25 de abr de 2009

Mofo: John Coltrane - A Love Supreme (1965)

sábado, abril 25, 2009

Por Rubens Leme da Costa
Colecionador

Um dos discos mais importantes e influentes da história (abriu as portas até para o psicodelismo, e era umas das grandes paixões de Roger McGuinn dos Byrds), A Love Supreme sedimentou o nome de John Coltrane com o maior saxofonista do jazz depois de Charlie Parker e um dos músicos mais importantes, revolucionários, estudiosos e influentes desde então. 

A Love Supreme é mais do que um disco de quatro temas; é sua homenagem a Deus, e segundo o próprio músico, a única vez em que conseguiu imaginar toda a música em sua cabeça e saber exatamente o que queria. Se algum disco chegou perto de ser chamado de "música sagrada" é este. Aliás, Coltrane era considerado quase um santo por fãs e colegas, e sua morte em 1967, de câncer no fígado, foi um choque devastador para o mundo musical.


O público ficou atônito e surpreso quando Miles Davis se aproximou do microfone para dizer algumas palavras, já que Miles se dirigir ao público no meio de um show era algo impensável tanto para os fãs como até para o próprio trompetista. Porém, o motivo era mais do que especial, afinal ele tinha um triste anúncio para fazer: John Coltrane o comunicara que estava deixando o quinteto para seguir seu próprio caminho. A decisão deixou Miles arrasado, pois sabia que nunca mais teria em sua banda um músico com tal calibre. Mas se o mundo perdia a mais fantástica dupla do jazz, ganhava mais um gênio que marcaria época com sua própria banda e em outros trabalhos. Nunca mais a música (incluindo o rock) soaria mais da mesma maneira. E essa influência seria escancarada ainda mais com A Love Supreme.

John Coltrane conseguiu criar em torno de si um grande mito, de maneira intencional ou não. Nascido na improvável cidade de Hamlet, na Carolina do Norte, no dia 23 de setembro de 1926, com o nome de batismo de John William Coltrane, era filho de um alfaiate que morreu quando ele tinha doze anos. Coltrane começou a se interessar seriamente pela música aos dezessete anos, quando resolveu ser músico profissional.Estudioso, sério e com grande apetite para aprendizado, Coltrane sempre tentou ter uma grande disciplina para o trabalho. Ainda jovem, conheceu um de seus ídolos, Charlie Parker, que lhe ensinou a tocar sax alto. 

Mas foi no sax tenor que Coltrane fez fama e começou a arregimentar fãs. Depois de passar pela banda de Dizzy Gillespie, o maior amigo de “Bird” Parker, Coltrane acabou entrando no novo quinteto que Miles Davis estava formando. Coltrane não era a opção favorita de Miles, que queria Sonny Rollins para o grupo, mas logo viu que tinha achado o melhor saxofonista que poderia encontrar.

O estilo econômico e com grande liberdade de improvisação de Miles fez Coltrane crescer de forma assustadora. Em pouco tempo ele era a estrela maior do quinteto (após o líder, evidentemente), em um time de notáveis como o baterista Phily Joe Jones, o pianista Red Garland e o baixista Paul Chambers.

Porém, ao mesmo tempo em que ia galgando na carreira, Coltrane enfrentava uma dura luta com as drogas, especialmente a heroína. Por causa dela, ele se ausentou do grupo de Miles entre 1956 e 1957, sendo substituído por Sonny Rollins. Trane (como ficou conhecido por músicos, amigos e fãs) percebeu que não seria possível conciliar o álcool e as drogas pesadas com sua música e tomou uma atitude corajosa ao tentar abandonar tudo e se concentrar apenas em sua arte. Para isso, contou com o apoio de duas mulheres; sua esposa Naima e sua mãe.

A luta não foi fácil, mas Coltrane conseguiu e logo depois voltava ao grupo de Miles, que era agora um sexteto, com a entrada de Julian “Cannonball” Adderley no sax alto, Bill Evans no piano e Jimmy Cobb na bateria. Com esse time – acrescido de Wynton Kelly nas gravações – o grupo produziu o álbum que é considerado o mais importante da história do jazz, Kind of Blue, lançado em 1959.


Pouco tempo depois, Coltrane diria a Miles que deixaria o grupo para cuidar mais de sua própria carreira. Coltrane tinha uma visão mais mística do que Miles sobre a música. Livre das drogas, concentrou-se em explorar novos territórios, tentando misturar a música africana e indiana em seu trabalho. Pouco depois de Kind of Blue chegar às lojas ele lança Giant Steps, em 1960, um disco exuberante que trazia uma canção intitulada “Naima”, homenagem à sua esposa e que acabou sendo sua composição favorita em todo seu catálogo. Coltrane ainda não tinha um grupo fixo e nesse trabalho contou com a ajuda de Paul Chambers, Jimmy Cobb e Wynton Kelly (os dois últimos na própria “Naima”), além de Art Taylor (bateria) e Tommy Flanagan (piano).

