9 de set de 2010

Entrevista exclusiva com o escritor Ian Christe, autor do livro Heavy Metal: A História Completa

quinta-feira, setembro 09, 2010
Lançado originalmente em 2003, o livro Sound of the Beast conta a história do heavy metal de maneira didática e apaixonada, e é um excelente guia, repleto de informações para quem quer conhecer mais sobre o gênero musical mais apaixonante que existe.

Escrito pelo suíço Ian Christe, o livro ganhou uma resenha detalhada sobre a sua edição brasileira aqui na
Collectors Room. Para ler, clique aqui.
Entramos em contato com Ian e conseguimos uma entrevista exclusiva com o escritor. Numa longa e agradável conversa, Christe contou como foi o processo de criação do livro, falou de seus planos atuais e futuros e deixou clara toda a sua paixão pelo heavy metal.

Então, acomode-se na cadeira, levante o volume do som e tenha uma ótima leitura!
Seu livro é excelente, um verdadeiro guia para quem quer se aventurar pelo mundo do heavy metal. Como surgiu a ideia de escrever Sound of the Beast?
Obrigado, Ricardo! Ele apenas tinha que ser feito! Senti que era um crime que a rica trajetória do heavy metal não tivesse um livro que contasse suas principais histórias e movimentos. Houve tanta energia, esforço e sacrifício para criar tudo. Eu simplesmente peguei a história que todos os headbangers sabem de cor e criei o Sound of the Beast.
Ian, além do Sepultura, o que você conhece da cena heavy metal brasileira?
Eu conheço bastante! (risos) Pra começar, fui para a Galeria do Rock em São Paulo atrás de camisetas do Sarcófago, e foi bem difícil. Como tenho já alguns anos como fã de heavy metal, tive a sorte de conhecer bandas como Vulcano, Holocausto, Mutilator, Anthares e muitas outras. Guardo o meu velho compacto de 7 polegadas do Dorsal Atlântica em um local seguro! E eu adoro filmes brasileiros como Pixote, Tropa de Elite, Carandiru, Cidade de Deus, Manda Bala e, é claro, o grande e demente Zé do Caixão! Eu tenho um documentário sobre punks brasileiros em 1982 e mal posso esperar para ver isso, deve ter sido insano. Concluindo, fiquei muito orgulhoso que Sound of the Beast tenha sido lançado no Brasil. Obrigado, ARX! (Nota do editor: ARX é o nome da editora que lançou o livro de Ian no Brasil).
Como foi o processo de pesquisa para a produção do livro, e quanto tempo você demorou para escrevê-lo?
Eu passei quatro longos anos escrevendo o livro, reunindo as fotos e definindo os capítulos que ele teria. Durante esse período as pessoas achavam que eu era louco ou tolo de trabalhar em um projeto como esse, mas eu sabia que o resultado final seria apreciado pelos metalheads, que queriam ler sobre a história de bandas lendárias como Iron Maiden, Sepultura e Morbid Angel, e até mesmo sobre pioneiros como o Twisted Sister.
Sound of the Beast já foi traduzido para onze línguas. Como tem sido a recepção da obra nos países em que ela foi lançada?
O livro está indo bem em todos os lugares, principalmente no Japão, Finlândia, Alemanha e Itália. E recentemente o editor croata me proporcionou a melhor homenagem que eu poderia desejar produzindo camisetas pretas com a capa do livro. Demais!



