20 de set de 2013

A aula de heavy metal que o Metallica deu, mais uma vez, no Rock in Rio

sexta-feira, setembro 20, 2013
Você pode não gostar dos discos mais recentes do Metallica. Você pode não simpatizar com os integrantes da banda. Você pode pensar um monte de coisas a respeito das atitudes e decisões que o grupo tomou ao longo de sua carreira. Mas numa coisa você precisa concordar: o Metallica sabe fazer um show como poucos.

Quinta-feira, 19 de setembro de 2013, o Brasil viu isso de perto mais uma vez. Uma apresentação repleta de energia, que colocou o Rock in Rio abaixo. Uma banda f*** pra caramba, liderada pelo carismático James Hetfield e com um setlist matador.

O Metallica vai estar aí para sempre. Eles são os Rolling Stones do metal.

Ah, não viu o show? Então assista agora, na íntegra, no player abaixo:



Por Ricardo Seelig

Bruce Springsteen tocando Raul Seixas

sexta-feira, setembro 20, 2013
Bruce Springsteen se apresentou em São Paulo na última quarta-feira, 18 de setembro. Abrindo o show, ele e sua banda surpreenderam e deixaram o público com o queixo caído com uma versão arrebatadora de “Sociedade Alternativa”, um dos maiores clássicos de Raul Seixas.

Bruce esbanjou simpatia. E, junto com a banda, deu um banho de competência. Qualidade de quem não apenas sabe o que faz, mas, com quarenta anos de carreira nas costas, continua amando profundamente o seu ofício.

Bruce Springsteen e a The E Street Band se apresentarão amanhã, sábado, 21/09, no Rock in Rio. Podem anotar: Bruce fará não apenas o melhor show desta edição do festival, como uma das apresentações mais antológicas que o nosso país já assistiu.


O arregaço chocante do Ghost no Rock in Rio

sexta-feira, setembro 20, 2013
O Ghost fez ontem o seu primeiro show no Brasil, durante o Rock in Rio. Com apenas cinco anos de carreira e dois ótimos discos nas costas - Opus Eponymous (2010) e Infestissumam (2013) -, a banda sueca formada pelos mascarados e encabeçada pelo vocalista Papa Emeritus dividiu opiniões no palco do festival.

Enquanto alguns esperavam um show para pular o tempo todo, o Ghost fez aquilo que quem acompanha o trabalho do grupo já sabia: um show extremamente teatral, levando o clima soturno e sombrio de seus discos para o palco. Uma espécie de missa satânica.

O público, em alguns momentos, gritou pelo Metallica, que fecharia à noite, e chegou a vaiar os suecos.

Pessoalmente, achei uma grande apresentação. Excepcional. De dar arrepios e causar medo. Na tradição de grandes mascarados e artistas com grande apelo teatral como Alice Cooper, Kiss, King Diamond e Slipknot. Mas, como com o Ghost é tudo 8 ou 80, teve gente que odiou.

Assista abaixo, na íntegra, o show do Ghost no Rock in Rio 2013 e tire as suas próprias conclusões. Eu adorei!



Por Ricardo Seelig

19 de set de 2013

Ouça “The Age of the Atheist”, primeira música do novo disco do Sepultura

quinta-feira, setembro 19, 2013
A Nuclear Blast revelou hoje ao mundo a primeira música do novo disco do Sepultura. “The Age of the Atheist” é a primeira prévia de The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart, décimo-terceiro álbum da banda brasileira e a estreia pela gravadora.

O trabalho marca a estreia do baterista Eloy Casagrande em estúdio e é o primeiro gravado nos Estados Unidos desde Against, de 1998. O disco marca o retorno da parceria com o produtor Ross Robinson, responsável pelo clássico Roots.

Ouça “The Age of the Atheist” e conte pra gente o que achou:



Por Ricardo Seelig

Assista “Sounds of a Playground Fading”, novo clipe do In Flames

quinta-feira, setembro 19, 2013
A Century Media, através do seu canal oficial no YouTube, lançou hoje o novo clipe do In Flames. “Sounds of a Playground Fading”, faixa-título do último álbum dos suecos, ganhou um vídeo que mostra a banda em sua atual turnê. A direção é de Patric Ullaeus.

Assista abaixo:



Por Ricardo Seelig

18 de set de 2013

The Killers lançará compilação em novembro

quarta-feira, setembro 18, 2013
O The Killers, uma das grandes bandas dos anos 2000, lançará a primeira compilação de sua carreira em novembro. Com quatro álbuns de estúdio e um ao vivo - Hot Fuss (2004), Sam’s Town (2006), Day & Age (2008), Live From the Royal Albert Hall (2009) e Battle Born (2012), o The Killers faz um retrospecto de sua história em Direct Hits, que chegará às lojas dia 11 de novembro.

A coletânea trará 15 faixas, sendo duas delas inéditas - “Shot At the Night” e “Just Another Girl”. A versão deluxe de Direct Hits terá ainda mais três músicas: “Be Still”, do último disco do quarteto, a versão demo de “Mr. Brightside” e um remix de 2006 para “When You Were Young”. E, para os completistas, será disponibilizada uma edição super deluxe com um documentário sobre a banda em DVD e todas as faixas reunidas em cinco LPs de 10 polegadas.

Abaixo, o tracklist completo de Direct Hits:

1 Mr Brightside
2 Somebody Told Me
3 Smile Like You Mean It
4 All These Things That I’ve Done
5 When You Were Young
6 Read My Mind
7 For Reasons Unknown
8 Human
9 Spaceman
10 A Dustland Fairytale
11 Runaways
12 Miss Atomic Bomb
13 The Way It Was
14 Shot At the Night *
15 Just Another Girl *
16 Mr Brightside (Original Demo) **
17 When You Were Young (Calvin Harris Remix) **
18 Be Still **


Por Ricardo Seelig

Ouça “No Hope”, nova música do Red Fang

quarta-feira, setembro 18, 2013
O excelente quarteto norte-americano Red Fang revelou mais uma faixa do seu novo disco, Whales and Leeches, com data da lançamento marcada para 15 de outubro pela Relapse Records.

“No Hope” é uma composição cheia de melodia e direta ao ponto. Resumindo: uma grande faixa, como você perceberá no player abaixo:

Por Ricardo Seelig

Assista “Sirens”, o novo clipe do Pearl Jam

quarta-feira, setembro 18, 2013
O Pearl Jam acaba de divulgar o clipe da inédita “Sirens”, faixa que faz parte de seu novo disco, Lightning Bolt. O vídeo foi dirigido por Danny Clinch, que já havia trabalhado com a banda no DVD Immagine in Cornice (2007).

“Sirens” é uma balada com letra de Eddie Vedder e música de Mike McCready. Pela tradição do quinteto, tem cara de mais uma daquelas músicas que crescem horrores quando executadas ao vivo.

Lightning Bolt é o décimo álbum do Pearl Jam e será lançado dia 14 de outubro. Ele é o sucessor de Backspacer (2009) e foi produzido por Brendan O’Brien, parceiro de longa data do grupo.

Assista ao clipe de “Sirens” abaixo:



Por Ricardo Seelig

Shows do Iron Maiden no Brasil serão filmados

quarta-feira, setembro 18, 2013
O engenheiro de gravação do Iron Maiden, Tony Newton, revelou que os shows que a banda britânica irá realizar no Brasil nos dias 20/09 (São Paulo) e 22/09 (durante o Rock in Rio) serão registrados por uma equipe profissional de filmagem.

Não há confirmação se o Maiden irá lançar esses shows comercialmente no futuro, mas arrisco dizer que isso é bem provável, afinal o grupo não iria mobilizar toda uma equipe com equipamento, mais os custos de tudo isso, para guardar como arquivo. Outra: a turnê atual traz de volta a clássica época do disco Seventh Son of a Seventh Son, que não possui um registro em vídeo definitivo ao meu ver, a não ser o Maiden England original, lançado na época.

Vem aí um Scream for Me Brazil? Live in Rio? Live in Brazil? Maiden Brazil?

Aliás, participe e brinque com a gente nos comentários: se o Iron Maiden realmente lançar um novo ao vivo gravado no nosso país, como deveria ser o título desse lançamento?

Por Ricardo Seelig

Rush anuncia novo ao vivo para novembro

quarta-feira, setembro 18, 2013
Para celebrar a aclamada turnê de Clockwork Angels (2012), seu mais recente e elogiado álbum de estúdio, o Rush anunciou que lançará novo trabalho ao vivo contemplando um dos shows realizados durante os 11 meses em que a banda girou o mundo divulgando o disco.

