27 de ago de 2010

Triptykon - Eparistera Daimones (2010)

sexta-feira, agosto 27, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: *****

Em 2006, um dos grupos mais influentes da história do heavy metal extremo parecia ter um futuro promissor pela frente. Após mais de uma década de hibernação, o Celtic Frost havia voltado à ativa com um álbum excelente - Monotheist, muito bem aceito pelos fãs e pela crítica -, e tudo indicava que o grupo suíço iria engatar uma sequência de ótimos discos.

Mas não foi o que aconteceu. Divergências pessoais e diferenças musicais fizeram com que seu principal integrante, o vocalista e guitarrista Tom Warrior, saísse da banda em maio de 2008, deixando para trás, segundo informações do próprio músico, material já composto para aquele que seria o sucessor de Monotheist.

Um dos artistas mais criativos, talentosos e influentes do heavy metal, Tom Warrior não poderia ficar parado por muito tempo – e, para nossa sorte, não ficou. Logo após o anúncio de sua saída do Celtic Frost Warrior montou uma nova banda, batizada de Triptykon, ao lado do guitarrista V. Santura, da baixista Vanja Slajh e do baterista Norman Lonhard.


A banda começou a gravar a sua estreia, batizada como
Eparistera Daimones (“demônios à esquerda”, em grego), em agosto de 2009. As sessões se estenderam até o final de novembro. Com o disco pronto, a banda assinou com a Century Media, que lançou o álbum no dia 22 de março de 2010.

Eparistera Daimones é um disco muito mais sombrio, pesado e agressivo que Monotheist. O simples ato de apertar o play no CD player deixa tudo ao seu redor mais denso, escuro e sinistro.

É difícil classificar o álbum em um gênero específico. É black metal, mas não é só isso. Há também elementos de doom, gótico e thrash em suas nove faixas. O uso de andamentos mais arrastados, casados com perfeição com guitarras afinadas em tons mais baixos, fazem com que o peso seja uma das principais características de
Eparistera Daimones. Gigantescas doses vindas diretamente da mãe de todas as bandas de heavy metal, o Black Sabbath, carregam as guitarras com riffs arrastados e pesadíssimos. Os arranjos levam as faixas por caminhos inusitados e sempre criativos.


O nível das composições de Tom Warrior é altíssimo, e mostram que o músico suíço, apesar de ter uma carreira que já dura mais de vinte e cinco anos e conta com passagens por nomes seminais do som pesado como Hellhammer e Celtic Frost, tem muitas cartas na manga ainda. “Goetia” é uma odisséia de onze minutos de duração que abre o disco de maneira espetacular. Quem sente calafrios só de olhar para a duração de faixas mais longas, julgando-as automaticamente como chatas e repetitivas, deveria ouvir esse som todos os dias.

“Abyss Within My Soul” é construída a partir de um riff totalmente doom, e conta com uma grande interpretação vocal de Tom Warrior. “In Shrouds Decayed” conta com uma introdução bem climática de guitarra, temperada com a voz de Warrior carregada de efeitos que a deixam ainda mais sombria. “A Thousand Lies” é a mais rápida do disco, com riffs bem thrash.

“Descendant” é um dos melhores momentos do álbum, com riffs pesadíssimos e rastejantes bem na escola de Tony Iommi. “Myopic Empire” é outra ótima faixa. Nela, os vocais lembram claramente, nas passagens mais lentas, o Alice in Chains. “Myopic Empire” conta também com uma soberba passagem de piano combinada a um vocal feminino arrepiante, e que dá um acento gótico bastante interessante à composição. A influência gótica é elevada ao máximo em “My Pain”, uma belíssima composição com vocais femininos que destoam completamente do restante do disco.

O álbum fecha com “The Prolonging”, uma perturbadora jornada de quase vinte minutos que transita com absoluta competência e naturalidade pelo black, doom, thrash e metal clássico. Um encerramento espetacular para um álbum excelente.


Vale mencionar também a arte da capa do álbum. Warrior mantém uma longa relação com o lendário artista plástico suíço H.R. Giger. Uma das obras de Giger ilustra a capa do clássico
To Mega Therion, lançado pelo Celtic Frost em 1985. Além disso, Giger é reconhecido mundialmente pelo seu trabalho, tendo recebido inclusive um Oscar pela concepção visual do filme Alien: O Oitavo Passageiro. A obra que ilustra a capa de Eparistera Daimones é um trabalho de Giger intitulado Vlad Tepes. Já a arte do encarte ficou a cargo do norte-americano Vincent Castiglia, que pintou retratos dos integrantes da banda como se os tivesse produzido com sangue, alcançando um resultado final ao mesmo tempo belo e aterrorizante.

A julgar pelo que se ouve em
Eparistera Daimones, o Celtic Frost perdeu demais com a saída de Tom Warrior. Se, como ele já disse em inúmeras entrevistas, as músicas que compõe o disco de estreia de seu novo grupo estariam, a princípio, no sucessor de Monotheist, o Celtic Frost deixou de gravar mais um clássico em sua discografia. Em compensação, Thomas Gabriel Fischer mostra porque é considerado, com imensa justiça, um dos músicos mais influentes da história do heavy metal. Eparistera Daimones é um ótimo disco, que já nasce com cara de obra fundamental.

Extremamente recomendável!


