8 de mar de 2013

David Bowie: crítica de The Next Day (2013)

sexta-feira, março 08, 2013
The Next Day é um disco surpreendente em todos os sentidos. Primeiro, porque ninguém esperava que David Bowie, após 10 anos de silêncio e totalmente afastado do cenário musical desde que sofreu um infarto em 2004, estivesse trabalhando em um novo álbum com canções inéditas. Surpreendente porque traz uma capa pra lá de singular, que pega a arte do clássico “Heroes”, de 1977, e a reinventa para o Bowie atual, sem rosto e sem a mínima pista para os fãs. E, finalmente, surpreendente por mostrar um músico ostentando uma criatividade cativante no alto dos seus 66 anos, sendo capaz de gravar um de seus mais consistentes trabalhos.

Produzido pelo parceiro de longa data Tony Visconti (T. Rex, Thin Lizzy, Gentle Giant), The Next Day é o 24º álbum de David Bowie e o primeiro desde Reality, de 2003. O disco acaba de sair na Europa e nos próximos dias desembarcará nas lojas norte-americanas e brasileiras. Gravado ao longo de dois anos em sigilo absoluto em Nova York, traz David acompanhado pelo guitarrista Gerry Leonard, pela baixista Gail Ann Dorsey e pelo baterista Zachary Alford. Outros músicos marcam presença em faixas isoladas, mas o time titular é esse.

Dono de uma trajetória marcada por diversas mudanças, tanto visuais como estilísticas, Bowie gravou em The Next Day um álbum essencialmente de rock temperado com algumas pitadas pop. Todas as quatorze faixas foram compostas pelo cantor, em um trabalho que mostra o porque de o camaleão inglês ostentar o status de um dos maiores músicos da história do rock.

Com melodias fortes e composições que agradam de imediato, The Next Day, como já dito, impressiona pela qualidade. O retorno de Bowie é de cair o queixo, um trabalho fortíssimo, consistente e dono de excelentes composições. A sequência inicial - da faixa-título até a balada “Valentine’s Day” -, é de cair o queixo e pega qualquer um despreparado com seis faixas que beiram o sublime. O nível segue na estratosfera em canções como “I’d Rather Be High” (com um clima meio indiano), “Boss of Me”, “How Does the Grass Grow?” e a surpreendentemente agressiva “(You Will) Set the World on Fire”, dona de um dos riffs mais pesados da carreira de Bowie.

Afiado e visceral como sempre, David Bowie olha para a sua própria história em The Next Day e sai dessa experiência com um de seus melhores discos. Saudado pela crítica como “o maior retorno da história do rock”, The Next Day faz juz a todos os elogios, por mais exagerados que eles possam parecer. O álbum provoca o encontro do melhor Bowie dos anos setenta com o melhor David da década de oitenta, e o resultado é um trabalho que arrepia ao mostrar um dos maiores músicos da história reafirmando a sua genialidade bem diante de nossos olhos.

Não há escapatória, assim como não existe motivo para fugir. Estamos diante de um fato: The Next Day é uma obra-prima. Um assombro. Um êxtase. Um primor. Excelente em todos os aspectos, ótimo até dizer chega. The Next Day é Bowie sendo Bowie, e isso por si só já é demais!

Nota 9,5

Faixas:

1 The Next Day
2 Disty Boys
3 The Stars (Are Out Tonight)
4 Love is Lost
5 Where Are We Now?
6 Valentine’s Day
7 If You Can See Me
8 I’d Rather Be High
9 Boss of Me
10 Dancing Out in Space
11 How Does the Grass Grow?
12 (You Will) Set the World on Fire
13 You Feel So Lonely You Could Die
14 Heat

Por Ricardo Seelig

Assista “Halcyon Days”, o novo clipe do Stratovarius

sexta-feira, março 08, 2013
A banda finlandesa Stratovarius divulgou o primeiro clipe do seu novo disco, Nemesis. O décimo-quarto álbum do grupo foi lançado em 22 de fevereiro e está sendo bem recebido pela crítica especializada, com bons reviews tanto na Europa quanto nos Estados Unidos - leia aqui e aqui dois exemplos.

“Halcyon Days” recebeu um vídeo dirigido por Pekka Hara e que mostra cenas de uma fã do quinteto intercaladas com imagens da banda.

Vale lembrar que Nemesis marca a estreia do baterista Rolf Pive, substituto de Jörg Michael. O disco será lançado no Brasil pela Hellion durante o mês de março.

Assista abaixo:



Por Ricardo Seelig

Jess and The Ancient Ones: crítica de Astral Sabbat (2013)

sexta-feira, março 08, 2013

Na onda de resgate do obscuro occult rock das décadas de 60 e 70 que atingiu o seu ápice nos últimos anos, o Jess and The Ancient Ones foi formado por Thomas Corpse e Von Stroh, da extinta banda de death metal Demilich, e lançou o seu debut auto-intitulado em 2012. Agregando elementos de doom, rock progressivo e folk, a banda já mostrava uma identidade própria, com uma singular construção instrumental acompanhada dos ótimos vocais da vocalista Jess.

Nove meses após o elogiado disco de estreia eles retornam com o EP Astral Sabbat, novamente pela Svart Records, gravadora independente da Finlândia que vem prestando um interessante serviço ao lançar novas bandas desse segmento, ao mesmo tempo em que relança várias obras obscuras do heavy metal em vinil.