Rush: Clockwork Angels Tour foi o nome escolhido para o ao vivo, gravado em novembro de 2012 na American Airlines Arena, em Dallas, nos Estados Unidos. A data prevista para o lançamento via Anthem/Roadrunner Records é 19 de novembro e, a princípio, o arrojado registro saírá nos formatos cd, dvd e blu-ray

Como prova do sucesso de Clockwork Angels, o novo trabalho terá nada menos do que nove de suas faixas incluídas no ao vivo. Também estarão no track list músicas mais obscuras e que raramente figuraram no setlist dos canadenses. São os casos de "Middletown Dreams" e "The Body Electric". Chama a atenção ainda o fato de o baterista Neil Peart contar com simplesmente três (!) solos ao longo da apresentação.

Aqui na Collector's, Clockwork Angels foi eleito um dos melhores álbuns de hard rock/progressivo lançados nesta década. Confira também a resenha do disco.

Voltando para o ao vivo, veja o track list:

1 Subdivisions
2 The Big Money
3 Force Ten
4 Grand Designs
5 The Body Electric
6 Territories
7 The Analog Kid
8 Bravado
9 Where's My Thing?/ Here It Is! (solo de bateria)
10 Far Cry
11 Caravan
12 Clockwork Angels
13 The Anarchist
14 Carnies
15 The Wreckers
16 Headlong Flight/Drumbastica (solo de bateria)
17 Peke's Repose (solo de guitarra)/ Halo Effect
18 Seven Cities of Gold
19 Wish Them Well
20 The Garden
21 Dreamline
22 The Percussor (I) Binary Love Theme (II) Steambanger's Ball (solo de bateria)
23 Red Sector A
24 YYZ
25 The Spirit Of Radio
26 Tom Sawyer
27 2112
28 Limelight
29 Middletown Dreams
30 The Pass
31 Manhattan Project


Por Guilherme Gonçalves

Haken: crítica de The Mountain (2013)

quarta-feira, setembro 18, 2013

Em uma época em que o metal progressivo havia atingido o ápice da megalomania técnica e saturação, quando bandas surgiam às torrentes, simplesmente imitando as mesmas fórmulas teatrais e praticamente enterrando o real significado do estilo, o sexteto inglês Haken surgiu como um dos poucos sopros de vida realmente notáveis dos últimos anos.

Desde a sua formação em 2007 até o lançamento de Visions, seu ambicioso último trabalho de estúdio, o jovem grupo vem sendo considerado a grande promessa do estilo na década passada, o que acabou por levá-los a excursionar ao lado de nomes como Dream Theater, Karmakanic e Shadow Gallery. The Mountain é o seu terceiro álbum de estúdio, produzido em conjunto com Jens Bogren e marcando a estreia da banda pelo selo InsideOut Music.


Com uma tranquila aura contemplativa, “The Path” definitivamente cria, com o perdão do trocadilho, o início do caminho a ser trilhado ao longo do disco, como um último momento de concentração, um fôlego ou fechar de olhos antes do início da nova jornada em “Atlas Stone”. Com menos peso do que demonstrada anteriormente, nota-se uma banda mergulhando forte no lado mais atmosférico do rock progressivo clássico, aonde as linhas de teclado de Diego Tejeida não apenas criam as bases das músicas, mas atuam em diferentes níveis sem extrapolar para o virtuosismo, em combinação perfeita com o dinâmico trabalho de voz de Ross Jennings, que já apresenta uma evolução considerável (e muitíssimo bem vinda) em relação aos álbuns anteriores.

O ritmo extremamente quebrado e as interessantes inserções de jazz saem um pouco de cena em “Cockroach King” para dar lugar a um clima mais fantasioso, quase circense, nas mudanças de andamento que soam como o meio termo entre os períodos mais megalomaníacos do Yes e do Genesis da década de setenta (com direito a um interlúdio instrumental que poderia facilmente ter saído de alguma mente insanamente wakemaniana), acompanhados de um jogo de vozes digno da fase mais operística do Queen.

Quase inesperadamente trocando de curso, “In Memoriam” dá um salto no tempo e quase se afoga ao beber da inspiração mais do que evidente no som do Porcupine Tree (em especial os trabalhos após o Lightbulb Sun), enquanto as infinitas camadas de vozes de “Because It’s There” se constroem com uma belíssima singularidade, seja na longa introdução a capella ou acompanhada do desnorteado instrumental acústico.