Faixas:
1 Goetia 11:00
2 Abyss Within My Soul 9:26
3 In Shrouds Decayed 6:55
4 Shrine 1:43
5 A Thousand Lies 5:28
6 Descendant 7:41
7 Myopic Empire 5:47
8 My Pain 5:19
9 The Prolonging 19:22


Nevermore - The Obsidian Conspiracy (2010)

sexta-feira, agosto 27, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****

Cinco longos anos. Esse é o período que separa The Obsidian Conspiracy, novo álbum dos norte-americanos do Nevermore, de seu antecessor, o já clássico This Godless Endeavor, lançado em 2005. A expectativa dos fãs por um novo trabalho do grupo era imensa, transformando The Obsidian Conspiracy, instantaneamente, em um dos discos mais esperados de 2010.

A princípio, os mais fanáticos poderão estranhar um pouco as dez faixas do play. O motivo para isso é claro e cristalino: The Obsidian Conspiracy é um álbum mais direto e menos complexo que This Godless Endeavor. As faixas são mais curtas, atingindo no máximo cinco minutos, enquanto a composição que dava nome ao disco de 2005 tinha quase nove minutos.


Percebe-se, claramente, que a banda deu mais espaço para o ótimo vocal de Warrel Dane, que agora, quando entra nas novas composições, não precisa mais enveredar por verdadeiras batalhas contra muralhas sonoras quase intransponíveis, como aconteceu algumas vezes no passado recente do grupo. De uma maneira geral, as músicas do novo disco equilibram com eficiência passagens mais densas com trechos onde as faixas tem mais espaço para respirar. Esse aspecto, como já falado pela banda em entrevistas, deve-se principalmente ao ótimo trabalho do produtor Peter Wichers, guitarrista do grupo sueco Soilwork, e que pela primeira vez trabalhou com a banda, após produzir o disco solo de Warrel Dane, Praises to the War Machine, lançado em 2008.

O lado virtuoso, característica marcante no som do Nevermore, continua presente, mas em The Obsidian Conspiracy esse aspecto está mais focado na construção das músicas no que em exibições individuais. O que se ouve no disco é um heavy metal extremamente competente, agressivo, com uma abundância de passagens mais sombrias e escuras, na melhor tradição da música pesada.


Entre as faixas, destaque para a abertura com “The Termination Proclamation”, “And the Maiden Spoke”, “Emptiness Unobstructed” e a faixa-título, mas o fato é que, independentemente de apontar uma ou outra música, o disco é bastante homogêneo, com composições de grande qualidade e que reafirmam o talento do grupo.

Em suma, The Obsidian Conspiracy é um disco bem diferente de This Godless Endeavor, mas igualmente excelente. Com ele, o Nevermore ratifica o seu status como uma das melhores bandas de heavy metal dos últimos quinze anos. Sem dúvida, um dos grandes álbuns de 2010.


Faixas:

1 The Termination Proclamation 3:12
2 Your Poison Throne 3:54
3 Moonrise (Through Mirrors of Death) 4:03
4 And the Maiden Spoke 5:00
5 Emptiness Unobstructed 4:39
6 The Blue Marble and the New Soul 4:41
7 Without Morals 4:19
8 The Day You Built the Wall 4:23
9 She Comes in Colors 5:34
10 The Obsidian Conspiracy 5:16


26 de ago de 2010

Livro conta a história de Jimmy Page

quinta-feira, agosto 26, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Fãs do Led Zeppelin, anotem na agenda: dia 27 de setembro chega às livrarias uma luxuosa autobiografia de Jimmy Page. O livro conta, através de uma quantidade enorme de fotografias vindas direto dos arquivos pessoais do guitarrista – sendo a maioria delas inédita – a trajetória de Page, um dos mais importantes músicos da história do rock.


Intitulado
Jimmy Page: The Photographic Autobiography, o livro será lançado em uma luxuosa edição com capa de couro limitada a 2.500 cópias, todas elas assinadas por Jimmy. A obra conta com 500 páginas e 650 fotos e ilustrações, e será vendida ao preço de 445 libras – cerca de 1.200 reais.

Se você estiver interessado e tiver uma bela grana disponível, pode
comprar o livro aqui.


Kiske / Somerville - Kiske / Somerville (2010)

quinta-feira, agosto 26, 2010

João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
@jrenato83

Cotação: ****

E mais uma vez a Frontiers Records surge com um projeto unindo grandes nomes de seu cast. As declarações recentes indicam que Michael Kiske está bem mais à vontade com o mundo do rock pesado. As apresentações com o Unisonic e o reencontro com os fãs o reaproximaram de um sentimento positivo em relação a coisas que o incomodaram nas últimas décadas. Sendo assim, aqui está o cidadão e sua mais que fantástica voz em uma nova empreitada. A novidade fica pela companhia de uma companheira, a norte-americana Amanda Somerville (Aina, Avantasia, entre outros).

As composições do primeiro álbum do projeto Kiske / Somerville ficaram por conta de Mat Sinner (Primal Fear, Sinner), Magnus Karlsson (Primal Fear, Starbreaker, Allen/Lande) e Sander Gommans (After Forever). O estilo adotado no trabalho mescla o hard e o heavy metal, com bastante ênfase nas melodias. O Place Vendome, de Kiske, pode ser um bom parâmetro inicial, embora aqui tenhamos uma dramaticidade maior, realçada pelos duetos.

O disco já começa bem interessante com “Nothing Left to Say”, som com levada mais puxada para o metal e que poderia ter saído no
Pink Bubbles Go Ape, ou até mesmo ter sido uma das passagens mais comerciais dos Keepers, ambos gravados na época em que Michael Kiske fazia parte do Helloween.


Na sequência, o primeiro single, “Silence”, em versão maior que a usada para promoção. Passagens orquestradas ressaltam sua grandiosidade, com a dupla em uma de suas melhores performances de todo o disco. “If I Had a Wish”, segunda música de trabalho, é um
happy happy Helloween misturado com Masterplan do primeiro álbum, e vai fazer a alegria dos saudosistas.

Os riffs mais pesados surgem na abertura de “Arise”, que alterna o peso com trechos mais calmos, criando um clima bem agradável aos ouvidos. Um dos momentos mais brilhantes acontece na cadenciada “End of the Road”. Envolvente, climática e com um refrão simplesmente fantástico, tem tudo para figurar entre as preferidas da galera. Sua complexidade chega a lembrar o Savatage da fase
Edge of Thorns.

O melodic rock surge em “Don’t Walk Away”, canção de fácil assimilação, com grande potencial para hit em épocas mais favoráveis ao estilo. “A Thousand Suns” é uma mid-tempo que, confesso, não me chamou tanto a atenção, exceto por uma passagem de violão lá pelo meio extremamente bonita – sempre gosto desse tipo de coisa.


Certa atmosfera com um quê de gótico dita o ritmo de “Rain”. Não que tenha ficado esquisito, apenas uma curiosidade, tendo em conta o background dos envolvidos. A baladinha dramática aparece em “One Night Burning”, pontuada por um belo piano. Bacana, mas nada demais. “Devil in Her Heart” lembra um pouco as bandas atuais do Scandi-AOR, estilo abraçado pela Frontiers nos últimos anos. O tracklist normal é encerrado com “Second Chance”, aquela que possui influências pop mais acentuadas. O clima mais sereno ficou excelente na combinação de vozes.

Ainda tem a bônus “Set a Fire”, para encerrar de vez. E aí, parece que o Zakk Wylde apareceu para fazer uma participação especial no riff de abertura. A mais heavy atual de todas. Talvez, até por isso, tenha ficado de fora da versão regular, pois soaria um pouco deslocada no contexto.

Um trabalho muito bom, com uma fórmula que, se não é mais tão original como em outras épocas, ainda pode render bons frutos. Penso que a primeira parte é bem superior, embora a metade final tenha seu valor também. Até aqui o trabalho de Michael Kiske que mais se aproximou do que o vocalista fazia em sua época áurea, embora ainda com certa distância. Até porque, sejamos sinceros, se fosse para voltar a fazer o que fazia em 1987 ele saberia como e ainda ganhando bem mais.

Aguardemos agora o Unisonic, próxima empreitada de Kiske a lançar seu play. Até lá, esse aqui preenche bem o tempo de espera.


Faixas:
1 Nothing Left to Say
2 Silence
3 If I Had a Wish
4 One Night Burning
5 Arise
6 End of the Road
7 Don't Walk Away
8 Devil in Her Heart
9 Rain
10 A Thousand Suns
11 Second Chance
12 Set a Fire (Bonus Track)

Divulgada capa e tracklist do DVD que reúne Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax

quinta-feira, agosto 26, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O site oficial do Metallica divulgou ontem, dia 25/08, a capa, contracapa e tracklist do aguardado DVD que reúne o Big Four, o grupo das quatro bandas mais importantes e influentes da história do thrash metal - o próprio Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax.

O DVD traz o show das quatro bandas relizado no Sonisphere Festival no último dia 22 de junho, na Bulgária. O vídeo chega às lojas europeias dia 15 de outubro, dia 19 nos Estados Unidos e dia 18 de outubro no resto do mundo, incluindo aí o Brasil.


Intitulado The Big 4 Live From Sofia, Bulgaria, o DVD será duplo e trará, além dos shows das bandas, documentários e cenas de backstage. O show do Metallica incluído no DVD tem duas horas de duração, enquanto Slayer, Megadeth e Anthrax tem sets de uma hora cada.


Também foi anunciada uma "super deluxe edition", um box set incluindo os DVDs, 5 CDs com todas as músicas tocadas pelas quatro bandas no festival, um livreto de 24 páginas, poster, fotos de cada banda, e uma palheta personalizada do Big Four, igual a que estampa a capa do vídeo.

Resumindo, um item obrigatório pra qualquer headbanger!


25 de ago de 2010

Devian - Ninewinged Serpent (2007)

quarta-feira, agosto 25, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***1/2

A banda sueca Devian já nasceu cercada de expectativas. A razão para isso é muito simples: o grupo foi formado em 2006 pelo vocalista Erik Hagstedt – conhecido mundialmente como Legion – e pelo baterista Emil Dragutinovic após ambos se desligarem do Marduk, um dos maiores ícones do black metal contemporâneo.

Legion e Emil juntaram-se aos guitarristas Jonas “Joinus” Mattson (ex-Nominon) e ao baixista Tomas Nilsson (ex-Suicidal Seduction), e rapidamente conseguiram um contrato com a Century Media. O primeiro álbum dos caras,
Ninewinged Serpent, chegou às lojas em 2007, e agora está ganhando uma versão nacional lançada pela Hellion Records.

