19 de jun de 2009

Tim Ripper Owens - Play My Game (2009)

sexta-feira, junho 19, 2009

Por Ben Ami Scopinho
Colecionador
Whiplash!

Cotação: ***
*1/2

Independente do que achem de seu desempenho quando passou pelo Judas Priest e Iced Earth – além do fato de ter sido demitido de ambas as bandas – com certeza Tim "Ripper" Owens conquistou muitos fãs ao redor do planeta, comprovando com folgas do que era capaz no pesadíssimo Beyond Fear. Não plenamente satisfeito com este projeto, o vocalista está agora liberando seu primeiro álbum solo, o excelente
Play My Game.

Sua relação com músicos consagrados somente cresceu ao longo dos anos, tanto que este disco está recheado de convidados especiais do porte de Doug Aldrich (Whitesnake), Billy Sheehan (Mr Big), Rudy Sarzo (Quiet Riot), David Ellefson (Megadeth), Vinny Appice (Heaven & Hell), Chris Caffery (Savatage), e muitos outros. E, ainda que várias das melhores faixas sejam aquelas onde Owens tenha tido a colaboração deste pessoal, também se torna inegável que o vocalista também possui habilidade mais do que suficiente para escrever suas próprias músicas.

De um dinamismo invejável, com muitas melodias em meio às distorções, gritos incríveis, solos e bases para destruir até mesmo os pescoços mais musculosos,
Play My Game segue com uma linha basicamente heavy metal clássico, encarando vez ou outra algumas pitadas de hard rock. Mas nada soa desatualizado, pois a produção é tão poderosa que tudo se torna extremamente contemporâneo – vide a encorpada "Pick Up Yourself".

Curiosamente, a audição já abre com “Starting Over”, composta em parceria com Bob Kulick (Kiss) e um dos grandes destaques do disco, que se caracteriza por ser praticamente uma power balada. “No Good Goodbyes”, menos melódica e muito agressiva, mostra um Tim Owens cantando em tons mais baixos, enquanto outro momento inesperado fica por conta da diabolicamente misteriosa “The Shadows Are Alive”, com a participação de Chris Caffery, que é totalmente influenciada pelo Black Sabbath da fase
Mob Rules. Uma ótima faixa!

Play My Game é tão cheio de pontos positivos – talvez somente “It Is Me” não esteja à altura do restante das composições – que merece ser empurrado goela abaixo de um certo Jon Schaffer, que há tempos deixou claro que Owens não saberia como compor de forma satisfatória para os padrões do Iced Earth. Pode ser, mas este álbum solo possui canções muito superiores aos dois últimos, e megalomaníacos, discos do Iced Earth.


Faixas:
1. Starting Over - 3:34
2. Believe - 4:36
3. The Cover Up - 4:31   
4. Pick Yourself Up - 4:33
5. It Is Me - 2:54
6. No Good Goodbyes - 3:36
7. The World Is Blind - 4:51
8. To Live Again - 6:00
9. The Light - 4:37
10. Play My Game - 4:44   
11. Death Race - 3:30
12. The Shadows Are Alive - 5:36

Discos Fundamentais: A Cor do Som - Ao Vivo (Montreux International Jazz Festival) (1978)

sexta-feira, junho 19, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Eis um disco antológico! Lançado em 1978 pelo grupo baiano A Cor do Som, é o registro da apresentação da banda na décima-segunda edição do
Festival de Jazz de Montreux, em julho de 1978. Nele fica evidente todo o poderio da banda ao vivo. Exímios instrumentistas, o sexteto detona uma sonoridade que desafia rótulos, mas que me soa como uma espécie de jazz fusion focado nas raízes da música brasileira, jogando em uma mesma panela elementos de jazz, rock, progressivo, frevo, samba, baião e MPB.

Ao Vivo - Montreux International Jazz Festival traz oito faixas instrumentais que demonstram o brilhantismo técnico do grupo, principalmente de Armandinho e Dadi. O guitarrista esmerilha na guitarra baiana, instrumento que ajudou a popularizar, enquanto o baixista segura tudo com a competência de sempre.

Entre as músicas, destaque para a estupenda "Cochabamba" (que me soa semelhante, em certos aspectos, aquela antológica brincadeira entre Ritchie Blackmore e Ian Gillan no também ao vivo
Made in Japan, onde o vocalista respondia as notas de Blackmore com sua voz agudíssima), "Brejeiro", "Festa na Rua" e a versão de "Eleanor Rigby", dos Beatles, aqui transformada em um frevo lisérgico guiado pela guitarra alucinada de Armandinho.

Se você não conhece, ouça com atenção. As composições contidas nesse disco são uma prova inconteste e pra lá de convincente da riqueza da música produzida aqui, no nosso país.

