12 de jun de 2009

Discos Fundamentais: The Thrills - Let's Bottle Bohemia (2004)

sexta-feira, junho 12, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

E às vezes a sua vida é sacudida por surpresas inesperadas. Se você gosta de pop e rock bem feito, sem compromisso e de bem com a vida, o nome desta surpresa é The Thrills.

Esta banda irlandesa já havia surpreendido meio mundo com o seu excelente álbum de estreia,
So Much for the City, lançado em 2003, um bálsamo para quem gosta de pop com influência dos anos sessenta (notoriamente Beach Boys e as bandas do chamado "som da Califórnia"), onde se destacavam faixas como "Santa Cruz (You're Not That Far)", "Big Sur", "Don't Steal Our Sun", "One Horse Town", "Old Friends, New Lovers", "Say It Ain't So" e "Your Love is Like Las Vegas".

Mas o novo disco dos caras,
Let's Bootle Bohemia, lançado no dia 13 de setembro de 2004, consegue ser ainda melhor. Suavizando um pouco na melancolia presente no primeiro álbum, Let's Bootle Bohemia abre lá em cima, com a energética "Tell Me Something I Don't Know", jóia pop que gruda à primeira audição. Na sequência, a obra-prima do disco, a genial e belíssima "Whatever Happened to Corey Haim ?", que brinca com o paradeiro de um dos jovens atores esquecidos dos anos oitenta (seu filme mais conhecido é o cult Os Garotos Perdidos), com um arranjo de cordas que nos leva de volta aos anos setenta (cortesia de Van Dyke Parks, antigo colaborador de Brian Wilson e que teve participação fundamental no clássico Pet Sounds, de 1967, e que marca presença em várias faixas do álbum), em uma viagem única. A típica canção que só se faz uma vez na vida, e que todo músico daria a vida para ter composto.

O que vem a seguir é uma coleção que poderia ser exposta nas gravadoras ao redor do planeta, com o título de
Como fazer pop bem feito. "Faded Beauty Queens", a excelente "Saturday Night", "Our Wasted Lives", "You Can't Fool Old Friends with Limousines", "The Curse of Comfort" (a minha preferida) e "The Irish Keep Gate Crashing" são uma melhor que a outra, fazendo você ficar com um sorriso de orelha a orelha.

Resumindo: um grande álbum de uma banda desconhecida que, mesmo sem tocar nas rádios e na MTV, surpreendentemente saiu no Brasil.

Se você cruzar com este CD, nem que apenas de relance, compre na hora. Tenho certeza de que você vai curtir, e vai colocá-lo em um lugar de destaque na sua coleção.

Em poucas palavras: COMPRE JÁ O SEU ANTES QUE ACABE.


Faixas:
1. Tell Me Something I Don´t Know - 3:57
2. Whatever Happened to Corey Haim? - 3:34
3. Faded Beauty Queens - 3:40
4. Saturday Night - 2:32
5. Not for All the Love in the World - 4:06
6. Our Wasted Lives - 3:46
7. You Can´t Fool Old Friends With Limousines - 3:12
8. Found My Rosebud - 4:20
9. The Curse of Comfort - 3:02
10. The Irish Keep Gate-Crashing - 3:10

Tommy Bolin - Whips and Roses (2006)

sexta-feira, junho 12, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****

Este
Whips and Roses é um discaço. Trazendo out-takes de Teaser, álbum solo que Tommy Bolin lançou pouco antes de entrar no Deep Purple, além de algumas canções inéditas, mostra todo o talento deste jovem guitarrista que, na mesma proporção em que compunha músicas incendiárias e tocava de forma única, vivia de forma auto-destrutiva e flagelante, o que acabou lhe custando a própria vida.

O CD possui dez faixas. Nelas, Tommy passeia pelo hard rock de “Teaser”, pelo jazz rock de “Fandango”, pela jam pura e simples de “Cookoo”, pela sensualidade bruta de “Savannah Woman”, pela latinidade de “Marching Powder” e pela sua própria loucura em “Flyin´ Fingers”. Em todos estes estilos, apresenta uma classe acima da média, com generosas doses de talento em cada nota.

Além de solar magnificamente (ouça “Flyin´ Fingers”), Bolin ainda era um cantor muito bom. As baladas “Wild Dogs” e “Dreamer” confirmam isso. Lindas, arrepiam até quem nunca foi fã do cara.

Todo o material foi compilado pelo produtor Greg Hampton e por John Bolin, irmão do guitarrista. Completando o pacote, o álbum vem com um generoso encarte de 24 páginas repleto de fotos de diversas fases da carreira de Tommy Bolin.

Whips and Roses é um prato cheio para os fãs deste músico ímpar, para os apreciadores do Deep Purple e para quem curte hard rock setentista.


