8 de dez de 2012

Iron Maiden e Avenged Sevenfold: você é um fã de música ou um extremista acéfalo e radical?

sábado, dezembro 08, 2012
“Na boa, tô torcendo pra dar merda e sair é morte nessa bagaça pra ver se a galera do Rock in Rio aprende a organizar evento”.

O comentário acima, apesar de não parecer, foi feito por um (até segunda ordem, diga-se de passagem) ser humano em um post da página da Collectors Room no Facebook. O motivo para isso é o fato de a organização do Rock in Rio anunciar que a banda norte-americana Avenged Sevenfold abrirá o show do Iron Maiden na edição 2013 do festival. Ou seja, um motivo fútil, irrelevante, mas que leva uma pessoa a desejar que outros como ela, que irão a um evento apenas para assistir e curtir as suas bandas favoritas ao vivo, percam a própria vida porque, no modo deturpado de ver as coisas do imbecil autor da frase, “se não for o que eu gosto, que morra!”.

Desde que foi anunciado que o Avenged Sevenfold abrirá para o Iron Maiden, uma enxurrada de comentários negativos tomou conta das redes sociais. Não vou entrar na discussão se uma banda é melhor ou pior que a outra, e esse não é o objetivo deste post. O que eu quero deixar claro aqui é que incentivar e propagar o ódio entre os fãs dos dois grupos é uma babaquice tremenda, e que pode gerar frutos bem indesejáveis, como o confronto (totalmente desnecessário, frisa-se isso) entre pessoas que estarão no festival pelo mesmo motivo: diversão e ver os seus ídolos de perto.

Espero, sinceramente, que os fãs de heavy metal brasileiros de maneira geral, e os do Iron Maiden de modo particular, que sempre se orgulharam do seu comportamento civilizado, respeitem quem for ao Rock in Rio assistir o Avenged Sevenfold, afinal, todos pagarão ingressos e são iguais uns aos outros. Ninguém é melhor porque gosta de uma banda ou artista, e vice-versa. Qualquer outro comportamento que não seja esse será inadmissível.

A propósito: os músicos do Avenged Sevenfold são fãs do Maiden, e o Iron Maiden já teve shows abertos pelo Avenged. Ou seja, a relação entre as bandas é boa.

Todo fã é um idiota? A julgar por comentários como o que inicia este texto, sim.

Pra fechar, o seguinte: sempre incentivamos o livre convívio entre os mais variados artistas e estilos aqui na Collectors Room. Cobrimos com mais profundidada o mundo do rock e do heavy metal, mas você sempre lerá sobre outros gêneros aqui no site. A música é maravilhosa demais para se limitar a um estilo específico. O mesmo vale para essas supostas “guerras santas” entre fãs de bandas clássicas contra admiradores de grupos mais novos, muitas vezes motivadas pelo figurino e visual dos músicos e fãs e por opiniões de terceiros do que pelo conhecimento da obra daquele artista alvo das críticas.

Tanto para os fãs do Iron Maiden quanto para os do Avenged Sevenfold, desejo convivência pacífica e respeito mútuo. Para selar isso, abram uma cerveja e ouçam a música abaixo:

As Novas Caras do Metal - Parte 14: aumente o volume e jogue as suas mãos para o alto, brother!

sábado, dezembro 08, 2012
Nova edição feira sob medida pra quem adora conhecer novas bandas. Separamos 10 novos nomes que estão fazendo bonito no metal atual, procurando fugir do comum e alcançando ótimos resultados. 

Com essa 14ª parte, contabilizamos nada mais nada menos que 140 bandas compiladas no especial As Novas Caras do Metal, o que comprova a infinita efervescência e renovação do gênero. Para ler todas as edições já publicadas, clique aqui.

E para degustar essa nova edição, basta colocar o volume no máximo! 

Royal Thunder 

Quarteto norte-americano vindo de Atlanta, o Royal Thunder estreou em 2012 com o elogiado CVI, após colocar no mercado um EP auto-intitulado em 2010. O som é um stoner banhado com muitos elementos psicodélicos. A figura central do grupo é a bela vocalista e baixista Mlny Parsonz, que imprime uma identidade única para a banda com a sua voz agressiva e cheia de pegada. Sonzeira pra ouvir no volume máximo! 



The HAARP Machine 

Esta banda formada em Londres em 2007 lançou a sua elogiada estreia apenas este ano. Disclosure é um álbum surpreendentemente maduro para um debut. Com uma sonoridade intrincada criada a partir de ritmos complexos, o The HAARP Machine executa um prog metal extremamente atual, com boas melodias, grande trabalho instrumental e alguns flertes com o lado mais agressivo do metal proporcionados pelo uso de vocais guturais em certas passagens. 



Rolo Tomassi 

Outra banda inglesa, só que desta vez natural de Sheffield. O Rolo Tomassi já gravou três discos - Hysterics (2008), Cosmology (2010) e Astraea (2012) -, e todos eles trazem uma mistura entre hardcore, mathcore e rock experimental. A sonoridade nada amigável do quinteto cativa por inserir ingredientes sempre inusitados - o último disco, por exemplo, veio carregado de elementos da mitologia grega em suas letras, característica essa que respingou também na parte instrumental. Com cara de nerds e tendo como figura principal a vocalista Eva Spence, o Rolo Tomassi poderia ser definido como a banda que os integrantes do seriado The Big Bang Theory formariam caso resolvessem tocar heavy metal. 



Lanscapes 

Apontada pela Metal Hammer como uma das bandas mais promissoras da safra atual, o Landscapes estreou em 2012 com Life Gone Wrong, disco que traz uma mescla entre metal e hardcore melódico. Os músicos, jovens fãs inveterados de heavy metal, são admiradores confessos também de nomes como Björk, The Cure e Smashing Pumpkins, o que faz com que, mesmo implicitamente, a influência destes artistas apareça na música do quinteto. 



Sparzanza 

A Suécia é a nova meca pra quem curte hard rock e metal. A quantidade de boas bandas que o país tem revelado para o mundo nos últimos anos é impressionante. O Sparzanza mantém essa tradição. Na estrada desde 1996, mas com o primeiro disco lançado apenas em 2001, o quinteto já gravou seis álbuns. O som é uma amálgama entre stoner, alternativo e metal, sempre com melodias obscuras e um certo toque gótico, tudo amarrado em uma sonoridade bastante agradável. 



Circles 

Banda australiana que pode ser definida como uma espécia de Meshuggah mais acessível. O grupo ainda não lançou o seu debut, mas já colocou alguns EPs e singles na praça. O último deles, intitulado The Compass, saiu em 2011 e vale uma audição apurada. 




The Algorithm 

Se você é um fã ortodoxo de metal, nem ouça essa banda francesa. Os caras fazem uma excitante mistura entre heavy metal e música eletrônica, um som predominantemente instrumental bastante original e que, em certos momentos, soa como se o New Order fosse um grupo de industrial extremo. Agora, se você tem a cabeça aberta e gosta de sons diferentes, eis aqui um prato cheio. Capitaneado por Remi Gallego (guitarra, bateria e programação), o The Algorithm já lançou três discos: The Doppler Effect (2009), Critical.Error (2010) e Polymorphic Code (2012). Metal para nerds adoradores de gadgets eletrônicos!

  

The Faceless 

Este quinteto norte-americana produz um death metal nada usual e totalmente fora do comum. Seus três discos - Akeldama (2006), Planetary Duality (2008) e Autotheism (2012) - trazem um som original e brutal cheio de passagens surpreendentes (ou lunáticas), que colam sem maiores cerimônias trechos totalmente antagônicos como lindas passagens acústicas ao mais extremo metal. Apaixonante! 



Born of Osiris 

Banda de Chicago na ativa desde 2007, que em seus três discos - The New Reign (2007), A Higher Place (2009) e The Discovery (2011) - desenvolveu uma sonoridade calcada na rica mitologia grega. Como parâmetro, é algo similar ao que o Nile faz com a história egípcia. Heavy metal extremo, em alguns momentos puxando mais para o death e em outros até mesmo flertando com o thrash, mas sempre com grande inventividade. Um nome para ficar de olhos e ouvidos abertos nos próximos anos! 



Admiral Sir Cloudesley Shovell 

Outra boa fonte de novas bandas, em sua grande maioria com sonoridades influenciadíssimas pelo hard setentista, é o selo Rise Above, cujo chefão é Lee Dorian, do Cathedral. O grupo inglês Admiral Sir Cloudesley Shovell lançou o seu disco de estreia em 2012 e vai nessa linha. Riffs pesados, influências psicodélicas, vocal gritado, todos elementos que fazem emergir uma música que parece saída daqueles álbuns perdidos de bandas obscuras dos anos 1970. Se essa é a sua praia, ouça! 

7 de dez de 2012

Top 2012 Collectors Room: os melhores do ano na opinião de Fabiano Negri

sexta-feira, dezembro 07, 2012
Quem gosta de rock sabe quem é Fabiano Negri. Durante anos ele esteve à frente do Rei Lagarto e hoje é o vocalista de duas novas bandas muito interessantes da música brasileira: o Dusty Old Fingers e a Unsuspected Soul Band. 

O Fabiano colabora com a Collectors Room de tempos em tempos, sempre com o olhar peculiar de quem é músico e também escreve sobre o assunto. 

Confira os seus melhores do ano a seguir!

Soundgarden - King Animal 

O Soundgarden é uma banda que eu adoro e lançou o álbum que eu gostaria de ouvir. As esquisitices harmônicas, a cozinha ímpar e uma das melhores vozes que o rock já produziu continuam intactas. Discaço! 

Chris Robinson Brotherhood - Big Moon Ritual 

Um daqueles discos perfeitos para relaxar no fim do dia. Chris Robinson é um excelente contador de histórias e sua banda enche os ouvidos com timbres maravilhosos e entrosamento perfeito. 

The Cult - Choice of Weapon 

O The Cult voltou com um álbum muito forte. O mais interessante nesse disco é que ele soa como um apanhado de tudo o que a banda fez de melhor em sua carreira. Foi pouco comentado, falta das pessoas ouvirem com mais calma e boa vontade. 

Van Halen - A Different Kind of Truth 

A volta do grande Van Halen com David Lee Roth nos vocais soou exatamente como deveria soar. Eddie Van Halen continua sendo de outro planeta, a presença de Wolfgang na cozinha com Alex não me fez sentir nenhuma falta de Michael Antony e o canastrão Roth está em plena forma. Espetacular! 

Rival Sons - Head Down 

A melhor banda de hard rock da nova safra não decepcionou. Se Pressure and Time já era sensacional, Head Down - por incrível que pareça - é muito melhor. As influências de Led Zeppelin agora são dividas com alguma coisa de The Who, Sabbath e psicodelia. Não me canso de ouvir. 

Jack White - Blunderbuss 

O melhor trabalho da vida de Jack White. Um produção maravilhosa que une todas as influências do músico, resultando num álbum original e delicioso. 

Blackberry Smoke - The Whippoorwill 

Tudo o que o Lynyrd Skynyrd deveria ter feito em seu último e fraco álbum foi feito pelo Blackberry Smoke. Southern rock de primeira linha, com belas melodias e arranjos primorosos. 

Phantom Limb - The Pines 

Belíssimo trabalho que une com maestria influências de blues, bluegrass, country e soul, principalmente na voz da espetacular Yolanda Quartey. 

Kiss - Monster 

Pois é, eu não apostava mais nenhuma ficha no Kiss, mas eles voltaram com um álbum de hard rock vigoroso e sem frescuras. Como o velho e bom Kiss deve ser. 

Quantic & Alice Russell with The Combo Bárbaro - Look Around the Corner 

Uma fusão esfuziante de música latina e soul music. Um disco para ser apreciado devagar e nos mínimos detalhes. Que voz tem essa Alice Russell! 




