8 de nov de 2013

Sepultura: crítica de The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (2013)

sexta-feira, novembro 08, 2013
Este momento teria que chegar. E finalmente chegou. Com The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart, seu novo disco, o Sepultura cria um ponto de ruptura perfeito. Aquele momento em que as viúvas dos Cavalera enfim vão abandonar o grupo. Aqui, eles nunca estiveram tão distantes de Max e Iggor, goste você disso ou não. Ainda bem, aliás. Quem gosta desta formação do grupo vai ser brindado com um presentaço, um disco memorável. Já quem não consegue se acostumar, lamento, vai ficar cada vez mais difícil, caso a carreira da banda se baseie neste disco daqui pra frente. Com um quilométrico título inspirado em uma frase do lendário filme Metropolis (1927), de Fritz Lang, somos brindados com uma bolacha sombria, obscura, sinistra. Mas muito pesada. Porrada pura. Isso, obviamente, sem deixar de lado a vontade de inovar, de experimentar, de mesclar novas sonoridades. Aqui tem o Sepultura de Chaos A.D.. Mas também tem o Sepultura de Roots. E muito mais.

O disco anterior, Kairos, era o Sepultura provando que ainda podia soar Sepultura. Era uma celebração ao passado, talvez uma tentativa velada (e bem-sucedida) de calar a boca dos reclamões de plantão. Já The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart é o Sepultura provando que pode ser mais do que o Sepultura do presente. Depois de uma breve introdução instrumental dissonante, que nada mais é do que a mistura de todas as músicas do disco tocando ao mesmo tempo, o espetáculo começa de fato com "Trauma of War", uma escolha mais do que apropriada para abrir a obra. Rápida e brutal, ela já mostra a que veio o novo baterista, o jovem e talentoso Eloy Casagrande, que detona o seu kit sem dó nem piedade. O talento do rapaz pode ser claramente sentido ainda no verdadeiro terremoto sonoro de pedais duplos de "Manipulation of Tragedy" e no "duelo" de batera com o lendário Dave Lombardo (ex-Slayer), cuja participação se dá como um interlúdio de luxo em "Obsessed". Batismo de fogo para Eloy. Se alguém tinha qualquer dúvida sobre a escolha de Eloy para erguer as baquetas que um dia foram de Iggor, elas se encerram no resumo destas três faixas.

"The Age of the Atheist", discutindo a dificuldade que as pessoas de hoje têm para acreditar em qualquer coisa, é tipicamente Sepultura, 100% de acordo com o DNA clássico da banda. Mas tem mais, muito mais. Apesar do peso, "Impending Doom" é um daqueles momentos em que a banda arrisca mais nos grooves, oferecendo uma levada slow-tempo, de afinação mais baixa e grave, enquanto a letra discute as heranças que uma geração vai deixando para a outra em um mundo que muda cada vez mais rápido. Já "The Bliss of Ignorants", uma espécie de herdeira direta de "Roots", apresenta o Sepultura novamente sem medo de explorar a sua herança brasileira, com uma percussão tribal típica da nossa sonoridade e aplicada com precisão por ninguém menos do que Fred Ortiz, baterista original dos Beastie Boys e que vem tocando com Derrick em seu projeto eletrônico Maximum Hedrum. Ao explorar esta faceta, com total influência do produtor Ross Robinson (o mesmo de Roots, leia-se), fica claro porque a banda escolheu "Da Lama ao Caos" como uma opção de cover, cantada em português pelo próprio Andreas, que deixa as guitarras já pesadas de Lúcio Maia, da Nação Zumbi, ainda mais corpulentas e venenosas.

Os dois grandes momentos do disco, no entanto, são aqueles conceitualmente mais provocativos. Na climática "The Vatican", a banda entrega aquela que talvez seja a sua música mais macabra e maligna, enveredando pelo death metal enquanto conta a história de sangue, corrupção e sexo que moldou o Vaticano. E em "Grief", o Sepultura presta sua homenagem aos mais de 200 mortos no terrível incidente da boate Kiss, no começo do ano, que chocou e parou o país. A guitarra calma e cristalina que permeia a canção é algo que parece que Kisser nunca experimentou na vida, ao mesmo tempo em que Green entoa uma voz de coral quase religiosa, sem urros, sem guturais. E quando a violência de fato começa, quando o peso metálico entra em cena, ele tem o gosto de um grito de dor, ele transmite uma sensação de sofrimento, de angústia, de uma alma torturada. É de arrepiar.

Sem sombra de dúvidas, estamos diante do melhor álbum da banda desde que Derrick Green assumiu o posto de vocalista. E isso não é pouco. É muito, na verdade. Porque estamos diante do que deve ser o nascimento de um novo Sepultura. Um Sepultura que finalmente parece se libertar das cobranças de um passado glorioso para encarar os desafios de um futuro potencialmente tão glorioso quanto. Basta querer.

Nota 9

Tracklist:
1. Trauma of War
2. The Vatican
3. Impending Doom
4. Manipulation of Tragedy
5. Tsunami
6. The Bliss of Ignorants
7. Grief
8. The Age of the Atheist
9. Obsessed (com participação de Dave Lombardo)   
10. Da Lama ao Caos (Cover de Chico Science & Nação Zumbi)

Por Thiago Cardim

Baranga: crítica de O 5º dos Infernos (2013)

sexta-feira, novembro 08, 2013
Embora não faça sentido dizer que eles são algo nem próximo do mainstream, pelo menos os cariocas do Matanza obtiveram certa popularidade e abriram caminho para que um público mais amplo pudesse conhecer uma geração de bandas, tão talentosas quanto, e que há anos vêm fazendo um som direto, reto, sem frescuras e todo cantado em português. É o caso dos herdeiros diretos do AC/DC, o Motorocker; dos filhos do Black Sabbath com Dio nos vocais, o Carro Bomba; e também do quarteto paulistano Baranga. 

Estes últimos, na ativa desde 2003, estão atualmente trabalhando na divulgação de seu recém-lançado quinto disco de estúdio – que ganhou o sintomático título de O 5º dos Infernos. Este é daqueles álbuns que são diversão garantida do começo ao fim, rock básico na melhor escola Motörhead, que é pesado, que flerta com o heavy metal, com o punk e com o que bem entende, sem precisar se apegar a rótulos e correntes. 

Incendiários e sem papas na língua, eles abrem os trabalhos com a viciante "Chute na Cara", uma celebração aos carrões e à vida em alta velocidade. Este é apenas um dos temas favoritos da banda, que também curte versar sobre hábitos etílicos e a boa e velha bebedeira ("Cachaça em Ação"), sobre o lado mais obscuro da vida na noite das grandes cidades ("3 Oitão" e "Até Morrer", que encerra o disco com um riff matador) e, claro, sobre a relação tumultuada com a mulherada ("Até a Cidade Acordar", "Diabo, Teu Nome é Mulher" e "Menina de 16", sendo que esta última aborda um tema bastante real, mas digamos que um tanto polêmico). 

Tudo com uma dose cavalar de bom humor e sarcasmo, vide o trocadilho levado ao extremo em "México é Demais" ou na exaltação infernal da faixa-título - afinal, o cramulhão é ou não o pai do rock? Um dos melhores momentos do disco, no entanto, é a deliciosa "TV Assassina" – que questiona a devoção cega do brasileiro às telinhas, sacaneando a Rede Globo e ao mesmo tempo brincando com os nomes de algumas novelas consagradas da história da emissora. 

Com gás total, os sujeitos do Baranga entregam uma bolacha na medida certa para ouvir em alto e bom som – e, de preferência, com uma garrafa de cerveja do lado. Prato cheio para quem tem fome de rock 'n roll sem invencionices, sem rodeios, sem meios-termos e ainda quer infernizar os vizinhos numa tarde de sábado. 

Nota 8

Tracklist:
1. Chute na Cara
2. Até a Cidade Acordar
3. 3 Oitão
4. Cachaça em Ação
5. O 5o dos Infernos
6. Limpa Trilho
7. Menina de 16
8. México é Demais
9. TV Assassina
10. Diabo, Teu Nome é Mulher
11. Até Morrer
 
Por Thiago Cardim

Apanhado death/thrash/black de outubro

sexta-feira, novembro 08, 2013
Notícias com cheiro de mofo, mas que compilam canções, vídeos e informações sobre o que de mais relevante rolou nos subterrâneos da música em outubro. Um apanhado dos últimos 30 dias nos confins do underground. E, claro, que ainda não foi publicado aqui antes.

Marianne Séjourné

 

Marianne Séjourné, baixista francesa que passou por bandas como Vorkreist, Hell Militia, Secrets of Moon, Antaeus, Epic, dentre outras, cometeu suicídio aos 36 anos. Também conhecida como LSK e Hellsukkubus, Marianne esteve por anos à frente de alguns dos nomes mais bacanas do black metal francês. Vorkreist era a mais legal. Péssima notícia.

 

Hate Eternal

 

O Hate Eternal anunciou a saída do baterista Jade Simonetto. Jade entrou na banda em 2007 e permaneceu nela por seis anos, tendo lançado dois álbuns de estúdio:
Fury & Flames (2008) e Phoenix Amongst the Ashes (2011). 


Ao deixar o grupo, o ex-integrante alegou que era hora de se dedicar aos estudos, bem como priorizar sua carreira fora da música. Guitarrista, vocalista e líder do Hate Eternal, Erik Rutan lamentou a baixa. A banda segue escrevendo material para um novo disco de inéditas.


Aeon

 

Outra consagrada banda de death metal a perder um integrante em outubro foi o Aeon. O guitarrista Daniel Dlimi se desligou alegando cansaço da rotina de gravações e turnês. Os suecos rapidamente anunciaram que vão continuar na ativa e já iniciaram a busca por um novo nome para a guitarra.


Em 2012, o Aeon lançou
Aeons Black, seu quarto álbum de estúdio. Confira a faixa-título do trabalho no vídeo abaixo.



Ihsahn


Sal de cozinha? É isso mesmo, Ihsahn? Bom, não sei. Só que "NaCl", fórmula química para o cloreto de sódio e nome da nova música do líder do Emperor, ganhou um lyric video que pode ser conferido abaixo. A faixa está presente no mais recente disco do norueguês,
Das Seelenbrechen.



Pestilence


O Pestilence divulgou o lyric vdeo da música "Necro Morph", que estará presente em
Obsideo, seu sétimo álbum de estúdio e o terceiro desde que a banda retomou as atividades em 2006. Death metal holandês de alto gabarito.



 
Bloodgod


Por falar em música feita na Holanda, o Bloodgod surgiu em 2011 e tem chamado a atenção como um dos nomes mais promissores do dutch death metal. Há poucos dias, a banda lançou o EP
Pseudologia Phantastica e comprovou toda a expectativa que lhe foi depositada. O trabalho completo já está disponível aqui. Abaixo, o vídeo de "Heist". Carne fresca e de qualidade!




High on Fire


Os californianos do High on Fire disponibilizaram para streaming "Slave the Hive", novo single da banda. A música pode ser conferida
aqui.


Pessimist

 

Kelly McLauchlin (ex-Death, Diabolic e Unholy Ghost), Kelly Conlon (Death, Monstrosity e Vital Remains) e Paul Collier (Angelcorpse) anunciaram que pretendem reativar o Pessimist, banda que lançou três cultuados discos entre 1997 e 2002:
Cult of the Initiated (1997), Blood for the Gods (1999) e Slaughtering the Faithful (2002). Os três estão compondo e gravando material que deverá ser lançado em 2014. O novo álbum será intitulado Keys to the Underworld.


Skeletonwitch

 

Com um novo álbum na praça e em intensa atividade, o Skeletonwitch divulgou o clipe de "Serpents Unleashed", justamente a faixa que dá nome ao disco. Curta e direta em seus pouco mais de dois minutos, a canção mostra a banda em ação e o vocalista Chance Garnette completamente ensandecido.


 

Toxic Holocaust
 

Chemistry of Consciousness, novo álbum do Toxic Holocaust, já começa a dar o que falar por aí e, para que todos possam ouvir o mais rápido possível, foi disponibilizado na íntegra para streaming. Confira
aqui!


Hooded Menace

 


Labyrinth of Carrion Breeze
será o próximo trabalho dos finlandeses do Hooded Menace, que aproveitaram para disponibilizar um teaser do trabalho. Doom metal escandinavo soturno como a aurora por aquelas bandas de lá.


   
Deicide
 

Em contagem regressiva para o lançamento de
In the Minds of Evil, seu décimo-primeiro trabalho de estúdio, o Deicide soltou o lyric video para mais uma das faixas que estarão no disco, que tem lançamento previsto para 25 de novembro. Trata-se de "Thou Begone" e pode ser conferida abaixo.




Tankard


Mais um disco do Tankard vem aí, desta vez como o nome
Rest in Beer (R.I.B). O novo trabalho sucede A Girl Called Cerveza (2012) e será lançado no verão de 2014 via Nuclear Blast.


Disbelief

 

Os alemães do Disbelief anunciaram novidades no line-up. Dave Renner é o novo guitarrista da banda. Já Sandro "Drumster" Schulze assume a bateria.
Full of Terrors será o próximo disco do grupo e deve sair em 2014.


Artillery

 

Legions, disco novo do Artillery, sai no próximo dia 26, e a música "Chill My Bones" (horrorosa, por sinal) já pode ser conferida no vídeo a seguir.



Por
Guilherme Gonçalves

Novos clipes: Avenged Sevenfold, Protest The Hero, Betzefer, Buckcherry, Crystal Tears, Lynam, Cage The Gods e Heart of a Coward

sexta-feira, novembro 08, 2013
Dois dos clipes mais legais do ano foram lançados nos últimos dias: os novos vídeos do Protest The Hero e do Betzefer. Tem também o Avenged Sevenfold, Buckcherry e o Cage the Gods, além de muita música legal.

Aperte o play e divirta-se! 

 

Por Ricardo Seelig

7 de nov de 2013

As Novas Caras do Metal 19: Especial Bandas Suecas - Parte 1

quinta-feira, novembro 07, 2013
Quem acompanha o cenário do hard rock e do heavy metal sabe que, há tempos, a Suécia é um dos principais berços de novas bandas em ambos os estilos. Vendo nascer uma formação nova e excelente praticamente todos os dias, os suecos tomaram conta da vida de quem curte guitarras distorcidas e refrões cativantes. E, se não bastasse isso, ainda recebem em seu país um dos melhores festivais europeus, o Sweden Rock, que todo ano leva casts repletos de grandes nomes para um público cada vez maior.

Para mapear toda esse efervescência, a Collectors Room inicia hoje uma série de posts que vai trazer os principais e mais interessantes grupos surgidos na Suécia nos últimos anos. Nossa equipe trabalhou em conjunto em uma matéria de pesquisa e imenso prazer sonoro, e iremos compartilhar com vocês as nossas experiências.

Dando o pontapé inicial, eu, Ricardo Seelig, dou uma passada na cena stoner sueca, com direito a umas escapadinhas pelo hard.


Pegue a cerveja e aumente o volume!



Graveyard

Um dos nomes mais celebrados surgidos no hard nos últimos anos, o Graveyard se transformou rapidamente em sinônimo de música qualidade. Com três álbuns no currículo, a banda foi celebrada mundo afora, inclusive aqui na Colectors - leia tudo o que publicamos sobre o grupo clicando aqui. Com uma personalidade sonora fortíssima e original, o quarteto formada por Joakim Nilsson (vocal e guitarra), Jonatan LaRocca Ramm (guitarra), Rikard Edlund (baixo) e Axel Sjöberg (bateria) vem em uma escalada impressionante de qualidade. Desde a estreia batizada apenas com o nome do grupo e lançada em 2007 e passando pelos fenomenais Hisingen Blues (2011) e Lights Out (2012), o Graveyard arrebata qualquer ouvinte de rock com a sua música rica, repleta de referências dos anos 1970 e com forte ascendência inglesa. Sem exageros, uma das melhores bandas da atualidade.

Clique e ouça uma música do grupo.



Egonaut

Quarteto formado em 2005 na cidade de Boras. A banda conta com Fredrick Jordanius (vocal e guitarra), Dennis Zielinski (teclado), Mikael Bielinski (baixo) e Markus Johansson (bateria). Em 2011 o Egonaut lançou o seu primeiro disco, Electric, e esse ano o segundo trabalho da banda, Mount Egonaut, chegou às lojas. O som é um hard rock pegajoso, que se diferencia das outras bandas do gênero pelas intervenções constantes do órgão de Zielinski e pelo uso de melodias fortes nas composições. O timbre da voz de Fredrick Jordanius se assemelha com a de Michael Poulsen, do Volbeat. Se fosse resumir rapidamente o som do Egonaut, poderia dizer que a música do grupo soa como um encontro do Deep Purple com o Volbeat.

Clique e ouça uma música do grupo.



Vidunder

O Vidunder nasceu em abril de 2011 e lançou o seu primeiro disco em maio deste ano. Auto-intitulado, o álbum traz dez faixas inéditas do trio formado por Martin Prim (vocal e guitarra), Linus Larsson (baixo) e Jonas Sjöqvist (bateria). Espécie de irmão gêmeo do Graveyard, o Vidunder faz um hard embebido na poeira setentista em todos os aspectos, da estrutura das canções ao timbre dos instrumentos. O uso da melodia também é constante, tornando as faixas agradáveis já na primeira audição. A música do Vidunder é legal e tem qualidade, mas um distanciamento maior da sonoridade do Graveyard - característica que fica ainda mais evidenciada pelo fato da voz de Martin Prim soar bastante semelhante a de Joakim Nilsson - nos próximos anos seria uma decisão bastante sadia para o trio.

Clique e ouça uma música do grupo.



Bombus

Na estrada desde 2008, o Bombus é um quarteto formado por Feffe (vocal e guitarra), Matte (vocal e guitarra), Jonas Rydberg (baixo) e Peter Asp (bateria). O disco de estreia foi lançado em 2010, enquanto o segundo, The Poet and the Parrot, chegou às lojas em agosto deste ano. Agora inseridos no cast da gravadora Century Media, o Bombus vem ganhando destaque na Europa, onde abriu os shows da recente turnê do Danko Jones. A música do grupo é uma amálgama entre metal e stoner, com riffs pesados e vocais bastante agressivos. The Poet and the Parrot tem recebido ótimas críticas na imprensa especializada do Velho Mundo, credenciando o Bombus como uma das mais promissoras bandas surgidas na Suécia nos últimos anos.

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Stonewall Noise Orchestra

Stoner de alto quilate, executado com extrema categoria: essa é a praia do Stonewall Noise Orchestra, quinteto que já está na estrada desde 2004 e conta com uma discografia formada por quatro álbuns - Vol. 1 (2005), Constants in an Ever Changing Universe (2008), Sweet Mississippi Deal (2010) e Salvation (2013). Com uma sonoridade azeitada, o grupo cativa com composições redondas, construídas a partir de riffs simples e um groove irresistível. Para efeito de comparação e para situar você que está lendo essa matéria, a música do SNO pode ser definida como uma espécie de Soundgarden mais ensolarado - e, na minha opinião pessoal, superior ao grupo de Seattle.

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The Quill

O The Quill já é um velho conhecido de quem não se satisfaz apenas com os principais nomes dos gêneros que curte e gosta de ir mais fundo em seus estilos preferidos. Veterana, a banda foi formada por volta de 1993 e já colocou no mercado sete discos. O som é um hard rock sujo e estradeiro, executado com malícia por Magnus Arnar (vocal), Christian Carlsson (guitarra), Roger Nilsson (baixo) e Jolle Atlagic (bateria). Vá direto no disco de 2011, Full Circle, uma pedrada repleta de ótimas faixas.

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Lugnoro

Você gosta daquele hard rock esfumaçado e com o órgão sempre em primeiro plano? Enão o Lugnoro foi feito para você. No mundo desde 2007, o grupo entrega um rock retrô com toques de prog, blues e psicodelismo, jogando no mesmo caldeirão referências como Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, Uriah Heep e King Crimson. São dois discos na bagagem - The Crown That Wears the Head (2011) e Annorstädes (2012) -, ambos repletos de uma sonoridade que é uma verdadeira viagem no tempo.

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Propane Propane

Este quarteto formado por Benjamin Thörnblom (vocal e guitarra), Rickard Swahn (guitarra), Niklas Andersson (baixo) e Jakob Gill (bateria) foi criado em 2008. Um ano depois, lançou um EP auto-intitulado com seis faixas. E, em 2011, foi a vez do primeiro álbum do grupo, Indigo, chegar às lojas. A música do Propane Propane é um stoner pesadão e com toques lisérgicos, na linha clássica do gênero. Se você curte o gênero, irá gostar

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Ponamero Sundown

O Ponamero Sundown é um quarteto formado em Estocolmo no ano de 2005. Fazem parte da banda o vocalista Nicke, o guitarrista Anders, o baixista Oliver e o baterista Pete. A banda já gravou três discos - Heavy Rock (2007), Stonerized (2009) e Rodeo Eléctrica (2011) -, todos apresentando um stoner temperado por doses certeiras de hard rock. A música do grupo foi sendo lapidada com o tempo, com uma evolução perceptível entre cada álbum. Vá no mais recente, um disco forte e feito sob medida para pegar a estrada.

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Blowback

Com quase uma década de carreira - a banda foi formada na cidade de Örebro em 2004 -, o Blowback estreou em 2006 com um split ao lado dos também suecos do Asteroid. O primeiro disco saiu em 2008, Morning Wood, e em 2009 o grupo colocou o seu segundo trabalho, 800 Miles, nas lojas. A música do quarteto tem uma aura bem setentista, e é possível identificar influências de ícones como Black Sabbath e Grand Funk Railroad no trabalho. Som sob medida para ser degustado ao lado de uma montanha de cervejas geladas!

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Waning Moon

Banda fresquinha, formada em 2012. A estreia saiu no final de julho, na forma do álbum Amanita Kingdom. O negócio aqui são longas faixas com trechos instrumentais que levam ao transe contínuo. Bastante lisérgico, o som do Waning Moon é uma espécie de Samsara Blues Experiment ainda mais ácido, o que torna a música da banda limitada a um nicho específico de ouvintes.

Clique e ouça uma música do grupo.


Por Ricardo Seelig

Questions: crítica de Out of Society (2013)

quinta-feira, novembro 07, 2013
Formada no já distante ano de 2000 em São Paulo, o Questions lançou em julho último o seu novo trabalho, o compacto com quatro faixas Out of Society. Prensando em vinil pela Polysom, o disquinho traz quatro músicas inéditas - “Out of Society”, “Discord”, We Are Not Alone” e “Face Your Fear” - e foi produzido pela própria banda ao lado de Fernando Sanches.

Apesar de estar associada ao movimento hardcore e a trilhar o gênero ao longo de todos esses anos, em Out of Society o Questions aproxima-se do thrash em diversos momentos. Os riffs pedalados, as variações de andamento e a estrutura das composições revelam a grande influência da sonoridade popularizada pelas bandas da Bay Area no som do quarteto, tudo isso balanceado e equilibrado com o background hardcore do grupo. Essa mistura torna o som muito interessante, e enriquece a sonoridade da banda.

A faixa que dá nome ao EP talvez seja a composição que menos apresenta essas influências thrash, mas mesmo assim traz uma acendência inequívoca de metal em seus dois minutos e meio de duração. A influência de Agnostic Front é bastante perceptível, e a banda nova-iorquina, não por acaso, construiu uma carreira que sempre caminhou no limite do crossover, em alguns momentos soando mais hardcore e em outros mais metal. O Questions segue esse mesmo direcionamento em Out of Society, o que só torna a sua música ainda mais forte, inserindo variação e peso nos momentos mais hardcore, e fúria desmedida nos trechos mais alinhados com o heavy metal. “Discord” é um bom exemplo dessa variação, equilibrando essas duas linhas sonoras de forma eficaz.

A excelente “We Are Not Alone”, que ganhou até clipe, é a grande faixa de Out of Society, com riffs pesadíssimos e letra inteligente, cantada com um cinismo palpável pelo vocalista Edu Andrade. A guitarra de Pablo Menna conduz a pancadaria, que se solidifica com a cozinha eficiente formada pelo baixista Helio Suzuki e pelo baterista Duz Akira. O EP se encerra com “Face Your Fear”, faixa mais cadenciada e com linhas vocais interessantes e quase faladas por Edu, além da parede sonora formada pelo guitarra de Menna.

Out of Society é um disco muito legal, e que mostra a força e a qualidade do trabalho do Questions. A bela capa e a opção por prensar o material em vinil deixam a experiência ainda mais legal, além de tornar o EP um item colecionável de imediato.

Para conhecer o som e a história do Questions, acesse o site da banda.

Nota 7
 

Faixas:
A1 Out of Society
A2 Discord

B1 We Are Not Alone
B2 Face Your Fear

Por Ricardo Seelig

Protest The Hero: crítica de Volition (2013)

quinta-feira, novembro 07, 2013


Formado em 2001, o Protest The Hero se revelou um dos mais promissores nomes do metal canadense logo nos primeiros anos com os EPs Search for the Truth e A Calculated Use of Sound, mas principalmente graças ao trabalho de estreia, Kezia (de 2005), uma obra conceitual que impressiona até hoje pela técnica dos ainda jovens integrantes.

Oito anos depois, com um salto de popularidade notável com os lançamentos de Fortress (2008) e Scurrilous (2011) e devidamente estabelecido não apenas entre o público do metalcore, o grupo canadense se desligou da sua gravadora Underground Operations e recorreu ao crowdfunding para financiar seu quarto trabalho de estúdio.


Volition foi lançado no último dia 29 de outubro, produzido por Cameron McLellan e conta com uma série de convidados, sendo mais notável a presença de Chris Adler (Lamb of God) substituindo o baterista Moe Carlson, que deixou a banda este ano.


Com apenas alguns minutos, já é possível notar como o Protest The Hero continua em constante e desenfreada evolução: “Clarity” abre o disco trazendo todas as características que construíram a sua identidade ao longo dos anos, ao mesmo tempo em que apresenta uma banda mais confortável no que diz respeito a tentar algo mais. As passagens de guitarra permanecem tipicamente mathcore e insanamente técnicas, mas com uma quebradeira rítmica mais compreensível e contida em relação às megalomaníacas faixas de Scurrilous (talvez o estilo de Adler seja determinante nisso).


Outra mudança saudável refere-se à Rody Walker, muito mais criativo, sem apelar para os esganiçados apresentados anteriormente e ainda assim criando melodias extremamente marcantes, como em “Drumhead Trial”, faixa mais acelerada e com a participação do virtuoso Ron Jarzombek (do Blotted Science) e da cantora de country Kayla Howran, que apesar da violência, deixa uma base relativamente livre para a criação das vozes. 


“Tilting Against Windmills” segue um caminho diferente, épico e com um acento voltado para o metal progressivo em seu formato mais tradicional, assim como “Without Prejudice” e o seu híbrido entre metalcore e power metal com toques extremos, que deixa a incômoda impressão de que é necessário mais do que um simples par de pulmões para acompanhá-la. Ao menos, “Yellow Teeth” e “Plato’s Tripartite” são um pouco (bem pouco) mais cadenciadas, e embora o bombardeio de notas e informações permaneça de forma impiedosa, é um momento de tranquilidade, em especial a segunda, antes que o caos volte a se instaurar.


Até mesmo porque “A Life Embossed” liberta a pancadaria em um dos momentos mais frenéticos em Volition, incluindo vocais guturais e rasgados em momentos determinantes pela primeira vez no álbum, em meio aos licks neoclássicos da dupla Tim Millar e Luke Hoskin e às incontáveis mudanças de andamento. Em outra direção, “Mist” parece ir fundo nas raízes da banda, ficando em um meio termo entre o metalcore e o post-hardcore, sem abandonar os intrincados toques de jazz, encerrando como uma música tipicamente progressiva.

Nesse momento do álbum, porém, a banda parece se repetir um pouco com “Underbite”, que cai no erro fatal de ser apenas mais uma música sem momentos exatamente marcantes, perdida em meio às grandes composições. “Animal Bones”, porém, mostra que a faixa anterior foi apenas um ligeiro escorregão no chão molhado, recolocando o fluxo nos trilhos com ideias que poderiam muito bem ter estado no álbum anterior, se este recorresse ainda mais ao progressivo clássico. Encerrando o trabalho, “Skies” é uma das grandes músicas na discografia dos canadenses, aonde eles parecem encontrar o ponto de equilíbrio entre todas as nuances de metalcore, math e prog inerentes à sua proposta musical, com um resultado completo, sem nenhuma aresta.


Este equilíbrio não é exatamente atingido em todas as faixas em Volition, mas o motivo é muito simples: não é necessariamente este o objetivo em cada uma delas. Esse dinamismo sutil e predominante é o que torna o novo trabalho alguns degraus acima de seus anteriores, mostrando como o Protest The Hero tem aplicado toda a sua experiência em composições cada vez mais definidas e completas, não se preocupando apenas em soarem apenas técnicos, mas músicos dedicados em prol da música em si, sem drásticas mudanças.


Definitivamente, quase não há espaço para respirar profundamente aqui, mas essa claustrofobia que aumenta no decorrer do álbum é um dos principais fatores que tornam a experiência tão interessante, já que, apesar de algumas ressalvas, somos submetidos a uma sucessão sem freios de melodias e letras extremamente inteligentes que irão martelar durante bom tempo na mente. Os canadenses mostraram mais uma vez por qual motivo são uma das bandas mais singulares atualmente, e que o som deles não é apenas um ponto de convergência entre diversas vertentes musicais, mas algo que pode vir a ser muito maior, como um próximo passo na evolução de certos estilos já saturados.


Nota 8,5


Faixas:
01. Clarity
02. Drumhead Trial
03. Tilting Against Windmills
04. Without Prejudice
05. Yellow Teeth
06. Plato’s Tripartite
07. A Life Embossed
08. Mist
09. Underbite
10. Animal Bones
11. Skies


Por Rodrigo Carvalho

6 de nov de 2013

Novos clipes do Sepultura, Place Vendome, Asking Alexandria, No Sinner, Scar the Martyr, Kvelertak, In Solitude e Bruce Springsteen

quarta-feira, novembro 06, 2013
Tem quem não goste de clipes. Tem quem ache que a mídia está falida e é “muito anos oitenta”. E tem quem, como eu, adora ver as bandas “se mexerem”, como diz o Beto Bruno, da Cachorro Grande.

Pois abaixo estão novos exemplos de grupos se mexendo. Destaque para os novos clipes do Sepultura e do Place Vendome, In Solitude ao vivo em dose dupla e Bruce Springsteen arrepiando gerações. 

 

Por Ricardo Seelig

Cinema: Thor: O Mundo Sombrio

quarta-feira, novembro 06, 2013
Dá para descrever o que achei de Thor: O Mundo Sombrio, a segunda película que traz o Deus do trovão da Marvel Comics como protagonista, com algumas frases-chave que farão sentido imediato para os fãs. Digo sem pestanejar que este filme é BEM melhor do que o primeiro – e olha que eu achei o primeiro bem divertido, detalhe. Até o momento, Thor: O Mundo Sombrio é o melhor filme da fase 2 da Marvel Films – o que significa que ele é melhor do que Homem de Ferro 3. E eu gostei do terceiro filme do Latinha, querido leitor. Na verdade, concordando integralmente com o que o chapa Thiago "Borbs" Borbolla afirmou, por mais legal que Homem de Ferro 3 seja, é com Thor: O Mundo Sombrio que parece que a Marvel dá o seu pontapé inicial em sua segunda fase nas telonas, preparando o terreno de fato não apenas para Guardiões da Galáxia, mas também para Os Vingadores 2.

Resumidamente, é um filme empolgante, repleto de ação, com efeitos especiais de ponta, batalhas grandiosas e uma gloriosa faceta épica – mas que, em momento nenhum, perde de vista o foco nos personagens. Thor 2 tem aventura, tem adrenalina, mas também tem doses muitíssimo bem-dosadas de humor, na medida certa.

Os fãs reclamaram que o primeiro filme passava tempo demais na Terra e mostrava pouco de Asgard. Pois vocês pediram, e eles atenderam: aqui, a maior parte da trama gira não apenas na Cidade Dourada (retratada de maneira mais detalhada, com prédios, armaduras e armas que parecem misturar magia e ciência de tal forma que temos um mix absolutamente funcional de Star Wars e O Senhor dos Anéis, com um tantinho de Harry Potter), mas também nos chamados Nove Reinos. De volta a Asgard depois da Batalha de Nova York, o guerreiro que empunha Mjolnir vem se empenhando em trazer a paz a todos os reinos, domando revoluções e derrotando seguidamente as mais diversas hordas de inimigos. O que Thor (Chris Hemsworth) não imagina é que se aproxima um momento cósmico único, que se repetiu apenas muitas eras antes: o alinhamento de todos os reinos. E com ele, retorna o perigo sob a forma de Malekith (Chris Eccleston), o líder dos elfos negros, uma raça que criou uma arma definitiva (chamada de Éter) cujo objetivo era cobrir a existência com a escuridão eterna. E para usar o Éter, só neste momento específico de conjunção. Ou seja: vamos destruir o universo, e agora. Outrora derrotado por Bor, pai de Odin (Anthony Hopkins) e avô de Thor, Malekith quer vingança e promete passar por cima de qualquer reino que estiver no caminho, incluindo a nossa simpática Midgard (ou Terra, para você que não é residente de Asgard). Vai caber a Thor, prestes a assumir o trono de seu pai, descobrir como deter uma força destrutiva e tão grande que pode colocar Asgard de joelhos.

Os fãs queriam mais destaque para o Loki de Tom Hiddleston, um achado tão certeiro da Marvel quanto foi a escolha de Robert Downey Jr. para viver Tony "Homem de Ferro" Stark. Pois vocês pediram, e eles atenderam: Loki simplesmente rouba a cena. As melhores passagens do filme envolvem o ardiloso Deus da Trapaça, tanto nos momentos em que a plateia vai às gargalhadas quanto nas situações de maior tensão. Sua relação com a rainha Frigga (Rene Russo) ganha mais profundidade e emoção, assim como seu laço com o irmão Thor. Preso no calabouço de Asgard desde a Batalha de Nova York, Loki acaba libertado por Thor, sem o consentimento de Odin, numa quase traição ao trono real. Mas a ameaça cresce demais, colocando em risco inclusive – e principalmente - a vida da humana Jane Foster (Natalie Portman), grande paixão da vida de Thor. Loki sabe como sair de Asgard e navegar pelos outros reinos, incluindo o tal Reino Sombrio do título, a terra dos elfos negros devastada por Bor há centenas de anos, de maneira oculta e sorrateira. Então, ele vai ser de grande ajuda. Além disso, ele tem motivos de sobra para odiar Malekith, tanto quanto Thor, por conta de uma questão, digamos, familiar. Assim como nas HQs, a tensão paira no ar entre Thor e Loki, mas aqui ele não é exatamente o vilão, mas também está longe de ser o herói. Assista, de olhos atentos, até a última cena do filme e entenda o que quero dizer. Loki pode não ganhar um filme só dele. Mas mereceria, pelo menos, um curta-metragem solo.

Os fãs acharam que, tanto em seu filme-solo quanto no filme dos Vingadores, Thor estava um tanto deslocado e afastado demais do restante da ambientação Marvel. Pois vocês pediram, e eles atenderam: não faltam referências ao que aconteceu na luta ao lado do Homem de Ferro, Capitão América e Hulk, além de outras conexões mais sutis com o universo da Casa das Ideias, trazendo o personagem mais para perto dos outros filmes, dos outros heróis e mesmo dos espectadores. A decisão tomada por ele ao final da película, diante de seu pai todo-poderoso, faz um sentido absurdo para o seu futuro nos cinemas, mas também para quem conhece a sua trajetória nos gibis. Aquela seria a ÚNICA decisão que Thor poderia tomar.

Li, nos textos de alguns colegas jornalistas sobre o filme, duas reclamações que, na minha modesta opinião, não fazem qualquer sentido. A primeira: em sua busca para saber notícias sobre Thor, Jane Foster encontra, por acidente, uma passagem entre-dimensões causada pelo alinhamento dos Nove Reinos e que a coloca diretamente na trama de Malekith e do Éter, trazendo o elenco terrestre (formado por uma Kat Dennings bem menos irritante e mais engraçada do que no primeiro filme e um Stellan Skarsgard que se tornou um autêntico cientista louco depois de ser dominado por Loki em Os Vingadores) de vez para a história. "Ah, é muita mentira, nunca aconteceria uma coincidência assim". Sério? Estamos falando de um filme blockbuster inspirado em uma história em quadrinhos sobre um deus nórdico que vira super-herói. Mas é óbvio que uma coincidência assim é absolutamente viável e aceitável.

Outra questão diz respeito ao objetivo de Malekith, que quer destruir a galáxia. "Mas se ele destruir toda a existência, onde ele vai viver?". Dã. Esta é moleza. Malekith é uma criatura do tipo niilista, que quer a destruição pela destruição. Ele acredita que o seu próprio destino é a destruição. E que ela só vai ficar completa se as trevas se espalharem para todo o cosmos. Simples assim. O que não faltam são exemplos de vilões assim – incluindo o próprio Thanos, diabos, que quer sacrificar toda a existência para provar o seu amor pela Morte. Estamos conversados?

Ah, sim, as cenas pós-créditos. Sim, porque são duas. Uma delas, mais simples mas com total relação com a história do filme (e o futuro do herói, by the way), surge depois que todos os créditos rolam pela tela. Mas tem uma outra, que aparece mais cedo, depois que acabam os créditos animados, aqueles que só mostram os nomes dos principais atores, produtores e diretor. Esta é aquela que mostra Benicio Del Toro já no papel de Colecionador, o personagem cósmico que estará em Guardiões da Galáxia (aquele que promete ser o filme mais maluco da Marvel). Esta cena, no entanto, é menos inocente do que se imaginava à princípio. Porque revela uma coisa que deixou os nerds em polvorosa. E vou falar sobre isso agora. Então…

ZONA DE SPOILERS! NÃO DIGA QUE EU NÃO AVISEI!
ZONA DE SPOILERS! NÃO DIGA QUE EU NÃO AVISEI!
ZONA DE SPOILERS! NÃO DIGA QUE EU NÃO AVISEI!


Os aliados de Thor e guerreiros Sif (Jaimie Alexander) e Volstagg (Ray Stevenson) levam para o Colecionador, devidamente encaixado e mantido sob controle, o Éter de Malekith. Odin quer que ele tome conta da bagaça. O Colecionador, que tem sua leva de artefatos espaciais e sabe do que se esconde no cofre de Asgard, questiona porque diabos aquilo não foi mantido sob as barbas do pai do Deus do Trovão. E o que eles dizem a seguir é intrigante: "O Tesseract [aka cubo cósmico descoberto em Capitão América e que se tornou ponto central de Os Vingadores] já está no nosso cofre. E seria perigoso manter duas Gemas do Infinito juntas".

Oi? Gemas do Infinito? MAS HEIN?!

Quando Sif e Volstagg saem, eis que o Colecionador diz: "Agora só faltam cinco".

Quando você fala nas Gemas do Infinito, sabe bem de quem a gente lembra: Thanos. Aquele sujeito roxo e com o queixo cheio de gominhos que deu as caras na cena pós-créditos dos Vingadores. Será que esta é uma dica do que a Marvel está preparando não apenas para o filme dos Guardiões, mas também para o futuro? Talvez para a sua Fase 3? Seria o Tesseract (que é azul) a gema da mente enquanto o Éter (que é vermelho) a gema do poder? E isso teria relação com a Manopla do Infinito, que vimos no cofre de Odin no primeiro filme do Thor?

Nerds de todo o mundo…TREMEI! :)

Por Thiago Cardim

Veredito Collectors Room: Dream Theater - Dream Theater (2013)

quarta-feira, novembro 06, 2013
Lançado no dia 24 de setembro, o auto-intitulado décimo-segundo álbum da banda norte-americana Dream Theater passou pela análise coletiva de nossa equipe. Thiago Cardim, Guilherme Gonçalves, Rodrigo Carvalho, Marcelo Vieira e Ricardo Seelig ouviram o disco e escreveram as suas opiniões sobre o trabalho.

Com backgrounds bem distintos, os redatores da Collectors tiveram reações diferentes à música do Dream Theater, explicitadas nos reviews que você lerá a seguir. Cada um dos textos traz a nota que cada colaborador deu para o álbum, e no final chegamos a uma média com todas as notas aplicadas, chegando ao nosso veredito final sobre o disco.

E vocês, o que acharam do novo trabalho do Dream Theater? Contem para a gente nos comentários, queremos saber.



Não gosto do Dream Theater. Confesso, de bate-pronto, odeiem-me vocês ou não. Já não sou dos maiores fãs de rock progressivo, e no caso específico deles nunca me agradou este heavy metal extremamente técnico e virtuoso que eles praticam, que eu sempre achei mais matemática do que música. Estou sendo franco, abrindo o coração. Tenho bode dos caras desde sempre, apesar de nutrir alguma simpatia justamente pelo integrante que saiu, o baterista (e nerd) Mike Portnoy. Mas como jornalista especializado em música, garanto que nunca deixei de ouvir nada que eles lançaram. E juro que de coração aberto, disposto a ser surpreendido. Mas nunca, de verdade, conseguiram me cativar. São ótimos músicos, nunca pude negar isso, e fazem um trabalho de qualidade - mas é uma qualidade que jamais combinou com o meu gosto, enquanto ouvinte. As probabilidades, portanto, jogavam contra este novo disco auto–intitulado, o primeirríssimo com Mike Magnini assumindo as baquetas desde o começo do processo criativo. Mas e não é que, senhoras e senhores, eu curti a bagaça? De verdade. Afiados como nunca, querendo mostrar força e garra neste que é uma espécie de recomeço, eles revelam uma vitalidade impressionante, talvez dispostos a provar que Portnoy pode ter acertado no Adrenaline Mob e no The Winery Dogs, mas que mesmo sem ele, o Dream Theater continua uma unidade de combate coesa. "The Enemy Inside" foi uma escolha acertada para primeiro single, porque é uma faixa pesada, mas também bastante grudenta e acessível, versando sobre um tema forte e controverso, que é a síndrome do estresse pós-traumático que alguns soldados sofrem depois de voltar da guerra. A igualmente melódica "Along For the Ride" tem mais ou menos as mesmas características, e também funciona de maneira brilhante. E ao mesmo tempo em que apresentam com "Enigma Machine" uma faixa instrumental furiosa e com ares de um bom filme de terror/suspense sobrenatural, conseguem uma surpreendente delicadeza na balada oficial "The Bigger Picture". Se a banda comete um deslize nesta bolacha, ele está na imensa canção de encerramento, "Illumination Theory". Com seus 22 minutos de duração, ela oferece espaço para que cada instrumento brilhe, dos teclados ao baixo, passando pela guitarra e, claro, pelos vocais de LaBrie. Mas justamente pelo tamanho é que em um dado momento ela passa a parecer uma colagem, com pedaços desconexos que não parecem conversar entre si, o que sempre é um perigo em faixas deste tipo. Talvez se fossem músicas diferentes, trabalhando sozinhas, seus pedaços ganhassem mais força. De qualquer maneira, Dream Theater, o disco funciona bem. É talvez um dos primeiros discos do Dream Theater dos quais eu gosto na vida. Pra mim, isso é um trabalho digno de um guerreiro. Nota 8,5 (por Thiago Cardim)

Enquanto certa parcela dos fãs continua resmungando sobre a saída de Mike Portnoy da banda há três longos anos, e o próprio não conseguir se desvencilhar do assunto (apesar de ter engrenado alguns excelentes projetos), a crua realidade é que o único que realmente está seguindo em frente é o próprio Dream Theater. Devidamente estabilizado com Mike Mangini em sua formação, e com John Petrucci e Jordan Rudess assumindo verdadeiros papéis como diretores do processo criativo, o grupo lançou em 2013 um novo trabalho que leva o seu próprio nome, como que para representar (e resgatar) a sua verdadeira essência, finalmente recomeçando depois de um período cataclísmico. Dream Theater é um dos mais curtos álbuns em sua discografia, relativamente menos exageradamente técnico, sem deixar de ser uma obra que intriga e prende a atenção. Apesar de soarem um tanto desencontrados em momentos como “Surrender to Reason” (a criatividade de James LaBrie como vocalista continua sendo podada descaradamente) e a enfadonha e burocrática instrumental “Enigma Machine”, faixas como “The Looking Glass”, “The Bigger Picture” e “Behind the Veil” são grandes destaques, ao lado de “Illumination Theory”, possivelmente a sua música mais completa desde “Octavarium” (ainda que ambas tenham propostas diferentes). Colocando em uma linha de raciocínio temporal, é como se este álbum fosse o elo perdido entre Awake e Scenes From a Memory: um belo disco, mas que não representa todo o potencial do Dream Theater como banda. E todos sabem que eles podem ir muito além. Nota 7,5 (Por Rodrigo Carvalho)


Quando uma banda lança um disco homônimo e que não é seu trabalho de estreia, algo certamente está implícito. O estopim e o resultado dessa estratégia deliberada podem ser inúmeros, mas sempre há motivação específica por trás. No caso do Dream Theater, ela é óbvia e está relacionada à 'dramática virada de eventos' (para bom entendedor...) que acometeu sua formação em 2010, bem como à sedimentação de uma nova fórmula extremamente bem definida. Ainda que já seja o segundo álbum sem Mike Portnoy - e naturalmente o segundo com Mike Mangini -, é Dream Theater que assume, muito mais do que seu antecessor, a tarefa de deixar claro esse novo caminho a ser trilhado e no qual, mais do que nunca, a banda atira nitidamente para dois lados: ao mesmo tempo em que usa e abusa de peso na guitarra e nos timbres, investe alto em melodia e passeia sem pudor pelo pop. Claro que ainda há espaço para o progressivo. Desde sua veia mais hard rock em "The Looking Glass", uma cópia extremamente descarada - e mal feita? - de "Limelight", do Rush, até a interminável "Illumination Theory", naquela linha megalomaníaca à lá Yes de ser. E olha que há boas ideias nessa música. Só que depois de 22 minutos, amigo, ninguém consegue lembrar nada além do que dois ou três riffs. As influências de Iron Maiden e, principalmente, Metallica, também seguem latentes, como em "The Enemy Inside" e "Behind the Evil" - nessa, o riff dos 2'13 saiu diretamente de "The Frayed Ends Of Sanity", presente em ... And Justice For All. No fim, a conclusão é de que fica tudo muito disperso. E é justamente isso que embaralha esse som atual do Dream Theater. Não dá para ser sempre prog e pop ao mesmo tempo. Quando funciona, sai algo como "The Bigger Picture", a melhor do disco exatamente por ser a única que consegue ser boa do começo ao fim. Quando dá errado, e isso acontece em pelo menos umas quatro desse disco novo, não há técnica ou virtuosismo que dê jeito. Nota 6,5 (por Guilherme Gonçalves)

Minha implicância com o Dream Theater data dos tempos de colégio, quando boa parte do meu grupo de amigos, alguns leitores de uma famosa publicação nacional, se converteu à quase-religião que é ser fã da banda. Eu era só mais um hard rocker desamparado em meio a uma autoproclamada elite metaleira — como se preferências pessoais, ainda que potencializadas por um jornalismo musical tendencioso, fossem capazes de determinar quem entende mais de som. Já na faculdade, sem os preconceitos de outrora, ouvi atentamente a obra da banda até o momento e cheguei à mesma conclusão que parte da torcida organizada do DT: o quinteto está cada vez mais longe da fórmula mágica dos arrasadores Images and Words e Scenes from a Memory. Justamente por isso, fiquei tão surpreso com seu lançamento mais recente, que talvez pelo fato de ser homônimo à banda, represente nas entrelinhas um novo começo. O single "The Enemy Inside" é uma porrada na fuça e ponto final — gostei de cara. O momento show de talentos toma forma na excelente "Enigma Machine", com Petrucci e Rudess protagonizando um verdadeiro duelo. A belíssima "Along for the Ride" apenas atesta que a capacidade do Dream Theater de compor baladas (ou semi-baladas) segue inabalável. Fechando o caixão, a pretensiosa "Illumination Theory" (cinco partes bem definidas num total de 23 minutos — sabia que teria ao menos uma música assim!) estoura a cota de viagens sonoras do álbum e, assim como tantas outras intermináveis do passado, seria ainda melhor se fosse um pouco menor. Algumas coisas ainda me incomodam, alguns timbres não me atraem e eu sempre imagino como seria se fosse outro cantor no lugar do LaBrie, etc., mas ignoremos tais questões. O rótulo diz metal progressivo. O que se ouve é mais metal que qualquer outra coisa. Provavelmente, o melhor álbum desde ScenesNota 7 (por Marcelo Vieira)

Com uma sonoridade mais agressiva e pesada do que seus últimos discos, o novo álbum do Dream Theater traz uma certa mudança de direcionamento em relação aos álbuns mais recentes do grupo. Dream Theater, o disco, é o trabalho mais heavy metal do grupo desde Train of Thought (2003). Mais adaptado à banda, o baterista Mike Mangini sai da sombra de Mike Portnoy e imprime o seu próprio estilo, enquanto John Petrucci e Jordan Rudess se revezam no protagonismo instrumental. As faixas são extremamente musicais, trazendo até mesmo elementos de hard rock e pop para o universo do grupo, características exemplificadas na forma de fortes refrões e melodias que agradam de imediato. Dream Theater marca um novo começo para o maior nome do metal progressivo, e o início desse novo caminho não poderia ser melhor. Nota 8,5 (por Ricardo Seelig)

O nosso veredito final sobre Dream Theater, o disco, é: 7,6

Por Equipe Collectors Room

Blackrain: crítica de It Begins (2013)

quarta-feira, novembro 06, 2013
Quando seus primeiros trabalhos caíram na net, o Blackrain virou mania entre a molecada hard rocker do Rio de Janeiro. Verdade seja dita, não tinha como ser diferente: em It Begins, o quarteto francês segue à risca o padrão estabelecido pelos já maiores Crashdïet e Crazy Lixx, com a diferença do sotaque e de uma produção que se encarregou de deixar as guitarras menos pontiagudas e o instrumental como um todo mais polido e vendável, visando, obviamente, este lado do Atlântico, mas não esta metade da Linha do Equador.

Faltou, porém, cuidado ao alinhar os backing vocals, que acabam soando artificiais ao longo de todo o álbum. Há problemas também com o vocal principal, mas é do tipo que nem uma produção mais caprichada poderia resolver... a menos que tenham inventado cura para voz chata e eu não tenha ficado sabendo. O fato de o álbum ser curto — 40 minutos cravados — impede o enjoo auditivo, mas não me levou a apertar o play novamente. Competência instrumental, ok, mas de que adianta apreciar bons riffs e solos se justamente o vocal fere os ouvidos?

O single "Blast Me Up" é uma faixa de abertura óbvia, mas a coisa só começa a ficar boa mesmo é mais adiante, com a festiva "Death by Stereo" — valendo a pena até destacar negativamente "Wild Wild Wild". A sentimentalóide "Nobody But You" não agrega nada de novo ao gasto conceito de balada, mas é um ingrediente fundamental na receita do álbum. No universo das micaretas do rock — do qual eu faço parte com certo gosto —, "Dancing on Fire" é o tipo de som que funciona numa pista lotada. E com o perdão do trocadilho, "Young Blood" é jovem demais para mim.

Ah sim, temos aqui um wannabe hino do rock. "New Generation" é a resposta do Blackrain à "Generation Wild", do Crashdïet. Curiosamente, é a melhor música do álbum, mas a pretensão da letra incomoda. Se autodenominar liderança sem apresentar uma nova proposta é demais para a minha cabeça. A despedida vem em clima de programa do Discovery Kids com "Ho Hey Hey Hey Hey" e o facepalm é inevitável. It Begins... mas begins o quê, Blackrain???!

Decepção define.

Nota 5
Faixas:

01. Blast Me Up    
02. Bad Love is Good    
03. Wild Wild Wild
04. Death by Stereo
05. Nobody But You    
06. Dancing on Fire    
07. Young Blood    
08. Cryin' Tonight
09. Re-evolution / New Generation
10. Tell Me    
11. Ho hey hey hey hey 


Por Marcelo Vieira

5 de nov de 2013

A incrível história de Di Melo, o imorrível

terça-feira, novembro 05, 2013
A música é feita de histórias incríveis. E algumas delas acontecem bem perto da gente. É o caso do pernambucano Roberto de Melo Santos, que os pesquisadores e garimpeiros sonoros conhecem pelo nome de Di Melo.

Conheci o som incrível do Di Melo há alguns anos. Nunca escutei nada igual depois. Seu disco, lançado em 1975, é uma das jóias perdidas da música de nosso país. É funk, é soul, é jazz, é tudo! E é, acima de tudo, excelente. Aqui está um texto que publicamos em 2009 sobre Di Melo, o LP.

Toda essa históra foi contada no documentário Di Melo, O Imorrível, que em seus 25 minutos conta a vida de Di Melo e traz depoimentos de gente como Charles Gavin, Simoninha, Luís Calanca e muitos outros.

Assista ao documentário e depois mergulhe no álbum no próximo player. É demais, é único, é Di Melo: 

 

Por Ricardo Seelig

Lady Gaga: crítica de Artpop (2013)

terça-feira, novembro 05, 2013
Inegavelmente uma grande cantora, Lady Gaga domina como poucos outra área essencial da música pop: a imagem. Stefani Joanne Angelina Germanotta, seu nome verdadeiro, ficou para trás há anos. E, em seu lugar, emergiu uma das figuras mais icônicas, emblemáticas e polêmicas surgidas na indústria musical nos últimos tempos. Gaga é o Michael Jackson do nosso tempo, no sentido de saber usar a sua imagem como uma ferramenta complementar à sua música - e, muitas vezes, até mais importante do que ela.

Artpop, que acaba de chegar às lojas, é o seu terceiro álbum, sucedendo The Fame (2008, e que um ano depois foi relançado com o título The Fame Monster) e Born This Way (2011). Assinado por um combo de produtores que inclui nomes como Rick Rubin, David Guetta, will.i.am, Infected Mushroom e outros, além dela própria, Artpop é superior, musicalmente, aos trabalhos anteriores da cantora. Fica clara a maturidade alcançada por Lady Gaga, com canções consistentes e muito bem construídas, que lançam mão de colagens, samplers e sintetizadores em profusão, mas sempre mantendo uma característica forte: a melodia nas linhas vocais e os refrões permanentemente fortes. Esses fatores são essenciais para tornar não só Artpop, mas a própria música de Gaga, algo que, se não é único, ao menos possui uma identidade perceptível e marcante - vide megahits como “Poker Face”, “Bad Romance”, “Born This Way” e “Judas”.

O disco é um exemplo prático de como o pop funciona hoje em dia. Com participações especiais (poucas, para não ofuscar a estrela principal -> T.I., Too Short e Twista em “Jewels n’ Drugs” e R. Kelly em “Do What U Want”), DJs e produtores consagrados colocando suas grifes sonoras (os já citados David Guetta e will.i.am) e canções que variam entre 3 e 4 minutos, jamais passando deste tempo (o ideal para tocar em rádios, emissoras de TV e qualquer outro veículo de divulgação). A questão é que, além de se assumir sem maiores pudores como uma estrela pop, Lady Gaga consegue produzir música de qualidade e com valor artístico em um cenário onde tais qualidades são cada vez mais incomuns.

Talvez o maior exemplo disso seja a deliciosa “Do What U Want”, uma jóia pop com influência de Alphaville e Human League e excelentes vocais. Mas “Do What U Want” não brilha sozinha. A faixa-título é outro grande exemplo da maturidade atingida por Lady Gaga, com influência de nomes como Kraftwerk e outros pioneiros da música eletrônica. “Donatella” é construída sobre uma batida urbana tribal e conduzida com primor pela voz de Gaga, enquanto “Aura”, faixa de abertura, traz influências mexicanas e espanholas para o caldeirão musical do álbum.

Mas é ao se despir de (quase) todo o aparato eletrônico que a rodeia que Lady Gaga voa alto e comprova que toda a celebração do público em torno do seu nome não é em vão. Como já havia ocorrido em Born This Way com a balada hair metal “You and I”, em Artpop a cantora emociona mais uma vez com a linda “Dope”. Levada ao piano e conduzida de maneira sublime pela voz de Gaga, “Dope”, produzida por Rick Rubin, traz características soul e uma excepcional performance vocal, capaz de emocionar até uma pedra. Uma música linda, e que a maioria das pessoas jamais pensaria em encontrar em um álbum como esse.

Artpop está longe de ser uma obra-prima, mas igualmente também está distante de ser o que imaginam os ouvintes que, sem ter contato com a música de Lady Gaga, já constróem uma opinião pré-concebida do que irão encontrar na obra da artista nova-iorquina. Gaga segue ostentanto apelo visual, jogando peças do seu quebra-cabeça para o público. E, no caminho, mantém a qualidade de sua música, soando sempre inventiva e ousada. Isso, para uma estrela pop como ela, não é pouco.

Nota 7,5

Faixas:
1 Aura
2 Venus
3 G.U.Y.
4 Sexxx Dreams
5 Jewels n’ Drugs
6 MANiCURE
7 Do What U Want
8 Artpop
9 Swine
10 Donatella
11 Fashion!
12 Mary Jane Holland
13 Dope
14 Gypsy
15 Applause

Por Ricardo Seelig

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