7 de jan de 2011

The Decemberists - The King is Dead (2011)

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Por Ricardo Seelig

Cotação: ****1/2

Nasceu o primeiro grande disco de 2011! The King is Dead é o sexto álbum do quinteto norte-americano The Decemberists, formado em 2001 em Portland. O grupo é formado por Colin Meloy (vocal, guitarra e harmônica), Chris Funk (guitarra e diversos outros instrumentos), Jenny Conlee (acordeão, piano, teclado, Hammond e sintetizadores), Nate Query (baixo) e John Moen (bateria).

O título do disco é uma homenagem à banda britânica The Smiths, que lançou The Queen is Dead em 1986. Colin Meloy, líder e principal compositor do Decemberists, é um grande fã de Morrissey, Johnny Marr e companhia.

Produzido por Tucker Martine (R.E.M., Mudhoney, My Morning Jacket, Bill Frisell e inúmeros outros), The King is Dead conta com as partipações especiais do guitarrista do R.E.M., Peter Buck, em três faixas - “Don´t Carry It All”, “Calamity Song” e “Down by the Water” - e da cantora Gillan Welch – também em “Down by the Water”.



O clima predominante é bem agreste, rústico, bucólico, transportando o ouvinte para o meio do campo, rodeado pelo vento. Ouvindo as dez faixas do álbum, as principais referências que vêm à mente são Neil Young, Bruce Springsteen e R.E.M., com algumas pitadas de Bob Dylan de vez em quando. Predominantemente acústico, o álbum apresenta um cuidado com a elaboração das melodias, que, somadas aos arranjos descomplicados, resultam em músicas muito agradáveis aos ouvidos.

Outra característica marcante é o uso frequente de instrumentos típicos do folk rock, como gaita de boca, violino, sanfona e violão de doze cordas, ao lado da formatação básica vocal-violão-guitarra-baixo-bateria. Isso faz com que as faixas sejam muito ricas em sua parte instrumental, criando paisagens sonoras marcantes.

O disco todo é muito bom. A excelente “Don´t Carry It All” abre os trabalhos de maneira sublime, com ótimas linhas vocais e um grande refrão. A cativante “Calamity Song” faz com que você se sinta pegando uma auto-estrada com o vento no rosto. “Rise to Me” é de uma beleza simples e tocante.

No início de “Rox in the Box”, por um breve instante somos levados a pensar que estamos ouvindo “Lady in Black”, do Uriah Heep, mas logo o engano se desfaz revelando uma composição não menos que fantástica, com grandes melodias.



A espetacular “Down by the Water” é outra que faz qualquer mente cansada voltar a acreditar na música. Com participação de Peter Buck e Gillan Welch e liberada para audição pela banda antes do lançamento do disco, entraria fácil – e seria destaque – em álbuns como o excelente Green, lançado pelo R.E.M. em 1988.

Já “All Arise!” faz com que paremos por alguns segundos para checar se não nos enganamos e colocamos para rodar algum disco antigo dos Byrds. “This is Why We Fight” é outro grande momento, uma faixa um pouco mais agitada que as demais, com uma pegada mais rock e, outra vez, com um excelente refrão. O álbum fecha com a campestre “Dear Avery”, onde a influência country do grupo fica evidente.

The King is Dead é um excelente álbum, dono de uma beleza graciosa e de uma musicalidade belíssima. Com ele, o The Decemberists deve galgar mais alguns postos na hierarquia do rock, chegando perto do topo.

Faça um favor a si mesmo e ouça!


Faixas:
1 Don't Carry It All
2 Calamity Song
3 Rise to Me
4 Rox in the Box
5 January Hymn
6 Down by the Water
7 All Arise!
8 June Hymn
9 This Is Why We Fight
10 Dear Avery

É dos Beatles o vinil mais vendido de 2010!

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Por Ricardo Seelig

A Billboard divulgou a lista com os dez LPs mais vendidos em todo o mundo em 2010. O formato teve o maior crescimento percentual entre as mídias utilizadas para promover a música, com um acréscimo de 14% no total de vendas em relação à 2009 - só para vocês terem uma ideia, as vendas gerais de discos em 2010 caíram 13% comparadas às de 2009.

No total, foram vendidos 2,8 milhões de discos de vinil em todo o mundo no ano passado, o que mostra a solidificação de uma tendência: quem ainda compra álbuns originais hoje em dia, uma parcela de público formada predominantemente por colecionadores, quer um produto diferenciado, e as luxuosas edições em vinil, tanto de álbuns clássicos quanto de novos lançamentos, caíram no gosto da galera. Esse é o novo recorde de vendas de LPs desde 1991, quando os bolaçhões foram dados como extintos com a popularização dos CDs.


A lista dos dez mais mostra um equilíbrio entre álbuns clássicos e bandas que se destacaram em 2010. Destaque para os Beatles e para o Arcade Fire, nas duas primeiras posições.

Veja abaixo a lista com os dez LPs mais vendidos de 2010:

1. Beatles - Abbey Road
2. Arcade Fire - The Suburbs
3. Black Keys - Brothers
4. Vampire Weekend - Contra
5. Michael Jackson - Thriller
6. The National - High Violet
7. Beach House - Teen Dream
8. Jimi Hendrix - Valleys of Neptune
9. Pink Floyd - Dark Side of the Moon
10. The XX - XX

Rigotto's Room: a Nova York de Lou Reed!

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Por Maurício Rigotto

Em uma reflexão nostálgica e estritamente pessoal, constatei que 1989 foi um ano marcante para mim, para o mundo e também para o rock.

1989 foi o ano em que completei dezoito anos e atingi a minha maioridade. Pude fazer minha carteira de habilitação e meu título de eleitor. Abri conta-corrente em banco, arranjei meu primeiro emprego e votei pela primeira vez, justamente na eleição que devolveu aos brasileiros o direito de escolher seu Presidente da República. Votei em Leonel Brizola no primeiro turno e no sindicalista Lula no segundo. Não adiantou, a maioria escolheu o Collor e deu no que deu. Foi o ano em que assisti a um show de Raul Seixas e dois meses depois me comovi com sua morte.

Em termos globais, a queda do muro da vergonha de Berlin vislumbrava uma nova ordem mundial, injetando na juventude a qual eu estava inserido uma utópica esperança de que dias melhores estavam por vir. Não que eu estivesse seriamente preocupado. Como qualquer garoto de dezoito anos saudável, eu estava mais focado em escapar do serviço militar obrigatório, fazer barbaridades com os novos brinquedos – automóvel e motocicleta – e cair na noite para xavecar as mulheres, devido ao alto índice de testosterona inerente à idade.


Porém o que eu mais gostava era comprar discos de rock – como tem coisas que não mudam nunca! – e a essa altura eu já possuía uma quantidade invejável para os padrões da época. Estava fascinado pelo rock dos anos sessenta e setenta e não conseguia simpatizar com o rock tecnopop que dominou a década de oitenta e que tocava direto nas boates e bares noturnos. Até mesmo os artistas que eu admirava, a elite do rock, durante os anos oitenta gravaram discos pouco inspirados e com aqueles horríveis teclados sintetizados e baterias eletrônicas, dando a entender que àquela altura já estavam em franca decadência, tentando se inserir na nova onda para não perder o bonde.

Eis que em 1989 se dá à renascença. As locomotivas e os vagões são novamente colocados sobre os trilhos certos e o renascimento se concretiza. Paul McCartney lança Flowers in the Dirt, um grande álbum depois de vários apenas razoáveis. Bob Dylan, já desacreditado por seus seguidos discos mornos, volta a velha forma com Oh Mercy. Eric Clapton lança Journeyman, que não tem nada de genial, mas comparado aos lamentáveis anteriores Behind the Sun e August é quase uma obra-prima. Até os Rolling Stones, que estivaram muito próximos de um final de carreira melancólico, acertaram os ponteiros com Steel Wheels.

Esses foram apenas alguns exemplos de artistas que erraram a mão nos anos oitenta, renasceram em 1989 e seguem até hoje com carreiras brilhantes. Paralelamente, bandas recentes como os Pixies também lançavam sua obra-prima em 1989 – no caso, o álbum Doolittle.


Mas talvez o grande disco de 1989 seja New York, do bardo do Brooklin e ex-Velvet Underground Lou Reed. Não que seja mais um “renascimento”, mas desde 1973 Lou Reed não lançava um disco tão marcante.

Após liderar nos anos sessenta o essencial Velvet Underground, Reed lançou seu primeiro disco solo em 1971, que passou tão despercebido quanto a sua ex-banda. Porém, seus próximos álbuns, Transformer (1972) e Berlin (1973), o consagraram como um dos mais consistentes e significativos artistas do rock’n’roll. Sua poesia refinada chocava com temas do submundo, como drogas, gangues de rua, violência, conflitos raciais, travestis e tudo que perambulava pelo lado escuro e selvagem – com canções como "Vicious" e "Walk on the Wild Side". Depois de Berlin Reed lançou muitos álbuns, creio que mais de vinte – não vou me dar ao trabalho de contar – todos muito íntegros, mas até 1989 nenhum deles alcançava o status de genial como Transformer e Berlin.


Em 1987, a morte do papa da pop art, Andy Warhol, que havia sido o padrinho do Velvet Underground, abalou Lou Reed. No funeral, Reed encontrou-se com John Cale, seu parceiro no Velvet, com quem não falava desde 1968, e ambos decidiram retomar a amizade e compor um disco em homenagem a Warhol.

Logo após comporem e gravarem sozinhos o álbum Songs for Drella, Lou Reed compõe a sua ode a Nova York no formato básico mas insuperável – em suas próprias palavras – de duas guitarras, baixo e bateria. Na contracapa, Reed escreve que “esse álbum deve ser ouvido na ordem correta das músicas, devendo ser apreciado em seus 58 minutos (14 músicas!) sentado como se estivesse lendo um livro ou vendo um filme.” De fato, é uma obra una, coesa, e atrai mesmo o ouvinte a prestar atenção em suas letras ferinas, que transformam críticas do cotidiano em inspirada poesia.


"Romeu Had Juliete" abre o disco e logo se percebe que Reed não está falando dos protagonistas da tragédia de Shakespeare, mas de Romeo Rodriguez e Juliete Bell, traficantes latino-americanos e suas desventuras pelo submundo da cidade.

"Halloween Parade" fala sobre a Aids e mistura seres do underground como Christopher Street, Johnny Rio e Rotten Rita com os astros de cinema Cary Grant, Greta Garbo e o diretor Alfred Hitchcock. "Dirty Blvd" fala da saga de Pedro, outro imigrante, nos bairros sujos e violentos.

Ao longo do disco, problemas urbanos contemporâneos são abordados de forma irônica e perturbadora, como a violência das gangues, agressões domésticas, pedófilos e suas crianças abusadas, racismo e Aids, que ainda era um assunto relativamente novo e impregnado dos mais cruéis preconceitos.

"Endress Cycle" cita drogas injetáveis circulando por suas veias. "There is No Time" diz que não há tempo para celebração, não há tempo para otimismo, que não há tempo para mais nada. "Last Great American Whale" traz a baterista do Velvet Underground, Moe Tucker, como convidada; e "Begining of a Great Adventure" fala sobre uma lista de nomes que daria a um filho se o tivesse.


O lado dois já inicia com outra perturbadora provocação. "Busload of Faith" contesta a fé dizendo que você não depende de sua família, seus amigos, políticos, inteligência.

O observador do cotidiano nova-iorquino segue sua temática pesada em "Sick of You", "Hold On" e "Good Evening Mr. Waldheim", onde brigas raciais, mafiosos, assassinos de rua, Mike Tyson e Jesse Jackson aparecem nas sangrentas narrativas.

Tipos mal-encarados do submundo ouvem Jimi Hendrix na jukebox na debochada "Xmas in February". Mais desolação surge em "Strawman" e o disco se encerra com "Dime Store Mystery", uma homenagem a Andy Wahrol novamente com Moe Tucker nas baquetas e tambores.

Não há protagonistas, mas as canções mantém uma unidade como fragmentos de uma antologia de contos, ou partes de um romance. A temática soa como uma novela que retrata o que há de pior em uma cidade no final de uma década; e mesmo assim é um lindo manifesto impregnado de lirismo poético em que um bardo expressa suas ácidas constatações usando o rock como veículo. Ao expor a sua visão dos agudos problemas citadinos, Lou Reed se expõe como um dos mais contundentes poetas do rock, um letrista que talvez só fique atrás de Bob Dylan na hierarquia do gênero.

New York acabou sendo lançado antes de Songs for Drella, o disco em parceria com John Cale, e depois dele, quando pensamos em alguém que seja a própria personificação de Nova York, lembramos que Woody Allen não está sozinho, Lou Reed também é a encarnação de New York City.

Realmente, 1989 foi bastante significativo.

6 de jan de 2011

São Paulo Ska Jazz - São Paulo Ska Jazz (2010)

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Por Ricardo Seelig

Cotação: ***1/2

Fazer música instrumental no Brasil não é para qualquer um. Aventurar-se pelo jazz então, para menos ainda. E fazer isso com qualidade, criando um trabalho autoral e com personalidade, daí é para bem poucos. Um desses eleitos é o São Paulo Ska Jazz.

Formada em 2007 pelo baixista Marcelo Calderazzo, o São Paulo Ska Jazz faz exatamente o que o seu nome atesta: une a improvisação e a liberdade do jazz ao balanço e ao ritmo do ska. E o resultado é delicioso!

Ao lado de Marcelo estão músicos tarimbados e respeitados, com experiência nos mais variados gêneros musicais – Ramon Montagner na bateria, Sidney Ferraz nos teclados, Renato Guizelini na guitarra, Manu Falleiros no sax alto e tenor, Marcelo Pereira no sax barítono, André Gomes no trombone e Natan Oliveira no trompete.

A estreia dos caras, que leva o nome da banda, é quase totalmente autoral, exceção feita à releitura da clássica “Samba de Uma Nota Só”, de Tom Jobim. As doze faixas do disco não se limitam somente ao jazz e ao ska. É possível perceber também elementos de soul, salsa, reggae, bossa nova, frevo e baião, formando uma sonoridade rica e abrangente,.

Entre as faixas, destaque imediato para o groove contagiante de “Alta Frequência”, para o frevo de “Sombrinha” - que faria bonito nas ruas de Olinda e Recife no Carnaval -, para a alquimia entre o jazz e o reggae na relaxante “Fim de Semana”, para a malícia de “Rua Augusta” e para a ousadia de virar de pernas para o ar um dos maiores clássicos da música brasileira, a já citada “Samba de Uma Nota Só”.

Um disco bastante agradável, dono de uma qualidade que deve ser compartilhada por - e entre - todos que curtem música feita com bom gosto e, acima de tudo, liberdade.

Para ouvir o disco, na íntegra, é só acessar o site da banda.


Faixas:
1. São Paulo - 3:44
2. 220 - 2:45
3. Alta Frequência - 3:14
4. Sombrinha - 2:55
5. Fim de Semana - 4:19
6. Estação da Luz - 1:49
7. Periferia - 3:21
8. Em Algum Lugar da América - 4:02
9. Samba de Uma Nota Só - 3:08
10. Skaião - 4:04
11. Rua Augusta - 4:40
12. A Torre - 4:59

Duffy - Endlessly (2010)

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Por Ricardo Seelig

Cotação: ***

Duffy surgiu em 2008 como uma surpresa. Seu primeiro disco, Rockferry, lançado em março daquele ano, vendeu mais de 6 milhões de cópias e conquistou o mundo com um pop soul cheio de balanço e um bem-vindo tempero vintage em sua sonoridade.

O álbum rendeu cinco singles - “Rockferry”, “Mercy”, “Warwick Avenue”, “Stepping Stone” e “Rain on Your Parade” -, ficou entre os cinco mais vendidos do mundo em 2008 e teve uma de suas faixas, “Mercy”, tocada à exaustão em todos os cantos do planeta. Além disso, deu também um Grammy para a bela cantora.

Passados pouco mais de dois anos, em 29 de novembro último chegou às lojas o novo álbum de Duffy, Endlessly. De cara, o que chama a atenção é a sonoridade totalmente diferente. No lugar do elegante soul com cara dos anos 1960, as dez faixas de Endlessly bebem sem medo no pop dos anos 1980.

Após o breve desapontamento inicial e a estranheza natural por ouvir algo inesperado, somos levados por faixas que se alternam entre momentos inspirados e outros nem tanto. A abertura, com a agradável e ensolarada “My Boy”, começa os trabalhos com o pé direito. A bela balada “Too Hurt to Dance”, com orquestrações muito bem encaixadas, nos leva de volta aos anos cinquenta e conta com uma excelente interpretação de Duffy. “Keeping My Baby” é uma espécie de “Papa Don´t Preach” do novo milênio, com Duffy se arriscando sem medo pela familiar sonoridade de Madonna.

Mas o caldo entorna violentamente em “Well, Well, Well”, primeiro single de Endlessly, e que conta com a participação do The Roots na parte instrumental. Com um refrão grudento ao extremo, que fica ainda mais evidente devido ao peculiar timbre de voz de Duffy - agudíssimo, e em que alguns momentos soa como uma criança cantando -, “Well, Well, Well” é séria candidata à música mais irritante do ano. Para piorar, deve tocar incessantemente nas rádios. Confira no clipe abaixo e tire as suas próprias conclusões.



O trem volta aos trilhos na bonita “Don´t Forsake Me”, baladaça onde a cantora não se arrisca, transitando com absoluta segurança pelo caminho que a consagrou em seu primeiro disco – o neo soul com pitadas vintage. Destaque, mais uma vez, para as excelentes orquestrações.

Mas, quando somos levados a pensar que já ouvimos tudo, surge com a faixa-título do trabalho. “Endlessly” traz Duffy manhosa em uma composição com arranjo minimalista, com instrumentos muito bem encaixados, resultando, provavelmente, na melhor faixa do disco.

Já “Breath Away” é mais do mesmo, uma composição feita sob medida para emplacar nas paradas e com um refrão repetitivo e chatinho. Se der sorte, aqui no Brasil pega no máximo uma trilha de novela global, e olha lá.

As três últimas faixas - “Lovestruck”, “Girl”, e “Hard for the Heart” - passam a sensação de existirem apenas para preencher espaço, já que não agregam nada ao álbum, pelo contrário, puxam a sua qualidade para baixo.

Infelizmente, não há comparação entre o excelente Rockferry e o apenas mediano Endlessly. Ainda que o tenha bons momentos – e eles são evidentes em faixas como “My Boy”, “Too Hurt to Dance”, “Keeping My Baby” e “Don´t Forsake Me”, isso sem falar na ótima faixa título -, Endlessly deixa uma sensação de decepção no ar. Seja pela expectativa causada pelo primeiro disco, seja pela mudança de sonoridade apresentada, em seu segundo disco Duffy não apresenta o brilho que a destacou em sua estreia, e ainda que esteja longe de cair no lugar comum que infesta o pop, fica evidente que o sinal amarelo acendeu.

Fica para a próxima.


Faixas:
1 My Boy
2 Too Hurt to Dance
3 Keeping My Baby
4 Well, Well, Well
5 Don't Forsake Me
6 Endlessly
7 Breath Away
8 Lovestruck
9 Girl
10 Hard for the Heart

Marianne Faithfull: novo álbum em março e faixa inédita para download!

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Por Ricardo Seelig

Marianne Faithfull, a bela garota que traçou quase todos os Rolling Stones nos anos 1960, lançará novo álbum em março. Intitulado Horses and High Feels, o disco chega às lojas dia 7 de março e é o sucessor de Easy Come Easy Go, de 2008.

Horses and High Feels foi gravado em Nova Orleans, berço da música negra norte-americana. George Porter Jr, baixista do The Meters, liderou a banda de músicos locais que registrou as músicas do play. O disco tem doze músicas, sendo oito covers e quatro canções originais - ainda não temos informações sobre o tracklist completo. Lou Reed, Wayne Kramer e Dr John participam do álbum.


Hibria: banda revela capa de novo álbum e libera nova música!

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Por Ricardo Seelig

Essa é capa de Blind Ride, novo álbum do Hibria. Criada pelo disputadíssimo Gustavo Sazes, que já desenvolveu trabalhos para grupos como Arch Enemy, Firewind, God Forbid e inúmeros outros, o disco foi mixado e masterizado no Machine Shop Studios e marca a estreia do novo baixista da banda, Benhur Lima.

Terceiro álbum do grupo, Blind Ride chega às lojas japonesas no próximo dia 26 de janeiro e sucede The Skull Collectors, lançado em 2008. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.


5 de jan de 2011

The Rods: novo álbum terá uma das últimas músicas gravadas por Dio!

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Por Ricardo Seelig

Sai dia 15 de março Vengeance, sétimo álbum do The Rods. O grupo foi um dos principais nomes do heavy metal norte-americano na primeira metade da década de 1980, e é liderado pelo guitarrista e vocalista David Rock Feinstein, primo de Ronnie James Dio e parceiro do falecido cantor no Elf.

Vengeance é o primeiro álbum do The Rods desde Heavier Than Thou, de 1987.

O disco trará um atrativo especial para os fãs de Ronnie James Dio. A faixa "The Code", primeiro single do álbum, conta com os vocais de Dio e foi uma das últimas faixas gravadas pelo cultuado vocalista.

Resumindo, um prato cheio para os colecionadores!

Rei Lagarto: discografia para download gratuito no site oficial!

quarta-feira, janeiro 05, 2011

(press release)

O Rei Lagarto disponibilizou todos os seus álbuns - menos o último, Oceans - para download gratuito!

Para baixar todos os CDs da banda em mp3 de alta qualidade é só entrar no site www.reilagarto.com e acessar a página de downloads, ou as páginas de cada álbum na seção MP3 e discografia.

Robbie Robertson: novo álbum solo em abril!

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Por Ricardo Seelig

O lendário Robbie Robertson, guitarrista e vocalista da The Band, anunciou que lançará um novo álbum solo em abril!

O disco se chamará How to Become Clairvoyant e terá participações especiais de Eric Clapton, Steve Winwood, Tom Morello e Trent Reznor.

Esse será o primeiro disco solo de Robertson em mais de dez anos, desde Contact From the Underworld of Redboy, de 1998.

Death: último álbum do grupo será relançado em fevereiro carregado de faixas bônus!

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Por Ricardo Seelig

Atenção fãs do Death: chega às lojas dia 15 de fevereiro uma versão turbinadíssima de The Sound of Perseverance, último disco do grupo liderado pelo falecido vocalista e guitarrista Chuck Schuldiner.

A Relapse Records colocará no mercado uma versão remasterizada do álbum, lançado originalmente em 1998, que virá acompanhada de um segundo CD com material demo nunca lançado anteriormente. Será disponibilizada também uma versão deluxe com um terceiro disco com material bônus, mas ainda não há informação do que haverá nele.

A capa original do disco, e lá em cima a nova arte, ligeiramente diferente

O relançamento também trará textos de Travis Smith, autor da arte da capa do álbum, liner notes de Shannon Hamm, guitarrista que gravou o disco, e diversas fotos inéditas do período.

Além disso, a capa dessa nova edição de The Sound of Perseverance será ligeiramente diferente da original. Para sacar as diferenças, a nova capa é a primeira que aparece nesse post, e a original é a que vem a seguir.

Avantasia: veja a capa do DVD ao vivo que sairá esse ano!

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Por Ricardo Seelig

O Avantasia revelou a capa do DVD ao vivo que a banda irá lançar em 2011.

O vídeo se chamará The Flying Opera - Around the World in 20 Days e será duplo. O primeiro disco trará duas horas do grupo tocando ao vivo, gravados durante os shows do projeto de Tobias Sammet nos festivais Wacken Open Air e Masters of Rock de 2008, enquanto o segundo disquinho terá um documentário intitulado Around the World in 20 Days, além de material bônus.

The Flying Opera sairá também em CD duplo ao vivo e em um box limitado reunindo o CD e o DVD.

A banda e sua gravadora, a Nuclear Blast, ainda não informaram a data de lançamento nem o tracklist, mas, desde já, confesso que fiquei com água na boca! E vocês?

4 de jan de 2011

Stratovarius - Elysium (2011)

terça-feira, janeiro 04, 2011

Por João Renato Alves

Cotação: **1/2

Em seu décimo-terceiro álbum de estúdio, o Stratovarius dá aos fãs exatamente o que eles querem. Ou seja, mais do mesmo.

A competência está ali, afinal de contas, tratam-se de músicos acima de qualquer suspeita. Da mesma forma, não dá para negar que melodias como a do single “Darkest Hours” são muito bem desenvolvidas. O problema é que, de modo geral, nem elas se diferem mais. Cada levada, cadência, mudança de ritmo, tudo remete ao que já foi feito anteriormente. O fato de o principal compositor da história da banda, Timo Tolkki, não estar mais presente, apenas depõe contra os remanescentes. Afinal de contas, parece que estão apenas preocupados em seguir os passos do antigo líder, sem mostrar uma identidade própria.

Além da já citada “Darkest Hours”, alguns bons momentos na curta e direta “The Game Never Ends” e o speed tradicional de “Event Horizon”, que ainda consegue divertir um pouco.

Obviamente, quem é adepto incondicional vai adorar, colocar no topo da lista de melhores do ano. Com certeza vai escutar algo diferente, embora seja a mesma coisa de novo, de novo e de novo. Mas é compreensível, fã não precisa pensar diferente mesmo.

Como um todo, Elysium é muito bem feito, desde a produção até a execução – nem dava pra esperar outra coisa. Mas não acrescenta nada à carreira de uma das grandes referências do metal melódico em sua história. E escutar os dezoito minutos da faixa-título sem ser um fanático é tarefa heróica.

Tolkki deveria surtar, pedir o nome e tocar o terror novamente.


Faixas:
1 Darkest Hours 4:11
2 Under Flaming Skies 3:52
3 Infernal Maze 5:33
4 Fairness Justified 4:21
5 The Game Never Ends 3:54
6 Lifetime in a Moment 6:39
7 Move the Mountain 5:34
8 Event Horizon 4:24
9 Elysium 18:07

Janelle Monáe - The ArchAndroid (2010)

terça-feira, janeiro 04, 2011

Por Ricardo Seelig

Cotação: ****

Funk, rock, soul, R&B, pop. Dançante, empolgante, contagiante. The ArchAndroid, estreia da cantora norte-americana Janelle Monáe, é uma verdadeira bomba sônica pronta para conquistar o planeta. E isso não é um exagero.

Na verdade, The ArchAndroid, lançado originalmente em 18 de maio de 2010, reúne a segunda e terceira partes de uma obra conceitual criada pela cantora inspirada no clássico filme Metropolis (1927), do austríaco Fritz Lang. Explico: Janelle Monáe surgiu para o mundo em 2007, quando lançou o EP Metropolis Suite I of IV – The Chase, o primeiro de quatro EPs inspirados na obra de Lang. O rapper e produtor Diddy (que antes era conhecido como Puff Daddy) ficou impressionado com a menina e assinou com a garota um contrato com a sua gravadora, a Bad Boy Records. Um vídeo para a faixa “Many Moons” foi lançado em 2008, repercutindo muito bem junto as críticos e recebendo inclusive uma indicação ao Grammy.

The ArchAndroid é um disco sensacional. Suas dezoito faixas revelam uma artista que não tem medo, em nenhum momento, de ousar. O groove que sai das caixas de som faz com que seja impossível ficar parado. Dê o play e comprove você mesmo.

O álbum inicia com uma faixa orquestrada, “Suite II Overture”, que abre caminho para “Dance or Die”, com participação do rapper Saul Williams. De cara o vocal de Janelle de destaca, cheio de personalidade. “Faster”, com sua base funk, vem a seguir, e é daquelas músicas capazes de colocar o seu astral nas alturas.

Em “Locked Inside”, Monáe soa como uma espécie de jovem Michael Jackson, em uma faixa que remete ao clássico Off the Wall, de 1979. Aliás, é impossível não ouvir “Locked Inside” e não lembrar de “Rock With You”, uma das canções mais famosas de Michael.


Os dois singles lançados para promover o disco, “Cold War” e “Tightrope”, essa última com participação de Big Boi, do Outkast, são amostras exemplares de como a música pop pode ser inteligente e rica em ritmos sem cair na vala comum. A verborrágica “Tighdrope”, aliás, leva o ouvinte por uma jornada iluminada banhada por generosas doses de funk temperadas por elementos do soul e do rap. Uma música sensacional, daquelas que você bate o pezinho sem perceber.

A ousadia de Janelle vem ao primeiro plano em “Oh, Marker”, que inicia como se fosse uma valsinha francesa e cai em um soul acolhedor. Já “Come Alive (The War of the Roses)” tem guitarras pra lá de agressivas e um ritmo mais acelerado, além de vocais gritados e crus da cantora, em um resultado bem interessante.

“Make the Bus”, com a participação de Kevin Barnes, líder do Of Montreal, é outra que sai sem medo do lugar comum, misturando ritmos variados e alcançando um resultado que agrada de imediato. O álbum se encerra com duas longas faixas, “Say You´ll Go” e “BaBopByeYa”.

The ArchAndroid é um disco inovador, com uma sonoridade rica e, ao mesmo tempo, de fácil assimilação. Além disso, outra característica que chama a atenção é que, em um cenário musical dominado pela sensualidade e por corpos cada vez mais desnudos, Janelle aposta em um visual vintage inspirado nos anos cinquenta, focando a sua performance na música e na dança, e não em seu corpo.

Janelle Monáe abrirá os shows da turnê que Amy Winehouse fará no Brasil em janeiro. A julgar pelo que fez em 2010, Monáe roubará sem cerimônia a cena, deixando Amy totalmente em segundo plano. Querem apostar?


Faixas:
1 Suite II Overture 2:31
2 Dance Or Die (feat. Saul Williams) 3:12
3 Faster 3:19
4 Locked Inside 4:16
5 Sir Greendown 2:15
6 Cold War 3:23
7 Tightrope (feat. Big Boi) 4:22
8 Neon Gumbo 1:37
9 Oh, Maker 3:47
10 Come Alive (The War of the Roses) 3:22
11 Mushrooms & Roses 5:42
12 Suite III Overture 1:41
13 Neon Valley Street 4:11
14 Make the Bus (feat. of Montreal) 3:19
15 Wondaland 3:36
16 57821 (feat. Deep Cotton) 3:16
17 Say You'll Go 6:00
18 BaBopByeYa 8:47

Al Di Meola: novo álbum trará versão para clássico dos Beatles!

terça-feira, janeiro 04, 2011

Por Ricardo Seelig

Chega às lojas dia 15 de março Pursuit of Radical Rhapsody, novo álbum do guitarrista norte-americano Al Di Meola.

O disco trará composições próprias de Meola, além de versões para dois clássicos do pop: "Strawberry Fields Forever" dos Beatles e "Somewhere Over the Rainbow", do filme O Mágico de Oz.

Pursuit od Radical Rhapsody será lançado pela gravadora Telarc e trará participações especiais de Charlie Haden, Gonzalo Rubalcaba, Mino Cinelu, Peter Erskine e do Hugary´s Sturcz String Quartet.

Cinco discos para conhecer Richie Kotzen!

terça-feira, janeiro 04, 2011

Por João Renato Alves

Foi realmente uma tarefa difícil escolher apenas cinco discos. Muita coisa boa ficou de fora. Mas aqui temos um bom começo para quem não está familiarizado com a genialidade de Richie Kotzen, um dos músicos mais talentosos de todos os tempos.

Poison – Native Tongue (1993)

A entrada de um músico mais técnico elevou a música do Poison a outro nível. Native Tongue traz influências de música negra norte-americana – especialmente com a grande utilização de corais –, além de uma forte injeção na veia blueseira do grupo. Assim como os fãs da face mais festeira deixaram de lado e renegam o álbum até hoje, muitos gostam apenas desse trabalho (o meu caso). Sem dúvida algumas das mais belas melodias já compostas pela banda estão aqui, com destaque inevitável para a suprema “Stand”, simplesmente uma das melhores músicas da história. E não seriam poucos a falar isso, não fosse ela uma canção do Poison.

Também merecem ser citadas as belíssimas “Until You Suffer Some (Fire & Ice)” e “Theatre of the Soul”, a classic rock total “7 Days Over You”, a agitada “Strike Up the Band”, a quase Gospel “Blind Faith” e a saideira no melhor estilo bebum canastrão “Bastard Son of a Thousand Blues”.

Após alguns contratempos, com direito a envolvimento com ex-noiva do baterista Rikki Rockett, Kotzen foi mandado embora. Mas deixou seu nome escrito definitivamente na história, para o bem ou mal.

Para mim, o melhor disco do Poison com sobras, além de estar entre os meus preferidos de todos os tempos. Ouço ao menos uma vez por semana até hoje.

Richie Kotzen – Mother Head’s Family Reunion (1994)

Passado o tumultuado rompimento com o Poison, Kotzen decidiu se afirmar de vez como compositor. Para isso, deixou de lado sua porção guitar-hero, com a qual nunca se sentiu completo – o próprio sempre deixou claro que preferia ser reconhecido como músico ao invés de malabarista. E Mother Head’s Family Reunion foi o divisor de águas perfeito para a ocasião. Contando com uma banda de apoio formada pelos feras John Pierce (Richard Marx, Steve Lukather) no baixo e Atma Anur (Cacophony, Greg Howe, Hardline) na bateria, o álbum explicita ainda mais a veia negra de Richie.

A inspiração transparecia em petardos como a faixa-título, a suingada “Socialite” e a densa “A Love Divine”. No campo das baladas, dois fantásticos exemplares: “Where Did Our Love Go?” e “A Woman and a Man”. Outro destaque vai para o cover de “Reach Out (I’ll Be There)”, clássico da era dourada da Motown Records, originalmente gravada pelo The Four Tops. Coisa fina, para quem aprecia música boa acima de qualquer pré-conceito.

Indispensável na coleção dos amantes de um hard/classic rock com altas doses de blues e soul music. E ainda era apenas o começo.

Mr. Big – Actual Size [2001]

Após a boa estreia com Get Over It – que dividiu opiniões entre os conservadores –, Kotzen se impôs definitivamente na história do Mr. Big. Em Actual Size, último trabalho de estúdio do grupo antes da reunião com Paul Gilbert, o guitarrista foi decisivo ao chamar seu amigo e xará Richie Zito para assumir a produção. Além disso, escreveu a música que colocaria a banda na primeira posição nas paradas japonesas, “Shine”. Um fator que ajudou decisivamente nesse desempenho foi a inclusão da faixa como música de encerramento do anime Hellsing.

Mas não fica só nela. As doze faixas (treze na versão da terra do sol nascente) são pra lá de recomendáveis. Mas não há como deixar de destacar “Arrow”, na minha opinião uma das três melhores baladas da carreira do grupo. Também merecem ser citadas as pesadas “Lost in America”, “Mary Goes Round” e “Cheap Little Thrill”. A blueseira “I Don’t Want to Be Happy” é companhia perfeita para fossas e bebedeiras. E a pegada funkeada comparece em “Suffocation”, som que Richie divide os vocais com Eric Martin.

Richie Kotzen – Get Up (2004)

Com o fim do Mr. Big, Richie decidiu mais uma vez concentrar forças em sua carreira-solo. O razoável Change foi o primeiro lançamento dessa nova fase. Mas em Get Up a retomada aconteceu de maneira definitiva. Um dos trabalhos mais pesados do guitarrista, sem deixar a velha classe de lado. Kotzen tocou todos os instrumentos na gravação, feita totalmente em seu estúdio, o Headroom Inc. Para a turnê, que passou pelo Brasil, chamou o antigo companheiro de Mr. Big, Pat Torpey, além do baixista Phil Soussan (Ozzy Osbourne, Dio, W.A.S.P.).

O álbum já começa com duas pancadas certeiras, nas empolgantes “Losin’ My Mind” e “Fantasy”. Logo a seguir, a melhor balada que Richie já escreveu para seus discos, a fantástica “Remember”, com sua dramaticidade inspiradora, com levada e letra casando perfeitamente. Não à toa, tornou-se uma presença garantida nos shows.

Difícil apontar algum outro destaque, o trabalho possui uma regularidade que é sua grande virtude. A prova definitiva do talento de um dos maiores músicos de sua geração.

Wilson Hawk – The Road (2009)

Em parceria com Richie Zito, Kotzen lançou um dos melhores trabalhos da década, oferecendo um rock and roll simples e consistente, com alma setentista e influências da música negra norte-americana de qualidade. “Ter crescido na Filadélfia fez com que eu fosse exposto a muitas coisas da verdadeira soul music. Grupos como The Spinners, The O’Jays e até mesmo o começo do Hall & Oats influenciaram muito minhas raízes artísticas”, declarou o músico na época do lançamento. E isso fica claro durante toda a audição. Lembra até mesmo os Rolling Stones de discos como Black and Blue.

É praticamente impossível destacar alguma das onze faixas dessa verdadeira obra-prima. Mas a sequência de baladas que começa em “How Do You Know?” e se estende até o fim sugiro acompanhar com uma caixa de lenços de papel ao lado, especialmente se não estiver em um bom dia. A mais conhecida é “Everything Good”, incorporada ao setlist dos shows de Richie.

A lamentar apenas o fato de não ter saído (ainda) em formato convencional, estando disponível via iTunes e afins. Nota dez é pouco para essa maravilha!

3 de jan de 2011

Minha Coleção: Fábio André, mantendo viva a história do heavy metal!

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Por Ricardo Seelig

Olá Fábio. Como você conheceu a Collector´s Room?

Olá! Bom. conheci através do Whiplash, e nos shows sempre existem comentários sobre a Collector´s, que aliás acompanho sempre.

De onde você é e o que você faz?

Morei em Brasília por vinte anos, cidade onde conheci o metal, porém sou natural de Recife e sou Coordenador de Logística.

Quando você começou a se interessar por música?

Precisamente no fim de 1982, quando tive o primeiro contato com o rock. Até então era mais fã de futebol. O primeiro disco que comprei foi no ano seguinte, o Bomber do Motorhead, e também o Tokyo Tapes do Scorpions, portanto comecei bem (risos)!


Quantos discos você tem?

Tenho por volta de 200 LPs, 300 DVDs, várias fitas K7, mais de 1.000 CDs, e acredito que mais de cinquenta pictures.

Você prefere o vinil ou o CD?

Gosto muito do CD, mas sou um eterno apaixonado pelo vinil, inclusive voltei a comprar bastante coisa. Fala sério, esses relançamentos em LPs de 180 gramas são demais, mas o que amo de verdade são os pictures discs.


Dando uma olhada na sua coleção, uma característica que chama a atenção de imediato é o grande número de picture discs. Onde você costuma comprar esses itens?

Pois é, tenho muita coisa do Venom, Motorhead, Ozzy, Anthrax, Dio, Accept, Sabbath, Maiden, Kiss, Destruction, etc. Já passam de cinquenta unidades, contando também os shapes. Compro em sites de leilão e na loja de um grande amigo, o João Marinho, dono da Blackout Discos aqui em Recife, que tem muita raridade, tanto quanto na Galeria do Rock.

Você usa algum produto específico, ou tem alguma dica, para conservar os seus discos?

Às vezes, quando observo que algum CD está sujo – o que é raro -, passo sabão neutro, mas os vinis sinceramente nunca limpo. E acredite, tenho os mesmos desde os anos 80 e estão novinhos em folha até os dias de hoje.

Não conheço um colecionador que não tenha no mínimo uma mania em relação à sua coleção. Quais são as suas?

Bom, todas às vezes que estou no meu quarto ouvindo música vou várias vezes ao banheiro lavar as mãos para poder manusear as capas e encartes (risos)! É que fico louco quando fica aquela marca preta dos dedos nos encartes ou capas. Cada louco com a sua mania!


Você comentou comigo que as suas bandas preferidas são Motörhead e Ozzy Osbourne. Quantos itens você possui de cada um deles? E o que o atraiu nesses dois artistas especificamente?

Bom, falar em Motörhead para mim é como falar da minha família (risos)! Sou fanático e amo essa banda desde o primeiro momento que a escutei, afinal um dos meus primeiros discos foi o Bomber. Fui inclusive no primeiro show deles, em 1989 no Maracanãzinho, e mais outros três! Tenho cerca de 100 CDs apenas do Motörhead em várias versões européias, americanas, 16 pictures, 30 LPs , fitas K7, isso sem falar nas versões do Bomber, Iron fist, Ace of Spades e Overkill.

E o Ozzy não fica atrás. Amo o Mr Madman também, tenho toda a coleção em vinil - inclusive do Blizzard of Ozz ao The Utimate Sin todos na versão japonesa com OBI. Entre os pictures, o meu favorito é o “Mr Crowley”. Ah, não posso deixar de falar do Speak of the Devil em vinil japonês triplo com encarte - é lindo demais!

O que me atraiu no Lemmy foi a personalidade e, principalmente, o fato de ele nunca ter traído seus fãs. Ou seja, é puro rock and roll! E quanto ao Ozzy, o que mais admiro é a sua persistência ao deixar o Black Sabbath e ter conseguido alcançar o sucesso novamente.


Você também tem a capa do Bomber, do Motörhead, tatuada no braço. Conta pra gente como rolou essa história.

Ah sim, foi com um grande amigo de Brasília, precisamente em 1984. Como é o meu disco favorito do velho Lemmy,nada como deixar no meu corpo para sempre.


Além de Motörhead e Ozzy, você possui também bastante material de grupos como Dio, Venom, Judas Priest, Accept e Metallica, entre outros. Na sua opinião, qual a importância dessas bandas para a música pesada?

Não preciso falar muito, pois o Venom foi o pai de milhares de bandas, assim como o Priest. Minha referência no metal é especificamente os anos 80. Tenho 42 anos e desde os meus 14 escuto esses grupos. A importância dessas bandas, principalmente para a música pesada, é a seguinte: hoje a gente escuta um monte de barulho, mas nada chega aos pés do Venom, e acho muito injusto o não reconhecimento dessa maravilhosa banda. Achei muito legal um dia desses uma entrevista do Kery King dizendo que escuta Venom até os dias de hoje. Cara, isso é demais! Enfim, long live Cronos, Halford, Udo, Lips, Ozzy, Butler, Lemmy, Biff Bifford, Angus, Blackmore, afinal de contas são meus heróis até hoje.

A morte de Ronnie James Dio chocou todo mundo. Como foi pra você?

Cara, ontem mesmo eu estava no meu quarto chorando ouvindo o The Last in Line, lembrando do meu querido irmão Fred, que faleceu nessa época há dezenove anos atrás. Ele amava o baixinho, em específico esse álbum. Foi a pior notícia do ano. Lembro que um grande amigo de Brasília, o Benito, me enviou uma mensagem via celular. Eu fiquei muito triste, chorei bastante. Mas, no fim das contas, Dio não morreu, porque deixou o mais importante em nossos corações que amam o metal, sua linda e inigualável voz. Vou lhe confessar uma coisa: fiquei de luto durante vários dias, ouvindo todas suas obras-primas do Rainbow, Elf, Black Sabbath e banda solo.

Que coleção você conheceu, aqui na Collector´s, que te fez ficar babando de inveja?

Olha, já vi várias nessa seção, mas a que fiquei babando de inveja no bom sentido foi a do Marco Loiacono, colecionador do Motörhead. Um dia eu chego lá!


Qual o item mais raro da sua coleção?

Tenho vários intens raros, mas acredito que seja um CD inglês do Motörhead em formato de lata chamado Britain´s Walt Resort. Essa não tem preço e deu bastante trabalho para conseguir.


Além dos pictures, que outros itens chamam a atenção quando você mostra a sua coleção para as pessoas?

São os meus LPs do Ozzy, todos japoneses com encartes e OBI; uma edição limitada do Bonded by Blood do em vinil de 180 gramas azul; um shape do Dio do Sacred Heart no formato de dragão; um picture do Dio, Lock Up the Wolves, autografado pelo baixinho; e os meus vários EPs do Venom, realmente muito raros – tudo isso sem mencionar os meus discos do Motorhead autografados pelo Lemmy e autógrafos e fotos com os caras do Venom e Exciter naquele show histórico de 1986.

Quais são, pra você, os dez discos de heavy metal que toda pessoa deveria ter em sua coleção?

Pergunta difícil (risos)! Mas vamos lá: Restless and Wild do Accept, Bomber do Motörhead, Holy Diver do Dio, The Number of the Beast do Iron Maiden, Forged in Fire do Anvil, British Steel do Judas Priest, Blackout do Scorpions, Crusader do Saxon, Diary of a Madman do Ozzy e Heavy Metal Maniac do Exciter.

Entre as bandas atuais, quais você ouve e recomenda para os leitores da Collector´s?

Sinceramente, não tenho escutado bandas recentes.


Qual item é seu objeto de desejo, aquele que você sempre quis ter e ainda não conseguiu?

É o picture disc Nightmare, do Venom. Tenho apenas na versão normal.

Qual a importância dos colecionadores para as bandas e para a indústria da música?

Somos os verdadeiros amantes da música, porque gastamos muito dinheiro com os produtos lançados.

O que significa ser um colecionador de discos para você?

Significa prazer, amor, dedicação, a trilha sonora da minha vida.

Fábio, obrigado pela entrevista, e deixe um recado para os leitores da Collector´s Room.

Eu é que agradeço por essa oportunidade, e o recado que deixo é bem simples: long live rock and roll!

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