11 de abr de 2009

Herbie Hancock - Thrust (1974)

sábado, abril 11, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

O estudante de engenharia eletrônica Herbert Jeffrey Hancock (diz-se que daí vem o seu gosto pela eletrônica na música que começou a criar no começo dos anos setenta) forma, junto com Chick Corea e Keith Jarret, a santíssima trindade dos pianistas mais influentes do jazz da era pós-Bill Evans e seu estilo
cool

Herbie tocou na famosa banda de Miles Davis entre 1963 e 1968, juntamente com vários outros músicos talentosos do free jazz que, como ele, também iriam despontar posteriormente para um maior reconhecimento, gravando com eles álbuns clássicos do post bop e do free, tais como Nefertiti (1968), Miles in the Sky (1968) e In a Silent Way (1969).

A partir dos anos setenta (após dois ótimos trabalhos solo -
Mwandishi (1971) e Crossings (1972) - porém ainda bastante experimentais em relação ao que estaria por vir), quando realmente emerge o estilo fusion através de pilares do movimento, como a Mahavishnu Orchestra, Weather Report e Return to Forever, e o jazz elétrico de Miles, Hancock foi pegando cada vez mais o gosto por pianos elétricos, teclados eletrônicos e sintetizadores (apesar de nunca ter abandonado o jazz acústico por completo), lapidando e consolidando de vez sua bem-sucedida mistura de jazz funk nessa época, principalmente a partir do disco Sextant, de 1972. Muitos inclusive o consideram o único pianista do jazz contemporâneo no qual se fez perceber sensível influência de Jimi Hendrix, talvez no que diga respeito à explorações de novas sonoridades, timbres e ruídos de seus teclados eletrônicos, principalmente nos seus intuitivos improvisos em sintetizadores.

Thrust, de 1974, poderia ser considerado o álbum onde ele alcança o auge desta nova química musical proposta em Sextant, tanto em termos de inovação e elaboração, quanto de bom gosto - assim como os posteriores, Man-Child (1975) e a trilha do filme Death Wish (também de 1974, mas com expressão mais orquestral) que, contudo, apesar de ótimos também, já seriam apenas uma continuidade da chama de originalidade trazida por Thrust

O disco foi lançado logo após o estrondoso sucesso do fabuloso Head Hunters e, além de novamente apresentar revolucionários grooves e novas linhas rítmicas de Mike Clark (sugerindo um novo conceito dentro do fusion), nos traz músicas com arranjos mais intrincados e trabalhados, além de performances mais complexas que o seu antecessor. O line-up é praticamente o mesmo de Head Hunters, à exceção de Mike Clark no lugar de Harvey Mason.

Principalmente nas duas primeiras faixas, “Palm Grease” e “Actual Proof”, e também na última, “Spank-a-Lee”, as criativas e elásticas linhas do saliente baixo de Paul Jackson (fundamental na estrutura musical), aliadas aos quebrados andamentos da segura bateria de Mike Clark, se entrelaçam e se combinam de modo sinérgico com as swingadas harmonias e timbres repletos de efeitos como
phaser, flanger e wah-wah dos teclados de Hancock e as melodias dos metais de Bennie Maupin, propondo uma espécie de diálogo bastante inventivo e sugestivo entre os instrumentos. Os sofisticados improvisos, principalmente por parte de Hancock (em seu Fender Rhodes) e Maupin, são, como sempre, muito competentes. “Butterfly” seria o som mais cool do disco, apresentando um ótimo improviso de Bennie Maupin em seu sax soprano.

Desta maneira, é proposta à música uma sonoridade bem inovadora (para a época), descontraída e por vezes um tanto cômica, um traço típico da música negra norte-americana. É o puro jazz funk em ação.

Faixas:
A1. Palm Grease 10:38
A2. Actual Proof 9:42

B1. Butterfly 11:17
B2. Spank-A-Lee 7:12

Discos Fundamentais: Bang - Bang (1971)

sábado, abril 11, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Apelidado por muitos colecionadores como "o Black Sabbath americano", o Bang foi formado em 1971 na Filadélfia e tem uma carreira dividida em duas fases distintas. A primeira engloba o período de 1971 a 1973, anos nos quais o grupo lançou quatro discos:
Death of a Country e Bang em 1971, Mother / Bow to the King em 1972 e Music em 1973. Depois disso a banda se separou, voltando a se reunir apenas em 1999, ano em que lançaram o mediano RTZ - Return to Zero e, mais recentemente, o bom The Maze em 2004.

Na primeira e clássica encarnação, dois álbuns se destacam:
Bang e Mother / Bow to the King. O disco que dá nome à banda, lançado originalmente em 1971, traz em suas oito faixas um hard rock cadenciado, cujas principais características são o peso extremo das guitarras e o talento diferenciado de Gilcken para compor riffs pegajosos e que não saem da cabeça. Ou seja, um som muito similar ao do Black Sabbath e, em alguns aspectos, até mesmo um pouco à frente do grupo de Tony Iommi, já que Bang foi lançado no mesmo ano de Master of Reality. Quando eu falo que o Bang estava à frente do Sabbath eu me refiro ao peso dos riffs, porque naquela época o Black Sabbath ainda não havia consolidado este aspecto como um dos principais elementos da sua música, fato que iria ocorrer justamente com seus lançamentos posteriores, Vol 4 e Sabbath Bloody Sabbath.

Quer dizer então que o Bang influenciou o Black Sabbath? Não sei, sinceramente. O que sei é que este disco é um biscoito fino para todo e qualquer fã de hard rock setentista. É impossível ouvir faixas como "Lions, Christians", "The Queen", "Come With Me", "Future Shock", "Questions" e "Redman" e não começar a bater cabeça, mesmo que instintivamente. Pra completar, o timbre de Frank Ferrara, além de suas linhas vocais, lembram muito o que Ozzy Osbourne fazia naqueles primeiros anos do Sabbath.

Mesmo assim, o Bang apresenta nesse seu segundo disco um trabalho com uma qualidade bastante elevada, que não deve nada aos hoje clássicos álbuns gravados e colocados no mercado naquele ano de 1971, e que com o passar dos anos se transformaram em clássicos indiscutíveis entre os admiradores de um bom hardão setentista.

Potencial e motivos para isso
Bang tem. Ouça e tenho certeza de que você concordará comigo.

Faixas:
A1. Lions, Christians - 3:58
A2. The Queen - 5:24
A3. Last Will and Testament - 4:09
A4. Come with Me - 4:12

B1. Our Home - 3:26
B2. Future Shock - 4:38
B3. Questions - 3:50
B4. Redman - 4:58

9 de abr de 2009

poeiraCast#002 no ar

quinta-feira, abril 09, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

A segunda edição do poeiraCast já está no ar. Para baixar, clique aqui.

Mais uma vez, um bate papo agradável, repleto de opiniões às vezes polêmicas mas sempre divertidas. Nessa nova edição, o quarteto formado por Bento Araújo, José Damiano, Ricardo e Sérgio Alpendre disserta a respeito do Motorhead, dos artistas americanos que não conseguiriam uma cerveja na Inglaterra (e vice-versa), além de diversas histórias curiosas a respeito do rock and roll.

Audição recomendadíssima!

As Aventuras do Bolha: Collector´s Room é a nossa casa!

quinta-feira, abril 09, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Mais uma charge do nosso alter-ego, o Bolha, produzida pelo nosso colaborador Prof Borges. Estou pensando em fazer uma camiseta com essa arte. O que vocês acham?

E outra: com quem da nossa comunidade o Bolha mais se parece?

Discos Fundamentais: Herbie Hancock - Head Hunters (1973)

quinta-feira, abril 09, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Um dos músicos mais populares e influentes da história do jazz, Herbert Jeffrey Hancock nasceu em Chicago em 1940 e desde cedo esteve em contato com a música. Aos sete anos Herbie já estudava música clássica, e aos onze deixou boquiabertos todos que presenciaram sua performance tocando o "Concerto para Piano Número 5 em D Menor" de Mozart, ao lado da Orquestra de Chicago.

Como outros prodígios do gênero, o jovem Herbie nunca teve um professor que lhe ensinasse os fundamentos práticos e teóricos do jazz. Hancock se interessou pelo gênero ao entrar em contato com gravações de Oscar Peterson e George Shearing. Extremamente atraído pelas contruções harmônicas e melódicas do estilo, se embrenhou no estudo teórico das composições de Peterson, Shearing e outros nomes fundamentais, principalmente Miles Davis e John Coltrane.

A carreira de Herbie Hancock tomou um novo rumo quando, em 1963, juntou-se ao novo grupo de Miles, considerado pelos críticos como o "segundo grande quinteto" do trompetista. Ao seu lado estavam o baixista Ron Carter, o baterista Tony Williams (então com apenas 17 anos) e Wayne Shorter no saxofone. A parceria com Miles rendeu ótimos frutos para os dois lados, com o trompetista gravando mais alguns capítulos fundamentais da história do jazz ao lado de Herbie, como
In a Silent Way (1969), A Tribute to Jack Johnson (1971) e On the Corner (1972).

Mesmo quando estava ao lado de Davis, Herbie Hancock já dava seus próprios passos lançando uma série de discos solos. Entre eles, merecem atenção especial
Inventions and Dimensions de 1963, Empyrean Isles de 1964 e Maiden Voyage de 1965. Mas foi apenas em 1973 que Herbie passou de um excelente instrumentista para um dos músicos mais importantes e influentes do jazz. O culpado por essa transformação foi Head Hunters.

Lançado em 13 de outubro de 1973,
Head Hunters é um dos álbuns mais vendidos da história do jazz, ao lado de clássicos como Time Out do Dave Brubeck Quartet e Bitches Brew de Miles Davis. São apenas quatro faixas, mas que valem muito.

O groove contagiante de "Chameleon" abre o disco de forma sensacional. São quase dezesseis minutos hipnóticos, com camadas sonoras se sobrepondo umas às outras, construindo uma faixa que, já em seus primeiros momentos, antecipa a maravilha que Herbie Hancock e sua gangue nos prepararam. O início doce de "Watermelon Man" mantém o nível nas alturas, introduzindo um funkaço de rachar o chão. O entrosamento do quinteto é absurdo, com cada músico entregando algumas das melhores performances de suas carreiras.

"Sly" e "Vein Melter" completam a bolacha com mais ritmos animais, harmonias que fogem do comum e arranjos complexos que conseguem a proeza de soar simples aos ouvidos. Herbie Hancock usa toda a sua técnica espetacular para compor um trabalho que pega as raízes da música negra, pesca elementos das ruas, mantendo toda a autenticidade e a força do funk, mas acrescentando um requinte que poucas vezes esse gênero alcançou em sua história.

Maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso!!! E tenho dito.

Faixas:
A1. Chameleon - 15:41
A2. Watermelon Man - 6:29

B1. Sly - 10:18
B2. Vein Melter - 9:10

8 de abr de 2009

Nova edição da revista Rio Rock & Blues

quarta-feira, abril 08, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

A revista Rio Rock & Blues está com nova edição no ar. A publicação, que é editada pelo nosso colaborador Ugo Medeiros, traz este mês capa com o Blind Faith, banda formada por Eric Clapton, Ginger Baker e Steve Winwood. Ainda há matérias sobre Frank Zappa - review do álbum
Hot Rats, escrito por mim -, The Raconteurs, Pat Martino e uma entrevista com o guitarrista texano Buddy Whittington.

Para ler a revista, basta clicar aqui.

E boas novidades estão a caminho, já que em breve a revista será impressa! 

Miles Davis - Pangaea (1976)

quarta-feira, abril 08, 2009

Por Tiago Rolim
Colecionador
Collector´s Room

Quando nós pensamos em discos irmãos, sempre vem à mente álbuns de rock, como por exemplo,
Rubber Soul e Revolver dos rapazes de Liverpool (se você não sabe quem são, lamento), Use Your Illusion I e II do Guns´N Roses, os famigerados Load e Reload do Metallica, entre outros, certo?

Mas existem outros discos que podem ser considerados irmãos pelas mais diversas razões, tais quais os citados acima, mas nenhum deles são ao vivo,
live albums. Este, assim como seu “irmão”, é ao vivo, e como. Estou falando dos ábuns Pangaea e Agharta de Miles Davis, ambos lançados em 1976 e gravados no mesmo dia, em 1º de fevereiro de 1975. Enquanto Agharta foi gravado na tarde desse fatídico dia, Pangaea foi registrado à noite. O Agharta já foi muito bem resenhado aqui antes, então vou me ater ao Pangaea.

Enquanto o
Agharta, assim como uma tarde, é quente, rápido e transpira frescor, é impressionante, como em questão de horas, tudo muda. Pangaea é um disco longo até para os padrões de Miles Davis. Composto de apenas duas músicas, onde a menor beira os 42 minutos de duração, ele transborda dor e sofrimento em seus sulcos. Não foi à toa que, depois desses shows, Miles se retiraria da música por seis anos.

As faixas que compõem o disco são, por ordem, "Zimbabwe" e "Gondwana". Pelos títulos se vê que ele estava mergulhado em suas raízes africanas, o que fica claro no som, repleto de percussões alucinadas, cortesia da dupla Mtume e Al Foster, respectivamente percursionista e baterista de Miles à época.

Enquanto "Zimbabwe" é mais energética, começando com um violento solo de bateria e guitarra, fazendo a cama para o bruxo entrar apavorando como sempre e levando a faixa, e os músicos, até os limites do inferno, resgatando ambos momentos depois para novamente guiá-los por diferentes caminhos até que, enfim, ele se acalma e lentamente vai sumindo em nossos ouvidos, depois de 42 minutos que passam voando.

No segundo disco, "Gondwana" tem um começo calmo com uma flauta, mas aos poucos se torna densa e aflitiva, sendo possível até mesmo escutar a voz de Miles reclamando de algo em pleno palco. Mais uma vez fica claro o poder hipnótico de Miles Davis, pois a música não cansa, mesmo tendo 46 minutos de duração. Mesmo nos momentos atonias e mais espaçados ele prende sua atenção com um talento incomum. Esta faixa, e o disco por tabela, terminam de uma maneira aflitiva e densa, como um som irritante de uma alma gemendo, chorando, pedindo socorro.

Pangaea e Agharta são o limite da fase elétrica de Miles Davis. Aquilo que começou discretamente em Neferetti (1968) e evolui em In a Silent Way (1969) foi se tornando um monstro que encontrou sua morte em fevereiro de 1975. Daí em diante Miles se retirou da música, voltou, mas nunca mais encontrou este monstro novamente.

Faixas:
A. Zimbabwe Part 1

B. Zimbabwe Part 2

C. Gondwana Part 1

D. Gondwana Part 2

Discos Fundamentais: War - The World is a Ghetto (1972)

quarta-feira, abril 08, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O War foi um dos mais importantes grupos da black music setentista. Formada em 1969 em Los Angeles, a banda conseguiu unir em seu som elementos de rock, funk, jazz, música latina, blues e reggae, construindo uma sonoridade única e muito influente.

O maior sucesso do War, "Low Rider", é figura fácil nas coletâneas dedicadas aos anos setenta. Você já ouviu essa música, mesmo que pense não conhecê-la. O Barão Vermelho, uma das principais bandas de rock do Brasil, surrupiou a levada e a melodia de "Low Rider", usando-a como base (não creditada) de sua releitura de "Malandragem Dá Um Tempo", popular na voz de Bezerra da Silva.

"The World is a Ghetto" é o terceiro disco do War, e chegou ao mercado em novembro de 1972. Nele, as experimentações do grupo com variados gêneros musicais ficam ainda mais evidentes. "The Cisco Kid" abre o álbum fundindo funk e música latina, em uma batida pra lá de contagiante. Já "Where Was You At" é funk da melhor estirpe. O jazz bate cartão na longa e hipnótica "City, Country, City", carregada com uma musicalidade chapante. 

"Four Cornered Room" é um funk jazz atmosférico, enquanto "The World is a Ghetto" batiza o disco e, além de mostrar a visão de mundo do grupo, tem uma sessão de metais inspiradíssima, caindo em uma levada relaxante que chega a lembrar Barry White em certas passagens. O LP fecha com "Beetles in the Bog".

Algumas curiosidades a respeito de "The World is a Ghetto": a revista
Rolling Stone classificou o disco na posição 449 de sua lista sobre os 500 maiores álbuns de todos os tempos; e, para os audiófilos e colecionadores, o LP foi lançado em uma versão quadrofônica (Cat# UA-DA178-H), bastante rara hoje em dia.

Discaço de uma banda que merece respeito e reverência até hoje.

Faixas:
A1. The Cisco Kid - 4:35
A2. Where Was You At - 3:25
A3. City Country City - 13:18

B1. Four Cornered Room - 8:30
B2. The World is a Ghetto - 10:10
B3. Beetles in the Bog - 3:51

7 de abr de 2009

Castiga! - A estreia do funk espacial do Parliament / Funkadelic

terça-feira, abril 07, 2009

Por Marco Antonio Gonçalves
Colecionador

Rápido e certeiro, a dica da vez é o álbum Osmium (1970), estréia do Parliament, clássica trupe formada em Detroit e comandada por Mr George Clinton. Lembro que quando achei este LP mal pude acreditar que a busca de anos havia terminado: vinil lacrado de 180 gramas, prensagem italiana impecável, capa dupla, encarte … e de “brinde” uma coleção de grandes canções. Quem conhece os discos do Parliament e do Funkadelic não tem dúvidas em apontar George Clinton como um dos maiores inovadores do funk, ao lado de James Brown e Sly Stone, outros monstros sagrados do estilo.

No que diz respeito à carreira de George Clinton, The Parliaments foi a primeira encarnação musical sob custódia do genial produtor, compositor e arranjador americano. Inspirado nos Temptations, o grupo vocal de doo-wop foi criado na segunda metade dos anos cinquenta, em New Jersey, e costumava se apresentar na barbearia onde Clinton trabalhava. Depois de algumas alterações, a formação com Clinton, Raymond Davis, Clarence Fuzzy Haskins, Calvin Simon e Grady Thomas se estabilizou. A trupe atravessou os anos sessenta realizando apresentações não só na barbearia de New Jersey, como também em bares e clubes noturnos de Detroit. Nesse compasso, o grupo acumulava gravações demos, singles fracassados e mudanças de gravadora.


Em 1967 o quinteto finalmente conseguiu emplacar o primeiro hit nas paradas norte-americanas, com o single “(I Wanna) Testify”, tema lançado em compacto pelo selo Revilot. Mas a alegria dos rapazes com o sucesso repentino durou pouco. Em 1968 a poderosa gravadora Motown comprou o pequeno selo e conquistou todos os direitos autorais da canção, deixando a trupe sem música, sem nome, sem selo e, o que é pior, sem grana. Só quando George Clinton assinou com os selos Invictus (que contratou o Parliament, já com a pequena alteração no nome) e Westbound Records (que acolheu sua nova criação, o Funkadelic) é que a doutrina P-Funk se estabeleceu e se solidificou.

A partir daí fica difícil desassociar o coletivo Parliament / Funkadelic. Duas indústrias sonoras com características diferentes, mas objetivos bem comuns: fabricar o groove em escala espacial. De um lado o Funkadelic, estremecendo os alicerces do funk com seu som experimental, pesado e psicodélico, totalmente influenciado pelo balanço black ‘n’ roll de Sly & Family Stone e pela guitarra ácida de Jimi Hendrix. Do outro, o Parliament, trazendo uma estrutura sônica mais acessível, com uma levada mais dançante e funky, onde as linhas de baixo e os metais aparecem com maior destaque do que as guitarras.


Na metade dos anos setenta, a sonoridade do coletivo se aproxima de tal forma que fica difícil diferenciar uma banda da outra. Um fator que contribuiu para essa equação foi a união dos integrantes das duas facções para celebrar, por diversas vezes, a instituição P-Funk. Shows intermináveis e apresentações energéticas que poderiam durar até o amanhecer, contando em média com mais de vinte integrantes. Só para se ter uma idéia, algumas apresentações contavam com até cinco guitarristas, dois tecladistas, dois bateristas e dois baixistas, além dos vocalistas e da tropa de metais (no caso, os Horny Horns de Fred Wesley e Maceo Parker). Acrescente a isso tudo cenários e figurinos surreais (óculos futuristas, chapéus de todos os formatos, perucas espalhafatosas, calçados com saltos enormes, capas e plumas coloridas, maquiagens). Doideira geral!

Mas voltando a falar sobre o álbum
Osmium, a formação que marca a estréia do combo Parliament agrupava o famigerado quinteto vocal das antigas (Clinton, Raymond Davis, Fuzzy Haskins, Calvin Simon e Grady Thomas), mais o reforço do pessoal do Funkadelic para incrementar as gravações: Bernie Worrell (teclados); Eddie Hazel (guitarra solo); Tawl Ross e Garry Shider (guitarra rítmica); William ‘Billy Bass’ Nelson (baixo); e Tiki Fulwood e Tyrone Lampkin (bateria). Vale lembrar que o lendário baixista William “Bootsy” Collins, só entraria para turma de Mr Clinton em 1972, participando ativamente das duas agremiações. Mais P-Funk que isso, impossível! 


Musicalmente falando, o álbum mostra uma eclética coleção de estilos, com George Clinton maquinando as bases para futuros temas do Funkadelic. Na verdade, o que se ouve é um som bem diferente do balanço arrasa-quarteirão dos álbuns seguintes do Parliament. Está muito mais para um álbum do Funkadelic do que do Parliament. Um funk encharcado de psicodelia black power (“Moonshine Heather” e “Funk Woman”), com guitarras e vocais energeticamente poderosos (“I Call My Baby Pussycat” é uma das minhas preferidas), em meio a paródias country (sério mesmo, escutem “Little Ole Country Boy” ou “My Automobile” e comprovem) e repleto de corais e temas gospel (“Oh Lord, Why Lord / Prayer”, “Livin’ the Life” e “The Silent Boatman” são para entrar em transe espiritual).

Destaque para as belas vocalizações da trupe, além das sensacionais intervenções guitarrísticas de Eddie Hazel (que usa e abusa dos pedais de efeito) e dos teclados maneiros de Bernie Worrell. Um disco sensacional que não dá para desprezar nenhuma das faixas. 

Nos anos noventa, Osmium foi relançado e distribuído por diversos selos nos Estados Unidos, Europa e Japão. As novidades ficam por conta dos títulos alternativos na capa (Rhenium e First Thangs) e das faixas bônus (singles e trilhas) que foram subtraídas do álbum original. Vale a pena correr atrás não só deste mas de outros títulos orquestrados pela mente fantástica de George Clinton, simplesmente o Frank Zappa do funk. P-Funk rules!!!

Discos Fundamentais: Aphrodite´s Child - 666 (1972)

terça-feira, abril 07, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Não se engane pelo título; esse não é um álbum de heavy metal, passa longe disso.
666 é o terceiro disco do Aphrodite´s Child, grupo progressivo grego do início da década de setenta, que tinha como principais fontes criativas Demis Roussos e Vangelis. Ambos, após o fim da banda, em 1972, lançaram-se em carreira solo e foram reconhecidos mundialmente em estilos que muito pouco, ou nada, tem a ver com o que cometeram em 666.

Duplo, o álbum foi apresentado aos executivos da Vertigo e devidamente recusado em razão do título provocativo, das canções com climas soturnos e demoníacos e por faixas polêmicas como "Infinity", que em seus mais de cinco minutos traz uma simulação (seria mesmo?) de um orgasmo feminino, cortesia da cantora grega Irene Papas.

Mas o trabalho é muito mais do que isso. Suas vinte e quatro faixas formam um dos painéis mais consistentes, complexos e arrojados do rock progressivo. O brilho de Demis Roussos e, principalmente, Vangelis, são intensos. Músicas como "Babylon", "The Four Horsemen", "The Lamb", "Altamont", "Hic Et Nunc" e "All the Seats Where Occupied" conseguem unir a pretensão e liberdade criativas tão características do estilo a arranjos muito próximos do pop. Isso faz com que, ao mesmo tempo que transita por caminhos únicos,
666 seja um disco fácil de se ouvir, não caindo, em nenhum momento, em passagens virtuosísticas desnecessárias.

O fato de ter sido lançado pelo selo s
wirl label da Vertigo tornou o álbum ainda mais desejado pelos colecionadores mundo afora, valorizando-o com o passar do tempo.

666 é um dos maiores clássicos do progressivo setentista, e presença obrigatória em qualquer coleção séria.

Faixas:
A1. The System - 0:23
A2. Babylon - 2:47
A3. Loud, Loud, Loud - 2:42
A4. The Four Horsemen - 5:54
A5. The Lamb - 4:33
A6. The Seventh Seal - 1:30

B1. Aegian Sea - 5:22
B2. Seven Bowls - 1:29
B3. The Wakening Beast - 1:11
B4. Lament - 2:45
B5. The Marching Beast - 2:00
B6. The Battle of the Locusts - 0:56
B7. Do It - 1:44
B8. Tribulation - 0:32
B9. The Beast - 2:26
B10. Ofis - 0:14

C1. Seven Trumpets - 0:35
C2. Altamont - 4:33
C3. The Wedding of the Lamb - 3:38
C4. The Capture of the Beast - 2:17
C5. ∞ (Vocals by Irene Papas) - 5:15
C6. Hic and Nunc - 2:55

D1. All the Seats Were Occupied - 19:19
D2. Break - 2:58

6 de abr de 2009

Pepeu Gomes no Rock in Rio I: Deus e o Diabo na Cidade do Rock

segunda-feira, abril 06, 2009

Por Flávio Ottoni
Colecionador
Collector´s Room

Imagine que você tem uma banda que faz um som bem brasileiro, misturando vários ritmos nacionais (baião, chorinho, frevo, samba-reggae, etc) com o bom e velho rock de virtuoses como Jimi Hendrix, Jeff Beck e Santana. Além disso, o início da década de oitenta está sendo ótimo para você comercialmente, pois outras músicas suas de caráter mais pop estão tocando muito nas rádios e a vendagem de seus discos está detonando. 

Pois bem, como montar um repertório de show que inclua o pop e o instrumental MPB (que são as características do seu som) para um público em torno de 250 a 300 mil pessoas (com muitos headbangers) que irão nas duas noites de um festival (em que você tocará especialmente para assistir a bandas que tem um som pesado, como Iron Maiden, Ozzy Osbourne, AC/DC, Scorpions, Whitesnake e Queen? 

Esse público, conhecido como "metaleiro", é uma novidade em terras tupiniquins, e a sua forma de se vestir é agressiva, soturna (roupas pretas, braceletes pontiagudos de metal, etc e tal). Ahh, tem mais um detalhe: nessas duas noites, além de tocar com a sua banda, você acompanhará como guitarrista convidado a banda de sua mulher, que está grávida. Além do mais, a música que ela faz é bem mais pop do que a sua. Como o público reponderá a tudo isso? Vão vaiar, xingar, jogar objetos no palco?

Como tragédia pouca é bobagem, você ficou sabendo que as únicas pessoas habilitadas a manusear a mesa de som são os técnicos gringos e tudo indica que eles estão boicotando a performance dos artistas brasileiros. Ouviu falar que em pleno show de artistas nacionais esses técnicos desplugam alguns fios da mesa e o resultado produzido é um som com volume baixo e pouco equalizado.

Está chegando a hora de você tocar no show de sua mulher. As notícias das atrações anteriores não são muito boas - são péssimas, aliás!  Ney Matogrosso foi escorraçado pela platéia - jogaram tudo o que foi possível em cima dele - e como Ney é um cara de talento que não se intimida, continuou o show, deu uma bronca daquelas na platéia e se mandou. Na sequência, o visual de metaleiro (de roupa preta e braceletes pontiagudos) e as músicas pop do Tremendão não convenceram a platéia, que foi muito desrespeitosa com um dos reis da Jovem Guarda. 

Pois é, chegou a sua hora e de sua mulher entrar no palco. O clima é de adversário do Boca Juniors na Libertadores, jogando em La Bombonera, tal a animosidade da platéia. E agora, Baby? "Já sei, vamos tocar pra valer, não vamos nos intimidar, e para segurar a onda vou fazer solos bem nervosos e distorcidos de guitarra e a banda vai ter que entrar com veia rockeira total" - é o que deve ter dito Pepeu Gomes para sua mulher e sua banda. 

Enfim entraram no palco, e com o virtuosismo, qualidade e energia do grupo seguraram o público, que até respondeu bem. Foi um show sem incidentes, seguindo com um padrão mais rockeiro em comparação com o show anterior. Pepeu Gomes entrou no palco e fez uma apresentação bem enérgica e vibrante, com muitas músicas instrumentais e longos solos de guitarra virtuosíssimos, dando pouco espaço para as faixas mais pops de sua carreira.

Tudo estava indo muito bem, com a platéia respondendo com palmas ao pedido de Pepeu Gomes para agitar. O clima não era mais de guerra. Será? De repende, lá pelo finalzinho do show, na execução de uma música, a estrutura modular do palco começa a se abrir e rapidamente vários buracos no meio do palco começam a se formar e a aumentar de tamanho. Era a senha para a banda sair, pois se continuasse os músicos poderiam literalmente cair nesses vãos. Finalizaram a música rapidinho e caíram fora da estrutura transformer assassina. Depois, ficou se sabendo que os técnicos de som gringos foram os que ocasionaram esse ato de sabotagem, pois a apresentação de Pepeu Gomes havia se excedido um pouco além do programado, e esse ato truculento foi uma forma de expulsá-lo do palco.

Fim da batalha da primeira apresentação do guitarrista no
Rock in Rio, no primeiro dia do festival. Entre mortos e feridos, vários quase mortos e feridos pela falta de dignidade e respeito desses técnicos estrangeiros com os artistas brasileiros.


Oito dias depois, Pepeu Gomes e Baby Consuelo iriam encarar mais uma vez aquele palco (que quase engoliu a banda do guitarrista). A estratégia deo show (para não dizer tática de guerra) para o dia 19 de janeiro de 1985 já estava muito bem definida. Fatos chocantes e bizarros durante o festival ajudaram muito a definir a tática que a dupla iria seguir para o penúltimo dia do festival . Ficou confirmado que os gringos estavam realmente sabotando os artistas nacionais ao diminuírem o volume e desplugarem alguns fios da mesa de som bem na hora da apresentação dos brasileiros. O comentário era de que como era possível num mega show daqueles o som das bandas brasileiras sair tão baixo. 

Outra reclamação era de que os músicos brasileiros tinham um tempo minguado para a passagem de som, enquanto que, por exemplo, roadies de uma banda internacional gastavam até duas horas para afinar o som de uma única guitarra. Mas a máxima "o inferno é aqui" se confirmou: Lulu Santos afirmou categoricamente que estorou o tempo do seu show e então o palco modular começou a se movimentar e a se abrir. Teve que abandonar o palco com sua banda para não cair nos buracos abertos, não havendo tempo hábil para terminar a música.

Chegou o dia D, com a tática de combate já armada por Pepeu. Entrou como guitarrista convidado de sua mulher, seguindo a mesma fórmula do primeiro dia em que tocaram no festival. Mas só que agora a banda executava as músicas com mais ênfase rockeira. Tudo transcorreu de maneira normal, com o público metaleiro não vaiando o show. Em pensar que após Pepeu Gomes entrarariam no palco Whitesnake, Ozzy Osbourne, Scorpions e, fechando, o AC/DC, com o tilintar do sino de "Hell's Bells" no fundo do palco e explosões de canhão.

Após Baby Consuelo, chegou a hora de Pepeu Gomes, banda e "soldados" entrarem na área de guerra. Receita do show: quase composto inteiramente por músicas instrumentais, recheadas com solos muito longos e nervosos de guitarra, e uma cozinha instrumental com uma forte levada fincada no rock. Não faltou baião, afoxé, samba-reggae, chorinho, frevo e clássico, movidos a 120 watts de pura distorção. Ele tocou a épica instrumental "Rock in Rio", composta especialmente para o festival, e também músicas de outros instrumentistas, como Jeff Beck (com "Blue Wind"). Os solos de guitarra estavam bem pesados, pareciam até de bandas que se apresentariam na sequência. 

Pesado também estava o clima nos bastidores, pois Pepeu contratou seguranças para impedir que os técnicos gringos acionassem o mecanismo do palco modular. Parece que ouve tentativa de se acionar o palco, prontamente bloqueada pelos seguranças, que disseram que se os gringos movimentassem o palco iriam se arrepender. Não se sabe, mas falam que rolou pancadaria entre os seguranças do guitarrista e os técnicos, e no final das contas Pepeu Gomes conseguiu terminar seu show sem contratempos, sem vaias, com aplausos e com a galera conquistada e estimada em torno de 250 mil pessoas. Se ele já tinha fama de virtuoso, com esse show esse prestígio cresceu ainda mais, pois não há como errar ao seguir o lema "fazendo música, jogando bola" e marcando vários gols de placa no Rock in Rio I".


Discografia sugerida para entrar no clima instrumental da apresentação no Rock in Rio I:

Geração de Som (1978)

Na Terra a Mais de Mil (1979)

Ao Vivo em Montreaux (1980)

Pepeu Gomes - 20 anos - Discografia Instrumental (com a faixa "Rock in Rio") (1998)

A vida e a obra de John Coltrane - Parte 1

segunda-feira, abril 06, 2009

Por Fábio Pires
Colecionador e pesquisador
Isto é Jazz

Sinto-me muito feliz em escrever sobre um dos grandes mestres do jazz do século passado, um homem que fez sua obra baseado na paixão pelo estilo e pela música de uma forma geral. 

Uma verdadeira celebração da essência do jazz em si era representada na figura de John Coltrane. Suas canções, seu trabalhos, sua vida de músico marcaram definitivamente a história do gênero. O estilo era um antes dele e se transformou a partir do momento em que o mestre do sax alto/tenor/soprano começou a compôr. Vejamos então como foi sua vida e obra nessa primeira parte, em texto traduzido por mim do The Rough Guide to Jazz (3rd Edition):


Indo para a Filadélfia após se formar no ginásio, John Coltrane começou a estudar o saxofone formalmente. Ele passou seu serviço militar numa banda da marinha, após fez uma turnê com King Kolax de 1946 a 1947 e com Eddie Vinson de 1947 a 1948.

De volta à Filadélfia, ensaiou com a big band de Jimmy Heath em 1948. Depois, juntou-se à big band de Dizzy Gillespie (junto com Heath e outros da Filadélfia). Ele continuou quando o grupo de Dizzy tornou-se um sexteto entre 1950 e 1951, e mudou permanentemente para o sax tenor, o qual já tinha tocado com Vinson. 

Saindo em turnês posteriormente com Gay Crosse (1952), Earl Bostic (mesmo ano) e Johnny Hodges (de 1953 a 1954), Coltrane alternava com permanências na Filadélfia e trabalhos com músicos locais, incluindo o brilhante Jimmy Smith (organista e um dos criadores do chamado soul jazz) em 1955. John Coltrane tornou-se membro do novo quinteto de Miles Davis de 1955 a 1957 e começou a gravar exaustivamente com Miles, Paul Chambers (um dos mais influentes contrabaixistas do jazz), quando ganhou o apelido de Trane.

Em 1957, durante o que se tornou sua última permanência em casa, Coltrane conseguiu dar uma pausa em seu longo vício em álcool e drogas pesadas, e experimentou uma elevação espiritual a qual resultou em consequências musicais imediatas. Grava o primeiro de muitos álbuns que levavam seu nome e também toca com Thelonius Monk em discos e ao vivo, antes de retornar ao trabalho com Miles Davis entre 1958 a 1960. 

No final dessa associação formava-se o John Coltrane Quartet, a clássica formação que contava com McCoy Tyner (que juntou-se no verão norte-americano de 1960) e o baixista Jimmy Garrison (final de 1961). Apesar do sucesso financeiro e artístico do grupo, que fez quatro turnês pela Europa, Coltrane estava continuamente buscando expandir seus horizontes. 

Eric Dolphy tornou-se mais um membro temporariamente entre 1961 e 1962, e Coltrane regularmente convidava músicos mais jovens e com mentes mais abertas para tocar em suas performances até que, no segundo semestre de 1965, radicalmente mudou a formação de seu grupo, apresentando primeiro Pharoah Sanders na sax tenor, Rashied Ali na bateria e sua segunda esposa, Alice Coltrane, no piano. Mas um ano depois, após uma turnê pelo Japão, começou a recusar apresentações devido ao extremo cansaço e, logo depois, morreu de câncer de fígado em 17 de julho de 1967.


Veremos posteriormente, na segunda parte, o que resultou de todo o trabalho de Coltrane, numa análise de sua obra, colaborações com outros músicos e o legado de sua vida no jazz, bem como sua discografia completa durante seu tempo de vida.

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