Coltrane já começava a explorar outros ritmos e tinha particular predileção pelo músico Ravi Shankar, a tal ponto de dar o nome do indiano a um de seus filhos, isso antes dos dois se conhecerem. Com uma disciplina imensa para trabalhar, Coltrane encontrava sempre muitos locais para tocar e como não gostava de faltar a nenhum compromisso, era cada vez mais requisitado.

Foi somente em 1960 que pensou em formar um grupo, batizado como The John Coltrane Quartet. Mas até chegar à formação clássica – McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo) e Elvin Jones (bateria) - houve um longo caminho. McCoy, por exemplo, foi o pianista com o qual sempre quis trabalhar, mas como Tyner ainda não estava disponível optou por Steve Kuhn, de 22 anos, recém-graduado em Harvard. Para o baixo, convidou Steve Davis. A bateria foi o instrumento que mais preocupava Coltrane. A sua vontade era contratar imediatamente Elvin Jones, mas como ele cumpria pena por porte de drogas acabou chamando Pete LaRoca, recomendado por Kuhn.

Mas o próprio Kuhn teve vida curta no grupo, já que ele não conseguia tocar o que Coltrane exigia. Após seis semanas com o pianista e usando toda sua elegância e educação, Coltrane avisou que seria obrigado a promover uma mudança, já que o pianista não conseguia executar o que ele queria. E aproveitando que McCoy Tyner estava disponível, o contratou. Com os três, Coltrane começou a fazer uma excursão pelo país, e ao invés de escrever novas músicas ficava horas e horas praticando com seu sax tenor e também com um sax soprano, instrumento que encontrava dificuldades para tocar.

Enquanto treinava, Trane procurava saber notícias de Elvin, já que LaRoca o deixava desanimado por não tocar de uma maneira com a qual John sonhava: alta e enérgica. Em Detroit chamou Billy Higgins, mas ainda assim não era o som que tanto desejava. Mas em Los Angeles as coisas mudaram. Após dispensar o baterista, encontrou Thad Jones, trompetista e irmão de Elvin e que estava na cidade tocando com Count Basie. Ao vê-lo soube que seu irmão acabara de ser solto e pegou um número de telefone. Ao ligar para Elvin, fez duas perguntas: se ele estava longe das drogas e se queria tocar em seu grupo. Exultante, Elvin disse sim às duas questões (embora tenha mentido sobre narcóticos), e assim Coltrane tinha, enfim, o baterista que tanto sonhara.

Meses depois, Coltrane fez outra mudança. Usando novamente toda sua diplomacia, aproximou-se de Steve Davis e disse, mais uma vez, que precisaria fazer uma mudança. Dessa maneira, Reggie Workman entrou no lugar do baixista.Após uma série de bons discos e receber o prêmio de músico do ano em 1960 da conceituada revista Down Beat, Coltrane conheceu Eric Dolphy, que tocava sax, clarineta e flauta. Dolphy era a pessoa que Coltrane tanto procurava e o convidou para cuidar dos arranjos de dois discos, Africa/Brass (1961) e Olé Coltrane (1962). 


Esse dois trabalhos marcavam a estréia de Coltrane em um novo selo, o Impulse!, que ofereceu a Coltrane um contrato que faria dele o mais bem pago músico de jazz, sendo superado apenas por Miles Davis. O contrato era simples: por um ano (com opção de renovação por mais dois anos) Coltrane receberia US$ 50 mil dólares adiantados, divididos em três parcelas: US$ 10 mil no primeiro ano e US$ 20 mil nos anos seguintes. O contrato o obrigava a lançar pelo menos dois discos a cada ano, e para escapar dos altos impostos os royalties seriam pagos em quatro parcelas trimestrais de US$ 2.500. Se esse contrato assustaria qualquer músico de hoje em dia, para Coltrane era um alívio; finalmente seria bem pago para fazer aquilo que lhe parecia a coisa mais natural do mundo: gravar.

Assim, Coltrane começou a produzir um disco mais inovador do que outro. Suas obras estavam longe de serem facilmente assimiladas e havia quem o acusasse de não ter a mesma delicadeza ou riqueza de um Lester Young. Mas o caminho dele era outro. Coltrane queria explorar fronteiras onde ninguém havia chegado. No final do ano ele substituiu Reggie Workman por Jimmy Garrison, consolidando a clássica formação de seu quarteto, com Elvin Jones na bateria, McCoy Tyner no piano e Garrison no baixo.


O ritmo de trabalho de John Coltrane era exaustivo, mas os músicos entendiam perfeitamente a necessidade dele de gravar e se expressar. Após abandonar as drogas, o saxofonista começou a enfrentar problemas com o excesso de peso corporal e tomava várias precauções com sua saúde, embora seu peso oscilasse muito ao longo dos anos.

De todos os músicos o que mais o agradava era Elvin Jones, que considerava seu irmão gêmeo. Apenas Elvin era capaz de reproduzir na bateria o vulcão que era Coltrane no sax tenor. Cada vez mais místico e voltado para Deus, Coltrane perdoava o temperamento instável e explosivo do baterista. Na biografia Chasin’ the Trane de J. C. Thomas, Elvin conta uma história interessante: após pedir o carro de Coltrane para ir a um encontro, o destruiu ao colidir com uma árvore na volta. Embora tenha saído ileso, ficou com medo da reação de Coltrane. Quando contou a ele que havia destruído seu veículo, ficou surpreso com a resposta: “Bem, eu posso conseguir outro carro, mas não outro Elvin.”

