13 de dez de 2013

Top 2013 Collectors Room: os melhores do ano na opinião de Ricardo Seelig

sexta-feira, dezembro 13, 2013
Final de ano é hora de escolher os melhores dos últimos doze meses, e essa é uma atividade sempre divertida. Coloca um disco, tira outro, quebra a cabeça e pronto: a lista está pronta - só para ser refeita novamente inúmeras vezes até chegar naquilo que queremos.

2013 foi um ano bastante produtivo, com retornos marcantes, afirmações artísticas e revelações que chegaram para ficar. A lista abaixo não está focada em apenas um gênero. Como a própria linha editorial da Collectors Room deixa claro, meu gosto pessoal tem uma tendência maior para o heavy metal, mas sempre com a antena ligada em outros estilos. Por essa razão, há álbuns de gêneros variados em meu top 10, porque é assim que eu consumo a música: de mente aberta e sem preconceitos (ok, tenho alguns, mas eles só diminuem com o tempo).

Preparei também uma playlist com as músicas que mais me marcaram durante todo o ano. Você pode escutá-la neste link.

Abaixo, está a lista com os melhores discos do ano na minha opinião. Comentem, concordem, discordem: os comentários estão aí para isso.


Daft Punk - Random Access Memories

O Thriller desta geração, associação já evidenciada na tipologia usada na capa, idêntica ao clássico lançado por Michael Jackson em 1982. Um disco estupendo, com uma produção irretocável e jóias pop que bebem diretamente nos anos 1970 e 1980. E, como cereja do bolo, um trio de faixas espetaculares: “Giorgio by Moroder” (a melhor do ano), “Get Lucky” (o single de 2013) e “Lose Yourself to Dance” (com um groove matador).


Anciients - Heart of Oak

Surpreendente álbum de estreia desta banda canadense formada em 2009. Influenciado por nomes como Mastodon e Baroness, o Anciients entrega uma música complexa e bela, feita na medida para quem curte um metal agressivo, pesado e com uma inegável influência prog.


David Bowie - The Next Day

Bowie estava em silêncio desde 2003, quando lançou Reality. Dez anos depois, resolveu sair do exílio auto-imposto, e em grande estilo. Olhando para o passado, o ícone inglês pinçou o melhor de sua extensa discografia em cada uma das quatorze faixas. The Next Day é um de seus melhores discos e faz juz ao legado de um dos maiores nomes da história do rock e do pop.


Paul McCartney - New

Aos 71 anos, Paul surpreendeu em New. Refrescante e atual, o novo álbum do Beatle flerta com o indie e até mesmo com o rap, comprovando o que todo mundo já sabe: McCartney jamais soará acomodado ou desatualizado. Gênio, e ponto final.


Black Sabbath - 13

Talvez o disco mais aguardado do ano, certamente um dos mais comentados, 13 deixou todo mundo de queixo caído ao ir além das expectativas - que eram altíssimas, vale ressaltar. Heavy metal de alto quilate, feito pelos pais do estilo, com inspiração e precisão certeiras. O testamento definitivo da banda mais importante do gênero.


Audrey Horne - Youngblood

Este grupo norueguês radicado na Bélgica se sobressaiu somente agora, em seu quarto álbum. Ao contrário dos anteriores, que flertavam com o grunge, o que temos em Youngblood é uma mistura de hard rock e heavy metal cunhada através de grandes canções, uso farto de guitarras gêmeas e refrões para cantar junto. Altamente viciante!


Orchid - The Mouths of Madness

Outra banda recente que fez bonito em 2013. O Orchid soa como uma espécie de Black Sabbath com integrantes adolescentes. A sonoridade empoeirada e calcada nos riffs agradará aos fãs de Ozzy e companhia, mas o grupo mostra personalidade suficiente e merece atenção nos próximos anos.


Arcade Fire - Reflektor

Mais uma vez, surpreendente. O Arcade Fire jamais se repete, e outra vez trilhou um caminho inédito. O pop dos anos 1980 de nomes como The Cure e New Order é o principal norte de Reflektor, turbinado pela sensibilidade criativa privilegiada do grupo. Para ouvir até dizer chega, sentindo novas sensações a cada audição.


