Minha Coleção - Renato Brito: “Passei 6 meses sem ouvir nenhum disco porque não conseguia achar agulha pra repor, então minha vida foi um inferno!”


Por Fernando Bueno
Colecionador
Collector´s Room

Renato, obrigado por participar da coluna Minha Coleção. Gostaria que você se apresentasse para os leitores do blog.

Bem, meu nome é Renato, tenho 32 anos, moro em SP, especificamente no Edifício Copan, um belo cartão postal da cidade.

Como foi que você entrou em contato com a música?

Desde pequeno tenho contato com música pelos meus pais, tios e avós. Meus avós eram cantores de rádio, tenho um tio e um irmão baterista e praticamente toda a família canta e toca violão, então os encontros da família são sempre bem musicais. Depois, em uma festa da escola, na 5ª serie, eu ‘apresentei’ no palco a música “Yesterday” dos Beatles, e pra isso tive que ensaiar muito a letra, já que eu não conhecia nada de inglês, e também não conhecia “quem cantava”. Depois da apresentação eu, criança, acabei riscando o compacto que meu tio havia me emprestado e depois joguei fora. Uma pena! Eu me lembro de começar a realmente gostar de rock quando comprei meu primeiro CD, ’74 Jailbreak, do AC/DC. Já gostava da música principal do disco, e ouvia direto. Então em 96 esse meu tio me chamou para ir no show deles aqui em SP, e apesar de na época não conhecer todas as musicas (e putz, não tocaram Jailbreak!!), percebi que aquela era “A” banda. Daí pra frente o que eu aprendi de rock foi por meio de radio.


Compactos dos Beatles

Como foi essa apresentação de “Yesterday”? Você toca algum instrumento hoje em dia?

Foi uma apresentação para a escola toda, em um festival com vários alunos. Eu cantei em cima do disco, super nervoso no palco, não toquei nada, mas no final deu certo. O pessoal gostou e acabei chamando a atenção por ter me apresentado sozinho, muita gente ficou impressionada que eu tive coragem de subir lá e me apresentar. Hoje eu estou treinando guitarra, já que toco violão e quero melhorar a parte de solos e tal. Queria montar uma banda, mas pra isso me faltam 3 coisas: 1 baixista, 1 vocalista e 1 baterista (risos).

Qual o tamanho da sua coleção? E quando você percebeu que você tinha se tornado um colecionador?

Primeiro tenho que explicar uma coisa: fazem 6 anos eu estava numa loja de velharias, e vi uma caixa com diversos compactos e lembrei que eu havia riscado aquele compacto do meu tio, uns 20 anos atrás (sempre tive a consciência pesada por causa disso), e resolvi procurar para “devolver”. Não achei nada a não ser um outro compacto dos Beatles, “Let it Be/You know my name”. Comprei na hora. Aquele foi meu primeiro vinil comprado!!! Eu já tinha em CD a discografia completa do AC/DC, mais algumas coisas perdidas (Soundgarden, Angra, Beach Boys) mas nada foi comprado com conhecimento. Coisa de adolescente. Depois desse compacto dos Beatles, comprei uma mini-vitrola Philips, pra poder ouvir (é, eu não tinha toca-discos). A partir daí fui procurando somente compactos para comprar, para achar o danado do “Yesterday” pra devolver pro meu tio. Quando eu vi que tinha muita coisa legal também em vinil, resolvi investir meu tempo em procurar mais coisas, em aprender mais sobre a época de 1960/70 que pra mim é a melhor, e procurar raridades. Tenho mais de 300 LPs e uns 90 compactos.

Discos do Iron Maiden

Você tem um interesse maior pelos LPs. Como isso aconteceu? Você acha os LPs superiores aos CDs? Em quais aspectos?

O lance do LP vai muito além do que parece. Quem tem um LP sabe como é gostoso ter o trabalho de tirar o vinil da capa, colocar a agulha, ligar toda a aparelhagem, ouvir aquele chiado do começo do disco, ter que virar o disco no final. É uma coisa chata mas legal. Faz parte do que eu chamo de “ritual do disco”. Até xingar quando o disco pula é legal (risos). Eu prefiro LPs por causa da capa com muitos detalhes que no CD não tem, encartes, posters, a parte interna da capa dupla, o fato de ser mais difícil de conseguir. Você consegue toda a coleção do Led em um único download (legal ou ilegal) ou em algum relançamento em CD, mas você se mata pra conseguir a mesma coleção em vinil. Você olha os detalhes da capa Somewere in Time do Iron em CD e em vinil, e é outra coisa, outro mundo. A sonoridade é mais cheia, o som é mais encorpado. Não acho que o CD tenha o som inferior, mas o LP tem um “quê” diferente, que você consegue distinguir qual musica veio de um LP e qual de um CD. E o LP é como um prêmio, porque você tem (por exemplo) um compacto dos Beatles que foi fabricado em 1963, e que é da época, ou seja, ninguém conhecia essa banda, a musica era nova, o disco era de divulgação. Poxa! É como um rascunho da Monalisa, entende? “Será que vai fazer sucesso?” Eles prensaram AQUELE disco especifico e venderam e até hoje vc curte. Um CD é algo que já fez sucesso, e é um relançamento. Figurinha repetida (risos).

Mas você possui CDs também não é?

Possuo CDs sim, principalmente da época da adolescência. Não sei quantos CDs eu tenho, devem ser uns 30, 40. Pouca coisa e muito variada. Além da discografia do AC/DC e dos principais do Iron Maiden, tenho quase todos dos Beastie Boys e coisas desde Public Enemy e Cypers Hill até Raimundos ou Blind Guardian.

Discos do Roberto Carlos

Você tem uma coleção bem completa do Roberto Carlos e por outro lado também tem outras coisas como Megadeth e Funkadelic. Como você acha que conseguiu unir estilos tão diferentes?

Não sigo estilos na hora de montar minha coleção. Ela começou a principio somente com compactos, e depois que a fonte começou a esgotar, passei a comprar LPs também. Eu procuro tudo o que é ‘clássico’. Roberto Carlos (antes da fase da maldita Baleia! ...risos...) é um clássico, ele é revoltado, jovem, quer comprar briga com a turma da outra rua, passa no farol vermelho porque está buzinando pra uma garota, toma multa, desce pra Santos a 150, 200 por hora!!!! Putz!!! Ele é um Rock’n’Roll legítimo! Fora a “Historia de um Homem Mal”, que eu acho que é a melhor musica dele. O cara é pistoleiro assassino, e no final morre!!!! Isso é o que? Rock ’n’ Roll na veia !!! Tenho vários clássicos diferentes. Coisas como Jair Rodrigues e Elis Regina da época, que não tem como não dizer que não são ótimos cantores. Toquinho, Tom Jobim, Vinicius, Miucha, você ouve o timbre, a poesia, a musica, é muito legal. A parte mais hard core, Metallica, Iron, Helloween, Megadeth, toda a parte com guitarra pesada, é bom pra bater cabeça, “expulsar os demônios do dia-a-dia”. Tenho coisas mais tranqüilas como Jeff Beck, Emerson Lake & Palmer, Jonnhy Winter (nota 10!!), e por ai vai. Sou eclético. Consigo curtir um som pesado num dia, e no outro coloco um Frank Sinatra (ao vivo no Maracanã), que está tudo bem. Clássicos não tem ninguém que não goste. Quem não curte Jonnhy Cash cantando “Folsom Prision”? E isso não é rock, é country americano.

Compactos do Roberto Carlos

Você tem uma banda preferida? Aquela banda que te faz perder mais tempo e dinheiro procurando novos itens.

Minha banda preferida é AC/DC. E apesar disso, não tenho tantas coisas deles, mas foi a banda com o disco mais caro (T.N.T. australiano, legitimo). A banda que dá mais trabalho é a Rolling Stones, que a discografia completa é absurda. Tenho compactos, LPs, singles... um compacto com a capa no estilo “boca”... mas é só um décimo do que eles lançaram. A banda que eu gasto mais dinheiro e a que eu gosto mais de comprar é o Iron Maiden, que eu sou viciado nos compactos e singles deles. A banda que me faz perder mais tempo (e perco mesmo, porque não acho nada) é The Who. Mas Who é demais!!! Mas também tem o Doors, que é a banda que eu compartilho com minha amiga Roberta. Ambos somos apaixonados pelo “Rei Lagarto”. Tenho até uma tatuagem em sua homenagem!!! “Love me two times”.

Quais são os itens mais raros da sua coleção? E quais foram os que deram mais trabalho para conseguir?

Minha coleção é humilde, tem poucas coisas. Posso falar de coisas muito conhecidas, e pouco vistas pelas pessoas como o álbum 3D “Their Satanic Magestic Request”, dos Stones, o Electric Ladyland, com a capa das moças nuas, tenho o High Voltage (AC/DC) da Itália, com a capa do Bon Scott desenhada em branco/azul/lilás, tenho o TNT deles também original da Austrália, o “Are you Experienced” do Hendrix, versão francesa, com a capa diferente e o vinil vermelho. Do Iron tenho alguns singles, como The Reincarnation of Benjamin, com o vinil branco, o duplo “A Matter of Life and Death” com picture disc, um compacto do Number of the Beast com o vinil vermelho, e um Shaped que é o “painel da nave” do compacto Wasted Years. Quadrado, recortado, muita gente também pergunta: “Mas isso toca?!?!” Tenho outras coisas também que são mais normais de se achar, como o LP “The Division Bell” azul do Pink Floyd, o LP duplo/CD duplo/ DVD do show do Roger Waters “The Wall” na Russia, uma coleção de DVDs do Doors. Mas também gosto de falar de outras ‘raridades’, como compactos diferentes, como dois do Silvio Santos cantando marchinhas de carnaval, um do Roberto Carlos cantando “ai que saudade da Amelia” (ele que se diz tão romântico), Gengis Kan, Gugu, Sergio Malandro, Village People, entre outras coisas engraçadas. Tenho um compacto do Roberto, que era um encarte de revista: você recortava a pagina que tinha o vinil colado e tocava “Calhambeque”. Tanto que o disco enrola e não quebra.

Disco do Roberto Carlos recordado do encarte de revista

E quais são os seus preferidos?

Meus LPs preferidos são:
- Electric Ladyland (ouvir All Along the Watchtower e logo em seguida Voodoo Child (slight version) é tudo de bom!)
- Let it Bleed e Their Satanic Magestic Request (Rolling Stones)
- White Album (Beatles)
- Casa do Rock (Casa das Maquinas)
- Todos do AC/DC, exceto Flick of the Switch e Fly on the Wall)
- Os Mutantes (o primeiro)
- Green River (Creedence Clearwater Revival)
- Black Sabbath

Meus compactos preferidos, é mais facil:
- A historia de um homem mal - Roberto Carlos
- Bridge Over Troubles Water (Elvis)
- You Know My Name (Beatles)
- Revolution – Beatles (versão mais pesada que no White Álbum)
- Roda Viva – Chico Buarque
- Proud Mary (CCR)

Black Sabbath e Led Zeppelin

Você tem algum disco que nem você mesmo sabe porque tem ele? Alguma coisa estranha que destoa da coleção?

Com certeza! Tenho um compacto do Village People que não tem nenhuma musica conhecida, mas a capa é tão tosca, tão tosca, que eu fui obrigado a comprar. Dois discos do Bozo, comprados pela raridade, e um disco do Kid Abelha, single, com o lado A em 33 rotaçoes e o lado B em 45. Comprado somente pela curiosidade. Nem lembro qual musica tem lá! (risos). Eu tinha um do Caetano Veloso numa pose “esquisitérrima” mas já passei pra frente. Tem mais coisas até...

Discos "estranhos"

Qual o item que você tem que é apenas para completar a coleção? Sabe aquele grupo que você gosta de tudo, mas um álbum em especial é ruim, mas você não consegue ficar sem, pois, afinal, é uma coleção.

Flick of the Switch, Fly on de Wall (em CDs), são péssimos. Outro: eu já sabia que nesse disco a Rita Lee já havia saído, mas comprei Tudo Foi Feito pelo Sol dos Mutantes somente pela coleção. E não paguei barato não! E ta aí uma banda que pouquíssima gente conhece, mas que é muito boa: Mutantes.


Mutantes e Casa das Máquinas

Você se interessa por bootlegs?

Sinceramente não. Muitas pessoas gostam, concordo que tem muita raridade, mas eu não sou muito chegado. Prefiro os LPs lançados oficialmente, nem coletâneas eu gosto muito.

Teve algum disco que você já passou pela sua mão e hoje você se arrepende de ter não ficado com ele?

Eu comecei a comprar vários discos, sem antes pesquisar a respeito. Comprava varias coisas às cegas, que depois ficavam encostadas. Quando comecei a levar a idéia de uma coleção a sério, acabei por pesquisar algumas coisas e me desfazer de outras velharias. Numa dessas me livrei de um LP do Hot Chocolat, que apareceu até no livro dos 1001 discos, outro duplo do filme Grease (que eu poderia ter guardado pela curiosidade) e alguns discos de 10” de musicas clássicas, que poderiam ter ficado na coleção na seção ‘cultura’ (risos). Enfim, me livrei de uns 100 discos ao longo do tempo, e desses uns 20 eu me arrependo. Mas o que eu me arrependo mais é quando eu estou numa loja, pego o disco na mão, vejo a capa, cantor, musicas, e não levo pra poder levar outro mais conhecido. Depois acabo por pesquisar o artista, as musicas, vejo que aquele disco é “o disco”, o mais legal e tal, e quando eu volto na loja, ele não está mais lá. Como eu sou mais novo, acabo por pesquisar e aprender sobre os artistas, e numa dessas me passa um Jethro Tull nas mãos, que eu não reconheço e não levo, e descubro que era uma preciosidade. Rush tem muita coisa, e esse mês eu peguei na mão mas não comprei o LP com a capa dos “dados” e acho que vou me arrepender mais pra frente, quando estiver faltando somente ele (risos).

AC/DC e Doors

Como você organiza sua coleção? Você tem alguma mania típica de colecionador?

Eu tenho duas planilhas, uma com todos os 1001 discos que eu tenho que ouvir antes de morrer (eu digo que logo depois que ouvir os 1001, eu morro) e outra com varias abas com a discografia completa de alguns artistas. Conforme eu vou comprando, vou atualizando. Mas muita coisa eu não tenho controle, então vou só comprando o que aparece na frente. Na minha estante, não tem muita separação, só por banda. Mas cada banda tem o lugarzinho certo. Um detalhe interessante: na minha visão, um LP lançado em 1960 tem muita historia pra contar. Ele passou por muitas mãos, foi ouvido por ‘n’ pessoas, e as marcas que ele tem fazem parte da sua historia. Assim, eu não guardo meus LPs dentro dos saquinhos plásticos que todo mundo guarda. Eles estão em um lugar seco, protegido, mas ficam livres, soltos, respirando ar puro (risos). Tenho o cuidado de, dependendo da condição do disco, desfazer toda a capa para remendar, colar, limpar, e se for o caso, lavar o disco com água e sabão... Pois é, enfio o disco embaixo do chuveiro morno, passo detergente neutro e uma esponja super macia nova, lavo no sentido das faixas, enxáguo bem e deixo secando um dia todo na sombra. Saem todas as poeiras e o disco fica novo. Mas tenho que confessar que colocar um picture disc na vitrola dá um medo danado da agulha estragar a foto. Eu sei, não vai acontecer. Mas a foto é tão perfeita e putz, a agulha vai estragar!! (risos). Cada doido com sua mania.

Como você tem um interesse maior pelo LPs você deve ter um toca discos, claro. Você tem um aparelho daqueles antigos? Onde encontrou? Já experimentou esses modernos?

Tenho uma Technics 2900SL, aquela profissional com base de madeira, que comprei em um site de leilões, e veio via correio do RS para SP... Paguei uma pechincha (250 reais com frete) pelo toca-discos, um shell e cápsula Shuttle e uma agulha importada. Depois, numa loja vi o preço de um shell igual e custava mais do que eu paguei no conjunto todo. Mas como curiosidade, eu tenho mais 3 vitrolas (isso, vitrola!): 3 portáteis da Philips e uma Sonata do Mickey. Todas funcionando! Detalhe que uma das Philips eu comprei de um mendigo por 20 reais (se eu tivesse só 10 na carteira, tinha sido por 10). Fui ver o preço nesse site de leiloes, e pediam mais de 250 reais. Uma vez, fui transportar essa Technics e a agulha quebrou. Passei 6 meses sem ouvir nenhum disco porque não conseguia achar agulha pra repor, então minha vida foi um inferno!!! (risos). Uma baita coleção e não conseguia ouvir nada!!! Também transformei uma dessas Philips eu um amplificador de guitarra, pois ela estava velhinha e eu resolvi adaptar. E acreditem: o som ficou muito bom!!!

Pergunta que todos adoram responder. Quais os 10 melhores álbuns de todos os tempo?

1- “74 Jailbreak
2- Electric Ladyland – Jimmy Hendrix
3- Morrison Hotel – Doors
4- White Album – Beatles
5- Their Satanic Magestic Request - Rolling Stones
6- Led Zeppelin 3 (todos os 4 primeiros não vale? Rsrsrs)
7- Machine Head – Deep Purple
8- Powerslave – Iron Maiden
9- Dark Side of the Moon – Pink Floyd
10- A Momentary Lapse of Reason – Pink Floyd

Não tem como listar só 10 discos. Mas já vi um entrevistador perguntando: “Se tivesse um incêndio e você pudesse salvar somente um disco, qual você levaria?” Eu ainda não sei a resposta, mas talvez seria o Momentary Lapse of Reason, não tanto pela qualidade mas pelo valor sentimental.

Pink Floyd

Rapidinhas: Beatles ou Rolling Stones?

Rolling Stones, em homenagem ao Keith Richards, que caiu de um coqueiro com mais de 60 anos e não morreu. Ele deve ter feito pacto com o Diabo, como diziam antigamente.

Led Zeppelin, Black Sabbath ou Deep Purple?

Meu Deus, não tem como escolher!!! Comparar “Kashmir” com “N.I.B” com “Child in Time” ??? Mas entre essas 3, eu vou de Kashmir. Não!, NIB... Não!..(risos). Deep Purple, antes que eu mude de idéia.

Hendrix ou Clapton?

Clapton who? (risos). É legal saber a historia que o Hendrix com o fim do The Jimi Hendrix Experience, arrumou três amigos, e ia montar uma banda nova, chamada HELP. HELP era o nome formado com a inicial dos integrantes: Hendrix, Emerson, Lake e Palmer. Hendrix morreu, daí a historia todo mundo conhece...

Ozzy ou Dio?

Meus ídolos arrancam cabeça de morcego no palco. Mas o chifrinho com a mão deve ter menção honrosa.

Bruce Dickinson ou Rob Halford?

Bruce. Bruce. Bruce. Bruce. BRUCE! BRUCE! BRUCE! (multidão gritando). Mas eu sou fanzaço da música Painkiller, não tem como negar. Judas Priest é demais também. Mas prefiro Bruce. “Scream for death, São Paulo!!!!!”

Bon Scott ou Brian Johnson?

Bon Scott, sempre. Gosto muito do Brian, ele levou o AC/DC muito longe, mas o Bon deixou uma marca, que a gente não pode esquecer. “O Brian está substituindo muito bem o Bon Scott” é o que eu digo.

Um show ou um CD?

Devia ser “um show ou um LP?” rsrssrsrs Um show, com certeza. Mas show tem que ser na pista, com o sufoco de chegar perto do palco, ou pagar mais caro pela área VIP, com cansaço, vendedor que nunca chega com a água (risos). Um LP do show, só se for EXATAMENTE do show que você foi. Não vale da mesma turnê mas em outro pais.

Se você tivesse que indicar algumas bandas, e alguns discos, para uma pessoa que nunca teve contato com o rock, o que indicaria?

Diria: “cara, onde você estava esses anos todos?” Eu indicaria algum disco do Elvis, pra pessoa entrar em contato com o blues e o rock. Depois passaria para um Jonnhy Winter (Hot, Blues & sei-lá) para ouvir uma guitarra mais distorcida, mas numa batida tranqüila. Depois mete um “Ace of Spades” porque rock ’n’ roll não tem paciência! (risos). Quando a pessoa voltar a si, colocar um Rolling Stones (Beggars Banquet/Voodoo Lounge) pra um rock simples mas gostoso, variado. Agora se a pessoa estiver dirigindo, é colocar um dos 4 primeiros do Led Zeppelin, que é pra viagem ser mais ‘agitada’.

Compactos raros

Você se interessa por bandas atuais? Se sim, tem alguma que você destacaria?

Poxa, atualmente não vejo nada que me interesse. Bandas novas não tem criatividade, ou não tem divulgação. Coisas boas lançadas recentemente vêm de bandas antigas, como Iron, Mettalica, Rush... É uma pena, porque daqui a 40 anos alguém vai dizer com certeza “eu curto Hendrix” mas não vai dizer “eu curto Fresno”. Entende? Qual é o legado que nossa geração está deixando? AC/DC com mais de 60 anos ainda fazem coisas novas legais. Imaginar que o Robert Plant e o Jimmy Page sentaram numa mesa, pegaram um papel e escreveram DO NADA a musica Rock ’n’ Roll... Todas as batidas, a gritaria, a guitarra... Ninguém hoje em dia cria nada de legal. Quando é que alguém vai pegar um slide e inventar alguma coisa que dure tanto tempo como Voodoo Child? Ou mais recente, mas que te faça cantar junto a plenos pulmões “Painkiller” ? Não tem. E tomara que tenha. Tomara que apareça alguém que mude e comece a criar coisas boas novamente, senão estaremos perdidos. Ok, escrevi tudo isso, mas atualmente a banda Matanza está fazendo um baita som. Pesado, com letras divertidas falando de rock, bebida e mulheres, apresentações ao vivo impecáveis, já estão no quarto CD e preparando o quinto. Tem também um CD/DVD com músicas do Jonnhy Cash, versão pesada, com o tempo da musica x4 e aquela batida “country hardcore jamboree”. Vale a pena comprar “To hell with Jonnhy Cash” ou “Música para Beber e Brigar” deles. Diversão garantida!

A uns dias atrás morreu Ronnie James Dio e baseando-se pela resposta anterior, você acha que com a morte dos ídolos e a conseqüente falta de contato com esse pessoal vai fazer diminuir o interesse dos mais jovens pelo rock dos anos 60, 70 e 80?

Todos os importantes vão morrer. Steve Tyler, Bruce Dickinson, Brian Johnson, Mick Jagger, Johnny Winter, menos o Keith Richard, esse cara não vai morrer nunca!!! Mas com certeza o interesse pelo rock bom, o rock genuíno, vai diminuir ou mesmo sumir com essa nova geração. E na boa? Eu olho e dou risada! Nem quero saber deles, se tem mal gosto ou não. E a falta de conhecimento é absurda! Um amigo meu de 23 anos foi em casa e comecei a tocar guitarra, toquei a introdução de Sweet Child ‘o Mine, e o cara me olhou com uma interrogação e eu falei: Como assim, você não conhece Guns ‘n’ Roses??? Toquei “Iron Man” e ele ainda não reconhecia. Pensei “devo estar tocando muito ruim!!!” Parti para o desespero e coloquei na vitrola “Enter Sandman” e ele não reconheceu. Daí eu desisti. Pedi desculpas para os Deuses do Rock, coloquei a musica “Black Sabbath” e curti sozinho, imaginando que ele já estava com medo daquela “musica do Diabo” enquanto eu contava historias do Ozzy arrancando a cabeça do morcego e bebendo o sangue no palco. Se a geração atual não curte, e não se interessa por musica boa, que se dane! (risos).


Rolling Stones

O rock já está aí há mais de cinquenta anos, e passou por diversas fases nestes anos todos. Sendo assim, eu gostaria que você indicasse aos nossos leitores os álbuns que você recomenda das décadas de sessenta até hoje.

Sou péssimo de épocas, então vou ter que recorrer aqui, e vou listar dos discos que eu possuo e que eu não falei nada da banda:

1960 – Disraeli Gears – Cream
1970 – Meaty Beaty Big and Bouncy – The Who
1980 – Appetite for Destruction – Guns ‘n’ Roses
1990 – Black Álbum - Metallica
2000 – A Night at Opera – Blind Guardian
2010 – Existe? (risos)
Eu sei que falta gente importante aí, mas coloquei só bandas que eu não citei e álbuns que eu possuo e gosto.

Você acha que um dia vai ter tudo o que quer? Ou seja, sua coleção tem um limite?

Não, nunca acaba. Comecei focando em Beatles e Rolling Stones, passei pra Led/Purple. Agora estou na busca de Casa das Maquinas e Mutantes. Não tenho nada do Frank Zappa, Jethro Tull (eu sei, é uma blasfêmia), o Iron tem milhões de compactos diferentes pra se colecionar. Depois vou querer mais coisas do Metallica, mais do Dio... nunca acaba. Só o preço das coisas é que vai subindo. Pesquisar em sebos é mais barato, mas quando você já tem de tudo dos sebos, tem que ir em casas especializadas de LPs, e daí você paga pela raridade e qualidade.


The Who e outros

Mas tem algum disco que falta na sua coleção daqueles que você não entende como ainda não o tem?

Tenho toda a coleção dos Beatles, menos o álbum que tem a clássica “Twist and Shout”. Eu sei, é uma blasfêmia, mas eu digo, que o disco que a gente precisa sempre foge da gente.

Como sua família, seus amigos e conhecidos lidam com essa sua paixão pela música?

Me acham louco (risos)!!! Respeitam, mas ninguém acha muito interessante aquele monte de ‘coisa velha’. E vivem me oferecendo LPs, achando que eu sou catador de lixo, sabe? “Olha, tenho um monte de discos velhos na minha casa, você quer?” Daí quando vou ver, só tem coisas ruins. Mas é legal. Sou o “cara que coleciona discos”, então isso já funciona pra puxar conversa (risos). A primeira musica que minha primeira filha cantarolou foi “tan-tan-tan..” (Smoke on the Water). Ela também me provoca, dizendo que “Rebolation é rock”, hoje ela tem 6 anos. Todo mundo me pergunta: “mas porque você gosta de coisas velhas?”

E os shows? Você vai a muitos shows? Tem algum especial? Alguma história interessante dessas experiências?

Não fui a muitos shows. Fui no AC/DC em 96 e nesse ultimo deles, também fui nos dois últimos do Iron Maiden (Parque Antarctica e Interlagos) e no show do Deep Purple. Não fui a mais por causa de dinheiro mesmo. Queria muito ter ido no ZZ Top, no do Roger Waters e dos Rolling Stones no RJ. Mas nesse show do Deep Purple, no final, eu fiquei inconformado por não terem tocado nem Burn nem Child in Time. Ok, podem rir. Na época eu não sabia da treta dos caras, e minha amiga ainda insistia comigo que eles não iam tocar, e eu duvidava: “como assim, eles não vão tocar?!?!?”. No show do Iron em Interlagos, estava na pista VIP e no final do show (que foi nota 1000) meu tênis ficou preso na lama e escapou. Quando eu abaixei pra pegar ele de volta, vi no chão uma camiseta de futebol do Iron, também toda enlameada. Aquele foi meu troféu!


Discos nacionais e de música clássica

Nesse garimpo por material você deve ter passado por situações únicas. Conte-nos algumas delas.

Minhas pesquisas em sebo eram constantes. Em uma delas, eu comprei o LP “Machine Head” em um sebo na praça da Sé por 50 centavos. O LP estava em uma caixa de feira, na calçada, no sol, junto com outros 200 discos. Era um disco de 180 gramas, que não tinha capa, era só o vinil, e estava mais sujo que cachorro de rua. Estava conferindo disco a disco e achei esse. Peguei na hora. Mas tive que comprar outro LP da mesma caixa, por 50 centavos, só pra pegar uma capa e colocar nele. Muito tempo depois eu achei o Machine Head com capa normal, dupla. Fiz questão de colocar o primeiro LP na capa do segundo. Esse LP merece um premio de sobrevivência! Outra coisa interessante: no período de separação do meu casamento, minha ex-mulher riscou todos meus CDs e DVDs. Todos. Todos mesmo. Mas não encostou nos LP’s. Hoje não sei se xingo (porque perdi todos os CD) ou agradeço (por que LPs são mais raros e caros). Eu tbm já disputei discos de outros compradores. Estava vasculhando uns discos em uma loja e no outro canto outro comprador fazia o mesmo numa parte que eu já tinha passado. Ele pegou um disco dos Rolling Stones e eu queria muito aquele disco mas não tinha visto. Eu fiquei de olho e vi que ele também se interessou por um disco do Deep Purple, mas não levou. Na minha pilha, eu achei “Made in Japan” do Purple e perguntei se ele gostava. Conversei um pouco e joguei que aquele que estava na minha mão era demais, falei todas as qualidades dele (que eu já tinha e conhecia), e falei que valia mais levar o do Purple do que o Aftermatch e tal...No final, ele levou o Purple, e eu consegui o Aftermatch. Uma última historia: comentando com meu gerente no trabalho, que eu comprava discos, eu comentei que tinha acabado de comprar o álbum branco dos Beatles, novinho, e o único detalhe era o nome do dono anterior, no envelope que guarda o vinil. Ele perguntou “O nome é René da Costa Guerra?” e eu fiquei assustado e inconformado... como assim? Como ele sabe? Ele me explicou que comprou um disco do ZZ Top e o amigo dele, o René, comprou o álbum branco. Um queria ter o disco do outro, até que eles trocaram, isso na época do lançamento do disco. Trocaram, mas o René já tinha colocado o nome na parte interna. Anos depois ele se desfez de toda a coleção pra um sebo, e no final, eu comprei o mesmo disco que tinha sido dele por mais de 20 anos, que foi trocado por um ZZ Top. Coincidência incrível!

Pergunta que TENHO que fazer? Afinal, você já conseguiu encontrar o compacto dos Beatles para devolver para o seu tio?

Pois é. Ainda não achei o bendito compacto. Mas quando achar vou colocar num quadro e devolver. Incrível que para esse tio eu já dei um toca-discos, um pré-amplificador e o compacto que me dá o peso na consciência, eu ainda não dei (risos). Eu acho que ele nem deve lembrar mais daquilo, mas pra mim é uma meta!

Renato, novamente obrigado pela entrevista. Aproveite o espaço para deixar aqui seu recado para os leitores da Collector´s Room.

Agradeço a oportunidade, e sei que meus discos são muito poucos em comparação com outros colecionadores. Mas o legal do Collector’s é que tanto o grande colecionador quanto o pequeno tem oportunidades iguais. E é aqui que eu pesquiso muita coisa antes de comprar. Um abraço a todos os leitores, e... “I hope I die before I get old!” (The Who).

Durante a conversa que tive com o Renato ele comentou algumas curiosidades que achei interessante colocar aqui de alguma forma. Algumas coisas são sabidas, como a participação do Jonh Paul Jones em um disco dos Stones, outras nem tanto, assim resolvi colocá-las aqui.

Se você abrir a capa dupla do Their Satanic... dos Rolling Stones, na parte interna tem de um lado um “labirinho” e do outro lado um desenho psicodélico. Se você colocar o LP “Sgt Peppers” dos Beatles em cima do labirinto, você não percebe diferença entre os desenhos: parece que é o mesmo desenho, um continuação do outro. Faça o teste. Poucas pessoas sabem que no Their Satanic, tiveram participações de dois Beatles, e do John Paul Jones, do Zep. Menos pessoas ainda sabem que apesar de estarem proibidos de colocarem créditos, na contra-capa está lá, “J.P.Jones”. Menos ainda percebem que na capa da frente, tem a foto do Paul McCartney e do John Lennon. Sim! Na capa do Their Satanic, dos Rolling Stones tem a foto de dois Beatles!!

Comentários

  1. Renato...Se vc quiser o compacto de Yesterday dá uma olhada no Ebay que achei alguns.

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  2. Pois é, no eBay tem bastante coisa, mas prefiro pesquisar 'manualmente'... rsrsrs

    Abraços!

    Renato

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  3. Parabéns pela matéria e pela coleção. Cadão, o layout novo ficou muito bom! Abraço

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  4. Bela entrevista...bela coleção...só acho que existem coisas boas em todas as épocas.... hj em dia temos boas bandas, na minha opinião claro, acho Killers, The Mars Volta, Raconteaurs, Dead Weather, Kings of Leon, White Stripes, Coldplay, os finados Los Hermanos ótimas bandas...deve haver muito mais...no entanto não sou muito especialista em atualidades....

    Abraços

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  5. Daniel, valeu pelo comentário. E concordo com o Fábio: existem boas bandas, bons discos e boas músicas em todas as épocas, gêneros e estilos. Fechar os ouvidos para isso é uma estupidez, e das grandes.

    Abraço, e gostei bastante da entrevista também.

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  6. Também sou fraco em relação à bandas novas, mas gosto muito de duas The Mars Volta e Muse.

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  7. Bem lembrado...Muse é muito legal mesmo ... fora os outros estilos...Música é algo extenso demais.... já é dificil acompanhar rock...imagina então quando vc começa a se interessar por outras coisas então....

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  8. Atualmente to ouvindo uns bootlegs do Sabbath e do Free...muito bons....é um mundo que não acaba mais....

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  9. Parabéns pela coleção e pela entrevista!

    Gostei pelo fato do Renato ser bem abrangente, tendo em sua coleção desde Roberto Carlos e outros nomes da MPB, passando por Casa das Máquinas, AC/DC, Iron, Motorhead e Beatles.

    Só fiquei triste ao ler que o cara não curte o Tudo Foi Feito Pelo Sol, que como eu já comentei outras vezes na minha opinião é uma pérola do prog.

    Como diria Cazuza, quando repreeendido por seus colegas do Barão ao ver recusada sua sugestão de tocar Cartola: não existe música velha ou nova, existe música boa.

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  10. Complementando as curiosidades do Their Satanic, e que ja foi mencionado uma vez aqui na Collectors, na capa tem a foto dos 4 Beatles!!! 4 flores tem a imagem dos rostos de cada integrante dos Beatles. Lennon e McCartney são os mais fáceis de achar. George está escondido à esquerda e Ringo ainda não achei. Lembrando que a versão orignal, em 3D, apaga as imagens dos Beatles quando Jagger "abre" as mãos. No mesmo álbum, podemos ver um mapa do Brasil, com Pelotas, Porto Alegre e São Paulo sendo algumas das cidades destacadas (por que será?).

    Parabens pela entrevista, honesta e completa. Bola pra frente com a coleção e é sempre bom ouvir perolasdo cancioneiro bolha, hehhee!

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  11. Não sabia disso Mairon, e é um assunto muito interessante. Renderia uma bela matéria para o blog. Vou pesquisar a respeito.

    Abraço.

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  12. Opa! Respondendo alguns comentarios:

    - Pois é, "Tudo foi feito pelo Sol" tem um som bacana, mas não é um disco que eu curto muito. Sei la, comprei com uma expectativa com relação aos outros discos, e não teve o mesmo impacto.

    - Bandas novas, é dificil. Eu procuro garimpar coisas antigas, ouço uma radio "classic rock" aqui em SP, então conhecer bandas novas é complicado. Achei o disco do Matanza numa coluna da revista Playboy (!!!!). Mas apesar de reconhecer que existem coisas boas hoje, não acho que durem, ou que se tornem classicos. Acho que aquela inspiração acabou.

    - Roberto Carlos é um cara genial. Ele e o Erasmo marcaram uma época, não tem como não reconhecer. Gosto muito, mas só a parte 'revoltada' dele. Depois ficou muito meloso... rsrsrs

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  13. Renato, recomendo duas bandas recentes que valem muito a pena: Wilco e Gov´t Mule.

    Abraço.

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  14. Cadão, eu lembro de alguem ter comentado isso aqui no blog. Creio que até para a Poeira seria legal tu fazer o "capas históricas"

    Abração

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  15. Interessante essa matéria! Gostei! rsrsrs

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