27 de dez de 2013

Quais foram os melhores discos de 2013 na sua opinião?

sexta-feira, dezembro 27, 2013
Chegou a hora de você participar do nosso Top 2013 e contar pra todo mundo quais foram os melhores discos do ano na sua opinião.

Funciona assim: vá nos comentários deste post e poste a lista com os seus 10 discos favoritos de 2013. Você tem até o dia 10 de janeiro para publicar a sua lista. Após esse prazo, computaremos os votos e revelaremos quais foram os melhores discos de 2013 segundo os nossos leitores.

Participe agora mesmo, divulgue, convide seus amigos!

Até lá, um grande abraço e um feliz ano novo de toda a equipe da Collectors Room.

26 de dez de 2013

Whipstriker: crítica de Troopers of Mayhem (2013)

quinta-feira, dezembro 26, 2013

Victor Vasconcellos pode se gabar de estar envolvido em alguns dos principais atentados musicais oriundos do abundante cenário subterrâneo carioca. Aos 28 anos, traz no currículo o fato de encabeçar nomes como Farscape, Atomic Roar e Diabolic Force, expoentes daquilo que de melhor o Rio de Janeiro produz em termos de heavy metal desde a virada do século. Em 2006, também integrou o Toxic Holocaust na turnê brasileira do álbum Hell On Earth (2005). Ainda assim, não se deu por satisfeito e, para escoar o lado mais cru e cinzento de seu vasto leque de influências, arregimentou em 2008 um novo front de guerrilha: o Whipstriker.

A alcunha o acompanha desde os primórdios do Farscape, quando do lançamento da primeira e ainda ingênua demo: Doctrine Sickness (2001). Logo, nada mais natural do que batizar de Whipstriker o projeto que visa dar vazão a um som radical - de raiz, fundamental à origem de qualquer coisa - como o metalpunk encontrado em seus trabalhos a partir de então.

O primeiro foi Crude Rock'n'Roll (2010), um eficiente cartão de visitas que acabou sendo aclamado até nos bueiros mais obscuros da Europa. Tanto que rendeu turnê por países como Alemanha, Suécia, Itália, França, Noruega, República Tcheca, dentre outros. Após vários splits, alguns com gente como Iron Fist, Germ Bomb e Power From Hell, eis que saiu no fim de outubro Troopers of Mayhem, o segundo full lenght dessa one man band e o segundo trabalho de Victor no ano, já que em maio o Farscape havia soltado Primitive Blitzkrieg - leia aqui o review.

O disco foi lançado pela Kill Again Records, selo de Ceilândia, no Entorno de Brasília, e consolida uma certa mudança na sonoridade do Whipstriker em relação ao trabalho de estreia. Como o próprio nome escancara, o primeiro álbum apresentava um rock'n'roll rude, bruto e cru. Não porque precisava ser lapidado ou desenvolvido, mas pelo fato de o objetivo ser realmente ir ao encontro de influências primárias, desde os riffs secos do Motörhead até o tom sacana/sarcástico do Thin Lizzy, passando por toda urgência da NWOBHM e sua gritante contribuição melódica.

Troopers of Mayhem, por sua vez, busca um outro norte. Poderia até ser apontado como um disco de uma banda distinta não fosse o fato de termos ciência prévia de que trata-se do mesmo mentor, Victor Whipstriker, e de alguns aspectos que lhe são característicos, como o timbre vocal. Na prática, porém, é como se o novo álbum deixasse para trás boa parte do amálgama supracitado e, de forma deliberada, avançasse cronologicamente algumas casas, passando então a apostar todas as fichas que tem em vertentes ligeiramente posteriores, como a fase embrionária do speed metal, a veia pós-apocalíptica do d-beat/crust e tudo mais que vier diretamente do Venom.

Se, em síntese, o Whipstriker faz metalpunk, Crude Rock'n'Roll seria o lado punk, enquanto que Troopers of Mayhem ficaria com a porção metal dessa simples equação. Para comprová-la quase que matematicamente, basta observar as capas dos dois discos, nas quais fica mais do que nítida tal distinção. Outra forma rápida e objetiva de fazer essa identificação é por meio de "Troopers of Mayhem", faixa que abre, dá nome ao álbum e logo de cara mostra um som mais carregado e sombrio. O que era safado e puro sarcasmo virou agressividade e sujeira radioativa.

"We Came From the Wild Lands" transborda os ensinamentos de Cronos, Mantas e Abaddon, seja na guitarra ou na linha vocal. Mais Venom impossível, mas também sem abrir mão da pegada típica de bandas do underground brasileiro. Um hino do terceiro mundo. "Lucifer Set Me Free" lembra muito "Children of Three Eyes", do Atomic Roar, e talvez seja a mais bacana justamente por ir na contramão da velocidade pura e simples. Mais cadenciada, apresenta um peso descomunal e um dos melhores riffs do disco. O solo do meio também chama a atenção. "Genocide Now!" encerra a primeira metade do trabalho retomando o ritmo alucinante com dois minutos de proto death metal bem na linha do que o Hellkommander, também do Rio, faz com maestria. Semelhança que aumenta por conta da participação especial de Victor Poisonhell no vocal.

A segunda parte do álbum é um pouco menos inspirada, e o destaque fica com "Murder in VM Street", que no início coloca o pé no freio para só depois atacar com uma levada totalmente Discharge. Ótimo contraponto e que mostra a versatilidade dos irmãos Leo Witchcaptor e Pedro Skullcrusher, responsáveis pela gravação da guitarra e da bateria, respectivamente, e comparsas de Victor Whipstriker também em toda a trajetória do Farscape.

Troopers of Mayhem, porém, se encerra com "Backward Progress", cujo título esboça bem o paradoxo do 'progresso para trás' que paira ao término de cada audição. Não resta dúvida de que, da estreia para cá, o Whipstriker evoluiu, ganhou força e retornou com outro disco muito bom. No entanto, com uma proposta que não é mais tão singular quanto a oferecida em Crude Rock'n'Roll.

Antes, o som era selvagem e quase único. Acima da média ao se diferenciar do trivial. Agora, traz ótimas canções, mas está mergulhado em uma seara metalpunk onde encontra inúmeros pares semelhantes. Apesar de ter amadurecido, caiu em uma armadilha e se vê rodeado por várias bandas com apelo igual. De nomes antigos como Driller Killer e Inepsy a caras novas como Children of Technology, Speedwolf e Midnight. O desafio passa a ser achar uma maneira de se sobressair, ainda que com a mesma fórmula. Victor já mostrou conhecimento de causa para tanto.

Aguardemos os próximos capítulos.

Nota: 7,5


Faixas

1 Troopers of Mayhem 4:31
2 We Came From the Wild Lands 4:55
3 Lucifer Set Me Free 4:14
4 Genocide Now! 2:26
5 These Grey Days 3:59
6 Murder in VM Street 4:22
7 Streeptrap 2:52
8 Backward Progress 4:26

Por Guilherme Gonçalves

25 de dez de 2013

Dave Evans: crítica de Sinner (2006) e Judgement Day (2008)

quarta-feira, dezembro 25, 2013
O australiano Dave Evans é o vocalista original do AC/DC. Ele permaneceu na banda por aproximadamente um ano, sendo substituído por Bon Scott em outubro de 1974, período no qual participou da gravação do primeiro single do grupo. O resto é história, e o quinteto criado pelos irmãos Angus e Malcolm Young se transformou em um dos maiores nomes e em uma das mais perfeitas traduções do rock and roll. Já Evans não trilhou o mesmo caminho. Ainda na década de 1970 fez parte do Rabbit, com quem gravou dois discos apenas medianos - o debut batizado apenas com o nome da banda e Too Much Rock N Roll, ambos lançados em 1976. Depois foi para o Thunder Down Under na década de 1980, onde também não decolou, e mais recentemente lançou três discos solo. O segundo e o terceiro acabam de ser lançados no Brasil pela Hellion Records.

Sinner e Judgement Day são dois itens apenas curiosos, e muito provavelmente atrativos apenas para os fãs mais dedicados do AC/DC. Como era de se esperar, ambos trazem um hard xerocado da banda de Angus e Malcolm, soando como uma espécie de cover esforçado e nada além disso. As canções trazem as principais características do AC/DC e, em alguns momentos, chegam até a quase roubar passagens inteiras compostas pelos Young. 


Pessoalmente, não vejo motivo algum para discos como esses serem lançados no Brasil. São álbuns fracos, para dizer o mínimo, e que não sobrevivem à primeira audição. Entendo a curiosidade de quem quer conhecer a carreira de Dave Evans, mas, para esses, recomendo os LPs do Rabbit.

O chamado classic rock está sedimentado e possui um mercado próprio que já é alimentado pelas bandas que fizeram história na música, o que não é o caso do cidadão chamado Dave Evans. Enquanto gravadoras preferirem investir em coisas genéricas e de gosto duvidoso como esses dois discos em detrimento a dar espaço para novas bandas, mais limitado e saudosista ficará o mercado e a mente de quem acha que nada de bom é produzido atualmente.

Em suma, passe longe, vá ouvir os seus discos do AC/DC e não perca tempo com figuras como Dave Evans.