R-E-C-O-M-E-N-D-A-D-Í-S-S-I-M-O!


Faixas:
1. Dança Saci - 2:59
2. Chegando da Terra - 5:07
3. Arpoador - 10:51
4. Cochabamba - 6:55
5. Brejeiro - 3:41
6. Espírito Infantil - 2:22
7. Festa na Rua - 2:48
8. Eleanor Rigby - 3:49

Discos Fundamentais: Al Di Meola, John McLaughlin & Paco De Lucia - Friday Night in San Francisco (1981)

sexta-feira, junho 19, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Muito antes de Joe Satriani ter a idéia que culminaria com o surgimento do projeto G3, três dos maiores guitarristas do mundo já dividiam o mesmo palco. O norte-americano Al Di Meola, o inglês John McLaughlin e o espanhol Paco De Lucia reuniram-se em 1981 para uma série de shows, e um deles foi guardado para o posteridade com esse
Friday Night in San Francisco.

O disco é impressionante. O trio, armado apenas com seus violões, põe a platéia abaixo com uma demonstração inebriante de técnica e musicalidade. Só o que os três fazem nos mais de onze minutos da faixa de abertura, "Mediterranean Sundance / Rio Ancho", gera assunto para anos e anos de estudo. Meola e Lucia solam seus violões à uma velocidade assustadora, deixando de queixo caído o ouvinte. A composição, lindíssima, vale sozinha o disco, mas ele reserva outras surpresas pelo caminho.

"Short Tales of the Black Forest" brinca com trechos do tema da Pantera Cor de Rosa, de Henry Mancini; "Frevo Rasgado" desconstrói a composição de Egberto Gismonti, fazendo-a soar como se tivesse sido composta originalmente para o violão e não para o piano; "Fantasia Suite" é outra que emociona com sua beleza, com melodias que nos transportam para outros planos; e "Guardian Angel" fecha o disco da mesma maneira que ele começou, com mais uma estupenda peça para as seis cordas.

Se você toca violão ou guitarra, esse disco é obrigatório. Se você gosta de boa música, mais ainda. 

Então, vá atrás que não tem como se arrepender, meu amigo!


Faixas:
A1. Mediterranean Sundance / Rio Ancho - 11:18
A2. Short Tales of the Black Forest - 8:23

B1. Frevo Rasgado - 7:39
B2. Fantasia Suite - 8:20
B3. Guardian Angel - 3:59

Minha Coleção: Jason Horvath

sexta-feira, junho 19, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Jason, quantos discos você tem?

Devo ter aproximadamente entre 10.500 e 11.000 itens, sendo 3.500 LPs, 6.000 CDs, 1.000 DVDs e 200 VHS. 

Que disco mudou a sua vida?

Foram vários, mas se tivesse que escolher apenas um seria o Revolver, dos Beatles. É simplesmente uma obra-prima.
 
De quais grupos você possui mais material?

Beatles, Stones, Deep Purple, Uriah Heep, Kiss, Iron Maiden, AC/DC, Jethro Tull, Genesis, Yes, Black Sabbath, Grand Funk Railroad ... só para citar alguns. 

Qual foi o primeiro disco que você comprou?

Na verdade foram três, todos em 1984: High Voltage do AC/DC, o debut do Iron Maiden e o Killers do Kiss. Comprei esses álbuns porque fui muito influenciado pelo estava acontecendo na época. O heavy metal estava bombando. 


Você tem muito material de grupos obscuros das décadas de sessenta e setenta. O que o atrai nesses grupos?

Adoro pesquisar e conhecer novas bandas, principalmente as obscuras. O que me atrai é justamente comprovar que existiram, e existem, muitos grupos excelentes que não conseguiram atingir a mídia e o devido reconhecimento, muitas vezes lançando um único disco e desaparecendo. 

Quais são os itens mais raros da sua coleção?

Iron Maiden - The Soundhouse Tapes (primeiro compacto do Maiden, gravado em 1978); Charlee - Charlee; Beatles - Black Album; Beck Bogert & Appice - Live in Japan; Captain Beyond - Captain Beyond (com capa holográfica); Rolling Stones - Their Satanic Majesties Request (capa tridimensional); alguns bootlegs do Genesis e os dois do Dust, Dust e Hard Attack.

Qual foi a maior quantidade de discos que você comprou de uma única vez?
 
Uns 150 itens, entre CDs, DVDs e vinis.


Qual, na sua opinião, é o item mais bonito da sua coleção?

Um box do Led Zeppelin, Mothership, que contém quatro LPs; um box de veludo do Jimi Hendrix Experience; um box do Peter Gabriel; e algumas edições japonesas, principalmente as dos vinis com ilustrações do mestre Roger Dean. Fica difícil escolher apenas um.
 
