26 de jul de 2013

A semana na Collectors Room

sexta-feira, julho 26, 2013
Notícias: o novo álbum do Soulfly, novidades nas bancas gringas e Jay Z segue no topo da Billboard. 

Novas músicas: “Above All” do Newsted e “The Duke (Of Supernature)” do Monster Magnet

Novos clipes: “Ain’t Much Left of Me” do Blackberry Smoke, “Shine a Light” do Beady Eye e “Truth Untold” do Black Tusk.  

Reviews de discos: Mind Control do Uncle Acid & The Deadbeats, Blades of Grass do The Dirty Streets, Monstrorum Historia do Lo!, Preachers of the Night do Powerwolf, Scenarios of Brutality do Violator e Live at Maida Vale do Baroness.  

Matérias especiais: a nostalgia está matando o rock?

Galerias de fotos: os 70 anos de Mick Jagger.

Por Ricardo Seelig

Baroness: crítica de Live at Maida Vale (2013)

sexta-feira, julho 26, 2013
Live at Maida Vale, EP lançado pelo Baroness no último dia 23 de julho, fecha um ciclo na carreira da banda norte-americana. O disco é o último a contar com o baixista Matt Maggioni e, principalmente, com o baterista Allen Blickle, membro fundador do grupo ao lado do vocalista e guitarrista John Baizley. O guitarrista Peter Adams completa o quarteto.

Gravado nos estúdios da BBC, em Londres, em 13 de julho de 2012, o EP é o registro dos últimos momentos da banda antes do terrível acidente sofrido pelos músicos e equipe em agosto do ano passado. Aliás, Maggioni e Blickle deixaram a banda justamente devido à gravidade dos ferimentos que sofreram.

O grupo estava promovendo o seu espetacular último disco de estúdio, Yellow & Green (2012), quando teve a sua trajetória forçadamente interrompida em razão do ocorrido. A aparição na BBC foi justamente uma das ações de divulgação do álbum, com a banda tocando quatro canções presentes no trabalho. Live at Maida Vale traz o registro ao vivo dessas quatro faixas - “Take My Bones Away”, “March to the Sea”, “Cocainium” e “The Line Between”.

Particularmente, não gosto muito quando as gravações ao vivo perdem o refinamento daquelas registradas em estúdio, entregando versões mais sujas das músicas. E isso acontece aqui. Todas as quatro faixas de Live at Maida Vale apresentam essa “queda” em relação às versões originais - repito, “queda” no meu ponto de vista -, soando mais ásperas e cruas. Essa característica faz bem para um faixa como “Take My Bones Away”, por exemplo, que é rápida e agressiva, mas acaba não soando tão apropriada para uma composição mais contemplativa e cheia de sutilezas como “Cocainium”.

Apesar disso, trata-se de um EP bastante forte, além de um documento sobre um período que já faz parte da história do Baroness, tanto pelo alto nível alcançando em Yellow & Green quanto por tudo que veio depois.

Além das músicas, o principal atrativo do EP está no fato de ele ter sido lançado apenas em vinil (e em quantidade limitada) e com quatro diferentes artes no picture disc que o acompanha, todas de cair o queixo. Um item de colecionador na verdadeira acepção da palavra, e que entrega, além de um excelente trabalho gráfico, música de qualidade inquestionável.

Nota 8,5

Abaixo, algumas imagens de Live at Maida Vale para vocês sacarem sobre o que estou falando:




Faixas:
A1 Take My Bones Away
A2 March to the Sea

B1 Cocainium
B2 The Line Between

Por Ricardo Seelig

Galeria de fotos: Mick Jagger, 70 anos

sexta-feira, julho 26, 2013
Hoje, 26 de julho de 2013, Michael Philip Jagger comemora 70 anos, mas com corpinho de 35. 

O vocalista dos Rolling Stones. O maior frontman da história do rock. Um ícone não só da música, mas da cultura pop.

Não que precisássemos de uma desculpa para postar algo sobre os Stones, ou para ouvir novamente as suas dezenas de clássicos.

Abaixo, uma galeria de fotos com Mick em diversos anos de sua vida. A nossa pequena homenagem a este inglês que mudou o mundo.

 
 
 
 
 

Por Ricardo Seelig

Ouça “The Duke (Of Supernature)”, a nova música do Monster Magnet

sexta-feira, julho 26, 2013
O nono álbum do Monster Magnet tem o título de Last Patrol (capa acima) e será lançado dia 21 de outubro pela Napalm Records. O sucessor de Mastermind (2010) é aguardado com ansiedade, e colocará fim a um silêncio de quase três anos.