Com o quarteto solidificado, Coltrane pode fazer todos os discos que desejava, e para grande surpresa da Impulse! tornou-se um excelente vendedor de vinis. Porém, sua vida pessoal sofria com o ritmo totalmente voltado ao trabalho, e em 1963 separou-se de Naima. Mas logo depois conheceu Alice, com quem se casaria e viveria até sua morte, em 1967.

Em abril de 1964 teve seu contrato renovado com a Impulse! em bases muito melhores. Mantendo o mesmo esquema (um ano com opção de renovar por mais dois), receberia agora US$ 25 mil dólares adiantados a cada ano. Coltrane era o músico de maior vendagem do selo, e cada LP seu vendia entre 25 a 50 mil cópias, um número excelente para um disco de jazz. A Love Supreme seria um caso à parte, vendendo mais de 100 mil cópias em aproximadamente um ano.

Apesar de seus discos não aparecerem nas paradas de sucesso, Bob Thiele, produtor do selo, fez um interessante comentário: “John vendia muito para um músico de jazz, mas eu quase nunca ouvia sua música em rádio e me perguntava, afinal, quem comprava seus discos. Então, quando comecei a visitar várias escolas e universidades em um programa educacional, descobri que ele tinha um enorme público entre os estudantes e vi que eram eles os amantes de sua música.”

E no mesmo ano que renovou o contrato com a Impulse!, Coltrane lançaria sua obra máxima, A Love Supreme. Quando se preparava para gravar o disco, ele tinha duas imagens em mente: Deus e o físico alemão Albert Einstein, de quem era fã. Coltrane o considerava uma pessoa iluminada e gostava de conversar sobre como a música derivava da matemática, da maneira que os intervalos afetam alguns acordes e como poderia ser usada para criar uma nova ordem musical.

Matemática à parte, era Deus também que o inspirava. Deus e seu lado místico, principalmente por estar estudando a cabala. Por isso, quando Coltrane reuniu o quarteto para gravar o disco, dizia que muitas vezes conversava com o Senhor por horas. Durante esses meses, ele começou a sentir dores na barriga, dores essas que acabariam resultando no câncer de fígado que o mataria.


Coltrane queria entender os mistérios da vida e da morte, e para muitas pessoas era um prenúncio de que não viveria muito mais. Particularmente, sua mãe ficava exasperada ao ouvir seu filho dizer que havia composto A Love Supreme como um presente para Deus. Isso era um sinal de que Ele o estava chamando e que logo iria embora. Verdade, ou não, Coltrane escreveu no encarte original do disco que experimentou a graça de Deus em 1957, que o conduziu a uma vida mais produtiva e rica. Coltrane diz ainda que o disco é um humilde presente a Ele e termina com a frase “louvado seja Deus”.

Durante a gravação, o saxofonista deixou clara sua emoção, dizendo que era a primeira vez que recebia toda a música que queria gravar e era, de fato, a primeira vez que tinha tudo pronto. E o que ele tinha pronto era quase um mantra dividido em quatro partes: “Acknowledgment”, “Resolution”, “Pursuance” e “Psalm”.

A primeira faixa, “Acknowledgment”, surpreende com uma pequena intervenção vocal de John, recitando, em forma de mantra, o título do disco. Cada faixa levou o título de "Part 1", "Part 2", "Part 3" e "Part 4" do produtor Bob Thiele, que editou as duas primeiras no lado A e as outras duas no lado B. O mais impressionante é que as duas últimas faixas foram gravadas em apenas um take, com um pequeno intervalo para que John explicasse o que queria. McCoy Tyner relembra que algumas músicas já tinham sido tocadas em concertos e que John fazia isso porque gostava de experimentá-las, dar uma nova roupagem a elas. 

Com A Love Supreme e seus pouco mais de 32 minutos de música, Coltrane expandiu seu universo para um lugar onde não poderia mais voltar. Phil Lesh (Grateful Dead) e Roger McGuinn (Byrds) poderiam falar horas de como a música de Coltrane influenciou não apenas a eles mas também a toda uma geração de músicos que criaram o movimento hippie e o rock dos anos sessenta, que particularmente não interessava a Coltrane.


Daí em diante, John Coltrane entraria em trabalhos cada vez mais intrincados, viscerais, pesados e que afugentariam boa parte dos seus fãs. Sobre isso, o músico afirmava que estava ciente de que perdia adeptos de seus sons, mas que não podia fazer nada a respeito, pois só se interessava em progredir e que se o preço fosse esse, arcaria sem reclamar. Vale acrescentar que a foto da capa do LP foi tirada pelo produtor Bob Thiele em 1962, quando Coltrane gravou um álbum em parceria com o não menos lendário Duke Ellington.

Mas mesmo que a música de Coltrane tenha entrado numa espiral muito experimental e incompreendida, ele continuou tocando até que o câncer o levou às quatro da manhã de 17 de julho de 1967. Nunca mais a música – seja ela o jazz ou qualquer outra – experimentaria tanta inovação. Nem Hendrix, nem ninguém, teve tempo ou talento para tanto.

Encerro com o poema “A Love Supreme” escrito pelo John Coltrane na contracapa do LP. Um abraço e até a próxima coluna.


24 de abr de 2009

Edições Especiais: U2 - How to Dismantle an Atomic Bomb Limited and Collector´s Edition (2004)

sexta-feira, abril 24, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Edições limitadas de determinados álbuns são comuns em todo o mundo. Infelizmente no Brasil isto não acontece, com as gravadoras preferindo investir no mais fácil em detrimento àquele consumidor fiel e mais exigente, que busca produtos diferenciados.

O penúltimo álbum do U2,
How to Dismantle An Atomic Bomb, ganhou uma versão turbinada e limitada na época do seu lançamento no Brasil, na forma de uma embalagem contendo o CD e mais um DVD bônus. Mas, fora daqui, a edição realmente de colecionador foi lançada de forma limitadíssima (foram confeccionadas apenas dez mil cópias) nos mercados japoneses, americano e europeu, em uma embalagem digipack de tamanho similar à de um DVD. É esta edição que você vai conhecer agora.

Lançado mundialmente no dia 23 de novembro de 2004,
How to Dismantle An Atomic Bomb manteve o caminho trilhado pelo U2 em All That You Can´t Leave Behind, mas com uma sonoridade um pouco mais pesada e àspera que seu antecessor. O álbum gerou singles para as faixas “Vertigo”, “All Because of You”, “Sometimes You Can´t Make It On Your Own” e “City of Blinding Lights”, além de agregar mais algumas ótimas composições para o portfolio da banda, como “Miracle Drug”, “A Man and A Woman” e “Original of the Species”.

Neste sentido, esta edição de colecionador não difere em quase nada da versão dupla lançada no mercado brasileiro. Fazem parte dela as mesmas onze faixas do CD e os vídeos do DVD bônus (uma entrevista com a banda e versões para “Sometimes You Can´t Make It On Your Own”, “Crumbs From Your Table” e “Vertigo”). Mas, além do pacote “normal”, contém aquilo que é o maior chamariz para os colecionadores de qualquer grupo: uma faixa bônus inédita e exclusiva.

Musicalmente, “Fast Cars”, a tal música extra, resgata momentos dos primórdios da carreira do grupo, com uma levada de violão servindo de base para a melodia cantada por Bono. Uma boa faixa, que poderia ter entrado sem problemas entre as selecionadas para o álbum, mas que a banda preferiu guardar como atrativo para edições especiais e lados B de singles.

O pacote se completa com um belíssimo livro de capa dura com 48 páginas repletas de textos, ilustrações e fotografias inéditas o quarteto, uma verdadeira especiaria para os fãs do conjunto.

Já fora de catálogo, How to Dismantle An Atomic Bomb – Collector´s Edition foi lançado pela Interscope no mercado americano e pela Island nos mercados japonês e inglês.

Infelizmente, os fãs brasileiros que desejarem adquirir uma cópia terão que penar muito em sites de leilão ou, com muita sorte, em lojas especializadas, desembolsando um valor muito acima do anunciado em sua época de lançamento.

Mas, com certeza, é um item que vale muita a pena, de encher os olhos, único, que merece lugar de destaque em qualquer coleção. Uma pena que as gravadoras com sede em nosso país não percebem, ou melhor, não demonstram interesse em conquistar este consumidor mais exigente, seja através de lançamentos de edições especiais ou até mesmo de singles.


Faixas:
1. Vertigo - 3:13
2. Miracle Drug - 3:54
3. Sometimes You Can't Make It on Your Own - 5:05
4. Love and Peace or Else - 4:48
5. City of Blinding Lights - 5:46
6. All Because of You - 3:34
7. A Man and a Woman - 4:27
8. Crumbs From Your Table - 4:59
9. One Step Closer - 3:47
10. Original of the Species - 4:34
11. Yahweh - 4:22
12. Fast Cars - 3:43

Bonus DVD:
1. Documentary: U2 and 3 Songs - 19:59
2. Sometimes You Can't Make It on Your Own (Studio Performance) - 5:05
3. Crumbs From Your Table - 4:59
4. Vertigo (Temple Bar Mix) - 3:11
5. Sometimes You Can't Make it On Your Own (Acoustic Couch Mix) - 5:05
6. Vertigo - 3:11

Tom Petty - Highway Companion (2006)

sexta-feira, abril 24, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***1/2

Em mais de trinta anos de carreira, o americano Tom Petty não gravou nenhum disco que possa ser considerado ruim ou mediano. Esta linearidade se mantém em seu novo trabalho,
Highway Companion. Sucessor de The Last DJ, lançado em 2002, mostra mais uma vez toda a consistência da obra de Petty.

Quem conhece a sua carreira sabe que ela sempre foi marcada por uma forte influência dos sons regionais norte-americanos, como o country e o blues, unidos com perfeição ao rock. Em vários momentos ao longo destas três décadas, os álbuns de Petty foram comparados aos trabalhos de Bob Dylan, e isso não é nenhum exagero. Assim com Dylan, Petty mergulha fundo nas raízes musicais do seu país, emergindo com novos caminhos sonoros.

