17 de jan de 2014

Playlist Collectors Room: metal recente

sexta-feira, janeiro 17, 2014
Você que acompanha a Collectors sabe que sempre fazemos questão de apresentar novas bandas para os nossos leitores, comprovando que a música de qualidade continua sendo produzida - apesar de muitas vezes não chegar aos ouvintes por uma série de fatores, que vão do espaço exagerado aos nomes clássicos até o crescimento desproporcional do chamado classic rock.

Seguindo mais uma vez esse direcionamento, montamos um playlist apenas com músicas de bandas de heavy metal lançados nos anos recentes. Tem para todos os gostos, de grupos veteranos até os mais novos e atuais. Ouça sem preconceito, descubra novas bandas e divirta-se!

Para ouvir, basta clicar aqui.

Por Ricardo Seelig

16 de jan de 2014

Avatarium: crítica de Avatarium (2013)

quinta-feira, janeiro 16, 2014

O Avatarium inicialmente foi idealizado como um projeto colaborativo entre Leif Edling e Mikael Akerfeldt, como algo para unir as suas influências primordiais. E apesar de o líder do Opeth ter sido forçado a deixar de lado a empreitada por conta da agenda de sua banda principal, o baixista do Candlemass resolveu não abandonar a ideia e convidou Marcus Jidell (ex-Evergrey), Lars Sköld (Tiamat) e Carl Westholm (que também já fez parte do próprio Candlemass) para seguir em frente. 

A entrada da vocalista Jennie-Ann Smith veio apenas um tempo depois, quando Edling percebeu que nenhum outro até então havia se encaixado na sonoridade que eles haviam proposto. E isso criou o grande diferencial da banda, apresentado em seu trabalho de estreia, auto-intitulado e lançado pela Nuclear Blast no último dia 1º de novembro.

A mórbida introdução de “Moonhorse” funciona como uma ponte entre diferentes realidades, até chegar a uma desolada paisagem cinzenta aonde a base acústica serve de pano de fundo para os versos de Jennie-Ann Smith, que com melodias simples, ao mesmo tempo assombrosas e hipnóticas, parecem carregá-lo cada vez mais fundo em meio às alucinações. A alternância entre riffs que prestam tributo ao clássico Sabbath Bloody Sabbath e momentos mais limpos torna a viagem ainda mais abissal, de forma que “Pandora’s Egg” parece estar ainda mais dentro do pandemônio, um heavy metal com sombrias tendências doom, que poderia ter sido descoberto em um porão abandonado desde a década de oitenta.

Em seguida, porém, um tom espacial cria algo único ao ser combinado com o arrastado ritmo de “Avatarium”, em um transe que atinge proporções cósmicas ao longo dos oito minutos do que poderia ser classificado (ainda que superficialmente) como uma espécie de space doom. “Boneflower”, por outro lado, não se resume apenas ao título sensacional, bebendo de forma insaciável na fonte do Coven, referência mais do que inevitável neste trabalho, e mesmo destoando ligeiramente do restante das composições graças à sua esfumaçada aura setentista, atinge resultados mais do que belíssimos.

Por falar em belíssimos, aquela contemplação tipicamente escandinava de “Bird Of Prey” remete aos mais inspirados momentos de tranqüilidade do Opeth, fazendo com que a faixa se revele um tipo de balada dos mais simples em questão de estrutura, mas carregadíssima de sutis e importantíssimos detalhes. O inesperado final de “Bird of Prey” abre a passagem para “Tides of Telepathy”, que não apenas é uma das passagens mais sombrias no álbum, como pode rivalizar facilmente com o mais fantasmagórico do legado do próprio Candlemass, facilmente transportando para o interior de uma embolorada e há muito esquecida catacumba. A imagem se esvai lentamente, com “Lady in the Lamp” elevando ainda mais a sensação hipnótica, aonde a serenidade como é conduzida se assemelha a alguém contando uma velha lenda em uma noite gelada, até o momento em que o sono chega e ela se encerra.

Avatarium não é um mero disco de estreia de um novo projeto de alguns dos mais respeitados músicos do heavy metal sueco. Ele se assemelha a uma coleção de contos, dentro de um mesmo livro – ou talvez dentro de um mesmo universo tomado pelo musgo e pela neblina –, proporcionando uma experiência de imersão que não pode ser definida de outra forma que não fantástica.

Analisando musicalmente, é evidente que as raízes do doom metal de Leif Edling ditam praticamente todas as passagens mais pesadas, como já é feito tradicionalmente no Candlemass. Porém (e vejam bem, isso é o mais importante), há uma série de inserções que vão desde linhas de teclado trabalhando com múltiplos timbres até inesperadas combinações com a expressão mais tradicional do estilo e o psicodélico setentista, sempre caminhando lado a lado com a interpretação de Smith, possivelmente a grande responsável por unir os diversificados elementos que compõe o som do grupo, trazidos pelas diferentes origens de cada músico envolvido no projeto.

O Candlemass vive um período de indefinição, e apesar de um trabalho novo com Mats Levén ser muito bem vindo, a realidade é que não seria de forma alguma pesaroso se o Avatarium passasse a ser prioridade.

Nota 9,5

Faixas:
1 Moonhorse
2 Pandora’s Egg
3 Avatarium
4 Boneflower
5 Bird of Prey
6 Tides of Telepathy
7 Lady in the Lamp

Por Rodrigo Carvalho

Novas Bandas Brasileiras - Parte 2

quinta-feira, janeiro 16, 2014
Dando sequência ao post anterior e aproveitando as valiosas colaborações dos leitores, listamos mais quinze bandas legais brasileiras que vale a pena dar uma conferida.

Mais uma vez, tem gente de todos os cantos do país e seguindo os mais variados caminhos dentro do rock. Alguns já são veteranos, enquanto outros estão na estrada há pouco tempo. E funciona da mesma forma que antes: um clipe para você conhecer o som, e, se curtir, o resto é com você, indo atrás de mais músicas e material.

Envie sugestões para os próximos posts nos comentários, please.

Aí embaixo tem Gustavo Telles & Os Escolhidos, The Muddy Brothers, Hellbenders, Humanish, Quarto Astral, The Galo Power, A Fantástica Maddame, Selvagens à Procura da Lei, Cassino Supernova, Nick Lera, O Terno, Nevilton, Cascadura e Vespas Mandarinas.

Aumenta!


Por Ricardo Seelig

Biografias de James Hetfield e Cliff Burton serão lançadas no Brasil

quinta-feira, janeiro 16, 2014
Boa notícia para os fãs do Metallica e de heavy metal de modo geral: as biografias de James Hetfield e Cliff Burton serão lançadas no Brasil durante o ano de 2014. Ambas tiveram os seus direitos adquiridos pela Editora Gutenberg, que lançou recentemente a bio de Bruce Dickinson intitulada Os Altos Voos com o Iron Maiden e o Voo Solo de um dos Maiores Músicos do Heavy Metal.

O livro sobre Hetfield foi escrito por Mark Eglinton e saiu nos Estados Unidos em 2010. A obra conta com 256 páginas, tem o título original de The Wolf At Metallica’s Door e conta toda a história da vida de um dos maiores ícones do heavy metal. Já a biografia sobre Burton foi escrita por Joel McIver, autor de diversos livros sobre artistas de metal, e chegou às livrarias norte-americanas em 2009. A obra tem 272 páginas e o título original de To Live is to Die: The Life and Death of Metallica’s Cliff Burton.

A biografia de Hetfield será lançada ainda no primeiro semestre, enquanto a de Burton apenas no segundo. As capas originais de ambas estão reproduzidas abaixo.

 

Por Ricardo Seelig

Mustasch: crítica de Thank You for the Demon (2014)

quinta-feira, janeiro 16, 2014
Formada em 1998, a banda sueca Mustasch acaba de lançar o seu sétimo disco. Thank You for the Demon é o sucessor de Sounds Like Hell, Looks Like Heaven (2012) e traz o quarteto formado por Ralf Gyllenhammar (vocal e guitarra), David Johannesson (guitarra), Mats Johansson (baixo) e Jejo Perkovic (bateria) em um momento bastante inspirado.

As nove faixas apresentam um hard rock com algumas pitadas de metal em certas passagens, tudo embalado com muita melodia e criatividade. Os quase 37 minutos de duração do disco são um deleite para quem gosta de boa música.

Há uma pequena estética dos anos setenta nas composições, mas ela não é predominante. Percebem-se influências de nomes como Black Sabbath, Thin Lizzy, Danko Jones e até algo de soft rock no trabalho, reminiscências que formam a identidade original e cativante do Mustasch. O contraste entre a voz limpa e o instrumental levemente áspero - cujo principal destaque são as guitarras faiscantes - forma um conjunto interessante, que leva o ouvinte por canções grudentas e empolgantes.

Se em alguns momentos sentimos o hard predominar, como é o caso de “Feared and Hated” e na bela faixa-título, em outros o peso toma a dianteira e aproxima o som do heavy metal, como em “From Euphoria to Dystopia”, Lowlife Highlights” e na sabática “The Mauler”. O Mustasch ainda insere batidas dançantes em composições como “Borderline” e “I Hate to Dance”, essa última uma verdadeira pérola pop metal.

Dona de grande sensibilidade, a banda recheia o disco com passagens carismáticas e calmas, pontuadas por um bem encaixado piano e instrumentos acústicos. O ápice dessa característica ocorre na belíssima “All My Life” - que inicia calma e explode em um hard capaz de levantar qualquer um - e em “Don’t Want to Be Who I Am”, que encerra o play.

O resultado final é um álbum muito agradável de se ouvir, com composições fortes e cativantes. Thank You for the Demon é, provavelmente, o melhor disco da carreira destes suecos, e tem potencial para tornar a banda mais conhecida fora de seu país.

Altamente recomendável, experimente!

Nota 8

Faixas:
1 Feared and Hated
2 Thank You for the Demon
3 From Euphoria to Dystopia
4 The Mauler
5 Borderline
6 All My Life
7 Lowlife Highlights
8 I Hate to Dance
9 Don’t Want to Be Who I Am

Por Ricardo Seelig

15 de jan de 2014

As bandas clássicas e veteranas ainda podem nos entregar álbuns condizentes com as suas histórias?

quarta-feira, janeiro 15, 2014
O brasileiro adora metal clássico. O pessoal aqui gosta de rock antigo, produzido há décadas atrás. Idolatra sempre as mesmas bandas, sempre os mesmos discos, olhando com um preconceito enorme para tudo que é considerado “novo” - entre parênteses mesmo, já que esse rótulo enquadra bandas com quase duas décadas de vida, como o Slipknot, por exemplo, um dos maiores nomes da história do metal e que por aqui é visto por desconfiança ainda devido às suas inovações e experimentos sonoros, a ponto de alguns questionarem a classificação da banda como heavy metal.

Esse cenário é comprovado pela mídia especializada que cobre o hard rock e o metal aqui no nosso não tão justo país tropical. Basta dar uma olhada nas bandas mais acessadas do Whiplash, maior site brasileiro dedicado ao gênero, para ver como os fãs de som pesado olham pelo retrovisor e, raramente, para frente. Ao mesmo tempo, uma cena efervescente transborda com grupos atuais e no auge de sua criatividade, que passam praticamente batidas pela maioria dos leitores de sites e revistas nacionais. Nomes que são idolatrados lá fora, como o Mastodon, por exemplo, e que por aqui não conquistaram um público ainda maior em grande parte pelo fato deste público não fazer nem ideia que a banda existe, ou, os que sabem, ficarem com um pé atrás sem ao menos ouvir a sua música. É nesse aspecto que o papel da imprensa especializada é fundamental, levando ao conhecimento dos fãs trabalhos diferenciados e que merecem ser conhecidos, o que, com raríssimas exceções, não acontece no nosso mercado dominado por sites e revistas com linhas editoriais antiquadas.

Tendo tudo isso em mente, vale a pena pensar se as bandas clássicas do hard e do metal ainda estão produzindo material que condiz com as suas histórias. Ou, sendo mais direto: os veteranos ainda tem combustível para queimar? Para tentar responder essas perguntas, analisamos abaixo como andam as carreiras de vinte dos maiores nomes da música que tanto amamos. Levamos em conta somente os discos com músicas inéditas lançados pelas bandas nos últimos anos, e, em cima do que nos foi entregue nesses trabalhos, chegamos a conclusões sobre cada um dos casos. Vamos a eles:


O culto à bandas como os Beatles e o Led Zeppelin é perfeitamente compreensivo. Apesar de não estarem mais na ativa há décadas, ambas fazem parte da vida de milhões de pessoas. E mais: são portas de entrada para as novas gerações conhecerem o universo do rock. O que incomoda é o fato de, em pleno 2014, ainda termos indivíduos insistindo em uma reunião do grupo. Isso nunca irá acontecer, e a razão fica clara ao ler qualquer livro mais aprofundado sobre a história do quarteto, como o fenomenal Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra, escrito por Mick Wall. Robert Plant é contra, e assim será até o fim dos tempos. E, enquanto os saudosistas dispensam energia sonhando com isso, Plant grava um álbum melhor que o outro nos últimos anos. Page, por sua vez, é o próprio Led Zeppelin em pessoa, e segue fuçando no arquivo da banda. Em 2014 o grupo voltará ao noticiário com o relançamento de toda a sua discografia, que, segundo Page, conterá com muito material inédito. O fato é que o Led Zeppelin não teve tempo para gravar algo que maculasse a sua quase perfeita discografia. Quando dava sinais que desceria ladeira abaixo com o mediano In Through the Out Door (1979), encerrou as suas atividade devido à morte do baterista John Bonham. Desde então, periodicamente itens inéditos e especiais do grupo chegam às lojas, saciando momentaneamente o apetite de sua imensa legião de fãs.


Após quase duas décadas gravando discos, no máximo, simpáticos, o Deep Purple retomou o rumo em 2013 com o surpreendente Now What?!, seu melhor trabalho desde Purpendicular, de 1996. Com integrantes beirando os setenta anos e renovado pelos “jovens” Steve Morse e Don Airey, o Purple segue na estrada porque a música é vital não apenas para os seus fãs, mas, sobretudo, para o trio Ian Gillan, Roger Glover e Ian Paice. Se pararem, a razão de suas existências se extinguirá. É a banda que os mantém vivos e ativos, mental e fisicamente. O que não dá para entender é pessoas que cobram que o grupo grave, em pleno século XXI, trabalhos à altura de clássicos como Machine Head, In Rock e Burn. Isso não acontecerá, por mais difícil que seja colocar essa verdade na cabeça dos mais fanáticos. Mantendo-se no ótimo nível que alcançaram com Now What?!, o Purple ainda se mostra capaz de oferecer grandes momentos musicais para os seus admiradores.


Após 35 anos de espera, o Black Sabbath finalmente gravou um novo disco com Ozzy. 13 surpreendeu por mostrar a banda além da expectativa, com um álbum excelente e que fez jus à clássica discografia do grupo, soando superior até mesmo a trabalhos medianos lançados durante a década de 1970 como Technical Ecstasy (1976) e Never Say Die! (1978). Depois disso, tudo que vier será lucro. Pelos sinais emitidos, é muito provável que 13 tenha sido o último álbum de estúdio do Black Sabbath, fechando a sua influente carreira. E foi um encerramento em alto nível.


O Kiss atravessou diversas fases em seus quarenta anos de vida. Foi hard seminal nos anos 1970, flertou com o pop e a disco, virou glam na década de 1980 e ensaiou uma volta às origens nos anos 1990, concretizada, pelos menos musicalmente, somente em seus dois últimos discos. Tanto Sonic Boom (2009) quanto Monster (2013) trouxeram a banda de volta ao hard rock básico, simples e sem firulas, calcado em melodias fortes e refrãos grudentos. O bom momento atravessado pela atual formação aponta para mais alguns anos de diversão para quem curte rock. Só nos resta torcer para que a indicação ao Rock and Roll Hall of Fame não dê combustível para um novo retorno de Ace Frehley e Peter Criss. Isso seria o pior que poderia acontecer a essa altura do campeonato para a banda, vide o ótimo nível de seus dois últimos discos.


O AC/DC está repousando em berço esplêndido desde 1995, saindo da toca apenas para intervenções certeiras de tempos em tempos. Tanto Stiff Upper Lip (2000) quanto Black Ice (2008) foram álbuns excelentes, que mostraram que a banda dos irmãos Young ainda é capaz de se manter no alto nível de seus tempos áureos. A julgar pelo longo intervalo entre cada novo disco, é de se esperar que o próximo, se algum dia sair, mantenha a qualidade lá em cima. Vamos ligar os amplificadores novamente, Angus?


O Judas Priest vive apenas de turnês nos anos recentes. A saída do guitarrista original K.K. Downing, substituído por Richie Faulkner, parece ter renovado a banda, e é a esperança para que o grupo saia da fase sem inspiração que vive desde o retorno de Rob Halford, em 2003. Os dois discos gravados desde então, o mediano Angel of Retribution (2005) e o megalomaníaco e fraquíssimo Nostradamus (2008) fazem com que todos os prognósticos apontem para as piores expectativas, apesar da eterna esperança dos fãs. O próximo álbum está sendo gravado neste momento, e se repetir o que a banda mostrou em seus dois últimos discos, será a prova irrefutável de que o Judas não tem mais nada de relevante a entregar para os seus admiradores.


Dizem que Ramones, AC/DC e Motörhead gravam sempre os mesmos discos. Não há problema algum nisso, desde que tais álbuns sejam bons. E a banda de Lemmy se mostrou afiadíssima em seus dois últimos trabalhos, The Wörld is Yours (2010) e Aftershock (2013). Com o veterano vocalista e baixista bigodudo dobrando o cabo da boa esperança devido a problemas de saúde cada vez mais graves e frequentes, cada novo álbum do Motörhead pode ser o último. Talvez por isso, a banda tem se mostrado mais visceral do que o costume em suas gravações recentes. Lemmy já declarou que gostaria de morrer no palco. Seus problemas cardíacos não combinam com a extenuante turnê que a banda programou, com 18 shows entre o início de fevereiro e meados de março. Não brinque com fogo, Lemmy ...


Aqui temos um caso exemplar de como a demanda de mercado pelo chamado classic rock pode redefinir a carreira da uma banda. Após mais de 20 anos de brigas com David Lee Roth, o Van Halen voltou à ativa em 2012 com A Different Kind of Truth, seu primeiro álbum com canções inéditas em 14 anos. Apesar de que o termo “inéditas” não se aplica muito bem à maioria das faixas do disco, já que metade eram composições antigas retrabalhadas e apresentadas para o público após décadas de sua criação. O Van Halen explora com precisão o saudosismo de seu público, tocando exaustivamente nos Estados Unidos e não fazendo a menor questão de sair do país. Enquanto isso, devido à boa aceitação de ADKOT, deve seguir a mesma receita nos álbuns que, espera-se, lance nos próximos anos.


O que acontece com o Iron Maiden é um caso a ser estudado. Os últimos discos da veterana banda inglesa, principalmente The Final Frontier (2010), mostram o grupo seguindo e experimentando novos caminhos sonoros. Mas, é claro, essa atitude não foi bem aceita por uma parcela dos fãs e jornalistas brasileiros, que parecem esperar que a banda grave um novo The Number of the Beast a essa altura do campeonato. The Final Frontier foi aclamado na Europa, enquanto aqui no Brasil, salvo raras exceções, levou pedradas de todos os lados. Apesar disso, é inegável que o Maiden mantém-se ativo e criativo nos últimos anos, deixando o lado clássico em suas turnês e investindo no novo em seus discos, e deve continuar provocando seus admiradores com trabalhos surpreendentes - para descontentamento da maioria deles, diga-se de passagem.


A carreira solo de Ozzy sempre primou pela inovação e pelo desejo de sair do lugar comum. Porém, o Madman parecia ter perdido a mão nos últimos anos. A saída do guitarrista Zakk Wylde e a entrada do prodígio Gus G. em sua banda solo renovou o apetite do vocalista, que lançou em 2010 um dos seus melhores álbuns, o ótimo Scream. Com todo o gigantismo que envolveu o retorno do Black Sabbath e a indefinição sobre o futuro da banda, ainda não se sabe quando Ozzy retomará a sua carreira solo. Mas o que se espera é que, mais uma vez, o Príncipe das Trevas mostre que está atualizado com o que anda acontecendo no cenário musical.


Saudado com críticas positivas, Sacrifice (2013) conseguiu apagar a má impressão deixada por Call to Arms (2011). Os veteranos da NWOBHM vem de uma boa fase, gravando discos consistentes nos últimos anos. Por isso, soa estranho o lançamento do projeto Unplugged and Strung Up, que relê sons clássicos do grupo. Olhar para trás em detrimento de focar os olhos no presente é sempre prejudicial. Torcemos para que essa decisão não reflita no bom momento vivido pelo Saxon.


O que acontece com o Accept é atípico. Desde que retornou à ativa com o vocalista Mark Tornillo em 2009, a banda alemã lançou dois dos melhores discos de sua longa carreira - Blood of the Nations (2010) e Stalingrad (2012). O momento mágico vivido pelo grupo tem tudo para durar um longo período, visto que agora estão livres das rusgas com o baixinho invocado Udo Dirkschneider. Renovado, o Accept teve um novo começo com Tornillo, e parece estar disposto a tirar o melhor dessa situação.


O desastre de St. Anger (2003) refletiu de maneira pesada sobre o Metallica. A banda se manteve afastada dos estúdios durante cinco anos, período em que os sempre astutos Lars Ulrich e James Hetfield entenderam que deveriam focar seus shows nos discos clássicos lançados durante a década de 1980 e o best seller álbum preto. Esse direcionamento foi aplicado em Death Magnetic, lançado em 2008 e que foi saudado pelos sedentos e saudosistas fãs como uma volta ao passado. Competente, o disco mostrou ao Metallica um novo caminho mercadológico, que deve ser seguindo nos próximos anos com a criação de novas fórmulas para vender o mesmo produto, como o tão falado show ocorrido na Antártida. Até porque, ao investir mais uma vez em sua inquietude e sede criativa no belo Lulu, gravado ao lado de Lou Reed, a banda foi execrada pelos fãs, em uma prova concreta de que a maioria dos admiradores do quarteto quer mais do mesmo eternamente.


O Slayer sofreu dois duros baques em 2013. Primeiro, perdeu o baterista Dave Lombardo em uma lavagem pública de roupa suja. Depois, a morte do guitarrista Jeff Hanneman encerrou a trajetória do principal compositor do grupo. Seus substitutos, Gary Holt e Paul Bostaph, por mais competentes que sejam, trazem uma mudança na mecânica da banda que será refletida no novo álbum do quarteto, ainda sem data para ser lançado. Os dois últimos discos do Slayer foram bastante celebrados pelos fãs. Christ Illusion (2006) olhou para o maior clássico do grupo, Reign in Blood (1986), e partiu dele para construir grandes canções. E World Painted Blood (2009), mesmo não repetindo a boa performance do álbum anterior, foi um trabalho convincente. Não sei o que esperar deste novo Slayer no estúdio, então aqui o caso é pagar para ver.


O Anthrax possui uma das trajetórias mais erráticas da história do metal. Era para a banda ser enorme, popular ao extremo - afinal, suas excelentes canções praticamente suplicam por isso -, mas as inúmeras e muitas vezes equivocadas mudanças de formação derrubaram tudo o que estava sendo construído, fazendo o grupo recomeçar várias vezes. A última aconteceu em 2011 com o lançamento de Worship Music, álbum que marcou o retorno do vocalista Joey Belladonna e foi muito bem recebido tanto pela crítica quanto pelos fãs. A boa fase tinha tudo para ser mantida, mas os recentes problemas pessoais do baterista Charlie Benante e a saída do guitarrista e produtor Rob Caggiano (que foi para o Volbeat), substituído por Jon Donais, do Shadows Fall, abalaram um pouco as estruturas. O lançamento do morno EP de covers Anthems (2013), que surpreendentemente alcançou um resultado muito inferior a Worship Music, deixou todo mundo com a pulga atrás da orelha. Resta esperar e torcer para que a banda retorne com força total em seu novo disco, ainda sem data de lançamento definida.


Dave Mustaine é um dos maiores compositores e músicos da história do metal. Sua banda, o Megadeth, vinha de bons discos com a dobradinha Endgame (2009) e Thirteen (2011), mas cometeu em 2013 um dos seus piores álbuns, o vexatório Super Collider. Por essa razão, é puro exercício de adivinhação tentar prever qual será o próximo passo do grupo. Mustaine, cabeça-dura como sempre foi, pode querer insistir na sonoridade do último disco e lançar mais um trabalho na mesma linha. Ou, como já fez inúmeras vezes, pode se renovar e voltar com um dos melhores discos do grupo. Façam suas apostas!


Sério que alguém ainda espera alguma coisa do Guns N’ Roses? Os últimos trabalhos dignos de nota da banda - a dupla Use Your Illusion - foram lançados há 23 anos. Em pouco mais de duas décadas dá para uma pessoa nascer, crescer, conhecer o amor de sua vida, ter filhos e fazer um monte de coisas. O Guns, no entanto, desafiou o tempo e não produziu nada digno de nota durante todo esse período. E, a julgar pela alta demanda de público para os shows do grupo, exemplificado pela histeria provocada pelo anúncio da turnê brasileira nos próximos meses, seguirá nesse marasmo por longos anos. Afinal, pra que entrar em estúdio se os fãs se contentam em ouvir versões requentadas das mesmas músicas?


Sem a disputa criativa com Max Cavalera, Andreas Kisser tomou as rédeas do Sepultura e conduziu a banda por caminhos sonoros intrigantes nos últimos anos. Um dos maiores e mais criativos músicos da história do metal, Kisser é a mente criativa por trás de ótimos discos como Dante XXI (2006), Kairos (2011) e The Mediator ... (2013). Enquanto os fãs choram sem sentido pelas mudanças ocorridas em 1996 - há quase 20 anos, já está na hora de superar as mudanças, né não? - e o próprio Max se mostra incapaz de se desapegar da banda (apesar dos bons trabalhos que lançou com o Soulfly, notadamente Enslaved, de 2012), o Sepultura segue inovando e soando surpreendente a cada ano. Um caso clássico de uma banda que faz muito bem em ignorar uma considerável parcela de seus fãs e acreditar em seus próprios instintos criativos.


O Helloween foi o responsável maior pelo nascimento de um dos gêneros mais populares da música pesada, o power metal. O nome da banda está gravado na história através de clássicos como os Keepers lançados na década de 1980. No entanto, refletindo a estagnação vivida pelo power, a banda também passou por momentos de pouca inspiração nos anos recentes. A eterna briga das viúvas de Michael Kiske com seu substituto Andi Deris não faz sentido algum, já que Deris está no grupo há mais de vinte anos - já passou da hora de superar isso, não meninos? Tentando se reinventar criativamente, o Helloween lançou o ótimo The Dark Ride em 2000, mas não seguiu investindo na intrigante sonoridade sombria apresentada no álbum. Ao invés disso retomou o cansativo “happy happy Helloween”, caminho que se mostra obstruído há anos. Por mais que os discos recentes do grupo apresentem bons momentos - como é o caso de Straight Out of Hell, de 2013 -, a banda vive uma fase bastante inferior ao que produziu em sua carreira.


Os alemães do Blind Guardian pariram uma das sonoridades mais originais e apaixonantes do metal em álbuns hoje clássicos como Imaginations from the Other Side (1995) e Nightfall in Middle-Earth (1998), trabalhos fenomenais que entregaram a trilha-sonora perfeita para as histórias criadas por J.R. Tolkien. A banda mostrou força para se renovar em A Night at the Opera (2002), mas essa faísca criativa foi ficando mais fraca nos discos subsequentes, A Twist in the Myth (2006) e At the Edge of Time (2010), que, apesar de bons, apresentaram alguns momentos bem cansativos. Após quatro anos de silêncio o grupo lançará o seu novo álbum este ano, e espera-se que a pausa tenha feito bem para o quarteto.


Protagonista de uma das mudanças de formação mais traumáticas dos últimos anos, o Dream Theater perdeu o seu líder, fundador, porta-voz e um dos principais compositores, o baterista Mike Portnoy, em 2010. Enquanto Mike se reinventou em bandas como o Flying Colors, Adrenaline Mob e The Winery Dogs, o gigante do metal progressivo aos poucos vai retomando a força. A Dramatic Turn of Events (2011) mostrou que havia vida sem Portnoy, enquanto o auto-intitulado álbum lançado em 2013 é uma afirmação da força da atual formação, que conta com o extremamente técnico (porém pouco criativo) Mike Mangini no lugar de Portnoy. Ainda dá um caldo, mas é bom ficar atento nos próximos anos.

A conclusão de tudo isso é que as bandas clássicas não ostentam esse título à toa. Tudo o que fazem chama a atenção, afinal a sua música está no alicerce de tudo o que se faz no heavy metal. No entanto, enquanto algumas ainda se desafiam criativamente - casos de Iron Maiden, Accept e Sepultura -, outras estão em um preocupante motor no automático - como o Metallica, Van Halen e Slayer. E, claro, há os casos em que a aposentadoria cresce como uma sombra inevitável, que é o que encontramos no Megadeth, Helloween e, principalmente, Judas Priest.

É preciso sempre ouvir os maiores nomes de um determinado gênero musical. A razão é óbvia: suas carreiras apresentam inegável qualidade e se desenvolvem por caminhos que se tornam referência para os demais. Por isso continuamos a escutar os novos trabalhos do Maiden, do Sabbath, do Purple: porque queremos saber o que nossos heróis estão fazendo e como estão soando. No entanto, é preciso também encontrar um espaço nos seus ouvidos para o que está acontecendo agora, neste instante, em todo o planeta. As listas de melhores do ano que publicamos recentemente são um ótimo caminho para sacar o que está rolando, pois estão recheadas de bandas que são poucos divulgadas aqui no Brasil.

O excesso, seja para um lado ou para o outro, nunca faz bem. Equilibre o seu cardápio musical com o clássico e o atual, e você alimentará de maneira saudável o seu paladar.

Conte com a gente para colocar ainda mais sons novos no pedaço. Esse é o nosso principal objetivo durante todo 2014.

Por Ricardo Seelig

14 de jan de 2014

Entrevista com o colecionador Tiago Marion

terça-feira, janeiro 14, 2014
De onde você é e com o que você trabalha, Tiago?

Olá ! Meu nome é Tiago Marion Camargo, tenho 31 anos e sou formado em Administração de Empresas pela PUC-SP. Já faz quase 10 anos que trabalho como Gerente de Projetos para grandes empresas de Engenharia Elétrica. Sou casado e tenho uma linda filha de 1 ano.

Minha cidade natal é Osasco na Grande São Paulo, mas há alguns anos atrás fiquei cansado da violência de São Paulo e decidi me mudar para o Canadá. Vim para cá em 2010, então faz um pouco mais de 3 anos que eu moro em Oakville, uma cidade ao lado de Toronto (cidade natal do Rush!). Mas sinto bastante saudades do Brasil e dos fãs de hard rock e heavy metal de São Paulo.


Qual é a sua primeira lembrança musical?


Acho que foi através da minha mãe que adora música, e gosta bastante de alguns conjuntos de rock mais comportado dos anos 60 e 70. Lembro da minha mãe em meados dos anos 80 cantando músicas dos Beatles, Creedence, Alice Cooper e também alguns conjuntos de rock nacional.

Meu pai também adora música, mas ele tem um gosto diferente do meu. O repertório dele é totalmente baseado na rádio paulistana Antena 1. Eu tiro o maior sarro dele chamando-o de tiozão por causa disso!

Mas o mais interessante é que meus pais se conheceram no ano de 1980 em um show de uma banda cover dos Beatles, o famoso Comitatus, que existe até hoje. Ou seja, não tinha como eu não gostar de música e ser um Beatlemaníaco.


Lembra quando começou a se interessar pela música e pelos discos?

Sim. Em 1991 minha tia (irmã de minha mãe) se casou com o cara mais legal do mundo, meu tio Mário Sérgio. Esse meu novo tio não apenas colecionava revistas em quadrinhos mas também é um dos maiores roqueiros do Brasil, com uma coleção que atualmente conta com uns 3.000 CDs e por volta de uns 1.000 DVDs. Sem contar os shows que ele assiste desde os anos 70.

Ele começou então a me gravar fitas K7 com músicas do Iron Maiden, Black Sabbath, Van Halen, Ramones, Guns N’ Roses e outras bandas que estavam fazendo sucesso no início dos anos 90. Eu devo ter escutado essas fitas até quase rasgar as mesmas! A partir daí eu só queria saber de rock and roll, principalmente heavy metal e hard rock. E, honestamente, sou assim até hoje.

O fato do meu tio gostar de rock me ajudou MUITO a ir em diversos shows, pois enquanto meus amigos sofriam em pedir permissão aos seus responsáveis para ir aos mesmos, os meus pais nem se preocupavam pois eu estava na compania do meu tio. Foi assim que assisti Robert Plant e Jimmy Page, Deep Purple, Rolling Stones, etc. Eu devo muito a ele.


Qual foi o primeiro disco que você comprou?


Foi o Piece of Mind  do Iron Maiden em 1991, quando tinha 9 anos. Comprei no Carrefour do Shopping Tamboré e na época achei demais pensar em uma banda comendo um cérebro! Esse disco atualmente está autografado por Bruce Dickinson. 

E o último?

Foi o Live at BBC Vol 2 dos Beatles e o Live in Moscow do Uriah Heep, que ainda estava faltando na minha coleção. O dos Beatles eu comprei online no WalMart do Canadá, pois os caras estão dando gratuitamente um promo disc com 5 faixas que no Ebay está custando $50 dólares. Fica a dica para os demais colecionadores!

O último item relacionado à música que comprei depois desses CDs foi o livro Tune In, de Mark Lewisohn. Para quem não sabe, esse é o único historiador profissional dos Beatles no mundo e acabou de lançar a primeira parte de três livros que serão a verdadeira bíblia dos Beatles. A maioria dos comentários nos CDs Anthology lançados nos anos 90 foram escritos por Lewisohn. Isso já comprova que os próprios Beatles confiam nele como historiador.


 
Qual é o tamanho da sua coleção, Tiago?

Tenho 600 CDs, 150 DVDs e diversos livros, tour books, ingressos, palhetas e autógrafos. Se considerarmos CDs duplos como 2 CDs eu tenho por volta de 800. Se eu tivesse grana o suficiente eu já teria na casa dos 2.000, porém tenho que comer e pagar contas (rs).

Agora, um item que eu gosto de colecionar porém não cabe em armário algum são os shows. Eu já fui a 105 shows. Se colocarmos as bandas covers e as noitadas em bares de São Paulo, Londres, Alemanha e Toronto, a lista deve passar dos 300. Se tiver que escolher entre um show e um CD, eu com certeza fico com o show.


Quando você se mudou para Toronto, já possuía uma grande coleção de discos. Como foi a experiência de levar essa grande quantidade de itens para outro país? Algum se perdeu pelo caminho? O que você sentiu nessa história toda?

Confesso que esta foi uma das partes mais complicadas da minha mudança. Enquanto minha mulher pensava em como levaria as dezenas de pares de sapato que tem, eu pensava em como levaria meus CDs evitando danos aos mesmos. No final a solução foi simples. Comprei centenas de saquinhos plásticos especiais para CDs e ali guardei apenas os encartes e os CDs (mídias). Todas as caixinhas de acrílico foram jogadas fora. Ao chegar no Canadá comprei todas as caixinhas novamente, e os CDs estão perfeitos. Nenhum se perdeu e nenhum ficou danificado. Se alguma coisa eu fiz certa na vida foi o modo como eu transportei esses CDs para cá (rs).

De quais bandas você possui mais itens?

Com certeza os Beatles. Eu tenho por volta de  100 CDs, além de diversos DVDs, livros e memorabílias diversas, incluindo cards, fotos e outros itens que podem ser encontrados na loja especializada que fica em Baker Street, Londres. Porém, vergonhosamente assisti ao Paul McCartney ao vivo apenas 4 vezes e nunca vi o Ringo.

Meus amigos brincam dizendo que eu amo os Beatles mas eles devem me odiar, pois foi só eu sair do Brasil para o Paul tocar aí quatro anos seguidos e o Ringo passar por São Paulo duas vezes.


Como você organiza a sua coleção?


Coloco os artistas em ordem alfabética e os CDs em ordem de lançamento. No caso dos bootlegs, esses são colocados após os lançamentos oficiais. Eu mantenho os meus CDs e DVDs em armários próprios para os mesmos. Aqui no Canadá existe uma rede de lojas de móveis chamada Ikea que vende uma estante perfeita para até 600 CDs. Eu mantenho minha coleção ali.


 
 

Você é um grande fã dos Beatles. O que o atraiu na banda e o que ainda o mantém interessado no grupo depois de tantos anos?


Essa pergunta é difícil. Com certeza a musicalidade da banda é o que me atraiu originalmente, mas também o fato dos caras terem desafiado uma sociedade super conservadora tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos e terem sido considerados relativamente "perigosos" para muita gente.

Hoje nós sabemos o quanto as músicas eram inocentes, principalmente nos primeiros anos, porém para a época eles estavam desafiando a sociedade e eu gosto disso. Gosto de gente que pensa fora da caixa e desafia o mundo com algo novo. Acho que é por isso que eu gosto muito também do Black Sabbath e, fora do mundo da música, de pessoas como Walt Disney.
 

Qual é o seu Beatle favorito?


Com certeza Paul e John, porém os outros dois também foram essenciais. É apenas uma questão de gosto pessoal. Eu sempre digo que Ringo é um baterista ótimo. Basta escutar os bootlegs que isso fica comprovado.

Para você, quais são as principais diferenças entre os quatro Beatles? Quais são as principais qualidades e defeitos de cada um?


Vou tentar escrever a respeito de cada um:

John: rebelde que veio de uma família mais rica que os demais, embora longe de serem verdadeiramente ricos. O fato de ter tido uma criação longe da mãe o fez um rebelde e isso atraía a atenção de muita gente, inclusive dos outros três Beatles. Ser amigo de John em 1960 era ser popular. Com certeza sua característica principal era a liderança por carisma. E a propósito, ele era um guitarrista muito bom. Não era rápido, mas era criativo e sabia onde colocar as notas, seja em um solo ou na guitarra base. Um defeito? Era um pouco empolgado demais e acabou cometendo alguns erros no final dos anos 60, principalmente no ramo empresarial.

Paul: com certeza o que mais se preocupava com a opinião das outras pessoas e sempre colocou a família em um patamar altíssimo, pois diferente de John, ele veio de uma família equilibrada. É por isso que ele ficou tantos anos casado com Linda e até hoje se mantém casado. No ramo musical Paul é o melhor de todos, e na minha opinião o melhor baixista da história do rock, além, é claro, de ser um verdadeiro showman. Seu defeito é ser mandão!

George: era o mais espiritual de todos e o mais reservado. Veio de uma família amorosa porém bastante pobre, e tinha noção de onde tinha saído mesmo após toda a fama com os Beatles. George era um guitarrista FANTÁSTICO, mas infelizmente depois do término da banda ele se afastou um pouco do show business. Ele com certeza tinha material para sair em uma turnê quase tão forte quanto Paul ou John, mas optou por viver uma vida quieta no interior da Inglaterra. Seu defeito foi esquecer um pouco o rock a partir de meados dos anos 70.

Ringo: com certeza o mais "boa vizinhança" dos quatro. Por ele, até hoje os Beatles estariam juntos. Durante a infância foi desenganado pelo médicos duas ou três vezes, porém continua firme e forte. Na minha opinião, Ringo criou a batida do hard rock na música "Magical Mystery Tour". Um defeito? Poderia nos anos 70 ter criado um grupo mais de rock e não ter se aventurado como um cantor solo quase pop.

Uma característica comum entre os quatro: humildade e pé no chão.


 
 

Você já viajou diversas vezes não apenas para Liverpool, mas também para Londres e Nova York atrás de itens dos Beatles. Conte-nos como foram essas viagens e do que você estava atrás quando as fez?

Na verdade eu morei em Londres entre 2002 e 2003, e aí eu fui atrás de diversos itens e também conheci lugares que eu tinha estudado a vida toda. Quando eu ficava sem ter nada para fazer nos domingos à tarde eu simplesmente ia para Abbey Road e ficava lá imaginando a rotina dos Beatles nos anos 60. Meu maior souvenir é um pedaço da primeira árvore que aparece no disco Abbey Road, ao lado direito da capa.

Em Liverpool eu conversei com Margareth, uma senhora que mora na casa que Ringo morou no início dos Beatles. Ela deve estar beirando seus 100 anos mas faz questão de receber todos os fãs que batem em sua porta. Ela me contou algumas histórias, como a de um cara do Japão que chorava tanto quando entrou na casa dela que ela deixou que ele levasse como souvenir um portãozinho velho que ela tinha retirado em uma reforma recente e que provavelmente o Ringo havia utilizado diversas vezes.

Quanto à compra de material, Liverpool não me pareceu a melhor cidade, pois ali os preços são caros. Em 2003 eu sempre comprava meus CDs e DVDs em uma travessa da Oxford Street em Londres que tinhas lojinhas maravilhosas e vendedores com histórias muito boas. Também a Denmark tinha uma ótima loja de livros que possuía muita coisa boa.

Em Nova York eu quase pirei, pois eu gosto muito dos anos que o John morou ali. Eu fiquei muito emocionado quando visitei o Dakota (prédio onde John morava com Yoko e seu filho Sean) e a melhor loja de discos que eu já fui na vida ficava próxima ao World Trade Centre, trata-se da J&R. Ali tem TUDO o que se pode imaginar. Fiquei quase louco lá dentro.
 

No hard rock, você tem como banda preferida o Uriah Heep. Conte para os nossos leitores como surgiu essa paixão pelo grupo.

Em abril de 1998 meu tio Mário Sérgio (o mesmo mencionado antes) comprou a edição remasterizada do álbum Demons and Wizards e me deu de presente a edição original, já que ele não precisava de duas cópias. Quando eu escutei a música "The Wizard" pela primeira vez fiquei paralisado, pois aquilo me pareceu PERFEITO! A partir dali passei a acompanhar a banda. Eu gosto muito mais de Uriah Heep do que de Led Zeppelin ou Deep Purple, bandas da mesma época. Ken Hensely na minha opinião é o melhor compositor de todos os tempos após os Beatles. Gosto de todas as fases da banda, incluindo o álbum Conquest, com John Sloman. Também adoro a fase com Bernie Shawn e acho ele tão bom quanto David Byron.

Não acha que o Heep é uma subestimada, tanto pelo público quanto pela crítica?


Com certeza! Não sei exatamente o motivo, mas as pessoas esquecem da importância do Uriah Heep para o rock em geral. Mas isso deixa a banda ainda mais interessante, quase como algo "cult".


 
 
 

O que torna o Black Sabbath não apenas a banda mais importante da história do heavy metal, mas também a sua predileta quanto o assunto é música pesada?

Cara, durante a minha adolescência, a minha banda predileta de metal era o Iron Maiden, mas conforme fui ficando mais velho fui escutando mais e mais Black Sabbath e hoje os considero como minha banda favorita no gênero. Mais uma vez o fato de terem desafiado a sociedade me atraiu muito, além, é claro, da musicalidade de Tony Iommi e Geezer Butler. Não existe um guitarrista mais preciso que Tony Iommi. Este é outro grupo que eu gosto de todas as fases, incluindo os períodos com Tony Martin e Glenn Hughes.

Você já encontrou algum dos seus ídolos pessoalmente? Como foi a sensação?

Foi ótima! Ver Ian Gillan na sua frente é no mínimo MUITO legal. Acho que o mais bacana é ver que o cara realmente existe! (rs)

Com certeza os mais legais foram Mick Box, do Uriah Heep, que veio nos cumprimentar na fila na frente do Sheppards Bush Empire em Londres em 2002, e também Jon Lord, que gentilmente autografou dois itens e rapidamente conversou comigo na frente do Sofitel em São Paulo, em 1999. Outro bacana foi Jimmy Bain, que no meio de um show do Dio no Astoria de Londres, em 2002, atendeu a um pedido meu por uma palheta e foi buscá-la no pedestal do microfone.


Há bastante autógrafos em sua coleção, Tiago. Você os conseguiu todos pessoalmente?

Não. Na verdade, a maioria veio por carta. Eu escrevo para o artista e já mando junto uma etiqueta com o meu endereço para facilitar a vida do cidadão. Alguns responderam rapidamente e outros demoraram muito. Ringo Starr respondeu rapidamente e também Charlie Watts dos Stones. Acho que os bateristas gostam de dar autógrafos! Já Geezer Butler demorou mas assinou as duas fotos que eu enviei com canetas diferentes, para que ficasse mais legal de acordo com as cores de fundo das fotos. Não exista nada que me deixe mais alegre do que abrir a caixa de correio e ver a carta de um dos meus ídolos.

Agora, eu nunca compraria um autógrafo, a não ser que fosse de John Lennon ou George Harrison. Para mim o bacana é saber que corri atrás daquele autógrafo e que de certa forma o meu ídolo sabe que eu existo. Simplesmente comprar um autógrafo é muito fácil.


Qual é a sua técnica para abordar um artista e pedir um autógrafo para ele? Tem algum truque especial para isso?



Cara, eu não sou um bom exemplo, pois geralmente fico com cara de bobo. Quando fui pedir um autógrafo para o Bruce Dickinson eu simplesmente fiquei paralisado e foi ele quem perguntou se eu queria um autógrafo! (rs). Acho que o segredo é ser humilde e perceber se você está sendo inconveniente ou não.

Agora, por carta eu geralmente mando o item a ser autografado e junto mando uma pequena carta dizendo o quanto eu admiro o artista. Alguns respondem, outros não. 



 
 

Você disse que já assistiu a mais de uma centena de shows, incluindo aí apresentações de nomes como Van Halen, The Who, Paul McCartney, Page & Plant, Michael Jackson e dezenas de outros. Qual foi o melhor show que você já viu? E qual foi o pior?

O conceito de melhor show varia de acordo com o que a pessoa espera do artista. Se você espera um guitarrista que toque a 1.000 km por segundo, então um show do Jethro Tull vai ser um lixo. No meu caso eu entendo como melhor show o do artista que eu mais gosto nos álbums de estúdio. Nesse caso, o melhor show da minha vida foi Paul McCartney em Detroit em 2011, pois eu estava com minha esposa e estávamos MUITO próximos do palco. Além disso, foi nessa turnê que ele voltou a tocar “Golden Slumbers/Carry That Weight/ The End”.

Outro ótimo show que eu vi foi o Saxon no Direct TV Music Hall em São Paulo, em 2002. Eu nunca vi tanta energia em um palco! A banda tratou os fãs como chefes e tocaram tudo o que pediram. Um exemplo para as bandas mais novas de como deve se tratar os fãs.

Infelizmente, o pior show foi de um artista nacional, nesse caso o Tribuzy em 2005. O show foi mal ensaiado. Colocar quatro guitarristas tocando "Be Quick or Be Dead" juntos é no mínimo estranho. Além disso, Bruce Dickinson estava lendo a letra da música que gravou com Tribuzy na parte de trás de sua mão. Eu realmente não gostei. Uma pena, pois torço e apoio o metal nacional.

Aliás, apenas uma curiosidade e quem já viu um show fora do Brasil vai concordar comigo. Quando uma banda toca em território nacional, os brasileiros parecem que vão morrer de tanta emoção. É quase como se Deus estivesse no palco. Já na Europa e na América do Norte, a galera curte mas entende que trata-se apenas de uma pessoa normal no palco, que assim como todo mundo usa o banheiro, fica gripado, paga imposto, etc. Para quem quer assistir ao artista com calma, ver um show no Canadá é muito bom, pois você tem seu lugar marcado e ninguém te empurra. Agora se for para curtir com os amigos não existe nada melhor que o público brasileiro.


Qual foi o artista que mais te impressionou ao vivo, que você, enquanto assistia ao show, ficou pensando “putz, que cara foda”?

Como banda foi o Dream Theater em 2005, quando tocaram o álbum Metropolis Part 2. Também o Queensryche me impressionou muito em 2008, embora eu já tivesse os assistido em 1997 com a formação original. Agora, preciso tirar o chapéu para Vinnie Moore tocando com o UFO em 2010 no Carioca Clube. O cara mandou muito bem.


Onde você compra os seus discos?

Eu busco sempre o local mais barato. Não sou fiel a uma loja. As minhas principais lojas são a Amazon dos EUA, Canadá e Inglaterra, eBay, Die Hard em São Paulo, Mercado Livre, e a HMV Mega Store no centro de Toronto.

Qual a principal diferença entre comprar discos aqui no Brasil e aí no Canadá?

Não tem muita diferença. Acho que aqui existe mais variedade e não sofremos com o lance do "importado". Uma grande diferença é o gosto musical. Enquanto os brasileiros adoram as bandas de metal melódico da Europa, esse estilo aqui não tem grande popularidade.



Como os canadenses vêem uma pessoa como você, eu e os leitores da Collectors Room, em sua maioria colecionadores de discos?

Aqui também tem colecionadores e os caras gastam MUITO com memorabília. Quando você vai a um show a fila na barraca de souvenirs é enorme e os caras gastam MESMO! Viva o cartão de crédito!

Eu sou mais controlado e tenho um budget todos os meses para gastar com minha coleção. Se o dinheiro acabou eu espero o próximo mês. Os norte-americanos não são assim, eles compram mesmo!

O que eles mais se surpreendem é saber que um brasileiro como eu pode conhecer tanto de bandas da Inglaterra, Estados Unidos e Canadá e ter tantos discos das mesmas. Acho que eles ainda vêem o Brasil como terra do futebol e das belas praias. Agora também nos vêem com um dos países do petróleo (rs).


O preço dos CDs no Brasil é bastante alto. Isso se repete no Canadá,\ ou o preço aí é mais barato daquele que pagamos em nosso país tropical?

Aqui é mais barato sim, mas não muito. A diferença acho que são as edições especiais. Por exemplo: o álbum 13 do Black Sabbath teve uma edição especial com vinil, CD e DVD. Eu vi esse box no Brasil por R$800, enquanto que aqui você encontrava por $90 dólares (mais ou menos R$ 200). Acho que os únicos que perdem com isso são os lojistas, pois hoje em dia é muito fácil comprar algo pela Amazon ou no Ebay e mandar entregar no Brasil. Os fãs de rock geralmente são bem informados e eu mesmo comprei vários itens dos EUA e Inglaterra quando morava em São Paulo e paguei metade do preço que era anunciado na Galeria do Rock.


Quais são os discos mais raros da sua coleção?

Eu tinha mais discos raros quando colecionava Iron Maiden durante minha adolescência, porém eu vendi os mesmos quando percebi que não precisava de 5 cópias do Killers. Cheguei a ter o box em vinil do Best of the Beast e diversos singles em 7".

Atualmente, acho que o item mais raro é a série Day-by-Day dos Beatles, lançada pelo selo Azir na Rússia com tiragem limitada a apenas 500 cópias. Essa série saiu também pela Yellow Dog Records.

O que eu sempre faço é comprar uma edição mais caprichada caso o disco seja lançado em mais de um formato. Por exemplo, o Black Star Riders (um dos melhores discos de 2013) eu comprei a edição com o DVD. O 13 do Black Sabbath comprei na Best Buy de Buffalo, NY, e minha edição veio com uma música a mais. Ao longo do tempo esses lançamentos vão se tornando raros.

Com certeza os itens que eu considero mais raros na minha coleção são as palhetas que consegui em shows. Tenho palhetas de Paul Stanley, Tony Iommi, Mick Box, John Sykes, e essas foram utilizadas ou pelo menos jogadas pelos artistas. O que pode ser mais raro do que isso? Só o próprio instrumento musical utilizado! Assim como os autógrafos, eu jamais compraria uma palheta no eBay. É muito mais legal lembrar da história de como você conseguiu a mesma.


 

Qual disco você procura há um tempão e ainda não conseguiu encontrar?

Apesar de não ser um grande fã de vinil pela falta de praticidade dos mesmos, sonho em ter o LP Let it Be americano que saiu com um lindo livro em 1970. Eu já vi a venda várias vezes mas sou pão-duro e não tive coragem de gastar 200 dólares no mesmo. Também adoraria ter um autógrafo de Paul McCartney conseguido pessoalmente. Esse sim é o meu VERDADEIRO sonho como colecionador.

No caso dos shows, adoraria ver um do Ritchie Blackmore's Rainbow. Mas isso depende mais do Ritchie do que de mim!


Há um renascimento da cultura das lojas de discos, promovida por iniciativas como o Record Store Day, por exemplo. Você percebe isso nas lojas canadenses, ou é algo que está ocorrendo apenas nos Estados Unidos?

Infelizmente não vejo isso nem no Canadá e nem nos Estados Unidos. Eu acabei de chegar de uma viagem a Miami, procurei diversas lojas por lá e quase não encontrei nenhuma. Existe sim o Record Store Day com lançamentos bacanas, mas isso é um pouco de desespero (na minha opinião) para tentar manter as lojas vivas. As únicas lojas que eu ainda vejo com movimento são as que vendem discos de segunda mão ou as que vendem APENAS vinil. Mas mesmo assim eu acho que uma hora irão acabar e nós, colecionadores, vamos ter nos contentar em comprar pela internet. Me corta o coração dizer isso, mas é o que eu observo.


 

Não tem como conversar com um colecionador e não fazer essa pergunta: quais são os seus dez discos favoritos, Tiago?

Propositalmente não vou citar nada dos Beatles pois todas as posições seriam ocupadas por eles, então vou dar chance a outras bandas.

1) Iron Maiden - The Number of the Beast
2) Black Sabbath - Heaven and Hell
3) Uriah Heep - Demons and wizards
4) Kiss - Kiss
5) Whitesnake - Slide It In
6) Deep Purple - Burn
7) Angra - Angels Cry
8) Jethro Tull - Thick as a Brick
9) Rainbow - Rising
10) Van Halen – Van Halen 




O que a sua coleção diz sobre você?


Minha coleção diz o quanto eu gosto de ROCK e o quanto eu vou além de outras pessoas que dizem que gostam de rock mas escutam apenas o que está tocando no rádio. Apenas um colecionador como os que aparecem aqui na Collectors Room poderia ficar uma semana sem jantar para comprar um box do Iron Maiden ou ainda pedir para a filha de David Coverdale se ela poderia pegar um autógrafo do pai dela para mim. Minha coleção define minha personalidade roqueira. Ponto final (rs).

Como a paixão pela música afeta a sua vida?

Afeta em todos os sentidos. Eu penso simplesmente 24 horas por dia qual será o próximo álbum que vou comprar ou qual show vou assistir. Fico muito feliz que minha esposa entenda isso. Além disso, as minhas amizades giram em torno de música. 90% dos meus amigos gostam de música tanto quanto eu. Até mesmo a decisão de morar em Toronto teve envolvimento musical, pois aqui rolam vários shows.


Qual disco e qual música definem você?

Disco: Whitesnake com Slide it in. É um baita álbum de hard rock e esse, depois dos Beatles, é o meu estilo de música predileto.

Música: “I Am the Walrus”, dos Beatles. Completamente maluca mas muito inteligente (nada modesto) 
.



Pra fechar, qual é o seu objetivo e o seu sonho como colecionador de discos, Tiago?

Cara, meu objetivo é continuar comprando discos e assistindo a mais e mais shows. Um colecionador não tem limites. Acho que isso foi dito simplesmente por todos os que participaram dessa coluna. Meu grande sonho é assistir a uma reunião do Ritchie Blackmore’s Rainbow e também de Ken Hensley com o Uriah Heep. Já no campo de discos, gostaria de chegar perto dos 2.000 CDs, pois aí eu saberia que tenho pelo menos uma boa parte dos álbums que gostaria de ter.

Agradeço muito a Collectors Room pela entrevista e também por ter criado essa coluna de entrevistas com colecionadores. Eu me empolgo demais com as coleções que são apresentadas.

Por fim deixo meu email para contato: tiagomarion@yahoo.com.br

Grande abraço!


Por Ricardo Seelig

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE