12 de nov de 2009

Nick Lera estreia clipe para "Gata Desvairada", faixa de seu primeiro disco

quinta-feira, novembro 12, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
A banda Nick Lera, de Espumoso (RS), acaba de gravar um clipe para a faixa "Gata Desvairada", presente em seu primeiro álbum, lançado em 2009.

A Nick Lera é formada pelos irmãos Rafael (vocal e baixo) e Mateus Spada (bateria), e pelo guitarrista Fernando KB Lera (guitarra). O som do trio é um rock clássico, com influência de ícones do rock inglês dos anos sessenta, como Beatles e Rolling Stones.

Assista o clipe abaixo:


Cassiano e a soul music brasileira

quinta-feira, novembro 12, 2009

Por Sérgio Martins
Colecionador e Jornalista
(matéria publicada originalmente no site da revista VEJA)

No começo dos anos 70, uma trupe de cantores negros brasileiros que adoravam a música dos cantores negros americanos chacoalhou o show biz nacional. Eles ostentavam enormes cabeleiras black power e recheavam suas letras de palavras como "beibé" ou "bróder", que roubavam do inglês e aportuguesavam.

Por outro lado, nunca deixaram de incluir em suas composições elementos como uma boa cuíca ou uma levada de baião. Desse cruzamento, nasceu uma soul music brasileira, de inegável qualidade. Em pouco tempo, porém, o gênero se viu espremido entre a MPB conservadora e a novidade do tropicalismo. Alguns o hostilizaram. Outros o vampirizaram, sem que seus artistas recebessem o devido crédito.

Quase trinta anos depois, está chegando às lojas o principal testemunho do brilho da soul music nacional. O disco se chama Coleção e reúne catorze criações do cantor e compositor Cassiano, maior expoente dessa tendência musical, ao lado de Tim Maia e da Banda Black Rio.

Três discos, que estão fora de catálogo há vinte anos, serviram de matéria-prima para o CD, compilado pelo cantor Ed Motta. Desprezados pelas gravadoras que os lançaram anteriormente, eles são disputados a tapa em sebos. Cassiano pertence à classe dos "penitentes do espírito" – expressão cunhada pelo crítico americano Bill Flanagan para definir os artistas que criam pérolas de suas experiências pessoais, sem nenhuma mediação. A canção "A Lua e Eu", por exemplo, foi composta em 1973 depois de uma tremenda fossa causada pelo fim de um casamento.

Outros clássicos do músico são "Primavera" e "Eu Amo Você", dois dos maiores sucessos da carreira do cantor Tim Maia. Eles se conheceram nos anos 60, quando tentavam arranjar emprego numa agência especializada em exportar shows de mulatas. Até a morte de Tim, em 1998, a amizade teve altos e baixos. Tim respeitava Cassiano a ponto de se recusar a cantar na frente dele – tinha medo de falhar e ser corrigido. Por outro lado, passou a perna no amigo em algumas ocasiões. Vários de seus discos têm a participação de Cassiano, que não ganhava nada por isso. "O Tim dizia que eu não me vendia por dinheiro e aproveitava para não me pagar", lembra o músico.

Cassiano atingiu seu auge em meados dos anos 70, quando "A Lua e Eu" foi incluída na trilha sonora da novela
O Grito, da Rede Globo. Na época, o programa Fantástico, da mesma emissora, dedicou-lhe um clipe, em que ele aparece como uma espécie de Marvin Gaye tropical, desfilando de terno branco na orla carioca. No fim da década, começou a decadência. Logo depois de ser dispensado de sua última gravadora, a PolyGram, em 1979, o compositor contraiu tuberculose e perdeu parte do pulmão.

Hoje, mora num modesto apartamento no bairro carioca do Flamengo e vive dos direitos autorais de suas canções. Para sua sorte, nunca se gravou tanto Cassiano. O grupo de pagode Pixote recriou o hit "A Lua e Eu" e a cantora Ivete Sangalo vai incluir a música "Postal" em seu próximo CD.

Ele sonha com uma volta aos discos, mesmo sabendo que é difícil competir com a banalidade do pagode e da axé music. "A soul music é muito sofisticada para os dias de hoje", diz.

Rolando Rock, o novo site de Rolando Castello Jr

quinta-feira, novembro 12, 2009

(press release)

Celso Barbieri, seguindo sua proposta de ajudar a resgatar a história do rock brasileiro, aceitou o convite do grande baterista Rolando Castello Junior, um dos ícones da rock brasilis, criando para o mesmo um website rico e detalhado, repleto de informação e fotos raras.

O site foi resultado de um trabalho exaustivo de coleta de dados e certamente será fonte de referência obrigatória para os músicos brasileiros.

Adicione aos favoritos: http://www.rolandorock.com/

"
Acredito que este website é sem dúvida um dos mais sofisticados já feitos para um músico brasileiro e é baseado em um CMS (Content Management System), usado por milhares de profissionais pelo mundo afora. Sinto-me orgulhoso e privilegiado de ter participado desta parceria criativa com o Rolando, um dos fundadores da legendária banda Patrulha do Espaço", disse Barbieri.


11 de nov de 2009

Discos Fundamentais: Di Melo - Di Melo (1975)

quarta-feira, novembro 11, 2009

(texto retirado do blog Groove Livre)

Não é de hoje que Pernambuco colabora com a qualidade da música brasileira. Em 1975, Di Melo lançava seu disco mostrando para o Brasil que o swing não ficava só no eixo Rio – São Paulo. Seguidor de Tim Maia e contemporâneo de Cassiano e Hyldon, só não ganhou mais destaque porque naquela época só a música de protesto tinha espaço. Curioso como hoje música de protesto é considerada música de bandido, mas isso é outro assunto.

Di Melo se tornou um álbum conhecido graças aos DJ, que ficavam com os dedos grossos nos sebos em busca de raridade. O disco abre pegando pesado na balada. "Kilariô" vem cheia de balanço e com baixo e metais destruindo tudo. "A Vida em Seus Métodos diz Calma" é um de seus hits, swing com uma letra que mistura humor e crítica ao desespero. Aliás, a crítica existia muito na música de Di Melo, mas não ficava só no discurso "caminhando e cantando", falava dos problemas do ser humano comum. Mas ele não era filho de sociólogo e não fazia parte da máfia do dendê.

De volta ao chiado do vinil, "Aceito Tudo" é o desabafo de quem chega na cidade grande, isso nos anos 70. Sob a influência do tango vem "Conformópolis", com uma letra poderosa de Waldir Wanderley da Fonseca. Em "Má-lida", Di Melo diminui o ritmo mas não a lamentação. A faixa lembra muito o que seus conterrâneos faziam naquela época. "Sementes" é a mais tango de todas.

Entra "Pernalonga" e o pernambucano volta ao groove – ainda bem. "Minha Estrela" lembra um pouco a levada de "Kilariô". "Se o Mundo Acabasse em Mel": só pelo titulo já vale! De quebra é uma canção repleta de frases fortes, como "
entrou em choque publicitário" – nada mais atual.

"Alma Gêmea" é aquele momento de lamentação e solidão, assim como o sambinha "João". O disco fecha com "Indecisão". "Tudo isso é pra quem pode / nunca foi, nunca é pra quem quer / tem gente que nasce pra ter / e tem gente que vem pra cantar", diz a letra.

Di Melo ainda está na ativa, assinando com o nome Roberto Melo. E ninguém faz nada.


Faixas:
1 Kilariô 2:47
2 A Vida Em Seus Métodos Diz Calma 3:42
3 Aceito Tudo 2:57
4 Conformópolis 2:43
5 Má-lida 3:29
6 Sementes 1:33
7 Pernalonga 2:44
8 Minha Estrela 2:30
9 Se o Mundo Acabasse em Mel 3:06
10 Alma Gêmea 3:58
11 João 2:25
12 Indecisão 1:58

Chega ao mercado novo boxset dos Doors!

quarta-feira, novembro 11, 2009

Por Bento Araújo
Jornalista e Colecionador
poeira Zine

A indústria fonográfica não está poupando o apetite (muito menos o bolso) dos fãs da boa música: a cada mês pinta um lançamento imperdível na praça. Temos como alguns dos muitos exemplos a caixa de Neil Young (
Archives Vol. 1), o box em formato amplificador do AC/DC (Backtracks), e a discografia remasterizada dos Beatles, nos formatos mono e estéreo. Haja grana!

Para dar sequência a essa avalanche de novidades, dia 10/11 chegou às lojas o novo box do The Doors,
Live in New York, recheado com seis discos. O material abrange as quatro apresentações da banda na Big Apple, no Felt Forum, em 17 e 18 de janeiro de 1970 – todas elas na íntegra.

O local das apresentações foi uma preferência do grupo, pois o Felt Forum "
tinha uma acústica muito melhor, porque foi projetado para a música". A comparação feita por John Densmore era com o Madison Square Garden, onde ele mais Robby Krieger, Ray Manzarek e Jim Morrison já haviam tocado anos antes.

A caixa será lançada pelo selo Rhino, com o preço estimado em aproximadamente 90 dólares.

Tracklist:

January 17, 1970 (First Show)
Disc One
1. Start Of Show
2. “Roadhouse Blues”
3. “Ship Of Fools”*
4. “Break On Through (To The Other Side)”
5. Tuning
6. “Peace Frog”
7. “Blue Sunday”
8. “Alabama Song (Whisky Bar)”
9. “Back Door Man”*
10. “Love Hides”*
11. “Five To One”*
12. Tuning/Breather
13. “Who Do You Love”
14. “Little Red Rooster”
15. “Money”
16. Tuning
17. “Light My Fire”*
18. More, More, More
19. “Soul Kitchen”*
20. End Of Show

Disc 2
January 17, 1970 (Second Show)
1. Start Show 2
2. Jim “How Ya Doing?”
3. “Roadhouse Blues”
4. “Break On Through (To The Other Side)”*
5. “Ship Of Fools”
6. “Crawling King Snake”
7. “Alabama Song (Whisky Bar)”
8. “Back Door Man”*
9. “Five To One”
10. Pretty Neat, Pretty Good
11. “Build Me A Woman”
12. Tuning/Breather
13. “Who Do You Love”*
14. Tuning/Breather
15. “Wild Child”*
16. Cheering/Tuning
17. “When The Music’s Over”

Disc 3
January 17, 1970 (Second Show) continued
1. Tuning/Breather
2. “Light My Fire”*
3. Hey, Mr. Light Man!
4. “Soul Kitchen”*
5. Jim’s Fish Joke
6. “The End”
7. End Of Show

Disc 4
January 18, 1970 (Third Show)
1. Start Show 3
2. “Roadhouse Blues”*
3. “Ship Of Fools”*
4. “Break On Through (To The Other Side)”*
5. Tuning/Breather
6. “Universal Mind”*
7. “Alabama Song (Whisky Bar)” – False Start*
8. “Alabama Song (Whisky Bar)”*
9. “Back Door Man”*
10. “Five To One”
11. Tuning/Breather
12. “Moonlight Drive”
13. “Who Do You Love”*
14. Calling Out For Songs
15. “Money”*
16. Tuning/Breather
17. “Light My Fire”
18. More, More More
19. “When The Music’s Over”*
20. Good Night – End Show

Disc 5
January 18, 1970 (Fourth Show)
1. Start Show 4
2. “Roadhouse Blues”*
3. “Peace Frog”*
4. “Alabama Song (Whisky Bar)”*
5. “Back Door Man”
6. “Five To One”
7. We Have A Special Treat
8. “Celebration Of The Lizard”
9. Alright Let’s Boogie
10. “Build Me A Woman”
11. “When The Music’s Over”*
12. More, More, More

Disc 6
January 18, 1970 (Fourth Show) continued
1. “Soul Kitchen”*
2. For Fear Of Getting Too Patriotic
3. Petition The Lord With Prayer
4. “Light My Fire”
5. Only When The Moon Comes Out
6. “Close To You”
7. The Encore Begins
8. “Rock Me”*
9. What To Do Next?
10. “Going To N.Y. Blues”*
11. Tuning/Breather
12. “Maggie M’Gill”*
13. Tuning/Breather
14. “Gloria”*/End Of Show

Para mais informações,
clique aqui.

Colecionador coloca à venda cópia ultra rara de clássico dos Beatles

quarta-feira, novembro 11, 2009

Por Peter Lindblad
Jornalista

Havia algo estranho sobre a cópia pertencente a John Tefteller de
Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, que eu estava olhando. Os caras eram diferentes. Onde John, Paul, George e Ringo deveriam estar, outros ‘figuras’ tomaram seus lugares.

"
À primeira vista, pensei: ‘Ok, este é um Sgt Pepper LP padrão, mas – ‘hey, espere um minuto, ele ainda está selado. Não está aberto ‘", diz Tefteller, dono do John Tefteller´s World´s Rarest’s Records. "E então, eu olhei mais de perto… ‘Espere um minuto, eu disse. Não há nenhum Beatle aqui. Quem são essas pessoas?’".

Essas pessoas da capa trabalhavam para a Capitol Records, e Tefteller estava prestes a descobrir esta versão rara de
Sgt Peppers. Na verdade, pode ser um dos mais raros LPs do Fab Four de todos os tempos e, até o momento, ele está negociando sua venda para um colecionador dos Beatles, Stan "The Beatleman" Panenka.

Continue lendo a história
clicando aqui.

9 de nov de 2009

Coletivo Vinil é Arte mantém vivo o culto ao vinil

segunda-feira, novembro 09, 2009

Por Guilherme Arêas
Jornalista
(publicado originalmente no site Acessa.com)

Quando os compact discs (CDs) se popularizaram em todo o mundo, na década de 1990, os consumidores da música apostaram que os long plays (LPs), ou vinis, entrariam rapidamente para o hall das peças de museu. Com a invasão dos formatos MP3 na rede mundial de computadores, os bolachões pretos pareciam estar sepultados de vez. Mas, na contramão de toda a evolução tecnológica que envolve o mundo da música, os vinis estão de volta com força total. Em Juiz de Fora, uma turma não abre mão de usufruir as vantagens que o formato oferece.

Através do grupo
Vinil é Arte, o discotecário Pedro Henrique Paiva tenta manter viva a memória e as atividades com os vinis. Ele e os outros três integrantes do projeto tocam em festas, eventos e festivais, sempre utilizando LPs raros de músicos das décadas de 50, 60 e 70. A coleção de vinis faz parte de uma grande pesquisa sobre o formato, mas a quantidade já não cabe mais nas contas. "Devo ter mais do que dois mil e menos do que quatro mil discos", brinca.

A paixão e o uso profissional dos vinis ele reconhece que vêm com o tempo, através das primeiras coleções herdadas dos pais. Hoje, o ideal do grupo é fazer com que as pessoas dancem músicas que elas não conhecem ou, pelo menos, não ouviam há muito tempo. "
Hoje em dia ouvir música é uma coisa muito prática. Os aparelhos pequenos permitem que você leve o seu som para todos os lugares. O vinil exige mais. Além de gastar tempo e dinheiro comprando os discos, você tem que cuidar, passar um pano seco antes de ouvir. Depois de ouvir um lado, tem que virar o disco. Existe todo um ritual."

Sobre a qualidade do som do vinil, Pedro prefere não entrar nas questões técnicas que comparam as mídias. A proposta dos DJs - ou discotecários, como alguns preferem ser chamados -, não é contrapor os formatos, mas fazer com que cada um tenha o seu espaço. Porém, ele afirma que os profissionais que realmente apreciam a música preferem o som do vinil. "
Muitos CDs que eu comprei em 1991 já estragaram em dez anos de uso", completa.

O formato também é a preferência do DJ juizforano Luiz Valente, apaixonado pelos discos dos anos 90. Para ele, a qualidade do som também é uma questão relativa. "
Isso depende da relação da pessoa com a música. O público em geral não costuma focar nesse mérito da comparação da qualidade", avalia.

As primeiras coleções viraram instrumentos de trabalho, e para resgatar gravações no formado LP e dar a oportunidade para que novas bandas tenham seus registros musicais nos bolachões, Luiz criou seu próprio selo, a Vinil Land. A prensagem dos vinis é feita na Alemanha, país em que vive boa parte do ano. Mas os DJs e produtores esperam com ansiedade a reativação da Polysom, a última fábrica de discos de vinil no Brasil, localizada no Rio de Janeiro. A proposta é de reativar a demanda por lançamentos no formato, que é o ideal para o uso dos DJs e importante dentro da história musical brasileira.

"
Hoje, acumular músicas é muito fácil, porque você baixa da internet. Mas muitas vezes você acumula tanta música que nem tem tempo para ouvir. O vinil exige um trabalho maior. Mas é impraticável o vinil voltar a ser produzido e consumido como era antes. A produção vai atingir um nicho muito específico de pessoas que gostam e que trabalham com música. Mas é importante ter essa retomada", avalia Luiz.

Enquanto a produção em larga escala não volta a ser realidade no país, os produtores recorrem a uma verdadeira garimpagem nos sebos. Na maior loja de discos usados de Juiz de Fora, o proprietário acredita ter entre 30 e 40 mil vinis no acervo. "
A procura é muito grande e tem aumentado cada vez mais", confirma João Roberto de Almeida.

O preço representa um grande enigma para os colecionadores e produtores que trabalham com o formato. "
O mesmo disco que você encontra por R$ 100 na loja, é vendido a R$ 1 na feira", constata Pedro. Em Juiz de Fora, o preço de um vinil antigo pode variar de R$ 1 a R$ 300. Porém, há registros de verdadeiras raridades da música que podem chegar a custar R$ 3 mil.

O vinil não tem um preço definido por uma série de motivos. Um deles é o desconhecimento sobre a raridade dos discos. Com a ascensão dos CDs, muitas famílias fizeram doações em massa dos bolachões, fazendo com que muito material fosse perdido ou comprado por colecionadores estrangeiros.

No exterior, apesar da visível queda do consumo, a produção do vinil não chegou a desaparecer, como no Brasil. "
No fim dos anos 90, a indústria da música começou a vender a ideia de que o CD era uma revolução e que o vinil era coisa do passado. Até 1996, a produção e a qualidade dos vinis caíram muito. As empresas não perceberam que ainda havia público para o vinil. A partir de 96 você não acha nada de música brasileira gravada nesse formato", lamenta Luiz.

O acompanhante alemão dos Beatles

segunda-feira, novembro 09, 2009

Por Maurício Rigotto
Colecionador e Escritor
Collector´s Room

Um nome bastante familiar para quem é fã dos Beatles – os verdadeiros, não os de ocasião – é do alemão Klaus Voorman.

No início dos anos sessenta, um quinteto ainda desconhecido de Liverpool formado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Stuart Sutcliffe e Pete Best é contratado para algumas apresentações no Star Club, em Hamburgo. Na Alemanha conhecem Klaus Voorman, um artista plástico e contrabaixista de um grupo folk, e logo se estabelecem fortes laços de amizade entre eles.

Stuart Sutcliffe se apaixona e começa a namorar Astrid Kirchherr, uma jovem fotógrafa que registrou a passagem do grupo pelo local. Stuart resolve deixar a banda e não retornar à Inglaterra, incentivado por Klaus a tentar carreira como pintor expressionista abstrato. Stuart Sutcliffe morreu alguns meses depois, aos 21 anos, vítima de uma hemorragia cerebral. Quando os Beatles retornaram a Hamburgo, em 1962, reduzidos a um quarteto e já com Ringo Starr no lugar de Pete Best, encontraram o amigo Klaus Voorman casado com Astrid.


No final de 1965, John Lennon e George Harrison chamaram Klaus para executar o que se tornaria o seu mais famoso trabalho, a capa do álbum Revolver dos Beatles. Desde então Klaus se fixou na Inglaterra e frequentemente era visto na companhia dos Beatles. Klaus fez a capa do primeiro álbum dos Bee Gees e trabalhou como músico acompanhante de vários artistas, inclusive tocando contrabaixo de 1966 a 1969 na banda Manfred Mann, que nessa época alcançou o seu maior sucesso comercial com a canção "The Mighty Quinn", uma cover de Bob Dylan.

Quando os Beatles se separaram, os remanescentes resolveram formar uma nova banda chamada The Ladders, que contaria com John, George, Ringo, Klaus no lugar de Paul e Billy Preston nos teclados. A idéia foi logo abandonada, mas Klaus Voorman seguiu acompanhando os ex-Beatles em suas carreiras solo, tocando contrabaixo nos discos de John, George e Ringo. Klaus também gravou com Lou Reed, James Taylor, Harry Nilsson, Carly Simon e outros. Ele pode ser visto ao lado de John Lennon e Eric Clapton no vídeo John Lennon Plastic Ono Band Live in Toronto 1969 e ao lado de George Harrison no famoso Concert for Bangladesh.


Em 1973, além de tocar baixo no disco de Ringo Starr, desenhou todas as litogravuras que ilustram o livreto que acompanha o disco, um dos mais belos encartes já feitos para um vinil. Neste disco, há uma faixa executada por John, George, Ringo, Klaus e Billy Preston, o que nos dá uma ideia do que teria sido a banda The Ladders.

Em 2002 Klaus Voorman participou do Concert for George, uma grande homenagem dos amigos ao Beatle que falecera.

Recentemente, em 2009, Klaus Voorman completou setenta anos. O alemão perguntou a sua esposa o que fariam para comemorar o seu septuagésimo aniversário e ela sugeriu: "
Você passou a vida sendo acompanhante nos discos dos outros, que tal gravar o seu próprio disco?". Klaus acatou a sugestão e lança agora o seu primeiro álbum solo, chamado A Sideman’s Journey (A viagem do acompanhante), recheado de convidados que fizeram parte de sua trajetória.


A Sideman’s Journey já abre com Paul McCartney cantando "I’m in Love Again", que traz ainda Ringo Starr na bateria e Joe Walsh (James Gang/Eagles) na guitarra. O próximo convidado é Don Preston, outro amigo das antigas que tocava nos Mothers of Invention de Frank Zappa e que também participou do Concert for Bangladesh. Don canta o clássico de Carl Perkins "Blue Suede Shoes", e também "Short People".

Yusuf Islan, o artista que antes de se converter ao islamismo era conhecido por Cat Stevens, gravou ao lado de Voorman duas canções de George Harrison, a conhecida "All Things Must Past" e "The Day the World Gets Round". Ambas as canções tiveram Klaus Voorman no baixo nas gravações originais do ex-Beatle. Outra canção de George Harrison, "My Sweet Lord", aparece na voz da cantora Bonnie Bramlett, que nos anos 60/70 fazia dupla com seu ex-marido Delaney Bramlett (falecido em 2008).

A banda The Manfreds, formada por membros remanescentes do Manfred Mann, faz ao lado de Voorman uma boa releitura para o hit "The Mighty Quinn". O disco encerra com o pianista Dr John interpretando o seu clássico "Such a Night".

Trata-se de um álbum com sabor de festa e celebração do início ao fim, e que não merece passar desapercebido pelos amantes do bom rock and roll. A capa ainda traz uma linda ilustração desse artista multimídia, o acompanhante alemão Klaus Voorman.

With a little help from his friends!

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