Ghost - Infestissumam

A banda mais polêmica surgida no metal nos últimos anos mostrou em seu segundo disco que é muito mais do que cinco caras escondidos atrás de máscaras misteriosas. Inserindo elementos psicodélicos em sua música, o Ghost deu um passo além, soando menos pesado e ainda mais apaixonante. Chegaram para ficar, não há dúvida!

Scorpion Child - Scorpion Child

O grande disco de hard rock de 2013. Riffs inspirados e um vocalista alucinado em canções que parecem sair dos álbuns clássicos do Deep Purple, Led Zeppelin, Grand Funk e outros gigantes. Pra pegar a estrada sem rumo e no volume máximo.


Além destes discos, outro ponto muito legal de 2013 foi a ótima safra de álbuns lançados por bandas nacionais. Trabalhos com uma sonoridade atual, moderna e contemporânea, que demonstram toda a efervescência de uma geração de novos grupos que está chegando com tudo para mudar, de vez, o marasmo do rock brasileiro, aliada à inquietude de nomes veteranos que jamais repousam em berço esplêndido. Destaque para os novos discos do Anjo Gabriel (Lucifer Rising), Far From Alaska (Stereochrome), Scalene (Real/Surreal), The Baggios (Sina), Apanhador Só (Antes Que Tu Conte Outra), Bixiga 70 (Bixiga 70), Blues Etílicos (Puro Malte), Boogarins (As Plantas Que Curam), Ed Motta (AOR) e Vitor Ramil (Foi no Mês que Vem).


Retorno: Black Sabbath
 

Quem teve a sua formação musical calcada no heavy metal sentiu um arrepio na espinha ao ver Ozzy, Tony e Geezer juntos outra vez.

CD/DVD Ao Vivo: Black Sabbath - Live ...  Gathered in Their Masses

O documento eterno da reunião histórica dos pais do heavy metal. Um show inspirado, passando por novas composições e clássicos que fazem parte do DNA metálico. Para assistir hoje, amanhã e sempre.



Melhor Livro: Rod: A Autobiografia

Rod Stewart contou a sua vida de forma divertidíssima em sua autobiografia, repleta de histórias sensacionais narradas com muito bom humor. Leitura obrigatória para quem gosta de música.


5 Melhores Sites Sobre Música:

Selo 180
Rifferama
Van do Halen
Tenho Mais Discos Que Amigos!
Scream & Yell


O rock progressivo ano após ano: 15 discos para entender 1968

sexta-feira, dezembro 13, 2013
No artigo passado discorri sobre o ano de 1967 e o porque dessa escolha para iniciar essa coluna. Para quem não leu a primeira parte, a ideia é listar, ano após ano, os 15 discos essenciais para entender o rock progressivo.


Parte 1 - 1968, o fim da psicodelia?
Não necessariamente. Apesar de 1968 ter introduzido ao mundo prog as primeiras tentativas reais de se fazer progressivo como conhecemos hoje, 1968 ainda estava imerso em grande parte na psicodelia, estilo vigente até então.




Parte 2 - Então, 1968 tem prog?
Tem sim senhor! O ano nos apresenta os primeiros discos em que realmente encontramos o rock progressivo que seria massificado nos dois anos seguintes. Não apenas isso: importantes bandas como o Jethro Tull, que mais tarde lançaria importantes álbuns para o gênero, e outras como The Crazy World Of Arthur Brown e Gilles Gille & Fripp, lançavam seus primeiros trabalhos nesse ano também.




Parte 3 - A vida é curta, mas a arte é eterna

Abaixo seguem a lista dos 15 discos essenciais para entender 1968:



Procol Harum - Shine on Brightly


Tudo começa aqui! O Procol Harum já tinha marcado um número 1 no quesito “estar à frente de seu tempo” com o single “A Whiter Shade of Pale” no ano anterior. Com seu segundo disco, Shine on Brightly, eles tem, mais uma vez, a dianteira. Lançado em setembro de 1968, o álbum trazia a primeira suíte real em um disco de rock: "In Held 'Twas in I". Com seus 17:31, era dividida em cinco movimentos, que também formavam o nome da faixa. O estranho e nonsense título - "In Held 'Twas in I" - era de fato um acrônimo formado pela primeira palavra da letra de cada um dos movimentos da suite. Gary Brooker fala da faixa no documentário Prog Rock Britannia, produzido pela BBC: “Eu queria escrever algo grandioso, algo diferente”. Tanto o fez que a faixa, se bem escutada, revela a absoluta influência que o King Crimson mostraria apenas um ano mais tarde em seu disco de estreia. A título de curiosidade, o álbum teve duas capas em sua edição inglesa e americana. Mas a original é essa apresentada aqui no post. 




Ouça Shine on Brightly aqui
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The Nice - Ars Longa Vita Brevis


Se no disco anterior o The Nice - capitaneado por Keith Emerson - começava a demonstrar sua paixão pela música clássica, em seu segundo LP, Ars Longa Vita Brevis, eles confirmam e amplificam essa influência. Outro ponto importante (e fundamental no futuro) é que o guitarrista da banda, David O’List, tinha abandonado o barco e depois de tentar alguns substitutos eles acabaram decidindo por tocar apenas como um trio - baixo, bateria e teclados - e sem a guitarra. O disco segue de onde o anterior parou, mas vai além, também. Dessa vez, as tentativas de fundir o rock com a música clássica estavam ainda mais evidentes em faixas como "Intermezzo from the Karelia Suite" (do compositor Sibelius) e seus quase 9 minutos e, é claro, na suíte "Ars Longa Vita Brevis", que ocupa todo o lado 2 do LP com 19:20 de duração.

Ouça Ars Longa Vita Brevis aqui.



Pink Floyd - A Saucerful of Secrets


O Pink Floyd lutava para se manter em pé durante o fim de 1967 e o início de 1968. O líder e principal compositor da banda, Syd Barrett, não funcionava mais para as apresentações ao vivo devido à sua longa exposição ao LSD e era difícil a convivência com ele. Como o grupo tinha problemas para se apresentar ao vivo pensou que um segundo guitarrista iria  suprir essa lacuna, e para isso convocaram David Gilmour. A ideia inicial era ter Barrett como compositor e músico de estúdio e Gilmour para tocar ao vivo, tal qual os Beach Boys haviam feito alguns anos antes com Brian Wilson. A ideia acabou não funcionando, e Barrett não apareceu na maioria das sessões de gravação para o segundo disco, A Saucerful of Secrets. Por essa razão, foi decidido que o melhor seria demitir Syd. Apesar disso, o álbum ainda tem uma composição de Barrett chamada "Jugband Blues", e ele ainda toca nas faixas "Remember a Day", "Set the Controls for the Heart of the Sun" e na própria "Jugband Blues". As outras músicas foram partos difíceis e a banda começava a procurar uma nova identidade musical, como mostra a longa faixa-título e suas quatro partes.

Ouça A Saucerful of Secrets aqui


Frank Zappa - We're Only on it for The Money


O terceiro disco do The Mothers of Invention mais uma vez aposta em um trabalho conceitual, mas como em toda obra de Frank Zappa, o humor e a sátira são os focos do álbum, que satiriza a política americana, a cultura hippie e os Beatles (vide a capa). We're Only on it for The Money faz parte de um projeto chamado No Commercial Potential (Sem Potencial Comercial) que ainda iria incluir os próximos discos de Zappa (Lumpy Gravy, Cruising with Ruben & the Jets e Uncle Meat). Como curiosidade, o LP começou a ser gravado um ano antes de seu lançamento, em março de 1967, e foi finalizado em agosto, tendo sido lançado apenas em março de 1968.

Ouça We're Only on it for The Money aqui.



Giles, Giles and Fripp - The Cheerful Insanity of Giles, Giles and Fripp


The Cheerful Insanity of Giles, Giles and Fripp aparece nesta lista não como extraordinária peça musical, mas como um importante passo para o que aconteceria num breve futuro. O grupo foi o primeiro a conter músicos que seriam a base do que viria a ser conhecido como King Crimson um ano mais tarde. O disco não vendeu e isso deu força para Robert Fripp a montar uma nova banda no final de 1968, quando Peter Giles deixou a banda. Nascia ali um mito!


Ouça The Cheerful Insanity of Giles, Giles and Fripp aqui.



The Moody Blues - In Search of the Lost Chord


Apenas sete meses após o álbum que mudara radicalmente a história do Moody Blues (e consequentemente a história do rock progressivo), In Search of the Lost Chord vem novamente como um trabalho conceitual, nesse caso focando no tema da descoberta, seja da vida, espiritual ou mental. Após ter utilizado a London Festival Orchestra no disco anterior, Days of Future Passed, a banda decidiu mostrar a que veio e tocou todos os 33 instrumentos encontrados no LP eles mesmos. Com esse play , o Moody Blues continuaria aperfeiçoando a fórmula de contar histórias que eles haviam criado em seu bem sucedido disco anterior.

Ouça In Search of the Lost Chord aqui
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Family - Music in a Doll's House


O álbum de estreia do Family já começa com o pé direito por ter sido produzido por Dave Mason, do Traffic. O Family tinha como base do seu som a diferença, mostrando uma música que era ao mesmo tempo original mas que não afastava o ouvinte incauto. Desde o começo a banda apostava em multi-instrumentalistas, e cada um dos integrantes toca uma diversa gama de diferentes instrumentos como saxofones, violino, violoncelo, harmônica e steel guitar. Esse fator seria deciviso para algums grupos que viriam a seguir

Ouça Music in a Doll's House aqui.



Caravan - Caravan


O Caravan criou com este disco o que chamamos de Canterbury Sound. Canterbury é o nome do local na Inglaterra de onde a banda vem. O grupo acabou sendo relegado ao segundo nível do panteão prog, mas é inegável a quantidade de ótimos trabalhos lançados pelo Caravan na primeira metade dos anos 1970, e tudo começou com este auto-intitulado disco de 1968. Em tempo: o baterista do grupo, Richard Coughlan, faleceu esse mês depois de 45 anos com o Caravan. Infelizmente ele não pode completar as gravações do novo disco, que deve ser lançado no começo de 2014.

Ouça Caravan aqui.



Jethro Tull - This Was


O Jethro Tull em começo de carreira (e mais tarde também) não era uma banda progressiva, nem mesmo tentava ser. This Was mostra uma banda de blues rock inusitada, onde a flauta mágica de Ian Anderson era o grande diferencial em relação aos outros 300 mil grupos que tocavan blues rock na época. Por que o disco entra nessa lista então? Resposta fácil: com o passar dos anos , o Jethro Tull foi reformulando o seu som, e alguns álbuns mais tarde o grupo lançaria um play que ainda hoje é considerado o clássico maior do rock progressivo.

Ouça This Was aqui
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The Pretty Things - S.F. Sorrow


O The Pretty Things não era nenhum novato quando gravou S.F. Sorrow. Na verdade esse era o quarto disco dessa banda britânica. Aqui, o The Pretty Things dá início ao que chamaríamos pouco tempo depois de ópera rock, um ano mais tarde consolidada por Tommy, do The Who. O LP conta a história de Sebastian F. Sorrow e o ciclo de vida do mesmo. O álbum foi produzido por Norman Smith, que havia trabalhado no ano anterior com o Pink Floyd em The Piper at the Gates of Dawn e daria pontapé para um sem-número de outros discos conceituais nos próximos 40 anos.

Ouça S.F. Sorrow aqui
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Soft Machine - The Soft Machine


O Soft Machine, outra banda vinda de Canterbury, começava sua torta carreira discográfica com esse álbum. Lançado em dezembro de 1968, o disco foi gravado nos EUA na primeira turnê que a banda fez na América e mostra um som que misturava psicodelia, jazz fusion (gênero que o Soft Machine abraçaria completamente num futuro próximo) e raízes do que viria a ser o rock progressivo. A título de curiosidade, a faixa “We Did it Again”, que no disco tem pouco mais de 3 minutos, chegava a ser estendida a jams de 45 minutos em alguns shows.

Ouça The Soft Machine aqui
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The Crazy World of Arthur Brown - The Crazy World of Arthur Brown


A ideia original de Arthur Brown era contar uma história em formato de ópera rock dentro deste disco. No entanto, o empresário/produtor da banda, Kit Lambert, era contra a ideia por achar que isso afetaria a venda do LP, e a ópera acabou sendo restrita somente ao primeiro lado da bolacha - segundo trazia covers e lados B. Fato interessante é que um ano mais tarde o The Who lançaria uma ópera rock ainda sob a tutela de Lambert … A ideia de Brown era contar a história da humanidade em seus primórdios, no tempo da descoberta do fogo, tanto que o hit do disco chama-se exatamente “Fire”. Outra história importante por trás do álbum é que o baterista original, Drachen Theaker, seria substituído logo após as gravações por ter medo de aviões. Seu substituto seria Carl Palmer, que juntamente com o tecladista Vincent Crane iria formar o Atomic Rooster um ano mais tarde, e em 1970 se tornaria um dos pilares do ELP.

Ouça The Crazy World of Arthur Brown aqui.



Tomorrow - Tomorrow


O Tomorrow não foi uma banda de sucesso, comercialmente falando, apesar de ter um hit com a faixa “My White Bicycle”. A banda vinha gravando o disco desde a segunda metade de 1967, mas o lançou apenas em fevereiro de 1968, época em que a psicodelia começava a perder força, especialmente para o novo chegado rock progressivo. Tomorrow, o álbum, entra nessa lista pois mostrava ao mundo Steve Howe, guitarrista que se tornaria lenda ao lado do Yes três anos mais tarde. A capa original do LP era em preto e branco, pois a gravadora da banda na época (EMI) não havia liberado muito dinheiro para as gravações e a grana foi utilizada, em sua maior parte, em estúdio. A título de curiosidade, o disco é considerado um dos melhores lançamentos de rock psicodélico de todos os tempos.

Ouça Tomorrow aqui
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Os Mutantes - Os Mutantes


Os Mutantes mostravam em seu primeiro LP que não só o rock brasileiro podia bater de frente com o rock inglês, mas que podia ser original e ainda melhor. O trio formado pelos irmãos Arnaldo Baptista e Sergio Dias juntamente à Rita Lee contava com a ajuda do baterista Dirceu nesse álbum, e ainda a mão mágica do maestro Rogério Duprat. Os Mutantes ainda vinha cheio de influências da MPB e do rock inglês, mas a originalidade das composições acabou assustando até mesmo os gringos algum tempo mais tarde. O disco influenciaria TODA uma geração de bandas brasileiras que viriam depois e abriria espaço para a excelente banda prog que os Mutantes iriam se tornar alguns anos mais tarde.

Ouça Os Mutantes aqui
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The United States of America - The United States of America


O grupo que leva o nome de toda uma nação acabou sendo uma banda de um disco só, se dissolvendo apenas alguns meses após o lançamento do mesmo, em março de 1968. Está nessa lista pois foi uma das primeiras bandas da geração psicodélica/progressiva a usar a eletrônica a seu favor. Quando falo de eletrônica não estou falando de música eletrônica, mas sim dos primeiros sintetizadores Moog (que chagavam a custar 20 mil dólares na época) e dos primeiros efeitos eletrônicos alcançados através de truques de estúdio. A banda foi também uma das primeiras a carregar o título de Art Rock, que mais tarde viria a ser uma grande influência no rock progressivo.

Ouça The United States Of America aqui.


Epílogo:
1968 foi o ano zero no marco chamado rock progressivo. Bandas lançaram os primeiros trabalhos com essa influência, e por causa disso centenas de outros grupos seriam formados e acabariam sendo os maiores nomes dentro do estilo, tudo por causa dos discos dessa lista, lançados nesse ano mágico.




Próximo passo: 1969

Por Diego Camargo, do Progshine

Boogarins divulga a inédita "Olhos" e o vídeo de "Resolvi Ir"

sexta-feira, dezembro 13, 2013
Embalados pela boa recepção do disco As Plantas Que Curam, os garotos do Boogarins apresentaram uma música inédita: "Olhos". Trata-se de uma versão acústica da canção, disponibilizada por meio de um vídeo que mostra os quatro integrantes tocando-a em um quintal.

Outra novidade em relação aos goianos é o vídeo para a faixa "Resolvi Ir", que também acabou não entrando no álbum de estreia, mas agora pode ser conferida a partir de imagens ao vivo.

 

Por Guilherme Gonçalves

Top 2013 Collectors Room: os melhores do ano na opinião de Fabiano Nicaretta

sexta-feira, dezembro 13, 2013
O nosso Hunter Thompson. Ou seria o Charles Bukowski da Collectors Room? A resposta é uma só: os dois, mas com uma dieta um pouco mais leve. Fabiano Nicaretta sabe que a música refleta a vida, e a vida não funciona sem música. Por isso, seus textos na coluna Tímpano refletem as suas experiências sonoras dentro dos seus dias, em um testemunho fiel que cativa pela sinceridade e transparência, causando a identificação instantânea.

Na sua lista de melhores do ano, Fabiano conta quais foram os dez discos que o acompanharam nos doze meses de 2013, indo de sons mais pesados até o outro lado, com canções contemplativas, mas sempre mantendo a alta qualidade. Confira!


Scorpion Child - Scorpion Child

Já começa pela capa. O hard com pitadas de Blind Mellon, Deep Purple e Black Crowes mostra que os caras não estão pra brincadeira. Destaque para “Liquor”, um hardzão arrasa-quarteirão que fez eu gastar uma nota pra ter o vinil.


Wayne Shorter Quartet - Without a Net

Wayne Shorter é uma lenda viva do jazz que já tocou com o Herbie Hancock, Art Blakey e muitos outros grandes. Without a Net, lançado pela Blue Note, é uma coletânea de canções gravadas ao vivo durante a turnê de 2011 pela Europa. Imperdível.  


Arctic Monkeys – AM

Os caras melhoram a cada novo disco, o que mostra que AM tem tudo para não ser a obra definitiva deles. Isso não invalida o fato de que este seja o mais bem sucedido da carreira de Alex Turner e companhia, e um dos melhores do ano.


Black Sabbath - 13

Morcegos me mordam, o Ozzy está vivo, passa bem e ainda canta! O mestre Iommi está como o vinho. E Geezer vaza graves pela caixa de som! E ainda tem o batera do Rage Against espancando viradas precisas!. Álbum mito de uma banda mais mito ainda!


Kadavar - Abra Kadavar

Não é só no futebol que os alemães estão matando a pau. Abra Kadavar supera o homônimo de 2012 e prova que os caras estão a mil, produzindo e tocando demais. Disco vigoroso, desfilando uma porrada de riffs e melodias que fazem o dedão do meu pé furar o sapato.


David Bowie - The Next Day

Fuck! Que coisa mais clichê dizer que o camaleão continua em forma. O cérebro oxigenado do homem não alivia. Um setlist que não faz feio quando comparado à sua discografia primorosa. Um discaço, pensado da capa ao acorde final.


Alice in Chains - The Devil Put Dinosaurs Here

O Alice In Chains não joga no meu time só pelo nome na camisa. The Devil Put Dinosaurs Here bate um bolão! Não ouvia nada tão bom desde o Cantrell e o seu Degradation Trip - um dos meus discos favoritos. O DNA tá todo ali: soturno, pesado, arrastado.


Mudhoney - Vanishing Point

Minha cara encheu de espinhas com “I Like It Small”, a melhor canção que eu ouvi em 2013. Desde “Suck You Dry” eu não corria para o espelho desse jeito. O álbum não cai em nenhum momento. E mais: destaque para o vídeo de “I Like It Small”, que é ducaralho!


The Strokes - Comedown Machine

Um dos trabalhos mais completos da carreira do Strokes é um aprofundamento na sonoridade oitentista já prenunciada em Angles, mas que aponta uma nova sonoridade que parece ser definitiva. Uma banda acima de média em um disco idem.


Laura Marling - Once I Was an Eagle

Folk, indie, pop, tudo junto, em tom introspectivo e com primor na instrumentação. Tudo isso alçado em uma voz maravilhosa, desfilando em 16 canções sublimes, uma obra-prima sem data de vencimento. “Take the Night Off” abre um álbum que precisa ser degustado com tempo.


Os melhores álbuns de 2013 na opinião do About.com

sexta-feira, dezembro 13, 2013
O excelente About.com Heavy Metal, comandado pelo crítico norte-americano Chad Bowar, revelou a sua lista com os melhores discos de 2013. A matéria original, com comentários sobre cada um dos títulos, pode ser lida aqui.

As escolhas de Bowar e sua turma trazem uma predominância de sons mais extremos, com álbuns que estão marcando presença em diversas listas de melhores do gênero publicadas até agora. No topo, o arregaço cometido pelo Carcass em 2013, Surgical Steel.

Abaixo, os 20 melhores discos do ano segundo o About.com Heavy Metal:

20 The Dillinger Escape Plan - One of Us is the Killer
19 Jucifer - There is No Land Beyond the Volga
18 Skeletonwitch - Serpents Unleashed
17 Noisem - Agony Defined
16 Immolation - Kingdom of Conspiracy
15 Oranssi Pazuzu - Velonielu
14 Nails - Abandon All Life
13 In Solitude - Sister
12 Windhand - Soma
11 Black Sabbath - 13
10 Clutch - Earth Rocker
9 Deafheaven - Sunbather
8 Cult of Luna - Vertikal
7 VHOL - VHOL
6 Batillus - Concrete Sustain
5 The Ocean - Pelagial
4 Darkthrone - The Underground Resistance
3 Inquisition - Obscure Verses for the Multiverse
2 Gorguts - Colored Sands
1 Carcass - Surgical Steel


Por Ricardo Seelig

Joey Jordison, baterista do Slipknot, anuncia saída da banda

sexta-feira, dezembro 13, 2013
Bomba pra começar o dia: o baterista Joey Jordison anunciou a sua saída do Slipknot. A notícia foi dada pela banda em um comunicado postado em seu site oficial. O motivo da decisão de Jordison não foi informado, mas é muito provável que ele tenha deixado o grupo para se dedicar exclusivamente ao seu novo projeto, o Scar the Martyr, que lançou o seu primeiro disco em 

Joey Jordison é um dos membros fundadores do Slipknot. E muito mais do que isso. O músico era considerado o líder do grupo, e era também um dos seus principais compositores. Além disso, seu modo de tocar bateria é uma das marcas registradas da banda norte-americana, uma das mais populares do cenário metálico.

Vale lembrar que o Slipknot está em estúdio gravando o seu novo disco, o primeiro desde a morte do baixista Paul Grey. Jim Root, guitarrista da banda e também do Stone Sour, deixou a turnê do projeto ao lado do vocalista Corey Taylor para se dedicar inteiramente ao novo álbum. Corey, no entanto, segue excursionando com o Stone Sour e ainda não deu as caras no estúdio. Mais problemas pela frente?

Para os fãs brasileiros, uma curiosidade: o último show de Joey Jordison com o Slipknot aconteceu no festival Monsters of Rock, que rolou em outubro em São Paulo.

O substituto de Joey deve ser anunciado em março. Até lá, apenas suposições.

Por Ricardo Seelig

12 de dez de 2013

Top 2013 Collectors Room: Bento Araújo, da poeira Zine e do Heavy Lero, revela os seus melhores do ano

quinta-feira, dezembro 12, 2013
Quando se fala de jornalismo rock no Brasil, Bento Araújo é uma unanimidade. Seja à frente da poeira Zine ou do Heavy Lero (que estreou este ano e onde divide o espaço com outra fera, Gastão Moreira), suas investidas são sempre certeiras. Arqueólogo e pesquisador musical que sabe muito bem dosar o mergulho no passado sem tirar o foco do novo, Bento sempre compõe listas interessantíssimas em suas participações nos nossos melhores do ano.

Em 2013, claro, não foi diferente, como você pode confirmar no top 10 abaixo.


Anjo Gabriel – Lucifer Rising
 

Segundo grande disco da banda pernambucana, com muita psicodelia, hard e prog. Obra conceitual, um único tema dividido nos dois lados do LP – tudo baseado no filme homônimo de Kenneth Anger. A arte gráfica também merece menção honrosa. Faz tempo que não pinta uma banda tão confiante e surpreendente no Brasil - ou melhor, no mundo.

Motorpsycho – Still Life With Eggplant

Este é o décimo-quinto trabalho dessa banda de Trondheim, Noruega. Chamar a música praticada pelo Motorpsycho de "psicodélica" é uma afronta, um injusto exercício de limitação perante a sonoridade livre do conjunto. “Ratcatcher” é a espinha dorsal deste álbum, e talvez a música mais impactante de 2013, até agora. Destaque também para a versão de “August”, do Love.


Cosmograf – The Man Left in Space

Robin Armstrong, a cabeça pensante por detrás do Cosmograf, continua sua missão: unir grandes melodias com execução caprichada, tudo debaixo de um tema conceitual. A missão espacial fracassada, aqui musicada, serve de fundo para um saboroso álbum, a ser degustado com atenção e numa tacada só, como nos velhos tempos.


Wolf People – Fain

O primeiro disco do Wolf People foi recebido com euforia e, com este segundo disco, não está sendo diferente. A jovem banda deixou Londres e foi morar no campo, onde criou Fain, repleto de referências ao folclore escocês, uma sacada do líder Jack Sharp, e ao Pink Floyd, como no hit “All Returns”, cujo clipe está bombando no You Tube. “Hesperus” é outra faixa bacana, com pitadas de Wishbone Ash.


The Geordie Approach – Inatween

Soundscapes abstratos e vibrantes. É isso o que propõe essa banda, que, apesar do nome sugerir que tivessem saído do norte da Inglaterra, são na verdade da Noruega. A colagem de sons acústicos e eletrônicos é febril e intensa, permeadas pela guitarra sempre inventiva de Chris Sharkey. Se você cansou da mesmice, ouça esse disco.


Peter Daltrey & The Asteroid #4 – The Journey
 

O protagonista aqui poderia ser somente mais um acomodado rocker dos 60’s, mas Daltrey se recusa a trilhar o caminho mais óbvio. Belezuras como “Pounding on the Door”, “Payment Day”, “Wishing Well” e “Holy” mostram que o ex-Kaleidoscope/Fairfield Parlour não poderia estar em melhor posição. Poesia + mellotrons = belo disco.

The Stepkids – Troubadour

Segundo álbum do trio norte-americano cuja especialidade é mesclar funk, soul e psicodelia. Autobiográfico e conceitual, Troubadour traça as aventuras e desventuras de um personagem na estrada, lidando com o music business atual. De “Memoirs of Grey” até “The Art of Forgetting”, o Stepkids parte numa jornada rumo a expansão de seus intuitos, que de modestos, não tem nada. 


Earthless - From the Ages

O power trio de San Diego está de volta depois de seis anos. É chavão dizer que a espera valeu a pena, mas isso é a mais pura verdade quando os primeiros riffs de “Violence of the Red Sea” ecoam dos falantes. Quatro longos temas, com a faixa título ultrapassando os 30 minutos e encerrando a sessão ultra-sônica de maneira apocalíptica. Mais uma arte gráfica épica de Alan Forbes.


Nik Turner - Space Gypsy

O ácido de hoje pode não ter nada daquele ácido dos sixties, mas alguns poucos septuagenários como o ex-Hawkwind Nik Turner continuam surtindo o mesmo efeito de antigamente. Seus sopros soam divindade sob a base lisérgica criada por convidados como Steve Hillage, Simon House e Nicky Garrett (UK Subs). “Time Crypt” e “Fallen Angel STS-51-L” são, literalmente, de decolar.


Seasick Steve - Hubcap Music

Faz apenas nove anos que Steve surgiu para o mundo do disco, via o programa de Jools Holland. Aos 72 anos de idade, lançou seis discos. É preciso tirar o atraso, e é essa exata sensação transmitida em Hubcap. Canjas de John Paul Jones, Jack White e Luther Dickinson ilustram ainda mais a trama country-blues. O velho ainda tem muito a provar e o melhor é que ele tem plena consciência disso.


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