29 de mar de 2014

Nocturnal: crítica de Storming Evil (2014)

sábado, março 29, 2014
O sincretismo entre thrash metal e black metal remonta aos primórdios dos anos 80, com nomes que vão desde Venom e Hellhammer, passando por Bulldozer, até chegar a Sodom, Sabbat e inúmeros outros. É um fenômeno que está longe de ser algo banal e fechado em si mesmo, tendo em vista que os próprios gêneros ainda se desenvolviam individualmente quando, lá atrás, começaram a se fundir. Aos poucos, tal mescla passou a ser algo um pouco mais palpável, delimitando-se não somente por aspectos sonoros, mas também por uma forte estética lírica e visual.

Tendo como base um recorte mais recente, porém, é possível afirmar que existe uma espécie de 'antes e depois' do que se convencionou a chamar de blackned thrash metal. Coube ao Nocturnal, um quarteto de Mainz, na Alemanha, a tarefa de estabelecer as diretrizes desse híbrido músical nos últimos dez anos. Tudo por conta de um álbum que virou ponto de inflexão dentro do cenário underground: Arrival of the Carnivore (2004). Não que o debut da banda tenha sido um sopro de originalidade e inovação. Nada disso. Contudo, foi um marco no sentido de resgatar elementos do black metal que estavam dizimados em uma cena até então tomada pela onda revival do thrash.

Sim, nomes como Desaster, Bestial Mockery, Nocturnal Breed e até mesmo o Toxic Holocaust, que na época ainda dava os primeiros passos, já faziam algo parecido. No entanto, nada tão sólido, consistente e inspirado quanto Arrival of the Carnivore. Em 2014, o disco completa uma década. Nada melhor, portanto, do que celebrar com um novo trabalho. E foi justamente o que o Nocturnal resolveu fazer. Storming Evil, lançado em 28 de fevereiro pela gravadora alemã High Roller Records, é um prato cheio para quem aprecia o som típico da banda: unholy thrash metal, como a própria gosta de definir. A versão nacional ficou a cargo da Kill Again Records. O selo de Ceilândia, no Distrito Federal, soltou uma ótima edição, com booklet farto e caprichado, além de ter acabado de relançar não apenas Arrival of the Carnivore, mas também Violent Revenge (2009), segundo álbum dos alemães e que marcou a estreia da vocalista Tyrannizer.

Gravado, mixado e masterizado em outubro de 2013, no Underworld Studio, Storming Evil mostra um Nocturnal afiado e que sabe exatamente o que quer. O disco transcorre de forma homogênea e bastante eficaz. Uma unidade black/thrash letal e impiedosa. Fundador da banda, Avenger (guitarra) divide com Tyrannizer o processo de composição, sendo que, das dez faixas, quatro são dele e seis são da bela vocalista, que se mostra muito mais solta nesta segunda incursão. Após substituir Metallic Mayhem, cantor original, a garota soube conquistar espaço no quarteto, completado por Vomitor (baixo) e pelo novato Skullsplitter (bateria), que entrou no ano passado.

Apesar de as músicas serem semelhantes e terem conexão entre si, é fácil apontar os destaques, a começar pela trinca inicial. "Storm from the Graves" abre o play com vigor e em grande estilo. O cartão de visitas ideal, sobretudo pela levada insana e com cheiro de enxofre que dá as caras a partir dos 3:15. Em seguida, "Rising Demons", que ganhou um vídeo bacana, eleva ainda mais o nível. Grudenta e dona de um refrão sensacional, mostra a capacidade que o Nocturnal tem de trabalhar bem a conexão entre riffs e linha vocal. "Tyrants of Damnation" tem um ritmo marcial de entrada e depois desemboca na velocidade tradicional do black/thrash teutônico. Além das três, vale ressaltar o peso descomunal de "Taken by Fire", na qual Tyrannizer ensina como uma mulher deve cantar em uma banda de metal extremo. Dá até pena de Arch Enemy e congêneres...

"Perish in Darkness" e "Ripping Knives" apresentam bons momentos, seguindo uma linha direta e calcada nos pilares do thrash metal alemão, principalmente na veia do Destruction. Por falar nesses expoentes, a arte da capa é de autoria de Philip Lawvere, famoso pelo trabalho em clássicos do Kreator, tais como Endless Pain (1985), Pleasure to Kill (1986) e Terrible Certainty (1987) - também desenhou para Celtic Frost, Deathrow, Hirax e até Helloween.

Em comparação a Arrival of the Carnivore, o Nocturnal apresenta hoje uma gravação melhor, bem como tem em Tyrannizer uma vocalista mais efetiva e versátil do que Metallic Mayhem, o antecessor. São dois importantes pontos positivos para Storming Evil. Em contrapartida, os tempos são outros e, possivelmente, o novo trabalho não consiga atingir o grau de relevância atribuído ao álbum de estreia. Todavia, nem precisa, pois trata-se de um disco extremamente bacana, feito por quem entende do riscado e que mantém o quarteto alemão no pelotão de frente do black/thrash. Sempre dedicado e sincero com sua sonoridade subterrânea. Se de cinco em cinco anos o Nocturnal lançar algo assim, está excelente. É o tipo de música que não precisa de novidades para ser boa.

Nota: 8,5



Faixas

1. Storm from the Graves 5:12
2. Rising Demons 5:08
3. Tyrants of Damnation 5:38
4. Preaching Death 2:35
5. Perish in Darkness 4:59
6. Crushing the Bones 4:45
7. Taken by Fire 6:54
8. Ripping Knives 2:27
9. Blessed Death 3:38
10. Ruthless Darkness 3:59

Por Guilherme Gonçalves

Editora Belas Letras anuncia o lançamento brasileiro do primeiro livro de Neil Peart

sábado, março 29, 2014
Após o grande sucesso de Ghost Rider: A Estrada da Cura, livro escrito pelo baterista do Rush, Neil Peart, onde o músico conta o período mais dramático de sua vida, quando em um curto espaço de tempo sua filha e sua esposa faleceram e ele buscou conforto na estrada ao lado apenas de sua moto e seus medos - em breve você vai ler provavelmente não apenas um, mas dois reviews aqui na Collectors, já que, assim como eu, o Guilherme também está devorando a obra -, a editora Belas Letras anunciou o lançamento de mais um livro de Peart no Brasil.

Trata-se de The Masket Rider: Cycling in West Africa, estreia do músico na literatura contando a viagem que fez à África de bicicleta, rodando o continente. Por aqui, a obra terá o título de O Ciclista Mascarado. Ainda não foi revelada a data do lançamento, mas sem dúvida trata-se de uma excelente notícia.

Além destes dois títulos, Neil Peart escreveu mais quatro livros: Traveling Music - The Soundtrack to My Life and Times, Roadshow: Landscape with Drums - A Concert Tour by Motorcycle, Far and Away - A Prize Every Time (onde relata suas viagens de moto pela América do Sul, incluindo o interior do Brasil) e Clockwork Angels: The Novel (ao lado de Kevin J. Anderson). 

Por Ricardo Seelig

28 de mar de 2014

Discografia Comentada: Edguy

sexta-feira, março 28, 2014
Esta é daquelas histórias bastante comuns no mundo do rock. Estamos em 1992. A cidade é Fulsa, na Alemanha. Quatro estudantes de 14, 15 anos resolvem montar uma banda. Fãs de heavy metal, claro, lá foram eles dedicar-se ao ofício de fazer barulho. O batismo de seu grupo foi com um apelido que, na verdade, era uma homenagem a um homem de nome Edgar Siedschlag - no caso, seu professor de matemática na época. Molecagem, obviamente. Eram os anos 1990, o metal estava sendo oficialmente declarado como morto pela espada de um gênero de cabelos desgrenhados e camisas de flanela. E, mesmo assim, o jovem Tobias Sammet (vocalista e, na época, também baixista) e seus amigos Jens Ludwig (guitarra), Dirk Sauer (guitarra) e Dominik Storch (baterista, que sairia em 1997) não se intimidaram e, fazendo jus a uma herança de nomes clássicos como o Iron Maiden e, principalmente, aos seus predecessores germânicos do Helloween, galgaram uma história que você vai entender ao longo dos discos lançados até o momento - e aguardando ansiosamente o lançamento de Space Police, sua nova bolacha de estúdio. Acompanhe com a gente.

Kingdom of Madness (1997)


Eles eram um quarteto de jovens músicos prodígio. Uns moleques metidos que, do alto de seus 16 anos, conseguiram um contrato com uma gravadora para lançar seu primeiro disco "oficial", embora já tivessem colocado no mercado uma versão demo que não deu muito certo. A produção é meio seca, um pouco tosca até, mal dá pra ouvir o baixo. Mas não esconde o prenúncio de que algo muito bom estava a caminho. Obviamente, houve quem estranhasse de primeira aquela voz meio desafinada, meio esquisita, do vocalista Tobias Sammet - que está longe de ser um rouxinol afinadinho e de voz limpa como seu ídolo Michael Kiske. Mas não dava para um bom fã de metal passar incómule diante de canções como "Deadmaker" ou "When a Hero Cries" - além de um imenso épico de 18 minutos batizado de "The Kingdom". Detalhe importante: as letras. Surgia uma banda de power metal que, ao invés de versar sobre guerreiros medievais ou ambientes de fantasia, optava por temas mais profundos, provocativos, etéreos, sentimentais. Estava feito. (Nota 7)

Vain Glory Opera (1998) 


A grande fraqueza do segundo álbum do Edguy, e que talvez seja o motivo de estarmos diante de um disco que não foi exatamente um estouro entre os metalheads, reside no fato de que ele é muito forte em sua primeira metade, mas se torna quase insípido a partir da sétima faixa. Além de uma participação especial na canção-título, o conterrâneo Hansi Kursch, do Blind Guardian, solta a voz em "Out of Control", poderosa canção que ainda tem um solo inspirado de Timo Tolkki, ex-líder do Stratovarius e responsável pela mixagem da obra. Esta primeira metade de respeito ainda tem a gostosa baladinha "Scarlet Roses" e a cavalgada "Until We Rise Again", bastante pedida pelo fã-clube oficial do grupo todas as vezes que eles aportam por aqui. Vain Glory Opera está longe de ser um disco perfeito e inconteste. No entanto, conforme defendem alguns críticos, serviu como aperitivo de seu talento e como um sinal de que tinha uma nova e jovem banda no cenário europeu, e disposta a fazer algo diferente. Um cartão de visitas mais eficiente do que o próprio disco inicial. Se eles conseguiram ultrapassar a marca do segundo álbum, grande teste da indústria fonográfica, é sinal de que vinha coisa especial pela frente ... (Nota 7,5)

Theater of Salvation (1999)


O primeiro trabalho com o novo baterista Felix Bohnke e com o baixista Tobias 'Eggi' Exxel - assumindo o instrumento que outrora Sammet acumulava com o microfone - e que transformou o Edguy definitivamente em um quinteto. Depois de Vain Glory Opera, que não disse muito a que veio mas lhe deu uma bem-vinda popularidade, era a hora da banda chutar a porta, se superar, atingir um outro nível. Era hora de mostrar que o Edguy fazia power metal, mas longe do molde genérico que facilitaria as comparações não apenas com o Helloween, sua grande influência, mas também com outros exemplares do velho continente como Hammerfall, Gamma Ray e afins. Deu certo. Basta ouvir a mistura de fúria e melodia de "Babylon", clássico absoluto, presença imbatível nos shows do grupo, para entender do que estamos falando. O mesmo vale para as guitarras acústicas (que conseguem produzir uma avalanche de riffs pesados e complexos) de "Holy Shadows" e para a gigantesca faixa-título, que surpreende a cada mudança de tempo. O grande destaque, no entanto, fica para a sua melhor balada até o momento, a deliciosa e envolvente "Land of the Miracles", que é impossível de ficar sem cantar junto - prova do talento inestimável de Tobias para produzir hits do heavy metal. E ele estava apenas abrindo a sua fábrica. (Nota 9)

The Savage Poetry (2000) 


O Edguy resolveu dar uma chance ao seu álbum demo, o primeiro lançamento colocado no rua em formato limitado, antes da assinatura de seu contrato com a gravadora AFM. Nenhuma gravadora se interessou pelo dito cujo na época, gravação realizada por um bando de moleques promissores. Mas Tobias, que estava em pleno andamento com o Avantasia, não se fez de rogado. Sabia do potencial daqueles canções. Então, eis que eles pegaram todas as músicas e regravaram, por vezes aplicando um arranjo diferente e especial, chegando até a mudar algumas letras. Quanta diferença. Detalhe: dá para comparar bem porque, em alguns mercados, The Savage Poetry saiu como um álbum duplo, com a versão demo original - que não tinha o “The” no título - na íntegra em um segundo disco. Por mais que não seja genial, o resultado final regravado e retrabalhado tem seus bons momentos. "Key to My Fate" é um metalzão melódico rápido e eficiente, uma música que mostra a banda em excelente forma e que deveria ganhar espaço mais vezes nas apresentações ao vivo. E "Eyes of the Tyrant", um épico glorioso de 10 minutos de duração, é a prova de que Tobias fez muito bem em largar o baixo e dedicar-se apenas e tão somente aos vocais. É nesta faixa que o outro Tobias, o Exxel, mostra seu talento, vibrando suas quatro cordas como quase nunca se vê em toda a discografia do quinteto. (Nota 7,5)

Mandrake (2001) 


Um CD que abre com "Tears of Mandrake", canção que é uma espécie de hino indispensável até hoje nos shows do Edguy, não tinha como errar. Um dos pontos altos da discografia dos alemães, atrás apenas de seu sucessor. É o Edguy no ápice do power metal alemão, mostrando de vez que é muito mais do que uma simples promessa. É um Edguy ainda muito Helloween, é claro. Mas que já explora um pouco a sua faceta NWOBHM - a longa "The Pharaoh", uma espécie de herdeira de "Rime of the Ancient Mariner", ou a excelente faixa-bônus "The Devil and the Savant", que poderia muito bem estar em um "Seventh Son of a Seventh Son", são provas vivas e pulsantes da influência. Se as aceleradas "Fallen Angels" e "All the Clows" conversam diretamente com o DNA germânico do grupo, "Jerusalem" e "Paintings on the Wall" até que pisam no freio, desacerelando os bumbos duplos mas sem perder peso e melodia. O mais interessante de Mandrake é que o álbum foi uma espécie de prova de fogo para Tobias Sammet - afinal, foi o primeiro lançamento do Edguy depois do sucesso estrondoso de sua ópera metálica repleta de convidados especiais. Com uma coleção fortíssima de canções, ele conseguiu provar que as duas coisas têm espaço em seu coração, com características bastante distintas e singulares. (Nota 9,5)

Hellfire Club (2004) 


Na opinião deste que vos escreve, o melhor álbum da discografia do Edguy - o passo inicial em direção a uma sonoridade que, ainda que inspirada pelo Helloween, ganhou tons e sabores diferenciados e que guiariam estes alemães pelos anos seguintes. Com uma temática mais sombria, que a capa já entrega de imediato, o instrumental arrisca-se, em alguns momentos, em um flerte com o metal britânico - que o digam "Under the Moon" e "Down with the Devil". A abertura com "Mysteria" (que, numa faixa-bônus, tem uma deliciosa versão com Mille Petrozza, o vocalista do Kreator, substituindo Tobias), além da frase que se tornaria praticamente um bordão para o Edguy - “ladies and gentlemen, welcome to the freak show!” - tem o seu quê de Judas Priest. Mas o que é mais marcante é que a banda perde de vez o medo de usar o humor em suas composições, como na grudenta "Lavatory Love Machine", escrita depois de um incidente com o avião em sua vinda para o Brasil, para a gravação do DVD ao vivo do Shaman, até então banda de seu amigo Andre Matos. A canção tem aquele ar hard rock que passaria a fascinar Tobias tanto no Edguy quanto no projeto Avantasia. Single e principal hit do disco, que os levaria inclusive a tocar na TV europeia - verdadeiro feito para uma banda de metal fora do mainstream - a música "King of Fools" já mostrava uma tendência que acabaria afastando parte dos fãs que se viciaram no Edguy de Mandrake. (Nota 10)

Rocket Ride (2006)


Em Rocket Ride continua o flerte da trupe de Sammet com o hard rock, sugerido no também excelente Hellfire Club e consolidado mais tarde no EP Superheroes. A bolacha abre com a épica "Sacrifice" que, do alto de seus 8 minutos, mais parece ter saído do disco anterior. Mas logo em seguida, a faixa-título dá início a uma nova proposta de som que pega você pelo pé e te faz ficar grudado no aparelho de som até o final. O tal "power metal melódico" (ou algo assim) está lá, é verdade - em faixas como "Wasted Time" e "Return to the Tribe". Mas se estas canções, seguindo fielmente a escola do metal da Bavária, já são nitidamente superiores ao material produzido recentemente por "umas e outras" bandas consagradas do estilo, o Edguy mostra realmente a que veio com Rocket Ride quando se liberta das amarras das nítidas influências sentidas em seus primeiros discos. Livres de qualquer comparação, eles evoluíram suficientemente para soar apenas e tão somente como Edguy. E com muito bom humor e um inegável talento, podem fazer coisas como a modernosa "Matrix" ou como as deliciosas "Out of Vogue", "The Asylum" e "Superheroes", todas com pitadas da sonoridade daquelas bandas oitentistas de calças apertadas e laquê nos cabelos. E o que dizer de "Trinidad" e sua improvável referência a ritmos caribenhos (sim, estou falando sério)? (Nota 9)

Tinnitus Sanctus (2009) 


Justamente quando seus fãs mais hardcore clamavam por uma espécie de continuação de Mandrake, surge Tinnitus Sanctus – que é ainda mais hard rock do que seu antecessor, Rocket Ride, e portanto totalmente distante de Mandrake. Hard rock com pegada mesmo, que vai da levada setentista do Deep Purple ao som cheio de marra de oitentistas como o Mötley Crüe, passando até pela pop e grudenta produção recente do Aerosmith (escute "929" e depois a gente conversa). A canção que abre o disco é o primeiro single, "Ministry of Saints", um hard ‘n’ heavy energético com um empolgante refrão milimetricamente construído para ser cantado a plenos pulmões. Na sequência, para não deixar dúvidas sobre a proposta, o riff contagiante e a letra esperta de "Sex Fire Religion" – por sinal, os carolas devem ficar longe de Tinnitus Sanctus, pois ele reflete novamente a obsessão de Tobias Sammet por sacanear os temas religiosos de maneira sutil e bem-humorada. Mas, apesar do disco ser um passo evidente na evolução musical da banda se analisarmos todo o contexto que vieram montando com Hellfire Club e Rocket Ride, este não deixa de ser o Edguy que todos conhecem. A velocidade e os pedais duplos do power metal alemão ficam bastante evidentes na longa "Speedhoven" ou mesmo nos contornos épicos de "Dragonfly". Heavy metal, e dos muitos bons, sem sombra de dúvidas. (Nota 8)

Age of the Joker (2011) 


Age of the Joker é mais do que um ótimo disco, um álbum divertido para se ouvir de cabo a rabo sem restrições, mas sim uma obra corajosa e audaciosa, cortesia de um músico que não faz qualquer questão de se curvar aos pedidos insistentes de uma trupe de xiitas que querem ouvir aquele metal melódico padrão que os Edguys faziam lá no começo de suas carreiras. O disco faz mais sentido se for representado pelos refrões grudentos de "Faces in the Darkness" e "Two Out of Seven", duas daquelas passagens que são costuradas na medida certa para funcionarem nas apresentações ao vivo. A trinca de abertura do trabalho também é emblemática – porque, depois de ouvir "Robin Hood" (segundo Sammet, a primeira elegia metálica ao príncipe dos ladrões), "Nobody’s Hero" e "Rock of Cashel", é muito difícil sair indiferente, sem ao menos cantarolar a melodia enquanto ensaia um air guitar. Mesmo a longa "Behind the Gates to Midnight World", com seus quase nove minutos, é menos épica e grandiosa e muito mais bonitinha. Pode parecer pouco, mas juro que não consigo encontrar outra expressão que não "bonitinha". Está mais para Aerosmith (aquele dos anos 70, leia-se) do que para Helloween. (Nota 8)

Por Thiago Cardim

Hellyeah divulga duas novas músicas

sexta-feira, março 28, 2014
O Hellyeah divulgou duas novas faixas que estarão em seu próximo disco. As inéditas “Sangre por Sangre (Blood for Blood)” e “Cross to Bier (Cradle of Bones)” fazem parte de Blood for Blood, quarto álbum do grupo, com data de lançamento marcada para 10 de junho pela Eleven Seven Music.

O disco foi produzido Kevin Churko (Five Finger Death Punch, Ozzy, In This Moment) e trará dez faixas. “Sangre por Sangre”, primeiro single, ganhará também um clipe, que já está em produção.

Abaixo o tracklist do sucessor de Band of Brothers (2012) e as duas faixas inéditas reveladas. Curtiu?

1 Sangre Por Sangre (Blood For Blood)

2 Demons In The Dirt

3 Soul Killer

4 Moth

5 Cross To Bier (Cradle Of Bones)

6 DMF

7 Gift

8 Hush

9 Say When

10 Black December


 

Por Ricardo Seelig

Testament: crítica de Dark Roots of Thrash (2013)

sexta-feira, março 28, 2014
Dark Roots of Thrash é um dos grandes álbuns ao vivo da história do thrash metal e, por extensão, do próprio heavy metal como gênero musical. As razões para essa afirmação são muitas. A qualidade e força das dezoito faixas presentes no disco são de deixar qualquer fã do estilo não apenas embasbacado, mas, sobretudo, com o pescoço dolorido. A formação que gravou o play - Chuck Billy (vocal), Alex Skolnick (guitarra), Eric Peterson (guitarra), Greg Christian (baixo) e Gene Hoglan (bateria) - é provavelmente a melhor e, certamente, a mais técnica da história do quinteto norte-americano. E o trabalho que o grupo estava promovendo, Dark Roots of Earth (2012), é certamente um dos mais sólidos discos da carreira do Testament.

Gravado no The Paramount Theatre em Huntington, Nova York, no dia 15 de fevereiro de 2013, Dark Roots of Thrash foi lançado em 22 de outubro do mesmo ano em CD duplo, DVD e LP duplo. Com um setlist que equilibra canções mais recentes com clássicos do passado como “Practice What You Preach” e “Disciples of the Watch”, o disco prima pela energia e precisão com que as faixas são executadas. Capturando um momento especial na carreira da banda, Dark Roots of Thrash atesta não somente o poder sonoro e criativo do Testament atual como também faz justiça a um dos maiores e mais importantes nomes do thrash metal.

Tenho uma teoria, e queria dividi-la com vocês: o Testament dos últimos anos, de discos como The Formation of Damnation (2008) e Dark Roots of Earth, soa aos meus ouvidos de uma maneira similar como a que eu imagino que o Metallica estaria soando hoje em dia se seguisse na trilha do thrash. Explico: talvez isso se dê pela semelhança que sinto entre o timbre de voz de Chuck Billy e James Hetfield, ou pelo desejo utópico de ouvir Lars Ulrich tocando no nível de excelência exibido por Gene Hoglan. Ou, sendo mais prático e pés no chão, talvez eu faça essa associação pelo fato de que o Metallica sempre foi, desde o início, uma das maiores inflências do Testament. Seja como for, o fato é que canções como “Dark Roots of Earth”, “Rise Up” e outras entram pelos meus tímpanos e vão direto para as memórias afetivas relacionadas ao Metallica, por mais estranho que isso possa parecer para quem, por ventura, não tenha a mesma percepção que a minha.

Enfim, voltando ao Testament, o que temos é um álbum duplo sensacional, onde o desfile de boas composições é constante. Há ótimos momentos em abundância, como “Burnt Offerings”, “Native Blood”, “True American Hate”, “Into the Pit” e muitos outros, que só comprovam o momento especial da banda. A participação do público é marcante, e entre os músicos o nível é nivelado por cima, com performances inspiradas de todos, ainda que Hoglan acabe se destacando pela sua infinita capacidade técnica. Chuck Billy também merece menção, com excelentes interpretações.

Em suma, Dark Roots of Thrash é uma pedrada. É um bálsamo. É um presente. É um disco ótimo, que transborda metal de alto quilate em todas as suas faixas. E é, acima de tudo, o documento definitivo da força, importância e influência do Testament.

Não dá pra deixar passar!

Nota 9

Faixas:
CD 1
1 Intro
2 Rise Up
3 More Than Meets the Eye
4 Burnt Offerings
5 Native Blood
6 True American Hate
7 Dark Roots of Earth
8 Into the Pit
9 Practice What You Preach

CD 2
1 Riding the Snake
2 Eyes of Wrath
3 Trial by Fire
4 The Haunting
5 The New Order
6 D.N.R. (Do Not Resuscitate)
7 Three Days in Darkness
8 The Formation of Damnation
9 Over the Wall
10 Disciples of the Watch

Por Ricardo Seelig

27 de mar de 2014

Novo livro sobre Kurt Cobain chega ao Brasil no aniversário de 20 anos da morte do músico

quinta-feira, março 27, 2014
No próximo dia 5 de abril, a morte de Kurt Cobain completará 20 anos. Relembrando o artista, a editora Nova Fronteira está lançando no Brasil o livro Kurt Cobain: A Construção do Mito, escrito por Charles Cross - mesmo autor da mais conhecida biografia sobre o líder do Nirvana, a obrigatória Mais Pesado Que o Céu - e traduzido por Roberto Muggiati, veterano do jornalismo rock brasileiro.

A obra é curta, apenas 176 páginas, e passa longe de ser uma biografia. O que Cross faz é uma análise sobre Cobain, símbolo de uma geração. O autor acompanhou de perto toda a curta, porém intensa, trajetória do Nirvana, e possui uma longa relação profissional com o grupo. Na época da morte de Kurt, Charles era o editor da revista The Rocker Magazine e foi um dos primeiros a saber da morte do guitarrista. A Construção do Mito tem o seu início justamente nesse fato e em como o suicídio de Cobain impactou fãs, músicos e todo o cenário.

Com uma linguagem direta, a obra fala sobre o impacto de Nevermind, a influência do Nirvana na música e na cultura pop, o relacionamento com Courtney Love, o envolvimento com as drogas e a relação de Cobain com a sua cidade natal, Aberdeen.


Para marcar o lançamento, a Nova Fronteira está promovendo um evento sábado, dia 05/04, na Livraria Saraiva do Shopping Morumbi, em São Paulo. Na ocasião, o público poderá trocar ideias sobre a obra, Kurt Cobain e Nirvana com o DJ Rodrigo Branco, da Kiss FM, além de assistir ao pocket show do Nirvana Cover Brasil. O evento acontecerá a partir das 18h e terá entrada franca.

Boa dica para a sua biblioteca musical, ou discografia literária, como preferir.

Por Ricardo Seelig

Veja a lista completa de títulos que serão lançados no Record Store Day 2014

quinta-feira, março 27, 2014
O já tradicional Record Store Day acontecerá no dia 19 de abril nas lojas de discos independentes dos Estados Unidos e Europa. Aqui no Brasil também deverão acontecer alguns eventos, como os que ocorreram em anos anteriores em redes como a Livraria Cultura.

Serão lançados dezenas de títulos em edições limitadas e formatos diversos, que estarão disponíveis apenas no dia 19/04 - ok, depois eles aparecem nos eBays da vida, mas a preços exorbitantes.


O embaixador do Record Store Day 2014 é o lendário Chuck D, do Public Enemy, ocupando o posto que já foi de nomes como Jack White, Ozzy Osbourne e Iggy Pop.

Para você já ir se programando, aqui está a lista completa de títulos que serão disponibilizados no RSD 2014. Bom apetite.

Por Ricardo Seelig

Bandas de Um Disco Só: Saints & Sinners

quinta-feira, março 27, 2014
A breve história do Saints & Sinners se assemelha à de praticamente todas as bandas de glam metal que apareceram após a virada dos anos 1990. A banda teve início na francófona cidade de Montreal, no Canadá, em 1991, a partir da junção de forças entre o vocalista Rick Hughes (Sword) e o tecladista Jesse Bradman (Aldo Nova, Night Ranger e UFO). Stephane Dufour (guitarra), Martin Bolduc (baixo) e Jeff Salem (bateria) completavam a escalação que entrou em estúdio para registrar o que seria o único trabalho do grupo.

Fugindo à regra que se aplicava às bandas de selos independentes, o Saints & Sinners contou com um verdadeiro time de feras na gravação de seu disco. Na mesa de som, ninguém menos que Paul Northfield, que acabara de trabalhar no clássico Empire (1990) do Queensrÿche e desde Systemathic Chaos (2007) é a primeira opção do Dream Theater. A masterização ficou a cargo do respeitado e premiado Bob Ludwig. E quem produziu? Aldo Nova, aquele cujo nome provoca arrepios na turminha chegada num AOR.

A partir do momento em que virou receita de bolo — ou de grana fácil —, o glam metal foi perdendo a expansividade, com um zilhão de bandas surgindo e lançando trabalhos cada vez mais homogêneos. Quando o fator novidade caiu por terra, o gênero enfiou o pé na cova. Diante disso, não se pode esperar algo original do Saints & Sinners. A fórmula é batida, ok, mas nos quesitos de desempate o quinteto se dá bem: execução, carisma e o caráter "festinha", que funciona como uma espécie de ISO 9000 do glam metal. Afinal, se não empolga e se não agita, jogue fora!

Em pouco mais de 40 minutos, o que se ouve são guitarras pontiagudas e muitas vezes em dobro; teclado aparecendo em momentos cruciais; bateria e baixo estabelecendo uma base sólida; e o vocal sempre à beira do abismo, tendo um fundo vocal de primeira como anteparo. Os refrãos são ganchudos, os solos são esmerilhos furiosos, o conjunto brilha uniforme. A título de referência, algo por aqui me lembrou o Winger do disco de estreia, bem como o Dokken em sua fase de transição pós-Tooth and Nail (1984).

Destaques pessoais para "Lesson of Love" (chi-cle-te!), "Kiss the Bastards" (porque toda banda de glam metal que se preze tem que ter uma faixa sobre ser um badass) e "Frankenstein", uma peça de quase dez minutos, fragmentada em duas partes no CD, na qual o grupo mergulha de cabeça num mar de peso adicional e complexidade, tanto temática quanto musical.

Saints & Sinners chegou às lojas em 1992 — no Canadá via Aquarius e nos EUA via Savage. Cada versão do álbum possui uma capa diferente, mas isso só depende da maneira que você dobrar o encarte. A falta de interesse da mídia e do público como um todo levou ao rompimento um ano mais tarde. Mas independente disso, vamos ver o que o grupo, de fato, oferece em termos de som. Músicas de trabalho foram três: "Walk That Walk", "We Belong" e a baladaça "Takin' My Chances".

Faixas:
1 Shake
2 Rip It Up
3 Walk That Walk
4 Takin' My Chances
5 Kiss the Bastards
6 Wheels of Fire
7 Lesson of Love
8 We Belong
9 Frankenstein (Intro)
10 Frankenstein
11 Slippin' Into Darkness

Por Marcelo Vieira

Uli Jon Roth (Teatro Rival Petrobras, 25/03/2014, Rio de Janeiro)

quinta-feira, março 27, 2014
Uli Jon Roth chegou ao Scorpions em 1973, substituindo Michael Schenker na guitarra solo. Participou de quatro álbuns da banda entre 1974 a 1978, tendo sido o seu principal compositor no período. Insatisfeito com o direcionamento musical que estava sendo tomado — visando, obviamente, espaço nas rádios e destaque na mídia em geral —, pediu as contas pouco antes do lançamento do ao vivo Tokyo Tapes. Desde então, desviou o foco do rock em favor de sons mais psicodélicos e transcendentais, no que seria um meio termo entre Hendrix e o barroco europeu. Sua discografia pós-Scorpions conta com mais de dez trabalhos.

A atual turnê, que celebra os 40 anos de Fly to the Rainbow — segundo álbum do Scorpions e primeiro com Roth na guitarra — desembarcou na Cidade Maravilhosa na última terça-feira para única apresentação no palco do Teatro Rival Petrobras, casa que cada vez mais se estabelece como primeira opção para os produtores locais de shows de pequeno e médio porte. Em meio aos quase 200 presentes, era possível contar nos dedos as mulheres e as pessoas que aparentavam ter menos de 50 anos. Havia também um ou outro que pela maneira que assistiam aquilo tudo, deviam estar se perguntando que horas rolaria “Rock You Like A Hurricane”.


Estava na descrição do evento: Uli Jon Roth plays Scorpions. Capisce. Como explicar para o cidadão que só conhece a banda a partir das trilhas sonoras de novelas dos anos 1990 que as músicas que marcaram a sua vida não seriam tocadas — por razões óbvias — naquela noite? Meia dúzia deve ter saído com a sensação de ter jogado o dinheiro fora. E mesmo quem curte a fase setentista do Scorpions deve ter se surpreendido com a abordagem acid rock que Roth conferiu a canções como “Dark Lady”, na qual inseriu um improviso de quase 10 minutos. E não foi só nessa.

Ainda bem que ele saiu do Scorpions — disse um amigo, perplexo diante do que seria a banda caso Roth tivesse continuado nas seis cordas. Não dá para comparar o Scorpions dos anos 1980 em diante, dos refrões ganchudos feitos sob medida para arenas lotadas com o que Uli considerava o direcionamento correto a seguir. E achismos à parte, foi após a saída do guitarrista que o Scorpions lançou os seus melhores trabalhos e despontou para o estrelato mundial. A Roth, se faltaram os milhões de dólares e discos multiplatinados, veio o status perante a ala mais conservadora e caras como Yngwie Malmsteen apontando-o entre as suas principais influências.


No palco, é como se estivesse prestes a levitar. Vestido como uma divindade hippie trazida diretamente do pós-Woodstock, esmerilha sua Sky Guitar com leveza e elegância. Toca fácil, o Roth. Dá inveja. Sua banda também não é nada mal, sobretudo o seu vocalista e também guitarrista, com timbre meio Michael Sweet (Stryper) e gogó de sobra para se arriscar nos agudos mais ousados que Klaus Meine já registrou. A crítica fica para o som saturado que projetava o teclado em primeiríssimo plano, engolindo os demais instrumentos e as vozes.

Havia também grande expectativa com relação ao repertório, já que a fase do Scorpions em questão conta com uma porção de hits em menor escala — “Speedy's Coming”, “Virgin Killer”, “He's a Woman, She's a Man”, “Steamrock Fever”... todas essas ficaram de fora. Em compensação, marcaram presença “Catch Your Train”, “Fly to the Rainbow”, “Top of the Bill” e “In Trance”, envolta em belíssimo jogo de luzes alaranjadas. E, claro, não faltou “Pictured Life”. Teve até tiozão subindo em cadeira!



Um grande momento da apresentação foi a hexafônica “The Sails of Charon”; uma peça admirável, milimetricamente construída sobre intervalos de tons inteiros, desafiando o óbvio da teoria musical. “We'll Burn the Sky” veio na sequência, carregada de emoção. Para quem não sabe, a música originou-se a partir de um poema homônimo escrito por Monika Dannemann, a última namorada de Jimi Hendrix, em homenagem ao então recém-falecido músico. Com um background desses, somado a uma resposta tão positiva do público no coro e nas palmas, o resultado não poderia ser outro.

Falando em Hendrix, o bis consistiu num verdadeiro tributo ao reinventor da guitarra, com “All Along the Watchtower” — o próprio Bob Dylan reconhece que esta canção pertence a Jimi, ok?! — e um medley com “If 6 Was 9” e “Little Wing”. A saideira foi gélida, com a instrumental “Atlantis”. Não rolou agradecimento, não deu tempo de tirar foto. O último toque no aro foi a deixa para Uli e os outros virarem as costas rumo a escuridão dos bastidores.

Uli Jon Roth e sua banda seguem para São Paulo, onde se apresentam no próximo dia 29.

Por Marcelo Vieira
Fotos: Daniel Croce

26 de mar de 2014

Os 10 melhores discos do Kiss segundo a Rolling Stone

quarta-feira, março 26, 2014
Pela primeira vez e após 40 anos de história, finalmente a banda Kiss estampará a capa da revista Rolling Stone em seu país de origem. A edição sai em abril nos Estados Unidos. Como diz o ditado, antes tarde do que nunca. A tendência é que em breve, como de costume, a edição nacional da renomada publicação também saia por aqui com a banda em suas páginas.

Aproveitando a oportunidade, o site da revista elaborou uma lista com os 10 melhores discos do grupo, em uma seleção que mescla clássicos da discografia do quarteto com outros lançamentos bastante questionáveis.

Sem mais delongas, eis a lista:

10. Hot in the Shade (1989)
9. Alive II (1977)
8. Rock and Roll Over (1976)
7. Creatures of the Night (1982)
6. Dressed to Kill (1975)
5. Hotter Than Hell (1974)
4. Love Gun (1977)
3. Destroyer (1976)
2. Alive! (1975)
1. Kiss (1974)

E para você, amigo leitor, quais são os 10 melhores discos do Kiss? Quais títulos substituiria na lista elaborada pela revista?

Não deixe de dar sua opinião nos comentários.

Por Tiago Neves

Ouça a versão de Corey Taylor para “Rainbow in the Dark”, que estará no novo tributo a Dio

quarta-feira, março 26, 2014
Corey Taylor (caso você more em outro planeta, informamos: vocalista do Slipknot e do Stone Sour) chamou uma turma de amigos e gravou uma versão para “Rainbow in the Dark”, um dos maiores clássicos de Dio, para This is Your Life, novo tributo ao falecido vocalista. Ao lado de Taylor estão Roy Mayorga, Christian Martucci, Jason Christopher e Satchel.

Ouça abaixo:


Por Ricardo Seelig

Playlist Collectors Room: as versões originais de This is Your Life, tributo a Dio

quarta-feira, março 26, 2014
This is Your Life, novo tributo a Ronnie James Dio, será lançado dia 15 de maio pela Warner, inclusive aqui no Brasil. Para todo mundo entrar no clima e porque nunca é demais ouvir novamente uma das maiores vozes da história do rock, preparamos uma playlist com as gravações originais das faixas que estarão no tributo.

Para ouvir, é só clicar aqui. E, claro, colocar o volume no máximo!

Por Ricardo Seelig

Galeria de fotos: Sixto Rodríguez - O renascer

quarta-feira, março 26, 2014
Na década de 90, fãs sul-africanos maníacos pela obra de Sixto Rodríguez conseguiram o improvável: confirmar que o singer-songwriter marginal de Detroit não havia cometido suicídio, como até então se pensava, bem como promover um revival do culto. Com a globalização e o advento da internet, ficou mais fácil investigar quem era esse total desconhecido na América, mas que na África do Sul havia vendido cerca de 500 mil discos - estimativa de selos locais. Ficou mais fácil popularizar informações a respeito do andarilho errante.

Tal redescoberta possibilitou o show que originou o ao vivo Live Fact, gravado na África do Sul em 1998. Aos poucos, mais pessoas passaram a ter acesso à obra de Rodríguez. O auge se deu com o lançamento de Searching for Sugar Man (2012), importante documentário que relata a história desse personagem - assista no player a seguir. Atualmente, o cantor está com 71 anos e continua morando em sua cidade-natal. Se antes destacamos os primórdios de sua trajetória obscura, agora publicamos fotos relativamente recentes do mago Sixto.










Por Guilherme Gonçalves

25 de mar de 2014

O que o Kiss e Justin Bieber têm em comum?

terça-feira, março 25, 2014
Era o início da década de 1970. Alice Cooper já havia aberto a porta do circo dos horrores, fazendo de suas apresentações experiências chocantes para o público e um prato cheio para a crítica descer o malho. Seguindo os passos do velho Coop, o Kiss fez barulho na cena nova-iorquina até então dominada pelo New York Dolls, levando algo que já era escandaloso para o próximo nível.

A princípio, os quatro mascarados que subiam ao palco cuspindo fogo e sangue foram espinafrados. Uma resenha publicada no Seattle Daily Times em 27 de maio de 1974 dizia o seguinte: “Eu espero que estes quatro mascarados, cujos nomes pouco importam, estejam guardando algum dinheiro para o futuro, pois eles não durarão por muito tempo.” Pois é, o tempo provou justamente o contrário.

A questão é que, desde os primórdios, o Kiss entendia: all press is good press — o famoso “falem mal, mas falem de mim.” Consciente de que os fãs é que mandam, a banda deixava sempre nas mãos deles o ultimato. E dessa maneira, sobreviveram sendo odiados quase na mesma proporção que são amados, provando que o oposto do amor não é o ódio, mas sim a indiferença.

Tendo isso em mente, avancemos rumo ao século XXI, onde grandes astros da música pop, assim como o Kiss no passado, mobilizam tanto adoradores quanto haters. Managers de Justin Bieber e muitos outros reconhecem o mesmo que Gene Simmons e companhia: diante da incapacidade de agradar a todos precisam encontrar meios de não serem sumariamente ignorados pela mídia, que é o elo entre o artista e aqueles que podem amá-lo ou odiá-lo.

Fazendo menção à célebre frase de George Bernard Shaw, “the secret to success is to offend the greatest number of people”, a diferença reside apenas na maneira com a qual um e outro atraem os olhos da imprensa. Não há registros de Gene Simmons pichando muros ou fumando maconha em público, por exemplo.

Por quê é importante ter haters? Simples: só o fato de existirem — seja manifestando o seu ódio em silêncio ou extravasando através de textos e vídeos que no fim das contas são clipping para assessorias de imprensa — assegura que o artista está na boca do povo.

Durante algum tempo o clipe de "Baby", canção que revelou Bieber, foi, simultaneamente, o vídeo com mais visualizações e mais opções "Não gostei" no YouTube. Isso é estar na boca do povo.

Todo mundo tem um lado crítico. Todo mundo vai emitir uma opinião. Esperto é o artista — ou o manager — que enxerga isso e os milhões de dólares caindo do céu mais à frente.

Por Marcelo Vieira

“Born in Winter”, o novo clipe do Gojira

terça-feira, março 25, 2014
O quarteto francês Gojira, uma das bandas mais interessantes e originais do metal contemporâneo, lançou hoje o seu novo clipe. Todo em animação, o vídeo foi criado e dirigido por Jossie Malis, do estúdio de animação espanhol Zumbakamera.

A faixa escolhida, “Born in Winter”, faz parte do último álbum do grupo, L’Enfant Sauvage, lançado em 2012.

Assista ao belo trabalho no player abaixo:



Por Ricardo Seelig

24 de mar de 2014

Dynahead: Crítica de Chordata II (2014)

segunda-feira, março 24, 2014
A banda brasiliense Dynahead pode facilmente ser categorizada como uma das mais interessantes quando se trata de heavy metal no Brasil. Seguindo o seu próprio caminho, o grupo formado por Caio Duarte, Diogo Mafra, Pablo Vilela e Diego Teixeira foge do convencional ao elaborar um híbrido musical sem barreiras.

Interligando diversas vertentes, do thrash metal ao mathcore, que se combinam em um resultado progressivo simplesmente singular desde a seu trabalho inicial em Antigen (2008), uma equação que se mostrou ainda mais ampla e elaborada do que o prevista em Youniverse (2011), até culminar na epopeia grandiosa de Chordata, a obra dividida em duas partes que tem como base a evolução humana sob seus aspectos biológicos e filosóficos.


Tendo o primeiro episódio sido lançado pelo próprio grupo em 11 de março de 2013, a sua continuação saiu em formato digital praticamente um ano depois, em 20 de janeiro. E como ambos foram gravados simultaneamente, é de se esperar que Chordata II soasse apenas como uma progressão natural do anterior – mas a realidade é que eles vão muito além.

Com introdução extremamente marcante, proporcionada por um simples e absurdamente pesado riff, "Jugis" dá continuidade ao conceito no ponto em que a primeira parte deixou em aberto. Com relativa pouca variação, a agressividade instrumental e lírica se apresenta mais densa do que o habitual, tornando-se claustrofóbica e extrema. A sensação se materializa ainda mais intensa em "Kode", a atordoante e espetacular peça de mais de vinte minutos de duração, um marco na discografia do Dynahead.

Dinâmica, contrapondo aquele meio termo entre o prog metal e o mathcore, que aqui parece caminhar conscientemente através de tortuosas trilhas pela parte mais soturna do death e do black metal, ainda deixa espaço para intervenções atmosféricas e arrastadas que beiram o obscuro sludge americano, assim como o power metal e rock progressivo, que se mesclam ao diferenciado toque de música brasileira, talvez um dos mais belos pontos dentre todos os níveis musicais apresentados na faixa. Importante notar como há uma progressão entre cada passagem, e a fórmula diferente torna cada virada brusca e contrastante algo intrigante, e ao mesmo tempo natural – fator que desorienta e praticamente obriga a revisitar diversas vezes a faixa em busca de novos detalhes.

"Legis", ao seu modo, não vem em seguida como um descanso momentâneo para a mente após a experiência que acabou de vivenciar. Muito pelo contrário, desaba incessantemente uma tempestade de ritmos complexos e quebrados que trituram suas vértebras entre o groove e o math (ou seria djent?), mas sempre guardados pela já característica veia progressiva que conduz todo o álbum. Com proposta semelhante, "Mortem" traz uma belíssima infinidade de passagens mezzo-jazz mezzo-Meshuggah acompanhada de assombrosas linhas técnicas com quase irreconhecíveis ritmos regionais em certos momentos. "Numinous" encerra o trabalho totalmente baseada em instrumentos acústicos de tempos não convencionais e inteligentes linhas de vozes, demonstrando como escapar da obviedade mesmo nos momentos mais simples.

Se Chordata I trazia predominantemente o lado mais climático e sereno do Dynahead em certos momentos, a sua segunda parte afunda completamente nos aspectos soturnos, violentos, um lado extremo que até então não havia se materializado com tamanha brutalidade. Somado a isso, fica a impressão de que a banda força cada vez mais seus limites nas questões técnicas de suas composições, com estruturas e idéias que por mais inesperadas que possam soar no primeiro instante, se mostram condizentes (e muito) com a equação dinâmica que sempre fez parte da proposta da banda – o maior exemplo disto definitivamente está materializado ao longo dos vinte minutos de "Kode". 

Chordata II mantém a discografia da banda em níveis altíssimos, com músicas que ao extrapolarem o trabalho de composição já visto anteriormente continuam a desafiar quem as ouve, segurando agressivamente dentro de seu conceito e do caos a ser compreendido apenas depois de várias e concentradas audições. Exatamente por isso, o Dynahead permanece como um dos mais interessantes nomes da vanguarda do heavy metal brasileiro.

Nota 9

Faixas:
1 Jugis
2 Kode
3 Legis
4 Mortem
5 Numinous


Por Rodrigo Carvalho

Sexo, cocaína, lesbianismo e a porra toda: os 25 anos de Dr. Feelgood, o resumo perfeito do Mötley Crüe

segunda-feira, março 24, 2014
Parece sintomático, senhoras e senhores, que o disco mais bem-sucedido comercialmente da carreira do quarteto conhecido como Mötley Crüe complete 25 anos exatamente no mesmo ano em que a banda vai iniciar a sua turnê de despedida definitiva dos palcos. Seu quinto trabalho de estúdio, Dr. Feelgood chegou ao topo das paradas de sucesso da Billboard em 1989, seu ano de lançamento - vendendo a bagatela de 6 milhões de cópias apenas nos EUA.

No entanto, Dr. Feelgood também carrega duas marcas dolorosas não apenas para a banda, mas também para seus congêneres. Este foi o último disco de estúdio antes da saída do vocalista Vince Neil - em um dos muitos e recorrentes episódios de desentendimentos entre os integrantes do Crüe. Substituído por John Corabi no álbum auto-intitulado de 1994, Neil voltaria ao grupo em Generation Swine, lançado em 1997. No entanto, o seu afastamento foi inegavelmente o ponto de partida de uma era de declínio para a banda - o retorno se mostraria um fracasso de vendas e forçaria o grupo a abandonar a Elektra, sua gravadora, para montar seu próprio selo musical.

Mas também é fácil dizer que Dr. Feelgood foi o canto do cisne do glam metal, o hard rock farofa que dominou as rádios e as emissoras musicais na década de 80 mas que, nos anos 90, iniciou um declínio visível - causado, em grande parte, pelo surgimento do grunge. Um tipo de música mais cru, mais básico, bebendo na fonte de simplicidade e fúria do punk, o grunge dos moleques de camisa de flanela derrubou a popularidade de uma dezena de bandas calcadas na fórmula do laquê, da maquiagem, da pirotecnia e de toda a sorte de exageros. Os adolescentes da década de 90 passaram a não se identificar mais com os crües e seus clones, mas sim com a horda de amigos de Kurt Cobain e seus parceiros de Seattle. Mas isso é outra história ...

É muito, mas muito fácil entender as razões do sucesso de Dr. Feelgood. Sem qualquer pretensão de ser mais do que apenas diversão (e das boas!), o álbum é um precioso apanhado de hits, canções alucinadas e contagiantes, com refrãos impossíveis de resistir. A produção ficou a cargo do canadense Bob Rock, que já trabalhou com nomes como Bon Jovi, The Cult, Skid Row, The Offspring, Cher e Bush. Graças ao som da bateria neste trabalho de Rock com Dr. Feelgood, aliás, foi que Lars Ulrich pediu para que ele viesse se juntar ao Metallica na produção do que viria a ser o chamado Black Album - não por acaso, o disco que se tornaria também o grande sucesso comercial do quarteto outrora thrash.

A faixa-título tornou-se um clássico absoluto do Crüe, tão indispensável em seu setlist quanto "Girls, Girls, Girls". Embora a mídia trate Theodor Morell, o médico particular de Adolf Hitler, pela alcunha de Doctor Feelgood - graças às técnicas pouco ortodoxas para livrar o irascível patrão da dor - a canção faz referência direta à figura do traficante de drogas. Inspirado por uma dezena de traficantes que conhecia, o baixista Nikki Sixx não teve dificuldades para forjar a história de Jimmy, um vendedor de entorpecentes na região de Hollywood que tinha conexões tanto com a máfia mexicana quanto com a polícia. A vida imita a arte, a arte imita a vida? Só Sixx sabe.


Por sinal, outra canção emblemática do disco (e aquela que eu considero a minha favorita da banda) é também inspirada em uma história real: "Kickstart My Heart". No dia 23 de dezembro de 1987, o próprio Sixx sofreu uma overdose de heroína. A caminho do hospital, o músico foi declarado oficialmente morto - mas um dos médicos, que era fã do grupo, trouxe Sixx de volta à vida injetando duas doses de adrenalina em seu coração. Lenda urbana ou não, o fato é que a canção cravou em pedra mais uma das muitas histórias do Mötley Crüe envolvendo cocaína, heroína e toda coleção de drogas que eles já ousaram experimentar. "Eu escrevi a música muito rápido e trouxe pros ensaios", contou Sixx em um papo com a revista Rolling Stone. "Achei que era algo para jogar fora, tinha cara de sobra do 'Too Fast For Love'. Mas se encaixou no álbum melhor do que deveria".

Dr. Feelgood ainda tinha espaço para outra história real, esta bem mais graciosa e, por que não dizer, romântica. Para a balada "Without You", Sixx se inspirou no romance do baterista Tommy Lee com a atriz Heather Locklear (da primeira versão da série Melrose Place). "É uma música sob a perspectiva de Tommy, sobre como a vida não seria a mesma sem ela. Era um bom relacionamento na época. É uma espécie de momento romântico. Me desculpem por isso", explica Sixx, tirando onda. O casamento dos dois ruiria em 1993 - e depois Lee começaria seu famoso relacionamento com a igualmente loira Pamela Anderson. Rompimentos, aliás, são o tema de outra ótima canção do álbum, "Same Ol' Situation". É essencialmente uma faixa que versa sobre um cara abandonado pela namorada - que resolve ficar com outra mulher. Exato. Lesbianismo. "Eu amo porque, quando a gravadora a ouviu, logo pensaram 'Oh, esta música é perfeita para ser um single'. E nós pensamos, ah, maravilha. Depois a gente conta pra eles que é sobre lésbicas", revela Sixx, às gargalhadas.

Aqueles com ouvidos mais apurados devem prestar atenção redobrada em "She Goes Down", que versa sobre o tema da lealdade/fidelidade ("por mais que nós não sejamos os caras mais fiéis do mundo", confessa Sixx). O vocalista Vince Neil dá a dica: "Tem um sexo rolando no fundo, bem lá no fundo, se vocês prestarem atenção. Não podemos dizer quem está envolvido, mas a prostituição é legalizada em Vancouver", afirma, a respeito do local no qual rolaram as gravações, o estúdio canadense Little Mountain Sound Studios. Aliás, o trabalho no famoso estúdio facilitou as participações especiais do disco - em "She Goes Down", por exemplo, o vocalista do Cheap Trick, Robin Zander, ajuda nos backing vocals. Já em "Sticky Sweet", o elenco de vozes de fundo foi ainda mais estrelado - o cantor Bryan Adams vive na cidade, então foi fácil convocá-lo. E como o Aerosmith estava gravando Pump no mesmo lugar, não demorou até que Steven Tyler também fosse dar o ar de sua graça ... e de sua voz.

"Esta é uma grande música. Temos tocado por anos. É uma espécie de canção para fazer a galera se sentir bem. Quando ela surge, todo mundo quer cantar junto", afirma Neil a respeito de "Don't Go Away Mad", outra das minhas favoritas do grupo. Mas aqui fica a dúvida: no que Sixx teria se inspirado para escrevê-la? Diz ele que ouviu a frase "don't go away mad - just go away" em um filme, gostou e achou que ela daria uma boa ideia para uma música. O atual líder e principal compositor do Crüe só não consegue se lembrar em qual filme teria sido. Mas tudo bem, a gente ajuda o sujeito: temos quase certeza que foi em O Destemido Senhor da Guerra (Heartbreak Ridge), de 1986, dirigido e estrelado por Clint Eastwood.

De nada, Sixx. Mas basta usar o Google de vez em quando.

Por Thiago Cardim

Ouça “Ronnie Rising Medley”, participação do Metallica no tributo a Dio

segunda-feira, março 24, 2014
Com 9 minutos de duração, já está disponível para audição a participação do Metallica no tributo This is Your Life, em homenagem ao falecido Ronnie James Dio. Com o título de “Ronnie Rising Medley”, a faixa conta com trechos de “A Light in the Black” , “Tarot Woman”, “Stargazer” e “Kill the King”, todas do Rainbow, em um esquema semelhante à homenagem que a banda prestou ao Mercyful Fate no duplo Garage Inc.

This is Your Life será lançado no Brasil em edição digipak dia 19 de maio, através da Warner Music.

Ouça abaixo mais uma prova do quanto o Metallica segue executando covers sensacionais, uma tradição na longa carreira da banda de James Hetfield e Lars Ulrich.



Por Ricardo Seelig

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