De um modo geral, o heavy metal era associado no início à pessoas desajustadas. Hoje essas pessoas estão com 30, 40 anos. Na sua opinião, qual é o motivo de os fãs do estilo ainda sofrerem preconceito?
Bem, os fãs de heavy metal pensam por si mesmos e gostam de fazer muito barulho. Nenhum desses hábitos são bem-vindos na sociedade convencional.
Um dos melhores momentos do livro é quando você escreve sobre o início do estilo, apontando as bandas que foram pioneiras no metal. Me chamou a atenção a inclusão de grupos mais obscuros, como a banda japonesa Flower Travellin' Band, em seu texto. Quais outras bandas desse período você acha que mereceriam mais reconhecimento do que tem?
Esse período inicial foi como uma fronteira para mim. Eu sabia muito sobre milhares de bandas de thrash e death mas estava curioso sobre todos os grupos pesados que existiram na época do Black Sabbath. Das bandas deste período, eu recomendaria Pentagram, Sir Lord Baltimore, Necromandus, Captain Beyond, Pax e muitos outros!
O capítulo dedicado a New Wave of British of Heavy Metal também é excelente. Passados mais de trinta anos do surgimento das primeiras bandas da NWOBHM, como você avalia o impacto desses grupos na história do heavy metal?
A banda mais popular que surgiu desse movimento, o Iron Maiden, eu acho que fala por si só. Não há outra banda no mundo, tocando qualquer tipo de música, que alcançou o que o Iron Maiden fez internacionalmente. Outros nomes, como Saxon e Diamond Head, são mais importantes pela sua influência em grupos como o Metallica. Mas eu amo as centenas de bandas da NWOBHM que lançaram uma ou duas músicas incríveis. Elas provaram que qualquer pessoa poderia formar uma banda e divulgá-la usando os seus próprios meios, e isso foi uma lição fundamental para o underground do heavy metal. Se você não consegue encontrar uma gravadora que lance o seu disco, crie o seu próprio selo!
A polêmica cena black metal norueguesa do início dos anos noventa rendeu um dos melhores capítulos do livro. Na sua opinião, essas bandas teriam a mesma fama e reconhecimento caso não estivessem envolvidas em todas as polêmicas que marcaram a cena?
As controvérsias criminais ajudaram a chamar a atenção para a cena black metal norueguesa, sem dúvida, mas a música daqueles bandas era poderosa e inspiradora, e esse é que é, de fato, o que há de tão fascinante na cena norueguesa. Os caras não eram ignorantes e bandidos.
Eu criei uma editora chamada Bazillion Points, pela qual já lançamos livros como Hellbent for Cooking, Swedish Death Metal e Only Death is Real, sobre o Tom Gabriel Fischer. Colocamos no mercado também o livro Metalion: The Slayer Mag Diaries, escrito por Jon Kristiansen. Ele esteve envolvido com toda a cena norueguesa desde o seu início, e o seu livro é o relato definitivo sobre essa história.
Um dos pontos que me chamou a atenção em Heavy Metal: A História Completa foi o grande destaque dado ao Metallica em certos trechos. A impressão que tive em certas passagens foi a de estar lendo uma biografia da banda e não um livro sobre a história do metal. É óbvio que o Metallica é uma das bandas mais importantes do metal, mas você não acha que o destaque dado ao grupo foi exagerado em certos momentos, em detrimento a outros ícones incontestáveis do estilo, como Iron Maiden e Judas Priest, por exemplo?
Como o livro aborda centenas de bandas eu precisava de um personagem central para usar como ponto de referência, e o Metallica foi isso. Pelo tempo que a banda possui de carreira, eles estiveram envolvidos na evolução do heavy metal de maneira mais interessante que o Iron Maiden e o Judas Priest. Nos últimos dez anos o Metallica não contribuiu muito para o avanço do metal, mas talvez eles leiam o livro e concluam que seu trabalho já foi feito! Em todo o caso a influência do Metallica afetou toda a cena, do reconhecimento do Diamond Head ao fato do Carcass ter assinado com uma grande gravadora, então a banda simplesmente não parava de aparecer em cada entrevista que eu fiz para o livro.
Ainda em relação ao Metallica, a cena norte-americana foi muito mais explorada também. Isso é resultado de experiência pessoal, afinal você estava mais conectado à essas bandas, ou você acha que os americanos têm mesmo a maior cena do estilo?
Não, eu definitivamente não diria isso!
Você cita diversas vezes ao longo do livro sobre as trocas de fitas K7, demonstrando como esse hábito foi importante para a consolidação do heavy metal. Quem trocava fitas acabava tendo uma ligação maior com as músicas e as bandas. Você não acha que hoje, com a disponibilização de tudo pela internet, esse tipo de relação com a música não pode acabar e até enfraquecer o estilo?
Sim, em comparação ao tempo da troca de demos tudo hoje está muito mais fácil. Todos os períodos de evolução do heavy metal foram importantes, mas a cultura de patches, camisetas e fitas raras foi construída sobre a busca de uma música que era difícil de ser encontrada e ouvida. No livro Metalion o autor fala da troca de vinis que manteve regularmente com Max Cavalera durante os anos oitenta. Max enviava listas de discos que estava procurando para a Noruega – basicamente material fácil de encontrar, como álbuns do Dark Angel – e pagava com pilhas de LPs do Sepultura. Foi assim que a música se espalhou naquele período, e é espantoso perceber como adolescentes dos mais diversos pontos do mundo fizeram isso sozinhos.

O Dream Theater é hoje uma das bandas norte-americanas mais conhecidas no mundo e inúmeros grupos seguem o caminho que eles abriram com o seu som. Também não há citação da banda ou de outras com estilo similar. Isso aconteceu pelo fato que muita gente os classifica como progressivo e não heavy metal?
Definitivamente, o Dream Theater gravou o seu material mais pesado depois que o livro foi lançado (Nota do editor: a edição original de Sound of the Beast chegou às lojas em 2003). A banda que eu gostaria de explorar com mais profundidade no livro é o Opeth, que na minha opinião combinam com grande eficiência o heavy metal com o rock progressivo. O livro abrange uma grande quantidade de bandas prog, mas admito que essa é uma área onde poderia ter ido mais fundo. Bem, eu estou me corrigindo por essa falha com o lançamento de Mean Deviation: Four Decades of Progressive Heavy Metal, escrito por Jeff Wagner.
Um fato que chama a atenção em seu livro é o grande número de listas apontando os melhores álbuns de praticamente todos os subgêneros do heavy metal. Deu muito trabalho apontar os melhores álbuns de cada gênero?
Você está brincando? Esta foi a parte mais divertida. Todo fã de música adora fazer listas!
Quais discos você indicaria para uma pessoa que nunca ouviu heavy metal?
Essa é uma pergunta difícil, afinal eu já escrevi um livro de 400 páginas tentando resumir tudo (risos). Começaria com o Reign in Blood do Slayer, mas a lista com os melhores álbuns do metal presente no livro seria uma iniciação mais certeira.
Quais são os seus gêneros preferidos dentro do metal? E fora do estilo, o que você costuma ouvir?
Atualmente estou ouvindo bandas de black metal sujo e trabalhado como Nifelheim, Aura Noir, Bathory antigo, Bewitched e outras que representam a parte mais sombria do heavy metal. Também tenho escutado um monte de bandas de hardcore que vão desde Negative Approach até Discharge e DS13. E eu curti bastante Heart nesse verão depois de ouvir muito o primeiro disco do The Devils Blood.