Faixas:
1. Teaser - 4:50
2. Fandango - 6:12
3. Wild Dogs - 6:19
4. Cookoo - 4:57
5. Savannah Woman - 3:31
6. Marching Powder - 5:55
7. Flyin' Fingers - 15:54
8. Dreamer - 5:20
9. Just Don't Fall Down - 10:47
10. Blowin' Your Cookies - 12:09

Mercenary - The Hours That Remain (2006)

sexta-feira, junho 12, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****1/2

Não faltam elogios ao Mercenary. Praticamente toda a mídia especializada mundial têm se rendido ao grupo, realçando suas qualidades. Como acontece de tempos em tempos, inclusive na música pesada, a bola da vez é essa banda dinamarquesa. Mas o que eles tem de especial? Eles são tudo isso que estão falando?

O som dos caras é realmente muito bom. Nada original, mas isso não importa. O que importa é que funciona e agrada quem curte metal. O que o Mercenary faz é o que bandas como Nevermore, Soilwork, Scar Symmetry e, principalmente, Communic, estão fazendo. Ou seja, um heavy metal que une características do prog e do death melódico, com alternância de vocais guturais e limpos, fartas doses de melodia e profusão de refrões ganchudos.

O grupo conquista o ouvinte através dos detalhes, como a ótima melodia de guitarras da abertura, com “Redefine Me”, o refrão grudento de “My World is Ending”, o riff carismático de “This Eternal Instant”. Mas uma audição mais atenta revela outros destaques, como as ótimas guitarras de “Simplicity Demand”, a estrutura cheia de nuances da faixa-título, a agressividade de “Year of the Plague”. Há ainda a participação do vocalista do Heaven Shall Burn, Marcus Bischoff, na pesadíssima “Soul Decision” (uma das melhores do disco) e de Bjorn Strid, do Soilwork, em “Redefine Me””

A produção ajuda muito, deixando o som do grupo ainda mais pesado. O vocalista Mikkel Sandager é estupendo, possuindo um ótimo timbre limpo e mostrando competência também nas partes mais agressivas. Toda a banda é competente, mas ele se destaca dos demais.

Voltando ao parágrafo inicial, chegou a hora de responder às perguntas. O que a banda tem de especial? Inspiração e competência acima da média para fazer aquilo que se propõe. Eles são tudo isso que estão falando? Se analisarmos apenas esse disco, sim, são tudo isso, mas é bom dar uma chance ao tempo para ver se os caras se mantém no mesmo nível (muito alto, diga-se de passagem) apresentado neste
The Hours That Remain.

Enquanto o tempo não passa, viva o presente e curta um dos melhores discos de heavy metal lançados nos últimos tempos.


Faixas:
1. Redefine Me - 6:06
2. Year of the Plague - 5:29
3. My World Is Ending - 5:26
4. This Eternal Instant - 6:10
5. Lost Reality - 8:02
6. Soul Decision - 5:03
7. Simplicity Demand - 6:35
8. Obscure Indiscretion - 4:46
9. My Secret Window - 6:29
10. The Hours That Remain - 8:07

Kamelot - One Cold Winter's Night (2006)

sexta-feira, junho 12, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: *****

One Cold Winter´s Night é o primeiro DVD do Kamelot e registra com grande competência a excelente fase que a banda atravessa nos últimos anos. Gravado em fevereiro de 2006 no Rockefeller Music Hall, em Oslo, Noruega (terra natal do vocalista Roy Khan), traz um set list baseado nos últimos três álbuns lançados pelo grupo até então: Karma (2001), Epica (2003) e The Black Halo (2005).

A escolha por um material mais atual se justifica pela existência do ao vivo
The Expedition, de 2000, focado na primeira fase da carreira dos caras. Além disso, atesta o quão forte e consistente é o repertório mais recente, construído após a consolidação da nova formação, com Roy Khan no lugar de Mark Vanderbilt.

O show apresenta uma excelente produção, tanto em termos técnicos quanto cênicos. A presença de inúmeros elementos teatrais durante a execução das músicas dá um ar ainda mais dramático às composições. O uso desse recurso torna o ato de assistir o DVD muito agradável, diferenciando-o da imensa quantidade de opções que chegam às lojas todos os meses.

A qualidade das músicas apresentadas no show está nivelada por cima. Desde o início, com “The Black Halo”, até o encerramento, com “Curtain Call”, a apresentação não cansa o telespectador. É claro que o fato da edição utilizar diversos recursos que não deixam as cenas ficarem monótonas tem um papel muito importante nisso, mas seria insuficiente se as músicas não transmitissem uma energia muito grande, a todo momento.

O diretor do DVD optou por alternar cenas coloridas com trechos em preto e branco, realçando passagens mais dramáticas, como, por exemplo, a belíssima abertura com a intro “Un Assassinio Molto Silenzioso”. Mas o momento de maior beleza visual do show acontece mesmo durante a execução da balada “Abandoned”, quando o palco é tomado por uma chuva de neve artificial, em um efeito muito bonito.