Clipe do Ano  
 
The Cult - For the Animals 

Quase Ficou Entre os 10  
 
Bob Dylan - Tempest



Melhor Estreia  
 
Alabama Shakes - Boys & Girls



Retorno do Ano 
Van Halen



Disco Decepção  
 
Steve Harris - British Lion



Melhor Álbum Ao Vivo  
 
Led Zeppelin - Celebration Day



10 Melhores Músicas  
 
Soundgarden - Black Saturday 
Aerosmith - Out Go the Lights 
Chris Robinson Brotherhood - Tulsa Yesterday 
Quantic & Alice Russell - I’ll Keep My Light in My Window 
Phantom Limb - The Pines 
Kiss - Freak 
The Cult - For the Animals 
Rival Sons - Manifest Destiny (Pt. 1 & 2) 
Van Halen - China Town 
Soundgarden - Halfway There 

DVD do Ano  
 
Led Zeppelin - Celebration Day



Melhor Documentário  
 
Pink Floyd - The Story of Wish You Were Here



Melhor Livro  
 
Luz e Sombra: Conversas com Jimmy Page



Melhor Show  
 
Robert Plant - Espaço das Américas



Melhor Capa  
 
Led Zeppelin - Celebration Day



Mico do Ano  

Metal Open Air



Filme do Ano  
 
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge



5 Melhores Sites / Blogs Sobre Música  
 

Avenged Sevenfold confirmado no Rock in Rio 2013

sexta-feira, dezembro 07, 2012
A notícia acaba de ser dada pelo sempre atento jornalista José Norberto Flesch via Twitter: a banda norte-americana Avenged Sevenfold tocará na edição 2013 do Rock in Rio. O anúncio oficial ainda não foi feito, mas o Flesch é uma fonte certeira e não costuma dar bola fora.

Aposto todas as minhas fichas como o grupo tocará no mesmo dia que o Metallica, ou seja, dia 19 de setembro. (Nota do editor: a organização do festival acaba de informar que a banda tocará no dia 22/09, ou seja, no mesmo dia em que o Iron Maiden se apresentará no festival).

Para entrar no clima, ouça abaixo a faixa “Carry On”, lançada pelos caras este ano, e perceba como, apesar do enorme preconceito que a banda sofre de grande parte da imprensa e do público headbanger brasileiros, essa música tem muito de metal tradicional e power metal e soa como um Helloween mais agressivo:

Os 20 melhores discos de heavy metal de 2012 segundo o PopMatters

sexta-feira, dezembro 07, 2012
O site norte-americano PopMatters, um dos maiores portais sobre música e cultura pop em todo o mundo, publicou uma lista com os vinte melhores discos de heavy metal lançados em 2012 na sua opinião.


A lista constrasta violentamente com a realidade brasileira, com a grande maioria dos grupos sendo praticamente desconhecidos em nosso país, onde a esmagadora maioria da imprensa especializada e do público adora idolatrar ídolos decadentes de décadas passadas e fecha totalmente os ouvidos para o que há de novo na música pesada.



A ótima fonte para descobrir novas bandas encontra-se abaixo:

1. Dawnbringer - Into the Lair of the Sun God
2. Pig Destroyer - Book Burner
3. Panopticon - Kentucky
4. Author & Punisher - Ursus Americanus
5. Baroness - Yellow & Green
6. Converge - All We Love We Leave Behind
7. Enslaved - RIITIIR
8. Dragged Into Sunlight - Widowmaker
9. Devin Townsend Project - Epicloud
10. Krallice - Years Past Matter
11. Ihsahn - Eremita
12. Meshuggah - Koloss
13. Atriarch - Ritual of Passing
14. Alcest - Les Voyages de l’Âme
15. Rush - Clockwork Angels
16. Blut Aus Nord - 777: Cosmosophy
17. Gojira - L’Enfant Sauvage
18. Ahab - The Giant
19. Diablo Swing Orchestra - Pandora’s Piñata
20. Sigh - In Somniphobia

MTV Brasil pode deixar de existir já em janeiro

sexta-feira, dezembro 07, 2012
Em processo de renovação de contratos e de planejamento de programação para 2013, a MTV tem um futuro nebuloso pela frente. Segundo fontes do mercado, o Grupo Abril, mantenedor do canal musical, ainda não definiu qual será o destino da emissora no próximo ano.

Na semana passada, a alta cúpula da Abril reuniu-se para discutir os rumos da MTV. No encontro, a possibilidade de venda da emissora não foi descartada, assim como a busca por um parceiro internacional para investir em TV.

O problema é que não há grupos interessados em nenhum dos dois negócios no momento. Meses atrás, as negociações com investidores para a compra da MTV não avançaram.

A Abril também chegou a conversar com a Fox sobre a possibilidade de uma parceria, o que também não foi adiante.

Está em estudo ainda aposentar o canal musical e criar uma nova emissora de televisão, com outro conteúdo, incluindo televendas.

A direção da Abril se reunirá em janeiro para tomar uma decisão.

Na MTV, o clima é de corte de gastos e incerteza.

Procurada, a Abril não comenta o assunto.

A direção da MTV diz não ter conhecimento desta reunião e que o canal segue em sua rotina normal.

Arraigo: crítica de Fronteras y Horizontes (2012)

sexta-feira, dezembro 07, 2012
No final deste ano de 2012, é natural que surjam, principalmente em publicações especializadas e entre colecionadores de discos, dezenas de listas para eleger “os melhores do ano”. Não há dúvidas quanto ao resultado subjetivo de cada análise, e até por isso não se recomenda que as seleções sejam levadas tão a sério. O grande barato das listas, contudo, é justamente a discussão causada por elas. É tão comum a expressão que diz que “gosto não se discute”, mas tem algo mais divertido de debater do que os gostos?

De acordo com o meu gosto e com a minha percepção pessoal, o melhor álbum de 2012 não integrará nenhuma lista de melhores do ano feita no Brasil. A razão para isso é muito simples e não é, suponho, resultado da minha loucura. Fronteras y Horizontes, do grupo argentino Arraigo, não teve ampla circulação no Brasil neste ano, e por tratar-se de um disco independente produzido em Buenos Aires, ainda não teve divulgação e distribuição por aqui, nem mesmo através da internet.

Se dependesse apenas da questão estética, entretanto, acredito que o disco não estaria apenas na minha lista. O Arraigo traz uma mistura revigorante de metal com ritmos da região cisplatina (como tango, milonga, chacarera e carnavalitos), envolta por uma atmosfera densa e uma grande carga emocional. O que também impressiona logo de cara é a ampla variedade de cores e tessituras que compõe a paisagem sonora do álbum.

A faixa que abre o disco, "Carnaval de Soledades", já demonstra bem isto. A canção, que liricamente descreve as sensações oníricas e lisérgicas dos carnavais nortenhos da Argentina, integra, no plano instrumental, guitarras distorcidas junto a instrumentos regionais como quenas, zamponãs, charangos e güiros. É um bom cartão de visitas para apresentar a estética da banda, que sofre variações no equilíbrio entre peso e veia folclórica ao longo de todo o álbum. Como ocorre na segunda faixa, "En el Nombre de Padre", uma música mais pesada e bem agressiva.

Já as canções seguintes, "Zamba para los Huerfanos" e "Vidala para que Sigas", possuem uma cadência arrastada que acelera conforme a música progride, além de apresentarem mais elementos regionais. Os versos iniciais da primeira delas oferecem, discursivamente, o mais puro reflexo da mistura proposta pela banda: "Ya he escabiado com Satán / Y fui al funeral del barba / Y ya que tengo rota el alma / Es que aquí me pongo a cantar". Nesta faixa aproveitam-se também as incursões do Arraigo pela luteria. Foi incluído um bumbo legüero, instrumento percussivo argentino, no set da bateria, por exemplo, entre outras peças de percussão étnicas. Um instrumento que merece referência é a charantarra, um instrumento de braço duplo composto por uma guitarra elétrica e um charango eletro-acústico criado pelo grupo, e tocado por Federico Bertoli em diversas faixas.

Escolher apenas uma música de seu disco favorito do ano é sempre uma tarefa ingrata. Me forçando a fazer esta escolha, pra não ficar em cima do muro, eu teria de escolher "Nehuen (Fuego del Alma)", não apenas pela força da composição como um todo, mas também por ser a faixa que melhor sintetiza os distintos sentimentos que brotam durante a audição do disco completo. Vale destacar também a progressiva "Para Aquel que Sabe Oir", com diversas mudanças de andamento e uma letra, paradoxalmente, ambientada de todo a valores nativistas platinos. No arranjo aparece, inclusive, o som de um bandoneón.

A composição mais agressiva do disco é "Dogo", cujo instrumental chega a tomar por empréstimo alguma influência do thrash metal moderno, mesclado às principais marcas da banda. O restante da obra segue demonstrando o grau inventivo do grupo, e sua proposta artística de ligar elementos musicais folclóricos de sua região com características estéticas do metal, formando a base sobre a qual flutuam melodias marcantes.

Mais do que fazer uma análise de faixa a faixa, acho importante destacar as principais características do álbum como um todo. Criatividade e ousadia, em minha opinião, não são as palavras mais comuns ao universo do metal, desde os anos 1990. Isto não quer dizer, claro, que não hajam bandas criativas e ousadas desde lá. Há bastante! Contudo, não é o caso da ampla maioria dos grupos, que apesar de conterem, em geral, excelentes músicos, trilham os mesmos caminhos que já foram desbravados, reproduzindo clichês que, é verdade, já foram motivos para muitos discos e ingressos comprados, mas que não podem ser replicados pra sempre, com o risco de se tornarem estigmas indissociáveis do gênero (o que já gerou uma quantidade suficiente de pastiches, inclusive). Criatividade e ousadia são dois verbetes que não faltam, contudo, ao vocabulário musical de Fronteras y Horizontes.

Como comentado, a fusão que dá origem ao som peculiar da banda também sustenta o conteúdo das letras do grupo, onde se percebe, discursivamente, uma mescla entre temas profundos abordados pelo heavy metal, como a morte, a existência e a demência, e tópicos relativos à sociedade e à identidade latino-americana. "Crías de Crías", por exemplo, é uma faixa que demonstra a veia mais agressiva do disco, com um clima de tensão e aspereza que reflete claramente seu tema lírico: as condições estruturais precárias com que se desenvolve a infância de crianças carentes nos bairros pobres das grandes cidades. O conteúdo é inspirado no trabalho social que os membros da banda sustentam há mais de dez anos no bairro Zavaleta, em Buenos Aires.

As letras são bem trabalhadas e ganham em expressividade através do trabalho do vocalista Pablo Trangone, que canta a maioria das faixas em um registro médio, dosando bem o contraste entre as partes agressivas, mais gritadas, e as mais suaves. Individualizar o desempenho de algum dos membros do grupo soa até estranho, visto que o que mais chama a atenção é, na verdade, o equilíbrio no arranjo das composições. Pode-se destacar, por exemplo, o solo em "Dogo", o mais longo do disco, como um trecho solado bem técnico e veloz. Porém, mesmo passagens como esta não são muito longas, soando na medida certa.

O lado negativo até aqui fica por conta da dificuldade em adquirir o CD. A banda está vendendo, por um preço bem acessível, o disco mais a camiseta da banda através de seu site, porém, resta ainda conseguir contatos com distribuidoras ou lojistas aqui do Brasil para facilitar e baratear o envio do material.

O disco é a estreia em full-lenght da banda, após terem lançado o EP Rancho Sur, em 2006. Foi gravado no estúdio Doctor F., em Buenos Aires, e levou mais de três anos para ser concluído, do início da gravação até a masterização. O álbum foi produzido pelos próprios integrantes da banda. O Arraigo disponibilizou em seu site oficial o álbum quase completo para download em MP3 (dez das doze músicas do CD), pra quem quiser conhecer a obra.

Fronteras y Horizontes é um prato cheio para aqueles que gostam de música pesada, mas que também apreciam a liberdade artística. Afinal, o Arraigo bebe da fonte de outros gêneros, e ficar preso a cânones de um estilo é o que menos interessa. A mistura soa coesa e em nenhum momento forçada. É difícil comparar o disco com outras obras, porém, algumas características, como a adesão de instrumentos étnicos, remetem a bandas como o Orphaned Land, por exemplo. Todavia, o mais importante aqui não é encontrar similares, pois, como dito no começo do texto, com relação ao gênero, a sonoridade da banda soa revigorante. 


Em 2012 foram lançados ótimos discos de artistas reconhecidos e de novos nomes. Em minha opinião, o disco deste grupo de Buenos Aires é um dos mais inventivos. Infelizmente, ele não deve estar presente em muitas listas brasileiras divulgadas ainda neste ano. Quem sabe nas próximas.

Nota 10


 
Arraigo é: 


Pablo Trangone: Voz, bumbo legüero, cajón peruano e teclados.
Federico Bertoli: Guitarras, charantarra e vozes.
Leandro Ramogida: Guitarra e vozes.
Javier A. Espeche: Baixo.
Federico Prieto: Bateria e bumbo legüero.
 

Convidados:
Gregorio Medina: Quena e zamponãs.
Cecilia Cedio: Charango.
Enzo Díaz: Güiro
Damián D´Alessandro e Ramiro Boero: Bandoneón.
Santiago Berni e Cristian Culatina: Bumbo com cymbal e caixa.
Ignacio Larrañaga: Celo.
Lirio Maldonado: Bumbo Legüero.
Facundo Cordero: Piano.
César Pavón: Acordeón.
Diego Gvitko: guitarra e guitarrón.
Tiziana, Sasha y Gabriel Juarez: Gritos em Gritos del sótano
Carlos Funes, Leonel Vieytes Bartolomucci, Matías Moyano Villanueva, Pablo del Pino: Coros em Cadenas y Antifaces
Matías Moyano Villanueva: Arranjos em Cadenas y Antifaces.

Escute se você gosta do trabalho feito por bandas como: Orphaned Land, Opeth, Huaska, El Efecto, Puya.

(por Eduardo Harry)

6 de dez de 2012

Asking Alexandria na capa da nova Revolver

quinta-feira, dezembro 06, 2012
A nova edição da revista norte-americana Revolver traz a banda britânica Asking Alexandria em sua capa. Um dos nomes mais originais e interessantes surgidos no heavy metal nos últimos anos, o Asking Alexandria faz um som que une o metalcore a elementos eletrônicos, fazendo emergir uma sonoridade bastante particular. Um EP exclusivo do grupo acompanha a edição.

A revista tem também uma entrevista com o Motionless in White conduzida pelo veterano Dee Snider, Alice in Chains e um tributo a Mitch Lucker, vocalista do Suicide Silence, falecido recentemente, além da lista com os 20 melhores discos de 2012 na opinião da publicação.

Para comprar, clique aqui.

Os 40 melhores discos de 2012 na opinião de Jim DeRogatis

quinta-feira, dezembro 06, 2012
Jim DeRogatis é um dos mais respeitados críticos de música não apenas dos Estados Unidos, mas de todo o mundo. Aos 48 anos, esse nativo de Jersey City já passou pela redação da Rolling Stone, Spin, Guitar World e Modern Drummer, além de escrever por 15 anos para o Chicago Sun-Times. Entre seus feitos mais famosos estão uma das últimas entrevistas concedidas pelo lendário Lester Bangs, além de ter sido demitido da Rolling Stone após publicar um review negativo do álbum Fairweather Johnson, do Hootie & The Blowfish.

De Rogatis é autor também de cinco livros - Let it Burt: The Life and Times of Lester Bangs America’s Greatest Rock Critic, Milk It!: Collected Musings on the Alternative Music Explosion of the ‘90s, Turn On Your Mind: Four Decades of Great Psychedelic Rock, Kill Your Idols: A New Generation of Rock Writers Reconsiders the Classics e Staring at Sound: The True Story of Oklahoma’s Fabulous The Flaming Lips.

Atualmente, DeRogatis apresenta o programa de rádio Sound Opinions ao lado do também crítico Greg Kot.

Confira abaixo quais foram os 40 melhores discos de 2012 na sua opinião:

1 Tame Impala - Lonerism
2 Kelly Hogan - I Like to Keep Myself in Pain
3 Frank Ocean - Channel Orange
4 Melody’s Echo Chamber - Melody’s Echo Chamber
5 Spiritualized - Sweet Heart Sweet Light
6 El-P - Cancer 4 Cure
7 Cloud Nothings - Attack on Memory
8 Aimee Mann - Charmer
9 Lupe Fiasco - Food & Liquor II: The Great American Rap Album Pt. 1
10 Bat for Lashes - The Haunted Man
11 Neneh Cherry - The Cherry Thing
12 Patti Smith - Banga
13 Bassnectar - Vava Voom
14 Jack White - Blunderbuss
15 Miguel - Kaleidoscope Dream
16 Killer Mike - R.A.P. Music
17 Bob Mould - Silver Age
18 Lester Bangs - Infinite Stretch
19 Passion Pit - Gossamer
20 Ty Segall - Slaughterhouse
21 The dB’s - Falling of the Sky
22 Screaming Females - Ugly
23 John Cale - Shifty Adventures of Nookie Wood
24 Mark Lanegan - Blues Funeral
25 Santigold - Master of My Make-Believe
26 Best Coast - The Only Place
27 Alabama Shakes - Boys & Girls
28 Dr. John - Locked Down
29 Sinead O’Connor - How About I Be Me (And You Be You?)
30 Japandroids - Celebration Rock
31 Yeasayer - Fragrant World
32 Willis Earl Beal - Acousmatic Sorcery
33 Redd Kross - Researching the Blues
34 Bobby Womack - The Bravest Man in the Universe
35 Django Django - Django Django
36 The Shins - Port of Morrow
37 Mission of Burma - Unsound
38 Converge - All We Love We Leave Behing
39 Neil Young - Americana
40 Bob Dylan - Tempest

Conheça os indicados ao Grammy nas categorias de rock e heavy metal

quinta-feira, dezembro 06, 2012
A 55ª edição do Grammy acontecerá dia 10 de fevereiro e ontem foram anunciados os indicados para as infinitas categorias da premiação.

Abaixo você confere quem está concorrendo nas dedicadas ao rock e ao heavy metal (em negrito os nossos favoritos):

Best Rock Performance

Alabama Shakes - Hold On
The Black Keys - Lonely Boy
Coldplay - Charlie Brown
Mumford & Sons - I Will Wait
Bruce Springsteen - We Take Care of Our Own

Best Hard Rock / Metal Performance

Anthrax - I’m Alive
Halestorm - Love Bites (Do Do I)
Iron Maiden - Blood Brothers (Live)
Lamb of God - Ghost Walking
Marilyn Manson - No Reflection
Megadeth - Whose Life (Is It Anymways?)

Best Rock Song

Jack White - Freedom At 21
Mumford & Sons - I Will Wait
The Black Keys - Lonely Boy
Muse - Madness
Bruce Springsteen - We Take Care of Our Own

Best Rock Album

The Black Keys - El Camino
Coldplay - Mylo Xyloto
Muse - The 2nd Law
Bruce Springsteen - Wrecking Ball
Jack White - Blunderbuss

Led Zeppelin: crítica de Celebration Day (2012)

quinta-feira, dezembro 06, 2012
Existem muitas histórias sobre os lendários shows do Led Zeppelin durante a década de 1970. Performances históricas, incendiárias, repletas de improvisações e regadas a doses generosas de feeling. No entanto, pouquíssimos registros em vídeo desse período vieram ao mundo. A maioria deles foi compilada por Jimmy Page no DVD duplo batizado somente com o nome da banda e lançado em 2003. Ainda que existam centenas de bootlegs em áudio da época, em vídeo é realmente difícil encontrar material de qualidade.

Este é apenas um dos trunfos de Celebration Day, DVD, blu-ray e CD duplo (e em breve também LP triplo) que traz o show realizado por Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones, acompanhados pelo legítimo herdeiro da dinastia Bonham, Jason, segurando as baquetas no posto que um dia foi de seu pai, em memória a Ahmet Ertegun, chefão da gravadora Atlantic falecido em 2006. Os outros são a imensa inspiração da banda na apresentação, entregando versões arrasadoras de praticamente todas as inúmeras grandes faixas que gravaram na carreira. O quarteto caprichou, e transformou aquela noite de 10 de dezembro de 2007 na O2 Arena, em Londres, em uma jornada inesquecível não apenas para as 20 mil pessoas que estavam lá, mas agora também para todos nós que podemos assistir este show até dizer chega.

A direção de Dick Carruthers é exemplar. Contando com 16 câmeras para captar todos os detalhes, ele nos entrega um registro profundo do que é o Led Zeppelin em cima de um palco. A união de Plant, Page, Jones e Bonham resulta em algo muito maior do que a simples soma dos quatro. Há, como sempre houve, um quinto elemento resultante desta união, e ele é animalesco, intenso e único - como o próprio Led Zeppelin sempre foi, diga-se de passagem. Ricas em detalhes, as cenas mostram a linguagem entre os músicos, responsável por mudar a dinâmica de uma canção apenas com um gesto. A química entre Robert Plant e Jimmy Page continua sendo algo muito fora do comum, tangível, com ambos demonstrando não apenas a imensa curtição que sentem ao tocar um com o outro, mas, principalmente, sabendo que é estando lado a lado que alcançam a plenitude de seus poderes.

Jason Bonham é um dos principais destaques de Celebration Day. O outrora garoto que ficou eternizado no filme The Song Remains the Same ao lado do pai assume aqui, com grande categoria, o legado de seu progenitor. Tocando com categoria e estudando nos mínimos detalhes as performances do falecido Bonzo, Jason mostra que, se o trio restante decidisse retomar a carreira, ele estaria pronto para começar a qualquer momento. O olhar de aprovação de Page no final da apresentação é a prova concreta disso.

John Paul Jones, como sempre, é o porto seguro do quarteto. Ele sempre foi isso. Enquanto Page levantava vôo levando a tiracolo Plant e Bonham, Jonesy mantinha a sonoridade da banda nos trilhos, e aqui não é diferente. O cara não erra uma nota sequer, e é, claramente, o músico em melhor forma técnica entre os quatro. Sua classe chega a ser arrepiante!

Robert Plant canta de forma exemplar. Ainda que seja impossível, pela idade e muitos outros fatores, repetir as performances quase primais dos tempos dourados do grupo, Plant mostra diversas vezes o porque de ser considerado um dos melhores e mais completos cantores do rock. Intérprete de primeira, o veterano Golden God mantém intacto o talento e o sex appeal que encharcavam calcinhas e levavam garotas e garotos às nuvens.

E Jimmy Page, é claro, merece sempre um capítulo à parte. Um dos maiores músicos, compositores e guitarristas da história do rock, Page é o centro das atenções em Celebration Day, assim como foi em toda a carreira do Led Zeppelin. Tocando com um dedo recém quebrado, o que levou a banda a adiar a apresentação em alguns dias, Jimmy faz valer o seu modo de encarar a música - o lendário “luz e sombra” que permeia a sua vida -, e brilha intensamente enquanto dá umas escorregadas feias. O auge de Jimmy pode ser apreciado em sua plenitude nas versões de “In My Time of Dying”, “Trampled Under Foot”, “Nobody’s Fault But Mine”, “No Quarter” e “Kashmir”. Já a sombra de sua personalidade faz com que as releituras de “Stairway to Heaven” e, principalmente, “Since I’ve Been Loving You”, fiquem abaixo do esperado. Mas esse é o Page de sempre, o cara que nunca toca uma música da mesma maneira que tocou na noite anterior, e que quando acerta a mão é capaz de brindar o mundo com versões absolutamente brilhantes de suas criações - está em Celebration Day o melhor registro ao vivo de “Kashmir” em toda a carreira do Led, só pra constar.

Celebration Day é um presente dos deuses para quem ama a música. Ele mostra o porque de o Led Zeppelin ser o que foi, e deixa claro que, se quisesse, a banda poderia continuar sendo. Um DVD brilhante, que é o testamento daquela que é considerada, por muita gente (incluindo esse que vos escreve), como a melhor e maior banda da história do rock.

Obrigatório e todos os sinônimos possíveis!

Nota 9,5

Faixas:
Good Times Bad Times
Ramble On
Black Dog
In My Time of Dying
For Your Life
Trampled Under Foot
Nobody’s Fault But Mine
No Quarter
Since I’ve Been Loving You
Dazed and Confused
Stairway to Heaven
The Song Remains the Same
Misty Mountain Hop
Kashmir
Whole Lotta Love
Rock and Roll

5 de dez de 2012

Top 2012 Collectors Room: Rodrigo Carvalho, editor do Progcast, e os seus favoritos do ano

quarta-feira, dezembro 05, 2012
Rodrigo Carvalho, conhecido como Rroio, é editor do site e podcast Progcast, dedicado, principalmente, ao rock progressivo e suas inúmeras vertentes. O Progcast ficou em stand by por grande parte do ano, mas está a prestes a retornar totalmente renovado, então fiquem de olho. 

Além disso, o Rroio, do alto dos seus 23 anos, é um colecionador compulsivo de discos e pesquisador de música, indo sempre atrás do que está rolando e descobrindo novas bandas e sons sempre interessantes. 

Abaixo você confere e sua lista com os melhores de 2012! 

Baroness – Yellow & Green 

O quarteto americano conseguiu lançar uma obra musical completa, uma experiência que satisfaz os sentidos de quem a aprecia de uma maneira única: desde a luxuosa embalagem em alto relevo em papel laminado à belíssima ilustração (feita pelo próprio vocalista/guitarrista John Baizley), passando pelo encarte até chegar à música em si. Dividido em dois discos, Yellow & Green traz um Baroness mais focado na melodia, em arranjos simples e eficientes, equilibrando de forma excelente rock progressivo e alternativo, com remanescentes doses de sludge aqui e ali, e garantindo o título de melhor álbum de 2012. 

Soen – Cognitive 

O novo projeto de Martin Lopez (ex-Opeth/Amon Amarth) com o incansável baixista Steve DiGiorgio, além dos até então desconhecidos guitarrista Kim Platbarzdis e vocalista Joel Ekelöf - esse último o grande responsável por o que é Cognitive. Músicas soturnas, atmosféricas e densas, com interpretações carregadíssimas. O Soen não exagera no virtuosismo e une todos os elementos com maestria. 

Huaska – Samba de Preto 

Misturando heavy metal (dos mais atuais) com samba e bossa nova, o Huaska é uma banda brasileira que chega ao seu terceiro disco e apresenta uma música lírica e instrumentalmente belíssima. Com participações especiais de Eumir Deodato e Elza Soares, resulta em um álbum que soa mais como MPB com toques de rock do que o inverso. 

Anathema – Weather Systems 

O Anathema, dentre a tríade do doom britânico (ao lado de Paradise Lost e My Dying Bride), foi o que apresentou a maior transformação no seu som, graças aos elementos de gothic rock, alternativo, e mais recentemente, post rock e música eletrônica (ainda que sutilmente). Weather Systems é um disco com todos esses elementos, com interpretações carregadas de sentimentos, uma das obras musicais mais belas dos últimos anos. 

The Gaslight Anthem – Handwritten 

O quarteto Americano apadrinhado por ninguém menos do que Bruce Springsteen chega ao seu quarto disco, uma progressão natural dos trabalhos anteriores. Composições simples, de forte melodia e letras cotidianas, Handwritten é um daqueles álbuns a ser ouvido a qualquer momento, em qualquer lugar, com qualquer pessoa. 

Enslaved – RIITIIR 

Os noruegueses do Enslaved vêm em uma curva ascendente desde o seu trabalho de 2001, Monumension, e desde então aprimorando a sonoridade única, aliando o gélido black metal escandinavo a forte veia progressiva, resultando em músicas profundas e reflexivas, tanto instrumental quanto liricamente. RIITIIR é sem dúvida o ápice dos experimentos iniciados há mais de uma década, equilibrando de forma perfeita as mais diferenciadas influências, em grande parte graças ao dinamismo das composições e à excelente variação de vozes entre Grutle Kjellson e Herbrand Larsen. 

Witchcraft – Legend 

Após o conturbado período desde o último álbum, o Witchcraft passou por uma reformulação quase completa, contribuindo para a sonoridade revitalizada contida em Legend. Mesmo bebendo claramente na fonte do Black Sabbath e no occult rock setentista, os suecos entregam um dos mais bem produzidos álbuns do ano. 

El Efecto – Pedras e Sonhos 

Grata surpresa da música brasileira em 2012, o El Efecto conseguiu reunir uma miscelânea de influências em seu terceiro trabalho: de rock a ritmos regionais, que fazem de Pedras e Sonhos um álbum riquíssimo, variado, recheado de poesia e belíssimas melodias. Mais uma entre as inúmeras provas de que as bandas nacionais não precisam ficar presas a padrões para atingir a excelência. Ou nesse caso, nem o devem. 

Lamb of God – Resolution 

Um dos alavancadores da nova onda do heavy metal americano, o quinteto de Virgínia atingiu um nível de reconhecimento altíssimo ao redor do mundo, graças à sucessão de excelentes álbuns. Resolution é o sétimo disco dos caras e explora a fundo a mescla brutal de groove e thrash metal praticada ao longo dos anos, dessa vez por caminhos ainda mais pesados, técnicos e dinâmicos, servindo de parâmetro para muitas outras bandas que vieram depois deles, mesmo com relativo pouco tempo de estrada. 

Gojira – L’Enfant Sauvage 

 Apesar de o quarteto francês dos irmãos Duplantier ter um sério problema em lançar discos com um grande espaço de tempo entre um e outro, o Gojira consegue se superar a cada álbum, explorando de diferentes maneiras a sua mistura única de death metal com prog e groove metal, tornando-os uma das bandas mais singulares do cenário atual. L’Enfant Sauvage soa como uma criatura descontrolada, carregada de sentimentos negativos e com uma força descomunal. 

  
Clipe do Ano 
High On Fire – Fertile Green

Quase Ficou Entre os 10 
Naïve – Illuminatis 

Melhor Estreia 
Storm Corrosion – Storm Corrosion 

Um dos discos mais aguardados dos últimos tempos, o projeto colaborativo entre Steven Wilson e Mikael Akerfeldt (duas das maiores mentes criativas no progressivo atual) é considerado um complemento aos seus últimos trabalhos (Grace For Drowning e Heritage, a saber). O primeiro – possivelmente único - álbum tem como base a música setentista experimental: perturbadora, soturna, por vezes incompreensível. E exatamente por isso, uma obra musical interessantíssima de ser apreciada. 

Retorno do Ano 
ZZ Top – La Futura 

Disco Decepção 
Marillion – Sounds That Can’t Be Made 

Melhor Álbum Ao Vivo 
Porcupine Tree – Octane Twisted 

10 Melhores Música
Baroness – Cocainium 
Soen – Savia 
Meshuggah – Do Not Look Down 
Anathema – Untouchable Part I 
Stone Sour – Taciturn 
Graveyard – Slow Motion Countdown 
Enslaved – The Roots of the Mountain 
El Efecto – O Encontro de Lampião e Eike Batista 
Lamb of God – Ghost Walking 
Witchcraft – It’s Not Because of You 

DVD do An
Coldplay – Live 2012 

Melhor Documentário 
Pink Floyd – The Story Of Wish You Were Here 

Melhor Livro 
Rage Against The Machine - Guerreiros do Palco, de Paul Stenning

Melhor Show 
Roger Waters – The Wall Live (São Paulo - 01/04/2012) 

Melhor Capa 
Ancestors – In Dreams and Time 

Mico do Ano 
Metal Open Air 

Filme do Ano 
Mercenários 2 

5 Melhores Sites / Blogs Sobre Música 

Os 50 melhores discos de 2012 segundo a Rolling Stone

quarta-feira, dezembro 05, 2012
A lista mais tradicional com os melhores discos do ano acaba de sair. A Rolling Stone revelou os seus preferidos de 2012, em uma lista construída por toda a sua equipe. A lista equilibra nomes consagrados, artistas mainstream e novidades que fizeram bonito.
 


Confira abaixo:

1 Bruce Springsteen – Wrecking Ball
2 Frank Ocean – Channel Orange
3 Jack White – Blunderbuss
4 Bob Dylan – Tempest
5 Fiona Apple – The Idler Wheel…
6 Kendrick Lamar – good kid, m.A.A.d city
7 Edward Sharpe and the Magnetic Zeros – Here
8 Green Day – !Uno!
9 Japandroids – Celebration Rock
10 Neil Young and Crazy Horse – Psychedelic Pill
11 Mumford & Sons – Babel
12 Jimmy Cliff – Rebirth
13 Leonard Cohen – Old Ideas
14 Best Coast – The Only Place
15 Dr. John – Locked Down
16 Cat Power – Sun
17 John Mayer – Born and Raised
18 Nas – Life is Good
19 Band Of Horses – Mirage Rock
20 Killer Mike – R.A.P. Music
21 Cloud Nothings – Attack on Memory
22 Bonnie Raitt – Slipstream
23 Divine Fits – A Thing Called Divine Fits
24 G.O.O.D. Music – Cruel Summer
25 Donald Fagen – Sunken Condos
26 Django Django – Django Django
27 Gary Clark Jr. – Blak and Blu
28 Beach House – Bloom
29 Dave Matthews Band – Away From the World
30 Azealia Banks – 1991
31 Taylor Swift – Red
32 Hospitality – Hospitality
33 Grimes – Visions
34 Alabama Shakes – Boys & Girls
35 Grizzly Bear – Shields
36 Bobby Womack – The Bravest Man in the Universe
37 Justin Townes Earle – Nothing’s Gonna Change The Way You Feel About Me Now
38 Titus Andronicus – Local Business
39 Passion Pit – Gossamer
40 Escort – Escort
41 The Avett Brothers – The Carpenter
42 Allo Darlin’ – Europe
43 fun. – Some Nights
44 Garbage – Not Your Kind of People
45 Rick Ross – Rich Forever
46 Muse – The 2nd Law
47 Todd Snider – Agnostic Hymns and Stoner Fables
48 The Smashing Pumpkins – Oceania
49 Amadou And Mariam – Folila
50 Dirty Projectors – Swing Lo Magellan

+ David Warren Brubeck (06/12/1920 - 05/12/2012) +

quarta-feira, dezembro 05, 2012
Faleceu hoje o pianista norte-americano Dave Brubeck. Um dos músicos mais importantes e influentes da história do jazz, Brubeck foi um dos responsáveis por popularizar o gênero ao fazer shows e pequenas turnês pelas universidades dos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960.

Gravou um dos discos mais importantes do século XX, Time Out, com o seu Dave Brubeck Quartet, que era completado pelo saxofonista Paul Desmond, o contrabaixista Eugene Wright e o baterista Joe Morello. Time Out foi lançado em 4 de dezembro de 1959 e é um dos álbuns mais conhecidos e vendidos da história do jazz. Está no disco a emblemática “Take Five”, composição mais conhecida de Brubeck e um dos grandes clássicos da música moderna.

Brubeck completaria 92 anos amanhã. O pianista teve seis filhos, sendo que quatro deles seguiram os passos do pai e se tornaram também músicos profissionais.

Dave Brubeck tem uma grande importância na minha vida. Foi através de Time Out que conheci e me apaixonei pelo jazz. O álbum foi o meu ponto de partida no gênero, o marco zero para um mergulho profundo no estilo e que mudou completamente a minha maneira de entender os sons.

Uma perda irreparável para quem gosta de música.

Os 50 melhores discos de 2012 segundo a Classic Rock

quarta-feira, dezembro 05, 2012
A revista britânica Classic Rock publicou em sua nova edição a lista com os melhores discos de 2012 na opinião de sua equipe . Nomes consagrados ao lado de artistas novos, álbuns que não deveriam entrar e alguns que ficaram de fora, tudo coroado pela primeira posição de Clockwork Angels, último trabalho do trio canadense Rush.

Segue abaixo a lista com os 50 melhores discos de 2012 na opinião da Classic Rock:

1. Rush - Clockwork Angels
2. Rival Sons - Head Down
3. ZZ Top - La Futura
4. Howlin Rain - The Russian Wilds
5. Jack White - Blunderbuss
6. Joe Bonamassa - Driving Towards the Daylight
7. Bruce Springsteen - Wrecking Ball
8. The Darkness - Hot Cakes
9. Cory Branan - Mutt
10. Lynyrd Skynyrd - Last of a Dyin’ Breed
11. Ginger - 100%
12. Slash - Apocalyptic Love
13. The Gaslight Anthem - Handwritten
14. Van Halen - A Different Kind of Truth
15. Walking Papers - Walking Papers
16. Europe - Bag of Bones
17. Muse - The 2nd Law
18. Anathema - Weather Systems
19. Kiss - Monster
20. Soundgarden - King Animal
21. Phantom Limb - The Pines
22. Tame Impala - Lonerism
23. UFO - Seven Deadly
24. Black Country Communion - Afterglow
25. Aerosmith - Music From Another Dimension!
26. Squackett - A Life Within a Day
27. The Cult - Choice of Weapon
28. Band of Skulls - Sweet Sour
29. Shooter Jennings - Family Man
30. Marillion - Sounds That Can’t Be Made
31. The Jim Jones Revue - The Savage Heart
32. Brad - United We Stand
33. The Heavy - The Glorious Dead
34. Flying Colors - Flying Colors
35. Crippled Black Phoenix - (Mankind) The Crafty Ape
36. Chris Robinson Brotherhood - Big Moon Ritual
37. Heart - Fanatic
38. Leonard Cohen - Old Ideas
39. Storm Corrosion - Storm Corrosion
40. Tremonti - All I Was
41. Jon Spencer Blues Explosion - Meat and Bone
42. Killing Joke - MMXXII
43. Baroness - Yellow & Green
44. Alabama Shakes - Boys & Girls
45. Gravelroad - Psychedelta
46. Ian Anderson - Thick as a Brick 2
47. Bob Dylan - Tempest
48. Paul Weller - Sonik Kicks
49. Hawk Eyes - Ideas
50. Patti Smith - Banga

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