 

Como já disse, você possui uma editora chamada Bazillion Points. Entre os livros lançados chamam a atenção obras como a que conta a história do Celtic Frost, além de livros dedicados ao prog metal e ao death metal sueco. Isso sem falar no curioso Hell Bent for Cooking, um hilário guia culinário para os bangers. Há previsão de esses livros serem lançados aqui no Brasil?

Eu adoraria que isso acontecesse. A edição brasileira da Playboy escreveu sobre o Hellbent for Cooking e publicou uma foto de uma receita criada pelo Master's Hammer, da República Tcheca. Pedidos de licença para a publicação dos livros chegam o tempo todo e espero sinceramente que possamos publicar cada vez mais em outros países como o Brasil, especialmente agora que Sound of the Beast foi lançado no país e abriu o caminho.
Qual o tamanho da sua coleção de discos?
Oito metros de altura por oito de largura, com doze centímetros de profundidade (risos). Além disso, há muitas fitas e CDs (risos).
Ian, muito obrigado pela entrevista.
Eu é que agradeço, Ricardo. Muito obrigado pela oportunidade de conversar com os headbangers brasileiros.


(agradecimentos especiais a Eduardo Santos e Fernando Bueno pela colaboração)

Mike Portnoy anuncia saída do Dream Theater!

quinta-feira, setembro 09, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room


O baterista Mike Portnoy acaba de anunciar, através de
sua página no Facebook, que está deixando o Dream Theater, banda que ajudou a criar.

Portnoy, líder, principal compositor e porta-voz do Dream Theater, o maior nome do metal progressivo, publicou um comunicado oficial em sua página no Facebook anunciando a sua decisão e explicando os motivos que o levaram a deixar o grupo.

Você pode ler o comunicado inteiro, em inglês, aqui:

I am about to write something I never imagined I’d ever write:

After 25 years, I have decided to leave Dream Theater….the band I founded, led and truly loved for a quarter of a century.

To many people this will come as a complete shock, and will also likely be misunderstood by some, but please believe me that it is not a hasty decision…it is something I have struggled with for the last year or so….

After having had such amazing experiences playing with Hail, Transatlantic and Avenged Sevenfold this past year, I have sadly come to the conclusion that I have recently had more fun and better personal relations with these other projects than I have for a while now in Dream Theater…

Please don’t misinterpret me, I love the DT guys dearly and have a long history, friendship and bond that runs incredibly deep with them…it’s just that I think we are in serious need of a little break…

Dream Theater was always my baby…and I nurtured that baby every single day and waking moment of my life since 1985…24/7, 365…never taking time off from DT’s never-ending responsibilites (even when the band was “off” between cycles)…working overtime and way beyond the call of duty that most sane people ever would do for a band…

But I’ve come to the conclusion that the DT machine was starting to burn me out…and I really needed a break from the band in order to save my relationship with the other members and keep my DT spirit hungry and inspired.

We have been on an endless write/record/tour cycle for almost 20 years now (of which I have overseen EVERY aspect without a break) and while a few months apart from each other here & there over the years has been much needed and helpful, I honestly hoped the band could simply agree with me to taking a bit of a “hiatus” to recharge our batteries and “save me from ourselves”…

Sadly, in discussing this with the guys, they determined they do not share my feelings and have decided to continue without me rather than take a breather…I even offered to do some occasional work throughout 2011 against my initial wishes, but it was not to be…

While it truly hurts for me to even think of a Dream Theater without Mike Portnoy (hell, my father named the band!!), I do not want to stand in their way…so I have decided to sacrifice myself and simply leave the band so as to not hold them back against their wishes….

Strangely enough, I just read an interview that I recently did that asked me about the future of DT and I talked about “always following your heart and being true to yourself”…sadly I must say that at this particular moment, my heart is not with Dream Theater…and I would simply be “going through the motions”, and would honestly NOT be true to myself if I stayed for the sake of obligation without taking the break I felt I needed.

I wish the guys the best and hope the music and legacy we created together is enjoyed by fans for decades to come…I am proud of every album we made, every song we wrote and every show we played….

I’m sorry to all the disappointed DT fans around the world…I really tried to salvage the situation and make it work…I honestly just wanted a break (not a split)…but happiness cannot be forced, it needs to come from within….

You DT fans are the greatest fans in the world and as you all know, I have always busted my ass for you guys and I hope that you will stay with me on my future musical journey, wherever it may lead me….(and as you all know my work ethic, there will surely be no shortage of future MP projects!)

Sadly…

Your fearless ex-leader and drummer,

MP


Como fã do Dream Theater, confesso que eu estou em choque!

A banda anunciou que continuará sem Portnoy, mas ainda não anunciou quem será seu próximo baterista.

Será estranho ver e ouvir o Dream Theater não só sem seu principal integrante e fundador, mas também sem uma de suas principais características, que é a bateria extremamente técnica e criativa de Mike Portnoy.


Rush ganha edição especial da série Classic Albums

quinta-feira, setembro 09, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Depois do ótimo documentário Beyond the Lighted Stage, sai dia 28 de setembro mais um item de dar água na boca dos fãs do Rush. Trata-se de um episódio da excelente série
Classic Albums, que analisa discos clássicos, dedicada a dois dos álbuns mais importantes da carreira do trio canadense: 2112 (1976) e Moving Pictures (1981).

Intitulado
Rush: 2112 & Moving Pictures Classic Albums, o documentário trará entrevistas exclusivas com Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart sobre o processo de criação e gravação dos discos. Terry Brown, o produtor de ambos os trabalhos, também estará presente falando a respeito dos álbuns, mostrando e comentando trechos das composições. Haverá também cenas de arquivo da banda, da época do lançamento de ambas as bolachas.

Então anote na agenda: dia 28 é dia de
Classic Albums com o Rush! E, só pra dar um gostinho, assista abaixo uma prévia do vídeo:



Metallica lança EP em edição limitada

quinta-feira, setembro 09, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Empolgados pelo seu retorno à Austrália e à Nova Zelândia depois de seis anos ausentes, o Metallica anunciou o lançamento de um EP em tiragem limitada. Intitulado
Six Feet Down Under, o disquinho terá apenas oito músicas e estará à venda a partir do próximo dia 20 de setembro somente nas lojas da Oceania e pelo site oficial do grupo.

Six Feet Down Under traz oito faixas, todas elas gravadas ao vivo em passagens anteriores do Metallica pela região. Confira abaixo o tracklist:

1.Eye of the Beholder- Recorded live on May 4, 1989 at Festival Hall in Melbourne
2....And Justice For All - Recorded live on May 4, 1989 at Festival Hall in Melbourne
3.Through the Never - Recorded live on April 8, 1993 at the Entertainment Centre in Perth
4.The Unforgiven - Recorded live on April 4, 1993 at the National Tennis Centre in Melbourne
5.Low Man's Lyric (Acoustic) - Recorded live on April 11, 1998 at the Entertainment Centre in Perth
6.Devil's Dance - Recorded live on April 12, 1998 at the Entertainment Centre in Perth
7.Frantic - Recorded live on January 21, 2004 at the Entertainment Centre in Sydney
8.Fight Fire With Fire - Recorded live on January 19, 2004 at the Entertainment Centre in Brisbane

Um verdadeiro item de colecionador, que estará disponível por tempo limitado. Portanto, se você é fã do Metallica, corra já atrás!

8 de set de 2010

Minha Coleção: Fábio Grecchi: "Tenho sempre aquilo que considero o melhor de cada artista"

quarta-feira, setembro 08, 2010

Por Fernando Bueno
Engenheiro e Colecionador
Collector's Room

Fabio, primeiramente gostaria de agradecer a sua participação e pedir para que você se apresentasse aos leitores da Collector´s Room?

Bem, não sei se vou chocar a rapaziada que acompanha e participa do blog com o que vou dizer. Sou editor-executivo e coordenador do caderno de Política do “Jornal de Brasília”. Não devia assustar ninguém, pois o atual governador do Distrito Federal postou no Twitter, quando Ronnie James Dio morreu, uma mensagem bem legal. Sinal de que nossa geração, hoje na faixa dos 45 anos, e que cresceu e se formou ouvindo o hard, o heavy e o progressivo dos anos 60, 70 e 80, está participando ativamente da vida do País. Não tenho vergonha dos muitos decibéis que já ouvi ao longo dos meus 4.7 Hemi com kit Mopar. Guitarra na cara é a antítese do intelectualismo da MPB que assustou muita gente da minha geração.


Como você chegou à Collector´s Room? Ou seja, como você conheceu o blog?

Fuçando. Sou um fuçador da net. O legal é que você entra num blog, que puxa outro e mais outro, e por aí vai. A espiral é grande, daí acabei chegando à sala dos colecionadores.


Você consegue se lembrar qual foi o seu primeiro contato com a música em geral e com o rock mais especificamente?

Acho que foi ainda na época do “Sábado Som”, que, se minha memória não falha, era apresentado pelo Nélson Motta. Depois ele foi substituído por um cara chamado Lanning Elwis (nem sei por que me lembro disso, talvez pelo nome incomum). No programa, vi Purple, Winter, Slade, Led, Sabbath, Black Oak, mas guardei poucas imagens na memória. Sobre o Purple, lembro que vi no trabalho do meu pai entre um cochilo e outro. Não podia imaginar que fosse ficar tão fissurado pela banda, anos depois.

E para completar a resposta anterior, mais ou menos com que idade você percebeu que o interesse pela música iria acompanhá-lo por toda a vida?

Acho que foi no momento em que uns amigos de escola, portugueses (tinham vindo de Moçambique, depois da independência daquele país), me apresentaram dois discos do Purple: “In Rock” e “Come taste the band”. Estranho, porque são discos extremos, um do começo da decolagem do Purple rumo ao sucesso e outro que marca a decadência. Nessa época, me apresentaram também o “Let there be rock”, do AC/DC, que considero o melhor disco deles. Aí, acho que o parafuso da cabeça caiu definitivamente.


Você consegue dizer em que momento se transformou de um fã normal de música em um colecionador?

Foi mais ou menos nessa época. Não tinha grana e queria roubar os dois discos do Purple dos caras. Sacanagem (se Rui, Nuno e Gabriela estiverem lendo este bate papo e se lembrarem do episódio, saibam que sinto vergonha). Naquele Natal, comprei o “Made in Japan”. E fui querendo ouvir tudo do Purple. E depois do Led, do Sabbath, do Nazareth, do Kiss... Uma coisa puxa outra e você vai formando a discografia.

Quantos itens você tem? E quais são os tipos de material que você coleciona?

Calculo que tenho cerca de uns 500 LPs e CDs já devo ter passado dos mil. Sinceramente, não conto. Certa vez tentei até fazer uma lista, no Excel e tudo, mas era um pé no saco. Passei minhas férias fazendo isso, ficou uma bosta e desisti. Comprava tanto disco, tanto CD, que cada vez que tinha que atualizar as tais fichas, me dava preguiça. Esses números que dei a vocês são uma estimativa.


Sobre a pergunta anterior, notei que você tem interesse bem amplo em relação aos estilos que você escuta e coleciona. Mas quais os estilos que se dividem a sua coleção?

De um lado, Hard, eminentemente. E tudo o que gira em torno, como o blues elétrico de Rory Gallagher ou Johnny Winter ou Robin Trower. Mas tem ainda o blues elétrico das décadas de 50 e 60, com Muddy Waters, de quem gosto muito. Tem o pessoal da NWOBHM – Maiden, Judas, Samson... Do outro lado, o jazz e suas associações, como soul ou funk. Sou fissurado naquilo que chamam de “latin jazz”, inclusive Bossa Nova e o Samba Jazz carioca dos anos 60.


Muita gente se orgulha de ser “eclético”, outros de serem fiéis ao rock and roll ou a determinado estilo. Como você acha que consegue “misturar” Rory Gallagher, Muddy Waters, Judas Priest e Bossa Nova?

Simples: gosto de música bem tocada. Acho que por saber tocar um instrumento, no caso a bateria, acabei prestando atenção na melodia, na harmonia, no instrumental. A letra, admito que não dou a mínima, mesmo porque em alguns casos é tatibitati. Vou te dar um exemplo: gosto muito do Budgie, mas da primeira fase, quando o baterista era um tal de Ray Phillips, só tenho um disco, o “Squawk”. Sabe por que? Porque esse Ray Phillips é ruim demais, erra as viradas mais básicas, as levadas mais primárias. Depois ele foi substituído por um tal de Peter Boot, que também era horroroso. Quando entrou o Steve Williams é que tudo se acertou. A sonoridade do Budgie sempre me atraiu, mas é duro ouvir um cara ruim na bateria (ou no baixo, ou na guitarra) amarrando a banda.


Você consegue se lembrar qual foi o seu primeiro disco?

Claro, essa é fácil. “River City Street Band”, já ouviu falar? Se não, é o seguinte: eram uns caras do Arkansas que fizeram apenas dois discos. Esse meu era o primeiro e só sei disso porque fucei na internet. Era algo meio Tower of Power, Chicago, Blood, Sweat and Tears: vocalzão rasgado, metais descendo a ripa, baixo e bateria na cara, solo de guitarra alucinante. Não me lembro que fim levou o disco, mas foi meu pai quem me deu. Acho que ele entrou na Sabiá Discos, que era uma loja lá no Centro de Niterói (sim, sou de Niterói, Estado do Rio), e pegou qualquer coisa ou o que o vendedor indicou, com base naquilo que eu gostava de ouvir no rádio. Me lembro que era uma edição nacional da Continental, que detinha os direitos do selo Stax. Recentemente, vi um cara vendendo uma edição no Mercado Livre, que saiu por R$ 30 e poucos. Sacanagem, cheguei atrasado ao leilão. Tinha pago pelo disco uns R$ 100 fácil.

Não conheço isso aí, vou procurar. Completando: qual foi o último que você comprou?

Edições especiais do “Burn”, do Purple, e “First rays of the new rising sun”, do Hendrix. Podem me criticar: as que eu tinha antes eram piratas. Não sou bom exemplo para ninguém. Baixo muita coisa na net e depois faço minhas próprias cópias. Assim que pintaram, comprei os originais. Comprei ainda “All the world’s a stage”, do Rush, pois o vinil tem uma reprodução péssima, mas mesmo o remasterizado é bem sujo. Comprei também porque o preço estava bom. Ainda comprei o “Wish you were here”, do Pink Floyd, que é lindo. Desses discos que a gente aprende a curtir depois que fica velho. Como ganho alguns aqui no jornal, os últimos foram o “Thank you Mr. Churchill”, do Peter Frampton (muito bom, diga-se), e “Hellbilly de luxe II”, do Rob Zombie (também muito legal).

Qual foi o número máximo de itens que você já adquiriu de uma única vez? Quantos itens em média você adquire por mês?

Quando morava no Rio, tirava uma grana mensal para ir à Fnac, à Saraiva e aos sebos de LPs na Sete de Setembro, que não existem mais. Vinha de lá com uns quatro, cinco de cada vez, às vezes seis. Tinha de tudo, de jazz a rock. Hoje, às vezes passo meses sem comprar um único CD ou LP. Esses últimos são exceção de uma regra que já vem de alguns meses.

Você tem alguma banda preferida, aquela que você tem mais itens, ou se esforça (ou gasta) mais para obter material?

Deep Purple. Tudo aquilo que diz respeito àqueles caras, faço questão de ter. Inclusive alguns piratas italianos, como o daquele show cujas partes aparecem no “In concert”. Tenho o show completo, que comprei há anos. Gravação formidável. Tenho outro só de colagens feitas em apresentações na BBC e outro que é o último show que eles fizeram no Japão antes de Gillan e Glover saírem. Foi um show que os caras tocaram na coxas, errando muita coisa. No final, o Gillan faz um discurso dizendo que vai embora. Todos com qualidade de som excelente. Da mesma maneira, Rainbow, Whitesnake, PAL, Gillan, Ian Gillan Band... Aquilo que puder ter relacionado ao Purple ou a qualquer dos caras, me interessa. Admito que Blackmore’s Night e algumas coisas do Joe Lynn Turner não me fazem a cabeça e, portanto, não tenho. Mas Bolin, Glover, Hughes, Coverdale, Simper, Evans, além do trio original, procuro comprar.

Qual item você considera o mais raro da sua coleção?

São todos LPs. Acho que, na parte de rock, há alguns: meu “Paranoid”, do Sabbath, é uma edição original americana, que abre e mostra a foto com os quatro; meu “Stormbringer” difere da edição inglesa e da brasileira, com cores mais esmaecidas e letras menores na capa, e meu “Burn” vem com encarte com letras (ambos são americanos e originais); tenho uma coletânea canadense do Free, “The Free story”, que era limitada a umas mil edições; um EP do Gary Moore, da época do “Wild Frontier”, que era limitada a umas 500 cópias; minha edição do “Rockin’ every night”, também do Gary Moore, é japonesa e tem uma farra de fotos dentro... Tem ainda um EP do Rainbow, da época do “Bent out of shape”, muito interessante. Meu “Rocks”, do Aerosmith, é uma edição inglesa que tem um encarte muito louco dentro. Meu “Together”, dos irmãos Winter, também é inglês e tem um encarte espetacular. Meu “Second Winter” também é inglês e tem aquele lado 4 sem nada, nem selo. Tem muita coisa mais, mas creio que esses são os mais complicados.

Na parte de jazz, tenho um Dave Brubeck-Paul Desmond-Dave Van Kriedt cujo vinil, da década de 60, é vermelho. Um teste de prensagem do “The Jimmy Giuffre Clarinet”; um “The Camel”, do Michael Carvin, pela Steeplechase, que não tem selo; e uma edição nacional de “Drummer man”, do Gene Krupa, que aqui saiu com o nome “Gene Krupa em Hi-Fi”, com uma capa alaranjada mais bonita que a original. E também o primeiro do McCoy Tyner, “Inception”, que aqui saiu como “McCoy Tyner Trio” e uma capa completamente diferente.

Muitos discos são lançados em diversas versões ao longo dos anos. Você se contenta em ter apenas uma delas ou vai atrás de todas as que saem?

Depende muito. Vários discos do Purple tenho em LP e em CD e, em alguns casos, tenho LP, CD e CD remasterizado (é o caso do “Live in London”, que tenho o LP original, o CD igual ao LP e o CD com o show completo). Mas o “Made in Japan” tenho apenas em LP, pois tenho aquela edição tripla que saiu, anos atrás, com os três shows do Purple no Japão. Daí, não quis comprar o “Made in Japan” remasterizado.

Existe algum disco que você passou um tempão atrás até consegui-lo para a sua coleção?

Dois do Frank Marino & Mahogany Rush, o “Full Circle” e o “Double live”. Nesses, ele já havia saído da Columbia e são por selos independentes. Mas não me estressei: vieram na mão. Tinha bons canais na época do LP.


E qual é aquele que você ainda não conseguiu?

Francamente? Não tenho. A certa altura, fiz uma limpa na minha coleção. Achei que não valia a pena ter tudo, por exemplo, do Rory Gallagher, se alguns discos dele não me agradam. Tenho sempre aquilo que considero o melhor de cada artista. Não tenho coleção completa, de ponta a ponta. Do UFO, por exemplo, não tenho o “Making contact”, o “Misdemeanor”, nem os primeiros, antes do Michael Schenker. Não me interessam, são fracos. Se vierem na mão a preço de banana, tudo bem, pode ser que os compre. Se não vierem, não corro atrás.

O Deep Purple teve diversas formações diferentes, com vários integrantes entrando e saindo. Desse modo, a quantidade de material relacionado a todos eles é enorme. Como anda sua busca por esse material?

Vou devagar, seleciono muito. Têm alguns que passei batido: já ouvi o mais recente disco do Jon Lord, “Pictures within’”, mas é classicoso, chato; o “Jon Lord and Hootchie Kootchie Men” é sem graça; o “Mask”, do Roger Glover, não vale a pena. Saíram uns dos arquivos do Tommy Bolin que também não me fizeram a cabeça. Ter por ter não me interessa. Eu curto ouvir, curto ficar babando no encarte. Isso tudo para dizer o seguinte: nem tudo que vem deles é grande coisa. Os caras têm o direito de errar a mão. Sigo minha regra pessoal: se a melodia e a harmonia, junto com o bom instrumental, fizerem a mistura certa, compro. Do contrário, não.

Pergunta que todo mundo diz que é difícil, mas adora responder. Quais são, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Vou tentar fazer uma lista só com os de hard/heavy rock para facilitar e criar o menos de polêmica possível:

1º) “Deep Purple In Rock”;
2º) “Sabbath Bloody Sabbath”;
3º) “Hemispheres”, do Rush;
4º) “Led Zeppelin III”;
5º) “Are you experienced?”, do Jimi Hendrix;
6º) “Rising” do Rainbow;
7º) “Stagestruck”, Rory Gallagher;
8º) “Live at Fillmore”, do Allman Brothers;
9º) “Live”, do Foghat;
10º) “Razamanaz”, do Nazareth.

Neguinho vai comer meu fígado, mas se qualquer desses discos estiver numa lista dos 10 mais, considero que a lista esteja minimamente certa.

A sua coleção tem um limite? Ou seja, você acha que, algum dia, vai parar de comprar discos porque acha que, enfim, tem tudo o que sempre quis ter? Você acha que esse dia chegará ou ele não existe para um colecionador?

Admito que já tenho quase tudo que me interessa. Aquilo que vier é lucro. Não tenho problemas com espaço, pois tenho um quarto só para isso no meu apartamento. Mas cada vez mais sou seletivo: às vezes, vou numa loja (tipo Fnac, Livraria Cultura), pego cinco, seis CDs e não levo nenhum. Porque não fazem sentido. Se eu não os tiver, minha coleção não estará mais pobre. Mesmo algumas coisas que baixo na net nem sempre transformo em CD.


Com relação ao grande acúmulo de discos, DVDs, revistas e outras coisas relacionadas à música, eu pergunto: como você faz para ouvir, assistir e ler tudo o que você tem?

Já tive muitas revistas, mas passei adiante. Tive uma coleção enorme da “Down Beat” e da “Circus”, que já linha lido de trás para frente e de frente para trás. Sabia de ponta a ponta, até os anúncios. Assim, estavam pegando poeira. Foram parar no sebo. Não tenho mais saco para ficar guardando revistas. DVDs seguem o mesmo padrão dos CDs: se eu achar que vale, compro; se não, continuam na loja. Além disso, minha mulher é compreensiva. Sabe como é: jornalista...

Qual é o seu disco que você não escuta há mais tempo?

Não tem. De vez em quando, dá uma vontade de ouvir aquele disco que você não ouve há séculos. Puxo da pilha e mato a saudade. Claro que tem uns que a gente ouve mais que outros, mas se está na minha coleção, é sinal de que para mim tem valor. Esses dias mesmo, estava fazendo uma espécie de festival Santana, no meu carro. Ouvi de trás para frente os discos da década de 70: comecei pelo “Marathon”, passei para o “Inner secrets”, cheguei no “Festival”, e fui descendo.

Já parou para pensar em quem será o herdeiro da sua coleção no seu futuro?

Não sei se será minha filha, que está com 10 anos. Ela não se liga tanto assim. Talvez meu filho, que ainda tem três.

Você tem alguma mania como colecionador, um modo de organização, uma ordem de armazenamento ou algo do tipo?

Sim. Meus discos são guardados por ordem alfabética de artista. Tipo: ALBert Collins, ALLmann Brothers, ARmaggedon. Além disso, separo os de jazz e os de rock. A parte de jazz, aliás, abriga ainda soul music, funk, MPB, Bossa Nova e por aí vai. A de rock dá lugar também ao blues.

Se você tivesse que indicar algumas bandas, e alguns discos, para uma pessoa que nunca teve contato com o rock, o que indicaria?

Acho que aqueles da minha lista dos 10 mais seriam fundamentais e qualquer coisa que viesse daqueles artistas. Mas incluo aí coisas do UFO, Johnny Winter, Rory Gallagher, Robin Trower, Lynyrd Skynyrd, Molly Hatchet, Blackfoot, Uriah Heep, Journey, entre os mais antigos. Dos novos, acho que não pode faltar Ozzy, Exodus, Slayer, mais Motorhead, Judas ou Maiden. Dos novíssimos, Gemini Five, Dixie Hustler, Alabama Thunderpussy, Artimus Pyledriver, Brand New Sin e Threshold. Mas o universo é vasto.

Rapidinhas

CD ou LP?

CD, pela praticidade e porque discordo desse papo de que o som é mais lavado, pasteurizado. Para mim, sempre soou a saudosismo. Como ainda tenho aquilo que se chamava “aparelhagem de som” (um receiver Marantz SR 6000, um deck Technics M24, uma picape Akai [esqueci o modelo, mas não é direct drive], um CD player Sony Carrousel e quatro boas caixas Canton [também esqueci os modelos] para empurrar), o CD toca maravilhosamente bem, com punch que nem sempre o LP tem. Reconheço que no comecinho da era digital, os caras erraram a mão, mas aprenderam rápido. A sonoridade é tão boa ou melhor que a do LP. Têm LPs com prensagem malfeita, embolada, devido à má qualidade do vinil (e não são só brasileiros). CD não tem isso.

Ozzy ou Dio?

Ozzy. Gosto do Sabbath com os dois, embora sejam bandas totalmente diferentes. Reconheço que o Dio é muito mais voz, mas é uma voz convencional. O Ozzy tem uma voz diferente, assim como o Geddy Lee. Você os reconhece à distância. O Dio tem vários imitadores, todos eles muito bons e às vezes confunde. Além disso, a carreira do Ozzy pós-Sabbath é avassaladora. O que ele apresentou de guitarristas fantásticos (Randy Rhoads, Brad Gillis, Jake E. Lee, Zakk Wylde e agora o Gus G) não está no mapa. E qualquer banda cujo baterista é um certo Tommy Aldridge, eu paro para ouvir.

Mark I, Mark II, Mark III ou Mark IV?

Mark II, mas no fotochart sobre a Mark III. O Purple com Gillan e Glover era uma banda brilhante, com discos formidáveis. Até o “Concert for group and orchestra” e o “Gemini suíte” são estupendos. O Purple com Hughes e Coverdale ficou mais pesado e agregou uma linguagem nova, a do funk, que não foi bem assimilada por muita gente – nem pelo Blackmore. As formações têm material inteiramente diferente uma da outra, mas são geniais.

Jazz ou Blues?

Jazz. É o rigor do clássico com a força do blues, associados. Ouvir um John Coltrane, um Miles Davis, uma Gerald Wilson Orchestra, uma Stan Kenton Orchestra, um Weather Report, um Willie Bobo no jazz latino, é um negócio de outro mundo. O mais trouxa naqueles combos é um grande solista. Jazz não é lugar para amador.

Tem alguma história engraçada ou curiosa que aconteceu com você por causa da música?

Quando era moleque, acho que o mais engraçado foi ter passado fome, durante vários meses, no colégio, para comprar disco juntando a grana da merenda. Era um tempo legal, coisa de menino fissurado em música e que estava só aprendendo. Tempos, no Rio, da Eldo Pop, que era só música, sem qualquer interrupção, ouvindo a partir das 10 da noite. Ficava escutando no radinho FM até pegar no sono. Vez por outra, gravava uma fita cassete para ouvir num gravadorzinho Grundig. Depois, as primeiras bandas de rock, o aprendizado da bateria, que toco até hoje. Atualmente, vendo toda essa facilidade, sinto orgulho de ter chegado aqui por conta própria. Não fosse minha curiosidade e minha vontade de conhecer, provavelmente estaria dando grana para a Ivete Sangallo ficar cada vez mais rica (apesar de todo o respeito que tenho pela voz e pelo corpaço dela).

Fábio, gostaria de agradecer a você pela participação na nossa coluna "Minha Coleção". Gostaria que você deixasse uma mensagem para os leitores. Pode falar, esse espaço é seu.

Bom, acho que a rapaziada tem que desentocar, mostrar as coisas que tem em casa. De jazz, de rock, de samba, do escambau, tem muita coisa boa escondida por aí. Lembro que, tempos atrás, quando o Jorginho Guinle vendeu parte da coleção de jazz que tinha, o pau quebrou entre os colecionadores porque ele tinha inúmeras raridades. Queria saber onde esse material está agora. Acho legal quando o cara mostra um disco que tem e você, que está lendo, diz assim: "Porra, sou fissurado nesse disco. Há 30 anos não ouço." É muito legal, cria uma corrente positiva, o cara recebe uma enxurrada de e-mails, fala com as pessoas. É uma memória afetiva que se recupera. Não tenho essa pretensão, mas se alguém vir na minha coleção um disco que gosta e há anos não escuta, um guitarrista, um cantor, um saxofonista que faz tempo que não vê nada nas prateleiras, e quiser manter contato, ficarei satisfeito em ajudar, em dar uma dica. E essa possibilidade foram vocês, da Sala dos Colecionadores, que me deram. Então, "long live Collector's Room", "long live rock'n'roll, "long live to the music" (e por conta desse inglês rastaqüera, vão duas dicas finais: "Long live rock'n'roll, do Rainbow, e "Listen to the music", do Doobie Brothers). Grande fraternal abraço a todos.

Deep Purple ganha documentário sobre a fase com Tommy Bolin

quarta-feira, setembro 08, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O Deep Purple é uma das bandas mais importantes, influentes e idolatradas da história da música pesada. Ao lado do Black Sabbath e do Led Zeppelin, o grupo foi fundamental para o surgimento do heavy metal, e gravou em sua carreira discos clássicos do gênero, como In Rock (1971), Machine Head (1972), Burn (1974) e Stormbringer (1974), isso sem falar no antológico duplo ao vivo Made in Japan (1972), considerado por muitos como o melhor álbum ao vivo da história.


Mas algo que vem crescendo bastante nos últimos anos é o culto ao derradeiro capítulo da primeira fase da carreira do Purple, a chamada MK IV. Após a saída de Ritchie Blackmore depois do lançamento de
Stormbringer, a banda chamou o jovem e talentoso Tommy Bolin para assumir o posto. O resultado foi o álbum Come Taste the Band, lançado em 10 de outubro de 1975. Esse disco apresentou um novo Deep Purple para o público e, apesar de enfrentar uma certa resistência dos fãs mais tradicionais no início, hoje ostenta o status de cult.

Particularmente, gosto muito de Come Taste the Band, pois na minha opinião Tommy Bolin deu uma nova cara para o som do Purple, adicionando ainda mais groove na música do grupo. São deste disco duas das minhas faixas favoritas da banda: “You Keep on Moving” e “Gettin´ Tighter”.


Mas o que tinha tudo para ser um novo capítulo na história do conjunto revelou-se um pesadelo. Bolin e Glenn Hughes, turbinados por doses cavalares de drogas, se aproximaram e formaram uma divisão própria dentro da banda, minando a sua relação com os demais integrantes – David Coverdale, Jon Lord e Ian Paice. O ápice desse processo ocorreu em 15 de março de 1976, após um show do Purple em Liverpool. Depois da apresentação, Coverdale chamou Lord e confidenciou que não havia mais clima para ele continuar na banda. Lord respondeu que não havia mais uma banda, e que não havia porque continuar. Era o fim do Deep Purple, que só voltaria a se reunir oito anos depois, com a clássica formação que gravou
Machine Head, para o lançamento do álbum Perfect Strangers, em 1984, mas isso é assunto para outro dia.

Toda essa conturbada fase irá ganhar um documentário que promete ser muito interessante. Previsto para sair em dezembro de 2010,
Gettin´ Tighter: The Story of MK IV terá 70 minutos de duração e trará entrevistas com os integrantes gravadas na época e nos dias atuais, além da inclusão do vídeo Deep Purple Rises Over Japan, com a performance da banda em Tóquio em 1975 e que já havia ganhado uma versão em VHS alguns anos atrás.

Gettin´ Tighter: The Story of MK IV ganhara versões em DVD e blu-ray, e é uma ótima pedida para quem quer conhecer mais sobre um dos capítulos mais nebulosos de uma das maiores bandas de todos os tempos.

Para matar a curiosidade, assistam abaixo o trailer do filme:


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