Entre as faixas apresentadas, algumas merecem destaque. A já citada “The Black Halo” inicia os trabalhos com classe. A introdução que Roy Khan faz em “The Edge of Paradise”, cantando a linha melódica em falsete, é de cair o queixo. “Center of the Universe” reafirma a sua posição como uma das melhores músicas do grupo. A baladaça “Abandoned”, com a presença de Mari Youngblood (esposa do guitarrista Thomas Youngblood), fica ainda mais espetacular ao vivo. A participação maciça do público em “Forever” é outro momento alto, assim como os vocais divididos entre Roy Khan e Simone Simons (Epica) em “The Hauting”. O produtor e guitarrista Sasha Paeth também marca presença, participando de “Moonlight”. Para finalizar, as três partes de longa “Elizabeth”, com Mari Youngblood representando o papel da lendária e mítica condessa Elizabeth Bathory, e a execução de “March of Mephisto”, com os vocais de Shagrath (Dimmu Borgir) entrando em playback e sendo dublados por Snowy Shaw, estão também entre os pontos altos do DVD.

A banda tem uma performace primorosa. Thomas Youngblood, o baixista Glenn Barry, o tecladista Oliver Palotai e o baterista Casey Grillo executam seus instrumentos com uma técnica absurda, principalmente o guitarrista. As participações da já citada Mari Youngblood e também de Elisabeth Kjaernes dão ainda mais brilho às músicas, juntamente com o coro composto por duas vozes femininas e uma masculina, que marca presença em toda a apresentação.

Mas o principal destaque do DVD é o vocalista Roy Khan. Seu vocal soa limpo, idêntico aos álbuns de estúdio, em todo o show. Ele interpreta cada canção de maneira ímpar, usando toda a amplitude da bela voz que possui. Além disso, é interessante notar que, mesmo sem possuir uma performance das mais acrobáticas no palco, mesmo sem se movimentar muito, ele é sempre o centro das atenções. Khan possui um magnetismo, um carisma, absurdos. Sem dúvida, sua performance o coloca (se já não estava lá) entre os melhores e mais talentosos vocalistas atuais.

O material possui também um segundo disco, que contém extras bastante interessantes. Os destaques são o making off do clip de “The Haunting”, os vídeos de “March of Mephisto”, “Serenade” e “The Haunting”, e a versão de “March of Mephisto” gravada ao vivo no
Sweden Rock de 2006.

One Cold Winter´s Night é um DVD singular, pois captura uma das melhores bandas dos últimos anos naquele que é, até o momento, o seu ápice criativo. Um item excelente, obrigatório não só para os fãs do Kamelot, mas para toda e qualquer pessoa que goste de heavy metal e se interesse pela evolução do estilo.


Faixas:

DVD 1 (The Concert)
1. Intro: Un assassinio molto silenzioso
2. The Black Halo
3. Soul Society
4. The Edge of Paradise
5. Center of the Universe
6. Nights of Arabia
7. Abandoned
8. Forever
9. Keyboard Solo
10. The Haunting
11. Moonlight
12. When the Lights Are Down
13. Elizabeth (Parts I, II, & III)
14. March of Mephisto
15. Karma
16. Drum Solo
17. Farewell
18. Curtain Call

DVD 2 (Bonus Selection)
Journey Within
Videos
Miscellaneous

Mofo: Cream

sexta-feira, junho 12, 2009

Por Rubens Leme da Costa
Colecionador

Qual foi o maior trio dos anos sessenta: The Jimi Hendrix Experience ou Cream? Para muitos foi o que tinha Ginger Baker, Jack Bruce e Eric Clapton, pelo simples fatos de serem músicos superiores - com exceção, para alguns, de Clapton em relação ao canhoto norte-americano ... Verdade ou mentira, o Cream teve uma breve vida - meros três anos - e deixou quatro discos de estúdios fabulosos e um legado imenso. Formado por três expoentes da cena de blues e jazz britânica, o trio teve ainda duas voltas, uma em 1993 e outra em 2005. E os velhinhos mostraram que ainda têm muita lenha pra queimar.

O nome já mostrava a pretensão: Cream. O creme do creme, a nata dos músicos britânicos. Um trio que reunia três lendas da cena de blues e jazz da Inglaterra, músicos renomados, de grande técnica e grandes egos: assim nasceu o Cream. Apesar de pouco tempo juntos, a banda deixou um legado que podia ser percebido no trio de Jimi Hendrix, passando por Led Zeppelin, algumas vertentes do jazz e até no heavy metal, o que não os agradava muito.