"Astral Sabbat" já mostra que a banda não fez deste EP apenas uma desculpa para lançar algum possível resto de estúdio, mas sim que mesmo em pouco tempo, já estão estabelecendo qual é o próximo passo a ser dado, musicalmente falando. A produção mais crua enaltece a excelente inclusão de elementos de psychedelic rock em uma faixa que deixa de lado (um pouco) a orientação pelos riffs de guitarra e se agarra ao groove propriamente dito, construído pelas linhas de baixo e órgão. A segunda faixa é uma versão para "Long and Lonesome Road", single originalmente gravado pela banda holandesa Shocking Blue em 1969, e apesar de inesperado, manteve-se extremamente fiel e conseguiu se encaixar perfeitamente no clima criado pela faixa de abertura. 

Porém, o grande trunfo de Jess e seus companheiros nesse episódio se chama "More Than Living": um épico de quase quinze minutos em moldes bem semelhantes a "Sulfur Giants", um dos melhores momentos do seu debut. Com passagens de guitarra que remetem diretamente ao rock progressivo setentista, sobre uma belíssima balada folk, é praticamente impossível não vivenciar uma verdadeira viagem ao fechar os olhos. O crescendo da faixa soa natural, evoluindo lentamente com algumas inserções bruscas de riffs que parecem tirados diretos do álbum anterior e servem para separar de forma objetiva as diversas partes de "More Than Living".

Apesar de contar com apenas três músicas, o Jess and The Ancient Ones se mostra por enquanto incansável, buscando a sua identidade mesmo depois de um bem sucedido álbum de estreia. "Astral Sabbat", "Long and Lonesome Road" e "More Than Living" trazem uma banda ainda mais madura como um conjunto, explorando outras possibilidades que a sua proposta permite. E exatamente por apresentar excelentes resultados em caminhos relativamente diferentes do originalmente seguido, figuram como um dos mais promissores nomes atualmente.

Nota 8



Faixas:
1. Astral Sabbat
2. Long And Lonesome Road (Shocking Blue Cover)
3. More Than Living

Por Rodrigo Carvalho, do Progcast

Os filhos (quase clones) dos Beatles

sexta-feira, março 08, 2013
Estava pesquisando material sobre os filhos dos Beatles apenas por curiosidade, quando me toquei da impressionante semelhança física que os rebentos homens do Fab Four apresentam em relação aos seus pais.

Inspirado por isso, escrevi uma matéria com um pouco da trajetória de cada um deles - Julian, Sean, James, Dhani e Zak.

Espero que gostem!

Julian Lennon

É o mais velho dos filhos dos Beatles. Nasceu em 8 de abril de 1963 e é fruto da relação de John com sua primeira esposa, Cynthia Powell. Batizado como John Charles Julian Lennon, é afilhado do falecido empresário dos Beatles, Brian Epstein.

Julian sempre teve uma relação conturbada e distante com o pai. Depois que conheceu Yoko, John se afastou de todos que lembravam a sua vida anterior, incluindo o filho. Houveram várias tentativas de reaproximação durante a década de 1970, mas o comportamento volátil de Lennon sempre dificultou as coisas. No entanto, Julian sempre foi muito próximo de Paul McCartney, que desde o início o tratou quase como um filho, substituindo a figura paterna que John nunca foi para Julian. Até hoje ambos mantém uma relação muito próxima.

Julian Lennon inspirou algumas composições dos Beatles. “Lucy in the Sky with Diamonds” nasceu de um desenho seu feito na escola, e que ele batizou de “Lucy no céu com diamantes”. As iniciais da faixa formam a sigla LSD, alusão à droga alucinógena sempre negada por John.

Já “Hey Jude”, escrita por Paul, nasceu de uma visita de McCartney a Cynthia e Julian logo após Lennon se separar de sua primeira esposa. Na volta para casa, Paul, tocado pela situação, compôs a melodia e parte da letra em seu carro, como uma canção de conforto e carinho para Julian. Inicialmente a música se chamaria “Hey Jules”, mas foi alterada por Paul. Julian só descobriu que “Hey Jude” havia sido composta para ele mais de vinte anos depois. Já John imaginou que a canção havia sido escrita para ele, como uma mensagem de McCartney.

“Good Night”, presente no duplo White Album, foi escrita por John como uma canção de ninar para Julian, então com apenas 5 anos.

O primogênito de Lennon tem uma carreira musical que, mesmo não chegando perto da do pai, possui inúmeros admiradores. Julian já gravou seis discos - Valotte (1984), The Secret Value of Daydreaming (1986), Mr. Jordan (1989), Help Yourself (1991), Photograph Smile (1998) e Everything Changes (2011) -, e durante a década de 1980 alcançou grande sucesso comercial com suas canções.

Ouça aqui uma música de Julian.

Zak Starkey

Provavelmente o mais bem sucedido musicalmente dos rebentos dos Beatles, Zak Richard Starkey nasceu em 13 de setembro de 1965 e é filho de Ringo com sua primeira esposa, Maureen. Começou a se interessar por música aos 8 anos, e aos 10 entrou pra valer na bateria. Keith Moon, o finado baterista do The Who, é seu padrinho.

Iniciou a carreira musical em uma nova versão do Spencer Davis Group montada durante a década de 1980. Trabalhou com John Entwistle no álbum The Rock, lançado pela baixista do Who em 1996. Particiou da Ringo Starr & His All-Starr Band entre 1992 e 1995, saindo em 1996 para ocupar o lugar que um dia foi de seu padrinho na bateria do The Who, posto que ocupa até hoje. Trabalhou também do Johnny Marr entre 2000 e 2003 e fez parte do Oasis de 2004 a 2008.

Músico de estúdio experiente, tocou em diversos álbuns de nomes como ASAP (do guitarrista do Iron Maiden, Adrian Smith), Tony Martin e inúmeros outros.

Assista aqui Zak com o The Who.

Sean Lennon

Sean Taro Ono Lennon nasceu em 9 de outubro de 1975, data do aniversário de 35 anos de Lennon. É o único filho da relação entre John e Yoko. Elton John é seu padrinho. Conviveu apenas 5 anos com o pai, período em que John se afastou da música e tentou ser apenas um pai de família. O álbum Double Fantasy, lançado em 17 de novembro de 1980, marcou o fim do isolamento do Beatle durante o período, mas ele acabaria assassinado vinte dias depois, em 8 de dezembro.

A cara do pai, Sean estreou na música em 1981, no disco Season of Glass, de Yoko. Colaborou constantemente nos álbuns da mãe até a adolescência. Aos 16 anos, co-escreveu com Lenny Kravitz a faixa “All I Ever Wanted”, presente em Mama Said, segundo LP de Kravitz.

Lançou dois discos com a banda Cibo Matto - Super Relax (1997) e Stereo * Type A (1999) - e três álbuns solo - Into the Sun (1998), Half Morse, Half Musician (1999) e Friendly Fire (2006). Além disso, colaborou com Albert Hammond Jr, guitarrista dos Strokes, em Yours to Keep (2006) e Como te Llama? (2008).

Ouça aqui uma música de Sean.

James McCartney

Terceiro filho de Paul e Linda McCartney, James Louis McCartney nasceu em 12 de setembro de 1977. Assim como o pai, também é músico.

Viveu os seus primeiros anos acompanhando os pais nas turnês dos Wings. Após assistir a performance de Michael J. Fox tocando guitarra no filme De Volta Para o Futuro, decidiu que queria ser guitarrista. Ao completar 9 anos de idade ganhou de presente do pai uma Fender Stratocaster que havia sido anteriormente de Carl Perkins, lenda do rockabilly.

James tocou na faixa “Heaven on a Sunday”, presente no álbum Flaming Pie (1997), e co-escreveu com Paul duas faixas de Driving Rain (2001), “Spinning on an Axis” e “Back in the Sunshine Again”. Sua guitarra também pode ser ouvida em Wide Prairie, álbum póstumo de Linda lançado em 1998.

Lançou dois EPs - Available Light (2010) e Close At Hand (2011). Seu primeiro disco solo, Me, saiu em 2013.

Assista aqui a um clipe de James.

Dhani Harrison

Filho de George e Olivia, nasceu em 1 de agosto de 1978. Fisicamente idêntico ao pai, também seguiu os seus passos como música. Sua estreia foi em Brainwashed, último (e póstumo) disco de Harrison.

Dhani cresceu ao lado dos pais na propriedade da família em Friar Park. Aos 6 anos receberia aulas de bateria de Ringo, mas assustou-se com o som alto do instrumento, começou a chorar e retirou-se do local, nunca mais chegando perto de um kit.

Participou do Concert for George, em memória ao pai. Colaborou com Jakob Dylan e Sean Lennon em uma versão de “Gimme Some Truth” para o tributo Instant Karma: The Amnesty International Campaign to Save Darfur. É o autor também de duas canções nunca lançadas do Traveling Wilburys.

Em 2006 formou a banda thenewno2, com quem gravou dois EPs - EP001 (2006) e EP002 (2011) -, além de um par de álbuns - You Are Here (2008) e thefearofmissingout (2012). Atualmente faz parte do Fistful of Mercy, projeto que montou ao lado de Ben Harper e Joseph Arthur e que lançou a sua estreia, As I Call You Down, em 2010.

Veja aqui um clipe de Dhani.

Por Ricardo Seelig 

Black Sabbath na Argentina em outubro. E o Brasil, como é que fica?

sexta-feira, março 08, 2013
A imprensa argentina está noticiando que o Black Sabbath tocará no país no início de outubro. Segundo nossos hermanos, os pais do heavy metal farão um único show por lá, no dia 6 de outubro, no Estadio Unico de La Plata, em Buenos Aires. Esta apresentação ainda não confirmada pela banda de maneira oficial.

Mas e o Brasil, como fica nisso tudo? Vou então colocar em pratos limpos o que sei. O Black Sabbath é sondado insistentemente desde o segundo semestre de 2012 pela XYZ Live para ser um dos headliners da nova edição do festival Monsters of Rock, que deve acontecer em São Paulo em outubro. A empresa também negocia pesado para trazer o Rush ou o Van Halen para o evento. A ideia é ter o Sabbath como principal headliner, e o trio canadense ou o quarteto norte-americano fazendo companhia. Como o Van Halen estava parado devido aos problemas de saúde de Eddie Van Halen e aos poucos está retornando aos shows, e, além disso, tem uma dificuldade crônica em se apresentar fora dos Estados Unidos, aposto as minhas fichas no Rush.