Quais são os discos mais curiosos e estranhos do seu acervo?

Um CD do Tamba Trio, um vinil de uma banda chamada Black Merda, alguns grupos de hard da Suécia, Peru, Espanha, e alguns discos de jazz dos anos setenta que ganhei do meu avô. 

Quais passaram pela sua mão, você deixou pra pegar depois e se arrependeu?

Alguns do Zappa, do Thin Lizzy (Bad Reputation e Jailbreak), Lynyrd Skynyrd (Nuthin' Fancy), AC/DC (Ballbreaker), e algumas edições japonesas que nunca mais encontrei.

Quais foram as suas últimas aquisições interessantes, e que você recomendaria para os nossos leitores?

Rose Hill Drive, Blind Dog e Keef Hartley Band, um combo setentão sensacional.
 
Como você guarda seus discos?

Primeiro por ordem alfabética, e dentro disso em ordem cronológica. 

Onde você costuma comprar discos?

Na Mecanix (do meu amigo Robson), na Blue Sonic (especialista em bandas obscuras), Compact Blue, Music House, Stand Up e Relics.
 

Quais selos mais te impressionam?

Vertigo, Akarma e Repertoire.

 
A melhor prensagem de vinil, qual é?

Sem dúvida a japonesa é a que mais impressona, pelo capricho.
 
A sua coleção um dia vai ter fim?

 
Acho que nunca vai ter fim. Às vezes fico algum tempo sem comprar, fico curtindo o que eu tenho, mas nunca vou parar de comprar discos.

 
Quem será o herdeiro de todos esses discos?

Espero que o meu filho, se algum dia eu vir a ter um (risos).
 
LP ou CD: qual você prefere?

O meu formato favorito é o LP, apesar de o CD ser mais prático.

O que um colecionador precisa fazer pra conseguir itens raros e legais para a sua coleção, a um preço compatível com a realidade?

Ter paciência, procurar, nunca desistir e ter bons contatos no meio musical. Quanto ao preço fica dificil, pois as raridades geralmente são caras, é pegar ou largar.
 

Jason, dê uma dica de colecionador para colecionador.

Nunca tenha preguiça de procurar. Às vezes você pode encontrar itens onde menos se espera. E, principalmente, tenha paciência para encontrar o que você procura.
 
Ricardo, você não perguntou, mas eu gostaria de listar os meus dez discos prediletos:

1) The Beatles - Revolver (1966)
2) The Beatles - White Album (1968)
3) Led Zeppelin - Physical Graffitti (1975)
4) Led Zeppelin - Led Zeppelin IV (1971)
5) Rolling Stones - Let it Bleed (1969)
6) AC/DC - High Voltage (1976)
7) Deep Purple -Machine Head (1972)
8) Black Sabbath - Paranoid (1970)
9)Pink Floyd - The Dark Side of The Moon (1973)
10)The Who - Who's Next (1971)

 

18 de jun de 2009

Minha Coleção: Kid Vinil

quinta-feira, junho 18, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Kid, quantos discos você tem?

Aproximadamente 10 mil discos, entre LPs e compactos, e mais uns 10 mil CDs.

De quais grupos você possui mais material, e quais são as suas bandas favoritas?

Beatles e Rolling Stones, que são também as minhas bandas favoritas. Dos Beatles são 75 títulos, e dos Stones 90 títulos.

Em que ordem você guarda os seus discos?

Às vezes em ordem alfabética, mas têm discos pela casa toda, até no banheiro (risos).


Qual foi o primeiro disco que você comprou?

Pra variar, Beatles. Foi o compacto duplo de “Magical Mistery Tour”.

Qual foi a sua última aquisição interessante, que valeu a pena?

O novo LP do Shellac,
Excellent Italian Greyhound. Essa é a banda do produtor Steve Albini (Nirvana, Pixies e outros).

Que disco mudou a sua vida?

Sem dúvida o White Album dos Beatles.

Qual o item mais esquisito da sua coleção?

Um deles é o
Metal Machine Music do Lou Reed.


E a melhor capa da história, qual é?

Sem dúvida a capa do
Sgt Peppers dos Beatles.

Tem algum item que passou pela sua mão e você se arrepende até hoje de não ter ficado com ele?

Sim. A edição original dos Beatles do Yesterday and Today, com a capa original dos açougueiros, mas era muito cara, cerca de três mil reais.


Onde você costuma comprar discos?

Os mais atuais na loja inglesa Morman Records (pelo correio), principlamente os compactos de 7”. Os mais antigos pelo eBay e em lojas como a Nuvem Nove, que infelizmente não existe mais.

Qual o selo que mais te impressiona?

Sempre foi o Vertigo. Até hoje continuo tentando colecionar todos os títulos lançados.


E a melhor prensagem de vinil, qual é?

Teve uma época que era a japonesa, depois passou a ser a inglesa. Acho que depende muito da matéria-prima usada na prensagem. Na década de setenta a RCA tinha um método chamado Dynaflex, que era um vinil mais fino e reduzia sensivelmente o chiado. Tenho vários discos do Bowie nesse material.


Quais LPs você levaria para uma ilha deserta?

The Faces – A Nod As Good As a Wink ... to a Blind Horse (1971)
The Beatles – White Album (1968)
The Rolling Stones – Between the Buttons (1967)
The Velvet Underground – The Velvet Underground & Nico (1967)
Cream – Disraeli Gears (1967)
The Kinks – The Kinks Are the Village Green Preservation Society (1968)
T-Rex – The Slider (1972)
David Bowie – The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars (1972)
Slade – Slade Alive! (1972)
New York Dolls – New York Dolls (1973)
The Jam – All Mod Cons (1978)
Ramones – End of the Century (1980)
The Clash – London Calling (1979)
Manic Street Preachers – The Holy Bible (1994)
Sonic Youth – Daydream Nation (1988)
Pixies - Doolittle (1989)

Você disse ilha deserta, então é preciso levar vários títulos … a lista poderia ser ainda maior (risos).


Que item da sua coleção você esconde temendo represálias?

Nada em especial, mas outro dia um amigo viu um CD single do Slipknot na minha coleção (é a única coisa que eu tenho deles). Eu fiquei tão envergonhado que escondi o CD (risos).

Qual foi o número máximo de itens que você já adquiriu de uma única vez?

Nunca arrematei lotes, mas em 2001 comprei todo o catálogo em vinil da Akarma (selo italiano de relançamentos). No total foram cerca de 300 títulos.

Qual item você considera o mais raro da sua coleção?

Dentre as coisas da Vertigo, o álbum
Heavy Petting, da banda folk psicodélica Dr Strangely Strange, com uma capa sensacional do Roger Dean.


Quem será o herdeiro da sua coleção no seu futuro?

Ainda não defini quem fica com o acervo. Talvez eu monte uma fundação ou coisa parecida (risos).

Você acha que algum dia vai parar de comprar discos porque, enfim, terá tudo o que sempre quis?

Não, porque ainda compro os compactos das bandas novas e algumas edições de grupos atuais também em vinil. Por exemplo: comprei recentemente o novo do White Stripes,
Icky Thump, em vinil duplo.

Veja também: Kid Vinil fala sobre a sua coleção 

Discos Fundamentais: System of a Down - Mezmerize (2005)

quinta-feira, junho 18, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Confesso que nunca havia prestado muita atenção no System of a Down. Para mim eles não passavam de um sub-Limp Bizkit (se isso for possível, o que acho que não é, vide a qualidade risível da banda de Fred Durst), apesar dos alertas constantes e cada vez mais frequentes de vários amigos, que não cansavam de me dizer “
vai lá, escuta, você vai gostar”, “você não sabe o que está perdendo”, “deixa de ser chato, ouve o disco, é bom pra caralho”. Pois bem, eu ouvi, e fiquei de queixo caído ...

Mesmerize abre com a bela e melancólica introdução “Soldier Side”, que prepara o clima para a pedrada de “B.Y.O.B.”, que virou hit em todo o globo. Com uma letra que critica duramente o ex-presidente norte-americano George W. Bush (que estava no poder na época do lançamento do álbum, em 2005), a música se coloca ao lado dos soldados ianques e das famílias que perderam seus filhos pelos caprichos sem sentido de seu líder despreparado, que enviou milhares de adolescentes cheios de espinha para a morte em uma guerra perdida, movida apenas pelo seu capricho pessoal e pela pressão feita pela indústria bélica americana. Uma das melhores músicas da carreira do grupo, "B.Y.O.B." alterna levadas hardcore com um refrão inspiradíssimo.

Depois da pancada do início, o System of a Down nos entrega “Revenga”, onde o destaque são os andamentos quebrados, os vocais intercalados entre Serj e o guitarrista Daron Malakian e mais um refrão matador, que não sai da cabeça.

A mistura de heavy metal com sons nativos da Armênia e do Líbano chega à perfeição em “Radio/Video”, que começa pesadíssima para cair em um refrão que une a música libanesa ao reggae e ao ska, em um resultado que, por incrível que pareça, em nenhum momento soa estranho. Esta música é exemplar porque mostra todo o poder e capacidade de composição do grupo, unindo estilos a princípio antagônicos em uma canção originalíssima, que empolga de imediato. Se não bobearem, com certeza será um dos próximos singles do álbum.

