Ghost: review do álbum 'Opus Eponymous' (2010)!



Por Marcelo Vieira


Nota: 9


Por indicação de um amigo, conferi o som deste grupo que está dando o que falar lá fora. O segredo do sucesso do Ghost talvez seja a união do mistério a respeito da identidade de seus integrantes (conhecidos apenas como Nameless Ghouls) e seu satanismo de butique, na escola de bandas como Venom e Slayer. O aspecto teatral de suas apresentações (todos os integrantes encapuzados como almas penadas e o vocalista Papa Emeritus trajando uma roupa similar à casula de Bento XVI) tem sido alvo de elogios da crítica especializada. Enfim, os suecos estão aos poucos conquistando seu espaço entre as novidades mais quentes dos últimos tempos no rock. Opus Eponymous, disco de estreia do Ghost, foi lançado em outubro de 2010, mas diante da quantidade de lançamentos de nomes já consagrados no ano passado acabou passando despercebido aqui no Ocidente, e só agora chegou ao conhecimento dos headbangers de plantão.


A instrumental “Deus Culpa”, tocada num órgão de igreja, serve para aclimatar o ouvinte, tal como a antífona de entrada numa missa. Mas o baixão distorcido da introdução de “Con Clavi Con Dio” mostra que a coisa não é nada cristã. Quando Papa Emeritus começa a cantar, então fica evidente que o sexteto está a serviço do coisa-ruim. As principais marcas do som do Ghost já dão as caras por aqui: guitarras com afinação baixa, muito reverb nos solos, baixo com drive a la Lemmy Kilmister (talvez para compensar uma bateria às vezes pouco inspirada) e um vocalista que parece ter se embriagado na fonte de Eric Bloom do Blue Öyster Cult. Os backing vocals são puxados para o canto gregoriano (como se o coral da igreja estivesse possuído) e o típico órgão volta e meia reaparece no papel de teclado de ambiência.


Destaque à parte, as letras são ginasianas, tipo de coisa que aluno rebelde escreve no quadro-negro para matar do coração a professora de religião antes da aula. Não dá pra levar a sério - por isso mesmo, a diversão é garantida. Mas voltando ao disco, “Ritual” conta com um refrão que promete empolgar ao vivo. Primeiro sucesso do sexteto, “Elizabeth” foi lançada como single aperitivo antes de Opus Eponymous chegar às lojas, e é outra faixa que resume bem a proposta dos 'ghouls'. A frase “Devil's power is the greatest one” abre “Stand by Him” (onde o “Him” eu nem preciso dizer quem é, certo?). “Satan Prayer” foi o primeiro som que ouvi e até hoje é o meu predileto. Assim como as demais, tem um quê de humor subversivo, ideal para pregar peças nos amiguinhos crentes.


A reta final traz a trinca “Death Knell”, “Prime Mover” e a instrumental “Genesis”, que, pelo nome, talvez indique que o êxodo está por vir no próximo lançamento, que eu, sinceramente, espero que venha logo. E, como sonhar não custa nada, uma vinda da banda ao Brasil seria a perfeição. Apenas alguns anos depois do surgimento do Lordi, a Escandinávia mostra novamente ao mundo, com o Ghost, que teatro e rock and roll têm tudo a ver. A benção, Papa Emeritus!





Faixas:
1. Deus Culpa
2. Con Clavi Con Dio
3. Ritual
4. Elizabeth
5. Stand by Him
6. Satan Prayer
7. Death Knell
8. Prime Mover
9. Genesis

Comentários

  1. Fui ouvir o som desse pessoal por que eles abriram a turnê recente do Paradise Lost (Comemorativa do Draconian Times), e fiquei realmente impressionado!

    Não sei se é uma comparação das mais corretas, mas me sou como se fosse um mix de Black Sabbath, com Pink Floyd e letras de bandas de Black Metal XD

    Gostei muito :D

    Será que vai sair aqui no Brasil?

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  2. Não é ruim, mas pelo menos essa música me lembrou algo de King Diamond em marcha lenta, sem a agressividade metal e os vocais agudos!

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  3. Eu já tava estranhando ninguém ter falado nada dessa banda por aqui. Já ouvi e encomendei meu cd. Achei ótimo, me lembrou algo entre Black Sabbath e Blue Oyster Cult. Sério candidato a melhor disco de metal de 2011.

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  4. Alguma coisa entre King Diamond Sabbath, Demon, Blue Oyster Cult.....até que é legal

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  5. ESPETACULAR!!! Ghost é Fantástico! Excelentes composições e grandes influências.

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  6. Ricardo, o lançamento pela Metal Blade foi em 18 de Janeiro de 2011.

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  7. Saiu na Europa em outubro de 2010, e no mercado norte-americano em janeiro de 2011, por isso a confusão.

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  8. A comparação com BOC faz todo o sentido
    Muito boa a banda

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  9. Porra, ouvi o disco inteiro e é muito bom mesmo. Como o Ricardo Seelig diz no blog, tem algo pop por algumas batidas eletrônicas, mas é bom cara. E vou dizer, esse vocal pode ser do King Diamond sim. Fica a pergunta no ar, será que é o King Diamond em uma nova faceta? Do Bispo do Inferno?

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  10. Sou suspeito: pirei com esse disco desde a primeira vez que ouvi.

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  11. Por enquanto ouvi apenas "Ritual" e fiquei bastante surpreso, gostei e muito. É nítida a influência de Mercyful Fate, mas a pegada setentista essencialmente rock 'n' roll empresta uma identidade muito bacana à banda. E o satanismo inocente está muito bem postado, de um jeito divertido, que certamente não foi colocado de maneira a ser levado a sério. Logo irei atrás de material desse grupo.

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  12. Já que estamos no tema, gostaria de sugerir ao nosso editor que fizesse uma matéria (ou uma futura resenha) com o Fantástico The Devil's Blood, banda holandesa formada em 2006. O primeiro EP, 'Come, Reap', de 2008 e o primeiro álbum, 'The Time of No Time Evermore', de 2009, são duas verdadeiras maravilhas. O segundo álbum está previsto para os próximos meses.

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  13. Ricardo, fui pesquisar o The Devil's Blood e achei maravilhoso. Muito obrigado pela dica.

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  14. Legal, Cristiano! The Devil's Blood é espetacular. Existem muitas bandas obscuras na atual cena Hard/Doom que são inacreditáveis. Outra banda que eu recomendo é o Orchid. O EP 'Through The Devil's Doorway', lançado em 2009, é incrível! O recém-lançado primeiro álbum, 'Capricorn', também é sensacional.
    E quem não ouviu ainda, tem que conhecer o 'Blood Ceremony', banda Doom de Toronto - eles pertencem ao cast da fantástica Rise Above, mesma gravadora do Ghost. Nem tenho palavras para descrever o Blood Ceremony - é muito, muito bom. Os dois álbuns são fundamentais.

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  15. O Orchid eu já conhecia. As outras bandas eu achei mais comuns.
    Mas foram boas as dicas. Agora, o The Devil's Blood é foda. Vou até comprar.
    Valeu.

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  16. Quem foi que fez a resenha sobre Ghost? Eu acho tão engraçado como alguém que não entende absolutamente nada sobre Satanismo diz que ali é apenas um "Satanismo de butique" e que as letras são infantis.Você não conseguiu compreender as letras e por isso fez um comentário tão infeliz quanto este.Aprenda algo na vida,só fale do que você conhece para não passar vergonha depois. 11

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  17. Como está apontado no texto, a resenha é do Marcelo Vieira. E você que comentou anônimo, poderia dizer quem é, só por curiosidade?

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