22 de fev de 2013

Black Veil Brides: crítica de Wretched and Divine: The Story of the Wild Ones (2013)

sexta-feira, fevereiro 22, 2013
Inspirado pelas extravagantes bandas de glam metal da década de 80, o Black Veil Brides vem adquirindo considerável reconhecimento no mainstream norte-americano graças ao resgate do hard rock despojado de trinta anos atrás, com uma temática mais soturna e aliado à excelentes performances visuais.

O seu debut We Stitch These Wounds, de 2010, foi suficiente para atrair a atenção de grandes gravadoras, rendendo um contrato com a Universal Republic, uma subsidiária da própria Universal, responsável pelo lançamento do segundo disco, Set the World on Fire, e o mais recente, Wretched and Divine: The Story of the Wild Ones.

Produzido pelo renomado John Feldmann (Goldfinger, Good Charlotte, The Used, Atreyu), o terceiro álbum do Black Veil Brides foi lançado oficialmente em 8 de janeiro, estreando em 17º lugar nos charts americanos, com mais de 23 mil cópias vendidas.

A desconexa voz em “Exordium” prepara o ouvinte para o que está por vir em “I Am Bulletproof”, uma agressiva mistura de hard rock com post hardcore, com todos os elementos que serão predominantes ao longo do disco: melodias vocais e instrumentais compostas com maestria, que apesar das estruturas simples se encaixam perfeitamente para a proposta do conceito do álbum. “New Year’s Day”, um pouco mais cadenciada, traz bem encaixadas inserções de teclados e violinos, que combinados à grave voz de Andy Biersack são os principais responsáveis pela qualidade do álbum.

O líder da F.E.A.R. aparece na primeira transmissão “Stay Close” com um interessante discurso de lavagem cerebral que leva à faixa-título, aonde, não exageradamente, é possível identificar sopros de heavy metal tradicional, que contribuem catalisando o sentimento épico de levante de “Wretched and Divine”. E por falar em sentimento, é impossível não imaginar o potencial teatral que “We Don’t Belong” pode ter ao vivo, flertando fortemente com algo entre o industrial, o gothic e o shock rock. “Trust”, a transmissão número dois da F.E.A.R., mantém o soturno clima que vai se construindo com o passar das músicas, culminando na quase arrastada “Devil’s Choir” e na balada “Resurrect the Sun”, responsável por um dos mais fortes refrãos da banda.

Com versões sinfônicas instrumentais do que se passou até agora no conceito, “Overture” faz a ligação com a segunda parte do disco, iniciada por “Shadows Die”, que remete escancaradamente à sonoridade do Avenged Sevenfold em seus trabalhos mais recentes, deixando apenas alguns fiapos da identidade musical do Black Veil Brides à mostra. Porém, ela retorna rapidamente com a dobrada “Abeyance” e “Days Are Numbered”, puxando as raízes glam rock da banda (sem cair na farofa exagerada) e com participação do vocalista do The Used, Bert McCracken.

E apenas acompanhando a letra é possível compreender como o bonito interlúdio acústico “Done for You” faz sentido nesse momento, e claramente se imagina o personagem sentado, acendendo um cigarro, como se estivesse se preparando para algum derradeiro acontecimento. Ele chega com “Nobody’s Hero”, retomando o clima épico e pesadíssimo da primeira parte do álbum, e “Lost It All”, que apesar do início excessivamente meloso consegue inserir elementos surpreendentes e dá uma guinada inesperada, graças à participação das cantoras Roberta Freeman e Juliet Simms (do Automatic Loveletter).

“F.E.A.R. Transmission 3: As War Fades” traz as palavras do lado perdedor, recheadas de promessas de vingança, representados em “In the End”, com o seu honrado clima e cheio de mensagens a serem berradas a plenos pulmões, que apesar de ser a última faixa, é estranhamente o primeiro single liberado do disco. A última transmissão, por fim, acaba deixando uma controversa mensagem sobre a vitória dos rebeldes e como isso pode ter acarretado na tomada do poder por algo muito pior do que o sistema anteriormente vigente. Uma inversão de papéis no último segundo do disco ou apenas uma questão de ponto de vista? Torna o conceito do álbum ainda mais interessante.

Mas interessante mesmo é como, por causa do visual, temática e tempo de atividade da banda, eles parecem ainda sofrer considerável preconceito com os fãs de música mais conservadores, que ficam presos à aparência e ao rótulo ao qual os americanos estão classificados. Wretched and Divine traz um Black Veil Brides dando um passo relativamente largo em relação ao início de carreira, com um desenvolvimento lírico notável e um amadurecimento musical notável, e entrega ao ouvinte um conceito que o faz mergulhar na atmosfera noir pós-apocalíptica da história dos Wild Ones.

Revolucionário? De forma alguma. Mas é mais uma evidência que não apenas o underground esconde excelentes pérolas, mas o mainstream também é composto de ótimas bandas.

Nota 9



Faixas:
1. Exordium

2. I Am Bulletproof

3. New Year's Day

4. F.E.A.R. Transmission 1: Stay Close

5. Wretched and Divine

6. We Don't Belong

7. F.E.A.R. Transmission 2: Trust

8. Devil's Choir

9. Resurrect the Sun

10. Overture

11. Shadows Die

12. Abeyance

13. Days Are Numbered

14. Done for You

15. Nobody's Hero

16. Lost It All

17. F.E.A.R. Transmission 3: As War Fades

18. In the End

19. F.E.A.R. Final Transmission

Por Rodrigo Carvalho

Adam Duce fora do Machine Head

sexta-feira, fevereiro 22, 2013
O Machine Head acaba de publicar em seu perfil no Facebook a notícia de que o baixista Adam Duce não faz mais parte da banda. Segue o texto:

Machine Head e Adam Duce seguirão caminhos diferentes. A separação é amigável, e o Machine Head gostaria de desejar a Adam o melhor em seus planos atuais e futuros. A banda vai continuar, por enquanto, como um trio, e já iniciou o processo de composição do sucessor de Unto the Locust. A ideia é lançar o novo álbum no final de 2013.

Adam Duce era integrante original do grupo, tendo formado o Machine Head em 1991 ao lado de Robb Flynn. O baixista gravou todos os álbuns da banda. Não há informações sobre os próximos passos de Duce no mercado musical, bem como do seu possível substituto.

Por Ricardo Seelig

Record Store Day terá Jack White como embaixador, e músico publica texto sobre a importância do evento

sexta-feira, fevereiro 22, 2013
Como sempre, o Record Store Day de 2013 acontece no terceiro sábado de abril. E, como em todas as edições, essa também tem um embaixador, e ele é Jack White.

O músico norte-americano publicou um texto sobre o RSD, onde fala da importância de termos mais experiências reais e menos virtuais. Concordamos com ele. E você?

O texto de Jack:

Anos atrás, alguém me disse que 1.200 crianças do ensino médio receberam uma pesquisa com a seguinte pergunta: Você já foi a uma loja de discos independente? O número de crianças que responderam sim foi … zero.

Zero? Como isso poderia ser possível? Eu preciso ser realista: “Você pode culpá-los?”. Como que lojas de discos (ou qualquer loja) podem competir com a Netflix, TiVo, vídeo games que levam meses para completar, o cabo, mensagens de texto, internet, etc?

Sair de sua cadeira em casa para experimentar algo no mundo real começou a se tornar uma ocorrência rara e, para um monte de gente, desnecessária. Por que ir a uma livraria e comprar um livro de verdade? Você pode simplesmente fazer o download. Por que conversar com outros seres humanos, discutir sobre diferentes autores, estilos de escrita e influências? Basta clicar o mouse. Bem, mas se você tiver alma, o que você irá aprender um dia é: não há romance em um clique do mouse. Não há beleza em ficar sentado por horas e horas jogando vídeo game. A tela de um iPhone é conveniente, mas não é nada comparada com uma exibição de um filme de 70 milímetros em um teatro lindo. A Internet é bidimensional … útil e divertida, mas não deve substituir o olho no olho, a interação com um ser humano. Mas a gente sabe de tudo isso, certo? Bem, não é? Talvez nós saibamos de tudo isso, mas e daí?

Vamos acordar.

O mundo não parou de se mover. Lá fora, as pessoas ainda estão conversando frente a frente, trocando ideias e transformando-se. Espaços de arte estão mostrando filmes, as pessoas estão bebendo café e lendo contos em voz alta, mulheres e homens estão se desafiando e lojas de discos estão vendendo álbuns cheios de alma que você ainda não sentiu. Então, por que escolher esconder-se em nossas cavernas e se contentar com réplicas? Nós podemos ser melhores. Devemos, pelo menos. Precisamos voltar a nos educar sobre a interação humana e descobrir a diferença entre o download de uma canção em um computador e o ato de conversar com outras pessoas, segurar em suas mãos e compartilhar a sua opinião sobre a música com os outros.

O tamanho, a forma, o cheiro, a textura e o som de um disco de vinil: como você explica isso para um adolescente que não sabe o que é esta experiência musical mais bonita do que um clique do mouse? Você tira a bunda da cadeira, você os agarra pelo braço e os leva lá. Você coloca o disco em suas mãos. Você os faz colocar a agulha no prato. Eles vão descobrir.

Vamos acordá-los.

Como Embaixador do Record Store Day 2013, estou orgulhoso em ajudar – da maneira que puder – a revigorar quem vai ouvir música defendendo a ideia de que há beleza e romance no ato de visitar uma loja de discos e ficar ligado para algo novo que pode mudar a maneira de olhar o mundo, de olhar outras pessoas, de olhar a arte, e, finalmente, de olhar a si mesmo.
Vamos acordar.


Tradução do Scream & Yell Blog

“As Grace Descends”, o novo clipe do Suffocation

sexta-feira, fevereiro 22, 2013
Porradaria de alto quilate: o Suffocation, lenda nova-iorquina do death metal, colocou na roda o clipe de “As Grace Descends”, faixa presente em seu novo disco, Pinnacle of Bedlam. A direção é de Tommy Jones, que já fez vídeos para bandas como Soilwork, Kataklysm e Death Angel.

Excelente, como não poderia deixar de ser.

Comprove:


Por Ricardo Seelig

Ouça “Long Live the Misanthrope”, o novo single do Soilwork

sexta-feira, fevereiro 22, 2013
O Soilwork divulgou através do canal da Nuclear Blast no YouTube o seu novo single, “Long Live the Misanthrope”. A música faz parte de The Living Infinite, álbum duplo que tem data de lançamento marcada para 01/03 na Europa, 04/03 na Inglaterra e 05/03 nos Estados Unidos.

“Long Live the Misanthrope” traz a sonoridade que consagrou a banda, alternando partes bastante agressivas com passagens melódicas e alguns efeitos dando o toque final. Pessoalmente, achei a melhor entre as já liberadas.

Ouça:


Por Ricardo Seelig

Black Debbath: crítica de Nå får det faen meg være Rock! Akademisk Stoner-Rock! (2013)

sexta-feira, fevereiro 22, 2013
Formado no final da década de 90 por quatro sócios da gravadora norueguesa Duplex Records, a proposta do Black Debbath sempre foi unir o heavy metal dos seus primórdios com excelentes doses de doom, stoner e blues, sempre como base para as temáticas líricas politicamente incorretas e humorísticas (o próprio baixista Egil Hegerberg é um popular comediante na Noruega). Nå får det faen meg være Rock! Akademisk Stoner-Rock! é o sexto disco de estúdio da banda e foi lançado no início de janeiro pela sua própria gravadora, em formato físico limitado apenas ao seu país natal, por enquanto, a exemplo dos trabalhos anteriores.

O hard rock ácido de “Slaver Av Humoren” abre o álbum jogando todo o poder de fogo dos riffs dos noruegueses na cara do ouvinte, sem dó nem piedade, aumentando ainda mais a semelhança com a sonoridade do heavy metal na sua fase mais psicodélica. “Norsk Bjørnsonforskning” puxa um direcionamento ainda mais calcado no blues rock, com sutis toques que apenas os mais viajantes dos space rocks conseguem proporcionar, com variações melódicas bem interessantes, que se repetem na arrastada, pesadíssima e bem humorada “FAFO” (você pode não entender uma singela palavra, mas a interpretação é impagável).

A soturna introdução de “Rydd Rommet” remete ao mais profundo doom metal da escola sueca, e se revela uma melancólica balada, com atmosfera etérea e flutuante o suficiente para criar a sensação, em quem está ouvindo, de estar mergulhando nos mais profundos pântanos noruegueses,  sendo resgatado apenas por “Bytt Kjøkkenklut Oftere!”, um vigoroso stoner com um crescendo rítmico respeitável, lembrando bastante o Witchcraft no seu último (e excelente) disco, Legend.

Com tantas mudanças de andamento quanto de palavras em seu título, a sexta faixa “Åpent brev til jusprofessor Jon Bing i forbindelse med vedtak om opprettelse av et datalagringsdirektiv (De edle hensikters tyranni)” traz o Black Debbath passeando naturalmente pelo heavy, doom e hard rock, regado à saudáveis doses de rock progressivo que engrandecem e tornam a música ainda mais interessante, assim como a seguinte, “Nei Til Runkesti På Ekeberg! (Skulpturpark-Låta)”, que poderia muito bem ser o resultado de um filho bastardo do Motörhead com o Sabbath.

“Sytende Ballade Om At Folk Syter For Mye Og Lager For Mye Ballade”, como pode supor, é mais uma balada com um pé no blues e outro no folk, com resultados belíssimos, apesar da metalinguagem da letra (já que eles ironizam quem exagera no melodrama de músicas desse formato), enquanto “Gjør Norsk Utenrikstjeneste Nok For Eventyrere Og Kriminelle Nordmenn I Utlandet?” é um stoner nos moldes mais clássicos, sem soar datado em nenhum momento, graças ao forte apelo melódico. O disco se encerra com “Drastiske Miljøtiltak I Tolvte Time”, mais uma ode ao Black Sabbath na sua fase mais psicodélica / progressiva, com aquele agradável cheiro de mofo, de algo que permaneceu no canto mais obscuro de um sótão durante quatro décadas.

Apesar de qualquer barreira que o idioma norueguês possa trazer para quem não é fluente, a qualidade musical contida no som do Black Debbath é de um nível tão alto quanto das mais evidentes bandas da atualidade no que diz respeito ao revival do occult rock, stoner e doom metal. Nå får det faen meg være Rock! Akademisk Stoner-Rock! é uma viagem sonora cheia de nuances, com a inserção de diversos elementos (alguns de forma tímida, outros nem tanto), que tornam a experiência infinitamente agradável, tornando o trabalho dos noruegueses um dos mais interessantes discos de 2013, até agora.

Ah sim, e lembrando que em teoria eles são uma banda humorística. E nem por isso insistem em ideias batidas e a repetição excessiva das mesmas piadas há anos, tampouco compõe uma música medíocre, de qualquer jeito, e justificam com a sua proposta. Ao contrário de diversos outros grupos por aí.

Nota 8

1 Slaver av humoren

2  Norsk Bjørnsonforskning

3 FAFO

4 Rydd rommet

5 Bytt kjøkkenklut oftere!

6 Åpent brev til jusprofessor Jon Bing i forbindelse med vedtak om opprettelse av et datalagringsdirektiv (De edle hensikters tyranni)

7 Nei til runkesti på Ekeberg! (Skulpturpark-låta)

8 Sytende ballade om at folk syter for mye og lager for mye ballade

9 Gjør norsk utenrikstjeneste nok for eventyrere og kriminelle nordmenn i utlandet?

10 Drastiske miljøtiltak i tolvte time

Por Rodrigo Carvalho

Leia o pronunciamento de Dave Lombardo sobre sua demissão do Slayer

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

O comunicado a seguir foi postado por Dave Lombardo no Facebook e traduzido pelos nossos amigos do Whiplash.net. Agora que a poeira baixou um pouco, vamos ver o que o ex-baterista do $layer tem a dizer.

“Quero me desculpar pessoalmente com todos os nossos fãs na Austrália que compraram ingressos para a turnê esperando me ver no meu lugar de sempre na bateria.

Então, de modo que vocês todos saibam da verdade, no fim do dia útil no dia 14 de fevereiro, eu fui informado de que não tocaria na turnê Australiana. Estou entristecido, e pra ser honesto, eu estou chocado com a situação.

Ano passado, eu descobri que 90% da receita de turnês do Slayer estava sendo deduzida como despesas administrativas, incluindo os honorários pagos ao empresariamento, custando à banda milhões de dólares e deixando 10% ou menos para ser dividido entre nós quatro. em minha opinião, não é assim que os negócios de uma banda deveriam operar. Eu tentei retificar isso informando meus colegas de banda, e Tom e eu contratamos auditores para saber o que acontecera, mas me negaram acesso a informações detalhadas e às cópias necessárias de backup.

Eu passei o Natal e o Ano Novo percebendo que tinha tocado pelo mundo todo em 2012, mas ainda assim, não havia sido pago [apenas um pequeno adiantamento], ou recebido um balanço contábil relativo a um ano de suor e sangue. Ainda por cima, me disseram que eu não seria pago até que eu assinasse um contrato de longo prazo que não me dava garantia escrita de quando ou sob que critérios os empresários deduziriam comissões, nem me dava acesso a orçamentos ou registros para revisão. O contrato também me proibia de dar entrevistas ou fazer declarações sobre a banda, na verdade um cala-boca.

Na última segunda-feira, eu me sentei com Kerry e Tom para ensaiar para ir à Austrália e propor um novo modelo de negócio que eu sentia que era o melhor caminho pro Slayer seguir em frente, de modo a se proteger, de modo que pudéssemos fazer o que fazemos de melhor... tocar para os fãs. Kerry deixou claro que não estava interessado em fazer mudanças e disse que se eu quisesse discutir isso, ele acharia outro baterista. Na quinta, eu cheguei para ensaiar à 1 da tarde tal como combinado, mas Kerry não apareceu. Ao invés, disso, às 6:24 da tarde eu recebi um email dos advogados dizendo que eu estava sendo substituído para os shows na Austrália.

Eu continuo esperançoso de que possamos resolver nossas diferenças. Mas, mais uma vez, peço sinceras desculpas a nossos fãs na Austrália que gastaram seu dinheiro esperando ver os 3 membros originais do Slayer.

Espero vê-los no futuro.

Sinceramente,
Dave Lombardo.”


Claro que a banda fez questão de responder com a seguinte nota:

"O Slayer confirma que Jon Dette será o baterista da banda na tour australiana que começa no próximo sábado, 23 de fevereiro, em Brisbane. Sobre o que foi citado no post de Dave Lombardo no Facebook, o Slayer não concorda com o que foi dito pelo Sr. Lombardo ou com a sequência [timeline] dos eventos conforme apresentada por ele, exceto com o fato de que o Sr. Lombardo, menos de uma semana antes da partida já marcada para a Austrália, apresentou um novo conjunto de exigências, que eram contrárias ao que havia sido previamente acertado. A banda não foi capaz de chegar a um acordo sobre estas novas exigências no pouco tempo que havia antes da saída para a Austrália. Existe mais do que o que o Sr. Lombardo contou mas, em respeito a ele, o Slayer não irá comentar. O Slayer agradece aos seus fãs da Austrália pela compreensão desta mudança de última hora, e mal pode esperar para vê-los nestes shows."

21 de fev de 2013

+ R.I.P. Magic Slim (07/08/1937 - 21/02/2013)

quinta-feira, fevereiro 21, 2013
Agora é pra valer. A equipe de Magic Slim acaba de confirmar a morte do Bluesman. Segue nota oficial publicada no Facebook.

For Immediate Release

It is with great sorrow that I inform you that Magic Slim, a.k.a. Morris Holt of Grenada, Mississippi passed away Thursday, February 21, 2013. He will be missed by his family, friends and blues fans all over the world. Funeral arrangements and a Memorial Service will be announced later this week. The family wishes to thank everyone for their kind words and prayers.

Marty Salzman - Manager Magic Slim
Linda Cunningham - Public Relations - Magic Slim
Mike Blakemore - Tour Manager - Magic Slim
 

A seguinte nota foi publicada pelo empresário de Magic Slim através do Facebook, explicando o motivo da confusão em torno da suposta morte do músico:

Update on Magic Slim per Marty Salzman - Magic Slim's Manager

The fact of the matter is that as of this moment, 8:00 am Thursday morning, Magic Slim has NOT passed away yet. He has been disconnected from life support but is not deceased as previously reported. He is not expected to recover and all we can do is pray for him and rejoice in his life. Thank you for caring.

Linda Cunningham
Public Relations - Magic Slim

Faleceu nesta quarta-feira, 20/02, em um hospital na Philadelphia, o lendário bluesman norte-americano Magic Slim. Ele tinha 75 anos, e a causa da morte foram os problemas respiratórios apresentados pelo músico no final do mês de janeiro, que o forçaram a cancelar a turnê ao lado de sua banda, The Teardrops, e ser hospitalizado na cidade de Phoenixville. O agravamento do estado de saúde o fez ser transferido para a Philadelphia, onde faleceu.

Slim começou a sua carreira em 1955 tocando baixo na banda de outro mágico, Magic Sam, de onde tirou o seu pseudônimo. Foi para a guitarra e gravou o seu primeiro álbum em 1967, intitulado Born Under a Bad Sign. Entretanto, esse disco levou dez anos para ser lançado, chegando às lojas apenas em 1977.

Para quem quiser se aventurar pela discografia de Magic Slim, recomendamos, além da estreia, os LPs Highway is My Home (1978) e Grand Slam (1982).

Por Ricardo Seelig

Detalhes do segundo álbum do Devil

quinta-feira, fevereiro 21, 2013
Após uma estreia muito elogiada com o excelente Time to Repent (2011), os noruegueses do Devil estão prestes a soltar seu segundo trabalho. Os detalhes do novo álbum já foram revelados: se chamará Gather the Sinners e tem lançamento agendado para 22 de março.

Formado por Joakim Trangsrud (vocal), Stian Fossum e Kai Wanderås (guitarras), Thomas Ljosaak (baixo) e Ronny Østli (bateria), o Devil é um prato cheio para quem curte Pentagram, Saint Vitus, Black Sabbath, Coven e afins.

 
Gather the Sinners sairá pela Soulseller Records e será composto por onze faixas:

1 Coffin Regatta
2 Beyond the Gate
3 They Pale
4 Legacy
5 Restless Wanderer
6 Ladies Of The Night
7 Darkest Day
8 Mother Shipton Pt. I
9 Mother Shipton Pt. II
10 Demons On Wheels
11 Southern Sun

Por Guilherme Gonçalves

Dave Lombardo não faz mais parte do Slayer

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

É, a quinta-feira começou com uma notícia bombástica: às vésperas de uma turnê australiana, o baterista Dave Lombardo publicou uma nota dizendo que foi demitido do Slayer! O motivo: ele questionou o modo como os negócios da banda são geridos, e o guitarrista Kerry King não teria gostado dessa atitude e o expulsou do grupo.

Segundo a Classic Rock, o início de toda essa história está no fato de que, após consultar os dados financeiros da banda, Lombardo percebeu que apenas 10% de todo o valor que o Slayer arrecadou durante as turnês que realizou em 2012 chegaram aos bolsos dos músicos. Ele questionou isso com King, conforme o próprio baterista conta em seu comunicado oficial:

Quero pedir desculpas pessoalmente a todos os nossos fãs na Austrália que compraram bilhetes para a turnê com a expectativa de me assistir no meu lugar habitual na bateria.

Para que todos saibam a verdade, a partir do final do contrato que temos entre nós, que venceu em 14 de fevereiro, fui informado de que não seria o baterista para a turnê na Austrália. Estou triste, e para ser honesto, chocado com a situação.

No ano passado eu descobri que 90% da renda do Slayer em turnê estava sendo deduzida como despesas, incluindo os honorários profissionais pagos aos managers, custando milhões de dólares das receitas da banda e deixando apenas 10%, ou menos, para ser dividido entre nós quatro. Na minha opinião, essa não é a maneira como uma banda deve operar financeira e administrativamente. Tentei corrigir isso, levando a situação até os meus companheiros. Tom e eu contratamos auditores para descobrir o que aconteceu, mas me foi negado o acesso a informações detalhadas e aos documentos necessários
.”

Lombardo diz que estranhou quando, no Natal de 2012, recebeu apenas um pequeno adiantamento depois de rodar o mundo durante todo o ano passado. Quanto questionou isso, recebeu a resposta que o contrato que ele havia assinado quando retornou ao grupo em 2001 não lhe concedia acesso às informações financeiras do grupo, bem como dar entrevistas e conceder declarações em nome do Slayer.

Dave continua: “Segunda-feira passada sentei com Kerry e Tom para ensaiar para a turnê australiana e propor um novo modelo de negócio para a banda, que eu ser o melhor caminho a seguir. Kerry deixou claro que ele não estava interessado em fazer mudanças, e disse que se eu quisesse discutir esse assunto ele iria encontrar outro baterista. Na quinta-feira ensaiamos por uma hora, como previsto, mas Kerry não apareceu no ensaio. No final do dia recebi um e-mail dos advogados dizendo que estava sendo substituído para as datas australianas. Continuo esperançoso de que podemos resolver os nossos problemas. Mas mais uma vez, peço sinceras desculpas a todos os nossos fãs na Austrália, que gastaram seu dinheiro à espera de ver nós três, membros originais do Slayer.”

Todo esses acontecimentos vem à tona poucos dias após Kerry King declarar que não deseja ter substitutos se revezando na vaga de Jeff Hanneman, que está afastado por motivos de saúde e não tem previsão de voltar ao grupo. Jeff, inclusive, deve ficar fora da gravação do novo álbum do Slayer. Ele está sendo substituído temporariamente por Gary Holt, do Exodus. Para o posto de Lombardo, o Slayer já anunciou o retorno do baterista John Dette, que tocou na banda entre 1996 e 1997, mas não chegou a gravar nenhum disco.

Essa é a terceira vez que Dave Lombardo deixa o Slayer. Ele saiu em 1986 alegando também questões financeiras, mas retornou no ano seguinte. Em 1992 deixou o grupo novamente, retornando apenas em 2001.

No momento, a banda conta, então, apenas com Kerry King e Tom Araya como membros originais e fixos. Mas, ao que parece, com base nas declarações de Lombardo, há algo de podre dentro do reino sangrento do Slayer, e não me surpreenderia se tivéssemos novidades sobre o assunto nas próximas semanas.


Vale lembrar que o Slayer está escalado para o Rock in Rio 2013, e tocará no festival no dia 22/09, mesma data de Iron Maiden e Avenged Sevelfold.

Por Ricardo Seelig

Ghost divulga capa do novo álbum Infestissumam

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Mais um aperitivo do novo trabalho do Ghost B.C. começa a circular pela internet. De acordo com o Blabbermouth, a imagem acima é a capa de Infestissumam, segundo álbum de estúdio do grupo sueco, com previsão de lançamento para o próximo dia 9 de abril através da Loma Vista Recordings.

A arte traz Papa Emeritus II, vocalista e líder do Ghost B.C, com um bebê deitado no centro da praça de São Pedro, no Vaticano.

Vale lembrar que recentemente o Ghost foi obrigado a mudar seu nome nos Estados Unidos para Ghost B.C (em destaque na arte divulgada). Apesar de ser muito provável, ainda não se sabe se a banda adotará em definitivo o novo nome em todo o resto do mundo.

Por Nelson Junior

20 de fev de 2013

Ouça “Antivist”, mais uma inédita do Bring Me The Horizon

quarta-feira, fevereiro 20, 2013
Outra música inédita do Bring Me The Horizon emergiu na rede. “Antivist” faz parte do novo disco da banda inglesa, Sempiternal, com data de lançamento marcada para 29 de abril.

Mais pesada e direta que “Shadow Moses”, divulgada anteriormente, “Antivist” une peso, groove e agressividade com precisão.

Ouça e conte pra gente o que achou:

Por Ricardo Seelig

Banda de hard rock italiana regrava “Skyfall”, de Adele

quarta-feira, fevereiro 20, 2013
O trio italiano de hard rock A Perfect Day fez uma versão para “Skyfall”, música-tema do último filme do agente 007 e gravada originalmente por Adele. A composição original está concorrendo também ao Oscar de melhor do ano.

O A Perfect Day é liderado por Andrea Cantarelli, ex-guitarrista do Labyrinth, e tem o seu line-up completado pelo vocalista e baixista Roberto Tiranti e pelo baterista Alessandro Bissa.

A releitura do trio é, obviamente, mais pesada que a versão original, e vale mais como curiosidade do que qualquer outra coisa.

Ouça:


Por Ricardo Seelig

Tudo sobre o novo disco do Heaven Shall Burn

quarta-feira, fevereiro 20, 2013
Novidade boa pra quem curte death metal: a banda alemã Heaven Shall Burn divulgou os detalhes de seu novo disco. O álbum se chamará Veto e será lançado pela Century Media em quatro datas diferentes: 19/04 (Alemanha, Áustria, Suíca e Noruega), 22/04 (restante da Europa), 26/04 (Austrália, Nova Zelândia e Finlândia) e 30/04 (Estados Unidos e Canadá). A capa traz a clássica pintura de Lady Godiva realizada por John Collier em 1898.




O disco tem onze faixas, a saber:

1 Godiva
2 Land of the Upricht Ones
3 Die Stürme Rufen Dich
4 Fallen
5 Hunters Will Be Hunted
6 You Will Be Godless
7 Valhalla
8 Antagonized
9 Like Gods Among Mortals
10 53 Nations
11 Beyond Redemption

Veto sucede Invictus (Iconoclast III), lançado pela banda em maio de 2010 e que recebeu reviews bastante positivos.

Por Ricardo Seelig

19 de fev de 2013

The Strypes: Fifteen Years of Maximum Rhythm and Blues

terça-feira, fevereiro 19, 2013
Então eu corro pra internet
Sou garoto antenado e baixo o novo embalo quente
Que é de 66
O Terno, 66

O possível próximo hype no rock já tem nome e, para ajudar (ou não!), um rostinho de bebê. É o The Strypes, um quarteto irlandês cujos integrantes possuem idades entre 14 e 16 anos. Originários de Cavan, os guris — que parecem os Small Faces — gravaram um EP com 4 faixas, tocaram em festivais locais de grandes proporções (como o Electric Picnic) e chegaram na Inglaterra conquistando atenções. Mesmo tendo se apresentado em locais relativamente pequenos, Elton John, Paul Weller, Noel Gallagher e Carl Barat não deixaram de prestigiar os shows dos garotos. A Mercury/Universal não perdeu tempo e, numa época em que não se aposta tanto em grupos novatos, assinou um contrato de 5 anos com a banda.



Agora o detalhe: eles só tocam covers! Porém, é a banda cover mais classuda do mundo! As opções estéticas do grupo, desde visual até a seleção do repertório, passando da escolha de timbres até as respostas dadas aos jornalistas (“Só ouvimos Stones e The Who”), são tão coerentes e acertadas que eles parecem ter sido inventados! Acertam sempre tão em cheio que é difícil acreditar que seja verdade.

Todo o conceito da banda já pode ser sacado nesse EP de estreia. Intitulado Young Gifted & Blue, o disquinho traz quatro composições de blueseiros ancestrais, e são executadas em versões profundamente inspiradas nas performances de grupos de r&b britânicos da primeira metade dos anos 60, como Rolling Stones, Yardbirds, Animals, Them, Kinks, Small Faces e The Who (lembrando que os primeiros discos deles também foram todos compostos por covers nesse mesmo estilo). O fato dos Strypes iniciarem a carreira da mesma forma que tais nomes consagrados da história do rock — prestando tributos viscerais e selvagens para as raízes mais primitivas do gênero — confere um caráter ainda mais orgânico para as escolhas a banda.



Até o videoclipe de “You Can't Judge A Book By The Cover”, em clima retrô, acerta na vertiginosa — e bem produzida — opção clichê. Há também vídeos das outras músicas do EP no perfil oficial do grupo no YouTube, registrando eles tocando ao vivo — e se alternando nos instrumentos — em performances competentes, com canções convulsivas e nervosas.


   
Mais do que qualquer suspeita originalidade ou mistura excêntrica, o rock sempre avança de maneira muito mais coerente quando dialoga com sua própria tradição. The Strypes é a melhor banda de rhythm & blues inglês que surgiu desde 1966! São uns monstrinhos e já tocam um terror desgraçado. Imagina quando esses piás começarem a chupar droga.




Confira detalhes sobre cada uma das 4 faixas lançadas em Young Gifted & Blue, EP de estreia do The Strypes.

You Can't Judge A Book By The Cover

Composta por Willie Dixon, foi gravada e lançada em 1962 por Bo Diddley. No mesmo ano, os Rolling Stones registraram uma versão demo que nunca lançaram oficialmente. Em sua fase inicial, com Eric Clapton na guitarra, a faixa integrava o repertório dos Yardbirds. Foi relançada como faixa bônus do Five Live Yardbirds, disco de estreia visceral (e ao vivo) da banda.

I Wish You Would

Originalmente um 78rpm de 1955 de Billy Boy Arnold, foi regravada no primeiro compacto dos Yardbirds, em 1964. Fez um tremendo sucesso e entrou no Top 10, permanecendo no repertório do grupo até o fim. Mais tarde, foi regravada por uma série de bandas e artistas, como Canned Heat, os glams do Sweet e David Bowie, no álbum de covers Pin Ups, de 1973.

Leaving Here

Composta por Holland–Dozier–Holland, originalmente foi um compacto clássico da Motown, a gravadora que revolucionou a black music, dominando esse mercado desde os anos 60. Na Swinging London, os mods eram fissurados nos lançamentos da Motown. O The Who havia apresentado a música na BBC e o The Birds — primeira banda de Ron Wood — gravou e lançou a faixa em um compacto, em 1965.

Got Love If You Want It

Lado B do primeiro compacto de Slim Harpo, de 1957, foi regravada pelos Kinks em seu primeiro LP e, ao vivo, aparece em discos dos Yardbirds. Os Rolling Stones referenciaram a canção no título do primeiro EP e LP ao vivo que lançaram, Got Live If You Want It, em 1965. Há suspeitas que, na verdade, seja um falso ao vivo, registrado em estúdio e com os gritos das fãs incluídos posteriormente.

Rock’n’Roll = Rhythm & Blues (aos menos nos primórdios)

Normalmente, se costuma apontar o primeiro compacto de Chuck Berry ou o aparecimento de Elvis como sendo o nascimento do rock’n’roll. Isso não passa de uma simplificação grosseira. Historiadores culturais retrógrados e jornalistas musicais caretas precisam de determinadas balizas históricas factuais para simplificar eventos muito mais complexos. O fato é que, até ganhar esse nome, o rock foi um gênero que ferveu por anos (ou décadas) no caldeirão musical do sul dos EUA.

O sensacional jornalista (gonzo) Nick Tosches já realizou um mapeamento etimológico no sensacional livro Criaturas Flamejantes (publicado no Brasil em formato pocket pela editora Conrad, mas que na verdade é um único capítulo de um livro maior, intitulado Country, de 1985), e mostra que rock’n’roll, como uma expressão, já existia em Vênus e Adonis (1593), de Shakespeare. Também, o termo aparecia em uma canção do mar do século XIX e em cânticos cerimoniais vodus no Caribe. Tosches garimpou mais de 35 gravações anteriores a Elvis ou Chuck Berry que traziam “rock” no título.



Nos EUA da primeira metade do século XX, havia uma distinção entre música e aquilo que os setores mais conservadores da sociedade chamavam de “race records”, que pode ser traduzido como “música de preto”. Em 1949, o jornalista Jerry Wexler (um desses heróis socioculturais esquecidos) cunhou o termo rhythm’n’blues para designar as paradas de sucesso de música negra (cuja lista era separada da dos artistas branquelos), colocando fim ao uso humilhante da expressão anterior.

Já fazia alguns anos que vários músicos negros haviam partido das áreas rurais no sul. Chegando nas grandes cidades, se adaptaram e eletrificaram o som que faziam, passando a utilizar guitarras e amplificadores. O ritmo dos antigos blues foi dobrado, ficando mais rápido. As letras gospel, que eram cantadas para Deus, foram alteradas e redirecionadas para o objeto de desejo e paixão: “Lord” virou “Love”. No circuito do rhythm’n’blues, a expressão rock’n’roll era uma gíria (e os caretas nem imaginavam) para sexo. Em português, o termo poderia ser traduzido como “deitar e rolar” (que também pode ter mil e um significados). Musicalmente, não era um protótipo: o rhythm’n’blues JÁ ERA o rock’n’roll!


Essas gravações eram lançadas por pequenos selos independentes. As lojas e gravadoras também eram separadas. A maioria do público branco não entrava em estabelecimentos que vendiam r&b. Adolescentes precisavam se esconder para ouvir estações que tocavam essas músicas empolgantes.

Mas grande jogada de marketing pra enfiar a música negra no rabo dos branquelos retrógrados foi arquitetada pelo DJ Alan Freed. Desde 1951, em seu programa de rádio e shows itinerantes com várias atrações musicais, Freed anunciava que tocava um novo estilo de música, chamado rock’n’roll. Era mentira: ele apenas tocava discos de rhythm’n’blues para uma audiência ignorante, que não sabia o que ouvia. O resto é História (com “agá” maiúsculo).

Após tocar o terror na sociedade norte-americana por cerca de meia década (1955-1960), o establishment tratou de cooptar o rock. Pressões do governo, das gravadoras, dos líderes religiosos e da sociedade civil acabaram por domesticá-lo, transformando-o em um estilo pasteurizado e bem comportado, através de artistas fabricados pela indústria da música. Os representantes originais e rebeldes — Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Elvis — foram neutralizados de diversas maneiras. O gênero dava lugar a outros estilos impostos pelo mercado musical. O evento símbolo do fim dessa primeira era do rock foi a tragédia que ficou conhecida como “o dia em que a música morreu”, quando em 1959 o avião de Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper caiu. O rock’n’roll foi sepultado junto com eles.

Uma palavrinha (ou duas) sobre R&B Inglês

No início da década de 1960, no outro lado do oceano Atlântico, já com o rock morto, uma série de adolescentes ingleses começaram a descobrir parte da riqueza musical dos EUA. Fascinados pelo blues (cujos discos eram difíceis de serem encontrados por lá), esses jovens inglesinhos ranhetas e cheios de espinha montaram bandas eletrificadas e começaram a fazer versões cover. E, da mesma forma que incontáveis grupos de rhythm’n’blues fizeram antes, eles (re)inventaram o rock’n’roll, só que na Inglaterra. São bandas como os Rolling Stones, Eric Burdon e os Animals, Eric Clapton e os Yardbirds, o irlandês Van Morrison e o Them, Pretty Things, entre tantos outros.



Pegando carona na onda criada pelos Beatles (que não eram um grupo de r&b, mas de Merseybeat, pois ouviam e tocavam o rock’n’roll em sua forma acabada, não embrionária), integraram o evento que ficou conhecido como Invasão Britânica e, nas palavras de Eric Burdon, atiraram de volta na cara dos EUA a música que eles haviam jogado no lixo.


Ao eletrificar antigos blues rurais e dobrarem seu ritmo, esses jovens ingleses estavam fazendo o mesmo que os primeiros grupos de r&b fizeram. Daí o estilo que dominou a Inglaterra na época ser denominado como rhythm & blues inglês, e que não deixa de ser uma forma de rock. Talvez a principal diferença é que, ao contrário dos americanos, os ingleses tinham uma relação mais rebuscada com a música, inclusive pelo estudo. Eram instrumentistas muito mais técnicos. E suas versões para os clássicos estão entre as gravações de rock mais selvagens e furiosas de todos os tempos!


Todos os primeiros compactos e álbuns dessas bandas são formados quase que exclusivamente por covers. Há apenas algumas poucas composições próprias perdidas no meio dos LPs e no lado B de alguns EPs. Foi assim que tantos artistas, hoje aclamados, foram forjando seu estilo próprio antes de se aventurar com composições próprias. O auge do r&b inglês se deu entre 1964 e 1966, até ser engolido pela vaga psicodélica.

De volta ao The Strypes
    
Como censurar uma banda por tocar cover se os integrantes tem apenas 14-16 anos? Na verdade, os Strypes souberam se inserir em um contexto que deu significado a isso!




Desde a virada do milênio, as bandas de rock contemporâneas foram surgindo mostrando profundo conhecimento sobre determinados movimentos musicais ou sonoridades marcantes da história do rock. Os garotos do The Strypes dão continuidade a tradição do r&b inglês atendendo a todos os requisitos estéticos e musicais fundamentais do estilo. E fazem o seu barulho com imensa maestria instrumental para a pouca idade que possuem. Mais que isso, resgataram uma das vertentes mais convulsivas e furiosas do rock.

Da para apostar umas fichas nas composições próprias vindouras. Enquanto isso, eles vão quebrando tudo com standards classudos em versões matadoras. Como diz a canção d’O Terno (melhor banda nacional que apareceu em muito tempo), "quem é antenado baixa o novo embalo quente que é de 66!"



Uma nota de rodapé

Não galera, The Strypes não tem nada a ver com White Stripes ou qualquer outra gracinha tecnobrega-indie por aí. Comparar eles com os Beatles é realmente ter horizontes muito estreitos no mundo do rock (ou ser meio surdo). É acertar o tiro no alvo ao lado. Conhecer a discografia dos Stones e dos Yardbirds é catequismo. Basicão! Junta todos os alternativos e indiotas dos últimos 10 anos que, ainda assim, eles não tem a categoria de um Roger The Engineer ou mesmo um December's Children (And Everybody's).

Por Rodrigo de Andrade

Assista “Spirits of Fire”, o novo clipe do Year of the Goat

terça-feira, fevereiro 19, 2013
Uma das boas surpresas de 2012 foi a estreia da banda sueca Year of the Goat. O álbum Angels’ Necropolis trouxe um occult rock com grande presença de elementos de metal tradicional e ótimas melodias, resultando em uma audição pra lá de agradável.

Um dos sons do disco, “Spirits of Fire”, recebeu um vídeo temperado por características psicodélicas que retratam uma cerimônia, tudo embalado por uma fotografia que remete aos clássicos de terror da década de 1970.

Bom demais!


 

Por Ricardo Seelig

+ RIP Ricardo Werther +

terça-feira, fevereiro 19, 2013
Após uma longa batalha contra um grave problema de saúde, o bluesman Ricardo Werther faleceu no início da madrugada desta terça-feira, 19 de fevereiro.

Werther fez parte do Big Allanbik e também lançou discos solo, além de participar de várias gravações ao lado de diversos artistas.

Desejamos força para a família e amigos, e que a paz finalmente encontre o caminho de Ricardo, um dos maiores talentos do blues brasileiro.


Por Ricardo Seelig

Terrorizer coloca o Darkthrone em destaque na capa de sua nova edição

terça-feira, fevereiro 19, 2013
A revista inglesa Terrorizer, especializada em metal extremo, tem na capa de sua nova edição a lendária banda norueguesa Darkthrone. Na matéria, Fenriz e Nocturno Culto falam sobre o novo disco do grupo, The Underground Resistance, que sairá dia 25 de fevereiro e promete ser um dos eventos metálicos de 2013.

Também marcam presença nomes como Soilwork, Clutch, Jason Newsted, Rotting Christ, Kvelertak e Ghost B.C., entre outros.

Para comprar, acesse o site oficial.


Por Ricardo Seelig

Kvelertak na capa da nova Metal Hammer norueguesa

terça-feira, fevereiro 19, 2013
As capas da edição norueguesa da Metal Hammer são sempre muito bem feitas, com direção de arte incríveis que resultam em um aprimorado trabalho estético. 

A nova edição da revista segue a mesma linha, dando destaque para o Kvelertak, que está lançando o seu segundo disco, Meir, no próximo dia 25 de março. Anthrax, Satyricon, Tomahawk, Vreid, Clutch e outros também marcam presença.

Enquanto isso, no Brasil ...

Por Ricardo Seelig

Kadavar revela título, tracklist e data de lançamento de seu segundo LP

terça-feira, fevereiro 19, 2013
A banda alemã Kadavar, que estreou em 2012 com o seu ótimo primeiro disco, está com o segundo passo já preparado. O trio foi contratado pela gigante Nuclear Blast e lançará dia 12 de abril o seu segundo LP, intitulado Abra Kadavar.

O álbum terá nove faixas e será lançado em CD e vinil, além de uma edição limitada em digipak com uma música a mais, “The Man I Shot”.

 
O tracklist de Abra Kadavar é o seguinte:

1 Come Back Life
2 Doomsday Machine
3 Eye of the Storm
4 Black Snake
5 Dust
6 Fire
7 Liquid Dream
8 Rhythm for Endless Minds
9 Abra Kadabra

A foto da capa foi feita por Joe Dolworth, ex-baterista do Stereolab.

Leia aqui o review da excelente estreia da banda.

Por Ricardo Seelig

Ouça “Graveyard City”, nova música do Voodoo Circle

terça-feira, fevereiro 19, 2013
Boas novas para quem curte hard e metal tradicional. A banda alemã Voodoo Circle, liderada pelo guitarrista Alex Beyrodt, divulgou “Graveyard City”, faixa que estará em seu terceiro disco, More Than One Way Home. O álbum será lançado em 22 de fevereiro pela AFM. 

Leia aqui o review do último trabalho do grupo, e ouça a nova música abaixo:



Por Ricardo Seelig

18 de fev de 2013

Ghost lança clipe para "Secular Haze"

segunda-feira, fevereiro 18, 2013
A enigmática banda sueca Ghost B.C lançou o clipe oficial da faixa “Secular Haze”, canção que estará em seu aguardado segundo disco, Infestissumam, com previsão de lançamento para abril. O vídeo foi divulgado pelo Noisey.com

Segundo o site Blabbermouth, o clipe dirigido pelo diretor e rapper sueco Amir Chamdin foi gravado em Linköping, cidade natal dos mascarados. Bastante simples, o vídeo traz a performance da banda em um ambiente que lembra um estúdio de TV dos anos 1970.

Por “motivos legais”, o então Ghost foi obrigado recentemente a trocar de nome nos Estados Unidos, passando a se chamar Ghost B.C. 


 


Por Nelson Júnior

Crítica do livro O Reino Sangrento do Slayer

segunda-feira, fevereiro 18, 2013
O Reino Sangrento do Slayer é o primeiro livro sobre a lendária e clássica banda californiana de thrash metal publicado no Brasil. Escrito pelo respeitado jornalista inglês Joel McIver, autor de diversas obras sobre a carreira de artistas como Metallica, Black Sabbath, Tool, Cliff Burton, Randy Rhoads, Glenn Hughes e Machine Head, foi lançado no final de 2012 por aqui pela Edições Ideal.

O modo de escrever de McIver é mais direto que, por exemplo, o texto de Mick Wall, outro escriba inglês que enveredou pelo mercado das biografias. Isso faz com que, em alguns capítulos, tenhamos a sensação que certos assuntos foram tratados de maneira superficial e poderiam ser melhor explorados pelo autor. Isso acontece principalmente no início da obra, quando os primeiros anos do Slayer são abordados. O próprio autor assume isso no prefácio, dizendo que, pela fartura de livros já publicados sobre o Slayer e que focaram nesse período, ele preferiu não ir tão fundo nos primeiros dias da banda. Porém, por se tratar do até agora único livro sobre o grupo publicado no Brasil, essa carência torna-se evidente e um ponto falho.

McIver escreve com grande conhecimento sobre a banda, contando histórias de bastidores, detalhes da relação com outros artistas, desavenças entre os músicos e tudo que envolve um grupo da importância e com a história do Slayer. Além disso, dá a sua opinião pessoal analisando todos os discos faixa a faixa, o que serve como guia para quem nunca ouviu os álbuns do quarteto ou quer escutá-los sob uma nova perspectiva.

O Reino Sangrento do Slayer é um bom livro, que traz diversas informações pertinentes e importantes sobre a trajetória do conjunto, e lança uma ótica diferente sobre a carreira da banda. Porém, um ponto negativo é que o original em inglês foi publicado em 2008 e a edição nacional não foi atualizada, deixando de lado tudo que aconteceu com o grupo nestes últimos cinco anos, incluindo o álbum World Painted Blood e os já históricos shows com o Big 4.

No entanto, algumas observações precisam ser feitas. A versão nacional deixa muito a desejar em um aspecto: a tradução. Tem-se a impressão, durante toda a leitura, que a editora contratou uma profissional sem o menor conhecimento não somente sobre o grupo, mas do universo da música como um todo. Isso faz com que o texto seja duro e apresente falhas toscas, erros que alguém familiarizado com a realidade do metal não deixaria passar. Além disso, fica claro que o texto final não passou por uma revisão ortográfica e nem por uma revisão técnica, tamanha a quantidade de erros presentes em praticamente todas as páginas. Esse é um fato que incomoda bastante a leitura, mas, por tratar-se da única biografia sobre o Slayer lançada até o momento no Brasil, acaba-se passando por esses percalços para ir até o final do livro. Para as novas edições, a Edições Ideal precisa fazer o trabalho correto até o fim, revisando o texto em todos os sentidos.

Apesar dos pesares - e eles são muitos -, O Reino Sangrento do Slayer é um bom livro e leitura recomendada para quem curte a banda e o heavy metal. Mas que dava pra ser muito mais caprichado, ah isso dava ...

Por Ricardo Seelig

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