24 de ago de 2012

Discografia Comentada: Bruce Dickinson

sexta-feira, agosto 24, 2012
Paul Bruce Dickinson nasceu Worksop, Nottinghamshire, em 7 de agosto de 1958, Bruce começou no Samsom e fez história no Iron Maiden, sendo um dos responsáveis pela transformação do grupo inglês em um dos mais importantes e influentes nomes da música pesada em todos os tempos.

Mas o assunto aqui é outro. Vamos falar da carreira solo de Bruce Dickinson, que iniciou em 1990 com Tattooed Millionaire e conta com oito discos. Então, apertem os cintos, subam o som e mergulhem comigo na obra desse artista espetacular!

Tattooed Millionaire (1990) 

A estreia solo de Bruce Dickinson é um competente e cativante álbum de hard rock, repleto de influências de seus heróis setentistas, notadamente grupos como o Deep Purple e o AC/DC. Contando com a participação do Janick Gers, que havia integrado a banda de Ian Gillan e logo depois entraria no Iron Maiden, Bruce compôs um trabalho refrescante, mostrando um lado até então desconhecido dos fãs do Iron Maiden. O som é um hardão poderoso, repleto de riffs e refrões ganchudos, onde o destaque são faixas como a apoteótica "Son of a Gun" (que abre o disco), "Tattooed Millionaire", a retrospectiva "Born in ´58", a balada "Gypsy Road" e "Zulu Lulu", além da versão para a clássica "All the Young Dudes", imortalizada por David Bowie (Nota 8,5)

Balls to Picasso (1994) 

Ao contrário do disco anterior, Balls to Picasso chegou às lojas quando Bruce já não fazia mais parte do Maiden. Lançado em maio de 1994, apresenta influências, ainda que tímidas, do então dominante grunge. Esse álbum marca a primeira colaboração de Bruce com Roy Z, guitarrista e produtor que seria fundamental na carreira solo de Dickinson. Balls to Picasso é lembrado entre os fãs por trazer o maior sucesso solo do vocalista, a belíssima "Tears of the Dragon", mas o álbum contém algumas jóias perdidas como "Cyclops", "Gods of War", "Laughing in the Hidding Bush" e "Shoot at the Clowns", isso sem falar de "Change of Heart", mais uma baladaça composta por Bruce (Nota 8)

Alive in Studio A / Alive at the Marquee Club (1995)

Fuja desse disco. Antecipando o caminho que seguiria em Skunkworks, Bruce Dickinson lançou um álbum duplo ao vivo onde reinterpreta suas composições com um equivocado ranço alternativo. O guitarrista Alex Dickinson - sem nenhuma relação de parentesco com o cantor, apesar do mesmo sobrenome - consegue a proeza de estragar as passagens construídas por Janick Gers e Roy Z nos lançamentos anteriores, principalmente em "Tears of the Dragon". O que ele faz com o solo dessa música já é motivo suficiente para prender o cara em uma solitária por vários meses ... Além disso, apesar de duplo, o álbum traz praticamente o mesmo tracklist, com a diferença de que um disco  traz um show no Marquee Club e outro uma apresentação no Studio A da BBC. Indicando apenas para colecionadores completistas (Nota 4)

Skunkworks (1996) 

Esse é o disco da discórdia. Querendo se mostrar atualizado e livrar-se do estigma de ter sido o vocalista de uma das maiores bandas da história do heavy metal, Bruce Dickinson cortou os longos cabelos e produziu um trabalho com claras influências do som alternativo. O álbum caiu como uma bomba no cenário metálico, sendo muito mal recebido tanto pela crítica especializada quanto pelos fãs. Ouvindo-o hoje em dia algumas faixas até passam, como é o caso de "Back from the Edge", "Inertia" e, principalmente, "Solar Confinement", mas o fato é que esse disco não tem nada a ver com Bruce Dickinson, tanto que foi um fracasso de vendas (Nota 6)

Accident of Birth (1997) 

O retorno triunfal de Bruce Dickinson ao heavy metal puro, trazendo Adrian Smith a tiracolo. A dupla, que havia feito história no Iron Maiden durante os anos 1980, reativou aqui a sua parceria criativa, com uma mãozinha muito bem-vinda de Roy Z. Accident of Birth é um grande álbum de heavy metal tradicional, repleto de canções marcantes e melodias cativantes de guitarra. Entre suas músicas, destaque para "Freak" (Bruce aprendeu com Steve Harris uma de suas mais valiosas lições: sempre abra um disco com uma canção de grande impacto!), para o quarteto mágico formado por "Darkside of Aquarius", "Road to Hell", "Man of Sorrows" e "Accident of Birth", e para duas pequenas jóias perdidas no final do play, "The Magician" e "Omega". Clássico! (Nota 9)

The Chemical Wedding (1998)

Assim como Accident of Birth marcou o retorno de Bruce ao estilo que o consagrou, The Chemical Wedding provou o quanto ele ainda era importante para o estilo. Inspirado pela ótima receptividade ao álbum anterior, Bruce Dickinson compôs um disco fantástico, um dos melhores trabalhos do heavy metal contemporâneo. Com os fiéis parceiros Adrian Smith e Roy Z explorando afinações mais baixas, que fizeram o CD soar ainda mais pesado, o álbum é estupendo do início ao fim. "The Tower", a faixa-título, "Killing Floor", "Book of Thel" - uma pedrada atrás da outra! O sucesso de The Chemical Wedding, somado ao constrangedor Virtual XI, lançado pelo Iron Maiden no mesmo ano, forçou Steve Harris a dar o braço a torcer e chamar Bruce de volta ao grupo, mas isso fica pra outro dia. Se você ainda não tem, compre agora mesmo! (Nota 9,5)

Scream For Me Brazil (1999) 

Já de volta ao Iron Maiden, Bruce Dickinson passou pelo Brasil na turnê de The Chemical Wedding e registrou esse ótimo disco ao vivo. Roy coloca um peso absurdo nas guitarras, enquanto Adrian demonstra o talento e a classe habituais. O único ponto negativo de Scream For Me Brazil é a tenebrosa capa, uma tentativa equivocada de situar nosso país através de uma imagem supostamente iconográfica. Excelente! (Nota 8,5)

The Best of Bruce Dickinson (2001)

Esta coletânea dupla é indicada tanto para quem quer dar os primeiros passos na carreira solo de Bruce quanto para quem já possui todos os discos. A compilação repassa a aventura solo do vocalista, com músicas de todos os discos. Há ainda duas faixas inéditas - as ótimas “Broken” e “Silver Wings”, com uma sonoridade muito similar à de The Chemical Wedding. E, como bônus, um CD extra repleto de faixas raras e b-sides, um verdadeiro objeto de desejo para os fãs. Poucas vezes uma compilação fez tanto jus ao seu título como essa! (Nota 9,5) 

Tyranny of Souls (2005) 

Depois de ajudar a recolocar o Iron Maiden em seu devido lugar no topo do universo metálico, Bruce Dickinson relaxou gravando mais um grande trabalho. Tyranny of Souls soa como uma mistura entre Accident of Birth e The Chemical Wedding, com boas faixas como "Abduction", "Soul Intruders", a linda balada "Navigate the Seas of the Sun" e as ótimas "River of No Return", "Power of the Sun" e "Devil on a Hog". Cotação?  Tem que ter! (Nota 8,5)

Black Country Communion divulga título, capa e trailer do novo disco

sexta-feira, agosto 24, 2012
O Black Country Communion, o supergrupo formado por Glenn Hughes (vocal e baixo), Joe Bonamassa (guitarra), Derek Sherinian (teclado) e Jason Bonham (bateria), divulgou o título, a capa e um pequeno trailer de seu aguardado terceiro álbum, um dos discos mais esperados do ano.

O trabalho se chamará Afterglow e foi novamente produzido por Kevin Shirley. O disco estará em pré-venda a partir do dia 11 de setembro, e tem data de lançamento nas lojas marcada para 30 de outubro. A bela capa traz a imagem de uma águia em um pôr-do-sol, e é, desde já, uma das mais bonitas de 2012.

A banda não divulgou ainda o tracklist e nem o número de faixas, mas, em contrapartida, disponibilizou um pequeno trailer do trabalho, onde é possível ouvir breves trechos das novas canções, além de entrevistas com os músicos. Assista abaixo:

Buffalo Killers: crítica de Dig. Sow. Love. Grow. (2012)

sexta-feira, agosto 24, 2012
Eu poderia começar este texto dizendo que o quarto disco da banda norte-americana Buffalo Killers, Dig. Sow. Love. Grow., é uma grata surpresa. Mas o fato é que o nome do trio formado por Andrew Gabbard (vocal, guitarra e piano), Zachary Gabbard (vocal e baixo) e Joseph Sebaali (bateria) já é conhecido pelos mais antenados, que não se contentam apenas com o que lhes é vendido e gostam de pesquisar e ir atrás das boas novidades musicais. Ou melhor, deveria ser.

Lançado em 7 de agosto último, Dig. Sow. Love. Grow. tem cara de pérola perdida. Sabe aquelas matérias especiais que mergulham fundo nos porões mais empoeirados das décadas de 1960 e 1970 e saem com indicações certeiras de discos e bandas sensacionais e que pouquíssima gente ouviu falar? Aqui acontece a mesma coisa, mas com uma diferença: o Buffalo Killers é uma banda atual e está em pleno amadurecimento, construindo uma sonoridade cada vez mais rica e cativante.

Formada em Cincinnati, Ohio, em 2006, o trio já tem uma discografia de respeito. O primeiro play, batizado apenas com o nome do grupo, saiu em 2006 e chamou a atenção de Chris Robinson, que colocou os caras para abrir a turnê de 2007 do Black Crowes. O segundo, Let It Ride (2008), foi produzido por Dan Auerbach, vocalista e guitarrista do Black Keys. E o terceiro, intitulado apenas 3, saiu em agosto do ano passado mantendo o alto nível.

Há uma notável influência de Black Crowes em Dig. Sow. Love. Grow., mas também de diversos outros nomes do rock setentista. É possível ouvir ecos de Faces, James Gang e até alguma coisa dos Eagles em algumas passagens. Mas não espere ouvir um remake destas bandas, com uma sonoridade propositadamente saudosista, que apenas emula o que de melhor foi produzido durante a década de 1970. Não, o papo aqui é outro. O Buffalo Killers mostra talento e personalidade, entrando sem medo em uma máquina do tempo sonora e saindo de lá com composições fortes e criativas, repletas de timbres gordos e andamentos espertos, que conquistam quem quer, no final das contas, ouvir apenas aquilo que realmente importa: um bom disco de rock.


E Dig. Sow. Love. Grow. é um senhor disco, que alterna faixas mais agitadas com outras que se aproximam do blues, do country e da psicodelia multi-colorida. Aliás, a aproximação com o country dá um aspecto bem rural e agreste para a maioria das faixas. 

Sem um hype gigantesco, sem pressão por resultados, sem expectativas mirabolantes, Sebaali e os irmãos Gabbard gravaram um álbum repleto de ótimas canções, cheias feeling e autenticidade. Tudo soa orgânico e com alma.

Sem alarde e longe dos holofotes, o Buffalo Killers gravou outro ótimo disco. Dig. Sow. Love. Grow. não vai revolucionar nada, não vai figurar nas paradas e muito menos mudar o mundo. Porém, proporciona algo tão importante quanto: é daqueles trabalhos que vão nos conquistando aos poucos, com canções de qualidade e uma verdade que transborda pelos sulcos. 

Enfim, apenas um bom disco de rock. Simples assim.

Nota: 8

Faixas:
  1. Get It
  2. Hey Girl
  3. Blood on Your Hands
  4. Rolling Wheel
  5. Those Days
  6. I Am Always Here
  7. Farewell
  8. Graffiti Eggplant
  9. My Sun
  10. Moon Daisy

Novo disco de Neil Young sairá em outubro em CD duplo e vinil triplo

sexta-feira, agosto 24, 2012
A retomada da parceria com a Crazy Horse após nove anos com o lançamento do excelente Americana em 5 de junho passado fez bem a Neil Young. Do alto dos seus quase 67 anos - o músico nasceu em 12 de novembro de 1945 -, Young anunciou que lançará mais um álbum de inéditas ainda este ano.

O disco se chamará Psychedelic Pill e chegará às lojas em outubro. As músicas que fazem parte do álbum foram gravadas logo após Americana. A longa duração da maioria das canções é a responsável pelo disco sair em CD duplo e LP triplo. Além disso, Neil seguirá a mesma estratégia que usou para lançar Americana e divulgará vídeos de cada uma das canções de Psychedelic Pill até o lançamento oficial da bolacha. O trabalho ganhará também uma edição especial em blu-ray, com todos os vídeos produzidos incluídos no pacote.

Agora é esperar, porque certamente vem coisa boa por aí!

Guia de Compras: Southern Rock

sexta-feira, agosto 24, 2012
Movimento nascido nas terras do sul da América, mas que angariou adeptos mundo afora, o southern rock norte-americano tem algumas características básicas: duelos incansáveis de guitarras, com algumas bandas chegando até a manter três guitarristas solando ao mesmo tempo; grupos com um número elevado de integrantes (sete ou oito em média), que quando saíam em tour pela América levavam todas as famílias, transformando tudo numa caravana musical. Não havia uma separação entre a banda e a família (basta ver as fotos do disco Brothers and Sisters da Allman Brothers Band). Esse tipo de união não foi adotado com tanta propriedade por nenhum outro estilo musical. 

Outra característica que sempre acompanhou essas bandas foram as tragédias. Morte era algo corriqueiro na jornada de grupos como Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers, Marshall Tucker Band e outras. 

Aqui estão dez discos clássicos desse estilo não somente de rock, mas também de vida.

Allman Brothers Band - Eat a Peach (1972)

A banda que começou tudo em termos de southern rock. O grupo dos irmãos Greg e Duane Allman foi o primeiro a resgatar as raízes mais ricas da música americana, mesclando-as com as novas tendências psicodélicas e com o rock mais pesado. Eat a Peach (duplo em vinil) é o disco que tornava mais evidente essas diversas facetas do grupo, além de contar com uma perfeita e profissional produção a cargo do mestre Tom Dowd.

Duane havia morrido a poucos meses e Greg já mostrava toda a sua dor pela perda em "Ain't Wastin' Time No More", que abria o álbum em memorável estilo. A instrumental "Les Brers in a Minor" está entre as mais ousadas composições do grupo, funcionando bem como um lamento para Duane. "Melissa" vem na sequência e é "A” balada do Allman Brothers Band, sentimental e altamente melódica. 

No recheio desse grande trabalho temos ainda três faixas gravadas no lendário concerto do Fillmore East no ano anterior e que gerou um dos maiores discos ao vivo da história. "Mountain Jam", com seus mais de 33 minutos de duração, ainda hoje continua a ser um testamento desta gloriosa fase do rock, isso sem falar nas versões nervosas para "One Way Out" e "Trouble No More". 

Encerrando o álbum, mais três faixas de estúdio gravadas ainda com a participação de Duane. "Blue Sky", de Dickey Betts, inspira qualquer paixão pela veia country da banda, e "Little Martha", em sua sublime e majestosa melodia acústica, traz ainda mais saudades do maior guitarrista do rock sulista norte-americano.

Lynyrd Skynyrd - Pronounced 'leh-nérd-skin-nérd' (1973)

Esse foi o disco que estabeleceu um novo patamar na música que vinha do sul da América. Em seu primeiro álbum, Ronnie Van Zant e seus comparsas estrearam com o pé direito, trazendo uma produção irrepreensível de Al Kooper e baladas como "Tuesday's Gone", "Simple Man" e o hino maior "Freebird", esta uma homenagem a Duane Allman.

Após ter lançado esse clássico, executando-o sempre ao final dos seus shows, o Lynyrd passou a ser copiado por toda as demais bandas que surgiam no sul, sendo uma questão de honra para todas elas criar uma música na linha de "Freebird", com encerramento em grande estilo, algo épico, capaz de representar o "espírito do grupo".

Outras maravilhas são "Gimme Three Steps", "I Ain't the One" e "Mississippi Kid", também obrigatórias nas apresentações. Todos os elementos característicos das bandas de southern rock estavam presentes nesse disco: as três guitarras afiadas, a simplicidade da vida sulista nas letras, a rusticidade na produção e as baladas bradando por uma eterna e simples ambição humana - a liberdade. Coisa fina.

The Marshall Tucker Band - The Marshall Tucker Band (1973)

Um dos pilares da cena southern dos anos 70, a Marshall Tucker Band era capitaneada pelos irmãos Toy e Tommy Caldwell, e se destacava dos demais grupos por ter uma sonoridade que mesclava rock, jazz e country. As longas jams com um leve toque de psicodelia também eram constantes nos concorridos shows dessa banda nativa da Carolina do Sul. 

Um dos integrantes, Jerry Eubanks, além de fazer os vocais (junto com Doug Gray e o restante do grupo, que também cantava), era flautista e saxofonista. Esse molho era um dos principais atrativos do disco de estreia do grupo, datado de 1973. Hinos do cancioneiro sulista como "Can't You See", "Take the Highway" e "AB's Song" marcam presença ao lado de maravilhas como "Hillbilly Band", "My Jesus Told Me So" e "See You Later I'm Gone".

É deixar rolar, pegar a estrada e soltar o cabelo ao vento. A trilha perfeita você já tem.

Little Feat - Little Feat (1970)

Um dos grandes clássicos esquecidos da história do rock, o primeiro disco do Little Feat vendeu cerca de 10 mil cópias na época de seu lançamento, um fiasco para uma major do naipe da Warner Bros. Disparado o melhor registro do grupo, e quiçá uma das maiores estreias do mundo musical, o álbum é comparado constantemente pelo fãs do grupo a Sticky Fingers, dos Rolling Stones (só para se ter uma ideia do nível do que estamos falando).

A voz do líder maluco da turma, o ex-Mother of Invention Lowell George, chega mesmo a lembrar a de Mick Jagger e a de Van Morrison em "Strawberry Flats", "Truck Stop Girl" e "Forty Four Blues". Já em baladas como "I've Been the One", "Brides of Jesus" e "Takin' My Time" a musicalidade do grupo flui de forma arrepiante, uma mescla do talento peculiar de George e da competência instrumental do resto da trupe, simplesmente inacreditável!

George fundou o Little Feat junto com Roy Estrada, outro ex-integrante do Mothers of Invention, e juntos colocaram a banda entre os principais nomes da cena southern da América (apesar do grupo ter surgido na Califórnia). O próprio Zappa, ao ouvir a faixa "Willin", encorajou George a formar a sua própria banda. Não deu outra: o Little Feat em sua estreia acabou sendo a perfeita celebração das loucuras americanas. 

Ah, e depois de ouvir o disco, não faça muito alarde, pois os fãs do grupo preferem manter essa maravilha meio que como um segredo! 

Blackfoot - Strikes (1979)

Os principais e mais pesados representantes da segunda geração do southern rock. Este é o terceiro álbum do grupo e o primeiro de uma genial trilogia que trazia animais selvagens nas capas (em seguida viriam o disco da pantera, Tomcattin', e o da águia, Marauder).

O "disco da cobra", como ficou conhecido aqui no Brasil, trazia, além de belas composições próprias, três covers de tirar o fôlego: "Wishing Well" do Free (Paul Rodgers sempre foi a maior influência de Rick Medlocke), "I Got a Line On You" do Spirit e "Pay My Dues" do Blues Image.

Rick Medlocke era o vocalista/guitarrista/compositor e líder do Blackfoot. O mais curioso é que Medlocke já havia sido baterista do Lynyrd Skynyrd no início da década de 70, e hoje em dia voltou ao seio materno (o Lynyrd), onde continua detonando como sempre, agora na guitarra. Outros destaques são a balada "Left Turn on a Red Light", o andamento irresistível de "Run and Hide", a gaita e a paulada que é "Train Train", e, para encerrar, a apoteótica ode à estrada de "Highway Song", hino obrigatório que passou a encerrar os concertos da banda.

O Blackfoot foi também um dos maiores expoentes do rock sulista na Europa. Em constantes tours pelo velho continente, o grupo deixava todo mundo louco com seu show pesado e energético. Não é a toa que no começo dos anos 1980 os caras faziam extensas turnês ao lado de bandas de heavy metal e hard rock como Iron Maiden, Scorpions, Judas Priest e AC/DC.

ZZ Top - Tres Hombres (1973)

A obra-prima desses três malucos do Texas só pode ser o seu terceiro álbum, lançado em 1973. Com um repertório afiado, a banda passou a ter projeção internacional devido ao sucesso de "La Grange", um irresistível boogie que levanta até defunto. Ela foi também a primeira canção do grupo a pintar no top 10 norte-americano. Billy Gibbons já demonstrava ser um guitarrista de mão cheia e fazia a festa em temas como "Move Me On Down the Line", "Master of Sparks" e na dupla 'Waitin For the Bus / Jesus Just Left Chicago", que abria o álbum. 

Mas não era só de boogie e blues que respirava Tres Hombres. "Hot Blue and Righteous" é uma balada irretocável (que sem dúvida inspirou "Purple Rain", de Prince) e "Shiek" traz influências psicodélicas em seu final, resultado da bagagem de Gibbons em sua banda anterior, o Moving Sidewalks. Convenhamos: uma banda com uma música chamada "Beer Drinkers and Hell Raisers" só pode ser mesmo genial!

Ponto para o vinil: prefira a versão em LP de Tres Hombres. A reedição do disco no formato digital foi totalmente regravada pela banda no final dos anos 80, dando um ar moderno e desprezível ao trabalho original.

The Charlie Daniels Band - Fire on the Mountain (1974)

Verdadeiro orgulho sulista, Charlie Daniels acertou em cheio nesse seu quarto álbum. Aqui estão preciosidades como a balada "Georgia", o groove caipira de "Trudy" e "New York City King Size Rosewood Red", a latinidade de "Caballo Diablo" e a bela "Long Haired Country Boy", contando com a participação especial de Dickey Betts da Allman Brothers Band. Quem curte Lynyrd Skynyrd e Allman Brothers com certeza irá viajar no som de "Fire on the Mountain".

Um hino do rock sulista norte-americano é a música "The South's Gonna Do It", onde a letra traça um panorama da cena da época. Nomes como o do próprio Lynyrd Skynyrd, ZZ Top e Barefoot Jerry são exaltados na canção, enquanto um duelo piano/violino deixa os nossos sentidos aguçados.

Charlie Daniels é o responsável por um dos maiores eventos do southern rock, o Volunteer Jam, que é um concerto realizado anualmente em Nashville desde 1975 e traz participações de peso dos integrantes das principais bandas sulistas.

The Ozark Mountain Daredevils - The Ozark Mountain Daredevils (1973)

Primeiro disco desse combo caipira do Missouri e, apesar dos maiores hits da banda constarem no seu segundo álbum (It'll Shine When It Shines, de 1974), o primeiro ainda ganha em se tratando de rock sulista. 

O OMD fazia um som bem refinado e de qualidade acima da média, como pode ser conferido nas músicas "Spaceship Orion", "Colorado Song" e "Road to Glory". Tamanha qualidade era resultado também do esmero e cuidado que o experiente produtor Glyn Johns oferecia ao grupo nesse primeiro disco. 

A repercussão foi tão boa que as rádios da América passaram a tocar o som do OMD, que chegou a ser comparado por alguns críticos ao pop requintado do Steely Dan. Randle Chowning era o líder, fazendo os vocais, guitarras e mandando uma sentida gaita em faixas como "If You Wanna Get to Heaven", "Country Girl", "Chicken Train" e "Black Sky".

O Ozark Mountain Daredevils liderou uma vertente mais pop do southern rock. Longe da agressividade de um Blackfoot ou de um Molly Hatchet, o grupo atraía um novo público para a música que vinha do sul. Cinco estrelas fácil!

Barefoot Jerry - You Can't Get Off With Your Shoes On (1975)

Esse desconhecido grupo do Tennesse era liderado pelo experiente Wayne Moss, que regia a banda tocando guitarra, piano e baixo, além de fazer também os arranjos de cordas e os vocais. Moss já havia trabalhado como músico de estúdio no clássico Blonde on Blonde de Bob Dylan, o que lhe dava credibilidade suficiente para formar seu próprio projeto.

O grupo surgiu em 1971 e esse álbum é o quarto na discografia da banda. Os destaques são a maravilha melódica "West Side of Mississipi', o southern das arábias "Ali Baba" e sua contagiante levada, a instrumental "Boogie Woogie", a pesadíssima versão de "Lucille" (da verdadeira rainha do rock, Little Richard), o moog da bela balada "Hero Frodo" e o funkaço de "Sinkin' in the Sea". A faixa de encerramento, "Cades Cove", é emocionante de tão bela e delicada, tornando esse álbum um daqueles impossíveis de se enjoar devido à riqueza e diversidade de ritmos, nuances e andamentos em praticamente todas as composições. 

A banda quase não fazia shows e se concentrava apenas na produção em estúdio. Moss e seus companheiros andavam muito ocupados, uma vez que eram constantemente requisitados por grandes nomes da música, o que era uma pena, já que qualidade musical nunca faltou no Barefoot Jerry. 

Dica: a gravadora inglesa See For Miles relançou em 1997 You Can't Get Off With Your Shoes On com o também essencial Watchin' TV (o anterior na discografia deles) juntos num só CD. É difícil de encontrar, mas vale a garimpagem.

Outlaws - Bring It Back Alive (1978)

Desde o maravilhoso At Fillmore East da Allman Brothers Band, todo grupo sulista que se prezasse tinha que gravar um visceral duplo ao vivo para ser respeitado, afinal de contas era no palco que as bandas do sul mostravam sua garra e os seus maravilhosos "ataques guitarrísticos".

Conhecido como o "exército das quatro guitarras", sendo que uma delas, na verdade, era um baixo, o Outlaws sempre foi chefiado pelo guitarrista Hughie Thomasson, que teve uma longa passagem pelo Lynyrd Skynyrd, tocando com os caras entre 1996 e 2005. O rapaz formou o grupo na Flórida em 1972 e lançou três bons discos de estúdio até apostar tudo nesse genial registro ao vivo. Aqui as afiadas guitarras brilham durante todo o álbum, e os destaques são o hit "There Goes Another Love Song", a passagem jazzística de "Freeborn Man", o emaranhado de guitarras em "Holiday' e o hino "Green Grass and High Tides", aqui em sua versão definitiva com 20 minutos de duração e dedicada aos integrantes do Lynyrd Skynyrd mortos naquele famoso acidente aéreo em 1977. Emocionante! 

A tragédia também alcançou o Outlaws em 1985, quando dois ex-integrantes do grupo, o baixista Frank O'Keefe e o guitarrista Billy Jones, morreram num intervalo de três meses. 

Green Grass and High Tïdes Forever!


Assista “Honey From a Knife”, o novo clipe do The Cult

sexta-feira, agosto 24, 2012
O The Cult produziu um clipe para uma das melhores faixas de seu último disco, Choice of Weapon. O nono álbum da banda foi lançado em 22 de maio e agradou bastante a crítica e os fãs. O renomado site All Music Guide deu 4 estrelas em 5 para o trabalho, por exemplo.

O vídeo de “Honey From a Knife” traz o personagem que está na capa do disco, uma espécie de serial killer que usa um capuz com chifres e se veste com peles de animais, aterrorizando uma cidade, com as pessoas correndo desesperadamente pelas ruas fugindo por suas vidas.

Assista abaixo:



Leitores da NME elegem as 20 melhores músicas do Radiohead

sexta-feira, agosto 24, 2012
A NME realizou uma enquete entre os leitores de seu site perguntando quais seriam as 20 melhores músicas do Radiohead.

O resultado atesta, mais uma vez, o imenso poderio do clássico OK Computer, lançado pela banda em 1997 e considerado um dos melhores discos de todos os tempos. Das vinte músicas, nada mais nada menos que 7 são de OK Computer. Na sequência, quatro faixas de In Rainbows (2007) e três dos discos The Bends (1995) e Kid A (2000).

Confira abaixo as vinte melhores músicas do Radiohead na opinião dos leitores da NME:

  1. Paranoid Android
  2. Street Spirit
  3. Idioteque
  4. Karma Police
  5. Exit Music (For a Film)
  6. No Surprises
  7. Hot to Disappear Completely
  8. Everything in Its Right Place
  9. Fake Plastic Trees
  10. Pyramid Song
  11. There There
  12. Weird Fishes / Arpeggi
  13. Reckoner
  14. Lucky
  15. Let Down
  16. 2 + 2 = 5
  17. Airbag
  18. Nude
  19. 15 Step
  20. Just

23 de ago de 2012

Racha na Galeria do Rock: lojistas de música questionam atividades culturais promovidas pela administração

quinta-feira, agosto 23, 2012
O clima de harmonia, efervescência e desenvolvimento de um dos pontos turísticos mais importantes de São Paulo chegou ao fim. A diplomacia foi soterrada por um inevitável racha entre “o pessoal da música” e “o pessoal da moda e do comportamento” na Galeria do Rock na última semana.

Na verdade, a questão envolve mais diretamente um grupo de lojistas que ainda vende música em formato físico – CDs e DVDs – e o síndico do conjunto Grandes Galerias, Antônio de Souza Neto.

A quebra do pacto de não agressão surgiu no boletim O Grito, em sua edição nº 159, que é um veículo da loja Die Hard, uma das mais antigas na Galeria. Com o título de Nós Temos Vergonha da Administração da Galeria do Rock, os proprietários criticam duramente os projetos culturais do síndico e denunciam o que chamam de “excessiva mercantilização do espaço cultural”, com ênfase no faturamento e pouco caso com atividades culturais que “realmente tenham relação com a música e o rock”.

Não é de hoje que parte expressiva dos lojistas ligados à música reclama bastante da mudança de perfil que a Galeria do Rock sofreu nos últimos dez anos, com providencial e intensivo estímulo de Souza Neto. Reação natural ao movimento de mercado que corrói as vendas de CDs e DVDs, derrotados pelos downloads legais e ilegais de aquivos musicais, alguns comerciantes pedem apoio à administração do espaço para revitalizar a área musical e atrair consumidores mais velhos, acostumados às mídias físicas e ainda fiéis aos CDs e até vinis. Esse grupo afirma estar sendo ignorado e discriminado em suas reivindicações.


O fato é que a galeria sofreu uma mudança radical desde 2000. A crise da indústria fonográfica levou ao buraco gravadoras, selos musicais e os pontos de venda de CDs e DVDs no mundo todo. Hoje praticamente não existem lojas de CD em comércio de rua, apenas em shoppings centers e, em São Paulo, na Galeria do Rock. Nesta, também houve devastação: das estimadas 140 lojas de música no fim dos anos 1980 e começo dos 1990, restam hoje menos de cinquenta. Ou 34, na conta do comerciante Luiz Calanca, proprietário da lendária e resistente Baratos Afins, a primeira a se estabelecer no local há 32 anos.

Os espaços foram lentamente sendo ocupados por estúdios de tatuagem, lojas de roupa e acessórios com o rock como tema, e até lojas de bonecos em miniatura de ídolos musicais. Com isso, um novo público passou a frequentar o espaço, bem mais jovem e mais moderno, mas que tem outro tipo de relação com a música: não a consome, mas busca na internet ou se contenta com emissoras de rádio de qualidade duvidosa.

O problema é que a administração atual acha que mudança de perfil estimulada na Galeria é uma grande obra, uma coisa de vanguarda. O síndico é incapaz de perceber que está havendo um sucateamento generalizado do comércio local. Essa molecada que frequenta hoje a Galeria do Rock, em sua grande maioria, não consome por dois motivos: não tem dinheiro e não dá valor ao produto cultural que é vendido. Esse pessoal se satisfaz ao comprar uma camiseta ruim e pirata de R$ 15 ou um bottom malfeito que custa R$ 5. Não há mais valor agregado algum”, reclama um antigo lojista de CDs que prefere não se identificar. A consequência óbvia, na visão deste empresário, é que o consumidor disposto a comprar música não vai mais à galeria, espantado por um público que descaracterizou o espaço e que não dá a mínima para a música. “O som, as bandas, os artistas, tudo se tornou descartável e o síndico estimula isso. Não dá a mínima para criar situações para que os verdadeiros frequentadores, novos ou antigos, aqueles que gostam de música, venham para cá e comprem coisas específicas, que não existem na internet. Esse pessoal sumiu porque acha que a Galeria do Rock acabou enquanto comércio de música. E quando vê no que a Galeria se transformou, passa bem longe mesmo”, diz o lojista.


Esse é um aspecto que é unânime entre os comerciantes de música, mas o que motivou o manifesto da Die Hard foi o que um dos sócios, Fausto Mucin, chama de autoritarismo e cerceamento da liberdade de expressão. “A Galeria só existe e só é o que é graças ao rock. Isso deveria ser levado em conta quando se decide por qualquer iniciativa cultural. Entretanto, prevalece apenas o aspecto comercial e as atividades culturais são decididas apenas pelo síndico, sem consulta a quem realmente entende do assunto e que tenta sobreviver com os frutos de tais atividades, que são os lojistas. Mas não somos ouvidos e até mesmo criticados quando reclamamos. Cadê a liberdade de expressão?”, diz Mucin.

O empresário cita dois eventos que poderiam perfeitamente ter sido realizados na Galeria do Rock recentemente: o projeto Rock na Vitrine e a exposição Na Pele, sobre a história da tatuagem no Brasil. Ambos estão sendo realizados na vizinha Galeria Olido. Um dos organizadores e apoiadores dos dois eventos é Luiz Calanca, da Baratos Afins. “Ele não recebeu apoio da Galeria do Rock e não pensou duas vezes: foi para a Olido.”

O síndico Antonio Souza Neto responde aos protestos com ironia. “Manifesto? Panfleto contra a administração? Não estou sabendo, mas isso não me surpreende, há muita inveja por aqui.” Ele não economiza nos elogios à transformação da Galeria do Rock e desdenha das queixas de mudança de perfil de frequentadores. “O CD acabou, mas esses caras (os lojistas de música) ainda se agarraram a uma peça de museu do século passado. Reclamam dos jovens que frequentam hoje o espaço porque eles não compram mais música. O mundo mudou e eles não querem admitir.” O seu bordão atual é “consegui agregar valor cultural a um local meramente comercial, que conquistou fama internacional e que virou objeto de estudos urbanísticos em vários países”.

Pode-se discutir um ou outro aspecto da afirmação, mas até mesmo seus mais ferrenhos críticos e opositores reconhecem ao menos alguns méritos. O próprio manifesto da Die Hard faz uma ressalva, logo no começo: “Nosso protesto nada tem a ver com a limpeza, segurança e outros assuntos administrativos que estão se saindo muito bem.” Mas nem mesmo isso faz Souza Neto aliviar na réplica. “Minha administração é transparente e sempre foi aberta ao diálogo, mas os ressentidos não têm argumentos para me confrontar. Ficam enciumados porque minha administração fez da Galeria um ponto turístico e referência cultural paulistana. Há muito ciúme porque a Galeria virou tema de novela (Tempos Modernos, da TV Globo, entre 2009 e 2010), com um personagem inspirado em mim. Tudo isso incomoda.”

O racha explícito na Galeria do Rock, antes mantido nos bastidores, deve acelerar a mudança de lojistas de música para outros pontos do centro de São Paulo, um movimento que o Jornal da Tarde havia antecipado em 2009. A Die Hard é uma candidata a migrar para o Espaço Cultural Nova Barão, a poucos metros da Galeria e onde já existem 11 lojas de CDs e LPs raros, além de sebos. “Vamos resistir até o máximo que conseguirmos, mas não tenho ilusão: do jeito que a Galeria do Rock está, a música e a cultura ficarão cada vez mais em segundo plano. A Nova Barão é uma alternativa bem interessante, já temos um espaço alugado lá”, diz Fausto Mucin.

O manifesto dos lojistas de música talvez seja o último suspiro de um grupo de idealistas nostálgicos e, de certa forma, conservadores, que tentam preservar a música como bem cultural, e não um produto totalmente descartável. A luta é mais do que inglória, é uma causa perdida, mas tem o grande mérito de mostrar a importância que a Galeria do Rock tem para São Paulo. Se não é possível voltar aos tempos de glória da venda de música física, que pelo menos se mantenha a tradição de reverenciar a música como algo nobre e de valor incalculável.


Assista “RTLTK”, o novo clipe do Public Enemy

quinta-feira, agosto 23, 2012
Se você é um fã de rap das antigas, certamente curte o trabalho de Chuck D, Flavor Flav e Terminator X no Public Enemy. Pois bem, a banda está de volta com todo o gás em 2012, com nada menos que dois discos inéditos na praça.

O primeiro deles se chama Most of My Heroes Still Don’t Appear on No Stamp e saiu no último dia 13 de julho. Promovendo a bolacha, os caras gravaram um clipe para uma das faixas, “RTLTK”, com a participação especial do rapper DMC. 

Aumente o volume e curta o retorno do Public Enemy no player abaixo:



O segundo álbum tem o título de The Evil Empire of Everything, e desembarca nas lojas em 4 de setembro. A bela capa do trabalho pode ser vista a seguir:


Muse estampa as capas das novas Q e Rolling Stone espanhola

quinta-feira, agosto 23, 2012
O retorno do Muse está dando o que falar na imprensa musical europeia neste mês de setembro. As novas edições da revista inglesa Q e da versão espanhola da Rolling Stone trazem a banda liderada pelo vocalista e guitarrista Matt Bellamy em suas capas.

A Q fala sobre o novo álbum do grupo, The 2nd Law, cuja data de lançamento está marcada para o dia 1 de outubro, como o maior desafio da banda até agora. Ainda segundo a Q, o Muse está “audaciosamente indo onde nenhuma outra banda esteve até agora”.


A Rolling Stone espanhola vai a mesma linha, apontando o Muse como a maior banda do século XXI, responsável, segundo a revista, por “revolucionar o rock das grandes massas”.

Só nos resta esperar até que o novo disco do trio chegue aos nossos ouvidos de maneira completa, porque as três primeiras músicas liberadas até agora são, no mínimo, estranhas e apenas medianas.


Documentário conta a história da revista Bizz

quinta-feira, agosto 23, 2012
Eu nasci em 1972 e comecei a me interessar por rock e pop em 1985, através da primeira edição do Rock in Rio. Nessa mesma época, surgiu no mercado brasileiro a revista Bizz, publicada pela Editora Abril. Ela foi a principal fonte de informação sobre música durante toda a minha adolescência e grande parte da minha vida adulta. Muito do que eu sei aprendi lendo as suas páginas. E, por isso mesmo, considero a Bizz até hoje como a melhor revista sobre música que o Brasil já teve, à milhas de distância de qualquer outra publicação.

Sei que muita gente pensa de maneira semelhante à minha. E duas dessas pessoas - Almir Santos e Marcelo Santos Costa -, foram além e produziram um documentário de 25 minutos sobre a história da Bizz. O vídeo traz entrevistas com nomes como Marcelo Costa (do Scream & Yell), Sérgio Martins (Veja), Regis Tadeu, Alex Antunes, Ricardo Alexandre e outros que passaram pela redação da revista ou tiveram uma relação muito próxima com ela.

Batizado como Bizz: Jornalismo, Causos e Rock and Roll, o documentário é obrigatório para quem faz parte do jornalismo musical brasileiro, gosta de música ou tem o sonho de seguir uma carreira nessa área. Recomendo assistir com atenção para entender como a Bizz se transformou na principal fonte de informação sobre música e cultura pop para toda uma geração.

Parabéns aos envolvidos, principalmente ao Almir e ao Marcelo, pela iniciativa e pelo belo resultado alcançado.

E você que está lendo, acomode-se na cadeira e assista Bizz: Jornalismo, Causos e Rock and Roll abaixo:

Metallica: crítica do livro All That Matters - A História Definitiva

quinta-feira, agosto 23, 2012
Antes de falar sobre All That Matters - A História Definitiva, biografia não-autorizada do Metallica lançada no Brasil pela editora Benvirá, vamos falar um pouco sobre o seu autor, o jornalista britânico Paul Stenning. Stenning já lançou 24 livros, incluindo títulos sobre o AC/DC (Two Sides of Every Glory), Rage Against the Machine (Stage Fighters, publicado recentemente no Brasil com o título Guerreiros do Palco pela Edições Ideal), Slash (Surviving Guns N’ Roses, Velvet Revolver and Rock’s Snakepit), Guns N’ Roses (The Band That Time Forgot, também publicado no Brasil pela Edições Ideal com o título A Banda Que o Tempo Esqueceu) e Iron Maiden (30 Years of the Beast, lançado no Brasil pela Beast Books com o título 30 Anos da Besta), além de Thrash Metal: A Seemingly Endless Time. Além deste vasto catálogo, Paul Stenning colabora há mais de 15 anos com diversas revistas norte-americanas e inglesas como Rolling Stone, Metal Hammer, Record Collector e Spin. Ou seja, o cara manja da coisa.

Metallica All That Matters - A História Definitiva tem 368 páginas e formato 23x16. A aplicação de uma impressão especial na capa sobre o nome da banda, deixando esses caracteres em relevo e com brilho, dá um aspecto ainda mais interessante para a obra. O livro de Stenning vai desde os primeiros dias de vida de James Hetfield e Lars Ulrich, no ano de 1963, até o lançamento do álbum Death Magnetic (2008) e a inclusão da banda ao Rock and Roll Hall of Fame, em 2009. Como a obra foi escrita e publicada originalmente lá fora em 2010, não cobre os últimos dois anos da carreira do Metallica, incluindo aí a criação do Big 4 ao lado de Slayer, Megadeth e Anthrax, a gravação do álbum Lulu em parceria com Lou Reed e os shows comemorativos aos 30 anos de carreira do grupo, realizados em San Francisco em dezembro de 2011.

Há uma grande diferença entre a obra de Stenning e Metallica: A Biografia, de Mick Wall, lançado também este ano aqui no Brasil. O livro de Wall é mais profundo, com análises mais detalhadas da carreira e dos discos do Metallica. Já o texto de Stenning se destaca por não ser baseado exclusivamente em declarações dos músicos e trazer opiniões de gente de fora da banda e que conviveu, em algum período, de maneira muito próxima com os caras. Os principais são o chapa Fred Cotton, parceiro de Hetfield, Ulrich, Kirk Hammett e Cliff Burton no anárquico projeto Spastik Children, e Leah Storkson, ex-namorada de James nos primeiros anos da banda. Além disso, somos premiados frequentemente com as sempre interessantes opiniões de Torben Ulrich, pai de Lars.


Tudo isso faz o livro de Paul Stenning ter um distanciamento que, muitas vezes, a obra de Mick Wall não possui, devido à relação próxima de Wall com os músicos, principalmente com Lars. Há um grande destaque para o período entre Kill ‘Em All (1983) e Metallica (1991), enquanto, desse momento da carreira da banda para frente, as informações são mostradas de maneira mais rápida e, muitas vezes, um tanto superficial. Há também alguns erros ortográficos no livro, o que uma revisão mais atenciosa evitaria. Agora, o contraponto: o texto é extremamente bem escrito e prende o leitor sem maiores esforços. Stenning sabe como contar uma história e narra a carreira do Metallica com maestria, apesar da sensação de que poderia ter se aprofundado mais em determinados assuntos, como o estouro mundial com o Black Album e as experimentações da década de 1990 nos discos Load e Reload.

Metallica All That Matters - A História Definitiva é um bom livro, mas o adjetivo “definitiva” do título não pode ser aplicado, em nenhum momento, à obra. Ele funciona mais como um complemento ao livro de Mick Wall, apresentando uma versão alternativa e não oficial dos fatos que transformaram o Metallica na maior banda de heavy metal de todos os tempos. 

Resumindo: leia Metallica: A Biografia, primeiro, e depois complemente o seu conhecimento sobre a banda com All That Matters. As coisas irão funcionar melhor assim.

Os melhores discos de 2012 (até agora) segundo os leitores da Collectors Room

quinta-feira, agosto 23, 2012
Nos últimos dois dias, perguntamos aos nossos leitores, através de nossa página no Facebook - aliás, se você ainda não nos curte no site criado por Mark Zuckerberg corrija isso agora mesmo - quais seriam os melhores discos de 2012 na opinião deles.

Não especificamos em quantos álbuns cada um poderia votar, só perguntamos quais eram os melhores. Assim, teve gente que citou apenas um disco, enquanto outros colocaram listas com dez títulos diferentes. No total, foram 223 votos e 92 álbuns diferentes citados, o que demonstra a qualidade da música produzida este ano.

Quatro títulos dominaram a preferência de nossos leitores: os novos do Rush, Baroness, Jack White e Testament. Fiquei muito feliz em perceber que alguns discos que elogiamos muito aqui no site e que não foram necessariamente admirados por parte do jornalismo musical brasileiro -  como Baroness, Jack White, Flying Colors, Lamb of God e Adrenaline Mob, que ficaram entre os dez primeiros, e Night Flight Orchestra, Storm Corrosion, Gaslight Anthem, Primal Rock Rebellion e Soen, que ficaram logo abaixo -, estão entre os preferidos dos leitores, o que é muito recompensador. 

Confira abaixo quais são, até agora, os 10 melhores discos de 2012 segundo os leitores da Collectors Room, com o número de votos ao lado de cada título:

Rush - Clockwork Angels - 17
Baroness - Yellow & Green - 14
Jack White - Blunderbuss - 13
Testament - Dark Roots of Earth - 13
Flying Colors - Flying Colors - 9
Kreator - Phantom Antichrist - 7
Adrenaline Mob - Omertá - 6
Lamb of God - Resolution - 6
Soulfly - Enslaved - 6
Van Halen - A Different Kind of Truth - 6

Slayer volta ao Brasil em novembro, e traz Mastodon e Cavalera Conspiracy na bagagem

quinta-feira, agosto 23, 2012
Slayer e Mastodon eram dados como certos no SWU 2012, mas mesmo com o adiamento - ou cancelamento, já que a situação do festival é uma incógnita - do evento, as duas bandas tocarão no Brasil ainda em 2012.

A Abstratti Produtora confirmou que o Slayer se apresentará em Porto Alegre no dia 18 de novembro, no Pepsi On Stage. A abertura será do Mastodon. Essa será a primeira vez que a banda norte-americana, que lançou o espetacular The Hunter no ano passado, tocará em nosso país. Os ingressos ainda não começaram a ser vendidos, assim como o valor das entradas também não foi informado.

O Slayer tocará também em São Paulo no dia 17 de novembro, em local ainda não definido. Este show terá abertura do Cavalera Conspiracy. Neste caso, os ingressos também não começaram a ser vendidos.

Estas apresentações do Slayer serão especiais para os fãs brasileiros. A banda já tocou várias vezes em nosso país, mas os shows de novembro serão especiais porque o grupo tocará ao lado de Gary Holt, guitarrista do Exodus, que está substituindo Jeff Hanneman, vítima de uma picada de aranha que infeccionou e consumiu uma parcela considerável do tecido de seu braço.

Novas datas da turnê do Slayer, com a provável participação de novas bandas como atrações de abertura, devem ser anunciadas nos próximos dias, e assim que elas surgirem informaremos vocês.



22 de ago de 2012

Veja as datas e locais da turnê brasileira de Robert Plant

quarta-feira, agosto 22, 2012
Conforme havíamos adiantado aos nossos leitores no dia 6 de agosto, Robert Plant, o eterno vocalista do Led Zeppelin, fará uma turnê pelo Brasil em outubro, tocando em seis capitais.

Hoje foram divulgadas as datas e os locais dos shows. Confira abaixo:

18/10 - Rio de Janeiro - HSBC Arena
20/10 - Belo Horizonte - Expo Minas
22/10 - São Paulo - Espaço das Américas
25/10 - Brasília - Ginásio Nilson Nelson
27/10 - Curitiba - Teatro Guaíra
29/10 - Porto Alegre - Gigantinho

O músico virá acompanhado pela Sensational Space Shifters, sua nova banda. 

Os preços dos ingressos ainda não foram divulgados.

Ouça duas músicas inéditas do Aerosmith

quarta-feira, agosto 22, 2012
Emergiram online hoje duas novas músicas do Aerosmith. Ambas estarão no novo álbum do quinteto norte-americano, Music From Another Dimension, que deve sair esse ano mas ainda não tem data de lançamento prevista.

“Lover Alot” é um hard grudento e que será o segundo single do disco. Já “What Could Have Been Love” é uma balada na tradição do grupo, porém um tanto aguada e sem graça.

Ouça ambas abaixo:

Os 25 melhores discos de jazz de todos os tempos

quarta-feira, agosto 22, 2012
O site The Jazz Resource elaborou uma lista com aqueles que seriam, na opinião de sua equipe, os 25 melhores discos de jazz da história. Estão aqui trabalhos de grandes e revolucionários músicos como Miles Davis e John Coltrane, presenças mais que obrigatórias, ao lado de outros títulos não tão óbvios assim.

Como toda lista, muito mais que discutir a inclusão ou não de um título é muito mais proveitoso e útil conhecer e ir atrás dos que você ainda não conhece. Recomendo todos!

Confira abaixo quais são os 25 melhores discos de jazz de todos os tempos segundo o The Jazz Resource:

  1. Miles Davis - Kind of Blue (1959)
  2. John Coltrane - A Love Supreme (1965)
  3. Dave Brubeck Quartet - Time Out (1959)
  4. Duke Ellington - Ellington At Newport (1956)
  5. The Quintet - Jazz at Massey Hall (1953)
  6. Herbie Hancock - Head Hunters (1973)
  7. John Coltrane - Blue Train (1958)
  8. Stan Getz & João Gilberto - Getz / Gilberto (1964)
  9. Charles Mingus - Mingus Ah Um (1959)
  10. Erroll Garner - Concert by the Sea (1956)
  11. Miles Davis - Bitches Brew (1970)
  12. Sonny Rollins - Saxophone Colossus (1957)
  13. Art Blakey & The Jazz Messengers - Moanin’ (1958)
  14. Clifford Brown & Max Roach - Clifford Brown and Max Roach (1954)
  15. Thelonious Monk Quartet with John Coltrane - At Carnegie Hall (2005)
  16. Hank Mobley - Soul Station (1960)
  17. Cannonball Adderley - Somethin’ Else (1958)
  18. Wayne Shorter - Speak No Evil (1965)
  19. Miles Davis - Birth of the Cool (1957)
  20. Herbie Hancock - Maiden Voyage (1965)
  21. Vince Guaraldi - A Boy Named Charlie Brown (1964)
  22. Eric Dolphy - Out to Lunch (1964)
  23. Oliver Nelson - The Blues and the Abstract Truth (1961)
  24. Dexter Gordon - Go! (1962)
  25. Sarah Vaughan - Sarah Vaughan with Clifford Brown (1954)

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