Porém, aqui, há um detalhe: o sempre bem informado jornalista e por dentro das coisas Regis Tadeu afirmou em seu Twitter, sem meias palavras, que três bandas tocarão no Brasil em 2013 no segundo semestre, e que isso é certeza. Segundo o Regis, elas seriam o Black Sabbath, o Van Halen e o The Who. O também sempre antenado jornalista Lúcio Ribeiro escreveu sobre a negociação que envolve o Black Sabbath em duas matérias publicadas em seu blog, o Popload - leia aqui e aqui.

O outro ponto é que o Rock in Rio acontece algumas semanas antes dessa data na argentina. O festival se encerra dia 22 de setembro, tendo como último show o Iron Maiden. Levando em conta o apetite voraz e o quase infinito poder financeiro do festival - é sempre bom lembrar que Roberto Medina tem dois sócios de peso no RiR, a Rede Globo e o bilionário Eike Batista - e a proximidade entre as datas, não seria surpresa se o Black Sabbath fosse confirmado na edição 2013, abrindo mais um dia para o heavy metal.

O que é quase definitivo é que a banda não fará uma turnê pelo país, tocando em várias capitais, como sonham os fãs. O Black Sabbath provavelmente fará apenas uma apresentação no Brasil, e ela acontecerá em um grande festival. Isso é dado como certo por quem está envolvido com a produção de shows, só resta saber em que evento a banda tocará e em que data veremos o grupo por aqui.

Novidades logo, logo.

Por Ricardo Seelig

Ancient VVisdom: crítica de Deathlike (2013)

sexta-feira, março 08, 2013

Banda que despontou como uma das mais promissoras nos últimos anos, os texanos do Ancient VVisdom vem crescendo gradativamente em popularidade graças à incomum proposta de mesclar occult rock com folk, de forma prioritariamente acústica, apenas com o suporte de texturas distorcidas e percussões ritualísticas.

Deathlike, o sucessor de A Godlike Inferno, foi lançado pela Prosthetic Records, tendo sido gravado novamente no Diamond Factory, em Austin, mantendo a parceria com os produtores Jason Buntz e Jack Control, que foram elementos decisivos na qualidade da sonoridade criada no debut.

Como se estivesse adentrando uma densa floresta através de uma única trilha meio apagada, em ritmo lento e cadenciado, a introdução "The Beginning" traz a necessária sensação de transe, essencial para "Let the End Begin", que soa como o início de um ritual, com todas as características já marcantes do Ancient VVisdom. Após o interlúdio "Life on Earth?", a faixa-título "Deathlike" figura fácil como um dos mais belos momentos da curta discografia da banda, integrando a atmosfera hipnótica, com toques de folk e melodias contemporâneas em perfeita harmonia com o instrumental obscuro.

"Far Beyond Good & Evil" traz um clima épico, como uma melancólica marcha de guerra em meio a cenários desolados e nublados, graças às texturas criadas entre a guitarra excessivamente distorcida e as camadas acústicas. Apesar de a primeira estar em segundo plano, funciona como um ótimo reforço no desenvolvimento da faixa, ao contrário de "I Am Rebirth", que vai direto às fontes (leia-se Black Sabbath) e, apesar de manter a identidade musical do grupo, soa semelhante ao occult rock em seus moldes mais tradicionais. Com sutis toques góticos, a curta "Look Alive" acaba soando mais como uma prévia para "Waiting to Die", uma faixa relativamente diferente em relação ao restante do álbum, chegando a lembrar (um pouco, mais ainda assim lembra) aqueles momentos em que bandas americanas modernas se arriscam a fazer versões acústicas de suas melhores músicas.

A influência de folk volta a aparecer, agora de forma predominante, na balada de atmosfera épica "Death or Victory", e no melancólico e surpreendente western "The Last Man on Earth", que apesar de inicialmente soar deslocada, mostra como eles conseguem levar a sua identidade também para outros estilos tranquilamente. A arrastada "Never Live Again" resgata uma latente influência das bandas de doom metal nos seus primórdios, carregada de melodias mórbidas, que levam a "Here is the Grave", onde o sentimento de estar participando de algum ritual torna-se palpável novamente, como se a faixa (e todo o disco) fosse o encerramento de uma intensa jornada desde o início, ainda que as relações não sejam tão claras.

E talvez o grande segredo na música do Ancient Vvisdom seja exatamente tentar estabelecer a relação com a sonoridade. Os americanos praticamente criaram uma identidade singular, e gradativamente estão aprimorando (ainda que de forma tímida) com a inserção de variados elementos, surpreendendo de formas diferentes à cada faixa. As letras soturnas, apesar de comuns no estilo, recebem uma interpretação excelente por parte do vocalista Nathan Opposition, mais um fator responsável para tornar a audição de Deathlike um evento agradável, uma viagem harmoniosa, apesar da atmosfera carregada e melancólica que é criada ao longo do disco.

Nota 9


Faixas:
01. The Beginning
02. Let The End Begin
03. Life On Earth?
04. Deathlike
05. Far Beyond Good & Evil
06. I Am Rebirth
07. Look Alive
08. Waiting To Die
09. Death Or Victory
10. The Last Man On Earth
11. Never Live Again
12. Here Is The Grave

Por Rodrigo Carvalho, do Progcast

7 de mar de 2013

Kadavar divulga clipe de “Doomsday Machine”, primeiro single de seu segundo disco

quinta-feira, março 07, 2013
Como já noticiamos anteriormente, a banda alemã Kadavar assinou com a gigante Nuclear Blast e lançará o seu segundo disco, Abra Kadavar, dia 12 de abril. A primeira amostra dessa nova parceria colocará um sorriso enorme em quem curte hard rock.

Trata-se de “Doomsday Machine”, faixa que fará parte do segundo LP do grupo, disponibilizada através de um clipe feito com cenas de bastidores. De cara percebe-se a produção muito melhor em relação ao debut, porém mantendo a acachapante pegada setentista e repleta de fumaça que fez a cabeça no disco de estreia.

Aumenta, que é bom pra caramba!


Por Ricardo Seelig

Ouça “Southern Sun”, nova música do Devil

quinta-feira, março 07, 2013
A banda norueguesa Devil lançará o seu segundo disco, intitulado Gather the Sinners, dia 22 de março pela Soulseller Records. O sucessor de Time to Repent (2011) será disponibilizado em CD, LP e em formato digital.

O primeiro single da bolacha pode ser degustado abaixo. “Southern Sun” é uma composição arrastada e bastante pesada, mantendo as características apresentadas na estreia.

Ouça!

 
Por Ricardo Seelig

Bon Jovi: crítica de What About Now (2013)

quinta-feira, março 07, 2013
Colocar para rodar o novo disco do Bon Jovi, What About Now, sem avisar aos ouvintes de que banda se trata, pode gerar interpretações interessantes. O primeiro single e faixa de abertura, “Because We Can”, por exemplo, remete aos piores momentos de boy bands como, pasmem, o Backstreet Boys. E isso é só o início...

Produzido por John Shanks (Van Halen, Miley Cyrus, Miranda Cosgrove) ao lado de Jon Bon Jovi e Richie Sambora, What About Now é o décimo-segundo álbum da banda norte americana e o sucessor de The Circle (2009). O trabalho conta com doze faixas compostas pelo vocalista e pelo guitarrista em parceria com Shanks e o hitmaker Desmond Child.

Não há sombra de qualquer coisa parecida com rock na maior parte de What About Now. As composições apresentam um pop plastificado e muito distante da sonoridade que levou a banda ao topo das paradas. É música insípida, produzida por roqueiros vestidos com roupas esportes beges, sentados despreocupadamente em suas imensas mansões. Tudo soa inofensivo e, acima de tudo, com qualidade rasteira.

Jon Bon Jovi já compôs linhas vocais muito mais inspiradas, escreveu letras bem mais interessantes e cantou com muito mais alma. Richie Sambora, dono de uma técnica acima de qualquer suspeita e um ótimo backing vocal, soa apagado e totalmente no piloto automático. O restante da banda - o tecladista David Bryan, o baixista Hugh McDonald e o baterista Tico Torres, todos excelentes instrumentistas - assume o seu papel de coadjuvante e parece sentir-se confortável com isso.

“Pictures of You” é uma tentativa de soar como o U2, enquanto a genérica balada “Amen” poderia muito bem fazer parte do repertório de ídolos teen como Justin Bieber. E o resto das faixas segue a mesma linha, com nenhuma composição memorável e que chame a atenção - a não ser pela sensação de derivação extrema de tudo que você já ouviu antes.

What About Now, em sua essência, é um disco sem sentido. Não há nenhuma razão, entre as suas doze faixas, que justifique a sua existência. Pouco inspirado, com composições que tentam claramente soar como singles mas conseguem ser apenas sonolentas, mostra um Bon Jovi notadamente envelhecido, mas não admitindo isso. É a trilha sonora perfeita para aqueles tiozinhos que estão beirando os 50 anos, fazem bronzeamento artificial e usam camisetas “descoladas” menores que o seu número na tentativa de pareceram modernos.

Constrangedoramente fraco, What About Now é um desafio à paciência até do fã mais dedicado do Bon Jovi.

Passe longe.

Nota 2

 
Faixas

1 Because We Can
2 I’m with You
3 What ABout Now
4 Pictures of You
5 Amen
6 That’s What the Water Made Me
7 What’s Left of Me
8 Army of Ones
9 Thick as Thieves
10 Beautiful World
11 Room at the End of the World
12 The Fighter

Por Ricardo Seelig

6 de mar de 2013

Promoção Mulheres no Rock - Hellion Records e Collectors Room

quarta-feira, março 06, 2013
Comemorando o Dia Internacional da Mulher, a Hellion Records e a Collector's Room prepararam uma grande promoção pra quem não vive sem rock and roll.

Para concorrer, é bem simples:

- Primeiro, participe da nossa enquete aqui no site e responda quais foram, na sua opinião, as melhores bandas com vocais femininos lançadas pela Hellion no mercado brasileiro.

- Depois, vá até a página da Hellion no Facebook, clique na aba Promoções e clique em Quero Participar. Pronto, fazendo isso, você já está concorrendo.

A Hellion e a Collector's Room vão sortear 5 kits com 10 CDs de bandas com vocais femininos. Cada kit virá com os CDs listados abaixo:

Amaranthe - Amaranthe
Amazon - Victoria Regia
Crucified Barbara - The Midnight Chase
Delain - We Are the Others
Epica - Phantom Agony
Girlschool - Legacy
Hysterica - The Art of Metal
Midnattsol - Nordlys
Nightwish - Oceanborn
Vanilla Ninja - Love is War

 
A promoção vale durante todo o mês de março, e o sorteio será realizado dia 1º de abril. Os vencedores terão seus nomes publicados na página da Hellion no Facebook e em um post aqui na Collector's Room, e deverão enviar seus dados através de mensagem na própria página da Hellion no Facebook.

Boa sorte!

+ R.I.P. Alvin Lee (19/12/1944 - 06/03/2013) +

quarta-feira, março 06, 2013
O lendário guitarrista inglês Alvin Lee faleceu esta manhã. A causa da morte foram complicações causadas por um procedimento cirúrgico de rotina. A notícia foi publicada no site oficial do músico, em uma breve nota assinada pela sua família.


Nascido Graham Alvin Barnes na cidade de Nottingham, Alvin Lee fez fama com o Ten Years After, banda que liderou e foi vocalista e guitarrista por longos anos. 

Considerado um dos músicos mais influentes do rock, Lee deixa uma lacuna extensa e uma grande legião de fãs.

Por Ricardo Seelig

Elton John (Estádio do Zequinha, Porto Alegre, 05/03/2013)

quarta-feira, março 06, 2013
5 de março de 2013. 19h1min. Faltam cerca de 2 horas para Elton John subir ao palco do estádio do Zequinha, em Porto Alegre. A primeira pessoa que você se lembra quando pisa no tablado da pista é do velho amigo Miguel Varella. Miguel foi o cara que lhe apresentou Elton em sua melhor forma: os discos que compreendem sua carreira de 1969/1975. Muitos vinculam o músico inglês ao lado mais sórdido do Pop. Sim, o cara fatura milhões por ano. Sim, Elton emplacou dezenas de hits das paradas de sucesso dos dois lados do Atlântico. Sim, Elton tocou pra caramba em todas as estações de rádio AM/FM e escambau. E claro, ele é um dos maiores milionários da música internacional. Aí, você se pergunta: “Que mal há nisso?”. Os Beatles não fizeram o mesmo? Pois é, senhoras e senhores, ele não tem dúvida – Elton John é merecedor de todo seu sucesso. O homem é uma espécie de Pelé da música, craque.

Nessas duas horas que antecederam o início do espetáculo, você pôde perceber que o público tinha milhares de rostos diferentes. Adolescentes, casais de todas as modalidades, veteranos e iniciantes, todos estavam ali para ver o homem que comemora 40 anos do hit que o elevou definitivamente à primeira divisão da música Pop.

20h40min. O tecladista gaúcho Luciano Leães faz sua apresentação de abertura. Só ele e o piano. Muito blues e clássicos como “Georgia on My Mind”, de Ray Charles. Foi um ótimo aquecimento. 20 minutos que deixam a plateia acesa. Às 21h10min a estrela principal pisa no palco. O público delira. Elton veste um casaco azul repleto de um brilho prateado. Nas costas, o nome de um de seus álbuns favoritos, Madman Across the Water. Esse parecia ser um anúncio que o espírito dos anos 1970 iria retornar nas próximas horas à Porto Alegre.

Elton começa com o rockaço “The Bitch is Back”, música que abre o LP Caribou (1974). A festa estava instaurada no Zequinha. “Bennie and the Jets” sempre foi um de seus principais cavalos de batalha nas apresentações. A letra de Bernie Taupin conta a história de um grupo de glam rock fictício, alterna entre o mais perfeito jiving soul e gritos em soprano. Também é o terreno perfeito para percebermos a grande banda que o acompanha. Entre os músicos, Dave Johnstone, guitarrista de muitos de seus hits ao longo de quatro décadas, além de Nigel Olsson, baterista que começou a tocar com Elton em 1969. É mole?!

Você nunca tinha reparado de verdade em “Great Seal”, faixa dois do lado B de Goodbye Yellow Brick Road. E aí você se julga um idiota por nunca ter identificado o clássico que ela é! Ao vivo Elton ainda canta e toca muito. O homem não se poupa. “Levon”, uma das músicas de Madman Across the Water, mostra-se a canção perfeita para execução em estádios. É uma balada, mas também tem a energia do rock and roll. Já “Tiny Dancer”, dedicada por Elton a todas as garotas da plateia, tornou-se um dos temas mais aguardados em suas apresentações. Culpa do cineasta Cameron Crowe, que a incluiu em um dos momentos mais bonitos do filme Quase Famosos (2001). Dá pra ouvir o público cantando cada frase da história criada por Bernie Taupin.

“Believe” é uma das mais fortes canções de amor do músico. A letra e a melodia tem peso. Ao vivo ela também cresce. O público nas primeiras fileiras levanta cartazes com a frase “I believe in love”. “Mona Lisas and the Mad Hatters” é outras daquelas canções apenas conhecidas pelo público mais fiel de Elton. E essa audiência estava lá. “Philadelphia Freedom”, uma homenagem de Elton e Bernie ao som da Filadélfia dos anos 1970, também homenageia a tenista norte-americana Billie Jean King. É nesse som que percebo o quarteto vocal negro com toda sua força. Lisa Stone e Rose Stone, Tata Veja e Jean Witherspoon dão suporte vocal de primeira linha para canções como essa.

“Candle in the Wind”, música que Elton dedicou primeiramente a Marylin Monroe e depois a Princesa Diana, é uma daquelas canções que sempre nos colocam pra pensar. Você fica olhando para a compenetração do veterano contrabaixista Matt Bissonette. Ele parece imerso pelo tema. Assim como você. “Goodbye Yellow Brick Road” leva o público ao delírio. O refrão ecoa Zequinha afora. “Rocket Man”, música que dá nome a atual turnê, ganha um início ablusado. Elton consegue enganar a plateia por alguns segundos, para logo em seguida, com um sorriso, entrar nos acordes originais do tema. Você não tira os olhos do percussionista John Mahon. Ele faz todos aqueles malabarismo que um bom percussionista gosta de fazer, e acreditem, não deixa saudades de Ray Cooper, lendário músico que acompanhou Elton por décadas. “Hey Ahab” é uma de suas últimas canções. Está no álbum feito em parceria Leon Russel em 2010. “I Guess That Why They Call It the Blues” é uma das melhores músicas de Elton na década de 1980. E ela novamente soa fresquinha nos seus ouvidos. Elton dá show no piano.
O medley “Funeral For a Friend / Love Lies Bleedin’” é o momento pra banda mostrar seu viés de rock progressivo. Nigel Olsson toca sorrindo o tempo todo. O tecladista Kim Bullard chega a lembrar Rick Wakeman com seus efeitos e trejeitos. Johnstone toca com uma guitarra pintada com os temas do álbum Captain Fantastic, de 1975. Será que alguém fez uma foto dessa guitarra? “Honk Cat” começa com o piano de Elton e também é embalada por um banjo. Esse é um daqueles sons que a banda parace brincar de fazer música. “Sad Songs”, outra das canções dos famigerados anos 1980, ganha força e um clima mais rock and roll nas apresentações do atual tour. Novamente chama atenção a alegria do baterista Nigel Olsson. Aos 64 anos, o músico ainda tem muita energia para dar e vender.

“Daniel” é daquelas canções com a cara e o espírito dos anos 1970. “Sorry Seems to Be Harvest Word” parece surpreender o artista quando ele percebe que o público canta em uníssono os primeiros versos. “The One” faz Elton dispensar a banda e segurar o tranco apenas ele e o piano. Mágico. “Skyline Piggeon”, com a banda tocando no formato clássico de Elton, com a banda reduzida, ainda é uma de suas canções indispensáveis em qualquer apresentação. “Don’t Let the Sun Go Down on Me” leva muitos as lágrimas. É claro que você não vai chorar. Afinal você é de ferro (pura conversa fiada). “I’m Still Standing”, a mais curta da noite, é uma daquelas canções tapa buraco que apenas nos prepara para o capítulo seguinte. “Crocodile Rock” é música de Sessão da Tarde. O Zequinha vira um imenso salão de baile. “Saturday Night’s Allright for Fightin’” soa como o anúncio de uma despedida. Já se passaram mais de duas horas de show. Nesse momento, você se dirige ao portão de saída.

Você sabe que Elton vai tocar mais uma. Passa pela banca oficial onde vê uma baita camiseta oficial do tour. Lembra que o dinheiro na carteira dá contado para o táxi que o levará até a rodoviária. Antes de entrar no veículo, ouve os acordes iniciais de “Your Song”. Lembra-se da letra que fala de um homem que não consegue esconder o que sente. O protagonista se queixa da falta de grana e diz que tivesse condições, compraria uma grande casa para viver com seu amor. Você pensa - se fosse mágico, pararia o tempo na noite desta terça-feira, 5 de março, no Estádio do São José, em Porto Alegre.

Por Márcio Grings

5 de mar de 2013

Rotting Christ: crítica de Kata Ton Daimona Eaytoy (2013)

terça-feira, março 05, 2013
 
Décimo-primeiro álbum da banda grega Rotting Christ, Κατά τον Δαίμονον Εαυτού (Kata Ton Daimona Eaytoy) foi lançado no último dia 1º de março pela gravadora francesa Season of Mist, um dos principais selos dedicados ao metal extremo em todo o mundo. O título é uma releitura da célebre frase “do what thou wilt”, do controverso ocultista inglês Aleister Crowley, imortalizada no Brasil como “faço o que tu queres” pela dupla Raul Seixas e Paulo Coelho.

O trabalho é o sucessor do ótimo Theogonia (2007) e do fantástico Aealo (2010), álbuns que marcaram o nascimento de uma nova sonoridade para o Rotting Christ, rica em melodias e elementos étnicos que realçam a milenar cultura de seu país de origem. Κατά τον Δαίμονον Εαυτού é a continuação, o novo capítulo dessa reinvenção.

Produzido pelo vocalista, guitarrista e líder Sakis Tolis ao lado de Jens Bogren (Kreator, Leprous, Paradise Lost), o disco traz dez faixas originais, mais “Welcome to Hell” como bônus. Em uma comparação direta com Aealo, Κατά τον Δαίμονον Εαυτού soa mais sombrio e menos “alegre”, além de nitidamente mais pesado. Como já havia acontecido no álbum anterior, a inserção de elementos étnicos tornou a música do Rotting Christ mais assustadora, com um clima sobrenatural onipresente. Soma-se isso ao constante uso de coros em quase todas as composições, e a sensação que temos ao ouvir o disco é o de estar presenciando, ao vivo e bem diante de nossos olhos, a uma cerimônia de magia negra ou algo do gênero.

O efeito dramático dessa união de elementos é avassalador, construindo um experiência que poucos álbuns conseguem entregar. Há velocidade, há peso, há agressividade, há violência sonora, mas tudo converge para o mesmo ponto, em composições extremamente visuais e cinematográficas, que trazem à tona o que está escondido ao nosso redor.

Ótimas melodias navegam sobre uma base com fartos blast beats e ritmos variados, e o resultado é uma das sonoridades mais originais surgidas no metal nos últimos anos. Um dos principais destaques é o exemplar trabalho de guitarras, a cargo de Sakis e George Emmanuel, elaborando intrincados e inspirados trechos. Completam o quarteto o baixista Vaggelis Karzis e o irmão de Sakis, Themis Tolis, na bateria. O rico instrumental apresentado não só em Κατά τον Δαίμονον Εαυτού, mas também nos últimos trabalhos do Rotting Christ, faz parecer piada os tempos em que a banda era ridicularizada por não dominar os seus instrumentos. Hoje, o que se ouve é de um requinte e de um bom gosto raros dentro do universo do heavy metal.

Faixas excelentes se sucedem, reafirmando o quanto o Rotting Christ é uma banda rara, que, apesar de estar na estrada desde 1987, vive o seu auge criativo e artístico no topo de duas décadas de história. Músicas como “In Yumen-Xibalta”, “P’unchaw Kachun-Tuta Kachun”, “Grandis Spiritus Diavolos” e a sensacional faixa-título mostram como o grupo está voando alto. Repetindo um expediente já apresentado em Aealo, o uso de um vocal feminino em “Cine Iubeste Si Lasa” realça ainda mais a dramaticidade dos fatos, colocando a qualidade do trabalho nas alturas. A assustadora “Rusalka” é outro destaque, alternando vocais guturais com arrepiantes vozes sussurradas.

Dona de uma originalidade inegável, como já dito, a sonoridade atual do Rotting Christ porém parece, às vezes, presa dentro de seus próprios limites. Isso é perceptível em faixas como “Iwa Voodoo” e “Gilgames”, que apenas repetem ideias apresentadas com muito mais brilhantismo pela própria banda em seus últimos discos. A sensação se repete, porém em doses menores, no par que fecha o álbum, “Ahura Mazda-Azra Mainiuu” e “666”.

Κατά τον Δαίμονον Εαυτού é um dos melhores discos da carreira do Rotting Christ e reafirma o ótimo momento vivido pela banda nos últimos anos. Dono de uma musicalidade embasbacante, apesar de soar repetitivo em alguns momentos, atesta o status dos gregos como, senão a principal, uma das mais relevantes bandas do metal extremo atual.


Um ligeiro ajuste no time, que vem ganhando de goleada nos últimos anos, garantirá a continuação dessa jornada de golpes certeiros por um longo período.

Nota 8,5


 

Faixas:
1 In Yumen-Xibalta
2 P’unchaw Kachun-Tuta Kachun
3 Grandis Spiritus Diavolos
4 Kata Ton Daimona Eaytoy
5 Cine Iubeste Si Lasa
6 Iwa Voodoo
7 Gilgames
8 Rusalka
9 Ahura Mazda-Azra Mainiuu
10 666
11 Welcome to Hell

Por Ricardo Seelig

Randy Blythe absolvido da acusação de homicídio

terça-feira, março 05, 2013
Após semanas de discussões em um tribunal em Praga, a justiça checa considerou que Randy Blythe, vocalista do Lamb of God, é inocente da acusação de homicídio que resultou na morte do fã Daniel Nosek durante um show da banda em 2010. Você pode ler tudo o que publicamos sobre o caso aqui.

Blythe fez apenas um breve comentário após deixar o tribunal: “Gostaria de agradecer à família de Daniel por não me atacar pela imprensa, e por suas adoráveis palavras para mim neste tribunal. Sinto muito pela sua perda. Eu sou um homem livre. Por favor, lembrem-se da família de Daniel Nosek em seus pensamentos e orações nesse momento difícil. Só desejo paz para eles. Obrigado pelo apoio”.

Com a absolvição de Blythe, o Lamb of God deve retomar sua agenda de shows, interrompida depois da prisão do cantor e tudo que veio após.

Por Ricardo Seelig

3 de mar de 2013

Site Trama Virtual anuncia que irá sair do ar

domingo, março 03, 2013

Um dos grandes divulgadores da música independente no Brasil deixará de existir em breve. O site Trama Virtual anunciou que sairá do ar no próximo dia 31 de março, após 10 anos de atividade.


Responsável por ajudar a projetar o trabalho de vários artistas como Teatro Mágico, Nasi e Cansei de Ser Sexy, o selo parece não ser mais um negócio viável diante da nova realidade do mercado de música pela internet. "Hoje, a gente concorre com gigantes como iTunes, Facebook, YouTube, Twitter, entre outros. Quando a gente surgiu, tinha um caráter muito inovador, que hoje não tem mais", disse o empresário João Marcello Bôscoli, dono da gravadora, em entrevista ao site do jornal Folha de São Paulo.

Cerca de 78 mil artistas usam o página para divulgar seus trabalhos, alguns disponibilizando músicas de graça para download. A variedade de outras novas ferramentas gratuitas de divulgação, como o Facebook, também foi citada por Bôscoli como um dos motivos para o fim do site.

Apesar disso a marca Trama deverá continuar existindo nas outras áreas em que atua, como o agenciamento de artistas e a gravação de discos.

Por Nelson Junior, com informações da Folha de São Paulo.

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