13/11/2009

Discoteca Básica Bizz#206: Serge Gainsbourg - Histoire de Melody Nelson (1971)


(Alex Antunes, Bizz#206, outubro de 2006)

A esta altura do campeonato, o mundo se divide em: a) os fãs apaixonados de Gainsbourg; b) os que o reconhecem vagamente como autor do hit pornô-kitsch "Je T'Aime (Moi Non Plus)". Mas, graças ao esforço de Beck, Nick Cave, Franz Ferdinand, Michael Stipe, Placebo, entre outros que o regravaram, samplearam e enalteceram, o segundo time tende a diminuir.

O cantor, compositor, cineasta, pintor, provocador, etc, morreu em 1991. E, desde então, o culto a ele vem extrapolando as fronteiras da França, entronizando-o como uma das figuras mais interessantes e inclassificáveis da cultura pop do século 20. Recentemente, Monsieur Gainsbourg juntou figuraças como Michael Stipe e Jarvis Cocker para um tributo bem-sucedido. Nessa reavaliação, o disco que vem se consolidando um consenso quanto ao seu ápice criativo é Histoire de Melody Nelson (1971).

Entre 1967 e 1968, a situação de Gainsbourg dera duas guinadas. Ele foi abandonado por Brigitte Bardot, que ainda por cima o proibiu de lançar a gravação de "Je T'Aime" em que ela fazia os vocais - e em que ele tinha apostado todas as suas fichas pessoais e profissionais. Foi então que, deprimido, ele cruzou com uma inglesinha dentuça nos testes para o filme Slogan, que ele ia estrelar e musicar. Com apenas 18 anos, era Jane Birkin, protagonista do primeiro nu frontal do cinema inglês em Blow Up (1966).

O conquistador francês passou meio batido pela magrela (o oposto da voluptuosa Bardot), mas ela tinha muita personalidade e ele acabou se apaixonando - e a fez regravar "Je T'Aime", para a qual vinha tentando achar uma substituta à altura (inclusive Mariane Faithfull, que temeu a reação de seu namorado, Mick Jagger). O resto já se sabe. Os gemidos da pioneira "canção de motel" simbolizaram e catalisaram as transformações sexuais da época e lançaram Serge num cínico e controverso megaestrelato.

Ele, então, tinha duas questões a responder: qual seria a sucessora desse escândalo todo (que incluía ameaças de excomunhão pelo Vaticano) e como incorporar à sua vida-obra a paixão pela inglesinha que às vezes parecia um garoto. Essa é a gênese de Histoire de Melody Nelson. Apaixonado, o esteta cruel concebeu um álbum conceitual movido a guitarras psicodélicas, uma cozinha embebida em soul e uma orquestra e um coral carregados de dramaticidade. Com o maestro Jean-Claude Vannier, ele foi gravar em Londres com músicos até recentemente não-identificados. Especulou-se que Jimmy Page seria o guitarrista - mas, para um show público do álbum, Vannier finalmente revelou e convidou a banda original: Dougie Wright (bateria), Big Jim Sullivan (guitarra) e Herbie Flowers (baixo).

Com um vocal falado e grave, registrado bem perto do microfone e se sobrepondo à massa sonora, Gainsbourg conta a história de um homem maduro que atropela uma jovem ciclista com seu Rolls Royce, acaba transando com ela em um bordel barroco e, finalmente, faz cair o avião em que ela se vai, invocando um ritual primitivo da Nova Guiné. Dá para ler sob essa simbologia algo da história de Serge e Jane (que é a foto de capa e faz os vocais, inclusive os risos na música mais sexy da história - sim, superando "Je T'Aime" -, "En Melody").

Mal comparando, Serge lembra Bryan Ferry ao emular pós-modernamente os velhos crooners e seus pianos, só que, então aos 40 anos, Serge tinha sido mesmo um desses chansoniers, antes de se apaixonar pelo pop e pelos escândalos. Com apenas meia hora de duração, fundindo literatura, colagens pop (são notáveis os clipes, como o de "L'Hotel Particulier''), rock, funk, música orquestral e valsa, incompreendido e ambicioso, Histoire de Melody Nelson passou longe das paradas até que, 30 anos depois, começou a ser reavaliado.

Aos poucos o mundo vai alcançando Gainsbourg.


Faixas:
A1 Melody 7:32
A2 Ballade de Melody Nelson 2:00
A3 Valse de Melody 1:31
A4 Ah ! Melody 1:47

B1 L'hôtel particulier 4:05
B2 En Melody 3:25
B3 Cargo Culte 7:37


12/11/2009

Nick Lera estreia clipe para "Gata Desvairada", faixa de seu primeiro disco


Por Ricardo Seelig
Colecionador
A banda Nick Lera, de Espumoso (RS), acaba de gravar um clipe para a faixa "Gata Desvairada", presente em seu primeiro álbum, lançado em 2009.

A Nick Lera é formada pelos irmãos Rafael (vocal e baixo) e Mateus Spada (bateria), e pelo guitarrista Fernando KB Lera (guitarra). O som do trio é um rock clássico, com influência de ícones do rock inglês dos anos sessenta, como Beatles e Rolling Stones.

Assista o clipe abaixo:



Cassiano e a soul music brasileira


Por Sérgio Martins
Colecionador e Jornalista
(matéria publicada originalmente no site da revista VEJA)

No começo dos anos 70, uma trupe de cantores negros brasileiros que adoravam a música dos cantores negros americanos chacoalhou o show biz nacional. Eles ostentavam enormes cabeleiras black power e recheavam suas letras de palavras como "beibé" ou "bróder", que roubavam do inglês e aportuguesavam.

Por outro lado, nunca deixaram de incluir em suas composições elementos como uma boa cuíca ou uma levada de baião. Desse cruzamento, nasceu uma soul music brasileira, de inegável qualidade. Em pouco tempo, porém, o gênero se viu espremido entre a MPB conservadora e a novidade do tropicalismo. Alguns o hostilizaram. Outros o vampirizaram, sem que seus artistas recebessem o devido crédito.

Quase trinta anos depois, está chegando às lojas o principal testemunho do brilho da soul music nacional. O disco se chama Coleção e reúne catorze criações do cantor e compositor Cassiano, maior expoente dessa tendência musical, ao lado de Tim Maia e da Banda Black Rio.

Três discos, que estão fora de catálogo há vinte anos, serviram de matéria-prima para o CD, compilado pelo cantor Ed Motta. Desprezados pelas gravadoras que os lançaram anteriormente, eles são disputados a tapa em sebos. Cassiano pertence à classe dos "penitentes do espírito" – expressão cunhada pelo crítico americano Bill Flanagan para definir os artistas que criam pérolas de suas experiências pessoais, sem nenhuma mediação. A canção "A Lua e Eu", por exemplo, foi composta em 1973 depois de uma tremenda fossa causada pelo fim de um casamento.

Outros clássicos do músico são "Primavera" e "Eu Amo Você", dois dos maiores sucessos da carreira do cantor Tim Maia. Eles se conheceram nos anos 60, quando tentavam arranjar emprego numa agência especializada em exportar shows de mulatas. Até a morte de Tim, em 1998, a amizade teve altos e baixos. Tim respeitava Cassiano a ponto de se recusar a cantar na frente dele – tinha medo de falhar e ser corrigido. Por outro lado, passou a perna no amigo em algumas ocasiões. Vários de seus discos têm a participação de Cassiano, que não ganhava nada por isso. "O Tim dizia que eu não me vendia por dinheiro e aproveitava para não me pagar", lembra o músico.

Cassiano atingiu seu auge em meados dos anos 70, quando "A Lua e Eu" foi incluída na trilha sonora da novela
O Grito, da Rede Globo. Na época, o programa Fantástico, da mesma emissora, dedicou-lhe um clipe, em que ele aparece como uma espécie de Marvin Gaye tropical, desfilando de terno branco na orla carioca. No fim da década, começou a decadência. Logo depois de ser dispensado de sua última gravadora, a PolyGram, em 1979, o compositor contraiu tuberculose e perdeu parte do pulmão.

Hoje, mora num modesto apartamento no bairro carioca do Flamengo e vive dos direitos autorais de suas canções. Para sua sorte, nunca se gravou tanto Cassiano. O grupo de pagode Pixote recriou o hit "A Lua e Eu" e a cantora Ivete Sangalo vai incluir a música "Postal" em seu próximo CD.

Ele sonha com uma volta aos discos, mesmo sabendo que é difícil competir com a banalidade do pagode e da axé music. "A soul music é muito sofisticada para os dias de hoje", diz.


Discoteca Básica Bizz#205: The Cure - The Head on the Door (1985)


(Camilo Rocha, Bizz#205, setembro de 2006)

O ano de 1985 foi horrendo para a música. Na rádio, imperavam nomes como Bruce Springsteen, Dire Straits e Phil Collins. O hip hop era uma novidade passada e ainda não tinha sido sacudido por Run D.M.C. e Beastie Boys. A revolução da música eletrônica não passava de iniciantes produtores em Detroit e Chicago que ninguém conhecia fora de suas cidades.

Em meio à pasmaceira exasperante, praticamente os únicos sinais de esperança e inteligência vinham do universo indie inglês. OK, lá na Inglaterra podia ser que esse caldeirão já borbulhasse visivelmente desde a virada dos 80, desde o início do pós-punk. Mas, na paleozóica era pré-internet e MTV, as tendências demoravam anos para atravessar os continentes. Então, tirando poucos antenados com boas conexões ou grana no bolso (muitos dos quais formaram bandas de rock), no Brasil praticamente ninguém, mas ninguém mesmo, sabia o que era o novo rock inglês de gente como Smiths, Echo & the Bunnymen, Siouxsie & the Banshees, Joy Division/New Order e Bauhaus.

Se teve um disco que ajudou a clarear o matagal da ignorância foi o sexto álbum do Cure, The Head on the Door. É o disco mais redondo, diverso, criativo e acessível que a banda já lançou. Nem antes nem depois conseguiram algo tão perto do perfeito. Se antes os discos do grupo pendiam mais decididamente para um estilo (punk-pop, pós-punk, gótico, eletro pop, psicodelia), The Head on the Door se esbalda em múltiplas influências. E sempre se sai bem.

Tem Robert Smith (guitarrista, principal compositor e líder) cantando sobre o sangue de Cristo por cima de violões flamencos em "The Blood"; tem o saltitante megahit "In Between Days", com sua historinha de traição e levada que lembra New Order; tem "Kyoto Song", balada trágica com sonoridades de música japonesa (claro!). E isso são só as três primeiras faixas!

Avançando disco adentro, os deleites continuam: a descompromissada "Six Different Ways", com cordas indianas e melodia quase infantil; o baixão sujo, suado e funkeado de "Screw", com sua letra que descreve uma overdose; a sinuosa levada eletrônica da paranóica "Close to Me"; o vôo épico de "Push"; o clima de despedida melancólica em "A Night Like This", com seu saxofone que é marca registrada do meio dos anos 80; "Sinking", no final, traz céu nublado a la Joy Division.

É uma síntese impecável do espírito ambivalente da banda. O chavão sobre o Cure é óbvio: góticos, depressivos, melancólicos, darks. O que é verdade, especialmente nas letras. Mas existe o outro lado da moeda sobre o qual não se fala muito, mas que também está evidente: o Cure tem um tremendo senso de humor e leveza. Ao dar um acabamento mais pop nesse disco, o grupo estava enviando o seguinte recado: não nos levem tão a sério, também queremos fazer você dançar e cantar nossas músicas.

Os clips são bons exemplos: "In Between Days" traz a banda bobamente empurrando a câmera pra todo lado, com Robert Smith num sorrisão sarcástico. Em "Close to Me", a turma aparece enfiada num guarda-roupa que rola ribanceira abaixo. Depois, tem todas aquelas fotos com Smith com o famoso look de ursinho panda batido no liquidificador com um estojo de maquiagem. Sem falar que o vocalista sempre adorou cervejinha no pub e pelada de futebol.

Com sua variedade de sons e climas e seus hits radiofônicos, foi um álbum vencedor. Abriu o mercado americano para o grupo enquanto consolidava sua posição de titular do novo rock da década de 80 da Inglaterra, chegando a Disco de Ouro nos dois países. Foi o primeiro passo para a banda se tornar a milionária instituição do rock que é hoje.

Entre os muitos países onde se tornou popular graças ao disco estava o Brasil. Em 1987, ela viria para uma arrebatadora turnê, que incluiu oito shows.


Faixas:
A1 In Between Days 2:55
A2 Kyoto Song 4:00
A3 The Blood 3:42
A4 Six Different Ways 3:16
A5 Push 4:28

B1 The Baby Screams 3:43
B2 Close to Me 3:23
B3 A Night Like This 4:12
B4 Screw 2:35
B5 Sinking 4:50


Rolando Rock, o novo site de Rolando Castello Jr


(press release)

Celso Barbieri, seguindo sua proposta de ajudar a resgatar a história do rock brasileiro, aceitou o convite do grande baterista Rolando Castello Junior, um dos ícones da rock brasilis, criando para o mesmo um website rico e detalhado, repleto de informação e fotos raras.

O site foi resultado de um trabalho exaustivo de coleta de dados e certamente será fonte de referência obrigatória para os músicos brasileiros.

Adicione aos favoritos: http://www.rolandorock.com/

"
Acredito que este website é sem dúvida um dos mais sofisticados já feitos para um músico brasileiro e é baseado em um CMS (Content Management System), usado por milhares de profissionais pelo mundo afora. Sinto-me orgulhoso e privilegiado de ter participado desta parceria criativa com o Rolando, um dos fundadores da legendária banda Patrulha do Espaço", disse Barbieri.



11/11/2009

Discos Fundamentais: Di Melo - Di Melo (1975)


(texto retirado do blog Groove Livre)

Não é de hoje que Pernambuco colabora com a qualidade da música brasileira. Em 1975, Di Melo lançava seu disco mostrando para o Brasil que o swing não ficava só no eixo Rio – São Paulo. Seguidor de Tim Maia e contemporâneo de Cassiano e Hyldon, só não ganhou mais destaque porque naquela época só a música de protesto tinha espaço. Curioso como hoje música de protesto é considerada música de bandido, mas isso é outro assunto.

Di Melo se tornou um álbum conhecido graças aos DJ, que ficavam com os dedos grossos nos sebos em busca de raridade. O disco abre pegando pesado na balada. "Kilariô" vem cheia de balanço e com baixo e metais destruindo tudo. "A Vida em Seus Métodos diz Calma" é um de seus hits, swing com uma letra que mistura humor e crítica ao desespero. Aliás, a crítica existia muito na música de Di Melo, mas não ficava só no discurso "caminhando e cantando", falava dos problemas do ser humano comum. Mas ele não era filho de sociólogo e não fazia parte da máfia do dendê.

De volta ao chiado do vinil, "Aceito Tudo" é o desabafo de quem chega na cidade grande, isso nos anos 70. Sob a influência do tango vem "Conformópolis", com uma letra poderosa de Waldir Wanderley da Fonseca. Em "Má-lida", Di Melo diminui o ritmo mas não a lamentação. A faixa lembra muito o que seus conterrâneos faziam naquela época. "Sementes" é a mais tango de todas.

Entra "Pernalonga" e o pernambucano volta ao groove – ainda bem. "Minha Estrela" lembra um pouco a levada de "Kilariô". "Se o Mundo Acabasse em Mel": só pelo titulo já vale! De quebra é uma canção repleta de frases fortes, como "
entrou em choque publicitário" – nada mais atual.

"Alma Gêmea" é aquele momento de lamentação e solidão, assim como o sambinha "João". O disco fecha com "Indecisão". "Tudo isso é pra quem pode / nunca foi, nunca é pra quem quer / tem gente que nasce pra ter / e tem gente que vem pra cantar", diz a letra.

Di Melo ainda está na ativa, assinando com o nome Roberto Melo. E ninguém faz nada.


Faixas:
1 Kilariô 2:47
2 A Vida Em Seus Métodos Diz Calma 3:42
3 Aceito Tudo 2:57
4 Conformópolis 2:43
5 Má-lida 3:29
6 Sementes 1:33
7 Pernalonga 2:44
8 Minha Estrela 2:30
9 Se o Mundo Acabasse em Mel 3:06
10 Alma Gêmea 3:58
11 João 2:25
12 Indecisão 1:58


Chega ao mercado novo boxset dos Doors!


Por Bento Araújo
Jornalista e Colecionador
poeira Zine

A indústria fonográfica não está poupando o apetite (muito menos o bolso) dos fãs da boa música: a cada mês pinta um lançamento imperdível na praça. Temos como alguns dos muitos exemplos a caixa de Neil Young (
Archives Vol. 1), o box em formato amplificador do AC/DC (Backtracks), e a discografia remasterizada dos Beatles, nos formatos mono e estéreo. Haja grana!

Para dar sequência a essa avalanche de novidades, dia 10/11 chegou às lojas o novo box do The Doors,
Live in New York, recheado com seis discos. O material abrange as quatro apresentações da banda na Big Apple, no Felt Forum, em 17 e 18 de janeiro de 1970 – todas elas na íntegra.

O local das apresentações foi uma preferência do grupo, pois o Felt Forum "
tinha uma acústica muito melhor, porque foi projetado para a música". A comparação feita por John Densmore era com o Madison Square Garden, onde ele mais Robby Krieger, Ray Manzarek e Jim Morrison já haviam tocado anos antes.

A caixa será lançada pelo selo Rhino, com o preço estimado em aproximadamente 90 dólares.

Tracklist:

January 17, 1970 (First Show)
Disc One
1. Start Of Show
2. “Roadhouse Blues”
3. “Ship Of Fools”*
4. “Break On Through (To The Other Side)”
5. Tuning
6. “Peace Frog”
7. “Blue Sunday”
8. “Alabama Song (Whisky Bar)”
9. “Back Door Man”*
10. “Love Hides”*
11. “Five To One”*
12. Tuning/Breather
13. “Who Do You Love”
14. “Little Red Rooster”
15. “Money”
16. Tuning
17. “Light My Fire”*
18. More, More, More
19. “Soul Kitchen”*
20. End Of Show

Disc 2
January 17, 1970 (Second Show)
1. Start Show 2
2. Jim “How Ya Doing?”
3. “Roadhouse Blues”
4. “Break On Through (To The Other Side)”*
5. “Ship Of Fools”
6. “Crawling King Snake”
7. “Alabama Song (Whisky Bar)”
8. “Back Door Man”*
9. “Five To One”
10. Pretty Neat, Pretty Good
11. “Build Me A Woman”
12. Tuning/Breather
13. “Who Do You Love”*
14. Tuning/Breather
15. “Wild Child”*
16. Cheering/Tuning
17. “When The Music’s Over”

Disc 3
January 17, 1970 (Second Show) continued
1. Tuning/Breather
2. “Light My Fire”*
3. Hey, Mr. Light Man!
4. “Soul Kitchen”*
5. Jim’s Fish Joke
6. “The End”
7. End Of Show

Disc 4
January 18, 1970 (Third Show)
1. Start Show 3
2. “Roadhouse Blues”*
3. “Ship Of Fools”*
4. “Break On Through (To The Other Side)”*
5. Tuning/Breather
6. “Universal Mind”*
7. “Alabama Song (Whisky Bar)” – False Start*
8. “Alabama Song (Whisky Bar)”*
9. “Back Door Man”*
10. “Five To One”
11. Tuning/Breather
12. “Moonlight Drive”
13. “Who Do You Love”*
14. Calling Out For Songs
15. “Money”*
16. Tuning/Breather
17. “Light My Fire”
18. More, More More
19. “When The Music’s Over”*
20. Good Night – End Show

Disc 5
January 18, 1970 (Fourth Show)
1. Start Show 4
2. “Roadhouse Blues”*
3. “Peace Frog”*
4. “Alabama Song (Whisky Bar)”*
5. “Back Door Man”
6. “Five To One”
7. We Have A Special Treat
8. “Celebration Of The Lizard”
9. Alright Let’s Boogie
10. “Build Me A Woman”
11. “When The Music’s Over”*
12. More, More, More

Disc 6
January 18, 1970 (Fourth Show) continued
1. “Soul Kitchen”*
2. For Fear Of Getting Too Patriotic
3. Petition The Lord With Prayer
4. “Light My Fire”
5. Only When The Moon Comes Out
6. “Close To You”
7. The Encore Begins
8. “Rock Me”*
9. What To Do Next?
10. “Going To N.Y. Blues”*
11. Tuning/Breather
12. “Maggie M’Gill”*
13. Tuning/Breather
14. “Gloria”*/End Of Show

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Colecionador coloca à venda cópia ultra rara de clássico dos Beatles


Por Peter Lindblad
Jornalista

Havia algo estranho sobre a cópia pertencente a John Tefteller de
Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, que eu estava olhando. Os caras eram diferentes. Onde John, Paul, George e Ringo deveriam estar, outros ‘figuras’ tomaram seus lugares.

"
À primeira vista, pensei: ‘Ok, este é um Sgt Pepper LP padrão, mas – ‘hey, espere um minuto, ele ainda está selado. Não está aberto ‘", diz Tefteller, dono do John Tefteller´s World´s Rarest’s Records. "E então, eu olhei mais de perto… ‘Espere um minuto, eu disse. Não há nenhum Beatle aqui. Quem são essas pessoas?’".

Essas pessoas da capa trabalhavam para a Capitol Records, e Tefteller estava prestes a descobrir esta versão rara de
Sgt Peppers. Na verdade, pode ser um dos mais raros LPs do Fab Four de todos os tempos e, até o momento, ele está negociando sua venda para um colecionador dos Beatles, Stan "The Beatleman" Panenka.

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Discoteca Básica Bizz#204: Rainbow - Rising (1976)


(Bento Araújo, Bizz#204, agosto de 2006)

Demorou um bocado. Ritchie Blackmore foi lançar um álbum que era um retrato fiel de sua personalidade somente em julho de 1976. No começo do Deep Purple, as aspirações pesadas de Blackmore batiam de frente com as pomposidades eruditas de Jon Lord. As faíscas aumentaram ainda mais na época de David Coverdale e Glenn Hughes, em que as guitarras medievais do guitarrista duelavam com o soul e o funk da dupla de crooners do Purple.

Insatisfeito, em 1975 Blackmore formou o Rainbow, grupo seminal do heavy metal inglês. Depois de uma não tão explosiva estreia vinílica (Ritchie Blackmore's Rainbow), o dono da bola dispensou o time inteiro (com exceção do vocalista), recrutou novos aliados e sabiamente calibrou seus talentos individuais, engendrando sua obra definitiva, Rising. O suntuoso fruto musical de Blackmore trazia seis fortes composições que serviriam como marco zero do famigerado "rock de penhasco".

Na linha de frente do Rainbow estava Ronnie James Dio, um épico vocalista de primeira estirpe, dono de uma voz poderosa e única, perfeita para as maquiavélicas intenções de Blackmore. Ambos tinham se conhecido em tours pela América, quando a banda de Dio (Elf) abria alguns shows do Deep Purple. Por detrás dessa dupla, uma locomotiva sonora se fazia presente: o baterista Cozy Powell, herdeiro legítimo do Bonham way of play, exímio instrumentista e força propulsora, ao lado do baixista Jimmy Bain, daquela que era "A" formação do Rainbow.

O LP original trazia uma proposital divisão entre canções curtas e longas. As mais diretas ficam no lado A: "Starstruck" falava sobre uma entidade (ou seria uma groupie?) chamada Muriel, que perseguia Blackmore onde quer que ele fosse. "Do You Close Your Eyes" pode ser encarada como o primeiro passo rumo ao som mais comercial que o grupo adotaria no início dos anos 80. "Tarot Woman" mistura misticismo e virtuosismo, e "Run with the Wolf" é mais um empolgante balanço do que qualquer outra coisa.

Já o lado B ficou reservado para dois longos e progressivos temas: "Stargazer", um dos hinos definitivos do heavy metal, um testamento do som pesado forjado pela introdução de pura violência rítmica de Cozy Powell, e "A Light in the Black", que ocasionava longos solos do Moog (Tony Carey) e da Stratocaster de Blackmore, lembrando os bons tempos do Deep Purple.

Com uma equipe entrosada, o Rainbow partiu para as arenas mais concorridas do planeta e registrou o lendário álbum ao vivo On Stage (1977). A boa fase parecia seduzir até mesmo o mal humorado protagonista: num show no Japão, Blackmore decidiu tirar um sarro de Carey. Durante um longo e monótono solo de teclado, Blackmore subiu ao palco com uma cadeira de praia, sentou-se no meio do tablado e calmamente degustou o caderno de esportes de seu jornal preferido.

Depois de mais um disco em grande estilo (Long Live Rock´n´Roll, de 1978), o manda-chuva dispensou Dio e partiu para um som mais comercial, contando com os vocais de Graham Bonnet (em Down to Earth, de 1979) e depois do odiado Joe Lynn Turner.

O Rainbow escreveu sua biografia em qualquer lugar, menos nas enciclopédias roqueiras. Tanto para os que idolatraram o Iron Maiden nos anos 80 como para os que hoje engordam o coro do metal melódico, Blackmore não passa de um sujeito que cunhou um riff manjado ("Smoke on the Water"). Contudo, para quem viveu o som pesado da década de 70, fica claro que
Rising foi o ápice da carreira do enfezado guitarrista e de todo um estilo.


Faixas:
A1 Tarot Woman 6:11
A2 Run With the Wolf 3:48
A3 Starstruck 4:06
A4 Do You Close Your Eyes 2:58

B1 Stargazer 8:28
B2 A Light in the Black 8:12


10/11/2009

Discoteca Básica Bizz#203: João Bosco - Caça à Raposa (1975)


(Bia Abramo, Bizz#203, julho de 2006)

Naquele tempo, 1975, havia como contar histórias. Não vai aqui só um saudosismo besta (embora haja um tanto disso), mas uma constatação de que havia, para a MPB, uma possibilidade e uma ambição de integrar uma narrativa sobre o Brasil. A possibilidade vinha da plasticidade nas formas - inauguradas pelo curto-circuito tradição-bossa nova-tropicalismo operado nos anos 60 - e das referências intelectuais coletivas. Já a ambição vinha da ideia de fazer música como um modo de intervenção na realidade.

É desse caldo de cultura que nasce Caça à Raposa, primeiro grande disco daquela que foi uma das parcerias mais importantes da MPB, a do violonista e ex-engenheiro João Bosco com o letrista e ex-médico Aldir Blanc. Não é a estreia de Bosco em disco. Ele viria precedido, em 1972, de um "Disco de Bolso" do Pasquim, que editava num mesmo compacto um compositor consagrado de um lado e um desconhecido de outro - Tom Jobim com "Águas de Março" e João Bosco e Aldir Blanc com "Agnus Sei". Antes mesmo do primeiro LP (João Bosco, 1973), Elis Regina já gravara uma composição da dupla, "Bala com Bala" - por sinal, todos os discos de Elis lançados até 1979 trariam pelo menos uma música de João e Aldir.

É, entretanto, em Caça à Raposa que a engenharia precisa da dupla começa a funcionar a todo o vapor. Antes, um parêntese histórico. O ano de 1975, ou melhor, os anos compreendidos entre 1972 e 1977 parecem ter sido mágicos para a MPB. O clima de combate entre as posições mais tradicionalistas e o vanguardismo pop-tropicalista que havia marcado a década anterior já estava distante, ao mesmo tempo que o processo de cristalização e auto-indulgência que paralisaria a MPB no final dos anos 70 não tinha começado. É nesse momento de trégua que surge, de vários lugares, uma música diversa, inteligente, provocadora.

Esse clima de abertura (que precederia a abertura política, inclusive) permitiu um disco intrigante, de "cenários sonoros" (na descrição do próprio Bosco) constituídos a partir de um olhar crítico, sem dúvida, mas ainda curioso e fresco sobre o Brasil.

O disco começa com duas obras-primas, "O Mestre-Sala dos Mares" e "De Frente pro Crime", que colocam o ouvinte de cara para a realidade - em ritmo de samba-enredo, contando as "lutas inglórias de uma história do Brasil delirante ou de um sambinha urbano, num flagrante da nova violência urbana: 'Tá lá o corpo estendido no chão'."

A veia da crônica urbana exige que se ressuscite um bolero, daqueles derramados, que começa com um "
frio em minh'alma", vai indo por "noites vazias" e, numa nota irônica, chega na "ponta de um torturante band aid no calcanhar" em "Dois pra Lá, Dois pra Cá".

As outras histórias de amor do disco, as melancólicas "Bodas de Prata" e "Violeta do Belfort Roxo", retomam, sem o pejo nem o sarcasmo do tropicalismo, um certo sentimentalismo suburbano que a bossa nova não achava chique.

Por outra, a Minas natal de João Bosco, que também despontava com o Clube da Esquina, inspira um certo barroquismo de
Caça à Raposa e permite incursões quase roqueiras na juvenil "Jardins de Infância". Já em "Kid Cavaquinho", um samba de breque de combate e de responsa, a dupla reafirma a carioquice, o profundo compromisso com os muitos sambas que circulavam ainda pela música brasileira e que seriam a principal matéria-prima e referência de sua carreira posterior.

Se à época Caça à Raposa representou a entrada vigorosa de João Bosco e Aldir Blanc no cenário da MPB, hoje ele equivale a uma redescoberta de um Brasil que se foi.


Faixas:
1 O Mestre-Sala dos Mares
2 De Frente oro Crime
3 Dois pra Lá, Dois pra Cá
4 Jardins de Infância
5 Jandira da Gandaia
6 Escadas da Penha
7 Casa de Marimbondo
8 Nessa Data
9 Bodas de Prata
10 Caça à Raposa
11 Kid Cavaquinho
12 Violeta de Belford Roxo


09/11/2009

Coletivo Vinil é Arte mantém vivo o culto ao vinil


Por Guilherme Arêas
Jornalista
(publicado originalmente no site Acessa.com)

Quando os compact discs (CDs) se popularizaram em todo o mundo, na década de 1990, os consumidores da música apostaram que os long plays (LPs), ou vinis, entrariam rapidamente para o hall das peças de museu. Com a invasão dos formatos MP3 na rede mundial de computadores, os bolachões pretos pareciam estar sepultados de vez. Mas, na contramão de toda a evolução tecnológica que envolve o mundo da música, os vinis estão de volta com força total. Em Juiz de Fora, uma turma não abre mão de usufruir as vantagens que o formato oferece.

Através do grupo
Vinil é Arte, o discotecário Pedro Henrique Paiva tenta manter viva a memória e as atividades com os vinis. Ele e os outros três integrantes do projeto tocam em festas, eventos e festivais, sempre utilizando LPs raros de músicos das décadas de 50, 60 e 70. A coleção de vinis faz parte de uma grande pesquisa sobre o formato, mas a quantidade já não cabe mais nas contas. "Devo ter mais do que dois mil e menos do que quatro mil discos", brinca.

A paixão e o uso profissional dos vinis ele reconhece que vêm com o tempo, através das primeiras coleções herdadas dos pais. Hoje, o ideal do grupo é fazer com que as pessoas dancem músicas que elas não conhecem ou, pelo menos, não ouviam há muito tempo. "
Hoje em dia ouvir música é uma coisa muito prática. Os aparelhos pequenos permitem que você leve o seu som para todos os lugares. O vinil exige mais. Além de gastar tempo e dinheiro comprando os discos, você tem que cuidar, passar um pano seco antes de ouvir. Depois de ouvir um lado, tem que virar o disco. Existe todo um ritual."

Sobre a qualidade do som do vinil, Pedro prefere não entrar nas questões técnicas que comparam as mídias. A proposta dos DJs - ou discotecários, como alguns preferem ser chamados -, não é contrapor os formatos, mas fazer com que cada um tenha o seu espaço. Porém, ele afirma que os profissionais que realmente apreciam a música preferem o som do vinil. "
Muitos CDs que eu comprei em 1991 já estragaram em dez anos de uso", completa.

O formato também é a preferência do DJ juizforano Luiz Valente, apaixonado pelos discos dos anos 90. Para ele, a qualidade do som também é uma questão relativa. "
Isso depende da relação da pessoa com a música. O público em geral não costuma focar nesse mérito da comparação da qualidade", avalia.

As primeiras coleções viraram instrumentos de trabalho, e para resgatar gravações no formado LP e dar a oportunidade para que novas bandas tenham seus registros musicais nos bolachões, Luiz criou seu próprio selo, a Vinil Land. A prensagem dos vinis é feita na Alemanha, país em que vive boa parte do ano. Mas os DJs e produtores esperam com ansiedade a reativação da Polysom, a última fábrica de discos de vinil no Brasil, localizada no Rio de Janeiro. A proposta é de reativar a demanda por lançamentos no formato, que é o ideal para o uso dos DJs e importante dentro da história musical brasileira.

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Hoje, acumular músicas é muito fácil, porque você baixa da internet. Mas muitas vezes você acumula tanta música que nem tem tempo para ouvir. O vinil exige um trabalho maior. Mas é impraticável o vinil voltar a ser produzido e consumido como era antes. A produção vai atingir um nicho muito específico de pessoas que gostam e que trabalham com música. Mas é importante ter essa retomada", avalia Luiz.

Enquanto a produção em larga escala não volta a ser realidade no país, os produtores recorrem a uma verdadeira garimpagem nos sebos. Na maior loja de discos usados de Juiz de Fora, o proprietário acredita ter entre 30 e 40 mil vinis no acervo. "
A procura é muito grande e tem aumentado cada vez mais", confirma João Roberto de Almeida.

O preço representa um grande enigma para os colecionadores e produtores que trabalham com o formato. "
O mesmo disco que você encontra por R$ 100 na loja, é vendido a R$ 1 na feira", constata Pedro. Em Juiz de Fora, o preço de um vinil antigo pode variar de R$ 1 a R$ 300. Porém, há registros de verdadeiras raridades da música que podem chegar a custar R$ 3 mil.

O vinil não tem um preço definido por uma série de motivos. Um deles é o desconhecimento sobre a raridade dos discos. Com a ascensão dos CDs, muitas famílias fizeram doações em massa dos bolachões, fazendo com que muito material fosse perdido ou comprado por colecionadores estrangeiros.

No exterior, apesar da visível queda do consumo, a produção do vinil não chegou a desaparecer, como no Brasil. "
No fim dos anos 90, a indústria da música começou a vender a ideia de que o CD era uma revolução e que o vinil era coisa do passado. Até 1996, a produção e a qualidade dos vinis caíram muito. As empresas não perceberam que ainda havia público para o vinil. A partir de 96 você não acha nada de música brasileira gravada nesse formato", lamenta Luiz.


O acompanhante alemão dos Beatles


Por Maurício Rigotto
Colecionador e Escritor
Collector´s Room

Um nome bastante familiar para quem é fã dos Beatles – os verdadeiros, não os de ocasião – é do alemão Klaus Voorman.

No início dos anos sessenta, um quinteto ainda desconhecido de Liverpool formado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Stuart Sutcliffe e Pete Best é contratado para algumas apresentações no Star Club, em Hamburgo. Na Alemanha conhecem Klaus Voorman, um artista plástico e contrabaixista de um grupo folk, e logo se estabelecem fortes laços de amizade entre eles.

Stuart Sutcliffe se apaixona e começa a namorar Astrid Kirchherr, uma jovem fotógrafa que registrou a passagem do grupo pelo local. Stuart resolve deixar a banda e não retornar à Inglaterra, incentivado por Klaus a tentar carreira como pintor expressionista abstrato. Stuart Sutcliffe morreu alguns meses depois, aos 21 anos, vítima de uma hemorragia cerebral. Quando os Beatles retornaram a Hamburgo, em 1962, reduzidos a um quarteto e já com Ringo Starr no lugar de Pete Best, encontraram o amigo Klaus Voorman casado com Astrid.


No final de 1965, John Lennon e George Harrison chamaram Klaus para executar o que se tornaria o seu mais famoso trabalho, a capa do álbum Revolver dos Beatles. Desde então Klaus se fixou na Inglaterra e frequentemente era visto na companhia dos Beatles. Klaus fez a capa do primeiro álbum dos Bee Gees e trabalhou como músico acompanhante de vários artistas, inclusive tocando contrabaixo de 1966 a 1969 na banda Manfred Mann, que nessa época alcançou o seu maior sucesso comercial com a canção "The Mighty Quinn", uma cover de Bob Dylan.

Quando os Beatles se separaram, os remanescentes resolveram formar uma nova banda chamada The Ladders, que contaria com John, George, Ringo, Klaus no lugar de Paul e Billy Preston nos teclados. A idéia foi logo abandonada, mas Klaus Voorman seguiu acompanhando os ex-Beatles em suas carreiras solo, tocando contrabaixo nos discos de John, George e Ringo. Klaus também gravou com Lou Reed, James Taylor, Harry Nilsson, Carly Simon e outros. Ele pode ser visto ao lado de John Lennon e Eric Clapton no vídeo John Lennon Plastic Ono Band Live in Toronto 1969 e ao lado de George Harrison no famoso Concert for Bangladesh.


Em 1973, além de tocar baixo no disco de Ringo Starr, desenhou todas as litogravuras que ilustram o livreto que acompanha o disco, um dos mais belos encartes já feitos para um vinil. Neste disco, há uma faixa executada por John, George, Ringo, Klaus e Billy Preston, o que nos dá uma ideia do que teria sido a banda The Ladders.

Em 2002 Klaus Voorman participou do Concert for George, uma grande homenagem dos amigos ao Beatle que falecera.

Recentemente, em 2009, Klaus Voorman completou setenta anos. O alemão perguntou a sua esposa o que fariam para comemorar o seu septuagésimo aniversário e ela sugeriu: "
Você passou a vida sendo acompanhante nos discos dos outros, que tal gravar o seu próprio disco?". Klaus acatou a sugestão e lança agora o seu primeiro álbum solo, chamado A Sideman’s Journey (A viagem do acompanhante), recheado de convidados que fizeram parte de sua trajetória.


A Sideman’s Journey já abre com Paul McCartney cantando "I’m in Love Again", que traz ainda Ringo Starr na bateria e Joe Walsh (James Gang/Eagles) na guitarra. O próximo convidado é Don Preston, outro amigo das antigas que tocava nos Mothers of Invention de Frank Zappa e que também participou do Concert for Bangladesh. Don canta o clássico de Carl Perkins "Blue Suede Shoes", e também "Short People".

Yusuf Islan, o artista que antes de se converter ao islamismo era conhecido por Cat Stevens, gravou ao lado de Voorman duas canções de George Harrison, a conhecida "All Things Must Past" e "The Day the World Gets Round". Ambas as canções tiveram Klaus Voorman no baixo nas gravações originais do ex-Beatle. Outra canção de George Harrison, "My Sweet Lord", aparece na voz da cantora Bonnie Bramlett, que nos anos 60/70 fazia dupla com seu ex-marido Delaney Bramlett (falecido em 2008).

A banda The Manfreds, formada por membros remanescentes do Manfred Mann, faz ao lado de Voorman uma boa releitura para o hit "The Mighty Quinn". O disco encerra com o pianista Dr John interpretando o seu clássico "Such a Night".

Trata-se de um álbum com sabor de festa e celebração do início ao fim, e que não merece passar desapercebido pelos amantes do bom rock and roll. A capa ainda traz uma linda ilustração desse artista multimídia, o acompanhante alemão Klaus Voorman.

With a little help from his friends!


Discoteca Básica Bizz#202: Chet Baker - Chet Baker Sings (1954)


(Zuza Homem de Mello, Bizz#202, junho de 2006)

Baker já era a maior revelação do trompete jazzista quando saiu
Chet Baker Sings. Nem por isso a crítica foi condescendente: malhou com gosto aquela sua maneira surpreendentemente frágil de interpretar canções sagradas do American Songbook como "But Not for Me" ou "My Funny Valentine". Afinal, o padrão de cantor americano era solidamente calcado na voz máscula de Frank Sinatra ou do mais-que-viril barítono Billy Eckstine, e procedente de um jazz em que o grande intérprete continuava sendo Louis Armstrong com seus scats roufenhos.

Como admitir aquele fio de voz, tímida, que mais parecia a de uma moça cantando? Considerada afrescalhada, a voz de Chet Baker encantou o universo gay dos EUA. E quem melhor soube explicar o novo conceito de sua interpretação não foram os críticos - foi a também cantora Ruth Young, sua namorada por dez anos: "Quando Chet cantava, as palavras para ele eram notas musicais".

Nem sua carreira de trompetista (que, em menos de um ano, atropelara os maiores músicos da época) nem sua vida trepidante (de envolvimento com fãs que se derretiam pelo lindo rosto retangular de galã de cinema em velozes Cadillac rabo-de-peixe) estavam refletidas na capa do LP de 10 polegadas da Pacific Jazz, a etiqueta por excelência do jazz da Costa Oeste. Na foto, clicada pelo jovem William Claxton, Baker vestia uma simples camiseta branca e estava cantando de boca semi-aberta diante do microfone. A nebulosidade da imagem tinha tudo a ver com o vocal esmaecido e sofisticado de Chet Baker, que deixava no ar uma ambiguidade sexual - o máximo que muita gente foi capaz de compreender daquele LP.

Baker cantava como se estivesse tocando: delicadamente, sem alongar as notas. Como o som de seu trompete, em que evitava os agudos, sua voz não tinha potência, era seca, mas enfatizava magicamente o lirismo de uma canção. Sua interpretação era econômica, lisa, atacava e percorria cada nota com emoção controlada, sem um pingo de trinado. Senza vibrato - era a essência do cool jazz.

Da mesma forma, quando o inegável precursor do cool jazz, Lester Young, surgiu na big band de Count Basie, nos anos 30, o padrão de saxofone era o som bojudo de Coleman Hawkins. Young, por causa de seu som gentil, foi taxado de afeminado, outra sina do cool jazz. Contudo, mesmo quando mal aceitos, Young, Miles e Baker deixaram um marco no jazz e na música americana. A proclamada frieza de suas interpretações propôs uma nova estética.

Dois anos depois, em julho de 1956, Chet Baker voltou ao estúdio com o mesmo pianista Russ Freeman para gravar mais seis canções, que seriam anexadas às oito de 1954 para completar um vinil de 12 polegadas com o mesmo título.

Dificilmente em outro país que não o Brasil, Chet Baker Sings teria tido consequências tão revolucionárias. Os garotos cariocas que ansiavam pela modernidade na música brasileira ouviam-no como num culto. O baiano João Gilberto, que cantava como seu ídolo Orlando Silva, percebeu que a nova estética era o que ele buscava. Nada do que Elizeth Cardoso cantou em "Chega de Saudade", com ele ao violão. Em 1958, ao chegar sua vez de gravar a música, o canto era outro. João cantava seco, sem alongar as notas, enfatizava o lirismo; sua interpretação era lisa, econômica, sem vibrato. Foi, adivinhe, tachado de afeminado. E, assim, nasceu a bossa nova.


Faixas:
A1 But Not for Me
A2 Time After Time
A3 My Funny Valentine
A4 I Fall in Love Too Easily

B1 I Get Along Without You Very Well
B2 There Will Never Be Another You
B3 The Thrill Is Gone
B4 Look for the Silver Lining