Curiosamente,
Highway Companion é apenas o terceiro álbum lançado por Petty a não contar com o nome dos Heartbrakers, sua tradicional banda de apoio, nos créditos. Coincidentemente ou não, os outros dois trabalhos onde isso ocorreu, Full Moon Fever de 1989 e Wildflowers de 1994, são considerados por muitos fãs seus dois melhores discos.

Ouvir
Highway Companion, como o título sugere, pede uma estrada livre a sua frente, sem destino para chegar, sem hora para voltar. A fusão de estilos que sempre marcou a carreira de Petty continua eficaz, surpreendendo o ouvinte a cada faixa. “Saving Grace” abre o álbum com um boogie que une John Lee Hooker e ZZ Top. “Turn This Car Around” traz referências às clássicas “Mary Jane´s Last Dance” e “Into the Great Wide Open”. Os climas acústicos, tecidos em delicados arranjos, soam como sentimentos entrelaçados. A classe de Petty, e de todos os músicos que o acompanham, elevam o nível de Highway Companion, e o que se ouve é rock, é pop, é blues, é country, da mais alta qualidade, não importando se os níveis comparativos entre um estilo ou outro sejam diferentes.

Há mais de trinta anos, desde que lançou seu primeiro trabalho,
Tom Petty & The Heartbrakers, em 1976, Tom Petty vem se mantendo como uma das mais importantes e influentes forças do rock americano. Highway Companion ratifica esta posição, e mostra que o anjo louro que já teve Dylan, George Harrison e Roy Orbison como parceiros ainda irá nos dar muitas alegrias.


Faixas:
1. Saving Grace 3:47
2. Square One 3:25
3. Flirting with Time 3:15
4. Down South 3:27
5. Jack 2:28
6. Turn This Car Around 3:58
7. Big Weekend 3:15
8. Night Driver 4:27
9. Damaged by Love 3:22
10. This Old Town 4:16
11. Ankle Deep 3:23
12. The Golden Rose 4:43

J.J. Cale & Eric Clapton - The Road to Escondido (2006)

sexta-feira, abril 24, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****

A carreira solo de Eric Clapton é muito diferente da história que ele construiu ao lado dos grupos de que participou (Yardbirds, John Mayall´s Bluesbrakers, Cream, Blind Faith e Derek and The Dominos). Enquanto que em suas bandas Clapton foi, primeiramente, um dos maiores responsáveis pela tradução do blues negro norte-americano para o público inglês branco dos anos sessenta, tornando o estilo popular entre a juventude daquela época, e, em segundo lugar, um dos artesãos principais da pedra fundamental do que iríamos chamar de hard rock nas próximas décadas (no Cream, ao lado de Jack Bruce e Ginger Baker), em seus discos solo Clapton trilhou um caminho distinto.

O som que Eric Clapton construiu nos primeiros anos de sua carreira solo, durante a década de setenta, foi fortemente influenciado por dois artistas: Delaney Bramlett e Jean Jacques Cale. Ao lado do primeiro, Clapton saiu em turnê após o final do Cream, fazendo shows antológicos que estão registrados no clássico álbum ao vivo
On Tour With Eric Clapton, lançado em 1970. Foi com a influência de Delaney e sua esposa, Bonnie, que Clapton inseriu na sua música elementos do pop e do soul que iriam definir, mais tarde, a sonoridade dos seus trabalhos solo.

Já com J.J. Cale a coisa foi mais explícita ainda. A excelente estreia auto-intitulada de Clapton, lançada em 1970, foi puxada pela versão definitiva de uma canção de Cale, “After Midnight”. Além disso, “Cocaine”, talvez a música mais famosa da carreira do guitarrista, também foi composta por Cale. Mas Clapton não se limitou apenas às regravações. O estilo manhoso de Cale tocar a sua guitarra é uma das maiores influências de Clapton. Basta ouvir e comparar para perceber. Além disso, a maneira tranquila com que Cale interpreta suas criações também foi transferida para Clapton, virando uma de suas marcas registradas.

A idéia que fez surgir
The Road to Escondido partiu de um convite de Clapton para que J.J. Cale produzisse seu novo disco solo. Como já era de se supor, a afinidade entre as duas lendas foi tão grande no estúdio que tudo se transformou, mais que naturalmente, em um álbum dividido pelos dois.

Musicalmente, o que temos está muito mais próximo da carreira de Cale do que da de Clapton. Aliás, J.J. Cale faz o vocal principal na maioria das faixas, com Clapton se comportando de maneira reverencial ao seu antigo mestre. As canções vem carregadas de influências de gêneros como blues, rock e jazz, fundidos em um sonoridade singular. O que se ouve em
The Road to Escondido é o que se ouve nos álbuns de Cale, acrescentado do enorme talento de Eric Clapton. 

