29 de jul de 2011

Iron Maiden, Metallica, Queen, Ramones e muita coisa boa na coleção de Helio Pedroso!

sexta-feira, julho 29, 2011


Por Ricardo Seelig


Helio, em primeiro lugar, apresente-se aos nossos leitores: quem você é e o que você faz?


Olá! Tenho 37 anos, sou Engenheiro Mecânico por formação, mas há cinco anos atuo como Administrador de Empresas. Sou também colunista do site meteleco.com, responsável pela cobertura dos shows de rock e sessão Bolachão.


Qual foi o seu primeiro disco? Como você o conseguiu, e que idade você tinha? Você ainda tem esse álbum na sua coleção?


Tive várias fitas K7s gravadas por amigos, porém o primeiro disco que tive exclusivamente meu (isso porque não era um disco da família toda) foi o Live After Death do Iron Maiden. Lembro que consegui comprá-lo após fazer um bico no período de férias escolares como empacotador de supermercado e auxiliar de caixa numa padaria perto de onde eu morava. Tinha nessa época quinze anos. Felizmente ainda tenho sim, e em bom estado.


Você lembra o que sentiu ao adquirir o seu primeiro LP?


Foi uma sensação única de ter conseguido comprar algo que queria, como resultado do meu esforço. Ficava admirando por horas os detalhes das capas enquanto ouvia os 100 minutos de música sem parar.


Porque você começou a colecionar discos, e com que idade você iniciou a sua coleção? Teve algum momento, algum fato na sua vida, que marcou essa mudança de ouvinte normal de música para um colecionador?


De início não tinha a pretensão de colecionar discos. Comecei juntando dinheiro e comprando aos poucos os que eu tinha até então em fitas K7 gravadas. Às vezes comprava as fitas originais também, e com o passar do tempo levava meu material para os “bailinhos” que aconteciam semanalmente na casa dos amigos e amigas. Posso dizer que, em função destas festas, comecei a adquirir mais LPs, porém mesmo assim ainda não me considerava um colecionador. O momento em que me tornei um foi quando resolvi completar a discografia de algumas bandas. Isso foi acontecer cerca de cinco anos após ter comprado o meu primeiro disco.














Alguém da sua família, ou um amigo, o influenciou para que você se transformasse em um colecionador?


Na verdade, não. A única coleção que tínhamos na época era de figurinhas e tampinhas de refrigerante. Diria que me tornei um colecionador exclusivamente por gostar de música.


Inicialmente, qual era o seu interesse pela música? De que gêneros você curtia? O que o atraía na música?


O meu interesse musical pouco mudou nestes 22 anos em que compro e coleciono discos. Sempre ouvi e comprei discos de rock. Posso dizer que com o passar do tempo comecei a aceitar e compras discos de bandas que a princípio não me agradavam muito. Acho que isso fez parte do meu processo de amadurecimento musical, tornando meu gosto muito amplo, dentro das variações do rock and roll.


Quantos discos você tem?


Atualmente tenho 4.455 discos e 780 CDs.


Qual gênero musical domina a sua coleção? E, atualmente, que estilo é o seu preferido? Essa preferência variou ao longo dos anos, ou sempre permaneceu a mesma?


Diria que o hard rock e o heavy metal são os principais gêneros da minha coleção, até porque foi dentro destes estilos que comecei e nunca parei de comprar. As bandas nas quais tenho foco são Metallica, Iron Maiden, Kiss e Ramones, possuindo a discografia original completa e uma série de bootlegs. Ao longo dos anos comecei a ouvir e adquirir também discos de rock progressivo e alternativo.











Vinil ou CD? Quais os pontos fortes de cada formato, para você?


Gosto de ambos. O CD é prático para ouvir no carro, e o vinil para ouvir quando estou em meu escritório. Os detalhes e as dimensões dos LPs são para serem apreciados sem pressa, por isso é o formato que prefiro. Posso dizer que a qualidade dos CDs melhorou muito desde os primeiros tempos.


