Carro Bomba: resenha do álbum 'Carcaça' (2011)



Por Ricardo Seelig

Nota: 9,5

Ricardo Batalha, o mais importante jornalista de hard rock e heavy metal do país, classificou o Carro Bomba como “a melhor banda de heavy metal cantado em língua portuguesa”. Esse comentário, naturalmente, faz com que qualquer pessoa que vá ouvir o novo álbum do quarteto paulista encare o disco com grande expectativa. E quer saber? Ela é plenamente alcançada!

Em seu quarto disco, o Carro Bomba alcançou um nível de qualidade que o coloca, com justiça, no topo do heavy metal brasileiro. Composições inspiradas e muito bem construídas, todas amparadas por riffs pesadíssimos, garantem a satisfação do mais exigente fã. O timbre extremamente pesado e grave dos instrumentos salta aos ouvidos, e é um dos principais diferenciais de Carcaça. Para alguém que cresceu ouvindo Black Sabbath – principalmente da fase Dio – como eu, o ato de não se empolgar com o que sai dos alto-falantes é impossível.

Entrosadíssima e extremamente fiel aos seus princípios, a banda gravou em Carcaça o seu melhor disco. Não há nada negativo no álbum – tudo bem, a voz de Rogério Fernandes pode dividir opiniões, mas casa perfeitamente com a proposta do grupo -, uma avalanche sucessiva de canções empolgantes que pegam o ouvinte de jeito e o fazem bater cabeça compulsivamente.

Faixas mais cadenciadas como “Combustível” e “Mondo Plástico” tornam evidente a influência de Tony Iommi e companhia, enquanto composições como “Bala Perdida” e “Queimando a Largada” são heavy metal puro da melhor estirpe. A veia blues dos caras surge forte em “Blueshit”, uma das melhores faixas do álbum e um convite explícito ao 'banging'. Vale uma menção especial às letras, inteligentes e sempre explorando temas urbanos e comuns nas grandes cidades, saindo totalmente do lugar comum.

Ao final da audição de Carcaça chega-se a uma conclusão pura e simples: se esse disco tivesse sido gravado por uma banda gringa a repercussão em nosso mercado seria muito maior do que está sendo. E mais: Carcaça tem qualidade de sobre para cair no gosto de qualquer fã de metal em qualquer parte do mundo, e receber críticas positivas em qualquer publicação do planeta.

Vou concordar com Ricardo Batalha, o Eddie Trunk brasileiro, e assinar embaixo, mas com um adendo: o Carro Bomba não é apenas a melhor banda de heavy metal cantado em português do Brasil. O quarteto formado por Rogério Fernandes (vocal), Marcello Schevano (guitarra), Fabrizio Micheloni (baixo) e Heitor Shewchenko (bateria) é responsável, hoje, pelo melhor metal produzido em nosso país, sem sombra de dúvida.

Nasceu um novo clássico, e seu nome é Carcaça!


Faixas:
  1. Bala Perdida
  2. Queimanda a Largada
  3. Carcaça
  4. Combustível
  5. O Medo Cala a Cidade
  6. Mondo Plástico
  7. Blueshit
  8. Corpo Fechado
  9. O Foda-se III
  10. Tortura (Pau Mandado)

Comentários

  1. Concordo com o Batalha,,, ótima banda nacional, boas letras., peso animal, e ótimos músicos,,,,long live Carro Bomba.
    Tibet

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  2. gosto muito do carro bomba..

    ainda não ouvi este cd, mas ouvi umas musicas dele no show q eles fizeram no centro cultural vergueiro e gostei bastante..

    só fiquei surpreso com seu comentario sobre o vocalista..

    existe quem não goste da voz incrivel do gente fina??

    pra mim ele é um dos melhores vocalistas brasileiros, se não o melhor..

    o cara é foda..

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  3. Oi, Ricardo. posso copiar a resenha e postar lá no 1001br.blogspot.com?

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  4. Sim, pode, é só citar a fonte que não tem problema.

    Abraço.

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  5. O Bomba é um Metal estilo antigo da mais alta categoria e pelo nivel das letras é atual e moderno. Deu uma sonzeira jamais vista, ou melhor, ouvida em português. Pode comprar sem hesitar. E quanto ao comentario sobre o vocalista eu também não entendi. Como assim?? Alguém falou que ele não é bom?? ELE É OTIMO.. ELE É O SHOW...

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