Google+ Setembro 2011 ~ #CollectorsRoom ® | música além do óbvio#

17 de out de 2011

Bob Dylan quer você!



Machine Head: "Darkness Within" ao vivo em Curitiba




Legião Urbana nas bancas de revistas



Ótima notícia para quem curte o BRock dos anos oitenta. A Abril Coleções está lançando a Coleção Legião Urbana, nos mesmos moldes das já disponibilizadas coleções dedicadas a Chico Buarque e Tim Maia.

Ao todo serão 15 livros CDs, totalizando 170 faixas e mais de 700 páginas de texto, passando a limpo a carreira daquela que é, sem dúvida, a mais cultuada banda do rock brasileiro.

Hoje, dia 17 de outubro, chega às bancas de revistas e livrarias de todo o Brasil o primeiro volume da coleção, dedicado ao primeiro álbum da Legião Urbana, homônimo, lançado originalmente em 1985 e que conta com as clássicas “Será”, “Geração Coca-Cola” e “Ainda é Cedo”. Esse primeiro volume será vendido pelo preço promocional de R$ 9,90, enquanto os demais custarão R$ 17,90 – os itens das coleções Chico e Tim eram mais baratos, R$ 14,90. Um novo álbum será lançado toda semana.


Para os colecionadores, uma informação preciosa: além dos itens em si, com acabamento luxuoso e textos inéditos, a coleção contará com três capas inéditas criadas por Fernanda Villa-Lobos, esposa de Dado e autora da identidade visual do conjunto.


Além disso, será disponibilizado também um livro compilando trechos de entrevistas e letras das músicas, e uma caixa exclusiva para guardar a coleção completa.

Veja abaixo quais são os 15 álbuns que formam a coleção:

  1. Legião Urbana (1985)
  2. Dois (1986)
  3. Que País é Este (1987)
  4. As Quatro Estações (1989)
  5. V (1991)
  6. As Quatro Estações Ao Vivo – Parte 1 (2004)
  7. As Quatro Estações Ao Vivo – Parte 2 (2004)
  8. Música para Acampamentos – Parte 1 (1992)
  9. Música para Acampamentos – Parte 2 (1992)
  10. Acústico MTV (1999)
  11. O Descobrimento do Brasil (1993)
  12. Como É Que Se Diz Eu Te Amo – Parte 1 (2001)
  13. Como É Que Se Diz Eu Te Amo – Parte 2 (2001)
  14. A Tempestado ou O Livro dos Dias (1996)
  15. Uma Outra Estação (1997)



15 de out de 2011

14 de out de 2011

Assista o documentário 'Skinhead Attitude'



Das Racist na nova Spin



Steve Jobs na nova Rolling Stone americana



A arte do rock vira livro



Por Márcio Grings


A arte roqueira estampada nas capas de discos, cartazes e crachás das maiores bandas dos anos 70, 80 e 90 virou livro e agora está disponível (EUA e UK, ou via sites como Amazon) a todos os fãs na obra The Art of Rock, publicação que mostra o desenvolvimento das artes visuais nas três principais décadas do gênero. Stones, Pink Floyd, Who, Led Zeppelin, David Bowie, Alice Cooper, Elton John e Queen são algumas das bandas que ilustram o livro, uma espécie de enciclopédia básica visual. O prefácio é de Alice Cooper.


Lançado em outubro de 2010 na Inglaterra e Estados Unidos, o livro tem como base uma coleção particular, a de Rob Roth, um produtor de shows da Broadway com envolvimento direto no negócio do rock. Ele juntou durante décadas diversas peças que chamou de “coisas incríveis do rock”, incluindo alguns itens de campanhas criadas para os maiores músicos do gênero. Com base nas peças de Ruth, o autor Paul Grushkin, um dos principais historiadores do rock norte-americano, apresenta as peças publicitárias de divulgação e promoção de cada um desses grandes nomes.


Cada parte do livro cobre uma determinada ação enfocando turnês e álbuns, para mostrar as mudanças no design e estilos gráficos. Todos os itens apresentados têm legenda, com a coleção em geral destacando o excesso às vezes exorbitante, a inegável criatividade e as despesas monumentais envolvidas na promoção do rock nos anos 70, 80 e 90. O uso da arte para a promoção das bandas, como a língua dos Rolling Stones, é um dos aspectos abordados na obra. Grushkin diz no livro, por exemplo, que Mick Jagger recrutava os principais artistas e fotógrafos para supervisionar os projetos. Como diria o ditado: “o olho do dono engorda o boi”. O sucesso não ocorre por acaso. 


O livro ainda não tem data de publicação no Brasil.


Machine Head na Jedbangers



Steve Jobs na Rolling Stone australiana



13 de out de 2011

Os vícios da crítica musical brasileira


Duas características chamam a atenção em grande parte da crítica musical brasileira. Enquanto uma parcela cultua o passado e não tem ouvidos para o que está sendo produzido agora, outra escuta apenas o novo e despreza os clássicos. A primeira turma é facilmente encontrada no heavy metal, enquanto a segunda bate ponto no mundinho indie.

Duas publicações exemplificam bem esses opostos. A Rock Brigade, revista brasileira dedicada ao heavy metal surgida na primeira metade dos anos oitenta, sempre trouxe resenhas construídas a partir de um ponto de vista extremamente conservador. Nos seus primeiros anos, em uma época em que o rock e o heavy metal não tinham a exposição que têm hoje, os textos da Brigade vinham carregados de um preconceito que acabou se tornando folclórico. Ler as resenhas de álbuns publicadas nos primeiros números da revista é diversão garantida, já que o que não faltava para os redatores era senso de humor, ainda que, na maioria das vezes, involuntário. Isso fez surgir pérolas antológicas, como as listadas abaixo:

Paice mostra uma feroz sequência de hipnotizantes estrondos tirados de sua Ludwig rústica, mas resistente aos seus golpes certeiros. O baterista trata seus pratos como um escravo fugitivo, enquanto Gillan solta um verdejante grito como um leão em seu mais duradouro período de cio.

Ronnie James Dio encarou o demônio de frente, galopou no cavalo da morte e dançou na propriedade do sobrenatural. A amarga gota de fel que é nódoa nos corações humanos e o desespero pelo poder da força que arrasta todos às profundezas do inferno foram por ele galhardamente cantadas em um heavy metal que Satanás não ensinaria nas escolas do inferno.

Joey De Maio lança maldições em cada nota executada, despedaça seu baixo em agonia mutiladora. Ross the Boss arrepia os recônditos mais profanos do corpo. Eric Adams vocifera tão afiado que choca-se em contato com a nossa era. A bateria parece ser tocada pelo próprio Lúcifer em êxtase, Scott Columbus detona a estrutura espaço-tempo com suas porradas sônicas.

Misericórdia não existe! Não cabe na filosofia do heavy metal, por isso que Dave Lombardo pulveriza as moléculas do ar com suas patadas letais na mesma medida em que o terremoto provocado pelo baixo de Tom Araya invoca Satanás para a destruição. Não tem música melosa! A mais lenta faz qualquer um sair por aí chamando urubu de meu louro e Jesus de Genésio.


Poesia e romantismo puros, certo? Entretanto, esses textos, que soam hilários hoje em dia, eram a principal fonte de informação para toda uma geração de ouvintes. A Rock Brigade era, ao lado da Metal, a única revista especializada em heavy metal no Brasil. E, enquanto a segunda durou poucas edições, continua na ativa até hoje, ainda que de forma cambaleante.

Esses textos, mais tarde, evoluíram para resenhas que, invariavelmente, elogiavam as bandas que executavam o “verdadeiro” metal e malhavam impiedosamente qualquer grupo que ousasse soar diferente. Assim, um álbum do Slayer, do Helloween ou de qualquer outra banda considerada “clássica” era sempre idolatrado, por pior que pudesse ser. O melhor exemplo ocorria com o Iron Maiden, cujas críticas dos álbuns na Rock Brigade invariavelmente começavam com a frase “Em se tratando do Iron Maiden, é impossível ser imparcial” ou algo do gênero. Essa postura levou a revista, por exemplo, a classificar o álbum Virtual XI, um disco que, com muita boa vontade, podemos considerar apenas ruim, com um trabalho muito bom. Isso sem falar das críticas dos álbuns lançados pela gravadora Rock Brigade Records, todos muito bons e que nunca ganharam uma nota inferior a 7, mas isso é papo para outro dia.

Essa postura foi a principal responsável por formar uma geração de ouvintes conservadores, e perdura, em menor grau, até hoje. Basta ler a grande maioria dos sites e publicações direcionadas ao público headbanger para identificar claramente uma visão conservadora e um culto exagerado ao passado. Isso faz, por exemplo, que uma banda inovadora como o System of a Down recebe muito menos destaque e aval da crítica brasileira especializada em metal do que o Manowar, que há anos repete fórmulas e não lança nada relevante.

Mais tarde, em uma tentativa de se atualizar com o que estava rolando, a Rock Brigade ampliou a sua linha editorial, abrindo espaço para nomes vindos do grunge e do rock alternativo. Isso, naturalmente, desagradou os leitores, que foram educados pela própria revista, durante vários anos, a acreditar que nada era melhor do que o “verdadeiro” heavy metal. É claro que a abertura demasiada da linha editorial, colocando nas páginas de uma publicação especializada em heavy metal bandas como Red Hot Chili Peppers e Nirvana, foi uma decisão arriscada, e essa postura acabou alcançando o efeito contrário ao que almejava: ao invés de aumentar o número de leitores, a Rock Brigade foi rejeitada pelo seu próprio público e teve a sua reputação e credibilidade arranhadas de forma profunda, em um processo que, somado a outros fatores, arrasta-se até hoje.


No outro extremo havia a Bizz, na minha opinião a melhor revista de música que o Brasil já teve. Fonte de informação do mais alto nível e matérias antológicas em suas mais de 200 edições, em uma época pré-internet a revista assumiu o posto de plataforma de lançamento, apresentando novas bandas e artistas para o público brasileiro. Entretanto, a revista sempre teve um certo preconceito com as bandas clássicas, notadamente em relação ao rock progressivo, visto com uma evidente má vontade.

Isso fica claro ao darmos uma olhada na Discoteca Básica Bizz, sessão que trazia, em cada edição, um texto sobre um álbum considerado clássico. Das 215 edições, apenas cinco foram dedicadas ao prog - King Crimson - In the Court of the Crimson King (1969) – edição 6, Pink Floyd – The Dark Side of the Moon (1973) – edição 21, Soft Machine – Third (1970) – edição 45, Genesis – The Lamb Lies Down on Broadway (1974) – edição 67 e Yes – Fragile (1971) – edição 128. Desses álbuns, um extrapola totalmente o público prog e é figura certa em qualquer lista de melhores de todos os tempos – Dark Side of the Moon – e outro, ainda que alinhado à Canterbury Scene, é muito mais um disco de jazz rock do que um álbum progressivo – Third. Restam, portanto, 3 discos em um universo de 215 – pouco mais de 1%.

Para você não pensar que eu estou enxergando coisas onde não devo, veja só como começa o texto dedicado a The Lamb Lies Down on Broadway, do Genesis, publicado em fevereiro de 1991 – ou seja, poucos meses antes do estouro planetário de Nevermind, que causou uma revolução semelhante à ocorrida quase 15 anos antes, quando o Sex Pistols lançou o seu primeiro disco e varreu os excessos dos grupos prog: “Esta é a terceira vez que um grupo progressivo clássico chega à Discoteca Básica Bizz. Por mais controversa que seja a posição deste movimento dentro da história do rock, ele marcou seus tentos, e esse disco faz parte do escore favorável aos dinossauros”. De cara, a própria revista desconsidera o Soft Machine como uma banda de “progressivo clássico”, alusão feita ao King Crimson e ao Pink Floyd. O uso do termo “dinossauro”, de forma claramente depreciativa, comprova o preconceito, exemplificado em uma passagem do texto sobre o álbum Fragile, do Yes, publicado em março de 1996: “Se o progressivo tinha algo de bom era a liberdade de ousar misturar qualquer tipo de informação musical”. Detalhe: o autor de ambos os textos era o mesmo, Marcos Smirkoff.

Não reconhecer a importância de um estilo como o rock progressivo é uma estupidez. É claro que, em determinado momento, as bandas do gênero se perderam em excessos desnecessários, mas isso aconteceu com praticamente todos os grupos em todos os estilos musicais – do punk ao heavy metal, do pop ao rap. Mas, antes desse declínio, o prog revelou ao mundo não somente músicos excepcionais, mas também álbuns que fizeram história e que, por uma escolha que parece muito mais focada no gosto pessoal de uma equipe editorial do que qualquer outra coisa, passaram batido pelo “reconhecimento” da Discoteca Básica Bizz. Exemplos não faltam: Wish You Were Here do Pink Floyd, Red do King Crimson, Close to the Edge do Yes, Selling England by the Pound do Genesis, Thick as a Brick do Jethro Tull, Pawn Hearts do Van der Graaf Generator, Mirage do Camel, In the Land of Grey and Pink do Caravan e diversos outros discos dessas e de outras bandas foram solenemente ignorados, vendendo a ideia de que o rock progressivo era um estilo formado por bandas jurássicas e auto-indulgentes que gravavam álbuns conceituais com canções de 20 minutos – o que não deixa de ser verdade, mas também não significa que essas canções eram ruins, muito pelo contrário. Eu, por exemplo, prefiro mil vezes o Pink Floyd arrogante de The Wall do que o Sex Pistols barulhento de Nevermind the Bollocks, apesar de reconhecer a importância e influência de ambos. Isso fez com que grande parte dos leitores da Bizz acreditasse que não havia nada de bom no prog, e que o que importava era apenas o que vinha da capital musical do momento, fosse ela Manchester ou Seattle.


É possível haver um meio termo entre essas duas visões tão antagônicas? Sim, é possível. Vou contar uma historinha para vocês: no final de 2010 convidei diversos amigos para listarem aqui na Collector´s Room quais foram os seus discos favoritos lançados naquele ano. Recebi listas maravilhosas e repletas de bons sons, mas uma delas me chamou a atenção. O autor era o brother Bento Araújo, editor da poeira Zine, uma publicação dedicada exclusivamente ao rock dos anos 60 e 70. Porém, ao contrário do que se poderia esperar, a lista do Bento veio repleta de novas bandas e não de trabalhos recentes de ícones do período. Ou seja, um cara que é referência em rock clássico para todo o Brasil, e que todos imaginavam que só ouvia isso, mostrou que se mantém atualizado com o que está acontecendo atualmente na música, atestando a qualidade dos grupos atuais.

É difícil encontrar esse equilíbrio. Para falar a verdade, não consigo enxergar isso em nenhuma publicação brasileira. Independente da linha editorial, todas elas pendem para um desses dois lados. Talvez isso aconteça pelo fato de os públicos serem diferente entre si. O cara que ouve rock clássico e se contenta em escutar sempre os mesmos álbuns do Deep Purple, Black Sabbath e Led Zeppelin está pouco interessado no que o Machine Head está fazendo, enquanto quem ouve Strokes, White Lies e The Vaccines não tem nenhum interesse em Rainbow, Clash e Yes. Entretanto, um lado não vive sem o outro. Enquanto as bandas novas se alimentam das influências do passado, os grupos antigos se reinventam em busca de novos ouvintes, em um círculo infinito onde quem ganha, sempre, é o ouvinte.

Na hora de ouvir um som desconhecido, vá despido de qualquer preconceito. Se você não curtir, pelo menos terá escutado e saberá porque, evitando o estúpido “não ouvi e não gostei”. E, se gostar, trará para o seu universo musical um novo integrante, desenvolvendo-se como ouvinte e tendo contato com um novo mundo sonoro que lhe reservará momentos surpreendentes.

Afinal, acima de tudo, parafraseando o crítico e escritor norte-americano Alex Ross, a música é algo que vale a pena amar.


Korn: ouça a inédita "Narcissistic Cannibal"


Deep Purple: a hora de parar



O público de rock é um bicho engraçado. Canta as músicas que rolam no PA antes do início do show como se fosse ao vivo, e, no fim, indo embora, entoa o “ôoooo” de “Black Night” que acabou de ouvir, erguendo as mãos para o ar, olhando uns para os outros como numa celebração tribal. Comportamento que não é novidade e nunca vai mudar, mas não deixa de causar certo incômodo.

O Deep Purple virou “carne assada” por aqui pelo fato de vir tocar com frequência nos últimos 15 anos. O senso comum diz que são bandas ícones do passado em situação decadente, que só recebem atenção e público de acordo em países “em desenvolvimento”, que começaram a receber shows internacionais há pouco tempo. É verdade. Caso do Deep Purple e de tantas outras. O inexplicável Guns N' Roses, por exemplo, que recebeu homenagem de Steve Morse, colocando parte de “Sweet Child O' Mine” no seu solo. Felizmente, o mercado de shows nos últimos 8 anos, junto com o país, melhorou absurdamente, e agora somos capazes de receber bandas de diversos lugares do planeta no seu auge. Tanto as novidades como a velharada, necessária.

A casa, claro, estava lotada, como em todos os shows que fazem no Brasil. O Deep Purple, no ápice, é uma das melhores bandas da história do rock, subestimada até. E Ian Gillan um dos melhores vocalistas que esse mundo já viu. Mas se vão 15 anos desde que Steve Morse substituiu Ritchie Blackmore no seu abandono definitivo do grupo. Com Morse foram quatro bons discos, em que é possível pinçar alguns grandes momentos. O último, Rapture of the Deep, veio em 2005.

E não há espaço para surpresa aqui, nem é esse o objetivo. Você terá todos os grandes clássicos: do início com Highway Star” até o fim com “Black Night”, passando por “Smoke on the Water”, “Strange Kind of Woman”, “Maybe I'm a Leo”, “Space Truckin'”, “Lazy” e “Perfect Strangers” (num dos momentos de maior empolgação), e apenas três faixas dos quinze anos de Steve Morse com o grupo. Os solos – e há espaço para cada integrante fazer o seu – servem também para Ian Gillan descansar.


E eis aqui o principal problema: com 66 anos, Gillan está exausto, precisando fazer um esforço descomunal para cantar. Algo extremamente natural depois de uma carreira de 43 anos, em músicas que exigem sobremaneira das suas cordas vocais e turnês excruciantes. Dentro de um estilo exigente como esse, nem todo mundo resiste como Ronnie James Dio, que teve atuação impecável na turnê de 2009 do Heaven & Hell, com 67 anos.

Lá em cima, eu via um velhinho sofrendo horrores para atingir as notas necessárias. Uma empolgação atravessada pelo cansaço, pela necessidade, por tudo que o tempo implacavelmente traz. Com distanciamento – coisa que os fãs raramente conseguem obter -, pensei: “é hora de parar”. Há vários motivos que podem levar o Purple a continuar na estrada. Talvez eles ainda estejam se divertindo, talvez nem todos eles estejam milionários o suficiente, talvez seja simplesmente difícil parar de fazer o que se ama. Podem preferir continuar na estrada do que cair na aposentadoria, apesar da idade bem avançada. É legítimo. Música, além de arte, é trabalho e, às vezes, paixão.

Mas dá um pouco de pena de ver Ian Gillan nessas condições. Ele dá conta do recado como pode, deixa o público fazer a parte dele, se poupa quando precisa se poupar. Ainda é bom, afinal trata-se de uma voz única, mas fica a sensação de que já deu. A carreira foi brilhante, tem discos sensacionais. Vão descansar, curtir a família. “Too old to rock and roll, too young to die”.

Para 90% do público, claro, nada disso interessa. Diferentes gerações com a oportunidade de ver uma banda ícone. Para o fanático, vale que o ídolo esteja presente, não importa em que condições. Há (poucos) artistas que, por uma série de fatores, podem se dar ao luxo de continuar em bom estado na mesma idade ou até mais velhos que Gillan: Leonard Cohen, Roger Waters, Neil Young e outros chegando lá, como Bruce Springsteen e Stevie Wonder.

Para o Purple, parece que já deu. Eles tem o direito de fazer o que bem quiserem com a carreira, inclusive se existir a vontade de continuar. Mas chega um ponto em que é desnecessário. E saber a hora de parar é algo sempre admirável. Ficam a história e o reconhecimento.


Nick Drake na nova Mojo '60s



Pearl Jam na capa da nova Classic Rock



Sammy Hagar, 64 anos hoje




11 de out de 2011

Opeth: crítica do álbum 'Heritage' (2011)


Nota: 8,5

O novo álbum do Opeth dividirá os fãs. A razão é simples: esqueça aquele grupo que uniu com maestria o death metal ao rock progressivo. Em Heritage, o Opeth fez uma escolha ousada e arriscada, deixando para trás a sonoridade dos primeiros anos e apresentando um novo caminho. A capa simboliza bem essa mudança: a árvore é a banda atual, enquanto as raízes fazem alusão ao passado.

Mais setentista do que nunca, o grupo liderado pelo vocalista e guitarrista Mikael Akerfeldt não apenas trouxe para o primeiro plano as influências progressivas que sempre estiveram em sua música, mas focou todos os seus esforços criativos no gênero. É isso que irá causar estranhamento aos fãs. Não há vocais guturais, o peso é moderado, não existem passagens extremas. Banhado pela obra dos gigantes prog, o Opeth encara seus fãs e os desafia explicitamente. De fato, o disco exige uma certa bagagem e conhecimento musical para ser apreciado em sua totalidade. “Famine” tem um clima meio Jethro Tull. “Marrow of the Earth” tem harmonias que remetem ao Wishbone Ash. Trechos puramente inspirados no jazz surgem sem cerimônia.

Dono de uma beleza arrebatadora, Heritage mostra um grupo de inegável talento e inquieto por natureza dando um passo gigantesco rumo a um novo caminho sonoro. Analisando a música apenas pela música, sem comparações com o passado, apenas uma conclusão é possível: estamos diante de um trabalho excelente.

Se você compartilha a mesma curiosidade e apetite efervescentes de Akerfeldt e sua turma, irá adorar. Porém, se está esperando um disco de metal como a banda já gravou inúmeras vezes, recomendo que ouça os trabalhos antigos.

Coragem, ousadia e talento: essas três palavras definem um dos grandes álbuns de 2011!

Faixas:
  1. Heritage
  2. The Devil's Orchard
  3. I Feel the Dark
  4. Slither
  5. Nepenthe
  6. Hasprocess
  7. Famine
  8. The Lines in My Hand
  9. Folklore
  10. Marrow of the Earth



"Illumination", o novo clipe do Immolation




Slipknot na Kerrang da semana



Graveworm: assista o clipe de "See No Future"


Rob Zombie, o diretor de cinema



Robert Bartleh Cummings nasceu na pequena cidade de Haverhill, localizada no interior dos Estados Unidos, no estado de Massachusetts, em 12 de janeiro de 1965. Durante a década de 1980, Robert se tornou conhecido ao liderar uma banda que chamou bastante atenção na música pesada. Já com a alcunha Rob Zombie, esteve à frente do White Zombie por 13 anos, período em que lançou cinco discos que se destacaram por conter uma sonoridade que unia, sem maiores cerimônias, o peso do heavy metal à batidas eletrônicas, tudo amarrado por uma estética e letras que exploravam o universo dos filmes B – ou, se preferir, os chamados 'trash movies'. Entre os álbuns do White Zombie, recomendo La Sexorcisto: Devil Music Vol. 1 (1992) e Astro-Creep: 2000 – Songs of Love, Destruction and Other Synthetic Delusions of the Electric Head (1995).

Após o encerramento das atividades da banda, em setembro de 1998, Rob iniciou uma bem sucedida carreira solo seguindo a mesma sonoridade, porém apresentando ainda mais elementos teatrais em seus shows, transformando-se em uma espécie de Alice Cooper moderno. Entre os seus discos solo, valem uma audição os ótimos Hellbilly Deluxe (1998) e Zombie Live (2007), esse último ao vivo.

Porém, o objetivo desse texto não é falar da carreira musical de Rob Zombie, mas sim de uma outra atividade onde ele tem se destacado bastante: a de diretor de cinema. Apaixonado por filmes, o vocalista levou para a sétima arte a mesma estética que explorava em seus álbuns, alcançando resultados muito interessantes.






A estreia de Rob como diretor ocorreu em 2003 com House of 1000 Corpses (A Casa dos 1000 Corpos). O filme, escrito pelo próprio Zombie, se passa em 1977 e conta a história de dois casais que pegam a estrada juntos em busca de aventuras para escrever um livro. No entanto, acabam cruzando com um estranho palhaço chamado Capitão Spaulding (vivido pelo ator Sid Haig) e, a partir daí, acabam conhecendo uma estranha família liderada pela matriarca Mãe Firefly (Karen Black). A família tem hábitos estranhos, cultivam o sadismo e outros costumes não muito corretos. Já dá para imaginar o resto da história, certo?

A recepção da crítica foi negativa, com diversos comentários malhando o debut cinematográfico de Zombie, classificando o filme como confuso e de baixa qualidade. O excesso de personagens contribuiu para isso. Uma parcela do público também não engoliu o filme, porém, com o passar dos anos, A Casa dos 1000 Corpos foi ganhando status de cult.






Após esse início não muito animador, Rob Zombie acertou a mão em sua segunda tentativa. The Devil's Rejects (Rejeitados pelo Diabo, 2005) foi novamente escrito e produzido pelo vocalista. A trama é uma sequência do filme anterior, porém focada nos personagens mais carismáticos de A Casa dos 1000 Corpos: o já citado Capitão Spaulding e dois de seus filhos – Otis (Bill Moseley) e Baby (vivida pela bela esposa de Zombie, Sheri Moon). O filme é um road movie que relata a história de uma família de serial killers, e conta com inúmeras cenas violentas que remetem ao cinema de horror dos anos setenta, principalmente ao clássico O Massacre da Serra Elétrica, de 1974. Amarrando tudo, Zombie montou uma trilha sonora de altíssima qualidade, repleta de clássicos do rock norte-americano, com destaque para o Lynyrd Skynyrd e a Allman Brothers Band. A cena final, ao som da imortal “Freebird”, é antológica.

Como você já percebeu, há uma relação bem próxima com o que faz Quentin Tarantino, porém o que difere o trabalho de Zombie é a exploração muito maior da violência com uma pegada bem 'gore', com litros de sangue e cadáveres em profusão. O filme obteve boa recepção da crítica especializada, inclusive com o aval do cultuado escritor Stephen King, que o classificou como o nono melhor filme de 2005. Enfim, Rejeitados pelo Diabo é um excelente filme, indicado como porta de entrada para quem quer conhecer a carreira cinematográfica de Zombie.






O sucesso atraiu os olhares da indústria para o trabalho de Rob Zombie. Diversos rumores surgiram sobre projetos futuros, até que a Dimension Films anunciou que Rob seria o diretor da nova versão de Halloween, um dos grandes filmes da história do cinema de horror. Lançado em 2007, Halloween é uma pequena obra-prima, e isso se deve não às cenas de assassinato e violência que contém, mas sim à maneira sublime com que Rob Zombie conta a história do pequeno Michael Myers. O filme passa a metade de sua duração construindo o perfil do pequeno Myers (vivido pelo ótimo Daeg Faerch), que aos poucos vai descobrindo e dando vazão ao seu lado sádico, fazendo surgir um psicopata doentio e assustador. Mais uma vez, a presença de Sheri Moon é um dos destaques, como a mãe de Michael. Ao se tornar adulto, o personagem passa a ser vivido por Tyler Mane, ex-lutador norte-americano que ficou famoso ao interpretar o personagem Dentes de Sabre no primeiro filme da série X-Men.

Aqui há de se fazer um parênteses em relação à interpretação do ator Malcolm McDowell. Para quem não sabe, o papel mais famoso da carreira de Malcolm é a do mitológico Alex em Laranja Mecânica (1971), uma das obras-primas do diretor Stanley Kubrick. Em Halloween, McDowell vive o psicólogo Dr. Samuel Loomis, que trata do pequeno Michael e explora a sua história vendendo livros sensacionalistas. A performance de Malcolm é extremamente caricata, construindo um personagem que parece ter o carimbo '171' marcado na testa. Não sei se isso foi proposital ou não, porém tenho a impressão de que McDowell, após um início de carreira fascinante, se revelou um ator limitado que vive do passado, tentando encontrar pelo caminho outro personagem tão emblemático quanto Alex – o que, é óbvio, não irá conseguir.



Rob Zombie conseguiu em Halloween reconstruir de maneira brilhante a história de Michael Myers. É claro que a estética e o clima trash foram mantidos, porém o filme de Zombie coloca Myers novamente em seu lugar como um dos personagens mais assustadores do cinema, e não como a caricatura que se transformou graças às inúmeras continuações lançadas durante a década de 1980.

A crítica teve uma recepção ambígua em relação ao filme. Enquanto uma parcela detonou a película, outra elogiou o trabalho de Zombie. O público curtiu, e fez o filme, que teve um custo de 10 milhões de dólares, render 60 milhões.






O sucesso, é claro, levou a uma sequência. Porém, Halloween II, lançado em 2009, é muito inferior ao filme de 2007. Novamente escrito por Zombie, o filme se perde em sequências pretensiosas que tentam fazer uma ligação sobrenatural entre o pequeno Michael e sua figura adulta. Ainda que contenha algumas passagens interessantes, vale apenas como curiosidade, já que o resultado final é infinitamente inferior à primeira parte, o que é uma pena.

Entretanto, essa sequência de quatro filmes solidificou o nome de Rob Zombie como diretor, atraindo a atenção para o seu trabalho. Isso gerou frutos, como o convite para dirigir um dos episódios da oitava temporada da série CSI: Miami – o de número 16 daquele ano, chamado L.A..






Atualmente, Rob Zombie está trabalhando em um novo filme intitulado The Lords of Salem, com estreia prevista para 2012. Ainda não há maiores informações sobre a trama, a não ser que ela contará a história atual da cidade de Salem, que será infestada por bruxas. O curioso é que o título do filme é o mesmo de uma canção lançada por Zombie em seu terceiro álbum solo, Educated Horses, de 2006.

Independentemente de você ser um fã ou não da carreira musical de Rob, o seu trabalho como diretor merece uma conferida. Há pelo menos dois trabalhos excelentes nessa trajetória – Rejeitados pelo Diabo e Halloween -, que fazem uso de diversos elementos da cultura pop e de trilhas sonoras acima de qualquer suspeita para contar histórias muito interessantes. Caso você ainda não tenha tido contato com a carreira cinematográfica de Rob Zombie, recomendo com entusiasmo essa faceta, já que Rob conseguiu traduzir em imagens o conceito que explorava em seus discos. Portanto, prepare a pipoca, acomode-se no sofá e divirta-se!




Steve Jobs na Billboard



Pearl Jam na Rolling Stone Índia


10 de out de 2011

Os 25 anos de 'Reign in Blood', a obra-prima do Slayer


Apontado frequentemente como o melhor álbum de thrash metal já gravado, Reign in Blood, terceiro disco do quarteto norte-americano Slayer, completou 25 anos de vida no último dia 7 de outubro. Nessas duas décadas e meia sua influência apenas se solidificou, evoluindo do fulminante impacto inicial à onipresença ostentada nos dias atuais.

Mas o que faz de Reign in Blood um álbum tão especial? Porque ele é tão influente? O que ele mudou no heavy metal? Pra começo de conversa, Reign in Blood é, sem dúvida alguma, o melhor trabalho do Slayer e o seu ápice criativo. Um dos criadores do thrash metal, o grupo foi formado em 1981 na Califórnia. Seus dois primeiros discos – Show No Mercy (1983) e Hell Awaits (1985) – já mostravam uma banda diferenciada, com bala na agulha para causar uma revolução. E essa expectativa se confirmou em Reign in Blood.

Nunca um álbum havia soado tão extremo antes. Musicalmente, a agressividade instrumental pegava o ouvinte totalmente desprevenido, mostrando que era possível ir muito além do que qualquer banda já havia ousado antes. Em termos líricos, as letras acompanhavam a violência instrumental, porém com uma mudança de foco em relação aos dois primeiros discos, que exploravam temas satânicos. Em Reign in Blood as letras passaram a relatar temas mais mundanos, retratando acontecimentos reais do cotidiano. Isso fez com que as histórias cantadas por Tom Araya se tornassem assustadoramente próximas ao ouvinte, perturbando por serem totalmente verossímeis e possíveis. No lugar da fantasia entrava a realidade, e ela era muito mais assustadora.

Essa acentuação para o lado mais extremo foi o principal trunfo de Reign in Blood. Foi essa característica que fez não só o disco, mas o próprio Slayer, se transformar em uma banda única. Ao tornar o seu som mais agressivo tanto instrumental quanto liricamente, acelerando a velocidade e acrescentando doses cavalares de peso, o grupo formado por Tom Araya (vocal e baixo), Kerry King (guitarra), Jeff Hanneman (guitarra) e Dave Lombardo (bateria) foi responsável direto pelo surgimento e popularização do metal extremo, através de estilos como o death metal. As bandas iniciais do gênero, como Death, Possessed e Atheist, mesmo sendo contemporâneas do Slayer e já terem os seus primeiros registros em demo tapes em 1986, foram influenciadas profundamente por Reign in Blood. Além disso, a maneira como o Slayer tornou a sua música mais agressiva, usando para isso uma grande dose de técnica, mostrou que aquele estilo que surgia não era apenas mero barulho, mas sim um esforço consciente em busca de novas fronteiras para o heavy metal.


A resposta da crítica especializada avalizou a ousadia da banda. Reign in Blood foi aclamado de imediato como uma obra-prima pelas mais diversas publicações em todo o mundo. O semanário inglês Kerrang! classificou o disco como o mais pesado de todos os tempos e um grande avanço, tanto para o thrash quanto para o speed metal. Clay Jarvis, da Stylus Magazine, escreveu que o álbum definia um estilo. A Metal Hammer, na época, apontou Reign in Blood como o melhor álbum de heavy metal dos últimos 20 anos. Publicações musicais não especializadas em metal também reconheceram a força do trabalho. A Q Magazine incluiu Reign in Blood em sua lista dos 50 álbuns mais pesados de todos os tempos, enquando a Spin colocou o disco na posição 67 de sua lista com os 100 melhores álbuns lançados entre 1985 e 2005. O crítico Chad Bowar, do renomado site About Heavy Metal, classificou Reign in Blood como, provavelmente, o melhor álbum de thrash metal já gravado.

Há uma história interessante sobre a capa de Reign in Blood. O disco foi lançado pela Def Jam, um selo que, até então, era quase que exclusivamente focado em artistas de hip hop. A distribuição da Def Jam era feita pela Columbia, que, ao ver a arte criada pelo ilustrador Larry Carroll, se recusou a colocar o álbum nas lojas. O LP acabou sendo distribuído pela Geffen Records.

As dez faixas de Reign in Blood estão entre os momentos mais marcantes da história do heavy metal. Repleto de composições excelentes, o disco tem o seu ápice em suas faixas de abertura e encerramento. “Angel of Death”, a primeira faixa, se transformou em um dos maiores clássicos do Slayer. A letra, escrita por Jeff Hanneman, conta, de forma aterrorizante, as experiências com cobaias humanas levadas a cabo pelo médico Joseph Mengele durante a Segunda Guerra Mundial. Isso fez com que a banda fosse acusada de simpatizante do nazismo, motivando declarações contrárias dos músicos. Uma das composições mais violentas já gravadas, “Angel of Death” transporta o ouvinte para um mundo de sombras e pesadelos. A interpretação sublime de Tom Araya, com sua voz aguda e gritos ensandecidos, é uma das grandes responsáveis por isso.

O fechamento, com “Raining Blood”, uma das composições mais emblemáticas do thrash metal, é de arrepiar. Uma introdução que surge ao final da faixa anterior, “Postmortem”, prepara o clima para a sucessão de riffs repletos de melodia da dupla King e Hanneman, em uma canção que desafia qualquer fã de metal a ficar parado, tamanha a sua força. No meio disso tudo, há faixas do quilate de “Piece by Piece”, “Jesus Saves”, “Criminally Insane” e “Altar of Sacrifice”, resultando em um álbum da mais alta qualidade. Para quem quer entender a força que Reign in Blood exerce sobre os fãs, recomendo o DVD Still Reigning, lançado em 2004, em que a banda toca o disco na íntegra. O ponto alto dessa apresentação é justamente a faixa “Raining Blood”, onde o grupo é banhado por uma tinta vermelha que simula sangue, resultando em um efeito visual de grande impacto.


Reign in Blood entrou no top 200 da Billboard, alcançando a posição 94. Na Inglaterra, o disco chegou no número 47 nas paradas. Além disso, foram lançados cinco singles para o álbum, para as faixas “Raining Blood”, “Angel of Death”, “Necrophobic”, “Postmortem” e “Criminally Insane”. O disco ganhou uma reedição em 1998, com a inclusão de duas faixas bônus - “Aggressive Perfector” e uma nova mixagem para “Criminally Insane”.

Pessoalmente, apesar de reconhecer a inegável qualidade de Reign in Blood, coloco Master of Puppets (1986) e Ride the Lightning (1984), ambos do Metallica, a sua frente em uma lista com os melhores álbuns da história do thrash metal. Essa é uma opinião estritamente pessoal, e está baseada muito na relação emocional que tenho com esses dois discos do Metallica, já que foi através deles que conheci a banda e ambos sempre estiveram entre os meus favoritos. Só fui ter contato com Reign in Blood mais tarde. Porém, como já disse, trata-se de um álbum estupendo, que merece todo o status que possui.

Se por algum motivo você ainda não possui esse clássico em sua coleção, aproveite o aniversário de 25 anos de Reign in Blood e se dê de presente essa obra-prima da música pesada. E, como a maioria que está lendo esse texto já o possui em seu acervo, sugiro uma audição em alto e bom som em comemoração.


Ouça sensacional versão de Jack White para o U2



A nova edição da Q Magazine, que chegará às lojas nos próximos dias, traz uma longa matéria sobre o melhor álbum do U2 na minha opinião, o excelente Achtung Baby, lançado em 1991.


Junto com a revista virá um CD com artistas atuais tocando todas as faixas do disco. Confira abaixo o tracklist:


1. Nine Inch Nails - Zoo Station
2. U2 (Jacques Lu Cont Mix) - Even Better Than the Real Thing
3. Damien Rice - One
4. Patti Smith - Until the End of the World
5. Garbage - Who's Gonna Ride Your Wild Horses
6. Depeche Mode - So Cruel
7. Snow Patrol - Mysterious Ways
8. The Fray - Trying to Throw Your Arms Around the World
9. Gavin Friday - The Fly
10. The Killers - Ultraviolet (Light My Way)
11. Glasvegas - Acrobat
12. Jack White - Love is Blindness


Como eu sei que você ficou curioso para ouvir o disquinho, separei abaixo a arrepiante versão que Jack White fez para "Love is Blindness", música que fecha o álbum original. White canta com a sua entrega característica, e acrescentou uma pegada meio blues a sua releitura. O resultado final é sensacional.


Jack White Love is Blindness by martyriemer


Enquete da semana: o melhor álbum de metal de 1987


Novamente uma enquete sem os dois maiores pesos pesados da década, Iron Maiden e Metallica. Isso abriu espaço para outros grupos que também lançaram álbuns maravilhosos durante os anos oitenta.

Veja o resultado final:

Helloween – Keeper of the Seven Keys Part I – 30%
Anthrax – Among the Living – 25%
Sarcófago – I.N.R.I. - 11%
Savatage – Hall of the Mountain King – 10%
King Diamond – Abigail – 7%
Candlemass – Nightfall - 6%
Death – Scream Bloody Gore – 5%
Bathory – Under the Sign of the Black Mark – 2%
Exodus – Pleasures of the Flesh – 2%
Celtic Frost – Into the Pandemonium – 2%

A briga ficou polarizada entre o Helloween e o Anthrax, e reflete o que acontecia realmente naquela época: enquanto a sonoridade clássica do metal lutava para permanecer no topo – aqui representada pelo Helloween, herdeiro direto do Iron Maiden -, uma nova leva de grupos muito mais agressivos, rápidos e pesados emergia com força total, alcançando o mainstream – o Anthrax representa a cena thrash metal do período.

Merece menção especial a terceira posição alcançada pelos brasileiros do Sarcófago e seu álbum I.N.R.I., um dos mais influentes trabalhos do metal extremo e fundamental para o surgimento da cena black metal norueguesa no início da década de noventa.

E aí, o que você achou do resultado?


Cynic: ouça o preview do novo álbum


Review de show: Deep Purple, Nova Odessa, 08/10/2011


Por Fabiano Negri

Uma das tarefas mais fáceis do mundo é resenhar um show do Deep Purple, afinal de contas uma banda que conta com músicos do gabarito de Ian Gillan, Roger Glover, Ian Paice, Don Airey e Steve Morse só pode ser garantia de boa diversão e excelente música. Não foi diferente na Expo América em Nova Odessa, região de Campinas, no último sábado, 8 de outubro.

O que mais impressiona em uma apresentação do Deep Purple – este é o oitavo show do grupo que assisto – é a energia, o bom humor e a vitalidade que esses senhores esbanjam no palco. Não se vê uma cara fechada ou reclamação com o som, e nenhum “piti” como pseudos rockstars derramam por aí. Apenas sorrisos e total interação com o público, mostrando ausência de ego e muito prazer em cada momento.

Cada músico é um show à parte. Ian Paice mostra como um baterista pode envelhecer sem perder a pegada e a técnica. Roger Glover parece um menino no palco, e com seu baixo firme e pulsante não deixa de agitar um segundo sequer. Don Airey, que tem a missão nada fácil de substituir o mítico Jon Lord, não carrega esse peso de forma alguma, e possui bagagem suficiente para estar em qualquer banda do mundo. Steve Morse, que ainda sofre com a sombra de Ritchie Blackmore, não deixa pedra sobre pedra, mostrando, a despeito do gosto pessoal dos fãs, o porquê de ser considerado um dos melhores guitarristas do mundo. E, por fim, Ian Gillan, esse senhor de 66 anos que nos anos setenta tinha a voz mais potente do rock, ainda continua mostrando afinação, interpretação perfeita e uma simpatia única.

O show contou com algumas surpresas no repertório. Nunca imaginei que ouviria “Hard Lovin' Man”, do álbum In Rock (1970), ao vivo. Outras surpresas foram “Mary Long” (do Who Do You Think We Are, de 1973) e “Maybe I'm Leo” (Machine Head, 1972). No mais, foi um desfile de clássicos atemporais que a plateia acompanhou em uníssono, com total destaque para a perfeita execução do belíssimo blues “When a Blind Man Cries”. Ou seja, o que se viu foi uma aula de como entreter e respeitar o público.

Para a banda, só pontos positivos. Para a produção, a história não foi bem essa. Pelo que pude perceber, os produtores não contavam com a verdadeira multidão que compareceu ao evento. Segundo informações da equipe de segurança mais de 5 mil ingressos foram vendidos, e às 20:30h gigantescas filas se formavam para entrar por duas estreiras portas, que não se abririam até às 21:30h. Como esperado, isso resultou em confusão, empurra-empurra, e, o pior de tudo, boa parte do público não estava dentro do recinto quando o show começou. O sistema de PA também não era dos melhores, proporcionando um som baixo e sem peso, audível apenas para aqueles que estavam na área vip. Houve muita reclamação e até mesmo algumas desistências por parte de quem estava na pista simples. Realmente, uma organização amadora para uma banda desse porte.

Nessa noite especial pude levar a minha família para conhecer os membros do grupo, em especial Ian Gillan. Ele nos recebeu de forma incrivelmente simpática dentro de seu camarim antes do show. Pura emoção!

Agradeço a gentileza da assessoria de Gillan, que proporcionou todo o conforto e excelentes condições para essa cobertura.

Viva a boa música, viva o Deep Purple!