Nota 3

Por Ricardo Seelig

24 de dez de 2013

Deafheaven: crítica de Sunbather (2013)

terça-feira, dezembro 24, 2013


No dia 11 de junho de 2013, um certo disco com uma inusitada capa de tons róseos e apenas o nome do trabalho escrito com fonte que parecia tirada de uma revista de moda fisgou a atenção de praticamente todo o mundo musical. Sunbather, o segundo álbum do Deafheaven, formado pela dupla americana George Clarke e Kerry McCoy, imediatamente teve todos os holofotes apontados para ele, extrapolando qualquer barreira que ainda pudesse existir entre a restrita música extrema e o absurdo sucesso mainstream (ora essa, eles apareceram até no anúncio do iPhone 5C).

E não apenas isso, o álbum figurou como um dos principais destaques do ano nas mais diversas publicações, superando inclusive os trabalhos quase unanimes do Black Sabbath e do Carcass, por exemplo, e considerada uma das maiores obras-primas recentes em diversas críticas mundo afora. Então, uma questão permanece martelando na mente de muitos: é realmente tudo isso?

As primeiras notas de “Dream House”, que percorrem de forma desenfreada os minutos iniciais do álbum, apresentam de forma clara a sujeira resultante do híbrido entre o black metal e o post-rock. Apesar de a tendência puxar mais para o lado do primeiro, por conta da predominância da velocidade e da crueza dos timbres dos instrumentos, os incessantes blastbeats e as terríveis linhas vocais cuspidas de forma atônica, é inegável que há a criação de uma atmosfera riquíssima, com notável quebra de ritmo e interessante mudança de direcionamento em seu final, para algo mais contemplativo e perigosamente próximo ao shoegaze.

Na estrutura de Sunbather, as faixas mais longas são intercaladas por outras menores, como uma transição de pensamentos controversos na mente de uma pessoa com sérios distúrbios de personalidade. Mal cessa o caos de “Dream House”, a tranquilidade quase pastoral nos dedilhados de “Irresistible” remete a tempos mais simples e despreocupados, que são obliterados com a gélida introdução da faixa título, e talvez exatamente por isso, comecem a transparecer alguns pontos estranhos.

A música que dá nome ao álbum traz a mesma fórmula, alternando entre os momentos mais vomitados com outros de pura catatonia épica, de margens nebulosas, praticamente impossíveis de serem definidas. Os poucos descansos sonoros, quase esbarrando no rock progressivo também funcionam como minúsculos interlúdios em uma faixa que parece correr em volta do seu próprio eixo de forma cansativa (ok, talvez isso faça parte da proposta da banda – mas ainda assim determinadas passagens parecem estar ali sem nenhum propósito).

“Please Remember”, com seu crescendo de ruídos e interferências tipicamente utilizadas no post-rock atinge o seu ápice cacofônico até descambar para uma belíssima passagem acústica que precede “Vertigo”, a composição mais completa em Sunbather, aonde a dupla atinge o perfeito equilíbrio entre as suas diversas influências, com 14 minutos de mudanças de andamento devidamente encaixadas e em coerente desenvolvimento. Do hipnótico início árcade, que aos poucos recebe inserções de elementos mais desconexos até os mais agressivos momentos, “Vertigo” realmente cria uma experiência muito além da musical e finalmente torna-se possível visualizar um ambiente alvorar próximo às inusitadas cores da arte do trabalho.

Em seguida, chega a ser intrigante imaginar se as pregações em “Windows” não fazem referência ao Pink Floyd, unindo a transmissão com um incessante loop de sintetizador e piano, como se Waters e Wright, em uma realidade alternativa, fossem entusiastas de um som mais extremo. Devaneios a parte, “The Pecan Tree” mergulha de forma ainda mais profunda no black metal, de certo sentimento épico que flutua entre o Burzum e o Bathory em certos momentos, contando com um instrumental ainda mais saturado e estourado, irreconhecível quando as passagens etéreas aparecem de forma brusca e assustadora, criando mais uma vez o contraste entre as identidades conflitantes da banda, encerrando o álbum praticamente da mesma forma que começou.

Há qualidade em Sunbather. Principalmente pela inversão da equação que o Deafheaven faz, ao basear as músicas não em faixas extremas com toques atmosféricos, mas sim de ser uma banda de post-rock/shoegaze que utiliza elementos extremos para acentuar a sonoridade apocalíptica de sua criação e o conflito transparecido também nas letras. Analisando isoladamente, é um bom trabalho, de produção excessivamente suja em certos momentos e um vocal apático que tenta vociferar de forma agonizante algo que o estraçalha por dentro, mas acaba passando a mensagem apenas de forma monótona, apesar das inteligentes estruturas instrumentais e pela combinação já comentada.

Qual o motivo então de todo o hype em cima do álbum? Bandas como Fen e Alcest (e até mesmo o Burzum) já fizeram algo próximo em sua discografia, da mesma forma que outros ótimos lançamentos de 2013, dos grupos Capa, Altar of Plagues, Castevet, Gris e Vattnet Viskar (para citarmos alguns) podem não ter proposta exatamente igual, mas apresentam direcionamentos parecidos e não tiveram nem uma porcentagem do reconhecimento do Deafheaven. Não estamos falando que é injusto, apenas que soa um tanto quanto descabido.

O black metal manifestado em meio a outros estilos não é grande novidade, e tampouco aparece aqui em sua forma mais completa e coerente durante todo o trabalho. Então, quais seriam os motivos de toda a comoção causada? Teria atingido um público diferente, ainda ignorante em relação a tudo o que vem sendo lançado nos últimos anos? O trabalho visual e o conteúdo lírico confundiram as pessoas em um primeiro instante? Há necessidade de ter uma obra prima e enfiarmos esse veredito goela abaixo de todos, em uma tentativa de unir grupos inicialmente antagônicos? E quanto ao próximo álbum, daqui a alguns anos, terá recepção tão calorosa por aqueles que facilmente se cansam e descartam o novo de ontem como se fosse arcaico hoje? Muitas questões permanecem, e assim provavelmente continuarão durante algum tempo.

Em todo caso, como já dito: há qualidade em Sunbather. Também há beleza e elegância deitada ao lado da desordem e do desespero em um gramado ao nascer do sol. É um bom disco, e deve ser encarado musicalmente como tal. O reconhecimento pelo trabalho da banda é excelente, de fato, mas devemos ter em mente que não é a única bolacha no pacote.

Nota 7,5

Faixas:
1 Dream House
2 Irresistible
3 Sunbather
4 Please Remember
5 Vertigo
6 Windows
7 The Pecan Tree 

Por Rodrigo Carvalho

22 de dez de 2013

Crítica do livro Sete Pecados Capitais, de Corey Taylor

domingo, dezembro 22, 2013

Apesar de o subtítulo anunciar que trata-se de uma autobiografia, Sete Pecados Capitais, livro escrito por Corey Taylor, vocalista do Slipknot e do Stone Sour, está longe disso. O que temos em suas pouco mais de 200 páginas é uma espécie de manifesto, de modo de ver o mundo, a partir das opiniões e pontos de vista de um dos artistas mais emblemáticos do heavy metal.

Dono de um texto ácido, irônico e muito bem desenvolvido, Taylor usa os sete pecados capitais como palco para falar de momentos de sua vida, elaborar críticas à sociedade norte-americana e à sua geração. O que chama a atenção é a qualidade do texto de Corey, que revela-se um cronista inspirado em uma posição privilegiada, sentado no topo do mundo enquanto olha para trás e aponta o dedo para o seu passado e para as contradições e hipocrisias tão naturais aos Estados Unidos.

Quem espera encontrar em Sete Pecados Capitais a história da vida de Corey Taylor, a trajetória do Slipknot e a formação do Stone Sour, ficará frustrado. Não é disso que o livro trata. O único capítulo que pode ser considerado realmente autobiográfico é o sexto, intitulado Minha Waterloo, onde o vocalista relembra sua infância e adolescência. Os demais trazem trechos de memórias mesclados com raciocínios agressivos sobre a cultura, a sociedade e o american way of life.

Como literatura, Sete Pecados Capitais é uma espécie de diário de anotações de um Hunter Thompson mascarado e com tendências sociopatas, que página após página vai desnudando-se sem maiores princípios até revelar-se um personagem complexo e muito interessante, dono de uma mente sagaz e inquieta, faminta e sempre ativa. O texto de Taylor é muito bom, ele sabe como prender o leitor e mostra-se um narrador cheio de recursos. Corey consegue transportar a figura de frontman hipnótico mostrada no palco para as páginas do livro.

Ao terminar a leitura, fica claro que Corey Taylor é não apenas um sobrevivente, mas um dos artistas mais inteligentes e singulares do rock. Mordaz, dono de uma ironia ácida e certeira, o cantor revela em Sete Pecados Capitais o seu modo de ver as coisas, apresentando seus pontos de vista como se estivesse falando com uma gigantesca plateia em um show - o que não deixa de ser verdade, já que o livro vendeu horrores nos EUA, indo parar na prestigiada lista de mais vendidos do New York Times.

Ótimo lançamento da editora Best Seller aqui no Brasil, com tradução de Bruno Cassoti.

Por Ricardo Seelig

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