7 de jun de 2013

A semana na Collectors Room

sexta-feira, junho 07, 2013
Um resumo de tudo o que publicamos essa semana, pra você não perder nada e ficar por dentro de tudo.

Novos clipes: “I’m No Angel” do Winery Dogs, “Lesser Men” do Darkthrone e “I Smell a Massacre” do Butcher Babies.

Reviews: Super Collider do Megadeth, a estreia do The Winery Dogs, Random Access Memories do Daft Punk, o filme Faroeste Caboclo, o novo disco do Black Sabbath e Empty Set do Deventter.

Notícias: Sharon Jones diagnosticada com câncer, os melhores discos de metal lançados em maio, show do Iron Maiden em São Paulo muda de lugar, o novo disco do U2, Mike Portnoy fora do Adrenaline Mob, o novo álbum de Jason Newsted, o primeiro show do Slayer após a morte de Jeff Hanneman, o novo álbum do Five Finger Death Punch, o novo disco do Dream Theater e o Slayer proibindo a venda de camiseta em homenagem a Jeff Hanneman.

Revistas: as principais capas de revistas sobre música no mês de junho em duas partes - aqui e aqui - e a nova edição da poeira Zine.

Colunas e Matérias Especiais: a extinção da crítica, a origem da letra de “Faroeste Caboclo” e o Humble Pie no Tímpano.


Por Ricardo Seelig

Slayer proíbe venda de camiseta em homenagem a Jeff Hanneman

sexta-feira, junho 07, 2013

Em mais um capítulo que joga a reputação e o respeito da banda junto aos fãs ladeira abaixo, o Slayer conseguiu suspender e proibir a venda de uma camiseta que homenageava o guitarrista Jeff Hanneman, falecido no início de maio.

A peça, intitulada South of Hanneman, foi desenvolvida pelo artista norte-americano Justin Bartlett, conhecido pelo pseudônimo de The Black Ink Warlock e autor de centenas de ilustrações para revistas e bandas de heavy metal. A renda proveniente com a venda da camiseta seria repassada para instituições de caridade, mas o Slayer não achou isso interessante e proibiu a comercialização.

Em seu site, Bartlett publicou uma nota oficial explicando a situação - leia abaixo:




Poderíamos supor que, pela atitude tomada pelo Slayer, o desejo era que ninguém lucrasse com algo tão triste como a morte de um companheiro de banda e amigo, ídolo de milhões ao redor do mundo. Certo? Errado. Acessando o site oficial do Slayer é possível comprar uma camiseta em homenagem a Jeff, comercializada pela própria banda.

Não é permitido repassar os lucros para instituições de caridade, mas para conta bancária dos integrantes que estão vivos pode, é isso? 



Na boa, Kerry ...

Por Ricardo Seelig

Guess Who na capa da nova edição da poeira Zine

sexta-feira, junho 07, 2013
O número 48 da poeira Zine, revista brasileira dedicada ao rock clássico e editada pelo jornalista Bento Araújo, acaba de ser lançada e traz em sua capa a banda canadense Guess Who. Bento bateu um papo com o guitarrista Randy Bachman e o baterista Garry Peterson, que passaram a limpo a carreira do grupo.

Além disso, a nova pZ traz também matérias sobre o clássico Zarathustra do Museo Rosenbach, The Remains (banda que abriu os shows da última turnê dos Beatles), entrevista com Steve Howe (guitarrista do Yes), Swamp Dogg no pZ Hero, Banda do Companheiro Mágico, Max Webster (em texto de Leopoldo Rey, um dos pais do jornalismo rock brasileiro) e muitas outras atrações.

Para pedir a sua, acesse o site da poeira Zine. A revista é vendida também em lojas de discos de todo o país, e, se preferir, você pode fazer como nós aqui da Collectors e adquirir uma assinatura da pZ. O preço é bem em conta e você irá aprender muito sobre a história do rock com o Bento e sua equipe, que são verdadeiras enciclopédias ambulantes.

Por Ricardo Seelig

Lá fora (e aqui dentro): mais capas das novas edições das principais revistas de música do mundo

sexta-feira, junho 07, 2013
Segunda parte da nossa compilação com as capas das principais revistas sobre música neste mês de junho. Destaque absoluto para a linda capa do novo número da inglesa Iron Fist, com Ronnie James Dio, e para a edição brasileira da Rolling Stone, com o Black Sabbath.


 
 
 

Por Ricardo Seelig

Dream Theater lançará novo álbum em setembro

sexta-feira, junho 07, 2013
O Dream Theater anunciou que o seu novo disco será lançado em 23 de setembro próximo. O décimo-segundo álbum da banda norte-americana - o segundo com o baterista Mike Mangini, que substituiu Mike Portnoy em 2010 - terá como título apenas o nome do grupo.

O guitarrista John Petrucci falou sobre o trabalho: “Vejo cada disco como uma oportunidade para começar de novo, para melhorar uma direção que foi evoluindo ao longo do tempo ou para quebrar completamente o rumo e mudar tudo. Este é o primeiro álbum auto-intitulado de nossa carreira e, na minha opinião, não há nada que afirme a nossa identidade musical e criativa de maneira mais forte do que este disco. Nós exploramos totalmente todos os elementos que nos tornam únicos, do épico ao intenso, do lado atmosférico à sonoridade cinematográfica”.

Vale lembrar que o último trabalho da banda, A Dramatic Turn of Events (2011), foi o álbum mais bem sucedido de toda a carreira do grupo. Dream Theater, o disco, será o primeiro a contar com Mangini no processo de composição, já que o trabalho anterior já estava praticamente composto quando o novo baterista ingressou na banda.

Mais duas novidades sobre sobre o grupo: Impermanent Resonance, novo álbum do vocalista James LaBrie, será lançado em 29 de julho. E Live At Luna Park, novo DVD do quinteto (e que foi gravado em Buenos Aires), chegará às lojas em novembro.

Trailer abaixo:



Por Ricardo Seelig

“I Smell a Massacre”, novo lyric video do Butcher Babies

sexta-feira, junho 07, 2013
A banda norte-americana Butcher Babies divulgou o lyric video de “I Smell a Massacre”, primeiro single do seu disco de estreia, Goliath. O álbum será lançado dia 9 de julho pela Century Media.

O Butcher Babies é formado pelas vocalistas Carla Harvey e Heidi Shephard, pelo guitarrista Henry Flury, pelo baixista Jason Klein e pelo baterista Chris Warner. A banda chamou a atenção pelo fato de suas duas frontwomen serem ex-coelhinhas da Playboy e se apresentarem com trajes mínimos, equilibrando-se na linha tênue que separa o erotismo da pornografia.