O baterista Ginger Baker já tinha uma grande reputação ao substituir Charlie Watts (que se mandou para entrar nos Rolling Stones) no Alexis Korner's Blues Incorporated, em agosto de 1962. Seis meses depois, deixou a banda, junto com o saxofonista e organista Graham Bond e o baixista Jack Bruce, para formarem o Graham Bond Organisation. Junto com Dick Heckstall-Smith (sax tenor sax) e o guitarrista John McLaughlin, o Organisation lançous dois LPs, The Sound of '65 e There's a Bond Between Us, ambos em 1965. Bruce já começava a colocar as manguinhas de fora, esmerilhando tanto no famoso baixo de pau de duas cordas quanto no moderno baixo de seis cordas Fender VI. Baker era o parceiro ideal, tocando com muita potência e criatividade. Juntos, eles eram um espetáculo à parte.

Jack Bruce era um músico de grande técnica e que havia aprendido a tocar violoncelo e baixo de duas cordas em bandas de jazz, além de ser um pianista razoável. Além disso, era bom com gaita de boca, além de ter uma boa voz. Mas Baker e Bruce eram extremamente temperamentais e, certa vez, arrumaram uma tremenda briga no palco, quando Ginger jogou uma baqueta em sua cabeça; revoltado, Jack arremessou o baixo e começou a chutar o kit de bateria. Só pararam quando entrou em cena a famosa turma do deixa-disso.Enquanto isso, um jovem chamado de deus era a sensação do blues londrino. 

Após passar pelos Yardbirds - deixou o grupo quando eles se tornaram uma banda mais pop e lançaram o compacto "For Your Love" - Eric Clapton era membro fixo e a estrela do John Mayall and The Bluesbreakers. Sua estrela era tão grande que o grupo lançou o LP Bluesbreakers: John Mayall with Eric Clapton, em 1966. E justamente nessa época é que Bruce se agrega ao Bluesbreakers. 


Mas Jack pouco ficou e logo se mandou para o Manfred Mann. Mas Eric não conseguia esquecer o som de Bruce e gostava como se entendiam. Quando John McVie ocupou o lugar deixado por Bruce, Eric resolveu sair fora para formar um grupo como o ex-colega. "Queria fazer algo diferente do que estava rolando, e sabia que Jack tinha a capacidade de me acompanhar."

A idéia só tomou forma após Baker assistir um show dos Bluesbreakers. Ele tinha ido com a intenção de "roubar" Eric. "Ginger foi me ver tocar com John Mayall e após o show ele me levou de volta para Londres em seu Rover. Eu fiquei muito impressionado com o veículo e como ele dirigia. De repente, começou a falar que iria começar uma banda e me convidou para entrar." Eric aceitou o convite e sugeriu o nome de Jack Bruce. Baker lembrou das rusgas que haviam tido antes, mas gostou da idéia, tanto que procurou o baixista e fizeram as pazes.

Os três então começaram a ensaiar na casa do baterista, em Neasden. Resolvem então batizar o trio de Cream, já que eram a nata da cena blues e jazz do Reino Unido. Um começo para lá de pretensioso. Ao descobrirem que um novo supergrupo nascia, vários empresários correram atrás do trio, que fechou com Robert Stigwood. Imaginando que três egos tão pesados logo iriam explodir, Stigwood começou a marcar shows em todos cantos para faturar enquanto podia. Isso só serviu para aumentar a rixa interna.

Os três perceberam que precisariam escrever material inédito para a nova empreitada. Após uma morna aparição no Windsor Jazz & Blues Festival em julho de 1966, os três começaram a usar o material que Bruce tinha guardado. A banda fez o primeiro ensaio com o novo material em uma velha igreja e logo foram criando um bom repertório. 

Enquanto isso, davam shows em pequenos clubes, com os fãs ficando até sete horas na fila para poder comprar ingressos!


Assinam com a Reaction, de Stigwood e lançam o primeiro compacto contendo as músicas "Wrapping Paper" e "Cat's Squirrel". O lançamento frustrou os fãs e irritou Clapton e Baker, que acusaram Jack Bruce e Pete Brown (amigo, letrista e co-autor de várias músicas do trio) de terem lançado o compacto pelas costas. Anos depois, Baker admitira que "Wrapping Paper" foi uma das maiores porcarias que já escreveu.

A entrada de Pete Brown se deu à inexperiência de Ginger Baker e Eric Clapton como compositores. A dupla nasceu, por acaso. "Estávamos eu e Ginger em casa com Pete e minha esposa, Janet. Ginger e Pete queriam escrever algo, mas não conseguiam ir muito longe. Então, Ginger começou a escrever com minha esposa e eu com Pete. Como resultado, minha esposa e Ginger escreveram "Sweet Wine" e eu Pete fizemos várias canções", relembra Jack Bruce.


No próximo compacto, a história já seria outra. Lançado em dezembro de 1966, "I Feel Free / N.S.U." foi para a 11ª posição na parada britânica, no mesmo mês em que foi lançado o primeiro LP do trio, Fresh Cream. O disco chegou ao sexto posto da parada britânica e ao 39º nos EUA. Apesar de ótimas composições e a excelente recriação de "Spoonful", Fresh Cream era essencialmente um disco de blues, embora tocado em alto volume e com uma criatividade assombrosa.Após o lançamento, a banda faz a primeira turnê pela América, em março de 1967. 

Após a boa acolhida, resolveram voltar para Nova York, entre os dias 11 e 15 de maio, para gravar um novo LP com um novo produtor. Desta vez, ao invés de trabalharem com Robert Stigwood, iriam se juntar a Felix Pappalardi e ao renomado engenheiro Tom Dowd. Clapton resolveu usar algumas técnicas novas em sua guitarra, embebedando-a de wah-wah, e saíram de lá com um grande álbum, com onze faixas fortes e certos de que fariam um enorme sucesso.


O lançamento, porém, só aconteceu seis meses depois e a novidade já não era tamanha, uma injustiça para um álbum tão genial quanto Disraeli Gears. Com hits do calibre de "Strange Brew", "Tales of Brave Ulysses" e"Sunshine of Your Love", Disraeli Gears teve o lançamento retardado por alguns executivos da gravadora. Enquanto isso, um fã ardoroso de Eric Clapton chamado Jimi Hendrix tomava de assalto o planeta com Are You Experienced?. Mais do que roubar a cena, o segundo LP do Cream parecia excessivamente comportado após isso.

Eric confessa que ficou irritado quando o furacão Hendrix aterrisou no planeta: "Em todo canto que eu ia me perguntavam 'você conhece Jimi Hendrix, já tocou com ele?' Meu Deus, ele havia feito uma jam comigo tempos atrás e, de repente, aquele desconhecido era a nova sensação. Eu estava para morrer!".

Clapton não morreu e, ainda assim, o disco foi um baita sucesso, ficando em quinto lugar, tanto na América como no Reino Unido. E o Cream ainda era imbatível no palco. As longas improvisações e a maestria dos músicos faziam com que cada canção pudesse ter mais de vinte minutos, enlouquecendo todos os convidados que subiam no palco com eles, como era o caso do grande ídolo de Clapton, Buddy Guy.

Mas a banda vivia momentos tensos internamente. Quando Jack Bruce descobriu que a linha de baixo usada na mixagem de "Strange Brew" continha alguns erros e que não era a linha correta que ele havia gravado, foi tomar satisfação de Robert Stigwood que, assustado, argumentou que como os custos das gravações estavam altos mixaram a música rapidamente e, por acidente, limaram a linha de baixo original. O fato só serviu para aumentar a desconfiança de Jack Bruce com os demais.

Dessa maneira, as tensões aumentaram. Bruce, de propósito, aumentava o volume dos amplificadores para abafar a guitarra de Clapton, que por sua vez pedia a um roadie para aumentar o som de seu instrumento quando solasse. Invariavelmente, os dois batiam boca ferozmente no palco.


As drogas e as tietes também começavam a fazer estragos, e Ginger Baker vivia sumido com as namoradas e voltava sempre chapado e bêbado para os ensaios ou apresentações. Os três músicos começavam a não se suportar mais e gravavam de cara amarrada, como se fosse apenas uma obrigação. Para piorar, havia uma mega turnê de quatro meses pelos Estados Unidos. A rixa entre eles aumentava, bem como o sucesso.

E o sucesso, que já era grande, ficou ainda maior quando lançaram o duplo Wheels of Fire, que ficou em primeiro lugar na parada dos EUA em julho de 1968, e em terceiro no Reino Unido. A produção, novamente, era assinada por Felix Pappalardi, que tocou vários instrumentos no disco. O LP trazia dois lados bem distintos: um de estúdio, com os recursos de gravações mais modernos, e o segundo com músicas ao vivo, gravado no Fillmore, incluindo a fantástica versão para "Crossroads", que Clapton considera o seu melhor trabalho como guitarrista.

A presença assídua de Pappalardi nas gravações causou mais problemas, já que Bruce achava que ele favorecia Clapton e Baker e o prejudicava. E Clapton acabou por azedar o clima entre eles ao dar uma famosa entrevista para a revista Rolling Stone. Arrogante e com a cabeça cheia de drogas, Clapton começou a criticar todos os músicos da época, afirmando, entre outras coisas, que Jimi Hendrix não era tão fantástico e que o The Who era um excelente banda ao vivo, mas que não estavam inovando em área alguma. Para piorar, o crítico Jon Landau havia detonado um show do Cream, dizendo que o guitarrista era o "mestre dos clichês e que só sabe copiar idéias alheias".

