29 de dez de 2012

Brasil, o país onde a música cisca pra trás

sábado, dezembro 29, 2012

Daí você liga a TV no final do ano, ou pega um jornal para ler, e dá de cara com inúmeras retrospectivas a respeito do que, supostamente, aconteceu de melhor nas mais variadas áreas durante 2012. Com a música não é diferente. Mas, se pensarmos um pouquinho, na verdade é muito diferente.

A música brasileira sempre foi considerada uma das mais inventivas e originais do mundo. Demos ao planeta gêneros como a bossa nova (que virou o jazz do avesso), o samba, o embalo e o ritmo sensual que é único em todo o planeta. Somos a terra natal de gênios singulares do quilate de Antônio Carlos Jobim, Chico Buarque, Jorge Ben e Chico Science. Mas, nos últimos anos, a música brasileira segue, em alta velocidade, rumo ladeira abaixo.

Hoje, o país que já viu nascer Caetano, Gil e João Gilberto só quer pegar você a bordo de um Camaro amarelo. É deprimente, triste, mas qual a origem dessa realidade? Se formos analisar o cenário de maneira antropológica, podemos identificar o surgimento do Plano Real, em 1994, como o ponto zero da mudança. Ao mesmo tempo em que estabilizou a economia e deu maior poder aquisitivo a uma parcela maior da população, transformou essa mesma parcela em protagonista de um país. Vimos isso em diversos segmentos, como o boom das grandes redes de varejo como Casas Bahia (onde o que importa é poder pagar o valor da prestação no final do mês e não se essa prestação, no final das contas, faz você pagar o dobro no final), a explosão no consumo de carros (que tornou o trânsito das grandes cidades, historicamente complicado, ainda pior), o crédito fácil que faz com que qualquer pessoa hoje tenha um imóvel (o Minha Casa Minha Vida é responsável pelo inchamento da bolha imobiliária, que em algum momento vai estourar e trazer consequências muito desagradáveis para toda a economia, vide o exemplo recente da crise norte-americana), e muitas outras situações.

Uma das mais evidentes é percebida na cultura popular. Para se moldar à audiência, que hoje é dominada pelas classes C e D, os provedores de conteúdo – sejam eles emissoras de TV, rádio, jornais, revistas ou sites -, abriram espaços gigantescos para artistas de nível rasteiro nos últimos anos. Dessa maneira, a Música Popular Brasileira, berço de obra-primas como “Construção”, por exemplo, hoje agoniza em letras como “Ai, Se Eu Te Pego” e, em casos ainda mais extremos, em composições que até deixam de lado esse elemento supérfluo que é a letra, a poesia, responsável por tocar a alma e causar identificação entre o artista e o público, como a pra lá de lamentável “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha”.

Esse país que idolatra duplas sertanejas (querendo ou não, o sertanejo universitário é a música pop brasileira atualmente) e artistas como Gustavo Lima e Michel Teló não é a terra em que eu nasci. Está longe disso. Esse país que não sabe diferenciar “mas” de “mais” em redes sociais, que elege Tiriricas e se endivida em carnês infinitos nas Ricardo Eletros da vida não representa o chão onde eu vim ao mundo. Não se trata de preconceito com um ou outro estilo, mas sim capacidade de percepção para identificar uma música rasteira, vazia de argumentos e totalmente sem relevância. Ela até  pode representar um povo, mas o povo que ela representa é o que, ao invés de aproveitar a ótima maré que o Brasil atravessa, ostenta orgulho de sua ignorância.

Não estamos falando de rock, de MPB, de pop ou de qualquer gênero específico. Estamos falando da decadência da cultura popular brasileira, externada tanto em artistas como os citados acima como em fenômenos de audiência como a lamentável Avenida Brasil.

Não sou um cientista social ou um antropólogo, só um cidadão, mas o que eu sei é que essa tal cultura popular brasileira, levada ao grande público por nomes como Regina Casé e Luciano Huck, em nada me representa e me traduz, não causando nenhuma identificação não só comigo, mas com milhões de pessoas em todos os cantos do Brasil.

Está na hora de substituir os carnês da Casas Bahia por mensalidades em escolas melhores, ou daqui há alguns anos estaremos literalmente pastando. Enquanto Tulipas Ruiz continuarem valendo menos que Munhoz & Marianos, o poço continuará sem fundo.

Podem me chamar de arrogante, mas não de burro ...

2012 em 50 imagens

sábado, dezembro 29, 2012
Estamos chegando ao final de 2012, e para relembrarmos o que rolou no ano preparamos uma retrospectiva visual do que de mais interessante, importante e revelante aconteceu na música nos últimos 12 meses. Grandes discos, novas bandas, reuniões, mortes, fatos, notícias - tudo o que deu pano pra manga está nestas cinquenta imagens, em ordem cronológica, abaixo. Se você acompanhou a Collectors o ano todo, dispensa legendas para saber a que assunto cada uma delas se refere.

Acomode-se na cadeira, repasse o ano com a gente e que venha 2013!




23 de dez de 2012

Escolha qual foi o melhor disco lançado pela Hellion Records em 2012 e concorra a 1 LP importado do Ghost e um CD+DVD do Slash

domingo, dezembro 23, 2012
Em parceria com os nossos parceiros da Hellion Records, preparamos uma promoção legal pra começar o ano com tudo.

A Hellion quer saber a sua opinião sobre os discos que lançou no mercado nacional durante todo o ano de 2012.  Listamos todos os títulos colocados no mercado pela gravadora este ano, e você pode escolher quais foram os seus favoritos. 

A enquete está na barra lateral do site, abaixo do banner da Hellion.

Respondendo à pesquisa, você concorre a 1 LP importado de Opus Eponymous, do Ghost, e 1 CD + DVD Apocalyptic Love, do Slash.

Você precisa votar aqui na Collectors, curtir a página da Hellion no Facebook e clicar aqui para concorrer aos prêmios.

A enquete e a promoção vão até o dia 20 de janeiro, participe e boa sorte!

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