2 de jul de 2009

poeiraCast#014 no ar: as fases soul e funk de David Bowie

quinta-feira, julho 02, 2009

Por Bento Araújo
Colecionador e Jornalista
Poeira Zine

O poeiraCast, o podcast da revista
poeira Zine, dá uma geral no período soul e funk de David Bowie, dos álbuns Young Americans (1975) e Station to Station (1976).

Confira também uma discussão sobre um encontro histórico: Beatles e Elvis, em 1965!

O poeiraCast é um programa de bate papo, na verdade uma mesa redonda livre e direta sobre o assunto que a gente mais aprecia: música. Nele você encontra polêmicas, curiosidades, as famigeradas listas e bizarrices mil de seus grupos e artistas favoritos. Ajeite-se na poltrona e boa curtição!

Direção: Bento Araújo
Locução: Ricardo Alpendre
Produção: Bento Araújo, Sérgio Alpendre, José Damiano e Ricardo Alpendre
Edição: Xando Zupo (Overdrive Estúdio – email: xandozupo@gmail.com)

Dimmu Borgir - In Sorte Diaboli (2007)

quinta-feira, julho 02, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****

Após quatro anos sem lançar nenhum álbum com músicas inéditas (o último foi Death Cult Armageddon, de 2003), a expectativa por um novo trabalho dos noruegueses do Dimmu Borgir era enorme. O grupo sabia disso, e acredito que os fãs ficarão satisfeitos com o resultado final de In Sorte Diaboli.

Mais sinfônico já de saída, com a excelente “The Serpentine Offering”, o disco traz um Dimmu Borgir soando mais técnico, bastante sombrio e pesado, e bem menos teatral do que nos últimos anos. O foco de
In Sorte Diaboli está totalmente na música, e em se tratando de músicos do nível de Shagrath e Silenoz, esse pequeno detalhe faz uma enorme diferença.

A já citada “The Serpentine Offering”, que também é o primeiro single e possui um clipe fantástico, é um dos destaques do CD. Ao lado dela, faixas como “The Chosen Legacy”, “The Sacrilegious Scorn”, “The Sinister Awakening” e “The Foreshadowing Furnace” chamam a atenção de imediato, mas o som do Dimmu Borgir alcançou um nível de elaboração e uma riqueza sonora que, a cada audição do disco, essa lista muda.

Belos coros marcam presença em todo o álbum, realçando ainda mais o aspecto dramático e emocional das composições. Os teclados de Mustis ganharam mais espaço, reforçando o já citado aspecto sinfônico. Além disso, as guitarras de Silenoz e Galder derramam riffs inspirados, o que colabora para
In Sorte Diaboli ser um dos trabalhos mais pesados da carreira do grupo. Vale mencionar que Hellhammer, o lendário baterista que já fez parte do Mayhem e de inúmeros grupos de cena extrema norueguesa, toca no álbum, o que dá uma cara meio old school para algumas passagens.

Excelente, mais uma vez.


Faixas:
1. The Serpentine Offering - 5:09
2. The Chosen Legacy - 4:17
3. The Conspiracy Unfolds - 5:24
4. The Sacrilegious Scorn - 3:58
5. The Fallen Arises - 2:59
6. The Sinister Awakening - 5:09
7. The Fundamental Alienation - 5:17
8. The Invaluable Darkness - 4:44
9. The Foreshadowing Furnace - 5:49

Queens of the Stone Age - Era Vulgaris (2007)

quinta-feira, julho 02, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***1/2

Bandas super badaladas pela crítica e pela mídia nunca me atraíram. Sei que isso pode parecer (e realmente é) uma atitude imatura, mas na maioria das vezes não consigo ver o que o mundo está vendo. É por isso que eu sempre tive uma má vontade com o Queens of the Stone Age.

Munido de todo esse preconceito, fui ouvir
Era Vulgaris, álbum lançado em 2007 pelo grupo do guitarrista Josh Homme. Pegando o CD na mão, e com as referências de grande fã de quadrinhos que sou, já fiquei com uma impressão positiva pela ótima arte da capa. Mas eu sou um velho que cresceu nos anos oitenta, onde a música ainda tinha mais importância que a imagem, então vamos parar de falar de penduricalhos e nos prender ao que realmente interessa.

Gostei de faixa de abertura, “Turning on the Screw”, com uma batida hipnotizante. “Sick Sick Sick”, primeiro single do disco e que conta com a participação de Julian Casablancas, vocalista dos superestimados Strokes (alguém poderia me dizer o que essa banda tem de mais pra ser tão incensada pela crítica? Hein???), é baseada em um riff de guitarra que se repete durante toda a sua execução. Legalzinha, mas não mais do que isso. Os experimentos continuam em “I´m Designer”, dona de um arranjo minimalista e vocais cheios de efeitos.

Minha mente atormentada por anos de falsas promessas musicais estalou com “Into the Hollow”, pequena gema pop construída sobre uma linha de baixo hipnótica. Classe A!!! Uma intro carregada de
noise dá início à “Misfit Love”, e nessa canção Josh Homme é o grande destaque, tanto por sua guitarra quanto pelo belo vocal. Depois de duas composições, estaria o Queens of the Stone Age conquistando esse velho rockeiro hortodoxo, criado a doses generosas de Black Sabbath, Deep Purplee Led Zeppelin?

Infelizmente, “Battery Acid” não conseguiu responder a pergunta. Deixo de lado a minha isenção ao avaliar o disco, porque é a típica canção que possui uma estrutura que me irrita, pessoalmente. Um clima alternativo que não me desce.

No outro oposto, “Make It Wit Chu” vem carregada de acento pop e um clima setentista que me fazem tomar o último gole da cerveja e pedir mais uma ao garçom (só pra constar, escrevo essa resenha sentado no aeroporto de Floripa, esperando um vôo que está só duas horas atrasado … neste meio tempo, nada melhor que um rock and roll pra passar o tempo).

Por um instante, o início de “3´s & 7´s” me trouxe à mente “Smells Like Teen Spirit”. A viajante “Suture Up Your Future” (ótimo título) vem carregada da melhor tradição setentista, de músicas cheias de experimentos, que ao vivo chegavam a ter o triplo de sua duração original.

A jornada chega ao fim com “Running Joke”, melancólica e lembrando Nick Cave e seus Bad Seeds. Ótimas linhas vocais de Josh Homme me transportam de um lado para o outro, enquanto os timbres de guitarra, baixo e bateria pegam meu corpo e me levam de volta no tempo, diretamente para o início dos anos setenta.

Esse velho rabugento ouviu, finalmente, um disco do Queens of the Stone Age de cabo a rabo. O saldo foi positivo. Tirando alguns cacoetes alternativos totalmente dispensáveis, o álbum é legal, perfeito pra ouvir com os amigos batendo papo e bebendo uma cerveja bem gelada.

Vamos lá, dou meu braço a torcer: ok, você venceu, batatas fritas …


Faixas:
1. Turnin' on the Screw - 5:17
2. Sick, Sick, Sick - 3:34
3. I'm Designer - 4:04
4. Into the Hollow - 3:42
5. Misfit Love - 5:40
6. Battery Acid - 4:06
7. Make It Wit Chu - 4:50
8. 3's & 7's - 3:34
9. Suture Up Your Future - 4:37
10. River in the Road - 3:20
11. Run, Pig, Run - 4:40

1 de jul de 2009

Vader - And Blood Was Shed in Warsaw (2007)

quarta-feira, julho 01, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****

Colocar os poloneses do Vader entre os principais grupos de metal extremo da atualidade é mais do que justo. O death / black metal da gangue liderada pelo vocalista e guitarrista Piotr Wiwczarek evoluiu muito nos últimos anos, culminando com o ótimo Impressions in Blood, álbum lançado em 2006.

O DVD
And Blood Was Shed in Warsaw traz como prato principal um show realizado em Varsóvia, capital da Polônia, no dia 12 de fevereiro de 2007, fechando a tour de Impressions in Blood. Tocando na sua terra, para fãs do seu próprio país, o Vader se entrega no palco, executando suas músicas com um tesão e uma energia palpáveis.

Extremamente agressivo e pesado, o som dos poloneses pode ser comparado a uma avalanche desgovernada, destruindo tudo pela frente. As dezenove faixas executadas dão uma geral na carreira do grupo, com destaque para “Blood of Kingu”, “Cold Demons”, “Lead Us” e a espetacular “Helleluyah (God is Dead)”. O final do concerto ainda traz uma surpresa, com a participação de Orion, baixista dos conterrâneos do Behemoth, em “Wyrocznia”.

Com som 5.1 e imagem perfeita, o vídeo traz uma edição direta, sem frescuras, colocando a performance do grupo e a satisfação do fã em primeiro lugar. Outro destaque vai para a capa, com uma ilustração espetacular. Aliás essa já uma tradição do Vader, que sempre primou por trazer artes muito acima da média em seus lançamentos, sejam eles discos, Eps, singles e o que mais você possa imaginar.

Como bônus, o DVD traz os clipes de “Helleluyah (God is Dead)” e da inédita “Sword of the Witcher” (composta para o jogo de computador
The Witcher), além de uma boa entrevista com Piotr Wiwczarek.

Enfim, um ótimo lançamento, valorizando ainda mais a excelente fase que o Vader vem atravessando nos últimos anos.


Faixas:
1. Intro
2. Shadow Fear
3. Sothis
4. Helleluyah!!! (God Is Dead)
5. Warlords
6. Silent Empire
7. Blood of Kingu
8. Out of the Deep
9. Carnal
10. Dark Age
11. Black to the Blind
12. Intro: Para Bellum
13. This Is the War
14. Lead Us
15. What Colour Is Your Blood
16. Epitaph
17. Cold Demons
18. Predator
19. Wings
20. Wyrocznia

Rage - Carved in Stone (2008)

quarta-feira, julho 01, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ***1/2

Speak of the Dead, último trabalho do Rage, dividiu opiniões entre os fãs. Enquanto uma parcela adorou o disco, outra simplesmente detestou, principalmente pelo refinamento técnico e pela inclusão de elementos sinfônicos em demasia.

Pois bem, desse mal
Carved in Stone não sofre. O power metal característico da banda está de volta, e com força total. Peavy voltou a compor em sua linha habitual, fazendo que as oito faixas de Carved in Stone soem cativantes, repletas de grandes refrões e cheias de energia. A saída de Mike Terrana e a inclusão de Andre Hilgers no line-up renovou os ares do grupo, já que Peavy e Victor Smolski tem neste trabalho performances nitidamente inspiradas.

O som de
The Missing Link (1993) e End of All Days (1996) é a principal referência para situar as faixas de Carved in Stone. Músicas como “Lord of the Flies”, “Open My Grave”, “Drop Dead”, “Long Hard Road” e “Lost in the Void” estão entre as melhores compostas pela banda alemã nos últimos dez anos.

Se você faz parte da parcela de fãs que não curtiu
Speak of the Dead e se afastou do Rage, pode voltar porque não irá se desapontar. Um ótimo disco, um dos melhores da carreira dos alemães.


Faixas:
1. Carved in Stone - 5:21
2. Drop Dead! - 4:13
3. Gentle Murders - 4:12
4. Open My Grave - 4:41
5. Without You - 5:45
6. Long Hard Road - 4:37
7. One Step Ahead - 5:05
8. Lost in the Void - 4:14
9. Mouth of Greed - 3:56
10. Lord of the Flies - 5:45

30 de jun de 2009

Paul McCartney - Live at the Cavern Club (2001)

terça-feira, junho 30, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: *****

Lotação: 300 pessoas.

Local: o lendário
Cavern Club em Liverpool, berço dos Beatles.

A banda: Paul McCartney, David Gilmour, Mick Green, Pete Wingfield e Ian Paice.

Live at the Cavern Club é o registro deste show, ao mesmo tempo histórico e inacreditável, realizado por Paul e seus chapas em 1999. Promovendo o disco Run Devil Run, que trazia um repertório repleto de rocks da década de cinquenta, McCartney escolheu o pequeno, apertado e esfumaçado Cavern Club para realizar uma verdadeira aula de rock and roll.

A banda, acima de qualquer suspeita, diverte-se genuinamente durante todo o show, de uma forma espontânea que chega a chocar em alguns momentos, já que não estamos habituados a ver ícones como Gilmour, Paice e McCartney com uma intimidade tão grande. É como se o grupo que toca todo final de semana naquele seu boteco favorito fosse formado por alguns dos maiores músicos da história.

O repertório é uma sucessão de rocks inocentes e agitados, passando por hinos dos Beatles, como "I Saw Her Standing There", e clássicos que marcaram época, como "Honey Hush", "Lonesone Town", "Blue Jean Bop", "Fabulous" (com o grupo entrando totalmente errado e recomeçando a canção sob a batuta de Paul) e "Twenty Flight Rock".

Individualmente não há o que relatar em
Live at the Cavern Club além do imenso prazer de assistir músicos experientes e lendários se divertindo como se fossem crianças. Paul comanda o espetáculo, e parece ter novamente quinze anos. Gilmour revela um outro lado, soando mais agressivo na maneira de tocar do que aquela que nos acostumamos a ouvir nos álbuns do Pink Floyd e em sua carreira solo, soltando-se de tal maneira no palco que chega até a dançar. Mick Green esbanja simplicidade e segurança nas bases e nos solos. Wingfield viaja de volta aos anos cinquenta e traz na bagagem uma época mágica, onde o piano marcava presença e tornava os primeiros registros do rock ainda mais irresistíveis. E Paice segura tudo lá atrás com o talento que só um dos maiores bateristas do rock tem. Como extras, cenas da gravação de Run Devil Run e dois clipes do disco.

Live at the Cavern Club é um DVD excepcional, obrigatório, clássico, porque mostra todo o despojamento de ícones que atravessaram décadas, reunidos em um palco, se divertindo como se fossem adolescentes que acabaram de descobrir o rock.

Talvez seja exatamente esse o segredo por trás dessas carreiras únicas: uma paixão pela música tão grande que vai além do tempo, renovando-se a cada dia.

Discos Fundamentais: West, Bruce & Laing - Why Dontcha (1972)

terça-feira, junho 30, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Esta estreia do West, Bruce & Laing é um belo disco de hard rock setentista. A união da guitarra feroz de Leslie West aos vocais privilegiados de Jack Bruce resultaram em um trabalho competente e que não soa ultrapassado, mesmo passados mais de 35 anos do seu lançamento original.

Todas as músicas, com exceção de "Out Into the Fields", passeiam pelo hard rock com pitadas de blues, exibindo um peso tão grande que muitas vezes aproxima a banda do então nascente heavy metal.

Pessoalmente, destacaria as faixas "Why Dontcha", "The Doctor", o groove de "Turn Me Over", o hard blues "Third Degree" (um blues arrastado e pesado, que lembra muito o que Bruce fazia no Cream ao lado de Eric Clapton e Ginger Baker), o balanço irresistível de "Shake Ma Thing (Rollin Jack)" e "Love is Worth the Blues".

Apesar de cultuado entre os fãs do Cream e do Mountain,
Why Dontcha é um disco que merece mais destaque, pois, sem dúvida, está entre os melhores e mais interessantes lançamentos de hard rock dos anos setenta.

Não conhece? Então corra, porque já passou da hora.


Faixas:
A1. Why Dontcha - 3:01
A2. Out Into the Fields - 4:41
A3. The Doctor - 4:29
A4. Turn Me Over - 2:44
A5. Third Degree - 4:16

B1. Shake Ma Thing (Rollin Jack) - 4:15
B2. While You Sleep - 3:24
B3. Pleasure - 3:57
B4. Love Is Worth the Blues - 4:12
B5. Pollution Woman - 4:20

Bandas de Um Disco Só: Salem Mass - Witch Burning (1971)

terça-feira, junho 30, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Esse disco tem uma história muito interessante. Primeiro e único registro do grupo norte-americano Salem Mass, Witch Burning foi gravado dentro do bar favorito dos caras, chamado The Red Bam, convertido em estúdio para a tarefa. Além disso, o órgão Moog com que o trabalho foi gravado tinha o número de série #023, ou seja, foi um dos primeiros a serem fabricados!

O som é um hard típico do início dos anos setenta, com grande influência da sonoridade psicodélica do final da década de sessenta, um gênero definido como heavy psych por alguns críticos. Os riffs de Mike Snead têm a mesma importância que as notas do teclado de Jim Klahr, dando um delicioso tempero vintage à música do Salem Mass.

Entre as faixas, destaque óbvio para a
tour de force "Witch Burning", que batiza o álbum e tem mais de dez minutos de viagens instrumentais hipnotizantes. O típico som do Moog introduz a densa "My Sweet Jane", melancólica ao extremo, e que apresenta uma certa influência de Velvet Underground (não só no título, mas também na música).

"You Can´t Run My Life" tem um groove cadenciado perfeito para pegar a estrada, enquanto "You´re Just a Dream" é bem chiclete e poderia, sem medo, ter sido lançada como single, já que suas características tinham tudo para agradar, por exemplo, os órfãos fãs do Doors.

O disco fecha com "Bare Tree" e a quase pop "The Drifter", outra que apresenta um latente potencial comercial não explorado.

A banda era formada por Kim Klahr (teclados), Mike Snead (guitarra e vocal), Steve Towery (bateria) e Matt Wilson (baixo e vocal).

Enfim, Witch Burning é um álbum interessante, que proporciona uma audição agradável, principalmente para os fãs de Moog (que irão se deliciar com os solos de Klahr) e da estética sonora da virada dos anos 60 para os 70.

Vale a pena.


Faixas:
A1. Witch Burning - 10:26
A2. My Sweet Jane - 4:37
A3. Why - 2:46

B1. You Can't Run My Life - 3:51
B2. You're Just a Dream - 3:44
B3. Bare Tree - 6:54
B4. The Drifter - 3:11

A história de "Thriller", o disco mais vendido de todos os tempos

terça-feira, junho 30, 2009

Sérgio Scarpelli
Colecionador e Jornalista
Jazz Masters

Depois de lançar o álbum mais vendido de todos os tempos, nem Michael Jackson nem a música foram mais os mesmos.

