexta-feira, março 20, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: *****

Duzentas e quarenta e quatro páginas, escritas por um dos melhores e mais respeitados jornalistas musicais do mundo, abrangendo todos os álbuns lançados por uma das mais importantes e influentes bandas da história do rock, entre os anos de 1968 e 1976. Ou seja, o período em o Deep Purple produziu o seu material clássico e de maior impacto, os discos contendo as músicas que os transformaram em ícones eternos da música pesada.

Martin Popoff, estudioso dedicado do heavy metal e do hard rock, destrincha os trabalhos lançados pelo grupo de Ritchie Blackmore e Jon Lord desde
Shades of Deep Purple (1968) até Made in Europe (1976), além de uma passagem rápida, mas não menos competente, pelos discos gravados pelos integrantes do Purple após o primeiro fim do grupo, incluindo álbuns do Rainbow, Whitesnake, Paice Ashton Lord, Ian Gillan Band, Hughes Thrall e discos solo. Ou seja, se você é fã do Deep Purple, Gettin´ Tighter é um livro obrigatório. Se você é um fã de música pesada, é uma obra fundamental. Se você gosta de música, é uma leitura didática e sensacional.

Popoff, dono de um texto repleto de personalidade, vai fundo em cada um dos discos analisados, contando as histórias de bastidores e as curiosidades por trás de cada um deles. Além disso, analisa, com muito conhecimento de causa, cada um dos álbuns em questão, seu lugar na discografia do Purple, seu impacto e sua influência para a música, tanto no período em que foram lançados quanto nos dias atuais, onde o distanciamento do tempo torna o entendimento da obra do conjunto mais fácil de ser assimilada e absorvida.

Além dos textos, destaque também para as dezenas de imagens impressas em suas páginas, como anúncios da época, imagens do grupo, singles e as obrigatórias capas dos trabalhos analisados. Uma pena é que o livro seja em preto e branco e não colorido, não mantendo assim a exuberância das obras recentes de Popoff, como
Run for Cover: The Art of Derek Riggs, já analisado aqui no site.

Mesmo assim, sobram motivos para ter
Gettin´ Tighter em casa. Mais do que uma mera obra literária, Popoff conseguiu elaborar um verdadeiro estudo acadêmico sobre a carreira do Deep Purple, com muitas informações e dados sobre o grupo. A influência do Purple, que ao lado do Black Sabbath e do Led Zeppelin formou a santíssima trindade do rock pesado no início da década de setenta, não se apagou com o tempo, muito pelo contrário. Até hoje a força de sua música continua impressionante, batendo forte na cabeça de novos ouvintes e sendo redescoberta por rockers veteranos, que ao ouvir aqueles discos que os acompanharam por toda a vida percebem novos detalhes e novas nuances nas composições do conjunto.

Além de tudo isso,
Gettin´ Tighter - Deep Purple: ´68-´76 deveria servir de bíblia e exemplo para grande parte da crítica especializada brasileira, formada mais por torcedores do que por jornalistas dispostos a analisar, de forma séria e isenta, a obra de seus ídolos. Popoff consegue fazer isso com extrema naturalidade, nunca perdendo a força de seu texto e sempre transparecendo o amor e o tesão que sente pelo grupo.

Obrigatório, clássico e fundamental!

Compre o livro direto com Martin Popoff, acessando o seu site.

Discos Fundamentais: Johnny Winter - The Progressive Blues Experiment (1969)

sexta-feira, março 20, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Primogênito de John e Edwina Winter, John Dawson Winter III é um dos mais importantes e influentes músicos de blues do século XX. Sua guitarra fez história, elevando-o à condição de lenda viva, status esse esculpido a ferro e fogo pelas
highways de sua vida.

Albino como o seu irmão menos famoso, Edgar, Johnny começou a tocar muito cedo, e, aos 15 anos, já havia gravado seu primeiro álbum,
School Boy Blues, creditado ao grupo Johnny and the Jammers, hoje disputado mais por ser um raro souvenir do que propriamente por sua qualidade artística. Ainda durante a adolescência, Winter teve a oportunidade de assistir ao vivo ícones como Muddy Waters e B.B. King, fundamentais na sua formação.

Em 1968, Johnny Winter formou um trio com o baixista Tommy Shannon e o baterista Uncle Joe Turner. Os shows do grupo chamaram a atenção e deram uma certa reputação à banda, levando o jornalista Larry Sepulvado a escrever sobre o conjunto para a então nascente revista
Rolling Stone. A matéria de Sepulvado gerou interesse em Winter, tornando os shows do grupo ainda mais concorridos.

Em abril de 1969 chegou às lojas
The Progressive Blues Experiment, lançado pela Imperial Records, trazendo uma sonoridade crua e rude, que ajudou a definir o tipo de música que seria associada, mais tarde, à vertente do gênero proveniente do estado norte-americano do Texas. Trazendo apenas quatro faixas próprias ("Tribute to Muddy", "Bad Luck and Trouble", "Mean Town Blues" e "Black Cat Bone"), o álbum contém competentíssimas releituras de clássicos de autoria de Muddy Waters ("Rollin´ and Tumblin´"), Sonny Boy Williamson ("Help Me"), Slim Harpo ("I Got Love If You Want It"), B.B. King ("It´s My Own Fault") e Howlin´ Wolf ("Forty-Four"), deixando claras as influências que acompanhariam Winter em toda a sua longa trajetória.

