27 de jan de 2012

As Novas Caras do Metal – Parte 5: chegou a hora de conhecer as suas novas bandas favoritas

sexta-feira, janeiro 27, 2012


Estamos de volta com a quinta parte da nossa série de posts sobre as novas bandas de heavy metal que estão fazendo um trabalho de qualidade e que você precisa ouvir.

Nesta edição, temos sons que vão do hard rock até o black metal, demonstrando a ampla paleta de possibilidades do gênero musical mais apaixonante que existe.

Portanto, acomode-se na cadeira, aumente o volume e embarque comigo nessa viagem pelo lado mais escuro do rock!

Kamchatka

Trio sueco formado em 2001, possui quatro discos na carreira. Conheci através da recomendação do chapa Bento Araújo da poeira Zine, que colocou o último play dos caras, Bury Your Boots, entre os melhores de 2011. Hard rock com balanço e uma pegada setentista, com ótimos solos de guitarra. 





Howl

Com apenas um disco lançado, este quarteto norte-americano faz um stoner metal repleto de ótimos riffs e alto nível de testosterona. O debut dos caras, Full of Hell, traz influência do Black Sabbath, principalmente nos riffs da dupla de guitarristas Vincent e Andrea, além de uma pegada doom.





Vektor

Thrash metal com pegada oitentista. O último álbum deste quarteto do Arizona, Outer Isolation (2011), é uma pedrada que irá fazer a alegria de quem viveu o auge da Bay Area. Mas um aviso: ao dar play no disco, você correrá o risco de ficar semanas ouvindo a banda sem parar.





Märvel

Hard rock sueco de alto quilate, e que vem ganhando destaque cada vez maior. Os caras sabem compor faixas cativantes, com ótimas linhas vocais e refrões fortes. A trilha sonora perfeita para uma reunião com os amigos.





Black Rainbows

Este trio italiano já gravou três discos, todos trazendo um heavy metal pesado, sujo, tradicional e bem próximo do stoner. O som é simples e sem frescuras, bom para ouvir no talo bebendo uma cerveja gelada.





King Hobo

Projeto paralelo do vocalista e guitarrista do Kamchatka, Thomas Andersson, com o ex-tecladista do Opeth, Per Wiberg. O batera do Clutch, JP Gaster, também está na jogada. O King Hobo tem apenas um álbum lançado, auto-intitulado, de 2008. A música é um blues rock bem pesado e com muito groove, que pede uma estrada livre para pisar fundo.





Sasquatch

Essa é a edição dos trios. Esse é de Los Angeles e faz um hard rock classudo, onde o principal destaque é o ótimo vocalista Keith Gibbs – ele também é o guitarrista da banda. Os caras tem três discos no currículo, todos muito bons.





J.D. Overdrive

Banda polonesa que lançou o seu primeiro álbum em 2011, Sex Whiskey & Southern Blood. Antes, os caras haviam liberado um EP em 2008. O grupo se chamava Jack Daniels Overdrive, mas por problemas com os donos da marca do famoso whisky tiveram que abreviar o nome. Hard rock potente, com um pé no metal e outro no stoner. Sonzeira!





Juggernaught

Quarteto sul-africano que lançou apenas um disco, o excelente Act of Goat, em 2009. Hard pesadão, bêbado e com vocais agressivos, um som sujo onde o destaque são as guitarras. Pra ouvir alto e cantando junto!





Krallice

Uma das novas forças do black metal norte-americano, esta banda de Nova York lançou em 2011 o álbum Diotima, aclamado pela crítica. Com composições longas, que mesclam velocidade e melodia, o grupo é bastante influenciado pela cena norueguesa do início dos anos noventa. Algumas composições lembram o Burzum dos primeiros anos.

Lamb of God: vocalista lança candidatura independente à Presidência dos Estados Unidos

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Randy Blythe, o vocalista do Lamb of God – cujo último álbum, Resolution, lançado no início de 2012, é excelente -, anunciou que estará concorrendo, de forma independente, à Presidência dos Estados Unidos.

A eleição norte-americana ocorrerá dia 6 de novembro, mas já estão acontecendo diversas prévias pelo país para escolher o candidato do Partido Republicano que disputará o cargo com Barack Obama, do Partido Democrata.

A eleição na terra do Tio Sam sempre é polarizada entre os Republicanos, mais conservadores, e os Democratas, com uma política mais liberal. Porém, qualquer cidadão do país pode concorrer ao cargo, e, por esta razão, é comum que várias pessoas comuns se lancem como candidatos. Em 1989, Frank Zappa também anunciou a sua candidatura.

Leia abaixo o texto que Randy Blythe postou em seu blog, anunciando a sua intenção de concorrer ao posto de Presidente dos Estados Unidos:

Estamos em 2012, o ano em que o calendário Maia prevê uma revolução cataclísmica em nosso planeta, talvez até o fim do mundo como nós o conhecemos. Não sei se essas previsões catastróficas têm alguma validade, mas sei de uma coisa: os candidatos potenciais na corrida pela Presidência dos EUA parecem merda pura.

Eu não estou particularmente feliz com nenhum dos candidatos. Em um enorme golpe aos nossos direitos civis, Obama assinou em silêncio o NDAA para o ano fiscal de 2012, enquanto os americanos bebiam champanhe tranquilos brindando o ano novo. O Partido Republicano está desfilando um monte de bunda-moles naquele que é o capítulo mais embaraçoso de sua história. Quando você pensou que nada poderia ser pior que Sarah Palin, eles nos apresentaram a lunática Michele Bachman. Eu não entendi até agora porque Ron Paul será o provável canditado republicano, provavelmente carregando suas armas e nos preparando para o pior.

Temos o pior Congresso da história dos Estados Unidos. Acontece um infame concurso bipartidário em Washington, onde não só nada está sendo feito, como nada é permitido ser feito. Há um monte de crianças mimadas no comando. Esses balbuínos estão parando qualquer proposta que possa ser útil. Há muito pouco compromisso em Washington, e quase nenhum respeito pelo bem estar do povo americano. É patético!

Algo tem que mudar. A América está caindo aos pedaços diante de nós, e estamos sentados deixando isso acontecer. Precisamos de alguém que entre no jogo e realmente tome conta, alguém que não pode ser comprado pelos dólares corporativos porque não quer ou não precisa disso.

Precisamos de um homem que não tenha medo de arriscar o seu pescoço e do risco embaraçoso de fazer a coisa certa, um homem incapaz de ficar constrangido porque ele já fez todas as coisas estúpidas que poderia fazer. Precisamos de um filho da puta com má reputação, que não tenha medo dos bilionários nos debates ao vivo na TV, fazendo os megaricos entenderem que ninguém está acima da lei aqui, a Terra dos Livres e o Lar dos Bravos. Enfim, precisamos de um homem que simplesmente não foda com tudo.

América, esse homem sou eu.

Esse é um direito meu. David Randall Blythe. Randall. Tio Randy. Aquele cara daquela banda, que ficou bêbado e lutou usando uma saia. Eu amo os Estados Unidos como um nerd ama seus computadores, e estou profundamente desgostoso com o estado das coisas. Eu estou pronto, disposto e capaz de foder tudo sem um mínimo segundo de hesitação, fazendo o que é preciso para consertar este país.

Tudo o que você precisa fazer é me eleger como o próximo Presidente dos Estados Unidos, e deixar o resto por minha conta”.

Sacrificed: crítica de 'The Path of Reflections' (2011)

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Nota: 6

A Shinigami Records, além de ser uma das principais gravadoras de heavy metal do Brasil, lançando excelentes trabalhos de bandas estrangeirss todos os meses (Iced Earth, Paradise Lost, Arch Enemy e inúmeros outros), agora resolveu também colocar no mercado títulos de bandas brasileiras produzidos e bancados pelo próprio selo. O excepcional último álbum do Unhearthly, Flagelum Dei, é um destes lançamentos. E a estreia da banda mineira Sacrificed também conta com a Shinigami por trás.

Mas há um porém: não encontramos aqui a mesma qualidade absurda que ouvimos no disco do Unherthly. The Path of Reflections – dono de uma belíssima capa, diga-se de passagem - carece de composições cativantes, fato que, aliado à produção apenas mediana, puxa o disco para baixo.

O som do Sacrificed, fincado no metal tradicional, tem como diferencial a vocalista Kell Hell, que foge totalmente de um dos clichês mais famigerados do metal contemporâneo: o vocal feminino operístico, tão presente nas bandas de metal gótico e sinfônico. O lance aqui é a agressividade com um sutil toque da sensibilidade feminina, e ela alcança esse objetivo com louvor.

Mas o problema da banda é que as faixas não prendem, não cativam o ouvinte. Todos são ótimos músicos, mas, infelizmente, falta desenvolver melhor a sua capacidade como compositores. Ainda que algumas boas ideias sejam encontradas em uma música ou outra, elas não são suficientes para fazer The Path of Reflections se destacar.

Parabéns pela Shinigami Records por esse novo momento em sua trajetória, e que venham novos lançamentos de bandas nacionais, afinal, qualidade é o que não falta no metal brasileiro. E, ao Sacrificed, que a banda desenvolva mais as suas ideias para o próximo disco, pois potencial para crescimento o grupo inegavelmente possui.


Faixas:
  1. Winds of Liberty
  2. Soulitude
  3. Endless Sin
  4. Walking Through Flames
  5. Before a Dream
  6. Call of Insanity
  7. Red Garden
  8. Prison Mind
  9. Far Way to Feel
  10. The Truth Beneath the Laments

26 de jan de 2012

Ancient VVisdom: crítica de 'A Godlike Inferno' (2011)

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Nota: 9

Fundado em 2009, o quarteto texano Ancient VVisdom (com dois V's mesmo, e não com W) lançou em 2011 o seu primeiro disco, A Godlike Inferno. E o que temos nas oito faixas do álbum é um som diferente, rico em melodias e pra lá de cativante.

Pra começo de conversa, o som do Ancient VVisdom é um tanto difícil de classificar. As faixas são predominantemente acústicas, com um ou outro instrumento elétrico ou de percussão. O senso de harmonia dos caras é gigantesco, resultando em um trabalho cativante.

As letras, porém, vão por outro caminho. Os temas levam o ouvinte de volta ao final dos anos 60 e início da década de 70, quando uma legião de bandas compunha inspirada nos escritos de Anton LaVey, autor da Bíblia Satânica e da Igreja de Satã. Isso faz com que A Godlike Inferno soe soturno, arcano e maligno. A estrutura de suas músicas remete a um culto ao demônio. O refrão da belíssima “The Opposition”, por exemplo, faz com que todos cantemos juntos “Hail to thee, Lord Lucifer / I sing praises to thee / and I suffer no longer”.

O trabalho de composição é primoroso. Todas as faixas possuem uma estética atraente. O aspecto ritualístico das canções faz com que, ao dar play, o ouvinte sinta o clima mudar, com o breu invadindo pouco a pouco o ambiente.

Ainda que não estilisticamente, mas sim no conceito, o Ancient VVisdom alinha-se com bandas como Ghost e Devil's Blood (não à toa, a banda rodou os EUA ao lado do Ghost e do Blood Ceremony durante todo o mês de janeiro), que também despejam suas letras com teor satânico embaladas em sonoridades atraentes, repletas de melodia e, aparentemente, inofensivas. Porém, acontece com A Godlike Inferno o mesmo que ocorre ao colocar discos como Opus Eponymous e The Time of No Time Evermore para rodar: é impossível parar de ouvir, com as notas que saem das caixas de som exercendo um poder enfeitiçador.

Além de “The Opposition”, merecem destaque também “Alter Reality”, “Necessary Evil”, “Lost Civilization” e “World of Flesh”, todas grudentas e atraentes à primeira audição.

A Godlike Inferno é um disco excelente, e que, mesmo não podendo ser enquadrado no termo heavy metal pela sua sonoridade, é, sem dúvida, mais sombrio, sinistro e fúnebre que muito álbum lançado por grupos de metal extremo.

Recomendo, e assino embaixo!


Faixas:
  1. Alter Reality
  2. The Opposition
  3. Necessary Evil
  4. Forever Tonight
  5. Lost Civilization
  6. Devil Brain
  7. World of Flesh
  8. Children of the Wasteland

Avatar: crítica de 'Black Waltz' (2012)

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Nota: 8

Quarto trabalho da banda sueca Avatar, Black Waltz é um disco ousado. Nele, o grupo abandona de vez o death metal melódico e mergulha fundo em uma sonoridade totalmente nova, que mescla o heavy metal com elementos industriais, góticos e até mesmo dançantes. O resultado é um disco que assustará os mais ortodoxos, mas reservará ótimas surpresas para quem tem a cabeça mais aberta.

Com um visual carregado e uma performance extremamente teatral, o quinteto formado por Johannes Eckerström (vocal), Jonas Jarlsby (guitarra), Simon Andersson (guitarra), Henrik Sandelin (baixo) e John Alfredsson (bateria) demonstra ter ouvido muito Marilyn Manson, Deathstars e, principalmente, Rammstein, durante os três anos que separam Black Waltz de seu antecessor, batizado com o nome da banda e lançado em 2009. O som que sai das caixas ainda mantém alguns elementos dos discos anteriores, principalmente no trampo das guitarras, mas o restante soa totalmente diferente. Baixo e bateria constróem grooves incessantes, enquanto as batidas são retas e pesadas. E o vocal de Eckerström vai do mais extremo gutural a passagens limpas, onde emula o timbre de Marilyn Manson – ouça “Let it Burn” e comprove. Não à toa, a primeira faixa do disco se chama “Let Us Die”, como que avisando os fãs de que a banda que eles conheciam anteriormente não existe mais.

Doentio, pertubador e com um ar meio circense, Black Waltz é um álbum muito interessante, pois experimenta novas possibilidades para o heavy metal. Além disso, vai um pouco além das influências citadas por sempre manter, em cada composição, algo mais próximo do metal mais convencional, seja nos solos, nas melodias ou nos refrões, um dos pontos fortes do grupo. A longa "Use Your Tongue", última faixa do disco, é o melhor exemplo dessa alquimia, até com uns toques de blues.

Uma grande surpresa, afinal poucas bandas teriam coragem de se reinventar completamente após 10 anos de carreira. Se você não tem medo de experimentar novos sons, irá curtir.


Faixas:
  1. Let Us Die
  2. Torn Apart
  3. Ready for the Ride
  4. In Napalm
  5. Black Waltz
  6. Blod
  7. Let it Burn
  8. One Touch
  9. Paint Me Red
  10. Smells Like a Freakshow
  11. Use Your Tongue

25 de jan de 2012

Messias Elétrico: crítica do álbum 'Messias Elétrico' (2011)

quarta-feira, janeiro 25, 2012


Nota: 8

Formada em meados de 2010, a banda alagoana Messias Elétrico liberou no final de 2011 o seu primeiro álbum. Lançado pela Baratos Afins e com produção de Luiz Calanca, proprietário da loja e do selo, Messias Elétrico, o disco, é uma grata surpresa para quem curte a sonoridade do rock setentista.

Formado por Leonardo Luiz (teclado e vocal), Alessandro Mendonça (baixo) – ambos ex-integrantes do cultuado Mopho -, Pedro Ivo Araújo (guitarra e vocal) e Fernando Coelho (bateria), o Messias Elétrico executa um hard repleto de psicodelia, mergulhando o peso das guitarras em generosas doses alucinógenas. A música imaginativa do grupo traz influências de nomes como Mutantes (principalmente a fase mais progressiva), Som Nosso de Cada Dia, O Terço, Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, UFO, Atomic Rooster e outros ícones do período. Ótimas referências, não?



Com apenas cinco faixas, o álbum tem uma sonoridade poeirenta que irá agradar em cheio quem curte a música produzida durante os anos 70. O principal destaque é a longa “The Last Groove”, dividida em quatro partes, uma verdadeira odisséia cósmica musical com viajantes passagens instrumentais. Um clássico instantâneo!

Mas há mais na bolacha. A faixa batizada com o nome da banda é um hard de respeito, enquanto “Desejo, Loucura e Barulho” tem um riff pesado que remete ao Sabbath.

A estreia do Messias Elétrico é um trabalho consistente com os dois pés fincados na década de 70 e sem a menor intenção de tirá-los de lá. Se essa é a sua praia, mergulhe sem medo, porque o bagulho é do bom!

Faixas:
  1. Sigo Cantando
  2. Messias Elétrico
  3. The Last Groove
  4. Que Mundo é Esse
  5. Desejo, Loucura e Barulho

Lana Del Rey: crítica de 'Born to Die' (2012)

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Nota: 4

O hype em torno de Lana Del Rey é gigantesco. Diversas publicações ao redor do mundo apontam a nova-iorquina de 25 anos como a nova diva do pop. Aqui no Brasil, onde os formadores de opinião da turma indie adotam como lei tudo o que é publicado na Spin, Q e NME (as duas últimas deram capa para Lana), o culto à cantora, que lançou apenas alguns singles e chega agora ao seu primeiro disco, beira a acefalia coletiva, com o bando de descolados saudando Elizabeth Grant (o verdadeiro nome de Lana) como se fossem cristãos comemorando o retorno da Virgem Maria.

Born to Die é um disco pensado nos mínimos detalhes. Tudo que o envolve tem um significado, e ele vai muito além da música. Atualmente, gostar de Lana Del Rey é posar de cool, é mostrar para os outros que você está à frente. A música, que é o que interessa, é apenas um detalhe.

Com produção exagerada e orquestrações que muitas vezes passam do ponto, o álbum conta com algumas boas faixas – “Born to Die”, “Video Games” (a melhor música da cantora), “Blue Jeans” e “Radio” -, mas a maioria é dispensável, com melodias insípidas e derivativas embaladas em arranjos pretensamente elegantes. “Diet Mountain Dew” é o exemplo perfeito disso: uma composição monótona e insossa, porém maquiada exaustivamente para ser um single.

A sonoridade de Born to Die remete aos anos cinquenta, às luzes e sombras do cinema noir, por onde Lana passeia elegantemente com sua pose blasé. A união de timbres vintage com batidas atuais produz uma alquimia em alguns momentos interessantes, porém cansativa pela repetição excessiva.

Até o hino norte-americano não escapou de Lana Del Rey, que canta um trecho na abertura de “National Anthem”, um pop eletrônico pra lá de sem graça. A cantora tenta sair da fórmula que permeia todo o álbum – baladas pomposas acondicionadas em arranjos pretensiosos – em “Kinda Outta Luck”, mas derrapa forte em um pop safado que parece sobra de estúdio de Britney Spears.

A performance desastrosa de Lana no Saturday Night Live há algumas semanas revelou uma cantora que, sem toda a parafernália de estúdio, demonstra não conseguir andar sozinha, tropeçando na afinação e com uma presença de palco que ambiciona ser magneticamente estudada, mas na verdade combina mais com um zumbi.

Assim como surgiu praticamente do nada, o resultado apresentado por Lana Del Rey em Born to Die deve fazê-la desaparecer instantaneamente. A diferença entre o que ouvimos aqui e o hit “Ai Se Eu Te Pego” de Michel Teló, por exemplo, está apenas na pretensão e no público a que este produto é direcionado, porque ambos não passam de uma moda passageira de verão.


Faixas:
  1. Born to Die
  2. Off to the Races
  3. Blue Jeans
  4. Video Games
  5. Diet Mountain Dew
  6. National Anthem
  7. Dark Paradise
  8. Radio
  9. Carmen
  10. Million Dollar Man
  11. Summertime Sadness
  12. This is What Makes Us Girls

Division Hell: crítica de 'Apokaliptika' (2011)

quarta-feira, janeiro 25, 2012


Nota: 8

Tem discos que, ao dar play pela primeira vez, você percebe instintivamente que está ouvindo algo especial. Apokaliptika, novo promo do quarteto curitibano Division Hell, é um deles. Executando um death metal com características thrash, a banda formada por Ubour (vocal e guitarra), Renato Rieche (guitarra), Gino Gaier (baixo) e Eduardo Oliver (bateria) esbanja categoria e competência, mostrando que está mais do que pronta para alçar vôos maiores.

As três faixas desse promo são bem produzidas e nem parecem ter sido gravadas por uma banda novata. Com um ótimo senso de composição, o grupo sabe como explorar bem as suas ideias, alternando trechos mais rápidos com passagens mais cadenciadas, o que torna as músicas ainda mais agressivas.

O grande destaque é a faixa que dá nome ao disco, onde o grupo demonstra que está pronto para entrar em uma nova fase em sua carreira e gravar o seu primeiro álbum completo. As outras duas músicas, apesar de boas, estão bem abaixo, e são meras coadjuvantes.

Sem reinventar a roda, porém mostrando que tem talento e feeling em doses enormes, o Division Hell é, sem dúvida, um dos novos expoentes do death metal brasileiro. Gravadoras, não percam mais tempo: contratem já a banda, porque o que temos aqui é um diamante já sendo lapidado e pronto para conquistar novos fãs.

Faixas:
  1. Apokaliptika
  2. Pray & Cry
  3. Flesh Blood Desire


Morrissey: ex-Smiths fará quatro shows no Brasil em março

quarta-feira, janeiro 25, 2012


Após muito rumores, a confirmação: o ex-vocalista dos Smiths fará quatro shows no Brasil em março. Morrissey se apresentará duas vezes em São Paulo e uma no Rio e em Porto Alegre. 


Por enquanto, ainda não foram divulgados os valores dos ingressos, que ainda não estão sendo vendidos.


Veja abaixo as datas e locais dos shows:


07/03 - Porto Alegre - Pepsi On Stage
09/03 - Rio de Janeiro - Fundição Progresso
11/03 - São Paulo - Espaço das Américas
12/03 - São Paulo - Espaço das Américas

24 de jan de 2012

O inferno na Terra: Behemoth, Watain, Devil's Blood e In Solitude em turnê conjunta pelos EUA

terça-feira, janeiro 24, 2012

A revista norte-americana Decibel, dedicada ao metal extremo, está promovendo uma turnê que promete marcar época. Behemoth, Watain, Devil's Blood e In Solitude rodarão os Estados Unidos entre abril e maio em uma excursão conjunta que desde já coloca água na boca dos metalheads. O giro começa dia 11 de abril em Columbus, Ohio, e vai até 12 de maio, com o show de encerramento em Nova York.

A tour marca o retorno do Behemoth após a cirurgia do vocalista e guitarrista Nergal, e deve tornar ainda mais fortes os nomes do Watain, Devil's Blood (que teve o seu último disco, The Thousandfold Epicentre, lançado recentemente nos EUA pela Metal Blade) e In Solitude junto ao público norte-americano.


Bem que poderia passar por aqui, não é? 

Unisonic: grupo será lançado no Brasil pela Hellion Records

terça-feira, janeiro 24, 2012


(press release)

A Hellion Records lançará no mercado brasileiro o Unisonic, nova banda que une o vocalista Michael Kiske e o guitarrista Kai Hansen (Gamma Ray). Ao lado da dupla estão o também guitarrista Mandy Meyer (Asia, Krokus, Gotthard), o baixista Dennis Ward (Pink Cream 69) e o baterista Kosta Zafiriou (Pink Cream 69).

O Unisonic coloca em um mesmo grupo novamente Kiske e Hansen, dois dos protagonistas da fase clássica do Helloween, responsável pelos álbuns Keeper of the Seven Keys Part I (1987) e Keeper of the Seven Keys Part 2 (1988), considerados pela crítica o marco zero do metal melódico. Na nova banda, a dupla executa um som na mesma linha, como pode ser conferido na música que dá nome ao grupo.


Em fevereiro a Hellion colocará nas lojas brasileiras o EP Ignition, com quatro faixas - “Unisonic”, “My Sanctuary”, “Souls' Alive” e uma versão ao vivo para “I Want Out”, do Helloween. E em março será a vez do debut do quinteto, desde já um dos álbuns mais esperados do ano.

Além disso, a banda já confirmou que tocará no Brasil em maio, em uma turnê ao lado do Gotthard.

Project 46: crítica de 'Doa a Quem Doer' (2011)

terça-feira, janeiro 24, 2012

Nota: 9

O crescente número de bandas cantando heavy metal em português pode não ser ainda uma tendência, mas é uma ótima notícia. Se, por um lado, a escolha em compor letras na nossa língua limita a exposição externa destes grupos, já que o idioma padrão do rock e do metal sempre foi o inglês, por outro lado há um enorme benefício: a aproximação com o público. Ao relatar em suas músicas questões do cotidiano, problemas sociais ou o que mais for, e cantando na língua que o cara que está ali na frente do palco fala e entende, estas bandas constróem uma relação muito mais profunda com o ouvinte, conquistando novos fãs não só através dos riffs e das melodias, mas também pelo que tem a dizer.

O Project 46 é um destes grupos. O quinteto teve origem em 2008, em São Paulo, e é formado por Caio MacBeserra (vocal), Jean Patton (guitarra), Vinícius Castellari (guitarra), Rafael Yamada (baixo e vocais) e Henrique Pucci (bateria). A banda lançou um EP em 2009, e agora chega ao seu primeiro disco, o ótimo Doa a Quem Doer, produzido por Adair Daufembach (Hangar) e lançado de forma totalmente independente. Aliás, o disco está disponível também para download gratuito no site da banda.



Doa a Quem Doer é impressionante. Da capa às músicas, tudo é do mais alto nível. O som é uma mescla de death melódico, metalcore e deathcore, com algumas passagens mais thrash e muito peso. A produção, excelente, acertou a mão e tornou tudo ainda mais agressivo, com timbres graves e gordurentos. Com composições muito bem construídas e com dinâmicas bem interessantes, o álbum transpira violência, fúria e agressão.

As onze faixas formam um tracklist homogêneo, onde o trabalho de guitarras é o principal destaque. “Violência Gratuita” tem ótimos riffs e um solo excelente, e o mesmo pode ser dito de “Se Quiser”. Mas a melhor faixa do play é, provavelmente, “Amanhã Negro”, onde a banda acerta ao fazer uma interessante combinação entre o peso e trechos mais melódicos.

O projeto gráfico também merece destaque, com uma bela capa e o encarte em formato de poster, com todas as letras e diversas fotos da banda.

O que temos aqui é um disco muito bom, que mostra uma jovem banda dona de um talento imenso. O futuro é promissor para o Project 46, e Doa a Quem Doer é a prova maior disso. Eu ficarei de olho na banda, e, se fosse você, faria o mesmo!


Faixas:
  1. 898072
  2. Atrás das Linhas Inimigas
  3. Impunidade
  4. Capa de Jornal
  5. Se Quiser
  6. Violência Gratuita
  7. Amanhã Negro
  8. #46
  9. Dor
  10. No Rastro do Medo
  11. Acorda pra Vida

Forka: crítica do álbum 'Enough' (2010)

terça-feira, janeiro 24, 2012

Nota: 8,5

Uma das coisas legais de escrever sobre música é que, no meio daquele monte de CDs enviados para avaliação, a gente acaba conhecendo bandas que, de outra maneira, dificilmente chegariam em nossas mãos, já que é fisicamente impossível estar a par de tudo. Esse é o caso do Forka. O quinteto paulista foi formado em 2002 e já gravou dois discos, Feel Your Suicide (2005) e Enough, que, apesar de ter sido lançado em 2010, só chegou até mim no final de 2011.

O som do grupo é uma mistura de eficaz de thrash metal com hardcore. Pesada, agressiva e rápida, a música da banda aproxima-se bastante das sonoridades mais extremas do heavy metal. Produzido por Marcelo Pompeu e mixado por Heros Trench (respectivamente, vocalista e guitarrista do Korzus), Enough é uma pedrada. Há flertes explícitos com o death metal e até mesmo com o metalcore, além do uso constante de blast beats, com o som transitando em uma atmosfera de muito groove e riffs que prendem o ouvinte.

Bastante influenciado pelo Pantera e, em uma esfera menor, também pelo Slayer, o Forka compôs um álbum forte, com boas composições que caem de imediato no gosto dos metalheads. Entre elas, destaco “Blood of Saint”, com um riff que é puro Slayer e letra que critica, de forma incisiva, os infinitos conflitos religiosos no Oriente Médio. Além disso, “The Existencial Weight on Mind” e “Final Conflict” abrem rodas instantâneas em qualquer show. Merecem menção ainda “The Human Race is Dead” e “Knowing Your Suffering”.

Enough é um álbum muito acima da média, de uma banda que deveria ter muito mais reconhecimento do que possui. Enquanto os veículos especializados em heavy metal aqui no Brasil derramam elogios para as mesmas bandas de sempre, pense por conta própria e veja que o metal em nosso país é muito mais do que querem fazer você acreditar.

Ótimo disco, ótima banda! Vá atrás, porque vale a pena!


Faixas:
  1. Between Obscure Winds
  2. W2MFW
  3. The Human Race is Dead
  4. Knowing Your Suffering
  5. Clamour on the Earth
  6. Screaming in the Shadows
  7. What Will Be?
  8. Blood of Saint
  9. They Know Not What They Do
  10. Before You Die
  11. The Existencial Weight on Mind
  12. Final Conflict

23 de jan de 2012

Record Store Day: edição de 2012 já tem data

segunda-feira, janeiro 23, 2012

O Record Store Day, o já tradicional dia em que as lojas independentes dos Estados Unidos celebram o saudável hábito de comprar discos com lançamentos exclusivos e limitados, já tem data confirmada em 2012. Este ano, o evento acontecerá no dia 21 de abril.

Além disso, a organização anunciou também o embaixador da edição deste ano, que será ninguém mais ninguém menos que o lendário Iggy Pop. Desde que foi criado, o Record Store Day sempre conta com uma personalidade que ajuda a promover a data, posto que foi ocupado em anos anteriores por Jesse Hughes (Eagles of Death Metal), Josh Homme (Queens of the Stone Age) e Ozzy Osbourne.

Assim que tivermos mais novidades sobre a edição deste ano, incluindo a sempre aguardada lista de itens disponíveis somente na data, você saberá em primeira mão.


Pink Floyd: os 35 anos do clássico 'Animals'

segunda-feira, janeiro 23, 2012


Hoje, dia 23 de janeiro, Animals, disco lançado pelo Pink Floyd em 1977, completa 35 anos. Décimo álbum do grupo, sucedeu Wish You Were Here (1975) e antecedeu The Wall (1979). Para muitos, Animals é, na verdade, o último trabalho do grupo como uma banda, já que The Wall foi quase todo composto por Roger Waters. Com apenas cinco músicas, todas elas criticando a crise econômica e social que a Inglaterra vivia no período, o disco foi inspirado pelo clássico A Revolução dos Bichos, do escritor inglês George Orwell.

O disco chegou às lojas dia 23/01/1977, ano que marcou a explosão do movimento punk no Reino Unido. Johhny Rotten, vocalista do Sex Pistols e um dos maiores ícones da cena, desfilava com uma camiseta escrita “I hate Pink Floyd” pelos quatro cantos da Inglaterra, mostrando todo o seu desprezo pelos exageros do quarteto formado por Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason. A banda, por sua vez, não dava muita bola para essa postura de Rotten e alguns outros músicos e fãs, tanto que Mason produziria, ainda em 1977, o segundo álbum do The Damned, Music for Pleasure.

Produzido pela própria banda, Animals apresenta uma sonoridade cativante e é baseado em três grandes composições: “Dogs” (com mais de 17 minutos), “Pigs (Three Different Ones)” (pouco mais de 11) e “Sheep” (dez e pouco). Segundo Wright, foi em Animals que Roger Waters começou a levar o seu ego a sério demais e a acreditar que ela era o único compositor da banda.

Ao contrário do que geralmente ocorre com discos de rock progressivo lançados durante os anos setenta, Animals não soa datado hoje em dia. Os timbres escolhidos pela banda envelheceram bem, e as composições, apesar de longas, soam enxutas hoje em dia.

Em Animals está uma das minhas canções favoritas do Pink Floyd, a fenomenal “Pigs (Three Different Ones)”. A passagem viajante no meio da canção marcou um período da minha vida. A riqueza instrumental não apenas desta faixa, mas do trabalho como um todo, contrasta com a arrogância do disco seguinte, The Wall. Em Animals tudo soa enxuto e no lugar, e, talvez por isso mesmo, o disco tenha envelhecido tão bem.

Ouça abaixo as principais faixas de Animals, e entre no clima:

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE