29/08/2009

Matéria do Jornal da Tarde sobre podcasts destaca o poeiraCast, da poeira Zine


Por Ricardo Seelig
Colecionador

O Jornal da Tarde publicou uma interessante matéria sobre os podcasts. Escrita pelo jornalista Marco Bezzi, ex-Zero e Bizz, o texto fala que muitos dos programas nascidos na web estão migrando para rádios convencionais e até mesmo para a grade de programação de algumas emissores de televisão.

Mas o mais legal de tudo é o enorme destaque, com direito inclusive à foto gigante, dado ao poeiraCast, o podcast da revista poeira Zine, onde Bento Araújo, Ricardo Alpendre, Sérgio Alpendre e José Damiano discutem, em altíssimo astral, sobre a nossa grande paixão: a música.

Para ouvir todos os poeiraCasts já gravados, clique aqui.

Para baixar o arquivo de texto original, clique aqui.

E, para ficar melhor, só faltou comentarem sobre o podcast da Collector´s Room, não é mesmo?





Minha Coleção: André Miranda - "A minha coleção só chegará ao fim quando eu não estiver mais aqui!"


Por Daniel Sicchierolli
Colecionador

Quantos pessoas que curtiam rock na escola continuam gostando? Quantos desses amigos tem coleção? Quantos desse levam o amor pela música e a paixão pelos discos tão a sério quanto você que está lendo isso?

Pois é, apresento à vocês o meu amigo da escola com quem trocava gravações e informações sobre música e que continua sofrendo do mesmo "mal" que eu (nós). Para piorar, ele ainda se aventura pelo mundo em busca de bons shows e momentos que fazem a vida mais emocionante. Como complemento da entrevista, sugiro ainda que assistam ao vídeo em que o André, feito criança no Natal, encontra o Kiss, e se coloque no lugar dele encontrando seu maior ídolo. Simplesmente fantástico!

Vamos à entrevista com o Dr André Miranda! E no próximo show, vê se lembra de convidar os amigos (risos).

Para começar muito obrigado por ter aceitado o convite para participar da Collector´s Room. Apresente-se aos leitores e já nos conte qual o seu estilo e artista preferido.

Em primeiro lugar é um prazer imenso participar da Collector’s Room, que acompanho desde o início, quando ainda era uma coluna do site Whiplash!. Bom, vamos lá: o meu nome é André Henrique Miranda, tenho 33 anos, moro em São Paulo e sou médico. O meu estilo preferido é o hard rock, mas sou bastante eclético dentro do rock/metal e gosto desde o AOR (Adult Oriented Rock) até algumas bandas de metal extremo, e a minha banda de cabeceira é o Kiss.

Você se lembra como foi o seu primeiro contato com a música, como você descobriu e se apaixonou pelo rock em geral? Aproveite e nos conte como você migrou para o hard rock e o heavy metal. Cite o primeiro disco e o famoso marco inicial da sua coleção.

Lógico que me lembro, e a culpa foi toda do Van Halen e do clipe da música "Jump" (risos). Mas nesta época eu estava conhecendo estilos e bandas, então tudo era novidade e, consequentemente, achava muita coisa bacana na pop music também. Após esse primeiro contato com Eddie Van Halen e companhia e a passagem por outros estilos, o hard rock entrou com tudo na minha vida em 1985 através do Scorpions, que lançava o duplo ao vivo World Wide Live. São aquelas coisas inexplicáveis, e acabou mudando todo o meu conceito em relação à música. A partir desse disco, que foi o marco inicial da minha coleção, eu já não me contentava em apenas escutar o disco, eu precisava tê-lo, ficava vendo as fotos da capa e contracapa dos LPs, as letras das músicas (e não entendia coisa alguma !! risos), enfim, o vírus tinha me infectado !! 


Além do início, conte-nos como foi a transição de um ouvinte tradicional para aquele ponto ou sensação de "putz, quero todos os discos dessa banda", e nos diga quando caiu a ficha e você percebeu que estava se tornando um colecionador?

Puxa, acho que foi uma coisa meio natural, pois desde o início eu me interessava pelos detalhes adicionais dos álbuns, como letras, produtores e afins. Acho que nunca fui um ouvinte tradicional!! (risos). E no meio dos anos 80 não existia essa facilidade da internet, era algo meio surreal! Buscava informações com amigos, programas de rádio como Comando Metal e Backstage, e em revistas como a Metal, Rock Brigade e as importadas, como Hit Parader, Metal Edge, Circus e Kerrang!. Era uma época romântica para dizer a verdade! Eu percebi que estava me tornando um colecionador quando comecei a ir atrás de singles da minha banda de cabeceira- o Kiss- ainda na época do vinil, e quando os meus LPs e posteriormente os CDs se tornaram verdadeiros tesouros; não emprestava para ninguém e eles mal saíam de casa!!

Discografia do Kiss

Quantos álbuns você possui? Como é formada a sua coleção?

Eu possuo 2.100 CDs catalogados em um programa do Excel; 86 LPs, já contando os novos lançamentos em vinil; e 285 DVDs musicais. Também tenho alguns cassetes e action figures do Kiss.

Dentre os que você citou acima, quantos são do Kiss (ou afins) e quantos de hard rock em geral? Que outro estilo te agrada e que outros grupos você possui bastante material?