O visual é bom e a música também é legal, como dá pra perceber em “I Smell a Massacre”:



Por Ricardo Seelig

Assista “Lesser Men”, o novo clipe do Darkthrone

sexta-feira, junho 07, 2013
O lendário Darkthrone, uma das bandas mais emblemáticas do black metal norueguês, gravou um clipe para a faixa “Lesser Men”, música presente em seu último disco, o ótimo The Underground Resistance, lançado em fevereiro pela Peaceville Records - leia a crítica aqui.

O vídeo é formado por cenas urbanas gravadas com uma câmera subjetiva, que passeia por diversos pontos de uma cidade.

Aumenta!



Por Ricardo Seelig

Deventter: crítica de Empty Set (2013)

sexta-feira, junho 07, 2013

Formado em 2002, o Deventter aos poucos foi se estabelecendo como um dos interessantes novos nomes do metal progressivo nacional, graças ao material consistente apresentado em seus dois primeiros discos, The 7th Dimension, de 2007, e Lead... On, de 2009. Quatro anos depois e agora como um quinteto, a banda está lançando o seu terceiro álbum, Empty Set.

Gravado no Norcal Studios e produzido por Adriano Daga e Brendan Duffey, o trabalho representa mais um largo passo em sua discografia, agregando uma gama muito maior de influências musicais, construindo o panorama musical que serve de base para um conteúdo lírico crítico e reflexivo, tratando da coletivização e da impessoalidade do ser humano e da sociedade.

"Old Major" abre o disco de maneira direta, pesada (e isso não quer dizer baixas afinações ou milhares de batidas de minuto – mas sim no lado atmosférico) e com uma interessante oscilação instrumental, que, apesar de simples, a princípio, contribui muito para o crescendo melódico da faixa. E falando em atmosfera, "Popstein" é soturna e carregadíssima, como um bizarro híbrido entre Nine Inch Nails e o Pain of Salvation dos dois últimos álbuns, enquanto "Blank Death" se aproxima do metal progressivo mais convencional, se considerarmos os seus moldes menos virtuosos, destacando ainda mais a excelência da letra e da melodia no refrão.

Aliás, nesse ponto é importante notar como as linhas e texturas de teclado se tornaram um elemento extremamente diferencial, e responsável por vários detalhes ao longo das faixas, que tornam a audição uma experiência única. Isso se torna bem evidente em "I-330", aonde toda a base se forma sobre diferentes timbres, construindo um clima épico que se encaixa perfeitamente com o conteúdo lírico, e também na seguinte, a bonita balada "Stains" e os seus traços de atmospheric rock, com dois pés no pop (como se isso fosse um problema).

Em "Yellow Paper", por outro lado, é pulsante a influência de Porcupine Tree, principalmente se considerarmos o trabalho de guitarra e a estrutura musical flutuante adotada pelo grupo de Steven Wilson após o Deadwing, enquanto "In Limbo" tem um ritmo constante com diversas camadas de efeitos eletrônicos, e transmite uma sensação de estática, beirando a claustrofobia, mesmo com essa caracterização de ser uma faixa de passagem. Principalmente porque, "No... Deal" segue por caminhos muito próximos do avant garde metal, focando principalmente nos aspectos mais interpretativos, com ótimos resultados.

Esse foco permanece em "3 Bullets Left, 4 Enemies", uma melancólica faixa que soa como a trilha sonora para um filme envolvendo ao mesmo tempo realidades virtuais e uma atmosfera western, aonde a letra auxilia em muito para visualizar a história sendo contada. Para tranquilizar a mente, "Blank Label" é mais um momento de calmaria, quase despretensioso e em formatos tradicionais, enquanto "Same River" e "Progressive Disorder" parecem unir o progressivo da escola sueca com alguns elementos de MPB.

"Wallow In Nostalgia", apesar de quase nove minutos de duração, tem andamento e desenvolvimento musical quase hipnótico, de melodias fáceis sobre ritmos mais complexos, que remetem diretamente à época áurea do progressivo, porém com uma roupagem atualizada. A cortinas de Empty Set se fecham com mais uma faixa extremamente teatral, que apesar de inicialmente de poucas pretensões, contém uma dose de sentimentos que definitivamente se encaixou com o encerramento do álbum.

Interessante notar como o Deventter deixou de lado vários elementos do metal progressivo abordado no último álbum, acompanhando ao seu próprio modo as tendências do estilo, que aos poucos foi deixando a virtuose de lado, e voltando-se para a interpretação e o sentimento de cada faixa.

Principalmente porque Empty Set não é apenas uma coleção de canções unidas em um disco, mas também oferece uma experiência de audição dinâmica, que atravessa múltiplas vertentes e vai gradativamente mais fundo em questões de complexidade, sempre seguindo o trilho da própria identidade musical da banda. Ou seja, é possível identificar um caminho comum enquanto você passa por músicas que exploram diferentes possibilidades, prendendo a atenção a cada mudança de andamento ou troca de faixa, por um motivo simples e essencial: você não sabe o que virá. E esse, definitivamente é o maior mérito do novo trabalho, ao entregar o ouvinte uma surpreendente viagem de mais de setenta minutos.

Apesar de uma das letras trazer o trecho “talvez um dia nós cresçamos”, a grande verdade é que o Deventter já seguiu adiante.

E que continue assim.

O álbum está disponível para download no próprio site da banda

Nota 9

Faixas:
01. Old Major
02. Popenstein
03. Blank Death
04. I-330
05. Stains
06. Yellow Paper
07. In Limbo
08. No...Deal
09. 3 Bullets Left, 4 Enemies
10. Blank Label
11. Same River
12. Progressive Disorder
13.
Wallow In Nostalgia
14. Curtains Will Retreat

Por Rodrigo Carvalho, do Progcast

6 de jun de 2013

Novo álbum do Five Finger Death Punch será lançado em dois volumes diferentes

quinta-feira, junho 06, 2013
Chegará às lojas no dia 30 de julho o novo álbum da banda norte-americana Five Finger Death Punch. O disco tem o título de The Wrong Side of Heaven and the Righteous Side of Hell e será lançado em dois volumes. O primeiro, como já dito, sairá em 30/07, enquanto o segundo chegará às lojas no final do ano.

The Wrong Side of Heaven and Righteous Side of Hell é o sucessor de American Capitalist (2011) e traz participações especiais de Rob Halford, Max Cavalera, Jamey Jasta (Hatebreed), Maria Brink (In This Moment) e do rapper Tech N9ne, este último em uma versão para “Mama Said Knock You Out”, de LL Cool J.

A bela capa do disco foi criada pelo ilustrador Greg Capullo, famoso pelo seu trabalho em personagens como Batman e Spawn.


A banda liberou um trecho de uma das músicas, “Dot Your Eyes”, que você pode ouvir no player abaixo:



Por Ricardo Seelig

Como surgiu a letra de “Faroeste Caboclo”, clássico da Legião Urbana?

quinta-feira, junho 06, 2013
Aproveitando a estreia do filme baseado na canção da Legião Urbana, vale a pergunta: de onde veio e como surgiu a letra de “Faroeste Caboclo”, clássico da banda brasiliense?

A resposta é difícil e nebulosa, mas aponta caminhos interessantes. Em uma entrevista dada em 1995 e presente no livro Letra, Música e Outras Conversas, de Leoni, Renato Russo falou o seguinte: “‘Faroeste Caboclo’ escrevi em duas tardes, sem mudar uma vírgula. Foi ‘não tinha medo o tal João de Santo Cristo ...’ e foi embora. Eram coisas que, mesmo sem perceber, já vinha trabalhando há muito tempo, e na hora que fui escrever veio tudo direto. Eu sei porque foi fácil. Ela tem um ritmo muito fácil na língua portuguesa. É em cima da divisão do improviso do repente. As coisas foram aparecendo por causa das rimas. Se eu falo do professor, ele tem que parar em Salvador. Se fosse outra rima, ele ia parar em outro lugar. Basicamente já sabia que tipo de história ia ser. É aquela mitologia do herói, James Dean, rebelde sem causa. Mas se você prestar atenção, tem um monte de falhas. Como é cantado, as pessoas não percebem. Uma vez, um pessoal queria fazer um filme em cima da letra. Foi quando deu pra perceber como tem furo na história. Parece que faz sentido, mas porque cargas d’água esse homem encontraria um boiadeiro em Salvador? Que história é essa de trocar as passagens, ‘eu fico aqui, você vai pra Brasília’? Por causa da filha? Por que Maria Lúcia fica com Jeremias? Não dá pra entender! Você tem que bolar sua própria história. O máximo que cheguei é que ela era uma viciadona e o Jeremias era tão mal que disse: ‘Se você não casar comigo, vou matar o João’. Mas também não justifica. E o Santo Cristo, é um banana? A menina é apaixonada por ele e ele fica andando com o Pablo pra cima e pra baixo. Ele é gay? Tem uma porção de coisas na história que não batem, mas quando a gente ouve funciona muito bem”.

Como se viu, o próprio Renato tinha suas críticas em relação à letra. História que vai para outro ponto na versão de Flávio Lemos, baixista do Capital Inicial e companheiro de banda de Renato no Aborto Elétrico. Em entrevista à revista Flashback, em 2004, Flávio falou o seguinte: “Nunca contei essa história pra ninguém. Estava no Rio de Janeiro, na Ilha do Governador, na casa da tia do Renato. Ele gostava de uma prima dele, a Mariana, e eu sabia, mas não rolava nada entre os dois. Fomos viajar para Búzios, a turma toda, menos o Renato. E eu fiquei com a prima dele, transei com ela. Foi a minha primeira vez, eu era virgem. A menina voltou antes pra casa e contou a história pra todo mundo. Quando eu voltei pra Ilha ele já sabia, e considerou aquilo uma traição. Cheguei de madrugada, tinha viajado a noite toda, e ele me acordou bem cedinho, eu estava morrendo de sono. Renato tinha passado a noite inteira escrevendo a música. Ele me disse que eu era o Jeremias, o maconheiro, o sem vergonha. E ele era o Santo Cristo - olha o nome que ele deu a si mesmo! E a prima era a Maria Lúcia. Renato criou um épico com essa história. A gente continuou amigo depois. Pode aparecer alguém que conteste, mas é a mais pura verdade”.

A princípio duas histórias diferentes, mas que, ao analisarmos com um pouco mais de calma, se entrelaçam e parecem apontar para a verdadeira origem da canção.

Com 168 versos e sem refrão, “Faroeste Caboclo” era, nas palavras do próprio Renato Russo, a sua “Hurricane” - alusão a clássica canção de Bob Dylan presente no álbum Desire (1976) e que conta a história do boxeador - também negro, como João de Santo Cristo - Rubin Carter. Segundo o jornalista e historiador Marcelo Fróes, no manuscrito original com a letra de “Faroeste Caboclo” havia uma anotação de Renato dizendo que imaginava a música como um baião cantado por Luiz Gonzaga.

Por Ricardo Seelig
Com informações do Pensar Enlouquece

5 de jun de 2013

Vídeos do primeiro show do Slayer após a morte de Jeff Hanneman (e também a re-estreia de Paul Bostaph)

quarta-feira, junho 05, 2013
O Slayer se apresentou nesta terça, 4 de junho, no Impact Festival, na Polônia. O show foi o primeiro da banda desde a morte do guitarrista Jeff Hanneman, ocorrida no dia 2 de maio. Além disso, marcou a re-estreia do baterista Paul Bostaph, substituto do demitido Dave Lombardo.

Abaixo, três vídeos com a performance da banda tocando as faixas “South of Heaven”, “Dead Skin Mask” e “Raining Blood”. Detalhe: a guitarra usada com frequência por Jeff, aquela que tinha o seu nome pintado fazendo uma alusão à marca de cerveja holandesa Heineken, ficou exposta durante todo o show em seu pedestal, no lado esquerdo do palco, posição que Hanneman sempre ocupava.

Até segunda ordem e se não houver outra mudança, essa é a formação que se apresentará no Rock in Rio, em setembro. Tá estranho, né?

 

Por Ricardo Seelig

Crítica do filme Faroeste Caboclo (2013)

quarta-feira, junho 05, 2013
“Faroeste Caboclo” sempre foi uma canção cinematográfica. A saga de João de Santo Cristo, criada por Renato Russo e alçada ao posto de um dos maiores clássicos da Legião Urbana, é uma das letras mais emblemáticas do rock brasileiro. Nada mais natural, portanto, que a história fosse transportada, efetivamente, para a tela dos cinemas.

Dirigido por René Sampaio, Faroeste Caboclo, o filme, estreou no último dia 30 de maio em diversas salas de todo o país. Com roteiro escrito por Victor Atherino e Marcos Bernstein, o enredo se baseia na letra da música, mas não é a transposição literal da história imaginada por Renato. Esse é apenas o primeiro dos muitos acertos. Evitando o recurso fácil e tentador de citar frases completas da extensa letra nos diálogos, Sampaio torna o filme autêntico, verossímil e nada gratuito. Um exemplo claro acontece logo no início, quando João, interpretado com primor por Fabrício Boliveira, chega à Brasília no período natalino e, ao ver as luzes decorativas, é apenas enquadrado pela câmera enquanto a sua mente imagina as possibilidades que ele encontrará na capital federal - nada de o personagem abrir a boca e declamar um “saindo da rodoviária fiquei bestificado com as luzes de Natal, meu Deus que cidade linda, no ano novo eu começo a trabalhar”.

René Sampaio imprime um clima de faroeste em todo o longa, usando com frequência paisagens áridas e poeirentas para ambientar a trajetória de Santo Cristo. Isso, aliado à fotografia inspirada de Gustavo Hadba, coloca o filme em um patamar elevado. Há ângulos inusitados e enquadramentos muito bem feitos, que se utilizam de recursos como luz e sombra para contar a história com muito mais dramaticidade e um inegável requinte visual.

Outro ponto positivo de Faroeste Caboclo é o elenco. Além de Boliveira (João de Santo Cristo) temos Ísis Valverde (Maria Lúcia), Felipe Abib (Jeremias), César Troncoso (Pablo) e Antônio Calloni (como o detetive Marco Aurélio) em atuações que vão de competentes (no caso de Valverde) há inspiradas (Abib, Pablo e Calloni). Como nota negativa apenas a participação praticamente nula do falecido Marcos Paulo como o Senador Ney, pai de Maria Lúcia, personagem totalmente dispensável.

Como já dito, o filme é baseada na canção, mas não é literal à ela. O roteiro parte da letra de Renato Russo e leva o espectador para outro lugar, fiel à trama, mas muito mais autêntico e doloroso. Essa escolha torna a trajetória de Santo Cristo ainda mais cruel, tornando quase impossível a não identificação com o personagem. O filme não economiza ao mostrar cenas fortes e até mesmo brutas, e essa escolha só intensifica o clima de realidade que transborda da tela.

Em comparação ao outro filme envolvendo a Legião Urbana lançado recentemente, Somos Tão Jovens - leia a crítica aqui -, Faroeste Caboclo ganha de goleada. Enquanto Somos Tão Jovens peca pela produção precária, mas ganha na homenagem sincera que faz aos primeiros anos da carreira de Renato Russo, a obra de René Sampaio é cinema de verdade. A cena do esperado duelo entre Santo Cristo e Jeremias, ápice do filme, bebe direto na fonte do diretor italiano Sergio Leone, variando planos fechados nos olhos dos protagonistas com cortes secos para outros pontos da tela, fazendo que, inconscientemente, a associação com o grandes clássicos do faroeste seja imediata.

Faroeste Caboclo é um grande filme, que faz juz à história criada por Renato Russo e a torna ainda mais forte e atual. Além disso, revela um diretor diferenciado, René Sampaio, que mostra talento e potencial para brilhar muito em seus próximos projetos.

Compre já a pipoca e o refrigerante, porque vale muito a pena.

Nota 8,5

Por Ricardo Seelig

Jason Newsted revela capa, faixa inédita e data de lançamento de seu primeiro álbum completo

quarta-feira, junho 05, 2013
Após o EP Metal, que chegou às lojas no início de janeiro, o baixista Jason Newsted lançará dia 6 de agosto o primeiro álbum completo de sua banda, batizada apenas com o seu sobrenome.

O debut do Newsted se chamará Heavy Metal Music e contará com onze faixas, sendo que duas delas - “Soldierhead” e “King of the Underdogs” - já haviam sido lançadas no EP. Ao lado de Jason, que canta e toca baixo no grupo, estão os guitarristas Jessie Farnsworth e Mike Mushok, além do baterista Jesus Mendez Jr.

O tracklist de Heavy Metal Music é o seguinte:

1 Heroic Dose
2 Soldierhead
3 ... As the Crow Files
4 Ampossible
5 Long Time Dead
6 Above All
7 King of the Underdogs
8 Nocturnus
9 Twisted Tail of the Comet
10 Kindevillusion
11 Futureality

Ouça a boa “Heroic Dose”, primeiro aperitivo do trabalho, abaixo;



Por Ricardo Seelig

4 de jun de 2013

Daft Punk: crítica de Random Access Memories (2013)

terça-feira, junho 04, 2013
Oito anos depois, o duo francês formado por Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter está de volta com um novo álbum. Mas os fãs de longa data parecem ter genuinamente se surpreendido com Random Access Memories: ao contrário dos três lançamentos anteriores, quando se caracterizaram pelo vanguardismo, pelo olhar focado no futuro da música eletrônica e no experimentalismo, desta vez os dois robôs mascarados parecem olhar para o passado. Random Access Memories é um disco retrô, que dialoga de maneira deliciosa com os anos 70 e 80, oque torna este novo trabalho um pouco mais acessível e, por que não dizer, pop.

Aqueles minimamente interessados nos aspectos de produção de um disco já sentiriam de longe o cheiro deste flerte com as décadas anteriores ao saber que um certo Nile Rodgers assumiria o papel de produtor da bolacha. Rodgers é ninguém menos do que o guitarrista do Chic, banda norte-americana de disco e R&B responsável por hits como "Everybody Dance" (1977) e "Le Freak" (1978). O gostinho do Chic fica claro especialmente em “Lose Yourself to Dance” e “Get Lucky”, os dois grandes destaques do álbum e exatamente as duas canções com participação de Pharrell Williams (rapper e produtor da dupla The Neptunes e integrante da banda N.E.R.D.) nos vocais. Músicas para ouvir imaginando-se com uma calça boca de sino e uma bola de cristal disco rodando acima da cabeça.

Se eles vão falar com o passado, nada mais justo do que homenagear um de seus mestres. Em “Giorgio by Moroder”, eles dão voz ao produtor e compositor italiano Giorgio Moroder, um dos pioneiros no uso de sintetizadores na década de 1970, para que ele mesmo conte um pouco de sua história calcado numa batida na medida certa para se acabar de dançar e que parece ter sido executada em um sintetizador (bingo!) dos anos 1960. Sem muito esforço, é possível imaginar os Jetsons requebrando os quadris em uma das animações quase sem animação dos primórdios da Hanna Barbera.

Em “Instant Crush”, o Daft Punk convoca Julian Casablancas, vocalista dos Strokes, para uma participação especial. O momento não poderia ser mais apropriado, já que o próprio Casablancas, tanto em sua carreira-solo quanto em sua banda, parece bastante interessado em revisitar sonoridades oitentistas (Comedown Machine que o diga). O resultado é uma faixa na qual até ele, a exemplo de Homem-Christo e Bangalter, submete sua voz ao sintetizador do tipo vocoder, passando a soar como um robozinho evocando que os ouvintes dancem em uma pista virtual saída diretamente dos melhores clubes dos anos 80. Já o convidado especial de “Doin' It Right”, uma faixa sexy, ensolarada e divertida, é Panda Bear, também conhecido como Noah Lennox, integrante do combo indie/psicodélico Animal Collective. O resultado é uma canção que tem um pouco do clima daqueles filmes adolescentes dos anos oitenta, reprisados à exaustão na Sessão da Tarde. Poderia ser ouvida em Mulher Nota 1.000 com tranquilidade – tenho certeza de que Danny Elfman adoraria a ideia para o seu Oingo Boingo.

É bom que se esclareça, no entanto, que Random Access Memories não é um disco pedante, que se alicerça no passado como se precisasse de algum tipo de muleta. Homem-Christo e Bangalter já provaram que não precisam de nenhum destes artifícios. Mas como o álbum foi praticamente desenvolvido ao mesmo tempo em que a dupla trabalhava na trilha do filme Tron: O Legado, parece que coube a Random Access Memories a tarefa de ser uma espécie de válvula de escape. São apenas dois robôs tentando descansar as porcas e engrenagens. E se divertindo muito no processo.

Nota 8

Faixas:
1 Give Life Back to Music
2 The Game of Love
3 Giorgio by Moroder
4 Within
5 Instant Crush (participação de Julian Casablancas)
6 Lose Yourself to Dance (participação de Pharrell Williams)
7 Touch (participação de Paul Williams)
8 Get Lucky (participação de Pharrell Williams)
9 Beyond
10 Motherboard
11 Fragments of Time (participação de Todd Edwards)
12 Doin' It Right (participação de Panda Bear)             
13 Contact

Por Thiago Cardim

Mike Portnoy anuncia saída do Adrenaline Mob

terça-feira, junho 04, 2013
O baterista Mike Portnoy (The Winery Dogs, Flying Colors, ex-Dream Theater) anunciou hoje que está deixando o Adrenaline Mob. O motivo dado pelo músico são conflitos de agenda com os demais integrantes do grupo.

Leia abaixo o comunicado de Portnoy:

Fico triste em anunciar que os quatro próximos shows do Adrenaline Mob, que acontecerão na América Latina ao lado do Halestorm, serão as minhas últimas apresentações com o Adrenaline Mob. Infelizmente, tenho conflitos de agenda que me impedem de estar em dois lugares ao mesmo tempo, comprometendo as futuras atividades da banda. Não quero que eles fiquem parados esperando eu me liberar para poderem seguir em frente, então tomei essa decisão. Estou muito orgulhoso do que criamos e da música que fizemos juntos nos últimos dois anos, e desejo aos meus amigos o melhor no futuro.

Portnoy gravou dois álbuns com o Adrenaline Mob - Omertá (2012)  e Covertá (2013) -, ambos muito bem aceitos pelo público e pela crítica. A banda não anunciou ainda um substituto.

O interessante é que, como o próprio Portnoy revelou, os seus últimos shows com o grupo acontecerão no Brasil. Então, quem quiser ver o homem no Adrenaline Mob, ainda está em tempo.

Por Ricardo Seelig

O crítico, profissional em extinção

terça-feira, junho 04, 2013
Me deparei hoje com este excelente texto escrito pelo Pablo Villaça, um dos melhores críticos de cinema do Brasil e o meu favorito em relação à sétima arte. O questionamento que ele levanta é importante, e vai ao encontro da linha editorial da Collectors Room. Apenas troque filmes, cenas e atores por discos, músicas e bandas e ele se aplica perfeitamente à nossa maior paixão.

Sou um dinossauro. Ou talvez seja mais correto dizer que pertenço a uma profissão jurássica e que, como tipógrafos, ascensoristas e telegrafistas, estou fadado à extinção.

Não, não creio estar exagerando. Nos últimos dias, dois incidentes particulares me levaram a refletir sobre a natureza do que faço e seu prazo de validade enquanto atividade profissional: o primeiro foi o breve e desconfortável debate entre o colunista David Carr e seu colega de New York Times, o crítico de cinema A.O. Scott; o segundo, o anúncio da demissão (e extinção do cargo) da crítica Stephanie Zacharek, que escrevia para o site Movieline. Curiosamente, conheço os três pessoalmente, tendo conversado brevemente com Carr e mais extensamente com Scott e Zacharek quando participei do seminário de crítica promovido pelo NYT em 2007, mas não creio que o impacto destes acontecimentos tenha a ver com qualquer grau de pessoalidade originado desta coincidência, mas sim com o triste estado da curiosidade intelectual que venho observando nos últimos anos.

Esta não é uma discussão nova, claro. Já em 2001, quando tinha apenas sete anos de profissão, escrevi dois artigos que buscavam esclarecer a função e a formação do crítico cinematográfico de acordo com a visão que tinha (e tenho) sobre meu papel profissional: “Pra que serve o crítico, afinal?” e “Formando um crítico de cinema“. Anos depois, voltei ao tema em posts como “Pra que serve a crítica?” e “Crepúsculo, Pevere, Rosembaum, Kael, Rossmeier, Atkinson” – e, sinceramente, hoje percebo a futilidade do esforço. Quem compreende o papel da crítica não precisa de maiores esclarecimentos; aqueles que a encaram como “questão de opinião” já interromperam a leitura no segundo parágrafo.

Considerem este post, portanto, como uma reflexão interna publicada como forma de terapia, como uma forma de negociar internamente meu valor e meu destino, representando, assim, o terceiro passo rumo à aceitação de meu fim profissional, tendo já passado pela negação e pela raiva (e mal posso esperar para chegar à “depressão”).

De imediato, o óbvio: não existo como árbitro do que é “bom” ou “ruim”. Nunca acreditei no papel do crítico como guia de consumo, como alguém que existe para dizer o que o leitor deve consumir culturalmente ou não. Escrevi várias vezes (e insisto no ponto) que, num mundo ideal, todos deveriam ver todos os filmes – incluindo aqueles que desprezo, já que, no mínimo, a bagagem adquirida passaria a funcionar como base de comparações futuras (além de sempre podermos aprender através de contra-exemplos). Assim, quando leio comentários em meu videocast sobre Prometheus que “alertam” os demais leitores para que não deixem de ver o filme “por causa deste imbecil”, sinto vontade de perguntar em que momento, em minha fala, sugeri que o filme fosse boicotado. Nunca sugeri boicote e jamais o faria – e apontar o crítico como alguém que se julga no direito de ditar o gosto alheio é uma das grandes falácias daqueles que detestam nossa profissão.

Mas o contrário também é verdadeiro: vira e mexe, alguém me envia um email ou tweet com o claro propósito de me elogiar e dizendo que sou seu “crítico favorito, já que sempre concordamos”. Sinto dizer (e aprecio a gentileza do gesto), mas isto não é um elogio. O que a afirmação implica é que meu valor está associado à minha capacidade de prever a reação do leitor e de passar a mão sobre sua cabeça, aprovando seus gostos. Aliás, acredito exatamente no oposto: o bom crítico é aquele que desafia seus leitores. Não como alguém “do contra”, mas como um profissional que estudou a Arte, viu mais filmes e, portanto, pode apontar elementos que passaram despercebidos ao espectador.
E a palavra-chave, na frase anterior, é “estudou”.

É extremamente comum ouvir, como resposta a uma crítica, que esta representa “apenas uma opinião”, sugerindo, com isso, que todas as “opiniões têm mesmo valor”. Este, claro, é o reduto do medíocre: em vez de apresentar argumentos que embasem suas posições, julga mais simples e confortável apenas afirmar que sua posição é tão válida quanto a de qualquer um apenas porque… ora, porque ele a sentiu ou intuiu. Há, ainda, quem apele para o lugar-comum do “é uma questão de gosto”, o que, em seu centro, é apenas uma variação menos elaborada (se é que isto é possível) do “toda opinião é igualmente válida”.

O que estas pessoas não percebem é que estão falando de algo diferente: da reação a uma obra de arte. Um filme pode provocar o choro em um e o riso em outro – e o crítico que tentar desmerecer a reação do espectador em vez de buscar analisar como a obra a provocou estará cometendo um erro básico (e é por esta razão que não acredito que o bom crítico se deixa influenciar pela reação da plateia ao seu lado; seu foco deve estar naquilo que se encontra na tela, não no público que a contempla). Assim, quando alguém que despreza a crítica acusa a profissão de “ser do contra”, de “sempre diferir do gosto popular”, está reagindo não contra a argumentação do texto, mas à ideia (que não vem do crítico, mas dele mesmo, espectador inseguro) de que ele seria estúpido por ter tido reação diferente. Quanto a esta questão, meu amigo (e crítico fabuloso) Jim Emerson escreveu:

“A Crítica é mais do que a afirmação de um gosto pessoal. (…) Filmes são experiências emocionais (entre outras coisas) e as pessoas respondem a eles emocionalmente. Espera-se dos críticos, porém, que mergulhem mais fundo, que analisem, expliquem e interpretem.”
Ao contrário do que muitos parecem pensar (“esse cara adora falar mal de tudo!”), não encaro a crítica como um exercício de masoquismo, como a oportunidade de me torturar ao ver e escrever sobre filmes que sei que detestarei. Antes de ser crítico, sou um profundo apaixonado pelo Cinema (todo bom crítico o é) – e quando entro numa sala de projeção, preparo-me para ser encantado pela obra que verei. Se posteriormente publico uma crítica negativa, não o faço por prazer, mas por obrigação profissional de articular racionalmente algo que me desagradou ou desapontou – e o inverso é igualmente verdadeiro: a crítica positiva é a manifestação racional do amor experimentado diante da Arte.

E desta vez a palavra-chave é “racional”. Sim, claro que “sinto” ao ver um filme. Choro feito um bebê com frequência no cinema (para imenso constrangimento de meu filho), rio alto de boas tiradas e me contorço na poltrona diante de uma cena tensa. No entanto, se ao escrever sobre o que vi acabar me limitando a descrever o que senti (“Chorei muito!”, “É emocionante!”, “Que filme divertido!”, “Dá muito medo!”), terei escrito um texto que valerá para uma única pessoa: eu mesmo. Descrever sentimentos é a opção populista do crítico sem embasamento teórico; o bom profissional irá além: explicitará como os realizadores dispararam aquelas emoções em seu público ou por que falharam ao tentar fazê-lo.

Daí a importância do estudo e da bagagem. Ninguém daria ouvidos a um especialista em economia que jamais houvesse estudado o assunto ou a um correspondente de guerra que jamais houvesse saído do estúdio. Da mesma forma, o que diferencia o crítico do espectador “médio” (um termo que uso não de forma pejorativa, como muitos parecem querer acreditar, mas como descrição objetiva de alguém que encara o cinema como passatempo descartável e não tem interesse em enriquecer sua experiência como cinéfilo) é o conhecimento sobre teoria, linguagem e história cinematográficas.

E só isto já desqualifica a posição de que “toda opinião é igual”, já que o que realmente importa são os argumentos que embasam cada opinião. Dizer que a fotografia de um filme “é boa” ou que este é “bem montado” nada significa; é uma afirmação vazia que não diz nada – e é por isso que o bom crítico empregará exemplos retirados do próprio longa para justificar suas posições, frequentemente usando as observações disparadas pelo lançamento da semana para discutir elementos que dizem respeito ao Cinema de modo geral.

(Aliás, se comentei antes que dizer que sou um bom crítico “porque sempre concordo com sua opinião” é um elogio vazio, devo reconhecer que sempre fico lisonjeado quando vejo alguém tuitar ou “facebookar” que irá ler algumas de minhas críticas antigas apenas pelo prazer de visitá-las. “Confesso que não tenho curiosidade de ver todo filme que entra em cartaz, mas adoro ler todas as críticas que você publica, mesmo sem ter visto o longa em questão”, escreveu um leitor outro dia, naquele que provavelmente é o maior elogio que já recebi justamente por apontar que o texto tem valor como análise cinematográfica em si, não como guia prático de consumo.)

Porém, em vez de aproveitarem o conhecimento do crítico para talvez aprenderem um pouco mais sobre a Arte, há muitos que preferem apenas vê-lo como alguém “arrogante”, como um “pseudo-intelectual” (a “ofensa” que é marca registrada daquele inseguro quanto ao próprio intelecto ou à própria cultura); é mais fácil acreditar, por exemplo, que fingi ter apreciado A Árvore da Vida do que reconhecer o próprio comodismo ao sequer tentar entender o filme de Malick. Quanto à “arrogância”, retorno a palavra a Jim Emerson:

“(É necessária) uma certa forma de arrogância para se fazer um filme, para se apresentar em público ou diante da câmera e para escrever uma crítica. (…) Dizer que alguém do showbiz (e isto inclui as pessoas que escrevem sobre ele) está exibindo ‘arrogância’ é como dizer que um bombeiro está exibindo ‘coragem’ ao entrar em um prédio em chamas. Você não poderia desempenhar seu trabalho sem ela. Mas não basta a arrogância. Preparo e experiência também são necessários.”
E é exatamente por isso que jamais me defendi da acusação de “arrogância”: desacompanhada de estudo, é reprovável; embasada por argumentos, é o que me permite ter a “audácia” de publicar o que escrevo para consumo alheio.
Nada disso interessará por muito mais tempo, porém. A ideia de que “na internet, todo mundo é crítico” é o que parece dominar – mesmo que, como discuti acima, o estudo, a bagagem e a experiência sejam fundamentais ao definir o autêntico “crítico”. Infelizmente, como escrevi no twitter, hoje o que importa é o hype, não o pensamento crítico.

A crítica cinematográfica desaparecerá ao lado dos filmes legendados. Morreremos afogados nos braços um do outro, como expressões ultrapassadas do amor e do respeito incondicionais pela Sétima Arte.

P.S.: Se você leu este post na íntegra, não precisava ser convencido(a) do valor da crítica; está habituado(a) a ler e aprecia a discussão racional – e mesmo que tenha discordado de tudo que escrevi, certamente terá capacidade de articular esta discordância. O problema reside naqueles que pararam no título ou no segundo parágrafo, deram um “page down” para ver o tamanho do texto, ficaram com preguiça e abandonaram a página. E como estes representam a maioria, a crítica permanecerá condenada por mais que a defendamos. 

P.P.S.: Se você leu este “P.S.” ao finalizar o rápido “page down”, vestiu a carapuça e decidiu comentar negativamente apenas para fingir que leu tudo, a fragilidade dos seus argumentos te denunciará. Nem tente.

Por Ricardo Seelig

Lá fora (e aqui dentro): as capas de junho das principais revistas sobre música

terça-feira, junho 04, 2013
Fazendo o nosso levantamento mensal com as capas deste mês de junho de algumas das principais revistas de música do planeta. Destaque para a nova Decibel com Jeff Hanneman, para a Revolver com o Metallica e para a edição grega da Metal Hammer com o Amon Amarth, suplemento especial sobre o Black Sabbath e pôster homenageando Hanneman.

Merece menção também a nossa Roadie Crew, que depois de um longo tempo colocou em sua capa uma banda atual - no caso, a sueca Ghost. Que esse seja o primeiro passo da necessária evolução da revista. Afinal, quem disse que não dá pra curtir bandas novas e clássicas ao mesmo tempo?

E aí, qual delas você mais gostou?



 
 
 
 
 

Por Ricardo Seelig

3 de jun de 2013

The Winery Dogs: crítica de The Winery Dogs (2013)

segunda-feira, junho 03, 2013
Originalmente, o The Winery Dogs foi anunciado como um trio formado por John Sykes (Whitesnake, Thin Lizzy, Tygers of Pan Tang), Mike Portnoy (Dream Theater, Adrenaline Mob, Transatlantic, Flying Colors) e Billy Sheehan (Mr. Big, Talas, David Lee Roth). Lembro de estar assistindo a um episódio do That Metal Show, programa apresentado pelo radialista e jornalista Eddie Trunk na VH1, e ouvir da boca dos próprios Sykes e Portnoy a confirmação do projeto, inclusive com ambos afirmando que já tinham até mesmo demos gravadas.

No entanto, as coisas não deram muito certo entre o guitarrista e o baterista, e Richie Kotzen foi anunciado como substituto de Sykes. Ouvindo o primeiro álbum do grupo, só é possível chegar a uma conclusão: a mudança foi mais do que acertada. Apesar do currículo bem mais vistoso de Portnoy e Sheehan, a estrela principal do Winery Dogs é Kotzen.

Apresentando, segundo os próprios músicos, influências de Cream, Led Zeppelin, Grand Funk Railroad, Soundgarden, Alice in Chains, Black Crowes e Lenny Kravitz, o The Winery Dogs é uma grata surpresa. O disco de estreia do trio é recheado de boas composições que trilham o caminho do hard rock acessível, repleto de melodias agradáveis e refrãos ganchudos. É possível afirmar que trata-se do melhor trabalho de Mike Portnoy desde que deixou o Dream Theater - lembrando que o baterista alcançou resultados muito bons tanto no Adrenaline Mob quanto no Flying Colors.

Com os vocais excelentes de Richie Kotzen à frente, o The Winery Dogs gravou um álbum de classic rock que soa atual e contemporâneo. A sonoridade é moderna, cheia, com flertes com o funk e o soul em abundância - muito devido aos vocais de Kotzen. As faixas não apresentam firulas instrumentais desnecessárias, mas contém trechos extremamente técnicos, porém sempre audíveis. Nada soa desleixado, muito pelo contrário. Percebe-se que as músicas foram desenvolvidas integralmente, o que seria de se esperar de um time formado por instrumentistas do gabarito de Portnoy, Sheehan e Kotzen.

Há muito groove e balanço no disco, mostrando o entrosamento quase celestial entre Mike Portnoy e Billy Sheehan, duas lendas em seus instrumentos. O baixo de Billy soa sempre na cara, bem evidente, característica gratificante para quem aprecia a sonoridade do instrumento. Portnoy, mais uma vez, usa a sua técnica invejável com sabedoria, abrindo mão das mirabolantes passagens e viradas que o levaram à fama no Dream Theater e focando em um modo de tocar que é pura eficiência. E, como já dito, Richie Kotzen brilha de maneira intensa sobre uma das cozinhas mais fantásticas já reunidas em um disco de rock. Cantando sempre de maneira não menos que sublime, esbanja feeling em suas interpretações, além de um bom gosto singular nos timbres, riffs e solos que tira de sua guitarra.

Entre as faixas, destaque para o funk pesado de “Elevate”, o hard soul pegajoso de “Desire”, a grudenta “We Are One”, a linda balada “I’m No Angel”, “You Saved Me”, a festiva “Not Hopeless”, “One More Time” e “Regret”, magistral encerramento com direito até a um bem-vindo órgão Hammond.

Sem dúvida, um dos melhores discos que você irá ouvir em 2013.

Que o The Winery Dogs tenha chegado para ficar!

Nota 9

 
Faixas:
1 Elevate
2 Desire
3 We Are One
4 I’m No Angel
5 The Other Side
6 You Saved Me
7 Not Hopeless
8 One More Time
9 Damaged
10 Six Feet Deeper
11 Criminal
12 The Dying
13 Regret

Por Ricardo Seelig

Notícias sobre o novo álbum do U2

segunda-feira, junho 03, 2013
Aumentam as especulações sobre um novo álbum do U2 ainda em 2013. A Rolling Stone flagrou os quatro integrantes da banda - Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr - em Nova York na última semana. Os músicos estavam no Electric Lady Studios, local onde o produtor Dange Mouse estaria mixando as novas músicas do grupo. Quem também foi visto no local foi Chris Martin, mas ainda não há a confirmação se o líder do Coldplay fez ou não uma participação no disco.

Vale lembrar que o U2 começou a compor as faixas do sucessor de No Line on the Horizon ainda em 2009. RedOne, produtor de Lady Gaga, participou do início do projeto, mas logo foi substituído pelo requisitado Mouse, responsável pelos últimos trabalhos do Black Keys.

Segundo o baixista Adam Clayton, “queremos muito lançar o álbum até o final do ano, entre setembro e novembro. Estamos trabalhando com Danger Mouse, que é um cara inteligente. Ele está animado. Formamos uma grande equipe e estamos nos sentindo muito à vontade - vale tudo! Temos uma abundância de ideias, acho que poderíamos gravar três ou quatro discos diferentes. Mas para fazer o melhor álbum que você pode, você precisa abrir mão das ideias que vêm facilmente. Nós realmente estamos tentando entrar em um território no qual não nos sentimos confortáveis”.

O produtor Daniel Lanois, parceiro de longa data do grupo, também falou sobre o novo álbum da banda irlandesa: “Ouvi algumas faixas e me pareceu incrível. Uma sonoridade muito, muito grandiosa e poderosa. Algumas composições são um pouco mais experimentais. Há tons de Achtung Baby no novo trabalho”.

Com a ansiedade a mil, voltaremos quando tivermos mais novidades.

Por Ricardo Seelig

Show do Iron Maiden em São Paulo muda de lugar e será realizado no Anhembi

segunda-feira, junho 03, 2013
A produtora XYZ Live soltou um comunicado informando sobre a mudança de local do show do Iron Maiden em São Paulo, em setembro. Leia a íntegra:

A XYZ Live anuncia aos fãs de Iron Maiden que o show da banda do dia 20 de setembro, que seria realizado originalmente no Jockey Club, teve seu local alterado para o Anhembi.



A decisão foi tomada por conta das restrições do Jockey em relação à altura do som. Em respeito aos fãs, o Iron Maiden optou por transferir a apresentação para um lugar em que não houvesse limite de volume e mais flexibilidade de horário para o término do show. A noite também contará com Slayer e Ghost.

Os preços não serão alterados e quem já garantiu o ingresso não precisa nem trocá-lo, já que a disposição da plateia continua a mesma. Quem desejar pode solicitar a devolução do dinheiro, de acordo com as instruções abaixo.


A XYZ Live agradece a compreensão e espera que todos possam aproveitar ao máximo tudo o que uma das maiores bandas de heavy metal do mundo tem a oferecer.


SAIBA COMO PROCEDER EM CASO DE DESISTÊNCIA


a) Se você adquiriu ingressos na Bilheteria Oficial ou Pontos de Venda Físicos da LIVEPASS: Basta dirigir-se a um dos locais abaixo descritos, impreterivelmente de 6 de JUNHO a 12 DE JULHO, com o ingresso original em mãos.


Estádio do Morumbi – Bilheteria 2


Praça Roberto Gomes Pedrosa, S/N – Morumbi – Bilheteria 2

Horário de Funcionamento:
De segunda a domingo – das 10h00 às 18h00

Dias de Jogos/Shows: fechado
 

Shopping Market Place – Piso Superior

Av. Chucri Zaidan, 902 – Morumbi

Horário de Funcionamento:
De segunda a sábado – das 10h às 22h

Aos domingos e feriados – das 14h às 20h
 

Shopping Villa Lobos

Avenida das Nações Unidas, 4777 – Vila do Cliente Piso G1

Horário de Funcionamento:
De segunda a Sábado – das 10 às 22h

Aos domingos e feriados – das 14h às 20h


a) Se você adquiriu ingressos pelo site oficial LIVEPASS (www.livepass.com.br) ou CALL CENTER (4003-1527)

Os clientes que optarem pela restituição, deverão entrar em contato com sac@livepass.com.br, no mesmo período acima para solicitar o reembolso. O ressarcimento será realizado após a devolução do ingresso pelo correio, com posterior estorno no cartão de crédito utilizado para pagamento.


Será feita a devolução integral dos valores pagos em caso de desistência, incluindo valor do ingresso + taxa de conveniência + taxa de entrega.

Os cinco melhores discos de heavy metal lançados em maio segundo o About.com

segunda-feira, junho 03, 2013
A cada trinta dias, a editoria de heavy metal do portal About.com divulga os cinco melhores álbuns do gênero lançados no período. A lista se baseia na opinião do jornalista e editor Chad Bowar e de sua equipe. A partir deste mês, traremos aqui na Collector's Room a lista e os comentários traduzidos a respeito das escolhas apontadas pelo site americano.

Confira, então, os cinco melhores discos de metal lançados em maio na opinião do About.com.

1. The Dillinger Escape Plan - One Of Us Is The Killer


One Of Us Is The Killer, quinto álbum de estúdio do Dillinger Escape Plan, soa exatamente como Dillinger Escape Plan e nada mais. Isso é ótimo. A abertura com "Prancer" já deixa clara a missão da banda: haverá sangue e você será entretido.

A altíssima e dissonante guitarra de Ben Weinman esfaqueia o tímpano. Greg Puciato ruge como um urso kodiak que acaba de ser acordado de um período de hibernação de seis meses. Billy Rimer e Liam Wilson mantêm a loucura sob relativo controle tanto na bateria como no baixo, respectivamente.

Em One Of Us Is The Killer, o Dillinger faz um excelente trabalho, que abrange o passado e o futuro da banda, além de dar um grande passo à frente em termos de evolução. Mal posso esperar para ver o que esses maníacos nos trarão da próxima vez.

2. Immolation - Kingdom Of Conspiracy


O Immolation só melhora com o passar do tempo. Kingdom Of Conspiracy tem tudo que você espera de uma banda veterana e segue os passos do antecessor Magesty and Decay (2010). Músicas grandes, com um estilo barroco e riffs atípicos dos guitarristas Robert Vigna e Bill Taylor, além de uma cozinha pesada e precisa com o baterista Steve Shalaty.


Algumas faixas de Kingdom Of Conspiracy, dentre elas a faixa título, “Keep The Silence” e "God Complex", se equiparam ao que o Immolation já fez de melhor em sua carreira.

3. Kylesa - Ultraviolet


A dupla Laura Pleasants e Phil Cope é formidável na parceria vocal e também nas linhas de guitarra. Eles vão de uma pegada lenta e lamacenta, como na abertura com "Exhale", até a criação de uma bela viagem sonora como em "Low Tide" e em perquenas porções de "Unspoken". "Quicksand", dona de uma baixo poderoso, lembra os primeiros trabalhos do Baroness e mostra a ótima voz de Laura Pleasants.


O álbum se encerra rápido, em menos de 39 minutos, e novas audições o revelam por completo. Com Ultraviolet, o Kylesa lança seu melhor disco até o momento e mostra que pode evoluir ainda mais.

4. Uncle Acid and The Deadbeats - Mind Control


Mind Control tem um amplo conceito que envolve cultos de morte, gangues de motociclistas e tarefas de esclarecimento. O álbum começa com a lenta “Mt. Abraxas", que introduz o protagonista (antagonista?) enquanto ele foge de uma montanha de mesmo nome após matar seus companheiros de culto.

A história segue literalmente em declive, mas é transmitida com tantas belas harmonias e riffs pesados que parece a mais maravilhosa história já contada. Os vocais dobrados de Uncle Acid soam como se Alice Cooper, John Lennon e Ozzy estivessem todos lutando por sua alma.

5. In The Silence - A Fair Dream Gone Mad


A Fair Dream Gone Mad é um tipo especial de estreia. O metal progressivo do In The Silence é uma mistura entre o som mais recente do Anathema e a sonoridade do Porcupine Tree em meados da última década. Com um ritmo forte quando tem que ter, há também uma camada mais melódica e retrospectiva. A banda não hesita em colocar traços acústicos e um quê de luxuria na excelente "Serenity" ou um instrumental sombrio em " Close to Me".

Musicalidade impecável e vocais quase perfeitos fazem o álbum se sobressair. A Fair Dream Gone Mad serve como início promissor para o In The Silence e é um disco que todo fã de progressivo precisa ouvir.

Por Guilherme Gonçalves

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