Google+ 2011-09-18 ~ #CollectorsRoom ® | música além do óbvio#

24/09/2011

Assinando atestado de imbecil para todo o Brasil


Quais serão os próximos planos de Bento Mello, o 'repórter' que tirou uma foto com a Cláudia Leitte ontem segurando um bilhete pedindo para ela não tocar mais Led Zeppelin? Vai jogar um copo d'água na Shakira, passar uma rasteira no Stevie Wonder e cuspir na cara da Ke$ha? 


Comportamento lamentável de um fã retardado! Esse jornalismo musical marrom, que se espelha no Pânico na TV usando artistas como escada para alcançar Ibope ao invés de investir na produção de material próprio e de qualidade, posando com uma suposta "atitude" em situações que deveriam ser, a princípio, engraçadas, atesta não apenas a imbecilidade de seus autores, como também o seu gigantesco amadorismo.

É por essas e outras que a mídia especializada em heavy metal aqui no Brasil é, em sua grande parte, patética e ridícula.

Já passou da hora de ser (muito) mais profissional e (muito) menos fã.


Momento 'Quase Famosos' no Rock in Rio 2011


23/09/2011

O show do R.E.M. no Rock in Rio 2001



Ray Charles faria 81 anos hoje



Enquete da semana: o melhor álbum de heavy metal de 1985


Em um ano sem lançamentos das duas principais bandas de metal dos anos 1980 – Iron Maiden e Metallica -, a disputa pelo título de melhor disco de 1985 foi interessante.

O primeiro lugar do Exodus com o clássico Bonded by Blood era esperado, mas a briga pelo segundo posto foi acirrada entre Megadeth, Celtic Frost e Slayer. Como ponto negativo, cito apenas o pouco número de votos para um dos álbuns mais influentes da década de oitenta: Seven Churches, do Possessed.

Vamos aos resultados:

Exodus – Bonded by Blood – 29%
Megadeth – Killing is My Business … - 17%
Celtic Frost – To Mega Therion – 14%
Slayer – Hell Awaits - 12%
Accept – Metal Heart – 8%
Helloween – Walls of Jericho - 8%
Anthrax – Spreading the Disease – 6%
S.O.D. - Speak English or Die - 3%
Destruction – Infernal Overkill – 2%
Possessed – Seven Churches – 1%

E aí, o que você achou do resultado?


"Lithium", do Nirvana, como você nunca ouviu


Korzus: assista o clipe de "I Am Your God"


King Crimson ao vivo em 1974


A capa 3D do novo álbum do Chickenfoot


22/09/2011

U2: trailer do documentário 'From the Sky Down'


Wilco: "Born Alone" no palco de David Letterman


Motörhead girl



Ouça o novo single do Megadeth


Jimmy Page na boa, direto dos anos 70



John Du Cann (1950 - 22/09/2011)



Mastodon: assista o clipe de "Curl of the Burl"


Obrigado, R.E.M.


Interior do Rio Grande do Sul, segunda metade da década de 1980. Esse foi o cenário da minha adolescência. Meus pais moravam – e continuam residindo – em uma pequena cidade chamada Espumoso, cuja população gira em torno de 15 mil habitantes. Para você se situar geograficamente, ela fica no norte do estado, a cerca de 250 km de Porto Alegre. O principal centro urbano dessa região é Passo Fundo, cidade com mais de 200 mil habitantes localizada a pouco mais de 70 km de Espumoso, sede de uma das principais universidades do RS, a UPF, onde estudei.

Voltando. Sempre fui apaixonado por música. Porém, naquela época não existiam as facilidades que hoje fazem parte do nosso dia a dia. Um disco não vazava, era preciso comprá-lo ou gravar uma fita de algum amigo que tinha o vinil para, só assim, conhecer novos sons. Não havia internet, então não vivíamos cercados por uma avalanche de informações como hoje em dia. Aguardava com ansiedade a chegada da minha revista preferida, a Bizz, na única banca local. Era nas páginas da melhor publicação de música que o Brasil já teve que eu ficava por dentro do que estava rolando. Era através dos seus textos que eu conhecia grupos que nem imaginava existir, e que despertavam a minha curiosidade violentamente.

Um deles se chamava R.E.M.. Foi através de um texto que li nas páginas da Bizz que resolvi ir atrás do grupo. Havia apenas uma pequena loja de discos em Espumoso, e eu, geralmente, pegava o ônibus e encarava duas longas horas de viagem até Passo Fundo na companhia de um amigo em jornadas atrás de novos sons. Voltávamos carregados de LPs, em incursões que se repetiam, geralmente, de quinze em quinze dias. Porém, essa pequena loja que havia em Espumoso recebia de tempos em tempos a visita de um vendedor que a abastecia, uma espécie de caixeiro viajante musical. Como eu vivia comprando LPs, o dono me avisava com antecedência quando esse mago dos sons viria, e eu batia ponto esperando a sua surrada Fiorino branca chegar. Foi em uma dessas ocasiões que, dentro do pequeno furgão, encontrei um álbum do R.E.M. e, finalmente, pude ouvir uma das bandas que não via a hora de conhecer.


Estamos em 1988, e o disco se chamava Green. Ele já era o sexto trabalho da banda norte-americana, mas eu não fazia ideia disso. Comprei na hora, junto com outros LPs que não lembro agora – se não me falha a memória, um deles era a coletânea dupla Ramonesmania -, e fui para casa ouvir. Era uma música diferente da que eu estava habituado. Apesar de sempre procurar conhecer novos grupos escutava quase que exclusivamente heavy metal, gênero bem diferente do som que saía dos sulcos do vinil. Porém, a mistura de rock com elementos country de Green me conquistou de imediato, e logo o álbum se tornou um dos meus favoritos.

Como a minha coleção era uma das maiores da cidade, reuniões para ouvir música aconteciam frequentemente lá em casa. E é claro que eu fiz questão de compartilhar a minha mais recente descoberta com os meus amigos. Ouvíamos sem parar o power pop de “Pop Song 89” e “Get Up”, a grudenta “Stand”, a belíssima “World Leader Pretend” - até hoje a minha canção favorita do R.E.M. - e a dupla “Orange Crush” e “Turn You Inside-Out”. Como eu também vivia colocando som em festas que organizávamos, “World Leader Pretend” e “Orange Crush” logo se tornaram pequenos hits daquela turma de amigos, em uma cumplicidade particular por termos descoberto uma ótima banda que pouca gente conhecia.




Três anos mais tarde o R.E.M. explodiria mundialmente com o lançamento de Out of Time, que trazia o mega-hit “Losing My Religion”. Porém, no meu caso particular, a banda já havia me conquistado definitivamente com Green, que até hoje está entre os meus discos favoritos.

Ao longo dos anos segui acompanhando a carreira do grupo, mas sem o interesse e a paixão que o primeiro contato me proporcionaram. Gostei de Out of Time, achei Automatic for the People lindo, estranhei o Monster, redescobri recentemente o belíssimo New Adventures in Hi-Fi, passei batido pela trinca Up, Reveal e Around the Sun, gostei de Accelerate e adorei Collapse Into Now, mais recente álbum do trio formado por Michael Stipe, Peter Buck e Mike Mills.

Ontem, o R.E.M. anunciou o encerramento de suas atividades. Mesmo acompanhando a trajetória da banda com um certo distanciamento, confesso que fiquei triste com essa notícia. A razão é simples: chegava ao fim um grupo que foi parte importantíssima da minha adolescência, e que ocupa lugar de destaque na trilha-sonora da minha vida. E tudo isso por causa de apenas um disco, encontrado dentro de uma caixa no interior de uma pequena van.

Obrigado por tudo Michael, Peter, Mike e Bill. A história foi bonita, e ela tinha que ter um final um dia.


Krisiun: ouça a inédita "The Will to Potency"


Johnette Napolitano, 54 anos hoje



David Coverdale, 60 anos hoje



21/09/2011

Chickenfoot: crítica do álbum 'Chickenfoot III' (2011)



Nota: 9

O Chickenfoot encontrou a sua cara em seu segundo disco. Se no ótimo primeiro álbum, lançado em 2009, o quarteto formado por Sammy Hagar, Joe Satriani, Michael Anthony e Chad Smith apresentou um hard rock classudo com gigantesca influência do som que o Van Halen executava quando Hagar estava na banda, em Chickenfoot III a coisa é diferente.

Pra começo de conversa, a música do grupo está mais swingada, tem mais groove, está mais malandra. O alto astral se mantém lá em cima, naquela sonoridade ensolarada característica de todo trabalho que envolve Sammy Hagar. Ao invés de seguir um caminho semelhante ao do primeiro disco, a banda inseriu, corajosamente, elementos de outros gêneros em sua música, como pop, soul e blues, em uma variação que surpreenderá o ouvinte. Dessa maneira, Chickenfoot III é um trabalho inesperadamente diversificado, o que poderá decepcionar um pouco quem está esperando um cópia do debut.

A qualidade e a experiência de Hagar, Satriani, Anthony e Smith é um diferencial tremendo, e juntar os quatro em uma mesma banda é covardia. Assim, tudo exala um bom gosto e uma classe difíceis de serem encontradas por aí. Sammy continua sendo uma dos melhores vozes do hard rock, cantando de maneira brilhante. Michael, além de um baixista inquestionável, é dono de um dos melhores backing vocals do som pesado. A banda sabe disso, e usa esse fator a seu favor. E Chad Smith impressiona por tocar, mais uma vez, de uma maneira totalmente diferente daquela que estamos acostumados a ouvir no Red Hot Chili Peppers, reinventando-se de uma forma possível apenas para quem é grande em seu instrumento.

O mais legal no Chickenfoot, porém, é poder escutar um músico do gabarito de Joe Satriani, inegavelmente um dos maiores guitarristas da história, acompanhado por uma banda de verdade e não apenas gravando discos solos instrumentais. A técnica de Satriani é inigualável, e vê-lo usando tudo o que sabe nas composições do Chickenfoot, respeitando as dinâmicas de cada músico e assumindo o protagonismo na hora certa, é sensacional. Ainda sobre a guitarra, vale um comentário: o timbre de Satriani no disco é de outro mundo, com doses certeiras de distorção, porém mantendo um som mais limpo em seu instrumento, que sai das caixas de som de forma cristalina.

Quem curtiu o primeiro disco irá adorar as ótimas “Alright, Alright”, “Up Next” e “Big Foot”. A banda surpreende ao entrar sem medo no território do soul em “Come Closer”, e o resultado é muito positivo. “Dubai Blues”, com sua estrutura feita sob medida para a inserção de jams nas apresentações ao vivo, mostra o quarteto em um blues rock clássico, enquanto “Something Going Wrong” é outra surpresa e tanto, uma belíssima faixa contemplativa construída com violões e banjos. Merece menção também “Three and a Half Letters”, cuja letra retrata o delicado momento econômico vivido pelos Estados Unidos através de trechos de cartas enviadas pelos fãs para a banda. Sem dúvida, uma maneira inusitada de tratar de um problema que preocupa não apenas os norte-americanos, mas todo o mundo.

Chickenfoot III é um excelente disco. Diferente da estreia, com certeza, e por isso mesmo, em diversos momentos, tão surpreendente. O legal é que ele sairá por aqui via Hellion Records, que também lançará o primeiro álbum do quarteto, até então inédito no Brasil, em uma caprichada edição dupla cheia de bônus.

Quem gosta de música, tem que ouvir!


Faixas:
  1. Last Temptation
  2. Alright Alright
  3. Different Devil
  4. Up Next
  5. Lighten Up
  6. Come Closer
  7. Three and a Half Letters
  8. Big Foot
  9. Dubai Blues
  10. Something Going Wrong
  11. (Hidden Untitled Bonus Track)


Saxon: versão orquestrada de "Call to Arms"


Kasabian na NME da semana



Machine Head na RockHard



Megadeth na Sweden Rock



Leonard Norman Cohen, 77 anos hoje



20/09/2011

Pôster do show do Wilco que rola hoje em Boston



Megadeth: ouça a inédita "Never Dead"


Ouça 'The Hunter', o novo álbum do Mastodon


Mastodon: crítica do álbum 'The Hunter' (2011)



Nota: 10

Quatro discos lançados, nenhum igual ao outro e todos aclamados pela crítica. Em pouco mais de dez anos de carreira, o Mastodon colocou o heavy metal em uma nova perspectiva. As composições complexas do quarteto levaram o gênero além dos seus limites. Em The Hunter, seu novo trabalho, a jornada continua. Nele, a banda mais ambiciosa e destemida da música pesada segue a sua cruzada, alcançando um resultado final brilhante.

The Hunter é mais direto que o seu antecessor, Crack the Skye. Há muita melodia, o que faz com que o disco seja mais amigável do que o costume. De uma certa forma, o grupo abriu mão da abordagem avant-garde dos trabalhos anteriores, concentrando-se em uma sonoridade mais tradicional, porém não menos criativa. Com canções baseadas em riffs pesados, que sempre surgem amparados pelo baixo cheio de groove de Troy Sanders, The Hunter é um álbum incrivelmente cativante. Nele, a banda passou por cima de seus limites novamente, apresentando uma nova faceta de sua múltipla personalidade.

O timbre das guitarras remete, em alguns momentos, ao Black Sabbath. A ótima “Curl of the Burl”, por exemplo, é puro stoner. A inquietude do grupo faz com que cada composição jogue novas cartas na mesa, diferenciando-se da anterior. O fato de o disco ser apenas o segundo trabalho não conceitual do conjunto – o primeiro foi a estreia Remission, de 2002 – intensifica essa pluralidade. No entanto, apesar de diferentes entre si, as faixas constróem um todo coeso, unificado em sua essência e coração – a própria banda.

Não vou apontar destaques, porque isso seria simplificar e reduzir o álbum a uma mera peça de consumo instantâneo e descartável. The Hunter é muito mais do que isso. Suas treze faixas formam uma obra de arte que não será esquecida tão cedo e colocam o grupo lá na frente, sozinho, com uma foice na mão, abrindo caminho e rompendo barreiras com o seu som, mais uma vez.

O Mastodon não respeita convenções, não segue regras, não conhece limites. É isso que o faz único e tão diferente de tudo o que existe.

Eis aqui um álbum que todos deveriam ouvir.



Faixas:
  1. Black Tongue
  2. Curl of the Burl
  3. Blasteroid
  4. Stargasm
  5. Octopus Has No Friends
  6. All the Heavy Lifting
  7. The Hunter
  8. Dry Bone Valley
  9. Thickening
  10. Creature Lives
  11. Spectrelight
  12. Bedazzled Fingernails
  13. The Sparrow


Mastodon na Metal Hammer



Nirvana na Kerrang



19/09/2011

Ministry: trailers do documentário sobre a banda



Arch/Matheos: crítica do álbum 'Sympathetic Resonance' (2011)


Por Marcelo Vieira

Nota: 10

Em uma de suas citações mais famosas, Carlos Drummond de Andrade, ao mesmo tempo em que afirma que “a produção voluntária não vai além da mediocridade”, define as obras-primas como frutos do acaso. É o que acontece com Sympathetic Resonance, que resultou do acaso que foi a reunião entre o vocalista John Arch e o guitarrista Jim Matheos, dupla responsável pela criação do Fates Warning em 1982.

Diante da indisponibilidade de Ray Alder (vocal), Matheos resolveu dar novo destino ao material que havia escrito originalmente para um novo álbum do Fates Warning. A aproximação com Arch ocorreu em 2010. Para completar o time, outras duas feras: o baixista Joey Vera (Armored Saint, Anthrax) e o baterista Bobby Jarzombek (Demons and Wizards, Halford). Estava formado o Arch/Matheos.

Com seis músicas fechadas e muita vontade de fazer bonito, o quarteto contou com o auxílio do guitarrista Frank Aresti nas gravações. A participação do ex-dupla de Matheos no Fates Warning (naquela que foi, indiscutivelmente, a melhor fase da banda) talvez seja o motivo que mais impulsione os fãs de Adler a conferirem o som do quarteto, pois há ainda quem torça o nariz para o incrível John Arch.

“Neurotically Wired” abre o trabalho de forma climática, remetendo, obviamente, ao estilo dos primeiros álbuns do Fates Warning. Com mais de dez minutos de duração, soa como uma suíte dividida em várias partes, atestando, a cada uma delas, a expertise instrumental dos envolvidos e como o tempo foi generoso com Arch, preservando sua voz de forma impressionante. “Midnight Serenade” traz afinação rebaixada e muita distorção, numa base pesada que permite um bate-cabeça em mid-tempo. É música para ser tocada ao vivo e ovacianada após o término.

Primeiro single do álbum, “Stained Glass Sky” é uma viagem total. Harmonia complexa, tempos quebrados, uso de escalas exóticas, palhetadas frenéticas em solos a mil por hora, musicalidade apurada e um show a parte da cozinha. São 13 minutos de duração, com a voz só surgindo lá pelo quarto minuto, mas você nem sente de tão fantástica que é a atmosfera. A bateria em “On the Fence” é absurda. Bobby Jarzombek incorpora o estilo “polvo” de tocar, e Arch arrisca tons altíssimos, se saindo muito bem.

“Any Given Day” tem contornos mais moderninhos, e a sensação de várias músicas em uma só volta com tudo. O instrumental é uma avalanche – ou melhor, um terremoto. E, como não poderia deixa de ser, o encerramento começa ao violão com “Incense and Myrrh”, em um número que promete caso a banda resolva se apresentar ao vivo. A música cresce de forma espantosa no refrão, com interpretação fabulosa de Arch, mas não restam dúvidas de que este som foi escrito para Alder cantar. Quem sabe um dia …

Sympathetic Resonance é uma obra-prima com origem no acaso. Aristóteles já dizia que“geralmente, são os bens que provém do acaso que provocam inveja”, e eu já posso imaginar muita gente boa tomando esse álbum como inspiração. Já está no meu top 10 de 2011, com todos os méritos. E, se eu pudesse, daria nota 11.



Faixas:
  1. Neurotically Wired
  2. Midnight Serenade
  3. Stained Glass Sky
  4. On the Fence
  5. Any Given Day
  6. Incense and Myrrh


House of Lords: crítica do álbum 'Big Money' (2011)


Por Marcelo Vieira

Nota: 7

Eis aqui uma banda que não sabe o que é tirar férias. De 2006 pra cá, o House of Lords vem produzindo em ritmo quase industrial. Foram cinco álbuns neste período, sendo três de estúdio, um ao vivo e uma coletânea com material inédito. No próximo dia 23/09, a discografia da banda será oficialmente aumentada com Big Money. A formação é a mesma de Cartesian Dreams (2009), com James Christian (vocal), Jimi Bell (guitarra), Chris McCarvill (baixo) e BJ Zampa (bateria).

Em matéria de som, o House of Lords nunca se arriscou. Sempre foi hard rock melódico e ponto final. Em Big Money, a coisa não muda. A fórmula aqui é a mesma de seus antecessores. Tudo muito bem timbrado, gravado e mixado, guitarra distorcida na medida certa – é possível ouvir cada nota dos solos a mil por hora de Bell -, backing vocals funcionando melhor do que nunca e Christian mostrando que é um vocalista de peso – em todos os sentidos.

O problema é que nessa de não ousar o House of Lords acabou refém do som que é sua marca registrada. Por um lado isso é bom, os fãs agradecem e compram. Por outro, ainda que as músicas sejam fantásticas, a impressão de “já ouvi isso antes” vai e vem durante o álbum – a mesma sensação que tive ao escutar Cartesian Dreams pela primeira vez. “One Man Down”, por exemplo, é quase uma releitura de “Demons Down” (do álbum com o mesmo nome, de 1992), que, por sua vez, foi feita nos moldes de “Can't Find My Way Home” (presente em Sahara, lançado em 1990).

“First to Cry” cativa que é uma beleza e tem cheiro de hit das antigas, para o delírio dos saudosistas de plantão. A música de trabalho, “Someday When”, é outra que promete impressionar por sua superioridade melódica - sem contar que o timbre do teclado é puro Van Halen. “Searchin'”, com sua levada blueseira, vem embebida em malandragem e é um dos destaques, junto de “Living in a Dream World”, que é praticamente uma versão anos 2000 da faixa-título do álbum de 1990.

Calcinhas serão ensopadas e lágrimas irão rolar em “The Next Time I Hold You”, balada indefectível conduzida ao piano, com letra certeira e interpretação grandiosa de James Christian. “Hologram” é uma que funcionaria bem ao vivo, canção direta e fácil de assimilar. A guitarra mais pesada do disco talvez seja a de “Once Twice”, que prepara o terreno para o encerramento com a excelente “Blood”, onde o teclado, acertadamente, deixa a linha de frente.

No geral Big Money não empolgou e come poeira para o ainda imbatível Come to My Kingdom (2008), mas como isso não é um fator fundamental, provavelmente estará na minha lista dos dez melhores discos do ano. Não sou a favor do auto-plágio, mas quando este é feito por caras talentosos como James, Kimi, Chris e BJ, mudo de opinião.

Vale a pena conferir!



Faixas:
  1. Big Money
  2. One Man Down
  3. First to Cry
  4. Searchin'
  5. Someday When
  6. Livin' in a Dream World
  7. The Next Time I Hold You
  8. Run for Your Life
  9. Hologram
  10. Seven
  11. Once Twice
  12. Blood


Miles Davis: box traz o segundo quinteto no auge, em 1967


Novidade boa para quem gosta de jazz. A Columbia anunciou o lançamento do box Miles Davis Quintet – Live in Europe 1967: The Bootleg Series Vol 1. A caixa vem com 3 CDs e um DVD em embalagem de luxo, e chega às lojas amanhã, dia 20/09.

A excursão de 1967 do quinteto de Miles Davis é uma das mais famosas da história do jazz. Conhecido como Segundo Quinteto, o grupo era formado por Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams. Esse lançamento traz os músicos executando composições presentes nos álbuns E.S.P. (1965), Miles Smiles (1967), Sorcerer (1967) e Nefertiti (1968). Ao todo, são nada menos que 24 faixas nos três CDs, mais 11 no DVD.


Ramones ao vivo em 1977


Dynahead: assista o clipe de "Eventide"


Metallica passando o som no Yankee Stadium


Gram Parsons falecia há 38 anos atrás



18/09/2011