O som do Devian é diferente daquele que Legion e Emil faziam em seus tempos de Marduk. As letras e títulos provocantes e blasfemos, uma das marcas registradas de Legion, continuam presentes, mas a música do Devian vai além do black metal, adicionando influências de thrash, death e heavy metal tradicional. Essas características fazem com que a sonoridade do Devian, mesmo sendo estupidamente brutal, seja mais acessível que a do Marduk. Estão lá o peso, a velocidade e a atmosfera maligna que se espera de um trabalho encabeçado por um cara como Legion, mas a banda vai além e mostra, além do talento conhecido dos músicos envolvidos, muita personalidade.

Um aspecto digno de elogio é o fato de a banda optar por uma produção atual e moderna, deixando de lado a sonoridade propositalmente tosca característica das bandas black do início dos anos noventa. O que se ouve em
Ninewinged Serpent é um som pesadíssimo, repleto de agressividade e groove. Méritos do produtor Rickard Kottelin e da mixagem de Fredrik Nordström (At the Gates, Arch Enemy, Dimmu Borgir), que souberam fazer o grupo soar atual sem abrir mão de suas características.

O resultado final é um álbum bastante homogêneo, com dez faixas de grande qualidade. Uma atmosfera malévola ronda as canções, que ficam ainda mais fortes devido à ótima performance dos músicos, principalmente Legion.

Só pra constar, o Devian lançou em 2008 seu segundo disco,
God to the Illfated, que alcançou bastante repercussão devido ao clipe da faixa “Assailant”, no qual Legion é capturado e torturado por um grupo de fanáticos religiosos.

Ninewinged Serpent é um álbum muito bom, um início promissor para esse novo capítulo na carreira de dois dos mais importantes músicos do metal extremo. O som, uma mistura de death e black metal, irá agradar em cheio os fãs de ambos os estilos. Se você é um deles, encare sem medo!


Faixas:

1 Serenade for the Fallen 1:27
2 Dressed in Blood 5:07
3 Heresy 5:05
4 Scarred 3:50
5 Suffer the Fools 4:37
6 Fatalist 4:03
7 Gemini Is the Snake 6:35
8 Instigator 5:11
9 Remnant Song 4:13
10 Ninewinged Serpent 5:07



Live Evil Festival: a nata do metal underground em Londres

quarta-feira, agosto 25, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Inspirado nas ideias e na paixão pelo metal underground de Fenriz, o lendário baterista do Darkthrone, acontece em outubro na capital inglesa um dos festivais mais interessantes da atual temporada europeia.

Todas as bandas foram selecionadas a partir de sugestões do próprio Fenriz, profundo conhecedor e grande admirador da cena extrema underground. Grupos de black metal, thrash, death, doom, NWOBHM e até punk marcarão presença no festival.

O lendário Fenriz, baterista do Darkthrone

Entre as atrações, destaques para o Angel Witch, cultuado ícone da New Wave of British Heavy Metal, e os pioneiros do black metal brasileiro Vulcano, reconhecidos mundo afora e, de forma paradoxal, praticamente anônimos aqui no Brasil.

Também tocarão no evento as bandas Ghost (Suécia), Obliteration (Noruega), Natur (EUA), Deathhammer (Noruega), Hooded Menace (Finlândia), Occvlta (Alemanha), Nekromantheon (Noruega), Grave Desecrator (Brasil), Rameness (Inglaterra), Speed Trap (Finlândia), Diskord (Noruega), Körgull The Exterminator (Espanha), Sonic Ritual (Suécia), Salute (Inglaterra) e Children of Technology (Itália).

O Live Evil Festival acontece no fim de semana dos dias 23 e 24 de outubro no The Underworld, em Camden.

Maiores informações podem ser encontradas nos links abaixo:

Site oficial do festival

My Space do festival

Se você curte metal extremo, uma ótima pedida!

24 de ago de 2010

Bem-vindo a The Final Frontier, o melhor álbum do Iron Maiden desde Seventh Son of a Seventh Son

terça-feira, agosto 24, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****1/2

No heavy metal, poucas bandas tiveram – e ainda tem – impacto similar ao Iron Maiden. O grupo liderado pelo baixista Steve Harris influenciou profundamente o gênero. Sua carreira foi marcada desde sempre pelo lançamento de grandes álbuns que definiram os caminhos que a música pesada iria seguir. Ouvindo The Final Frontier, décimo-quinto trabalho do grupo, fica a certeza de que essa história está longe de acabar.

The Final Frontier é um disco primoroso do começo ao fim. Suas dez faixas mostram uma banda inspirada, coesa e extremamente consciente. É nítido o esforço do grupo em procurar caminhos que fujam do lugar comum em que algumas passagens de seus últimos álbuns adentraram. Ouvindo as composições, não são raros os momentos em que imaginamos que a canção irá para um lado e ela nos surpreende trilhando outros rumos. Esse fator, principalmente, faz com que The Final Frontier seja um disco surpreendente.

Outro aspecto claríssimo no trabalho é a divisão visível entre suas faixas iniciais e finais. Enquanto a primeira parte do disco é composta por canções mais diretas e influenciadas pelo hard rock, da metade em diante as composições ficam mais complexas e longas, mostrando em todo o seu explendor a faceta progressiva que o Iron Maiden sempre teve em sua música.


“Satellite 15 … The Final Frontier” inicia o CD de maneira inesperada. A impressão ao dar play é que não estamos ouvindo um disco do Iron Maiden. O que sai dos alto-falantes é uma introdução atmosférica e crescente, onde os instrumentos entram com harmonias desconexas, causando estranheza ao ouvinte. Ainda que sirva para contextualizar a canção, essa intro acaba sendo longa demais, se arrastando por quase cinco minutos. Quando a música finalmente começa, temos um hard rock com linhas vocais grudentas de Bruce Dickinson e um ótimo refrão, que fica de imediato na cabeça. Um bom começo, que ficaria melhor ainda se a parte atmosférica fosse menor ou colocada em uma faixa separada do CD.


O clima se mantém lá em cima com “El Dorado”, já conhecida dos fãs por ter sido disponibilizada antes do lançamento do disco no site da banda. Outra vez o hard rock marca presença, em uma composição vigorosa e que agrada de imediato.


“Mother of Mercy” vem a seguir, com boas guitarras e grandes melodias embalando uma das músicas mais fortes do disco. “Coming Home” soa como as ótimas baladas da carreira solo de Bruce Dickinson, e parece saída de discos como
The Chemical Wedding e Tyranny of Souls. Aqui merecem destaque a interpretação de Bruce e os solos de guitarra, curtos porém excelentes.

Já “The Alchemist”, a canção mais curta de
The Final Frontier, também é a mais direta do play, e nos remete ao Iron Maiden dos anos oitenta, de clássicos como Piece of Mind e Powerslave. Um ataque primoroso de guitarras gêmeas carregadas de melodia, baixo galopante, bateria intricada e grande performance vocal. Ou seja, Iron Maiden clássico, na veia, empolgante!


É a partir de sua metade que
The Final Frontier se transforma, passando da condição de um bom disco em um trabalho excelente. “Isle of Avalon” é uma jornada épica de mais de nove minutos repleta de passagens instrumentais arrepiantes. O solo no meio da faixa, não menos que sublime, mostra o quanto Adrian Smith faz a diferença no Iron Maiden. Sua classe, seu talento e seu extremo bom gosto levam a música a caminhos inesperados, surpreendendo o ouvinte e mostrando que a arte de tocar guitarra, quando bem feita, é similar ao trabalho de um exímio artesão.

“Starblind” vem na sequência, e sua alternância entre momentos mais calmos com outros mais agressivos é digna de nota, assim como as guitarras, repletas de melodia na melhor escola da longa tradição de faixas complexas do Iron Maiden, como “Still Life” e “Infinite Dreams”. “The Talisman” segue na mesma linha, com ótimos trechos instrumentais apimentados por um muito bem-vindo tempero celta. “Isle of Avalon”, “Starblind” e “The Talisman” formam uma espécia de trilogia, conduzindo o ouvinte por uma jornada profunda repleta de passagens instrumentais hipnotizantes e arranjos complexos, uma verdadeira viagem sonora que é um dos melhores momentos de
The Final Frontier.

Acertando a mão mais uma vez, o Iron Maiden mostra em “The Man Who Would Be King” que inspiração foi o que não faltou no processo de composição e gravação de seu novo disco. Dona de uma linda introdução e de um arranjo épico que lhe dá um clima todo especial, “The Man Who Would Be King” abre caminho para aquela que é a mais longa, e melhor, faixa de
The Final Frontier.

Com mais de onze minutos de duração, “When the Wild Wind Blows” nos remete de imediato aos tempos de
Somewhere in Time, mais precisamente da faixa de encerramento daquele álbum, a igualmente excepcional “Alexander The Great”. Única composta somente por Steve Harris, “When the Wild Wind Blows” é daquelas músicas que, sozinhas, justificam a compra de um disco. Harmonias construídas sobre melodias celtas belíssimas arrepiam o ouvinte já nos primeiros segundos da canção, que se desenvolve gradativamente em uma verdadeira aula de como se deve compor uma faixa de heavy metal. Seus onze minutos parecem durar um terço disso, e nada em seu arranjo soa desnecessário ou fora do lugar. Uma música espetacular, que reafirmou a minha fé no Iron Maiden, a banda que mais ouvi na vida, que me acompanha há mais de 25 anos e que estará ao meu lado até o final dos meus dias.


O Iron Maiden está envelhecendo, isto é um fato, mas está conseguindo passar por esse processo de maneira exemplar.
The Final Frontier é a prova disso. Um disco excelente, inovador, de uma banda que não precisa provar nada para ninguém e poderia muito bem gravar o mesmo álbum todos os anos, mas, por sua natureza inquieta, insiste em se renovar e trilhar novos caminhos a cada novo trabalho. The Final Frontier bate Brave New World como o melhor álbum do Iron Maiden desde que Bruce Dickinson e Adrian Smith voltaram à banda em fevereiro de 1999, e é, fácil, o melhor disco do grupo desde o clássico Seventh Son of a Seventh Son, de 1988.

Faça um favor a si mesmo: compre, ouça e coloque um sorriso no rosto!


Faixas:
1 Satellite 15... The Final Frontier 8:40
2 El Dorado 6:49
3 Mother of Mercy 5:20
4 Coming Home 5:52
5 The Alchemist 4:29
6 Isle of Avalon 9:06
7 Starblind 7:48
8 The Talisman 9:03
9 The Man Who Would Be King 8:28
10 When the Wild Wind Blows 10:59


Nergal, vocalista e guitarrista do Behemoth, diagnosticado com leucemia

terça-feira, agosto 24, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Má notícia para os fãs do Behemoth e de metal extremo. Nergal, vocalista, guitarrista e líder do grupo polonês, foi diagnosticado com leucemia. O estágio da doença é avançado, e o tratamento com quimioterapia, indicado para esses casos, já foi descartado, pois não surtiria efeito.

A única esperança de Nergal, cujo nome verdadeiro é Adam Michael Darski, é um transplante de medula óssea. A noiva do músico já efetuou a doação da sua medula, mas ainda não se sabe se ela será compatível.

Nergal e sua noiva

Uma triste notícia para os fãs da banda, uma das mais originais do black metal contemporâneo, responsável por discos espetaculares como Demigod (2004) e The Apostasy (2007).

A nós, fãs e admiradores do trabalho de Nergal e do Behemoth, só resta torcer para que tudo dê certo e que o músico supere a doença.


Comunicado oficial da EMI Brasil sobre erro de impressão no encarte da edição especial Mission Edition do álbum The Final Frontier, do Iron Maiden.

terça-feira, agosto 24, 2010

Por conta de um erro na impressão dos livretos encartados na edição especial de The Final Frontier, do Iron Maiden, disponibilizada em lata metálica importada, todas as amostras estão sendo recolhidas das lojas para reposição por novos exemplares, o mais breve possível.

Caso você tenha adquirido uma amostra com problemas gráficos, favor enviar mensagem para: atendimento@emimusic.com e iremos providenciar a troca de seu livreto.

A equipe da EMI Music lamenta o incidente e está à disposição para efetuar todas as trocas cabíveis.

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E aí, alguém já tinha comprado a sua Mission Edition do disco? Irão trocar ou vão ficar com a edição com o erro para a coleção?


23 de ago de 2010

Iron Maiden - The Final Frontier (2010)

segunda-feira, agosto 23, 2010

Por Ronaldo Costa
Colecionador
Collector´s Room


Cotação: ****

Vamos combinar um negócio: o que será feito aqui é a análise de um álbum de heavy metal em si. É lógico que para tentar caracterizar e contextualizar as coisas, serão citadas outras obras e bandas. No entanto, o objetivo não é avaliar a carreira do Iron Maiden, nem comparar suas várias fases - tampouco se aprofundar nas reações que os mais variados tipos de fãs terão ao ouvir seu novo lançamento. Isso será discutido num outro momento. Pode-se até dar uma pincelada nesses fatores, mas o que está em discussão agora é única e exclusivamente uma coisa: a música que ouvimos em
The Final Frontier.

Baseado o que foi citado acima, pode-se inverter a lógica comum de uma resenha e expor a conclusão já no começo do texto.
The Final Frontier, 15° álbum de estúdio da lendária banda britânica, na conta final é um senhor disco. Não é uma obra-prima incomparável, bem como também está longe de ser um trabalho descartável. Ali, se revezam numa profusão poucas vezes vista momentos de pura genialidade e outros onde o ouvinte poderia desejar uma solução diferente. Tudo ali, lado a lado.

Inesperado. Talvez seja essa a palavra que melhor defina o álbum em questão. Apesar de a banda repetir alguns clichês, sobretudo em comparação com suas obras mais recentes, fica evidente desde o primeiro minuto que a Donzela busca, mais do que em qualquer momento prévio, a experimentação, a novidade. Por isso mesmo, o trabalho soa inesperado, seja na passagem de uma música à outra, seja na progressão dentro de uma mesma faixa.

Não há a menor dúvida de que esse é o material mais difícil e intricado da história do sexteto inglês. Por isso, não adianta pensar que suas canções possam ser facilmente digeridas. E isso pode até ser algo contraditório, a partir do momento em que observa-se uma banda totalmente solta, à vontade, e com muita inspiração ainda.

Papo furado, disco bom a gente conhece já na primeira ouvida”, dirá o leitor mais afoito. No entanto, essa lógica não cabe aqui. The Final Frontier é um trabalho complexo, não na noção de complexidade que possa ter um fã do Yes, mas dentro do contexto da discografia do Iron Maiden. É preciso deixar claro que este não é um disco de rock progressivo. É, sim, um álbum de heavy metal, onde o conjunto deixar fluir suas já tão propaladas influências prog. Só que a banda conseguiu unir a isso momentos de hard rock, de metal clássico e de influência celta, o que acaba por transformar o trabalho em algo muito rico musicalmente. Apesar disso, se os vários pontos altos do disco são tão claros para quem o ouve de mente aberta, os seus baixos também acabam se tornando evidentes.


O Iron Maiden colocou na abertura da nova bolacha duas músicas diferentes, as quais resolveu unir e dar um único nome. É essa a descrição exata de “Satellite 15 ... The Final Frontier”. A primeira parte é uma intro experimental diferente de qualquer coisa já lançada por eles. Talvez pela primeira vez em sua história uma música da Donzela se inicie sem que o fã perceba a sonoridade tão característica do grupo já nos acordes iniciais, pois até o som do baixo de Steve Harris soa diferente. Um ataque de riffs mais distorcidos que o habitual, marcados por uma bateria tribal, cria um ambiente caótico. Quando se presta atenção ao que está sendo dito nos primeiros versos por um Bruce Dickinson cujo vocal varia do desesperado ao fantasmagórico, percebe-se que o clima desolador da canção casa perfeitamente com sua letra. E é aqui onde percebemos que o Maiden é uma das bandas que melhor sabe fazer uma ambientação sonora perfeita para suas letras. Uma marcação de bateria quase marcial continua o andamento dessa introdução fantástica e completamente fora dos padrões, até que após uma pausa muito rápida somos pegos de surpresa novamente. Quando se espera uma explosão de riffs e energia, a banda traz um quase hard rock, despretensioso e cadenciado, com um bom clima e um refrão grudento, daqueles que ficam na cabeça. Os dois solos são competentes, embora não sejam espetaculares. O contraste existente entre as duas metades da faixa é proposital, porém o melhor aqui talvez fosse separar a canção em duas outras, sendo que a primeira parece superior à segunda.

“El Dorado” começa de forma estrondosa, com uma peça típica de fim de show, seguida pela indefectível cavalgada do baixo. Um riff direto marca a canção e o vocal segue uma linha mais contida para dar a interpretação irônica que a música pede. A
bridge que antecede o refrão é um dos melhores momentos da faixa, que tem uma variação brusca para um refrão cantado de forma muito alta e que, se ouvido isoladamente, é ótimo, porém é tão diferente que fica meio fora do contexto do restante da música. Em seu segundo terço, segue uma tendência mais prog na execução dos riffs e ótimos solos dos três guitarristas, até retornar para a construção de sua primeira parte. Uma música com identidade própria.

Na sequência, temos a parte mais tradicional do disco, a “mais Iron Maiden”, nas três próximas canções. “Mother of Mercy” é uma música densa, carregada de melodia, misto de um clima sombrio com um tom de resignação, aliada a uma letra excelente. Apresenta bons riffs e um ótimo refrão. Composição cadenciada, que só se torna mais veloz em seu final, mas que cumpre muito bem seu papel. “Coming Home” é a que mais chega perto da sonoridade de uma pseudo-balada, lembrando muito alguns momentos da carreira solo de Bruce Dickinson. Uma música contida, bastante melódica e muito bem trabalhada em seus detalhes. Trilha com brilhantismo um caminho que poderia facilmente cair na pieguice. Pra completar, traz um refrão que está entre os melhores do disco, além de ter os dois solos mais agradáveis de
The Final Frontier. A seguir temos a faixa mais rápida do álbum, tanto em sua duração quanto em seu andamento. “The Alchemist” retorna àquele típico som no estilo New Wave of British Heavy Metal, com seus riffs típicos, guitarras dobradas e uma execução vocal muito boa. O solo é absolutamente competente e condizente com o clima da música. Canção direta, eficiente, que tem como pecado a falta de um peso maior, de um pouco mais de distorção nas guitarras, o que certamente a deixaria mais marcante.


É a partir daqui que
The Final Frontier dá mais uma virada, dessa vez em direção a uma sonoridade com influência bem mais progressiva. É a partir daqui que o Maiden mergulha cada vez mais em territórios não muito familiares. É a partir daqui também que a banda apresenta alguns de seus momentos mais inspirados em termos de técnica, boas ideias e riqueza musical. E provavelmente (e curiosamente) será a partir daqui que o álbum deverá despertar reações de amor e ódio em proporções bastante próximas.

“Isle of Avalon” começa com aquele esquema já manjado de introdução lenta e vocal calmo, mas aqui a banda consegue criar um clima único, mais uma vez totalmente em acordo com o que a letra pede. Até mesmo a demora para iniciar a parte mais pesada tem sua razão de ser. E quando a parte mais forte começa, temos um Bruce Dickinson cantando nas alturas. Fica evidente o quanto o vocalista cresceu em termos de técnica e afinação, e o quanto perdeu em termos de potência em relação à primeira década do Iron Maiden. O ritmo agitado segue até cairmos num momento que remete de imediato a algumas passagens do Rush, onde o guitarrista Adrian Smith exibe toda sua elegância, com solos extremamente bem colocados sobre alguns riffs mais complicados. Uma das melhores músicas do álbum e também entre as melhores da banda nesses últimos anos.

“Starblind” começa com mais uma introdução lenta que, diferente da faixa anterior, se mostra dispensável, mas que dá lugar a uma progressão vigorosa, intricada, meio psicodélica e com uma excelente melodia. Em determinado momento a canção pode fazer o ouvinte se lembrar de “Infinite Dreams”. A faixa segue com ótimas passagens instrumentais. Uma canção maravilhosa, mas que corre o risco de não ser bem aceita, devido à sua cadência e à sua maior complexidade.

“The Talisman” é carregada de influência celta, com uma introdução acústica que remete à imagem de um poema declamado apenas com voz e violão ao redor de uma fogueira, onde Bruce mostra toda sua capacidade de interpretação. A introdução da música lembra demais “The Legacy”, de A Matter of Life and Death, porém quando a coisa esquenta temos uma canção muito mais enérgica e vigorosa. Pode-se dizer que, dentre as músicas mais progressivas do disco, esta é a que mais traz elementos consagrados pelo “antigo Maiden”. O vocal está em boa parte do tempo em nível praticamente máximo. No entanto, faltou ao produtor Kevin Shirley um maior cuidado no momento mais crítico do disco em termos de vocal, que é o refrão dessa faixa, onde não faria mal nenhum descer meio tom, para que a voz de Dickinson não soasse forçada. Talvez até aqui, o melhor material do álbum.

Na sequência, uma introdução belíssima apresenta “The Man Who Would Be King”. Só que, apesar da beleza da passagem, assim como em “Starblind”, talvez ela não fosse necessária, já que a sequência dela com uma daquelas melodias típicas de Dave Murray poderia ter sido uma introdução até melhor em termos instrumentais. Um bom andamento, que consegue variar entre o épico e o despojado, dá lugar a outro refrão dos melhores em
The Final Frontier. Seguindo o refrão, temos uma das passagens mais interessantes do disco, onde há um excepcional solo de guitarra, acompanhado por um som que mescla elementos totalmente psicodélicos e uma sonoridade que chega a lembrar alguns momentos do U2 (sim, você não leu errado - U2), mas que, por incrível que pareça, caiu como uma luva na canção.

Guardadas as devidas proporções, se os Beatles tocassem heavy metal talvez soassem como o Iron Maiden em “When the Wild Wind Blows”. Isto porque a Donzela consegue aqui trabalhar de forma espetacular uma profusão de melodias marcantes e carregadas de sentimento, onde cada melodia leva naturalmente à outra, e tudo isso de forma contida. Essa faixa traz vários momentos que deixam claras as características das canções compostas por Steve Harris, mas sem cair no clichê. Uma música voltada para o vocal, mas que ainda assim apresenta momentos instrumentais altamente inspirados. Não é um heavy metal clássico em sua essência, em seu clima. Remete mais a um rock, só que tocado com guitarras pesadas. Por isso mesmo, deverá encontrar resistência de boa parte dos fãs, mesmo sendo talvez a melhor música de
The Final Frontier.

Tecnicamente, “los tres amigos” encontraram seu melhor entrosamento desde o início dessa formação, além de mostrarem muito bom gosto nos arranjos. Até pela proposta do trabalho, as passagens melódicas e alguns riffs acabaram se mostrando mais marcantes que os solos do disco, o que não significa dizer que não há excelentes solos no álbum. Nicko McBrain parece se sentir absolutamente à vontade nesse estilo de som mais trabalhado, mais intricado e cheio de variações, quebras de ritmo e mudanças de andamento. Individualmente, foi o que mais se destacou no disco. Steve Harris esteve curiosamente mais discreto que em períodos anteriores, mas seu baixo continua sendo, de todas, a marca mais característica do Iron Maiden.


Quanto a Bruce Dickinson, é incrível que alguém ainda possa considerar que o sujeito não continue sendo um dos maiores vocalistas - tanto da atualidade quanto de todos os tempos - no heavy metal. Sua técnica hoje é muito superior à que apresentava no passado. É possível que não exista ninguém melhor que ele quando o assunto é interpretar o que está sendo dito nas letras e dar a dose certa de emoção a cada palavra cantada. No entanto, é impossível não perceber que a idade começa a cobrar seu preço e que a potência de sua voz já não é a mesma de outros tempos.

A produção de Kevin Shirley, no sentido da captação do som, é ótima. “Caveman”, a julgar por esse disco, deveria ser o produtor com o qual todo baterista desejasse trabalhar. No entanto, aparentemente, salvo no caso de ser mesmo uma opção da banda, ainda não conseguiu encontrar o melhor meio de tirar um peso maior do som do trio de guitarras. Além disso, é preciso um cuidado muito maior com o vocal do que aquele apresentado. E o principal: não se sabe até onde o Maiden (leia-se Steve Harris) dá liberdade ao produtor, mas o mesmo tem que ser ativo na procura de soluções para certas passagens, mesmo que o grupo tenha que mexer em determinados momentos da estrutura da música.

The Final Frontier não é um disco perfeito. Tem muitos pontos altos e alguns mais baixos. Com certeza, na visão de parte dos fãs, existirão as críticas por sua cadência excessiva, pela sua forte influência progressiva e pela falta de toda aquela eletricidade que transbordava em várias músicas do Iron Maiden de outras épocas. Aquele que procura um disco com canções facilmente assobiáveis, com músicas velozes, com aquela profusão de energia que faz o indivíduo querer sair agitando e batendo cabeça, possivelmente encontrará muitas dificuldades aqui e ainda continuará aguardando um trabalho que seja uma unanimidade. No entanto, a exploração de novas sonoridades, de novas ideias, associada a toda a riqueza musical e melódica, fazem dele um ótimo disco. Quem quer ouvir um disco prestando atenção a cada mínimo detalhe e se deixa levar pelo clima das canções certamente perceberá o quão rico é este trabalho. Antagônico, contraditório - e talvez por isso mesmo -, um álbum muito bom da banda. Só que, também justamente por isso, sempre dividirá opiniões.


Faixas:
1 Satellite 15... The Final Frontier 8:40
2 El Dorado 6:49
3 Mother of Mercy 5:20
4 Coming Home 5:52
5 The Alchemist 4:29
6 Isle of Avalon 9:06
7 Starblind 7:48
8 The Talisman 9:03
9 The Man Who Would Be King 8:28
10 When the Wild Wind Blows 10:59

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