21 de fev de 2014

A rebeldia fabricada de Miley Cyrus

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Recentemente, a MTV reprisou o documentário Miley: The Movement (originalmente exibido em outubro de 2013), cuja premissa era colocar em pratos limpos a despirocada dada pela ex-Hannah Montana, que culminou na polêmica (para não dizer lamentável) apresentação no VMA do ano passado — e tudo o mais que veio em seguida. Mas a impressão que o filme deixa é a de que tudo não passa de uma tremenda jogada de marketing, a começar pelo filme em si, uma mea culpa disfarçada de tapa na cara da sociedade.

Miley começou cedo na música, seguindo os passos do pai, o cantor Billy Ray Cyrus. Desde criança teve mente e talento direcionados para o showbiz. Como muitas, teve de abrir mão de uma infância normal para estabelecer a base de uma carreira promissora na música pop. A própria reconhece que, não fossem seus dias de ídolo teen, seu nome não estaria onde está. Mas isso não impede que se refira ao passado com resignação, como se aquilo tudo não refletisse a artista que idealizava dentro de si.

Os pouco mais de 40 minutos registram desde o lançamento do single "We Can't Stop" até sua chegada ao topo da parada do iTunes. Passagens incluem ensaio e apresentação no Good Morning America, visita à sede do Twitter em São Francisco e até mesmo um encontro com sua ídolo-mór, Britney Spears, da qual confessa ter chupado o "lado stripper" — coisa que Britney, pela cara que fez, não gostou nem um pouco de ter ouvido. Mas os momentos mais ultrajantes são aqueles filmados na residência de Miley, na qual discorre sobre seu novo momento pessoal e artístico. "Finalmente despertaram a vagabunda que existe dentro de mim", diz. Particularmente, me incomoda viver num mundo em que todo mundo tem um lado devassa.

Ao anunciar aos quatro ventos que seu álbum The Movement soaria como algo jamais ouvido, Miley se esquece de dizer o porque. Sua rebeldia fabricada é tão plástica quanto a produção hip hop de segunda de Mike Will. A língua para fora, o visual a la Maria Gadu e até própria rispidez na fala — algo que Justin Bieber já havia usado anteriormente como forma de combater as dúvidas em relação a sua sexualidade — não escondem a fragilidade no olhar, os passos incertos e, sobretudo, a certeza de que Miley ainda não saiu em definitivo das fraldas — o que é acentuado pelo fato de sua mãe ser sua empresária e não sair do seu pé em momento algum.

As mesmas garotinhas que viram Miley despontar de estrela do Disney Channel para o status de cantora pop cresceram e, a menos que sua nutrição tenha sido à base de leite com pera, desenvolveram algum senso crítico, fator que diferencia o fã de verdade do boçal cuja idolatria impede reconhecer que mesmo tal artista ou banda seja capaz de agir feito um mongolóide às vezes. A apresentação de Miley no VMA foi só o começo. A enormidade de vergonhas alheias que vieram na sequência não me deixam mentir.

A regra é clara no marketing musical: all press is good press. Ou seja, "falem mal, mas falem de mim". 


E motivos para falar mal não faltam.


Por Marcelo Vieira

Noturnall: crítica de Noturnall (2014)

sexta-feira, fevereiro 21, 2014
O Noturnall é a união dos integrantes do Shaman com Aquiles Priester. Apesar de a junção do grupo com o baterista sugerir um tipo de som - power metal com pitadas prog -, não é isso que se ouve em seu disco de estreia. E é justamente essa surpresa, essa quebra de paradigmas, que torna o primeiro álbum do Noturnall não apenas surpreendente, mas um peixe fora d’água da cena metálica brasileira.

A música que encontramos nas dez faixas deste debut é um metal moderno, agressivo, pesado pra caramba e, como não poderia deixar de ser devido ao histórico dos músicos, bastante técnico. A primeira surpresa é o timbre de Thiago Bianchi, que abandonou totalmente os agudos e canta de maneira agressiva, quase gutural, em grande parte do álbum, inserindo em alguns trechos vocais limpos. Em diversas passagens, sua voz lembra a de Russell Allen (Adrenaline Mob, Symphony X), por mais surpreendente que essa afirmação possa parecer. E essa mudança é uma das qualidades do trabalho, levando-o para o campo do metal contemporêneo. O instrumental segue a mesma linha, com riffs  sincopados e muito groove estourando as caixas de som. Influências sutis de Pantera, DevilDriver e até um certo clima Lamb of God podem ser identificados na música do Noturnall, e caminham lado a lado com o background apresentado pelos integrantes em trabalhos anteriores. Há, sim, inserções de melodia na mistura, e eles funcionam como pontes que ligam um trecho a outro nas composições.

Aquiles, que é um baterista infinitamente superior a Ricardo Confessori - o Shaman que não diz presente no Noturnall -, faz toda a diferença, com uma performance que é um arregaço e inscreve-se com facilidade entre os melhores desempenhos de sua carreira. Ao lado do baixo de Fernando Quesada, gravíssimo e inspirado, forma uma dupla pra lá de diferenciada.

A produção acertou a mão ao deixar todos os instrumentos ásperos, cortantes, bem na cara, reforçando a agressividade e a violência sonora. Um tiro certeiro de Allen, que também assina o disco.

Entre as faixas, vários destaques. A abertura com “No Turn At All” traz um show de Priester, seguida por “Nocturnal Human Side”, pedrada com a participação de Russell Allen. Aliás, outro ponto positivo do álbum são as guitarras de Léo Mancini, precisas nos riffs e com solos bem construídos. “Zombies”, “Master of Deception”, “St. Trigger” e “Fake Healers” são outros dos vários pontos altos. Em um disco onde o peso dá o tom, as baladas “Last Wish” e “The Blame Game” soam deslocadas e puxam o resultado para baixo. Sua ausência seria bem vinda e contaria pontos, pois ambas, além de bastante medianas, trazem de volta a sonoridade anterior do Shaman (incluindo o irritante timbre agudo de Bianchi), contrastanto com a inovação presente nas demais composições.

A estreia do Noturnall é uma surpresa muito bem-vinda. Consistente, o disco mostra uma faceta até então desconhecida dos músicos e soa muito superior a qualquer álbum gravado por eles com o Shaman. Em relação a Aquiles Priester a situação também é parecida, com este CD sendo claramente mais forte que os lançados pelo Hangar, banda onde o baterista é o poderoso chefão.

Nota 8

Faixas:
1 No Turn At All
2 Nocturnal Human Side
3 Zombies
4 Master of Deception
5 St. Trigger
6 Sugar Pill
7 Last Wish
8 Hate!!!
9 Fake Healers
10 The Blame Game

Por Ricardo Seelig

20 de fev de 2014

Biografia de Robert Plant será lançada no Brasil

quinta-feira, fevereiro 20, 2014
Ótima notícia: A Life, biografia de Robert Plant escrita por Paul Rees, será lançada no Brasil ainda no primeiro semestre de 2014. O livro foi publicado no final de outubro no mercado norte-americano e relata toda a trajetória do vocalista, dos tempos mágicos do Led Zeppelin até a atualidade. A obra tem 368 páginas e foi disponilizada nos Estados Unidos com capa dupla.

Ainda não sabemos a editora que lançará o livro no Brasil. A obra está em processo de tradução, notícia que nos foi confidenciada por um contato que trabalha como tradutor.

Por Ricardo Seelig

19 de fev de 2014

Kampfar: crítica de Djevelmakt (2014)

quarta-feira, fevereiro 19, 2014
Das bandas clássicas que forjaram o black metal da Noruega - a chamada segunda geração do gênero -, o Kampfar certamente é uma das que possui menos grife. Perto de nomes como Darkthrone, Mayhem, Emperor, Immortal e até mesmo o Burzum, a horda fundada e capitaneada por Dolk é deveras nanica em termos de apelo e reconhecimento. Musicalmente, porém, não fica devendo em nada. Basta ouvir o recém-lançado Djevelmakt - saiu em 27 de janeiro via Indie Recordings - para atestar a grandeza do quarteto.

Formado em 1994 na pequena cidade de Fredrikstad, o Kampfar surgiu da cinzas do Mock e completa 20 anos da melhor forma possível: com um trabalho primoroso em mãos. Se o mundo fosse um lugar justo, toda a aclamação em cima de Sunbather (2013), do Deafheaven, deveria, na verdade, recair sobre Djevelmakt. No entanto, como muitos críticos que elegeram o disco dos californianos o suprassumo da inovação no black metal entendem pouco ou quase nada do riscado, é até natural prever que o novo álbum de Dolk e cia passe um tanto quanto batido. No fim das contas, isso acaba não sendo demérito algum.

O fato é que Djevelmakt, sim, consegue explorar toda a musicalidade que muitos acreditam, de maneira equivocada, não existir no black metal. Sexto álbum de estúdio do Kampfar, o novo trabalho reúne em grande estilo os elementos que ajudaram a caracterizar a identidade da banda e hoje formam os três pilares da sonoridade encontrada em cada um dos sulcos de seus discos: a agressividade inerente ao gênero, a estética folk/pagã que acompanha o grupo desde os primórdios, bem como uma veia épica e progressiva, aliada ao crescimento técnico dos integrantes, e que vem ganhando cada vez mais espaço.

Tudo isso fica claro logo na abertura com "Mylder" - multidão, em português -, inclusive escolhida como primeiro single. Notas de piano dão o tom inicial e desembocam em uma canção que alterna ótimos momentos cadenciados, passagens mais velozes e o uso de flautas muito bem encaixadas. Um hino folk sem ser, necessariamente, folk metal. Muito pelo contrário. Nos quatro primeiros versos, Dolk berra 'Helvete!', que significa inferno, mas provavelmente refere-se também à loja de discos fundada em 1991 por Euronymous, líder/guitarrista do Mayhem e figura central na cena norueguesa. Helvete, a loja, se tornou lugar de encontro obrigatório entre os fãs de black metal no início dos 90's e certamente foi frequentada pelos integrantes do Kampfar. Desativada hoje em dia, virou ponto turístico de Oslo.

"Kujon" - covarde - talvez seja a melhor do disco. Possui um riff animalesco e uma levada pulsante de baixo/bateria muito bem construída, com as linhas vocais se encaixando perfeitamente. Um arraso. O aspecto épico se acentua ainda mais no começo de "Blod, Eder og Galle", com um sintetizador fazendo o clima, mas que rapidamente se vê cortado como pano de fundo para blast beats insanos na velocidade da luz. Quando o vocal entra, reduz-se o tempo, amenizando um pouco a parede sonora e criando uma bela amostra da versatilidade do Kampfar enquanto expoente de um dos gêneros mais extremos do metal.

"Swarm Norvegicus" é outro ápice dentre os vários pontos de destaque de Djevelmakt. Segundo single do disco, a música é uma aula de black metal. Ortodoxa, mas sem soar nem um pouco datada. Tudo que o Deafheaven sempre sonhou fazer. Sozinha, oblitera Sunbather quase que por completo. Tem uma levada cadenciada, atmosférica e orquestrada, contrastando com o vocal horripilante de Dolk, que alcança nesta faixa sua melhor atuação. "Fortapelse" - perdição - não brilha tanto por si só, mas segura as pontas.

Quando dá a impressão de que o nível pode cair um pouco, surge a imponente "De Dødes Fane", mais uma com certo groove até então impensável para uma banda da gélida Noruega. Boa combinação de riffs, pedais duplos e uma levada sincopada do meio para o final fazem dela forte postulante ao top 3 do track list, que se encerra com a discreta "Svarte Sjelers Salme" e o desfecho triunfal de "Our Hounds, Our Legion", na qual Dolk até arrisca vocais limpos no final. Algo como se o Manowar resolvesse tocar black metal. Mas sem tantas firulas, claro. 

Essa variedade deixa o álbum cativante e fácil de se ouvir. Não há sequer uma música ruim em Djevelmakt, que, na tradução livre, significa algo como 'devil's power' - poder do diabo - e é mais do que indicado para amantes de Windir, Immortal e Enslaved mais antigo. A estupenda capa é uma pintura original de 1981 do polonês Zdzisław Beksiński. Uma ou outra canção talvez não precisasse ser tão longa, mas nada que manche a qualidade final do trabalho. As melhores são "Kujon", "Swarm Norvegicus", "Mylder", "De Dødes Fane" e "Blod, Eder og Galle". Cinco pedradas do mais alto quilate e que dificilmente permitirão que se encontre concorrente à altura deste disco, candidatíssimo ao posto de melhor do ano na seara black metal.

Nota: 9


Faixas

1 Mylder 6:50
2 Kujon 7:25
3 Blod, Eder og Galle 6:37
4 Swarm Norvegicus 5:48
5 Fortapelse 4:49
6 De Dødes Fane 5:59
7 Svarte Sjelers Salme 3:44
8 Our Hounds, Our Legion 7:53

Por Guilherme Gonçalves

18 de fev de 2014

Rock in Rio 2015: como seria o nosso festival dos sonhos

terça-feira, fevereiro 18, 2014
Um exercício que, na verdade, é uma grande brincadeira, mas é sempre interessante: se você pudesse escolher as atrações do Rock in Rio, como montaria a escalação do festival?

Fiz o seguinte: baseado na última edição, que teve 7 noites e quatro atrações no Palco Mundo em cada dia, elaborei um line-up com as bandas que gostaria de ver no festival. Fiz apenas uma mudança: foquei o festival inteiro em rock, excluindo qualquer artista de outros estilos. Afinal, se nem em um hipotético Rock in Rio dos sonhos eu posso ter atrações só de rock e metal, onde mais poderia?

As noites foram programadas da seguinte maneira: uma para o rock/blues, duas para o classic rock, uma para o hard rock e três para o metal. As bandas estão programadas conforme a sua popularidade aqui no Brasil (no meu modo de ver, é claro), criando uma escala de shows acendente, com headliners incontestáveis em cada uma das noites.

Abaixo está como seria o meu Rock in Rio 2015 ideal. Alô Medina, dá uma olhada, se inspira e veja como não é difícil escalar um festival legal sem o Guns N’ Roses, Iron Maiden e Metallica, ok?

E aqui vão duas perguntas para você: em quais noites você iria nesse hipotético RiR e como seria o seu festival dos sonhos.

Dia 1

Edguy
Nightwish
Mötley Crüe
Rush

Dia 2

Wilco
Tedeschi Trucks Band
Jack White
Eric Clapton

Dia 3

Stone Sour
Testament
Anthrax
Dream Theater

Dia 4

Rival Sons
Alter Bridge
ZZ Top
Van Halen

Dia 5

Scorpion Child
Blackberry Smoke
Lynyrd Skynyrd
AC/DC

Dia 6

Volbeat
Trivium
Mastodon
Judas Priest

Dia 7

Slash
Foo Fighters
The Who
Rolling Stones

Por Ricardo Seelig

Os 200 melhores discos dos anos 2000 segundo a Metal Hammer

terça-feira, fevereiro 18, 2014
Todo final de ano a inglesa Metal Hammer, a principal revista especializada em heavy metal do planeta, publica a sua tradicional lista com os melhores do período. São levantamentos sempre interessantes, que apontam não apenas os álbuns que mais se destacaram, mas também futuras tendências, a consolidação de novas bandas e o retorno de outras.

Abaixo estão todas as dez listas relativas a cada um dos anos da década de 2000 publicadas pela Metal Hammer. Vale como registro histórico de uma época, como fonte de pesquisa para descobrir discos que por ventura tenham passado batido pelos ouvidos e até mesmo para se perguntar onde foram parar alguns grupos, afinal são nada mais nada menos que 200 títulos presentes.

Uma curiosidade: entre os vencedores de cada ano, apenas duas bandas se repetiram - Machine Head e Mastodon -, indicando o protagonismo que ambos os grupos continuam protagonizando.

Delicie-se! E, claro, conte-nos quais foram, para você, os melhores álbuns de metal lançados durante os anos 2000.

2000

1. Queens of the Stone Age - Rated R
2. Amen - We Have Come For Your Parents
3. Monster Magnet - God Says No
4. The Workhorse Movement - Sons of the Pioneers
5. A Perfect Circle - Mer De Noms
6. Disturbed - The Sickness
7. Raging Speedhorn - Raging Speedhorn
8. Pitchshifter - Deviant
9. Marilyn Manson - Holy Wood
10. At The Drive-In - Relationship of Command
11. One Minute Silence - Buy Now ... Saved Later
12. Deftones - White Pony
13. My Ruin - A Prayer Under Pressure of Violent Anguish
14. The Offspring - Conspiracy of One
15. Soulfly - Primitive
16. Earthtone 9 - Arc'tan'gent
17. AC/DC - Stiff Upper Lip
18. Spiritual Beggars - Ad Astra
19. Corrosion of Conformity - America's Volume Dealer
20. Limp Bizkit - Chocolate Starfish & The Hotdog Flavored Water


2001

1. System of a Down - Toxicity
2. Slipknot - Iowa
3. Rammstein - Mutter
4. Tool - Lateralus
5. Static-X - Machine
6. Slayer - God Hates Us All
7. Rob Zombie - The Sinister Urge
8. Fear Factory - Digimortal
9. Anyone - Anyone
10. Incubus - Morning View
11. Beautiful Creatures - Beautiful Creatures
12. Biohazard - Uncivilization
13. Ozzy Osbourne - Down to Earth
14. Boyhitscar - Boyhitscar
15. Clutch - Pure Rock Fury
16. Buckcherry - Time Bomb
17. Puddle Of Mudd - Come Clean
18. Machine Head - Supercharger
19. Nonpoint - Statement
20. Kittie - Oracle


2002

1. Soil - Scars
2. Audioslave - Audioslave
3. Queens of the Stone Age - Songs For the Deaf
4. Down - II - A Bustle in Your Hedgerow
5. Murderdolls - Beyond the Valley of the Murderdolls
6. Mushroomhead - XX
7. Spiritual Beggars - On Fire
8. Red Hot Chili Peppers - By the Way
9. Killswitch Engage - Alive or Just Breathing?
10. Hundred Reasons - Ideas Above Our Station
11. Korn - Untouchables
12. Fu Manchu - California Crossing
13. Glassjaw - Worship And Tribute
14. A - Hi-Fi Serious
15. Opeth - Deliverance
16. The Distillers - Sing Sing Death House
17. Finch - What It is to Burn
18. 30 Seconds to Mars - 30 Seconds to Mars
19. Five Pointe O - Untitled
20. Jerry Cantrell - Degradation Trip


2003

1. Machine Head - Through the Ashes Of Empires
2. Avenged Sevenfold - Waking the Fallen
3. Funeral For a Friend - Casually Dressed and Deep in Conversation
4. The Mars Volta - De-Loused in the Comatorium
5. Iron Maiden - Dance of Death
6. Opeth - Damnation
7. Anthrax - We've Come For You All
8. Deftones - Deftones
9. AFI - Sing the Sorrow
10. Arch Enemy - Anthems of Rebellion
11. The Darkness - Permission to Land
12. Metallica - St. Anger
13. Cave In - Antenna
14. DevilDriver - DevilDriver
15. A Perfect Circle - Thirteenth Step
16. Posion the Well - You Come Before You
17. Chimaira - The Impossibility of Reason
18. Turbonegro - Scandinavian Leather
19. The Distillers - Coral Fang
20. Mondo Generator - A Drug Problem That Never Existed


2004

1. Velvet Revolver - Contraband
2. Mastodon - Leviathan
3. Killswitch Engage - The End of Heartache
4. Slipknot - Vol. 3: The Subliminal Verses
5. The Bronx - The Bronx
6. Eighteen Visions - Obsession
7. My Chemical Romance - Three Cheers For Sweet Revenge
8. Nightwish - Once
9. The Haunted - Revolver
10. Lostprophets - Start Something
11. Clutch - Blast Tyrant
12. The Dillinger Escape Plan - Miss Machine
13. Shadows Fall - The War Within
14. Atreyu - The Curse
15. Motörhead - Inferno
16. Orange Goblin - Thieving From the House of God
17. Brides of Destruction - Here Comes the Brides
18. The Used - In Love and Death
19. Unearth - The Coming Storm
20. In Flames - Soundtrack to Your Escape


2005

1. Opeth - Ghost Reveries
2. Judas Priest - Angel of Retribution
3. Bullet For My Valentine - The Poison
4. Avenged Sevenfold - City of Evil
5. System of a Down - Mezmerize / Hypnotize
6. Trivium - Ascendancy
7. Fight Paris - Paradise Found
8. Clutch - Robot Hive / Exodus
9. Him - Dark Light
10. Arch Enemy - Doomsday Machine
11. Sentenced - The Funeral Album
12. God Forbid - IV: Constitution of Treason
13. Bloodsimple - A Cruel World
14. Nine Inch Nails - With Teeth
15. Coheed and Cambria - Good Apollo, I'm Burning Star IV, Volume One: From Fear Through the Eyes of Madness
16. Spiritual Beggars - Demons
17. Meshuggah - Catch 33
18. Grand Magus - Wolf's Return
19. Cathedral - Garden of Unearthly Delight
20. Immortal Lee County Killers III - These Bones Will Rise to Love You Again


2006

1. Mastodon - Blood Mountain
2. Slayer - Christ Illusion
3. Iron Maiden - A Matter of Life and Death
4. Dragonforce - Inhuman Rampage
5. AFI - Decemberunderground
6. Lamb of God - Sacrament
7. Satyricon - Now, Diabolical
8. In Flames - Come Clarity
9. Trivium - The Crusade
10. Children of Bodom - Are You Dead Yet?
11. The Sword - Age of Winters
12. Enslaved - Ruun
13. Tool - 10,000 Days
14. Alexisonfire - Crisis
14. Gallows - Orchestra of Wolves
16. Lostprophets - Liberation Transmission
17. Deftones - Saturday Night Wrist
18. Exit Ten - This World… They'll Drown
19. Scissorfight - Jaggernaught
20. Ihsahn - The Adversary


2007

1. Machine Head - The Blackening
2. Down - III: Over the Under
3. Mayhem - Ordo Ad Chao
4. Baroness - The Red Album
5. Clutch - From Beale Street to Oblivion
6. Turisas - The Varangian Way
7. Megadeth - United Abominations
8. Witchcraft - The Alchemist
9. High On Fire - Death is This Communion
10. Ministry - The Last Sucker
11. Porcupine Tree - Fear of a Blank Planet
12. Nightwish - Dark Passion Play
13. The 69 Eyes - Angels
14. Dimmu Borgir - In Sorte Diaboli
15. Deathspell Omega - Fas - Ite, Maledicti, In Ignum Aeturnum
16. Electric Wizard - Witchcult Today
17. Himsa - Summon in Thunder
18. Shadows Fall - Threads of Life
19. Primordial - To the Nameless Dead
20. Orange Goblin - Healing Through Fire


2008

1. Metallica - Death Magnetic
2. Opeth - Watershed
3. AC/DC - Black Ice
4. Testament - The Formation of Damnation
5. Gojira - The Way of All Flesh
6. Amon Amarth - Twilight of the Thunder God
7. Slipknot - All Hope is Gone
8. Meshuggah - Obzen
9. Grand Magus - Iron Will
10. Children Of Bodom - Blooddrunk
11. Trivium - Shogun
12. Cancer Bats - Hail Destroyer
13. Cavalera Conspiracy - Inflikted
14. Ihsahn - Angl
15. Satyricon - The Age of Nero
16. Black Stone Cherry - Folklore and Superstition
17. Airbourne - Runnin' Wild
18. Nine Inch Nails - The Slip
19. The Sword - Gods of the Earth

20. Motörhead - Motörizer

2009

1. Mastodon - Crack the Skye
2. Alice in Chains - Black Gives Way to Blue
3. Heaven & Hell - The Devil You Know
4. Slayer - World Painted Blood
5. Steel Panther - Feel the Steel
6. Megadeth - Endgame
7. Lamb of God - Wrath
8. Porcupine Tree - The Incident
9. Devildriver - Pray for Villains
10. Baroness - Blue Record
11. Converge - Axe to Fall
12. Rammstein - Lieve Ist Fur Alle Da
13. Kiss - Sonic Boom
14. Bigelf - Cheat the Gallows
15. Katatonia - Night is the New Day
16. Five Finger Death Punch - War is the Answer
17. Shrinebuilder - Shrinebuilder
18. Dream Theater - Black Clouds and Silver Linings
19. Behemoth - Evangelion
20. Sunn O))) - Monoliths and Dimensions


Por Ricardo Seelig

17 de fev de 2014

Alcest: crítica de Shelter (2014)

segunda-feira, fevereiro 17, 2014


Não simplesmente uma manifestação musical, o Alcest é desde a sua concepção um instrumento artístico de Stéphane “Neige” Paut, a ferramenta utilizada para descrever experiências que ele define como jornadas vividas em um sonho, em outro mundo durante a sua infância. Este conceito foi cada vez mais desenvolvido na combinação com o black metal em suas interpretações mais etéreas e atmosféricas, enveredado com as harmonias provenientes das influencias do post-rock e do shoegaze, resultando na fórmula que explica como cada um de seus discos foi cada vez mais cultuado ao longo dos anos.


E menos de dois anos após seu último álbum, Les Voyages de l’Âme, Neige e o baterista Winterhalter passaram dois meses no estúdio islandês Sundlaugin (que pertence ao Sigur Rós) acompanhados do produtor Birgir Jón Birgisson. Invariavelmente, tanto a cultura quanto o clima e a paisagem da isolada ilha serviram como inspiração para o que é apresentado em Shelter, quarto álbum do Alcest, lançado em janeiro pela Prophecy Productions. E isto se torna claro logo aos primeiros segundos.


Como se flutuando vagarosamente no oceano, aonde permaneceu estático durante incontáveis eras, sendo carregado sem rumo pelo movimento das águas, “Wings” é conduzida por vozes que lentamente se erguem até o inevitável despertar no início de “Opale”. Deixando a sensação de ter acordado perdido, ainda desnorteado entre o mundo desperto e o onírico, percebendo que o ar começa a lhe faltar, a faixa é praticamente a busca pela superfície e a retomada pelo controle enquanto os pulmões voltam a se encher e você boia, apenas olhando o sol em um céu límpido.


A insistente melodia em “La Nuit Marche Avec Moi” acelera o andamento dos eventos, como um turbilhão de lembranças voltando ao cérebro enquanto se olha ao redor desesperadamente em busca de um destino, e de alguma memória mais palpável. “Voix Sereine” é como o fim de uma exaustiva jornada, aonde estafado tanto física quando psicologicamente, alcança-se a terra firme depois de quase desistir e ser tragado mais uma vez pelo mar.


Interessante notar que até este momento, por mais suave e contemplativo que o Alcest esteja se apresentando, com as camadas atmosféricas de guitarra apenas criando um pano de fundo para as ecoantes melodias e a voz em sua interpretação cada vez mais etérea, em questão de imersão a experiência ao redor de um trabalho dos franceses permanece o mesmo.


Uma mudança de ato, “L’éveil des Muses” resgata um pouco do clima mais negativista presente nas obras anteriores, mas dentro da proposta de remodelar a sonoridade do grupo, um choque de realidade ao perceber que se encontra em um interminável deserto, um caminho incerto, quando voltar não é mais uma opção. Seguindo com um dos mais bonitos trabalhos instrumentais do disco, a faixa título carrega certo tom de nostalgia, como se fizesse referência ao próprio início, mas que de alguma forma também visualiza-se no futuro (ou ao menos se espera).


Contando com a participação de Neil Halstead, vocalista e guitarrista do Slowdive (banda apontada como a maior influência durante a concepção deste álbum - e que se reuniu recentemente, aliás), “Away” é uma balada que foge um pouco do molde do restante das faixas presentes aqui, tomando caminhos baseados no escapismo que os acordes acústicos conseguem proporcionar por si só.


A jornada se encerra com o crescendo de “Déliverance”, um contemplativo clímax que não apenas resume tudo o que foi apresentado ao longo de cada música, mas que de alguma forma também soa como o objetivo final, como o grande propósito da obra, apoiado em todas as outras. Não coincidentemente, a impressão de estar perante um abismo sem fim, apenas observando o horizonte dividido pelo céu e o mar cresce a cada mudança de andamento em seus dez minutos que fecham o disco.


Shelter representa muito mais do que uma mudança no paradigma sonoro do Alcest. Não apenas a banda inicia um processo traumático (mas recompensador) de desconstrução da sua identidade ao fazer referência à simplicidade apresentada no início da carreira, como volta ao básico para iniciar uma viagem completamente nova. Essa intenção talvez explique como cada composição parece estreitamente ligada a um sentimento de nostalgia, memórias de tempos mais simples, que, se encarado como tal, promovem a criação de imagens mentais adaptadas a realidade de cada um.


A escolha por abandonar os elementos mais extremos, do trabalho de vozes aos blastbeats, assim como a complexidade estrutural (predominante em Les Voyages de l’Âme) afastam cada vez mais da explorada fórmula do post-black metal/blackgaze, porém em nenhum momento em detrimento das melodias, que ganham ainda mais destaque sobre as etéreas e crepusculares camadas que acompanham todo o disco.


Neige recentemente declarou que não consegue vislumbrar o Alcest abordando o black metal em sua sonoridade novamente. E se esta nova jornada mantiver o nível de imersão e qualidade de Shelter, o mais belo álbum de 2014 até o momento, há todo um oceano à frente a ser explorado pelos franceses.


Nota 9


Faixas:
1 Wings
2 Opale
3 La Nuit Marche Avec Moi
4 Voix Sereine
5 L’éveil des Muses
6 Shelter
7 Away
8 Déliverance


Por Rodrigo Carvalho

Discografia Comentada: Trivium

segunda-feira, fevereiro 17, 2014
Uma das melhores bandas do metal contemporâneo, o Trivium foi formado em 2000 na cidade de Orlando, na Flórida. Desde o início, o grupo tinha como objetivo produzir uma música que unisse elementos do metalcore, death melódico e thrash metal, a tríplice coroa que forma a identidade única do seu som. A formação inicial do quarteto contava com Brad Lewster (vocal), Matt Heafy (guitarra), Brent Young (baixo) e Travis Smith (bateria). Lewster, no entanto, deixou o grupo após alguns shows e seu posto foi assumiu por Heafy, que acumulou também a função de guitarrista.

Talhada na estrada e forjada nos shows, a banda aprimorou a sua sonoridade e gravou em 2003 um EP auto-intitulado e contendo sete faixas. Este disco, lançado de forma independente, chegou aos ouvidos da gravadora alemã Lifeforce, que decidiu apostar no grupo e assinou com os americanos. O Trivium entrou então em estúdio e saiu de lá com Ember to Inferno, seu primeiro disco.

Em 2004, já com um disco na bagagem, o Trivium adicionou um segundo guitarrista, Corey Beaulieu, e, logo depois, substituiu o baixista Brent Young por Paolo Gregoletto. Com o line-up estabilizado, a banda escalou a passos largos a hierarquia do heavy metal, lançando discos aclamados que colocaram seu nome em evidência em todo o planeta.

Com uma discografia sólida e consistente, o Trivium já lançou seis álbuns de estúdio - cinco deles pela gravadora Roadrunner -, além de diversos singles e clipes. Abaixo apresentamos todos os discos da banda, com comentários sobre cada um deles.

Ember to Inferno (2003)

O primeiro álbum do Trivium foi lançado pela Lifeforce em 14 de outubro de 2003. Com canções que alternam trechos mais agressivos com passagens onde a melodia é a protagonista, o embrião da sonoridade da banda está aqui. Uma das primeiras produções assinadas pelo hoje requisitado Jason Suecof (que nos anos seguintes seria o responsável por álbuns de nomes como Chimaira, DevilDriver, The Black Dahlia Murder, All That Remains e Job For a Cowboy, entre muitos outros), Ember to Inferno é claramente inferior e menos maduro que os discos posteriores, mas possui as suas qualidades. Canções como “If I Could Collapse the Masses”, “Fugue (A Revelation)” e “Requiem” antecipam o caminho que a banda seguiria nos anos seguintes e apresentam frescor e energia. Bastante influenciado pelo Metallica dos primeiros anos, Ember to Inferno foi gravado quando os integrantes do Trivium eram bastante novos - Heafy tinha apenas 17 anos de idade e já impressionava pela sua performance - e reflete essa juventude em suas dozes faixas. Trata-se de um trabalho sincero e interessante, que apresentou uma sonoridade singular e que seria aprimorada com afinco nos anos seguintes. (Nota 6)

Ascendancy (2005)

Com o profético título de Ascendancy, o segundo álbum do Trivium foi o responsável por colocar os holofotes do cenário metálico sobre o quarteto norte-americano. Estreia do grupo pela Roadrunner, o disco chegou às lojas em 15 de março de 2005 e foi produzido por Matt Heafy e Jason Suecof e marcou a estreia da formação que levaria a banda ao topo: Heavy, Beaulieu, Gregoletto e Smith. A evolução em relação à estreia é atordoante, com composições que mostram o grupo a milhas de distância do disco de 2003. Aqui, a união de características de metal tradicional com a agressividade de estilos como o thrash e o death faz emergir uma música vigorosa e ao mesmo tempo acessível, e que cativou multidões em todo o planeta. Assinando todas as doze faixas, Matt Heafy consolidou em Ascendancy o domínio sobre o caminho criativo da banda, e mostrou estar no caminho certo. Outro fator digno de menção é a força da parceria de Matt com Corey Beaulieu, responsável não apenas pelas excelentes guitarras que ouvimos em todo o álbum, mas também pelo início de uma parceria que seria uma das forças matrizes do quarteto - Beaulieu é co-autor de seis das doze canções. Ao resenhar o álbum em 2007, escrevi que “o uso de elementos oitentistas, principalmente as influências de Iron Maiden e Metallica, fazem o Trivium se destacar dos outros nomes da chamada New Wave of American Metal. Os riffs de Matt Heafy e Corey Beaulieu equilibram-se entre o peso do thrash e a melodia da NWOBHM e, unidos à capacidade da banda em compor grandes refrãos, fazem com que a audição se transforme em uma experiência muito agradável a qualquer fã de heavy metal”. Entre as faixas, destaque para “Rain”, “Pull Harder on the Strings of Your Martyr”, “Drowned and Torn Asunder”, “Like Light to the Flies”, “The Deceived”, “Declaration” e “A Gunshot to the Head of Trepidation”. O alto nível geral faz até uma faixa mediana como “Dying in Your Arms”, gravada claramente com o objetivo de se tornar um hit, passar batida. Estima-se que Ascendancy já tenha vendido mais de 500 mil cópias desde o seu lançamento, e o disco se tornou um dos prediletos da legião de fãs do grupo. A imprensa também caiu de quatro pela banda, com a Kerrang! elegendo o trabalho o melhor de 2005 e a Metal Hammer colocando o álbum na sexta posição em lista de final de ano. Ascendancy foi lançado também em duas edições especiais, ambas disponibilizadas pela Roadrunner em 2006. A mais simples vem com três faixas bônus - “Blinding Tears Will Break the Skies”, “Washing Me Away in the Tides” e uma versão para “Master of Puppets”, do Metallica -, enquanto a dupla, que ganhou o adendo Special Edition ao título e uma capa diferente da original, traz um DVD bônus com clipes e o vídeo Live at the London Astoria. A tour do trabalho contou com shows no Ozzfest e no Download Festival, eventos que foram vitais para tornar o grupo mais conhecido. Um dos discos mais emblemáticos e importantes do metal dos anos 2000, Ascendancy é item obrigatório na coleção de todo e qualquer metalhead. (Nota 8)

The Crusade (2006)

Um ano e meio após Ascendancy e já carregando no peito o status de uma das melhores novas bandas do cenário metálico, o Trivium soltou The Crusade no dia 10 de outubro de 2006. Mais uma vez com Jason Suecof e co-produzido pela própria banda, o álbum trouxe treze faixas que mantém o mesmo nível do trabalho anterior, quando não soam superiores a ele. The Crusade foi o primeiro CD do Trivium a ser lançado no Brasil, e ao resenhá-lo na época do seu lançamento escrevi: “Há um resgate da fase áurea do heavy metal, quando as bandas do estilo estavam entre as maiores do planeta. O Trivium dá um grande passo nesse novo álbum, transformando-se de uma promessa em uma das novas forças do metal”. Pessoalmente, gosto mais de The Crusade do que de Ascendancy, e isso passa pela percepção de que as canções deste terceiro disco são mais bem resolvidas. Tudo está no lugar certo, em faixas que trazem grandes riffs, linhas vocais cativantes, refrãos para cantar junto e melodias de guitarra que grudam de imediato na cabeça. Entre os destaques estão “Ignition”, “Detonation”, “Entrance of the Conflagration”, “Unrepentant”, “Becoming the Dragon”, “To the Rats” (uma das faixas mais velozes da carreira do grupo) e “Contempt Breeds Contamination”, além da sensacional faixa-título, uma obra-prima instrumental que desfila riffs em mais de oito minutos de uma overdose guitarrística. Ao lado das guitarras, o principal destaque do álbum é a bateria de Travis Smith, com viradas sensacionais, e também os vocais de Matt, que aqui inseriu o timbre limpo de sua voz ao lado dos já conhecidos guturais. O grupo experimenta novos caminhos em canções como “And Sadness Will Sear”, que troca a avalanche de melodia por riffs mais sincopados, e em “The Rising”, com guitarras que flertam abertamente com o festeiro hard californiano. The Crusade teve boa performance comercial, atingindo número expressivo de vendas nos Estados Unidos, Austrália, Canadá, Alemanha, Irlanda e na Inglaterra, onde alcançou a sétima posição nas paradas. A imprensa elogiou bastante o álbum, que ganhou nota 9 na Metal Hammer e na Total Guitar e um 3,5 de 5 na Rolling Stone. Aliás, a Metal Hammer deu ao disco a nona posição em sua lista de melhores de 2005. A turnê levou o grupo a abrir shows do Iron Maiden e do Metallica, além de excursionar junto com Machine Head, Arch Enemy, DragonForce e Shadows Fall na turnê Black Crusade. (Nota 8,5)

Shogun (2008)

Lançado em 30 de setembro de 2008, Shogun é o ápice da primeira fase da carreira do Trivium. Aqui, todos os elementos que formam a sonoridade particular da banda convergem de maneira perfeita em algumas das melhores composições do grupo. Produzido por Nick Raskulinecz (Foo Fighters, Stone Sour, Rush) e pela própria banda, Shogun traz onze faixas contundentes. Ao resenhá-lo em 2008, apontei que “as influências de sempre - o thrash da Bay Area e a NWOBHM - continuam presentes, mas, diferentemente dos álbuns anteriores, que forneceram munição para alguns críticos apontarem o grupo como mera reciclagem do que já havia sido feito anteriormente, aqui elas se unem de maneira sólida na construção de uma sonoridade avassaladora e contagiante, que tem tudo para agradar tanto fãs saudosistas do metal oitentista quanto as gerações mais jovens de headbangers”. Assim como havia feito em The Crusader, Heafy alterna vocais guturais e passagens onde canta com a sua voz limpa, criando contrastes interessantes. Os destaques estão em “Kirisute Gomen”, “Torn Between Scylla and Charybdis”, o banho de melodia de “Into the Mouth of Hell We March”, “Throes of Perdition”, “Like Callisto to a Star in Heaven” e a estupenda faixa-título, um heavy metal esplêndido que beira os doze minutos de duração. O álbum foi muito bem nas paradas, chegando ao número 1 no Reino Unido, 4 na Austrália e no Canadá, 6 no Japão e na posição 23 da Billboard, além de ser top 100 em 18 países. Na crítica especializada, 4 de 5 estrelas por Chad Bower no About.com, 4,5 de 5 no AllMusic e 4 de 5 no Metal Sucks, além da 11ª posição nos melhores do ano da Metal Hammer. A turnê durou até 2009, com o gruporodando os Estados Unidos duas vezes, onde bandas como Chimaira, Darkest Hour, Black Tide e Rise to Remain abriram os seus shows, e tocando em festivais como o Mayhem. Ainda em 2008 o álbum ganhou uma edição especial dupla com capa diferente da original incluindo três faixas bônus - “Poison, the Knife or the Noose”, “Upon the Shores” e o cover da clássica “Iron Maiden”, de vocês sabem quem - e um DVD bônus com o making of. (Nota 8,5)

In Waves (2011)

Apesar do sempre crescente reconhecimento e sucesso, o Trivium enfrentou alguns problemas na turnê de Shogun, questões essas que levaram à saída do baterista e fundador Travis Smith em outubro de 2009. Nick Augusto, técnico de bateria de Smith, foi escolhido como substituto e deu sequência à turnê. Além da mudança na formação, o grupo alterou também o seu produtor, escolhendo Colin Richardson (Behemoth, Carcass, DevilDriver) para produzir o seu quinto disco. Lançado em 2 de agosto de 2011, In Waves é o melhor álbum de toda a carreira do Trivium. Amenizando um pouco as melodias e apostando em riffs curtos e sincopados, o grupo gravou um disco que se tornou rapidamente uma das referêcias do metal moderno. A banda soa mais pesada e agressiva, características que tornaram a sua música ainda mais eficiente. Puxado pela faixa-título e primeiro single, In Waves dividiu a crítica, que rachou a opinião em relação ao álbum entre reviews positivos (4/5 no AllMusic, 4/5 na Kerrang!, 4/5 no Loudwire, 8/10 na Q Magazine) e outros nem tanto (2/5 no The Guardian, 4/10 no PopMatters, 3/5 na Revolver). A mesma divisão pode ser percebida entre os fãs, com uma parcela não aceitando de bom grado as mudanças na sonoridade do grupo. No entanto, a negativa reação inicial se mostrou exagerada, uma vez que o álbum renovou a música da banda e foi, com o tempo, apagando qualquer sinal de não aceitação. As faixas são muito fortes, com destaque para “In Waves”, “Inception of the End”, “Watch the World Burn”, “Black”, “Built to Fall” e “Forsake Not the Dream”. Ao analisar o trabalho em meu review, escrevi que “é difícil enquadrar o Trivium em um estilo específico, e o mais correto é dizer que a banda faz um metal atual e contemporâneo, pura e simplesmente”. O disco chegou à primeira posição na parada de Hard Rock da Billboard, foi número 6 no Japão, 8 na Alemanha e 13 no Billboard 200. Na lista de melhores do ano da Metal Hammer, alcançou a posição número 27. A turnê levou a banda para todo o mundo - inclusive o Brasil - e os shows contaram com a abertura de nomes como Ghost, Rise to Remain, Kyng e Veil of Maya, além de uma tour como co-headliner com o In Flames e participações nos festivais Metaltown, Download e Wacken Open Air. In Waves possui uma edição especial com cinco faixas extras - “Ensnare the Sun”, “Drowning in Slow Motion”, “A Grey So Dark”, “Shattering the Skies Above” e o cover de “Slave New World, do Sepultura - e um DVD bônus com documentário sobre a produção, clipes e performance ao vivo no estúdio. (Nota 9)

Vengeance Falls (2013)

Lançado em 15 de outubro de 2013, o sexto e até agora mais recente álbum do Trivium teve produção de David Draiman, vocalista do Disturbed, e o seu toque foi sentido com clareza no resultado final, inclusive com alguns fãs e jornalistas afirmando que certas composições soavam demasiadamente semelhantes à banda de Draiman. Conclusão equivocada e apressada ao meu ver, já que Vengeance Falls trouxe o Trivium seguindo firme em sua evolução. Em relação a In Waves, há um retorno à sonoridade que consagrou a banda, com uma quantidade maior de elementos que remetem à discos com Ascendancy e The Crusade mesclados ao caminho mostrado no álbum de 2011. Mais uma vez e como sempre, há grandes composições repletas de refrãos que encaixam de imediato, como é o caso de “Brave This Storm”, “Vengeance Falls”, a ótima “Strife”, “At the End of This War”, “No Way to Heal”, “Through Blood and Dirt and Bone”, “No Hope for the Human Race” e “As I Am Exploding”. Recebido de braços abertos pela crítica, Vengeance Falls ganhou um 8 da Metal Hammer, 4 de 5 estrelas no The Guardian e nota 7 na Classic Rock Magazine. Comercialmente, o álbum alcançou a segunda posição no Japão, a oitava na Austrália e ficou com o décimo-quinto posto no Billboard 200. Em meu review, afirmei que “Vengeance Falls tem um ponto em comum e outro nem tanto com In Waves, último trabalho da banda. O ponto em comum é que, mais uma vez, o grupo liderado pelo vocalista e guitarrista Matt Heafy gravou um trabalho de qualidade superior, que beira a nota máxima. Já o aspecto que difere o novo álbum do anterior é justamente uma de suas maiores qualidades: a melodia. Enquanto o disco de 2011 havia um foco maior na agressividade, em Vengeance Falls a melodia retorna em pé de igualdade, com linhas vocais cativantes, solos que grudam no ouvindo e refrãos feitos sob medida”. A turnê do álbum ainda está em andamento, com a banda viajando o mundo ao lado de grupos como DevilDriver, Sylosis e After the Burial. (Nota 8,5)

Além destes seis discos, o Trivium lançou também o já citado EP Trivium (2003) e inúmeros singles e clipes. Como curiosidade, vale mencionar que quatro dos seis álbuns da banda estão disponíveis também em vinil: The Crusade (2006), Shogun (2008), In Waves (2011) e Vengeance Falls (2013).

Por Ricardo Seelig

O rock progressivo ano após ano: 15 discos para entender 1969

segunda-feira, fevereiro 17, 2014
Prólogo


Nos últimos dois artigos (1967 e 1968) eu expliquei um pouco de onde o rock progressivo veio e porque a psicodelia foi tão importante para o o gênero. Agora chegou a hora de meter o pé nas portas da percepção e entrar de vez no mundo prog.

Parte 1 – 1969 e os homens do século XXI


1969 foi o ano que fez com que o rock progressivo entrasse de vez em todas as gravadoras da época. E não só isso, esse foi o ano em que discos absolutamente importantes foram lançados, perpetuando assim de vez o prog como um importante passo a frente no mundo do rock.



Parte 2 – No limiar de um sonho


1969 deu vida ao sonho que os dois anos anteriores ousaram ter. Não apenas as bandas nunca haviam sido tão ousadas antes, mas também importantes grupos nasciam (como o Yes e o King Crimson). Para completar a cereja do bolo, os Beatles lançavam seu canto do cisne em formato prog.

Parte 3 – Ratos quentes

Abaixo seguem a lista dos 15 discos essenciais para entender 1969:

King Crimson – In the Court of the Crimson King


In the Court of the Crimson King pode muito bem ser considerado o bastião, o baluarte do rock progressivo clássico. Não só isso, a faixa de abertura “21st Century Schizoid Man” é o que de mais moderno tinha sido gravado até então, desafiando e dizimando qualquer tentativa anterior de qualquer outro grupo de soar moderno e de outro mundo. O disco, além de dar ao mundo a banda mais enigmática da história do prog, também registrou uma lenda futura em disco: Greg Lake.



Ouça In the Court of the Crimson King aqui.


The Beatles - Abbey Road

Os Beatles nunca foram uma banda de rock progressivo, ponto. Mas é fato que tudo que o quarteto de Liverpool tocou acabou influenciando mais da metade das bandas do gênero. Como se não bastasse o passo à frente de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, a banda deu mais um quando resolveu que gravaria um último disco e então encerraria as atividades (Let It Be é outra história). Abbey Road tem o lado 2 completamente tomado por uma suíte que traz diversas faixas unidas entre si, que se não eram uma única suíte em essência, funcionavam perfeitamente desse jeito. O álbum, mais uma vez na história dos Beatles, influenciaria um sem-número de outras bandas.

Ouça Abbey Road aqui.

Yes – Yes


O primeiro disco do Yes ainda não tem o estilo grandioso que pegaria o mundo prog de surpresa alguns anos depois, mas é inegável que a banda era diferente de todas as outras. Apesar de ainda não ter nem Rick Wakeman nem Steve Howe em sua formação, os indefectíveis vocais de Jon Anderson e o baixo de Chris Squire já estavam lá. É verdade que ainda havia faixas como a cover dos Beatles “Every Little Thing” no repertório, mas o que chamava mesmo a atenção eram as composições próprias cheia de estilo como “Looking Around” e “Survival”.

Ouça Yes aqui.

Pink Floyd – Ummagumma

O Pink Floyd, depois de ter que chutar seu líder um ano antes, lutava pra encontrar uma nova direção em sua carreira. Em julho daquele ano tinha lançado a mediana trilha-sonora More e em outubro vinha armado com um disco duplo e com conceito meia-boca. Ummagumma traz o primeiro LP recheado com quatro faixas gravadas ao vivo, em que a banda adota um som completamente espacial. O segundo disco, gravado em estúdio, dava a cada um dos integrantes a chance de aparecer com composições e ideias próprias. O resultado final é bem mediano, mas a verdade é que foi um passo importante para a banda encontrar a sua própria personalidade, fato que seria sentido com força total no ano seguinte.

Ouça Ummagumma aqui.

Jethro Tull – Stand Up


Alguns irão exclamar: “mas esse disco do Jethro Tull não é progressivo!”. E eu vou concordar com quem disser isso. No entanto, Stand Up é definitivamente o primeiro álbum da banda inglesa a ter influências progressivas, influências essas que se tornariam cada vez mais fortes, até explodirem em 1972.

Ouça Stand Up aqui.

Genesis – From Genesis to Revelation


O Genesis tem uma baita história complicada com o seu primeiro disco. Pra começo de conversa, a banda soubera que outro grupo já tinha o nome Genesis, por isso a capa original do disco não trazia o nome da banda, só o título. From Genesis to Revelation também tem outra história curiosa: os direitos do álbum pertencem na realidade ao primeiro empresário da banda, Jonathan King. Os músicos eram jovem demais na época e não entendiam patavinas de negócios. Mais tarde King venderia os direitos do disco para TODO MUNDO (o site Rate Your Music sozinho lista 55 edições diferentes do álbum). Nesse primeiro LP a banda era comandada por King, que acabou puxando o som do Genesis para um baroque pop a la Bee Gees (do começo de carreira). Esse álbum foi absolutamente importante, no entanto, exatamente pelo que ele é. Depois dele a banda demitiria King e daria uma guinada de 360 graus.



Ouça From Genesis to Revelation aqui.


Frank Zappa – Hot Rats

Zappa lançou outro álbum em 1969 (Uncle Meat), no entanto é em Hot Rats que sua mistura entre jazz, rock, psicodelia e prog tomou a forma perfeita! Com o tempo Zappa, sempre mutante, mudaria seu som, fazendo com que esse disco se tornasse um marco dentro da discografia do músico americano. Em tempo, “Peaches en Regalia” e “Willie the Pimp” são clássicos absolutos!



Ouça Hot Rats aqui.

Procol Harum – A Salty Dog


No ano anterior o Procol Harum tinha ido mais longe do que todas as outras bandas quando gavou “In Held ‘Twas In I” em seu segundo álbum, Shine on Brightly. Todas as expectativas para com a banda eram altas quando o seu terceiro disco, A Salty Dog, foi lançado. Apesar de ser um trabalho conceitual, A Salty Dog acabou por mudar demais o direcionamento da música do Procol Harum e o rock progressivo apresentado como precursor no disco anterior não aparece por aqui. Esse álbum ainda seria o último a contar com as guitarras de Robin Trower e o baixo de Dave Knights.



Ouça A Salty Dog aqui.

Can – Monster Movie


Os alemães do Can sempre foram doidões, e o primeiro disco da banda, Monster Movie, afirma e comprova isso. Rock psicodélico, jazz, blues, world music e experimentações se somam no álbum em pouco mais de 38 minutos. Em tempo: se esse álbum já parece moderno, saiba que essa foi uma tentativa da banda em soar mais comercial. O primeiro disco na verdade tinha sido gravado em 1968 e iria se chamar Prepared to Meet Thy Pnoom, no entanto nenhuma gravadora se interessou pelo álbum, a maioria alegava que o som não era nada comercial. Esse disco seria lançado em 1981 sob o título de Delay 1968. A faixa que consome todo o lado 2 do LP, “You Doo Right”, tem mais de 20 minutos de duração, no entanto isso é pouco quando entendemos que a faixa foi editada depois da banda gravar uma jam session de mais de 6 horas.

Ouça Monster Movie aqui.

The Moody Blues – On the Threshold of a Dream

Em 1969 o Moody Blues lançou dois álbuns: On the Threshold of a Dream foi lançado em abril e To our Children's Children's Children em novembro. No entanto, o primeiro aparece nessa lista por continuar com as experimentações anteriores da banda com trabalhos conceituais, nesse caso lidando com os sonhos. Musicalmente falando, o Moody Blues acabaria se afastando do rock progressivo ano após ano, começando pelo sucessor de On the Threshold of a Dream.

Ouça On the Threshold of a Dream aqui.


The Nice – Nice

O terceiro do The Nice (banda de Keith Emerson) trazia o grupo aperfeiçoando o som que o disco anterior, Ars Longa Vita Brevis, tinha iniciado. O álbum trazia o lado 1 com quatro músicas de estúdio e o lado 2 gravado ao vivo com apenas duas canções, a clássica “Rondo ‘69” e uma versão de mais de 12 minutos de “She Belongs to Me”, de Bob Dylan. A título de curiosidade. o disco tem um sub-título: Everything as Nice as Mother Makes It (numa tradução literal: tudo tão bem quanto a mãe fez).

Ouça Nice aqui.

Van der Graaf Generator – The Aerosol Grey Machine


Tudo iniciou como um álbum solo de Peter Hammill, que tinha começado as gravações em julho de 69 com os membros do Van der Graaf Generator como músicos de estúdio. No entanto, a gravadora Mercury insistiu para que o disco fosse lançado com o nome da banda. The Aerosol Grey Machine ainda traz o VDGG com muitas tintas psicodélicas, no entanto é fácil de entender o gigante progressivo que a banda iria se tornar nos próximos álbuns.



Ouça The Aerosol Grey Machine aqui.

Renaissance – Renaissance

O Renaissance clássico que os fãs de prog conhecem (com Annie Haslam e Michael Dunford) ainda não estava presente nesse primeiro disco. Na realidade, a formação da banda era completamente diferente, contando com Keith Relf e Jim McCarty (vindos do Yardbirds). Em seus dois primeiros álbuns o grupo experimentava com folk, psicodelia e música clássica. Apesar de ser completamente diferente do Renaissance clássico, o disco de estreia do grupo (que mais tarde seria reformado pelo empresário) traz tudo que o rock progressivo sinfônico precisa: longas faixas, muitos pianos e órgãos e a música clássica como parâmetro. A história da banda é um tanto complexa nesse período e uma conferida na Wikipedia ajuda bastante.



Ouça Renaissance aqui.

Touch – Touch

Touch? Que diabos essa banda está fazendo aqui?”, você provavelmente vai se perguntar. O Touch foi uma banda de vida curta e formada pelo vocalista e tecladista do The Kingsmen, Don Gallucci. O disco de estreia gravado em 1968 teve gente como Mick Jagger, Grace Slick (Jefferson Airplane) e Jimi Hendrix comparecendo nas gravações, e o álbum mostra um som absurdamente contemporâneo e diferente para 1969, ainda mais tendo em conta que o disco não teve nenhum sintetizador presente e todos os sons foram criados através de outras técnicas. O álbum, apesar de raro e sem sucesso comercial, foi influência direta para bandas como Yes, Uriah Heep e Kansas. Inclusive o guitarrista/compositor do Kansas, Kerry Livgren, já afirmou em entrevistas que ele tem duas cópias desse álbum em sua casa até hoje, tamanho foi o impacto que o disco causou nele e em suas futuras composições. A banda encerrou as atividades assim que o álbum foi lançado. O disco foi relançado em 2012 pelo selo inglês Esoteric Antenna.



Ouça Touch aqui.

Le Orme – Ad Gloriam

Ad Gloriam
é o primeiro play da banda Italiana Le Orme. O disco foi lançado no início de 1969 e traz um som bem diferente do que veríamos dois anos mais tarde. Ao invés do rock progressivo sinfônico que todos os fãs de Le Orme adoram, Ad Gloriam traz a banda completamente embebida de psicodelia. Não apenas isso, a formação na época era diferente do famoso trio (baixo, teclados e bateria) que os tornaria famosos. O disco de estreia dos italianos era composto por um quinteto que trazia além do trio Aldo Tagliapietra (voz e violões – mais tarde baixo), Tony Pagliuca (teclados) e Michi Dei Rossi (bateria), também Nino Smeraldi (guitarras) e Claudio Galieti (baixo). Após esse primeiro disco e uma coletânea com singles e faixas mais antigas a banda se transformaria no trio que todos conhecem e se tornaria completamente prog já no próximo disco.


Epílogo

Como vocês podem bem ver, 1969 foi o alicerce fundamental de todos os álbuns clássicos gravados nos próximos anos dentro do gênero. Importante bandas lançaram seus primeiros discos nesse ano e nos próximos elas seriam as maiores bandas de todos os tempos dentro do rock progressivo.

Não concorda comigo? Acha que está faltando alguma coisa? Pisei na bola? Acertei em cheio? A seção de comentários te espera para que possamos debater esse ano de maravilhas!

Por Diego Camargo, do Progshine
Especial para a Collectors Room

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