30 de jul de 2010

Rigotto's Room: Scotty Moore & D.J. Fontana – Todos os Homens do Rei

sexta-feira, julho 30, 2010
Por Maurício Rigotto
Escritor e colecionador
Collector's Room

Uma das melhores bandas de Rock’n’Roll que já existiu, The Blue Moon Boys também foi uma das pioneiras, quando o gênero ainda engatinhava, em 1954. Você deve estar pensando: “The Blue Moon Boys? Nunca ouvi falar.” Não é você que é mal informado, realmente a banda não lançou discos com esse nome, pois o dono da gravadora achou melhor usar o nome e a imagem do cantor, o que se mostrou uma decisão acertada, haja vista que o cantor viria a se tornar um dos maiores ícones do século XX. A formação dos Blue Moon Boys era composta por Elvis Presley (vocal e guitarra), Scotty Moore (guitarra), Bill Black (baixo) e D.J. Fontana (bateria).


The Blue Moon Boys: D.J. Fontana, Scotty Moore, Bill Black e Elvis Presley

O começo de tudo aconteceu em agosto de 1953, quando o jovem caminhoneiro de 18 anos Elvis Presley foi até a gravadora Sun Records, cujo proprietário era Sam Phillips, e pagou por alguns minutos de estúdio para gravar um disquinho com uma música em cada lado, para dar de presente a sua mãe. Quando a recepcionista da Sun perguntou qual o tipo de música que ele cantava, Elvis redargüiu: “Todos os tipos”. Depois do disco pronto, Sam Phillips o ouviu e quis saber quem era o cantor, pois segundo suas palavras: “Esse jovem é um bom cantor de baladas, não se parece com ninguém”. Em janeiro do ano seguinte, Elvis voltou à Sun Records para gravar um segundo disquinho. Sam Phillips teve então a certeza de que o garoto tinha um talento muito promissor.

The Blue Moon Boys em ação

Nessa mesma época, uma dupla de músicos novatos começou a freqüentar os estúdios da Sun, participando como acompanhantes de gravações de artistas que tocavam country, blues e rockabilly. Eram o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black. Em abril, Elvis conseguiu um emprego como motorista de caminhão da Crown Electric Company, quando soube que a banda de Eddie Bond estava à procura de um vocalista. Elvis fez um teste com a banda e foi rejeitado por Bond, que disse que Elvis “deveria continuar como caminhoneiro, pois nunca conseguiria ser um cantor”. Sam Phillips pensava diferente e em junho convidou Elvis para gravar algumas músicas com os músicos da gravadora, Scotty e Bill. O trio gravou no dia 5 a música de Arthur Crudup “That’s All Right” e alguns dias depois, o bluegrass de Bill Monroe “Blue Moon of Kentucky”, que seria o lado B do compacto. O disco se tornou um sucesso imediato no dia em que estreou em um show de rádio. Elvis, Scotty e Bill passaram a se denominar os Blue Moon Boys e continuaram a gravar canções nos estúdios da Sun. O primeiro show do trio aconteceu no dia 17 de julho. Em outubro, o baterista D. J. Fontana entrou para os Blue Moon Boys, fazendo sua estréia em um show em um clube de strip, onde tocou bateria escondido atrás de uma cortina. Estava formada a banda que iria fazer grandes excursões pelo país e gravar músicas antológicas, conquistando o sucesso em proporções jamais vistas até então nos Estados Unidos e no resto do mundo.

Scotty Moore, Bill Black & D.J. Fontana

Em janeiro de 1956, Elvis e os Blue Moon Boys trocaram a Sun Records pela RCA Victor, gravando o histórico primeiro álbum do cantor, que trazia “Heartbreak Hotel” e a cover de Carl Perkins para “Blue Suede Shoes”. No disco, além de Elvis, Scotty, Bill e D. J., tocaram também o pianista Floyd Cramer e o renomado guitarrista Chet Atkins, além do popular quarteto vocal The Jordanaires, fazendo backing vocals para Elvis. O sucesso estrondoso durou até 1958, quando Elvis Presley engajou no exército para prestar serviço militar, o que gerou a dissolução da banda. Elvis, Scotty, Bill e D.J. gravaram quatro álbuns recheados de clássicos como “All Shook Up”; “Hound Dog”; “Don’t Be Cruel”; “(Let Me Be Your) Teddy Bear”; “Jailhouse Rock”; “Good Rockin’ Tonight”; “Mystery Train”; “King Creole” e a balada “Love Me Tender”.

Em 1960, Elvis deu baixa no exército e retomou sua carreira, mas tendo o cinema como o grande foco, embora seus filmes contivessem seus números musicais e ele continuasse a gravar discos com as trilhas de seus filmes. No mesmo ano, o guitarrista Scotty Moore lançou o seu primeiro álbum solo, The Guitar That Changed the World. Scotty é considerado um dos pioneiros como guitarrista solo de banda de rock, ao lado de Cliff Gallup (Gene Vincent and the Blue Caps). D. J. Fontana continuou tocando com Elvis durante toda a década de sessenta; e Bill Black fundou em 1959 a banda Bill Black’s Combo, com Reggie Young (guitarra), Joe Lewis Hall (piano), Martin Wills (saxofone) e Jerry Arnold (bateria). A banda gravou os álbuns Bill Black's Combo Plays Tunes by Chuck Berry, Bill Black's Combo Goes Big Band, Bill Black's Combo Goes West e Bill Black's Combo Plays the Blues. Em 1964, a banda de Bill Black abriu treze shows dos Beatles na primeira visita dos ingleses aos Estados Unidos. No mesmo ano, Bill Black é diagnosticado como portador de um tumor no cérebro, que o levou a morte no dia 21 de outubro de 1965, após duas cirurgias e longa internação hospitalar. Bill Black tinha 39 anos. Seu contrabaixo acústico foi comprado por Paul McCartney.

Scotty Moore e Elvis Presley

No final de 1968, Elvis volta a focar na carreira musical e grava o famoso especial para a televisão ’68 Comeback Special, com a participação dos membros originais de sua banda, Scotty Moore e D. J. Fontana. Gravado como uma jam session informal defronte a uma pequena platéia, o programa acabou por criar o conceito do formato chamado “unplugged”, popularizado anos mais tarde pela MTV.

Scotty Moore e D.J. Fontana em 1997

Scotty Moore e D. J. Fontana estiveram longe da mídia nos anos seguintes, até que em 1997, por ocasião do vigésimo aniversário da morte de Elvis Presley, voltaram a tocar juntos em um show tributo e decidiram fazer um disco em parceria, repleto de convidados, como um projeto em homenagem a memória de Bill Black. Assim nasceu o excelente álbum All The King’s Men. Já na primeira faixa, um encontro para lá de histórico: Keith Richards e a lendária The Band se unem a Scotty e D. J. no rock “Deuce and a Quarter”, onde ouvimos um emocionante dueto entre Richards e Levon Helm. A popular banda country The Mavericks aparece na faixa dois com “I Told You So”, composta pelo líder Raul Malo bem ao estilo de Elvis Presley. A ótima banda The Bodeans vem com o “rockão” “Looked Up in the State of Illinois”; enquanto na quarta faixa, a banda Bill Black’s Combo volta à ativa para pagar tributo ao seu fundador no bom rock instrumental “Goin’ Back to Memphis”, onde ouvimos pela primeira vez juntas as guitarras de Scotty e Reggie Young e as baterias de D. J. e Jerry Arnold. Uma peculiaridade de Reggie Young é o fato de ele tocar guitarra com um lápis no lugar da palheta. Os próximos convidados são o cantor de country rock Joe Ely e o ex-baixista dos Stray Cats, Lee Rocker, que fazem o divertido rockabilly “I’m Gonna Strangle You Shorty”. A banda Cheap Trick aparece em um dos melhores momentos do álbum em “Bad Little Girl”, onde se destacam o piano boogie-woogie de Willie Rainsford e o ótimo vocal de Robin Zander. Na faixa sete, o cantor country Ronnie McDowell canta “Soulmates”, uma balada a la Elvis, amparado pelos The Jordanaires, o grupo vocal que acompanhava Elvis em suas gravações. Na seqüência, o cantor de country rock e ativista político Steve Earle, acompanhado por Lee Rocker, apresentam o bom rockabilly “Hot Enough For Ya”. O bluseiro Joe Louis Walker vem a seguir com “Strange Love”, um bom rock básico onde se destaca a ótima voz de Joe. A veterana cantora Tracy Nelson solta o seu vozeirão na balada “Is All of This For Me?”, acompanhada por um belo solo de saxofone. A última faixa do disco proporciona outro encontro memorável, desta vez entre os guitarristas Ron Wood e Jeff Beck, que não gravavam juntos desde 1969. Ron Wood assume os vocais de “Unsung Heroes”, canção que fez com Beck em homenagem aos heróis anônimos do rock, como Scotty Moore e D. J Fontana. “Unsung Heroes” encerra com magnitude esse grande disco dos veteranos Scotty e D. J. All The King’s Men é um disco vibrante do início ao fim e demonstra que os ‘velhinhos” não enferrujaram e continuam em notável forma.

Scotty Moore e Keith Richards

Em 2000, Scotty Moore foi introduzido por Keith Richards no Rock’n’Roll Hall of Fame. Na apresentação, Keith arrancou gargalhadas da plateia ao declarar: “Eu também gostaria de me aposentar como Scotty, mas infelizmente o meu cantor está vivo”. Scotty Moore e D. J. Fontana excursionaram em 2004 com Alvin Lee, guitarrista do Ten Years After. A dupla apareceu recentemente em gravações ao lado de Eric Clapton e Paul McCartney e segue tocando junto. Ambos estão com 79 anos.


Collector´s Room nas páginas do jornal

sexta-feira, julho 30, 2010
Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Nosso editor Maurício Rigotto entrevistou o colecionador dos Rolling Stones André Ribeiro em junho deste ano, e a matéria foi uma das mais acessadas recentemente na Collector´s Room, como era de se esperar.

Mas agora o Rigotto foi além. Explico: para quem não sabe, o Maurício, além de produzir textos fantásticos para a Collector´s, também colabora com o site Os Armênios e com o caderno de cultura do jornal Diário da Manhã, de Passo Fundo (RS), chamado Blitz.


Pois bem, foi grande surpresa e orgulho que recebi do Rigotto a notícia de que ele havia conseguido publicar uma versão reduzida da entrevista com o André Ribeiro nas páginas do caderno Blitz, levando a nossa paixão pela música e o trabalho de todos aqui do site para um novo grupo de pessoas. Além disso, para quem nasceu nos anos setenta como eu, e viveu com intensidade o período das grandes revistas de música do Brasil - como Bizz e Rock Brigade -, ver uma matéria da Collector´s publicada com destaque em uma mídia impressa dá um orgulho e uma alegria sem tamanho.

Obrigado pela surpresa, pela publicação e, principalmente, por colaborar e dividir a sua paixão com a música com a gente, Maurício.

29 de jul de 2010

Sexy Cover Arts #8: todo colecionador é um fetichista

quinta-feira, julho 29, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O sucesso foi grande, então está aí mais uma edição de Sexy Cover Arts para vocês se deliciarem. A capa principal do post é do álbum de estreia de Jorge Santana, lançado em 1978 pelo artista mexicano, irmão do lendário guitarrista Carlos Santana

Para ver as imagens em tamanho grande, basta clicar nas capas. E não esqueça de dizer qual a sua favorita nos comentários.

Waco Jesus - Sex, Drugs & Death Metal (2009)

Molotov - Dónde jugarán las niñas? (1997)

Circus Diablo - Circus Diablo (2007)

Johnny Burning - Get Up, Get Loose, Get Off! (2007)


Beatallica: a união divertida de dois gigantes

quinta-feira, julho 29, 2010

Por Fernando Bueno
Colecionador
Collector´s Room

Quantas vezes você leu em uma resenha de um novo grupo alguém dizer que este era uma mistura de duas ou três bandas? Lembro-me de ter lido algo do tipo quando alguém descreveu-me o som do Dream Theater, no início da década de 90, como uma mistura de Yes, Metallica e Rush (NA: nos comentários deixe outros exemplos). Bem, o Beatallica é o maior exemplo dessa mistura de bandas.

Pegue a maior banda inglesa de todos os tempos e junte com a maior banda de metal dos Estados Unidos. The Beatles e Metallica. Pronto, você tem o Beatallica. A banda lançou em 2001 seu primeiro registro, um EP chamado A Garage Days Nite. Que combina, como vocês mesmo já deduziram, o EP, Garage Days Revisited, do Metallica e o disco A Hard Days Night da banda britânica.

Possivelmente o início da banda foi um tipo de brincadeira feita para uma apresentação em um evento anual de Milwaukee. Dessa apresentação foi gravado o EP citado acima com apenas algumas cópias sendo lançadas e entregue para amigos e conhecidos. Uma dessas cópias parou na mão de alguém que criou um site disponibilizando em MP3 as sete músicas do EP. O interessante é que nem mesmo a banda sabia desse site e também não sabia que a banda já tinha até um número considerável de fãs.

Primeiro CD: Sgt Hetfields´s Motorbreath Pub Band (2007)

Músicas como “Sgt Hetfield’s Motorbreath Pub Band” e “And Justice for All My Loving” são ótimos exemplo do que a banda fazia musicalmente, que era basicamente tocar as músicas dos Beatles como se fosse a banda liderada por James Hetfield. Os efeitos e timbres dos instrumentos, e principalmente a voz de Jaymz Lennfield (John Lennon + James Hetfield), são muito parecidas com os do Metallica. Era tão parecida que, como ninguém sabia quem era a banda no início, começaram a achar que era o próprio Metallica que estava fazendo aquelas músicas.

Algum tempo depois da descoberta do site e da base de fãs a banda lançou um novo EP e começou a fazer alguns shows. O que acontece quando você mistura tintas branca e preta? A mistura se torna cinza, Então o que aconteceria se você juntasse o álbum The Beatles (Álbum Branco) com o álbum Metallica (Black Álbum)? Você teria o Beatallica, que começou automaticamente a ser chamado de The Gray Álbum, ou O Album Cinza. Com música como "Blackend the USSR" e "Leper Madonna".

Porém o sucesso trás notoriedade e isso também trás aborrecimentos. Para não ter problemas com questões legais as músicas até então eram distribuídas de graça por meio de download e o nome dos membros eram mantidos em sigilo. Mas a venda de merchandising do site começou a atrair denuncias de quebra de direitos autorais. A saída foi fazer um pedido para legalizar a banda. Inclusive quem os ajudou foi Lars Ulrich que ofereceu apoio jurídico. O resultado disso foi que em 2007 foi lançado o CD Sgt Hetfield’s Motorbreath Pub Band que continha as músicas dos dois primeiros EPs. Assim a banda continuou lançando singles, maxi-singles até o seu segundo CD chamado Masterful Mistery Tour em 2009.

Segundo CD: Materful Mystery Tour (2009)

Além de Jaymz Lennfield a banda também tinha Grg Hammetson, Kliff McBurtney e Ringo Larz. Depois da legalização da banda soube-se os nomes reais dos músico que são, na ordem, Michael "Tinker" Tierney, Jeff Hamilton, Paul Terrien e Ryan Charles. Porém se você for atrás dos discos pode encontrar outro nome, Joey Nicol, descrito como músico convidado que é nada mais nada menos que Mike Portnoy, o monstro baterista do Dream Theater.

Beatallica encontra Metallica em 2009

Claro que temos que encarar a banda como algo inusitado, engraçado e divertido. Nem mesmo os músicos se levam a sério. O que mais torna essa banda legal é a sua criatividade. Alguém pode dizer que a banda não criou nada então não pode ser chamada de criativa, mas só de ter essa sacada e fazer disso algo agradável já lhes confere muitos créditos. Outro ponto que tenho que citar é que podemos ver como o rock and roll, mesmo com seus inúmeros estilos que podem soar tão diferentes para as pessoas, na verdade tem uma só raiz. A diferença entre os estilos é somente o modo de tocar, o peso e a utilização de todos os elementos. O Beatallica não vai ser sua banda preferida, mas é um ótimo tipo de música para entreter seus amigos em churrascos quando sempre existe brigas sobre o que vai rolar no som.

28 de jul de 2010

Os Dez Discos Essenciais do Hard Setentista: Parte II

quarta-feira, julho 28, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room


Há pouco mais de um ano, Ronaldo Rodrigues, nosso colaborador e profundo conhecedor do hard rock e do progressivo dos anos 70, fez uma lista com os dez discos essenciais do hard setentista (
confira aqui).

É claro que a imensa qualidade da música produzida naqueles anos fez com que vários itens ficassem de fora da lista original do Ronaldo pela pura e simples falta de espaço. Como sou um aficcionado pelo hard dos anos setenta, resolvi listar mais dez discos que também merecem o status de “essenciais” e devem ser ouvidos por quem curte som pesado. Na verdade, acho que esse assunto rende uma série de textos, mas isso a gente desenvolve mais tarde.

Como na lista anterior, esta minha compilação também segue algumas diretrizes. A primeira, é claro, é a não inclusão de nenhum dos álbuns já abordados pelo Ronaldo. A segunda é a não inclusão de nenhum disco de bandas mais famosas, como Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Rainbow, Thin Lizzy e afins, porém dei uma relaxada neste aspecto, incluindo alguns discos de bandas mais conhecidas, mas não tão iconográficas. E, finalizando, optei por colocar os discos em ordem cronológica, pela data de seu lançamento.

Então, chega de papo furando e vamos ao que interessa, que é a música!

Stray – Stray (1970)

Formada em Londres em 1966, o Stray é uma daquelas bandas que chegou aos ouvidos de toda uma geração de ouvintes através do Iron Maiden. Explico: o Maiden sempre cultivou o elogiável hábito de incluir músicas inéditas como lados Bs de seus singles. Muitos desses sons eram regravações de grupos que influenciaram a banda. É nesse ponto que o Stray se encaixa. A faixa de abertura do primeiro disco do conjunto, “All in Your Mind”, foi regravada pelo Iron Maiden em 1990 e lançada como B-side do single de “Holy Smoke”.

O som do Stray é um hard encorpado, construído sobre robustos riffs de guitarra, que resulta em uma sonoridade cativante e que agrada de imediato. Um dos discos mais consistentes do hard rock setentista,
Stray é uma jóia perdida que, graças a um dos maiores nomes da história do heavy metal, vem sendo redescoberta por novos ouvintes.

November – En ny tid är här … (1970)

Este trio sueco é responsável por um dos discos mais interessantes e, paradoxalmente, menos conhecidos dos anos setenta. Natural de Estocolmo, o November era formado por Björn Inge (bateria e vocal), Christer Stalbrandt (baixo e vocal) e Richard Rolf (guitarra).

En ny tid är här … , seu primeiro álbum, é uma verdadeira obra-prima. Alternando passagens pesadas com momentos mais calmos onde uma bem-vinda flauta dá as caras (o instrumento é tocado por um amigo da banda chamado Jan Kling), a música do November é empolgante. Cantado totalmente em sueco, o trabalho apresenta uma qualidade que impressiona, e é de se perguntar que impacto teria caso tivesse sido gravado em inglês – afinal, o idioma natal dos caras não é dos mais compreensíveis, há de se convir.

Ouça “Lek att du är Barn igen” e conheça o paraíso!

Trapeze – Medusa (1970)

Outro power trio fantástico! O Trapeze foi formado em Wolverhampton, Inglaterra, em 1969, por Glenn Hughes (vocal e baixo), Mel Galley (guitarra) e Dave Holland (bateria) – músicos de inegável talento que alcançariam a fama alguns anos mais tarde no Deep Purple, Whitesnake e Judas Priest, respectivamente.

Segundo disco do grupo,
Medusa foi lançado em novembro de 1970 e contém em seus sulcos um hard rock coeso e afiado, com passagens instrumentais requintadas e de muito bom gosto, adornadas pela voz singular de Glenn Hughes, um dos maiores vocalistas da história do hard rock. As faixas se alternam entre o peso dos riffs de Galley (“Black Cloud”, “Touch My Life”) e o balanço influenciado pelo funk de Hughes (“Your Love is Alright”, “Makes You Wanna Cry”). Além disso, Medusa contém uma das mais belas composições do hard setentista, a arrepiante “Seafull”.

Um disco espetacular, e não se fala mais nisso!

Atomic Rooster – Death Walks Behind You (1970)

Esse power trio inglês formado em 1969 tem um dos sons mais originais dos anos setenta. Formado pelo tecladista Vincent Crane, pelo baterista Carl Palmer (que depois integraria o ELP ao lado de Keith Emerson e Greg Lake) e pelo vocalista e guitarrista John Du Cann, o grupo foi uma das pioneiros na fusão do hard rock com o progressivo. Sua música, extremamente soturna e calcada no teclado de Crane, é de uma dramaticidade ímpar.

Lançado em dezembro de 1970,
Death Walks Behind You é o segundo disco dos caras e já não conta com Palmer nas baquetas – em seu lugar assumiu o competentíssimo Paul Hammond. O play abre com um dos riffs mais macabros já gravados, justamente o da faixa-título, executado pelo teclado de Crane. Uma das melhores faixas de abertura de todos os tempos, é daquelas músicas que nos atingem como um cruzado no queixo, nos nocauteando a cada mudança de andamento. A capa, que mostra uma obra do cultuado artista inglês William Blake, torna o clima sinistro ainda mais evidente.

O disco passeia com absoluta desenvoltura tanto pelo hard quando pelo prog, e o resultado é uma experiência sônica estonteante, sombria e inesquecível.

Flower Travellin´ Band – Satori (1971)

A Flower Travellin´ Band é uma das bandas mais cultuadas dos anos setenta. Fundada em 1969 em Tóquio, no Japão, durou apenas até 1973, mas esse curto período foi mais do que suficiente para o grupo marcar o seu nome na história do som pesado.

Satori, o segundo disco dos caras, é um dos álbuns mais originais já gravados. Unindo riffs de guitarra pesadíssimos construídos em cima da longa tradição da música japonesa a linhas vocais claramente influenciadas pelo Black Sabbath, o álbum possui apenas cinco longas faixas. Em todas elas o ouvinte é arremessado em uma espiral magnética poderosa, uma força sonora singular com impacto irreversível. Ouvindo o álbum é possível perceber como as melodias sinistras da guitarra de Hideki Ishima influenciaram inúmeros grupos do heavy metal subsequente.

Indiscutivelmente, um dos melhores álbuns de hard rock já gravados.

Patto – Hold Your Fire (1971)

Outra banda venerada pelos apreciadores do hard setentista, o Patto teve uma carreira bastante breve (1970 a 1973) e gravou apenas três discos, sendo que os dois primeiros são fundamentais. Pessoalmente, prefiro o segundo play,
Hold Your Fire, lançado em dezembro de 1971, e a razão é bastante simples: a múltipla sonoridade da banda me soa mais desenvolvida e melhor resolvida neste LP do que no primeiro, o também excelente Patto (1970).

Hold Your Fire é um álbum carregado de sensibilidade, que aproxima o hard do progressivo e do jazz rock. Os vocais sublimes de Mike Patto e a guitarra sem igual do genial Ollie Halsall elevam o ato de ouvir o disco a uma experiência que beira o divino.

Destaque para o groove chapante da faixa-título, a beleza torturante de “You, You Point Your Finger” e a paulada hard-jazz-boogie de “See You at the Dance Tonight”.

O vinil original, lançado pelo cultuado selo Vertigo, trazia uma capa que marcou época, com a arte recortada em três faixas distintas, possibilitando ao ouvinte brincar com o figurino dos três personagens.

Extremamente recomendado!

Birth Control – Hoodoo Man (1972)

Formado em 1968 em Berlim, o Birth Control foi um excelente grupo alemão cuja música tinha como principais características a grande simbiose entre a guitarra e o teclado Hammond, somados a um trabalho de bateria e percussão extremamente criativo. Apesar de algumas vezes ser classificado como krautrock, na verdade o som da banda consistia em um potente e virtuoso hard rock com alguma pitadas de progressivo.

Hoddoo Man é o terceiro e melhor álbum dos caras. O requinte instrumental exibido em suas seis faixas leva ao êxtase. “Gamma Ray”, principal faixa do disco, tem quase dez minutos de duração e transporta o ouvinte para outras dimensões com seu groove irresistível. Outro ponto alto do play são os solos do tecladista Wolfang Neuser, que estreou no Birth Control justamente neste trabalho.

Um dos grandes, e injustamente esquecidos, discos do hard setentista.

Charlee – Charlee (1972)

Mais um power trio, só que agora vindo do Canadá. O Charlee era liderado pelo guitarrista ítalo-canadense Walter Rossi, um devoto dedicado de Jimi Hendrix. Completado pelo baixista Jack Geisinger e pelo baterista Mike Driscoll, gravou apenas um álbum, e esse disco é até hoje um dos momentos mais brilhantes do hard rock dos anos 70.

O LP abre com a instrumental "Wizzard", um hard blues cósmico de cair o queixo. Destaque também para a
hendrixiana “Lord Knows I´ve Won”, o hard funk de “Let´s Keep Silent” e para a pesadíssima “Wheel of Fortune Turning”.

Uma curiosidade: o álbum foi lançado em 1972 no Canadá e apenas em 1976 nos Estados Unidos, sendo que a edição americana tem uma capa diferente da original, com uma ilustração de Rossi, Geisinger e Driscoll que lembra o estilo do cartunista Robert Crumb.

Um dos meus discos preferidos não só do hard setentista, mas da música como um todo.

Wishbone Ash – Argus (1972)

O quarteto inglês Wishbone Ash alcançou o ápice artístico com seu terceiro LP,
Argus. Lançado em 28 de abril de 1972, o álbum marcou época - e impressiona até hoje - pela elaborado trabalho dos guitarristas Andy Powell e Ted Turner. Seus instrumentos entregam melodias belíssimas que se entrelaçam em arranjos complexos e harmonias arrepiantes.

O trabalho de guitarra em
Argus definiu o conceito de guitarras gêmeas, e serve de exemplo até hoje de como essa característica sonora, amplamente utilizada nos anos seguintes tanto no hard rock quanto no heavy metal, deve ser aplicada.

Colorindo o hard com elementos do folk e da música celta, o Wishbone Ash pariu um dos mais belos e influentes registros sonoros dos anos setenta.

Argus é um disco extraordinário, um trabalho notável que fica melhor com o tempo. Item obrigatório em qualquer coleção!

Montrose – Montrose (1973)

Esse quarteto norte-americano natural de San Francisco era liderado pelo guitarrista Ronnie Montrose e tinha como vocalista o ótimo Sammy Hagar, que mais tarde brilharia em carreira solo e no Van Halen.

Aclamada pela crítica, a estreia do grupo, lançada em 1973, faz jus à fama. Entre suas dez faixas estão clássicos inegáveis do som pesado como “Rock the Nation”, “Bad Motor Scooter”, “Space Nation #5” e “Rock Candy”.

Produzido por Ted Templeman, o álbum definiu as bases do hard americano e serviu de cartilha para boa parte do glam metal que invadiu as paradas na década de oitenta.

Um discaço, feito sob medida para ouvir a todo volume.

26 de jul de 2010

Discos Injustiçados: Metallica - ... And Justice For All (1988)

segunda-feira, julho 26, 2010

Por Ronaldo Costa
Colecionador
Whiplash! Rock e Heavy Metal
Com revisão de Ricardo Seelig


O ano de 1986 representou um período onde o Metallica experimentou emoções extremamente fortes e antagônicas. De início, a banda viveu a alegria e a euforia geradas pelo lançamento de
Master of Puppets, que se colocava como o maior sucesso do grupo até então, em termos de público e crítica - um álbum tido até hoje como o ponto mais alto da carreira do conjunto e que se tornou um dos maiores clássicos da história do heavy metal.

Entretanto, todo sucesso, loucura e excitação que se seguiu ao lançamento do disco sofreu um golpe pesado demais quando, no dia 27 de setembro daquele mesmo ano, um acidente com o ônibus da banda numa viagem pelo interior da Suécia encerrou a carreira do lendário baixista Cliff Burton, num dos eventos mais trágicos e tristes já ocorridos envolvendo uma banda de heavy metal.

Continuar era algo absolutamente difícil, pois se já não bastasse o trauma do acidente em si, o grupo havia perdido um companheiro e também um músico cuja qualidade técnica e inventividade não seriam encontradas em qualquer lugar.

No entanto, após se recobrarem da perda, James Hetfield, Lars Ulrich e Kirk Hammet decidiram seguir adiante, e então o Metallica anunciou que haveria uma audição para escolher o substituto de Cliff. O posto ficou com Jason Newsted, que vinha do Flotsam and Jetsam.

O próximo passo, entre litros e mais litros de cerveja, foi ensaiar para conseguir o entrosamento de Jason com o restante da banda e, a partir dali, iniciar o processo de composição e gravação de um novo álbum.
The $5,98 EP: Garage Days Re-Revisited, um EP de covers lançado em 1987 com essa nova formação, foi considerado por muitos como o teste final de Newsted - e até mesmo do próprio Metallica - antes de seguir em frente. O que veio na sequência foi o quarto álbum de estúdio do grupo, uma obra que mesmo obtendo enorme sucesso comercial e ainda sendo querida pela grande maioria dos fãs, pode ser considerada como um disco injustiçado até hoje. Estamos falando do excelente … And Justice For All.

Você pode estar pensando agora: “
O que diabos esse sujeito está escrevendo? Como chamar de injustiçado um disco que foi um grande sucesso comercial, que a maioria dos fãs do Metallica gosta, que inclusive representa para alguns mais radicais um divisor na carreira da banda, já que existem aqueles mais puristas que consideram que o ‘verdadeiro Metallica’ é aquele do … And Justice For All para trás?”. É exatamente isso que tentaremos discutir nas linhas a seguir.

Não é o objetivo aqui entrar no mérito de discutir se os últimos trabalhos da banda são melhores, piores ou do mesmo nível que os primeiros quatro discos. Apesar disso, não é segredo para ninguém que existe um considerável número de pessoas que repete insistentemente que os melhores álbuns do Metallica são justamente os gravados no período entre 1983 e 1988. Mesmo assim, qualquer um que já tenha conversado sobre o assunto Metallica ou procurado informações sobre a história e obra da banda, sendo fã ou não, já ouviu coisas como “
o Metallica acabou depois do ‘Master’”, ou “a banda gravou três clássicos absolutos e ainda tem o ...And Justice..., que também é bom”.

É justamente nesse ponto que começa a análise desse disco. O que sempre se observou em boa parte das pessoas é que se houvesse como estratificar a obra de James Hetfield e companhia por níveis,
... And Justice For All ocuparia uma posição intermediária. É como se no lugar mais alto de um suposto pódio, Kill 'Em All, Ride the Lightning e Master of Puppets estivessem juntos, enquanto ... And Justice ... ficaria num segundo plano, acima de todos os demais álbuns da banda, mas num nível diferente e bem atrás das três primeiras obras já citadas. A questão que devemos analisar é se, opiniões pessoais à parte, esse trabalho de 1988 realmente está em um nível inferior ao da “trilogia sagrada” do grupo.

Esse quarto álbum já gerou todos os tipos de comentários, histórias, lendas, teorias absurdas e folclores que se possa imaginar. Na verdade, histórias curiosas (verídicas ou não), acerca desse período da carreira do Metallica vêm de antes de seu lançamento. Já se falou que o verdadeiro teste para Jason entrar na banda foi ver até onde ele conseguia beber. Já se disse que a bateria do disco teria sido gravada por Dave Lombardo. Já se proferiu que o baixo quase inaudível do disco seria fruto da vontade de Hetfield e Lars Ulrich, após compararem o som do novo integrante com o de Cliff Burton.

Mas vamos aos fatos.
... And Justice For All é uma obra que honra cada letra da palavra ‘metal’, tanto na sua temática quanto em sua execução. Um misto de desolação e raiva são a constante no clima desse disco, transformando-o num dos trabalhos mais originais e bem executados do Metallica. Por mais que o álbum já tenha recebido elogios, o que se falou até hoje é pouco diante de sua qualidade. As críticas que sofreu, e que ainda sofre por parte de alguns fãs, bem como o já citado segundo plano em que ele é colocado quando comparado aos seus antecessores, já são motivos de sobra para que se possa apontá-lo como um disco injustiçado.

Ainda que os três primeiros trabalhos do grupo guardem muito mais semelhanças entre si do que com o disco de 1988, e ainda que o gosto pessoal da maior parte das pessoas aponte para uma primazia de
Kill, Ride e Master, ... And Justice ... pode ser considerado como um trabalho do mesmo nível ou, pelo menos, bem próximo. Não é questão de dizer que ele é melhor ou pior, é apenas observar que não está tão abaixo dos seus antecessores como muito se alardeia até hoje, de forma que, sob essa ótica, o status de clássico poderia caber a ele tanto quanto aos trabalhos que o precederam. Ao contrário do que se possa pensar, esse quarto álbum da banda foi aquele que mais representou uma variedade no seu som e incorporação de novos elementos desde Kill 'Em All. Veja bem, antes de tentar me acertar uma pedrada, não estou falando em ter mais ou menos qualidade que os antecessores, estou apenas dizendo que foi o álbum mais diferente da banda até então.


Certos fatos, alguns dos quais fogem ao âmbito estrito da música, podem ter contribuído para que a avaliação sobre
… And Justice For All nem sempre tenha sido a melhor possível. A coisa já começa pela ausência de Cliff Burton, passando pela maior complexidade musical e, em decorrência disso, maior cadência desse álbum, e repousando, sobretudo, naquilo que os mais radicais têm dificuldades em aceitar, que é o fato de … And Justice... representar o embrião do flerte do Metallica com o mundo do mainstream. “One” foi a música que representou a entrada do grupo nos meios de comunicação de massa como rádios e a MTV, fazendo a cabeça de muita gente já à época de seu lançamento - inclusive de muitos que não tinham a menor noção do que era o heavy metal. Por meio dele, a banda conseguiu o melhor resultado comercial de sua carreira até então, debutando no 6º lugar na parada da Billboard. Além disso, foi indicado ao Grammy Awards de 1989 na categoria Melhor Performance Hard Rock/Metal (perdeu para o Jethro Tull). Isso foi um prato cheio para que se apontasse o dedo para a banda, acusando-a de estar se vendendo, ainda mais quando se lembrava que o Metallica repudiava até então coisas como esse tipo de divulgação de seu trabalho.

Mas e o principal? E o álbum em si, como é? Muitas pessoas afirmam sem pestanejar que esse disco representa o ápice do grupo em termos de desenvolvimento técnico. O som do Metallica havia se tornado algo bem mais complexo, com variações de andamento, mudanças e quebras inesperadas de ritmo, além de uma rifferama nada menos do que excepcional. O trabalho de bateria feito por Lars Ulrich nesse disco é memorável, os riffs e solos são bastante inspirados, o vocal de James Hetfield mantém a agressividade de outrora, mas aqui aparece mais encorpado e adulto. O grande senão desse trabalho ficou justamente por conta do baixo quase inaudível. Entretanto, o disco traz canções tão bem elaboradas que nem mesmo a pouca percepção de um instrumento tão importante como o baixo foi capaz de macular toda a sua qualidade.

O som mais elaborado acabou resultando em um álbum duplo, mas com apenas nove canções, muitas das quais enormes, só que com variações intensas dentro de cada música. Tal fato fez com que algumas pessoas avaliassem que esse som mais complexo havia implicado numa perda de peso em relação aos trabalhos anteriores. Todavia, se tem uma coisa que não falta a
… And Justice For All é peso. O disco é, em vários pontos, mais cadenciado, e isso sim pode ter sido um fator a mais na avaliação nem sempre favorável ao álbum. A própria banda já assumiu que sempre teve dificuldades em reproduzir ao vivo as canções do LP, que, apesar disso, gerou uma das turnês mais bem sucedidas da carreira dos caras.


A história toda se inicia com “Blackened”, uma paulada que já começa a impressionar desde a introdução, onde foi captado o som de várias guitarras para depois ser rodado ao contrário, obtendo um efeito sonoro fantástico. Além disso, a música se estende com riffs matadores, num excelente trabalho dos guitarristas e com o vocal agressivo de Hetfield.

Os violões que dão início à faixa-título precedem os mais de nove minutos de porrada, riffs agressivos, variações de velocidade e ritmo, além de melodias obscuras, numa grande música. O riff com volume crescente na introdução e o refrão bem sacado dão o tom de “Eye of the Beholder”.

“One” foi o primeiro single, uma canção, como dito anteriormente, que fez a cabeça de muita gente na época do lançamento, inclusive por ter representado a primeira incursão real do Metallica no mainstream. Este fato, associado à intro e primeira parte mais lentas e suavizadas, provocou os primeiros narizes torcidos de forma mais contundente em relação à obra do quarteto, o que não anula a beleza e a qualidade da música. Ponto principalmente para James Hetfield e a excelente interpretação que deu a uma das melhores letras da carreira da banda.

As boas “The Shortest Straw” e “Harvester of Sorrow”, bem como a excepcional semi-instrumental “To Live is to Die” (uma homenagem a Burton) mostraram toda a maturidade do Metallica naquele momento.

Ainda completam o álbum duas das músicas mais injustiçadas da banda. “The Frayed Ends of Sanity” é uma das melhores de
… And Justice For All e, no entanto, é uma das menos comentadas. Música com um ritmo e uma pegada maravilhosos, longa, mas de tamanha qualidade que ao seu final fica a impressão de se ter ouvido uma faixa de uns três minutos. O desfecho do play se dá com “Dyers Eve”, uma canção matadora em todos os aspectos, de uma rapidez e agressividade impressionantes, que caberia facilmente em Kill 'Em All e que foi tocada ao vivo pela primeira vez muitos anos após o seu lançamento.


As letras do disco mereceriam um outro review somente para elas, dada a criatividade e o teor de crítica social e aos costumes tradicionais que traziam consigo.

Não é uma questão de dizer que …
And Justice For All seja superior a outros trabalhos da banda, sobretudo aos que o antecederam, ainda mais sendo um disco de andamento geral um pouco mais lento para os padrões tradicionais do thrash metal. No entanto, a real motivação desse texto é fazer justiça e prestar homenagem a um grande trabalho que nem sempre recebeu toda a importância que realmente tem, ainda que a quantidade de elogios que se faz a ele seja bem maior que o número de críticas.

Agora, cabe a você dizer qual é sua opinião. …
And Justice For All é um álbum realmente injustiçado, recebe a atenção que merece ou tem mais importância do que deveria? Quem realmente decide isso é você. Portanto, não deixe de dar a suas impressões e lembre-se, “justiça para todos”. Até a próxima.

Faixas:
A1 Blackened 6:43
A2 ...And Justice for All 9:47

B1 Eye of the Beholder 6:28
B2 One 7:26

C1 The Shortest Straw 6:37
C2 Harvester of Sorrow 5:46
C3 The Frayed Ends of Sanity 7:44

D1 To Live Is to Die 9:50
D2 Dyers Eve 5:16

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