Quando Clapton leu a entrevista, ficou em ruínas. Ele percebeu que a revista o havia deixado falar além da conta e que ele soava pedante e arrogante. Para piorar, a resenha do espetáculo acabou ainda mais com ele, que atravessava um período pessoal difícil. Quando Clapton leu que era um mestre em copiar a idéia dos outros, ficou furioso e disse que não queria mais saber da banda.


Eric resolve sumir por uns tempos e retomou a amizade com George Harrison, abalada desde que ele havia demonstrado interesse pela esposa do Beatle, Patty Boyd. George então o convida para participar das gravações do álbum
The Beatles, o famoso White Album. Agradecido, Clapton sola lindamente em "While My Guitar Gently Weeps".

Com Clapton oscilando, a banda não sabia se ainda existia ou não. O Cream só apareceria novamente no final de 1968 para anunciar a sua turnê do adeus. Uma imensa tour correu a América e a Europa, com lotações esgotadas e presença maciça de jornalistas. O show derradeiro aconteceu no Royal Albert Hall no dia 26 de novembro de 1968, com o novato trio Taste abrindo. O Taste era liderado pelo talentoso guitarrista Rory Gallagher.


Em 1969 saía o derradeiro disco do grupo, Goodbye Cream, contendo sobras de Wheels of Fire e um lado ao vivo. O LP marcou o adeus e por muito tempo os músicos manteram uma certa distância. Mas, em 1993, eis que o trio se reúne ao serem eleitos para o Rock and Roll Hall of Fame. O grupo toca três músicas - "Sunshine of Your Love", "Crossroads"e "Born Under a Bad Sign", sendo que essa última jamais haviam tocado juntos antes.


Um novo hiato de onze anos ocorre, até que em 2004 é anunciada a volta do trio para uma série quatro shows no Royal Albert Hall. Os concertos tiveram um clima de muita emoção, já que Jack Bruce havia quase morrido ao passar por uma delicada cirurgia de transplante de fígado, enquanto Baker sofria com sérios problemas de artrite.

Os ingressos se esgotaram em apenas uma hora, e na platéia era possível ver Paul McCartney, Ringo Starr, Steve Winwood, Roger Waters, Brian May e Jimmy Page, além de Mick Taylor e Bill Wyman. Pela primeira vez tocaram "Badge" e "Pressed Rat and Warthog". O sucesso foi tão grande que repetiram o feito em Nova York, nos dias 24, 25 e 26 de outubro, no
Madison Square Garden.

Seria o fim glorioso da banda, e os shows foram lançados em CD e DVD.

11 de jun de 2009

Manowar - The Day the Earth Shook: The Absolute Power (2006)

quinta-feira, junho 11, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****1/2

O que é o heavy metal? Sam Dunn se fez a mesma pergunta, e o caminho que ele percorreu em busca de uma resposta pode ser visto no documentário
Metal: A Headbanger´s Journey. Essa mesma questão vem à tona ao assistirmos The Day the Earth Shook – The Absolute Power.

Os “Kings Of Metal” passaram do ponto, no bom sentido, em tudo relativo a esse registro do show acontecido em 2005 durante o
Earthshaker Fest. Tudo aqui é superlativo, enorme, gigantesco. Aliás, bem ao estilo do Manowar.

Comecemos com o set list. Abrangendo toda a carreira do grupo, as músicas do show são um deleite para qualquer fã, e uma apresentação didática da importância da banda de Joey DeMaio e Eric Adams para a história do metal. Desde a abertura, com a bombástica “Manowar”, passando por hinos como “Brothers of Metal”, “Kings of Metal”, “Sign of the Hammer”, “Hell on Wheels”, “Warriors of the World United”, “Black Wind, Fire and Steel” e muitos outros clássicos, até o encerramento com “Battle Hymn”, a banda faz um show contagiante e repleto de energia. É impossível não ser tomado pelo carisma do grupo enquanto se assiste ao DVD.

Se isso não bastasse, o Manowar preparou algumas surpresas especiais para esse show. A primeira é a entrada do guitarrista David Shankle e do baterista Kenny “Rhino” Edwards para executarem, ao lado de DeMayo e Adams, as matadoras “Metal Warriors” e “The Glory of Achilles”. Interessante notar como essa formação, que gravou o álbum The Triumph of Steel, lançado em 1992, é muito mais técnica que o line-up atual do grupo.

Como se isso não bastasse, após Shankle e Rhino é a vez do lendário guitarrista Ross “The Boss” e do baterista Donny Hamzik subirem ao palco e tocarem ao lado de Joey e Eric as mega-clássicas “Metal Daze” e “Dark Avenger”, em um dos melhores momentos do show. De arrepiar.

E tem mais! Uma orquestra com mais de cem membros e um coro com uma centena de vozes surge ao lado do palco e acompanha a banda até o final do show, mostrando como o heavy metal e a música clássica não estão tão distantes assim um do outro.

Mas o grande momento de
The Day the Earth Shook está guardado para o final. Eric Adams, Joey DeMayo, Karl Logan e Scott Columbus, acompanhados por Ross “The Boss”, Donny Hamzik, David Shankle e Rhino, executam, juntos, aquela que será lembrada para todo o sempre como a melhor versão já registrada do hino “Battle Hymn”. Três guitarras, três baterias, tocando simultaneamente no palco, com uma sincronia absurda. E, só pra brincar um pouco com os fãs, no momento do solo de Ross apenas Donny o acompanha, o mesmo valendo para David e Rhino e Karl e Scott. O que se vê no vídeo beira o inacreditável, seja pela energia que sai do palco, seja pela incredubilidade da platéia, que literalmente não acredita no momento histórico que está presenciando.

Além de um show espetacular, o DVD traz ainda um segundo disco tão bom quanto o primeiro. Nele, podemos ver os ensaios dos oito músicos para o show e, a melhor parte, uma cobertura gigantesca da primeira convenção mundial de fãs do Manowar, realizada na cidade alemã de Geilselwind. Tudo que envolveu a convenção, desde a sua produção até as suas atrações, é mostrado nos mínimos detalhes. Um deleite classe A para quem gosta de heavy metal, sem dúvida alguma.

Fechando o pacote, a Hellion manteve no Brasil a luxuosa embalagem digipack que acompanha os dois discos, o que torna o pacote ainda mais atraente para os fãs.

Sem dúvida alguma,
The Day the Earth Shook – The Absolute Power é um dos melhores DVDs de metal já lançados. Uma obra-prima.

O que é o heavy metal? Assista este DVD que muitas respostas vão surgir na sua cabeça.


Faixas:
Main Program
1.1 The Ascension
1.2 Manowar
1.3 Brothers of Metal
1.4 Call to Arms
1.5 Sun of Death
1.6 Kings of Metal
1.7 Sign of the Hammer
1.8 Screams of Blood
1.9 Blood of My Enemies
1.10 Kill With Power
1.11 Triumph of Steel Era Introduction
1.12 Metal Warriors
1.13 The Glory of Achilles
1.14 Battle Hymns Era Introduction
1.15 Metal Daze
1.16 Dark Avenger
1.17 Outlaw
1.18 House of Death
1.19 Herz Aus Stahl
1.20 Wagner Tribute
1.21 Prelude to Act III From Lohengrin
1.22 King of Kings
1.23 Hell on Wheels
1.24 Warriors of the World United
1.25 Hail and Kill
1.26 Black Wind, Fire and Steel
1.27 Battle Hymn
1.28 The Crown and the Ring
1.29 Credits

Historical Moments
1.30 Bass Solo
1.31 Rainer's Award
1.32 Sound Check
1.33 Strohofer Family Tribute
1.34 Chopper Competition
1.35 Tour Dates

The Day the Earth Shook - The Absolute Power of Manowar
2.1 Introduction
2.2 The Beginning
2.3 New York Rehearsals
2.4 Orchestra and Choir Rehearsals
2.5 The House of Death
2.6 Lighting
2.7 The PA
2.8 Sound Check
2.9 Filming in HD
2.10 Conclusion
2.11 Credits

Manowar Fan Convention - The Extended Experience
2.12 Introduction
2.13 Fan Club History
2.14 Fan Convention History
2.15 The Doors Open
2.16 Opening Ceremonies
2.17 Jomsvikings
2.18 Greetings Brothers
2.19 The Face of Destiny
2.20 Revenge
2.21 Fallen Brother
2.22 Fortitude
2.23 Women on Stage
2.24 There Can Only Be One
2.25 Battle
2.26 Special Guests
2.27 Past Members
2.28 The Kings of Metal
2.29 Horses of Steel
2.30 Ross The Boss Guitar Clinic
2.31 David Shankle Guitar Clinic
2.32 Karl Logan Guitar Clinic
2.33 Eric Adams Meet and Greet
2.34 Scott Columbus Drum Clinic
2.35 Voice of the Immortals
2.36 Arm Wrestling Competition
2.37 Eric Adams' Scream Competition
2.38 Beer Drinking Joey Style
2.39 Manowar Q & A
2.40 Manowar Sound Check
2.41 Miss Manowar
2.42 Fan Confessionals
2.43 Credits

Ari Borger Quartet - AB4 (2007)

quinta-feira, junho 11, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****

Quem não conhece o trabalho de Ari Borger fica de queixo caído quando entra em contato com os seus discos. Pianista e organista, Borger é um talento único. Seja à frente de seu piano ou de seu órgão Hammond B3, transita por vários gêneros musicais, derramando notas inspiradas sobre nossos ouvidos.