Eu tenho 356 itens do Kiss, entre CDs, DVDs, LPs e cassetes, fora outros itens que não levo em conta, como as action figures, as revistas envolvendo a banda, as pastas de reportagem, palhetas, baquetas e tour books. Deve ter em volta de 1.500 CDs de hard rock, logicamente incluindo os do Kiss. Outros dois estilos que gosto bastante são o AOR e o southern rock. Tenho muito material também do vocalista norte-americano Jeff Scott Soto e seus incontáveis projetos e da banda de hard rock Crown of Thorns.

Mas sempre estou procurando completar a discografia básica oficial de bandas que eu gosto! Atualmente estou começando a ir atrás de material, como singles e bootlegs, do Motley Crue. O vício não acaba jamais, pois a fonte não esgota.

Discografia do Crown of Thorns

Discos de Jean Beauvoir

Acredito que a sua coleção é uma das mais completas do Brasil em relação ao hard rock. Conta pra gente como foi a sua trajetória dentro do estilo.

Inicialmente eu gostava de um hard mais acessível, ou seja, tinha que ter refrão marcante para eu gostar (risos), então bandas como Bon Jovi, Def Leppard, Kiss, Scorpions, Motley Crue, Van Halen, Whitesnake, W.A.S.P., Twisted Sister, Europe, entre outras, constituíam a minha discografia básica. Procurando sempre conhecer mais, fui adicionando outras bandas do então emergente mercado norte-americano, e dá-lhe White Lion, Ratt, Dokken, Danger Danger, Tyketto, Saigon Kick, Firehouse, Slaughter, Skid Row, entre outras.

No meio dos anos noventa comecei a conhecer o hard rock europeu, mais encorpado, e fui atrás do Talisman, Fair Warning, Treat, Ten, FM e muitas outras. Por fim vieram novas aquisições, como o maravilhoso Gotthard, o estupendo H.E.A.T., o The Poodles (bandas que já vi no Sweden Rock Festival).

Só queria abrir um parêntese para duas bandas muito especiais em minha coleção: o Harem Scarem e o Crown of Thorns. O Harem Scarem é uma banda canadense que iniciou a sua carreira no fim da década de 80 e tem dois discos perfeitos em sua discografia: o primeiro (e auto-intitulado) e o segundo, chamado Mood Swings (o predileto para mim). Já o Crown of Thorns, banda de Jean Beauvoir, ex-baixista do The Plasmatics (da carismática Wendy O. Williams), é caso de amor platônico! Acho a discografia do grupo simplesmente fenomenal, mas destacaria três obras-primas: o primeiro e auto-intitulado, o Lost Cathedral de 1998 e o Destiny Unknown de 2000. Vale a pena conferir essa banda!

E o aprendizado não acaba jamais. Acabei de conhecer a banda de hard rock antiga e aposentada de Bobby Barth (atualmente no Blackfoot), o Axe. Que banda maravilhosa! 


Alguns grupos costumam lançar muitos singles, diferentes versões, além de diversos CDs caça-níqueis. Estes itens costumam ser muito desejados entre os fãs. Você possui todas as versões ou se contenta apenas com uma? Se for só uma, qual versão você escolhe?

Bom, quando o assunto é o Kiss quase sempre vou atrás de versões diferentes, desde que as mesmas tenham algum diferencial. Geralmente vou atrás dos singles, promos, EPs e, de uns tempos para cá, as versões duplas ou muitas vezes triplas que têm saído de um mesmo CD. Por exemplo, aquele CD de covers produzido pelo Kiss – Kiss My Ass, de 1994 - saiu com a bandeira de alguns países em seus respectivos lançamentos nos próprios. Então eu tenho todas as versões: com a bandeira americana, canadense, japonesa e australiana!

Também vou atrás de tudo que é lançado pelo Crown of Thorns, do vocalista Jean Beauvoir, antigo baixista do The Plasmatics e responsável pela música "Feel the Heat", grande sucesso de sua carreira solo nos anos 80 e pertencente à trilha sonora do filme Stallone Cobra. Eu tenho praticamente tudo o que foi lançado pela banda e da carreira solo do Jean Beauvoir. E por fim também coleciono singles da banda suíça Gotthard. 


Qual item você considera o mais valioso da sua coleção?

Financeiramente são três: o Kiss Chikara, uma coletânea extremamente rara que só saiu no Japão em 1988; um promo no mínimo curioso também japonês, o Kiss My Ass/Double Platinum, atualmente muito raro e que chega à casa de U$ 300 quando aparece no Ebay; e por fim outro promo chamado Kiss Alive: The Trilogy, também extremamente raro e caro!

Os itens mais raros da coleção

Qual foi o maior número de álbuns que você comprou de uma única vez?

Puxa Daniel, uma viagem valeria por uma única vez (risos)? Se a resposta for positiva, então foram nas duas viagens para o Sweden Rock Festival: em 2008 foram 51 CDs e 6 DVDs, e em 2009 foram 53 CDs e 10 DVDs! 


Quantos álbuns em média você compra por mês?

Na média de 10 a 15 CDs e por volta de 5 DVDs. Boa média, não? (risos)

Onde você costuma comprar seus itens? Se algum colecionador for viajar, que lugar você indica para comprar discos?

Eu costumo comprar os meus itens na Galeria do Rock, mais especificamente na Animal Records do meu grande amigo Carlão Chiaroni, e na internet, mais comumente no eBay e na Amazon. Olha, eu sou muito sincero, não existe lugar no mundo igual à nossa Galeria do Rock! Se fosse nos anos noventa eu até falaria a Tower Records, a HMV e mais recentemente a Virgin, mas algumas já faliram e outras não chegam aos pés das lojas da Galeria.

Já no Sweden Rock a coisa é um pouco diferente, pois há um mercado todo voltado para o festival. Então, são vários vendedores e várias lojas vendendo lançamentos, raridades, bootlegs, LPs e muitas ofertas para cativar o pessoal que frequenta o festival. Eu indicaria as lojas e bancas do Sweden Rock Festival. 


Tem algum item que, só de alguém chegar perto, você já gela e morre de ciúmes, tem um carinho especial e não venderia de jeito nenhum?

Acho que todos os meus itens, desde o CD nacional mais barato que eu tenha até o item mais caro que eu tenha conseguido. Mas, se tiver que destacar, falaria que são os meus singles e promos do Kiss.

Entre tudo o que você possui, quais foram os itens que deram mais trabalho para conseguir?

Alguns itens continuam sendo muito difíceis para se encontrar, principalmente relacionados ao Kiss, como o single da música "Within’" do álbum Psycho Circus, pois só existem 12 cópias desse single no mundo. Dentre os que consegui, os mais difíceis foram duas fitas-cassete: uma chamada Universal Presents Gimme Kiss, um lançamento oficial de 1990 somente em cassete com menos de 800 cópias no mundo; e outra chamada Killers Kuts from Revenge, um item promocional para rádios para divulgação do então novo lançamento do Kiss, o álbum Revenge.

Além destas, alguns itens bastante obscuros foram o CD oficial de mais um lançamento promocional, o First Kiss Last Licks, que apresentava como novidade versões remixadas para Nowhere to Run e Partners in Crime (ambas originalmente lançadas no Kiss Killers de 1981) e versões demo para Deuce e Strutter, que seriam posteriormente relançadas no single da música Unholy de 1992. Por fim, os singles de 3’ do Kiss foram bastante trabalhosos e alguns bastante custosos para se conseguir. Felizmente tenho todos os que existem no mercado. 


Uma coleção tão ampla certamente possui diversos itens curiosos. Neste sentido, eu gostaria de saber qual é o item mais estranho da sua coleção.

Com certeza os itens mais estranhos que tenho são um perfume do Kiss adquirido em Los Angeles no dia do seu lançamento, uma gravata do Kiss e um Peter Criss de pelúcia, não pela raridade e sim por fugir um pouco do foco que tenho em minha coleção, que é baseada em CDs e DVDs.

A sua coleção tem um limite? Você acha que, algum dia, vai parar de comprar discos porque acha que, enfim, tem tudo o que sempre quis ter? Você acha que esse dia chegará, ou ele não existe para um colecionador?

Daniel, tenho certeza de que não existe limite para um colecionador. Sempre vai haver um novo item raro, um relançamento ou algo que a gente nem sabia que existia. Até hoje me surpreendo com o tanto de itens "novos" relacionados ao Kiss que pintam no mercado. A minha coleção chegará ao fim quando eu não estiver mais aqui! Acho que é o melhor vício que uma pessoa pode ter (risos).

Já parou para pensar com quem os seus discos ficarão quando você estiver mais velho? Quem será o herdeiro da sua coleção no seu futuro?

Provavelmente para os meus filhos (a primeira está a caminho!) ou para alguém que eu saiba que vai cuidar com o mesmo carinho que eu tive por todos os itens por todos esses anos.

Como a sua família lida com essa quantidade de CDs?

Eu tenho um verdadeiro anjo ao meu lado. A minha esposa sempre me apoiou em tudo relacionado à música. Ela mesma diz: "Casei sabendo né?" (risos). Inclusive faz questão de participar de alguns eventos especiais, por exemplo, o show do Paul Stanley em Las Vegas e o show do Kiss em abril deste ano aqui em São Paulo (foi o primeiro show com a minha filhinha na barriga dela!).

Alguns tour books

Você possui algum acervo de bootlegs? O que acha disso? Bootlegs são repletos de curiosidades, versões alternativas e raras. Seguindo este raciocínio, quais bootlegs de sua coleção você destacaria?

Sim, eu possuo um acervo de bootlegs mais direcionado para o Kiss e alguns itens de outras bandas, como o Iron Maiden e o Dream Theater, por exemplo. Acredito que os bootlegs interessantes são aqueles que possuem o algo a mais, como o Dream Theater faz hoje em dia soltando os Official Bootlegs através da Ytse Jam Records, daqueles shows especiais que a banda fez tocando algum álbum de outro grupo na íntegra, como já foi feito com o The Number of the Beast do Maiden e o Master of Puppets do Metallica.

Também me interesso muito pelos bootlegs de demos justamente pelas versões alternativas para muitas músicas que constam nos discos e outras que, muitas vezes, não entraram no CD e que geram aquela dúvida: Por que esta música não está no disco? (risos). Em relação ao Kiss dá para montar um CD clássico só com músicas que não entraram nos discos e que constam nesses CDs de demos!

Da minha coleção, eu destacaria o Monsters of Rock de 1988 (Crazy Nights Tour), com um som perfeito da mesa; e outro chamado Die Hard (acústico), gravado durante a Kiss Conventions Worldwide Tour, com versões interessantíssimas para músicas esquecidas na época, como "Charisma", "Take Me", "Strange Ways" e "Let’s Put the X in Sex".

Eu te conheço há bastante tempo, certo, e sabemos que todo colecionador tem as suas manias. Alguns mais, outros menos, mas todos tem as suas. Como você guarda e conserva os seus CDs? Lembro que antigamente você não emprestava CDs e mal abria os encartes. Você continua assim?

Realmente você me conhece mesmo, Daniel (risos)! Em relação a emprestar CDs e DVDs eu continuo praticamente o mesmo: não empresto, mas gravo com o maior prazer qualquer item que uma pessoa queira. Essa dos encartes você desenterrou, né? Eu já mudei bastante e manuseio os encartes (obviamente com muito cuidado) para conferir as letras, as fotos da banda e qualquer outra informação que possa ser pertinente – essa você me entregou (risos)! Eu não tenho muita neura para guardar os meus CDs e DVDs, logicamente tomando os cuidados básicos de se evitar sol e umidade. Mandei fazer um armário que comporta 5.000 CDs e estou enchendo aos pouquinhos!

Tour book Alive ´35 autografado pela banda

Os raros singles de 3"

Eu gostaria que você fizesse agora um top#5 com os itens do seu acervo que você mais curte.

1. Singles 3’ do Kiss, em especial o da música "Hide Your Heart", por haver apenas 1.000 cópias no mundo;
2. CD First Kiss Last Licks, um item bastante cobiçado pelos fãs;
3. Fitas-cassete Universal Presents Gimme Kiss e Killers Kuts From Revenge, por serem extremamente raras no mercado;
4. Tour book e pôster oficial Alive’35 autografados pelos quatro membros da banda no Meet & Greet na Dinamarca;
5. Singles e Promos do Kiss, com destaque para o single alemão de Let’s Put the X in Sex (autografado pelo Bruce Kulick) e de New York Groove, que entrava como bônus para quem fizesse o pre-order do então lançamento You Wanted the Best, You Got the Best somente nas lojas da Blockbuster americanas.


Todo colecionador tem as suas listinhas. É a tal síndrome de Alta Fidelidade. Quais são, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Antes de qualquer coisa, só gostaria de lembrar que essa lista muda diariamente e não está necessariamente na ordem. Vamos lá:

1. Kiss – Rock N’Roll Over
2. Van Halen – Van Halen
3. AC/DC – Back in Black
4. Rush – Moving Pictures
5. Scorpions – Love at First Sting
6. Motley Crue – Shout at the Devil
7. Bad Company – Bad Co.
8. Queensryche – Operation Mindcrime
9. Judas Priest – Painkiller
10. Iron Maiden – Somewhere in Time


O que você achou do CD solo do Paul Stanley, Live to Win, e DVD One Live Kiss?

Definindo com uma palavra: fabulosos! Em relação ao DVD, toda vez que assisto eu literalmente choro, porque este me traz maravilhosas recordações de uma das loucuras que fiz em nome do rock: eu assisti, em Las Vegas, ao último show da parte norte-americana da turnê Live to Win encostado no palco! Foi uma emoção do início ao fim, e escutar algumas músicas obscuras da carreira do Kiss, como "A Million to One" e "Magic Touch", além de clássicos que não são mais tocados pela banda, como "Hide Your Heart", "I Want You" e "I Still Love You" e, obviamente, as músicas solo do Paul, tanto de seu primeiro trabalho de 1978 como do Live To Win, me fizeram ir às lágrimas por diversas vezes durante o show.

O que você está ouvindo ultimamente e destacaria para as pessoas?

Eu destacaria uma nova banda sueca de hard rock chamada H.E.A.T. e que tem um som bem semelhante ao que o Europe fazia nos anos oitenta; os norte-americanos do Coheed & Cambria, que tem um som mais intricado e não respeitam muito um estilo específico; o último lançamento do Dream Theater, Black Clouds & Silver Linings, que realmente me surpreendeu; e muito southern rock com o Lynyrd Skynyrd, que está prestes a lançar um novo álbum.

O Kiss, obviamente, nunca sai do meu CD Player, ainda mais agora que mais um novo lançamento se aproxima – Sonic Boom – em outubro deste ano!

Certamente, no meio de todo este acervo, devem existir alguns itens que você olha e pensa "nossa, porque eu comprei este disco". Então, vamos lá: qual é o item mais estranho da sua coleção, e também que álbum as pessoas ficariam surpresas em saber que você possui?

Com certeza os mais estranhos são alguns CDs de new age, como Jean Michel Jarre, Yanni e Vangelis, que acabei deixando na casa dos meus pais quando casei e até hoje estão lá, mas continuam sendo meus (risos). E acho que as pessoas ficariam surpresas em saber que coleciono as trilhas-sonoras de espetáculos do Cirque du Soleil. Eu compro apenas os CDs dos espetáculos que fui e, até hoje, fui a seis shows diferentes, um aqui no Brasil (Alegria) e outros cinco no exterior. Pretendo ver todos os espetáculos que estão pelo mundo, acho que ainda consigo.

Singles e promos do Kiss

Qual o item que você tem que é apenas para completar a coleção? Sabe aquele grupo que você gosta de tudo, mas um álbum em especial é ruim, mas você não consegue ficar sem, pois, afinal, é uma coleção?

Posso citar alguns somente de bandas consagradas: Virtual XI do Iron Maiden, Van Halen 3 com o Gary Cherone nos vocais, Carnival of Souls do Kiss, o Generation Swine do Motley Crue e o Tribe do Queensryche, só para citar alguns exemplos. Agora, existem dois em especial que nem para completar a coleção: St. Anger do Metallica e Nostradamus do Judas Priest. Esses são de doer! Somente gostaria de reforçar que, mesmo eu achando esses discos ruins, há músicas muito boas nos mesmos. Só para exemplificar, uma das melhores músicas do Motley Crue, em minha opinião, está no Generation Swine ("Afraid").

Se você tivesse que indicar algumas bandas, e alguns discos, para uma pessoa que nunca teve contato com o rock, o que indicaria?

Vou dividir por estilos, Ok?

Classic Rock: AC/DC (Back in Black), Van Halen (Van Halen I), Kiss (Destroyer) e Scorpions (Love at First Sting).

AOR: Toto (IV), Mark Free (Long Way from Love), Michael Bolton (Everybody’s Crazy) e Survivor (Vital Signs).

Hard Rock: Whitesnake (1987), Motley Crue (Shout at the Devil), Def Leppard (Pyromania) e Queensryche (Operation Mindcrime).

Heavy Metal: Iron Maiden (Piece of Mind), Savatage (Handful of Rain) e Manowar (Kings of Metal).

Thrash Metal: Megadeth (Rust in Peace), Death Angel (Act III), Slayer (Seasons in the Abyss) e Anthrax (Among the Living).

Black Metal: Dimmu Borgir (Death Cult Armaggedon).

Outros: Coheed & Cambria (No World for Tomorrow) e Faith No More(The Real Thing).

O rock já está aí há mais de cinquenta anos, e passou por diversas fases nestes anos todos. Sendo assim, eu gostaria que você indicasse aos nossos leitores os álbuns que você recomenda das décadas de sessenta até hoje.

Década de 60: Qualquer coisa que os Beatles tenham feito!

Década de 70: Destroyer e Rock N’ Roll Over, ambos do Kiss.

Década de 80: Shout at the Devil do Motley Crue, Love at First Sting do Scorpions e Pyromania do Def Leppard.

Década de 90: Images and Words do Dream Theater, Revenge do Kiss, Edge of Forever do Lynyrd Skynyrd e Black Album do Metallica.

Década de 00: Vicious Cycle do Lynyrd Skynyrd e No World for Tomorrow do Coheed & Cambria.

André com o Kiss no Meet & Greet

Nestes anos todos, esta paixão pela música certamente propiciou a você diversas experiências interessantes e curiosas, como contato com os seus ídolos (as suas fotos no orkut são fantásticas!). Antes de falarmos de tudo, você vai ter que nos contar a sensação de encontrar e bater fotos com todos do Kiss. Eu vi o filme e posso te dizer que fiquei arrepiado mesmo com o vídeo. A sua cara tava parecendo uma criança no Natal! Conta aí sua emoção de encontrar os seus grandes ídolos.

Puxa, o dia 03/06/2008 foi inesquecível para mim! Desde o momento em que acordei na Suécia até o final do show do Kiss na Dinamarca. Tudo foi possível graças a um pacote chamado Meet & Greet, que algumas bandas vem disponibilizando para os seus fãs - atualmente o ZZ TOP e o Dream Theater também estão realizando esse tipo de encontro. O preço é absurdamente alto, mas vale muito a pena.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que tudo é muito organizado e o encontro dura cerca de 30 minutos. Quando se adquire esse pacote via internet você recebe vários e-mails antecedendo ao show, explicando como tudo funciona, o que é permitido e o que é proibido, horário de apresentação e tudo mais. No pacote estão inclusas duas fotos oficiais com a banda, tour book autografado, uma foto oficial da banda, uma camiseta exclusiva do encontro e um voucher de U$ 50 para se gastar no site do Kissonline. Realmente eu estava com a sensação de que iria conhecer o Papai Noel (risos)!

Aqueles 20 anos de fanatismo foram passando pelos meus olhos. O inacessível estava prestes a acontecer! As minhas pernas começaram a tremer quando ficamos enfileirados esperando a banda entrar. Quando vi o Gene Simmons montado entrando na sala, o coração disparou! Mas, quando o Paul Stanley entrou, eu pensei: "Vou desmaiar" (risos)! E foi além de qualquer expectativa, pois o Gene é daquele jeito bonachão que ele deixa transparecer em entrevistas, nos seus seriados como o Family Jewels. O Tommy Thayer foi muito solícito, o Eric Singer infelizmente não é um dos sujeitos mais simpáticos do mundo, e o Paul Stanley, apesar de um pouco mais reservado, foi extremamente educado e solícito, tirando fotos extras com todos os presentes e ainda perguntando, ao final do encontro, se todos estavam satisfeitos! Lógico que sim! Você sabe que a ficha só foi cair alguns meses após o evento aqui no Brasil! E ainda participarei de outro Meet & Greet, pode ter certeza!

Agora conta alguma história legal que você viveu por causa do seu envolvimento com a música e suas viagens para ver shows fora do país.

Vou contar uma história aqui do Brasil e uma do exterior: em maio de 2008, o Jimi Jamison (ex-vocalista do Survivor) veio fazer um show no Manifesto Bar cantando os seus sucessos da época do Survivor juntamente com o Jeff Scott Soto, que fez um show em tributo ao Queen. Alguns dias antes do show, o meu grande amigo Carlão Chiaroni da Animal Records me ligou perguntando se eu queria jantar com o Jimi e o Jeff e mais alguns amigos em uma churrascaria. É lógico que aceitei e, para a minha alegria, ele me pediu para ir buscá-lo no flat onde estava hospedado para irmos à churrascaria. Obviamente que aceitei! Ao chegar ao flat, estava todo o pessoal amigo, o Carlão, o Jeff e o Jimi Jamison em um canto. Logo que comecei a cumprimentar os presentes, o Jimi veio todo humilde se apresentar a mim e disse: "Hi, I’m Jimi!". Então, em um ato impulsivo, puxei o bolo de encartes do meu bolso (por volta de 20!) e respondi: "I know!". Então ele cai na gargalhada e retruca: "So you’re a huge fan!". Fora que, no caminho para a churrascaria, ele abaixa o vidro do passageiro do meu carro e começa a cantarolar "Eye of the Tiger" e "Burning Heart" (ambos sucessos do Survivor e presentes na trilha sonora da série Rocky estrelada por Sylvester Stallone). Foi algo surreal!

Já no exterior a patifaria foi muito mais inesperada! Após o Sweden Rock deste ano, fui para Bergen na Noruega com mais dois amigos ver o Motley Crue. Após um show perfeito, fomos descansar para pegarmos o vôo de volta. Sentados no embarque do aeroporto de Bergen, mortos de cansaço e com uma vontade absurda de estar em casa, mal falávamos uns com os outros, os três cabisbaixos quando eu levanto a cabeça e vejo o Vince Neil vindo em nossa direção. Foi um alvoroço total entre nós três, corri para pegar a câmera e registrar esse momento. Chegamos até ele e seu segurança (um armário de 3x3!) e falamos que éramos do Brasil e tudo mais e ele perguntou na lata se queríamos fotos. "Sim", dissemos, e ele nos pediu um minuto que ele já voltava. Pronto, perdemos a chance, era o que passava pelas nossas cabeças. Após cerca de dois minutos, ele volta à sala de embarque diretamente em nossa direção e diz "Let’s take pictures!". Foi simplesmente um momento mágico. É uma das fotos que mais gosto do meu orkut!


Qual o melhor show que você assistiu aqui no Brasil? E fora?

Posso citar três aqui no Brasil e quatro no exterior? Vamos lá então:

No Brasil:
1. Iron Maiden – Somewhere Back in Time Rio de Janeiro 2009 (um set list igual a esse nunca mais!);
2. Kiss – Monsters of Rock 1994 Pacaembu (afinal era a primeira vez que estava vendo a banda do coração!);
3. Rush – Vapor Trails Tour no Morumbi (teste para cardíaco!).

No exterior:

1. Paul Stanley – Live to Win Tour em Las Vegas, novembro de 2006;
2. Kiss – Alive 35 na Dinamarca pelo lance do Meet & Greet com a banda. Foi um dia inesquecível (03/06/2008), eu frente a frente com os meus ídolos!;
3. Lynyrd Skynyrd – God & Guns Tour em maio de 2009 em Londres. Simplesmente indescritível escutar "Sweet Home Alabama" ao vivo!;
4. Motley Crue – Crue Fest na Noruega em junho de 2009. Assistir ao Motley em um lugar fechado e sentado foi algo inesperado!


Algumas perguntas rápidas: Deep Purple ou Black Sabbath?

Black Sabbath.

Ozzy ou Dio?

Ronnie James Dio.

Dickinson ou Dianno?

Bruce Dickinson.

Ace ou Tommy?

Ace Frehley.

Tyketto ou Vaughn?

Tyketto, ainda mais após o show do Sweden Rock Festival deste ano!

Um show ou CD?

Tomara que eu não tenha que escolher jamais entre os dois! Como colecionador, o CD faz parte da minha realização completa, mas tenho que confessar que os shows são essenciais na minha vida! Hoje, talvez um show, mas assim você quebra as minhas pernas, Daniel!

Não sei se você se lembra, mas no colégio chegamos a tocar juntos. Você continua tocando algum instrumento ou abandonou?

Lógico que me lembro! Chegamos a ensaiar a "Forever" do Kiss e a "Knockin’ on Heaven’s Door" do Guns (cover do Bob Dylan). Na época eu "tocava" baixo, mas essa febre só durou pouco mais de um ano. Eu percebi que não tinha o menor jeito para a coisa! Agora se o Guitar Hero contar, posso dizer que continuo na ativa (risos)!

Mais uma vez muito obrigado por ter participado da Collector´s Room e parabéns pela coleção. Este espaço é seu, manda bala e deixa seu recado!

Eu é que tenho de agradecer a oportunidade de participar da Collector’s Room, pois foi realmente um prazer compartilhar com os leitores a minha coleção e as minhas histórias envolvendo o rock que tanto me orgulham. Posso afirmar, com toda a certeza, que foi mais um sonho realizado! Muito obrigado a você Daniel e a todos que, de alguma forma, mantêm viva a chama da paixão pelo rock!


Discoteca Básica Bizz#161: The Flying Burrito Brothers - The Gilded Palace of Sin (1969)


(Celso Pucci, Bizz#161, dezembro de 1998)

Na Los Angeles dos anos 60, o quente era ser hippie e curtir as viagens da efervescente cena psicodélica. Uma de suas expressões máximas era o space rock do grupo The Byrds, capitaneado pelo guitarrista Roger McGuinn. A banda se utilizava de elementos da música folk, mas quase sempre em um contexto lisérgico. Até então, a country music da costa oeste americana era dominada pela caipirice reacionária e com padrões adequados ao gosto do público matuto. Mas um músico uniu esses dois universos, concebendo a gênese do country rock. Seu nome: Gram Parsons.

Filho de uma família abastada da Flórida, Parsons chegou à Califórnia para cursar a universidade de Harvard, mas abandonou os estudos para se dedicar integralmente à sua International Submarine Band, na verdade o primeiro grupo de cabeludos a tocar no circuito de country tradicional. Esta postura inusitada atraiu a atenção do instrumentista Chris Hillman, integrante do já afamado The Byrds. Hillman convenceu McGuinn a incluir Parsons na banda.

Com ele, o grupo registrou em 1968 o álbum Sweetheart of the Rodeo, o primeiro grande marco do country rock. Mas, por causa de divergências internas, Parsons largou os Byrds, seguido por Hillman. Juntos, formaram os Flying Burrito Brothers, ao lado de Chris Ethridge (baixo) e "Sneeky" Pete Kleinow (pedal steel guitar). A proposta era fazer um "country cósmico", em que o estilo caipira ancestral americano se fundisse com os mais diversos gêneros musicais. Objetivo atingido em The Gilded Palace of Sin.

O disco traduzia o country rock tradicional para o idioma do rock nas parcerias de Parsons com Hillman ("Christine’s Tune", "Sin City", "Wheels") e Ethridge ("Hot Burrito #1 & #2"), além de reler, ao melhor sabor do estilo, pérolas do soul (na versão do hit de Aretha Franklin, "Do Right Woman - Do Right Man"), do rhythm’n’blues ("The Dark End of the Street", sucesso de James Carr), terminando com uma faixa gospel ("Hippie Boy").

Depois desse disco, Gram parou de se dedicar ao grupo. Afinal, na época ele consumou uma aproximação com os Rolling Stones - "Wild Horses" e outros hits do grupo inglês da época tiveram uma mãozinha do guitarrista.

Parsons ainda gravou mais dois álbuns solo (GP e Grevious Angel), antes de morrer de overdose em 1973, aos 26 anos. Hillman continuou com a banda, convocando outros músicos, mas nunca com a mesma inspiração. Os Burritos jamais voariam tão alto.


Faixas:
A1 Christine's Tune 3:02
A2 Sin City 4:10
A3 Do Right Woman 3:56
A4 Dark End of the Street 3:55
A5 My Uncle 2:36

B1 Wheels 3:02
B2 Juanita 2:28
B3 Hot Burrito #1 3:37
B4 Hot Burrito #2 3:15
B5 Do You Know How It Feels 2:06
B6 Hippie Boy 4:55


28/08/2009

Discoteca Básica Bizz#160: Legião Urbana - Legião Urbana (1985)


(Teresa Albuquerque, Bizz#160, novembro de 1998)

Renato Russo gostava de dizer que a Legião era uma banda folk que trabalhava com o rock e era percebida como pop. Mas o começo não foi bem assim. No início da história está o punk.

Foi de um grupo punk, o Aborto Elétrico - formado em 1978 por Renato, o baterista Fê Lemos e o guitarrista André Pretorius -, que saiu parte do repertório inicial da Legião. Foi da revolta "no future" (sem futuro, brado de Johnny Rotten, do grupo Sex Pistols, no hino punk "God Save the Queen" ) que surgiram as primeiras letras do maior compositor do rock brasileiro.

Gravado em 1984 nos estúdios da EMI Odeon, Legião Urbana, o disco de estreia, foi lançado em 1º de janeiro de 1985, duas semanas antes do Rock in Rio. No festival, despontavam Paralamas, Blitz e Barão Vermelho. Mas nenhuma dessas bandas tinha Renato Russo. Voz firme, ele abria o disco com versos furiosos: "Tire suas mãos de mim / Eu não pertenço a você". Era o espírito dos tempos. "Será" foi uma das músicas mais tocadas de 1985. Por causa dela, Renato Russo, Marcelo Bonfá, Dado Villa-Lobos e Renato Rocha saíram de Brasília para o Rio e começaram a tocar de quinta a domingo, em Curitiba, Porto Alegre e São Paulo.

Eles sabiam de cor a história dos Sex Pistols, vinham da turma da Colina, formada por punks brasilienses, e acreditavam mesmo que poderiam mudar o mundo. Nas entrevistas, Renato falava dos livros que lia, achando que assim conscientizaria algumas pessoas. Falando de ética, amor e perdão (foi assim até o final), ele fez do primeiro álbum um disco de protesto.

Três faixas viraram clássicos do rock nacional: "Será" (cantada até por Simone e Raça Negra), "Geração Coca-Cola" e "Ainda é Cedo" (gravada por Marina Lima e Nelson Gonçalves). "Geração Coca-Cola" é do tempo do Aborto Elétrico, punk básico. Renato colocou as vozes em duas únicas passagens.

A incerteza diante do futuro estava em quase todas as faixas. "Vivendo num planeta perdido como nós / Quem sabe ainda estamos a salvo", divagava "Perdidos no Espaço". "A Dança" é a única com a assinatura e arranjo do baixista Renato Rocha, o Negrete. "O Reggae" é a historinha do disco (muitas outras viriam - segundo Dado, a Legião Urbana era "um violão e vou contar uma historinha para vocês").

O discurso muda na romântica "Por Enquanto", última faixa. No lugar das guitarras, sintetizadores. De volta para casa, Renato já não queria cuspir em ninguém.


Faixas:
A1 Será 2:30
A2 A Dança 4:02
A3 Petróleo do Futuro 3:02
A4 Ainda É Cedo 3:56
A5 Perdidos no Espaço 2:57
A6 Geração Coca-Cola 2:22

B1 O Reggae 3:34
B2 Baader-Meinhof Blues 3:27
B3 Soldados 4:50
B4 Teorema 3:07
B5 Por Enquanto 3:14



27/08/2009

Castiga!: o primeiro, único e belo disco do Titus Groan


Por Marco Antonio Gonçalves
Colecionador

A capa com ilustração horripilante pode até causar um calafrio dos diabos, mas a música que sai dos sulcos é uma maravilha só. Lançado originalmente em outubro de 1970 pela Dawn Records, o álbum do Titus Groan é dessas obscuridades musicais que fazem com que este bolha sinistro continue vagando pelos sebos em busca de raridades discográficas perdidas no tempo. Ostentando um nome estranho retirado da literatura gótica (é o título do primeiro livro da trilogia de Gormenghast, de Mervyn Peake, publicado em 1946), este misterioso grupo do Reino Unido durou menos de um ano, tempo suficiente para produzir este único e excelente registro.

Em apenas cinco faixas o quarteto mostra toda a sua criatividade e ousadia nas instrumentações. Composições alucinantes tocadas de forma magistral pelos músicos Stuart Cowell (guitarra, teclados e vocais), Tony Priestland (sax, flauta, oboé e sopros em geral), John Lee (baixo) e Jim Toomey (bateria e percussão). O som denota certa aura medieval, agregando elementos do folk, rock progressivo, hard rock e jazz rock. Nada menos que intrincadas maquinações sonoras dissolvidas em arranjos envolventes e melodias apuradas, criando momentos de puro deleite musical.

Temas como as estilosas "It Wasn’t For You" e "I Can’t Change", ou ainda a magnífica suíte "Hall of Bright Carvings" (título do primeiro capítulo do livro que batizou a banda), indicam uma irrefutável afinidade sonora com grupos britânicos de mesma linhagem como Jethro Tull, Caravan, Colosseum, Traffic ou East of Eden. O entrosamento e a inventividade dos músicos envolvidos impressionam. É notável a interação entre os fraseados de guitarra e os instrumentos de sopro, sem falar no audacioso trabalho percussivo e nas sutis passagens de órgão com texturas medievais.

Outra faixa indispensável é a agradável "It´s All Up With Us", com linha melódica e sonoridade mais acessíveis do que nas outras composições, muito por conta da levada mais pop e da bela harmonização vocal da trupe. No contexto geral, uma sonzeira esquecida no tempo e entregue aos garimpeiros do universo bolha, colecionadores de raridades vinílicas e alienígenas de internet atentos a downloads empoeirados.

Capa do livro de Mervyn Peake, o primeiro da trilogia de Gormenghast

Logo após o lançamento do disco – e em meio a críticas elogiosas da imprensa britânica – a gravadora Dawn promoveu um giro do Titus Groan pela Inglaterra com a participação de outros grupos do seu cast, os não menos obscuros Demon Fuzz, Comus e Heron. Tenebrosamente, a tour foi um fracasso colossal e menos de um ano após a sua fundação a banda encerrou as atividades. Seus integrantes simplesmente desapareceram do mapa musical, mas ao menos deixaram esta raridade pelo caminho.

Quando em 2000 a Get Back relançou esta pérola perdida, não hesitei e adquiri uma cópia em vinil 180 gramas, prensagem italiana, capa dupla e com três faixas bônus: uma versão de "Open the Door, Homer" de Bob Dylan, a belíssima "Woman of the World" e
el grude sônico para estalar los dedos chamado "Liverpool". Estas três músicas foram soltas em um maxi-single pela Dawn em 1970, poucos dias antes do lançamento do álbum homônimo da banda. Vale lembrar que nenhuma delas foi incluída no play original. Taí um clássico empoeirado absoluto. E agora, aditivado.


Mega coleção de Jimi Hendrix à venda no eBay


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Uma imensa coleção de itens do guitarrista Jimi Hendrix está sendo vendida no eBay. São 847 LPs, 93 CDs, 12 singles de 45 RPMs, 10 DVDs, e mais livros, revistas e catálogos sobre a obra do artista.

Segundo o vendedor, estão na coleção todos os discos lançados por Hendrix, principalmente os do período com o Experience. Os discos referem-se às primeiras edições americanas dos LPs, o que torna a coleção ainda mais atraente, repleta de itens raríssimos de serem encontrados em boas condições hoje em dia.

Outro detalhe de cair o queixo: a maioria dos LPs está lacrada, e mesmo os que estão abertos encontram-se em perfeito estado de conservação! Ou seja, são itens fora de catálogo a um bom tempo, e em estado de novos!


Você pode ver o post original do eBay aqui, com a lista de todos os itens que compõe a coleção.

Para os interessados, a coleção está saindo por US$ 33.333,33 dólares, ou seja, incluindo o custo de envio para o Brasil (mais 1.600 dólares), tudo sairia por cerca de 70 mil reais, fora os impostos! Sinceramente, se eu tivesse grana sobrando, se tivesse ganhado na Mega Sena, compraria sem medo e remorso!

P.S.: obrigado ao amigo e colecionador Marcello Teive, de Florianópolis, pela dica!