Clássico incontestável, o álbum mostrou ao mundo o estilo único de Johnny Winter, seja no slide de "Rollin´ and Tumblin´", no tempero country de "Bad Luck and Trouble", nos solos inspirados de "Tribute to Muddy" e na aproximação com o hard rock de "Mean Town Blues", seguindo a mesma linha que o Led Zeppelin exploria com brilhantismo ímpar durante a primeira metade dos
seventies.

Se você gosta de blues ou de rock, esse é um disco imperdível.

Faixas:
A1. Rollin' and Tumblin' - 3:09
A2. Tribute to Muddy - 6:20
A3. I Got Love if You Want It - 3:52
A4. Bad Luck and Trouble - 3:43
A5. Help Me - 3:46

B1. Mean Town Blues - 4:25
B2. Broke Down Engine - 3:25
B3. Black Cat Bone - 3:46
B4. It's My Own Fault - 7:20
B5. Forty-Four - 3:28

19 de mar de 2009

Discos Fundamentais: Bad Company - Bad Company (1974)

quinta-feira, março 19, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Sem dúvida alguma este é um dos melhores discos que eu já ouvi. Após o encerramento das atividades do Free, poucos acreditavam que Paul Rodgers e Simon Kirke poderiam lançar algo tão bom em tão pouco tempo. Claro que estávamos falando de músicos excepcionais, especialmente Rodgers, mas o processo que leva ao encerramento das atividades de uma banda é estressante, cansativo e avassalador, principalmente em um caso como o do Free, onde Rodgers, Kirke e Andy Fraser viram a amizade entre os integrantes ser devastada pela dependência química de Paul Kossoff.

Na ressaca de todo esse processo surgiu o Bad Company. Do Free vieram Paul Rodgers e Simon Kirke. Do Mott the Hoople veio o guitarrista Mick Ralphs, enquanto o King Crimson havia sido a banda anterior do baixista Boz Burrell. Essa formação fez com que a imprensa logo os rotulasse como um supergrupo, característica que ficou ainda mais forte após Peter Grant, o lendário empresário do Led Zeppelin, anunciar que também seria
manager do grupo. Essa ponte entre as duas bandas fez com que o Bad Company fosse o primeiro contratado e lançasse o primeiro disco do Swan Song, o selo fundado por Page, Plant e companhia.

Lançado em 15 de junho de 1974,
Bad Company foi um sucesso tremendo, com o álbum atingindo o primeiro posto nos charts da Billboard. Os singles do álbum também fizeram bonito, com “Can´t Get Enough” alcançando a posição de número cinco e “Movin´ On” a dezenove.

Realmente, as oito faixas que formam o álbum apresentam uma qualidade indiscutível. A já citada “Can´t Get Enough” é uma pedrada hard guiada pela guitarra de Ralphs; “Rock Steady” é um hard blues onde toda a banda se destaca, com destaque para Ralphs e para a magnífica interpretação de Rodgers; a balada “Ready for Love” se transformou em um dos maiores clássicos do grupo, e é de uma simplicidade tocante.

A música que dá nome ao grupo e ao disco, “Bad Company”, é uma densa balada blues que contém uma das melhores interpretações de toda a carreira de Paul Rodgers, um vocalista que deveria ser muito mais reconhecido do que é. Marca registrada da banda, até hoje é um dos pontos altos dos shows do conjunto. “The Way I Choose” revela momentos lindos em suas linhas vocais e em seu arranjo, emocionando todo e qualquer apreciador de música. O álbum fecha com o single “Movin´ On”, que traz enormes influências do Free, e a clássica “Seagull”, uma das mais emblemáticas composições do grupo.

Após essa estréia, o Bad Company lançaria mais quatro ótimos discos -
Straight Shooter em 1975, Run With the Pack em 1976, Burnin´ Sky em 1977 e Desolation Angels em 1979, sendo que os três primeiros são fundamentais em qualquer coleção de respeito.

Paul Rodgers sairia da banda am 1982, sendo substituído por Brian Howe (Ted Nugent), e durante a sua ausência o Bad Company enveredou por caminhos sonoros discutíveis, deixando de lado o blues rock e o hard que o haviam consagrado e investindo em uma sonoridade mais pop, que visava exclusivamente o crescimento do grupo no mercado norte-americano. Rodgers voltou à banda em 1998, e desde então o Bad Company tem realizado shows frequentes, mantendo vivo o seu legado como um dos mais importantes grupos de hard rock dos anos setenta.

Faixas:
A1. Can't Get Enough - 4:16
A2. Rock Steady - 3:47
A3. Ready for Love - 5:02
A4. Don't Let Me Down - 4:21

B1. Bad Company - 4:50
B2. The Way I Choose - 5:05
B3. Movin' On - 3:24
B4. Seagull - 4:02

Pé D´Orelha - Pé D´Orelha Volume Um (2008)

quinta-feira, março 19, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ***1/2

O Pé D´Orelha nasceu de uma banda cover de blues que tocava na noite carioca. O entrosamento entre os músicos foi tão harmonioso que o grupo começou a compor material próprio, e o resultado é um hard rock com sabor setentista, que deve agradar em cheio quem gosta de um bom e honesto rock and roll.

Formada por Eduardo Kazan no vocal, Daniel Costa na guitarra e violão, Beto Brown no baixo e Alexandre Baca na bateria, o grupo chega a seu primeiro play com
Pé D´Orelha Volume Um, lançado em 2007. Um bom disco, que transparece paixão e amor pela música em cada uma de suas doze faixas.

"Guaia" abre o trabalho com um bom riff; "Tudo por Dez Reais" tem um ótimo refrão e uma letra sacana, que conta a história de uma menina que prometia fazer qualquer um feliz por meros dez reais; um riff pesadão apresenta "Deixe o Medo", com ótimas guitarras e backing vocals que lembram o Barão Vermelho em seus melhores momentos. 

A melhor faixa do CD vem a seguir: "Sigo Pronde Sopra o Vento" é um blues muito bom, com ecos de Celso Blues Boy tanto nas guitarras quanto nos vocais, e que cativa já na primeira ouvida; se eu tivesse um programa de rádio ou qualquer coisa semelhante, tocaria essa sem dúvida, lá por perto da meia-noite.

O disco segue com o riff totalmente setentista de "Murro em Ponta de Faca", com um refrão muito legal; m seguida surgem os metais da meio ska "O Lodo", dona de um refrão hilário e que apresenta uma discreta influência de Chico Science e Nação Zumbi. 

O trampo do guitarrista Daniel Costa se destaca, despejando uma tonelada de bons riffs durante todo o disco, como em "Não" e "Vício Maldito", essa última com uma linha vocal bem chicletona. "O Trato" é outro grande momento, com a guitarreira comendo solta, com um monte de efeitos, e letra contando a história de um cara que fez um trato com diabo. O álbum fecha com "Mundo Louco" uma das mais pesadas do disco, com outra letra bem sacada, e "Caos Social", que tem sei riff emprestado de "Space Truckin´", do Deep Purple.

No geral esse primeiro registro do Pé D´Orelha aresenta canções bem construídas, com linhas vocais bem desenvolvidas, pontes antes dos refrães, arranjos bem definidos, que passam a impressão de terem sido trabalhados exaustivamente. Um trabalho bem feito, sem dúvida, repleto de algo que anda em falta nos tempos atuais: paixão e tesão pelo rock. Precisa mais do que isso?

Faixas:
1. Guaia - 2:47
2. Tudo por Dez Reais - 2:40
3. Deixe o Medo - 2:44
4. Sigo Pronde Sopra o Vento - 4:33
5. Murro em Ponta de Faca - 3:00
6. O Lodo - 2:30
7. Não - 2:44
8. O Trato - 4:05
9. Vício Maldito - 3:38
10. Dor De - 4:42
11. Mundo Louco - 3:47
12. Caos Social - 3:20

www.pedorelha.com.br

V/A - Extreme Brazilian Alliance (2008)

quinta-feira, março 19, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ***

Extreme Brazilian Alliance é uma compilação organizada pela Nihilistic Music, do Rio de Janeiro, que traz dez bandas de metal extremo de todo o Brasil.

Um bom retrato do underground, com alguns grupos promissores, como é o caso dos baianos do Inside Hatred, com um death brutal; o Tempestilence, de Campinas, que executa um black metal bem interessante, bebendo nas raízes do estilo, com destaque para o vocal de Fábio Lima, também guitarrista; os cariocas do As Dramatic Homage, com um death bastante técnico, com boas melodias e ótima performance dos músicos; os também cariocas da Dark Tower, death metal influenciado elo thrash; o bom death dos mineiros do Sepulcro; o black metal totalmente
old school dos também mineiros Blasphemical Proceation.

Completam o disco a Angerise de Belo Horizonte, o Inhumane Rites de Sorocaba, os paulistas do Dead Crush (com uma proposta muita interessante, que é fazer um som extremo tendo como ponto de partida ícones do cinema de terror - tanto que o nome da faixa aqui presente é "Michael Myers", o assassino da clássica série de filmes
Halloween) e os paranaenses do Waking for Darkness.

Parabéns a Nihilistic pela iniciativa desse interessante lançamento, que mostra que existe muito metal de qualidade sendo feito no Brasil, e que está, infelizmente, longe do alcance da maioria dos fãs.
Extreme Brazilian Alliance ajuda a diminuir um pouco esse distanciamento, e revela nomes que tem tudo para causar um estrago muito maior em um futuro próximo.

Faixas:
1. Inside Hatred - Empire in Decadence
2. Tempestilence - Cold Dark Era
3. Angerise - Killing One by One / Merciless War
4. Inhumane Rites - Dawn of Unholy Rebellion
5. As Dramatic Homage - Ominous Force For Ascension
6. Dark Tower - Human Like Fire
7. Sepulcro - Perpétuo Domínio
8. Blasphemical Procreation - Satan With Me
9. Blasphemical Procreation - Transcomunication
10. Dead Crush - Michael Myers
11. Waking For Darkness - Lamentation


18 de mar de 2009

Umbra et Imago - Die Welt brennt (2002)

quarta-feira, março 18, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ***1/2

O Umbra et Imago nasceu em 1991 na cidade alemã de Karlsruhe, já lançou uma dezena de álbuns e conquistou uma fiel legião de fãs no underground europeu.
Die Welt brennt, lançado originalmente em 2002 no velho mundo, finalmente ganha versão nacional, e é um item no mínimo interessante.

Liderado pelo vocalista Manuel Munz, conhecido como Mozart, o grupo faz um gothic rock muito competente, bastante soturno e climático, que cai bem aos ouvidos. Visualmente a banda explora muitos elementos teatrais e performáticos em seus shows, e usa e abusa da sexualidade como fator dominante de sua obra. Mulheres nuas entram no palco, algumas estão em gaiolas suspensas, outras interagem com o vocalista, levando a platéia ao delírio.

É inegável que a performance da banda impressiona. Algumas vezes ficamos chocados, outras achamos interessante, e em alguns momentos tudo não parece passar de um teatro um tanto quanto ridículo, mas, de maneira geral, o show do grupo é um todo muito bem montado e pensado, que alcança com propriedade aquilo que se propõe a fazer: explorar até o limite a dramaticidade de sua música, somada a uma sexualidade extrema. O tema vampirismo é mais do que relevante aqui, tanto na forma da banda se vestir e postar, quanto de seu próprio público, repleto de figuras estranhas.

Assistir aos extras do DVD é fundamental para entender mais sobre o Umbra et Imago e seu mundo próprio. Venerado pelos fãs, Mozart assume a postura de apóstolo gótico, um personagem enigmático e bastante complexo. O sexo é o tema principal da obra do conjunto, e shows sadomasoquistas complementam as entrevistas, com cenas que podem chocar os mais puritanos, mas que revelam o quanto um considerável segmento de adeptos da música pesada mergulhou nos recantos mais soturnos do gênero, temperando-o com aspectos controversos de outras manifestações artísticas, gerando um resultado final bastante interessante. Ainda que a Hellion Records, seguindo o seu padrão ridículo de qualidade e respeito aos consumidores, tenha feito o favor de não legendar as entrevistas - que são em alemão -, mesmo assim dá pra entrar no clima. Pelo menos o DVD vem com um ótimo CD bônus ao vivo com o áudio do show.

Tem gente que vai odiar, tem gente que vai amar, mas é inegável que
Die Welt brennt é um item curioso e diferenciado, que serve como referência de uma cena que se torna cada vez mais popular na Europa.

Vale a pena dar uma conferida, sem dúvida alguma.

Arcturus - Shipwrecked in Oslo (2006)

quarta-feira, março 18, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****

O Arcturus nasceu em 1987 em Oslo, e desde o início se destacou por fazer um som extremo aberto a influências de outros gêneros musicais, notadamente o rock progressivo. Passagens atmosféricas e climáticas são frequentes na música desses talentosíssimos noruegueses, extremamente técnicos e donos de um bom gosto absurdo em suas composições.

Shipwrecked in Oslo, gravado ao vivo no dia 17 de setembro de 2005 na capital norueguesa e lançado em maio de 2006 na Europa, ganha agora uma versão nacional disponibilizada pela Somber Music e deixa claro que o grupo se transformou em uma entidade interessantíssima, que, ainda que tenha partido do metal extremo, hoje está distante dele, agregando elementos de música folclórica, do já citado progressivo e até mesmo de space rock em sua complexa sonoridade.

Contado com Simen Hestnaes nos vocais (o ICS Vortex do Dimmu Borgir), Tore Moren e Knut Magne Valle nas guitarras, Hugh Mingay no baixo, Steinar Johnsen nos teclados e Jan Axel Blomberg - o lendário Hellhammer do Mayhem - na bateria, o Arcturus mais parece um verdadeiro
dream team do metal extremo norueguês. É muito interessante ver esses músicos, que exploram caminhos distintos em suas bandas, trilharem estradas totalmente diferentes com o Arcturus. A pluralidade e a riqueza sonora são evidentes, bem-vindas e fundamentais. Não há limites para a criatividade, a música não fica presa nas cercas de um determinado gênero musical. A diferença aqui é a soma de elementos aparantemente antagônicos na construção de uma sonoridade única. Assim, há desde black metal da melhor qualidade até música eletrônica na mistura promovida por esses nórdicos malucos. Mas, com certeza, o principal ingrediente, e que faz toda a diferença para que o prato desça redondo, é o talento sobrenatural do sexteto. Sem ele, teríamos apenas uma massaroca mal costurada e indigesta. Graças a ele, temos uma música única, espantosa e cativante, sem parâmetro no heavy metal.

Falar da performance individual dos músicos é desnecessário, pois todos são fenomenais. A recomendação para qualquer banger é colocar o DVD no player, sentar no sofá e viajar junto com a banda. A forma como o show, e o DVD, foram montados, ajuda muito nessa jornada. Dançarinas com máscaras invadem o set, seres estranhos surgem tanto na platéia quanto em cima do palco, imagens se fundem às cenas do grupo tocando. Tudo conspira para levar o telespectador em um mergulho profundo no mundo todo próprio da banda, mostrando que os caras pensaram o show como um evento multimídia, onde cada recurso se soma aos demais, formando um painel denso e psicótico.

Usar o velho recurso de destacar essa ou aquela música não se aplica aqui. O DVD foi pensado como um todo, e ele funciona muitíssimo bem assim. Se você é daqueles ouvintes preconceituosos, que pensa que o black metal é apenas barulho feito por gente que não sabe tocar nada, assista esse DVD. Ele vai muito além do gênero. Aliás,
Shipwrecked in Oslo é indicado não aos fãs de música extrema, mas sim aqueles que curtem a multiplicidade e a técnica do rock progressivo. Se você é um fã de prog, irá pirar com esse DVD. Se for um true from hell, recomendo os recentes vídeos do Dark Funeral e do Marduk, porque certamente você não irá curtir esse do Arcturus.

Enfim, um produto de altíssima qualidade, que exemplifica, nos mínimos detalhes, o quanto o heavy metal se tornou, com o passar dos anos, um gênero amplo e sem limites estilísticos.

Faixas:
1. Introduction
2. Ad Absurdium
3. Nightmare Heaven
4. Shipwrecked Frontier Pioneer
5. Alone
6. Deception Genesis
7. Chaos Path
8. Tore Guitar Solo
9. Deamon Painter
10. Nocturnal Vision Revisited
11. Painting My Horror
12. Steinar Keyboard Solo
13. Hufsa
14. Master of Disguise
15. Knut Guitar Solo
16. White Noise Monster
17. Reflections
18. Raudt og Svart
19. Credits

Bonus
1. Video Clip
2. Rehearsal
3. Slideshow Gallery

17 de mar de 2009

Edições Especiais: Easy Rider OST Deluxe Edition (2004)

terça-feira, março 17, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Com o fim da indústria da música como a conhecíamos, as gravadoras perceberam que, para continuar vendendo discos para a parcela de ouvintes que ainda se dispõe a isso - onde nós, colecionadores, somos essenciais -, mais e mais edições especiais de álbuns lançados há tempos estão chegando às lojas.

Aqui, nessa nova sessão da Collector´s Room, iremos indicar e recomendar alguns desses lançamentos, que, na nossa opinião, valem a pena ser readquiridos pelos novos atrativos que apresentam.

Pra começar, vamos falar de uma das mais célebres trilhas sonoras do rock, a do clássico filme Easy Rider, lançada originalmente em 1969. A trilha original ficou famosa por conter um dos maiores hinos da história do rock, a marcante "Born to Be Wild", interpretada pelo Steppenwolf. Só essa faixa já tornaria disco fundamental, mas ele ainda contém canções dos Byrds, Jimi Hendrix Experience, Roger McGuinn, Electric Prunes e uma interessante versão de "The Weight", da The Band, interpretada por Smith, já que não foi possível colocar a versão original do grupo canadense na trilha original por problemas contratuais.

Essa Deluxe Edition, lançada em 23 de março de 2004, é dupla, vem acondicionada em um slipcase, e traz no primeiro CD a trilha original e no segundo disco uma bela compilação das canções mais representativas do período 1967-1969, um dos mais criativos e representativos do rock and roll. Ali estão faixas de nomes como The Animals, Jefferson Airplane, The Who, Procol Harum , Chambers Brothers, Blue Cheer, Moody Blues e Flying Burrito Brothers, além de pérolas de obscuridades como The Seeds, Blues Magoos e Sir Douglas Quintet. A cereja do bolo é a versão original da linda "The Weight" pela The Band, uma das mais belas e emocionantes canções já escritas.

Vale a pena?  Não precisa nem perguntar!  Além de uma das mais importantes e clássicas trilhas sonoras já lançadas, você leva ainda um belo apanhado do que de melhor e mais relevante se produziu na segunda metade dos sixties, resultando em uma verdadeira aula sobre o rock and roll.

Faixas:

Disc One - The Original Soundtrack Album

1. Steppenwolf - The Pusher
2. Steppenwolf - Born to Be Wild
3. Smith - The Weight
4. The Byrds - Wasn't Born to Follow
5. The Holy Modal Rounders - If You Want to Be a Bird
6. The Fraternity of Man - Don't Bogart Me
7. Jimi Hendrix - If 6 Were 9
8. The Electric Prunes - Kyrie Eleison / Mardi Gras
9. Roger McGuinn - It's Alright Ma (I'm Only Bleeding)
10. Roger McGuinn - The Ballad of Easy Rider

Disc Two - Something in the Air, 1967 to 1969

1967
1. The Seeds - Pushin' Too Hard
2. The Electric Prunes - I Had Too Much to Dream Last Night
3. Blues Magoos - We Ain't Got Nothin' Yet
4. The Animals - San Franciscan Nights
5. Jefferson Airplane - White Rabbit
6. The Who - I Can See for Miles
7. Procol Harum - Whiter Shade of Pale
8. The Young Rascals - Groovin'
9. Richie Havens - High Flyin' Bird

1968
10. The Band - The Weight
11. The Byrds - You Ain't Going Nowhere
12. The Chambers Brothers - The Time Has Come Today
13. Joe Cocker - With a Little Help From My Friends
14. Blue Cheer - Summertime Blues
15. The Moody Blues - Nights in White Satin

1969
16. Sir Douglas Quintet - Mendocino
17. The Youngbloods - Get Together
18. The Flying Burrito Bros - My Uncle
19. Thunderclap Newman - Something in the Air


Castiga! - Kashmere Stage Band, a banda de colégio que abalou as estruturas do funk norte-americano

terça-feira, março 17, 2009

Por Marco Antonio Gonçalves
Colecionador
Sinister Salad Musikal

Para apreciadores da black music que se acabam no instrumental sofisticado de combos como Jb’s, Mandrill, War, Soul Seven ou Nite-Liters, o caminho da perdição segue nesta direção: Kashmere Stage Band, uma
big band negróide que conduzia um jazz-funk poderoso, sobrecarregado de instrumentos de sopro e com o groove pesando uma tonelada. Para entender a saga desta cultuada banda de colégio que praticamente se tornou profissional, é preciso reportar ao início dos anos sessenta, nos Estados Unidos, mais precisamente ao extremo norte da cidade de Houston, no Texas.

É ali o berço da Kashmere High School, célebre escola secundarista norte-americana e uma das tantas que dispõe do tradicional ensino musical em sua grade curricular. Localizada no gueto Kashmere Gardens e freqüentada predominantemente por alunos negros e de baixa condição social, se notabilizou em fomentar o talento de seus pupilos para que pudessem seguir carreira nas asas da música. Meta que, por sinal, seguia uma disciplina rígida, incluindo participações da banda do colégio em acirrados campeonatos musicais. Essas bandas escolares levavam o nome de stage bands e as disputas eram chamadas de batalhas. Uma prática repleta de rivalidade que se tornou frequente à partir do início dos anos sessenta e se estendeu até metade dos anos oitenta.

Mas não era só a musicalidade de seus prodígios alunos que diferenciava a Kashemere High School das outras agremiações. Seu principal trunfo estava nas orquestrações do educador musical Conrad O. Johnson - vulgo Prof para os seus séquitos. Profundo conhecedor do jazz e das ramificações da música negra, Johnson era um mestre exigente que comandava com mão de ferro o aprendizado musical de seus pupilos. Entre seus artifícios, o desenvolvimento de arranjos pra lá de elaborados e a inclusão de solos virtuosos nas instrumentações, suficientes para desbancar a concorrência que não chegava nem perto dessa eficácia. O resultado é que durante os anos em que esteve à frente da instituição, Johnson ganhou com o seu coletivo de alunos nada menos que 42 das 46 batalhas disputadas entre 1969 e 1977. Não tinha pra ninguém.


Apesar do amadorismo inicial, o objetivo de Johnson era transformar a Kashmere Stage Band em uma banda profissional, e o próximo passo nesse sentido, começava a ser maquinado. Dono do selo Kram Records, Johnson passou a gravar discos com a sua trupe, e não demorou muito para criar um culto em torno do nome da banda. Ao todo, foram registrados oficialmente oito álbuns entre 1968 e 1978, a saber:
Our Thing (1969), Bumper-To-Bumper Soul (1970), Thunder Soul (1971), Zero Point (1972), Kashemere Live ‘73 (1973), Plays Originals (1974), Out Of Gas But Still Burning (1974) e Expo ’75 – Concert Tour Japan/Okinawa (1975), todos poderosamente fantásticos, e raros, já que a tiragem de cada disco não passava das mil cópias e a distribuição era praticamente amadora. Hoje existem as reedições, mas as edições originais alcançam a média de 500 dólares cada.

Uma verdadeira orquestra black power fazendo uma combinação jazz/soul/funk de responsa, mostrando muita energia e vitalidade. Arranjos sensacionais, ora sincronizados, ora repletos de duelos e improvisos, combinando solos de metais virtuosos, linhas de baixo bem desenhadas, pianinho e órgão na medida black, instrumentos de percussão calibrados, uma bateria marcante que dava o
beat característico do funk, além de solos de guitarras que, quando surgem, mostram garras afiadas. Um groove pesado com uma qualidade sonora que transcedeu o som feito por outras bandas colegiais e até mesmo profissionais, levando a trupe a excursionar não só pelos Estados Unidos, como também por toda a Europa e Japão. 

Depois da saída de Johnson da escola no final dos anos setenta, a banda de colégio mais funk da história encerrou suas atividades e poucos de seus integrantes seguiram uma carreira de destaque no circuito musical. Em fevereiro de 2008, após um recesso de trinta anos, os membros da Kashmere Stage Band se reuniram para um concerto no auditório da escola, com o intuito de prestar uma justa homenagem ao seu grande líder e fundador, Conrad O. Johnson. A apresentação, com a presença do mestre, foi filmada e vai virar um documentário dirigido por Mark Landsman. E como o destino vive pregando suas peças, dois dias depois deste histórico acontecimento a morte carregou Johnson, aos 92 anos de idade. Palmas para o mestre que deixa seu legado para futuras gerações e que agora fará regências em companhia celestial.


Músicos da Kashmere Stage Band: Ricky Adams (saxofone), Arthur Armstrong (saxofone), Johnny Brown (saxofone), Geraldine Calhoun (baixo), Andrei Carriere (guitarra), Paul Chevalier (guitarra), James Cleveland (trombone), Dorothy Compton (percussão), Lionel Cormier (saxofone), Gerald Curvey (bateria), Patricia Davis (vocal), Ronnie Davis (trompete), Michael Dogan (baixo), Timothy Dunham (saxofone), Lawrence Foster (trombone), Samuel Frazier (trompete, tamborim), Grady Gaines (saxofone), Roy Garcia (guitarra), Craig Green (baixo, bateria), Morris ‘Sonny’ Hall (congas), Dwight Harris (trombone), Ray Harris (bateria), James “Ham” Jackson (saxofone), Leo Jackson (trompete), Michael “Mike Dee” Johnson (trompete), Audrey Jones (trompete), Jesse Jones, Jr. (saxofone), Samuel Jones (trombone), Sheila Jordan (vocal), Hilton Joseph (saxofone), Johnny Lewis (bateria), Henry Marks (bateria), Thaddeus McGowen (saxofone), Bruce Middleton (flauta,saxofone), George Miller (vocal, saxofone), Diane Moore (french horn), Harold Morris (saxofone), Cloyce Muckelroy (trompete), Alva Nelson (órgão, piano elétrico, saxofone), Glennie Odoms (saxofone), Larry Phillips (saxofone), Shirley Ploucha (french horn), Leon Polk (trompete), Johnny Reason (guitarra), Sherman Robertson (guitarra, pandeiro), Earl Spiller (guitarra), Byron Starling (trombone), Roy Taylor (saxofone), John C. Thomas (trompete), Wilmon Toran (saxofone), Clyde Walker (vocal, saxofone), Jimmie “J.J.” Walker (trombone), Bruce White (saxofone), Elray Wiseman (trompete), Byron Wooten (trompete), Henry Robinson (bateria), Naomi James (piano), Linda Wiseman (percussão), Elmer Glover (bongos) e Katherine Lambert (percussão).

Museu do Disco relança raridades do rock brasileiro em CD

terça-feira, março 17, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Valmir Zuzzi, do selo Rock Company, e Nazaré Avedissian, do Museu do Disco, estão levando a cabo uma iniciativa extremamente louvável no mercado musical brasileiro. Zuzzi e Avedissian estão encabeçando um projeto que irá recolocar nas lojas nacionais alguns dos clássicos perdidos - e desconhecidos pela maioria dos novos ouvintes - do rock brasileiro da década de setenta.

Serão lançados doze CDs, todos levando para a era digital discos raros do rock e do pop tupiniquim, incluindo álbuns de grupos como O Peso, A Bolha, Erasmo Carlos, Gerson King Combo e outros.

Os primeiros lançamentos chegaram às lojas no final de fevereiro, trazendo os títulos Em Busca do Tempo Perdido, único registro do grupo hard O Peso, cuja versão em vinil é disputada a tapa entre os colecionadores, chegando a alcançar o valor de R$ 250,00 em sites como o Mercado Livre. Outra pérola perdida é Nada no Escuro, disco solo do guitarrista do Terço, Cézar de Mercês, lançado originalmente em 1979. Ambos os discos, até esse relançamento do Museu do Disco, continuavam inéditos em CD.


Para março estão programados mais dois álbuns que irão ganhar, finalmente, suas primeiras versões em compact disc. Estamos falando do cultuado Amazônia, lançado em 1973 pelo percussionista Naná Vasconcelos, e de É Proibido Fumar, gravado em 1977 pelo grupo A Bolha.

Veja abaixo a lista completa dos álbuns que serão relançados:

- A Bolha - É Proibido Fumar (1977) - Inédito em CD
- Cézar de Mercês - Nada no Escuro (1979) - Inédito em CD
- Erasmo Carlos - Carlos, Erasmo (1971)
- Gerson King Combo - Gerson King Combo (1977)
- Jards Macalé - Aprender a Nadar (1973)
- Jorge Mautner - Jorge Mautner (1974)
- Naná Vasconcelos - Amazônia (1973) - Inédito em CD
- O Peso - Em Busca do Tempo Perdido (1975) - Inédito em CD


Valmir e Nazaré informam que estão negociando os direitos a respeito de outros títulos, que devem chegar as lojas no segundo semestre de 2009, mas, por enquanto, preferem não dizer que álbuns são esses.

Uma coisa é certa: todos são relançamentos imperdíveis. Então, anote o contato dos caras e peça diretamente com a dupla os títulos que você quer:

Museu do Disco
museudisco@ig.com.br
(11) 3106-1757





Discos Fundamentais: Ten Years After - A Space in Time (1971)

terça-feira, março 17, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Lançado em novembro de 1971 pela Chrysalis Records na Inglaterra e pela Columbia nos Estados Unidos,
A Space in Time é o sétimo álbum do Ten Years After e, para muitos, o disco mais importante da carreira dos ingleses. Além disso, também é o trabalho de maior sucesso. O álbum marca uma transição na carreira da banda liderada pelo vocalista e guitarrista Alvin Lee. Nele, o blues incendiário (fiel às raízes do estilo) presente nos primeiros trabalhos foi deixado para trás. As composições são mais curtas, diretas e "comerciais" que as presentes nos álbuns anteriores do grupo.

Extremamente coesa e entrosada, a banda conseguiu sintetizar as transformações do período em que o álbum foi gravado. O desbunde e a inocência do flower power haviam ido embora, como que predizendo um mergulho em tempos mais sombrios e delicados.
A Space in Time, com suas canções otimistas e repletas de refrões pegajosos, é como um último suspiro antes da jornada derradeira pelos becos mais escuros dos anos setenta.

A maioria de suas dez faixas é construída não sobre riffs de guitarra, mas sim sobre dedilhados provenientes do instrumento de Alvin Lee. Essa mudança ocorreu, provavelmente, em virtude do grande sucesso alcançado pelos primeiros discos do Led Zeppelin. Recheados de canções com bases acústicas, teriam inspirado Alvin a seguir o mesmo caminho em suas novas composições. Essa faceta até então inédita, onde o guitarrista se mostra tão brilhante quanto em seu caminho anterior, se contrapõe à figura iconográfica do músico no
Festival de Woodstock (1969), incendiando uma multidão em êxtase alucinógeno com sua Gibson endiabrada.

O disco abre com "One of These Days", um hard blues que começa com uma estrutura tradicional que leva a um longo trecho instrumental em seu miolo, onde se percebe a influência dos grupos psicodélicos da virada dos anos sessenta e início dos setenta. A bela e espacial "Here They Come" mostra todo o lirismo de Alvin Lee. "I´d Love to Change the World" é a seguinte. Sua estrutura, alternando momentos mais calmos com passagens mais aceleradas, costuradas pelo vocal repleto de personalidade do líder do Ten Years After, a transformou não só no maior hit da carreira da banda, mas também em um dos registros mais cristalinos e brilhantes daquele início de década, onde heróis estavam mortos e o futuro se mostrava, a cada dia, mais nebuloso.

A agreste "Over the Hill", com um bem sacado arranjo de cordas, é outro ponto alto. Suas melodias, apesar de (ou justamente por serem) simples, emocionam até hoje, potencializando a letra que fala sobre o vício em drogas. O heavy rock "Baby Won´t You Let Me Rock´n´Roll You", direto e simples, remete aos anos cinquenta e soa totalmente deslocado. A locomotiva volta aos trilhos com "Once There Was a Time", onde se pode perceber claramente a influência do country no som da banda, claro que devidamente envenenado pela energia infinita do grupo.

Ares psicodélicos batem forte em "Let the Sky Fall", fazendo com que a canção soe como uma espécie de space blues hipnótico. Já "Hard Monkey´s", apesar do início e das passagens acústicas, mostra todo o poder de Alvin Lee como riffmaker, entupindo sua guitarra de fuzz, como que homenageando, mesmo que inconscientemente, Jimi Hendrix e Eric Clapton.

O disco nos brinda ainda com "I´ve Been There Too", onde a banda explora, mais uma vez, o contraste entre o acústico e o elétrico, conduzindo o ouvinte por sensações opostas, e "Uncle Jam", a única faixa não composta exclusivamente por Lee, e que na verdade é, como o título antecipa, uma fenomenal jam entre Alvin Lee, Leo Lyons (baixo), Chick Churchill (teclados) e Ric Lee (bateria).

Ainda que não possa ser enquadrado no formato clássico do gênero,
A Space in Time é um álbum de blues que encontra novas cores, unindo o estilo proveniente dos cantos negros do interior dos Estados Unidos a outros gêneros musicais. O resultado é um trabalho atemporal, que colocou a carreira do Ten Years After em um novo nível, escrevendo de vez os ingleses entre os grandes nomes da história.

Faixas:
A1. One of these days - 5:55
A2. Here they come - 4:38
A3. I´d love to change the world - 3:43
A4. Over the hill - 2:27
A5. Baby won´t you let me rock´n´roll you - 2:15

B1. Once there was a time - 3:20
B2. Let the sky fall - 4:18
B3. Hard monkey´s - 3:10
B4. I´ve been there too - 5:43
B5. Uncle jam - 1:57

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