22 de out de 2011

21 de out de 2011

Dream Theater: 'Scenes from a Memory' relançado em vinil

sexta-feira, outubro 21, 2011

O Dream Theater anunciou o relançamento do álbum Scenes from a Memory (1999) em vinil, formato até então inédito para o trabalho. Considerado um dos melhores discos da banda – pra mim é o melhor -, Scenes from a Memory ganhará uma edição em vinil duplo 180 gramas, com direito à capa dupla (veja imagem do gatefold abaixo).


E aí, vai encarar?


Noel Gallagher: crítica do álbum 'High Flying Birds' (2011)

sexta-feira, outubro 21, 2011

Nota: 9,5

Principal compositor e força criativa do Oasis, Noel Gallagher estreia a sua carreira-solo após o final da banda em 2009, motivada pelas eternas brigas com seu irmão Liam. Enquanto Liam Gallagher reuniu os demais integrantes do grupo e montou o Beady Eye, que colocou o seu primeiro álbum nas lojas em fevereiro desse ano, Noel isolou-se do mundo.

A primeira coisa que fica clara ao ouvir High Flying Birds é que trata-se de um disco com uma sonoridade muito mais refinada do que a presente na estreia do Beady Eye. Isso não é nenhuma surpresa, afinal as composições de Noel sempre se destacaram pelas melodias de bom gosto e pelos arranjos inteligentes, enquanto Liam era o lado mais rocker e urgente do Oasis.

Produzido pelo próprio Noel e por Dave Sardy, responsável pelo último álbum do Oasis – Dig Out Your Soul, de 2008 -, High Flying Birds não é um álbum inovador, pelo contrário. O disco segue exatamente tudo o que Noel fazia no Oasis, retiradas da receita, obviamente, a participação dos demais músicos e as brigas familiares que pareciam alimentar a banda. O que temos aqui é um álbum que, ao contrário do Beady Eye, cairá como uma luva na vida dos órfãos de uma das maiores e mais importantes bandas do rock inglês da década de 90.

O disco prova o que muitos já sabiam: Noel Gallagher era a alma e o coração do Oasis. As dez faixas, embaladas pela voz única de Noel, formam o melhor trabalho do vocalista e guitarrista desde (What's the Story) Morning Glory?, o disco lançado em 1995 que levou o Oasis ao topo do pop.

Há obras-primas em High Flying Birds. O primeiro single, “The Death of You and Me”, é uma das maiores. “Dream On” segue o mesmo caminho, em uma balada com sabor sessentista e pequenos toques de psicodelismo que nasce com cara de clássico. “(I Wanna Live in a Dream in My)” tem um que de “Champagne Supernova”, principalmente no solo.

Mas, ao mesmo tempo em que refina aquilo que sabe fazer de melhor, Noel às vezes aventura-se em novos caminhos. A excelente “AKA … What a Life!”, com uma batida dançante e um bem sacado piano, é diferente de tudo o que o músico já fez em sua carreira. Os vocais, que se alternam entre o falsete e o registro normal, são os melhores do trabalho.

A influência do Kinks, que pode ser sentida timidamente em “The Death of You and Me”, surge esplendorosa em “Soldier Boys and Jesus Freaks”. Aliás, essas duas faixas merecem destaque porque trazem, também, uma latente influência dos Beatles, mas de uma forma diferente do habitual. Ao invés da cópia escancarada praticada pelo Beady Eye – e pelo próprio Oasis em alguns momentos -, a presença do Fab Four é constatada através de detalhes nos arranjos, como as insólitas cornetas que martelam a melodia, revivendo o que Paul McCartney e sua turma fizeram em discos como Sgt Peppers (1967).

High Flying Birds tem cara de coletânea, pois todas as suas faixas são hits latentes, singles a serem descobertos. Isso faz com que a audição do álbum seja extremamente agradável, carregando o ouvinte através de uma coleção de composições da mais alta qualidade.

Sem dúvida alguma, um dos melhores discos do ano. Obrigado, Noel!


Faixas:
  1. Everybody's on the Run
  2. Dream On
  3. If I Had a Gun …
  4. The Death of You and Me
  5. (I Wanna Live in a Dream In My)
  6. AKA … What a Life!
  7. Soldier Boys and Jesus Freaks
  8. AKA … Broken Arrow
  9. (Stranged On) The Wrong Beach
  10. Stop the Clocks

Metal Hammer: quais foram os melhores álbuns de estréia de heavy metal dos últimos 25 anos?

sexta-feira, outubro 21, 2011

Comemorando os seus 25 anos, a Metal Hammer inglesa perguntou aos seus leitores qual seria o melhor álbum de estreia de uma banda de heavy metal lançado nos últimos 25 anos.

Mais de 16 mil votos foram computados, e o resultado, um tanto quanto surpreendente, elegeu de lavada o debut do Slipknot, 1999) como a melhor estreia do último quarto de século.

Confira abaixo os dez primeiros colocados, segundo os leitores da Metal Hammer:

Slipknot – Slipknot – 32%
Korn – Korn – 9%
Guns N' Roses – Appetite for Destruction – 8%
Rammstein – Herzeleid – 7%
Pantera – Cowboys from Hell – 6%
System of a Down – System of a Down – 5%
Linkin Park – Hybrid Theory – 4%
Machine Head – Burn My Eyes – 3%
Bullet for My Valentine – The Poison – 3%
Rage Against the Machine – Rage Against the Machine – 2%

Entre os dez álbuns acima, o melhor, na minha opinião, é Cowboys from Hell, que, na verdade, não é o primeiro álbum do Pantera, mas sim o primeiro trabalho após a reformulação sonora e estética que a banda passou, deixando de ser um grupo de power metal vestido com roupas espalhafatosas e passando a executar um som repleto de groove que revolucionou profundamente o metal. Depois dele, os melhores, para mim, são os discos do Slipknot e do System of a Down. Gosto de Appetite for Destruction, sei da sua importância, mas ele nunca esteve entre os meus discos favoritos.

E você, o que achou dessa lista?

20 de out de 2011

Iced Earth: crítica do álbum 'Dystopia' (2011)

quinta-feira, outubro 20, 2011

Nota: 9

Considero Jon Schaffer um dos grandes compositores do heavy metal. O seu talento para conceber músicas memoráveis é inegável. Porém, os últimos discos do Iced Earth – Framing Armageddon (2007) e The Crucible of Man (2008), onde a banda retomou a aclamada saga iniciada no ótimo Something Wicked This Way Comes (1998) – são trabalhos apenas regulares. O motivo disso está na instabilidade interna que o grupo passou no período, trocando Tim 'Ripper' Owens pelo filho pródigo Matt Barlow. Porém, o celebrado retorno de Barlow acabou sendo mais breve que o esperado, frustrando os fãs.

Jon, um eterno guerreiro, não se abateu e saiu em busca de um novo cantor, encontrando a nova voz do Iced earth em Stu Block, da banda canadense Into Eternity. A audição de Dystopia, novo álbum do grupo, mostra que a escolha foi acertada. Block tem um timbre muito próximo ao de Barlow, e isso faz com que a transição entre um vocalista e outro seja quase imperceptível. Além disso, quando canta de forma mais aguda, a lembrança de Ripper é instantânea, agradando gregos e troianos

Mas o principal fator que chama a atenção em Dystopia é outro: a qualidade das composições. O som do Iced Earth foi construído através da união primorosa das duas principais influências de Jon Schaffer – Iron Maiden e Metallica. Foi o power metal com características thrash que fez a banda crescer assustadoramente ao longo de sua carreira, transformando-se em referência de heavy metal nos Estados Unidos e sendo amada em toda a Europa. Isso está de volta em Dystopia. O grupo soa revigorado no novo álbum, voltando a transmitir aquela paixão, aquela energia, tão característica do metal.

Um disco totalmente Iced Earth, Dystopia se equilibra entre composições mais rápidas e agressivas – como a excelente faixa-título, “Equilibrium” e a grandiosa “Tragedy and Triumph” - e outras mais calmas - “Anguish of Youth”, espécie de prima de “Melancholy (Holy Martyr)”, é um destaque imediato. O resultado final é um álbum consistente, onde nenhuma música soa desnecessária.

Se você, como eu, havia se decepcionado com os discos recentes do grupo, Dystopia soará como uma surpresa pra lá de agradável. O álbum é heavy metal até a medula, com o melhor que há no gênero: composições épicas na medida certa, refrões empolgantes, guitarras repletas de peso e melodia, ótimos vocais. Tudo está no lugar certo, em um disco que não só recoloca a carreira do Iced Earth nos trilhos como aponta para um futuro promissor.

Espero que essa formação continua junta por vários anos, porque o que se ouve em Dystopia parece ser apenas o primeiro passo de um novo capítulo na carreira do Iced Earth.


Faixas:
  1. Dystopia
  2. Anthem
  3. Boiling Pont
  4. Anguish of Youth
  5. V
  6. Dark City
  7. Equilibrium
  8. Days of Rage
  9. End of Innocence
  10. Tragedy and Triumph

19 de out de 2011

Rush: três novos box sets repassam a carreira do trio

quarta-feira, outubro 19, 2011

21 de novembro. Nessa data chegam às lojas de todo o mundo três novas caixas cobrindo quase toda a carreira do Rush. Batizadas de Sector 1, Sector 2 e Sector 3, trazem, ao todo, 15 CDs e 3 DVDs. Os boxes poderão ser adquiridos de forma separada ou em ume edição especial que reúne os três.

Confira abaixo o conteúdo de cada box:

Sector 1
Rush (1974)
Fly by Night (1975)
Caress of Steel (1975)
2112 (1976)
All the World's a Stage (1976)
Fly by Night DVD

Sector 2
A Farewell to Kings (1977)
Hemispheres (1978)
Permanent Waves (1980)
Moving Pictures (1981)
Exit … Stage Left (1981)
A Farewell to Kings DVD

Sector 3
Signals (1982)
Grace Under Pressure (1984)
Power Windows (1985)
Hold Your Fire (1987)
A Show of Hands (1988)
Signals DVD

A carreira do Rush tem como característica a divisão em fases compostas por quatro discos, que se encerram com um álbum ao vivo cobrindo o período. Assim, em Sector 1 temos os álbuns da primeira fase do Rush, onde o grupo estava desenvolvendo a sua sonoridade, cujo principal destaque é o clássico 2112. Sector 2 traz trabalhos que se equilibram entre a imersão no universo progressivo – principalmente A Farewell to Kings e Hemispheres – e a inserção de novos elementos – no ótimo Moving Pictures. E Sector 3 contém os álbuns da controversa fase oitentista do grupo, onde o trio mergulhou em uma sonoridade baseada excessivamente nos teclados e em outras tendências do período. Esses excessos foram admitidos pela própria banda no excelente documentário Beyond the Lighted Stage.

Mas o que chama realmente a atenção são os DVDs contendo os álbuns Fly by Night, A Farewell to Kings e Signals, que foram remasterizados e receberam tratamento 5.1, realçando ainda mais a riqueza sonora de suas faixas.

Resta saber se os álbuns que ficaram de fora, lançados entre 1989 e 2011, ganharão também caixas contemplando o período. Espero que sim.

E aí, babou? Pois é, eu também!

Metallica e Lou Reed: crítica do álbum 'Lulu' (2011)

quarta-feira, outubro 19, 2011

Nota: 8

Não espere uma audição fácil ao dar play em Lulu, álbum da parceria entre a maior banda de heavy metal do planeta – Metallica – e um dos ícones do rock “com cérebro” - Lou Reed. Concebido para ser uma espécie de trilha-sonora para o teatro de vanguarda, preenchendo o espaço que antes era ocupado por trilhas orquestradas e clássicas, o disco soa como uma espécie de ópera, alternando momentos mais “visuais” com outros mais palatáveis ao ouvinte “normal” de música.

Conceitual, o trabalho conta a história de Lulu, personagem criada pelo ator e dramaturgo alemão Benjamin Franklin Wedekind, uma jovem dona de um desejo sexual infinito e sem restrições que a conduz através de uma jornada repleta de prazer e sangue. Reed havia escrito as letras das canções há alguns anos atrás para uma montagem norte-americana da peça, que acabou não saindo. Agora, essas mesmas letras ganharam o acompanhamento instrumental do Metallica, alcançando um resultado final, no mínimo, controverso.

Pra começo de conversa, é preciso deixar claro que Lulu não é o novo álbum nem do Metallica nem de Lou Reed. O disco é a estreia da parceria entre ambos, portanto não espere encontrar aqui o que o Metallica fez em Death Magnetic (2008), por exemplo. Grande parte da força do trabalho está nas letras de Reed, que serão ignoradas pela imensa parcela dos ouvintes que não domina a língua inglesa. Assim, o que importa, para grande parte do público, é a música propriamente dita.

O Metallica soa de maneira inédita em Lulu. No lugar dos riffs thrash, temos a predominância de jams, ruídos e passagens construídas a partir de feedbacks. Não há o formato clássico do heavy metal, e nem do rock, na parte instrumental do disco. Salvo algumas exceções - como “Mistress Dread”, onde a banda soa mais próxima do que os seus fãs estão acostumados -, a maioria das músicas caminha por sons que causarão estranhamento ao ouvinte tradicional de heavy metal. Isso, aliado à maneira peculiar de cantar de Reed – recitando as letras, como se estivesse falando -, realça ainda mais essa sensação. Pra fechar, a duração das músicas – todas longas -, faz com que se feche um casulo em torno dos músicos, impenetrável na maioria das vezes.

Ainda assim, algumas faixas funcionam. É o caso de “The View”, primeiro single, onde o Metallica soa bastante similar aos álbuns Load e Reload. Já em “Iced Honey” o que temos é um hard rock interessante, que remete ao ótimo New York, lançado por Lou Reed em 1989.

O que torna a audição do álbum difícil é o excesso de experimentalismo de algumas faixas. Entendendo o objetivo dos músicos – criar uma trilha para uma peça de teatro, traduzindo nas faixas os diferentes momentos e emoções do roteiro -, fica mais fácil absorver as composições. No entanto, algumas delas simplesmente não funcionam sozinhas, sem o acompanhamento de atores em um palco imaginário, por mais fértil que possa ser a imaginação de quem está escutando o disco. É o caso de “Pumping Blood” e “Frustration”.

Entretanto, em alguns momentos a transição é feita de maneira suave, sem a exigência de uma barreira intransponível entre a música e o ouvinte. Quando isso acontece, somos brindados por boas faixas como “Cheat On Me” - uma tour de force de mais de 11 minutos -, “Dragon” e “Junior Dad”, que não só encerra o trabalho como funciona como um fechamento de tudo o que ele propõe.

Lulu não é um disco fácil. Ele não foi feito para ser ouvido de maneira casual. É preciso se concentrar, deixar-se levar pelas mãos de Hetfield e Reed através de suas composições. Desafiador, erra em alguns momentos e acerta em outros. É uma espécie de sinfonia repleta de pretensão, que, definitivamente, não será assimilada por quem vive em um universo musical formado somente por rock e heavy metal. Os ouvintes mais curiosos e já habituados com a música clássica, por exemplo, absorverão muito melhor as ideias propostas, já que elas estão muito mais próximas dos conceitos e variações desenvolvidos pelo gênero do que do formato padrão do metal e do rock.

Vai gerar discussão? Vai. Vai receber críticas negativas? Sim, a maioria. Lulu mostra que o Metallica, inquieto por natureza mesmo com os milhões de dólares de suas contas bancárias, continua buscando desafios criativos em sua carreira. Essa atitude, que muitas vezes não é entendida pelos fãs, é extremamente saudável, pois mantém a banda viva artisticamente e não apenas como uma enorme empresa da indústria musical, como muitos gigantes por aí. No final, o Metallica sai ganhando ao experimentar novas sonoridades, assim como Reed, que teve um acompanhamento literalmente de peso para as suas letras.

Ouça, e tire as suas próprias conclusões. Para mim, o saldo é mais positivo do que negativo.


Faixas:

CD 1
  1. Brandenburg Gate
  2. The View
  3. Pumping Blood
  4. Mistress Dread
  5. Iced Honey
  6. Cheat On Me

CD 2
  1. Frustration
  2. Little Dog
  3. Dragon
  4. Junior Dad

18 de out de 2011

Enquete da semana: o melhor álbum de metal de 1988

terça-feira, outubro 18, 2011

Como era esperado, novamente tivemos uma disputa apertada entre o Iron Maiden e o Metallica pela primeira posição. É interessante observar como, naquele ano de 1988, as duas bandas lançaram discos que apresentavam claras influências do rock progressivo, com longas composições intrincadas e cheias de mundanças de climas. Seriam esses dois discos os precurssores do prog metal, ou eles apenas traziam uma tendência que já era perceptível no cenário na época?

Em terceiro, o cultuado Operation: Mindcrime, do Queensrÿche, seguido pela segunda parte da saga do Guardião dos Sete Anéis, a obra máxima do Helloween. Chama a atenção a pouca quantidade de votos para o ótimo Leprosy, do Death. Teriam os fãs de metal extremo se dividido entre os álbuns do Bathory e do Slayer e deixado a banda de Chuck de lado?

Confira o resultado final e deixe o seu comentário:

Iron Maiden – Seventh Son of a Seventh Son – 30%
Metallica - … And Justice for All – 28%
Queensrÿche – Operation: Mindcrime - 18%
Helloween – Keeper of the Seven Keys Part II - 8%
Bathory – Blood Fire Death – 4%
Slayer – South of Heaven – 4%
Testament – The New Order - 4%
Death – Leprosy - 2%
King Diamond - “Them” - 1%
Voivod – Dimension Hatröss - 1%

Coldplay: crítica do álbum 'Mylo Xyloto' (2011)

terça-feira, outubro 18, 2011

Nota: 8,5

O Coldplay soa renovado em Mylo Xyloto. Quinto álbum do quarteto, o disco traz uma banda menos messiânica e com uma saudável dose de alegria e otimismo. O desejo de ser o novo U2 ou uma versão mais pop do Radiohead parece ter ficado para trás. O resultado é um álbum que, ainda que guarde ligações com o passado, aponta para um futuro surpreendente.

Provavelmente, a principal razão para essa mudança esteja na participação maior dos demais músicos – Jon Buckland (guitarra), Guy Berryman (baixo) e o subestimado Will Champion (bateria) – no processo de composição. Essa descentralização faz com que as principais características de Chris Martin – as melodias grandiosas, os arranjos pomposos – estejam mais contidos, equilibrados por um bem-vindo tempero pop. A banda não conseguiu retornar à sonoridade dos dois primeiros álbuns – Parachutes (2000) e o soberbo A Rush of Blood to the Head (2002) -, mas isso, pensando bem, nem seria necessário. Ao invés dessa escolha, o grupo soube equilibrar as principais qualidades desses dois discos – as melodias inspiradas adornadas pela instrumentação básica, às vezes quase minimalista – com o que de melhor havia em seus trabalhos mais recentes – X&Y (2005) e Viva la Vida or Death and All His Friends (2008).

Dessa maneira, ao mesmo tempo em que somos brindados com pequenas jóias pop como “Hurts Like Heaven” - com um agradável tempero oitentista – e “Every Teardrop is Waterfall”, há um clima que traz de volta o que o Coldplay fez de melhor em sua carreira em faixas como “Major Minus” e “Charlie Brown”, onde instrumentos acústicos constróem a base sobre a qual arranjos cirúrgicos de desenvolvem sem exageros.

No meio disso tudo, a banda entrega, como sempre, composições que tem como elemento principal a melodia, essa característica tão em falta no pop atual. E é por essa razão que o Coldplay cativa tanto. Em um mundo onde as batidas do rap são onipresentes e o ritmo puro e simples é o desejo de todos, o Coldplay investe em algo “fora de moda”: a construção de harmonias e belas melodias. Um exemplo disso é a bonita “Paradise”, uma faixa que, apesar de soar um tanto exagerada em alguns momentos – principalmente no “ôôô” do refrão -, emociona.

Há grandes momentos em Mylo Xyloto. “Us Against the World” remete a A Rush of Blood to the Head. “Up with the Birds”, colaboração da banda com Leonard Cohen, fecha o disco com destaque. As já citadas “Hurts Like Heaven”, “Every Teardrop is Waterfall”, “Major Minus”, “Charlie Brown” e “Paradise” são garantia de satisfação.

A única coisa que soa deslocada em Mylo Xyloto é a participação de Rihanna em “Princess of China”. A composição, apenas mediana, sobreviveria bem sem a cantora, e a impressão que se tem é que a sua inclusão é muito mais uma tentativa de promover o álbum do que uma escolha artística.

Mylo Xyloto é um CD muito bom. Nele, o Coldplay encontrou um equilíbrio entre a sonoridade mais básica de seus dois primeiros álbuns e a grandiosidade pretensiosa de seus mais recentes discos. Dessa mistura saiu um trabalho muito interessante, que mostra que o grupo ainda tem muitas cartas na manga.

Vale - e muito - o play!


Faixas:
  1. Mylo Xyloto
  2. Hurts Like Heaven
  3. Paradise
  4. Charlie Brown
  5. Us Against the World
  6. M.M.I.X.
  7. Every Teardrop is a Waterfall
  8. Major Minus
  9. U.F.O.
  10. Princess of China
  11. Up in Flames
  12. A Hopeful Transmission
  13. Don't Let It Break Your Heart
  14. Up with the Birds


Crítica do documentário 'Until the Light Takes Us' (2009)

terça-feira, outubro 18, 2011

Nota: 8,5

O black metal norueguês sempre esteve cercado por polêmicas. Do assassinato de Euronymous à queima de igrejas, o que não falta é assunto, sobretudo para os detratores do estilo. Por essa razão, o premiado Until the Light Takes Us é tão importante. Ainda inédito no Brasil, o filme recebeu recentemente a sua aguardada versão em DVD. 

O documentário foca em dois dos principais personagens da cena: Fenriz e Varg Vikernes. Fenriz é mostrado no seu dia a dia, enquanto Varg foi entrevistado ainda na prisão. É interessante perceber os diferentes pontos de vista de ambos, contrastantes na maior parte do tempo. O baterista do Darkthrone surge como um indivíduo solitário, enigmático e soturno. Já Varg, dono de um carisma gigantesco, conta a sua versão dos fatos, muitas vezes desmentida pelos outros músicos entrevistados, que o enxergam muito mais como um personagem excêntrico do que qualquer outra coisa. 

Assistir Until the Light Takes Us é uma experiência densa e perturbadora, como o próprio black metal em sua essência. Por isso mesmo, é extremamente recomendado para entender melhor um dos capítulos mais obscuros da história do heavy metal.

Se você é fã de black metal ou simplesmente se interessa por heavy metal e, porque não, movimentos de contestação social, esse é um filme obrigatório.


17 de out de 2011

Legião Urbana nas bancas de revistas

segunda-feira, outubro 17, 2011


Ótima notícia para quem curte o BRock dos anos oitenta. A Abril Coleções está lançando a Coleção Legião Urbana, nos mesmos moldes das já disponibilizadas coleções dedicadas a Chico Buarque e Tim Maia.

Ao todo serão 15 livros CDs, totalizando 170 faixas e mais de 700 páginas de texto, passando a limpo a carreira daquela que é, sem dúvida, a mais cultuada banda do rock brasileiro.

Hoje, dia 17 de outubro, chega às bancas de revistas e livrarias de todo o Brasil o primeiro volume da coleção, dedicado ao primeiro álbum da Legião Urbana, homônimo, lançado originalmente em 1985 e que conta com as clássicas “Será”, “Geração Coca-Cola” e “Ainda é Cedo”. Esse primeiro volume será vendido pelo preço promocional de R$ 9,90, enquanto os demais custarão R$ 17,90 – os itens das coleções Chico e Tim eram mais baratos, R$ 14,90. Um novo álbum será lançado toda semana.


Para os colecionadores, uma informação preciosa: além dos itens em si, com acabamento luxuoso e textos inéditos, a coleção contará com três capas inéditas criadas por Fernanda Villa-Lobos, esposa de Dado e autora da identidade visual do conjunto.


Além disso, será disponibilizado também um livro compilando trechos de entrevistas e letras das músicas, e uma caixa exclusiva para guardar a coleção completa.

Veja abaixo quais são os 15 álbuns que formam a coleção:

  1. Legião Urbana (1985)
  2. Dois (1986)
  3. Que País é Este (1987)
  4. As Quatro Estações (1989)
  5. V (1991)
  6. As Quatro Estações Ao Vivo – Parte 1 (2004)
  7. As Quatro Estações Ao Vivo – Parte 2 (2004)
  8. Música para Acampamentos – Parte 1 (1992)
  9. Música para Acampamentos – Parte 2 (1992)
  10. Acústico MTV (1999)
  11. O Descobrimento do Brasil (1993)
  12. Como É Que Se Diz Eu Te Amo – Parte 1 (2001)
  13. Como É Que Se Diz Eu Te Amo – Parte 2 (2001)
  14. A Tempestado ou O Livro dos Dias (1996)
  15. Uma Outra Estação (1997)


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