22/05/2009

Discos Fundamentais: Hard Meat - Through a Window (1970)


Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O Hard Meat é um grupo britânico, natural de Birmingham, que lançou apenas dois discos em sua breve carreira, o auto-intitulado debut em 1969 e
Through a Window em 1970. Formado por Mike Dolan (vocal, violão, guitarra e harmônica), Steve Dolan (baixo, violão e guitarra), Mick Carless (bateria e percussão), Pete Westbrook (flauta) e Phil Jump (teclados), a banda fazia um rock psicodélico cujo ponto de partida eram os violões dos irmãos Dolan.

Assim, há um fascinante ar agreste e interiorano nas faixas de
Through a Window, algo como se um artista folk tivesse sido levado em uma viagem cujo combustível é um poderoso ácido lisérgico. As composições são grudentas e viciantes, fazendo você abrir um sorriso de satisfação durante a audição, gerando uma insaciável vontade de ouvi-lo novamente, de novo e mais uma vez.

"On the Road" abre o play com muito groove e passagens instrumentais perfeitas para cair na estrada. "New Day" é uma linda balada com excepcionais trechos acústicos, e um belo e intrincado solo de violões em seu miolo."Free Wheel" é uma faixa instrumental acústica que parece saída de uma jam ao redor de uma fogueira, enquanto "Smile As You Go" é uma baladaça tipicamente setentista, com um ótimo acento folk.

A melhor faixa de
Through a Window é "I Want You", um rock manhoso e sensual com muito balanço e ótimos solos de guitarra. O disco ainda tem bons momentos em "A Song of Summer" e na doce "The Ballad of Marmalade Emma and Teddy Grim", que fecha o álbum.

Tanto em se tratando de produções setentistas obscuras quanto de uma maneira geral, esse é um dos melhores discos que eu já tive o prazer de ouvir.

Simples assim.


Faixas:
A1. On the Road - 5:58
A2. New Day - 5:08
A3. Freewheel - 3:03
A4. Smile as You Go Under - 3:04

B1. I Want You - 7:00
B2. From the Prison - 4:16
B3. A Song of Summer - 5:10
B4. Love - 5:03
B5. The Ballad of Marmalade Emma and Teddy Grimes - 3:00


Do brilho dos holofotes à fumaça do underground: uma história não tão concisa do hard rock setentista


Por Ronaldo Rodrigues
Colecionador

Assim como ocorre com alguns acontecimentos históricos da humanidade, é difícil precisar a data ou o momento exato em que surge um determinado movimento artístico-cultural. Mais hora, menos hora, ele põe sua face no mundo e manifesta sua índole. 

A raiz do hard rock está diretamente envolvida com o próprio desenvolvimento do rock em sua vertente mais rebelde, suja e transgressora - dos riffs blueseiros turbinados de Chuck Berry à insanidade dos gritos de Little Richard e a energia da performance de Jerry Lee Lewis ao piano. 

Nos anos sessenta, o som que duelava a preferência da juventude britânica (européia, por extensão) com os Beatles era mergulhado na lama do blues americano – Rolling Stones, Yardbirds, Animals, Kinks e The Who. Estes foram os precursores do hard que se desenvolveu a partir da segunda metade dos 60´s. Seu som era bem mais agressivo, ousado e chocante do que o som da maioria das bandas que embarcaram na Beatlemania. A fórmula era basicamente a mesma – injetar anfetamina no blues e rhythm and blues, acelerá-lo, distorcê-lo, estrangulá-lo, jogar quilos de microfonia e gritos, deixando meninos e meninas estarrecidos e pais pra lá de preocupados.


Nessa efervescência, acredito que o maior destaque foram os Yardbirds. Em príncipio, foram um dos maiores expoentes da geração dos puristas do blues, quando ainda contavam com Eric Clapton; depois, com Jeff Beck e Jimmy Page, começaram a expandir as fronteiras, inserindo peso e psicodelia naquela massa sonora. Além de tudo, o grupo foi o berço de três dos guitarristas mais influentes da história de todo o rock. 


Em 1966 surge um grande divisor de águas nessa história com a união de três músicos já tarimbados do cenário inglês – o Cream. Amplificando todas as fórmulas da moçada mais ousada da Inglaterra daqueles tempos, o Cream uniu virtuosismo, senso improvisador e liberdade de criação num caldeirão que deixou todo mundo bem chapado naqueles tempos. 

Aceso o pavil, explodiu outro fenômeno – um guitarrista norte-americano canhoto, autodidata e bem doidão veio para a Inglaterra apadrinhado e formou a Jimi Hendrix Experience. Daí a coisa estorou mesmo – o som daqueles dias era ácido, pesado, experimental, virtuoso, inovador. Estava nascendo o hard rock, um som calcado no blues, porém antropofagicamente transformado pela criatividade daquela geração que utilizou toda a tecnologia que se desenvolvia na época para fazer o som de suas bandas chegar mais longe. 


Nos EUA eclodia também o movimento flower power e o som psicodélico. Não parecia haver fronteiras para as combinações entre o novo som e o velho blues – quase todo mundo embarcou nessa viagem, e quem não embarcou ficou no limbo da história.

A partir daí, entre 1967 e 1968, surgiram o Blue Cheer (que levou a psicodelia aos extremos com sua estreia, Vincepbus Eruptum), o Steppenwolf (com o hino do hard, "Born to be Wild"), o Ten Years After (e o prodigioso guitarrista Alvin Lee), Taste, Canned Heat, Savoy Brown, Jeff Beck Group, Led Zeppelin, MC5, Stooges (ampliando o som psicodélico das garagens norte-americanas) e vários outros nomes que foram cruzando a psicodelia e a inovação com o blues, tanto na sonoridade quanto nos temas. 


A partir de 1969 pode se dizer que o estilo já estava consolidado, com diversos trabalhos de muito peso das citadas bandas e de outras, como Leslie West Mountain, James Gang, Grand Funk Railroad, Edgar Broughton Band, Writing on the Wall, Groundhogs, Free, Cactus e muito etc por aí. O que fazia a cabeça da moçada na virada dos anos sessenta para os setenta era o som pesado – e toda a situação do momento favorecia isso: Guerra do Vietnã, as manifestações estudantis, os golpes militares na América Latina, o assassinato de Martin Luther King. O som parecia ser o pano de fundo para o todo aquele contexto conturbado, acrescido da desilusão com o ideal hippie e a alienação pelo uso de drogas.

Com o advento dos anos setenta a coisa ficou progressivamente mais pesada, agregando novas influências – Black Sabbath e Deep Purple foram os grandes marcos do som da nova década e influenciaram uma gama imensa de jovens por todo o mundo. O nascente rock progressivo também foi influente, numa fusão entre o som pesado e as novas sonoridades, coisa que aconteceu muito forte na Europa. 

Ao prosseguir da década, dezenas e dezenas de bandas surgiram e sumiram com velocidade de foguete no cenário, nos mais diversos países no mundo. O underground engoliu muitos jovens talentos que não tiveram a manha de lidar com o mainstream e nem tiveram um pingo de sorte com gravadoras e empresários. Por conta disso, bandas fantásticas e extremamente promissoras ficaram somente na estreia. A industrialização da música (e do rock, consequentemente) avançou, capitalizando todo o movimento e direcionando-o por caminhos mais previsíveis no decorrer da década, especialmente visando competir com o punk rock e a disco music, movimentos que deixaram o hard bem menor em termos de popularidade. 

Claro que houveram muitas honrosas bandas que não se deixaram levar pelos apelos escandolosos do mercado e mantiveram firmes seus princípios, se baseando no blues ou mesmo na busca de novos caminhos, caminhos esses que foram levando o hard até o heavy metal, com a chamada New Wave of British Heavy Metal. Mas aí, já chegaram os anos oitenta. Melhor parar por aqui.


Discos Fundamentais: Golden Earring - Moontan (1973)


Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O Golden Earring é um grupo holandês que nasceu na cidade de Den Haag em 1961. A banda surgiu da amizade entre George Kooymans, então com treze anos de idade, e seu vizinho Rinus Gerritsen, de quinze. 

Inicialmente o grupo se chamava The Tornados, mas mudou para Golden Earring ao saber da existência de um conjunto homônimo. Como curiosidade vale citar que a escolha por Golden Earring se deu por ser uma canção originalmemte gravada pela atriz Marlene Dietrich em 1947 e que acabou se tornando um relativo hit em 1948 na voz de Peggy Lee. Essa canção passaria a ser usada como tema de abertura dos shows da banda.

Moontan, seu nono e mais conhecido trabalho, foi lançado em setembro de 1973 e traz a música mais conhecida do Golden Earring, “Radar Love”. O sucesso dessa faixa fez o nome dos holandeses crescer enormemente mundo afora, levando-os a excursionar ao lado de gigantes como Led Zeppelin, Doobie Brothers e Rush, além de ter várias apresentações abertas por bandas iniciantes naqueles tempos, como Kiss e Aerosmith.

Além de “Radar Love”, clássico hard estradeiro setentista e que ainda hoje figura em inúmeras compilações dedicadas ao período,
Moontan traz faixas do quilate de “Candy´s Going Bad”, “Suzy Lunacy (Mental Rock)” e “Vanilla Queen”, todas apresentando arranjos muito bem elaborados e um requinte instrumental que dá ao hard rock algumas características de outros estilos, como o  prog e o psicodelismo.

O disco foi lançado com duas capas diferentes. Na Holanda, Inglaterra e Alemanha ele saiu com uma bela e sensual fotografia que se estendia por toda a extensão da capa dupla, mostrando uma mulher seminua coberta de plumas. Em outros países essa capa foi censurada, o que levou a banda a desenvolver uma arte mais simples, que mostrava apenas o close de uma orelha com um brinco. A primeira, como você deve imaginar, é a mais disputada entre os colecionadores, alcançando um valor considerável se em perfeito estado.


Faixas:
A1. Candy's Going Bad - 5:49
A2. Are You Receiving Me - 9:53
A3. Suzy Lunacy (Mental Rock) - 4:24

B1. Radar Love - 6:22
B2. Just Like Vince Taylor - 4:33
B3. The Vanilla Queen - 9:15


Discoteca Básica Bizz#084: Queen - A Night at the Opera (1975)


(André Forastieri, Bizz#084, julho de 1992)

Rock como objeto de culto. Disco como conceito, grande arte. Foram desvios inesperados - e, pensando bem, um pouco ridículos - para um tipo de música desencanada que começou animando bailinhos teen.

Mas os anos setenta foram mesmo inesperados, e todo mundo que cresceu nessa época é meio esquisito. Não vejo a hora de elegermos nosso primeiro presidente da República, alguém que saiba quem é o Space Ghost e tenha sonhado com uma calça Topeka.

De qualquer forma, se essa pretensão roqueira toda se justificou alguma vez, foi na primeira metade dos 70´s. Dark Side of the Moon, Physical Graffiti, Ziggy Stardust - naquela época gigantes caminhavam sobre a Terra, ou assim parecia.

Dentre esses inesquecíveis pedaços de plástico, nenhum alcançou a sobrevida de
A Night at the Opera. Porque o Queen nunca parou de produzir, porque mudou de estilo, porque eles eram imensos no palco, porque Freddie Mercury foi o primeiro superastro a morrer de Aids, porque ... Principalmente, acho, pela variedade. 

A Night at the Opera tem um pouco de tudo para todos. Metal cromado ("I'm In Love With My Car"), vingativo ("Death on Two Legs") e burro ("Sweet Lady", a coisa mais Kiss que o Kiss não fez). Brilhantes baladas: a alegrinha "You're My Best Friend", a quase country-épica "39" e, mamma mia, "Love of My Life". Cabaré variado: "Seaside Rendezvous", "Good Company", "Lazing on a Sunday Afternoon". Um épico progressivo viajante, "The Prophet's Song". E coisas indefiníveis e emocionantes, como a peça central do disco, "Bohemian Rhapsody".

Art rock era isso: tudo exagerado, ambicioso, super produzido, bem escrito e incrivelmente bem tocado (no synthethizers!). Os quatro tocavam, cantavam, compunham. "You're My Best Friend" é de (e com) John Deacon, o baixista. "39" e "Good Company", a mesma coisa com o guitarrista Brian May, "I'm in Love With My Car", idem com o baterista Roger Taylor. Sem falar em Freddie. Que banda em atividade hoje tem tanta gente talentosa?

No Brasil, o disco branco do Queen marcou demais (o preto, o seguinte, é A Day at the Races, ambos os títulos tirados de filmes dos irmãos Marx). Junto com News of the World formavam a dupla tiro-e-queda de qualquer discoteca que se prezasse - porque Queen, naquela época e lugar, era sinônimo de rock; quem não gostava do Queen, boa gente não era. 

E tinha boa gente pra caramba neste país - o suficiente para lotar o Morumbi, no primeiro megashow de rock a que o Brasil já assistiu. Não existiam telões, a trilha de Flash Gordon tinha acabado de sair, as garotas não usavam sutiã, os meninos usavam tênis All Star e todo mundo sabia o repertório inteiro do show de cor.

Nós éramos os campeões.
God Save the Queen.


Faixas:
A1. Death on Two Legs - 3:43
A2. Lazing on a Sunday Afternoon - 1:07
A3. I'm in Love With My Car - 3:05
A4. You're My Best Friend - 2:52
A5. '39 - 3:31
A6. Sweet Lady - 4:04
A7. Seaside Rendezvous - 2:16

B1. The Prophet's Song - 8:21
B2. Love of My Life - 3:39
B3. Good Company - 3:23
B4. Bohemian Rhapsody - 5:55
B5. God Save the Queen - 1:15

Leia também: Os três primeiros álbuns do Queen


21/05/2009

O heavy metal em Santa Catarina


Por Alessandro Cubas
Colecionador

Santa Catarina é um estado muito conhecido por sua beleza natural, com suas serras e seu belo litoral, que possui lindas praias, atraindo turistas de todo o país. Mas poucos sabem que também é um estado onde o heavy metal é muito forte, contando com grandes bandas e ótimos festivais.

São muitos os grupos que podemos destacar neste cenário, nomes como Orquídea Negra, Steel Warrior, Before Eden, Perpetual Dreams, Arsenal, Still Life, Pain Of Soul, Battalion, Sacrilegium, Shadow of Sadness, Warriors of Metal, Infektus, Juggernaut, Forest of Demons, Vulkro, Flesh Grinder, as já extintas Mr Powerfull, Black Rainbow e Scorner, entre muitas outras, que ajudam a tornar o metal catarinense muito forte, tendo bandas do mesmo nível que as dos grandes centros do país.

Já falando sobre os festivais que rolam no estado podemos destacar o River Rock de Indaial, que talvez seja o mais tradicional de todos; o Tchumistock de Rio do Sul; o Bob Rock de Dona Ema; o extinto Fúria Metal Rock de Rio Negrinho; o Zombie Ritual Metal Fest, também de Rio Negrinho e que esse ano trará atrações arrasadoras e tem tudo para se tornar o maior festival de Santa Catarina; o Orquídea Rock Festival de Lages; Trento from Hell, de Nova Trento; 92 FM Metal Fest de Timbó; Vooadera Festival de Florianópolis, além de outros espalhados por todo o estado. 

A maioria destes festivais são open air e oferecem uma ótima estrutura ao público, que pode acampar e curtir suas bandas favoritas sem se preocupar. Nesses eventos podemos destacar apresentações de nomes fortes do metal e do rock nacional, como Krisiun, Korzus, Torture Squad, Tuatha de Danann, Claustrofobia, Matanza, entre outros. Os festivais acontecem durante todo o ano e também nos trazem diferentes grupos, agradando todos os gostos. É só escolher o seu favorito e se divertir.

Mas vamos ao que interessa, que são os discos. Vou falar um pouco de alguns álbuns e demos que eu considero destaques entre as bandas catarinenses. Para isso escolhi dez trabalhos de nomes de diferentes estilos do heavy metal e que representam muito bem esse estado e essa cena, que continua crescendo muito.

Flesh Grinder – Libido Corporis (2001)

Vinda da cidade de Joinville, a banda Flesh Grinder pode ser considerada um dos maiores nomes do splatter mundial. Libido Corporis é o terceiro trabalho full-lenght do grupo, que já havia gravado Anatomy and Surgery em 1997 e o espetacular S.P.L.A.T.T.E.R. em 1999. Com um som super veloz, Libido Corporis foi lançado no ano de 2001 pela Demise Records e é cheio de introduções macabras, vocais urrados intercalados por vocais rasgados, bateria na velocidade da luz, bons riffs e, é claro, muita influência do Carcass antigo.

Algumas faixas de destaque são “Inflamed Rectum from Anal Intercurse”, “Cryptosporidiosis: Profuse Watery Diarrhea”, “Sterilize With Severe Vasectomy”, “Aroma of an Open Gall-Blader”, entre outras tão nojentas quanto. O CD ainda traz uma faixa multimídia, que é um vídeo da música “Disruption of the Samatognosia”, que também é a faixa de áudio que encerra o play.

A capa e o encarte nos trazem fotos características do splatter, cheio de tripas e corpos mutilados. Se você tem estômago fraco passe longe!

A formação conta neste álbum com Fábio Gorresen (V/G), Chacal (V/G), Rogério Murara (B) e Johnny (D). Ou seja, esses doentes, no bom sentido, nos apresentam neste disco pérolas que só este estilo poderia nos proporcionar.

Uma ótima pedida! Para quem gosta do gênero, lógico.

Resthus – Embryo of the Endless Sands (2003)

Uma das minhas bandas de thrash metal favoritas. O Resthus foi formado na cidade de Rio do Sul no ano de 1993, e após o lançamento de duas demo tapes foi lançado de forma independente este excelente Embryo of the Endless Sands.

O CD começa com “Inside a Torn Apart” e daí pra frente é um petardo atrás do outro. Seguindo adiante temos “Bullet in Point”; “Insane War”, que começa com um belo arpejo que antecede a pancadaria e é também uma das melhores músicas da banda; “Die Like a Dog”; “Tsavo: The Place of Slaughter” é a melhor faixa do álbum e é baseada no filme A Sombra e a Escuridão. 

“Njord Hymn” é instrumental e acústica, e abre caminho para outra míssil, que é a faixa “Big Anesthesia”. Ainda temos “Cancer”, “Sacrificed by Mistake”, “Doomsday” e “Eternal Sorrow”, que fecha o play com chave de ouro. Este trabalho nos traz tudo que o estilo exige: riffs trabalhados, cozinha arrasadora, solos e vocais rasgados. As músicas são bastante influenciadas pelo thrash alemão, mas em alguns momentos também percebemos influência das bandas americanas do estilo.

A capa foi feita pelo artista alemão Michael Schindler, que também já trabalhou com o Motörhead e com o Steel Warrior. Na formação da época estavam Alex Leber (V/G), Célio Jr (G), Valda (B) e Jailson (D).Este CD é viciante e agradará em cheio os fãs de thrash metal.

Steel Warrior – Army of the Time (2002) 

O Steel Warrior é um dos principais nomes do metal catarinense e também nacional. Vindos da cidade de Itajaí, a banda sabe fazer heavy metal como poucas. Unindo influências de nomes como Running Wild e Iron Maiden, o grupo lançou seu primeiro CD em 1999, o maravilhoso Visions from the Mistland, que chegou inclusive a ser pirateado na Europa.

Army of the Time é o segundo álbum e segue o mesmo estilo do debut da banda. Os destaques do track list são “Guardians of the Sea”, com uma pegada à la Running Wild mas ao mesmo tempo com identidade própria; o hino “Power Metal”, que possui um belo refrão, com uma boa performance do vocalista Andre Fabian e uma letra realmente metálica; “Divine Wind of Sho”,  onde o batera Culver Yu simplesmente destrói; e “The First Warrior”, que é a minha favorita.

Foi também através do lançamento deste disco pela Hellion Records que os catarinenses fizeram sua turnê européia, tocando em países como Alemanha, Bélgica, entre outros.

Formação conta com Andre Fabian (V/G) - que está cantando muito neste CD, Boon Yu (G), Anderson Agostinho (B) e o talentoso Culver Yu (D). Um timaço de primeira. No ano de 2008 a banda ainda lançou o excelente Legends, que também vale a pena ser conferido.

Symmetrya – Eternal Search (2005) 

Confesso que fiquei em dúvida entre escolher o Symmetrya e o também excelente Perpetual Dreams para representar o heavy metal melódico, mas acabei optando pelo Symmetrya, pois apesar do pouco tempo de existência a banda tem se firmado como um dos principais nomes do estilo. Já pude acompanhar vários shows dos caras e mesmo eles já tendo um ótimo padrão técnico e um excelente entrosamento continuam em constante evolução, sempre surpreendendo.

Eternal Search é o álbum de estreia destes joinvillenses, que no ano de 2003 haviam lançado o CD demo Symmetry, que inclusive era o nome da banda na época, mas pelo fato de já existir uma outra com o mesmo nome eles acabaram incluindo a letra "A" no final, ficando como Symmetrya.

Como destaques do álbum podemos citar as faixas “Eternal Search”, “Lost”, “Dead Zone”, “Misbelief” e Inner Force” ,que já constava em outra versão no CD Demo. A banda ainda fez vídeo clipes para as faixas “Wings of Tragedy” e “Learn to Live”, faixas estas que também podemos citar como destaques.

A formação conta com o vocalista Jurandir Junior, o guitarrista Ney Soteiro, o baixista Alexandre Lamim, o tecladista Milton Maia e o baterista Marcos Vinícius, o Nána.

A arte gráfica do álbum foi feita por Robson Piccin (Eternal Malediction, Lothlöryen) e é bem trabalhada, com uma bela capa e um bom design no encarte, chegando a nos lembrar os últimos trabalhos do Angra.

O grupo ainda promete muito! Vamos aguardar.

Still Life – Still Life (2004) 

O Still Life é mais um representante do metal tradicional catarinense. Oriundo de Florianópolis, este quarteto nos apresenta um heavy metal com referências a nomes como Iron Maiden e Judas Priest.

Algumas faixas que encontramos neste play já haviam sido registradas anteriormente no CD demo The Crab Ship Arise, de 2000, faixas essas que são destaques tanto neste álbum quanto nos shows, como “Destination Somewhere”, “Still Life”, “Discovery of Metal” e “Silent Hill” , todas muito empolgantes. O track list é completado por “War of Discord”, “Kill the Captain”, “Metal Flame Heart”, “Darknees Woods”, “Fallen World”, “Resurection” e “The Priest”, todas seguindo o padrão de qualidade do grupo.

As performances ao vivo também são referência, uma aula de como se faz um show de metal.

Khrophus – God From the Dead Images (2003) 

Apesar de não contar com uma produção muito boa, este álbum do Khrophus nos mostra toda a brutalidade da banda, demonstrando porque a mesma é considerada um dos destaques do metal extremo catarinense.

Músicas bem trabalhadas, riffs rápidos, bateria a mil. O play começa com o petardo “Trench”, seguida pela não menos brutal “Darkness”. Destaco também “Message of Sins”, “Dying Serenity” e a poderosa faixa-título, que conta com uma bela introdução. Brutal death metal de primeira linha.

Vinda da cidade de São José, na região metropolitana de Floripa, a banda conta no line-up deste CD com os músicos Guilherme Bridon (V), Adriano Ribeiro (G), Sandro Diefenbach (B) e Kennedy Ribeiro (D)

Destruidor!

Orquídea Negra – Orquídea Negra (1996) 

Uma das bandas mais tradicionais do estado, o Orquídea Negra vem da serra catarinense, para ser mais preciso da cidade de Lages. Este é o segundo trabalho do grupo, sendo que o primeiro registro foi o LP Who’s Dead, de 1992, que foi também o primeiro álbum de heavy metal gravado por uma banda catarinense.

O destaque do disco com certeza é a faixa “Miss You”, mas temos outros bons momentos, como as pesadas “Some Light to See” e “The Unknown”.

A formação na época era Jean Varela nos vocais, Vinícius Porto na guitarra, Robson Anadon no baixo e Marcelo Menegotto na batera.

Vale citar que a banda também é responsável pela idealização e organização do
Orquídea Rock Festival, que vem acontecendo todos os anos durante o mês de dezembro na cidade de Lages.

Se o Orquídea Negra não tivesse existido talvez o metal catarinense não seria forte como é hoje.

Great Vast Forest – Battletales and Songs of Steel (2002) 

Escolhi o trabalho deste excelente grupo para representar o black metal, que sempre foi uma das mais fortes vertentes do metal dentro do estado.

Battletales and Songs Of Steel é o debut desta horda, e nos traz dez faixas do mais puro black, ou como eles mesmo preferem: barbarian black metal. Vale destacar as músicas “Wolvesclan”, “Magestic South”” e “Imperial Moon”. O trabalho é bem produzido e traz composições avassaladoras.

O CD também conta com uma das mais belas capas já feitas por bandas do estilo, isso não só em termos de Brasil, mas também internacionalmente.

Este trabalho foi lançado pelo selo curitibano especializado em black metal Evil Horde Records, que também disponibilizou uma versão do álbum em slip case.

Battletales and Songs of Steel é trilha sonora ideal para os seus pesadelos.

Vlad V – Volume IV (2001) 

Apesar de não podermos considerar o Vlad V uma banda de metal, não havia como deixar de citar esse excelente conjunto de Blumenau, que já está na estrada desde 1994 e tem um som bem diferenciado, com influências de MPB, bandas de rock dos anos setenta, progressivo e, sobretudo, do grande Jethro Tull.

O trabalho que escolhi para representá-los foi o
Volume V, que traz belas composições como “O Pescador”, a rock and roll “Doce Lar dos Malucos”, “Vento Sul” - com um belo trabalho de flauta, e “Dança de Shiva”, essa bem na veia Jethro Tull.

Uma boa dica para quem gosta de bandas que cantem em português. Se você ainda não conhece o grupo não perca tempo, pois vale muito a pena dar uma conferida.

Sodamned – On the Gallows (2003 - Demo) 

Para encerrar escolhi um CD demo de uma das melhores bandas de death metal do estado, este power trio formado por Juliano Regis da Silva (G/V), Gerson Lange (B/V) e Gilson Lange (D).

Com composições muito agressivas, e ao mesmo tempo com ótimas melodias, este play nos traz um trabalho de altíssima qualidade. São apenas quatro músicas -  “Hanged”, “So Damned”, “Dreams and Tears” e “Graveyard of Secrets” -, todas de muito bom gosto. As letras são poemas feitos pela própria banda, e o bom trabalho gráfico nos traz as letras tanto em inglês como em protuguês.

Após esse CD demo o grupo ainda lançou no ano de 2007 o EP
The Garret, trazendo cinco novas músicas.

Mais uma excelente banda catarinense.

Outros álbuns de bandas de Santa Catarina que também merecem ser citados são
Eyes of Infinity (2004) e Arena (2005), ambos da virtuosa Perpetual Dreams; e The Legacy of Gaia (2005), da excelente Before Eden.

Espero ter conseguido passar a todos, principalmente os que são de outros estados e não conhecem os gruos catarinenses, um pouco do heavy metal que a às vezes subestimada bela e Santa Catarina tem a oferecer.


Discoteca Básica Bizz#083: Aretha Franklin - I Never Loved a Man the Way I Love You (1967)


(José Augusto Lemos, Bizz#083, junho de 1992)

O grande Otis Redding balança os braços e reclama com o vice-presidente da Atlantic Records, Jerry Wexler: "Acabo de perder a minha música. Essa garota a roubou de mim". 

"Essa "garota" de 24 anos chamava-se Aretha Franklin, e Otis tinha razão de se sentir mordido. Dois anos antes, "Respect", de sua autoria, chegara ao 35° posto do Hot#100 da Billboard. Agora, abril de 1967, na voz de Aretha, a canção ocupava pela segunda semana o primeiro lugar. Mas não era a isso que ele se referia.

O original esparso e seco de Redding havia sido virado do avesso, como se não passasse de um simples rascunho. Uma levada venenosa de guitarra e metais atravessava toda a música, puxada por um delirante transe gospel de chamada-e-resposta. A letra - Otis reclamando de sua vida conjugal - ganhava uma nova ênfase com as vozes de Aretha e sua irmã Carolyn acrescentando todo tipo de imprecação furiosa, metralhando em staccato: "
Re-re-re-respect! (just a little bit, just a little bit)", antes de explodir, soletrando no refrão: "R-E-S-P-E-C-T!... find out what it means to me!... R-E-S-P-E-C-T!... sock it to me, sock it to me, sock it to me!".

A garota que seria batizada de Lady Soul vinha mesmo da igreja e contava com mais de dez anos de estrada. Nascida em Memphis, mas criada em Detroit, tinha seis anos quando a mãe abandonou seu pai, o reverendo C. L. Franklin, pregador superstar no circuito gospel.

A garotinha cresceu no colo dos maiores cantores do gênero: Mahalia Jackson, James Cleveland, as Ward Singers e os Soul Stirrers - comandados por R. H. Harris e seu discípulo Sam Cooke. Foi Sam, ídolo e amigo, quem a encorajou a segui-lo na travessia do gospel para a música secular (ou pop).

Aos quatorze anos Aretha já chamava a atenção no coral da New Bethel Baptist Church, a igreja de seu pai, com o qual chegou a gravar para o selo JVB. Aos dezoito era levada para a Columbia pelas mãos do produtor John Hammond, que tentou transformá-la numa espécie de diva jazz com só uma pitada de R&B. Foram cinco anos gravando standards da Broadway e outras "pérolas do cancioneiro". Não podia mesmo dar certo. 

"Eu queria devolvê-la à igreja", foi a explicação de Jerry Wexler, vice-presidente da Atlantic Records. O selo de Nova York comandava o mercado de R&B desde que lançara Ray Charles, e sua grande fonte de renda no momento era a distribuição dos selos independentes do sul, como a Stax/Volt de Memphis e a Fame de Muscle Shoals, no Alabama. Foi para este peculiar celeiro de hits que Wexler levou Aretha em janeiro de 1967. Obtivera grandes resultados com Wilson Pickett e agora repetia a dose.

O chamado hard soul de Muscle Shoals - R&B cru e áspero, meio country - merece um capítulo à parte na história do pop. Um bando de brancos de alma preta,
soul cowboys, num estúdio montado dentro de um barraco, criando/arranjando/produzindo clássicos em série, comandados pela dupla de compositores Dan Penn e Chips Moman e apoiados pelos monstruosos Spooner Oldham nos teclados e Roger Hawkins na bateria.

Como produtor, Wexler optou por deixar Aretha gravar primeiro, sozinha ao piano, para só depois o staff da Fame trabalhar em cima. A gravação, tumultuada, só durou uma tarde. Aretha voltou para Nova York e Wexler a seguiu depois, levando a fita com apenas duas canções finalizadas.

Pode ser que você nunca tenha ouvido falar nesse disco (fora de catálogo no Brasil desde que se esgotou sua primeira edição). Mas se tiver em casa o incendiário Volume 6 da série Atlantic Rhythm & Blues conhece estas duas obras-primas: lados A e B do primeiro compacto de Aretha pelo seu novo selo.

Mesmo antes de ela abrir a boca, "I Never Loved a Man (The Way I Love You)" já arrepia a espinha com o piano elétrico de Oldham e a guitarra de Moman. Depois, então ... a América e o mundo caíram diante da verdadeira Aretha Franklin. Já a balada "Do Right Woman - Do Right Man" (de Dan Penn e Chips Moman) é uma espécie de resposta a "It´s A Man´s World", de James Brown.

Quem assistiu ao filme
Cabo do Medo, de Martin Scorsese, lembra como esta música - junto com o livro Sexus, de Henry Miller, e a planta conhecida em português oficial como cânhamo - é utilizada pelo psicopata vingativo para seduzir, com extrema maestria, a mocinha indecisa entre puberdade e adolescência. Não seria exagero dizer que o disco inteiro, e esta música em particular, está para o pop negro como O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, está para o mundo das letras.

Em um dia de trabalho, dois clássicos e um single entre os dez mais. Wexler não perdeu tempo: mandou o pessoal vir até Nova York para mais duas sessões. Resultado: o estouro de "Respect". Mais cinco dias e o álbum estava pronto, mantendo a carga desenfreada de gospel e R&B de seus primeiros hits.

"Dr. Feelgood" explora o mesmo tema de "I Never Loved": turbulenta dependência sexual, discutida com as cartas abertas em cima da mesa, refletindo a relação de Aretha com o co-autor da música, seu então marido e empresário, Ted White. A outra co-composição de White, "Don´t Let Me Lose This Dream", é uma balada soul com glacê meio bossa nova meio baião, à moda de Burt Bacharach.

Outras faixas, como "Save Me" e "Soul Serenade", escancaram a importância da irmã Carolyn e do saxofonista King Curtis, diretor musical das bandas que acompanharam Aretha até morrer esfaqueado numa briga de bar, em 1971. Pois é na tapeçaria dos metais com os backings vocals que Aretha rasga a garganta e o coração.

I Never Loved A Man (The Way I Love You) inclui ainda um tributo ao mestre Sam Cooke - as covers para "Good Times" e "A Change is Gonna Come" - e foi apenas o primeiro de uma série de quatro LPs seguindo fielmente esta receita de hard soul sulista, todos absolutamente "básicos".


Faixas:
A1. Respect - 2:26
A2. Drown in My Own Tears - 4:00
A3. I Never Loved a Man (The Way I Love You) - 2:47
A4. Soul Serenade - 2:30
A5. Don't Let Me Lose This Dream - 2:22
A6. Baby, Baby, Baby - 2:48

B1. Dr. Feelgood (Love Is a Serious Business) - 3:18
B2. Good Times - 2:05
B3. Do Right Woman - Do Right Man - 3:15
B4. Save Me - 2:20
B5. A Change Is Gonna Come - 4:15

Leia também: Sam Cooke - The Man and His Music (1986)


20/05/2009

VA - Nuclear Blast Allstars: Out of the Dark (2007)


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****

O que era para ser apenas um disco comemorativo aos vinte anos da gravadora alemã Nuclear Blast se transformou em um exemplo explícito do talento de um dos maiores compositores do heavy metal contemporâneo.

Nuclear Blast Allstars - Out of the Dark traz dez faixas compostas e produzidas por Peter Wichers, ex-guitarrista do Soilwork, sendo que cada uma delas conta com a participação de um vocalista diferente, escolhido a dedo no cast da companhia. É estupendo perceber o tamanho do talento de Wichers. As músicas de Out of the Dark passeiam pelas mais variadas tendências do metal extremo atual, mostrando o quão vasta é a capacidade criativa desse músico sueco.

O álbum abre com a ótima "Dysfunctional Hours", com os vocais de Anders Friden, do In Flames. Essa composição explora os caminhos mais atuais e modernos do metal, com passagens extremamente agressivas, melodias onipresentes, guitarras pesadíssimas e o vocal gutural característico de Friden. Ótimo início.

Na sequência temos "Schizo", paulada death metal com vocais de Peter Tadtgren, do Hypocrisy. Essa faixa possui um excelente refrão, daqueles feitos sob medida para ser cantado a plenos pulmões por multidões ensandecidas em shows. Uma das minhas favoritas do disco.

Jari Maenpaa, vocalista e guitarrista do excelente Ensiferum, é a voz de "Devotion", um black metal pesadíssimo e com
blast beats insanos. Essa faixa é um dos maiores exemplos da capacidade de Peter Wichers em transitar com absoluto talento entre as inúmeras vertentes do metal extremo, já que ele compôs uma música que não fica devendo nada ao que há de melhor sendo feito na cena black atual. De cair o queixo!

Outra grande composição de
Out of the Dark vem a seguir. "The Overshadowing" traz Christian Alvestam, vocalista do ótimo Scar Symmetry, com sua característica alternância de vozes, ora extremamente gutural, ora com um timbre mais limpo. Além disso, "The Overshadowing" tem grandes melodias e altas doses de peso. Paulada na cabeça em mais um grande momento do álbum.

O injustiçado John Bush, que levou um equivocado pé na bunda do Anthrax, mostra o quanto a banda de Scott Ian errou ao dispensá-lo. Com um início que parece ser uma homenagem è levada de bateria da versão que o Van Halen fez para "Oh Pretty Woman" de Roy Orbison, "Paper Trail" é um hardão cadenciado, e mostra que Bush se sai bem em qualquer estilo de metal, não apenas no thrash de suas ex-bandas (Anthrax e Armored Saint).

Bjorn Strid, chapa das antigas de Wichers (os dois tocaram por vários anos juntos no Soilwork) atesta mais uma vez o porque de ser considerado por grande parte da mídia especializada como uma das melhores vozes da atual geração. "The Dawn of All" é uma composição que foge um pouco do que ele e Peter Wichers fizeram quando estavam juntos (e que gerou, ao menos, uma obra-prima do heavy metal contemporâneo, o estupendo
Natural Born Chaos, lançado pelo Soilwork em 2002), já que navega por mares mais calmos, com um andamento mais cadenciado e com Bjorn cantanda de forma limpa. Pode-se dizer até que "The Dawn of All" é a mais "radiofônica" entre as faixas de Out of the Dark, se é que esse termo pode ser usado em um disco como esse.

O pau volta a comer solto em "Cold is My Vengeance", death clássico com a voz de Maurizio Iacono do Kataklysm, assim como em "My Name is Fate", que traz Mark Osegueda, do Dark Angel, em uma das composições mais inspiradas do trabalho.

Outra das minhas preferidas é "The Gilded Dagger", com os vocais da dupla do Sonic Syndicate, Richard Sjunnesson e Roland Johansson. Estruturalmente, "The Gilded Dagger" é similar a "Dysfunctional Hours", explorando caminhos atualíssimos quando se fala de música pesada.

Fechando o disco, "Closer to the Edge" traz o vocalista do Mnemic, Guilaume Bideau, em uma faixa repleta de passagens climáticas, com um aspecto até meio industrial e um resultado final que agrada bastante.

Apenas essas dez composições inéditas já bastariam para transformar
Out of the Dark em um lançamento imperdível, mas ainda tem mais! O álbum vem com um segundo CD repleto de faixas bônus, onde os principais destaques são "The Ancestral Fever" do Dimmu Borgir, "Tyrants" do Immortal, "As He Creates, So He Destroys" do Nile e "Purge the World" do Exodus, elevando ainda mais a qualidade do material.

Por tudo isso,
Out of the Dark é uma justa homenagem a uma das mais importantes gravadoras de heavy metal do mundo, além de ser uma prova incontestável do talento único de Peter Wichers, um brilhante compositor que a cada dia escreve o seu nome entre os maiores do estilo.

Altamente recomendável!


Faixas:

CD1
1. Dysfunctional Hours (Feat. Anders Friden)
2. Schizo (Feat. Peter Tagtgren)
3. Devotion (Feat. Jari Maenpaa)
4. The Overshadowing (Feat. Christian Alvestam)
5. Paper Trail (Feat. John Bush)
6. The Dawn Of All (Feat. Bjorn Strid)
7. Cold is My Vengeance (Feat. Maurizio Iacono)
8. My Name is Fate (Feat. Mark Osegueda)
9. The Gilded Dagger (Feat. Richard Sjunnesson & Roland Johansson)
10. Closer to the Edge (Feat. Guillaume Bideau)

CD2
1. Dimmu Borgir - The Ancestral Fever
2. Immortal - Tyrants
3. Nile - As He Creates, So He Destroys
4. Exodus - Purge the World
5. Bleed the Sky - The Martyr
6. Meshuggah - Futile Breed Machine
7. Epica - Replica
8. All Shall Perish - Prisoner of War
9. Agnostic Front - All is Not Forgotten
10. Threat Signal - Counterbalance