Atiçando os fãs, a banda divulgou a primeira música do disco. “The Duke (Of Supernature)” é uma canção climática, que se desenvolve em um arranjo crescente e meio hipnótico.

Ouça abaixo:

Por Ricardo Seelig

Violator: crítica de Scenarios of Brutality (2013)

sexta-feira, julho 26, 2013
Na rotina cíclica dos gêneros que formam o heavy metal enquanto estilo musical, o amanhã costuma sempre se repetir. A história se constrói em círculos e, geralmente, acaba retomando o ponto de partida quando precisa se expandir. É algo natural. Entre os altos e baixos de cada vertente, cabe a poucos a tarefa de mergulhar na porção radical que pavimenta a estrutura vigente e extrair as ferramentas que possibilitarão avançar. Até soa um tanto quanto paradoxal, mas não é. Muito antes de receber conotação pejorativa, "radical" nada mais é do que aquilo que refere-se à base, ao fundamento, à origem de qualquer coisa.

No Brasil, quatro bandas fizeram isso dentro do universo thrash metal: Bywar, Farscape, Blasthrash e Violator. Para o bem ou para o mal, foram os pilares de um revival do estilo no país. Encabeçaram um processo que, no entanto, não é exclusivo ao thrash. O death metal, recentemente, esboçou fazer o mesmo. O occult rock, que nem gênero musical é, passa por isso neste exato momento. O classic rock praticamente se alimenta dessa engrenagem.

Perto desses exemplos, o revival thrash foi ínfimo. Gênero marginal, vindo das ruas e calcado no do it yourself, jamais atingiu grande proporção fora de sua própria rede subterrânea. Nada disso, porém, impediu que a bolha explodisse. Bandas genéricas, derivativas, desprovidas de identidade e tão rasas quanto piscinas de criança se alastraram a partir de 2005. É claro que tudo isso iria implodir.

Por isso Scenarios of Brutality, novo álbum do Violator, se mostra tão importante. Lançado em 10 de julho pela Kill Again Records, de Ceilândia, no Distrito Federal, o disco assume, inevitavelmente, um papel peculiar. Ao mesmo tempo em que revigora toda a proposta da banda brasiliense, contribui também para destruir o que a mesma ajudou a criar, mas que, de certa forma, havia saído do controle. Uma aniquilação proposital daquilo que já não fazia tanto sentido. Um amadurecimento.

Não se trata de "esqueça tudo o que você já ouviu a respeito do Violator". Seria um equívoco, obviamente. A banda não mudou em nada sua essência thrash 80's. Contudo, Scenarios of Brutality apresenta novos caminhos e possibilidades dentro de uma sonoridade intensa e levada às últimas consequências. Como reflexo, enterra o desgastado revival ao provar algo que já era claro: resgatar não é emular. E é bem fácil separar quem é quem.

"Echoes of Silence" tem a missão de abrir a bolacha, repleta de vinhetas com trechos de discursos de Malcom X, e o faz com maestria. Se assemelha a "Atomic Nightmare", do Chemical Assault (2006) por, além de ser a primeira faixa, ter um refrão bem simples, cru e direto. A violência sem pudor segue com "Endless Tyrannies", que denuncia os abusos das ditaduras latino-americanas - algo expresso desde a arte da capa, feita por Andrei Bouzikov. Quando divulgada, passou meio que batida, mas cresceu com o tempo e é um dos pontos altos do disco. Destaque total para a bateria sincopada de David Araya, com velocidade absurda e os tempos encaixados com perfeição.

"Dead to this World" exala enxofre. Com andamento mais cadenciado no início, desemboca em um ótimo riff de transição e dá os primeiros sinais da influência abissal que Extreme Aggression (1989), do Kreator, representa em Scenarios of Brutality. Além disso, mostra outros dois trunfos presentes no álbum: a tremenda evolução do vocal de Pedro Poney, tão mais sujo quanto versátil, e o fator decisivo da escolha por gravar fora do Brasil. Fica nítido que também cabe ao produtor Andy Classen (Mantic Ritual, Grave Desecrator, Krisiun, Tankard etc), do estúdio alemão Stage One, importante parcela de mérito na qualidade do trabalho. Tudo é extremamente alto, pesado, mas audível e facilmente compreensível ao longo das nove faixas. Prova cabal de que um grande disco de thrash não depende de uma produção ruim.

