Por Ronaldo Rodrigues
Colecionador
Apresentador do programa Estação Rádio Espacial
Seminal suíte do disco com o qual o Camel entrou pisando duro no mapa do rock progressivo inglês, que vivia seu apogeu. O álbum Mirage, lançado em 1º de março de 1974 pela Deram, não se saiu muito bem na Inglaterra, mas gerou uma boa repercussão nos EUA e rendeu uma extensa turnê por lá.
Segundo Andrew Latimer, guitarrista, vocalista e um dos principais compositores da banda, Mirage foi uma espécie de “contraponto” ao disco de estreia da banda, já que lá mantiveram as músicas com solos curtos e arranjos bem polidos, e aqui é nítida uma desenvoltura maior nos temas e uma maior proximidade do resultado sonoro que acontecia no palco, com mais pegada e virtuose. Também foi o momento em que a banda encontrou direcionamento, como Latimer revelou em uma entrevista.
Nos EUA, a banda estava abrindo os shows para o Wishbone Ash durante um período, mas foram convidados pela produção da tour à acompanhá-los em toda a turnê pelo país, ao longo de 3 meses, o que ajudou a fundamentar a reputação da banda, que a partir daí veio em um crescente. A formação na época era Andrew Latimer (guitarra, flauta e vocal), Peter Bardens (teclados), Doug Ferguson (baixo e vocal) e Andy Ward (bateria). Os 12 minutos da faixa desenrolam-se com tanta fluidez que mergulham o ouvinte numa incrível excitação mental, relativizando a aparente extensão demasiada. A introdução é embasbacante, com uma fraseado sintetizado de Peter Bardens, cruzando uma conexão poderosa com a bateria, que em toda a canção se equilibra entre o estilo régio e o sóbrio. A apoteótica introdução margeia a melodia escultural da guitarra de Andrew Latimer, que compete lado a lado com os mais perfeitos solos de Jan Akkerman (Focus) ou David Gilmour (Pink Floyd). Em diante, os tranqüilos vocais de Latimer são pontuados por inteligentes intervenções de Bardens.
Em si, a canção não foge muito aos padrões mais convencionais do rock, mas o que a torna tão especial e sideral é a diversidade de idéias, tão bem combinadas, e a riqueza melódica, tão sensorial quanto intuitiva, que atinge o limiar quase intangível que une o genial ao assobiável. Para o solo de guitarra, uma base poderosa de baixo-teclados sustentada com mão pesada pela bateria, permite um vôo quase apocalíptico-estrondoso de Latimer e depois no urgente ataque das teclas sofisticadas de Bardens. O fechamento da suíte é com o mesmo tema que a inicia a canção, após a intro.
A letra foge um pouco do estereótipo progressivo de temas ficcionais, tratando de um relacionamento, um encontro, de uma maneira sutil, com a voz funcionando mais como instrumento do que na posição dos holofotes centrais da canção. Trata-se de um suposto amor por uma figura feminina idealizada. A suíte é dividida em três movimentos - "Encounter", "Smiles For You" e "Lady Fantasy". Para quem gosta de rock progressivo, a faixa em questão e o disco a que pertence são referências.
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2 comentários:
A composição é perfeita, bom como a execução dos vários intrumentos. A única ressalva que faço a essa música é o timbre de voz que não ME agrada. Prefiro os vocais de "Nimrodel" e até de "Freefall", que são mais "impessoais", permitindo à música transpassar sem mácula.
Mas é ótimo relembrar um ótimo trabalho como esse!
Parabéns!
Comprei o álbum nesse ano e o considero uma das grandes aquisições em minha coleção...
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