“Cigaro” tem o riff de guitarra que o Metallica está procurando há mais de uma década. Ao contrário de James Hetfield e Lars Ulrich, que se perderam na pretensão e soaram ridículos nas tentativas de inovar o seu som, o System of a Down coloca no liquidificador o que o hard rock produziu de melhor nos últimos trinta anos, passando pelo thrash oitentista e pelo hardcore nova-iorquino, e o resultado é mais uma ótima composição.

A influência do thrash da Bay Area mais uma vez pode ser ouvida em “This Cocaine Makes Me Feel Like I´m on this Song”, que abre com um riff que nos remete a álbuns clássicos de nomes como Metallica e Megadeth, desembarcando em uma linha vocal que parece ter saído dos discos gravados pelo Anthrax no mesmo período.

A bem humorada “Violent Pornography” critica de forma irônica a programação das TVs norte-americanas, e vem embalada mais uma vez por muito peso. “Question!”, o segundo single do disco, une passagens acústicas com guitarras muito pesadas, e uma linha vocal que em alguns momentos nos remete ao jazz. Isso mesmo, pode soar estranho para quem está lendo, mas o resultado final é nada menos do que primoroso.

O riff de “Sad Statue” parece saído do
Kill´Em All, até cair em uma linha vocal que é a cara do grupo. As mudanças de andamento continuam uma constante, com os vocais de Serj e Daron intercalando-se durante toda a canção.

“Old School Hollywood” é a faixa menos ortodoxa de um álbum nada ortodoxo. Com efeitos eletrônicos no início, mistura vocais debochados com vozes carregadas de efeitos. Em alguns momentos me lembrou coisas feitas pelo Sigue Sigue Sputnik nos anos oitenta. Os vocais, mais uma vez, são o grande destaque.

Mesmerize fecha com “Lost in Hollywood”, uma grande canção na qual a banda tira o pé do acelerador e encerra o álbum de forma exemplar. As linhas vocais estão entre as mais bonitas do CD, e quem gosta de uma boa balada vai adorar.

Com
Mesmerize o System of a Down deixou de ser uma promessa para se transformar em uma das bandas mais inovadoras e inquietantes do planeta, em todos os estilos. Ser original no rock é dificílimo, e o SOAD mostra neste álbum um talento e uma capacidade de surpreender absolutamente estonteantes. Todos os integrantes têm atuações primorosas, e destacar apenas um seria errado, contudo é impossível não sorrir com as guitarras matadoras de Daron Malakian, os vocais excelentes de Serj Tankian e a bateria empolgante de John Dolmayan, alternando-se entre andamentos mais intricados e ritmos poucas vezes usados no metal em um piscar de olhos.

Com produção de Rick Rubin e mixado por Andy Wallace,
Mesmerize é apenas a primeira parte de um projeto maior, que foi concluído dia 22 de novembro de 2005, quando sua sequencia, chamada Hypnotize, chegar às lojas de todo mundo.

Este álbum está há anos luz de tudo o que eu ouvi nos últimos anos. Faça um favor a si mesmo: esqueça o seu preconceito e ouça o álbum de cabo a rabo. Tenho certeza de que você vai levar um choque tão grande quanto eu levei.

O único ponto negativo é o fato de que, depois de virar o rock e o metal de cabeça para baixo, a banda ter anunciado uma parada em suas atividades, deixando órfãos, até segunda ordem, milhões de fãs em todo o mundo.


Faixas:
1. Soldier Side - Intro - 1:03
2. B.Y.O.B. - 4:15
3. Revenga - 3:50
4. Cigaro - 2:11
5. Radio / Video - 4:09
6. This Cocaine Makes Me Feel Like I'm on This Song - 2:08
7. Violent Pornography - 3:31
8. Question! - 3:20
9. Sad Statue - 3:25
10. Old School Hollywood - 2:56
11. Lost in Hollywood - 5:20

17 de jun de 2009

Os 10 Discos Essenciais do Heavy Metal Brasileiro

quarta-feira, junho 17, 2009

Por Alessandro Cubas
Colecionador

Desde seus primórdios o rock pesado brasileiro sofreu muito preconceito, sendo muitas vezes deixado de lado pela grande mídia e discriminado pela sociedade de uma forma geral como música para vagabundos ou drogados. Por via disso, tanto os músicos e como os fãs tiveram que se unir para organizar e promover seus próprios shows, editar zines, enfim, formar uma espécie de cena onde poderiam se expressar e trocar informações com pessoas com a mesma linha de pensamento. Após a realização da primeira edição do Rock in Rio no ano de 1985 o heavy metal ganhou de fato mais força em nosso país, com novas bandas, uma mídia cada vez mais especializada e selos dedicados à música pesada.

Hoje, com a mídia especializada, a internet e outros meios de comunicação, tudo está muito mais fácil para os fãs, que atualmente tem acesso a informações de grupos que em outros tempos não teriam a mesma oportunidade. Mas sem essa união que houve no início esta forte cena brasileira talvez hoje nem existisse.

Além do país ter inúmeras bandas excelentes, que vão desde Os Mutantes, Made in Brazil e outras ainda dos anos setenta, hoje ainda temos grupos excepcionais em todas as vertentes do heavy metal e também espalhadas por todo o território nacional, onde podemos citar os thrashers do Claustrofobia e do Violator como dois ótimos exemplos da nova geração. 

Também tivemos projetos memoráveis, como a metal opera William Shakespeare’s Hamlet, lançada pela Die Hard e que surpreendeu ao narrar a obra do autor ao som das mais diversas bandas, como Tuatha de Danann, Crusader, Torture Squad, Nervochaos, Imago Mortis, entre outras.

O público brasileiro é outro show à parte e deve ser comentado, pois a maioria das grandes bandas do metal mundial curtem muito tocar por aqui, algumas ainda gravando álbuns ao vivo em nossos shows, como por exemplo os excelentes trabalhos do Iron Maiden e Scream For Me Brazil, disco solo de Bruce Dickinson, só para citar alguns exemplos.

A lista a seguir não é para ser encarada como definitiva, pois são muitos os nomes que gravaram ótimos discos, mas sim um pequeno exemplo de alguns álbuns que considero bons e importantes para o heavy metal brasileiro e que marcaram esta cena de alguma forma. E cá entre nós, não foi nada fácil escolher apenas dez álbuns.

Stress - Stress (1982) 

Não tinha outra maneira de começar esta matéria citando outro álbum, simplesmente porque este disco da banda de Belém do Pará foi o primeiro LP de heavy metal gravado por uma banda brasileira. 

As gravações ocorreram no Rio de Janeiro em apenas dois dias e de forma muito precária, em um estúdio de oito canais, a princípio desapontando até a própria banda, isso sem falar no problema com a censura, mas após pensarem melhor acabaram fazendo apenas mil cópias deste álbum, que se tornou um dos discos mais importantes para o heavy metal brazuca e que só foi relançado muito mais tarde, em 2002. 

O som é um metal puro, sem firulas e com letras em português, onde podemos destacar faixas como “Sodoma e Gomorra”, “A Chacina”, “2031”, “O Oráculo de Judas”, “Stressencefalodrama”, “O Viciado”, “Mate o Réu” ... opa, já foram todas!

Vale destacar também que o show de lançamento deste disco teve em Belém um público de mais de 20 mil pessoas, o que para a época, e às vezes até hoje, foi surpreendente.

Como diria o próprio Rossevelt Bala: um álbum desgracento! 

Sepultura - Arise (1991) 

Sem sombra de dúvidas o Sepultura é o maior nome do metal nacional de todos os tempos, e este álbum mudou não só a carreira da banda, mas também os rumos do heavy metal feito em nosso país.

Após trabalhos como o split Bestial Devastation ao lado do Overdose em 1985 e do álbum Morbid Visions em 1986, o guitarrista Andreas Kisser junta-se a Max Cavalera (V/G), Paulo Jr. (B) e Igor Cavalera (D), originando assim a formação clássica do Sepultura. Com este line-up o grupo ainda lançou Schizophrenia em 1987 e Beneath the Remains em 1989, este já pela Roadrunner Records. Mas foi neste Arise que a banda deu seu maior passo, tornando-se uma verdadeira entidade do thrash metal.

Contando com um tracklist devastador, este clássico presenteia nossos ouvidos com músicas como a faixa-título, “Dead Embryonic Cells”, “Desperate Cry”, “Under Siege (Regnum Israe)”, “Altered State” e, é claro, “Orgasmatron” do Motörhead, que saiu como bônus para o Brasil, ficando imortalizada na versão do Sepultura.

Após
Arise esta formação ainda lançou os álbuns Chaos A.D. (1993) e Roots (1996), quando Max deixou a banda, sendo substituído por Derrick Green. Sem desmerecer a atual formação, acho que todo fã sonha um dia ver este line-up clássico novamente trabalhando junto.

O melhor trabalho do Sepultura e um verdadeiro clássico do thrash metal.

Sarcófago - INRI (1987)

Nem só de Sepultura vivia a cena metálica de Belo Horizonte. De lá também vieram outros nomes, como The Mist, Sexthrash, Chakal, Holocausto e o grande e polêmico Sarcófago.

INRI foi o primeiro disco oficial deste ícone do metal nacional, que já havia participado da coletânea Warfare Noise da Cogumelo Records, e nos traz hinos de selvageria, um black metal cru e que influenciou grandes bandas ao redor do mundo, inclusive sendo uma das maiores influências da cena black metal da Noruega do final dos anos oitenta e começo dos noventa, e tendo seguidores de peso como Behemoth, Darkthrone, Impaled Nazarene, Satyricon, entre outros fãs confessos do grupo.

O Sarcófago também leva o título, ao lado dos americanos do Morbid Angel, de ser uma das primeiras bandas a usar as insanas batidas batizadas de blast beats.

Os destaques são “Satanic Lust”, “Desecration of Virgin”, “Nightmare”, “I.N.R.I.”, “Satanas”, entre outras blafêmias. A Cogumelo também lançou uma versão do álbum em CD, com algumas faixas bônus ao vivo.

Grupos como o Sarcófago, Vulcano, Murder Rape, Amen Corner e Doomsday Ceremony mostraram que o black metal poderia sim ser muito bem feito em uma país tropical e ensolarado como o Brasil.

Definindo o álbum em uma só palavra, esta obra gravada por Antichrist (V), Butcher (G), Incubus (B) e D.D. Crazy (D) é INDISPENSÁVEL!

Dorsal Atlântica - Antes do Fim (1986)

Mais um pioneiro do metal nacional, o Dorsal Atlântica lançou este que é o seu principal trabalho em 1986, um ano após o lançamento do split
Ultimatum ao lado do Metalmorphose.

Antes do Fim nos traz um heavy metal muito pesado e poderoso, ainda cantado em português, pois futuramente a banda passaria a compor letras também em inglês. São de cortesia destes cariocas músicas como a clássica “Caçador da Noite” - que abre o álbum, “HTLV3”, “Guerrilha”, “Álcool”, “Depressão Suicida” e “Morte aos Falsos”. Fantástico!

Vale citar que o disco ganhou em 2005 uma nova versão totalmente regravada, batizada de Antes do Fim, Depois do Fim.

Além deste trabalho do próprio Dorsal, podemos destacar mais alguns excelentes álbuns que outras bandas do Rio de Janeiro nos proporcionam, como Sob o Signo de Taurus do Taurus, Vinçança do Azul Limão e o recente, mais não menos importante, Execution do Tribuzy, que contou com várias participações de peso.

Krisiun - Conquerors of Armageddon (2000) 

O Brasil sempre foi uma mina de bandas de death metal, desde o princípio do estilo em nossas terras, com grupos como os mineiros do Mutilator e os paranaenses do Infernal, como nos dias de hoje, com nomes como o Drowned e o Torture Squad. Porém, ninguém pode negar que o Krisiun é, na atualidade, um melhores representantes do metal morte, não só em termos de Brasil mas sim mundiais, ficando lado a lado a nomes como Deicide e Cannibal Corpse.

Conquerors of Armageddon foi lançado em 2000 e é o quarto registro deste power trio formado pelos técnicos Alex Camargo (V/B), Moyses Kolesne (G) e Max Kolesne (D).

Para mim este é o melhor trabalho dos gaúchos, que começam detonando tudo com a faixa “Ravager”, continuam com verdadeiras pedradas como “Messiah’s Abomination”, “Soul Devorer”, “Cursed Scrolls” e a melhor de todas, “Coquerors of Armageddon”, todas tocadas com uma velocidade incrível. Outro fator que impressiona na banda é que, além de reproduzir estas faixas ao vivo, eles conseguem tocá-las ainda mais rápido.

Viper - Theatre of Fate (1989)

Talvez não possamos dizer que foi este o trabalho que revelou o vocalista Andre Matos, tendo em vista que a banda já havia lançado o álbum
Soldiers of Sunrise em 1987, porém neste Theatre of Fate o Viper estava mais experiente, além de nos brindar com composições muito bem trabalhadas e com belas melodias, tornando-se uma referência no estilo.

Contando em sua formação com o já citado Andre Matos nos vocais, com os guitarristas Felipe Machado e Yves Passarell (hoje no Capital Inicial), com o baixista Pit Passarell e o baterista Guilherme Martin, Theatre of Fate foi lançado pela gravadora Eldorado e conta com músicas como “Illusions”, “At Least a Change”, “To Live Again”, “Theatre of Fate” e a clássica “Living for the Night”.

O Viper pode ser visto hoje como o nome que abriu as portas do metal melódico brasileiro, atingindo o mercado europeu e asiático. Acredito que sem esta banda outras como Angra, Shaman, Hangar e tantas outras não existiriam.

Infelizmente, após a saída de Andre Matos o grupo foi mudando seu estilo, onde podemos destacar apenas o bom
Evolution de 1992 e All My Life, que foi a volta as raízes do metal melódico, lançado em 2007.

Korzus - Mass Illusion (1991)

1991 foi um bom ano para o thrash metal nacional, pois além do aclamadíssimo
Arise ainda tivemos ótimos álbuns como Disturbing the Noise do Attomica e este Mass Ilusion dos paulistas do Korzus.

Mass Ilusion é o terceiro trabalho da banda, que anteriormente tinha lançado os discos Korzus Ao Vivo em 1985 e Sonho Maníaco em 1987, e pode ser considerado como um dos principais registros destes thrashers, que na época eram Marcello Pompeu (V), Silvio Golfetti (G), Marcelo Nicastro (G), Dick Siebert (B) e Roberto Sileci (D).

Após uma breve introdução a banda continua com “Agony”, Victim of Progress”, “P.F.Y.L.”, “Beyond the Limits of Insanity”, “Umpredistable Disease”, a animal faixa-título, “Kids of the Streets”, “Blood for Blood”, “Living in Pain”, “Raise Your Head”, “Midnight Madness” e “The Illuminated”, todas igualmente poderosas, com bons riffs e solos gritantes. O CD ainda traz como bonus a faixa “Inútil”, cover do Ultraje a Rigor.

Também vale destacar aqui o álbum que a banda lançou em 2004,
Ties of Blood, que é um trabalho super bem produzido e com músicas altamente contagiantes.

O Korzus conseguiu se firmar como uma das principais bandas da cena brasileira, sempre atraindo um bando de bangers sedentos por metal aos seus shows. 

Angra - Holy Land (1996)

O Angra hoje já é uma banda que dispensa maiores apresentações, mas isso tudo se deve aos trabalhos excelentes lançados pelo grupo, como é o caso de
Angels Cry (1993) e deste Holy Land.

Holy Land é um disco repleto de referências à cultura brasileira, tanto musicalmente, já que traz muitas composições com ritmos de diversas partes do país mesclados ao heavy metal, como liricamente, pois a temática do álbum é voltada para o descobrimento da América.

A banda também contava com um dream team do metal nacionall, com os músicos Andre Matos (V), Kiko Loureiro (G), Rafael Bittencourt (G), Luis Mariutti (B) e Ricardo Confessori (D). Ricardo Confessori que inclusive voltou a fazer parte da banda recentemente.

O tracklist contém grandes momentos, como “Nothing to Say”, “Carolina IV”, “Holy Land” e “Make Believe”.

Harppia - A Ferro e Fogo (1985)

Vinda da mesma geração das bandas do
SP Metal, como Centúrias, Avenger, Virus, Korzus, Abutre, Salário Mínimo, Platina, Cérbero, Performance, Santuário, Golpe de Estado e outras, o Harppia se destacou na cena metálica dos anos oitenta fazendo um heavy metal tradicional com letras em português, e lançando bons discos como A Ferro e Foge e Sete (1987).

Este trabalho foi lançado pela Baratos Afins, mesmo selo que colocou no mercado as legendárias coletâneas
SP Metal. 

A Ferro e Fogo é um discaço de heavy metal onde cada uma das faixas merece destaque. O disco abre com a instrumental “Harpago”, que antecede “Salém (A Cidade das Bruxas)”, que eu considero uma das melhores músicas de heavy metal cantadas em nosso idioma. Ainda temos uma boa sequência com “Naúfrago”, que tem guitarras bem sacadas, a rápida faixa-título, a instrumental pra lá de Iron Maiden “Incitatus” e “Asas Cortadas”, encerrando este trampo dos paulistas com chave-de-ouro.  

Ratos de Porão - RDP ao Vivo (1992)

Eu sei, eu sei ... o que o Ratos de Porão está fazendo em uma lista de dez discos essenciais de heavy metal brasileiro? Bom, apesar de muitos rotularem o Ratos como punk ou hardcore (não que não tenha sentido), não podemos negar que o som da banda sofre muita influência de thrash metal, assim como de estilos como o grind e o crust, gerando assim uma sonoridade crossover cheia de peso e energia, deixando muito grupo que se diz metal no chinelo.

Não há registro melhor do Ratos de Porão do que este ao vivo para constar nesta lista, pois o álbum é quase que uma coletânea, contendo os mais variados clássicos do quarteto, como “Crianças sem Futuro”, “Beber até Morrer”, “Crucificados pelo Sistema”, “Vida Animal”, “Plano Furado I”, “AIDS, Pop, Repressão”, “Velhus Decreptus”, “Crise Geral”, “Sentir Ódio e Nada Mais”, “Igreja Universal”, entre muitas outras pauladas.

Se você curte o estilo da banda do João Gordo e companhia, não deixe de conferir este ao vivo dos caras.

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