Sendo assim, não é difícil para qualquer conhecedor da carreira dos dois sacar o tamanho da magia, do brilho e do apelo que o disco traz em suas quatorze faixas. Só de sacanagem, para colocar ainda mais água na boca de qualquer fã de boa música, a banda que acompanha Cale e Clapton traz nomes como o baterista Steve Jordan, o baixista Pino Palladino, os guitarristas Albert Lee e Derek Trucks, além da participação especial de John Mayer. Se tudo isso já não bastasse para transformar o álbum em um clássico instantâneo, ele ainda traz o último registro do tecladista Billy Preston, falecido no dia 06 de junho de 2006.

Por tudo isso é que
The Road to Escondido acaba se transformando em um álbum diferenciado àqueles que estamos acostumados encontrar às pencas por aí. Suas músicas pedem uma degustação calma, tranquila, sem pressa. Ouvi-las nos transporta para outra dimensão, para uma época mais inocente, onde a música era mais simples, mais emotiva, e, porque não, mais verdadeira. É por essa razão que cada ouvinte terá uma sensação diferente ao ouvir o disco. Eu achei “Heads in Georgia”, “Hard to Thrill”, “Three Little Girls” e a regravação de “Don´t Cry Sister” (hit da carreira solo de Cale) os melhores momentos de um disco cheio de grandes momentos, mas esta opinião irá variar de ouvinte para ouvinte.

Não quero posar de tradicionalista, mas o fato é que
The Road to Escondido é um trabalho orgânico, rico em detalhes e com uma magia que só conseguimos encontrar (e ouvir) naqueles álbuns clássicos lançados décadas atrás.

Um excelente álbum, uma enorme surpresa, mas, acima de tudo, um trabalho que merece ser ouvido e conhecido por qualquer consumidor de música.


Faixas:
1. Danger 5:32
2. Heads in Georgia 4:09
3. Missing Person 4:27
4. When the War Is Over 3:48
5. Sporting Life Blues 3:31
6. Dead End Road 3:27
7. It's Easy 4:17
8. Hard to Thrill 5:10
9. Anyway the Wind Blows 3:54
10. Three Little Girls 2:44
11. Don't Cry Sister 3:08
12. Last Will and Testament 3:57
13. Who Am I Telling You? 4:07
14. Ride the River 4:34

23 de abr de 2009

Machine Head - The Blackening (2007)

quinta-feira, abril 23, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: *****

Ouvir este disco, lançado originalmente em 27 de março de 2007, mais parece um milagre. Motivos para isso existem aos montes. O primeiro deles é o próprio Machine Head ainda estar na ativa, já que depois de um início de carreira inspirador com o excelente
Burn My Eyes a trupe de Robert Flynn foi aos poucos se perdendo pelo caminho, até culminar no quase fim do grupo.

Outro é o fato de
The Blackening conter oito canções que são o mais puro thrash metal que o mundo ouve em muito tempo. O estilo, tão popular nos anos oitenta e influência para centenas de grupos, há anos ensaia uma retomada, mas não passa disso. É claro que os grandes monstros, como Slayer, Testament, Anthrax (e até mesmo o Metallica, apesar de o grupo de Hetfield e Ulrich não fazer mais este tipo de som desde … And Justice For All, de 1989 - Nota do editor: este review foi escrito originalmente antes do lançamento de Death Magnetic) sempre chamam a atenção com seus novos álbuns, mas isso acontece muito mais pela mítica do que pela qualidade dos lançamentos propriamente ditos.

Um terceiro fator é um álbum como este ter sido composto e criado por uma banda norte-americana, já que o cenário metálico dos Estados Unidos se caracterizou nos últimos anos pelo surgimento de grupos que apostaram suas fichas quase que exclusivamente na busca de novos caminhos (e alguns também na própria negação) para o heavy metal, gerando o tão discutido new metal, que muitos adoram questionar, mas poucos prestaram realmente atenção.

Dito isso, contextualizando
The Blackening e o Machine Head, vamos ao que interessa. A grande contribuição do thrash metal, na minha opinião, está na união definitiva do peso à melodia, retomando uma característica que estava se perdendo na música pesada da primeira metade dos anos oitenta: a agressividade. Pois bem, The Blackening é um álbum agressivo, repleto de peso e dono de canções que transbordam melodias inspiradas. Isso já fica claro em “Clenching the Fists of Dissent”, faixa que abre o trabalho. Uma introdução acústica (impossível, nessa hora, não lembrar das clássicas intros dos discos Ride the Lightning e Master of Puppets, de vocês sabem quem, que não por acaso também eram executadas em violões) evolui para uma autêntica pedrada thrash, repleta de mudanças de andamento, culminando em uma linda passagem vocal quase em seu final.

O nível se mantém lá no alto com “Beautiful Mourning”, agressiva e cheia de riffs animais. “Aesthetics of Hate”, escrita em protesto a um artigo do jornalista William Grim sobre Dimebag Darrel, eleva o sentido da palavra raiva a outro nível. Você ouve e saliva de ódio junto com Flynn. O final dessa canção me trouxe mais uma referência à cabeça, e dessa vez foi a cacofonia sonora com a qual o Slayer costuma introduzir “Rainning Blood” em seus shows.

O que chama, e muito, a atenção em The Blackening é a capacidade e o talento que o Machine Head teve em construir um álbum que, mesmo calcado nas características clássicas do thrash metal, soa inovador. Canções como “Now I Lay Thee Down” arriscam em arranjos nada óbvios, em andamentos desconcertantes. O festival de riffs melodiosos de “Slanderous” é outro destaque, levando qualquer animal como eu, que acompanha loucamente o heavy metal há mais de vinte anos e nunca se dignou a tirar a bunda da cadeira e aprender a tocar um instrumento, a sacar sua Flying V imaginária e tocar air guitar ensandecidamente pela sala.

“Halo” traz elementos de prog metal, em evoluções repletas de peso, enquanto “Wolves” deveria ser tocada para James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammet e Robert Trujillo em uma sala fechada e com a seguinte ordem: “
prestem atenção, vocês criaram tudo isso, escutem e vejam se aprendem como se faz, de novo e mais uma vez” (e a minha esperança roga, todas as noites, para que esses quatro estejam realmente escutando o que o Machine Head fez nesse novo disco, e encontrem nele inspiração para o novo álbum que estão gravando - Mais uma nota do editor: pelo jeito Rick Rubin colocou The Blackening pra rolar no estúdio, pois Death Magnetic é uma pedrada sensacional). Fechando o CD, “A Farewell to Arms” tem um início mais calmo, para depois cair em ótimas passagens de vocais e guitarras.

Um grande disco, é isso que
The Blackening é. Inspirador, refrescante, raivoso, agressivo. Uma paulada bem dada em nossas cabeças. Não sou de nadar com a maré, mas neste caso vou fazer coro: The Blackening é desde já um clássico, e um dos principais trabalhos não só de 2007, mas também dos anos 00.


Faixas:
1. Clenching the Fists of Dissent - 10:34
2. Beautiful Mourning - 4:49
3. Aesthetics of Hate - 6:34
4. Now I Lay Thee Down - 5:36
5. Slanderous - 5:17
6. Halo - 9:03
7. Wolves - 9:04
8. A Farewell to Arms - 10:12

Pedra - Pedra II (2008)

quinta-feira, abril 23, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****

O que fazer em um tempo onde comprar discos virou um hábito de gente antiquada, que não vê graça em ficar baixando tudo no computador? Ou, se preferirem, posso tornar a pergunta mais direta: como convencer o ouvinte de música atual, que tem tudo de graça na internet, a comprar um CD original para a sua coleção?

Essa é uma questão difícil e que possui várias respostas. A banda Pedra produziu uma das melhores.
Pedra II, segundo disco do grupo, foi disponibilizado no site oficial dos caras antes de seu lançamento oficial, em mp3 de alta qualidade (320 kbps) e na íntegra. Depois disso, o segundo passo foi lançar o álbum em uma mídia física, e o CD, ao invés de chegar ao mercado na embalagem padrão, veio repleto de criatividade, embalado em uma revista em quadrinhos muito interessante e original. Ou seja, um atrativo e tanto para que quem gostasse das músicas que baixou gratuitamente na net comprasse o álbum original.

É claro que toda essa estratégia seria inócua se não viesse acompanhada de música de excelente qualidade, e, nesse aspecto, o disco é impecável. O Pedra consegue um feito raro, que é unir as influências setentistas de seus integrantes (Deep Purple, Rainbow e o filé do hard produzido naquela década) a composições que soam acessíveis a ouvidos não tão habituados àquela sonoridade. Resumindo: a sede de fazer uma "sonzeira" não torna a música do Pedra restrita a apenas um nicho musical, muito pelo contrário.

Exemplos disso não faltam. "Filme de Terror" abre o play em grande estilo, e é impressionante como essa regravação de uma composição original de Sérgio Sampaio soa atual e antenada com a realidade das grandes cidades brasileiras. A suingada "Rock´n´Não" é um desabafo sobre a falta de espaço do rock na mídia brasileira, enquanto a linda balada "Longe do Chão" é uma das mais belas composições já gravadas pelo grupo. Com uma letra que derrama paixão e bate forte em qualquer pessoa que já viveu um grande amor, transporta o ouvinte em uma viagem profunda em busca de seus sentimentos.

Ótimas e cativantes composições não faltam no álbum. A lenta "Projeções" coloca em um mesmo arranjo a clássica sonoridade setentista do rock inglês e norte-americano com leves pitadas da psicodelia nordestina brasileira daquela década. "Megalópole" é um ótima instrumental que prende o ouvinte até o seu final. A radiofônica "Nossos Dias" está pronta para virar hit instantâneo. "Jefferson Messias" é uma odisséia deliciosa repleta de groove, com letra escrita em parceria com Cézar de Mercês, ex-Terço. E, uma após a outra, excelentes canções marcam o álbum, até o seu fechamento com a belíssima "Meu Mundo é Seu", levada ao violão por Xando Zupo e dona de um arranjo que arrepia até os mais durões.

Outro fator que chama a atenção em
Pedra II é o fato de a maioria das letras falarem de um final de relacionamento e recomeço de uma nova vida, o que dá uma característica ainda mais sentimental ao disco.

Mais um excelente trabalho dessa grande banda paulista, que veio para ficar. Para mim, o melhor álbum lançado por uma banda brasileira em 2008, com sobras.


Faixas:
1. Filme De Terror 3:44
2. Rock 'n' Não 5:04
3. Longe do Chão 7:15
4. Tô Indo a Mil 3:40
5. Projeções 4:43
6. Megalópole 4:08
7. Nossos Dias 2:45
8. Se Você For a Fim 3:53
9. Jefferson Messias 4:42
10. Saiu de Férias 3:59
11. Letras Miúdas 5:07
12. Meu Mundo e Seu 2:26

Lenny Kravitz - It Is Time For a Love Revolution (2008)

quinta-feira, abril 23, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***1/2

Lenny Kravitz precisava de um álbum como
It Is Time For a Love Revolution. A carreira do cantor, compositor e multi-instrumentista norte-americano estava em banho maria há alguns anos, sendo destaque muito mais por suas aparições em revistas de celebridades do que pelo que realmente importa, ou seja, a música. Lenny e Baptism, discos lançados em 2001 e 2004 respectivamente, não trouxeram nada de novo à carreira de Kravitz, muito pelo contrário. Não havia nada neles que lembrasse, mesmo que vagamente, o artista que gravou álbuns como Let Love Rule, Mama Said e Are You Gonna My Way?, trabalhos consistentes que até hoje servem de cartão de visitas e porta de entrada para o universo do cantor.

It Is Time For a Love Revolution dá uma sacudida muito bem-vinda nisso tudo. Como de costume, o álbum está repleto de ecos do passado em todas as faixas, mas trazendo de volta a inspiração que andava em falta nos últimos trabalhos. Tocando todos os instrumentos na maioria das músicas, Lenny Kravitz reafirma seu talento como compositor, parindo uma coleção de canções que convencem até o ouvinte mais exigente.

Cantando com a competência habitual e tocando a sua guitarra de maneira mais econômica, focando-se mais nos riffs do que em vôos solo, Kravitz transporta a aura vintage tão característica de sua música para os nossos dias, com timbres atuais e batidas que só poderiam ter nascido nos anos 00. Colocando em um mesmo liquidificador sonoro doses generosas do pop inglês sessentista e do hard rock clássico dos anos setenta, devidamente temperados pelo ritmo e pela malícia do funk e por vocais sentimentais que bebem diretamente na fonte do soul, Lenny agrada, convence e, mais importante, entrega um trabalho consistente.

Músicas mais diretas, como o rock básico e hipnótico de “Love Revolution”, que abre o disco, passando pela zeppeliana “Bring It On”, onde é possível, sem muito esforço, imaginar os vocais de Robert Plant, conquistam de imediato. “Will You Marry Me” é outro destaque, enquanto o primeiro single, “Love Love Love”, é um ótimo exemplo do poder da música de Lenny Kravitz, com uma guitarra funkeada e uma batida que não deixa ninguém parado.

O ouvinte mais criterioso irá descobrir o disco aos poucos, e sua paciência será premiada por baladas arrebatadoras como “I Love the Rain”, dona de uma melancolia e de uma beleza simples, mas eficientes. A influência do Led Zeppelin está presente também em “A Long and Say Goodbye”, onde Lenny mostra seu talento de compositor em uma canção que não faria feio em trabalhos lançados pelo gigante inglês durante os anos setenta. A trinca de ases do disco é fechada por “Dancin´Til Dawn”, funk safado levado por uma guitarra esperta e com um solo de sax que nos trazem à mente os melhores momentos dos Stones fase
Some Girls.

Falando de amor em todo o trabalho, Lenny passeia pelas mais variadas sensações que o tema nos faz sentir. Agressivo em alguns momentos, mais cru em outros, sentimental na medida certa, sabendo pescar com rara habilidade os melhores exemplos do passado, juntá-los na construção de uma música própria e, não há com negar isso, cheia de personalidade, Kravitz fez um disco muito bom.

Lenny não reinventa a roda, mas faz o que se propõe a fazer com grande competência. O resultado é um dos melhores trabalhos de sua carreira.


Faixas:
1. Love Revolution - 3:14
2. Bring It On - 3:35
3. Good Morning - 4:17
4. Love Love Love - 3:21
5. If You Want It - 5:08
6. I'll Be Waiting - 4:19
7. Will You Marry Me - 3:44
8. I Love the Rain - 4:44
9. A Long and Sad Goodbye - 5:58
10. Dancin' Til Dawn - 5:09
11. This Moment Is All There Is - 5:07
12. A New Door - 4:39
13. Back in Vietnam - 3:45
14. I Want to Go Home - 5:06

poeiraCast#004 no ar: os 40 anos de "Tommy", obra máxima do The Who

quinta-feira, abril 23, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Já está disponível a quarta edição do poeiraCast, o podcast da Poeira Zine. Dessa vez, o quarteto fantástico formado por Bento Araújo, José Damiano e os irmãos Ricardo e Sérgio Alpendre fala sobre os quarenta anos de Tommy, a obra-prima do The Who.

Em mais de quarenta minutos de programa, são discutidas as influências do disco na carreira do Who e de outros artistas, as principais óperas-rock já lançadas, e outros assuntos, como a herança nem sempre bem-vinda que acompanha os filhos de músicos famosos.





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