21 de dez de 2011

Obrigado por tudo, e um ótimo 2012 pra todo mundo

quarta-feira, dezembro 21, 2011

2011 foi especial para a Collector´s Room. Começamos o ano com diversas mudanças, tanto na equipe quanto na linha editorial, e elas se mostraram acertadas. A audiência do blog triplicou, aumentando a nossa responsabilidade. Amplificamos o nosso alcance, levando música de qualidade para mais e mais leitores.

E são justamente vocês, os leitores da Collector´s Room, que fizeram este ano ser incrível. Por isso, gostaria de agradecer o apoio que vocês tem me dado aqui no blog, proporcionando para mim a realização de um sonho: escrever sobre música. Obrigado pelos elogios, pelas críticas e pelas dicas, sempre.

Além disso, algumas pessoas merecem um agradecimento especial pela força, inspiração e parceria durante todo o ano. Um muito obrigado gigantesco para os brothers Bento Araújo da poeira Zine, Sergio Martins da revista Veja, Regis Tadeu do Yahoo e diversos outros programas, Ricardo Batalha e Tony Monteiro da Roadie Crew, Vitão Bonesso da Rádio e Programa Backstage, Marcelo Costa do Scream & Yell, Adriano Mello Costa do Coisa Pop, Rodrigo Simas da DMBrasil, Márcio Grings e Ana Bittencourt da Rádio Itapema de Santa Maria (RS), Ângela e Moisés da Hellion Records, Ben Ami Scopinho do Whiplash!, Fabiano Negri e Marcelo Vieira.

A Collector´s Room terá uma pausa agora. Estou entrando em férias e só volto dia 16 de janeiro. Até lá, muito provavelmente não postarei nada aqui. Vou dedicar esse tempo ao meu filho e à minha família.

Obrigado por tudo, e que 2012 seja um ano tão bom quanto 2011 foi.

Os melhores discos de 2011 por Sergio Martins, da Veja

quarta-feira, dezembro 21, 2011


Para mim, Sergio Martins, além de ser um dos melhores críticos de música do Brasil, é uma espécie de professor. Aprendo muito com ele, tiro minhas dúvidas e ouço sempre com atenção o que o Sergio, um cara pra lá de gente boa e uma verdadeira enciclopédia musical, tem a me dizer. 


Por tudo isso, sempre fico na expectativa para receber a sua lista de melhores do ano e publicá-la aqui, para vocês. Sons de primeira, dos mais variados gêneros: é isso que você vai encontrar na listinha do Sergio. Então, acomode-se na cadeira, leia com atenção e comente!


Jay-Z e Kanye West – Watch the Throne


Vamos deixar de ter preconceito em relação ao rap? Para quem deseja abrir seus horizontes musicais, este disco é uma excelente pedida. Ele traz dois dos maiores artistas e produtores do gênero (para dar uma situada, ele seria como um encontro de Mick Jagger e John Lennon nos anos 60 e Jimmy Page e David Bowie na década de 70) para produzir um punhado de novas canções. Watch the Throne é um projeto megalomaníaco – sim, a todo instante Jay–Z e Kanye West falam de como são ricos e bem-sucedidos -, mas também traz ótimas ideias musicais. Para muita gente, rap não é música, apenas um punhado de canções roubadas de terceiros. Nem sempre é assim. Às vezes, uma batida ou um sampler (por exemplo, Otis Redding, matéria prima para “Otis”) se torna uma canção diferente, com batida e groove diferentes. E mesmo trabalhando em cimas de batidas e melodias alheias, eles são capazes de criar ótimas músicas. Faça o teste, confira “Lift Off”, com vocais de Beyoncé; “New Day”, que traz a voz de Nina Simone distorcida pelo auto-tune, e “Made in America”, com o soulman Frank Ocean.


Tedeschi Trucks Band – Revelator


Outra banda que tive o prazer de assistir ao vivo e outra banda que me deixou embasbacado. A Tedeschi Trucks Band é composta por Susan Tedeschi, guitarrista e vocalista, e seu marido, o guitarrista Derek Trucks. É injusto classifica-los apenas como “southern rock” porque ali vai de tudo um pouco: hard rock, blues, soul e, obviamente, southern rock. Revelator é o primeiro disco do casal, que anteriormente tinha uma boa carreira solo. “Midnight in Harlem”, com certeza, está entre as melhores canções que escutei este ano! 


Celso Fonseca e Ronaldo Bastos – Liebe Paradiso


Muito se fala sobre a produção atual de música popular brasileira. Elogia-se a quantidades de discos lançados no mercado independente, o surgimento de novas cantoras e de gênios da composição... Para ser sincero, são raros os discos que me deixaram feliz. Este é um deles. Liebe Paradiso é uma versão remoçada de Paradiso, disco que Celso Fonseca e Ronaldo Bastos lançaram em 1997. Mas não se trata de preguiça criativa, não. Eles pegaram os arranjos e gravações originais, adicionaram novos instrumentos, vocalistas... Liebe tem de ser ouvido no mínimo umas dez vezes e no fone de ouvido, porque cada audição revela um novo detalhe. Há momentos sublimes, como a interpretação de Nana Caymmi em “Flor da Noite”, Paulo Miklos e sua ironia roqueira em “Você Não Sacou”, as vozes impregnadas de soul de Luiz Melodia e Sandra de Sá em “Ela Vai Pro Mar” e “Polaróides”. Discaço!


The Decemberists – The King is Dead


Eu os assisti em janeiro de 2011 no Beacon Theatre, em Nova York. Fiquei tão espantado com a qualidade do espetáculo que fui ao balcãozinho montado em frente à loja e adquiri a coleção inteira do grupo. O Decemberists professa um tipo de música que eu gosto: não é hard rock, muito menos tem suas raízes fincadas no blues, mas por outro lado tem fortes influências de música folk e do rock alternativo dos anos 1980 – em especial o R.E.M., com quem eles são frequentemente comparados. The King is Dead é o sexto e até agora o melhor disco deles: tem baladas como “January Hymn”, rockão para chacoalhar a cabeça e gritar o refrão bem alto (“Down By the Water”) e uma canção com viés político, mas cuja letra passa longe do panfletarismo (“This is Why We Fight”).


The Black Keys – El Camino


Tem disco que pega a gente aos 45 minutos do segundo tempo, né? El Camino, do duo americano The Black Keys, é um deles. Roubou o lugar que era ocupado anteriormente pelo Metals, da Feist. Seguinte: o Black Keys é formado por Dan Auerbach (guitarra e vocais) e Patrick Carney (bateria). A princípio, eles faziam um blues sujo e sem muito retoque. Em 2008, se associaram ao produtor Danger Mouse (o mesmo dos Gorillaz e autor de Rome, outro belíssimo disco de 2011, todo inspirado em trilhas italianas). El Camino é puxado por “Lonely Boy”, faixa que tem uma guitarra meio rockabilly, mas traz outras belezas como “Little Black Submarines” – que lembra muito Led Zeppelin, apesar do Auerbach dizer que não está entre seus grupos prediletos – e as pops “Nova Baby” e “Stop Stop”. Sabe aquele disco de rock que até sua namorada não-roqueira vai gostar? El Camino é este CD. 


Adele – 21


Tinha tomado o conhecimento dessa cantora no Jools Holland. Ela estava lançando seu disco de estreia, 19, e fiquei encantado com aquele vozeirão dedilhando um soul acústico. 21 é mais do que um disco bem produzido de uma grande voz. 21 é mais do que uma compilação do que existe de melhor no pop/soul/balada/música de fossa. 21 bateu recordes de vendagem no Reino Unido e na Inglaterra e Adele fez história na parada americana ao se tornar a artista do ano pela revista Billboard, com o disco e o single mais vendidos do ano. Uma prova que o talento e a boa música resiste à pirataria, ao download ilegal e o diabo a quatro. 


Tomada – O Inevitável


É fato que nunca surgiram tantos artistas independentes como nos últimos dois anos. Mas também é fato que 90% dessa turma tem um discurso político/cultural/social na ponta da língua feito para mascar a falta de musicalidade e justificar sua presença nos principais festivais ditos “alternativos” do país. Nesse cenário desolador, o Tomada, para mim, é um alívio. O grupo faz rock dos bons, com um pé nos anos 1970 e outro na música popular brasileira; tem bons músicos, um vocalista que sabe gritar na hora certa. Isso sem falar que “Ela Não Tem Medo” é radiofônica até a medula.


Mastodon – The Hunter


Anos atrás, Ben Ratliff, do New York Times, escreveu um artigo apaixonado sobre o Mastodon. Comparou as improvisações e quebras de harmonia do álbum Leviathan com as de uma boa banda de jazz. Como sou fã do Ratliff comprei o disco na hora e desde então espero cada lançamento do Mastodon com uma ansiedade doentia. The Hunter é um dos melhores discos dessa turma, e certamente um dos mais acessíveis. Ele tem tudo o que eu gosto no Mastodon: peso, letras inspiradas em ficção científica e filmes de terror, uma quebradeira dos infernos. Por outro lado, o grupo conseguiu criar melodias para conquistar as rádios, que costumam torcer o nariz para o rock pesado. “Curl of the Burl” é um musicão, e a faixa-título tem ecos de Pink Floyd. Longa vida ao Mastodon!


Booker T. Jones - The Road From Memphis


Rapaz, como pude esquecer deste disco? Booker T. Jones é lenda da Stax, fez uma apresentação memorável na Virada Cultural (São Paulo) anos atrás, que nem o péssimo sistema de som atrapalhou. Este disco traz o tecladista ao lado de um monte de colaboradores de alta patente, como a cantora Sharon Jones, Lou Reed (sem a esquisitice de Lulu, com o Metallica), Sharon Jones ... E há pelo menos duas grandes releituras: “Crazy”, de Gnarls Barkley, e “Everything is Everything”, de Lauryn Hill.


Madame Saatan – Peixe Homem


Faz uns quatro anos que conheço essa banda de Belém. Eles certamente fazem um dos shows de rock mais animados do país, com uma vocalista (Sammliz) endiabrada, uma poderosa seção rítmica (Ícaro Suzuki no baixo e o Ivan Vanzar na bateria) e um guitarrista de responsa (Ed Guerreiro). Peixe Homem é o segundo disco deles e tem uma produção esmerada (de Paulo Anhaia), que valorizou as qualidades do quarteto. É um dos discos mais bem gravados que escutei e há uma porção de canções que eu gosto, como “Respira” e “A Foice”.

Os 50 melhores discos de 2011 segundo a Mojo

quarta-feira, dezembro 21, 2011


A respeitada revista Mojo publicou a sua lista com os melhores álbuns do ano. Não segmentada em um estilo específico, mas com um olhar mais atento para artistas clássicos, a listinha da Mojo tem uns sons bem interessantes aí no meio.

Confira, e comente:
  1. PJ Harvey – Let England Shake
  2. The Horrors – Skying
  3. Fleet Foxes – Helplessness Blues
  4. Jonathan Wilson – Gentle Spirit
  5. Kate Bush – 50 Words for Snow
  6. White Denim – D
  7. Josh T. Pearson – Last of the Country Gentlemen
  8. Anna Calvi – Anna Calvi
  9. Tom Waits – Bad As Me
  10. Wild Beasts – Smother
  11. Laura Marling – A Creature I Don't Know
  12. Kurt Vile – Smoke Ring for My Halo
  13. Cat's Eyes – Cat's Eyes
  14. King Creosote & Jon Hopkins – Diamond Mine
  15. Paul Simon – So Beautiful or So What
  16. Bon Iver – Bon Iver, Bon Iver
  17. Bill Wells & Aidan Moffat – Everything's Getting Older
  18. Thurston Moore – Demolished Thoughts
  19. James Blake – James Blake
  20. My Morning Jacket – Circuital
  21. The War on Drugs – Slave Ambient
  22. Beirut – The Rip Tide
  23. Bill Callahan – Apocalypse
  24. EMA – Past Life Martyred Saints
  25. The Stepkids – The Stepkids
  26. Drive-By Truckers – Go-Go Boots
  27. Arbouretum – The Gathering
  28. Lykke Li – Wounded Rhymes
  29. Wilco – The Whole Love
  30. Girls – Father, Son, Holy Ghost
  31. Nick Lowe – The Old Magic
  32. Bjork – Biophilia
  33. Glenn Jones – The Wanting
  34. Gillian Welch – The Harrow & The Harvest
  35. Tinariwen – Tassili
  36. Shabazz Palaces – Black Up
  37. Duane Eddy – Road Trip
  38. The Sand Band – All Through the Night
  39. Arctic Monkeys – Suck It and See
  40. Charles Bradley – No Time for Dreaming
  41. Destroyer – Kaputt
  42. Booker T. Jones – The Road From Memphis
  43. Gwilym Simcock – Good Days at Schloss Elmau
  44. Glenn Campbell – Ghost on the Canvas
  45. tUnE-yArDs – w h o k i l l
  46. Noel Gallagher – High Flying Birds
  47. Radiohead – The King of Limbs
  48. Wire – Red Barked Tree
  49. Frank Ocean – Nostalgia, Ultra
  50. Joe Henry - Reverie

Os 50 melhores álbuns de 2011 segundo a Uncut

quarta-feira, dezembro 21, 2011


A tradicional revista inglesa Uncut revelou a sua lista com os melhores discos do ano. Não segmentada em nenhum estilo específico, a listinha da Uncut abrange trabalhos dos mais variados gêneros, formando um ótimo panorama para quem se interessa por música.

Confira, e comente:

  1. PJ Harvey – Let England Shake
  2. Gillian Welch – The Harrow & The Harvest
  3. Metronomy – The English Riviera
  4. White Denim – D
  5. Josh T. Pearson – Last of the Country Gentlemen
  6. The Horrors – Skying
  7. Radiohead – The King of Limbs
  8. Wild Beasts – Smother
  9. Bon Iver – Bon Iver, Bon Iver
  10. The War on Drugs – Slave Ambient
  11. Laura Marling – A Creature I Don't Know
  12. Fleet Foxes – Helplessness Blues
  13. Tom Waits – Bad As Me
  14. Kurt Vile – Smoke Ring for My Halo
  15. Wilco – The Whole Love
  16. Jonathan Wilson – Gentle Spirit
  17. Feist – Metals
  18. Tinariwen – Tassili
  19. Drive-By Truckers – Go-Go Boots
  20. Ry Cooder – Pull Up Some Dust and Sit Down
  21. James Blake – James Blake
  22. Gang Gang Dance – Eye Contact
  23. Thurston Moore – Demolished Thoughts
  24. Real Estate – Days
  25. Bill Calahan – Apocalypse
  26. The Decemberists – The King is Dead
  27. Bjork – Biophilia
  28. King Creosote & Jon Hopkins – Diamond Mine
  29. Paul Simon – So Beautiful or So What
  30. Tim Hecker – Ravedeath, 1972
  31. Destroyer – Kaputt
  32. Gil Scott-Heron and Jamie xx – We're New Here
  33. Low – C'mon
  34. Fatoumata Diawara – Fatou
  35. My Morning Jacket – Circuital
  36. Jonny – Jonny
  37. Little Dragon – Ritual Union
  38. Hiss Golden Messenger – From Country Hai East Cotton
  39. Dawes – Nothing is Wrong
  40. Kate Bush – 50 Words for Snow
  41. Raphael Saadiq – Stone Rollin
  42. Jenny Hval – Viscera
  43. St. Vincent – Strange Mercy
  44. tUnE-yArDs – w h o k i l l
  45. Mikal Cronin – Mikal Cronin
  46. Iceage – New Brigade
  47. The Caretaker – An Empty Bliss Beyond This World
  48. Cornershop Feat. Bubbley Kaur – Cornershop and The Double-O Groove of
  49. Arbouretum – The Gathering
  50. Unknown Mortal Orchestra – Unknown Mortal Orchestra

Os melhores discos de 2011 segundo Mike Portnoy

quarta-feira, dezembro 21, 2011


Como faz todos os anos, o baterista Mike Portnoy (Adrenaline Mob, ex-Dream Theater) divulgou a sua lista com os 10 melhores álbuns de 2011. Tirando uma ou outra surpresa, uma lista que reafirma a qualidade de trabalhos que realmente se destacaram durante o ano.

Confira, e comente:

  1. The Dear Hunter – The Color Spectrum
  2. Steven Wilson – Grace for Drowning
  3. Anthrax – Worship Music
  4. Black Country Communion – 2
  5. Foo Fighters – Wasting Light
  6. Symphony X – Iconoclast
  7. Arch / Matheos – Sympathetic Resonance
  8. Mastodon – The Hunter
  9. Machine Head – Unto the Locust
  10. Protest the Hero – Scurrilous

20 de dez de 2011

Os 50 melhores discos de 2011 segundo a Classic Rock

terça-feira, dezembro 20, 2011


A revista inglesa Classic Rock, uma das melhores e mais respeitadas publicações musicais do planeta, publicou em sua nova edição a lista com os 50 melhores discos de 2011, escolhidos pela sua equipe.

Confira abaixo a lista e, é claro, comente a respeito dos álbuns que estão nela:

  1. Mastodon – The Hunter
  2. Rival Sons – Pressure and Time
  3. The Union – Siren's Song
  4. Black Stone Cherry – Between the Devil and the Deep Blue Sea
  5. Joe Bonamassa – Dust Bowl
  6. Opeth – Heritage
  7. Whitesnake – Forevermore
  8. Foo Fighters – Wasting Light
  9. Jane's Addiction – The Great Escape Artist
  10. Tedeschi Trucks Band – Revelator
  11. Michael Monroe – Sensory Overdrive
  12. Yes – Fly From Here
  13. Black Country Communion – 2
  14. Alice Cooper – Welcome 2 My Nightmare
  15. Machine Head – Unto the Locust
  16. The Answer – Revival
  17. Status Quo – Quid Pro Quo
  18. Journey – Eclipse
  19. Chickenfoot – III
  20. Motörhead – The Wörld is Yours
  21. Beth Hart & Joe Bonamassa – Don't Explain
  22. Saxon – Call to Arms
  23. Horrible Crowes – Elsie
  24. Uriah Heep – Into the Wild
  25. The Treatment – This Might Hurt
  26. Von Hertzen Brothers – Stars Aligned
  27. Ancient Wisdom – A Godlike Inferno
  28. Dream Theater – A Dramatic Turn of Events
  29. Anthrax – Worship Music
  30. Tom Waits – Bad As Me
  31. Night Ranger – Somewhere in California
  32. Steven Wilson – Grace for Drowning
  33. Märvel – Warhawks of War
  34. Black Spiders – Sons of the North
  35. The Civil Wars – Barton Hollow
  36. Ghost – Opus Eponymous
  37. Vintage Trouble – The Bomb Shelter Sessions
  38. Drive-By Truckers – Go-Go Boots
  39. Work of Art – In Progress
  40. Head Cat – Walk the Walk … Talk the Talk
  41. Gregg Allman – Low Country Blues
  42. Gentleman's Pistols – At Her Majesty's Pleasure
  43. Urban Voodoo Machine – In Black 'N' Red
  44. Jesse Sykes & The Sweet Hereafter – Marble Son
  45. Lindsey Buckingham – Seeds We Sow
  46. Screaming Trees – Last Words: The Final Recordings
  47. Eureka Machines – Champion the Underdog
  48. Graveyard – Hisingen Blues
  49. My Morning Jacket – Circuital
  50. JJ Grey & Mofro – Georgia Warhorse

Os melhores discos de 2011 segundo Vitor Bemvindo, produtor e apresentador do Mofodeu

terça-feira, dezembro 20, 2011


Desde que criei a Collector´s Room - primeiro como uma coluna no Whiplash lá em 2005, e depois como um blog em outubro de 2008 -,a música fez com que eu conhecesse várias pessoas interessantes. Uma das mais legais é o carioca Vitor Bemvindo, editor do Mofodeu, podcast especializado em rock dos anos 70.


O Vitor já colaborou diversas vezes aqui com a Collector´s, e eu também já participei de um episódio do Mofodeu, então nada mais natural que ele também listasse para os nossos leitores aqueles que foram, na sua opinião, os 10 melhores discos de 2011.


Boa leitura, e mande ver nos comentários!


Chickenfoot – III


Quem esperava que o segundo disco do supergrupo de Sammy Hagar, Joe Satriani, Mike Anthony e Chad Smith fosse uma repetição do primeiro, recheado de petardos hard rock, se surpreendeu com um álbum bem mais variado. A surpresa foi boa e consolida o grupo de vez como uma banda e não só como uma reunião de estrelas.


Black Country Communion – 2


Depois de um disco de estreia elogiadíssimo, era difícil imaginar que o supergrupo encabeçado por Glenn Hughes conseguisse fazer outro grande trabalho. Mas eles conseguiram! Joe Bonamassa, que antes se dedicava mais ao blues, parece que faz riffs e solos para hard rocks desde que nasceu. Se esse disco não é melhor que o primeiro, é no mínimo tão bom quanto.


Rush - Time Machine 2011: Live in Cleveland


Todo mundo já sabia o que vinha no mais novo álbum ao vivo do trio canadense, afinal eles fizeram a turnê Time Machine com um repertório quase fixo. Ainda assim, mesmos aos que foram aos shows, o disco soa fantástico. A banda parece em plena forma, mesmo com menos agudos de Geddy Lee. Os arranjos ao vivo para as faixas de Moving Pictures revelam novas facetas para um disco clássico. Ótimo, como tudo que vem sob a marca do Rush.


The London Souls – The London Souls


Desde que ouvi a banda pela primeira vez, não paro de me perguntar porque não existem mais grupos como o The London Souls. O disco de estreia dos nova-iorquinos tem de tudo: de hard rock a reagge, passando por poucas, mas inspiradas, baladas. Uma pena o grupo ainda estar apenas no underground. Imperdível!


Joe Bonamassa – Dust Bowl


Poucos artistas contemporâneos produzem tanto, e com tamanha qualidade, como Bonamassa. Além do excelente trabalho no Black Country Communion, o guitarrista lançou mais um grande álbum solo. Se no anterior, Black Rock (2010), ele seguiu na aventura pelo rock, no disco atual ele volta às origens fazendo um blues rock de primeira linha. Dust Bowl certamente não é tão primoroso como Black Rock, mas é bom o suficiente para ser cotado como um dos melhores do ano.


Rival Sons – Pressure and Time


A faixa-título soa como uma bomba! Impossível não comparar com os deuses do Led Zeppelin. E essa comparação não faz com que os deuses se envergonhem. Apesar de o disco não segurar o pique o tempo todo, ele faz com que os fãs do hard setentista tenham esperança que haja um revival deste tipo de som. Um trabalho honesto, que bebe de fontes clássicas sem deixar de soar moderno.


Leslie West – Unusual Suspects


2011 foi um ano difícil para o ex-guitarrista do Mountain. Por conta de complicações de um diabetes, ele teve uma das suas pernas amputadas. No entanto, antes disso, já tinha um trabalho lançado. Apesar de ter passado quase desapercebido, Unusual Suspects traz um Leslie West em plena forma, compondo riffs arrasadores. O disco é abrilhantado com a participação de outros grandes guitarristas como Slash, Zakk Wylde, Billy Gibbons e adivinha quem? Joe Bonamassa, o Midas do rock em 2011.


Uriah Heep – Into the Wild 


O que esses coroas ainda estão fazendo na ativa?”. É sob esse tipo de suspeita que bandas setentistas têm que lançar seus novos trabalhos. E esse tipo de preconceito faz com que muitos fechem os ouvidos para bons álbuns como este. Mick Box parece nunca esvaziar sua caixa de bons riffs. Apesar de faixas um pouco “pegajosas”, ele é digno de estar na discografia da banda e entre os melhores do ano.


Graveyard – Hisingen Blues


Ainda há luz no fim do túnel. É essa a impressão que se tem ao ouvir o último disco do Graveyard. O hard blues dos suecos faz com que o som dos grupos de stoner rock atuais pareçam brincadeira de criança. Apesar de muito arrastado em alguns momentos, o disco traz esperanças de dias melhores para a música contemporânea.


Vintage Trouble - The Bomb Shelter Sessions


O futuro está no passado? O excelente disco do Vintage Trouble nos traz essa dúvida. A mistura retrô entre rock e soul é inovadora e soa moderna, mesmo com referências claras ao passado. O álbum é daqueles que faz com que ninguém pare quieto e todos tenham vontade de dançar, mesmo que você seja o maior dos cintura-dura.

Os 20 melhores álbuns de metal de 2011 segundo a Spin

terça-feira, dezembro 20, 2011


Uma das mais importantes e respeitadas revistas sobre música em todo o mundo, a Spin, publicou a sua lista com os 20 melhores discos de heavy metal lançados em 2011. Algumas surpresas, a presença de algumas figuras carimbadas, e a certeza de que, para quem é curioso e não se acomoda com os nomes de sempre, tem muita banda boa fazendo música de qualidade por aí.

Confira, e comente:

  1. Liturgy – Aesthetica
  2. Yob – Atma
  3. Craft – Void
  4. Tombs – Path of Totality
  5. Absu – Abzu
  6. Krallice – Diotima
  7. Anthrax – Worship Music
  8. Earth – Angels of Darkness, Demons of Light I
  9. Ghost – Opus Eponymous
  10. All Pigs Must Die – God is War
  11. Rwake – Rest
  12. Batillus – Furnace
  13. Mastodon – The Hunter
  14. Blood Ceremony – Living with the Ancients
  15. Autopsy – Macabre Eternal
  16. Hull – Beyond the Lightless Sky
  17. Korn – The Path of Totality
  18. Bruce Lamont – Feral Songs for the Epic Decline
  19. Wolves in the Throne Room – Celestial Lineage
  20. Megadeth – Th1rt3en

19 de dez de 2011

Os melhores de 2011 na opinião de Ben Ami Scopinho, do Whiplash

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Parece ser consenso que 2011 tenha oferecido muitos discos incríveis, seja lá em que segmento se procure. A dificuldade em selecionar 10 álbuns foi irritante e acabou se tornando injusta para alguns nomes que não apareceram, mas aí está a listinha, naturalmente dividida entre nacionais e gringos. Afinal, é indiscutível a ebulição criativa que a cena brasileira está desfrutando nos últimos anos!

While Heaven Wept - Fear of Infinity

O norte-americano While Heaven Wept fez de seu quarto álbum, Fear Of Infinity, um verdadeiro camaleão sonoro que mantém a perspectiva doom e power de sua proposta, mas seguindo com uma complexidade que o aproxima do progressivo, com interlúdios acústicos, clímax brutal, devaneios barrocos, tudo construído com melodias majestosas que aí estão para potencializar a faceta épica e melancólica que tornou o grupo cultuado ao longo de uma trajetória que completou a segunda década. E o melhor: o While Heaven Wept assinou com a Nuclear Blast, o que facilita o acesso a seus trabalhos.

Amorphis - The Beginning of Times

Desde a entrada do vocalista Tomi Joutsen em 2005, o finlandês Amorphis lançou uma impressionante sequência de ótimos trabalhos, tendo em The Beginning of Time outra amostra de como o heavy metal pode ser uma bonita arte. Com distorção e melodias equilibradas e uma sutil tendência ao mainstream, o Amorphis é um mestre em capturar e extravasar sentimentos enquanto desfila pelos temas do Kalevala, livro de poemas do escritor Elias Lönnrot baseado nas velhas lendas da Terra dos Mil Lagos.

Mitochondrion - Parasignosis

Rotular de forma coerente o canadense Mitochondrion é uma tarefa desgastante. Parasignosis é seu segundo álbum e, ainda que tudo soe primitivo em seu jeitão death meio old school, agora se percebe uma vibração black metal que não era tão evidente no registro anterior. Mas estas são as facetas mais óbvias em um primeiro momento, pois a coisa toda continua avançando com experimentos alinhados de forma complexa, repleto de detalhes que tornam tudo ainda mais obscuro e, principalmente, inacessível. Tortuoso e intrigante são adjetivos aplicáveis ao Mitochondrion.

Royal Hunt - Show Me How to Live

Ainda que muitos prefiram a fase em que o Royal Hunt tinha como vocalista o carismático DC Cooper, os dinamarqueses nunca liberaram um disco que fosse realmente ruim, independente de quem estivesse atrás do microfone. De qualquer forma, Show Me How to Live mostra a banda retornando ao seu heavy metal trabalhado com pomposas sinfonias e com ninguém menos do que o próprio Cooper assumindo as vocalizações. Uma bela surpresa bem no finalzinho de 2011!

Trivium - In Waves

Embora os dois primeiros álbuns do Trivium oferecessem o que há de melhor em termos de metalcore, posteriormente os norte-americanos passaram a explorar outras áreas, inclusive injetando algumas doses de heavy metal extremo ao lado de suas melodias tão grudentas. In Waves mostra a invejável fase pela qual o Trivium está passando, em outra obra exemplar do metal contemporâneo.

Iced Earth - Dystopia

Com alguns clássicos em sua discografia, o norte-americano Iced Earth é um nome que quase sempre atraiu as atenções no que concerne ao tradicionalismo no heavy metal. Com Dystopia, Mr. Schaffer elaborou outro importante álbum que se caracteriza pelo retorno ao saudável metal movido à riffs galopantes e contando com a potente e versátil voz de Stu Block, que já havia feito bonito na máquina canadense Into Eternity.

Ivory Gates - The Devil's Dance

The Devil's Dance é o terceiro disco do paulista de Piracicaba Ivory Gates, que mostra canções mais cruas, mas não o suficiente para se afastar das fortes características progressivas que tornaram o grupo tão respeitado entre os amantes do gênero. Pesadíssimo e passeando com desenvoltura por estilos que vão desde o rock dos anos 70, AOR e (naturalmente) o progressivo da década de 80, seus músicos possuem extremo controle da melodia e privilegiam com sobriedade o fator sentimento, em detrimento da pirotecnia técnica.

Sodamned - The Loneliest Loneliness

Loneliest Loneliness é mais um ótimo exemplo do que Santa Catarina pode oferecer em termos de metal extremo. Demorou uma década para o Sodamned marcar sua estreia em disco, mas que resultado alcançou! O grande lance por aqui é a personalidade da proposta, cujo cerne é o death metal de arranjos diversificados e com uma curiosa configuração melódica que nunca ofusca a faceta extrema do grupo, além de um riquíssimo trabalho vocal.

Madame Saatan - Peixe Homem

Peixe Homem é o segundo trabalho do paraense – agora com base na capital paulista – Madame Saatan, e mostra uma banda que enxugou alguns excessos do passado para destilar um rock and roll pesadíssimo, fruto de flertes descarados com o heavy metal, hardcore e generosamente enfeitado com música regional. Some a isso as ótimas letras e a voz potente da menina bonita Sammliz e temos um belo coquetel tupiniquim, dos mais explosivos e que empurra o Madame Saatan a um novo patamar.

Drunk Vision - Day After

Com músicos gaúchos e catarinense, o Drunk Vision liberou um primeiro álbum matador. Day After foi elaborado tendo como tônica o heavy metal extremo, mas com complexidade suficiente para também se enquadrar na faceta progressiva do gênero. Seus três integrantes deram tudo de si para continuar na ativa, mas a falta de espaço para tocar simplesmente implodiu o Drunk Vision. A cena brasileira saiu perdendo, mas quem adquiriu este debut pode se considerar um felizardo.

Carniça - Temple's Fall ... Time to Reborn

O Carniça é um trio gaúcho que andou sumido por uns anos, mas retornou com um álbum matador. Temple's Fall ... Time to Reborn é fortemente influenciado pela estética old school, mas evita se prender aos rótulos ao mesclar com grande flexibilidade death, thrash e metal tradicional, com uma sensibilidade melódica digna de poucos e que nunca minimiza a atmosfera mais extrema que permeia cada centímetro do repertório.

De lambuja, mais 10 que insistiram em não sair do toca-discos:

Arkona - Slovo
Of The Archaengel - The Extraphysicallia
Vintersorg - Jordpuls
Gigan – Quasi - Hallucinogenic Sonic Landscapes
Rival Sons - Pressure and Time
Ecliptyka - A Tale of Decadence
Suidakra - Book of Dowth
HellLight - … And Then, The Light of Consciousness Became Hell ...
Voodoo Highway - Broken Uncle’s Inn
Muqueta na Oreia - Lobisomem em Lua Cheia

Lana Del Rey: pois é, e daí?

segunda-feira, dezembro 19, 2011


Você já deve ter ouvido falar de Lana Del Rey. Se não, certamente logo ouvirá. Aclamada por parte da imprensa especializada, essa nova-iorquina de 25 anos com um rosto que remete à jovem Brigitte Bardot é a nova queridinha dos hipsters e indies. Mas o hype é exagerado, ou a moça tem talento mesmo?

Lana lançou apenas alguns singles, e seu primeiro disco, intitulado Born to Die, sairá só em 2012. Na minha opinião, esse rebuliço todo acontece porque tudo está no lugar certo. Vejamos: loira, bonita e com pose blasé, com canções melancólicas embaladas em arranjos elegantes que remetem ao jazz, orquestrações dando um brilho nas composições, clipes com imagens caseiras e cenas de filmes antigos … Tudo isso forma um pacote redondinho e conceitual, posicionando a cantora como um produto pra lá de atraente para uma parcela do público que, ao mesmo tempo em que quer descobrir antes de todo mundo quem será o próximo fenômeno musical, consome a música não só pela música, mas, principalmente, pelo que ela representa.



Na minha opinião, o som de Lana Del Rey é para poucos. Sua música não é para a grande massa. Apesar da boa voz, tudo soa sem gosto para mim. As canções não emocionam, não arrebatam o ouvinte. É tudo muito bem feito e, talvez justamente por isso, sem alma. Para comparar com duas artistas, digamos assim, similares, falta a sacada inovadora de Amy Winehouse (que embalou as suas composições em uma irretocável sonoridade soul) e o pop carregado de emoção de Adele.

Pra mim, não convenceu. E vocês, o que acham?

Opeth: banda fala sobre os discos que influenciaram a composição de 'Heritage'

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Tradução de Ricardo Seelig

Heritage, lançado pelo Opeth em 2011, é um dos melhores discos do ano. A sonoridade explorada pela banda no álbum, repleta de referências setentistas, causou estranheza nos fãs em um primeiro momento, mas quem se aventurou por suas faixas descobtiu um trabalho belíssimo, que colocou o Opeth em outro patamar.

A revista inglesa Classic Rock bateu um papo com o vocalista e guitarrista Mikael Akerfeldt, líder do grupo, e com o guitarrista Fredrik Akesson, sobre quais discos influenciaram a banda durante o processo de composição de Heritage. Confira as revelações da dupla, e descubra novos e ótimos sons para a sua vida

Cressida – Cressida (1970)

Mikael - Quem me mostrou este disco foi Russ Smith, jornalista da Terrorizer. Ele me deu uma fita k7 – sim, um k7, há bastante tempo atrás, lá por 1993 – com Forest de um lado e Cressida em outro. Nós nos correspondíamos e recomendávamos bandas um ao outro. Ele era muito fã de doom metal, então eu não esperava que ele me indicasse algo assim. E eu adorei! A gravação foi feita de um vinil e o som era suingado, com uns toques de jazz, um prog com muito – muito mesmo – órgão. Eu nunca tinha ouvido algo parecido, e fiquei obcecado por aquilo. Encontrei o segundo álbum em CD em uma loja de Estocolmo, com uma ótima capa de Keith 'Keef' MacMillan. Passei um tempão procurando este disco em vinil, me correpondendo com diversas pessoas, ainda sem internet. Eu vinha da cena do metal extremo, então não tinha amigos que pudessem me ajudar nesta busca.

Gracious – Gracious! (1970)

Mikael - Depois que conheci o Cressida fui atrás de outras coisas da Vertigo. Este é o debut do Gracious. A capa não chamava muita atenção, mas ao abrir o gatefold dei de cara com uma belíssima pintura psicodélica. E a música era super cool! O vocalista, Paul Davis, havia participado de uma montagem de Jesus Christ Superstar um ano antes. O som do Gracious tinha muito mellotron. Era como o Moody Blues e o Spring, eles construíam o seu som ao redor do instrumento. Os antigos teclados, especialmente o mellotron, soavam de maneira bem demoníaca. A faixa “Hell” tinha uns sons que pareciam samplers de filmes de terror para mim.

Tudor Lodge – Tudor Lodge (1971)

Mikael - O lado folk da Vertigo, e também muito bom. Por volta de 2004 eu fui fotografado para uma revista segurando este disco, e John Stannard, integrante da banda, entrou em contato com a nossa gravadora perguntando se poderia se encontrar com a gente. Pensei “pô, que legal”, e o convidei para um de nossos shows na Inglaterra. Então nos encontramos antes do show, conversamos e ele me contou que ainda estava envolvido com música. John me deu um CD com uma nova cantora que soava exatamente como ele – era uma garota, talvez sua filha. Porém, nós não nos encontramos depois do show. Acho que ele ficou surpreso por sermos uma banda de death metal e não de folk rock.

Scott Walker – The Drift (2006)

Mikael – Na época que Walker gravou este álbum ele estava bastante introvertido e fazendo um som bem anti-comercial. Seu trabalhos anterior foi vendido como um disco pop, e foi um dos menos vendidos da história da Virgin. The Drift influenciou muito o Opeth. Eu tentava cantar como Walker, mas soava mais como David Bowie. Fiz uma música para o OSI (projeto de Jim Matheos, do Fates Warning, e Kevin Moore, ex-Dream Theater) onde tentava cantar de maneira profunda e lenta, mas só consegui soar como um Bowie ruim.

Cornelis Vreeswijk – Cornelis Sjunger Taube (1969)

Fredrik – Esse disco lembra a minha infância. Meu pai gostava muito dele. Cornelis era um holandês maluco que fez a sua carreira na Suécia tocando folk jazz. Eu lembro do meu pai me mostrando essa capa.

Mikael – Um barbudo pelado?

Fredrik – Sim, um choque para os olhos. Meu pai tocava violão e cantava. Acho que ele queria ser como Cornelis, ou uma espécie de folk hero. Esse cara era tipo um ícone boêmio, e era muito controverso.

Mikael – Ele era um rock star também, bebia um monte, vivia cercado de mulhares, tomava drogas …

Fredrik – Ver a coleção de discos dos meus pais espalhada pela casa me fez começar a minha própria coleção. Não com Cornelis, é claro, mas com For Those About to Rock e Piece of Mind.

Jan Johansson – Jazz Pa Svenska (1964)

Mikael – Este disco é muito famoso na Suécia. É música sueca tocada em forma de jazz, apenas com piano.

Fredrik – É lindo!

Mikael – É o mais belo disco já gravado!

Fredrik – A primeira faixa de Heritage foi baseada nele.

Mikael – Eu pedi para Joakim (Svalberg, tecladista do Opeth) escrever uma introdução para o álbum, e quando ele me mostrou soava como este disco. Perfeito! Não dei nenhum direcionamento para ele, mas estava em nosso subconsciente. Este é um álbum que ouvimos durante todas as nossas vidas. Todos amam este disco, mesmo as pessoas não interessadas em música, porque ele é sobre a Suécia. Eu não sou um desses caras patrióticos, mas ele faz parte das nossas raízes.

Fredrik – Jan é o pai do jazz sueco, e seus filhos Ander e Jens também estão na música, envolvidos com o Stratovarius e com Malmsteen.

Bobak, Jons, Malone – Motherlight (1970)

Mikael – Li sobre este disco no brilhante livro Tapestry of Delights, de Vernon Joynson, sobre obscuridades do rock inglês entre 1963 e 1976. Ele foi gravado por três caras de estúdio – engenheiros, produtores e arranjadores -, e é um dos discos mais psicodélicos que eu ouvi em toda a minha vida. O LP foi lançado por um selo criado pelo lendário Morgan Studios, em Londres, que tinha clientes como Pink Floyd, Led Zeppelin e Yes. O cantor, Wil Malone, depois gravou também um álbum solo, e se alguém que estiver lendo isso o tiver na edição lançada pela Fontana em vinil, entre em contato comigo, pois eu quero. É impossível de encontrar! É um grande disco de rock psicodélico. As músicas são realmente estranhas, há algumas partes onde os guitarristas tocam muito alto. Você se sente como se estivesse bêbado ao ouvir isto, ou prestes a vomitar.

Cromagnon – Cave Rock (1969)

Mikael - Um grupo americano que lançou apenas um LP, não sei muito sobre eles. A primeira faixa tem vocais como os de death e black metal – isso em 1969! É super estranho, muito bom e demoníaco. A foto dos caras na contracapa mostra eles como pessoas normais, mas a banda produzia música que pode matar as pessoas. O som é psicótico! Se você vai passar uma noite com a sua garota, essa, definitivamente, não será a trilha sonora. Isso é o que um esquadrão de fuzilamento ouviria antes de fazer o seu trabalho. Eu não sei se isso é bom, mas ao ouvir o disco pela primeira vez meu queixo caiu e eu pensei: “Que diabos é isso?”.

White Noise – An Electric Storm (1968)

Mikael – Um dos primeiros álbuns prog lançados pela Island Records, com um line-up formado pelo compositor David Vorhans, Delia Derbyshire e Brian Hodgson. Esta é a estreia da banda e é experimentação pura, com os caras descobrindo novas sonoridades com os primeiros sintetizadores. Mas é também um disco divertido. Delia canta a minha música favorita, “Here Come the Fleas”, que é hilária. Eles tem uma faixa chamada “Black Mass”, muito sacana, e “The Sound of Loving” tem uns sons incríveis ao fundo. Eu nunca ouvi nada parecido como este disco. O fato de eles terem feito experimentos eletrônicos tornou este álbum lendário. O grupo certamente me impressionou. Este é um álbum de uma época onde havia senso de humor na música experimental.

Culpeper's Orchard – Culpeper's Orchard (1971)

Mikael - Esta é uma das minhas 10 bandas favoritas de todos os tempos. Eles são dinamarqueses, contavam com um cantor inglês chamado Cy Nicklin e com o baterista Rodger Barker, que eu já conhecia das minhas pesquisas sobre o Cressida. Quando encontrei este primeiro disco, descobri uma banda de hard rock fantástica lançada apenas na Dinamarca e na Alemanha, e que havia vendido apenas umas 10 cópias de seus álbuns (risos). Mas as canções … há um lance meio Led Zeppelin nas baladas, meio Purple, meio Jethro Tull, e músicas absolutamente fantásticas. Estas canções são tão clássicas para mim quanto qualquer disco do Black Sabbath. Eu fiquei obcecado pela banda, e tentei encontrar Cy. Um amigo meu encontrou a sua irmã em uma feira de discos, pegou o seu número, mas ele estava sempre desligado. Não sei se este cara ainda faz algo na música, mas ele significa o mesmo para mim que Tony Iommi. Se eu tivesse que escolher apenas um disco para ouvir o resto da vida, seria este.

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