8 de mar de 2014

Site cobra para resenhar discos: veja como o esquema funciona

sábado, março 08, 2014
Sempre falamos como a imprensa "especializada" em heavy metal aqui no Brasil é cheia de vícios, troca de favores e tampinhas nas costas. Um clube de compadres onde a ética inexiste.

Pois bem. O texto abaixo nos foi enviado por uma banda nacional há tempos na estrada e com vários discos já lançados, cujos integrantes e gravadora ficaram indignados - e com razão - ao tomarem conhecimento da proposta abaixo. Omitimos apenas o nome do veículo, bem como o da banda citada. No mais, leiam e vejam como as coisas funcionam no metáu nassionau, infelizmente:

Acabamos de receber dois materiais de vocês. Eu vos informei no e-mail anterior que iríamos mudar o nosso plano de downloads, tornando-o mais rentável pra gente. Aproposta é a seguinte:

Resenhas de 1 álbum enviado: R$ 50,00
Resenhas de 2 álbuns ou mais enviados: R$ 40,00 (cada)

Lembrando que o XXXXXXXXX é inovador na área de podcast de resenhas de álbuns, sendo ainda o único que tem esse formato de opinião direto. Mantemos uma linha média de 600 downloads por episódio, porém já alcançamos 1.600 como foi o exemplo do álbum do XXXXXXXXX, enviado por vocês. Além do nosso canal do YouTube, que já conta com 20.000 views e tende apenas a crescer. E lembrando que é áudio, ou seja, é muito mais chamativo e prende muito mais o cliente quanto ao produto/música exposta no programa, pra exemplificar bem, nós reproduzimos duas músicas no álbum para transmitir a ideia da resenha direto no áudio.

Espero que os senhores considerem a nossa proposta. Caso aceitem, entrem em contato no nosso e-mail que responderemos logo em seguida.

Obrigado.

E ia, quanto vale um review? E, mais importante: quanto vale a integridade de cada um?

Por Ricardo Seelig

7 de mar de 2014

Os cinco melhores discos de heavy metal lançados em fevereiro segundo o About.com

sexta-feira, março 07, 2014

Como prevíamos, o Behemoth estaria na lista dos cinco melhores de fevereiro. Não deu outra. Os poloneses não só apareceram, como foram direto para o posto mais alto. Quem não deu as caras foi o Grand Magus, que parece não ter agradado muito Chad Bowar e sua equipe.

Completam a lista da editoria de heavy metal do About.com os novos trabalhos do Truckfighters, Mantar, Sunn O))) & Ulver e TrenchRot. Nada ainda de muito espetacular, mas que já dá para ir brincando. A expectativa é de que a coisa esquente nos próximos meses.

E para você? Quais foram os discos mais bacanas dos últimos 28 dias?

Para ver a lista anterior, de janeiro, basta clicar aqui!

1. Behemoth - The Satanist

Teria sido fácil tentar chegar ao topo de sua produção com algo grandioso e com várias camadas, mas, ao invés disso, o Behemoth escolheu fazer de seu retorno triunfal algo mágico, contido e despojado de tanto esforço. O que revela a força muscular de seu death/black metal.

Seria impossível e indesejável para o Behemoth voltar com um disco alegre e contente. Em vez disso, The Satanist é uma celebração que se encaixa perfeitamente na estética da banda: um bacanal negro e turvo.

2. Truckfighters - Universe

Há uma boa razão para Josh Homme, do Queens of the Stone Age, ter chamado o Truckfighters de 'a melhor banda que já existiu'. Apesar de ser da Suécia, esse trio - cujo último lançamento é Universe - tem conseguido criar, de alguma forma, o mais melódico e encharcado fuzz rock que se tem notícia.

Eles também são lendários pelos shows altos e energéticos. Turnês constantes deixaram o Truckfighters em ótima forma em Universe, o oitavo disco da banda. Quase não há pontos fracos no álbum, mas as duas últimas faixas, "Dream Sale" e a absolutamente estelar "Mastodont" são os grandes destaques.

3. Mantar - Death By Burning

Death By Burning, do Mantar, é o que acontece quando dois europeus furiosos combinam o noise da AmRep com um pouco de rock sério e obscuro. Para uma banda de apenas duas peças, e ainda por cima sem baixo, há nesse disco de estreia, de forma surpreendente, tons graves o suficiente para preencher todo um quarteirão. Podem apostar, os caras do Mantar são magos. Senhores da guerra. Maléficos.

Os riffs dessas dez músicas são sujos e infeccionam a banda, que opta por uma finesse bruta, lenta e em tempo espaçado. Parece que o baterista esmurra seu kit com ossos de Brontosauro ao invés de baquetas. A faixa falada/instrumental "The Berserkers Path" termina com a frase: 'Eles servem um único mestre, que é a destruição". Soa um tanto quanto correto.

4. Sunn O))) & Ulver - Terrestrials

A gênese de Terrestrials ocorreu depois que membros do Sunn O))) e do Ulver sentaram para uma jam durante uma noite em um estúdio na Noruega, logo após um show do Sunn O))).

Percebe-se que Terrestrials poderia ser ou se tornar a trilha sonora de um filme de estradas desertas. O vocal de Kristoffer Rygg no final da canção melhora o humor, proporcionando uma agradável conclusão para este álbum de drone/doom: foi feito por especialistas.

5. TrenchRot - Necronomic Warfare

Necronomic Warfare, do TrenchRot, é uma das mais impressionantes estreias de banda americana de death metal na história recente. O grupo da Filadélfia combina a velha escola do death sueco com a pressão do thrash para um resultado esmagador. Além disso, o nome da banda e a arte da capa são matadores. Se você tem uma banda de death metal, esse tipo de coisa conta pontos.

Mais importante, esses caras são compositores dinâmicos. "Gustav Gun" começa com uma linha melódica que parece egípcia, chega a um tremolo death antes de se dissolver em um lento e galopante riff, tudo isso no espaço de apenas 60 segundos. E a produção é suja e crua o bastante para não impedir a agressividade do TrenchRot. Necronomic Warfare prova que o death metal americano está qualquer coisa, menos morto.

Por Guilherme Gonçalves

Bandas de Um Disco Só: Wild Boyz

sexta-feira, março 07, 2014
Quando publicou O Retrato de Dorian Gray, em 1890, Oscar Wilde não poderia imaginar que o envaidecido jovem, personagem principal do livro e símbolo da decadência da juventude vitoriana, se transformaria em nome de banda de hard rock farofa quase um século depois.

Ironicamente, os mesmos cinco jovens que atendiam pelo nome de Dorian Gray virariam Wild Boyz — originalmente Wilde Boyz — logo após obterem alguma visibilidade na abarrotada cena de Los Angeles, com uma demo de três músicas lançada em 1988 e shows que davam, estourando, mil pagantes. Na época, a mídia dos EUA já apontava suas lentes, ainda que com moderação, para a costa leste. Mas ninguém poderia imaginar, naquela altura do campeonato, que o rock oriundo da nublada Seattle decretaria o fim do hair metal tão rapidamente.

Ainda assim, restou ao Wild Boyz lançar seu único álbum, Unleashed!, pela minúscula Polaris Records, em 1991. Logo às primeiras notas de "Pleazure N' Pain", faixa que abre o trabalho, nota-se uma energia contagiante comprometida, infelizmente, por uma gravação de nível inferior. Willie D. oferece um vocal que vai do grave limpo ao agudo em falsete, com direito a rasgados à la Quiet Riot. Perde uns décimos no quesito pronúncia, mas está pra nascer um cantor nesse estilo que possua um inglês cantado de forma impecável. Em matéria de guitarras, Valentino e Joey Wylde não ficam devendo em quase nada para duplas mais famosas. E a cozinha, a exemplo de muitas outras, não ousa sair do básico.

Mais à frente, temos "Take Me" (ótimo refrão) e uma baladaça nos moldes de "Home Sweet Home" com uma letra que é pura lamentação de mesa de bar: "Forever". O álbum termina em clima de faroeste com "Cowboy Ride", a "Wanted Dead or Alive" da banda.

O single "I Don't Wanna Cry No More" — não mencionei antes por achar esta, justamente, a pior música do disco — teve lá seus dias na programação da MTV e em listas das mais pedidas em rádios locais. Entrevistas, matérias em jornais, pocket shows em lojas de discos e pedidos vindos da Europa e do Japão deram a falsa impressão de que a coisa poderia engrenar ... mas o ano era 1991 e o resto da história vocês todos já devem saber de cor.

O Wild Boyz desapareceria sem deixar vestígio. Na internet, seu legado é administrado pela ex-A&R da Polaris, Michelle, em parceria com K. Lee Lauren, ex-baterista da banda.

Por Marcelo Vieira

Apanhado classic rock de fevereiro

sexta-feira, março 07, 2014
Atendendo a pedidos e inspirados no trabalho realizado pelo nosso colega Guilherme Gonçalves em seus apanhados dedicados ao death, thrash e black metal, segue abaixo um pequen levantamento sobre as notícias mais interessantes relacionadas ao classic rock que chegaram nos últimos dias. Nas próximas edições prometemos apanhados mais profundos para os leitores.


Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters, está com uma nova banda chamada The Birds of Satan. Ao lado do baixista Wiley Hodgen e do guitarrista Mick Murphy, Hawkins, responsável também pelo vocal, faz um som hard rock com tempero alternativo, alguns toques de prog e momentos calmos proporcionados por baladas. Dave Grohl e Pat Smear, companheiros de Taylor no Foo Fighters, confirmaram participação no primeiro disco do trio, auto-intitulado e com data de lançamento marcada para 14 de abril. Clique no link e ouça “Thanks for the Line”, faixa que estará no álbum.


A cine biografia de Jimi Hendrix, All is By My Side, teve o seu primeiro teaser divulgado. O material está em produção há bastante tempo e conta com Andre 3000, do Outkast, no papel do mítico guitarrista. O filme, dirigido John Ridley, roteirista do premiado 12 Anos de Escravidão, é focado no período em que Hendrix estava construindo a sua fama, culminando com a lendária participação do músico no Festival de Monterey de 1967. O filme estreará nos Estados Unidos nas próximas semanas.


Eric Clapton, que completa 69 anos no próximo dia 30 de março, dá sinais cada vez mais claros de que pretende se aposentar nos próximos meses. O músico divulgou uma carta endereçada aos fãs japoneses agradecendo os anos de apoio mas informando que não realizará mais longas turnês. O plano de Clapton é realizar shows apenas esporadicamente e em locais mais próximos de onde reside. Ou seja, muito provavelmente apenas Estados Unidos e alguns países europeus verão o deus da guitarra ao vivo de agora em diante.


O Deep Purple anunciou o lançamento da edição especial em comemoração aos 40 anos do clássico Made in Japan, considerado por muitos o melhor disco ao vivo de todos os tempos. Made in Japan retornará às lojas dia 19 de maio em um box com 4 CDs, 1 DVD e um single em vinil de 7 polegadas, além de um longo encarte com informações e fotos. O material também será dispinibilizado em uma caixa com 9 (!) LPs, CD duplo, CD simples e em formato digital.


O Queen está na capa da nova edição da revista inglesa Classic Rock. O número 195 da publicação conta tudo sobre o segundo álbum da banda, Queen II, lançado em 1974. A revista traz também matérias com The Stranglers, Monster Truck, Bruce Springsteen, Zakk Wylde, Mike Oldfied e outros, além de um CD com 16 novas bandas selecionadas pela revista.

Por Ricardo Seelig

6 de mar de 2014

Thrash, southern, stoner: 10 novas bandas para você atualizar o seu playlist

quinta-feira, março 06, 2014
A cada dia que passa, mais e mais bandas surgem no universo do rock e do metal. Existem grupos para todos os gostos. Porém, em minha opinião, os nomes que mais têm se destacado são aqueles voltados para o thrash metal e o stoner / hard 70. Vou listar aqui dez bandas que lançaram grandes discos nos últimos anos e estão atraindo a atenção do público europeu e das grandes gravadoras especializadas em heavy metal.

Hatchet - Dawn of the End (2013)

Essa banda formada na Bay Area pratica um thrash metal do mais alto nível. Com fortes influências de Death Angel e Exodus, o som do Hatchet é altamente técnico e cheio de riffs que deixarão o ouvinte preso às dez pedradas que compõem o seu disco de estreia. Destaque para “Silenced by Death”, “Fall From Grace” e “Signals of Infection”.

Warpath - Damnation (2008)

Outra pedrada thrash, porém dessa vez vinda do Reino Unido. O Warpath foi formado em 2003, porém somente em 2008 lançou o seu disco de estreia. O quarteto produz um thrash altamente recomendado para fãs de Slayer (alguns riffs parecem ser feitos pelo mestre Jeff Hanneman) - ouça o riff no meio de “Damnation” e comprove. Destaques: “Damnation”, “Infernal” e “Life Unworthy of Life”.

Rusted Brain - High Voltage Thrash (2013)

Essa é uma das minhas preferidas da nova safra thrash metal. Vindo da Polônia, o Rusted Brain produz um som rápido e direto, com muita influência de Kreator fase Pleasure to Kill e fo Metallica fase Kill ‘Em All. Impossível ouvir a voz de Damian Lodowski e não lembrar de James Hetfield, o timbre é muito parecido. As nove pedradas contidas no disco são dignas de dores no pescoço por dias. Altamente recomendado! Pena o álbum ter apenas pouco mais de 28 minutos. Destaques: “Caught in the Fire”, “Waiting for Death”, "Caught in the Fire" e “High Voltage Thrash”.

Scar The Martyr - Scar The Martyr (2013)

Aqui temos uma banda como uma proposta sonora mais moderna. O Scar The Martyr é um projeto (que possivelmente vai se transformar no grupo principal) do baterista Joey Jordison, ex-Slipknot. A banda, além de Joey, possui em sua formação Jed Simon, guitarrista do Strapping Young Lad, e Chris Vrenna, do Nine Inch Nails. O som é um metal atual com influência de Slipknot (óbvio), com destaques para os pesados riff de Jed e as linhas sempre marcantes de Joey. Destaques: “Dark Ages”, “My Retribution”, "Blood Host" e “Soul Disintegration”.

Dirty York – Feed the Fiction (2013)

O Dirty York é uma banda australiana e pratica um hard rock com muitas influências de Black Crowes e algumas pitadas de southern rock. Feed the Ficton é o terceiro disco da banda, e, em minha opinião, o mais sólido de todos. Tudo aquilo que um fã de Black Crowes e southern rock gosta está aqui. Belas melodias de guitarra e vocais cheios de feeling estão por todas as faixas do disco. Destaques: “Be Home and Alive”, “Stitches in My Pocket” e a maravilhosa balada “Dollar Bet Man”.

Mothership - Mothership (2012)

O Mothership é uma banda do Texas e pratica um stoner metal simplesmente avassalador  e altamente indicado para fãs dos conterrâneos The Sword. O primeiro disco está repleto de riffs Iommianos e baixos pulsantes no melhor estilo do Black Sabbath. É incrível como as novas bandas de stoner estão passando por um momento absurdamente produtivo. Parece que a volta do Sabbath (bingo!) fez com que a molecada redescobrisse o velho som dos anos 1970. Destaques: “Cosmic Rain” e a destruidora “Eagle Soars”.

Horisont - Time Warriors (2013)

Aqui temos uma baita banda de hard 70 na escola Deep Purple, Led Zeppelin e afins. Este grupo sueco lançou em 2013 seu terceiro trabalho, Time Warriors, e tem sido muito elogiado na Europa. A banda cresceu muito em termos de composição desde o debut, Tvá Sidor Av Horisonten. Após o lançamento de Time..., o grupo caiu na estrada com o Scorpion Child e alguns festivais europeus já os confirmaram este ano. Destaques: “Writing on the Wall”, “Diamonds In Orbit” e “She Cried Wolf”.

Robert Pehrsson's Humbucker - Robert Pehrsson's Humbucker (2013)

Robert Pehrsson é guitarrista do fabuloso Imperial State Electric. E adivinhem? Fez um som absurdamente empolgante como o Imperial. Rock and roll em sua mais pura essência, com influências de Kiss fase Unmasked e The Hellacopters. O disco de estreia é excelente e possui várias faixas dignas de destaque: “Haunt My Mind”, “Serious”, “Wasted Time” e a melhor de todas, “Who Else is on Your Mind”, com seu refrão extremamente grudento e suas guitarras à la Thin Lizzy. Disco perfeito para se ouvir com os amigos tomando uma bela cerveja.

The Vintage Caravan - Voyage (2014)

Para terminar, provavelmente a maior revelação do ano. Esses moleques, adolescentes mesmo, estão fazendo um som totalmente empolgante e com raízes da década de 1960 e 1970 à flor da pele. O som transita facilmente entre Blue Cheer, Deep Purple, Black Sabbath, The Who e afins. O primeiro disco do trio saiu de forma independente, porém chamou a atenção da Nuclear Blast, que logo tratou de contratá-los. Fico imaginando o poder de fogo da banda daqui a uns cinco anos. Pode anotar aí, ainda ouviremos falar muito do Vintage Caravan. Destaques: “Craving”, “Let Me Be”, “Cocaine Sally” e “Expand Your Mind”.

O espaço é curto para mostrar a quantidade de bandas novas existentes. Muitos nomes excelentes ficaram de fora, óbvio, mas com o tempo vamos mostrando mais a todos. Como aperitivo, vou citar algumas aqui e o caro leitor pode parar de preguiça e ir atrás também: Huntress, Zodiac, Bloody Hammers, Brutus, Spirit Caravan, Corroded ...

Por Boris Grilo

Cynic: crítica de Kindly Bent to Free Us (2014)

quinta-feira, março 06, 2014


O Cynic é uma banda de contratempos. Seja em sua proposta musical, ou em sua trajetória ao longo dos anos. Afinal de contas, entre a sua idealização em 1987 até o retorno das atividades em 2006 transcorreram-se praticamente duas décadas, durante as quais Paul Masvidal e Sean Reinert não apenas estiveram envolvidos em inúmeros projetos, como deixaram um legado ao heavy metal com Focus, trabalho de estreia da banda em 1993, considerado um dos marcos mais importantes do progressivo – e cuja história daria facilmente um texto a parte.

Acompanhados do baixista Sean Malone, o grupo vem caminhando em marcha lenta desde a reunião, tendo lançado o álbum Traced In Air em 2008, seguido por Re-Traced e Carbon-Based Anatomy, dois anos depois. Porém, esse grande espaço de tempo é justificado pela proposta adotada pelo Cynic, que pretende não apenas repetir a exaustão o que já foi feito em seu debut, mas estar constantemente se reinventando e aglomerando novas influências ao redor de sua música. O novo resultado desta postura está em Kindly Bent To Free Us, terceiro álbum dos americanos, lançado pela Season of Mist no dia 14 de fevereiro.

Seguindo o fluxo de pensamento apresentado nos dois recentes EPs, há uma harmonia principal em “True Hallucination Speak”, um trilho que serve de guia para qualquer exacerbação virtuosa que possa ocorrer por todo o álbum. E talvez esta simplicidade na linha comum seja o segredo para manter os eixos um tanto quanto menos dinâmicos, ainda que a técnica instrumental ainda esteja ali. Ao mesmo tempo em que o lado mais extremo ecoa de forma distante pelo espaço, a miríade de camadas construídas pelas linhas dos instrumentos não ergue-se apenas em cima da complexidade rítmica. De estruturas muito mais simples, mas ainda próxima ao rock progressivo conduzido pela veia jazz, “The Lion’s Roar” soa tão semelhante à primeira faixa, que chega a ser fácil achar que o álbum ainda não avançou.

A faixa-título, porém, cria uma ambientação flutuante, resgatando um pouco dos ritmos mais velozes ao mesmo tempo em que incorpora bem vindas trilhas espaciais, deixando aquela sempre incomoda sensação de estar vagando completamente desorientado pelo universo. O tom cósmico praticamente assombra cada segundo do álbum, ainda mais palpável na sugestiva “Infinite Shapes” e suas intervenções psicodélicas trazidas pelos timbres sintetizados, assim como em “Moon Heart Sun Head” e o relativo resgate da sonoridade de Traced In Air (o interlúdio com discurso de Alan Watts torna tudo ainda mais profundo, diga-se de passagem).

Novamente adepta da simplicidade, “Gitanjali” é um dos momentos mais amigáveis aos menos habituados à proposta do Cynic, com mudanças de andamento facilmente identificáveis, sem se desligar das impressões alienígenas que o álbum construiu até o momento. “Holy Fallout”, por outro lado, chega a soar inexplicavelmente difícil de ser acompanhada no decorrer de seus quase sete minutos, devido à sucessão instrumental quase desconexa, que muda como uma incontrolável sequencia de reações químicas, sob um jogo de vozes ainda mais hipnótico.

Aproximando perigosamente do post-rock e no formato de uma canção de ninar, o álbum encerra com “Endlessly Bountiful” e seus ruídos e melodias que abandonam para trás a sensação de estar atravessando as últimas fronteiras do universo enquanto lentamente se desintegra, restando apenas poeira ao passo em que a música diminui.

Tratando-se de um álbum do Cynic, tudo parece em seu devido lugar: eles deixaram de ser uma banda de heavy metal com influência de jazz e progressivo há muito tempo, para se tornarem uma banda de jazz e rock progressivo que acidentalmente inclui elementos próprios do heavy metal em sua música. E neste quesito, Kindly Bent To Free Us consegue ir a locais até então inexplorados pelo trio, embora fosse um rumo já esperado considerando o desenrolar de seus últimos trabalhos.

Muito mais atmosférico, preocupado em criar a ambientação necessária para a sua exploração musical, eventualmente desacelerando o excesso técnico (considerando de quem estamos falando, você já deve imaginar que o resultado não é exatamente simples), o grupo esbarra em diversos momentos com as interestelares camadas características de um space rock, com serenidade típica do que o post-rock desenvolveu ao longo dos anos. As linhas vocais e de vocoder, como se em câmera lenta, catalisam o efeito hipnótico da música ao ser combinada nos diversos níveis sonoros. Porém, a linha guia que percorre todo o disco, acaba por deixar uma impressão de homogeneidade, uma constância que por mais condizente que seja com a sensação de estar perdido no espaço, parece tornar o álbum muito mais longo do que realmente é.

O Cynic sempre foi notável por ser uma banda desafiadora, claro. E Kindly Bent To Free Us permanece com esta mesma ideia, em cada uma de suas músicas, que soam individualmente impecáveis, mas enfrentam um sério problema ao funcionar como um todo. Mesmo contando com alguns memoráveis momentos e a execução técnica sempre perfeita, ainda parece faltar algo que preencha alguns espaços vazios entre as composições. Algo que complete os conceitos líricos e transmita um sentimento forte o suficiente para que a experiência não pareça interminável e incômoda às nossas mentes. Falta uma alma que as conecte.

Não encare como a mais agradável das jornadas. Ainda não sabemos se ela tem volta.

Nota 7

Faixas:
1 True Hallucination Speak
2 The Lion’s Roar
3 Kindly Bent To Free Us
4 Infinite Shapes
5 Moon Heart Sun Head
6 Gitanjali
7 Holy Fallout
8 Endlessly Bountiful

Por Rodrigo Carvalho

Top Collectors Room: os 30 melhores álbuns de death metal de todos os tempos

quinta-feira, março 06, 2014
Se em nossa lista sobre os melhores discos de thrash metal havia uma concentração clara em um número pequeno de bandas que foram responsáveis pelos principais trabalhos do gênero popularizado na Bay Area de San Francisco, em nosso levantamento sobre o death metal o que percebemos é a predominância de títulos lançados entre o final da década de 1980 e os primeiros anos da década de 1990. Esse foi justamente o período em que o gênero surgiu e se consolidou, e o resultado final demonstra o quanto aqueles trabalhos inovadores ainda seguem sendo as referências máximas do estilo.

Como chegamos ao resultado final desta lista com os melhores discos de death metal de todos os tempos? Pesquisamos dez listas semelhantes publicadas ao longo dos anos por veículos como Decibel, Terrorizer, About.com Heavy Metal e outros, e também os dados presentes nos sites Rate Your Music, All Music e Metal-Archives. Com base nessas informações, computamos tudo e chegamos à lista abaixo. Ela, é claro, não tem em nenhum momento a pretensão de soar nem próxima de algo definitivo, mas serve como um guia para dar os primeiros passos do gênero.

Com vocês, os 30 melhores discos de death metal de todos os tempos:

30 Cannibal Corpse - Tomb of the Mutilated (1992)
29 Bolt Thrower - Realm of Chaos (1989)
28 Death - Spiritual Healing (1990)
27 Deicide - Legion (1992)
26 Death - Leprosy (1988)
25 Immolation - Dawn of Possession (1991)
24 Amorphis - Tales From the Thousand Lakes (1994)
23 Obituary - Cause of Death (1990)
22 Autopsy - Mental Funeral (1991)
21 Death - Symbolic (1995)
20 Morbid Angel - Blessed Are the Sick (1991)
19 Death - Scream Bloody Gore (1987)
18 Katatonia - Brave Murder Day (1996)
17 Carcass - Heartwork (1993)
16 Death - The Sound od Perseverance (1998)
15 Suffocation - Effigy of the Forgotten (1991)
14 Cryptopsy - Nose So Vile (1996)
13 Bolt Thrower - War Master (1991)
12 Death - Individual Thought Patterns (1993)
11 Entombed - Clandestine (1991)
10 Pestilence - Consuming Impulse (1989)
9 Autopsy - Severed Survival (1989)
8 At the Gates - Slaughter of the Soul (1995)
7 Carcass - Necroticism: Descanting the Insalubrious (1991)
6 Atheist - Unquestionable Presence (1991)
5 Death - Human (1991)
4 Deicide - Deicide (1990)
3 Dismember - Like an Ever Flowing Stream (1991)
2 Entombed - Left Hand Path (1990)
1 Morbid Angel - Altars of Madness (1989)

Por Ricardo Seelig

5 de mar de 2014

Apanhado death/thrash/black de fevereiro

quarta-feira, março 05, 2014

Voltando do carnaval? Nada melhor do que limpar o tímpano com novas músicas, notícias e vídeos que talvez tenham passando batido no curto mês de fevereiro. A seguir, um apanhado com coisas interessantes que pintaram nos últimos 28 dias no universo subterrâneo do metal.


Começando com o Mayhem e seu despertar de um longo inverno nuclear...

Mayhem

O Mayhem pegou muita gente de surpresa ao anunciar para maio um novo álbum de estúdio. Não bastasse a notícia em si, a lendária banda norueguesa agiu rápido e divulgou de imediato o lyric video de "Psywar", primeira música inédita em sete anos.

O single Psywar será lançado apenas em abril e, além da interessante faixa homônima, que pode ser conferida abaixo, trará também outra canção nova, "From Beyond the Event Horizon", até o momento ainda não revelada, assim como o título do full lenght, que segue sob mistério e será o sucessor do já longínquo Ordo ad Chao (2007).

Assim que foi colocado à disposição para pré-venda no site da Season of Mist, Psywar disparou como item mais vendido da gravadora sem sequer estar lançado. E se mantém assim já há algumas semanas. O Mayhem atual é formado por Necrobutcher (baixista e um dos fundadores), Hellhammer (bateria), Attila Csihar (vocal) e Teloch (guitarrista).


Autopsy

Quem também surpreendeu ao anunciar novo trabalho foi o Autopsy. Não por encerrar um longo hiato, como o Mayhem, mas por ter acabado de lançar The Headless Ritual (2013). 

O sucessor se chamará Tourniquets, Hacksaws & Graves e sairá no dia 29 de abril via Peaceville Records. As gravações, realizadas no Fantasy Studios, tiveram produção de Adam Munoz e já foram concluídas. Será o sétimo disco de estúdio nos norte-americanos, donos de dois clássicos absolutos do metal da morte: Severed Survival (1989) e Mental Funeral (1991).


Emperor

Em 2014, o aclamado In the Nightside Eclipse (1994) completa vinte anos. Motivo mais do que suficiente para 3/4 da formação que gravou o álbum se reunir e tocá-lo na íntegra.

Ihsahn, Samoth e Faust já reativaram o Emperor, que fará shows e participará de grandes festivais, como Wacken, Sweden Rock, Bloodstock, dentre outros, tocando cada uma das nove músicas presentes em In the Nighrside Eclipse. Dos integrantes que o gravaram, somente Tchort, atualmente no Carpathian Forest e no Green Carnation, não participará.

A primeira foto oficial da reunião pode ser conferida acima.

Vampire

Prestes a lançar seu homônimo disco de estreia, o Vampire disponibiliou para streaming mais duas faixas do trabalho: "Under the Grudge" e "The Fen". Confira!


Enthroned

O Enthroned anunciou para abril o lançamento de Sovereigns, décimo álbum de estúdio da banda. Detalhes como arte da capa e tracklist já foram revelados. Além disso, os belgas também já disponibilizaram uma das novas músicas: "Of Feathers and Flames". Ouça aqui!

1 Anteloquium
2 Sine Qua Non
3 Of Feathers and Flames
4 Lamp of Invisible Lights
5 Of Shrines and Sovereigns
6 The Edge of Agony
7 Divine Coagulation
8 Baal al-Maut
9 Nerxiarxin Mahathallah

Ressonância Mórfica

Os goianos/manauaras do Ressonância Mórfica lançaram um vídeo que capta a execução de duas músicas: "Teratismo" e "Dergo Death Grind". Ambas devem figurar no próximo trabalho da banda, ainda em processo de gravação e cujo título não foi divulgado.


Infamous Glory

Com 15 anos de estrada e de death metal nas costas, os paulistanos do Infamous Glory acabam de lançar o que se tornou o primeiro videoclipe da banda. Para tanto, a música escolhida para foi "Nihilist Despair", presente no álbum Bloodfeast (2013). Assista aqui!

Nocturnal Breed

Mais uma música nova do Nocturnal Breed na área: "Cursed Beyond Recognition", que estará presente no tracklist de Napalm Nights, disco novo dos noruegueses e com lançamento prevista agora para março. Um épico black/thrash metal!


Massacre

O remodelado Massacre disponibilizou para streaming a música "As We Wait to Die", responsável por abrir Back From Beyond, álbum que marca o retorno da banda. Será o primeiro full lenght dos norte-americanos em 18 anos. O novo disco teve produção de Tim Vazquez, já está concluído e sai agora na virada de março para abril.


Brutal Truth

Uma das lendas do death/grindcore americano, o Brutal Truth lançou clipe para a música "The Stroy", presente em The Axiom of Post Inhumanity (2013), split com o Bastard Noise.


Test

"Direção/Desastre", música nova do Test, ganhou vídeo. A propósito, muito bem construído perante a concepção do som da banda. A canção deve pintar no próximo trabalho do duo paulistano, formado por João Kombi (guitarra/vocal) e Barata (bateria). Confira aqui!

Aborted

Os belgas do Aborted finalizaram as gravações de The Necrotic Manifesto, oitavo álbum da banda. Mais detalhes do novo trabalho também foram divulgados, como a arte da capa (veja acima) e o tracklist, composto por 14 faixas. O lançamento será no final de abril.

1 Six Feet Of Foreplay
2 The Extirpation Agenda
3 Necrotic Manifesto
4 An Enumeration Of Cadavers
5 Your Entitlement Means Nothing
6 The Davidian Deceit
7 Coffin Upon Coffin
8 Chronicles Of Detruncation
9 Sade & Libertine Lunacy
10 Die Verzweiflung
11 Excremental Veracity
12 Purity Of Perversion
13 Of Dead Skin & Decay
14 Cenobites

Pyrrhon

Para amantes do death metal complexo e intrincado de nomes como Gorguts, Portal e Ulcerate, o Pyrrhon parece uma boa pedida. A banda lança na virada de março para abril o segundo álbum de estúdio, que se chamará The Mother Of Virtues. Serão nove faixas no tracklist, sendo que "Balkanized" já está disponível para streaming - ouça!

1 The Oracle of Nassau
2 White Flag
3 Sleeper Agent
4 Balkanized
5 Eternity in a Breath
6 Implant Fever
7 Invisible Injury
8 The Parasite in Winter
9 The Mother of Virtues


Lost Society

Em abril, os garotos do Lost Society lançam Terror Hungry, segundo álbum da ainda curta carreira. Um aperitivo já foi disponibilizado: "Lethal Pleasure".


Hirax

Immortal Legacy, recém-lançado álbum do Hirax, já está disponível na íntegra para streaming. Confira o novo trabalho da lenda Katon de Pena e cia aqui!

Por Guilherme Gonçalves

3 de mar de 2014

1984: três décadas de um ano mágico

segunda-feira, março 03, 2014
Se realizarmos uma pesquisa com os fãs de rock e heavy metal sobre quais anos foram os melhores anos para ambos os gêneros, uma grande parte vai responder que a década de 80 foi a década mágica. Claro que também concordo com tal afirmação, afinal, muitos discos clássicos foram concebidos nessa década.

Cada um pode ter uma opinião diferente, mas, alguns anos daquela época em especial foram superiores aos outros em termos de lançamentos. Claro que jamais chegaremos a um consenso comum sobre qual foi o melhor ano. Em minha opinião, 1984 foi um dos mais especiais, já que uma enxurrada de lançamentos sensacionais foram concebidos esse ano. 1984 foi pautado especialmente por alguns gigantes da época mostrarem ao grande público que não estavam para brincadeira.

 

Iron Maiden - Powerslave

Com aquele que pode ser considerado sua obra-prima, o disco que fez com que a banda estourasse de vez no mundo todo, e os consolidando como um dos maiores nomes do heavy metal em todo o planeta. Músicas como "Aces High", "2 Minutes to Midinight", "Powerslave" e a épica "The Rime of the Ancient Mariner" são verdadeiras obras primas do metal.

 

Metallica - Ride the Lightning

Este disco, assim como o Master of Puppets (1986), pode ser considerado como o ápice do Metallica. A banda estava começando a mostrar ao mundo o seu poder,e moldando seu som a partir desse lançamento. Músicas como "Fade to Black" e "The Call of Ktulu" mostravam que o quarteto estava ficando cada vez mais técnico, sem abandonar o peso característico. Destaque absolutos para um dos grandes hinos do thrash metal, "Creeping Death".

 

Judas Priest - Defenders of the Faith

Após a consolidação definitiva no concorrido mercado norte-americano com o disco anterior, o também espetacular Screaming for Vengeance (1982), o Priest mostrou que não estava para brincadeira e lançou a continuação perfeita. Esse disco é muito especial para mim, é dele a primeira música de metal que ouvi na vida: "Freewheel Burning". Talvez se não tivesse ouvindo essa música minha vida teria sido muito diferente hoje, e muito mais chata, diga-se de passagem.

 

Scorpions - Love at First Sting

Os alemães nessa época já estavam no auge. Com o disco anterior, o espetacular Blackout (1982), a banda havia atingido o mundo e estava no topo. Love at First Sting só consolidou a espetacular fase que a banda estava vivendo. Estão neste disco as mais do que clássicas e manjadas "Rock You Like a Hurricane" e "Still Loving You", que tocaram e tocam exaustivamente nas rádios rock do mundo. Ótimo álbum. Pena que, depois disso ...

 

Bruce Springsteen - Born in the USA

O grande The Boss com o seu mais aclamado álbum. Clássico atrás de clássico. Não existe sequer uma canção ruim nesse disco.Não por acaso, ele está tocando o disco na íntegra em alguns shows, como pudemos presenciar aqui no Brasil, no último Rock In Rio. Ouça e tente não se emocionar com "Born In The USA", "Darlington County",  "Bobby Jean", "Glory Days" e "Dancing In The Dark". Impossível. Disco obrigatório!

 

Deep Purple - Perfect Strangers

O bom e velho Purple estava de volta. E melhor, com aquela que pode ser considerada sua melhor formação, o MKII. O disco foi pautado pelos clássicos "Knocking at Your Back Door", "Nobody's Home" e a faixa-título. O álbum rendeu uma ótima tour. Pena que após esse disco as coisas entre a banda começaram a novamente a ficar tensas.

 

Dio - The Last in Line

A grande voz do metal com seu clássico segundo álbum. Dio, após sair do Black Sabbath, entrou de cabeça em uma carreira solo espetacular. Tanto o disco de estreia, Holy Diver (1983), quanto Last in Line são clássicos incontestáveis não só da carreira do mestre Dio, mas como do Metal. "Last in Line", "We Rock" e "Egypt (The Chains Are On)" são os grandes carros chefes do trabalho.

 

Van Halen1984

O último disco com David Lee Roth como vocalista pode não ser uma unanimidade entre os fãs da banda, mas possui grandes músicas que se tornaram clássicas. "Jump" e "Panama" são bons exemplos disso.

 

Whitesnake - Slide It In

Esse foi o responsável por abrir as portas do mercado norte-americano para a banda. Com uma formação excelente, tendo como guitarrista o grande John Sykes, David Coverdale deu ao mundo um disco recheado de ótimas músicas: "Guilty Of Love", "Love Ain´T No Stranger", "Slide It In" e "Slow An´Easy" caíram imediatamente no gosto dos rockeiros. Como curiosidade, o disco possui duas mixagens: umaamericana (somente Sykes como guitarrista) e outra inglesa (com Sykes e Mel Galley nas guitarras).

 

Além dos medalhões da época, tivemos grandes discos de estreia em 1984:

Agnostic Front - Victim In Pain

Anthrax - Fistful of Metal

Armored Saint - March On the Saint

Bon Jovi - Bon Jovi

Great White - Great White

The Cult - Dreamtime

Grave Digger - Heavy Metal Breakdown

 


Além dessas estreias, uma merece um destaque especial. Um garoto sueco fez com que o mundo da guitarra nunca mais fosse o mesmo. Após o planeta conhecer o gênio chamado Eddie Van Halen e vê-lo revolucionar a guitarra no fim dos anos 1970, com nome complicado e gênio forte, o então iniciante Yngwie Malmsteen mostrou toda a sua técnica e domínio impressionante sobre o instrumento. Talvez não exista até hoje nenhum guitarrista que tenha um domínio sobre a guitarra tão grande quanto ele. Seu disco fez com que toda uma geração de guitarristas da década de 1990 voltasse aos conservatórios musicais para desenvolverem a técnica. O sueco teve alguns bons lançamentos após o primeiro disco, mas nada tão marcante e impactante quanto seu debut.

O mundo não é só “flores”.

 

Não pense, meu caro amigo leitor, que só de excelentes lançamentos 1984 foi pautado. Muita coisa ruim foi produzida também, assim como qualquer ano.

 

KissAnimalize

O Kiss com esse disco resolveu entrar de cabeça no então hair metal que começava a despontar, muito devido ao álbum de estreia do Bon Jovi. Animalize foi o primeiro de uma série de discos pavorosos e ridículos que a banda veio a lançar. Pouca coisa se salva. Talvez alguns fãs mais xiitas digam que “Heaven's on Fire” é um clássico, mas trata-se de uma faixa mediana, que agradou em cheio as FMs norte-americanas. Nada mais.

 

Ted Nugent  Penetrator 

Talvez esse seja o pior disco do guitarrista. Assim como diversas bandas na época, Ted quis deixar seu som mais ameno para entrar nas FM´sporém falhando miseravelmente. O som aqui se trata de uma mistura de hard rock com AOR da pior qualidade.

 

Foreigner - Agent Provocateur

A banda vinha de três grandes discos e estava em alta. Eles sempre foram extremamente radiofônicos, porém, neste álbum o grupo exagerou na dose. É nesse disco que encontramos a medonha e cafona balada "I Want To Know What Love Is". Terrível.

 

O Brasil também está no mapa:

 

O heavy metal no Brasil ainda dava seus primeiros passos, alguns poucos discos importados já chegavam mais facilmente aqui, algumas bandas locais já haviam lançado discos, como o Stress, por exemplo. Bandas como Queen, Van Halen e Kiss já haviam se apresentado no país e algumas cenas começavam a ferver.

 

Aqui também tivemos excelentes lançamentos:

 

Titãs  Titãs

O grupo paulista lança seu disco de estreia, apoiado pelo sucesso "Sonífera Ilha". Porém, outras grandes músicas podem ser encontradas no LP, como "Marvi" e "Go Back". Estreia em grande estilo.

 

Barão Vermelho Maior Abandonado

A espetacular banda carioca lança aquele que pode ser considerado o seu grande trabalho. Infelizmente, esse é o ultimo a contar com a voz do grande poeta Cazuza. Maior Abandonado é um puta disco de rock, repleto de clássicos. "Maior Abandonado", "Baby Suport", "Bete Balanço" e " Porque que a Gente é Assim?". Obrigatório para entender o rock nacional da década de 1980.

 

Paralamas do SucessoO Passo do Lui

Após a estreia apenas mediana com Cinema Mudo e alavancados pelo sucesso radiofônico de "Vital e Sua Moto", o grupo formado por Herbert Viana, Bi Ribeiro e o grande batera João Barone lançou o disco que iria abrir as portas do sucesso para a banda. Com misturas de ska, rock, pop e reggae, O Passo do Lui fez com que o Paralamas estourasse de vez no mercado nacional. O disco foi um sucesso tão grande que a banda foi escalada para o então primeiro grande festival de rock do país, o Rock In Rio. Desse disco temos as clássicas "Óculos", "Meu Erro", "Romance Ideal", "Ska" e a faixa-título. Outro disco obrigatório para entender o rock nacional dos anos 80.

 

Ratos de Porão Crucificados Pelo Sistema

Sim, nós tínhamos (e temos ainda!), um expoente do punk. A banda liderada pelo vocalista João Gordo lançou seu clássico disco de estreia em 1984. Crucificados é um dos maiores discos de punk da história. Suas letras até hoje mostram o retrato de nossa sociedade. Faixas como "Morrer", "Caos"'  "Agressão/Repressão", "Que Vergonha", "FMI" e "Corrupção" mostram a realidade do Brasil na época, e mesmo após 30 anos parecem terem sido compostas atualmente. Clássico.

 

SP Metal – Vol I

A cena de metal no Brasil ainda engatinhava, mas já possuía alguns lançamentos. SP Metal foi uma coletânea idealizada pela loja Baratos Afins afim de mostrar as novas bandas ao público. Fazem parte Avenger, Vírus, Salário Mínimo e Centúrias. Cada banda gravou duas músicas para a coletânea, sendo os destaques Centurias com "Portas Negras", Salário Mínimo com "Delírio Estelar" e Vírus com "Batalha no Setor Antares".

 

Vale a pena ouvir:

 

Claro que sempre ficarão excelentes discos de fora, vale a menção honrosa:

 

David GilmourAbout Face – Segundo disco solo do genial guitarrista do Pink Floyd

Exciter: Violence & Force – Segundo disco da banda

Krokus: The Blitz – Mais um excelente disco de Marc Storace e cia

Mercyful FateDon´t Break The Oath – Segundo disco da lenda Dinamarquesa

Rush: Grace Under Presure – O terceiro disco da fase “tecladeira” da banda

SaxonCrusader – O ultimo disco de metal antes de se transformarem em hard rock no meio da década de 1980.

 

O espaço é muito curto para falarmos de um ano tão rico de lançamentos quanto esse. Assim como toda a década de 80. Vale a pena cada leitor pesquisar mais a fundo sobre os lançamentos citados aqui, e muitos outros não comentados. A pergunta que fica no ar é: e aí, qual o melhor disco lançado esse ano ?


Por Boris Grilo

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE