20 de out de 2012

Grand Magus: crítica de The Hunt (2012)

sábado, outubro 20, 2012
Se até o pesadíssimo Iron Will, de 2008, os suecos do Grand Magus foram deixando seu stoner metal com uma sonoridade cada vez mais densa e amarrada, em Hammer of the North (2010) a banda já evidenciava estar percorrendo o caminho inverso como podemos confirmar em The Hunt, recém lançado no Brasil e que marca a entrada do baterista Ludwig Witt.

Talvez a primeira audição do disco cause estranhamento em alguns fãs, principalmente aqueles mais ligados ao stoner, tendo em vista que as características do estilo, antes tão presentes e intrínsecas ao Grand Magus, aqui aparecem somente em detalhes, o que definitivamente não compromete a qualidade do trabalho. Neste – que é o sexto álbum de estúdio do trio – encontramos uma banda com pegada mais old school, bastante voltada ao heavy metal tradicional e beirando o hard rock, como já se pode perceber na faixa de abertura, “Starlight Slaughter”, empolgante e calcada no hard ‘n’ heavy dos anos 80 e com uma melodia que imediatamente nos faz lembrar os vocais dos primeiros discos do Dio ou as performances de Ian Gillan no Deep Purple dos anos 1980. 


The Hunt tem uma sonoridade bem mais livre e solta, o desenvolvimento das músicas já não dependem tanto dos riffs de guitarra – esses, que por sinal, continuam ótimos, só que menos baseados em escalas, aqui os acordes são mais presentes e rítmicos.

Essa sonoridade mais tradicional permitiu que o vocalista e guitarrista JB se aprimorasse nos vocais. Ainda que seu alcance continue o mesmo, suas vocalizações estão bem mais melodiosas. A ótima “Valhalla Rising” deixa isso bem claro, de longe a melhor do disco. Aliás, seu vocal e sua guitarra sempre combinaram de alguma forma e não foi agora que isso mudou, mas tendo em mente que um está mais melodioso e o outro, mais rítmico.
 

The Hunt já nasceu controverso. Decepcionou àqueles que esperavam mais um disco de stoner/doom metal e agradou àqueles que se surpreenderam positivamente com um Grand Magus regado a heavy metal oitentista, mas ainda assim longe de soar datado. A banda nunca repetiu um álbum, e agora, acima de tudo, mostrou-se disposta a sair de sua zona de conforto e expandir-se. Com esse novo trabalho, o Grand Magus merece o status de uma das melhores bandas de heavy metal da Suécia.

Nota: 8

Faixas:
1. Starlight Slaughter
2. Sword of the Ocean
3. Valhalla Rising
4. Storm King
5. Silver Moon
6. The Hunt
7. Son of the Last Breath
8. Iron Hand
9. Draksadd

(por Igor Luís Seemann)

Pink Floyd e The Wall: todos erguemos muros ao nosso redor, qual é o seu?

sábado, outubro 20, 2012

Sempre achei que grandes discos deveriam trazer boas sensações durante sua audição, seja lembrando de passagens marcantes de minha juventude, ou mesmo pelo simples prazer de ouvir pela primeira vez uma banda e conhecer novos sons. Mudei drasticamente de ideia ao ouvir pela primeira vez o aclamado álbum duplo da banda inglesa Pink Floyd, The Wall. 

Porque um disco que aborda, entre outros temas, o isolamento do mundo e das pessoas que nos cercam, tendo como metáfora a construção de um muro em torno de si, mexeu tanto comigo e com tantas pessoas que passam pela, ao mesmo tempo, maravilhosa e incômoda audição das 26 faixas deste álbum duplo?

Conheci The Wall em 2002. Apresentado a mim no ensino médio por um professor maluco de filosofia e fanático por óperas-rock (já havia conhecido por intermédio dele outro clássico, Tommy, do The Who). Por insistência levei o CD para casa, pois, segundo ele, seria “uma experiência transformadora para minha vida”. Mesmo sem acreditar muito em suas palavras proféticas, aceitei o desafio. Eu, acostumado a gostar de discos pela beleza da arte da capa à primeira vista, não poderia mesmo levar em consideração as afirmações de um docente "lunático" sobre um álbum que trazia estampado alguns tijolos brancos pichados como nome da banda e o título. Ao chegar em casa, coloquei-o no play para tocar. Mal sabia eu que ele estaria completamente certo e hoje, dez anos depois, ainda encaro a audição deste disco como uma experiência praticamente religiosa.

Lançado originalmente em 1979 sob concepção quase ditatorial do baixista Roger Waters, The Wall se tornou o álbum duplo mais vendido da história. Não entrarei aqui nos detalhes históricos a respeito de sua criação, pois informações como essa são encontradas facilmente pela internet. O que gostaria de compartilhar nessas linhas são os sentimentos que o disco me proporciona no decorrer de sua audição.




Voltando ao primeiro contato, mesmo sem entender nada acerca das letras do álbum, a melancólica introdução seguida dos primeiros e imponentes acordes de "In the Flesh" causaram um impacto sobre minha pessoa que até hoje disco nenhum causou. Ouvi o restante sendo levado pelas sensações que cada música proporcionava, finalizando com a mesma melancolia do começo em "Outside the Wall". Precisei ouvi-lo mais algumas dezenas de vezes e pesquisar sobre a história do personagem Pink para assimilar a experiência por completo, e tamanha foi minha surpresa ao descobrir que o muro construído ao redor de Pink poderia ser erguido ao redor de qualquer um que aceitasse a experiência, assim como eu aceitei.

Sem conter nenhuma mensagem messiânica, o disco retrata vivências que muitos de nós provavelmente já tivemos, como uma mãe superprotetora, professores que maltratam seus alunos, o dor de perder o pai e de sentir a falta dele em seu crescimento e formação, o drama da dependência química e das alucinações que as drogas provocam - enfim, o isolamento do mundo em qualquer forma.

Impossível não se lembrar daquele professor fdp dos tempos de escola ao ouvir "Another Brick in the Wall", a única que eu conhecia antes de ouvir esse disco. Assim como em "Mother" também é impossível não lembrar daqueles momentos em que nossa mãe nos protegia, praticamente formando quase que literalmente um muro ao nosso redor, de forma que nada nem ninguém nos atingisse. The Wall toca profundamente em nossas emoções, e é impossível ouvir o disco apenas como passatempo ou distração, pois uma vez envolvido na história você se identifica imediatamente com o drama de Pink em algum momento.

Como não cantar junto com David Gilmour o refrão de "Young Lust" a plenos pulmões, em momentos que queremos esquecer do mundo e apenas nos divertir: "Uh, I need a dirty woman... uh, I need a dirty girl!". Aquela mudança súbita de comportamento, onde por vezes nos tornamos até mesmo agressivos com as pessoas mais próximas, é retratada fielmente em "One of My Turns", assim como aquele pedido desesperado de ajuda, sempre sem resposta como o personagem, já completamente isolado do mundo e da realidade em "Hey You". E até aí só estamos na metade da experiência ... 


A viagem não seria completa sem que antes embarquemos no fantástico solo de David Gilmour em "Comfortably Numb", e o que vem a seguir é uma sequência de sensações onde, imersos e paradoxalmente indefesos pelo mesmo muro que construímos para nos proteger, culminamos como réus em "The Trial". Condenados a quebrar o muro e nos abrir para o mundo, percebemos que tudo o que precisamos na verdade se encontra mesmo do lado de fora dele.
 
 

Mais do que um simples álbum, The Wall é uma exposição, sem uso de meias palavras, de nossas fraquezas, na maioria das vezes alimentadas por nós mesmos e por aqueles que mais temos contato e trocamos relações de afeto no decorrer de nossas vidas.

A quem se interessar, recomendo também o filme homônimo de 1982, sob direção de Alan Parker. Nele, temos a personificação dos sentimentos pelo protagonista, interpretado de forma magnífica por Bob Geldof. A experiência audiovisual da película é tão emocionante quanto somente a audição do disco duplo.

Como disse no começo deste texto, a partir de The Wall passei a encarar o desafio de ouvir esse disco e vários outros como mais do que uma simples distração ou passatempo, mas sim como uma experiência árdua, mas que no fim causa uma inexplicável sensação de libertação, e de que existe sim vida e pessoas que nos amam "outside the wall", assim como diz a letra Roger Waters que encerra esta obra marcante:“All alone, or in twos, the ones who really love you, walk up and down outside the wall …”


(por Tiago Seven)

Muse: crítica de The 2nd Law (2012)

sábado, outubro 20, 2012
Após abrir as apresentações do U2 no Brasil, em 2011, a popularidade do Muse por aqui só aumentou. A banda, que já tinha sua base de fãs, principalmente devido a lançamentos como Origin of Symmetry (2001) e Black Holes and Revelations (2006), chega agora com The 2nd Law, o aguardado novo disco, onde seus velhos e novos fãs poderão encontrar o trio em pleno auge criativo e instrumental.

"Supremacy", por exemplo, a faixa de abertura, tem um riff lento e tenso, alternando vocais agudos do vocalista e guitarrista Matthew Bellamy com climas melancólicos e uma atmosfera grandiosa com um tema orquestral lembrando "Kashmir", do Led Zeppelin, e termina com um final em crescendo muito bom. "Madness" parece ser a "canção bonita" do álbum, talvez o hit radiofônico. Tem uma melodia muito interessante e um solo de guitarra bem maroto.
 

A terceira, "Panic Station" tem um clima à lá INXS (uma mistura de "Need you Tonight" com "What ou Need", uma pegada meio funkeada). Então vem um prelúdio, muito bonito, de menos de um minuto. "Survival" começa com uma levada que nos remete à Supertramp e Queen, e acaba caindo em um prog metal com uma grande performance do baterista Dominic Howard. 

"Follow Me" e "Big Freeze" seguem uma roupagem mais pop rock (sem deixar a técnica de lado), enquanto "Animals" e "Explorers" demonstram a beleza da influência do rock progressivo em dois temas mais calmos e trabalhados. "Save Me" segue a mesma linha das duas citadas acima, com a diferença de ter um crescimento instrumental até o fim da canção, com mais um ótimo trabalho de Howard - o grande destaque individual do disco.
 

"Liquid State", com vocais do baixista Christopher Wolstenholme, que também canta em "Save Me", se aproxima mais de um rock alternativo com uma roupagem moderna.
 

O encerramento é com a dobradinha "The 2nd Law: Unsustainable" e "The 2nd Law: Isolated System", ambas sendo as mais experimentais do álbum. A primeira misturando um pouco da influência do prog metal com passagens eletrônicas, e a segunda tendo um clima mais atmosférico e apocalíptico. Assemelham-se, ambas, com a trilha sonora de algum filme que trate sobre um mundo devastado ou algo do tipo.
 

The 2nd Law é um grande disco e um candidato forte a ficar entre os mais citados nas listas de melhores do ano de 2012.

Nota: 8



Faixas:
1. Supremacy
2. Madness
3. Panic Station
4. Prelude
5. Survival
6. Follow Me
7. Animals
8. Explorers
9. Big Freeze
10. Save Me
11. Liquid State
12. The 2nd Law: Unsustainable
13. The 2nd Law: Isolated System


(por Carlos H. Silva)

A Cidade Maravilhosa não gosta de rock

sábado, outubro 20, 2012
Robert Plant, 64 anos, uma das vozes mais influentes do mundo do rock, tendo entre seus súditos 7 de 10 vocalistas de bandas blues ao heavy metal. O frontman de uma das bandas icônicas da década de 70, o Led Zeppelin, tendo transitado entre o progressivo, o blues, o rock clássico e o heavy metal. Com este currículo, que não é super estimado, Plant está em terra brasilis para uma turnê que varre algumas capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. Para a Terra da Garoa, um dia sold out gerou uma nova data. Já na Cidade Maravilhosa, apenas um dia e um público abaixo da honra que é ver este senhor no palco.

Muita gente se pergunta porque o Rio de Janeiro, então cenário para o maior festival de música do país, o Rock in Rio, palco de eventos culturais maciços como o Carnaval, pioneiro em eventos ligados a estilos não tão populares como o Free Jazz Festival, jamais conseguiu se consolidar como a Cidade do Rock.
 

Antes que algum boçal e covarde escondido por trás de um monitor diga que o texto é bairrista, um chega pra lá: sou carioca, morador do subúrbio fluminense e incentivador cultural através dos sites para quais escrevo, portanto, fico completamente à vontade para o que se segue nas próximas linhas. Dito isso...
 

Um dos primeiros motivos que eu alavanco é o fato de não tratar merecidamente os astros. Não importa de que geração a eles pertençam. Bandas como o Nightwish, grupo de carreira consolidada na Europa, toca no Circo Voador, espaço tradicionalíssmo do centro do Rio mas absolutamente insuficiente para receber uma banda deste calibre. A acústica do lugar não é boa, o espaço não é confortável e mesmo a história do Circo - um dos principais agregadores musicais da década de 80, por lá passaram Lobão, Barão, Legião, Kid Abelha e, pasmem, Ratos do Porão - não é suficiente para tirar os problemas de infra-estrutura do local. 

Pra não ficar só no "picadeiro", até o espaço do samba (o Sambódromo) é palco para bandas de rock aterrisarem e transformarem a cidade em um caos. Falar nas questões técnicas que envolvem um espetáculo nestas condições é chover no molhado: o local é aberto e só permite uma excelente visão do show para os primeiríssmos lugares e olhe lá. E se chover, prepara-se, tudo pode ficar ruim, no palco, no show e em qualquer lugar.

A melhor casa de shows, o Citibank Hall, juntamente com o espaço HSBC Arena, fica fora de onde se concentra a maior parte da população. Localiza-se na Barra da Tijuca, de difícil acesso, tornando a ida e a vinda, por vezes, verdadeiras aventuras. É preciso ser fã e ter um espírito hype para encarar a distância e o trânsito caótico. Com isso, vamos para outro motivo nada interessante ...
 


... o preço. É fato que o público carioca tem menor poder aquisitivo do que o público paulista. O benefício da meia-entrada para idosos e estudantes transformou os valores dos tickets em verdadeiras fortunas. Pagar mais de duzentos reais para assistir um show de pouco mais de 1 hora e 40 minutos é luxo  (sem qualquer exagero) de uma parcela da população que ou faz economias para assistir sua banda preferida ou se estrepa no cartão de crédito no final do mês. Um adendo: mesmo as apresentações que não envolvem uma banda de rock mas um artista popular, como Marisa Monte, são espetáculos caríssimos para um público mais "maduro".
 


Um outro fator que é fundamental para a fraca presença carioca nas casas de espetáculos é a falta de veiculação na imprensa de eventos do estilo. Aqueles que pensam que internet já é suficiente para promover calendários e turnês de artistas do mundo inteiro, digo-lhes que os meios de comunicação de massa são imbatíveis. Na década passada o Estado perdeu seu único quinhão metal: a Rádio Cidade se despediu do dial, cheia de dívidas, tendo vendido seu patrimônio para uma operadora de telecomunicação (que, por sinal, já entregou os pontos), deixando milhares de fãs órfãos de promoções, sorteios, notícias e descobertas por bandas novas. Hoje a Cidade Web Rock está na dial virtual, mas não é a mesma coisa. Anos antes, a mais tradicional rádio de rock do Rio de Janeiro, a Fluminense (localizada em Niterói, município do Estado) iria começar uma triste decadência nos meios especializados ao se despedir do dial por motivos semelhantes: falta de dinheiro e patrocínio. As revistas eram pouquíssimas, as rádios seminais, mas o público era fiel. Não havendo uma rádio com interatividade, identificação e convívio, o carioca ficou refém dos maiores inimigos de qualquer paixão: o esquecimento.
 

O último fator que posso classificar como prepoderante para a Cidade Maravilhosa nunca se estabelecer como o principal cenário do rock no país para eventos é que o carioca, no fundo no fundo, não tem DNA "pesado" nas suas veias, se é que você me entende. O público daqui é o falso eclético, muito mais fortalecido pelos tempos em que capa, encarte, ficha técnica e história não fazem diferença alguma. Ele é capaz de dizer que ama Pitty, ouvir Jota Quest e ir, tranquilamente, ao show do Sorriso Maroto sem crise de consciência. Curte "November Rain", sabe quem é Jon Bon Jovi (ou lembra dele), mas pode tranquilamente não aparecer se o músico americano estiver na cidade para assistir ao pocket show da Vanessa da Mata. Os fãs (verdadeiros) de rock no Rio de Janeiro, se não estão em guetos, escondem-se para se encontrarem em fóruns, sites, blogs e, óbvio, os shows que os esperam, mas, definitivamente, não temos o know-how, o conhecimento, o amor e a veia completamente roqueira. Nossa identidade cultural é demasiadamente híbrida, sem compromisso com os artistas. Uma prova contundente disso é que, por dezenas de vezes, muitos shows já foram cancelados na cidade por total falta de procura de ingressos, e este tipo de fenômeno alcança bandas tradicionais (como Stryper, por exemplo) e outras que só aparecem por aqui por estarem em mal momento nas suas carreiras.

"Ok, mas como é que você me explica Paul McCartney e Kiss lotarem o Maracanã, trazendo os dois para o Rio, em épocas distintas, mais de 500 mil pessoas?". Curiosos. Assim como se estimou que os Rolling Stones levaram 1 milhão de pessoas para praia de Copacabana. Os leitores podem ter certeza que a reunião desta multidão possui em sua maioria pessoas que não sabem nada além de "I Can't Get No (Satisfaction)" e olhe lá! Pra muita gente, Mick Jagger é um Ney Matogrosso gringo. No caso do Kiss, as lendas em torno da banda reforçaram muito o convite aquela tarde/noite de 1983, afinal de contas, além de músicos, eles "matavam pintinhos no palco e eram os Knights in Satan Service".


Como se viu, não é possível ser acertivo e definir qual é O MOTIVO pelos quais os cariocas não aderem (por gosto e admiração) shows de artistas como Robert Plant e tantos outros que já passaram por aqui. Uma triste realidade, que volta e meia tem suas compensações, mas não apaga nossa atual identidade.


(por Daniel Júnior)

19 de out de 2012

Disquerias em Buenos Aires: onde comprar discos na capital argentina

sexta-feira, outubro 19, 2012
Plaza de Mayo, Casa Rosada, Obelisco, Malba, Caminito, La Bombonera, Monumental de Núñez, Jardim Japonês, Puerto Madero e por aí vai. Pontos turísticos em Buenos Aires é o que não faltam. Como em toda grande capital, as possibilidades são inúmeras. Para o bem e para o mal, já que muitas agradam, outras surpreendem, mas algumas até decepcionam. Porém, uma atração é especial e, geralmente, encanta a todos: las disquerias.

Para quem não abre mão da milenar arte de vasculhar prateleiras, estantes empoeiradas ou quaisquer outros tipos de móveis em busca de um disco bacana, Buenos Aires é um prato cheio. Desde os sebos até os grandes estabelecimentos, passando pelas casas especializadas. A jornada pelas lojas portenhas dificilmente será em vão.

Abaixo, um guia rápido com informações e localização das principais disquerias da capital argentina, nas quais certamente vale o lema de toda loja de discos que se preze: se não tiver o que você procura, pode ter o que você nunca imaginou encontrar.

Oid Mortales – Av. Corrientes, 1145, Galeria Arte, loja 17, Centro.

A melhor loja de discos em Buenos Aires é de um sujeito chamado Diego Perri, profundo conhecedor de música e guru quando o assunto é rock argentino. Acanhada, mas aconchegante, a Oid Mortales (“Ouvi, mortais”, nome pelo qual também é conhecido o hino nacional argentino) faz a alegria dos bolhas desde 1983 e encanta pela quantidade de coisas maravilhosas que abriga. Uma espécie de Baratos Afins portenha, mas que não é selo.

Há discos de tudo que se imaginar, mas chama a atenção a discografia completa de várias bandas de krautrock e de progressivo italiano, como o Le Orme. Muita coisa também de hard rock 70's, folk e rock alternativo local. Em particular, babei quando encontrei quase tudo do Fairport Convention e do Badfinger. Conta também com bastante coisa indie. Curioso que, nas duas vezes em que estive na loja, Diego Perri ouvia uma banda de synth-pop que não deu pra identificar, algo entre Kraftwerk e Depeche Mode.


Rock ‘N Freud – Arenales, 3337, Paseo del Sol, Palermo.

Se durante os dias que passar em Buenos Aires qualquer cidadão tiver a oportunidade de conhecer apenas a Rock ‘N Freud, já terá valido a viagem. A loja tem como qualidade e mérito ser, talvez, a mais completa e atualizada.

Em termos de gênero, é mais abrangente, mas menos profunda que a Oid Mortales, até por ser muito maior. A Rock ‘N Freud também é bem bacana por ter um ar saudosista e ser uma daquelas lojas de rua em extinção, que não se encontra mais por aí. Sim, bem ao estilo da fictícia Championship Vynil, de propriedade do bolha Rob Gordon, em Alta Fidelidade.

Thor – Av. Santa Fé, 1670, Bond Street, loja 51, Centro.

Se fosse uma banda, a Thor seria o Ratos de Porão: metal demais para ser punk, punk demais para ser metal. Lá também se encontra rock alternativo e até reggae, mas, felizmente, o foco está nas duas primeiras vertentes citadas.

A loja fica na Bond Street, a Galeria do Rock argentina. Só que lá, até mais do que na galeria paulista, o que se vê é a hegemonia total das lojas de roupas, acessórios, tatuagens e skate. Tanto que a Thor é praticamente a única disqueria da Bond Street, salvando assim o recinto.


Tempo – Av. Jorge Luis Borges, 1666, Palermo

A Tempo é uma loja de rua, assim como a Rock ‘N Freud, mas não tão boa quanto. E também não tem as maravilhas que se encontra na Oid Mortales. É mais genérica, com discos mais “arroz de festa”. Não deixa de ser uma boa loja, porém limitada.

Canta Claro – Av. Corrientes, 1217, centro

A Canta Claro é uma mistura de disqueria com sebo. E talvez aí esteja sua qualidade. Dentre os discos novos, nada de muito interessante. Já na seção de usados é possível achar uma ou outra coisa bacana. Inclusive mais barato, claro.

 
Musimundo e El Ateneo – vários locais espalhados pela cidade

Musimundo e El Ateneo são bem parecidas com as Fnacs, Saraivas e Leituras aqui do Brasil: lojas de departamento da culura pop. A diferença é que lá a seção de música é bem mais destacada. Discos ainda parecem ser considerados arte e trazem isso consigo.

Ao contrário das megastores daqui, é possível encontrar vários itens da discografia de determinada banda e não apenas um ou outro disco. Em suas particularidades, a Musimundo prioriza a parte de tecnologia, enquanto a El Ateneo se volta bastante para a literatura. Me agradou mais os bons discos que encontrei na primeira. Pelo gosto pessoal, mas também pelo preço.

Compakta – Pasaje El Lazo, 3156, local 7, Palermo

Decepção. E até cheguei a pensar que fosse por ter sido a primeira em que fui, possivelmente com muita sede ao pote, mas não. A Compakta realmente é uma loja fraquinha, com pouquíssimas opções. A impressão é quase a mesma de tentar comprar um disco em uma dessas banquinhas armadas para vender merchandising em shows e festivais. Você até tenta, põe em prática a boa vontade, mas nada encontra.

Para piorar, os preços são bem elevados. Só a atendente é legal e tem um aspecto que lembra bastante a Patti Smith, o que dá uma amenizada.

Random Store – Av. Corrientes, 1662, Paseo La Plaza, Centro

Disqueria comum, só com coisa mainstream. Daquelas que o melhor que você pode encontrar é um ou outro álbum do AC/DC. Se tiver sorte.

Casa Piscitelli – Av. San Martín, 450, Centro

Fiquei até sem graça ao entrar nesta loja. Especializada em música clássica e erudita, a Casa Piscitelli é toda elegante, tem uma decoração rebuscada e parece mais uma daquelas lojas de alugar roupa para festas – chão de carpete, poltronas, sofás e todo mundo de terno, até a senhora responsável pelo atendimento. De qualquer forma, deve ser uma baita disqueria para quem não ouve 'barulho'.

Tango Store – Av. Callao, 395, Centro

O nome já entrega: disqueria de Tango. Trata-se de uma subsidiária da Zivals, então deve ser coisa boa. Mas não fiz mais do que passar na porta.

Abaixo, três lojas que não foram visitadas, mas que já estão devidamente inseridas no roteiro de uma próxima ida a Buenos Aires.

Notorius – Av. Callao, 966, Recoleta

El Agujerito – Maipú, 791, Galerial del Este, local 10, Retiro

Abraxas – Av. Santa Fé, 1270, Galeria 5ª Avenida, local 74, Centro

 

(por Guilherme Gonçalves)


Discos Fundamentais: Deep Purple - In Rock (1970)

sexta-feira, outubro 19, 2012
Por mais que muitos possam até questionar essa afirmação, é fato que o Deep Purple teve muito pouca, pra não dizer nenhuma, relevância no final da década de 1960. Não que seus três primeiros discos de estúdio (Shades of Deep Purple, The Book of Taliesyn e Deep Purple) fossem exatamente ruins, mas não há como negar que em meio a uma época onde vários trabalhos emblemáticos eram lançados massivamente, eles nunca mereceram maiores atenções. Mas esse panorama estava prestes a mudar definitivamente em 1970.



Insatisfeitos com a sonoridade praticada pela banda naquele momento, Ritchie Blackmore (guitarrista) e Jon Lord (tecladista) sabiam que era necessário uma mudança de direcionamento, em especial o primeiro, que queria mais do que nunca trazer mais peso e agressividade às composições, como o Led Zeppelin já vinha fazendo com sucesso naquele mesmo ano (1969). Para isso, dispensaram logo Rod Evans (vocalista) e Nick Simper (baixista), que não eram bons o suficiente para assumir a bronca perante a nova proposta, e ao lado do baterista Ian Paice saíram à procura de dois novos membros para o grupo.


Depois da tentativa frustada de trazer o jovem promissor Terry Reid para liderar o microfone, que preferiu se arriscar em carreia solo, o trio encontrou na banda underground Episode Six a pessoa mais do que certa para assumir o posto, e também alguém perfeito em meio às novas pretensões futuras: o ainda desconhecido Ian Gillan, que de quebra trouxe consigo o baixista Roger Glover. Pode-se dizer que eles mataram dois coelhos com uma cajadada só, e com sobras.




A estreia em disco dessa formação (conhecida como MK II) foi, na verdade, o ao vivo Concerto for Group and Orchestra, que como o próprio nome diz, foi gravado junto à Orquestra Filarmônica de Londres. Mas toda essa experiência era mais um projeto solo de Jon Lord junto dos outros do que algo que todos desejavam e queriam. Apenas em junho de 1970 seria lançado o registro que mostrava tudo que os cinco tinham a oferecer como banda. E que registro ...




In Rock é um álbum clássico em todos os sentidos. Tudo que tornaria o grupo famoso ao redor do mundo dois anos depois, com o platinado Machine Head, já está mais do que presente por aqui. Os duelos inspirados entre a guitarra de Blackmore e o teclado de Lord ditam o ritmo na maior parte do tempo, mas também não há como deixar de mencionar os vocais extraordinários de Gillan, o baixo diferenciado de Glover e o desempenho magistral do mestre Ian Paice nas peles.




No repertório, o único ponto fraco é o fato do mesmo ser um tanto curto (apenas sete músicas). Mas fica quase impossível levar isso em conta quando nos deparamos com canções do quilate da pesadíssima "Speed King", que abre os trabalhos da maneira mais poderosa possível, além das hard rockers "Bloodsucker" e "Into the Fire", com seus riffs praticamente hipnóticos, a veloz "Flight of the Rat", a quase tranquila "Living Wreck" e a épica "Child in Time", com seus mais de dez minutos de duração. Mas o maior destaque é sem dúvida a indescritível e à frente de seu tempo "Hard Lovin' Man" (sem exageros, uma das melhores faixas de encerramento de todos os tempos).




O resto da história do Deep Purple nos anos seguintes todos já sabem de cor, portanto nem vale gastar linhas para explicá-la. Mas foi em In Rock que tudo isso teve realmente início, nesse que é um dos discos mais influentes dentro do rock desde a década de 70. Dizer que é essencial para qualquer amante de boa música é desnecessário.





Faixas:
A1. Speed King


A2. Bloodsucker

A3. Child in Time

 

B1. Flight of the Rat

B2. Into the Fire
B3. Living Wreck


B4. Hard Lovin' Man



(por Matheus Henrique Pires)

Por que ingressos de shows internacionais são tão caros no Brasil?

sexta-feira, outubro 19, 2012
Por que ingressos de shows internacionais são tão caros no Brasil? Ao nos depararmos com os preços dos ingressos de shows de artistas estrangeiros no Brasil é comum nos assustarmos com seus elevados valores. Lembro-me que, em dezembro de 1993, fui a um show de Paul McCartney em Curitiba e o ingresso custou aproximadamente US$ 50,00 - e sem área vip.

Uma das primeiras razões para os preços praticados hoje pode ser o valor exorbitante que, por ventura, o artista cobra por show, mas ao se observar a tabela abaixo nota-se que há diferença significativa entre os preços praticados aqui e no exterior. Os preços coletados foram apenas os dos ingressos nos setores considerados vips, logo, depreende-se, conversões cambiais a parte, que a explicação não reside apenas no alto cachê dos artistas.

TABELA COMPARATIVA PREÇOS DE INGRESSOS 
Brasil Exterior 
Paul McCartney R$ 760,00 £ 85,00 
Bob Dylan R$ 900,00 € 56,40 
Joe Bonamassa R$ 500,00 € 56,50 

Então, por que, em um mundo globalizado e recheado de commodities, há tanta diferença entre os preços? Segundo a teoria da Paridade do Poder de Compra (PPP), tão cara aos economistas, produtos/serviços iguais deveriam ter o mesmo preço em qualquer país. Bom, a explicação de qualquer economista é que os preços são formados pela interação entre oferta e demanda e há diferenças na demanda e na oferta destes serviços em diferentes países. 

Questões macroeconômicas 
Crise econômica no hemisfério norte e real valorizado perante dólar. A crise econômica reduziu a renda de alguns países e, consequentemente, a demanda por shows. A queda expressiva na venda de CDs tornou os shows a principal fonte de recursos para muitos artistas. Logo, desloca-se a oferta para países/regiões onde a renda está em ascensão, caso do Brasil. 

Impostos 
De fato, os elevados impostos sobre mercadorias e serviços podem contribuir para o aumento de preços. Contribuem também certos impostos de importação de equipamentos. 

Elevada demanda por bens de luxo 
Com o aumento da renda per capita brasileira nos últimos anos, houve um claro deslocamento da demanda em prol de produtos com maior valor agregado. Laptops, smartphones, entre diversos outros bens, passaram a fazer parte da cesta de consumo das pessoas. Do mesmo modo, a demanda por shows que, até um passado recente, eram raros no Brasil, tem aumentado, o que implica também em preços mais elevados. Afinal, ficou possível e viável assistor artistas consagrados que nas décadas de 1970 e 1980 não vinham ao país. 

Ganância de curto prazo dos empresários 
De modo geral, diz-se que muitos empresários têm estratégias de preço de curto prazo. Ou seja, pensa-se: “aproveite-se o momento agora, pois o amanhã é incerto”. 

Pouca concorrência entre ofertantes 
Em grandes cidades do mundo como Nova York, Londres e Paris, dentre outras, em uma única noite a disponibilidade de oferta de lazer para a população é significativa. Logo, há expressiva concorrência pelo lado da oferta, o que leva os preços a serem, comparativamente, menores. 

Maldição da meia-entrada 
A lei que obriga a cobrança da meia-entrada acaba sendo uma faca de dois gumes, pois leva as empresas a aumentarem o preço dos ingressos, prevendo uma grande demanda por ingressos para grupos especiais. 

Discriminação de preços 
Discriminação de preços é uma estratégia que empresas utilizam para cobrar preços distintos de consumidores distintos. Neste caso, tal estratégia é posta em prática a partir da cobrança de preços diferentes de acordo com a localização da plateia. 

Outra explicação possível refere-se à queda da venda de discos/CDs, razão que leva os artistas a investirem mais em shows, pois destes passa a vir seu retorno financeiro. Mas, em suma, não há uma única explicação para este fenômeno. Há, de fato, uma conjunção de fatores que estão relacionados diretamente à conjuntura econômica brasileira (crescimento econômico, ascensão sócio-econômica, etc). 

Por fim, cabe citar o artigo de John Seabrook, onde o autor menciona que, com o colapso da indústria de discos, a venda de música ao vivo se tornou a maior fonte de receita da indústria da música. No artigo, o autor afirma que tratar um show de rock como commodity é diminuí-lo. Para ele, shows são eventos sociais. Talvez seja isso que leve os preços a serem tão altos. Afinal, muitos querem, e podem, participar de tais eventos, mesmo que a preços bem elevados. 

(por André Leite)

O vôo multicolorido do comandante Ginger Baker

sexta-feira, outubro 19, 2012
Após a dissolução do Cream em novembro de 1968 e a tentativa de manter o power trio de pé com a criação do Blind Faith, cada um dos integrantes partiu para suas carreiras individuais. O guitarrista Eric Clapton tocou no Delaney & Bonnie, Derek and The Dominos e depois seguiu sua carreira solo. Já o baixista Jack Bruce lançou o álbum Songs for a Taylor e obteve certo sucesso no ano de 1969. Finalmente, o baterista Ginger Baker se uniu a Steve Winwood (com quem já havia trabalhado no Blind Faith) e a outros músicos para seguir um estilo bem diferente do Cream/Blind Faith.

A história do Ginger Baker's Air Force começou após o último show do Blind Faith, em 24 de agosto de 1969 em Honolulu, na HIC Arena. Com o fim do concerto, Winwood terminou sua turnê e foi conversar com Baker. Steve estava querendo reviver sua antiga banda, o Traffic, e Eric Clapton havia trocado umas ideias com ele. O objetivo era seguir viagem com a dupla de  rock/soul Delaney & Bonnie. Anos depois, Clapton afirmou em entrevistas que nessa época a dupla estava com dificuldades em conseguir assinar contratos e estava necessitada de dinheiro. Apesar da tentativa de Eric, Ginger contou a Winwood suas próprias ideias de formar uma "big band" apenas para fazer algumas gigs e se divertir. De imediato, Steve e  Chris Wood (saxofonista do Traffic e colega de banda de Steve) aceitaram a proposta.

Então, em janeiro de 1970 o Mark I do Ginger Baker's Air Force havia se formado. Contava com a presença de Danny Laine (guitarras e vocais), Rick Grech (baixo e violino), Graham Bond (sax alto), Jeanette Jacobs (vocal), Phil Samen (bateria, junto com o próprio Ginger), Remi Kabaka (percussão) e Harold Mc Nair (acompanhando Chris Wood no sax alto e na flauta doce). Por fim, Steve Winwood nos vocais e teclados. Essa mistura de músicos talentosos resultou em um som de altíssima qualidade, forte e eclético ao mesmo tempo.



O primeiro show foi realizado no Birmingham Town Hall em 12 de janeiro de 1970. Três dias depois, a banda enchia o Royal Albert Hall para um concerto épico e memorável. E foi este show que deu origem ao primeiro disco do grupo, chamado Ginger Baker's Air Force, lançado em marco de 1970. O álbum abre com a música "Da Da Man", que possui um tema sensacional executado com maestria pelo sax tenor Chris Wood. É uma canção que foge do jazz fusion habitual de Herbie Hancock, por exemplo. Ele possui uma energia diferente, dá vontade de sair cantando o tema e dançar escondido na sala de casa.

A próxima, "Early in the Morning", já é mais tranquila e conta com uma flauta muito bonita. No final acaba acelerando um pouco o ritmo, mas volta à calmaria do começo. Ainda temos uma versão de "Toad", música presente no álbum Fresh Cream (1966), na antiga banda de Baker, que é sensacional. Essa versão conta com um solo de bateria de mais de 6 minutos!




Após esses shows, a banda realizaria uma pequena turnê, mas Steve Winwood e Chris Wood tinham outros projetos paralelos e deixaram o grupo. Isso fez nascer o MK II do grupo, agora com Alan White nos teclados e Colin Gibson no sax tenor. O grupo realizou uma pequena turnê pelo Reino Unido e Europa e gravou o segundo álbum, Ginger Baker's Air Force 2, em agosto de 1970, sendo produzido e gravado em estúdio desta vez. Essa formação foi trocada pela terceira e última do grupo para a realização de um show no Madison Square Garden e continuação da turnê anterior.

Com algumas viagens de Ginger Baker até a África e seu envolvimento maior com a música local, o baterista foi se apaixonando cada vez mais pelo continente e sua cultura. Em 20 de janeiro de 1971, o Ginger Baker's Air Force realizou seu último show em Sutton, Inglaterra. A partir daí Baker foi realizar seu sonho de construir um estúdio na Nigéria e tocar com os músicos locais, incluindo seu novo amigo, Fela Kuti. Toda essa mudança lhe faria bem, pois o clima era mais ameno e o deixava distante de drogas mais pesadas.

Por fim, o Air Force é uma banda com dois álbuns que fogem do convencional de Ginger Baker que estamos acostumados a ouvir no Cream ou no Blind Faith. Podemos ver o jeito agressivo e inovador de Baker, além de uma maneira mais calma de nosso ruivo explosivo. Irá agradar a todos os amantes de jazz, mas sem perder os seguidores de um bom e velho rock.


 

(por Bruno Ascari)

18 de out de 2012

O Teatro Mágico: crítica de A Sociedade do Espetáculo (2012)

quinta-feira, outubro 18, 2012
Este é o terceiro disco de um dos fenômenos musicais mais interessantes a surgirem recentemente na cena brasileira. O Teatro Mágico, como quase todos devem saber, é um grupo liderado por Fernando Anitelli e que mistura música (principalmente), dança, poesia e circo. Nascido em 2003 nos palcos alternativos de São Paulo e criando desde então uma base sólida de admiradores, o Teatro Mágico conseguiu se espalhar por todo Brasil e hoje é um dos maiores nomes do cenário musical alternativo.

É inegável e transparente o desejo de conquistar um espaço e público maior com esse lançamento. A gravação do disco ocorreu com a contratação de um produtor, algo inédito na carreira do grupo, e que foi determinante para que a banda chegasse a uma síntese sonora maior. O problema é que o fruto dessa síntese é extremamente débil. O produtor não foi capaz de salvar a banda de uma tentativa frustrada de atirar para todo os lados e ver no que dava. É exatamente essa a impressão que se tem depois de ouvir o álbum: um grupo tentando, sem conseguir, unir toda a sua parafernália ideológica em um formato sonoro e estético pop-contemporâneo.

Na apresentação que o Teatro Mágico faz deste trabalho em seu site, cita algo que de cara fica evidente ao se ouvir o disco: a influência fortíssima da sonoridade e o espírito criativo do Clube da Esquina. Se fosse somente isso, tudo estaria bem.

“Próscenio” abre caminho para a melhor música do disco, “Além, porém aqui”. Melodia interessantíssima com muitas explorações de ritmos feitas de maneira excepcional, como o que de melhor o “Clube” já havia feito. Depois desse ponto já começam os problemas.  “Amanhã … Será?”, apesar de ter um apelo pop legal, na medida, e uma letra que remete aos conflitos árabes, acaba por cair em reducionismos baratos como “o post é voz que voz libertará”, e ainda em frases ambíguas  que vão aparecer ao longo do disco, em várias músicas. Para citar um caso, nessa mesma faixa: “Amanhã … Será” / “Amanhecerá” . Humberto Gessinger já fez isso à exaustão, e depois de um tempo irrita.

Essa alternância entre momentos inspirados, outros nem tanto, e ainda alguns de nenhuma inspiração, acaba por revelar certa imaturidade musical na tentativa de serem mais versáteis. Por exemplo: “Transição” é uma composição muito bacana, mas sozinha não consegue competir com a trinca de músicas ruins que vem depois. “Eu não sei na verdade quem eu sou” é praticamente uma aula de auto-ajuda, mas com toques maiores de lirismo. “Nosso pequeno castelo” possui uma levada mais swingada que até poderia vir a calhar, mas descamba para uma pseudo-lambada de péssimo gosto e evolui para a próxima faixa, “O novo testamento”, com seu pragmatismo panfletário. O trecho final da letra diz: “Não poder se opor a dor é relevar a si, não poder se opor a dor é revelar a si, só”. Um primor de inocuidade e pretensão.

Para o final do disco estão reservados alguns ótimos momentos, que encerram o trabalho mostrando alguma esperança, a começar por “Folia no quarto”, com uma melodia muito bem construída e uma letra impecável. O único exemplo de uma balada bonita deste disco, sem cair nos arranjos canastrões que marcam firme presença em outras faixas, como em “Você me bagunça”, essa figurando como uma bela amostra de como o Teatro Mágico pode soar piegas  quando quer.

Depois de já estar quase entregando os pontos, fecham o CD com duas ótimas canções: “Esse mundo não vale o mundo” e “Canção da terra”, uma clara e interessante defesa de opinião e demonstração de apoio aos movimentos de luta pela terra.

É preciso ressaltar a importância que o Teatro Mágico tem no cenário atual, sendo uma banda que optou corretamente por brigar pelo espaço no mainstrean e mostrar um universo musical diferente do dominante para toda uma geração de jovens em idade de entender de música. Se nivelarmos por baixo, veremos que o Teatro Mágico está muito acima da média se comparado às bandas que hoje ditam os parâmetros do que é música popular no Brasil. O grupo de Anitelli faz discussões sobre temas interessantes e tem um bom discurso. Mas se nivelarmos por cima, podemos enxergar que o Teatro Mágico não apresentou nada de artisticamente relevante e consistente que já não tivesse sido explorado anteriormente, em nenhum de seus aspectos (o circo, o teatro, a poesia e a música). Ninguém vai conseguir reinventar a roda, sem que essa tentativa soe fraudulenta aos menos incautos.

Nota: 6,5


Faixas:
Proscênio
Além, porém aqui
Amanhã ... Será?
Quermesse
Da entrega
Transição
Eu não sei na verdade quem eu sou
Nosso pequeno castelo
O novo testamento
Fiz uma canção pra ela
Felicidade
O que se perde enquanto os olhos piscam
Tática e estratégia
Folia no quarto
Nas margens de mim
Você me bagunça
Esse mundo não vale o mundo
Canção da terra
Até quando

(por Angelo Borba da Silva, do blog Ensaios Dissonantes)

Discografia do The Who relançada em caixa com 14 LPs

quinta-feira, outubro 18, 2012
Chegará às lojas em 19 de novembro o box The Studio Albums, contendo todos os 11 discos de estúdio lançados pelo The Who em sua carreira. Os títulos virão em novas edição em 14 vinis de 180 gramas - Tommy, Quadrophenia e Endless Wire são duplos.

Todos os álbuns foram remasterizados nos estúdios Close to the Edge e Metropolis por Jon Astley e Miles Showell, que trabalham com a banda há décadas. Além disso, as artes originais das capas foram reproduzidas e, pra fechar com chave de ouro, os pôsteres que acompanhavam as edições originais de The Who Sell Out e Face Dances foram incluídos no pacote.

Fazem parte da caixa The Studio Albums os títulos My Generation (1965), A Quick One (1966), The Who Sell Out (1967), Tommy (duplo, 1969), Who’s Next (1971), Quadrophenia (duplo, 1973), The Who by Numbers (1975), Who Are You (1978), Face Dances (1981), It’s Hard (1982) e Endless Wire (duplo, 2006).

The Killers: crítica de Battle Born (2012)

quinta-feira, outubro 18, 2012
Após dez anos de sua formação, a banda norte americana The Killers retorna com seu quarto disco, Battle Born, mostrando o porque de serem considerados um dos melhores e mais influentes nomes surgidos no século XXI.

Não seria correto usar o clichê de dizer que o grupo voltou mais maduro, pois o lançamento anterior, Day & Age (2008), já trazia essa característica na banda de Brandon Flowers (vocais e sintetizadores), Dave Keuning (guitarra), Ronnie Vannucci (bateria) e Mark Stoermer (baixo). O quarteto passou por um hiato após o término da turnê do álbum citado e a pausa parece ter surtido efeito, pois a música do Killers está soando moderna e honesta, sem perder a pegada pop que os consagrou no começo da década passada com hits como “Somebody Told Me” e “Mr. Brightside”, ambas presentes do debut Hot Fuss (2004).

Sabe-se que o entendimento entre os músicos passa longe do ideal, já que Flowers e Vannucci têm constantes conflitos de egos, mas, ao que parece, as diferenças foram postas de lado e a banda conseguiu produzir um excelente disco, com potencial para entrar na lista de melhores do ano, fácil.

O álbum abre com a tríade “Flesh and Bone”, “Runaways” e “The Way It Was”, sendo a primeira uma ótima escolha para abrir o disco, pois inicia com teclados seguidos pelo vocal apurado de Brandon e vai ganhando forma até chegar num refrão em coro, com alterações no andamento no decorrer da música. A segunda é uma das melhores canções do ano, foi lançada como primeiro single e possui as já tradicionais camadas sonoras emoldurando a composição. Com boa letra, é uma canção pop perfeita, com ótima melodia e refrão poderoso, funcionando tanto nas pistas de dança como no seu playlist rotineiro. A terceira tem uma letra melancólica e as linhas vocais transmitem bem isso. Nesta, o andamento é mais calcado nas guitarras, baixo e bateria, dando maior espaço para os sintetizadores somente no refrão. As três músicas tem grande potencial radiofônico e cheiram a hits.

O play segue com uma balada romântica bem encaixada chamada “Here With Me”, com um refrão de belas palavras: “don’t want your picture on my cell phone / I want you here with me”. Sem cair para um lado piegas, a melodia consegue transmitir com suavidade e doçura que letra pede. “A Matter of Time” retorna o clima de rock de arena, onde é possível imaginar o público num desses festivais com apresentações no fim de tarde, batendo palmas e cantando o refrão a plenos pulmões junto com a banda. O pop volta com tudo em “Deadlines and Commitments”, abusando dos sintetizadores e com um andamento mais arrastado. A canção poderia facilmente estar num disco do Duran Duran, por exemplo. Aqui vale um destaque para os vocais de Brandon, que soam impecáveis na gravação. Ao que parece ele se encontrou como cantor. Aguardemos pra ver se conseguirá manter essa performance ao vivo.

É impossível não relacionar o título de “Miss Atomic Bomb” a “Mr. Brightside”. Nesta, a senhora bomba atômica remete a um clima de andanças de carro numa noite qualquer, refletindo sobre os problemas e soluções da vida num clima nostálgico. “The Rising Tide” mantém o clima da canção anterior, porém com maior destaque para as guitarras, rolando inclusive um solo de Dave Keuning, dando maior peso à música. “Heart of a Girl” é outra balada romântica, que inicia com Flowers cantando quase à capela, com um leve acompanhamento da guitarra e segue como uma canção que a ala feminina de fãs do The Killers certamente irá curtir bastante.

Há uma mudança na linha das canções com “From Here On Out”, outra das melhores do disco, com um andamento rápido, resvalando em influências country e folk, com ótimo acompanhamento das guitarras e sintetizadores. Uma bela canção pop. Voltando a quebrar um pouco o ritmo vem “Be Still”, outra faixa melancólica e romântica, com maior destaque para o tema de teclado sobre a voz de Brandon e ainda uma bateria eletrônica, dando um ar anos noventa à canção.

O álbum encerra com a faixa título, “Battle Born” que é outro ponto alto do disco e traz na letra um discurso sobre as dificuldades do mundo atual e como temos de superá-las. Poderia ser uma letra de Bruce Springsteen. Aqui surge um pouco de tudo condensado na canção, trechos cantados de forma suave, outros em coro, camadas sonoras, alternando destaque com a guitarra. Trata-se de mais uma faixa que certamente terá grande destaque nos shows.

A edição Deluxe do álbum traz ainda as faixas “Carry Me Home”, uma versão alternativa de “Flesh and Bone” e “Prize Fighter”, todas com um clima de música pop para pista de dança, sem exageros, divertidas e contagiantes.

Senhoras e senhores, o The Killers está de volta com tudo que se espera de um excelente disco pop: grandes canções, boas letras, banda entrosada, tocando músicas agradáveis para ouvir praticamente em qualquer momento do seu dia a dia. Goste ou não, o Killers é uma das bandas mais importantes surgidas no novo século, com lançamentos que vêm mantendo uma regularidade imensa e se mantendo popular, sem perder sua a essência.

Um dos melhores lançamentos do ano até aqui.

Nota: 8



Faixas:Flesh and Bone
Runaways
The Way It Is
Here With Me
A Matter of Time
Deadlines and Commitments
Miss Atomic Bomb
The Rising Tide
Heart of a Girl
From Here On Out
Be Still
Battle Born

(por David Oaski, do blog Ideologia Rock)

17 de out de 2012

Novidades sobre a gravação do novo álbum do Black Sabbath

quarta-feira, outubro 17, 2012
Quando anunciou o retorno da formação original, em 11 de novembro do ano passado, o Black Sabbath informou também que gravaria um novo álbum com canções inéditas, produzido por Rick Rubin. Porém, logo em seguida o guitarrista Tony Iommi foi diagnosticado com câncer e a banda precisou rever a sua agenda. Os problemas com o baterista Bill Ward também jogaram mais água fria na fogueira, e tudo ficou meio em segundo plano.

O grupo fez dois shows este ano com a formação Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Tommy Clufetos, substituto de Ward e baterista da banda solo de Ozzy. As apresentações em Birmingham e em Chicago, essa última no festival Lollapalooza, foram saudadas como uma nova visita de uma espécie de Messias pelos fãs. Aparentemente Iommi está bem e vencendo o câncer, e a banda retomou os planos originais.

Conforme informações do site Metal Infection - leia a matéria original em inglês aqui -, o Black Sabbath está gravando o seu novo disco no Shangri La Studios, em Malibu. O processo já está avançado, e a banda está atualmente registrando os vocais.

Segundo Geezer Butler, o grupo escreveu 15 músicas, mas apenas 12 farão parte do aguardado novo disco. As três restantes serão utilizadas em edições especiais. Ao que parece, Tony Iommi já finalizou o seu trabalho, gravando todas as partes de guitarra no início do ano na Inglaterra. A bateria já teria sido gravada também, mas não há informação sobre quem ficou responsável pelo instrumento, se Ward ou Clufetos. Todas as letras foram escritas por Butler, e Ozzy e Geezer estão dando os retoques finais em cinco composições. Até o momento apenas uma faixa tem título definido, e se chamará “God is Dead”.

Não há data definida ainda para o lançamento do novo álbum do Black Sabbath, nem pistas sobre o seu possível título. Assim que novas informações surgirem, postaremos aqui.

Assista “Twisted Road”, o novo clipe de Neil Young

quarta-feira, outubro 17, 2012
Neil Young divulgou mais um clipe de seu novo disco, Psychedelic Pill. A faixa “Twisted Road”, cuja letra fala das memórias musicais de Neil, recebeu um vídeo que mostra cenas de ícones como Bob Dylan, Roy Orbison e Grateful Dead, além de diversas imagens do lendário Pocahontas, ônibus personalizado com o qual Young fez várias turnês pelos Estados Unidos durante a década de 1970.

Psychedelic Pill chegará às lojas dia 30 de outubro em CD duplo e LP triplo, e é o segundo álbum lançado pelo músico esse ano - Americana, o anterior, saiu no primeiro semestre.

Assista o clipe de “Twisted Road” abaixo:

Alcatrazz: crítica de No Parole from Rock ‘n’ Roll (1983)

quarta-feira, outubro 17, 2012
Certos discos possuem mais valor histórico do que qualquer outra coisa. É o caso de No Parole from Rock ‘n’ Roll, debut do Alcatrazz, lançado em 15 de outubro de 1983. Um dos primeiros álbuns a contar com a guitarra de Yngwie Malmsteen, que nos anos seguintes seria considerado um dos maiores nomes do instrumento, a estreia do Alcatrazz volta às lojas brasileiras em um relançamento da ST2.

Musicalmente, de modo geral o que temos em No Parole from Rock ‘n’ Roll é uma espécie de Rainbow genérico. A principal influência de Malmsteen sempre foi Ritchie Blackmore, e isso fica evidente no registro, que tem a maioria das faixas compostas por Yngwie. Soma-se isso ao fato de que Graham Bonnet, o vocalista e líder do Alcatrazz, passou pelo Rainbow no álbum Down to Earth (1979), e este sentimento fica ainda mais forte. Completavam a formação do Alcatrazz na época o tecladista Jimmy Waldo, o baixista Gary Shea e o baterista Jan Uvena.

Há alguns destaques, como “Island in the Sun”, “Too Young to Die, Too Drink to Live” e “Big Foot”, mas tudo é muito abaixo do que não apenas Malmsteen produziria dos anos seguintes, mas também do que de melhor tanto o hard rock quanto o heavy metal geraram durante a década de 1980. Mesmo assim, o álbum ficou durante sete semanas nas paradas da Billboard e foi um sucesso de vendas, principalmente no Japão.

A edição lançada pela ST2 vem com dez faixas extras, na verdade as versões demo instrumentais das músicas originais. Nelas, fica ainda mais evidente a principal qualidade de No Parole from Rock ‘n’ Roll: a guitarra de Yngwie Malmsteen. Seus solos mostram a técnica que ele desenvolveria nos próximos anos, mas sem os exageros muitas vezes desnecessários cometidos pelo sueco. Um ponto negativo dessa reedição é o pobríssimo encarte, com apenas uma página e poucas informações.

Ainda que tenha os seus admiradores, No Parole from Rock ‘n’ Roll é um disco fraco e que vale muito mais por levar o talento de Malmsteen para o mundo do que qualquer outra coisa. Se você é fã do guitarrista sueco, trata-se de um item obrigatório em sua coleção. Caso não seja, vale mais como curiosidade do que pela música propriamente dita.

Nota: 6





Faixas:
1. Island in the Sun
2. General Hospital
3. Jet to Jet
4. Hiroshima Mon Amour
5. Kree Nakoorie
6. Incubus
7. Too Young to Die, Too Drunk to Live
8. Big Foot
9. Starcarr Lane
10. Suffer Me

Bonus Tracks: Original Instrumental Demo Sessions
11. Kree Nakoorie
12. Starcarr Lane
13. Island In The Sun
14. Big Foot
15. Hiroshima Mon Amour
16. General Hospital
17. Incubus
18. Suffer Me
19. Too Young To Die, Too Drunk To Live
20. Jet To Jet

Os discos e bandas de rock que mais venderam em todos os tempos

quarta-feira, outubro 17, 2012
Dando sequência ao post de ontem, que falava sobre os 100 álbuns de rock mais vendidos em todos os tempos nos Estados Unidos, fui mais fundo em minha pesquisa e resolvi investigar quais são as bandas, artistas e discos de rock mais vendidos em todo o mundo, desde o início em que esses números começaram a ser medidos.

Fazer isso, no entanto, é uma tarefa bastante complicada. É difícil encontrar fontes de informação a respeito, e elas são divergentes. Há, de modo geral, duas linhas de raciocínio. Uma fala nos números estimados de vendas, mas sem comprovação por órgãos que medem esse tipo de dado, enquanto outra é baseada apenas nos números certificados e comprovados pelos órgãos que fazem esse tipo de averiguação. E o que é pior: entre essas duas linhas de raciocínio, a diferença de resultados é gritante.

Vale aqui a mesma metodologia de sempre: estão na lista apenas discos com gravações originais, nada de coletâneas, álbuns ao vivo e acústicos.

Duas curiosidades:

- o disco mais vendido do mundo continua sendo Thriller, de Michael Jackson. Estima-se que seriam entre 65 e 110 milhões de cópias, mas, certificadas e comprovadas pelos institutos que medem esses números, Thriller vendeu, comprovadamente, 42,1 milhões de cópias


- o disco mais vendido dos Eagles é a coletânea Their Greatest Hits (1971-1975), lançada em 1976 e que está comprovadamente na casa de aproximadamente 31,6 milhões de pessoas. Como deixamos claro, não computamos compilações nessa lista, e por isso ele não consta aqui.

Vamos então aos 10 discos de rock mais vendidos de todos os tempos em todo o mundo, com números certificados e comprovados pelos órgãos de averiguação:

1. Led Zeppelin - Led Zeppelin IV (1971) - 28,9 milhões de cópias
2. Fleetwood Mac - Rumours (1977) - 26,5 milhões
3. AC/DC - Back in Black (1980) - 25,3 milhões
4. Pink Floyd - The Dark Side of the Moon (1973) - 22,4 milhões
5. Meat Loaf - Bat Out of Hell (1977) - 20,1 milhões
6. Bruce Springsteen - Born in the USA (1984) - 19,6 milhões
7. Metallica - Metallica (1991) - 18,9 milhões
8. Pink Floyd - The Wall (1979) - 17,9 milhões
9. Dire Straits - Brothers in Arms (1985) - 17,4 milhões
10. Nirvana - Nevermind (1991) - 15,6 milhões

 

Agora, o top 10 (como vários títulos empataram, temos 12 discos na lista) com os álbuns de rock mais vendidos em todo o mundo, com os números estimados mas sem a comprovação dos órgãos de averiguação:

1. AC/DC - Back in Black (1980) - 50 milhões de cópias
2. Pink Floyd - The Dark Side of the Moon (1973) - 50 milhões
3. Meat Loaf - Bat Out of Hell (1977) - 43 milhões
3. Fleetwood Mac - Rumours (1977) - 40 milhões
4. Led Zeppelin - Led Zeppelin IV (1971) - 37 milhões
5. The Beatles - Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967) - 32 milhões
6. The Beatles - Abbey Road (1969) - 30 milhões
7. Bruce Springsteen - Born in the USA (1984) - 30 milhões
8. Dire Straits - Brothers in Arms (1985) - 30 milhões
9. Iron Butterfly - In-A-Gadda-Da-Vida (1968) - 30 milhões
10. Metallica - Metallica (1991) - 30 milhões
11. Pink Floyd - The Wall (1979) -  30 milhões
12. Nirvana - Nevermind (1991) - 30 milhões


Para deixar a lista mais completa, fui atrás também dos 50 artistas e bandas de rock que mais venderam em todos os tempos. De novo, há duas linhas de raciocínio: a com números comprovados e a com os números estimados.

Começamos com os artistas e bandas de rock que mais venderam discos em todos os tempos, com números comprovados pelos institutos de averiguação:

1. The Beatles - 250 milhões
2. Elvis Presley - 203,3 milhões
3. Led Zeppelin - 134,1 milhões
4. Eagles - 123,9 milhões
5. Pink Floyd - 110,2 milhões
6. AC/DC - 99,7 milhões
7. U2 - 98,2 milhões
8. Billy Joel - 97,7 milhões
9. Bruce Springsteen - 92,7 milhões
10. Queen - 90,5 milhões
11. The Rolling Stones - 89,5 milhões
12. Metallica - 81,6 milhões
13. Aerosmith - 79,1 milhões
14. Fleetwood Mac - 70,3 milhões
15. Bon Jovi - 64,2 milhões
16. Van Halen - 62,9 milhões
17. Guns N’ Roses - 61,8 milhões
18. Santana - 59,6 milhões
19. Journey - 54,6 milhões
20. Red Hot Chili Peppers - 48,8 milhões
21. Foreigner - 45,2 milhões
22. Bob Seger - 44,1 milhões

23. The Doors - 43,7 milhões
24. Linkin Park - 41.3 milhões
25. Coldplay - 41 milhões
26. Def Leppard - 40,9 milhões
27. Dire Straits - 40,8 milhões
28. Green Day - 40,7 milhões
29. Bob Dylan - 40,1 milhões
30. R.E.M. - 39,6 milhões
31. Nirvana - 39,2 milhões
32. Pearl Jam - 39,1 milhões
33. Meat Loaf - 38,1 milhões
34. The Police - 35,4 milhões
35. Nickelback - 31,3 milhões
36. Tom Petty - 30,9 milhões
37. Oasis - 28,8 milhões
38. The Beach Boys - 27,7 milhões
39. Kiss - 26,7 milhões
40. Mötley Crüe - 26,3 milhões
41. Johnny Cash - 25,9 milhões
42. The Monkees - 23,9 milhões
43. The Who - 23,2 milhões
44. Paul McCartney - 22,2 milhões
45. David Bowie - 22,4 milhões
46. Electric Light Orchestra - 19,8 milhões
47. Scorpions - 18,7 milhões
48. Black Sabbath - 16,3 milhões
49. Iron Maiden - 15,5 milhões
50. Jethro Tull - 12,5 milhões


Agora os artistas e bandas de rock que mais venderam discos em todos os tempos, com números estimados mas não comprovados pelos institutos de averiguação:

1. The Beatles - 1 bilhão e 600 milhões
2. Elvis Presley - 1 bilhão e 600 milhões
3. Led Zeppelin - 300 milhões
4. Queen - 300 milhões
5. Pink Floyd - 250 milhões
6. AC/DC - 200 milhões
7. The Rolling Stones - 200 milhões
8. U2 - 150 milhões
9. Billy Joel - 150 milhões
10. Aerosmith - 150 milhões
11. David Bowie - 140 milhões
12. Bon Jovi - 130 milhões
13. Eagles - 120 milhões
14. Bruce Springsteen - 120 milhões
15. Dire Straits - 120 milhões
16. Metallica - 100 milhões
17. Fleetwood Mac - 100 milhões
18. Guns N’ Roses - 100 milhões
19. Kiss - 100 milhões
20. The Who - 100 milhões
21. Paul McCartney - 100 milhões
22. Scorpions - 100 milhões
23. Santana - 90 milhões
24. R.E.M. - 85 milhões
25. Van Halen - 80 milhões
26. The Doors - 80 milhões
27. Journey - 75 milhões
28. Nirvana - 75 milhões
29. Red Hot Chili Peppers - 70 milhões
30. Foreigner - 70 milhões
31. Bob Dylan - 70 milhões
32. Meat Loaf - 70 milhões
33. Iron Maiden - 70 milhões
34. Def Leppard - 65 milhões
35. Green Day - 65 milhões
36. The Beach Boys - 65 milhões
37. Pearl Jam - 60 milhões
38. Tom Petty - 60 milhões
39. Jethro Tull - 60 milhões
40. Bob Seger - 51 milhões
41. Linkin Park - 50 milhões
42. Coldplay - 50 milhões
43. The Police - 50 milhões
44. Nickelback - 50 milhões
45. Oasis - 50 milhões
46. Mötley Crüe - 50 milhões
47. Johnny Cash - 50 milhões
48. The Monkees - 50 milhões
49. Electric Light Orchestra - 50 milhões
50. Alice Cooper - 50 milhões


Como ficou claro, a discrepância entre uma linha de pensamento e outra é bastante grande. Devo deixar claro que essas quatro listas não são baseadas em dados subjetivos, mas sim nas informações disponibilizadas e divulgadas pelos órgãos de pesquisa. Nomes como os Beatles, por exemplo, tem muito dos seus números de vendas vindos das clássicas coletâneas vermelha e azul, e da compilação 1, além dos singles. O mesmo vale para Elvis Presley, que tem a grosso dos seus números vindos de compilações e singles.


Um levantamento desses vale para entendermos o que significam, para a indústria musical, alguns dos nossos maiores ídolos. É interessante também para colocar em pratos limpos, em números claros e frios - ainda que vindos de duas linhas de raciocínio diferentes -, o tamanho real, em vendas de discos, de alguns dos maiores nomes da história do rock. Certamente tem grupos aí no meio que muita gente imaginava que teriam vendido muito mais do que venderam, assim como artistas que surpreendem pelos números apresentados.

Espero que vocês curtam a matéria, e que ela seja útil para um bom papo de bar, ao menos :-)

16 de out de 2012

Rock in Rio anuncia Bruce Springsteen, Metallica e Iron Maiden para a edição 2013 do festival

terça-feira, outubro 16, 2012
Em entrevista coletiva realizada agora a pouco no Rio de Janeiro, aos pés do Cristo Redentor, a organização do Rock in Rio anunciou que Bruce Springsteen, Metallica e Iron Maiden tocarão na edição 2013 do festival.

Bruce Springsteen virá pela segunda vez ao Brasil - a primeira apresentação foi em 1988, na turnê da Anistia Internacional -, em um show que é aguardado com enorme expectativa pelos fãs. O músico norte-americano atravessa uma ótima fase em sua carreira, lançando excelentes discos nos últimos anos. Wrecking Ball, o mais recente álbum de Bruce, foi apontado por diversas publicações de todo o mundo como um dos melhores lançamentos do ano. O show de Springsteen será em 13/09, primeiro dia do Rock in Rio 2013, conforme anúncio no site do músico.

O Metallica tocou na última edição do festival, em 2011, e foi um dos shows mais aclamados. A banda retornará ao Brasil talvez com um novo álbum embaixo do braço, já que está em estúdio trabalhando em seu novo disco. O show do Metallica será no dia 19 de setembro. O show do Metallica será no dia 19 de setembro, conforme anúncio publicado no site oficial da banda.

Já o Iron Maiden tocará pela terceira vez no Rock in Rio. A lendária banda inglesa se apresentou na primeira edição do festival, em 1985, e também na terceira edição, em 2001, marcando o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith. O grupo foi de costa a costa nos Estados Unidos este ano com a turnê Maiden England, batendo recordes de público e levando excursão ao posto de terceira tour mais lucrativa do primeiro semestre. O Iron Maiden deve trazer essa turnê para o Rock in Rio, já que até a realização do festival não terá um álbum novo para divulgar. O show do Maiden será no dia 22 de setembro. O show do Maiden será no dia 22 de setembro, conforme mensagem postada no Facebook oficial do grupo.

O que chama a atenção neste anúncio é que tanto Metallica quanto Iron Maiden fecharão as noites em que tocarão. Ou seja, o Rock in Rio 2013 terá dois dias dedicados ao heavy metal, um prêmio para os fãs do estilo, responsável por alguns dos maiores públicos da história do evento.

O Rock in Rio 2013 acontecerá durante sete dias, nas datas de 13, 14 e 15 e 19, 20, 21 e 22 de setembro. Os ingressos começarão a ser vendidos em 30 de outubro, ao preço de R$ 260 (inteira) e R$ 130 (meia-entrada). Maiores informações pode ser encontradas no site oficial.

Mais atrações deverão ser anunciadas nos próximos dias. O sempre atento jornalista José Norberto Flesh, do Jornal Destak, revelou que a organização do festival está negociando com AC/DC, Adele, Beyoncé e Radiohead. Vale mencionar também que Roberto Medina, o criador e dono da marca Rock in Rio, tem um novo sócio agora, o bilionário Eike Batista, o que significa um considerável aumento no poder financeiro do festival.

Mais informações nas próximas semanas.

Disco solo de Geoff Tate será lançado no Brasil pela Hellion Records

terça-feira, outubro 16, 2012
Boa notícia: Kings & Thieves, álbum solo de Geoff Tate, ex-vocalista do Queensryche, será lançado no Brasil pela Hellion Records. O disco tem data de lançamento marcada para o dia 29/10 no mercado norte-americano e desembarcará nas lojas brasileiras na segunda quinzena de novembro.

Kings & Thieves é o segundo trabalho solo de Tate. O primeiro, batizado apenas com o nome do vocalista, saiu em 2002. Kings & Thieves marca um novo começo para o músico, pois é primeiro álbum de Geoff desde que saiu do Queensryche, banda que liderou por quase três décadas.

O disco tem 11 faixas e quase 1 hora de duração. Ao lado de Tate estão Kelly Gray (guitarra, também ex-Queensryche), Randy Gane (teclado), Chris Zukas (baixo), Gregg Gilmore (bateria), Emily Tate (backing vocals) e Jason Ames (backing vocals). A produção ficou a cargo do próprio Geoff Tate, com Kelly Gray sendo o responsável pela mixagem.

As faixas já liberadas para audição mostram uma sonoridade mais voltada para o classic rock, em um caminho diferente do que Tate vinha seguindo no Queensryche, que tradicionalmente sempre possuiu um som mais elaborado e grandioso.

Kings & Thieves é mais um grande lançamento da Hellion Records no mercado brasileiro.

Os 100 discos de rock mais vendidos de todos os tempos nos Estados Unidos

terça-feira, outubro 16, 2012
Baseado nos dados da RIAA - Recording Industry Association of America, instituto que coleta os números sobre a venda no maior mercado musical do mundo, os Estados Unidos, listei abaixo os 100 álbuns de rock mais vendidos de todos os tempos.

Algumas observações: a força e o impacto do mercado fonográfico norte-americano são fundamentais na carreira de qualquer artista. Ao estourar nos Estados Unidos, consequentemente estoura-se em todo o mundo. Ou seja, os dados da RIAA, apesar de focados no mercado americano, refletem as tendências de todo o planeta, e são comumente utilizados como parâmetro para esse tipo de lista.

Coletâneas, trilhas sonoras, discos ao vivo e acústicos não entraram, apenas gravações originais. E, por “rock”, entenda-se qualquer gênero que contenha em suas características elementos do estilo, indo, portanto, desde o hard de nomes como Led Zeppelin até o pop de grupos como Beatles, passando pelo caminho por bandas como Limp Bizkit e Nickelback.

Para quem quiser saber mais sobre os discos mais vendidos sobre o assunto, vale a pena uma visita demorada ao site da RIAA.

Confira abaixo quais são os 100 discos de rock mais vendidos de todos os tempos:

1. Pink Floyd - The Wall (1979)
2. Led Zeppelin - Led Zeppelin IV (1971)
3. AC/DC - Back in Black (1980)
4. The Beatles - The Beatles (1968)
5. Fleetwood Mac - Rumours (1977)
6. Guns N’ Roses - Appetite for Destruction (1987)
7. Boston - Boston (1976)
8. Hootie & The Blowfish - Cracked Rear View (1994)
9. Eagles - Hotel California (1976)
10. Led Zeppelin - Physical Graffiti (975)
11. Santana - Supernatural (1999)
12. Metallica - Metallica (1991)
13. Bruce Springsteen - Born in the USA (1984)
14. Pink Floyd - The Dark Side of the Moon (1973)
15. Meat Loaf - Bat Out of Hell (1977)
16. Pearl Jam - Ten (1991)
17. Def Leppard - Hysteria (1987)
18. Bon Jovi - Slippery When Wet (1986)
19. Led Zeppelin - Led Zeppelin II (1969)
20. The Beatles - Abbey Road (1969)
21. Matchbox Twenty - Yourself or Someone Like You (1996)
22. Led Zeppelin - Houses of the Holy (1973)
23. The Beatles - Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967)
24. Creed - Human Clay (1999)
25. Green Day - Dookie (1994)
26. The Smashing Pumpkins - Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995)
27. Billy Joel - The Stranger (1977)
28. Def Leppard - Pyromania (1983)
29. Linkin Park - Hybrid Theory (2000)
30. Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)
31. Van Halen - 1984 (1984)
32. Van Halen - Van Halen (1978)
33. Nirvana - Nevermind (1991)
34. U2 - The Joshua Tree (1987)
35. Elvis Presley - Elvis’ Christmas Album (1957)
36. ZZ Top - Eliminator (1983)
37. Dire Straits - Brothers in Arms (1985)
38. REO Speedwagon - Hi Infidelity (1980)
39. Journey - Escape (1981)
40. Stone Temple Pilots - Core (1992)
41. Aerosmith - Toys in the Attic (1975)
42. The Police - Synchronicity (1983)
43. U2 - Achtung Baby (1991)
44. Metallica - ... And Justice for All (1988)
45. Nickelback - All the Right Reasons (2005)
46. Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)
47. Live - Throwing Copper (1994)
48. Whitesnake - Whitesnake (1987)
49. Red Hot Chili Peppers - Blood Sugar Sex Magik (1991)
50. Limp Bizkit - Significant Other (1999)
51. Huey Lewis & The News - Sports (1983)
52. Elton John - Goodbye Yellow Brick Road (1973)
53. Billy Joel - 52nd Street (1978)
54. Billy Joel - Glass Houses (1980)
55. Billy Joel - An Innocent Man (1983)
56. Dave Matthews Band - Crash (1996)
57. Pearl Jam - Vs. (1993)
58. Eagles - Long Road Out of Eden (2007)
59. Eagles - The long Run (1979)
60. Evanescence - Fallen (2003)
61. Foreigner - Double Vision (1978)
62. Counting Crows - August & Everything After (1993)
63. Crosby, Stills, Nash & Young - Déjà Vu (1970)
64. Bon Jovi - New Jersey (1988)
65. Boston - Don’t Look Back (1978)
66. Aerosmith - Get a Grip (1993)
67. Aerosmith - Pump (1989)
68. Guns N’ Roses - Use Your Illusion I (1991)
69. AC/DC - Highway to Hell (1979)
70. Guns N’ Roses - Use Your Illusion II (1991)
71. The Cars - The Cars (1978)
72. AC/DC - Dirty Deeds Done Dirt Cheap (1976)
73. Third Eye Blind - Third Eye Blind (1997)
74. Dave Matthews Band - Under the Table and Dreaming (1994)
75. The Beatles - Rubber Soul (1965)
76. Quiet Riot - Metal Health (1983)
77. 3 Doors Down - The Better Life (2000)
78. Nickelback - Silver Side Up (2001)
79. Van Halen - 5150 (1986)
80. The Offspring - Smash (1994)
81. Bob Seger & The Silver Bullet Band - Night Moves (1976)
82. Bob Seger & The Silver Bullet Band - Stranger in Town (1978)
83. Bush - Sixteen Stone (1994)
84. Mötley Crüe - Dr. Feelgood (1989)
85. The Beatles - Magical Mystery Tour (1967)
86. The Rolling Stones - Some Girls (1978)
87. Pink Floyd - Wish You Were Here (1975)
88. Blues Traveler - Four (1994)

89. Foreigner - 4 (1981)
90. Stone Temple Pilots - Purple (1994)
91. Journey - Frontiers (1983)
92. Bruce Spingsteen - Born to Run (1975)
93. INXS - Kick (1987)
94. George Harrison - All Things Must Pass (1970)
95. Led Zeppelin - In Through the Out Door (1979)
96. Led Zeppelin - Led Zeppelin III (1970)
97. Metallica - Master of Puppets (1986)
98. Creed - Weathered (2001)
99. Creed - My Own Prison (1997)
100. Limp Bizkit - Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water (2000)

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