28 de mai de 2011

27 de mai de 2011

Conheça a coleção de Carlos Lopes, o líder do Dorsal Atlântica e do Mustang!

sexta-feira, maio 27, 2011

Por Ricardo Seelig


Carlos Lopes é uma lenda. Um dos músicos mais importantes e influentes da história do heavy metal brasileiro, comandou o Dorsal Atlântica e o transformou em uma das mais originais e influentes bandas brasileiras, reconhecidas aqui e no exterior.


Inquieto e com fome de novos sons, deu um 'reset' em sua vida e montou o Mustang e a Usina Le Blond, reinventando-se como poucos e mostrando talento em outros gêneros musicais – uma qualidade rara.


Hoje batemos um papo com Carlos Lopes, o Carlos Vândalo. O resultado é uma conversa franca sobre música, discos e a vida em geral, e da qual muito me orgulho de publicar aqui para vocês.




Carlos, em primeiro lugar, apresente-se aos nossos leitores: quem você é e o que você faz?


Meu nome é Carlos Lopes, sou carioca, músico, escritor e jornalista. Por volta de 1980 decidi criar algo importante que me dignificasse e fundei a Dorsal Atlântica, banda de metal muito popular que durou 20 anos. Em 2000, insatisfeito com tudo, pesquisei outros estilos, gravei com outros músicos e comecei a escrever, virei jornalista e escritor, fundei duas bandas - uma de funk psicodélico com MPB chamada Usina Le Blond e a Mustang, de rock and roll, que hoje classificam de “MPR” (música popular roqueira), banda que gravou 5 CDs, que muito me orgulham. Fui programador e apresentador nas rádios Fluminense FM e Venenosa FM. Hoje, além da música, sou escritor e editor da revista eletrônica O Martelo, colunista da Oi Novo Som e escrevo um blog sobre sincronicidades.


Frase? “Nasci há dez mil anos atrás e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais”.




Qual foi o seu primeiro disco? Como você o conseguiu, e que idade você tinha? Você ainda tem esse álbum na sua coleção?


Lembro, com muito carinho dos dois primeiros LPs que compramos, eu e meu irmão – e que ainda estão aqui em casa: Magical Mistery Tour dos Beatles, importado (mono) a preço de banana em um supermercado, e o primeiro dos Secos e Molhados. Lembro de entrar na loja bem pequeno e pedir o disco do Secos e sentir uma reação estranha por parte de pessoas mais velhas (e mais altas) do que eu, que me olharam como se eu fosse “um outro moleque modista”. Lembro bem que o Diamond Dogs do David Bowie estava na vitrine, lançamento.




Você lembra o que sentiu ao adquirir o seu primeiro LP?


Senti a experiência do novo, da descoberta e do proibido: minha mãe não gostava que eu e meu irmão comprássemos discos de rock, achava que isso era perda de tempo. Daí após adquirir os primeiros LPs foi um passo: assisti na TV ao Sábado Som do Nelson Motta; Big Boy e o programa Cavern Club na rádio AM; rádio FM Eldo-Pop e li a revista Rock, a História e a Glória. A partir daí eu já estava perdido - ou achado sei lá ...


Porque você começou a colecionar discos, e com que idade você iniciou a sua coleção? Teve algum momento, algum fato na sua vida, que marcou essa mudança de ouvinte normal de música para um colecionador?


Achava minha vida chata, era só estudo e casa, não tinha muitos amigos e nem namorava, então conhecer mais sobre rock nos anos 70 se tornou uma paixão. Na verdade, eu nunca fui um colecionador no sentido da palavra, um cara “materialista e acumulativo”, porque eu nunca priorizei a coleção, mas sim o que ela poderia me dar sentimentalmente; o que eu poderia extrair da coleção para o meu crescimento. Descobri em 1980, em plena ditadura militar, que eu queria ser diferente, expor ideias diferentes, ser genuíno, ser alguém. Os discos serviram para me inspirar a me tornar um artista e para que eu encontrasse o meu lugar na sociedade.


Alguém da sua família, ou um amigo, o influenciou para que você se transformasse em um colecionador?


Apenas a necessidade me influenciou, pois nos anos 70 tudo era difícil, e eu queria muito ouvir e conhecer mais o que significava rock and roll.




Inicialmente, qual era o seu interesse pela música? De que gêneros você curtia? O que o atraía na música?


Meu primeiro interesse foi por histórias em quadrinhos, só depois é que a música entrou na história. Antes mesmo de saber que eu gostava tanto de música, eu lia bastante ainda bem pequeno. Com meus 12 anos, minha madrinha, que havia sido Beatlemaníaca nos anos 60 e cujo codinome de guerra era Regininha McCartney, deu para mim e meu irmão uns 6 LPs mono dos Beatles, isso por volta de 1974. Naquele momento, minha cabeça deu uma volta de 360 graus. Cismei que tinha que tocar rock, queria uma guitarra, mas isso causou uma revolução em casa. Troquei vários LPs da nossa mãe no sebo por discos de rock para aprender mais sobre o estilo (hoje eu faço o inverso: baixo todos os discos de nossa mãe que troquei e redescubro pérolas de Wilson Simonal, Jorge Ben e de sambistas antigos). Em 76/77 fiquei fascinado pela revolução punk (e new wave) e isso me marcou muito, tanto que até hoje a estética “cinema novo” do punk (um homem e uma guitarra) me diz muito.


Quantos discos você tem?


Hoje, tenho 400 LPs e o mesmo número de CDs. Já tive mais, mas me desfiz de mais de 50% da minha coleção para renovar a vida. Literalmente, não me sinto apegado a objetos físicos, apenas ao que eles representam ou ao que me dizem ao coração. Para que ter algo se não te diz nada ou se não há uma boa relação de troca entre o criador e o ouvinte?




Qual gênero musical domina a sua coleção? E, atualmente, que estilo é o seu preferido? Essa preferência variou ao longo dos anos, ou sempre permaneceu a mesma?


Antes era só rock, hoje tem um pouco de tudo: Cartola, Tim Maia, samba, soul, MPB, etc.


Vinil ou CD? Quais os pontos fortes de cada formato, para você?


Sendo muito sincero, hoje tenho a maior preguiça de ouvir LP. Um lado do vinil tem 15 minutos e dá a maior preguiça de levantar para virar de lado. Minha vitrola antiga tinha aquele mecanismo de colocar uns 10 discos, um sobre os outros, e eles iam caindo, fazendo barulho e o braço pousava no início da faixa um, às vezes dando uma derrapada para a metade da mesma. Era muito legal. Eu adoro até hoje os estalos, os ruídos de fundo, o som antigo dos velhos estúdios. Tudo isso faz parte da memória emocional, complementa a música. A tecnologia atual serve para ouvir música atemporal remasterizada e assistir aos meus filmes clássicos remasterizados, não para ouvir música sem alma, ajeitada no Pro Tools. Fui criado ouvindo “álbuns”, “obras fechadas”, então disco para mim é da faixa um até a última, não é para escolher os melhores momentos ou fazer coletânea.


Existe algum instrumento musical específico que o atrai quando você ouve música?


Mais importante do que o instrumento é a alma de quem toca ou canta. Não precisa ser o melhor, o mais perfeito ou o mais bem produzido, só precisa tocar meu coração e me contar uma história que ninguém me disse antes.




Qual foi o lugar mais estranho onde você comprou discos?


Na rua. Comecei a minha coleção de Browsville Station comprando um LP em plena rua no bairro do Catete, no Rio. Quando toquei o disco em casa, me lembrei de toda uma sequência, de um lado completo do LP, que tocava em alguma rádio de rock, antes mesmo da Fluminense FM.


Qual foi a melhor loja de discos que você já conheceu?


Tenho mais lembranças, apesar de não ter comprado muitos discos lá, da extinta Modern Sound no Rio, na virada dos 70 para os 80. Eu adorava abrir o plástico das capas e sentir o cheiro de vinil, papel e da tinta de impressão. Uau! E em São Paulo, tenho um carinho todo especial pela Baratos Afins.


Conte-me uma história triste na sua vida de colecionador.


Não diria triste, mas simbólica. Em 1981, meu primeiro professor de guitarra (antes tive um de violão) me enganou e pegou meu dinheiro para comprar LPs piratas que nunca foram entregues. Corri atrás do prejuízo, e aborrecido (o cara que te enrola não aceita ser descoberto ou dar a cara a tapa) ele me entregou LPs dele para zerar a dívida. Não gostei dos discos que recebi (B.B. King e Eric Clapton), mas no meio tinha o LP do MC5, High Time. Quando ouvi o disco achei super estranho, só gostava de duas faixas, tinha um cara com um black power enorme se rebolando, roupas coloridas, o encarte interno tinha umas colagens, uns recortes meio psicodélicos. Enfim, o LP tinha um clima meio estranho para 81... Eu o achei muito antiquado, fora de época, datado. Pois bem, acabei trocando o LP junto a outros por algum LP que nem lembro mais qual foi (trocas nos sebos eram feitas na base de 2 por 1, 3 por 1, por aí). Por volta de 93/95 comprei o High Time em CD e surtei de tanto que ouvi. Em 2000, fundei o Mustang para tocar um som na linha do MC5.


Já como jornalista, surgiu a oportunidade de ser o primeiro brasileiro a entrevistar todos os remanescentes da banda. Essa entrevista marcou minha carreira. Contei essa história do High Time para o guitarrista Wayne Kramer do MC5 e pensei: “Nossa! Como o mundo é um ovo!”. Depois da entrevista, recuperei o High Time em vinil, agora com 180 gramas, para recuperar de verdade o fio da meada da minha própria história de vida. É meu amigo, são as sincronicidades armando das suas!




Como você organiza a sua coleção? Dê uma dica útil de como guardar a coleção para os nossos leitores.


Plastificar os álbuns com plásticos que não esmaguem os discos; nunca separar os artistas para não ficar igual doido procurando depois; não deixar sol bater nos LPs e sempre dispô-los em pé, nunca deitados.


Além da música, que outros fatores o atraem em um disco?


Antes mesmo da música, o que sempre me atraiu foi a beleza, a originalidade e o tamanho das capas. Quanto mais exibicionistas, melhor. Sou da época de garimpar discos na Modern Sound em Copacabana nos anos 70 ou na Gramophone no Shopping da Gávea no Rio em 1980. Eu não tinha grana, economizava, juntava, e escolher apenas um LP importado era um suplício. Hoje você baixa, e se não gostar, apaga. Não tem mais graça, não há mais o risco de se dar mal. Quem entra no jogo é para perder e ganhar, tem que gastar dinheiro suado com disco bom e ruim. E olha, tem discos que a gente só entende mesmo depois de 20 anos, normal. O LP reflete a sua percepção sobre a vida. Veja a coleção do cara e saiba imediatamente se ele é fã de música ou doido.


Quais são os itens mais raros da sua coleção?


Tenho uns do coração, como os LPs, CDs piratas e compactos do Sweet; meus velhos Beatles e Rolling Stones mono; os Tim Maia (tenho todos em vinil, incluindo o Racional); os Funkadelic/Parliament; os Gerson King Combo autografados; o AC/DC autografado pelo Angus Young em 1985, ...












Você tem ciúmes da sua coleção?


Nem tanto, depois que aprendi a não emprestar mais nada após sumirem ou quebrarem – tipo sentar em cima – alguns discos meus. Mas se a pergunta é “se eu cuido”, eu cuido, sim. Lavo os LPs antes de escutar, troco a agulha, dou beijinho, coloco pra ninar, etc...


Quando você está em uma loja procurando discos, você tem algum método específico de pesquisa, alguma mania, na hora de comprar novos itens para a sua coleção?


Hoje já não busco tanto vinil, perdi um pouco o interesse. Antes eu comprava porque ninguém dava valor, eu pagava tipo 5 reais pelo disco duplo importado do James Brown, The Payback, um clássico absurdo. E tem outra, eu cresci com vinil, para mim era natural comprar vinil e eu nunca me adaptei muito a CDs. Comprava uns, trocava outros, mas CD nem chegou perto da paixão que dediquei aos vinis. Revolução mesmo foi MP3. Hoje me pergunto: e daí que LP ocupa espaço? E daí que LP é grande? Eu não posso definir o tamanho do meu amor pelo amor dos outros, não dá. Cada um é cada um.


O que significa ser um colecionador de discos?


Nada comparado com a vida e o amor.


O que mudou da época em que você começou a comprar discos para os dias de hoje, onde as lojas de discos estão em extinção? Do que você sente saudade?


Na verdade, não sou uma pessoa saudosista, cada dia novo é melhor do que todos os dias antigos. Aceito a mudança dos vinis para CDs e dos VHS para DVDs e Blu-rays, mas não me preocupo com o que foi, com o que é e nem com o que será. Não importa o formato, importa o que a arte nos transmite. Uso a tecnologia, mas não sou fanático por ela. Sou fanático pela minha arte, pelo amor que deposito no que crio.


O que você acha desse papo de que música boa só existiu nos anos 1960 e 1970, e de que hoje não se faz música de qualidade?


Isso é papo de quem tá caducando. Você pode até preferir música antiga, não vejo mal nisso, mas negar que há boa música sendo feita todos os dias é negar o direito à vida. Quanto à novidade, aí é outro papo, pois todos nós, os ocidentais, estamos sofrendo da crise da pós-modernidade, onde tudo é reciclado e não há mais novidade. Veja o Rock in Rio por exemplo, nem preciso falar nada.




Qual é o melhor disco de 2011, até o momento?


Não ouvi nada em 2011.


Muito obrigado pelo papo. Pra fechar, o que você está ouvindo e recomenda aos nossos leitores?


De rock estrangeiro atual, meus favoritos são Kaiser Chiefs, Arcade Fire e The Killers. Para os que gostam de MC5, eu recomendo o CD For the Whole World to See do Death, um trio de músicos negros de Detroit que toca um pré-punk arrasador; de música brasileira, eu amo todos os tropicalistas e recomendo todos os álbuns gravados de 1968 até mais ou menos 1974, incluindo aí até os não-tropicalistas como Chico Buarque e Milton Nascimento. Por fim, ando apaixonado pelo LP Native Brazilian Music de 1940, com Cartola, Donga, Villa-Lobos, Pixinguinha, Zé Espinguela e João da Baiana.


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Os 8 melhores discos de 2011 - até agora!

sexta-feira, maio 27, 2011

Por Ricardo Seelig


Uma lista feita sem pensar muito, com os discos lançados até agora e que eu mais gostei - e sem ordem de preferência.


Tem vários estilos diferentes, álbuns que estarão na minha lista do final do ano, assim como CDs que provavelmente não estarão.


Concorda? Não concorda? Então coloque a boca no trombone e diga quais são os seus discos preferidos do ano até agora nos comentários!









The Vines: review do álbum 'Future Primitive' (2011)!

sexta-feira, maio 27, 2011

Por Marcelo Vieira


Nota: 9


Lembro com muita saudade de 2002, ano em que comecei a ouvir rock and roll pra valer e, por conta disso, iniciei minha trajetória como músico. Entre as primeiras bandas que ouvi estava o The Vines, que juntamente com Strokes e The Hives encabeçava o chamado revival do rock de garagem. Mas ao contrário dessas duas, o Vines era mais pesado, mais sujo, tinha mais atitude – o hit “Get Free” que o diga – e, por isso, era a minha predileta das três.


O primeiro álbum dos caras, Highly Evolved (2002), consistia em uma mistura de Beatles com Nirvana e ainda incorporava um pouco da complexidade sonora de seus compatriotas do Silverchair. A recepção foi a melhor possível, tanto pelo público quanto pela crítica. O trio recebeu prêmios – incluindo discos de ouro e platina em alguns países – e se estabeleceu como uma das principais lideranças do então “novo rock”.


Mas assim como o Strokes e o Hives, que após estourarem com Is This It e Veni Vidi Vicious começaram a decair em popularidade e vendas – mais o Hives do que o Strokes –, o Vines nunca mais conseguiria repetir o feito de seu álbum de estreia. Com um teor mais introspectivo Winning Days (2004) e Vision Valley (2006) só não passaram despercebidos porque “Ride” – que remete ao estilo de Highly Evolved – fez um sucesso moderado. Pra piorar, o vocalista Craig Nicholls, portador da síndrome de Asperger, pareceu ter surtado de vez e a banda ficou à beira do abismo.


As fotos da nova formação do Vines, bem como as primeiras notícias a respeito de um novo trabalho, surgiram no final de 2009. Em meados de 2010, três canções do vindouro Future Primitive foram apresentadas ao vivo. No começo do ano, o clipe da faixa-título começou a ser veiculado na TV. Com lançamento previsto para o próximo dia 3, Future Primitive representa um resgate do som que consagrou o The Vines em 2002 e os elevou ao status de líderes de um movimento que acabou não dando certo – infelizmente. A selvageria não voltou com tudo, mas o som recuperou a atitude outrora perdida no meio de tanta introspecção e tentativa de soar maduro.


A voz de Craig continua sendo o principal atrativo. Espécie de Damon Albarn mais alucinado e inconstante, o cara, que há 10 anos atrás parecia Edward Furlong em Detroit Rock City, hoje tem 33 anos e demonstra que é possível soar maduro sem perder a pegada jovem que torna o som atraente para todos os públicos. Os refrões voltaram a ser vigorosos e muitas das canções de Future Primitive se sairiam super bem ao vivo – “Gimme Love” é a faixa de abertura perfeita. Mais longa para os padrões do grupo, “Black Dragon” promete agradar também. E para não perder o costume, temos aqui uma nova “Autumn Shade” - a quarta, desta vez batizada como “A.S.4”.


É com um sorriso no rosto que eu digo que, quase uma década após fazerem parte da trilha-sonora de uma das melhores épocas da minha vida, o The Vines voltou não a ser o que era, mas a tocar com prazer. Craig e seus novos colegas estão mesmo dispostos a produzir material de qualidade e apropriado para todas as horas e pessoas – o que eu considero muito mais válido do que o auto-plágio que alguns andam fazendo por aí. Como diria o mestre Ivan Proença: “Nostalgia em arte é decadência”.




Faixas:
1. Gimme Love
2. Leave Me In The Dark
3. Candy Flippin’ Girl
4. A.S.4 (Autumn Shade 4)
5. Weird Animals
6. Cry
7. Future Primitive
8. Riverview Avenue
9. Black Dragon
10. All That You Do
11. Outro
12. Goodbye
13. S.T.W.

Ultraje a Rigor: review do livro 'Nós Vamos Invadir Sua Praia'!

sexta-feira, maio 27, 2011


Por Adriano Mello Costa


Entre as primeiras músicas que me lembro de tentar cantar quando criança estão “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, “Inútil”, “Marylou” e “Independente Futebol Clube”. Todas essas faixas estão contidas na estreia dos paulistas do Ultraje a Rigor em 1985. Lá pelos 6, 7 anos, eu ficava ali enchendo o saco das minhas irmãs mais velhas enquanto elas desvendavam o rock nacional junto com a sua turma de amigos. Diversão garantida para um pentelho de plantão.


O Ultraje, comandado pela mão forte de Roger Moreira, teve uma grande influência em toda a constituição do rock nacional dos anos 80 e, por conseguinte (ainda que em menor escala), do que se formatou depois. Com um disco inicial que não pode ganhar outra alcunha senão "matador", o Ultraje vendeu muito e com a sua verve bem humorada e crítica cravou algumas pequenas pérolas da história do rock brazuca. Faltava alguém contar essa história para os mais novos.




A jornalista Andréa Ascenção (ela mesmo uma jovem nascida em 1986) resolveu contar a trajetória da banda e o resultado é o livro Nós Vamos Invadir Sua Praia, que tem 352 páginas e ganha lançamento esse ano pela Editora Belas-Letras. Para tanto, Andréa mergulhou na literatura disponível sobre o movimento da época, assim como em reportagens de jornais. O extenso trabalho contou com entrevistas, idas a shows e fuçadas em curiosidades e novidades.


O projeto gráfico do livro, elaborado por Celso Orlandin Jr., é muito bem realizado. Colorido ao extremo e com diversas fotos, espelha bem a imagem divertida que a banda sempre passou (por mais que às vezes pareça meio revista Capricho). Mostra também a capa dos discos, as músicas que fazem parte e espalha as letras no final da obra. Como a carreira do Ultraje nunca foi fértil em álbuns, essas inclusões acabam ajudando mais do que atrapalhando no final.





Mesmo com os pontos bacanas que o livro traz, nem tudo é só alegria. A condução do texto incomoda em algumas passagens pela quebra de ritmo e a inclusão de muitas vírgulas, o que prejudica a agilidade em que o texto funcionaria melhor. Algumas páginas também poderiam ser suprimidas, pois trazem informações pouco relevantes, como a narrativa de um programa de perguntas e respostas na MTV. Por mais que a intenção seja boa, não consegue dizer para que veio.


Os pequenos detalhes negativos, no entanto, não diminuem muita coisa em Nós Vamos Invadir Sua Praia. Com as participações ilustres de Kid Vinil e Lobão, Andréa Ascenção passeia bem por todas as formações do grupo e expõe, ainda que em segundo plano, um perfil do líder e fundador Roger Moreira, que guiou a carreira da banda acreditando nas suas concepções e sem abrir muita margem para aquilo que não gostava, o que convenhamos é coisa bem rara de se ver.

The Rods: review do álbum 'Vengeance' (2011)!

sexta-feira, maio 27, 2011


Por João Renato Alves


Nota: 8,5


Depois do excelente Bitten by the Beast, álbum solo de David 'Rock' Feinstein lançado ainda no ano passado, era grande a expectativa pelo disco que marcaria a volta do The Rods. Principalmente porque, mais uma vez, teríamos participação póstuma do mestre Ronnie James Dio em uma faixa. Mas não era só isso, já que a banda do primo do homem também conta com uma discografia de respeito na cena metak, com clássicos do estilo como Wild Dogs (1982) e In the Raw (1983). Portanto, não faltavam atrativos que justificassem a ansiedade. Mas valeu a pena esperar?


Os riffs de “Raise Some Hell” já respondem em grande parte à dúvida, junto com seu refrão típico dos bons tempos do rock de arena. O clima festeiro prossegue em “I Just Wanna Rock”, chegando a lembrar o AC/DC, com direito a espancamento de categoria por parte do baterista Carl Canedy. “Rebels Highway” justifica o nome com sua cara de rock estradeiro com pegada heavy, pronta para conquistar o ouvinte. Mais oitentista impossível! O início de “Ride Free or Die” é totalmente chupinhado de “Damage Case” do Motörhead, e o clima leva o ouvinte diretamente aos anos 70, com direito a citações especiais àqueles tempos.


Mas chega a hora de “The Code”. Aí é preparar os lenços e ouvir mais uma vez o magnífico Dio soltar a voz como só ele sabia. E o estilo Tony Iommi dos riffs faz a saudade apenas aumentar mais. Parece que o Sabbath da era Mob Rules, com a volta daquela pegada doom, voltou com força total. O ouvinte fica simplesmente paralisado ao escutar. Os backing vocals de Feinstein aumentam a emoção. Nessa faixa temos um verdadeiro espetáculo particular de Gary Bordonaro, fazendo o baixo praticamente ganhar vida própria na parte final.


Uma batida mais cadenciada em “Livin' Outside the Law” ajuda a manter o ritmo variado na medida certa. Pé no acelerador com “Let It Ripp”, heavy metal em sua mais pura definição, pronta para fazer o ouvinte ter um torcicolo. Em “Fight Fire With Fire” volta o clima hard setentista, com David mandando seus vocais característicos. “Madman”, a mais curta de todas, segue uma linha atual, com sonoridade buscando se alinhar ao rock pesado dos tempos modernos e se saindo bem, embora deva confessar que foi a que menos gostei.


Na reta final, temos “Runnin Wild”, com uma intro fulminante de bateria desembocando em um som que define a expressão clássica em sua concepção. Fechando de vez, a faixa-título, com David mostrando toda sua potência nas seis cordas, soando como uma versão mais pesada de Billy Gibbons, algo próximo a Ted Nugent, impressão aumentada pelo estilo do riff.


Assim termina um grande disco, mostrando que algumas coisas estão no sangue da família e merecem ser cultuadas. Obrigatória a conferida, especialmente para quem sente a falta do “maior baixinho do mundo”!




Faixas:
1 Raise Some Hell
2 I Just Wanna Rock
3 Rebels Highway
4 Ride Free or Die
5 The Code (feat. Ronnie James Dio)
6 Livin' Outside the Law
7 Let It Ripp
8 Fight Fire With Fire
9 Madman
10 Runnin Wild
11 Vengeance

26 de mai de 2011

Soundgarden: review do álbum 'Live on I-5' (2011)!

quinta-feira, maio 26, 2011

Por Fabiano Negri


Nota: 6


No inicio de 2010, tive a grata surpresa de que uma das minhas bandas prediletas estava voltando à ativa. O Soundgarden faz um som que sempre me agradou bastante, uma bem-vinda mistura de Black Sabbath com Led Zeppelin e sonoridades exóticas embalada por uma banda ímpar e um vocalista sensacional. Era uma boa notícia depois da horrorosa prezepada que o vocalista Chris Cornell aprontou com o ridículo Scream, lançado em 2009 e produzido pelo mala-mor Timbaland.


Fui tomado por uma grande expectativa que, pelo menos até agora, não foi correspondida. A banda fez alguns shows esporádicos, lançou uma coletânea – Telephantasm – e esse álbum ao vivo. O grande problema está na tour em que o álbum foi gravado. Após o lançamento do bom Down on the Upside em 1996, o quarteto embarcou na tour que seria seu epitáfio. Problemas pessoais já haviam desestabilizado o grupo, e seus dias estavam contados.


Apesar das boas performances instrumentais – com destaque para a guitarra fora do eixo de Kim Thayil e para a sempre vigorosa e precisa bateria de Matt Cameron - a coisa não engrena, e fica aquela sensação de que os músicos estão cumprindo tabela. Para vocês terem ideia, tenho bootlegs infinitamente melhores do que esse disco.


Chris Cornell – que é uma das melhores vozes que eu já ouvi – não vivia bons momentos em 1996. Dá para perceber claramente que ele enfrentava problemas com a voz, com dificuldade para sustentar e chegar nas notas mais altas, tirando muito o brilho das canções. Chega a ser irritante o desânimo que Cornell empresta para a excelente “Head Down”.


É claro que, mesmo assim, músicas como “Spoonman”, “Let Me Drown”, “Black Hole Sun”, “Rusty Cage”, “Outshined”, “Slaves & Bulldozers” e “Jesus Christ Pose” seguram a onda de qualquer show meia-boca, mas o grupo poderia ter escolhido um período melhor de sua trajetória, já que era pra lançar coisa requentada.


Há pouco tempo a banda anunciou que está trabalhando num novo álbum, com
lançamento previsto para 2012. Espero que eles possam voltar a ter a química de antigamente, quando lançaram os obrigatórios Badmotorfinger (1991) e Superunknown (1994).


Talvez para quem não conheça o som dos caras mais a fundo esse ao vivo seja uma boa pedida, porque apesar de todos os contratempos possui um apanhado de boas canções. Para os iniciados, como eu, fica a certeza da “encheção de liguiça enquanto não finalizamos o novo álbum”. E espero que ele valha a pena, estou torcendo por isso.



Faixas:
1. Spoonman
2. Searching with My Good Eye Closed
3. Let Me Drown
Tracks 1-3: Recorded live at Crosby Hall, Del Mar Fairgrounds, Del Mar, CA – November 30, 1996


4. Head Down
Recorded live at Mercer Arena, Seattle, WA – December 18, 1996


5. Outshined
Recorded live at Crosby Hall, Del Mar Fairgrounds, Del Mar, CA – November 30, 1996


6. Rusty Cage
Recorded live at Pacific National Exhibition Forum, Vancouver, BC, Canada – December 7, 1996


7. Burden in My Hand
Recorded live at Salem Armory, Salem, OR – December 8, 1996


8. Helter Skelter
9. Boot Camp
Tracks 8 and 9: Recorded live at Crosby Hall, Del Mar Fairgrounds, Del Mar, CA – November 30, 1996


10. Nothing to Say
Recorded live at Mercer Arena, Seattle, WA – December 18, 1996


11. Slaves and Bulldozers
12. Dusty
13. Fell on Black Days
Tracks 11-13: Recorded live at Henry J. Kaiser Convention Center, Oakland, CA – December 5, 1996


14. Search and Destroy
Recorded live at Mercer Arena, Seattle, WA – December 18, 1996


15. Ty Cobb
Recorded live at Crosby Hall, Del Mar Fairgrounds, Del Mar, CA – November 30, 1996


16. Black Hole Sun
Recorded live at Mercer Arena, Seattle, WA – December 17, 1996


17. Jesus Christ Pose
Recorded live at Henry J. Kaiser Convention Center, Oakland, CA – December 5, 1996

Collector´s Room apresenta: Rival Sons!

quinta-feira, maio 26, 2011


Por Ricardo Seelig


Guarde bem esse nome: Rival Sons. Eles são norte-americanos, vem da Califórnia e fazem um som que soa como um Led Zeppelin adolescente em pleno século XXI!


A banda tem apenas dois discos. Before the Fire saiu em 2010, e o segundo disco, Pressure and Time, chegará às lojas no próximo dia 20 de junho. O grupo ainda tem um EP na discografia, lançado agora em 2011 e que está encartado na edição de junho da revista inglesa Classic Rock (com Roger Waters na capa). Aliás, foi através da Classic Rock que conheci o som dos caras.


O Rival Sons faz um hard rock inspirado e competente, cuja principal influência é o Led Zeppelin. A atmosfera 'zeppeliana' é perceptível em todas os instrumentos, do vocal gritado à agressividade da bateria, passando pelo peso da guitarra e pelas composições encharcadas de blues.





Para uma banda com tão pouco tempo de estrada e que está prestes a lançar apenas o seu segundo disco, o resultado é surpreendente e acachapante.


Se você curte hard rock com pitadas setentistas e, principalmente, se é fã do Led Zeppelin, ouça que você irá gostar.


Só pra dar um gostinho, seguem abaixo dois clipes dos caras. E, claro, depois de ouvir diga o que achou do som do Rival Sons pra gente.





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