“Falling Back To Earth”, com seus doze minutos de duração, é claramente dividida em duas partes: a primeira, intitulada “Rise” traz um conceito extremamente esperançoso, sobre um prog metal que intencionalmente não foge muito do padrão estabelecido há anos pelo Dream Theater (dentro do estilo do Haken, claro), o que cria um contraste com o segundo trecho, “Fall”. Carregada e em um andamento ditatorialmente mecânico, acompanha o desenvolvimento da própria letra, e se estende inclusive ao longo do interlúdio “As Death Embraces”.

Apesar de criar uma estranheza inicial, “Pareidolia” traz vários elementos que fazem referência à música do Oriente Médio, soando por diversas vezes parecida com o Orphaned Land (especialmente o último – e excelente – trabalho, All Is One), além de um trecho em particular que parece ter sido extraído de um dos álbuns do Moonspell. Novamente trazendo um cuidadoso toque nos detalhes e em como as infinitas alterações de ritmo funcionam ao longo da faixa, “Pareidolia” se enquadra facilmente como um dos momentos mais ricos na discografia dos ingleses.

Não fosse o suficiente, o disco encerra com a longa balada “Someone”, que alterna entre trechos extremamente melancólicos com outros que remetem diretamente ao progressivo setentista em suas personificações mais acústicas e tranquilas, com algumas das melodias vocais mais inspiradas do álbum (e isso é realmente algo significável). Além de um grande tom épico, é como se a obra voltasse ao seu ponto de partida, fechando um ciclo ao unir-se, tanto instrumental quanto liricamente ao seu início.

A maneira como o conceito se desenvolve ao longo da escalada de The Mountain mostra um Haken engajado em definitivamente criar uma experiência imersiva em nível muito maior do que nos seus álbuns anteriores (que apresentavam boas canções, porém pecava um pouco como um todo). Mais dinâmicos e menos obcecados em soarem técnicos ou exibicionistas, as composições no novo trabalho atingem nível de maturidade diferente, focando na elaboração e no fluxo natural de uma história e na utilização de suas influências para agregar ainda mais detalhes à música, que funciona sistematicamente no decorrer do disco.

E a forma como eles trabalham estas inúmeras influências é  o que torna a audição tão interessante e intrigante em cada uma das faixas, sendo possível fazer paralelo inclusive com o álbum Blood Mountain, do Mastodon, que apresenta proposta de conceito semelhante (ainda que a dos americanos seja mais violenta e linear). The Mountain não apenas representa a jornada da banda em busca de inspiração e elevação, mas também é facilmente uma das grandes obras do progressivo neste século, e coloca o Haken definitivamente como um dos maiores nomes atuais, que ao mesmo tempo venera o legado do estilo, enquanto gradativamente visa um novo caminho.

E eles não apenas vem usando esse caminho, mas deixam também a trilha limpa para novas possibilidades, quando o ciclo se reiniciar em um futuro próximo.


Nota 9,5


Faixas:
01. The Path
02. Atlas Stone
03. Cockroach King
04. In Memoriam
05. Because It’s There
06. Falling Back To Earth
07. As Death Embraces
08. Pareidolia
09. Somebody


Por Rodrigo Carvalho, do Progcast

17 de set de 2013

Obliteration: capa e detalhes do novo álbum

terça-feira, setembro 17, 2013
No dia 12 de novembro, o Obliteration lançará Black Death Horizon, seu terceiro e novo álbum de estúdio. Apesar de norueguesa - de Kolbotn, mesma cidade do Darkthrone -, a banda pratica um death metal calcado mais linha sueca do gênero.

Black Death Horizon terá sete faixas:

1 The Distant Sun (They Are the Key)  
2 Goat Skull Crown  
3 Transient Passage  
4 Ascendance (Sol Invictus)  
5 Sepulchral Rites 
6 Black Death Horizon  
7 Churning Magma (instrumental)


Por Guilherme Gonçalves

16 de set de 2013

Assista “Lose Yourself to Dance”, o novo clipe do Daft Punk

segunda-feira, setembro 16, 2013
O Daft Punk divulgou o clipe de seu novo single, a deliciosa “Lose Yourself to Dance”. O vídeo traz a banda ao lado do rapper Pharrell Williams, que faz os vocais na faixa, e também do guitarrista Nile Rodgers (Chic), que participa do excelente último disco do grupo, Random Access Memories.