"Respect Existence or Expect Resistance" fala do episódio em Pinheirinho, São José dos Campos, e é sedimentada com uma trama de palavras muito bem construída no refrão, além de poder ser considerada uma espécie de prima de "Give me Destruction or Give me Death", de Annihilation Process (2010). Já "Waiting to Exhale" e a instrumental "Death Descends (Upon this World)", na linha de "Ordered to Thrash", que também fazia esse interlúdio em Chemical Assault, funcionam como o testamento de que Pedro Capaça e Márcio Cambito dormem e acordam pensando em riffs. Duas usinas que fornecem não energia, mas bases esmagadoras das mais variadas formas: cavalgadas, power chords, tremolos... Uma verdadeira aula.

A trinca "Colors of Hate", "No Place for the Cross" e "Unstoppable Slaughter" explicita o cerceamento das liberdades individuais por meio da violência ideológica e policial, bem como ataca o preconceito racial e cristão. E aqui voltamos a outro disco do Kreator, Terrible Certainty (1987), pois "Unstoppable Slaughter", que tem o massacre de Eldorado dos Carajás como pano de fundo, começa de forma quase idêntica à faixa-título desse álbum dos alemães. Tanto na batera como também na guitarra. Algo que já havia acontecido em "Futurephobia", que se inicia bastante semelhante à "Inner Self', presente em Beneath the Remains, do Sepultura.

Essa proximidade é interessante, uma vez que Scenarios of Brutality pode ser encarado justamente como uma espécie de fusão entre Extreme Aggression e Beneath the Remains. Da mesma forma que tais discos, lançados em 1989, marcaram um período de mutação no thrash metal mundial, o recém-lançado trabalho faz algo similar ao estabelecer uma nova era ao menos para o próprio Violator. Se Annihilation Process pareceu um cambaleante passo em falso, talvez ficando no meio do caminho, Scenarios of Brutality é um expresso em alta velocidade rumo a um patamar peremptório.

Patamar em que o Violator será a banda brasileira de thrash mais relevante desde o Sepultura...

Isso se já não for.

Nota: 9,5


Faixas:

1 Echoes of Silence 3:59
2 Endless Tyrannies 4:26
3 Dead to this World 3:45
4 Respect Existence or Expect Resistance 3:57
5 Waiting to Exhale 4:59
6 Death Descends (Upon this World) 2:46
7 Colors of Hate 3:49
8 No Place for The Cross 4:14
9 Unstoppable Slaughter 5:23

Por Guilherme Gonçalves

Powerwolf: crítica de Preachers of the Night (2013)

sexta-feira, julho 26, 2013


Era uma vez, há muito muito tempo, um sujeito chamado power metal. Power metal era um ser um tanto quanto peculiar: sempre de forma fantasiosa e exibicionista, ele adorava contar por aí sobre suas gloriosas aventuras e os perigos lendários superados em suas viagens pelos mundos. No começo, muitos gostaram dele e paravam atentos para ouvir qual seria a nova estripulia da vez, e, por mais que as más línguas continuassem a achar tudo aquilo uma tremenda mentira (e das mal contadas), o power metal praticamente reinou absoluto durante eras.


Porém, vítima de si mesmo, o tempo foi passando, e as pessoas começaram a perceber que havia algo de errado com ele. Tornou-se repetitivo, como se as mesmas jornadas épicas estivessem sendo contados à exaustão, e de forma muito mais desinteressante. Assim, cada vez menos vinham para ouvir as suas outrora famosas aventuras.


Começaram os tempos negros para o power metal, que cada vez mais se tornava esquecido ao ostracismo. Recluso, lembrado tanto com nostalgia quanto sendo motivo de piada, a impressão é que nada nunca mais seria o mesmo.


Até que...


Da escuridão em que se encontrava, surge em 2003, na histórica Saarbrücken, o Powerwolf: um grupo que tem se destacando por trazer o mesmo furor da grande era do estilo, mas com diferentes temas, deixando as honradas guerras e dragões de lado e mirando as próprias trevas, e não uma saída dela. E a sua nova obra, Preachers of the Night, é mais um capítulo dessa saga.


Iniciando o álbum já com os seus marcantes trocadilhos infernais, “Amen & Attack” se mostra um power speed metal até o osso combinado com o sempre presente sentimento épico, acabando por resultar em um híbrido entre o som do Rhapsody com o clássico Running Wild. “Secrets of the Sacristy” segue por outro caminho, mais melódico e calcado no heavy tradicional, próximo ao que o Helloween tem feito nos melhores momentos de seus últimos álbuns, enquanto a morbidamente bem humorada “Coleus Sanctus” fica entre o metal em seus primórdios com o característico e onipresente church organ nos riffs desses alemães.


Muito parecido com os rumos do estilo recentemente, “Sacred & Wild” e “Kreuzfeuer” seguem em ritmos ainda cadenciados, com a diferença de que a primeira traz boas doses daquele hard tipicamente germânico, enquanto a segunda é dominada por uma atmosfera soturna, próxima de outras vertentes, como o gothic e o black metal.


“Cardinal Sin”, porém, retoma a velocidade e as estruturas já conhecidas no som do Powerwolf, e assim como na agressiva “In The Name Of God (Deus Vult)” e na quebrada “Nochnoi Dozor” soam como o típico power metal envolto por uma aura de ocultismo (ou seria cultismo?), um de seus grandes diferenciais.


O mesmo pode ser dito de “Lust For Blood” e “Extatum et Oratum”, que são ótimas faixas no que diz respeito em melodia e proposta, mas que no fim das contas soam bem parecidas com as anteriores, por mais que não comprometam de forma alguma o andamento do trabalho. Os arranjos de órgão tomam a frente em “Last of the Living Dead”, o atmosférico encerramento do álbum, exemplificando de forma ainda mais latente as suas tendências teatrais.


Algumas questões sobre Preachers of the Night são inegáveis: o que o Powerwolf lançou em seu novo trabalho não difere de forma espantosa de seus álbuns anteriores em nenhum aspecto. Talvez, aos pouco familiarizados com o estilo, de fato, as músicas podem soar completamente iguais e uma repetição interminável da mesma proposta – e esse é um sério problema quando uma banda consegue criar uma ideia musical relativamente nova.


Porém, a grande diferença está em como essa proposta é executada pela banda, e os alemães conseguem fortalecer ainda mais as suas características, moldando-as com o passar do tempo de acordo com a sua própria imagem, apresentações ao vivo e todos os aspectos teatrais que acompanham a música (ok, pode ser bem galhofa, mas ainda assim saiu do mar de obviedade em que o estilo se encontrava). E nesse fator, eles são impecáveis: a utilização do church organ como instrumento condutor e responsável pelos detalhes em cada faixa, e a diferenciada voz de Attila Dorn, são determinantes na construção da sua identidade.


Seria exagero dizer que o Powerwolf pode ser o alicerce para a reconstrução de um gênero inteiro. Eles estão mais para um uivo solitário no meio da noite, quando os mais acomodados preferem manter-se no mesmo lugar, com medo do desconhecido.


Nota 8


Faixas:
01. Amen & Attack
02. Secrets of the Sacristy
03. Coleus Sanctus
04. Sacred & Wild
05. Kreuzfeuer
06. Cardinal Sin
07. In The Name Of God (Deus Vult)
08. Nochnoi Dozor
09. Lust For Blood
10. Extatum et Oratum
11. Last of the Living Dead


Por Rodrigo Carvalho, do Progcast

25 de jul de 2013

Jay Z segue pela segunda semana consecutiva no topo da Billboard

quinta-feira, julho 25, 2013
O novo álbum do rapper Jay Z vai muito bem, obrigado. Magna Carta ... Holy Grail segue na primeira posição do Top 200 da Billboard pela segunda semana consecutiva e já é um dos discos mais vendidos de 2013. Outros destaque são a ausência do Daft Punk no top 10 depois de várias semanas e a estreia de Phil Anselmo, com boa performance.

Confira abaixo:



Os discos mais vendidos nos Estados Unidos:

1 Jay Z - Magna Carta ... Holy Grail
2 Sara Bareilles - The Blessed Unrest
3 Kidz Bop Kids - Kidz Bop 24
4 Ace Hood - Trials & Tribulations
5 Florida Georgia Line - Here’s to the Good Times
6 Imagine Dragons - Night Visions
7 J. Cole - Born Sinner
8 Justin Timberlake - The 20/20 Experience
9 Cody Simpson - Surfers Paradise
10 Blake Shelton - Based on a True Story



Os discos de rock mais vendidos nos Estados Unidos:

1 Imagine Dragons - Night Visions
2 Matt Nathanson - Last of the Great Pretenders
3 Sick Puppies - Connect
4 Skillet - Rise
5 Black Sabbath - 13
6 Phillip Phillips - The World From the Side of the Moon
7 Fall Out Boy - Save Rock and Roll
8 Philip H. Anselmo & The Illegals - Walk Through Exits Only
9 Mumford & Sons - Babel
10 The Lumineers - The Lumineers



Os discos de hard rock e heavy metal mais vendidos nos Estados Unidos:

1 Sick Puppies - Connect
2 Skillet - Rise
3 Black Sabbath - 13
4 Philip H. Anselmo & The Illegals - Walk Through Exits Only
5 Defeater - Letters Home
6 Queens of the Stone Age - ... Like Clockwork
7 Sleeping with Sirens - Feel
8 Brign Me the Horizon - Sempiternal
9 Alice in Chains - The Devil Put Dinosaurs Here
10 Amon Amarth - Deceiver of the Gods


Por Ricardo Seelig

Lo!: crítica de Monstrorum Historia (2013)

quinta-feira, julho 25, 2013

Direto do underground australiano, o Lo! foi inicialmente idealizado pelo guitarrista Carl Whitbread, logo após o fim da sua antiga banda, o Omerata. Acompanhado por outros três experientes músicos da cena musical de Sidney, o grupo aos poucos foi estabelecendo o seu nome dentro do circuito do país, chegando a tocar com Doomriders e Russian Circles, e atraindo a atenção de Robin Staps, a mente por trás da Pelagic Records.


Tendo como referência nomes como Converge, Old Man Gloom e Breach (sendo que o derradeiro álbum Kollapse, dessa última, é citado como a principal influência para a sua existência), o quarteto australiano vai além, trazendo toques ainda mais aprofundados no popular sludge atual, como pode ser conferido no seu trabalho de estreia, Look and Behold!, de 2011. E agora, eles retornam com Monstrorum Historia, que vai muito, mas muito mais fundo em sua proposta.


Das graves notas solitárias de um piano, como uma agonizante expectativa antes de ter a sua cabeça afundada em água congelante, “As Above” é apenas a introdução reta e ritmada, densa e pesada, criando o clima para “Bloody Vultures”. Com a excessiva distorção e longos acordes comuns do estilo, a faixa passa, em menos de três minutos, por diversas mudanças, mantendo prioritariamente o ritmo quase hardcore como base para os mais puros riffs dissonantes.


Se o início do álbum pode trazer certa confusão mental e sensações claustrofóbicas, “Ghost Promenade” soa um pouco mais melódico e com passagens mais homogêneas, próximo ao sludge europeu e bem diferente do dinamismo de “Caruncula”, que alterna entre o groove quase southern com um bizarro e extremo híbrido de post hardcore.


Continuando na mesma curva dramática, o lado mais atmosférico e nas bordas do post metal aprecem como importantes elementos tanto na instrumental “Haven Beneath Weeping Willows” quanto na oceânica “Fallen Leaves”. O clima desesperador volta a se manifestar na ruidosa e incompreensível “Crooked Path, The Strangers Ritual”, um prelúdio para a agressividade descontrolada de “Lichtenberg Figures”, aonde os riffs soam como se baseados em heavy tradicional e black metal, mas com uma soturna roupagem sludge, responsável por deixar a sensação de estar sendo bombardeado com toneladas de imagens e informações durante a audição (o que não é apenas uma sensação, claro).


“Bleak Vanity” pode até criar uma falsa impressão com a sua ecoante introdução mezzo-acústica, mas acaba por se revelar uma versão mais doom e post do death metal melódico sueco, em especial o Dark Tranquillity em sua época transicional e musicalmente tensa. Por outro lado, “Palisades of Fire” fica em um meio termo entre aquele hardcore tipicamente americano com os campos mais cadenciados do doom metal, com sua interminável nota final servindo de preparação para “So Below (Before We Disappear)”, uma longa faixa que reúne de forma eficiente o que é o som do Lo! em sua essência: um caos de barulhos frenéticos misturados a contemplativos segundos de calmaria e ritmos lentos, em contraponto às violentas e estouradas vozes.


Monstrorum Historia pode não ser um álbum exatamente inovador, mas mostra uma banda que agrega a influência de alguns dos maiores nomes do sludge com eficácia notável, e cria uma miscelânea que se consolida como a sua marca própria: dos riffs mastodônicos inspirados às flutuantes estruturas musicais, os australianos se desgarram de alguns protocolos no que diz respeito a buscar certa sonoridade, e focam nas controversas sensações negativas que cada passagem, verso e mudança brusca proporciona.


E em meio à (aparente) desordem eles parecem encontrar um caminho alto, ruidoso, um tanto quanto anárquico em possibilidades, e o suficiente para entranhar pela sua mente e afogá-la aos poucos.


Nota 8


Faixas:
01. As Above
02. Bloody Vultures
03. Ghost Promenade
04. Caruncula
05. Haven Beneath Weeping Willows
06. Fallen Leaves
07. Crooked Path, The Strangers Ritual
08. Lichtenberg Figures
09. Bleak Vanity
10. Palisades Of Fire
11. So Below (Before We Disappear)


Por Rodrigo Carvalho, do Progcast

24 de jul de 2013

“Truth Untold”, o novo clipe do Black Tusk

quarta-feira, julho 24, 2013
A Relapse acaba de divulgar o novo clipe do Black Tusk. O vídeo da faixa “Truth Untold” foi dirigido por Brad Kremer e mostra as aventuras da banda para chegar até o local de um show. Hilário!

“Truth Untold” faz parte do EP Ten No Wounds, lançado ontem, 23/07.

Aumente o volume e divirta-se abaixo:



Por Ricardo Seelig

The Dirty Streets: crítica de Blades of Grass (2013)

quarta-feira, julho 24, 2013
Natural de Memphis, o The Dirty Streets é um trio formado por Justin Toland (vocal e guitarra), Thomas Storz (baixo) e Andrew Denham (bateria). A banda nasceu da paixão dos integrantes por nomes como Led Zeppelin, Humble Pie e Cream. Essa união gerou um rock retrô de qualidade, que não soa gratuito e nem desnecessário em nenhum momento. É uma sonoridade que transmite autenticidade, agregando elementos do rock e do blues em composições de qualidade genuína.

O primeiro disco, Portrait of a Man, foi lançado em dezembro de 2009. O segundo, Movements, chegou às lojas em novembro de 2011. E o terceiro, Blades of Grass, acaba de sair. O disco traz onze faixas fortes, construídas sempre a partir da guitarra de Toland e evoluindo para blues rocks e boogies cheios de feeling e balanço. Além das bandas citadas, percebe-se neste novo trabalho a influência dos Black Crowes, característica evidenciada pela similaridade entre a voz de Chris Robinson e a de Justin Toland.

Sempre seguindo o formato riff-verso-refrão-solo, as músicas do The Dirty Streets bebem no lado clássico do rock mas sem xerocar nenhum dos grandes nomes do estilo. Há personalidade própria, uma cara original e cativante no som do trio, e isso merece grandes elogios.

Seja para pegar a estrada ou apenas para fazer a trilha de um bom papo com os amigos, Blades of Grass é daqueles discos que chegam para se tornar grandes amigos de seus donos. Um novo brother que aterrisa em nossas coleções, em nossas vidas, com uma conversa sempre agradável e que proporciona inegáveis ótimos momentos.

Entre esses ápices, destaques para a pesada “Heart of the Sky”, para a malandríssima faixa-título, “Stay Thirsty” (que mistura os Crowes com o Lynyrd Skynyrd), “Talk”, “No Need to Rest”, a calma “Movements #2” (com ecos da Allman Brothers Band), ... A lista é grande, e não seria incorreta se citasse todas as composições do disco.

Sem compromisso e totalmente relax, o The Dirty Streets gravou um senhor terceiro álbum. Blades of Grass é muito bom, com ótimas faixas e diversos grandes momentos. Ouça e conheça mais uma banda atual que joga outra grande pá de cal sobre o discurso equivocado de quem acredita no “fim do rock” e na frase “não existe qualidade na música atual”.

Nota 8,5

Faixas:
1 Stay Thirsty
2 Talk
3 No Need to Rest
4 Movements #2
5 Try Harder
6 Blades of Grass
7 Keep an Eye Out
8 Heart of the Sky
9 Truth
10 Twice
11 I Believe I Found Myself

Por Ricardo Seelig

Lá fora: as novas edições da Metal Hammer, Classic Rock, Billboard, NME, Kerrang e RockHard

quarta-feira, julho 24, 2013
Novidades nas bancas. A nova Metal Hammer desembarca com capa do Avenged Sevenfold, enquanto a Classic Rock vem com o Kings of Chaos, supergrupo formado por uns caras aí. Tem também o nova cara do country rock na Billboard, as edições desta semana das inglesas NME e Kerrang e o novo número da alemã RockHard.

Qual a sua capa favorita?


 
 
 
 

Por Ricardo Seelig

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