Em sua carreira já tocou com lendas do blues como Pinetop Perkins, Johnnie Johnson, Clarence Gatemouth Brown, além de abrir os shows de bluesmen do quilate de B.B. King. Entre os artistas nacionais, Ari já tocou e gravou ao lado de feras como André Christovam, Flávio Guimarães e Nuno Mindelis.

Borger estreou sua carreira solo em 2001 com o fenomenal
Blues da Garantia, gravado em New Orleans, cidade onde morava na época. Contando com artistas da cena blues local, como Jack Cole e Ivone Williams, o disco é um arregaço, um dos melhores álbuns de blues lançados nos últimos anos, e isso não é um exagero.

Seu segundo trabalho,
AB4, foi lançado em 2007 e é muito diferente do primeiro. Se em Blues da Garantia Ari explorava a rica tradição do blues, em AB4 ele transita pela liberdade do jazz, com alguns elementos de funk, soul e até mesmo do já citado blues. Creditado a Ari Borger Quartet, o disco tem uma sonoridade vintage e é um bálsamo para os ouvidos. Seja em composições próprias, como as excelentes "Trip Song" e "Na Pressão", ou em releituras, como em "Blind Man", de Herbie Hancock, Borger mostra que o nível manteve-se altíssimo.

"No Caminho do Bem", de
Racional Vol 1, de Tim Maia, surge em uma versão instrumental cheia de suingue. Já "Nem Vem, Miles" une um dos clássicos supremos do cool jazz, "So What", de Miles Davis, a "Nem Vem Que Não Tem", clássico da música brasileira eternizado por Wilson Simonal.

Ari relê também "Señor Blues", de Horace Silver, e "Blue Monk", de Thelonious Monk, em versões repletas de estilo. Entregando ainda mais qualidade ao disco, Flávio Guimarães participa de "Blind Man" e Nuno Mindelis da faixa que encerra o play, "Soul G1".


Faixas:
1. Trip Song - 3:40
2. Na Pressão - 6:06
3. Blind Man - 4:49
4. No Caminho do Bem - 4:23
5. Nem Vem, Miles - 2:52
6. Señor Blues - 6:12
7. Acid Groove - 4:44
8. B3 Solo - 1:10
9. Blue Monk - 6:47
10. Tributo a Oscar Peterson - 2:31
11. Soul G1 - 3:34

Legion of the Damned - Sons of the Jackal (2007)

quinta-feira, junho 11, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****

Classificar
Sons of the Jackal, segundo álbum da banda holandesa Legion of the Damned, como um trabalho excelente com potencial para se transformar em um clássico moderno do death e do thrash metal não soa como exagero. O que estes cinco rapazes conseguiram fazer nas dez faixas do disco beira a perfeição, com um nível de qualidade que coloca o grupo como um dos principais nomes da atual geração.

Formada em 2005 na cidade de Geldrop, a banda já havia dado pistas do que estava por vir com
Malevolent Rapture, lançado em 2006. Ali já estavam as características que fazem o som do Legion of the Damned agradar de imediato qualquer headbanger: riffs inspirados e pesadíssimos, na melhor escola do death/thrash da Bay Area; vocais repletos de energia e agressividade; e uma cozinha que transborda groove, fazendo com que o som do grupo pulse como um gigante preparado para a guerra.

Extremamente bem aceito, tanto pela crítica especializada como pelos fãs,
Sons of the Jackal já mostra a sua força de cara, na abertura com a faixa-título. As composições exploram com grande talento as melhores características dos estilos pelos quais sua música trafega, e isso fica escancarado à medida que as faixas vão se sucedendo. 

"Avenging Archangel", "Death is My Master (Slay for Kali)", "Sepulchral Ghoul", "Infernal Wrath" e "Diabolist" são alguns dos destaques, mas indicar essa ou aquela música como principal soa como um equívoco, já que muito da força do disco está no conjunto avassalador criado pela união de suas composições. Ouvi-lo em sequência, faixa após faixa, é uma experiência recomendadíssima, tanto para quem está dando seus primeiros passos pelo estilo quanto para os metalheads mais experientes.

Ouça você mesmo e confira porque o que escrevi no primeiro parágrafo a respeito do potencial de
Sons of the Jackal em se transformar em um clássico contemporâneo do heavy metal não é um exagero.

Recomendadíssimo.


Faixas:
1. Son of the Jackal - 3:53
2. Undead Stillborn - 3:59
3. Avenging Archangel - 3:29
4. Death Is My Master (Slay for Kali) - 5:09
5. Sepulchral Ghoul - 4:19
6. Seven Heads They Slumber - 2:00
7. Infernal Wrath - 4:08
8. Atomicide - 3:18
9. Ten Horns Arise - 3:32
10. Diabolist - 3:41

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