A versão de “Lose Yourself to Dance” presente no clipe é ligeiramente mais curta da que está no álbum.


Tente não bater palminhas assitindo ao vídeo abaixo:



Por Ricardo Seelig

The Strypes: crítica de Snapshot (2013)

segunda-feira, setembro 16, 2013
O primeiro disco do quarteto irlandês The Strypes está longe de ser uma obra-prima ou algo que irá mudar a história do rock. Porém, isso não o torna menos impressionante. Formado por quatro garotos com idades entre 16 e 17 anos, o grupo entrega em Snapshot um rock turbinado com doses generosas de blues, na linha do que era feito pelas bandas inglesas na primeira metade da década de 1960.

O The Strypes causou burburinho quando surgiu, em 2011, trazendo de volta uma sonoridade que parecia perdida. Mas não só isso: além de viajar no tempo, o quarteto apresentava inequívocos sinais de talento. E, após uma série de singles onde regravaram canções de outros artistas, a banda lançou no início de setembro o seu primeiro álbum autoral - nove das doze faixas são de autoria da banda, enquanto as outras três são versões para composições de Willie Dixon, Nick Lowe e Hambone Willie Newbern.

Ouvir Snapshot, guardadas as devidas proporções, é como ouvir o primeiro álbum dos Stones. Ou do The Who. Ou dos Kinks. Ou de qualquer outra banda britânica que tenha iniciado a sua carreira no início da década de 1960 e investia em um som mais sujo e malvado que os conterrâneos Beatles, jogando fartas doses de blues e rhythm & blues na jogada.

Produzido por Chris Thomas (não por acaso um cara com uma longa folha corrida, incluindo trabalhos para ícones como Beatles, Paul McCartney, Pete Townshend, Pink Floyd, Sex Pistols, Badfinger, Elton John e dezenas de outros), Snapshot conseguiu manter a característica esfumaçada dos primeiros singles dos Strypes. A sensação, ao ouvir o disco, é que estamos em um apertado clube londrino assistindo a banda.

Ross Farrely (vocais), Josh McClorey (guitarra), Pete O’Hanlon (baixo) e Evan Walsh (bateria) entregam uma performance convincente em sua estreia. Farrely não é Mick Jagger, mas nada impede que possa voar alto no futuro. McClorey tem muito bom gosto, tanto nos riffs quanto nos solos e texturas. O’Hanlon faz tudo pulsar de maneira constante e ininterrupta, enquanto Walsh soa como o filho perdido de Keith Moon. E, costurando tudo, há a gaita de boca marota de Ross dando o toque final.

Repetindo aqui uma frase dos já citados Rolling Stones: “it’s only rock and roll, but I like it”. Snapshot e o The Strypes são isso mesmo: apenas uma banda de rock and roll sem compromisso, formada por moleques que ainda ostentam espinhas na cara e estão começando a viver as suas vidas. Há ainda um longo caminho pela frente, mas, a julgar pelo primeiro passo, essa banda vai muito longe.

Nota 8

Faixas:
1 Mystery Man
2 Blue Collar Jane
3 What the People Don’t See
4 She’s So Fine
5 I Can Tell
6 Angel Eyes
7 Perfesct Storm
8 You Can’t Judge a Book by the Cover
9 What a Shame
10 Hometown Girls
11 Heart of the City
12 Rollin’ and Tumblin

Por Ricardo Seelig

O Rock in Rio em números: quais são os gêneros musicais que predominam na história do festival?

segunda-feira, setembro 16, 2013
O Rock in Rio 2013 teve início na última sexta-feira. E, com ele, iniciaram também as reclamações de que o evento é tudo, menos um festival de rock. Mas será que é isso mesmo ou as reclamações são motivadas mais por saudosismo do que por fatos concretos?

Para responder essa pergunta, pesquisamos todas as atrações das cinco edições do festival já realizadas no Brasil - 1985, 1991, 2001, 2011 e 2013 - e colocamos os números na roda. Você vai se surpreender com o resultado ...

A primeira edição, realizada em 1985 e citada como exemplo pelos reclamões como a que mais teve rock, é, na verdade, a que menos contou, em termos percentuais, com atrações do estilo: apenas 20%. O tão amado heavy metal, então, teve performance ainda menor: apenas duas atrações, Iron Maiden e Ozzy Osbourne, se enquadravam no gênero. O que predominou naquele ano foi o pop (36), a MPB (30%), o rock (20%), o heavy metal e o jazz (ambos com 7%).

Em 1991, na segunda edição, também citada com referência por quem fala que “o Rock in Rio já foi um festival de rock, coisa que não é hoje em dia” muito por causa da histórica apresentação do Guns N’ Roses - que tocou no evento semanas antes de lançar os dois volumes de Use Your Illusion -, também não é tudo isso quando olhamos os números. O gênero que predominou em 1991 foi o pop, com 56% das atrações - aliás, o maior percentual da história do festival. Na sequência vem o rock (21%), a MPB (13%) e o heavy metal (10%).

Em 2001, ano do antológico show de retorno da formação clássica do Iron Maiden, o rock finalmente predominou no festival, com 37% das atrações, seguido do pop (35%), da MPB (16%) e do metal (12%).

Na edição de 2011 o gênero musical predominante foi novamente o pop, com 49% das atrações. Em seguida tivemos a MPB (19%), o rock (18%), o metal (12%), a world music (3%) e o jazz (2%).

E, fechando, chegamos a tão contestada edição de 2013, que novamente tem o pop como gênero dominante (37%), seguido pelo rock (23%), heavy metal (19%, maior percentual da história do festival), MPB (19%) e jazz e world music (ambos com 1%).



Abaixo, os percentuais de cada gênero em todas as edições do Rock in Rio e a lista com todas as atrações, separadas por gênero, de cada edição do evento:

Rock:
2001 - 37%
2013 - 23%
1991 - 21%
1985 - 20%
2011 - 18%

Heavy Metal:
2013 - 19%
2011 - 12%
2001 - 12%
1991 - 10%
1985 - 7%

MPB:
1985 - 30%
2013 - 19%
2011 - 19%
2001 - 16%
1991 - 13%

Jazz:
1985 - 7%
2011 - 2%
2013 - 1%

Pop:
1991 - 56%
2011 - 49%
2013 - 37%
1985 - 36%
2001 - 35%

World Music:
2011 - 3%
2013 - 1%

1985

Rock: Queen, Whitesnake, AC/DC, Scorpions, Barão Vermelho e Yes

Heavy Metal: Iron Maiden e Ozzy Osbourne

MPB: Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Erasmo Carlos, Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Ivan Lins, Alceu Valença e Moraes Moreira

Jazz: George Benson e Al Jarreau

Pop: James Taylor, Rod Stewart, Nina Hagen, The Go-Go’s, Blitz, Lulu Santos, Os Paralamas do Sucesso, Eduardo Susek, Kid Abelha, Rita Lee e The B-52’s

1991

Pop: Prince, Joe Cocker, Colin Hay, INXS, Supla, Hanoi Hanoi, New Kids on the Block, Roupa Nova, Inimigos do Rei, George Michael, Deee-Lite, Ed Motta, A-ha, Happy Mondays, Paulo Ricardo, Debbie Gibson, Information Society, Capital Inicial, Nenhum de Nós, Lisa Stansfield, Léo Jaime, Jimmy Cliff e Run DMC

Rock: Billy Idol, Santana, Engenheiros do Hawaii, Vid & Sangue Azul, Guns N’ Roses, Faith No More, Titãs, Lobão e Serguei

Heavy Metal: Judas Priest, Queensrÿche, Megadeth e Sepultura

MPB: Alceu Valença, Laura Finocchiaro, Elba Ramalho, Moraes Moreira e Pepeu Gomes

2001

Pop: Sting, James Taylor, Beck, Fernanda Abreu, Pato Fu, ‘N Sync, Britney Spears, 5ive, Sandy & Júnior, Aaron Carter, Sheryl Crow, Dave Matthews Band, Kid Abelha, Capital Inicial e Pavilhão 9

MPB: Daniela Mercury, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Carlinhos Brown, Moraes Moreira, Elba Ramalho e Zé Ramalho -

Rock: R.E.M., Foo Fighters, Barão Vermelho, Cássia Eller, Guns N’ Roses, Oasis, Ira!, Ultraje a Rigor, Queens of the Stone Age, Sheik Tosado, Neil Young, Engenheiros do Hawaii, Red Hot Chili Peppers, Silverchair, O Surto e Diesel

Heavy Metal: Papa Roach, Iron Maiden, Rob Halford, Sepultura e Deftones

2011

Pop: Rihanna, Elton John, Katy Perry, Os Paralamas do Sucesso, Rui Veloso, The Asteroids Galaxy Tour, Capital Inicial, Marcelo Yuka, Cibelle, Karina Buhr, Amora Pêra, Tulipa Ruiz, Nação Zumbi, BNegão, Tarja Turunen, Stevie Wonder, Jamiroquai, Kesha, Janelle Monáe, Afrika Bambaataa, Paula Lima, Joss Stone, Shakira, Lenny Kravitz, Jota Quest, Marcelo D2, Buraka Som Sistema, Mixhell, Céu, Cidade Negra, Coldplay, Maroon 5, Maná, Skank, Frejat, Tiê, Jorge Drexler, Arnaldo Antunes, The Monomes, David Fonseca, Marcelo Camelo, The Growlers, Emicida e Snow Patrol

MPB: Claudia Leitte, Milton Nascimento, Maria Gadu, Mariana Aydar, Bebel Gilberto, Sandra de Sá, Milton Nascimento, Marcelo Jeneci, Curumin, Baile do Simonal, Diogo Nogueira, Ivete Sangalo, Martinho da Vila, Monobloco, Pepeu Gomes, Zeca Baleiro, Erasmo Carlos e Tom Zé

Rock: Titãs, Móveis Colonais de Acaju, Ed Motta & Andreas Kisser, The Gift, Red Hot Chili Peppers, Stone Sour, NX Zero, Mike Patton/Mondo Cane, Matanza, Cidadão Instigado, Júpiter Maçã, Guns N’ Roses, Evanescence, Detonautas Roque Clube, Pitty, Os Mutantes e Xutos & Pontapés

World Music: Orkestra Rumpilezz, Les Tambours du Bronx e Macaco

Jazz: Esperanza Spalding e João Donato

Heavy Metal: Metallica, Motörhead, Slipknot, Coheed and Cambria, Gloria, Korzus, The Punk Metal Allstars, Angra, Sepultura e System of a Down

2013

Pop: Beyoncé, David Guetta, Angélique Kidjo, Selah Sue, Jesuton, Flávio Renegado, Orelha Negra, Florence + The Machine, Capital Inicial, BNegão, Justin Timberlake, Alicia Keys, Jessie J, Jota Quest, Kimbra, Nando Reis, Aurea, The Black Samba, Matchbox Twenty, Frejat, Ben Harper + Charlie Musselwhite, Grace Potter and the Nocturnals, Donavon Frankenreiter, Mallu Magalhães, John Mayer, Phillip Phillips, Skank, Fernanda Abreu e Lorenzo Jovanotti

MPB: Ivete Sangalo, Maria Rita, Zeca Baleiro, Zélia Duncan, Ivan Lins, Olodum, Afroreggae, Lenine, Ivo Meirelles, Elba Ramalho, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Roberta Sá, Orquestra Imperial e Zé Ramalho

Rock: Living Colour, Vintage Trouble, Muse, 30 Seconds to Mars, The Offspring, Detonautas Roque Clube, Marky Ramone, Autoramas, Alice in Chains, República, Dr. Sin, Sebastian Bach, Bon Jovi, Nickelback, The Gift, Bruce Springsteen, Gogol Bordello e Kiara Rocks

Jazz: George Benson

Heavy Metal: Metallica, Ghost, Sepultura, Rob Zombie, Roy Z, Almah, Hibria, Iron Maiden, Avenged Sevenfold, Slayer, Helloween, Destruction, Krisiun, Andre Matos e Viper

World Music: Les Tambours du Bronx

Ou seja, a edição com mais rock foi a de 2001, seguida pela de 2013, enquanto que, falando de heavy metal, as contestadas duas últimas edições foram as que apresentaram o maior número de atrações. E mais: se somarmos o rock e o heavy metal, gêneros irmãos, as coisas ficam melhor ainda: 42% em 2013, 30% em 2011, 49% em 2001, 31% em 1991 e 27% em 1985 - essa última, a edição mais "rockeira", segundo os experts que povoam redes sociais e alguns sites por aí.


Moral da história: antes de reclamar, uma pesquisa rápida sempre vai bem.

Por Ricardo Seelig

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