A história de Thriller começa bem antes de 1982, ano do seu lançamento. Voltemos para 1978, com a produção do filme The Wiz, uma adaptação do musical da Broadway lançado em 1975, que recontava a história do Mágico de Oz sob a ótica negra, tanto que a peça e o filme foram totalmente dirigidos ao público afro-americano. Só participaram atores e cantores negros.No cinema a produção teve a assinatura da gravadora Motown, e foram escalados para o elenco Diana Ross e Michael Jackson, entre outros. A trilha sonora ficou por conta de Quincy Jones. E é aí que o Thriller entra na história. Durante a produção deste filme Jones se aproximou de Michael e ambos decidiram firmar uma das parcerias mais bem sucedidas da história da música.

O inesperado sucesso do álbum Destiny, dos Jacksons, e a brilhante perfomance de Michael, tanto como cantor como compositor, fez a Epic dar carta branca a MJ para produzir o seu primeiro álbum solo em idade adulta. Michael Jackson e Quincy Jones então começaram a trabalhar em Off the Wall, uma espécie de pai do Thriller.

Off the Wall causou furor entre o público e a mídia especializada. A mistura de black music e disco music do álbum tornou-se referência nos anos seguintes. Em muito pouco tempo já era o disco de black music de maior sucesso da história, superado depois apenas por Thriller. O fato é que Off the Wall já colocava Michael Jackson em outro patamar. Para se ter uma idéia, com apenas um disco ele vendeu muito mais do que em onze anos ao lado do Jackson 5.

01 de Dezembro de 1982, Thriller é lançado


Voltando à história de
Thriller, três anos depois do lançamento de Off the Wall a Epic pressionou tanto Jones quanto Jackson a fazer mais um LP. Na verdade deram três meses para que o disco fosse produzido. Quincy Jones pediu então mais noventa dias. Ou seja, o maior álbum da história teve apenas seis meses de produção. Eles foram inteligentes e levaram em conta a máxima de que "em time que está ganhando não se mexe".

Rod Temperton foi chamado para compor algumas músicas, assim como tinha feito em Off the Wall. Thriller deu sinal de vida com o single "The Girl is Mine", num dueto brilhante de Jackson com Paul McCartney. A música chegou ao primeiro lugar da Billboard. Era uma baladinha bem legal, mas ela não dava nenhuma dica do furacão que estava por vir.

Pois bem, em 1º de dezembro de 1982 Thriller finalmente chegava às lojas já com cara de antológico, com "Billie Jean" tocando sem parar nas rádios. Lembro até hoje quando eu fui comprar o disco. Um amigo meu trabalhava em uma loja chamada Hi-Fi e me ligou dizendo que o novo disco de Michael Jackson havia chegado. Lembro que eu voltei umas onze vezes na faixa "Billie Jean", pois eu não acreditava no que estava ouvindo.


Ouvi "Beat It" também, e me causou estranheza aquela guitarra pesadona. Mas por mais que eu visitasse outras faixas, "Billie Jean" era algo que eu nunca tinha escutado antes. Mas esta impressão não foi só minha. Apenas dois meses depois, Thriller alcançava o primeiro lugar entre os discos mais vendidos, e permaneceria por lá durante 37 semanas.

Michael Jackson tornou-se o primeiro cantor na história a tomar posse, simultaneamente, da primeira posição em todas as paradas de black e pop music nos Estados Unidos. Além de um sucesso de vendas, Thriller foi também um marco na luta contra a discriminação racial na indústria da música. Em março de 1983 o videoclipe de "Billie Jean" estreou na MTV, fazendo de Michael o primeiro negro cuja música ganhou espaço na emissora.


E por falar em clipes, Michael Jackson revolucionou a linguagem ao substituir a técnica da colagem de imagens por enredos nos vídeos de "Billie Jean" e "Beat It". O astro acabou criando um novo conceito de produção. Com o curta-metragem gravado para "Thriller", Michael e o diretor John Landis estabeleceram ainda novos horizontes para a concepção dos clipes, que passaram a ser vistos como pequenos filmes.

A festa dos 25 anos da Motown


Na noite de 16 de maio de 1983 três mil celebridades norte-americanas lotaram um teatro em Los Angeles para assistir a uma apresentação comemorativa aos 25 anos da gravadora Motown. De suas casas, mais de cinquenta milhões de norte-americanos acompanharam pela TV a apresentação dos vários artistas da Motown, até que Michael Jackson começou a cantar "Billie Jean", o hit do ano até então.

De repente Michael parou de cantar, andou até o canto esquerdo do palco e voltou ... deslizando de costas! Foi impressionante! Eram três mil queixos caídos! Naquela noite, mais do que mostrar pela primeira vez o passo que batizou como "moonwalk" ("andando na lua"), Michael Jackson foi dormir consagrado como nada menos que o Rei do Pop.

"Foi aquele momento que cristalizou o status de celebridade de Michael Jackson", falou a revista norte-americana Rolling Stone. Moonwalk, no mundo do entretenimento, só é comparável ao andar de vagabundo de Chaplin, à sequência de Gene Kelly em Dançando na Chuva ou aos passos de Fred Astaire. E não é que depois daquela apresentação, tanto Astaire quanto Kelly foram atrás de Jackson para parabenizá-lo? Eu acho que este momento mágico, aliado à qualidade do disco e ao videoclipe de "Thriller" foram os grandes responsáveis pelos números astronômicos deste disco.

Thriller em números


- 104 milhões de cópias vendidas
- 132 semanas em primeiro lugar
- sete compactos lançados, três deles alcançando o primeiro lugar
- sete compactos no top#10 da
Billboard
- 97 prêmios
- 8
Grammys no mesmo ano
- 37 semanas como o disco mais vendido (recorde até hoje)
- 82 semanas entre os mais vendidos
- Disco internacional mais vendido da história no Brasil
- 14 milhões de VHS vendidos do clip de
Thriller


Comentários faixa a faixa:

1 - Wanna Be Startin' Somethin' (Michael Jackson)

É a música mais Off the Wall do disco, uma espécie de evolução do que Michael já tinha feito em "Working Day and Night". É um funk/disco de primeira linha, com um baixo antológico de Louis Johnson (um dos Brothers Johnson).

2 - Baby Be Mine (Rod Temperton)

Talvez seja o melhor lado B que eu já tenha ouvido. Uma das duas músicas que não foram lançadas em single. É um Michael Jackson soberbo aqui. Outra com gostinho de
Off the Wall, com um comecinho bem na linha de "Rock With You".

3 - The Girl is Mine (Michael Jackson)

Baladinha deliciosa que foi o primeiro single de
Thriller. Saiu antes do próprio álbum. Era inaugurada aqui a parceria entre Michael Jackson e Paul McCartney. Eles ainda gravariam "Say Say Say" e "The Man", que fez parte do álbum Pipes of Peace, de McCartney. Depois que Jackson comprou o catálogo de músicas dos Beatles os dois romperam a amizade.

4 - Thriller (Michael Jackson e Rod Temperton)

Um musicão, daqueles balanços que enchem qualquer pista. O baixo aqui é fantástico. E o "rap" de Vincent Price, grande astro do cinema de terror B, deu um charme todo especial à faixa. Tenho os originais da gravação de Price. A música realmente causou furor depois do lançamento de seu vídeo, e tornou-se um ícone da própria carreira de Michael Jackson.

5 - Beat It (Michael Jackson)

Pra mim é a segunda melhor música do disco, mas não apenas isso. É uma das melhores composições de Michael Jackson. Aqui tudo beira a perfeição. Os vocais de Michael são irrepreensíveis, e a guitarra de Eddie Van Halen é simplesmente antológica. Por causa de sua letra "Beat It" se transformou em um hino anti-gangues, chegando ao primeiro lugar da Billboard. Seu vídeo também foi uma revolução, e foi premiado pela MTV. "Beat It" foi a primeira faixa tocada em uma rádio de rock norte-americana vinda de um negro, um feito até então inédito.

6 - Billie Jean (Michael Jackson)

Essa é "A" música! Não se limita apenas a ser a melhor de Michael Jackson, está entre as cem músicas do século e foi eleita o maior hit de todos os tempos. "Billie Jean" é perfeita, e simples. Tem toda sua base na bateria de Leon Ndugu Chancler e no baixo de Louis Johnson. E um detalhe é incrível: o vocal de Jackson foi feito em um único take. É a música número um da minha vida!

7 - Human Nature (Porcaro/Betis)

Essa faixa foi feita originalmente para o grupo Toto, mas Michael Jackson a ouviu e quis por que quis incluí-la em
Thriller. O desejo do Rei do Pop foi atendido. O mais incrível é que o Toto acompanha Jackson nesta gravação. Uma música deliciosa.

8 - P.Y.T. (Pretty Young Thing) (James Ingram/ Quincy Jones)

A única composição de Quincy Jones que está em Thriller. Ele a fez em parceria com seu pupilo James Ingram, que figura como coadjuvante. A faixa segue bem a linha das produções de Jones naquela época. Poderia muito bem fazer parte do seu álbum The Dude ou em algum álbum do Brothers Johnson.

9 - The Lady in My Life (Rod Temperton)

Esta foi a outra música de
Thriller que não se tornou single. Michael Jackson sempre foi um ótimo cantor de baladas black. Fazia isso muito bem quando era criança. Belíssima canção. É a que tem menos apelo comercial no disco inteiro. Para ouvir a meia luz.

25 anos depois


Thriller é mais que um álbum, é mais que uma moda, é mais do que a marca de um grande popstar. Thriller é um acontecimento. E sem dúvida é o eterno maior álbum de todos os tempos. Não existe a menor chance de alguém chegar a cifra de 104 milhões de discos vendidos. Daqui a cinquenta anos, quando alguém folhear as páginas do Guinness Book na parte de música, Thriller ainda estará lá como o maior recordista.

E não poderia ser diferente. Tudo começou com um filme chamado
The Wiz, e esta história que completou 25 anos em 1º de dezembro de 2008 é pura magia mesmo!

Bandas de Um Disco Só: Art - Supernatural Fairy Tales (1967)

terça-feira, junho 30, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Lançado naquele que é considerado um dos anos mais importantes da história da música pop, Supernatural Fairy Tales é o único registro do grupo inglês Art. Formada em abril de 1967, a banda durou apenas seis meses, encerrando suas atividades em outubro daquele mesmo ano, mas essa curta existência não passou despercebida, já que o único disco do Art é considerado até hoje uma das grandes obras do rock psicodélico da segunda metade dos anos sessenta.

Na verdade, alguns consideram
Supernatural Fairy Tales como o primeiro álbum do Spooky Tooth, tradicionalíssima banda de rock britânica que se destacou por executar uma original fusão entre o hard rock e o progressivo, principalmente pela interessante utilização de piano e órgão de forma simultânea, construindo uma sonoridade única.

Isso ocorre porque Mike Harrison, Luther Grosvenor, Greg Ridley e Mike Kellie, após a adição do tecladista Gary Wright, alteraram o nome do grupo de Art para Spooky Tooth, mudando também o direcionamento musical do conjunto. Enquanto o Art viajava pelos mares do rock psicodélico, o Spooky Tooth navegava pelo hard rock com algumas pitadas de blues e uma grande dose de rock progressivo. Portanto, o mais correto é, apesar de contar praticamente com os mesmos músicos, classificar o Art e o Spooky Tooth como duas bandas totalmente diferentes.

As doze faixas de
Supernatural Fairy Tales apresentam um rock carregado de psicodelismo e uma bem-vinda dose de peso, aproximando-o do chamado heavy psych. Guitarras agressivas e vocais ásperos e repletos de energia marcam as canções, que trazem consigo uma generosa dose de melodia, facilitando a digestão por parte do ouvinte. Assim, músicas como “I Think I´m Going Weird”, “What´s That Sound (For What It´s Worth)”, “Room With a View”, “Supernatural Fairy Tales”, “Love is Real”, “Brothers, Dads and Mothers” e “Rome Take Away Three” descem redondo até mesmo para ouvidos não acostumados com a psicodelia, fato raro e surpreendente, uma vez que as experimentações sonoras do estilo costumam assustar e afastar os neófitos.

Raríssima, a edição original do LP é item de destaque em acervos de colecionadores que conseguiram adquiri-la. Além dela, o álbum ganhou uma versão em CD em 1994 pela gravadora inglesa Drop Out (
Cat# DOCD 1987) e, mais recentemente, foi reeditado pela Tapestry em vinil de 180 gramas (Cat# TPT 216).

Uma jóia rara, que garante momentos de satisfação sublimes ao ouvinte. Talvez essa seja a melhor definição para
Supernatural Fairy Tales.


Faixas:
A1. I Think I'm Going Weird - 3:19
A2. What's That Sound - 2:47
A3. African Thing - 4:04
A4. Room With a View - 3:38
A5. Flying Anchors - 2:40
A6. Supernatural Fairy Tale - 3:34

B1. Love Is Real - 3:18
B2. Come on Up - 3:01
B3. Brothers, Dads and Mothers - 3:27
B4. Talkin' to Myself - 1:39
B5. Alive Not Dead - 2:12
B6. Rome Take Away Three - 3:00

29 de jun de 2009

Discos Fundamentais: Michael Jackson & Jackson 5 - The Motown Years (2008)

segunda-feira, junho 29, 2009

Por Luiz Felipe Carneiro
Jornalista
Esquina da Música

Há duas semanas, a gravadora Motown comemorou o seu cinquentenário. Atualmente, Michael Jackson está com 50 anos também. Assim, nada mais apropriado do que a Motown lançar um álbum triplo com os cinquenta maiores sucessos de Michael Jackson.

No final de 2008 foram lançadas diversas edições da coletânea
King of Pop. Diversos países ganharam uma versão exclusiva com as faixas escolhidas pelos fãs. O Brasil também teve direito a sua King of Pop. O problema é que os fãs só podiam votar nas canções lançadas a partir do álbum Off the Wall, que saiu em 1979, quando iniciou a sua milionária parceria com Quincy Jones. E como Michael Jackson começou a sua carreira aos cinco anos de idade (e aos oito já fazia sucesso ao lado de seus irmãos no Jackson 5, que assinou contrato com a Motown dois anos depois), muita, mas muita coisa ficou de fora.

Para quem não possui os inúmeros álbuns originais dos Jackson 5 e os quatro discos lançados por Michael Jackson entre 1972 e 1975,
The Motown Years, com as 50 faixas que varrem todo esse período, é uma excelente pedida.

O mais interessante a ser notado nessas cinquenta faixas são as influências que fizeram de Michael Jackson o maior artista do mundo entre o final da década de 70 e o início da de 80. Toda a gênese de álbuns como
Off the Wall (1979) e Thriller (1982) pode ser encontrada em suas primeiras gravações com o Jackson 5, que apresentavam uma mistura de soul, rhythm and blues e gospel (imersa nas influências de Sam Cooke, James Brown, Ray Charles e Stevie Wonder) para ninguém botar defeito. Michael Jackson tinha meros dez anos naquele período. E como seria bom se ele voltasse a ter dez anos hoje.

Com 13 anos de idade, Michael e seus irmãos já haviam alcançado o topo da parada de singles da
Billboard em quatro ocasiões, com as músicas "I Want You Back", "ABC", "The Love You Save" e "I'll Be There", todas elas presentes nessa compilação. Além desses hits inesquecíveis, The Motown Years traz outras inúmeras pérolas, como "Never Can Say Goodbye", "Doctor My Eyes", "Maybe Tomorrow" e "It's Great to Be Here".

Os dois primeiros CDs cobrem exatamente a fase do Jackson 5. O terceiro é dedicado exclusivamente a obra de Michael Jackson fora do conjunto. Em 1971, a Motown viu que aquele garotinho mais novo do Jackson 5 era a sua grande estrela. Não havia dúvida disso. Assim, Michael Jackson acabou tendo a oportunidade de gravar o seu primeiro álbum solo, intitulado
Got to Be There e lançado em janeiro de 1972. Composto por canções de diversos artistas e nenhuma de Jackson, o álbum rendeu belas músicas na voz de Michael, como "You've Got a Friend" (aquela mesma de Carole King, e que tanto sucesso fez na voz de James Taylor), "Ain't No Sunshine" e a faixa-título, que fez muito sucesso e alcançou o top#5 da parada da Billboard.

Seus três álbuns seguintes -
Ben (1972), Music & Me (1973) e Forever, Michael (1975) - seguiram o mesmo caminho, com um grande número de hits, como "Ben", "My Girl", "Music and Me", "One Day in Your Life" e "Just a Little Bit of Me", todas elas também presentes em The Motown Years.


Faixas:

Disc 1: Jackson 5
1. ABC
2. Never Can Say Goodbye
3. Ready or Not (Here I Come)
4. Love Song
5. Forever Came Today
6. The Life of the Party
7. Doctor My Eyes
8. All I Do Is Think of You
9. I Am Love (Parts 1 & 2)
10. Darling Dear
11. Maybe Tomorrow
12. I Found That Girl
13. It's Too Late to Change the Time
14. Lookin' Through the Windows
15. Who's Lovin' You
16. Wahetever You Got, I Want
17. I'll Be There

Disc 2: Jackson 5
1. I Want You Back
2. Dancing Machine
3. Sugar Daddy
4. Little Bitty Pretty One
5. Hum Along and Dance
6. Corner of the Sky
7. I'm So Happy
8. Get It Together
9. Goin' Back to Indiana
10. Skywriter
11. The Love You Save
12. Mama's Pearl
13. Touch
14. La La (Means I Love You)
15. It's Great to Be Here
16. Hallelujah Day
17. Santa Claus Is Coming to Town

Disc 3: Michael Jackson
1. Farewell My Summer Love
2. You've Got a Friend
3. My Girl
4. One Day in Your Life
5. Just a Little Bit of You
6. Got to Be There
7. We've Got a Good Thing Going
8. Rockin' Robin
9. Ben
10. I Wanna Be Where You Are
11. Girl You're So Together
12. We're Almost There
13. Wings of My Love
14. Girl Don't Take Your Love From Me
15. Music and Me
16. Ain't No Sunshine

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE