3 de dez de 2009

Impressionistas: banda lança single no MySpace

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Por Lester Benga
Os Armênios

Desde que surgiu, lá pelo final de 2007, a banda Impressionistas já chamou a atenção. Com 3 faixas demo no MySpace, a qualidade das composições revelava um grupo acima da média. A sonoridade denotava características oriundas da psicodelia inglesa dos anos sessenta, mescladas de maneira peculiar com um espírito delirante do folk britânico. Mas talvez o mais interessante era o modo como tal releitura não resultava em pastiche. Logo de cara, os Impressionistas já impunham um espírito digno dos maiores no rock: os verdadeiros conhecedores da tradição do gênero avançam com uma voz própria e original.

As letras são dotadas de propriedades marcadamente poéticas. A estética visual do quarteto também é acurada. Como principais influências eles citam os pintores do Impressionismo e os prazeres etéreos dos vapores sorvidos de seus cachimbos. Remates perfeitos para sua performance instrumental digna.

O universo referencial da banda é tão rico que evoca, a um só momento, Renoir e Monet, Baudelaire, Mallarmé e Rimbaud, "Strawberry Fields Forever" e Mutantes, os discos mais ingleses dos Rolling Stones e algo do Jethro Tull em sua fase barroca. Mas o resultado final é tão original que não há como apontar algo semelhante, a não ser afirmar que — em se tratando do rock independente feito no Brasil — eles pertencem a uma tradição lisérgica que teve caminhos trilhados por grupos como Cachorro Grande em seu primeiro álbum, Mopho quando no seu auge, Continental Combo em seus momentos mais inspirados e Júpiter Maçã nos momentos de alta efervescência.

A espera foi longa. Os fãs, que iam sendo conquistado com as primeiras faixas e shows, clamavam por mais. A banda não se dava por satisfeita com aquelas três gravações demo. Retiraram as faixas da internet e não fizeram da pressão um motivo para entregar qualquer coisa mal acabada ao público. Esmerando-se na produção, o resultado converteu uma boa parte do delírio lisérgico das demos em um punch incrível. E o novo single disponibilizado no MySpace já se firma como um dos grandes momentos do rock nesse ano.

Ainda que as novas versões de "Dia Cinza" e "Regando as Plantas" (com o poder diurético da cerveja) não tenham chegado — deixando todos os que já conheciam as músicas com saudades —, as faixas que foram ao ar revelam um ganho substâncial em energia.

Esse título deve ter uma versão física em CD. Enquanto isso, confira abaixo a lista das faixas. E, claro, não deixe de acessar o MySpace da banda para ouvir as músicas.

1 – Apalhacei (Eduardo Barretto)
2 – Não Vou Apalhaçar (Eduardo Barretto)
3 – Meu Jovial Amigo (Eduardo Barretto)

Os Impressionistas são:

* Ricardo Bento: voz
* Eduardo Barretto: baixo e voz
* Gustavo Chaise: guitarra e voz
* Lucas Dellazzana: bateria

Para constar, os integrantes dos Impressionistas já fazem história no rock gaúcho há um bom tempo. Enquanto o baixista Eduardo Barretto toca também na banda Os Efervescentes, o guitarrista Gustavo “Miglu” Chaise faz frente na Severo em Marcha.

Links:

MySpace >>> http://www.myspace.com/impressionistas
Trama Virtual >>> http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=76339
Canal no Youtube >>> http://www.youtube.com/impressionistasrock
Fotolog >>> http://www.fotolog.com.br/impressionistas
Comunidade no Orkut >>> http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?rl=cpp&cmm=41722308
Perfil no Orkut >>> http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=4135550209286433297
Twitter >>> http://twitter.com/impressionistas

Paralamas e Titãs: uma breve análise história

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Por Tiago Rolim
Colecionador
Collector´s Room

É engraçado como discos ao vivo hoje em dia são meros produtos de mercado. Antes eles eram definidores de carreiras. Talvez devido à banalização do DVD como muleta para uma indústria que dá seus derradeiros passos na história, os álbuns ao vivo foram perdendo a importância. No Brasil, a década de 1990 viu nascer dois discos ao vivo que podem, sim, ser chamados de definitivos para ambas as bandas, mas de maneiras diferentes.

Primeiro vamos aos fatos: ambos os grupos, no início da década de 1990, estavam passando por crises de criatividade, tendo lançados seus discos com menor vendagem e aceitação popular até então. Os Paralamas vinham da dupla
Os Grãos, de 1991, e Severino, de 1994, ambos bons discos, onde a banda experimentou muito, mas não obteve os resultados esperados, além de ter passado por problemas internos meio graves na época de Os grãos. Mas vinha crescendo muito na América do Sul, especialmente na Argentina, onde Severino foi um grande sucesso, o que de certa forma amenizava a crise passada no Brasil. 

Mas, diferente do que normalmente acontece, como os Paralamas tinham uma grande reputação de banda ao vivo continuaram lotando shows aonde iam pelo Brasil, mesmo com os percalços da economia do início da década. Foi a partir desta observação que eles tiveram a ideia de registrar a turnê de um disco fracassado comercialmente falando.

E assim foi feito.
Vâmo Batê Lata é um disco ao vivo onde se vê que o repertório dos álbuns acima citados funcionava muito bem nos shows e, além disso, viraram clássicos da banda, como "Vâmo Batê Lata", "Trac-Trac" e "Dos Margaridas". Mas o disco tinha mais: versões pesadas e mais energéticas para "O Beco", "A Novidade" e, especialmente, "Meu Erro" - com uma inserção magistral de "Soul Sacrifice", de Santana -, levantaram a moral da banda de tal forma que em entrevistas Herbert Vianna chegou a dizer que, em apenas um dia, Vâmo Batê Lata vendeu mais que o Severino em um mês inteiro. Além disso, ele vinha com um disco bônus com quatro músicas inéditas, que invariavelmente se tornaram clássicos, especialmente "Uma Brasileira" e "Luiz Inácio (300 Picaretas)".

E os Titãs? Bem, tal qual os Paralamas, eles também estavam passando por crises, com o agravante de não ter uma válvula de escape, como os Paralamas tinham na América do Sul. Seus discos
Tudo ao Mesmo Tempo Agora e Titanomaquia, apesar de serem os mais pesados e extremos de sua longa carreira, foram duramente criticados, em especial o primeiro. Músicas como "Clitóris", "Já", "Isso para Mim é Perfume" e "Saia de Mim", de Tudo ao Mesmo Tempo Agora, foram odiadas pela crítica e por uma parcela dos fãs, aquela mais conservadora, e principalmente, consumidora, em tempos de bonança da indústria fonográfica. 

Depois veio o já citado Titanomaquia, que teve o agravante da saída de Arnaldo Antunes, o que fez as expectativas serem muito negativas. Mas o disco foi bem, com alguns bons hits, como "Será que é Disso que eu Necessito", "Hereditário" e "Disneylândia" e sua letra surrealista. Diferente dos Paralamas, o Titãs lançou mais um disco de estúdio, o ignorado Domingo, e aí sim, depois de ver seu público minguar em shows e migrar para bandas novas como Raimundos, partiu para o disco ao vivo.

O
Acústico MTV dos Titãs foi muito bem recebido pelo público e pela crítica, o que foi de certa forma esperado, pois com o aval da emissora e da gravadora tinha tudo para dar certo mesmo. Versões desplugadas de clássicos como "32 Dentes", "Comida" e "Diversão", além da participação de Marisa Monte em "Flores", foram muito bem aceitas pelo público.

Mas é a partir daí que as histórias das duas bandas tomam caminhos diferentes. Pois os dois discos serviram, mesmo que esta não fosse a intenção, devido ao estrondoso sucesso alcançado, para apresentar os dois grupos à toda uma nova geração, que era muito nova para lembrar de um tempo aonde "Selvagem" e "Polícia" eram hits de duas bandas novas e com reputação de serem as maiores revelações do rock nacional.

Pois enquanto o
Vâmo Batê Lata mostrou uma banda de palco, com energia e vigor suficientes para encantar uma molecada que estava chegando no jogo, e com isso se mostrar renovada ao ponto do lançamento seguinte ser o melhor disco deles na década de 1990, Nove Luas, recheado de hits como "Busca Vida", "Lourinha Bombril (Parate y Mira)" e "La Bella Luna", o Acústico mostrou um grupo que em nada lembrava os Titãs da década de 1980. Tanto que depois dele a pressão foi tamanha que os Titãs vieram com o Volume Dois com mais uma dose de "delicadeza", que tanto agradou aos fãs. Depois foi uma descida de ladeira que é difícil encontrar semelhante na história da música brasileira: As 10 Mais. É difícil encontrar alguém que ao menos fale bem deste disco, que dirá dizer alguém que goste. Faça este teste, leitor.

Daí voltamos ao início deste texto: discos ao vivo podem, sim, redefinir carreiras. Temos exemplos em todo o mundo, e não só no rock. A despeito da tragédia que se abateu com os Paralamas do Sucesso, eles são a única banda dos anos oitenta que está na ativa com relevância e lançando discos, que se não estão à altura dos antigos, são dignos e respeitados, como, por exemplo, o mais recente
Brasil Afora, que tem ao menos três hits prontos para encantar quem se interessar em ouvir o play, pois com a morte da indústria, com certeza no rádio é que não vão ser escutados.

Já os Titãs, infelizmente, hoje de semelhante com aquela banda que escandalizou o Brasil com
Cabeça Dinossauro só restou o nome, por que discos como o recente Sacos Plásticos e o sintomaticamente chamado A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana não honram o bom nome que este grupo já teve um dia.

Gelo Preto em São Paulo

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Maurício Rigotto
Colecionador e Escritor

Sexta-feira, 27 de novembro. Após dezoito horas de viagem, cheguei por volta das quinze horas em frente ao estádio Morumbi, em São Paulo. Quem me conhece sabe da aversão que tenho por futebol, consequentemente, o único evento que me motiva a ir a um estádio é um show de rock. Dentro de algumas horas, o AC/DC, uma das maiores bandas do mundo, faria seu único show no Brasil depois de treze anos sem se apresentar no país. O grupo está realizando uma grande turnê mundial, a primeira em oito anos, divulgando o elogiadíssimo álbum Black Ice, lançado no ano passado. A turnê é uma das mais lucrativas e bem sucedidas da história, lotando estádios ao redor do mundo, e em São Paulo não seria diferente.

Àquela hora da tarde, uma fila gigantesca contornava toda a circunferência externa do estádio. Milhares de pessoas vestidas com camisetas pretas com o logotipo do AC/DC aguardavam ansiosamente a abertura dos portões, programada para as dezoito horas. A esmagadora maioria das pessoas usava um diadema na cabeça com os chifres vermelhos que se tornaram uma das marcas de Angus Young, a estrela da banda. Outros estavam vestidos de Angus, com seu característico uniforme de colegial. 

Resolvi não desperdiçar a tarde em uma fila. Sei que poderia entrar no estádio ao anoitecer e ainda conseguir um bom lugar para ver o show. Resolvi dar um passeio e embarquei em um ônibus em direção ao centro. Quando o coletivo estava na Av Rebouças, perto da Av Paulista, o trânsito simplesmente parou em um grande engarrafamento. Saltei ali mesmo e peguei o metrô até a Estação da Luz, para dar uma volta no Mercado Público e na rua 25 de março. 

Cheguei lá já perto das dezoito horas e resolvi logo voltar ao Morumbi. Peguei um táxi nas imediações e comecei uma tortuosa e desesperada viagem de volta ao estádio. O trânsito da capital paulista estava infernal, até o chofer comentou que nunca havia enfrentado um engarrafamento daquela magnitude. Rebouças, Paulista, Rua Augusta ... milhares de veículos sem se mexer, um inferno. Para tentar fugir do caos da Rebouças, o motorista optou pela Consolação. Andamos por mais de uma hora, mas no bairro Jardins o táxi se viu novamente preso no congestionamento. 

Comecei a ficar seriamente preocupado, até que optei em descer do táxi e tentar um ônibus, pois em seus corredores havia fluxo. Quando embarquei no ônibus, caiu uma chuva torrencial que ensopou a todos que estavam no estádio. Após quase uma hora de trajeto, desci do ônibus, já sem chuva, às vinte e uma horas. Ainda precisava caminhar mais de dois quilômetros para chegar ao Morumbi. Com o passo apressado, adentrei ao portão de acesso pontualmente as vinte e uma horas e trinta minutos. Fui revistado pelos policiais e corri para dentro. No exato minuto em que me vi entre as setenta mil pessoas que lotavam o local, as luzes se apagaram e um dos maiores espetáculos que já presenciei teve início.

Com as luzes apagadas, só o que se via era um mar de chifres vermelhos luminosos, pois mais da metade da multidão usava o adereço. Nos enormes telões de alta definição, uma bela animação teve início, mostrando um trem descontrolado em altíssima velocidade, com os membros do AC/DC em seus vagões. O guitarrista Angus Young, personificado como um demônio, alimentava o fogo da caldeira jogando carvão com uma pá, quando duas gostosonas surgem e o seduzem, simulando masturbação e sexo oral em sua enorme língua. Repentinamente, elas o chutam e puxam o freio de emergência do comboio. Enormes faíscas são produzidas pelas rodas do trem em atrito com os trilhos. O desenho animado termina com uma locomotiva de verdade, de seis toneladas, invadindo o palco ainda expelindo fumaça. 

A banda surge e empolga o público com "Rock’n’Roll Train", faixa do novo disco. Mais de duzentas caixas de som amplificam o volume com perfeição, proporcionando uma das melhores sonorizações que já ouvi em grandes arenas. Após a abertura, os clássicos "Hell Ain't a Bad Place to Be" e "Back in Black" levaram a multidão a um frenesi coletivo. Surpreendentemente, a próxima faixa, "Big Jack", do novo álbum, foi cantada em uníssono pela platéia, como se fosse algum dos antigos clássicos da banda. Aliás, parece que o grupo só tem clássicos no repertório, pois se seguiram "Dirty Deeds Done Dirt Cheap", "Shot Down in Flames" e "Thunderstruck", antes da música que nomeia o novo disco e turnê, "Black Ice". 

A energia e o entrosamento impressionam. Angus Young e o vocalista Brian Johnson comandam o espetáculo, correndo todo o tempo por toda a extensão do gigantesco palco, enquanto os demais membros - Malcolm Young (guitarra), Cliff Williams (contrabaixo) e Phil Rudd (bateria) - mantém a base com extrema competência. 

No blues "The Jack" Angus Young larga a guitarra para fazer um strip tease, livrando-se de seu uniforme de colegial enquanto a plateia grita o refrão "she’s got the Jack". Ao abaixar a bermuda, Angus revela uma cueca com o logo do AC/DC em suas nádegas. Em "Hells Bells", um grande sino desce ao palco e Brian Johnson pendura-se como um Tarzan em seu cipó na corda que faz badalar o pêndulo. 

Depois de "Shoot to Thrill", outra nova canção, a ótima "War Machine", e mais clássicos: "Dog Eat Dog", "You Shook Me All Night Long" e "TNT". Em "Whole Lotta Rosie", uma gigantesca boneca com seios fartos e coxas grossas é inflada sobre a locomotiva. Em "Let There Be Rock", imagens de todos os discos e todas as fases da banda são projetadas nos telões, incluindo a imagem de Bon Scott, o carismático vocalista falecido em 1980. 

Angus percorre uma passarela até um elevado bem no centro do estádio, onde solou sua Gibson SG por cerca de dez minutos enquanto era ovacionado pelo público e coberto por uma chuva de papel picado, num dos momentos mais emocionantes do espetáculo. 

A banda se despede e ninguém arreda o pé. O grupo volta para o bis com "Highway to Hell" e encerra o show com "For Those About to Rock (We Salute You)". Ainda aturdida, a plateia é brindada por uma queima de fogos de artifício. Foram duas horas de show que pareciam ter durado alguns poucos minutos. Não é exagero dizer que foi um dos melhores shows de rock que já passaram em terras tupiniquins desde que o gênero foi inventado.

Fiquei bebendo algumas cervejas defronte ao estádio enquanto via a multidão lentamente se dispersar, em um estado de emoção e encantamento que somente um grande show pode proporcionar. 

Domingo que vem repetirei a dose em Buenos Aires. Na próxima semana eu volto para contar como foi. Black ice!

AC/DC: Levando o termo "espetáculo" às últimas conseqüências

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Por Vitor Bemvindo
Colecionador e Historiador

Crédito das fotos: Divulgação T4F (MRossi)
 
As mais de 70.000 pessoas que estiveram no estádio do Morumbi, no último dia 27, certamente estavam preparadas para um grande espetáculo de rock and roll. Desde os anos 1970 o AC/DC tornou-se conhecido pelos grandiosos shows e apresentações repletas de recursos pirotécnicos e performances impactantes. O que foi presenciado em São Paulo, na última sexta, foi um pouco mais do modo AC/DC de fazer rock.
 
Logo ao entrar no estádio, os presentes se surpreendiam com a enorme estrutura montada. Um palco de uma altura descomunal, com dois bonés gigantes infláveis com chifrinhos demoníacos que piscaram durante todo o show. Boa parte da platéia adotou a moda dos chifrinhos piscantes, que certamente renderam um bom dinheiro aos vendedores ambulantes que cercaram as imediações do estádio. Os milhares de chifres compuseram o espetáculo, com um mar de luzes vermelhas.


Além do palco, a estrutura ainda contava com três telões de alta definição (um central e dois laterais). O espetáculo foi introduzido por uma interessantíssima animação que fazia alusão à canção que abriu o show, "Rock and Roll Train", do mais recente trabalho (Black Ice, de 2008). Antes do poderoso riff da faixa atordoar os ouvidos de todos que ali estavam, o telão central se dividiu em dois para adentrar ao palco uma enorme locomotiva com chifres. O público foi à loucura com a música e com os efeitos. O espetáculo começava!
 
Brian Johnson saudou o público e convidou a todos a mergulhar naquele espetáculo, dizendo que não sabia falar a língua local, mas que falava o idioma do rock. Veio então um clássico, "Hell Ain't a Bad Place to Be", seguida da faixa-título do álbum mais bem-sucedido comercialmente do AC/DC,
Back in Black. Mais uma vez o Morumbi veio abaixo.


O clima se acalmou um pouco com a nova "Big Jack" que, apesar de ser empolgante, não é tão conhecida como os grandes clássicos. A empolgação voltou ao nível de antes, quando Johnson anunciou "Dirty Deeds Done Cheap" e logo depois trouxeram a tradicional "Shot Down in Flames" (de Highway to Hell, 1979).
 
Depois de duas faixas da era Bon Scott veio uma faixa do início da retomada da popularidade da banda, do começo dos anos 90: "Thunderstruck". Os versos da canção, popularizada no Brasil graças à exibição excessiva do clip na MTV, pareciam estar guardados na memória de todos os presentes, que os cantaram com entusiasmo.
 
A faixa-título do trabalho mais recente,
Black Ice, foi muito bem recebida, mas a galera curtiu mesmo o tradicional blues "The Jack". Durante a execução da faixa, apareceram no telão várias meninas da platéia. A questão que não quer calar é: qual delas tinha o valete?
 
O blues foi encerrado com o tradicional striptease do impagável Angus Young. Felizmente, diferente do que acontecia durante muitos anos, Angus desistiu de mostrar seu magrelo traseiro, mostrando apenas um cuecão com o clássico logotipo do grupo.


A presença de palco de Angus Young é um capítulo a parte. Ele realmente parece estar possuído pelo demônio que tanto evoca com os dedos em riste. A tradicional dancinha inspirada no duck walk de Chuck Berry foi realizada poucas vezes. Mas poucos sentiram falta do psyduck, já que o repertório de performances de Angus foi apresentado de forma completa.
 
Quando o strip terminou, ninguém esperava que algo mais espetacular pudesse acontecer, até que de repente o tradicional sino começou a descer do alto do palco, para que Brian Johnson empreendesse uma desajeitada corrida e se pendurasse na corda que estava presa ao badalo do sino. As badaladas de "Hells Bells", mais uma vez, fizeram o público ir ao delírio. Em seguida veio mais uma faixa de
Back in Black, "Shoot to Thrill".
 
Em "War Machine", mais uma excelente animação foi exibida nos telões. Nela os integrantes da banda pilotam aviões e tanques de guerra que disparam guitarras e muito rock and roll. Sem dúvida a exibição fez com que a nova canção fosse melhor recebida.


A partir daí só vieram clássicos! Em "You Shock Me All Night Long" parecia que o Morumbi iria vir abaixo. Não satisfeitos em deixar todos alucinados, eles resolveram tocar a empolgante "T.N.T." e, dessa vez, parecia que o estádio seria implodido por toda aquela dinamite.
 
Logo Brian Johnson começou a contar a história da grande e quente Rosie. A tradicional boneca inflável tamanho família dessa vez veio sentada no trem do rock and roll. Todos estavam tão empolgados com "Whole Lotta Rosie" que provavelmente não repararam na rapidez em que a boneca foi inflada e desinflada. Fora isso, são impressionantes os detalhes da boneca: além dela ser gorda, tem uma meia rasgada, várias tatuagens e uma nota de dólar presa na roupa.
 
Quando veio "Let There Be Rock", quem achou que o endiabrado Angus Young estava cansado se enganou redondamente. O garoto de 54 anos começou a performance mais empolgante do show, isso depois de mais de uma hora e meia de apresentação. O vigor de Angus foi acompanhado por mais uma animação incrível, exibida no telão central, que voltou a ser unido após o trem ter sido recolhido. Nessa animação, a plateia teve a oportunidade de viajar pelas capas dos álbuns do AC/DC, que ganharam vida.


O possuído Angus caminhou pela ponte que levava ao palco auxiliar, onde uma plataforma o elevou como um grande ídolo, que foi reverenciado por todos os presentes. No alto, o pequeno grande guitarrista parecia um louco, se jogando no piso da plataforma se debatendo e tocando como um alucinado. Após voltar ao palco principal, o guitarrista fez um solo admirado por todos.
 
A banda se retirou por alguns instantes, até voltar para executar mais dois clássicos. Primeiro, "Highway to Hell" e, depois, "For Those About to Rock (We Salute You)". Na última canção vieram os tradicionais canhões, que não foram tão pirotécnicos como de costume, pois foram acompanhados de canhões animados exibidos nos telões.
 
Para fechar a noite, uma grande queima de fogos!


Sem dúvida o show do AC/DC no Morumbi foi o grande espetáculo internacional do ano no Brasil, superando superproduções como as do Iron Maiden e do Kiss. Espetáculo em todos os aspectos: superprodução, pirotecnia, telões de alta definição e o principal: rock and roll de altíssima qualidade.
 
A banda se mostrou incrivelmente em forma, inclusive na voz de Brian Johnson, que foi criticada durante a turnê. É bom lembrar que o grupo chegou a cancelar alguns shows por contas de problemas nas cordas vocais do vocalista. Mas isso não comprometeu em nada o show, pelo contrário, Johnson esteve muito bem.


O carregador de piano da banda, o guitarrista base Malcolm Young, esteve impecável como sempre, mostrando-se um dos maiores especialistas no assunto. A sempre competente cozinha do grupo não decepcionou; Cliff Williams e Phill Rudd são parte da alma do AC/DC.
 
Angus Young ... Bem, Angus é Angus!
 
Se algo pode ser criticado é o excesso de profissionalismo da banda. O show é milimetricamente ensaiado, sem espaço para improvisações e mudanças no roteiro. O set list foi praticamente o mesmo durante toda a turnê, variando apenas na inclusão, em alguns shows, da nova "Anything Goes".
 
Mas reclamar disso é não saber aproveitar uma perfeita noite de rock!


1 de dez de 2009

Podcast Collector´s Room #024: Calendário do Rock - As datas marcantes do mês de dezembro

terça-feira, dezembro 01, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Nova edição do podcast da Collector´s Room no ar!

Nesse programa demos uma passada geral pelas principais datas da história do rock ocorridas no mês de dezembro. Temos shows históricos, lançamentos de álbuns, mortes de grandes músicos, adeus de grandes bandas e um monte de curiosidades para você!


Você pode ouvir também o podcast da Collector´s Room no site da rádio Shock Box, clicando aqui.

Se você curtiu o programa, ou se não curtiu também, deixe o seu recado nos comentários e ouça o podcast da Collector´s Room em alto e bom som!

Bloco 1

Rolling Stones - Gimme Shelter
Álbum: Let it Bleed (1969)

Taj Mahal - Ain´t That a Lot of Love
The Dirty Mac - Yer Blues

Bloco 2

Pink Floyd - Goodbye Blue Sky
Pink Floyd - Empty Spaces
Pink Floyd - What Shall We Do Now?

Bloco 3

Deep Purple - You Keep on Moving
Álbum: Come Taste the Band (1975)

Jimi Hendrix - Who Knows
Álbum: Band of Gypsys (1970)

Bloco 4

Led Zeppelin - Bonzo´s Montreux
Álbum: Coda (1982)

Led Zeppelin - Achilles Last Stand
Álbum: Presence (1976)

Bloco 5

The Clash - Spanish Bombs
The Clash - Clampdown
The Clash - Lost in the Supermarket
Álbum: London Calling (1979)

Emerson, Lake & Palmer - Lucky Man
Álbum: Emerson, Lake & Palmer (1970)

Castiga!: o soul psicodélico e obscuro do Humble Gathering

terça-feira, dezembro 01, 2009

Por Marco Antonio Gonçalves
Colecionador
Sinister Salad Musikal

Quem é do ramo sabe que uma das glórias para nós colecionadores de discos é quando nos deparamos com um novo lote de LPs nos sebos da vida. Dia desses, lá estava eu no Big Papa Records (loja localizada na Galeria Nova Barão, no Centro de Sampa) selecionando algumas dessas bolachas raras quando o anfitrião Carlão, como sempre faz, colocou na vitrola alguns plays para realçar o ambiente sonoro, entre eles o álbum do Humble Gathering, um obscuro combo americano que eu nunca tinha ouvido falar. A bela capa e as maquinações sonoras agregando instrumentos de sopro, órgão e guitarras logo me chamaram a atenção. Quando o som começou a rolar, não foi preciso muito tempo para aquela música divinal e vigorosa me arrebanhar. Numa prece, já era a minha mais nova aquisição vinílica.

Buenas, na loja eu havia dado uma rápida orelhada em algumas faixas e agora estou escutando o disco com maior atenção aqui no aconchego do lar. Parece que naqueles cabeludos tempos hippies muitas bandas atiravam para todas as direções, reunindo tendências diversas e englobando vários estilos nas instrumentações. Em menor escala, é o que percebo também neste único e raro registro homônimo do Humble Gathering.

O disco veio com uma etiqueta identificando o estilo da banda como sendo da corrente jazz rock. É vero que em alguns momentos a tropa de metais até faz lembrar vagamente bandas como o Blood, Sweat & Tears, por exemplo. Mas não é só. O grupo passeia também pelas vias do rhythm & blues, do pop e do folk. Agora, se tivesse que cravar a vertente mais próxima da música praticada pelo grupo, arriscaria um soul psicodélico, daqueles focados no lado espiritual e em perfeita harmonia com a black music vigente na época. Um éden sonoro com destaque para as belas instrumentações e para as vocalizações gospel que funcionam a plenos pulmões.

Produzido por Michael Burton e lançado em 1970 pelo incógnito selo Stang Records, mostra uma reunião de músicos em sintonia com o movimento flower power. Temas de orientação cristã celebrados em verdadeiros cânticos espirituais que pregam a paz, o amor e as boas vibrações. Arregimentações sonoras amparadas por instrumentos de sopro a cargo de Wally Hippensteel (trombone), Bob Keller (trumpete) e Ray Brown (sax tenor, alto sax, flauta); órgão e teclados maneiríssimos de Joel Levine; baixão de Derek Parsons; batera de Gordon Keeney; e frases de guitarra em perfeita comunhão, num trabalho conjunto de Wally Nye nos solos e Denny Betz na parte acústica. Mas o foco espiritual do grupo está mesmo no vocal classudo de Phillip Grover Bennett e no auxílio luxuoso dos vocais gospel de Jack Vallati & B. Humble - este último o principal compositor do agrupamento sagrado.

Músicas cativantes como "Hymn #2000", "Hometown Beggar", "Mr James", "Lora", "Breakout" e "The Dog Song" injetam uma boa dose de energia na alma, tornando o ouvinte um peregrino em plena devoção musical. Para entender melhor a mensagem da turma, vai aqui o refrão da faixa "The Gathering", que encerra o álbum com a seguinte mensagem: "
Eu vou reunir meu povo / vou subir mais alto / vou voar distante / Irmãos na convivência pacífica / onde todos os pecados são perdoados / Há leite e mel na terra prometida…". Divino maravilhoso!

Estava procurando informações sobre o Humble Gathering na web e o que encontrei foram alguns links vendendo cópias do disco. Impressionante é a disparidade de preços, que variam entre 35 e 500 dólares. Ô loco! Tem que garimpar muito pra fazer valer o investimento e não jogar dinheiro fora. No meu caso, comprei vários discos no Big Papa e com isso obtive um bom desconto: na média, o preço final do LP saiu por exatos 41 reais. Grande investimento e tremenda aquisição. Como não guardo meus discos em ordem alfabética, vai ficar ali perdido no bairro onde habitam grupos americanos de índole sônica parecida como The Ideso March, Little John, Jam Factory, Gotham, I Don’t Care e Electric Flag.

Quase não há informações sobre a banda na internet. E pra ficar mais nebuloso ainda, desconfio que esta pérola sequer saiu em CD. Portanto, se nessas "andanças bolhísticas" você tiver a sorte de encontrar pela frente esse disco por um preço camarada, faça como eu: pode pagar a fatura que o custo-benefício vale a pena. Mesmo porque passar desta para melhor sem nunca ter escutado essa maravilha discográfica será com certeza um pecado imperdoável!

Faixas:
1. Hymn #2000
2. Hometown Beggar
3. Mr James
4. Lora
5. Breakout
6. The Dog Song
7. Down the Highway
8. The Gathering

Collector´s Chest: Running Wild - Masquerade Clear Vinyl Limited Edition (1995)

terça-feira, dezembro 01, 2009

Por Jaisson Limeira
Colecionador
Collector´s Room

O Running Wild está na estrada há mais de 30 anos, e fez a alegria de fãs com seu metal tradicionalíssimo e uma regularidade com ótimos trabalhos. Infelizmente a banda encerrou as suas atividades agora em 2009, com um mega show no festival
Wacken Open Air.

Hoje estou aqui para falar de Masquerade, lançado em 1995 logo após a famosa tour Summer Metal Meetings, que reuniu nada mais nada menos que Grave Digger e Rage, além, é claro, do próprio Running Wild, que juntos formavam a trinca do power metal alemão da época. A turnê também contou com o Iced Earth em algumas datas.

Masquerade, logo após seu lançamento, causou muita polêmica entre os fãs da banda, já que pela primeira vez o grupo estava usando algumas passagens com bateria eletrônica, mas desde o início do álbum o conjunto já deixava claro que não foi por acaso que ajudou a definir e consagrar o estilo. Com as ótimas "Lions of Sea", "Metalhead" e a faixa-título a banda fazia uma metal mais pesado e bem mais rápido que de costume.

A capa ficou a cargo Andreas Marschall, muito famoso pelos seus trabalhos para nomes como Grave Digger, Rage, In flames, Hammerfall, Blind Guardian e Dimmu Borgir, entre muitos outros.

A edição em vinil transparente saiu junto com o álbum, mas foi limitada a apenas 1.000 cópias pela Noise Records. Portanto corram atrás das suas, por que está cada vez mais difícil de se encontrar, além, é claro, de ser um puta disco!


Faixas:
A1 The Contract / The Crypts of Hades
A2 Masquerade
A3 Demonized
A4 Black Soul
A5 Lions of the Sea
A6 Rebel at Heart

B1 Wheel of Doom
B2 Metalhead
B3 Soleil Royal
B4 Men in Black
B5 Underworld

30 de nov de 2009

Rolling Stones e os 40 anos de Let it Bleed

segunda-feira, novembro 30, 2009

Por Marina de Campos e Rodrigo de Andrade
Os Armênios

Fazem exatos 40 anos que o
Let it Bleed foi lançado na Inglaterra. Nos EUA, o disco chegou às lojas um dia depois. E hoje, mesmo tendo passado tanto tempo, o álbum continua como um monolito, um dos melhores e mais importantes títulos na extensa discografia dos Rolling Stones.

É um trabalho extremamente peculiar e o último lançamento da banda nos anos 60. Não era apenas uma transição de décadas, mas no interior do próprio grupo. Era o primeiro disco de inéditas após a saída de Brian Jones - primeiro líder e fundador dos Stones, falecido na metade daquele ano -, apesar dele figurar em duas faixas. Também, Let it Bleed marcava a estreia de seu substituto: o jovem Mick Taylor, que também apresentava suas habilidades em apenas duas faixas.

Mesmo sendo um composto de faixas oriundas de momentos diversos, sem uma unidade criativa por trás do grupo, ninguém sequer se atreve a acusá-lo de ser "apenas um apanhado de canções". Cada momento tem um brilho tão forte que ofusca. Apesar de todo seu entorno - ou justamente por causa dele - Let it Bleed foi criado em meio ao período mais fecundo da história da banda. E redefiniu seu espírito e trajetória - fazendo dos Stones um grupo ainda mais sombrio e decadente - para a década seguinte.

Nesse especial, em comemoração aos 40 anos dessa obra, traçamos um breve histórico de Brian Jones, figura fundamental na trajetória da banda, que sai definitivamente de cena nesse álbum. Na sequência, há uma análise detalhada do disco, faixa por faixa. Segue uma breve resenha de outros artefatos - filmes, discos, livros, compactos - que retraram o momento e se relacionam organicamente com esse importante trabalho dos Stones. Por fim, um documento original de época, uma significativa resenha jornalística, que extrapola o campo da crítica e se assenta dignamente no âmbito do jornalismo literário, demonstrando que, desde o seu surgimento, Let it Bleed já se firmou como uma peça artística chave na história da música e a obra símbolo do final dos lendários anos sessenta.

Brian Jones: o beatnik de Cheltenham

segunda-feira, novembro 30, 2009

Por Marina de Campos e Rodrigo de Andrade
Os Armênios

Ele foi o líder fundador dos Rolling Stones. E se a banda se vale da mítica em torno da figura do rebelde marginal como a personificação dos ideais do rock’n’roll, a verdade é que Brian Jones nunca precisou encarnar tal papel. Desde o início ele foi um autêntico outsider.

Nascido em Cheltenham, no interior da Inglaterra, Lewis Brian Hopkin Jones era filho de uma professora de piano. Começou a tocar com 10 anos, aos 12 já era o clarinetista principal da orquestra de sua escola e com 15 já fazia dinheiro tocando saxofone todo fim de semana em uma banda de jazz. Como um autêntico beatnik, colocou o pé na estrada, fugindo de sua cidade natal aos 16 anos de idade. Escapava também da responsabilidade de ser pai, deixando sua namorada de 14 anos com um filho no colo. Viveu como mendigo por um período na Escandinávia, até que voltou para Londres, onde descobriu o blues e se integrou no circuito musical local, apresentando-se em inferninhos e cafés universitários.

Quando Mick Jagger e Kieth Richards o conheceram, em 1962, ficaram impressionados não apenas com a primeira execução de slide guitar que eles presenciavam, mas principalmente com aquele indivíduo loiro. Brian tinha a mesma idade que eles, tocava de maneira surpreendente, já havia passado por um sem número de bandas, vivia de sua arte, morava sozinho, tinha três filhos e nenhuma esposa, havia perdido o contato com a família e se metia em brigas frequentes, muitas vezes por furto. Parecia um personagem dos filmes de James Dean. Isso tudo enquanto Jagger e Richards ainda moravam com os pais!

Logo os Rolling Stones surgiram e tinham aquele marginal como figura de ponta. Com um QI de 137 - acima da média -, Brian tinha uma visão única sobre a música e uma facilidade impressionante para dominar, pelo autodidatismo, uma série de instrumentos. Se Mick Jagger passou meses tentando aprender a tocar gaita harmônica, Jones não precisou mais que meia hora. Enquanto o beatle George Harrison foi para Índia ter aulas de cítara com Ravi Shankar, Brian começou a tocar o instrumento sozinho. Era o responsável por trazer o toque de originalidade que diferençava sua banda de tantas outras que infestavam os inferninhos da Swinging London. Suas contribuições musicais nas composições dos Rolling Stones se tornavam referências citadas por artistas do porte de Eric Clapton, John Lennon, Ray Davies, Bob Dylan e Jimi Hendrix.


Mas não era nada fácil ser Brian Jones. Desde o início sofria fortes ataques dentro de seu próprio grupo, permanecendo em constante disputa pela liderança da banda. O controle da coisa começou a escapar de suas mãos quando o núcleo criativo das canções foi se centrando na dupla Jagger & Richards. Sentia-se inibido por tantos músicos de relevo o apontarem como o gênio do grupo, cobrando por suas contribuições. Aliado a tudo isso, há o triste fato dele ter sido um dependente químico - algo que debilitava a sua já frágil saúde -, e pela sua posição, vivia cercado de pessoas que lhe ofereciam todas as drogas disponíveis o tempo inteiro. Era outro fator que, emocionalmente, lhe deixava em frangalhos. Foi preso mais de uma vez por porte de drogas.

O outro ponto que lhe desestabilizava eram as mulheres. Jones tinha sérios problemas em lidar com o sexo oposto, e várias vezes foi acusado de agressão. O músico nunca superou a perda de seu grande amor - a atriz, modelo e bruxa Anita Pallenberg - para o colega de banda, Keith Richards.

Assim como sua ascensão, a queda de Brian foi meteórica. Afundado em drogas, desestabilizado emocionalmente, encrencado na justiça, o artista estava num estado em que não conseguia mais produzir. O golpe final foi a expulsão da própria banda que ele havia criado. No mês seguinte, no dia 03 de julho de 1969, Brian Jones foi encontrado morto, na piscina de sua casa, em circunstâncias até hoje não esclarecidas. No final do ano - 28 de novembro de 1969, exatos quarenta anos atrás - os Rolling Stones lançavam Let it Bleed, um impressionante disco de transição com as últimas contribuições de Brian no grupo e a obra símbolo de sua época.

Ao lado de outros gigantes lendários do rock que faleceram cedo demais, todos num curto espaço de tempo - Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin - Brian Jones se diferençava não só por ser inglês, mas se destacava por ter precedido e influenciado os demais.

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