Existe algum instrumento musical específico que o atrai quando você ouve música?


Gosto do instrumento que todos possuímos: a voz. E, nesse quesito, na minha opinião não teremos ninguém tão bom quanto foi Freedie Mercury. Assim sendo, também tenho a discografia completa do Queen.


Qual foi o lugar mais estranho onde você comprou discos?


Foi na garagem de um conhecido meu que havia comprado um lote de discos de uma loja que estava fechando. Apesar de encontra pouca coisa que me interessasse, o lugar era bizarro.


Qual foi a melhor loja de discos que você já conheceu?


Antigamente tínhamos o Museu do Disco, Hi-Fi, as lojas de departamento como Mappin, e a Galeria do Rock (que hoje está muito diferente do que já foi). Hoje felizmente temos o eBay, onde costumo comprar discos, e sempre dou uma olhada também nas lojas da Nova Barão.





Conte-me uma história triste na sua vida de colecionador.


Triste é quando você quebra ou perde algum exemplar. No meu caso, o problema que tive foi comprar um LP com conteúdo diferente do selo e descrição do vinil. Como era um disco relativamente comum, foi pro lixo.


Como você organiza a sua coleção? Dê uma dica útil de como guardar a coleção para os nossos leitores.


Todos os discos que compro são limpos com uma flanela especial branca, acondicionados em plásticos internos (caso não o tenham), protegidos com plásticos externos e mantidos em pé. Estão em estantes de madeira em ordem alfabética. Eles são catalogados em uma planilha de Excel com 4 abas: Artistas Internacionais, Artistas Nacionais, Repetidos e Trocados. Classifico por ordem alfabética de intérprete – álbum – selo – ano – origem – tipo (simples, duplo, etc).








Além da música, que outros fatores o atraem em um disco?


A produção gráfica. Gosto de ver os detalhes da capa, que dificilmente podem ser vistos nos CDs.


Quais são os itens mais raros da sua coleção?


Essa é uma pergunta difícil, mas vou tentar responder os mais raros por banda e, no final, os gerais:


- Iron Maiden: CDs singles de “Wasting Love” e “Soudhouse Tapes”, box First 10 Years autografado, bootlegs Live in Concert e Time Conquerors, LP single “Virus” autografado;


- Metallica: bootlegs Assassin, Demoniac Invocation e outros, picture snake japonês, EP Record Store Day 2010 com “Frantic” e Black Sabbath no outro lado.


- Kiss: LP promo Psycho Circus alemão (2 exemplares), LP colour Sonic Boom nas 5 cores lançadas


- Ramones: LP Adios Amigos em 3 nacionalidades (Brasil, Estados Unidos e Reino Unido), vários bootlegs


- Gerais internacionais: reunião do Led Zeppelin em LP triplo, Arid Abdabs, Rolling Stones bootleg raro, os primeiros do AC/DC australianos


- Gerais nacionais: Sessão das 10 em três prensagens diferentes (sendo uma delas a primeira), Secos e Molhados


- Capas pornô: John Lennon, Jimi Hendrix e Blinder







Você tem ciúmes da sua coleção?


Ciúmes não, tenho cuidado. Evito ouvir e manusear os discos quando tem crianças visitando a minha casa.


Quando você está em uma loja procurando discos, tem algum método específico de pesquisa, alguma mania, na hora de comprar novos itens para a sua coleção?


Atualmente procuro pela internet e busco os itens mais ofertados do gênero rock. Quando vou a uma loja física, vou nas bancas de rock e procuro pelos importados.


O que significa ser um colecionador de discos?


Este é um hobby que gosto muito e tenho grande carinho, pois já são 22 anos cuidando das minhas bolachas. É muito legal os amigos saberem que você coleciona, pois sempre em que vão viajar perguntam se estou procurando por algum item.


Você possui vários itens de memorabília em sua coleção. Pode detalhar os principais pra gente?


Os meus discos ficam em meu escritório, onde que fiz uma personalização com adesivo das paredes e uma decoração com itens de memorabilia como bonecos, quadros e boxes. Tenho também palhetas e baquetas que consegui em shows que fui. As fotos ilustram melhor tudo isso.






O que você acha desse papo de que música boa só existiu nos anos 1960 e 1970, e de que hoje não se faz música de qualidade?


É tudo uma questão de opinião! Gosto desde Beatles, Rolling Stones e Deep Purple até Soundgarden, Linkin Park e Evanescence. Temos sempre que levar em consideração o momento vivido pela sociedade nas ultimas décadas e sua influência na música. Mas aí já é trabalho para um antropólogo e não para um engenheiro.


Qual é o melhor disco de 2011, até o momento?


Gostei do novo do Foo Fighters, Wasting Light, porém o melhor na minha opinião é o Forevermore, do Whitesnake.


Helio, muito obrigado pelo papo. Pra fechar, o que você está ouvindo e recomenda aos nossos leitores?


Estou ouvindo no momento e recomendo a todos a minha última aquisição: Chickenfoot em edição dupla, estreia da banda formada por Sammy Hagar, Michael Anthony, Joe Satriani e Chad Smith.

Infinity: resenha do álbum 'Infinity' (2011)

sexta-feira, julho 29, 2011


Por Marcelo Vieira


Nota: 9,5


Em matéria de AOR, Mitch Malloy está entre as figuras mais representativas de todos os tempos. Vocalista dos mais extraordinários, compositor de mão cheia e produtor dos mais competentes, o cara é unanimidade dentro do gênero. Em aproximadamente duas décadas de carreira lançou discos que se tornaram referência, gravou músicas de sucesso e colaborou com gente de peso – cantando ou produzindo –, enfim, elevou seu nome ao status que ostenta hoje em dia.


No último dia 11, a Melodic Rock Records lançou Infinity, CD homônimo ao finado projeto formado por Malloy e o tecladista David Rosenthal, conhecido principalmente por seu trabalho com o Rainbow – Rosenthal co-escreveu algumas canções dos álbuns Straight Between the Eyes (1982) e Bent Out of Shape (1983) – e Billy Joel. As nove canções aqui presentes foram registradas entre 1986 e 1987 – não tendo sido lançadas até então –, mas a remasterização foi tão bem feita que o material soa mais atual do que nunca.


A voz de Malloy (na época, um iniciante que tentava a sorte grande cantando na noite em Nova Jersey) somada às teclas mágicas de Rosenthal (também moleque e desempregado graças ao fim do Rainbow) são o fio condutor do Infinity. Segundo o próprio vocalista no press release de lançamento: “O Infinity era, basicamente, David e eu com diferentes músicos completando a formação.” Entre esses músicos, ninguém menos que o estreante e já brilhante Reb Beach.


“I’m on the Edge” é o que Gregg Giuffria chamaria de cinema rock: música despretensiosa, com cara de Sessão da Tarde. Já “She’s on Fire” é a típica balada de rock de arena, grandiloqüente, com letra certeira e interpretação de arrepiar. A farofa com tempero oitentista é servida na irresistível “Christine”. Inacabada em 1987, “Liar” conta com novos vocais de Malloy gravados em 2011, e nova bateria. O alcance, obviamente, não é mais o mesmo. Mas o feeling do cara permanece intacto: coisa de quem sabe (e ama) o que faz.


“Promise” começa devagar-quase-parando, com voz em tom baixo e cravo dedilhado apenas, até explodir no refrão, com um show a parte de Malloy. Balada dilacerante, com solo digno de centro de palco (Beach?). “Over You” foi feita nos moldes setentistas de grupos como Boston e Styx – fontes nas quais a grande maioria das bandas do melodic rock dos anos 80 até os dias de hoje se embebedaram assumidamente. E já que falamos em Sessão da Tarde, “Running” é perfeita pra rolar enquanto sobem os créditos do filme - mas só pra isso também.


Ah, se desse para incluir Infinity na lista dos melhores do ano, não teria pra nenhum outro – ao menos em se tratando de AOR.


1. I’m On The Edge
2. Secrets
3. She’s On Fire
4. Christine
5. Let It Go
6. Liar
7. Promise
8. Over You
9. Running

28 de jul de 2011

Adele: análise dos dois primeiros discos da sensação do pop

quinta-feira, julho 28, 2011


Por Fabiano Negri


Adele está na moda! Domina paradas por todo o planeta, quebrando recordes de venda e de permanência no primeiro lugar. Ela é simplesmente a maior estrela da atualidade. Como é bom ver música de qualidade mandando no mundo!


A moça em questão é uma inglesa de apenas 23 anos que canta e compõe como uma veterana. Com claras influencias de Etta James, Robert Flack, Nina Simone e uma pitada de Janis Joplin, Adele é dona de um timbre de voz espetacular, excelente alcance e aquele apurado senso de divisão rítmica que só as grandes cantoras de blues e jazz possuem.




Após ser descoberta pela XL Recordings – por sua demo no MySpace – ela lançou seu primeiro álbum, 19, em 2008. O disco é um verdadeiro deleite para os ouvidos. Sem pressa, muito bem produzido e executado, tem como principal destaque a madura e afinadíssima voz de Adele. Temos muitos momentos brilhantes, como na abertura com “Daydreamer” – apenas violão e voz numa interpretação arrebatadora –, “Best for Last” – com claras influências de sua conterrânea Amy Winehouse –, o hit “Chasing Pavements” e a bela versão para “Make You Feel My Love”, do mestre Bob Dylan.


Mas o que realmente chama a atenção é a segurança que Adele demonstra em sua estreia. Totalmente à vontade, ela desfila uma classe impressionante, tanto em sons absolutamente pops – “Cold Shoulder” - como em temas que exigem o máximo de uma cantora – “Melt My Heart to Stone”.


Com o caminho aberto pela igualmente talentosa Amy Winehouse, foi apenas lançar o álbum e esperar pelos frutos. 19 foi muito bem nas vendas e trouxe o nome Adele para o centro das atenções, pavimentando assim o caminho para o mega estrelato com 21, lançado no início de 2011.




Se 19 foi ótimo, 21 conseguiu a proeza de ser ainda melhor. O hit - que já se tornou clássico – “Rolling in the Deep” abre o álbum com seu incrível swing, botando qualquer um pra dançar. A temperatura segue alta em “Rumour Has It”, que conta com aquela adorável sonoridade de bateria vintage e refrão irresistível. A ponte só com piano e cordas é sensacional.


As baladas são o ponto alto, como na dramática “Turning Tables”, na quase country “Don't You Remember” e naquela que faria Janis Joplin dar um largo sorriso de satisfação, “One and Only”.


É um prazer ouvir alguém cantado assim em 2011. O mais interessante é que Adele não precisa gritar nem abusar de fraseados cheios de melismas desnecessários e chatos. Ela apenas se entrega de alma às canções – que na maioria são compostas por ela – e deixa seu talento natural agarrar o ouvinte. O álbum ficou em primeiro lugar nos EUA e na Inglaterra por diversas semanas, tendo 8 milhões de cópias vendidas no mundo até agora.


Adele acertou a mão em seus dois trabalhos. Mistura com maestria pop, blues, jazz e R&B e tem talento de sobra para crescer ainda mais. Além disso, parece ter uma cabeça no lugar e não vai cair na mesma armadilha daquela que abriu as portas para essa nova invasão britânica.


Acredito que esse seja apenas o começo da trajetória de uma estrela de primeira grandeza. Ela está no topo agora e tem bala na agulha pra continuar lá. Alguém aposta no contrário?

Machine Head: veja a capa e o tracklist do novo álbum

quinta-feira, julho 28, 2011


Por Ricardo Seelig


Unto the Locust, o aguardado novo álbum do Machine Head, chegará às lojas dia 27 de setembro. O disco é o sucessor do aclamado The Blackening (2007), um dos melhores álbuns de thrash metal da última década.


Produzido pelo próprio Robb Flynn, guitarrista e vocalista da banda, o trabalho foi mixado por Juan Urteaga (Exodus, Sadus, Testament).


O disco será lançado em duas versões – standard e uma edição dupla com DVD -, sendo que a versão especial conta com covers para as clássicas “The Sentinel” do Judas Priest e “Witch Hunt” do Rush.


Confira abaixo o tracklist de Unto the Locust:


CD normal:
1. I Am Hell (Sonata In C#)
I) Sangre Sani
II) I Am Hell
III) Ashes To The Sky
2. Be Still And Know
3. Locust
4. This Is The End
5. Darkness Within
6. Pearls Before The Swine
7. Who We Are


CD + DVD:
1.I Am Hell (Sonata in C#)
I) Sangre Sani
II) I Am Hell
III) Ashes To The Sky
2. Be Still And Know
3. Locust
4. This Is The End
5. Darkness Within
6. Pearls Before The Swine
7. Who We Are


Bonus tracks:
8. The Sentinel (Judas Priest cover)
9. Witch Hunt (Rush cover)
10. Darkness Within(Acoustic)


DVD The Making Of Unto The Locust Documentary

Anvil: veja capa e tracklist de nova coletânea da banda

quinta-feira, julho 28, 2011


Por Ricardo Seelig


Chegará às lojas no próximo dia 27 de setembro a coletânea Monument of Metal: The Very Best of Anvil.


Veja abaixo o tracklist:


1. "Metal On Metal" (Re-Record From This Is Thirteen 2009 / originally from Metal On Metal, 1982)
2. "Winged Assassins" (Re-Record, originally From Forged In Fire, 1983)
3. "666" (From This Is Thirteen, 2009)
4. "Thumbhang" (From This Is Thirteen, 2009)
5. "School Love" (Re-Record, originally from Hard 'N' Heavy, 1981)
6. "Heat Sink" (From Metal On Metal, 1982)
7. "March of the Crabs" (instrumental) (From Metal On Metal, 1982)
8. "Plenty of Power" (From Plenty Of Power, 2001)
9. "Mothra" (From Metal On Metal, 1982)
10. "Sins of the Flesh" (From Worth the Weight, 1992)
11. "Jackhammer" (live) (From Past And Present; Live In Concert, 1989)
12. "Juggernaut of Justice" (From Juggernaut of Justice, 2011)
13. "No One To Follow" (From Absolutely No Alternative, 1997)
14. "Mad Dog" (From Strength of Steel, 1997)
15. "Bottom Feeder" (From Back to Basics, 2004)
16. "Race Against Time" (From Still Going Strong, 2002)
17. "American Refugee" (From This Is Thirteen, 2007)
18. "Fire In The Night" (From Pound For Pound, 1988)
19. "Park That Truck" (From Speed of Sound, 1999)

Mastodon: veja como é a edição especial do novo álbum

quinta-feira, julho 28, 2011


Por Ricardo Seelig


O Mastodon divulgou os detalhes da edição especial e limitada do seu novo álbum, The Hunter, que chegará às lojas dia 27 de setembro. Essa versão trará um pacote com CD e DVD em embalagem digipak, capa alternativa (que você pode ver acima), um poster com a capa normal e conteúdo exclusivo ainda não divulgado.


Essa edição estará disponível para venda apenas através do site da banda, aqui nesse link.


Ouça abaixo a ótima “Black Tongue”, faixa que estará em The Hunter:




Stevie Wonder: os 35 anos de 'Songs in the Key of Life'

quinta-feira, julho 28, 2011


Por Fabiano Negri


Stevie Wonder é, sem dúvida, um dos artistas mais talentosos de todos os tempos. Dono de uma voz invejável, hábil multi-instrumentista e um dos poucos a conseguir conciliar arranjos ultra complexos com melodias palatáveis, ele foi responsável por obras atemporais. Nesse texto vou dissecar sua principal façanha, o inquestionável Songs in the Key of Life (1976).


Fruto de sua bem-vinda autonomia junto à gravadora Motown, Stevie já havia lançado trabalhos marcantes como Talking Book (1972), Innervisions (1973) e Fulfillingness' First Finale (1974), que já mostravam total amadurecimento, além de muita sofisticação e bom gosto. Contudo, o ápice de sua genialidade estava no próximo passo.


Em 1975 Stevie assinou um novo contrato com a Motown no valor de trinta e sete milhões de dólares. Além de ser o mais alto valor pago para um músico – até aquela data –, esse contrato dava liberdade total para Stevie fazer o que ele bem entendesse. A ideia de gravar um álbum duplo não agradava muito aos executivos, que achavam que isso poderia custar muito caro e não dar o retorno desejado. O perfeccionismo de Stevie acabou por fazer com que a data de lançamento fosse adiada algumas vezes. Mais de cento e trinta pessoas trabalharam no disco. O clima de incerteza pairava sobre as cabeças do pessoal da Motown.









Depois de muita espera. o álbum saiu no dia 28 de setembro de 1976. A edição original continha o álbum duplo, um compacto com quatro músicas e um livreto de vinte e quatro páginas. Um belíssimo trabalho gráfico! Mas a música contida aqui poderia até vir dentro de um sanito que não haveria problemas ...


Se era pra testar a capacidade de Stevie, esse petardo foi um cala boca em qualquer um que duvidasse de suas qualidades. A abertura com a suave “Love's in Need of Love Today” já laça o ouvinte com uma maravilhosa melodia – marca registrada de todo o trabalho –, uma sonoridade harmoniosa - sem egos à flor da pele – e uma produção cristalina, que deve ter dado o que falar na época!


Falando em baladas, ainda temos a triste mais ainda real “Village Ghetto Land” – movida apenas por cordas sintetizadas e pelo instrumento mais afinado do disco, a voz de Stevie –, a atmosférica “Joy Inside My Tears” e a melhor de todas, “Knocks Me Off My Feet”, com um arranjo primoroso e harmonias costuradas de forma brilhante, onde Stevie manda a melhor melodia do álbum e, pasmem, toca todos os instrumentos! É pra quem pode, né?


“Have a Talk with God” tem aquele balanço em marcha lenta, gostoso, mostrando que simplicidade é tudo para fazer uma música pulsar de verdade – não dá nem pra falar que a cozinha se entendeu bem porque, mais uma vez, o homem toca tudo!









E o que dizer de “Sir Duke” e “I Wish”? Uma aula de groove! Não dá pra não se empolgar ouvindo essas pérolas da black music, que mostram com bastante clareza de onde o senhor Glenn Hughes tirou TODOS os seus truques vocais!


E o sorriso não sai do rosto em nenhum momento, seja na alegre “Isn’t She Lovely” – que traz seu característico solo de gaita –, na 'true' “Black Man”, em “Pastime Paradise” – que aqui tem sua versão real e definitiva – e no passeio por sonoridades latinas em “Ngiculela – Es Una Historia – I Am Singing”.


O que temos aqui é um verdadeiro doutorado em música de qualidade com as mais diversas influências, passeando por diversas sonoridades, com performances brilhantes, sem exageros e sem os malabarismos desnecessários tão comuns em pseudo-cantores do gênero. Uma das poucas vezes em que o resultado superou a pretensão!





E quanto à preocupação da Motown sobre o investimento? Tornou-se satisfação quando o álbum ficou em primeiro lugar na lista da Billboard e se tornou um dos trabalhos mais vendidos de todos os tempos! Merecido!


Você não conhece esse disco? Pera aí, alguma coisa está errada! Baixe, compre, roube, mas não deixe de ter. E, por favor, aprecie devagar e viaje pela beleza e sensibilidade da música do gênio – esse merece mesmo esse adjetivo! – Stevie Wonder!

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE