15 de out de 2010

Onze rock stars que você adoraria chamar de sogro

sexta-feira, outubro 15, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Ah, essas belas moças e seus pais, figuras históricas do rock. Que combinação, hein?

A foto principal do post é de Erin Lucas, filha de Cliff Williams, baixista do AC/DC.

E aí, qual a sua preferida?

Liv Tyler (Steven Tyler, Aerosmith)

Lauren Harris (Steve Harris, Iron Maiden)

India Waters (Roger Waters, Pink Floyd)

Georgia May Jagger (Mick Jagger, Rolling Stones)

Daisy Lowe (Davin Rossdale, Bush)

Amber Le Bon (Simon Le Bon, Duran Duran)

Lara Johnston (Tom Johnston, Doobie Brothers)

Lily Collins (Phil Collins, Genesis)

Calico Cooper (Alice Cooper)

Avy Lee Roth (David Lee Roth, Van Halen)

Obviamente, no caso dessa última, você só gostaria de chamar o pai de sogro se fosse muito desprendido daquele sentimento (ou doença, como queiram) chamado ciúme. O motivo? Descubra por você mesmo via Google e afins.

Bomb Threat / M.A.C.E. - The Day of the Duel (2010)

sexta-feira, outubro 15, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***

Recurso bastante comum na década de oitenta, os splits eram LPs divididos entre duas bandas, com cada uma delas ocupando um dos lados do vinil. No Brasil, dois álbuns nesse formato tornaram-se antológicos:
Ultimatum, lançado pela dupla Dorsal Atlântica e Metalmorphose, e Bestial Devastation / Século XX, dividido ao meio pelos grupos mineiros Sepultura e Overdose. Ambos chegaram às lojas no mesmo ano, 1985, e foram registros importantíssimos para o desenvolvimento e a popularização do heavy metal em nosso país.

Essa prática foi conservada com o advento do CD, principalmente entre as bandas iniciantes. E é exatamente isso que temos em
The Day of the Duel, split dividido entre Bomb Threat e M.A.C.E. e lançado pela Kill Again Records.

Ambos os grupos fazem um thrash metal veloz e direto, bastante influenciado pelo hardcore. O Bomb Threat comparece com seis faixas, sendo quatro delas inéditas e duas regravações de músicas lançadas anteriormente no EP
Inquisition, enquanto o M.A.C.E. entra com sete composições, sendo que uma delas já estava presente na demo Apocalypse Now.


Achei o som do Bomb Threat bastante linear. Raivoso, agressivo, mas nada inovador. O destaque vai para o vocalista Léo, com um timbre bem interessante, e para a faixa “Inner Possession”, com participação de Pedro “Poney” Ret, vocalista do Violator.

Já o M.A.C.E. tem um som muito mais interessante e bem desenvolvido, e com uma presença ainda mais evidente de características do hardcore, o que transforma a sua música em uma avalanche de riffs bastante agradável, devidamente turbinada pela velocidade onipresente nas composições. Algumas faixas me lembraram os momentos mais raivosos do Hirax, um dos pioneiros nessa união entre o thrash e o hardcore. Como curiosidade, vale mencionar a participação de Cris, vocalista do Bandanos, na faixa “Insonia”.

Fechando, merece menção também o excelente tratamento gráfico dado ao encarte do disco, que conta com todas as letras, fotos e ilustrações alusivas às bandas.

The Day of the Duel é um bom disco, que mostra duas bandas com potencial para evoluir e crescer. Ambas merecem ser acompanhadas com atenção por quem curte essa linha mais acelerada do thrash, pois tudo indica que terão um futuro promissor.


Faixas:
1 Bomb Threat - Loss of Interest
2 Bomb Threat - Judgement Day
3 Bomb Threat - Spoils of War
4 Bomb Threat - Terminator
5 Bomb Threat - Real Evil
6 Bomb Threat - Inner Possession
7 M.A.C.E. - Shock Wave
8 M.A.C.E. - Pest
9 M.A.C.E. - Blood Food Nation
10 M.A.C.E. - Mutilated by Truth
11 M.A.C.E. - Lets Play
12 M.A.C.E. - The Duel
13 M.A.C.E. - Insonia


Rigotto´s Room: Clapton, o novo álbum de Eric

sexta-feira, outubro 15, 2010

Maurício Rigotto
Colecionador
Collector´s Room


Até o surgimento do rock’n’roll, em meados dos anos cinquenta, a guitarra elétrica não era um dos instrumentos mais relevantes. A maioria das bandas de jazz, que reinavam absolutas até então, usualmente nem tinham guitarristas em suas formações, e quando os possuíam eram renegados ao segundo plano. Basta lembrar de alguns dos grandes nomes da era de ouro do jazz: Duke Ellington e Oscar Peterson (pianistas); Charlie Parker, John Coltrane e Stan Getz (saxofonistas); Miles Davis, Chet Baker e Dizzy Gillespie (trompetistas); Benny Goodman (clarinetista); Charles Mingus e Paul Chambers (contrabaixistas); Elvin Jones, Buddy Rich e Gene Krupa (bateristas); etc. Guitarristas raramente eram lembrados. Outros gêneros que antecederam o rock, como o blues e o skiffle, até tinham a guitarra em destaque, mas geralmente uma guitarra acústica, um violão.

O advento do rock colocou a guitarra em evidência, e logo diversos jovens se destacaram como grandes instrumentistas: Jeff Beck, Jimmy Page, Pete Townshend, Keith Richards, George Harrison, Alvin Lee e tantos outros. Entretanto, dois jovens chamaram a atenção por estarem em um patamar acima de todos os demais. Gênios das seis cordas, eles expandiram as possibilidades oferecidas até então por uma guitarra, cruzando fronteiras sem tomar conhecimento dos limites do instrumento. Seus nomes: Jimi Hendrix e Eric Clapton. Enquanto o primeiro morreu precocemente aos vinte e sete anos, em uma trágica fatalidade que privou o mundo de um dos maiores artistas que já pisaram a face da Terra, Eric Clapton milagrosamente sobreviveu a excessos inimagináveis, como os vícios em álcool e heroína, e desenvolveu uma das mais fascinantes trajetórias no mundo da música.

Clapton passou a chamar a atenção na banda Yardbirds, mas pulou fora do grupo quando esse quis dar um direcionamento mais pop comercial a sua carreira. Purista do blues, Clapton não se via tocando canções pop em programas de televisão. O guitarrista logo foi convidado para integrar os Bluesbreakers de John Mayall, um dos maiores nomes do blues inglês. Após gravar um disco memorável com a banda, Clapton saiu para formar o seu próprio grupo, o Cream, um power trio que deslumbrou o mundo com o virtuosismo de seus integrantes e com os solos incríveis de seu guitarrista. Nesta época surgiram em Londres pichações com a frase “Clapton is God”. Os egos inflados logo levaram o grupo a separação, e Clapton fundou ao lado de Steve Winwood outro supergrupo, o Blind Faith, e depois, o Derek and the Dominos.

Após mergulhar no vício em heroína, Eric deu a volta por cima e retornou em um concerto ao lado de Pete Townshend, Ron Wood e Steve Winwood, seguindo em carreira solo com discos de sucesso, repletos de blues e rocks inovadores e memoráveis. Clapton foi o primeiro a chamar a atenção do mundo ao reggae de Bob Marley ao regravar “I Shot the Sheriff”, e deu visibilidade ao grande J.J. Cale ao gravar suas músicas “After Midnight” e “Cocaine”.

Em sua carreira, Clapton tocou ao lado de todos os seus heróis do blues, como Muddy Waters, Howlin’ Wolf, John Lee Hooker, Freddie King, Buddy Guy e Ray Charles; acompanhou pioneiros do rock como Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Carl Perkins e Scotty Moore, e foi um dos únicos que adentraram no círculo fechado dos Beatles para gravar um solo de guitarra em um disco do quarteto. Clapton acompanhou John Lennon, George Harrison e Bob Dylan em shows; tocou em uma banda com John Lennon, Keith Richards e Mitch Mitchell no The Rolling Stones Rock'n'Roll Circus; participou do Concert for Bangladesh, o primeiro mega show beneficente, organizado por George Harrison; apareceu tocando ao lado do The Who no filme Tommy e gravou com os Rolling Stones, Roger Waters, The Band e toda a nata do rock.


Em meados dos anos oitenta, no auge de seu alcoolismo, Clapton lançou discos chatinhos como Behind the Sun e August, produzidos por Phil Collins, que mais pareciam álbuns do popular baterista do Genesis. Após internação e tratamento, o guitarrista novamente ressurge com uma autoconfiança nunca antes demonstrada e total controle de sua carreira. Em 1992 grava o seu multiplatinado MTV Unplugged, e dois anos depois lança o álbum From the Cradle, somente com covers de blues.

Clapton segue experimentando novas sonoridades ao flertar com o eletrônico em Pilgrim e ao compor trilhas para o cinema. O guitarrista abandona os solos exuberantes e passa a valorizar cada vez mais o seu trabalho na guitarra base, como quem não precisa provar mais nada a ninguém. Clapton afasta-se do rock para se dedicar a uma sonoridade mais limpa, de blues e jazz, dando ênfase ao seu lado cantor. Grava um disco em parceria com B.B King e lança Reptile, um álbum que tem blues, jazz e até canções inspiradas na bossa nova. Na turnê do disco, que passou pelo Brasil, vimos Clapton magistral e inspiradíssimo ao interpretar seus clássicos do Cream e do Derek and the Dominos, alternando momentos igualmente brilhantes em que tocou sentado com uma guitarra semi-acústica até mesmo canções como “Somewhere Over the Rainbow”, de O Mágico de Oz.

Eric Clapton na última década somente fez o que quis, incluindo vários reencontros com o seu passado. Organizou o Concert for George com Paul McCartney e outros para homenagear o seu melhor amigo, George Harrison, quando completou um ano da morte do ex-Beatle. Participou do show comemorativo pelo septuagésimo aniversário de John Mayall, com quem não tocava desde os anos sessenta. Gravou um álbum somente com canções de Robert Johnson. Remontou o Cream, trinta e sete anos após o fim do grupo, para shows em Londres e Nova York, por diversão e para ajudar financeiramente Jack Bruce e Ginger Baker, que não se tornaram multimilionários como o guitarrista. A seguir, gravou um disco em parceria com J.J. Cale e fez shows com Steve Winwood, seu antigo parceiro no Blind Faith. No último ano excursionou ao lado de seu antigo rival Jeff Beck, que o havia substituído nos Yardbirds quarenta e cinco anos atrás.


Essa semana vazou na internet o seu novo álbum, intitulado apenas Clapton, que tem lançamento previsto apenas para o próximo mês. Claro que não pude resistir a ouvir o novo trabalho de um dos meus heróis. Clapton é basicamente mais um álbum de blues, sem grandes novidades, o que de forma alguma é ruim, vindo de Eric Clapton. O guitarrista está mais contido, mas não menos brilhante. Não espere ouvir rocks empolgantes ou solos como os do Cream. Clapton aparece mais como um cantor que se acompanha na guitarra, mas quando sola e faz seus arpejos, esnoba em emoção e competência.

Há alguns blues que se tornarão antológicos, como a faixa de abertura, “Travelin’ Alone”, e há também canções de jazz, como as alegres “My Very Good Friend the Milkman” e “When Somebody Thinks You’re Wonderful”, que contrastam um pouco com o clima um tanto quanto triste de alguns blues. A grande surpresa está na última das quatorze faixas do disco: Eric Clapton grava uma bela versão de “Autumn Leaves”, um dos maiores standards do jazz, já gravada por Charlie Parker, Miles Davis e uma infinidade de artistas.

O novo Clapton confunde-se com o velho Clapton. É mais do mesmo, e mesmo assim consegue surpreender. É fenomenal mesmo não sendo nada demais. Enfim, é um novo álbum de Eric Clapton, um artista que não precisa provar mais nada a ninguém.

14 de out de 2010

Na capa de um disco dos Beatles por acaso!

quinta-feira, outubro 14, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room


Você nunca ouviu falar de Paul Cole, mas mesmo assim sabe exatamente de quem eu estou falando. Como assim, ficou louco Cadão? Não, não fiquei, e explico: Paul Cole é o nome do homem que aparece na capa do álbum Abbey Road, lançado pelos Beatles em 26 de setembro de 1969, conversando com um policial à direita, no espaço entre John Lennon e Ringo Starr.

A história de Cole é pra lá de curiosa. Segundo o próprio, “estava em férias com minha esposa em Londres e, como já havia visitado museus demais, resolvi dar uma caminhada pelas ruas. Aí vi uma viatura da polícia parada, fui até ela e comecei a conversar com o policial. Já estávamos batendo um papo há mais de uma hora quando percebi aqueles quatro caras atravessando a rua como uma fila de patos. Eu achei que se tratava de um bando de arruaceiros, pois todos tinham cabelo comprido e um dele estava descalço – e você sabe, não se anda descalço em Londres”.


Na hora Cole não atinou que os quatro cabeludos suspeitos eram os Beatles. Ele só foi se tocar disso mais de um ano depois, quando encontrou a capa do álbum em cima do toca-discos da família.

A foto da capa de Abbey Road foi tirada por Ian McMillian e é uma das mais famosas da história do rock. Todo ano, milhares de pessoas vão até Abbey Road e repetem a antológica cena, que se transformou em uma das imagens mais conhecidas, homenageadas e emblemáticas da cultura popular. Além disso, a capa possui supostas pistas sobre a morte de Paul McCartney, boato que surgiu a partir de um acidente de moto sofrido por Paul no dia 9 de novembro de 1966. Como sequela, o cantor ficou com uma cicatriz no lábio, ponto de partida para a difusão de uma série de “pistas” que davam conta de que, na verdade, Paul havia morrido no acidente e tinha sido substituído por um sósia chamado Billy Shears (mencionado na letra de “With a Little Help My Friends”, faixa do álbum Sgt Peppers, de 1967). Como resultado das inúmeras cirurgias plásticas que o tal Billy havia sido submetido para ficar parecido com o “verdadeiro” Paul, a cicatriz no lábio havia surgido. Os Beatles começaram a alimentar o boato, colocando de propósito “pistas” nas capas de seus discos. Em Abbey Road, isso se manifesta nos trajes do quarteto – John Lennon de branco representando a religião, afinal os Beatles “eram mais famosos que Jesus Cristo”; Ringo Starr de preto como um padre; Paul descalço e com o passo trocado – os mortos eram enterrados descalços na Inglaterra; e George Harrison como o coveiro. Para colocar ainda mais lenha na fogueira, Paul, que todos sabiam ser canhoto, segura o cigarro com a mão direita, está de olhos fechados e o Fusca que está do lado esquerdo da capa tem a placa “IF28” (“se 28”, em português), em uma alusão a idade que Paul teria na época caso estivesse vivo.


O simpático Paul Cole faleceu dia 13 de fevereiro de 2008, aos 96 anos de idade, na cidade americana de Pensacola, na Flórida. Sua história é um triunfo do acaso, que transformou um completo desconhecido em personagem da história de um dos maiores nomes do rock.

Rolling Stones relançam discografia de estúdio em vinil

quinta-feira, outubro 14, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Os Rolling Stones relançarão no próximo dia 22 de novembro todos os seus álbuns de estúdio em vinil de 180 gramas. A discografia virá dividida em dois box sets. O primeiro, chamado
1964-1969, vai do EP de estreia, auto-intitulado, até Let It Bleed. Já o segundo, 1971-2005, começa com Sticky Fingers e acaba em A Bigger Bang. Além do mais recente, seus dois antecessores - Voodoo Lounge e Bridges to Babylon - virão em versão dupla. Todos os trabalhos foram remasterizados.


Confira abaixo a lista completa com o conteúdo de cada caixa:

1964-1969
«The Rolling Stones»(EP)
«The Rolling Stones»
«Five By Five»(EP)
«The Rolling Stones No. 2»
«Out Of Our Heads»
«Aftermath»
«Big Hits (High Tide and Green Grass)»
«Between The Buttons»
«Their Satanic Majesties Request»
«Beggars Banquet»
«Through The Past, Darkly (Big Hits Vol. 2)»
«Let It Bleed»
«Metamorphosis»

1971-2005
«Sticky Fingers»
«Exile On Main Street»
«Goats Head Soup»
«It's Only Rock 'N' Roll»
«Black And Blue»
«Some Girls»
«Emotional Rescue»
«Tattoo You»
«Undercover»
«Dirty Work»
«Steel Wheels»
«Voodoo Lounge» (2 LPs)
«Bridges To Babylon» (2 LPs)
«A Bigger Bang» (2 LPs)

13 de out de 2010

Pelo Mundo: as aventuras de um colecionador em Nova York – Parte 2: as lojas de discos

quarta-feira, outubro 13, 2010

Por Fernando Bueno
Engenheiro e Colecionador
Collector´s Room

Depois do primeiro texto, em que relata os shows que assistiu em Nova York, nosso correspondente internacional Fernando Bueno fala das lojas de discos que visitou na capital do mundo. Confira o texto abaixo e delicie-se com as histórias do nosso sortudo brother!

Desde que comecei a pensar sobre a viagem das férias tinha em mente que queria garimpar algumas lojas de discos. Quando resolvemos que iríamos para Nova York comecei a fazer uma busca via internet das lojas e sebos da cidade. Logo de cara encontrei essa lista aqui. Com o auxílio dela fiz um mapa localizando todas as ruas próximas à Bleecker Street. Escolhi essa rua por indicação do Bento Araújo da poeira Zine. Ele também visitou algumas lojas e locais da cidade e fez uma matéria muito legal na edição #31 da revista. Assim, mandei um e-mail para ele, que me indicou os arredores dessa rua.

Como estava fazendo uma viagem de férias tive que reservar apenas um dia para as lojas de discos, e foi esse o motivo de eu tentar localizar o máximo de lojas próximas, afinal a cidade é um prato cheio para os turistas, com inúmeros lugares para visitar. Mesmo tentando aproveitar ao máximo os dez dias que fiquei lá ainda não consegui fazer algumas coisas que queria, como assistir à uma apresentação gospel em uma das igrejas do Harlem.


Com o mapa na mão comecei minha caminhada pelo cruzamento entre a Bleecker St e a Christopher St. Porém, para minha decepção descobri que algumas lojas que tinha programado haviam sido fechadas. Ou seja, essa lista que encontrei não estava atualizada e é difícil de saber de quando é a lista. Também percebi que não adianta levantar cedo e ir para as lojas já que a grande maioria delas só abrem a partir das onze da manhã, e algumas depois do meio dia. Ou seja, se for para lá lembre-se disso, senão você vai perder um tempão vagando pelas fachadas das lojas até elas abrirem, como aconteceu comigo. Porém o tempo que passei andando pela região esperando que as lojas abrissem foi bom, já que pude escolher em qual entrar primeiro. Antes de começar a falar das lojas adianto que muitas delas só trabalham com vinil, e algumas deixam isso bem claro com mensagens até um pouco grosseiras coladas na porta, como é o caso da Houses of Oldies, que tem uma placa enorme com “
No CDs, No Tapes”.

Acabei entrando em algumas dessas lojas que tinham apenas vinil, mas meu foco não era trazer esse tipo de material. Para falar a verdade eu tenho vários LPs, mas só determinadas bandas me interessam nesse tipo de mídia. Para mim é mais uma questão nostálgica em ter os discos que quando era moleque não pude ter. Como não era meu foco acabava entrando nas lojas olhando a parte de metal procurando alguma coisa do Iron Maiden e saia em seguida.


Fui para a Bleecker Street Records. Essa foi a primeira loja que realmente entrei e fiz um garimpo legal. Nas paredes ficam os CDs usados organizados por ordem alfabética e no centro a prateleira dos CDs novos, com poucos LPs pendurados na parede e alguns boxes dispostos com um pouco de falta de acesso. Comecei pelos usados, porque um cara entrou comigo e começou pelos novos na letra A. Como não queria disputa parti para a seção dos usados. Olhei CD por CD, depois fui olhar os CDs novos e no final, após três horas e meia (!), me dirigi ao caixa com mais de 30 itens de bandas diversas. Foi a primeira loja em que entrei e isso pode ter influenciado, mas foi a loja que mais gostei.


A Generation Records é a maior loja que fui. A quantidade de discos de vinil é enorme. Quem gosta de punk e estilos próximos iria ao delírio com uma enorme quantidade de compactos de 7” desses estilos. Eu fui direto na parte que estava indicada como heavy metal, porém só encontrei bandas de metal extremo. Até achei que a loja tinha esse direcionamento. Mas quando fui para a seção de rock lá fui encontrar todas as bandas que a gente costuma classificar como heavy metal. É uma excelente loja que vale a pena visitar.


Outra loja dos arredores é a Village Music World. Todas as outras que comentei anteriormente têm um acervo enorme, e essa não é diferente. A diferença dessa para as outras é o tamanho físico da loja, bem menor que as anteriores. Não sei se porque eu tinha ido em outras lojas bem arrumadas, mas achei essa um pouco desorganizada. Mas isso se deve à limitação de espaço. A seção de boxes sets é bem interessante.


Fui na Academy Records & CDs, uma das lojas que apareceram na
matéria das 25 melhores lojas de discos dos EUA publicada aqui na Collector´s Room. A coincidência foi que só na noite do dia que fui nessa loja é que li a matéria no blog (fiquei com acesso restrito à internet durante alguns dias que estava lá). Também fui na Other Music, mas só vale a pena ir nessa loja se você quiser alguma coisa que não tenha nada a ver com o rock e suas vertentes, já que não tinha praticamente nada do estilo, no máximo algumas coisas do Grateful Dead. Aliás, essa é uma banda que se você gosta vai encontrar muita coisa em todo lugar. Sobre a Academy Records posso dizer que vale bastante a pena, mas não estranhe se você entrar na loja e só ver discos de música clássica. O acervo dos caras dedicado a esse gênero musical é enorme. A seção de rock era um pouco reduzida, mas achei bastante coisa. Fiquei puto com um cara que estava logo ao meu lado tirando do meio dos CDs dois discos do Paul McCartney, o de 1970 chamado só McCartney e o Band on the Run (que na verdade é do Wings, mas é impossível você não associar o Wings ao Paul). Claro que não tinham outros dos mesmos quando procurei. Também são dessa loja os funcionários mais simpáticos.

Só estou comentando das lojas que fui e comprei alguma coisa, mas também fui em vários outras lem que apenas entrei e procurei alguma coisa, mas acabei não gostando. Também comprei alguns CDs em shopping centers e em lojas de departamentos como a Best Buy.


A primeira dica para os caras que vão fazer isso um dia é ter em mente o qeu você quer e quanto está disposto a gastar, a não ser que a ideia seja buscar coisas diferentes mesmo, porque senão é falência na certa. Eu tinha uma lista com mais de cento e cinquenta álbuns que eu queria, porém depois de todas as compras apenas vinte saíram dela. Ou seja, faltou foco (risos). Também é sempre necessário lembrar que é meio complicado transportar muita coisa. Eu tive que comprar uma mala só para acondicionar os CDs que comprei, mas não queria despachar ela nem a pau. Porém, foi uma luta conseguir que a companhia aérea liberasse essa mala como bagagem de mão.

Mas o comentário que mais gostaria de fazer é em relação aos preços. Quem está acostumado com os preços praticados, por exemplo, no eBay, que é o meu caso, acaba em um primeiro momento achando os preços caros. Eu fiquei meio decepcionado no início, porque separei um montante para gastar e percebi que não conseguiria trazer tudo o que queria. Mas depois de um tempo comecei a pensar que é muito mais fácil uma loja virtual ter os preços mais baixos, já que não é necessário pagar os custos diretos de uma loja física. Os valores dos discos novos variam bastante, mas podemos dizer que a média é em torno de 14 dólares, e os CDs usados estão em torno de 7-8 dólares. No eBay conseguimos achar os mesmos CDs com 70% do preço. Mas mesmo esses preços “altos” valem a pena. Paguei no primeiro disco do Crosby, Stills & Nash 15 dólares, 20 no primeiro do Mott the Hoople e 25 dólares na edição especial do
All Things Must Pass do George Harrison. Aqui no Brasil, além de ser muito difícil encontrar esses discos, tenho certeza que não sairiam por menos de 40-45 reais. Mas claro que encontrei algumas pechinchas, como o terceiro do Winger, Pull, de 1993, por $ 1,99 na Macy’s, famosa loja de departamentos de Nova York.

Se você não se importa de pegar um CD usado, essa é uma boa oportunidade de ter aquele disco que provavelmente você não compraria um novo pelo preço. Muitos CDs usados podem trazer uma má impressão no começo pelo estado das caixinhas de acrílico. Mas o dono de uma das lojas estava me dizendo que muitas pessoas na hora de passar o disco para a frente trocam as caixinhas por outras mais velhas. Então antes de pegar qualquer CD dê uma olhada antes nos encartes. Dificilmente você vai ver encartes que não estejam com a aparência de novos. E tem outra, muita gente que passa o CD para a frente faz isso logo depois de comprar e transformá-lo em mp3. E tem aqueles caras que escutam apenas uma vez e vendem quando não gostaram.

Outra dica para quem quer garimpar discos é ir sozinho, a não ser que você vá com alguém que tenha o mesmo objetivo. Isso serve para você que não quer se incomodar pelo incômodo dos outros. Fui nas lojas do West Village sozinho e fiquei o dia todo, e em outros locais fui com a minha esposa. Para ela o tédio de ficar me vendo olhar os discos é o mesmo que eu sinto quando ela está em uma loja de sapatos, bolsas, roupas, relógios, maquiagens, etc …

Se você tiver tempo de visitar mais lojas, pode fazer isso de metrô. Existem linhas para todos os cantos da cidade. É muito legal andar em alguns locais, como é o caso do West Village, que tem um jeitão de cidade do interior. Isso, claro, se você esquecer o trânsito e os prédios da paisagem. Para aqueles que comparam Nova York e São Paulo apenas por elas serem algumas das maiores cidades do mundo, tenho a dizer que a capital paulista está anos luz atrás de Nova York.

Cinco discos para conhecer Sammy Hagar

quarta-feira, outubro 13, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Aproveitando que o Red Rocker completa hoje 63 anos – embora nem aparente, tamanha sua vitalidade –, trago cinco álbuns de diferentes etapas da carreira de Sammy Hagar. Não se tratam necessariamente dos melhores, mas trazem um bom resumo de diferentes momentos da história desse grande músico, um dos poucos vocalistas que conseguiu substituir outra lenda em uma grande banda (claro que falo de David Lee Roth no Van Halen) e mantê-la no topo. Mas há muito mais que isso para ser conferido.

Montrose – Montrose (1973)

O primeiro disco de heavy metal a ser gravado nos Estados Unidos. Assim alguns críticos da mídia especializada local se referem à estreia da banda de Ronnie Montrose, já conhecido por trabalhar com artistas como Van Morrison, Herbie Hancock e Edgar Winter. Curiosamente, apesar de hoje ser uma referência no estilo, o álbum não obteve grande repercussão quando lançado. A grande responsável foi a Warner Brothers. A gravadora colocou o grupo como opção secundária, dando prioridade de divulgação ao Deep Purple e os Doobie Brothers. Apenas “Bad Motor Scooter” fez relativo sucesso nas rádios rock, levando o play a um modesto número 133 na parada da
Billboard.

Mas com o passar dos anos, o álbum foi ganhando status de ‘cult’ entre os apreciadores do estilo. Músicas como “Rock the Nation”, “Rock Candy” e “Space Station #5” – essa última regravada pelo Iron Maiden e utilizada como b-side no single “Be Quick or Be Dead” – conquistaram novas gerações, impulsionadas pelo sucesso da carreira de Sammy Hagar nas décadas posteriores. O debut do Montrose ficou em quarto lugar na eleição da revista
Kerrang para o melhor disco de metal de todos os tempos, realizada em 1989. Como curiosidade, o fato de ele ter sido produzido por Ted Templeman, o homem que participou diretamente de todo o sucesso do Van Halen na era David Lee Roth.

Sammy Hagar – Standing Hampton (1981)

O sexto trabalho de estúdio da carreira solo de Sammy marca sua estreia na Geffen Records, após anos de frustrações e incompatibilidades com sua antiga companhia, a Capitol. Contando com um suporte maior da nova gravadora,
Standing Hampton obteve a posição de número 28 nas paradas norte-americanas, melhor resultado da carreira do cantor até aquele momento. Em pouco tempo, o disco foi premiado com platina, pela marca de um milhão de cópias vendidas.

O motivo de tanto sucesso está refletido em canções que o tempo se encarregou de transformar em clássicos, como o hino “There’s Only One Way to Rock”, que chegou a constar até mesmo nos setlists do Van Halen. Outros destaques vão para “I’ll Fall in Love Again” (que entrou na trilha sonora do filme
Em Busca da Vitória), “Baby’s On Fire” e “Heavy Metal”, composta em parceria com Jim Peterik, do Survivor. O encerramento vem com uma versão para “Piece of My Heart”, composição de Bert Berns e Jerry Ragovoy, imortalizada na voz de Janis Joplin.

HSAS – Through the Fire (1984)

Tirando umas férias de sua banda principal, o guitarrista do Journey, Neal Schon, convidou Sammy Hagar para um projeto paralelo. Após alguns testes, completaram o line-up o baixista Kenny Aaronson (Dust, West Bruce and Laing, Foghat) e o baterista Michael Shrieve (Santana, Pat Thrall).
Through the Fire tem a peculiaridade de ter sido gravado ao vivo, nos dias 14 e 15 de novembro de 1983, em San Jose, California. O barulho da plateia foi removido em estúdio, mas existe um especial gravado pela MTV que mostrou as apresentações mantendo o som da audiência.

Misturando o senso melódico de Schon com a pegada rocker de Hagar, o álbum traz grande momentos, como na ótima “Missing You”, que resume o trabalho proposto em seus quatro minutos e meio. “Valley of the Kings”, “Hot and Dirty” e “My Home Town” também merecem destaques. E ,apesar de naquela época não ser algo tão comum quanto hoje em dia, os caras fizeram um cover para “Whiter Shade of Pale”, do Procol Harum. Basta dar uma pequena garimpada na net que você verá quantos artistas já regravaram essa canção. Mesmo assim, a versão aqui executada é bem agradável.

Van Halen – For Unlawful Carnal Knowledge (1991)

Embora tenham alcançado grande êxito comercial, os dois primeiros lançamentos do Van Halen com Sammy Hagar desagradaram os fãs mais conservadores. O excesso de teclados e a produção mais detalhista deixaram o som do grupo um tanto quanto limpo para os padrões que o consagrou. Para marcar a volta ao hard rock comandado pelos riffs de guitarra, Ted Templeman voltou a operar as máquinas, após alguns anos brigado com os irmãos VH. Para auxiliá-lo, foi chamado Andy Johns, conhecido por seu trabalho junto a lendas como Rolling Stones, Led Zeppelin e Free.

A furadeira de Eddie Van Halen abre o trabalho em “Poundcake”, mostrando que o peso estava de volta em doses cavalares. Outras que foram lançadas como single foram “Runaround” e “Right Now”, que ganhou o prêmio de melhor videoclipe do ano no
MTV Video Music Awards de 1992. O troféu foi entregue por Mick Jagger. A instrumental “316” é uma homenagem a Wolfgang, filho de Eddie e atual baixista da banda, que nasceu no dia 16 de março (3/16). A faixa de encerramento, “Top of the World”, abre com o riff de guitarra que aparece no fim do mega-clássico “Jump”, de 1984. Graças a uma verdadeira injeção de adrenalina sonora, o Van Halen teve sua credibilidade restaurada junto aos mais radicais.

Chickenfoot – Chickenfoot (2009)

A expectativa era grande desde o anúncio da formação do projeto. Após a desastrosa tentativa de volta do Van Halen, Sammy Hagar e Michael Anthony se uniam aos grandes Joe Satriani e Chad Smith. Era praticamente como juntar uma seleção de craques usando a camiseta do mesmo time. Enquanto alguns criticaram a diversidade que o álbum de estreia do Chickenfoot oferece, muitos aprovaram e o disco de ouro logo foi alcançado. A musicalidade acima de qualquer rótulo marca o trabalho do Chickenfoot. Mas a base da proposta musical continua sendo o rock and roll pesado e com atributo técnico superior sem soar como uma mera exibição.

Foram lançados três singles de divulgação, para as faixas “Oh Yeah”, “Soap on a Rope” e “Sexy Little Thing”. Além delas, outros sons de qualidade são facilmente encontrados, desde a abertura com “Avenida Revolution”. Outro destaque impossível de não ser feito vai para “Turnin’ Left”, com sua levada impressionante, que vicia desde a primeira escutada. Mesmo a balada “Learning to Fall”, considerada um momento menor por alguns críticos mais exigentes, traz uma melodia muito bonita, mostrando que uma música pode ser ‘melosa’ sem abdicar da qualidade. Uma estreia para deixar todos com expectativa pelo que vem adiante, embora ainda não se saiba oficialmente se Chad vai continuar, devido ao conflito de agendas com o Red Hot Chilli Peppers.

12 de out de 2010

Collector´s Room: dois anos de histórias e muitas conquistas

terça-feira, outubro 12, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Hoje, dia 12 de outubro, o site da
Collector´s Room comemora dois anos. Se contarmos desde o surgimento da coluna no Whiplash, em setembro de 2005, já são cinco. Mas como o surgimento do site próprio da Collector´s marcou uma nova fase, independente e muito mais profissional, comemoramos nosso aniversário em pleno Dia das Crianças mesmo – o que não deixe de ser irônico, afinal é exatamente assim que nos sentimos, como crianças, ao entrar em uma loja repleta de discos.

Com muito trabalho, paixão e dedicação, construímos um site que hoje possui um conteúdo abrangente e de ótima qualidade. Tijolinho por tijolinho, texto por texto, a
Collector´s foi conquistando mais e mais leitores, solidificando a sua reputação como um dos melhores blogs de música do Brasil.

Pessoalmente, me sinto muito satisfeito ao ver que o trabalho que iniciei ganhou tanta força e repercussão. Quando decidi criar a
Collector´s Room, o motivo para isso foi que queria ler matérias com colecionadores de discos, e como não as encontrava disponíveis resolvi eu mesmo produzi-las. Para minha surpresa, muitas pessoas se identificaram com a coluna, e isso só fez a Collector´s crescer mais e mais, até o surgimento do nosso site próprio.

Além disso, a
Collector´s surgiu em uma época em que as gravadoras começaram a perceber que o consumidor de música havia mudado. O mercado hoje é muito diferente do que era antigamente. Hoje, o consumidor casual de música não compra mais discos – ele vai lá e baixa o que quer gratuitamente, e, quando cansa ou enjoa do que ouviu, simplesmente apaga o arquivo.

Quem ainda compra discos hoje em dia são os colecionadores, e as gravadoras finalmente começaram a perceber isso. Quem ainda compra discos hoje em dia quer um produto diferenciado, quer ser tratado com respeito, quer ter itens únicos em suas estantes. E, pouco a pouco, mais e mais selos estão percebendo essa nova realidade e trabalhando para lançar LPs, CDs e DVDs que conquistem os colecionadores não só pela música, mas pelo pacote completo. Hoje é comum chegar em uma loja e encontrar edições especiais repletas de faixas bônus e acabamento gráfico diferenciado, e a tendência é que isso se torne cada vez mais forte.

Hoje, a
Collector´s Room é um blog cooperativo, feito por várias cabeças pensantes. Ao meu lado, Ricardo Seelig, estão caras que entendem muito de música e são apaixonados por seus discos como Fernando Bueno, Maurício Rigotto, Marcos Garcia, Marco Antonio Gonçalves, Ronaldo Rodrigues, Tiago Rolim, Ugo Medeiros, Ale Cubas, Vitor Bemvindo, Rubens Leme da Costa, Bento Araújo, Ricardo Batalha e muitos outros.

A
Collector´s não só está se transformando em uma referência quando o assunto é música, como está sendo reconhecida por leitores, colecionadores, jornalistas e gravadoras como um site sério, inovador, criativo e competente, e tudo isso só foi possível pelo trabalho duro das pessoas citadas acima, pelos outros colaboradores que marcaram presença no site e, principalmente, por você aí do outro lado, que nos dá apoio acessando o blog todos os dias.

Ainda temos muito para melhorar, para crescer, para ir além, mas tudo isso virá na hora certa, devagar, de maneira sólida, como tem sido até aqui.

Nestes dois anos de blog publicamos
177 resenhas de Cds, 40 reviews de DVDs, 24 críticas de livros sobre música e 24 resenhas de shows – sendo que muitos deles de maneira exclusiva. Além disso, foram produzidos 128 textos sobre discos clássicos e fundamentais, e publicamos no site todas as edições da coluna Discoteca Básica da extinta revista Bizz, totalizando 215 resenhas.

As colunas fixas da
Collector´s, escritas por nossos colaboradores, conquistaram os leitores do site. Já foram ao ar 66 edições do Baú do Mairon, 27 do Castiga, 26 do Rigotto´s Room, 18 do Começando a Coleção, 14 do War Room e muitas outras.

Já realizamos
25 entrevistas com personalidades do meio musical, de músicos a críticos, levando a opinião de quem importa até os nossos leitores.

A razão de ser da
Collector´s, as entrevistas com colecionadores de discos na coluna Minha Coleção, motivo pelo qual o site nasceu, já conta com 39 edições desde que o site da Collector´s nasceu. Se contarmos as 55 entrevistas realizadas no tempo em que a Collector´s ia ao ar no Whiplash, já são 94 entrevistas!

Os dez artistas com maior número de matérias publicadas na
Collector´s nestes dois anos foram Iron Maiden (36 matérias), Beatles (27), AC/DC (26), Rolling Stones (22), Deep Purple (19), Miles Davis (18), Black Sabbath (18), Led Zeppelin (14), Eric Clapton (13) e Kiss (12).

Fechando, eu queria dizer que hoje a
Collector´s Room é parte importante do meu dia a dia, da minha vida, assim como espero que ela seja da vida de todos vocês. Muito obrigado pelo apoio, pelas colaborações, pela paciência e pela força que vocês deram ao site durante todo esse tempo, e espero tê-los ao meu lado, e ao lado da Collector´s Room e de todos que fazem o site com muito amor, paixão, dedicação e talento, por muitos e muitos anos.

Obrigado, viva a música e vamos nessa!


11 de out de 2010

Hirax – El Rostro de la Muerte (2009)

segunda-feira, outubro 11, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***1/2

Fãs de thrash metal, podem soltar os foguetes: o último disco dos veteranos do Hirax, um dos ícones da cena da Bay Area, ganhou uma edição nacional pela Kill Again Records.
El Rostro de la Muerte foi lançado originalmente em agosto de 2009 e mostra uma banda sedenta por heavy metal.

Antes de falar do disco, no entanto, queria escrever algumas linhas sobre a história do Hirax. Liderado pelo carismático vocalista Katon W. De Pena, o grupo é um dos mais influentes - e injustiçados - da cena thrash norte-americana. Influentes porque foram uma das primeiras bandas a adicionar elementos do hardcore em seu som, acelerando a velocidade de suas músicas e dando os primeiros passos daquilo que viria a ser classificado como crossover. E injustiçados porque, apesar da enorme e inegável influência que tiveram sobre centenas de bandas, até hoje o Hirax é conhecido e cultuado apenas em círculos fechados dentro do próprio metal – até entre os fãs do thrash tem gente que nunca ouviu e não conhece a história dos caras.

El Rostro de la Muerte é um disco forte. Suas quatorze faixas exalam peso, agressividade e violência. Tendo à frente os vocais gritados característicos de Katon e a afiada dupla de guitarras formada por Glenn Rogers e Lance Harrison, a banda despeja paixão e amor ao metal em cada segundo. “Baptized by Fire” abre o play mostrando as cartas que o grupo tem na mão: ótimos riffs e grandes solos, resultando em um thrash metal encorpado e contagiante. A excelente “Flesh and Blood” nos leva de volta à Bay Area da década de oitenta, com boas mudanças de andamento e um grande refrão.

“Eradicate Mankind” mantém o ótimo nível com excelentes riffs, assim como “Chaos and Brutality”, onde mais uma vez o destaque vai para a dupla Rogers / Harrison. A faixa-título, com seu início mais cadenciado e clima denso, dá uma variada nas coisas, para a partir de determinado momento cair em um thrash raivoso e rápido que beira o hardcore.

Melodias épicas são o destaque da instrumental “Battle of the North”, enquanto que “The Laws of Temptation” despeja uma sinfonia de riffs ensandecidos sobre o ouvinte. “Violent Assault” é outra que prima pelo ótimo trabalho de guitarras, mostrando o quanto Glenn Rogers e Lance Harrison estão entrosados.

“Cuando Cae la Obscuridad (When Darkness Falls)” é a faixa mais surpreendente do disco. Composta pela esposa de Katon, Anne De Pena, é tocada totalmente no piano, fazendo surgir melodias sombrias que, ao contrário do que poderia se pensar, casam com perfeição com o restante do álbum. O encerramento, com a excepcional “Satan´s Fall”, faz o ouvinte bater cabeça pela casa enquanto a vontade de ouvir o CD novamente toma conta do corpo.

El Rostro de la Muerte é um ótimo disco, na melhor tradição de álbuns clássicos do Hirax como Raging Violence (1985), Hate Fear and Power (1986) e The New Age of Terror (2004). Como curiosidade, vale mencionar que oito das quatorze faixas contam com a bateria do brasileiro Fabrício Ravelli, que deixou a banda em 2008.

Se você gosta de um thrash rápido e agressivo, compre de olhos fechados!

Para adquirir estes e outros itens, acesse o site da Kill Again Records.


Faixas:
1.Baptized by Fire
2.Flesh and Blood
3.Eradicate Mankind
4.Chaos and Brutality
5.El Rostro de la Muerte (The Face of Death)
6.Blind Faith
7.Horrified
8.Battle of the North
9.The Laws of Temptation
10.Death Militia
11.Broken Neck
12.Violent Assault
13.Cuando Cae la Obscuridad (When Darkness Falls)
14.Satan´s Fall


Morre Solomon Burke

segunda-feira, outubro 11, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

O soul está de luto. O artista conhecido como The King of Rock ‘N Soul ou Big Soul faleceu neste domingo, informou uma fonte do aeroporto de Amsterdã-Schiphol, onde o avião que o trazia de Los Angeles aterrissou de manhã. O cantor americano Solomon Burke é um dos ídolos de Nick Hornby, autor do livro Alta Fidelidade, que também rendeu um bom filme. Não bastasse o estrelato na ficção, Burke ainda era um dos últimos grandes nomes atuantes da era de ouro do soul.

Sobre sua morte, suspeita-se que ele tenha tido um ataque cardíaco ainda dentro da aeronave. Solomon Burke estava em uma tour pela Europa, e por isso tinha viajado à Holanda para participar de um show, que aconteceria na próxima terça terça-feira.

Nascido em 21 de março de 1940 na Filadélfia (EUA), assim como vários cantores de soul, começou sua carreira no meio gospel. Foi pregador (trabalhando ao lado de Martin Luther King), e em pouco tempo passou a catequizar seu público em uma rádio gospel. Ao assinar com a Atlantic Records no ínicio dos anos 1960 - gravadora especializada em r&B, rock’n roll e jazz - Burke deu o pontapé inícial à sua carreira.

Além de fazer seus próprios álbuns, tornou-se um compositor requisitado - de Otis Reding aos Rolling Stones, muitos artistas revisitaram seus temas. Um dos maiores sucessos de Burke foi "Everybody Needs Somebody to Love", tema que ficou mundialmente conhecido através do filme Os Irmãos Caras-de-Pau (The Blues Brothers, 1980) de John Landis.

Seu maior mérito artístico foi ter sido o cara que introduziu gospel no gênero, ou seja, foi um dos responsáveis pela união promíscua entre a música negra religiosa e a sexualidade do soul.

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE