31 de jan de 2014

Veredito Collectors Room: Bruce Springsteen - High Hopes (2014)

sexta-feira, janeiro 31, 2014
O Veredito Collectors Room de janeiro de 2014 é dedicado ao mais falado e comentado lançamento dos últimos trinta dias: High Hopes, o novo álbum de Bruce Springsteen. Mostrando diversas visões e interpretações diferentes sobre o disco, nossa equipe analisou individualmente o trabalho. Abaixo, estão as impressões de cada um dos integrantes da Collectors. No final, chegamos a uma média sobre cada nota atribuída, revelando o nosso veredito sobre o álbum.

Essa edição é especial pois contamos com duas novidades. A primeira é a estreia do novo integrante de nossa equipe, Tiago Neves, que a partir de hoje passa a dividir o seu conhecimento e as suas ideias sobre música com os leitores. Seja bem-vindo, Tiago! E a segunda é a participação especial de Diogo Bizotto, editor da Consultoria do Rock e um dos maiores conhecedores da obra de Springsteen.

Coloque o álbum para rodar e boa leitura!


A notícia de que Bruce Springsteen já tinha um novo álbum pronto para ser lançado, divulgada quando a turnê promovendo Wrecking Ball (2012) mal havia terminado, foi surpreendente. Nem mesmo a confirmação de que se trataria de um disco compilando regravações, covers e músicas que não haviam sido aproveitadas anteriormente serviu para estragar a expectativa, afinal, quantos artistas - especialmente aqueles com mais de três décadas de carreira - mantêm a invejável constância de Springsteen desde que retornou com The Rising (2002), após um hiato de vários anos, lançando sete álbuns de inéditas desde então? A audição, porém, deve ser feita levando esse fato em consideração. Os mais atentos certamente notarão a falta de uma unidade temática, presente em praticamente todos os registros do músico e dissecada de todas as maneiras possíveis por críticos musicais, de forma até exagerada. Isso é normal, afinal, trata-se de um disco único em sua trajetória, cuja natureza difere do habitual desde sua concepção, como uma compilação, segundo o próprio Springsteen afirmou, de "canções que precisavam ser lançadas". O problema maior reside no fato de que essa coleção de faixas, em geral, fica devendo em relação a álbuns mais recentes. Um dos motivos pelos quais isso ocorre são alguns exageros nos arranjos, especialmente de sopros, que não funcionam tão bem em High Hopes quanto funcionaram em Wrecking Ball. Muito provavelmente por isso, uma das músicas que logo se destacaram para mim foi "Frankie Fell in Love", mais econômica e em conjunção com aquilo que Springsteen costumava apresentar no passado, quando cercava-se apenas da E Street Band. Inclusive, consigo enxergá-la bem encaixada em The River (1980). Em "American Skin (41 Shots)", porém, a canção pede esmero e refino, e a nova versão faz jus àquela que já vinha sendo executada ao vivo desde 1999. Inclusive, a presença do guitarrista Tom Morello faz especial diferença nessa faixa, além, é claro, da releitura agressiva para "The Ghost of Tom Joad", outro destaque, que inclusive já havia sido gravada pelo Rage Against the Machine, do próprio Morello. No entanto, não se engane: a presença do guitarrista, apesar de certeira em alguns momentos, em outros funciona mais como publicidade para, quem sabe, atrair uma audiência mais ampla do que uma adição musicalmente positiva. Após sucessivas audições, uma das mais fortes impressões que ficam é o desejo de que Springsteen lançasse um álbum mais "nu"; nada extremo como Nebraska (1982), mas visceral e focado essencialmente na E Street Band, como foi o fantástico The Rising, seu melhor registro em mais de 25 anos. Em que pese as críticas, trata-se de um disco de Bruce Springsteen, cuja superioridade em relação a quase tudo que se faz atualmente é praticamente inegável. High Hopes é um álbum menor em sua discografia, mas digno de nota no contexto atual. Nota 8 (por Diogo Bizotto)

Confesso, com uma certa vergonha, que até pouco tempo atrás desconhecia completamente a obra de Bruce Springsteen. Ainda que por ignorância ou desinteresse, nunca fui atrás de seus discos, por mais que tivesse várias recomendações de amigos que já o conheciam mais a fundo. Pois bem, depois de ouvir e passar batido por seu último lançamento, o bom Wrecking Ball de 2012, e assistir aos shows impecáveis que o artista realizou no Brasil em 2013, inclusive protagonizando uma das melhores apresentações de toda a história do Rock in Rio, acredito ter descoberto The Boss na hora certa. High Hopes é um disco maravilhoso, com músicas que têm o poder de tornar o seu dia melhor, se ouvidas ao sair da cama de manhã. O álbum conta com canções alegres e mantém um clima alto astral, e extremamente bem acompanhado pela já lendária E Street Band. Com a participação mais do que especial do guitarrista do Rage Against the Machine e Audioslave, Tom Morello, High Hopes nos faz viajar ao longo de suas doze músicas, com destaques para a faixa-título, a quase AOR “Harry’s Place”, “Just Like Fire Would”, “This is Yours Sword” e chegando ao ápice com a impecável auto-regravação de “The Ghost of Tom Joad” – impossível não se emocionar com essa versão já épica que remete diretamente à uma de suas maiores influências, a lenda do folk norte-americano Bob Seger - (qualquer semelhança com “Turn the Page” não será mera coincidência). High Hopes tem tudo pra se tornar um dos melhores lançamentos de 2014 (e olha que ainda estamos no final de janeiro). Ah, não poderia terminar sem dizer o quanto é bom ouvir Morello botando pra funcionar seu velho pedal Whammy novamente, ainda que mais moderado do que em suas ex-bandas, mas mesmo assim casando perfeitamente com os delicados acordes da velha Fender Telecaster de Springsteen. Nota 9 (por Tiago Seven)

Em sua autobiografia, Waging Heavy Peace, Neil Young diz que Bruce Springsteen é um cara verdadeiramente autêntico e que é fabuloso no que faz. Não sou o cara mais indicado para concordar ou discordar do velho Young, visto que meu conhecimento da obra de Springsteen se resume aos fundamentais Born to Run e The River - além dos muitos hits espalhados por praticamente quatro décadas de música rolando. Entretanto, me sinto confortável o bastante para dizer que High Hopes, seu último lançamento, soou o alarme e eu mal posso esperar para conferir a obra do “patrão” mais a fundo. Apesar de definir o trabalho como esquisito entre outros adjetivos que podem desmotivar o ouvinte mais leigo, Springsteen oferece uma seleção de canções repleta de alma e totalmente atemporais. O único problema detectado pelas minhas anteninhas de vinil é a ordem das músicas - parece que o modo aleatório determinou a sequência final. Fora isso, um convite para que bata cartão aqui você também! Nota 8 (por Marcelo Vieira)

High Hopes tinha tudo para ser apenas mais uma daquelas safadezas fonográficas bem escancaradas, já que conta só com regravações, covers e b-sides. O roteiro exato da mediocridade, não fosse um único e determinante detalhe: estamos falando de regravações, covers e b-sides oriundos da mente maligna de Bruce Springsteen. Um gênio entre nós. Na verdade, prefiro até nem enxergar The Boss como aquele cara que vence pela genialidade simples e absoluta, mas sim pelo esforço e dedicação. Essa pecha lhe cai bem melhor e, mais uma vez, se conecta diretamente com seu (nem tão) novo trabalho. Neste 18° disco de estúdio, Springsteen recria de forma bastante convincente várias velhas canções de sua própria autoria e algumas poucas de outrem. Se por um lado nem todas funcionam exatamente bem, por outro é possível afirmar que, das doze faixas, ao menos cinco são brilhantes. Basta ouvir "Just Like Fire Would", "Heaven's Wall", "The Wall" e, principalmente, "American Skin (41 Shots)" e "The Ghost of Tom Joad" - só essas duas já valeriam o play. Tudo temperado por versos doloridos, cativantes e pela incessante cruzada contra o establishment norte-americano. Ponto para esse vândalo de 63 anos. O melhor é ainda saber que, quando menos se esperar, ele estará de volta com mais um álbum de inéditas na manga. Nota 8 (por Guilherme Gonçalves)

Steven Van Zandt, guitarrista titular da E Street Band, banda que acompanha Bruce Springsteen, se afastou temporariamente do grupo para se dedicar ao personagem Frank de Lilyhammer, série produzida pela Netflix que mostra as desventuras de um ex-chefão da máfia nova-iorquina em uma pequena cidade da Noruega - uma dica: assista, vale a pena. Sendo assim, Bruce chamou Tom Morello, do Rage Against the Machine, para substituir Van Zandt nos palcos e em estúdio. A união de um dos artistas mais completos do rock norte-americano com um dos guitarristas mais singulares das últimas décadas fez surgir um disco diferenciado. High Hopes traz regravações e releituras para antigas canções de Springsteen, além de algumas faixas compostas por outros artistas. Ainda que inferior aos trabalhos que The Boss lançou desde The Rising (2002), soa superior a maioria do que se produz no rock atual. Há canções inspiradas interpretadas por uma banda azeitada, o que leva a versões desde já antológicas para canções como a faixa-título, “American Skin (41 Shots)” e, principalmente, a arrepiante “The Ghost of Tom Joad”. Bruce Springsteen vive uma fase iluminada há anos, e ouvir seus discos traz essa inspiração para o lado de cá, o lado do ouvinte. High Hopes mantém a chama ardendo e é um álbum que traduz, mais uma vez, toda a magia que a música é capaz de nos proporcionar. Nota 8 (por Ricardo Seelig)

Bruce Springsteen definiu o seu High Hopes como sendo uma espécie de anomalia em sua discografia. "Mas nem tanto", completou o músico. De fato, ele não poderia estar mais certo na definição. Uma mistura de covers e reinterpretações de canções menos conhecidas de seu catálogo, seu novo álbum de estúdio não é exatamente o que se possa chamar de coeso. As faixas podem até não conversar entre elas. Mas uma coisa é fato: a tradicional e intocada alma roqueira de Springsteen é ouvida e sentida a cada minuto do disco, surpreendentemente curto. Inspirado por Tom Morello, o guitarrista do Rage Against the Machine, ele encontrou uma espécie de alma gêmea, talvez um integrante em potencial para a sua E Street Band, um sujeito que tem a mesma pegada político-social do Poderoso Chefão. Dá para ouvir um pouco de Morello na guitarra de inspiração étnica de "Heaven's Wall", no solo cheio de pirações e barulhinhos de "The Ghost of Tom Joad" ou no gosto eletrônico da balada "Down in the Hole". Mas High Hopes é um desfile de diferentes inspirações, sejam elas o country rock salpicado no combo "Frankie Fell in Love" e "This is Your Sword", no blues rock rasgado e urbano da sensacional "Harry's Place", na melodia quase celta de "Just Like Fire Would" ou mesmo na levada etérea e, tipo assim, indie-viajante (sério!) da longa "American Skin (41 Shots)". É experimentação, sem dúvida, mas experimentação do tipo ao qual um cara como Springsteen pode se dar completamente ao luxo. E, sejamos sinceros: um disco que abre com a irresistível faixa-título, que te pega pelas canelas e te faz querer pular sem parar, entrando totalmente no clima, não tem como ser ruim. Pode ser estranho. Mas ruim, não dá mesmo. Nota 8 (por Thiago Cardim)

Todo colecionador é viciado em buscar material de seus artistas favoritos. Sejam gravações perdidas, faixas deixadas de fora, versões demo, álbuns raros ou aquele longo improviso feito em um clube minúsculo de uma cidadezinha perdida no mapa. O colecionador não se importa em passar um bom tempo (e gastar um dinheiro) para ter em mãos este material. E Bruce Springsteen, além de um incansável artista, tem completa noção da fidelidade de seu público, e como este é ávido pelas suas composições (vide o sucesso que o megalomaníaco box Tracks foi em 1998). Isso tudo explica de forma mais do que natural o lançamento de High Hopes e como uma coleção de faixas gravadas pela estrada, covers, versões retrabalhadas e sobras de estúdio conseguem formar uma seleção variadíssima, que não apenas revisita as inúmeras formas musicais com as quais o Boss e a sua E Street Band lidaram ao longo das décadas, mas com uma merecida belíssima produção e o cuidadoso tratamento apropriado de um estúdio, além de continuar a constante progressão musical a cada novo disco. Compilações deste tipo, no caso de alguns artistas, podem ser apenas para fins lucrativos, muitas vezes sem acrescentar nada ao consumidor da música. Mas não de High Hopes. Não de Bruce Springsteen. 40 anos depois e a sua música, o sentimento que ela traz, continua dando
esperança a cada dia. Nota 8 (por Rodrigo Carvalho)

Nosso veredito é 8,1

Por Collectors Room

Skindred: crítica de Kill the Power (2014)

sexta-feira, janeiro 31, 2014
Surgido das cinzas do Dub War (e sua inventiva mistura de hard rock com punk e reggae), que sofreu durante anos com a falta de compromisso da Earache Records, o Skindred foi o novo projeto iniciado pelo vocalista Benji Webbe, no ano de 1998. Com uma formação totalmente reformulada, e basicamente atualizando a mesma proposta musical, o grupo do País de Gales atingiu sucesso mais do que considerável nos Estados Unidos, entrando na mesma onda da popularização do nu metal com os seus discos Babylon (2002) e Roots Rock Riot (2007), rendendo turnês ao lado de alguns dos maiores grupos do estilo na época.


Após o lançamento de Shark Bites and Dog Fights, em 2009, e Union Black, em 2011, é notável que o Skindred não apenas se recusa a permanecer limitado às combinações já feitas, como vem aprimorando o auto-proclamado ragga metal a cada novo trabalho. E isso se prova mais uma vez verdadeiro em Kill The Power, seu quinto álbum de estúdio, produzido por James Loughrey e lançado no dia 27 de janeiro pela BMG, com temas líricos totalmente condizentes com a situação atual do mundo.


Se os elementos de dubstep apareciam de forma tímida no agressivo disco anterior, a faixa título já mostra que os galeses decidiram trazê-los de uma vez por todas para a linha de frente, acrescentando muito ao groove e a quebradeira de riffs que remetem aos bons momentos do Disturbed. "Ruling Force" continua o processo de eletronificação, levando o som para um lado bem mais direto (com direito até a um breakdown), enquanto "Playing with the Devil" é uma balada que alterna entre hip-hop, reggae e exageros artificiais notavelmente semelhantes a trechos de "Chaos Lives in Everything", do Korn.


"Worlds on Fire", por outro lado, faz justiça ao termo ragga metal, resgatando completamente o Skindred de outrora e aquilo que havia sido deixado ligeiramente de lado nos trabalhos mais recentes. Podemos dizer isto também da funkeada e pesadíssima "Ninja" e do punk rock de suas raízes na simplicidade de "The Kids Are Right Now", que mesmo não fugindo dos padrões consegue prender pela eficiente melodia e as bem sacadas inserções de efeitos.


Em seguida, "We Live" carrega um sentimento típico das baladas do hard rock oitentista, que mesmo misturado a fórmula com o reggae, ainda deixa um rastro do cheiro de farofa no ar, dissipado apenas nas passagens cadenciadas puramente nu metal de "Open Eyed" (com participação da cantora inglesa Jenna G) e o seu ligeiro tom de mashup. "Dollars and Dimes" apresenta um inteligente trabalho de percussão, aonde os ritmos criados por Arya Goggin funcionam sozinhos ao lado da voz de Webbe, deixando espaço apenas para que a guitarra e o baixo incluam pequenos, mas importantes detalhes (imagine um groove funkeado a la Red Hot Chili Peppers com o som característico deles, e é aproximadamente o que você encontrará aqui).


Estranhamente parecida com a trilha sonora dos filmes adolescentes americanos, e não à toa, a ska punk "Saturday" parece saída diretamente de alguma praia ensolarada dos anos noventa para grudar durante dias em sua mente. Praticamente a antítese animada de "Proceed with Caution", com riffs que lembram "Are You Dead Yet?" (do Children of Bodom – sim, isso mesmo) manifestados na sonoridade semelhante ao já feito pelo Ill Niño em seus primórdios. "More Fire", como era de se esperar, é uma típica balada prioritariamente acústica e composta para um luau, mas acompanhada de um fundo 8-bits, encerrando perfeitamente toda a atmosfera criada pelo álbum.


Afinal de contas, Kill the Power não é apenas o receptáculo contendo uma série de mensagens positivas e motivadoras, mas sim uma banda transparecendo as suas mais variadas influências em um disco tão dinâmico que pode passar a impressão de estar ligeiramente perdido em certos momentos. Isso não poderia estar mais equivocado.


Benji Webbe, Daniel Pugsley, Mikey Demus e Arya Goggin são completamente seguros ao trabalhar com vertentes que podem ser complementares, assim como propor combinações de maneiras que ainda não haviam sido testadas, de forma que o disco parece ser um extenso laboratório dirigido por uma banda sem o menor receio de fazer novas tentativas e aprimorar ainda mais a sua sonoridade.


Ao encerrar o trabalho, temos uma coleção de faixas que é, de fato, bem mais melódica e “acessível” ao público não familiarizado com o som da banda, mas que também não deixa de lado o que já foi feito em cada um dos discos anteriores (pelo contrário, usa muito bem o que foi adquirido). O sentimento de inocência e esperança artística do início dá lugar à experiência e a luta criativa pelo seu espaço de uma vez por todas, e Kill the Power é o levante e a demonstração definitiva de que o Skindred merece um reconhecimento muito maior do que já tem. Muito maior.


Nota 8,5


Faixas:
1 Kill The Power
2 Ruling Force
3 Playing With The Devil
4 Worlds On Fire
5 Ninja
6 The Kids Are Right Now
7 We Live
8 Open Eyed
9 Dollars and Dimes
10 Saturday
11 Proceed With Caution
12 More Fire


Por Rodrigo Carvalho

30 de jan de 2014

Mastodon finalizando novo álbum

quinta-feira, janeiro 30, 2014
O Mastodon está finalizando o seu novo disco, sucessor de The Hunter (2011). A banda está em um estúdio de Nashville desde dezembro trabalhando com o produtor Nick Raskulinecz (Foo Fighters, Ghost, Stone Sour, Trivium, Rush). Segundo fontes próximas à banda, Valient Himself (vocalista do Valient Thorr) e Scott Kelly (do Neurosis) participarão do play.

A banda pretende lançar o álbum - que ainda não tem título definido - durante a primavera do hemisfério norte, outono aqui no sul, o que quer dizer que em poucas semanas poderemos ouvir um dos discos mais aguardados de 2014. Na sequência, o Mastodon deve sair em turnê para promover o trabalho ao lado do Gojira e do Kvelertak.

Contagem regressiva ativada ...

Por Ricardo Seelig

Gulag e Degolate lançam split de forma conjunta

quinta-feira, janeiro 30, 2014
Duas das bandas mais interessantes e promissoras da atual cena brasileira, Gulag e Degolate, estão lançado de forma conjunta um split com material inédito. O disco tem o título de Consanguineous Fury e será disponibilizado em fevereiro.

Caio Angelotti, do estúdio Undead, assina a produção, e Victor Angelotti é o responsável pela belíssima arte da capa.

Para quem ainda não conhece, tanto o Degolate, de Atibaia, quanto o Gulag, de Campinas, se dedicam a executar um death metal técnico e bastante pesado.

Abaixo, o tracklist de Consanguineous Fury:

Degolate:
1 Luciferian
2 Necrofile
3 Scalped Murder
4 Rot Alone

Gulag:
5 Skullcrushing Dementia
6 The Weight of Mediocrity
7 Life Replenisher
8 Shades of the Procustean

 

Por Ricardo Seelig

Discografia Comentada: Bywar

quinta-feira, janeiro 30, 2014
Pouco ou quase nada se falava de thrash metal em 1996. Quando o Bywar surgiu, o gênero que havia varrido a década de 80 estava praticamente morto e enterrado, sobretudo no Brasil. Já se passavam dez longas temporadas do auge do estilo, que desde então trilhara caminhos tortuosos nos 90's e se distanciara de seus preceitos originais. Foi quando um jovem quarteto oriundo de São Caetano do Sul (SP), influenciado principalmente pela escola alemã de nomes lendários como Kreator, Destruction e Sodom, decidiu resgatar a antiga forma de se fazer esse tipo de música, criado por Metallica, Slayer e Exodus quase 20 anos atrás na ensolarada Califórnia.

A proposta não era genial ou inovadora. O plano nunca foi esse. Espalhadas por vários cantos do planeta, outras bandas também ensaiavam algo parecido e, com o tempo, tal retomada foi se alastrando de forma gradual. No Brasil, o Bywar ganhou um pouco depois a companhia de Blasthrash, Farscape e Violator, que, juntos, se tornaram os quatro grandes pilares do revival thrash nacional. Um fenômeno que, de época em época, acontece com inúmeros gêneros e rende bons frutos por um determinado período, mas que, naturalmente, tende a ficar saturado.

No dia 11 de dezembro de 2013 chegou ao fim a trajetória do Bywar. Depois de 17 anos na linha de frente do thrash metal old school, a banda anunciou o encerramento das atividades. Adriano Perfetto (guitarra e vocal), Hélio Patrizzi (baixo) e Enrico Ozio (bateria) - além dos guitarristas Victor Regep e Renan Roveran, que se alternaram na formação - deixam um legado bastante interessante de quatro álbuns de estúdio - sendo pelo menos dois deles excelentes - e alguns splits. A seguir, mergulhamos nessa discografia tentando dissecar cada um dos trabalhos. Confira!

Invincible War (2002)

Invincible War demorou seis anos para sair, mas rapidamente provou que o longo tempo de espera valera a pena. Após uma única demo - The Evil's Attack (1998) -, o Bywar estreou em 2002 com um full lenght bastante inspirado. Enquanto nomes como Blasthrash, Farscape e Violator ainda estavam nos trabalhos preliminares, o quarteto paulista lançou, pela Hate Storm Records, o que foi seu primeiro disco oficial e instaurou o revival thrash metal aqui no Brasil. Retomando a estética oitentista tanto no som como na identidade visual, o Bywar chamou a atenção por apresentar um thrash calcado na velha guarda do gênero, principalmente na escola alemã de nomes como Kreator, Destruction e Sodom, que, por volta da mesma época, também orquestravam, ainda que sem a mesma sonoridade, uma espécie de resgate moral com Violent Revolution (2001), The Antichrist (2001) e M-16 (2001), respectivamente. Só que, ao contrário do clássico trio germânico, que até teve algumas boas ideias, a banda brasileira conseguiu imprimir algo tão ou mais importante: espontaneidade. As composições são curtas e urgentes como costumam ser em toda estreia thrash. Ainda assim, são bem trabalhadas e contam com passagens criativas, sobretudo no que se refere aos riffs de Adriano Perfetto e Victor Regep. A bateria de Enrico Ozio aposta alto na simplicidade e no arroz com feijão, o que quase sempre vale muito mais do que firulas desnecessárias. A produção, feita no Da Tribo por Tchelo e Ciero, não confere tanto peso ao som, mas deixa tudo bastante audível e com um timbre bem bacana. Diversificadas, as linhas vocais também merecem destaque e ajudam a fisgar a atenção de quem ouve. No fim das contas, Invincible War é thrash metal nu e cru. Justamente por isso é tão bom. Um trabalho simples e que certamente recebe por aí a pecha de datado, mas que, em 2002, surgiu como um grito de resistência ao marasmo da cena metal da época, bem como ao trajeto errante do thrash na segunda metade da década de 90.

Destaques obrigatórios: "Broken Witchcraft", "Thrash's Return", "Killing The Pharisee", "The Conquest" e "Enslaved by Dreams"

Nota: 8,5

Heretic Signs (2005)

Três anos se passaram e tudo que já era bom em Invencible War (2002) ficou ainda melhor em Heretic Signs. O segundo álbum mostra um Bywar que evoluiu a passos largos e chegou a um alto nível de composição. As melhores músicas da trajetória de 17 anos da banda se encontram neste play. São elas: "The Twin of Icon", em primeiro lugar, e "Heretic Signs", em segundo. Os riffs, como de costume, são o destaque e se apresentam muito mais cortantes. Mais do que na estreia e mais do que em qualquer um dos dois trabalhos seguintes. Estão afiados como lâmina, assim como a execução quase que impecável de cada uma das onze faixas. Os vocais de Adriano Perfetto também trazem significativa melhora e roubam a cena em determinados momentos. Até a bateria está mais ousada, com Enrico Ozio usando blast beats de forma muito bem encaixada em passagens certeiras. Heretic Signs, no entanto, viveu uma espécie de novela até finalmente ser lançado. As gravações, mais uma vez a cargo de Tchelo e Ciero, foram concluídas em janeiro de 2004. Só que a Hate Storm Records fechou justamente nessa época, e o Bywar ficou sem selo para soltar o novo disco. Além disso, o guitarrista Victor Regep, que participara do processo de composição e das gravações, se desligou da banda poucos meses depois. O substituto, Renan Roveran, até não demorou a ser definido e em maio já estava integrado à formação. O álbum, por sua vez, só saiu em 2005, quando do acordo que fez com que o quarteto, recém-reformulado, passasse a fazer parte do cast da Kill Again Records, de Brasília. Tantos problemas, contudo, não ofuscaram em nada a imensa qualidade de Heretic Signs, que até hoje ocupa o louvável posto de melhor trabalho do Bywar. Sem sombra de dúvidas, é também um dos grandes discos de thrash lançados por uma banda brasileira depois do ápice do gênero, nos anos 80. Em 2015, completa uma década. E segue imbatível.

Destaques obrigatórios
: "The Twin of Icon", "Heretic Signs", "The Hole Grail", "Subconscious Death" e "Inquisition"

Nota: 9,0

Twelve Devil's Graveyard (2007)

O disco mais fraco do Bywar. Não por ser um trabalho de todo ruim, mas por ficar bem abaixo da média da banda. É o que tem as composições menos marcantes, o que, por consequência, o deixa um tanto quanto derivativo no geral. Sem a inspiração de outrora, a estrutura das músicas parece se repetir e ser apenas requentada em algumas das doze faixas, número de certa forma até exagerado. Se as boas ideias fossem condensadas e melhor desenvolvidas em oito ou nove canções, talvez o resultado pudesse ser mais positivo. De qualquer forma, a produção, dessa vez feita por Ciero e Trek, também não ajuda tanto e, às vezes, até joga contra. Há momentos em que as guitarras ficam emboladas e há certa saturação no vocal, seja com o uso excessivo de reverb ou de efeitos e backing vocals equivocados. O fato a ser mais lamentado, porém, recai sobre a bateria, pouco agressiva. Além disso, alguns solos são inseridos nas músicas com volume totalmente desproporcional aos riffs da guitarra base. Ainda assim, há passagens bacanas e bem interessantes, como no single "Face the Impaler", que mostra o Bywar apostando em uma proposta um pouco diferente em relação a alguns aspectos dos álbuns anteriores. É em Twelve Devil's Graveyard que a banda escancara sua predileção por uma temática pouco usual e um tanto quanto singular, ao menos no thrash metal: ufologia, eventos e teorias extraterrestres, vórtices e fenômemos paranormais. O nome do disco remete a um artigo do biólogo e escritor escocês Ivan T. Sanderson intitulado The Twelve Devil's Graveyards Around the World, publicado em 1972 e que discute justamente a tese da existência de doze áreas geográficas responsáveis por episódios misteriosos de morte e desaparecimento de um grande número de pessoas. O mais notável seria o Triângulo das Bermudas. O álbum foi o segundo e último a sair pela Kill Again. Ainda em 2007, a banda deixou a gravadora.

Destaques obrigatórios: "Face the Impaler", "Debt of War" e "Violent Greed"

Nota: 7,0

Abduction (2011)

Esqueça o Bywar que você conhecia até então. Ou pelo menos boa parte dele. Entre 2007 e 2011, muita coisa deve ter acontecido na trajetória desta banda de São Caetano do Sul, pois o quarteto exibe uma faceta sonora um tanto quanto distinta em Abduction. Quatro anos foram suficientes para Adriano Perfetto, Hélio Patrizzi, Enrico Ozio e Renan Roveran sacudirem a poeira, repensarem possíveis descuidos em Twelve Devil's Graveyard (2007) e retornarem revigorados com um novo trabalho. O quarto álbum marca a maior mudança sonora vista no Bywar enquanto o mesmo esteve na ativa por 17 anos. Obviamente, o que se ouve é 100% thrash metal e com a tradicional pegada old school. No entanto, com um leque de opções vastamente ampliado. A latente influência de Kreator, Destruction, Sodom e da escola alemã como um todo se faz presente, mas com o acréscimo de um senso melódico exorbitante para os padrões da banda até então. Muito dele oriundo de ensinamentos do Iron Maiden e da NWOBHM, das guitarras gêmeas faiscantes e de um maior cuidado com solos, licks e arranjos. O álbum é mais heterogêneo e variado, mas tão agressivo e matador quanto os dois primeiros. A essa altura, o Bywar já fazia parte do cast de uma nova gravadora: a tradicional Mutilation Records, de São Paulo. A opção de mudar a produção e gravar com Brendan Duffey e Adriano Daga no Norcal fez bem ao grupo, que obteve, talvez, sua melhor sonoridade de estúdio. A evolução no peso e na brutalidade da bateria é simplesmente gritante. A temática que começara a ser talhada anteriormente é levada às últimas consequências. Vide o nome do disco - abdução. A única ressalva é que o play perde um pouco do fôlego na reta final e não mantém exatamente o mesmo pique do início. Todavia, nada que comprometa. Ao término da audição, fica o pesar da sensação de que, caso não tivesse encerrado as atividades, o Bywar se daria muito bem em trabalhos futuros, quando poderia explorar ainda mais a fundo esses novos caminhos e possibilidades. Pena que não tenha dado tempo. Mas o legado deixado já é explêndido.

Destaques obrigatórios: "Abduction", "Poltergeist Time", "Ragnarök", "Toward the Unreal" e "Consciously Dead"

Nota: 8,0


Apêndices

Além dos álbuns de estúdio, o Bywar lançou também quatro splits: Violent War (2005), com o Violator, Booze Brothers Vol. 1 (2008) e Thrashing War (2008), ambos com o Witchburner, e Two Shots of Thrash Metal, com o Crucifier. Nenhum conta com músicas autorais inéditas. Os mais recomendados são Violent War, por ter como bônus um cover bacana para "Metalized Blood", dos alemães do Desaster, e Thrashing War, pela química com os parceiros do Witchburner.

Por Guilherme Gonçalves

29 de jan de 2014

Psicodália 2014 terá Moraes Moreira tocando Acabou Chorare na íntegra

quarta-feira, janeiro 29, 2014
A edição 2014 do tradicional festival Psicodália acontecerá de 28 de fevereiro a 5 de março na cidade catarinense de Rio Negrinho, levando música de qualidade para o carnaval das milhares de pessoas que anualmente peregrinam para o interior de Santa Catarina.

Este ano, o festival terá como atração principal Moraes Moreira, que tocará na íntegra o clássico Acabou Chorare, lançado pelos Novos Baianos em 1972 e considerado um dos melhores discos da história da música brasileira. Outras atrações de peso são o ícone prog Gong, Almir Sater, Made in Brazil, Yamandu Costa, Módulo 1000, Wander Wildner, Pedra Branca, Traditional Jazz Band, Satanique Samba Trio e Confraria da Costa.

Os ingressos podem ser adquiridos através do site oficial do Psicodália.

Por Ricardo Seelig

Novas Bandas Brasileiras - Parte 4

quarta-feira, janeiro 29, 2014
Seguimos com a nossa série de posts sobre as novas bandas brasileiras de rock que estão surgindo pelo Brasil e merecem chegar aos seus ouvidos. No episódio de hoje você conhecerá Camarones Orquestra Guitarrística, Sleepers, Venice, Supercombo, Os Vespas, Republique du Salem, Alohatomic, Veronica Kills, Marie Dolls, Budapeste, Cérebro Eletrônico, Desorquestra, Maglore e Confraria da Costa.

Se curtir, vá atrás de mais material das bandas em seus sites e redes sociais. E não esqueça de conferir as edições anteriores aqui.

Aumenta que é bom!


Por Ricardo Seelig

As Novas Caras Do Metal - Parte 23

quarta-feira, janeiro 29, 2014

Realmente inovadores ou apenas rearranjando as mesmas sonoridades já feitas ao longo das décadas, a verdade é que bandas novas surgem a cada dia (algumas com assombrosa qualidade, outras definitivamente sem nada que as destaque). E como já vimos na parte anterior da série As Novas Caras do Metal, muitos grupos lançaram seus trabalhos de estreia em 2013.


Dando continuidade, apresentamos mais 10 nomes e seus álbuns que podem trazer algo de completamente inédito, ou podem ser uma versão revisada dos clássicos. Mas o mais importante, e independente disso, são bandas que comprovam que material de qualidade continua a chegar até nós ininterruptamente, com todas elas tendo algo a dizer.

Altars


Da mesma forma que a música extrema está em ascensão nos Estados Unidos, algo semelhante também ocorre na Austrália, em menor escala, mas com a mesma versatilidade. O Altars é um dos nomes mais comentados no underground do país, algo explicável ao conferir a produção cristalina da agressão contida em Paramnesia, seu primeiro disco, pela Nuclear Winter Records. Seguindo a linha da escola americana do death metal, não é tarefa das mais árduas encontrar as influências de Morbid Angel, Cannibal Corpse e Immolation, ao mesmo tempo em que os temas e a atmosfera parecem reverenciar nomes como Behemoth e Belphegor. Absurdamente pesado e épico.




Black Willows


Apesar de o stoner rock, no geral, ter entrado recentemente em um ciclo vicioso (muitas bandas surgindo com discursos e ideias pouco memoráveis e com menos ainda a acrescentar), basta pesquisar um pouco para encontrar aqueles que ainda conseguem trazer novas ideias e enriquecer o estilo. E este é o caso do suíço Black Willows e o seu perfeitamente nomeado álbum Haze. O torpor que as composições do quarteto trazem cria uma atmosfera enevoada cheirando a incenso, graças às tendências psicodélicas combinadas com música ambiente, noise e raga rock. Se o Black Sabbath e o Led Zeppelin passassem um tempo meditando na Índia, talvez esta fosse uma de suas crias.




Capa


Imagine um híbrido entre o black metal americano atual com o sludge. Agora, acrescente uma produção equilibradíssima, interlúdios de música ambiente e aquele clima proporcionado por trilhas sonoras de filmes antigos de nenhum orçamento sobre assuntos abissais e aterrorizantes. O resultado final talvez chegue ligeiramente perto do que este quarteto americano da Pensilvânia fez em seu primeiro álbum completo, This is the Dead Land This is Cactus Land. Blackgaze, post-black metal, chame como quiser – o Capa possivelmente fez deste trabalho uma das grandes obras do metal extremo em 2013.




Grey Season


Uma banda que tenta afastar aquele sentido mais manchado sobre ser um grupo “progressivo” (auto-indulgência e virtuose sem sentido, leia-se) e levar para um significado relativo ao experimental, sobre a busca por algo novo. E os alemães do Grey Season cumprem de forma belíssima o seu objetivo logo cedo com o disco Septem, apresentando oito faixas que vagueiam por extremos como djent, mathcore e passagens que beiram o industrial, o post-metal e a música clássica, tornando difícil compará-los com qualquer outro grupo. A única semelhança talvez esteja na voz de Blazej Lominski, que lembra vagamente a de Matthew Heafy.




Haapoja


Diferentemente do que ocorria há alguns anos, quando a Finlândia era referência no famigerado power metal (ou metal melódico, como preferir), a história musical recente do país viu o levante de uma nova geração de bandas voltadas para a sonoridade mais extrema e suja, do punk ao grindcore, sempre envolta por aquela veia gélida. E o Haapoja se encontra entre estes grupos, que com background muito mais ligado ao heavy metal de seus jovens integrantes, torna a música de seu álbum de estreia autointitulado uma miscelânea de influências que vai do crust ao black metal com tendências sludge e progressivas. Uma mescla entre o Converge e o Kvelertak, com certa dose de melancolia cantada em seu idioma natal.




Ishmael


Ao ouvir o som do Ishmael durante alguns segundos, você pode acreditar estar ouvindo uma daquelas bandas de eventos da alta sociedade. Mas a proposta deste trio nova-iorquino vai além, graças à proposta das mais contemplativas, com influências que vão desde o post-rock e o jazz até o rock progressivo setentista (há algo de Peter Gabriel e Jon Anderson por aqui) e a apurada técnica do prog metal utilizada sutilmente à bem da música em si. Lotic é um trabalho indicadíssimo para quem aprecia os momentos mais tranquilos do Porcupine Tree e do Anathema, por exemplo.




Nomadic Rituals


A Irlanda pode ser a terra de inúmeros grupos de punk, mas o trio Nomadic Rituals foge completamente a regra – e não apenas isso, parece ir completamente na direção oposta com as cinco faixas que compõe os quase cinquenta minutos de Holy Giants. Andamentos lentíssimos de um doom metal dopado, assombrado por uma brutalidade rastejante que faria bandas como Electric Wizard e Ahab soarem excessivamente velozes, e abrilhantado por sutis toques de space e stoner rock. Para apreciar sem a menor pressa.




Palms


Chino Moreno é um sujeito a ser respeitado. Não apenas o frontman de uma das mais bem sucedidas bandas do metal americano alternativo dos anos noventa, como também está envolvido nos interessantes Crosses e Team Sleep. Em 2011, então, ele começou a trabalhar com três membros do recém encerrado Isis (Jeff Caxide, Aaron Harris e Bryant Clifford Meyer) para formar o Palms, resultando em sua sonoridade definida como uma amálgama entre o mais recente Deftones e o mais atmosférico do próprio Isis, unida por uma fina aura de shoegaze.




Stolas


Aos amantes daquele post hardcore com severas facetas progressivas e exageradamente técnicas, no melhor estilo Protest The Hero e Exotic Animal Petting Zoo, este grupo de Las Vegas e seu debut Living Creatures podem ser de absoluta serventia. Afinal de contas, desde os aspectos visuais, às estruturas musicais e ao conteúdo lírico, não sobra espaço para nenhum segredo sobre quais são as fontes da banda. Ensurdecedor e confuso no primeiro instante, o que torna ainda mais gratificante quando compreende-se cada uma das loucuras contidas aqui.




The Moth Gatherer


Segundo Victor Wegebron e Alex Stjernfeldt, o duo sueco por trás das composições do The Moth Gatherer, a banda foi formada em 2009 para ser uma espécie de terapia para que ambos conseguissem lidar com certas frustrações e perdas pessoais em suas vidas. E isto é, no mínimo, essencial para compreender de onde todo o sentimento carregado, pesaroso e brutal que assombra as cinco músicas em A Bright Celestial Light tem sua origem. Uma aposta certeira da Agonia Records, este disco pode se encaixar como uma das melhores estreias de uma banda de sludge (com certa veia experimental) dos últimos anos, e aos que já apreciam sons como Cult of Luna e The Ocean, podem vir a pensar o mesmo.




Por Rodrigo Carvalho

28 de jan de 2014

Allman Brothers Band anuncia despedida dos palcos

terça-feira, janeiro 28, 2014
O lendário Allman Brothers, uma das bandas mais fantásticas que o mundo já ouviu, anunciou que está se despedindo de seu habitat natural: os palcos. Há algumas semanas, os guitarristas Warren Haynes e Derek Trucks - que mantêm carreiras ativas e ótimas com seus outros grupos, o Gov't Mule e a Tedeschi Trucks Band, respectivamente -, comunicaram que deixariam a ABB após a turnê de 2014. Agora, ficou evidente porque.

Os últimos shows dos Allman Brothers acontecerão durante a turnê de 2014 do grupo. No entanto, não há confirmação se a banda encerrará definitivamente as suas atividades ou se seguirá gravando álbuns de estúdio. Minhas apostas são de que, após os shows marcados, Gregg Allman e sua turma anunciem sua aposentadoria definitiva.

A jornada foi longa e repleta de grandes momentos. O descanso é merecido.

Por Ricardo Seelig

Hail Spirit Noir: crítica de Oi Magoi (2014)

terça-feira, janeiro 28, 2014
Há uma espécie de divisão na sonoridade atual do black metal. De modo geral, as bandas seguem três caminhos: o retorno à crueza clássica do estilo, característica da cena norueguesa do início dos anos 1990; o flerte com a música clássica, que evoluiu em sonoridades cada vez mais elaboradas, complexas e cheias de camadas, caminho seguido por nomes como Dimmu Borgir e Behemoth; e a aproximação com o shoegaze levada a cabo por nomes como Alcest, Wolves in the Throne Room e Deafheaven, que fez surgir uma nova sonoridade classificada como blackgaze.

É justamente nessa última tendência que estão surgindo alguns dos álbuns mais intrigantes e instigantes do metal atual. Foi assim com Sunbather, último disco do Deafheaven, aclamado pela crítica como um dos melhores lançamentos de 2013. Está sendo assim com Shelter, novo CD de um dos pilares do estilo, a banda francesa Alcest. E essa sensação se repete com Oi Magoi, segundo álbum dos gregos do Hail Spirit Noir.

Formado em 2010, o grupo já havia chamado a atenção com o seu primeiro disco, Pneuma. A ótima impressão vira realidade em Oi Magoi, lançado em 20 de janeiro pela gravadora italiana Code666. Há uma evolução evidente em relação à estreia, com canções mais estruturadas e melhores desenvolvidas, afastando a banda do caos e levando-a ao encontro de um universo próximo ao jazz - sim, você leu isso mesmo.

Um fator interessante neste segundo álbum do Hail Spirit Noir é o contraste entre a parte instrumental e o conteúdo lírico. Enquanto as letras trazem discursos pesados e que beiram a blasfêmia, o instrumental é cristalino e com um certo tom vintage, deixando o peso excessivo de lado em grande parte do trabalho. Não há demérito algum nessa escolha, muito pelo contrário: isso abre espaço para que os instrumentos apareçam e evoluam em arranjos muito bem construídos, que entregam belas melodias e climas sombrios que causam calafrios.

Há de se destacar a grande musicalidade da banda, evidenciada nos lindos solos de guitarra que permeiam todo o disco e também no uso inteligente de instrumentos não muito comuns ao metal, mas que se encaixam com perfeição na proposta do disco, como é o caso do xilofone presente na espetacular “The Mermaid” e na faixa de abertura, “Blood Guru”.

Li em alguns reviews mundo críticos classificando o som do Hail Spirit Noir como black metal progressivo. Não concordo com o termo, pois, apesar da clara influência prog, tal classificação pode levar a um entendimento errôneo ao som dos gregos. O mais correto é mesmo o blackgaze, aqui aditivado por criativas intervenções psicodélicas que imprimem uma originalidade evidente e uma personalidade única à música contida em Oi Magoi.

Entre as faixas, destaco “Blood Guru”, “Satyrico Orgio (Satyrs’ Orgy)” (onde é possível ouvir a influência, mesmo que sem exageros, da cena black norueguesa), "Hunters" e a sensacional “The Mermaid”, um exercício black jazz impressionante e que, em seus mais de onze minutos, entorpece o ouvinte com uma sonoridade de cair o queixo.

Oi Magoi é um disco singular, que destaca o Hail Spirit Noir como uma das bandas mais interessantes surgidas nos anos recentes. Muito acima da maioria do que se ouve quando o assunto é o metal e suas infinitas variações, possui a capacidade sempre bem-vinda de cativar tanto o headbanger mais exigente quanto o ouvinte de fora que vê tudo associado à música pesada com enorme preconceito.

Discaço!

Nota 9

Faixas:
1 Blood Guru
2 Demon for a Day
3 Satan is Time
4 Satyrico Orgio (Satyrs’ Orgy)
5 The Mermaid
6 Hunters
7 Oi Magoi

Por Ricardo Seelig

Ouça três novas músicas do Cynic

terça-feira, janeiro 28, 2014
A cultuada banda norte-americana Cynic lançará o seu terceiro álbum, Kindly Bent to Free Us, no próximo dia 14 de fevereiro pela Season of Mist. O sucessor do clássico Focus (1993) e do excelente Traced in Air (2008) foi produzido pelo próprio grupo e, a julgar pelas prévias já divulgadas, mantém a alta qualidade característica da banda.

Abaixo você pode comprovar isso ouvindo as três primeiras músicas do álbum, “True Hallucionation Speak”, “The Lion’s Roar” e a faixa-título:


Por Ricardo Seelig

Behemoth: novo álbum, novos vídeos

terça-feira, janeiro 28, 2014
O Behemoth lançará dia 3 de fevereiro o seu aguardado novo disco, intitulado The Satanist. Sucessor de Evangelion (2009), o trabalho dá fim a um longo período de silêncio do grupo, período no qual o líder, vocalista e guitarrista Adam Darski, conhecido como Nergal, foi diagnosticado com leucemia, fez um transplante de medula e venceu a doença.

O décimo álbum dos poloneses será lançado pela Nuclear Blast na Europa e pela Metal Blade nos Estados Unidos. Daniel Bergstrand, Wojciech Wieslawski e Slawomir Wieslawski assinam a produção.

O Behemoth divulgou dois vídeos com faixas do trabalho, para “Ora Pro Nobis Lucifer” e “Blow Your Trumpets Gabriel”. Em ambos é possível perceber que a banda manteve a personalidade de sua música, repleta de elementos épicos e étnicos. Os figurinos exagerados, que muitas vezes fazem o grupo parecer uma versão black metal do Cirque du Soleil, parecem não interferir na sonoridade.

Abaixo você assiste aos dois vídeos já divulgados:

 

Por Ricardo Seelig

Edguy revela título e data de lançamento de novo disco

terça-feira, janeiro 28, 2014
A banda alemã Edguy lançará dia 18 de abril o seu décimo álbum, Space Police - Defenders of the Crown. O disco sairá pela Nuclear Blast e é o sucessor do bom Age of the Joker, de 2011.

O quinteto liderado pelo vocalista Tobias Sammet (que também é o cérebro do Avantasia) se afastou consideravelmente do power metal em seu último trabalho, que trouxe um som revigorado por bem encaixadas influências de hard rock mescladas ao bom humor sempre presente na música do grupo.

Vamos ver como Tobias nos surpreenderá dessa vez.

Por Ricardo Seelig

Playlist Collectors Room: metal brasileiro

terça-feira, janeiro 28, 2014
Ao contrário do que muita gente pensa, o metal no Brasil não é feito apenas de bandas do falido power. Tem muitos nome legais surgindo, e com sons que passam longe do chamado metal melódico.

Esta playlist traz grupos já consolidados - como Krisiun, Korzus e Sepultura - ao lado de bandas inovadoras e repletas de originalidade - caso de Dynahead, Deventter, Thriven e Eminence - e nomes recentes que estrearam recentemente - Goatmantra, Instincted, Seita.

Para ouvir, clique aqui.

Aumente o volume e tenha cuidado para não deslocar o pescoço e sangrar os ouvidos.

E, se tiver dicas de novas bandas brasileiras de metal legais e com uma sonoridade original e inovadora, use os comentários para contar pra gente.

Por Ricardo Seelig

Lamb of God anuncia pausa nas atividades

terça-feira, janeiro 28, 2014
Através de seu perfil no Instagram - vá lá e siga drandallblythe -, Randy Blythe, vocalista do Lamb of God, comunicou que a banda norte-americana fará uma pausa em suas atividades. Com exceção de dois shows já agendados em festivais, o grupo hibernará por um longo período.

A notícia não é nada surpreendente, visto os fatos que aconteceram recentemente. O baque da acusação e posterior julgamento de Blythe, acusado de homicídio após a morte de um fã em um show ocorrido na República Checa, afetou o quinteto de maneira profunda, tanto no modo pessoal e psicológico quanto no profissional e financeiro. Uma parada para colocar a cabeça e tudo mais em dia deve fazer bem para a banda.

Blythe não informou quando o Lamb of God retornará, mas é bem possível que nem os próprios músicos saibam ainda. Nos resta torcer para que o grupo dê a volta por cima e siga em frente com a sua música única.

Por Ricardo Seelig

27 de jan de 2014

Tigertailz: crítica de Knives (2013)

segunda-feira, janeiro 27, 2014

O Tigertailz passou por poucas e boas nos últimos dois anos. Não deve ter sido nada fácil para o guitarrista Jay Pepper sustentar o nome sem a figura de Kim Hooker, que apesar de não ser um dos fundadores, era a identidade visual da banda — vide a capa do clássico Bezerk (1990), na qual Hooker aparece sozinho, por exemplo. Em contrapartida, Pepper contou com a volta de Matt Blakout na bateria, assegurando a batida forte semelhante à dos muito bons Bezerk 2.0 (2006) e Thrill Pistol (2007). 

Em outubro do ano passado, com Jules Millis ao microfone e Rob Wylde no baixo, o Tailz lançou Knives, EP que serve não só para provar que a banda está mais ativa do que nunca, mas também para deixar claro quem é que detem os direitos sobre o nome e a marca. O que se ouve nos 21 minutos de música rolando é uma banda rejuvenescida, olhando para frente e buscando que a nova fase seja algo duradouro e rentável mental e financeiramente. A mini-turnê pelo Reino Unido que seguiu o lançamento do trabalho é um indicativo. 

Depois de quase um minuto de nada, o single "Shoe Collector" começa em um andamento mais lento se comparada às típicas faixas de abertura do Tailz. Quando Millis começa a cantar, nota-se uma voz frágil, porém afinada e de timbre jovial — especialistas associarão a Mark Evans, do Heavens Edge. O backing vocal funciona bem, mas a canção se perde em passagens desnecessárias — faltou um produtor linha-dura para impor os cortes. 

"One Life" é a típica balada de escola europeia, com teclado preenchendo as lacunas e camadas e mais camadas de vocais num refrão potente e grudento. Em "Bite the Hand", a boa e velha motoserra que é a guitarra de Jay Pepper é ligada e Matt Blakout finalmente desce o braço. A semelhança sinistra com Crashdïets e afins não surpreende — cedo ou tarde, o hard rock dos anos 2000 se tornará tão homogêneo quanto o do final dos anos 1980. 

"Spit It Out" aponta para uma linha mais festeira, com quiosque à beira-mar e bebida liberada para a mulherada que mostrar os peitos. A letra é meio que um desafio aos possíveis detratores ("Se você tem algo a dizer, bote para fora!"), mas o que dizer a respeito de um som que cativa você logo de cara???! Por fim, "Punched in the Gutz" retoma a porradaria de "Bite the Hand" e não tem como não suspeitar de que a canção existia desde os tempos de Wazbones (1992). 

Knives tinha como intenção mostrar ao mundo que o Tigertailz seguia vivo, mas foi além disso — Knives mostra ao mundo que é melhor ir se preparando, pois o melhor ainda está por vir!!! 

Nota 9,0 

01. Shoe Collector 
02. One Life 
03. Bite the Hand 
04. Spit It Out 
05. Punched in the Gutz 

Jules Millis - vocais 
Jay Pepper - guitarra, vocais 
Rob Wylde - baixo, vocais 
Matt Blakout - bateria 

Por Marcelo Vieira

26 de jan de 2014

Entrevista com Thiê Rock, vocalista da banda Lion Heart e colecionador

domingo, janeiro 26, 2014

Thiê e eu nos conhecemos em 2008, quando a sua banda, Lion Heart, fez o show de abertura para o Ted Poley (Danger Danger), no extinto Hard Rock Café do Rio de Janeiro. Na ocasião, comprei o então único CD lançado pela Lion (Coração de Leão, 2005) e aos poucos, devido à nossa paixão em comum pelo hard rock e por sermos, os dois, colecionadores de discos — não ignorando o fato de ambos torcermos pelo Vasco da Gama —, nos tornamos grandes amigos. Atualmente, trabalhamos juntos na mesma editora e o rock continua sendo o assunto predileto. Agora é a sua vez, leitor do Collector's Room, de conhecer este cara e sua coleção que eu tanto admiro! 

Por Marcelo Vieira 

Para começar, se apresente para os leitores do Collector's Room! 
Fala, galera! Aqui é o Thiê Rock. Sou vocalista da banda Lion Heart há mais de dez anos. Pelo mesmo tempo, discoteco em festas de rock e ajudo na produção e promoção delas. Sou jornalista formado e sempre escrevi para sites de rock. Também sou produtor editorial e coleciono discos da minha maior paixão, que se chama ROCK! 

Quando teve início essa paixão? Você lembra qual foi o seu primeiro contato com o rock? 
Quando eu era garoto e o rock rolava nas rádios e os rock stars eram capas das revistas… hoje as meninas sonham com o Justin Bieber, mas na época sonhavam com Axl Rose, Sebastian Bach, Jon Bon Jovi etc. Eu queria ser como eles; ter minha música nas rádios, meu videoclipe na MTV e minha foto nas capas de revista! [risos] Um amigo mais velho me emprestou discos de bandas como KISS, AC/DC, Twisted Sister, Mötley Crüe, Iron Maiden, Metallica, Sabbath… além de porradas como Sepultura, Possessed, Kreator, Slayer… Eu pirei com aquelas músicas; o rock‘n’roll entrou na minha veia como gasolina pura! Naquele momento eu soube o que queria para a minha vida. 

O que levou você a preferir trilhar o caminho do hard rock? 
Bom, eu amo metal, mas o clima de festa e de positividade que o hard rock tem me cativou de forma arrebatadora. Tem sempre aquele momento que você quer ouvir uma música porrada e enfurecida, ok… mas independente do dia, do momento ou do estado de espírito, eu tenho vontade de vibrar ao som de algo divertido, com refrão cativante. O hard rock levou tudo ao máximo; não era apenas a música em si, mas a presença de palco, as fotos, o visual, a superprodução dos videoclipes, a mulherada, o cheiro de festa… acho que são elementos que combinam mais com a minha personalidade. Eu gosto de sol, verão, praia, sorriso no rosto… coloque um Poison como trilha sonora pra tudo isso e veja que se encaixa como uma luva! 

Imagino que se tornar músico tenha acontecido naturalmente, certo? 
Eu fui seduzido pelo rock e tinha que fazer parte disso. Comecei fazendo aulas de guitarra, mas logo vi que não era minha praia, pois a magia do palco para mim sempre foi associada a uma presença cheia de energia, correndo, pulando, interagindo… e eu tocando guitarra não conseguia me mexer! [risos] Então fui para a aula de canto e me encontrei. Montar banda não era algo tão simples, mas consegui aos 16 anos. Tive diversas bandas de hard e heavy até montar a Lion, em 2002. Muitas bandas e projetos legais mas nunca gravei nada sério; apenas ensaios e gravações toscas de shows. Com a Lion que a coisa aconteceu de verdade. Eu já tinha tido alguns projetos com o Brandon, o guitarrista, anteriormente. Eu montei uma outra banda e nos separamos, mas, no fundo, eu sabia que ele era o meu braço direito; nossos gostos batiam, combinávamos no palco etc. Liguei pra ele e o chamei para montarmos a Lion Heart! 

Em mais de dez anos de estrada, a Lion Heart contabilizou muitos feitos. Conte para nós os marcos dessa trajetória. 
As primeiras demos, com letras em inglês, foram gravadas em 2003. Em 2004, gravamos em português. O primeiro CD, Coração de Leão, saiu em 2005. O segundo, Viver Pra Detonar, em 2009. E o terceiro, lançado no final de 2011, se chama Dona Do Bordel. Temos videoclipes oficiais para as músicas "Teu Olhar", "Sedução" e "A Noite Me Chamou". Fizemos shows por todo o Brasil e demos entrevistas para os principais meios de comunicação. A formação já mudou algumas vezes; da original, continuamos Brandon e eu. Começamos a banda e vamos com ela até o fim — da banda ou de nossas vidas! [risos] Atualmente, temos Stanley no baixo e Rogers na bateria. Stanley desde 2010, tendo inclusive gravado o último disco, e Rogers desde o ano passado. 


Formação atual da Lion Heart com Stanley, Thiê, Rogers e Brandon

Quais são os planos da Lion Heart para 2014? 
Lançar um novo single e produzir um videoclipe para ele. Não fizemos videoclipe para o álbum anterior e apenas um para o segundo. Isso não foi legal, pois apesar de ser algo caro, é uma chance de o público além de ouvir a música, conhecer o visual dos músicos, a presença de palco deles, analisar o carisma. A questão do single é algo que já vínhamos pensando há tempos. O "Dona do Bordel", por exemplo, tem apenas cinco músicas. É uma questão de mercado: com o mp3, as pessoas têm acesso facilitado a milhares de discos, então não sobra mais tempo para ouvir álbuns longos. Muita gente nem compra mais CD, então é muito investimento para pouco retorno. Então, é isso: single, videoclipe e shows.

Do ponto de vista de alguém que, além de consumidor, é artista, quais os prós e contras do mp3 em relação aos formatos físicos? 
Cara, eu acho bom, pois posso conhecer tudo antes de comprar e ouvir aquilo que não tenho grana para comprar no momento. Mas eu nunca deixo de comprar discos. O problema é que a maioria das pessoas não quer apenas ouvir, ver se gosta e depois comprar. Elas simplesmente pararam de comprar, pois já ouvem o mp3. Azar o delas… a magia de achar, comprar, ouvir um disco novo é demais! Ver o encarte, as letras, as fotos… e além de tudo, ajudar os artistas e sustentar a indústria fonográfica, que está pedindo socorro.

Gostaria que você fizesse uma análise do momento que o hard rock vive atualmente. 
Bandas gigantes, imortais que viraram referência no rock como KISS, Aerosmith e AC/DC continuarão a existir, lotar estádios e ganhar milhões. O difícil é a sobrevivência de quem não está nesse patamar. Muitas bandas boas apenas ganham o suficiente para pagar as contas, quando conseguem isso… a maioria dos músicos precisa de um emprego extra. Mas sempre surgem bandas geniais e discos maravilhosos do estilo. Novos fãs deles surgem todo dia, mas para a coisa não morrer, é preciso comprar os discos, o material de merchandising e lotar os shows. Senão, só sobrarão as gigantes.

Que conselho você daria para o garoto que está pensando em montar uma banda de hard rock no Brasil? Que desafios ele provavelmente encontraria pela frente? 
Encontrará todos os desafios possíveis! O conselho é só fazer se amar de verdade porque o mundo lindo que ele vê nos vídeos do KISS e do Mötley é completamente diferente do que é encontrado no underground. A grana que entra é pouca, a que sai é muita e, mesmo quando você dá entrevistas pra MTV ou para grandes revistas e jornais do país, ainda assim é muito difícil viver só da música. Gravadoras daqui não se interessam muito pelo estilo, então a ralação será, em grande parte, de forma independente. Mas… paixão, emoção, adrenalina, alegria, sorriso, êxtase são coisas que farão parte da sua vida. [risos] Apesar das dificuldades, se você ama o lance, vale muito!


Vamos falar da sua coleção agora! Qual foi o primeiro disco que você comprou? Quando? 
O primeiro foi o Back In Black do AC/DC! Comecei bem, né? [risos] Eu tinha 13 anos e adorava a banda. Um amigo me emprestou o For Those About To Rock e eu já tinha visto alguns clipes como “Highway To Hell” e “Back In Black” no Fúria Metal que rolava na MTV. Quando fui a uma loja de discos e vi o vinil na minha frente, não pensei duas vezes! Foi o primeiro que comprei, mas eu já tinha muita fita k7 gravada de discos de amigos e da programação da saudosa rádio Fluminense FM.

Em que momento você sentiu que colecionar era preciso? 
Quando eu via meus amigos mais velhos com coleções de discos e todas aquelas capas sensacionais, com encartes cheios de fotos dos meus ídolos, eu sentia que também queria ter a minha coleção. Comprar um disco é sempre algo mágico. Chegar numa loja e encontrar um álbum que você sempre quis ter, conseguir comprar, levar pra casa, abrir e ouvir o som enquanto aprecia o encarte com suas fotos e letras… é incrível! Só entende quem partilha da mesma paixão.

Qual o tamanho da coleção atualmente? 
Algo em torno de mil itens.


De qual banda você possui mais itens?
Bandas que eu amo e que possuem discografia grande como AC/DC, Van Halen, KISS e Aerosmith.





Quais os itens mais raros da sua coleção? 
Eu tenho uma fita K7 original do At War With Satan do Venom! [risos] Levando em consideração que fita K7 é rara hoje em dia, ainda mais original, acho que isso não é fácil de conseguir. 
Tenho uns 300 discos de vinil e, como a época do vinil já passou, tem muita coisa que é rara e difícil de achar atualmente, como o primeiro EP do Ratt, Spellbound, Beau Nasty, Hay Kay, Giant, Diving For Pearls e bandas de metal como Avenger, Savage Grace, Wild Dogs e Skanners. 
Dentro dos CDs, tenho coisas como Guardian, Arcade, Jailhouse, Alannah Miles, D’Molls, Bone Machine, Blue Murder, Babylon A.D., Victory, Tall Stories e uma banda de AOR muito boa chamada Jungle, que nunca ouvi ninguém falar que tinha. 
Vale a pena citar uma coletânea dupla do Paul Di'Anno só com sons dele nos anos 1980 cantando hard rock. Tenho também uma coletânea em vinil do Black Sabbath chamada The Kings Of Hell. É uma coletânea brasileira que saiu nos anos 1980. Bem rara. Um legal também é o The Singles, um CD holandês do Iron Maiden contendo 19 músicas que não saíram originalmente nos discos oficiais, apenas como lados B de singles.


Você possui itens na sua want list? Quais são eles? 
Sempre terei! [risos] Um colecionador nunca fica satisfeito. Tento não especificar discos de que preciso. Uma vez por mês, visito alguma loja de discos e olho tudo o que tem com calma e levo alguma coisa pra casa, de acordo com a grana que eu tiver disponível. Gosto da surpresa, do prazer de encontrar algo inesperado que eu adoro e ainda não tenho. 

Qual foi o disco que você pagou mais caro para ter? E o mais inacreditavelmente barato? 
Nunca gostei de pagar uma fortuna em um disco. Uma das coisas mais legais para mim é encontrar algo que eu goste por um bom preço. A soma dessas duas coisas é o que geralmente me faz comprar. Acho que o máximo que paguei foi 65 reais no Monster, do KISS, importado, em uma loja especializada, assim que o disco saiu. Lembro que paguei 5 reais no primeiro do Gemini Five e no primeiro do Brides Of Destruction. O Don’t Come Easy, do Tyketto, importado, me custou 7 reais. Às vezes, dou sorte nos meus “garimpos”! [risos]


Lembra de alguma história interessante envolvendo a procura por um disco, alguma dificuldade bizarra que tenha enfrentado etc? 
Eu lembro de quando era garoto e um amigo tinha o CD Arise do Sepultura. Era caro, eu não trabalhava e não dava para comprar. Ele me emprestou. Eu ficava ouvindo e admirando a capa alucinante e as fotos dos ídolos brasileiros que conseguiram chegar onde todo garoto rocker tupiniquim gostaria. Devolvi, continuamos amigos, mas o garoto deu uma sumida. Um belo dia, ele tocou a campainha da minha casa. Abri a porta e ele disse que tinha virado crente, estava frequentando a igreja com a família e queria vender os seus CDs. Ofereceu aquele mesmo Arise por 10 pratas. Fiquei triste por perder um companheiro de rock, mas bastante feliz por poder comprar o disco. [risos] Tenho até hoje! 

Onde você costuma comprar os seus discos? 
Eu gosto muito de lojas de CDs seminovos, onde posso encontrar usados em ótimo estado ou até mesmo aqueles que a pessoa ganhou, mas nunca ou quase nunca ouviu. Os preços costumam ser muito bons. Claro que visito as lojas especializadas, pois nelas você pode encontrar coisas mais “lado B”, porém, nem sempre os preços são em conta. Às vezes, vou a grandes lojas de departamentos, pois posso encontrar lançamentos e discos clássicos por uma quantia razoável. Sebos antigos de discos em vinil e CDs também são algo que me identifico. 

Mas antes de existirem o mp3 e as lojas especializadas, você e seus amigos davam um jeitinho de conseguir os discos mais difíceis, né?
Quando eu era mais novo e não trabalhava, o único jeito era comprar fitas K7 e gravar os discos nas casas dos amigos. Até hoje ainda tenho fita K7 gravada de vinil! [risos] Depois veio a questão do CD-R. Melhorou. A qualidade do som era melhor. A gente tirava xerox colorida da capinha e gravava o CD-R.. e não precisava ouvir o disco inteiro para gravá-lo, o que acelerava bastante o processo. Normalmente, eu trocava com amigos, mas muitas vezes comprava também… alguns tinham muitos discos e lucravam com isso, mesmo cobrando barato. Nessa época do comércio de CD-Rs com capinha de xerox colorida do encarte, os preços variavam de 5 a 20 reais.


Como você organiza a sua coleção? 
Por ordem alfabética, é claro! Se for a mesma banda, por ordem de lançamento. 

Tem alguma mania em relação aos seus discos? 
Sim, costumo guardá-los com o plástico da embalagem para protegê-los da poeira. Coisa de colecionador.


Qual foi o último disco que você comprou? 
In The Heart Of The Young, do Winger. Eu já tinha em vinil, mp3 e CD-R, mas faltava ter em CD original. Disco animal! Kip Winger rocks! 

Qual foi o melhor disco que você ouviu recentemente? 
No More Hell To Pay, do Stryper. Que disco foda! Os últimos lançamentos eram bons, mas nesse eles arregaçaram como nos velhos tempos! O Aftershock do Motörhead e o 13 do Black Sabbath também ficaram animais, mas esses todo mundo já sabia, mesmo antes de sair, pois são deuses do rock. [risos]

Quais são os seus 10 discos favoritos? 
Só 10??? Impossível! 
Appetite For Destruction (Guns N' Roses), Skid Row (Skid Row), Dr. Feelgood (Mötley Crüe), Revenge (KISS), Back In Black (AC/DC), Open Up And Say… Ahh! (Poison), Slippery When Wet (Bon Jovi), Ace Of Spades (Motörhead), Van Halen (Van Halen), Pump (Aerosmith)... 
Com muito esforço, eu faria uma lista dos meus 40 favoritos! [risos] 

Para encerrar, o bom e velho pingue-pongue! AC/DC com Bon Scott ou Brian Johnson? Amo os dois, de verdade, mas fico com o Brian, pois cresci não só ouvindo sua voz, mas também vendo sua imagem nos shows, videoclipes e DVDs. 

KISS com ou sem maquiagem? Com maquiagem. O som é igualmente foda, mas a imagem clássica deles marcou a história do rock’n’roll. 

Black Sabbath, Deep Purple ou Led Zeppelin? Essa é dificílima. Em cada época da vida eu ouvi um pouco mais alguma delas. Fico com o Sabbath, pois acho que foi a que eu mais ouvi entre as três. 

Punk Rock ou Rock Progressivo? Punk Rock. 

Uma vertente do metal: Hair Metal! 

Um ano para o hard rock: 1989 

A banda dos seus sonhos seria composta por... Imagine uma banda formada por Sebastian Bach, Nikki Sixx, Nuno Bettencourt e Blas Elias. Em 1990! No auge da criação, performance e visual deles. MEDO! [risos] 

Artista ou banda que já poderia ter se aposentado: Só a própria pessoa pode dizer que sua linha chegou ao fim. Acredito que enquanto sente tesão de compor e estar em um palco com a vibração que é tocar rock’n’roll, ela deve continuar. Enquanto correr nas veias, colocar sorriso no rosto e encher os olhos d’água… está valendo. 

Artista ou banda que poderia voltar à ativa: Acho que o mundo inteiro pararia para ver o Guns N’ Roses original voltar à ativa e fazer uma turnê. Seria algo mágico. Skid Row com sua formação clássica também seria incrível. Eu acredito que essas duas acontecerão algum dia. Outras que eu gostaria muito de ver: o Pantera com o Zakk Wylde na guitarra, o Sepultura com os irmãos Cavalera, a banda solo do David Lee Roth com sua primeira formação e o White Lion original. Ah, sim… Michael Anthony de volta ao Van Halen, né?! 

Melhor show da sua vida: Bon Jovi no Morumbi, KISS na Praça da Apoteose, Aerosmith no Palestra Itália e Metallica no Rock in Rio de 2011. Eu vou a shows há 20 anos, então já vi MUITA coisa, mas acho que esses foram os mais incríveis para mim. 

Pior show da sua vida: Saí muito frustrado de um show do Jimi Jamison porque ele estava rouco e não conseguiu cantar legal. Eu adoro o Survivor e achei que seria mágico ouvir a voz do cara ao vivo. Mas, acontece… quem sabe um dia! 

Show que ainda falta assistir: AC/DC! Em 1985 eu era criança. Em 1996, um adolescente sem grana para ir a outra cidade ver. Da última vez, que era a que eu tinha mais chances, fiquei desempregado na época do show e perdi. Tomara que venha no próximo Rock in Rio! 

Um ensinamento retirado de alguma letra de hard rock: “It’s a long way to the top, if you wanna rock’n’roll”. Acho que já conquistei algumas coisas no rock, mas sempre soube que seria um caminho árduo, duro e demorado. Estou ativamente nessa estrada louca por 20 anos, seja cantando em banda, discotecando em eventos, ajudando a produzir festas, escrevendo sobre shows e colecionando discos. A quantidade de felicidade que o rock já me trouxe é incalculável, mas nada foi fácil. Ainda mais no underground, de forma independente. Porém, quando você ama, acredita e batalha, as portas se abrem. 

A música que te define: Existe um trecho de uma música do Kane Roberts chamada “Fighter” que me define bastante: “You better be a fighter / Give it all you got and never let go / Nothing's gonna stop you if you don't say "no" / Cuz if you've got a dream baby you ain't broke / You better be a fighter / Give it all you got and never look back / You can be the ruler of your one room shack / Since the weight of the world ain't getting any lighter / You better be a fighter / You better be a fighter”.

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